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SEXO FEMININO

Sistema reprodutor:

  • - Órgãos internos: trompas de falópio, ovários, útero, cervix, vagina

  • - Órgãos externos: vulva, lábios, clitóris.

Estrutura dos ovários e oogénese:

O ovário divide-se por duas zonas:

  • 1. Zona cortical: mais externa, apresenta folículos em diferentes estádios de desenvolvimento

  • 2. Zona medular: mais interna, constituída por um tecido com numerosos vasos sanguíneos e nervos.

Fases da oogénese:

  • 1. Multiplicação: ocorre durante o desenvolvimento embrionário. As células germinativas, nos ovários, sofrem sucessivas mitoses formando oogónias (diploides), cuja maior parte degenera, não ocorrendo nova produção.

  • 2. Crescimento: aumento do volume da célula. As oogónias armazenam substâncias de reserva no citoplasma, que asseguram a nutrição do novo ser nos 1ºs dias. Torna-se assim um oócito I (diploide), cuja maior parte também degenera.

  • 3. Maturação: o oócito I bloqueia em profase I (infância). Na puberdade a meiose continua (início dos ciclos ováricos). Em cada ciclo só um oócito I passa a oócito II (haploide) e o 1º glóbulo polar. Ocorre a 2ª divisão meiótica que bloqueia em metáfase II – ocorre a ovulação, onde há libertação do oócito II para o oviduto. A meiose só termina se houver fecundação, formando o óvulo + 2º glóbulo polar.

  • - Folículo primordial: oócito I rodeado por células foliculares

  • - Folículo maduro ou folículo de Graaf (fim da oogénese): oócito II rodeado por

células foliculares, que é libertado na cavidade folicular e depois para o oviduto (ovulação)

Após a ovulação a parede do ovário cicatriza e o folículo vazio sofre transformações físico-químicas, formando o corpo amarelo ou lúteo.

Controlo hormonal:

O sistema genital da mulher tem um funcionamento cíclico que se inicia na puberdade e acaba na menopausa. A sincronia entre o ciclo ovário e o ciclo uterino é devido a uma correlação hormonal.

Hormonas:

  • - Estrogénios: produzidos pelas células foliculares e pela teca interna.

Aumenta conforme o crescimento folicular e diminui na ovulação, voltando a

aumentar na fase luteínica. É responsável pelas contrações uterinas e maturação dos carateres sexuais secundários

- Progesterona: produzida pelo corpo lúteo atingindo valor máximo no desenvolvimento desse corpo, que, quando degenera, a progesterona diminui. Induz o endométrio a espessar e assegura a gravidez

Ciclo ovárico:

  • 1. Fase folicular: onde há o desenvolvimento do folículo até a ovulação

  • 2. Fase luteínica: ocorre a seguir à ovulação onde há formação do corpo lúteo

Ciclo uterino:

  • 1. Fase menstrual (5 dias): ocorre destruição parcial do endométrio, visto que a baixa de hormonas fez com que as células não recebessem os nutrientes necessários e morressem. São expelidos sangue e fragmentos de tecido.

  • 2. Fase proliferativa (9 dias): espessamento do endométrio e desenvolvimento de glândulas e vasos sanguíneos, devido ao aumento da taxa de estrogénios, durante a fase folicular.

  • 3. Fase secretora (14 dias): o endométrio continua a aumentar, bem como a atividade das glândulas secretoras devido à progesterona e os estrogénios, durante a fase luteínica.

Funcionamento dos ovários é regulado pelo complexo hipotálamo- hipófise (HH), através das gonadoestimulinas – hormonas produzidas pela hipófise anterior.

O hipotálamo atua sobre a hipófise anterior por intermédio da neuro- hormona GnRH, a qual estimula produção e libertação de FSH e LH pela hipófise.

- FSH (foliculoestimulina): induz o crescimento e maturação dos folículos e intervém na secreção de estrogénios. - LH (luteoestimulina): estimula a ovulação, em função do seu pico no final da fase folicular. Estimula a formação do corpo lúteo, o que leva à produção de progesterona e estrogénios.

Mecanismo de retroação:

No regulamento hormonal da mulher ocorrem estes dois tipos de retroação (negativo 1 e positivo 2 ):

  • 1. Aumento de estrogénios (+) inibe complexo HH diminui produção FSH diminui desenvolvimento folicular diminui produção de estrogénios (-)

A retroação negativa assegura a regulação do teor de gonadoestimulinas.

  • 2. Aumento de estrogénios (+) estimula complexo HH aumenta produção gonadoestimulinas (+)

A retroação positiva causa um desequilíbrio. No final da fase folicular observa-se picos de LH e FSH, o que desencadeia a rutura do folículo de Graaf, ou seja, a ovulação.

  • - Após a ovulação, estrogénios e progesterona exercem retroação negativa

no complexo HH, o que causa a queda do teor de FSH e LH, desencadeando a

regressão do corpo lúteo.

  • - A atividade do complexo HH altera-se também sob a ação de estímulos nervosos externos ou internos, visto que produz variações na produção de

GnRH e o descontrolo do ciclo sexual.

-

A

menopausa

é

o

último

período

menstrual

da

mulher

devido

ao

esgotamento dos folículos – deixa de haver retroação negativa e a

concentração de gonadoestimulinas aumenta.

SEXO MASCULINO

Sistema reprodutor:

  • - Órgãos internos: testículos, epididimo, canais deferentes, glândulas anexas, uretra

  • - Órgãos externos: escroto, pénis

Glândulas anexas:

Vesículas seminais: produzem líquido seminal (60% do esperma) constituído por proteínas, frutose, muco e prostaglandinas, as quais fazem contrair a vagina para auxiliar a entrada de esperma. Próstata: constituída por cálcio, enzimas e possui um pH igual a 6,5. As enzimas precipitam as proteínas do esperma, tornando-o gelatinoso. Glândula de Cowper: produz uma secreção que limpa o pénis, é expelida antes da ejaculação e facilita a penetração.

Estrutura dos testículos e espermatogénese:

  • - Os testículos encontram-se voltados para o exterior do corpo, para se manterem a uma temperatura inferior à temperatura corporal.

  • - São constituídos por lóbulos testiculares separados por septos radiais.

  • - Os lóbulos contêm túbulos seminíferos onde se produzem continuadamente espermatozoides.

Células de Sertoli: células muito volumosas que ocupam o espaço entre a periferia e o lúmen dos túbulos, sustentando as células germinativas, intervindo na sua nutrição e ser vem como um filtro, impedindo a passagem de substâncias nocivas.

Células de Leydig: células intersticiais situadas entre os túbulos, produzem testosterona.

A formação dos espermatozoides é feita da periferia para o lúmen dos túbulos.

Fases da espermatogénese:

  • 1. Multiplicação: ocorre durante o desenvolvimento embrionário. As células germinativas, nos testículos, sofrem sucessivas mitoses formando espermatogónias (diploides), a partir das quais são produzidos espermatozoides – uma espermatogónia mantém-se em multiplicação enquanto a outra prossegue o desenvolvimento.

  • 2. Crescimento: aumento pouco significativo do volume da célula. Torna-se assim um espermatócito I (diploide).

  • 3. Maturação: ocorre divisão meiótica do espermatócito I. No fim da 1ª divisão formam-se dois espermatócitos II (haploides com 2 cromatídeos). No fim da 2ª divisão formam-se quatro espermatídeos (haploides com 1 cromatídeos)

  • 4. Diferenciação ou espermiogénese (70 dias): o espermatídeo transforma-se num espermatozoide. Dá-se o alongamento e achatamento do núcleo, o que facilita a locomoção dos espermatozoides. Há a diferenciação do flagelo, a eliminação de grande parte do citoplasma e reorganização dos organelos. O complexo de Golgi forma o acrossoma (vesícula que armazena enzimas digestivas) que se adapta ao núcleo. Os centríolos (formados pela proteína tubulina) originam microtúbulos que formam o flagelo. As mitocôndrias fornecem energia ao flagelo para este se locomover. Por fim, os espermatozoides são libertados no lúmen dos túbulos.

Controlo hormonal:

O sistema genital do homem tem um funcionamento contínuo que se

inicia

na

puberdade.

A

partir

daí produz-se continuadamente

espermatozoides e testosterona, a qual é responsável por:

  • - Maturação dos órgãos genitais na puberdade

  • - Aparecimento e manutenção dos carateres sexuais secundários

  • - Espermatogénese

A manutenção do teor de testosterona no sangue é feita pelo complexo HH (tal como na mulher)

  • - LH (luteoestimulina): atua nas células de Leydig estimulando a produção

de testosterona.

  • - FSH (foliculoestimulina): estimula as células de Sertoli e a produção de uma proteína com grande afinidade para a testosterona.

No homem só ocorre a retroação negativa:

Aumento de testosterona (+) inibe complexo HH diminui produção LH diminui produção de testosterona (-)

A retroação negativa assegura a regulação do teor de gonadoestimulinas.

- A atividade do complexo altera-se também sob a ação de estímulos nervosos externos ou internos, visto que produz variações na produção de GnRH e o descontrolo do ciclo sexual.

FECUNDAÇÃO

Antes:

Os espermatozoides entram em contacto com o muco cervical produzido por glândulas do colo uterino. Este muco encontra-se muito espesso fora do período ovulatório. Pelo contrário, no período ovulatório o muco torna-se mais fluido e a rede de fibras menos densa, deixando passar mais facilmente os espermatozoides. A fecundação ocorre no terço superior da trompa, onde os espermatozoides são atraídos por uma substância segregada pelas células foliculares.

Durante:

Os espermatozoides que passam as células foliculares atingem a zona pelúcida com a qual estabelecem ligação por recetores específicos. Desencadeia-se a reação acrossómica – libertação do conteúdo do acrossoma Fusão da membrana do acrossoma com a membrana plasmática da cabeça do espermatozoide, o que permite a exocitose de enzimas digestivas que irão digerir a zona pelúcida. Fusão das membranas do espermatozoide e do oócito II – início da fecundação O conteúdo dos grânulos corticais do citoplasma do oócito liberta-se para o exterior formando uma membrana de fecundação, o que bloqueia a entrada de outros espermatozoides. O oócito II completa a meiose e forma-se o 2º glóbulo polar Os pronúcleos dos gâmetas fundem-se – cariogamia – formando-se o OVO

Depois: Desenvolvimento embrionário

1. Período embrionário: duração de 8 semanas

Multiplicação celular por divisões mitóticas – segmentação. Migração do ovo em direção ao útero devido às contrações dos músculos da parede do oviduto. Formação do blastómero entre o 1º e o 4º dia. As suas células são totipotentes (estaminais) Formação da mórula no 4º dia constituída por 64 células, apesar de não haver grande aumento de tamanho O 5º dia marca o fim da segmentação e a formação do blastocisto: as células organizam-se de modo a formar um botão embrionário que originará o novo ser, e o trofoblasto, uma camada superficial envolvente. No 6º dia o blastocisto eclode para o exterior da zona pelúcida Nidação (8º dia): as células do trofoblasto aderem às células superficiais do endométrio e digerem-nas para obter o alimento necessário ao embrião nas primeiras semanas.

As células do endométrio proliferam e o embrião acaba por ficar completamente envolvido pela parede do útero. O botão embrionário continua a dividir-se e ocorrem movimentos morfogenéticos que acabam por originar 3 camadas de células: endoderme, mesoderme e ectoderme.

 

Processos biológicos

Crescimento

A partir de multiplicações celulares. Por divisões mitóticas e também devido ao aumento de volume das células

Morfogénes

Conjunto de movimentos de territórios celulares que tomam posições uns em relação aos outros, de acordo

e

com as estruturas que vão formar. São originadas 3 camadas.

Diferenciaçã o celular

Especialização estrutural e bioquímica de células da ectoderme, endoderme e mesoderme no sentido de desempenhas funções específicas. Os diferentes tecidos inter-relacionam-se, formando órgãos e sistema de órgãos.

 

Origem de algumas estruturas

Ectoderme

Sistema nervoso, órgãos dos sentidos, epiderme

Mesoderme

Esqueleto, músculos, sistema circulatório, excretor e reprodutor

Endoderme

Sistema respiratório, fígado, pâncreas

Anexos embrionários : estruturas transitórias existentes até ao nascimento

  • - Âmnio: rodeia a cavidade amniótica preenchida por líquido amniótico.

Garante a proteção contra os choques e permite a manutenção da temperatura.

  • - Vesícula vitelina: ricamente vascularizada. Parte desta fica incorporada

no cordão umbilical, sendo o primeiro local de produção de glóbulos sanguíneos.

  • - Alantoide: contribui para formação dos vasos sanguíneos do cordão

umbilical. Armazena os produtos do metabolismo do embrião.

  • - Córion: membrana extraembrionária mais exterior que rodeia o embrião e

intervém na formação da placenta.

  • - Placenta: originada por tecido do endométrio e por vilosidades coriónicas

do embrião. Estabelece trocas seletivas entre a mãe e o embrião. Substitui o corpo lúteo na produção de progesterona.

Além das substâncias fundamentais ao embrião, passam anticorpos, tóxicos e micro-organismos para o embrião. Ao fim de 8 semanas a maioria dos órgãos já esta esboçada e definitivamente localizada.

2. Período fetal: Restantes semanas

Aumento da complexidade e maturação dos órgãos já formados. Abrandamento do crescimento da cabeça e rápido crescimento do resto do corpo.

Mudanças no comportamento do feto à medida que o sistema nervoso se desenvolve

Controlo do desenvolvimento

A hormona gonadotropina coriónica humana (HCG) impede a degeneração do corpo lúteo, que continua a produzir progesterona e estrogénios, essenciais à manutenção do endométrio permitindo a nidação.

Elevado teor HCG estimula corpo lúteo aumenta produção de estrogénios e progesterona inibem complexo HH não se liberta FSH e LH não ocorre novo ciclo ovário

Após a sua ação a HCG é eliminada pela urina podendo ser detetada nos testes de gravidez

Após 8 a 10 semanas, em função do declínio de HCG, o corpo lúteo degenera, mas a produção de progesterona e estrogénios fica assegurada pela

placenta. O trabalho de parto

Os estrogénios atuam na expansão do útero enquanto que a progesterona impede as contrações.

O declínio de progesterona no fim da gravidez conduz ao domínio dos estrogénios que estimula as contrações do útero, que obriga o feto a deslocar- se para o colo uterino, nomeadamente a cabeça.

Essa pressão exercida envia mensagens nervosas ao hipotálamo, no qual se produz a neuro-hormona oxitocina, libertada a nível da hipófise posterior. Ver Esquema 2

Produção de leite

Durante a gestação, os níveis elevados de estrogénios e progesterona exercem uma retroação negativa sobre a secreção da hormona prolactina:

Elevados teores de estrogénios (+) inibem complexo HH não se produz prolactina

A hormona não chega às glândulas mamárias e estas não produzem leite. A ejeção de leite também é controlada pelo complexo HH

Ver Esquema 3

- O colostro é menos rico em glícidos e lípidos e mais rico em proteínas e anticorpos do que o leite

MANIPULAÇÃO DA FERTILIDADE

Métodos contracetivos: permitem ao casal planear o nascimento dos filhos

Métodos naturais ou de abstinência periódica: sem efeitos secundários; impede a fecundação pela ausência de relações sexuais durante o período fecundo. Não protege das DST

  • - Data de ovulação

  • - Avaliação diária da temperatura retal – de manhã e antes de qualquer

atividade: data da ovulação corresponde ao último dia que precede a subida de

temperatura

  • - Aspeto do muco cervical: na ovulação e durante 3 a 4 dias, o muco é abundante, fluido, transparente e filamentoso

  • - Método do calendário (verificar se o ciclo menstrual apresenta um padrão)

Métodos não-naturais:

Físicos:

  • - Preservativo: evita o encontro dos gâmetas; protege das DST. Pode romper- se ou deixar passar espermatozoides quando não for utilizado adequadamente.

  • - Diafragma: impede a entrada de espermatozoides no útero. Requer

orientação médica e o uso de espermicidas; pouco recomendável a mulheres

jovens.

  • - DIU: impede a união dos gâmetas ou a nidação se já tiver havido fecundação. Pode ser desconfortável; risco de infeções que podem levar à infertilidade; não

aconselhável a mulheres jovens.

Químicos:

  • - Espermicidas: destroem os espermatozoides. Proteção por pouco tempo;

podem causar alergias.

  • - Pílulas contracetivas: impedem a ovulação ou a fecundação; ciclos menstruais mais regulares. Agravamento de doenças preexistentes, problemas

circulatórios e metabólicos.

  • - Adesivos contracetivos

Cirúrgicos:

  • - Laqueação das trompas: impede o encontro dos gâmetas

  • - Vasectomia: impede a saída de espermatozoides

  • - Implantes

Pílulas combinadas: sobrecarga de estrogénios e progesterona

Aumento de estrogénios (+)inibe complexo HH inibe produção FSH e LH inibe desenvolvimento folicular não ocorreovulação (não há o pico de LH)

É necessário fazer 7 dias de pausa na toma da pílula para que ocorra a menstruação, visto que os elevados níveis de hormonas estimularam o endométrio a crescer.

Vantagens

  • - Boa tolerância pela maioria das mulheres

  • - Impedem a ovulação ou a fecundação

  • - Os ciclos menstruais passam a ser mais regulares e sem dores

Desvantagens

  • - Problemas de hipertensão

  • - Problemas de diabetes

  • - Insuficiências de circulação

  • - Os riscos podem agravar-se por interação com tabaco, drogas, álcool, etc.

Minipílula: contém derivado sintético da progesterona, não bloqueia a ovulação. Mantém as características do muco cervical na fase luteínica, com uma maior impermeabilização do colo aos espermatozoides. Eficácia menor do que as pílulas combinadas. Aconselhado a mulheres lactantes.

Pílula do dia seguinte: 2 comprimidos com doses elevadas de hormonas. O 1º comprimido tem que ser tomado antes de 72h após o ato sexual e o 2º é tomado entre 12 a 24h depois do 1º. Efeitos: bloqueia a ovulação, opõem-se ao deslocamento dos espermatozoides, opõem-se à nidação.

INFERTILIDADE: incapacidade temporária ou permanente de conceber um filho, após, pelo menos, 1 ano de tentativas, sem uso de contracetivos, ou então de levar uma gestação até ao fim.

Causas da infertilidade

Masculinas

Femininas

Produção de espermatozoides insuficiente

Anomalias na secreção hormonal – problemas de ovulação

Deficiência na mobilidade dos gâmetas

Problemas ao nível do endométrio

Elevada % de espermatozoides anormais

Muco cervical desfavorável aos espermatozoides

Anomalia congénita no aparelho reprodutor

Ausência de produção de gâmetas

Exposição à tóxicos como tabaco, álcool, drogas, etc

 

Infeções genitais

Obstrução ou alteração das vias de circulação de gâmetas

REPRODUÇÃO ASSISTIDA

Inseminação artificial ou intrauterina (IIU):

  • - É utilizada quando os espermatozoides não conseguem atingir as trompas

  • - Transfere-se os espermatozoides, previamente recolhidos e selecionados, para

a cavidade uterina.

  • - Os espermatozoides podem ser criopreservados para bancos de esperma ou caso ocorram problemas graves de saúde (cirurgias, quimioterapia) que possam

causar infertilidade.

Estimulação ovárica ou hiperestimulação controlada dos ovários:

  • - É utilizada quando há anomalias no funcionamento dos ovários (ex. lesões

hipofisárias)

  • - A partir do 3º ou 5º dia do ciclo sexual, efetua-se um tratamento hormonal com derivado sintético próximo da FSH, que vai ativar a maturação dos

folículos, cujo desenvolvimento pode ser acompanhado por ecografia.

  • - Quando o desenvolvimento é suficiente injeta-se uma hormona sintética idêntica à LH provocando a ovulação.

  • - Risco de gestações múltiplas

  • - Não permite resolver certos casos de infertilidade

  • - Efeitos secundários devido à aplicação de hormonas

Fecundação in vitro:

  • - É utilizada em casos de disfunção ovárica grave, obstrução das trompas e

outros casos inexplicáveis

  • - Os espermatozoides são preparados pela técnica descrita na IIU e os oócitos são obtidos pela técnica utilizada na estimulação ovárica, porém, com

estimulação hormonal mais forte.

-

Aspira-se

o

conteúdo

dos

folículos

(óocito)

que tenham um tamanho

adequado. A coleta de esperma deve ser feita momentos após a punção dos

óocitos ou pode ser utilizado do banco de esperma.

  • - FIV: os espermatozoides são colocados em contacto com os oócitos num meio

de cultura apropriado, a 37ºC, com ar humidificado. 48h depois verifica-se se ocorreu fecundação. 3 a 4 embriões (com 2 a 8 células) são transferidos para o útero, os outros são criopreservados.

Microinjecção citoplasmática:

  • - É utilizada quando os espermatozoides apresentam anomalias que os tornam inaptos para a fecundação

  • - É preciso fazer o estudo genético do casal

  • - É recolhido somente um espermatozoide saudável

  • - Este é injetado (já sem cauda) no oócito através de uma micropipeta que penetra até ao centro o oócito.

  • - Alguns oócitos não resistem à microinjecção. Os que resistem são colocados

numa incubadora a 37ºC até a transferência dos embriões (com 2 a 8 células) para o útero.

Problemas éticos em relação à RMA:

  • - Obtenção de gâmetas fora do casal

  • - Mães de substituição (casos de mulheres com ausência ou com anomalias congénitas do útero, que sofreram histerectomia)

  • - Situações de monoparentalidade

  • - Situações de casais homossexuais

  • - Produção de um filho de acordo com determinado padrão genético

  • - Intervenção da clonagem na reprodução

  • - Futuro dos embriões excedentários

  • - Direitos dos seres humanos que vão nascer

TRANSMISSÃO DE CARACTERÍSTICAS HEREDITÁRIAS

Genética: área do conhecimento que tem como objeto de estudo os genes, procura respostas para a forma como se processa a herança genética.

O CONTRIBUTO DE MENDEL

A espécie de ervilheira Pisum sativum foi a que deu melhores resultados, pois esta possuía uma corola fechada, impossibilitando a fecundação por outras espécies de plantas, e um bom conjunto de características antagónicas.

Cruzamentos de monoibridismo : onde se estuda a transmissão de apenas um caráter. Cruzamentos de diibridismo: onde se estuda a transmissão de dois carateres.

Linhas puras: indivíduos homozigóticos em relação à característica pretendida e que, cruzados entre si, originam uma descendência que é sempre toda entre si e igual a um dos progenitores, relativamente à característica considerada.

Mecanismo de transmissão em monoibridismo

  • - Mendel, depois de isolar as linhas puras, fez cruzamentos parentais – entre os indivíduos pertencentes às linhas puras, fazendo igualmente cruzamentos recíprocos.

1) Cruzamento

P x P

Polinização cruzada (artificial) entre

parental

linhas puras

2) 1ª geração

F1

Híbridos de 1ª geração

3) Cruzamento

F1 x

Autopolinização (natural) dos

entre F1

F1

híbridos

4) 2ª geração

F2

Proporção fenotípica 3:1

Conclusão:

> Uniformidade dos híbridos: geração F1 é uniforme em relação ao caráter em estudo, manifestando a característica de um dos progenitores. > Proporções fenotípicas: na geração F2 surgem ambas as características na proporção aproxm. de 3 para 1

Segundo Mendel:

  • - Cada organismo possui 2 fatores que determina uma característica

  • - Principio da segregação fatorial: na formação dos gâmetas os fatores

separam-se de tal modo que cada gâmeta contém um só fator de cada par.

  • - O fator recessivo nunca se manifesta na presença do dominante

Atualmente:

  • - Os fatores de Mendel são os genes que podem apresentar formar alternativas (alelos)

  • - O conjunto de todos os genes é o genoma

  • - O genótipo é a constituição genética de um indivíduo em relação a uma determinada característica.

  • - O fenótipo é a forma como o genótipo se expressa

 

Gâmetas/ Genótipo

 

1) Cruzamento parental

AL x al

Polinização cruzada (artificial) entre linhas puras

2) 1ª geração

AaLl

Diíbridos de 1ª geração

 

3) Cruzamento entre F1

AL x al x Al x aL

Autopolinização (natural) dos diíbridos

 

4) 2ª geração

AALL, AALl, AAll, AaLL, Aall, AaLl, aaLL, aall, aaLl

Proporção fenotípica 9:3:3:1

 
  • - Um indivíduo genotipicamente

homozigótico

possui um

par

de

genes

idênticos relativamente a uma característica. Todos os seus gâmetas são

geneticamente idênticos.

  • - Um indivíduo genotipicamente heterozigótico possui um par de genes

diferentes relativamente a uma característica. Alguns dos seus gâmetas possuem uma das formas alélicas e outros possuem a outra forma alélica.

Xadrez mendeliano: ver pág. 77 livro

Cruzamento-Teste: serve para averiguar o genótipo de indivíduos que

fenotipicamente revelam a característica do alelo dominante. Consiste em

cruzar esses indivíduos

com

homozigóticos

recessivos

e

analisar

a

descendência.

1) Se toda a descendência apresentar fenótipo dominante, o progenitor desconhecido é homozigótico dominante.

Se existirem alguns com fenótipo recessivo, o progenitor desconhecido é

heterozigótico dominante

Mecanismo de transmissão em diibridismo

  • - Mendel, depois de isolar as linhas puras, fez cruzamentos parentais – entre os indivíduos pertencentes às linhas puras, fazendo igualmente cruzamentos recíprocos:

Conclusão:

> No diibridismo os alelos se comportam como em dois cruzamentos de monoibridismo, ocorrendo simultaneamente. > Principio da segregação independente: os genes que determinam características diferentes distribuem-se independentemente nos gâmetas > A probabilidade de um acontecimento ocorrer é independente da sua ocorrência em tentativas anteriores > A probabilidade de dois acontecimentos independentes ocorrerem conjuntamente é igual ao produto das probabilidades de ocorrerem isoladamente.

No Cruzamento–Teste em diibridismo cruza-se o progenitor desconhecido com um duplo homozigótico recessivo

Leis de Mendel

Os dois elementos de um par de genes separam-se nos gâmetas de tal modo que há probabilidade de metade dos gâmetas transportar um dos alelos e a outra metade transportar o outro alelo. Durante a formação dos gâmetas, a segregação dos alelos de um gene é independente da segregação dos alelos de outro gene.

O que contradiz as Leis de Mendel:

- Dominância incompleta: acontece quando a F1 apresenta um terceiro fenótipo. Diz-se que o alelo dominante não dominou completamente o recessivo, permitindo que ambos se expressassem no fenótipo, embora parcialmente.

- Codominância: ocorre quando a F1 possui um fenótipo que inclui carateres de ambos os progenitores. Neste caso não se verifica qualquer tipo de dominância de um alelo sobre o outro. Os dois alelos se manifestam completamente no fenótipo de F1.

TEORIA CROMOSSOMICA DA HEREDITARIEDADE

> Os genes localizam-se nos cromossomas que formam pares de homólogos > O gene situa-se no locus do cromossoma > Os dois alelos que controlam um determinado caráter localizam-se em loci correspondentes nos cromossomas homólogos. > Em cada par de homólogos, um é do pai e outro é da mãe. > Na meiose dá-se a segregação dos alelos > Cada gâmeta pode conter qualquer combinação de genes, visto que a segregação dos genes localizados em diferentes cromossomas é independente. > O ovo é uma célula diploide em que cada gene está representado por dois alelos, localizados em loci correspondentes nos cromossomas homólogos, um do pai e outro da mãe. > Genes autossómicos localizam-se os autossomas > Genes heterossómicos ou ligados ao sexo localizam-se nos cromossomas sexuais

HEREDITARIEDADE LIGADA AOS CROMOSSOMAS SEXUAIS

- Indivíduos homogaméticos: apresentam dois cromossomas sexuais idênticos (Mulher) - Indivíduos heterogaméticos: apresentam cromossomas sexuais diferentes (Homem)

Os machos manifestam, geralmente, o(s) alelo(s) localizado(s) no cromossoma X e, por isso, são genotipicamente hemizigóticos.

Exceções às Leis de Mendel

  • 1. Ligação fatorial (à 2ª Lei)

  • 2. Alelos múltiplos

  • 3. Interações génicas

  • 4. Hereditariedade humana (autossómica e ligada aos cromossomas sexuais)

1) Genes em linkage (ligados factorialmente): genes que se dispõem linearmente ao longo do mesmo cromossoma, sendo transmitidos em conjunto aos descendentes.

> Ao cruzar os indivíduos F1, em diibridismo, observa-se que a proporção fenotípica não é 9:3:3:1 como Mendel sugere, mas sim 3:1 (como num caso de monoibridismo). > Isto acontece porque os genes situam-se no mesmo cromossoma, embora em loci diferentes, sendo então transmitidos em conjunto. > Mas em consequência do crossing-over, durante a meiose, os genes podem separar-se e surgir nos gâmetas como se estivessem em gâmetas separados. Tal só acontece se os genes estiverem afastados do centrómero. > Obtém-se assim uma descendência igual à prevista por Mendel

Exemplo das moscas: cruzamento

de duas linhas puras com

características antagónicas b: corpo preto, vg: asas vestigiais, b + : corpo cinzento, vg + : asas longas

Fenótipo: corpo negro e asas vestigiais x corpo cinzento e asas longas

Genótipo:

Gâmetas:

bvg

x

bbvgvg b + vg +

x

b + b + vg + vg + b

vg

b b vg vg b vg b vg

b

vg

X

Fenótipo da descendência F1:

 
  • - Todos

apresentam

corpo

cinzento

e

asas

longas

+ b b + vg + vg +
+
b
b +
vg +
vg +

(características

dominantes – selvagens)

Fenótipo da descendência F2 (F1 x F1):

  • - Corpo cinzento e asas longas (75%)

  • - Corpo negro e asas vestigiais (25%)

2) Alelos múltiplos: mais de duas formas alélicas do mesmo gene, embora

cada indivíduo possua somente duas dessas formas.

Exemplo: Sistema ABO

Antigénios (aglutinogénios): glicoproteínas existentes nas hemácias Anticorpos (Aglutininas): moléculas proteicas que se aglutinam a determinados aglutinogénios

Tipo A aglutinogénios A e aglutininas anti-B. Pode receber sangue tipo A e O Tipo B aglutinogénios B e aglutininas anti-A. Pode receber sangue tipo B e O Tipo AB aglutinogénios A e B, mas sem aglutininas. Pode receber qualquer tipo de sangue Tipo O sem aglutinogénios, mas com aglutininas anti-A e anti-B. Só pode receber do tipo O

- Alelo O é recessivo em relação ao A e B

  • - No sangue do tipo AB existe uma relação de codominância de A e B

Exemplo: Sistema Rh

> Rh é um aglutinogénio > Sangue do tipo Rh+ contém esse aglutinogénio. Pode receber sangue Rh + ou Rh - > Sangue do tipo Rh - não possui esse aglutinogénio. Só pode receber sangue Rh -

Os indivíduos Rh - não possuem naturalmente anticorpos anti-Rh, mas pode fabricá-los quando expostos ao antigénio Rh. Um problema que se coloca durante a gravidez sendo a mãe Rh - e o filho Rh + Isto porque o sistema imunitário da mãe formará anticorpos anti-Rh, caso o seu sangue entre em contacto direto com as hemácias do filho mãe. Tal pode acontecer durante o parto. Deste modo inicia-se a formação de anticorpos que atuarão logo numa 2ª gravidez, caso se verifique novamente um filho com sangue Rh + O feto pode morrer de eritroblastose fetal, onde as suas hemácias são destruídas pelos anticorpos. Por isso, quanto mais vezes o sangue Rh - contactar com Rh + , mais “resistência” se desenvolve, mais anticorpos são produzidos.

Atualmente existe uma vacina que é injetada na mãe e que inibe a atuação dos anticorpos anti-Rh

3) Interações génicas (Exemplo do milho vermelho)

  • - O fenótipo dos indivíduos da geração F1 é diferente dos seus progenitores,

  • - Na F2 surgem classes fenotípicas completamente diferentes das esperadas num diibridismo mendeliano.

A expressão dos alelos de um locus depende dos alelos presentes no outro locus, neste caso dois ou mais genes controlam uma única característica.

  • - Por exemplo, o milho só apresenta fenótipo vermelho quando estão presentes os dois alelos dominantes que determinam essa cor. Embora sejam

dominantes não basta um só alelo!

  • - Muitas das características hereditárias dependem da interação de vários

genes.

  • - O gene letal recessivo só provoca a morte em homozigotia. Se for dominante manifesta-se nos heterozigóticos.

4) Hereditariedade humana

Dificuldades na investigação sobre genética humana:

> Elevado número de cromossomas > Pequeno número de descendentes por geração > Longevidade do ciclo de vida > Cruzamentos experimentais não são viáveis eticamente Hereditariedade autossómica Homens e mulheres igualmente afetados

Recessiva:

  • - Maioria dos descendentes afetados possui pais normais

  • - Heterozigóticos apresentam fenótipo normal

  • - Dois progenitores afetados originam uma descendência em que todos os indivíduos apresentam anomalia

Dominante:

  • - Anomalia tende a aparecer em todas as gerações

  • - Quando um indivíduo manifesta a anomalia, pelo menos um dos progenitores também a possui

  • - Quando um dos progenitores apresenta anomalia, aproxim. metade da descendência pode ser afetada.

  • - Os heterozigóticos apresentam anomalia

Hereditariedade ligada ao sexo

Como na mulher existem dois cromossomas X os genes formam pares de alelos que funcionam como nos autossomas, ou seja, alelo recessivo só se manifesta em homozigotia. No caso do homem, os genes localizados no cromossoma X manifestam-se sempre, quer sejam dominantes ou não, uma vez que o cromossoma Y não possui alelo correspondente.

Por isso é mais frequente manifestar-se uma característica recessiva no homem do que na mulher.

Recessivo no cromossoma X

  • - Não afeta igualmente homens e mulheres

  • - Quando um homem afetado cruza com uma mulher normal, originas filhos

fenotipicamente normais e filhas portadoras.

  • - Quando uma mulher portadora cruza com um homem normal há 50%

probabilidade de os filhos serem normais e 50% de probabilidade de serem

afetados. As filhas são todas normais podendo 50% ser portadoras.

No geral:

  • - Um homem afetado transmite a doença a todas as suas filhas

  • - Uma mulher afetada transmite a doença aos filhos e filhas

TRANSMISSÃO GENÉTICA DE GENES MITOCONDRIAIS:

O material genético contido nas mitocôndrias é transmitido pela mãe para os filhos e filhas, dado que o cromossoma Y não contribui com as suas mitocôndrias para a formação do zigoto.

Sofre mutações num ritmo já conhecido. Sabendo isto, podem detetar-se as mutações numa população e recuar no tempo até a origem da sua linhagem materna mais antiga.

Em conjunto com o cromossoma Y permite seguir o processo evolutivo da espécie humana.

Diferenças e semelhanças entre DNA mitocondrial e DNA nuclear:

DNA mitocondrial

DNA nuclear

Não possui exões

Possui exões

Não ocorre crossing – over

Ocorre crossing – over

Possui várias cópias de DNA em cada mitocôndria, permitindo que na mesma célula existam diferentes alelos para o mesmo gene

Só possui uma cadeia (com dupla hélice) de DNA no núcleo da célula

Taxa de mutação mais elevada

Taxa de mutação menos elevada

Não possui enzimas que reparam o DNA

Possui enzimas que reparam o DNA

REGULAÇÃO DO MATERIAL GENÉTICO

Todas as células de um mesmo organismo possuem a mesma informação genética e apenas um pequena parte dessa informação de manifesta. A diferenciação celular resulta da regulação da expressividade dos genes.

Esta regulação é muito importante nos

dependentes das variações do meio,

tendo

procariontes, pois estão

que

desenvolver rápidos

mecanismos de resposta de acordo com as novas condições (respiração anaeróbia, sobrevivências a altas temperaturas, síntese desse nutriente caso se verifique a sua ausência, etc.)

Nos

eucariontes

os

genes

não

estão, normalmente,

associados

a

operões.

 

-

Genes estruturais: codificam a produção de enzimas (de síntese ou de

degradação)

 

-

Gene regulador: responsável pela produção da proteína repressora.

 

-

Gene operador: onde se liga o repressor, impedindo a transcrição dos genes

estruturais.

 

Gene promotor: onde se liga a RNA polimerase para iniciar a transcrição dos genes estruturais, desde que o gene operador esteja livre do repressor.

-

Três genes são responsáveis pelo processo de regulação genética (regulador, operador e promotor) e os genes estruturais, cujo número varia de processo para processo, são transcritos.

Operão: conjunto de genes estruturais com funções relacionadas e dos genes que os controlam.

Funcionamento de um operão indutivo: processos catabólicos

Ausência de lactose

Presença de lactose

Gene regulador produz um repressor

Lactose liga-se ao repressor, inativando-o

Repressor liga-se ao operador e bloqueia gene promotor

O gene operador fica desbloqueado

RNA polimerase não se liga ao promotor

RNA polimerase liga-se ao promotor

Os genes estruturais não são transcritos

Os genes estruturais são transcritos

Não ocorre síntese das enzimas

Dá-se a síntese das enzimas há degradação da lactose

Funcionamento de um operão repressivo: processos anabólicos

Ausência de triptofano

Presença de triptofano

Gene regulador produz um repressor inativo

Triptofano liga-se ao repressor, ativando-o

O gene operador está livre

O repressor liga-se ao gene operador

RNA polimerase pode ligar- se ao promotor

RNA polimerase não pode ligar-se ao promotor

Os genes estruturais são transcritos

Os genes estruturais não são transcritos

Ocorre a síntese das enzimas

Não se sintetizam as enzimas não há formação de triptofano

Muitos genes de um genoma se destinam a regular o funcionamento de outros genes. Os genes que se expressão numa determinada situação dependem das interações que o ambiente estabelece com o DNA. Muitos dos genes do genoma podem nunca se expressar, dependendo do contexto e das interações que fatores endógenos e exógenos exercem sobre o DNA.

Regulão: grupo de operões

que

é

controlado

por

um

único

tipo

de

regulador. Vantagens: torna mais rápida e coordenada uma resposta de genes de diferentes operões, mas que estão envolvidos num processo metabólico comum. (exº: o mesmo regulador controla a possibilidade de vários glícidos serem convertidos em glicose, satisfazendo mais depressa as necessidades da célula.)

MUTAÇÕES

Definição:

  • - São alterações ou modificações súbitas em genes ou cromossomas, podendo

acarretar variação hereditária.

  • - As mutações podem ser génicas quando alteram a estrutura do DNA ou cromossómicas quando alteram a estrutura ou o número de cromossomas.

  • - As mutações são espontâneas e podem ser silenciosas, ou seja, não alterar a proteína ou sua ação.

  • - Podem ainda ser letais, quando provocam a morte, ou ainda acarretar doenças ou anomalias.

  • - As mutações também promovem a evolução já que determinam aumento na

variabilidade genética.

AGENTES MUTAGÉNICOS

Físicos radiações ionizantes (raios X, radiações alfa, beta e gama) e radiação ultravioleta. Químicos colchicina, gás mostarda, sais de metais radioativos, alcatrão, benzeno, benzopireno, etc.

MUTAÇÕES GÉNICAS

-

As

mutações

génicas

são

responsáveis

por

alterações

nos

genes

e

consequentemente nas proteínas, determinando, muitas vezes, a formação de

novas proteínas ou alterando a ação de enzimas importantes.

  • - Alteram uma ou mais bases do DNA que afetará a leitura durante a replicação ou durante a transcrição.

  • - Podem ser transmitidas hereditariamente quando ocorrem nas células

germinativas.

  • - Quando ocorrem em células somáticas podem provocar a formação de tumores.

TIPOS

- Substituição è ocorre a troca de um ou mais pares de bases. Chama-se transição a
-
Substituição è ocorre a troca de um ou mais pares de bases. Chama-se
transição a substituição de uma purina por outra ou de uma pirimidina por outra
e transversão a substituição de uma purina por uma pirimidina ou vice-versa.
-
Adição è acontece quando uma ou mais bases são adicionadas ao DNA,
modificando
a
ordem
de leitura
da
molécula
durante a
replicação ou
a
transcrição.
-
Delecção è acontece quando uma ou mais bases são retiradas do DNA,
modificando a ordem da leitura, durante a replicação ou a transcrição.
ALGUMAS DOENÇAS HEREDITÁRIAS  ver folhas anexas
MUTAÇÕES CROMOSSÓMICAS
-
São alterações na estrutura ou no número de cromossomas normal da
espécie.
-
Podem
provocar
anomalias
e
mal
formações
no
organismo
ou
até
a
inviabilidade dele.
 ESTRUTURAIS
-
Provocam alterações na estrutura dos cromossomas, podendo ocasionar a
perda de genes, a leitura duplicada ou erros na leitura de um ou mais genes.
-
Podem acontecer por delecção, duplicação, translocação ou inversão de partes
de cromossomas.
Deficiência
ou
deleção
è quando ocorre a perda de um pedaço do
cromossoma, com consequente perda de genes.
Duplicação è quando ocorre a presença de um pedaço duplicado do
cromossoma, acarretando uma dupla leitura de genes.
Inversão è quando ocorre a quebra de um pedaço do cromossoma que se
solda invertido (180º), provocando erros na leitura dos genes. Não altera a
localização do cromossoma
Translocação è quando ocorre a troca de pedaços entre cromossomas não
homólogos (translocação recíprocas) ou transferência de uma porção de um
cromossoma, ou mesmo de um cromossoma inteiro, para outro não homólogo
(translocação simples). Provoca erros na leitura.
 NUMÉRICAS
-
Provocam
alterações
no número típico de cromossomas da espécie
(cariótipo).
-
Podem produzir anomalias graves e até a morte do organismo.
-
Euploidias: quando há a alteração de um genoma inteiro
-
Monoploidias (n) è quando há apenas um genoma.
-
Triploidias (3n) è quando há três genomas.
-
Poliploidias (4n, 5n, ...
)*
è quando há quatro ou mais genomas.
-
Aneuploidias (Somias): quando acrescentam ou perdem um ou poucos
cromossomas.
-
Nulissomia (2n-2) è perda de um par inteiro de cromossomas. No homem é
letal.
-
Monossomia (2n-1) è um cromossoma a menos no cariótipo.
  • - Trissomia (2n+1) è um cromossoma a mais no cariótipo.

* Poliploidias podem surgir por dois processos fundamentais:

1) Não-disjunção dos cromossomas durante a meiose ou mitose. Noutros casos não há citocinese. 2) Cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes (muito comum entre as plantas). Os híbridos são estéreis, pois os cromossomas não têm homologia e não podem emparelhar durante a meiose.

Muitas vezes a poliploidia é provocada em laboratório para que se obtenham, por exemplo, plantas mais resistentes e com grandes frutos, frutos sem sementes ou caroço, grãos de trigo maiores, etc.

MUTAÇÕES, TECNOLOGIA E VIDA

  • - Mutagénese: processo que conduz ao aparecimento de mutações

  • - As células podem reparar os danos

causados ao DNA,

mas por

vezes o

equilíbrio entre mutagénese e a reparação rompem-se.

-

Cancro,

tumor

maligno

ou

neoplastia

maligna: conjunto muito

heterogéneo e multifatorial de doenças que têm em comum o facto de

apresentarem sempre o crescimento de um tecido neoformado.

  • - Necrose: as células morrem devido à ação de substâncias tóxicas ou à falta de nutrientes essenciais. Aumenta de volume e rompe-se a membrana

plasmática, vertendo-se o conteúdo da célula no meio extracelular, causando uma pequena inflamação.

  • - Apoptose: ocorre um conjunto de fenómenos programados geneticamente e

que levam à morte da célula. A cromatina da célula apoptótica começa a

condensar, a célula separa-se das suas vizinhas e a cromatina fragmenta-se, por fim a célula fragmenta-se. Este fenómeno ocorre quando as células apresentam anomalia e já não são mais necessárias ao organismo.

Num tecido normal a divisão celular é contrabalançada pela apoptose. Quando este equilíbrio se rompe pode surgir um cancro.

  • - As Neoplasias têm origem genética pois resultam de alterações a nível do

DNA,

as

quais

podem afetar os

proliferação celular.

mecanismo

de apoptose e regulação da

Proto-oncogenes: genes capazes de estimular a divisão celular e estão normalmente inativos em células que não se dividem.

Oncogenes: são proto-oncogenes alterados, como resultado de agentes mutagénicos, que passam a estimular permanentemente a divisão celular.

Genes supressores tumorais: participam na regulação da proliferação celular, contrabalançando o efeito dos proto-oncogenes. Estão normalmente ativos, bloqueando a divisão celular.

Caso sejam alterados por agentes mutagénicos passam a permitir que as células se dividam indefinidamente.

O cancro pode surgir por duas razões:

  • 1. Alteração dos proto-oncogenes

  • 2. Alteração dos genes supressores tumorais

Existem 2 tipos de cancro:

  • 1. Cancros hereditários: são muito raros. A alteração genética está presente em todas as células do individuo, manifestando-se muito cedo.

  • 2. Cancros esporádicos: resultam de mutações somáticas.

As células neoplásicas que surgem no nosso organismo são naturalmente eliminadas por apoptose. Quando tal não acontece inicia-se um cancro.

Metastização: as células cancerosas deslocam-se através da corrente sanguínea ou linfática para outras partes do corpo.

FUNDAMENTOS DE ENGENHARIA GENETICA

Endonucleases de restrição: enzimas existentes nas bactérias que cindem o DNA do vírus sempre que encontram uma determinada sequência de pares de bases (zonas de restrição). Catalizam o desdobramento do DNA em fragmentos menores.

Extremidades coesivas: pequenas extensões em cada extremidade dos fragmentos de DNA que possuem cadeia simples. Podem ligar-se por complementaridade a outro DNA.

Ligases do DNA: enzimas que catalisam o processo que permite que os fragmentos de DNA se voltem a ligar.

Vetor: entidade que possa levar o material genético do genoma de onde foi tirado para o genoma que o vai receber. Os mais comuns são os plasmídeos das bactérias.

Plasmídeos: pequenas moléculas de DNA em cadeia dupla, cujos genes não são essenciais para a sobrevivência da bactéria. Podem replicar-se na bactéria independentemente da molécula de DNA principal, mas em algumas situações pode fundir-se com ela.

Técnica do DNA Recombinante: (p.135 do livro)

  • 1. A enzima de restrição abre a molécula de DNA do plasmídeo num ponto específico.

  • 2. Com a enzima de restrição do mesmo tipo abre-se outra molécula de DNA, que funciona como dadora, e isola-se o gene que se quer inserir no plasmídeo.

  • 3. O gene a inserir é colocado em contacto com o plasmídeo, juntamente com as ligases do DNA

4.

O gene passa a fazer parte do plasmídeo possui agora, para além dos seus genes, o gene estranho (um DNA recombinante)

  • 5. O plasmídeo recombinante em contacto com bactérias pode introduzir-se nelas (estimulação com choque térmico). Estas bactérias funcionam como hospedeiras aceitando o plasmídeo.

  • 6. A partir do DNA recombinante, o gene inserido passa a comandar a síntese da proteína desejada.

Alguns plasmídeos possuem genes que lhes conferem resistência a alguns antibióticos, o que permite localizar as bactérias que contêm o DNA recombinante. Sujeitam-se as bactérias a um meio com esse antibiótico e as que resistirem são isoladas, pois possuem o plasmídeo recombinante

OGM: Organismos Geneticamente Modificados. Não é ainda seguro que os OGM não disseminem os genes que vão perturbar o equilíbrio das populações naturais.

Com a técnica do DNA recombinante pode-se obter um grande número de cópias de um determinado gene e de o colocar a executar uma tarefa desejada (ex: produção de insulina humana)

c DNA (DNA complementar)

4. O gene passa a fazer parte do plasmídeo possui agora, para além dos seus genes,

funcional.

Transcriptase

reversa:

enzima

existente

em

determinados

vírus

que

catalisam a formação de DNA a

partir de RNA.

-

O mRNA funciona como molde

para a síntese de DNA (está em

desacordo com o Dogma Central da Biologia Molecular)

 

-

A

replicação

do

cDNA

é

catalisada pela

enzima

DNA

polimerase,

que

transforma

cDNA

com uma

cadeia numa

molécula com duas cadeias.

 

O cDNA que se obtém provém de uma molécula madura de

-

mRNA, ou seja, desprovida

de

intrões. Por

isso, a porção

de

DNA

 

que

se

isola

é

- Este facto facilita a síntese de insulina ao nível do procarionte onde é inserido.

Impressões digitais genéticas ou DNA fingerprint ver “Texto informativo” e livro p.138

No seio do DNA existem zonas de restrição que se repetem milhares de vezes, cujo número e tamanho é específico para cada indivíduo.

Processo:

  • - A partir de uma amostra de material biológico que contenha material genético faz-se a extração do DNA.

  • - Utilizam-se enzimas de restrição e o DNA é fragmentado em pedaços de diferentes tamanhos

  • - Colocam-se os fragmentos num gel e, submetendo-os a um campo elétrico

(eletroforese), eles vão deslocar-se com velocidades diferentes

  • - Ao fim de um certo tempo localizam-se em zonas diferentes do gel

  • - Podem localizar-se esses fragmentos e identificar o indivíduo pelo número de fragmentos em que o seu DNA foi dividido.

Reações de polimerização em cadeia (PCR) ver “Texto informativo” e livro p.140

Processo:

  • - Aquece-se o DNA para separar as duas cadeias

  • - A temperatura desce e adiciona-se um oligonucleótido, primer, que se vai ligar ao DNA em pontos específicos, delimitando as zonas a copiar.

  • - Adiciona-se nucleótidos e a enzima DNA polimerase para repor a dupla hélice a partir de uma das cadeias simples.

  • - Repete-se o procedimento até se obterem cópias suficientes do DNA em estudo

Problema: conciliar um processo a elevadas temperaturas com a fragilidade da DNA polimerase. Solução: recorreu-se à DNA polimerase de bactérias que vivem em meios muito quentes

  • - Terapia génica somática: substituição de genes que provocam doenças hereditárias num indivíduo adulto.

  • - Terapia génica germinal: substituição de genes que provocam doenças

hereditárias num embrião. Não tem atualmente justificação e é reprovada pelos

comités de bioética. É preferível selecionar embriões isentos de determinados genes pelas técnicas de reprodução assistida.

Ler textos sobre OMG’s das fichas informativas

SISTEMA IMUNITÁRIO

Definição: células, tecidos e órgãos implicados na defesa do organismo contra agentes estranhos. Está em permanente vigilância.

Agentes patogénicos: seres que podem provocar doenças (patologias)

Vírus: seres acelular que possuem um património genético constituído por DNA ou RNA (retro-vírus), mas nunca os dois simultaneamente. São rodeados por uma camada proteica (cápside), possuindo, por vezes, algumas enzimas e invólucro externo, o qual é produzido pela células hospedeira onde se multiplicam. São parasitas intracelulares obrigatórios. São incapazes de se reproduzir e de realizar o metabolismo de modo autónomo.

Ciclo reprodutor de um vírus (ver imagem pág.155 livro)

Bactérias: células procarióticas com uma molécula de DNA circular no seio do citoplasma, não sendo rodeado por invólucro nuclear, sendo por isso chamado de nucleoide. Algumas possuem plasmídeos (pequenos anéis de DNA) que contêm genes acessórios e que se replicam separadamente. Possuem ribossomas e podem reproduzir-se autonomamente (por divisão binária), obter e mobilizar energia do meio.

Órgãos linfoides primários: locais de formação das células imunitárias (timo e medula óssea vermelha)

Órgãos linfoides secundários: locais de circulação e armazenamento das células imunitárias (baço, gânglios linfáticos, amígdalas e um tecido linfático disperso e associado a mucosas)

Células efectoras: são primariamente diferentes tipos de leucócitos que têm origem na medula óssea vermelha (por hematopoiese) e/ou no fígado fetal. Alguns evoluem para células com funções específicas na defesa do organismo.

Leucócitos: São células circulantes no sangue, na linfa intersticial ou na circulante; Têm a capacidade de se deformar e penetrar entre as células da parede dos vasos capilares; Apresentam à superfície da membrana glicoproteínas específicas que funcionam como recetores.

- Podem ser: granulares e polimorfonucleares 1 (eosinófilos, neutrófilos e basófilos) ou agranulares e monomorfonucleares 2 (monócitos e linfócitos)

1) Defesa do organismo, fagocitose e resposta inflamatória (libertação de histamina) 2) Defesa do organismo, papel fundamental na imunidade, fagocitose

Resposta imunitária depende dos fagócitos (neutrófilos e monócitos macrófagos) e linfócitos (T e B)

A fagocitose processa-se por 4 etapas: adesão, ingestão, digestão e exocitose

LINHAS DE DEFESA DO ORGANISMO

Marcadores celulares: glicoproteínas existentes na superfície das células que diferem de organismo para organismo. Permite que cada indivíduo seja

bioquimicamente único. São a expressão de genes que existem sob diferentes formas alélicas.

Imunidade: diversos processos fisiológicos que permitem ao organismo reconhecer corpos estranhos ou anormais, neutralizá-los e eliminá-los. Elimina células, do próprio organismo, que já estão lesionadas ou já envelhecidas; destrói as células anormais ou mutantes vigilância imunitária - Inata: linhas de defesa presentes em todos os organismos multicelulares - Adaptativa: são adquiridas mais tardiamente na evolução das espécies, só aparecendo nos vertebrados

DEFESA NÃO ESPECÍFICA:

-

Representa uma ação geral de defesa contra corpos estranhos,

 

independentemente do tipo de corpo, e exprimem-se sempre do mesmo modo.

Faz parte da imunidade inata

1ª Linha de defesa Barreiras anatómicas (físicas)

Pele: 1ª barreira mecânica e química. A camada mais externa da epiderme é constituída por células mortas (córnea protetora). A epiderme possui células

-

especializadas na pigmentação e imunidade cutânea. São células muito ramificadas, captam corpos estranhos, degradam-nos e apresentam os

 

fragmentos moleculares aos linfócitos T

-

Pelos das narinas: 1ª barreira à entrada de micro-organismo existentes no

ar

Mucosas: segregam muco que dificulta a fixação de micro-organismo e a sua multiplicação nessas mucosas. Possuem ainda células especializadas na imunidade

-

-

Secreções e enzimas: as glândulas sebáceas, sudoríparas e lacrimais

 

segregam substâncias tóxicas para muitas bactérias. Muitos micro-organismos ingeridos com os alimentos são destruídos no estômago pelo ácido clorídrico, pelas enzimas do suco gástrico e pelo muco estomacal.

2ª Linha de defesa

Resposta inflamatória (esquema 6 das fichas)

-

Acontece quando os micro-organismos conseguem ultrapassar as barreiras

anatómicas.

-

Mastócitos e basófilos produzem histamina e outros mediadores químicos

que provocam a dilatação dos vasos e aumentam a permeabilidade.

 

-

Aumenta a quantidade de fluido intersticial, o que provoca um edema na

região

Quimiotaxia: a acumulação de substâncias químicas inflamatórias ativa o sistema imunitário, atraindo células efectoras para o local

-

-

Diapedese: os neutrófilos e monócitos deformam-se, atravessam as paredes

dos capilares e passam para os tecidos infetados.

-

Os monócitos transformam-se me macrófagos, que fagocitam as células

estranham e destroem-nas em vacúolos digestivos por ação de enzimas

 

hidrolíticas

A dor no local é devido à distensão dos tecidos e à ação de diversas substâncias químicas sobre as terminações nervosas que existem na zona.

-

-

O rubor e o calor são causados pelo maior afluxo sanguíneo

 

-

Ocorre a cicatrização por processos mitóticos

Resposta sistémica: envolve todo o organismo. Um dos sintomas é a febre. As toxinas produzidas pelos agentes patogénicos e certos compostos chamados pirogénios, produzidos por alguns leucócitos, podem fazer disparar a febre.

  • - A febre muito alta é perigosa mas a febre moderada contribui para a defesa do organismo.

Interferões – proteínas importantes na limitação da propagação de determinadas infeções virais.

  • - Atuação: o vírus entra na célula X, induzindo a síntese de interferão. Este abandona a célula, entra na circulação e liga-se a recetores da superfície da

célula Y. Esta é induzida a produzir proteínas antivirais capazes de destruir o mRNA viral, inibindo a síntese proteica. As proteínas antivirais bloqueiam a multiplicação de qualquer vírus que entre na célula Y.

  • - O interferão, só por si, não é antivírico, mas estimula a célula a produzir as suas próprias proteínas antivirais.

  • - O interferão não é específico para um tipo de vírus

DEFESA ESPECÍFICA: esquema 7 das fichas

  • - Os mecanismos de defesa específica vão sendo mobilizados, interatuando com

a primeira a segunda linha de defesa.

  • - Uma vez ativados, estes processos são extremamente eficazes e dirigidos especificamente contra determinados elementos estranhos. Faz parte da

imunidade adquirida

Antigénios: todos os componentes moleculares estranhos que estimulam uma resposta imunitária específica. Podem ser moléculas livres ou estruturas moleculares que existem na superfície de micro-organismos invasores. Geralmente são moléculas de grande peso molecular (proteínas e polissacarídeos). ex: pólen, tecidos ou órgãos transplantados, parasitas, etc.

Intervêm fundamentalmente linfócitos T e B, que se originam na medula óssea vermelha a partir de linfoblastos, migrando depois para o timo (linfócitos T) ou permanecendo na medula óssea (linfócitos B)

No interior do timo ou na medula óssea, sob a ação de hormonas, os linfócitos adquirem os recetores específicos de antigénios que lhes permite reconhecer esses antigénios.

  • - Células imunocompetentes: linfócitos desenvolvidos e com os respetivos recetores. São capazes de resposta imunitária.

Os linfócitos passam depois à corrente sanguínea, podendo migrar para um tecido linfoide secundário.

Funções da resposta específica:

1)

Reconhecimento: o invasor é reconhecido como um corpo

estranho

2)

Reação: o sistema imunitário reage, preparando os agentes

específicos que vão intervir no processo

3)

Ação: os agentes do sistema imunitário neutralizam ou destroem

as células ou corpos estranhos

IMUNIDADE HUMORAL

  • - Seleção clonal: o antigénio estimula uma pequena fração dos linfócitos B que possuem os recetores específicos

  • - Proliferação clonal: após a ativação dos linfócitos B, estes experimentam

uma rápida divisão, originando clones com o mesmo tipo de recetores.

  • - Diferenciação: uma parte das células do clone diferencia-se em

plasmócitos (células secretoras de anticorpos), outras em células de memória que ficam inativas, mas prontas a responder rapidamente caso o antigénio venha a reaparecer no organismo.

A produção de anticorpos é específica. Estes são libertados no sangue ou na linfa (chamada antigamente de humores), circulando até ao local da infeção.

Determinantes antigénicos (ou epítopos): regiões localizadas na superfície do antigénio que são reconhecidas pelos anticorpos. Um antigénio pode ter vários epítopos. Por isso, uma molécula antigénica pode estimular a produção de vários anticorpos.

Estrutura do anticorpo:

  • - Pertencem a um tipo de proteínas que têm uma estrutura globular, sendo também designadas de imunoglobulinas (Ig).

  • - São representados em forma de Y e compostos por 4 cadeias polipeptídicas interligadas e idênticas duas a duas.

  • - As duas cadeias mais longas chamam-se cadeias pesadas ou H

  • - As duas cadeias mais curtas são as cadeias leves ou L

Nos dois tipos de cadeia existem regiões variáveis de anticorpo para anticorpo, enquanto que outras são constantes.

Sítios de ligação: situa-se nas zonas variáveis onde a sequência de aminoácidos é singular e própria para cada tipo de anticorpo e onde se liga um antigénio específico.

O elevado grau de especificidade resulta de:

  • - Estrutura dos sítios de ligação é complementar da estrutura do antigénio

  • - Nesse local toda a estrutura química favorece o estabelecimento de

forças eletrostáticas, de ligações de hidrogénio ou de outro tipo de ligação

entre antigénio e anticorpo.

Complexo antigénio-anticorpo (ou complexo imune): complexo formado pelo antigénio e anticorpo. Esta ligação é feita entre um anticorpo que contém a sequência particular de aminoácidos na zona variável, que o permite reconhecer o antigénio.

> Mecanismos de ação dos anticorpos

Os anticorpos não têm capacidade de destruir diretamente os invasores portadores de antigénios.

  • - Precipitação: se o antigénio é uma molécula solúvel forma-se um complexo

imune insolúvel que precipita.

  • - Aglutinação: se as moléculas antigénicas fazem parte da parede de uma célula, dá-se a aglutinação de células, devido à ligação antigénio-anticorpo

entre células diferentes (os agentes portadores de antigénios ficam

neutralizados)

  • - Intensificação direta da fagocitose: após a ligação antigénio-anticorpo, as

regiões constantes dos anticorpos ficam na periferia do complexo imune.

Existem recetores nas membranas dos fagócitos capazes de fixarem essa região constante. Isto aumenta a aderência dos complexos às células fagocitárias promove endocitose.

  • - Neutralização: os anticorpos fixam-se sobre o vírus ou toxinas bacterianas,

impedindo-os de penetrar nas células. Estes complexos podem depois ser

destruídos por fagocitose.

A presença do complexo antigénio-anticorpo intensifica a resposta inflamatória

Imunoglobulinas: este termo refere-se às características estruturais da molécula, enquanto que o termo anticorpo está associado à sua função imunológica (ligação ao antigénio). As pequenas diferenças nas regiões constantes permitem dividir as imunoglobulinas em 5 classes:

Imunoglob

Características e funções

ulinas

IgG

Mais abundante no soro humano. Pode atravessar a placenta. Existe no colostro e no leite

IgM

Existe exclusivamente no soro

IgA

Lágrimas, saliva, secreção nasal, suor, leite, suco intestinal e muco. No soro em concentrações baixas

IgD

Mais na superfície dos linfócitos B, como recetor antigénico. No soro em concentrações baixas

IgE

Liga-se aos basófilos e mastócitos e é responsável por alergias. No soro em concentrações baixas

Anticorpos pertencentes a classes diferentes podem apresentar a mesma especificidade antigénica.

As propriedades biológicas são conferidas pelas regiões constantes das cadeias pesadas, enquanto que a função de reconhecimento dos antigénios cabe às regiões variáveis.

> Incompatibilidades sanguíneas – rever “Sistema ABO”

  • - Uma transfusão feita a um recetor que possui anticorpos que aglutinam as

hemácias do dador produz uma reação transfusional imediata.

  • - Para evitar isso é preferível realizar-se transfusões isogrupais – o sangue do

dador é do mesmo grupo que o do recetor.

IMUNIDADE MEDIADA POR CELULAS

  • - Seleção clonal: reconhecimento do antigénio apresentado na superfície de

uma célula apresentadora (normalmente um macrófago), ligado a marcadores

individuais. O linfócito T com os recetores específicos para o antigénio é ativado

  • - Proliferação clonal: após a ativação dos linfócitos T, estes experimentam

uma divisão menos acentuada do que nos linfócitos B, originando clones com o

mesmo tipo de recetores.

  • - Diferenciação: o estado de ativação leva os linfócitos a produzirem e

libertarem mediadores químicos e a diferencia-se em efectoras - Th ( helpers ), Tc (citolíticos) Ts (supressores) e células de memória Tm

  • - Th – produz mensageiros químicos e intervém na regulação do processo humoral

  • - Tc – produz mensageiros químicos e destroem as células infetadas pelos antigénios

  • - Ts – regulam o processo humoral e o mediado por células

Os linfócitos T nunca produzem anticorpos, mas controlam a capacidade das células B nessa produção

COOPERAÇÃO ENTRE CÉLULAS IMUNITÁRIAS – esquema 7 das fichas informativas

Os linfócitos B e T influenciam-se mutuamente:

  • - Os anticorpos produzidos pelas células B podem facilitar ou diminuir a capacidade das células T atacarem e destruírem as células invasoras

  • - As células T podem intensificar ou suprimir a produção de anticorpos pelas células B

Vigilância imunitária

Uma das principais funções da imunidade mediada por células é a de reconhecer e destruir células cancerosas. Estas células podem surgir por mutações génicas, as quais promovem o aparecimento de novos antigénio superficiais A destruição das células cancerosas é feita por linfócitos T que, depois de ativados pelos antigénios, libertam substâncias químicas que podem provocar a morte da célula por apoptose. O cancro só se origina se a vigilância imunitária falhar e não reconhecer ou destruir células cancerosas, que depois se multiplicam.

Rejeição

A rejeição de excertos de tecidos e órgãos também é responsabilidade do sistema imunitário.

  • - Há rejeição de excertos quando o dador e o recetor pertencem a estirpes diferentes, em que se verificam diferenças genéticas mais ou menos acentuadas.

  • - Quando se reincide o excerto a resposta imunitária é muito mais intensa e rápida, devido à informação retida pelos linfócitos Tm (memória).

  • - Para minimizar as rejeições procuram-se tecidos ou órgãos que sejam

compatíveis com as características bioquímicas do recetor. Este é ainda submetido a um tratamento com drogas que suprimem a resposta imunitária, mas que devido à sua baixa seletividade podem comprometer a capacidade do sistema imunitário em relação a outras infeções.

Memória imunitária e vacinação – ver fichas informativas + pág.187

Quando um antigénio é injetado aparece uma resposta imunitária primária, traduzida pelo aumento de linfócitos B produtores de anticorpos, que atingem o máximo, começando depois a reduzir progressivamente. Se ocorrer um novo contacto com esse antigénio, surge uma resposta imunitária secundária mais rápida, mais intensa e mais longa; o que traduz a memória imunitária. Esta memória é específica, pois caso fosse injetado outro tipo de antigénio iria desencadear uma nova resposta primária, cujos anticorpos produzidos seriam específicos para esse novo antigénio.

  • - Portanto, o primeiro encontro com o antigénio provoca a formação de células

efectoras e células de memória. As efectoras sobrevivem, geralmente, alguns dias, mas as de memória ficam armazenadas no baço e nos gânglios linfáticos, vivendo durante muito tempo, por vezes durante toda a vida.

A vacina desencadeia uma resposta imunitária primária e provoca a produção de células de memória

Vacina clássica: solução, preparada em laboratório, de agentes patogénicos mortos ou inativos de modo que não se reproduzam. Muitas vezes utilizam-se antigénios do agente infecioso ou apenas os determinantes antigénicos.

Atualmente trabalha-se para se produzir vacinas comestíveis, incorporadas em órgãos vegetais manipulados geneticamente, o que poderá tornar as vacinas mais baratas e mais seguras.

Vacina genética: as mais estudadas são constituídas por plasmídeos de origem bacteriana, sem risco de infeção. São inseridos nesses plasmídeos genes que codificam uma ou árias proteínas antigénicas, normalmente

sintetizadas por um agente patogénico. Ver fichas informativas Doc.4 e

Doc.5

ALERGIAS

Correspondem a estados de hipersensibilidade imunitária traduzidos por reações aberrantes em relação a antigénios específicos e podem conduzir a lesões de tecidos e órgãos. Alergénios: substâncias que desencadeiam as alergias. Exº: ácaros, pólen, pó, esporos, produtos químicos e alimentares. Podem ser inofensivas mas para algumas pessoas se comportam como antigénios.

Tipos de hipersensibilidade:

   

Fase de sensibilização: Resulta da síntese de grandes quantidades de imunoglobulina E (IgE)

É a mais

que se liga aos mastócitos.

frequente e

Resposta secundária: Num 2º contacto com o

manifesta-

alergénio, este vai ligar-se ao IgE dos

Tipo I

se

mastócitos. O complexo antigénio-anticorpo

Imedi

imediatame

ativa os mastócitos e basófilos, os quais

ata

nte após o contacto com o alergénio.

libertam histamina que desencadeia uma resposta inflamatória intensa – vasodilatação (diminui tensão arterial), edema, afluxo de células fagocitárias e secreção de grandes quantidades de muco que causa a contração dos bronquíolos.

 

Leva mais

Resposta imunitária mediada por células.

Tipo II

de 12h

Alergias de contacto: Sobreactivação de certas

Tardia

para se

células do sistema imunitário devido à repetida

desenvolve

aplicação de uma substância sobre a pele. Ex.

r

eczema de contacto

Património genético constitui um importante fator de risco na génese de certas alergias.

AUTOIMUNIDADE

Surgem quando o sistema imunitário se torna hipersensível a antigénios dos seus próprios tecidos. São assim produzidos autoanticorpos e células T sensibilizadas contra alguns autoantigénios.

Mecanismos de desencadeamento:

-

O

timo

pode deixar passar linfócitos com moderada ou mesmo elevada

afinidade para os antigénios do próprio individuo (quebra da autotolerância)

  • - Deleção incompleta de clones autorreativos

  • - Ativação policlonal

  • - Outras anomalias imunológicas

  • - Heranças genéticas

  • - Infeções microbianas

ALGUMAS DOENÇAS AUTOIMUNES

Diabetes insulinodependente (Tipo 1):

  • - Situação normal: A concentração de glicose (glicemia) sofre uma variação

que é acompanhada de um retorno rápido ao valor normal, devido à presença

de duas hormonas produzidas no pâncreas, uma das quais é a insulina – segregada por células endócrinas chamadas ilhotas de Langerhans. A insulina permite que a glicose passe do sangue para as células.

  • - Situação anormal: Uma hiperglicémia crónica que caracteriza a diabetes.

Encontram-se no soro dos diabéticos anticorpos contra células das ilhotas de Langerhans. Os linfócitos T destroem as células produtoras de insulina, através de mediadores químicos.

As injeções de insulina servem para controlar a diabetes crónica mas não ataca a doença, a qual pode levar ao mal funcionamento do sistema cardiovascular, sistema nervoso, gangrena das extremidades, insuficiência renal e cegueira. Pode haver uma pré-disposição genética para a diabetes.

Artrite reumatoide:

  • - Caracterizada pela destruição (proteólise) das cartilagens pelo sistema

imunitário, o que leva ao enfraquecimento dos ligamentos e à deformação das articulações

Esclerose múltipla:

  • - Doença neurológica que se declara entre os 20 e 40 anos. A mielina dos axónios e células nervosas é destruída por linfócitos T ou por mediadores

químicos, ocorrendo lesões na substância branca dos centros nervosos.

  • - Certos linfócitos T reativos confundem determinado antigénio com os

autoantigénios do indivíduo e atacam a mielina. Os macrófagos fagocitam os

detritos e apresenta-os ao sistema imunitário. Os linfócitos B também produzem os anticorpos contra os constituintes da mielina.

  • - Em 80% dos casos os sintomas são: perturbações sensitivas, formigueiros, falta de acuidade visual, desequilíbrio, dificuldades motoras dos membros

inferiores, etc.

  • - Alternam-se períodos de crise com períodos de remissão. As crises podem durar vários dias ou semanas deixando ou não sequelas – “cicatrizes”

formadas por tecidos de sustentação, zonas sem mielina e axónios.

  • - A longo prazo estas lesões levam a uma atrofia do sistema nervoso central.

IMUNODEFICIENCIAS

Congénita:

Exº Indivíduos que não possuem linfócitos T e B, são extremamente sensíveis a infeções, tendo que viver isolados, em ambientes completamente esterilizados. Apresentam uma morte precoce. A deficiência é devido a um funcionamento anormal da medula óssea. Um excerto de medula óssea compatível pode ser um tratamento eficaz

Adquirida:

Causas Básicas:

  • - Falha na transferência de passiva de anticorpos do colostro

  • - Insuficiência de colostro

  • - Falha na absorção dos anticorpos

  • - Stress

  • - Administração de Corticoides

  • - Desnutrição

  • - Drogas citotóxicas / irradiação

  • - Linfomas e outras condições neoplásicas

  • - Infeções Bacterianas Crónicas (Exaustão Imunológica)

  • - Infeções Virais: Viroses linfotrópicas (ex. SIDA); Viroses indutoras de Exaustão Imunológica; Viroses indutoras de neoplasia linfoide.

O HIV é um retrovírus responsável por infetar os linfócitos T4, levando ao enfraquecimento do sistema imunitário Uma pessoa infetada com o HIV reage à sua presença através da produção de anticorpos anti-HIV pelos linfócitos B, pelo que a pessoa é denominada de seropositiva e pode transmitir o vírus, mesmo que não tenha sintomas clínicos – ver fichas informativas + pág.197

IMPORTÂNCIA BIOMÉDICA DOS ANTICORPOS – ver Ficha de Trabalho

  • - A seleção clonal dos linfócitos B promove a produção de vários de linfócitos B diferentes e específicos para cada determinante antigénico do antigénio em questão.

  • - Há, por isso, uma produção diversificada de anticorpos – anticorpos

policlonais – que ficam no soro.

  • - Se após a estimulação antigénica isolarmos um clone de células B, derivadas

de um único linfócito B, teríamos clones produtores de um único tipo de

anticorpo – anticorpos monoclonais pois provêm de um só tipo de clone

Os linfócitos B não sobrevivem mais do que uma semana em cultura, pelo que é difícil a produção de anticorpos monoclonais. Por isso, recorre-se aos mielomas (linfócitos B malignos diferenciados em plasmócitos que formam tumores), que multiplicam-se rapidamente em cultura e algumas perdem a capacidade de produzir anticorpos. Procede-se à fusão de um mieloma com um linfócito B ativado, formando assim um hibridoma, o qual segregam anticorpos monoclonais com a mesma especificidade conferida pelo LB e são culturas celulares permanentes, propriedade conferida pelo mieloma. Isto permite a produção de anticorpos em massa

Aplicações dos anticorpos monoclonais:

  • - Verificar compatibilidade de tecidos e órgãos para excertos e transplantes;

  • - Detetar minúsculos conjuntos de moléculas nos tecidos e fluidos

  • - Tratamento e controlo de certas doenças – soro antitetânico, antídotos contra venenos, etc.

  • - Quando marcados (por fluorescência, radioisótopos, enzimas, …) permitem

discriminar os antigénios ligados ao anticorpo marcado dos antigénios nãos

ligados – testes de gravidez, terapia tumoral, etc.

Imunidade passiva: o organismo não é induzido a produzir anticorpos, pois estes são-lhe fornecidos (pelo soro)

Imunidade ativa: o organismo é estimulado a produzir anticorpos (pelas vacinas)

ANTIBIÓTICOS São utilizados em baixas concentrações para inibir a multiplicação ou matar certos organismos patogénicos.

Experiência de Fleming – ver pág. 202 livro

  • - Fleming fez uma cultura de bactérias Staphylococcus que foi contaminada

com fungos do ar.

  • - Verificou que à volta do fungo as colónias de Staphylococcus eram raras.

  • - Então fez uma cultura do fungo Penicillium notatum e contaminou-a com bactérias patogénicas diferentes e em bandas isoladas, mas que convergiam

para o local onde estava o fungo.

  • - Muitas bandas começaram a desaparecer a partir do local onde estava o

fungo.

  • - Fleming fez ainda culturas do fungo em meio líquido, filtrou-as e verificou que o filtrado impedia o desenvolvimento das mesmas bactérias

  • - Concluiu que os fungos produzam uma substância, a que deu o nome de penicilina, que impedia o desenvolvimento de certas bactérias.

A penicilina foi depois isolada e purificada por Florey e Chain, que procuraram fabricá-la em grande escala. Assim, a penicilina foi largamente utilizada pelos exércitos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Atualmente os antibióticos são produzidos por processos de fermentação em aparelhos designados biorreactores ou fermentadores, em condições perfeitamente controladas, desde a esterilização, à temperatura, o pH, etc.

Biotecnologia: ciência que utiliza organismos vivos para a produção ou transformação de substâncias úteis ao Homem

Bioconversão (biotransformação): Baseia-se na capacidade dos micro- organismos realizarem certas reações químicas que ultrapassam a capacidade

de síntese química e que são economicamente favoráveis. Este processo tecnológico inclui 3 fases: preparação do material, Bioconversão e recuperação do produto

Preparação do material

Bioconversão

Recuperação do produto

Fracionamento + esterilização

Cultura de células + engenharia genética + fermentação + catálise enzimática + controlo dos fermentadores

Separação e rutura das células + concentração do produto + isolamento + purificação

Esteroides – biomoléculas com diferentes funções. Ex.hormonas sexuais (estrogénios e progesterona). Podem ser sintetizadas por bioconversão, que permite a produção em boas condições comerciais dada a sua larga utilização no controlo da natalidade.

Vitaminas – vitamina B 12 e riboflavina são produzidas industrialmente por fermentação direta, utilizando culturas de certas bactérias para a 1ª ou fungos

para a 2ª. Para estimular uma produção com maior rendimento é possível:

  • - Provocar mutações e selecionar mutantes mais produtivos

  • - Fornecer nutrientes necessários para os micro-organismos

  • - Evitar contaminação

Micro-organismos na produção de proteínas humanas :

  • - Através da engenharia genética é possível incorporar numa bactéria uma sequência de DNA humano que codifica determinada proteína (ex. insulina)

Interferões: os interferões produzidos por organismo manipulados são utilizados no tratamento de cancros.

  • - Uma enzima corta o DNA de um linfócito humano nas zonas de restrição. O mesmo acontece com o plasmídeo da bactéria. As ligases unem o plasmídeo

aberto e o gene humano isolado. O plasmídeo recombinante é introduzido na bactéria que produz o interferão.

Hormona de crescimento: uma lesão ou deficiência no lobo anterior da hipófise em criança pode provocar atrasos no crescimento ou mesmo nanismo.

Por isso recorre-se à biotecnologia microbiana:

  • - A partir do mRNA que codifica a hormona, existente na hipófise, faz-se uma transcrição reversa produzindo cDNA. Este é integrado no DNA da bactéria

Escherichia coli juntamente com uma sequência de DNA regulador. A bactéria em cultura produz a hormona em grandes quantidades sem qualquer contaminante de natureza humana.

Algumas Vantagens da biotecnologia:

  • - Permite produzir vacinas em organismo não patogénicos

  • - Permite detetar anomalias a partir do cariótipo do feto, obtido a partir de uma biopsia das vilosidades coriónicas

  • - As substâncias produzidas não são contaminadas, são mais facilmente

purificadas, são mais específicas e podem ser produzidas em grande escala

Desvantagens da biotecnologia:

  • - Existem riscos que levantam problemas de ordem ética

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E SUSTENTABILIDADE

  • - Revolução verde (1960-1970): plano alimentar baseado nas inovações

tecnológicas que visava satisfazer as necessidades alimentares dos países

menos desenvolvidos, permitindo a sua autossuficiência.

PRÓS:

  • - Permitiu a produtividade em certos setores agrícolas (produção de arroz e milho)

  • - Permitiu reduzir a fome nos países onde foi aplicada

CONTRAS:

  • - Foi responsável por:

    • - Degradação dos solos,

    • - Baixa nos níveis dos lençóis freáticos,

    • - Aumento da poluição (uso de fertilizantes e pesticidas químicos)

  • - Perda de biodiversidade ao substituir as variedades selvagens por sementes selecionadas.

  • - Desenvolvimento sustentável: que satisfaz as necessidades das gerações

  • presentes, sem comprometer a capacidade das gerações seguintes

    satisfazerem as suas necessidades

    MICROBIOLOGIA E INDÚSTRIA ALIMENTAR

    • - A milhões de anos atrás, os micro-organismos proporcionaram a produção de

    alimentos ao Homem (pão, vinho, cerveja, manteiga, queijo, etc) sem que este

    soubesse da sua existência

    • - Louis Pasteur foi o 1º cientista a pôr em evidência a atividade de micro- organismos na alteração dos alimentos. Demonstrou que a produção do vinho é

    feita por fermentação produzida por leveduras; o azedar da cerveja e do vinho era causado por bactérias; o azedar do leite podia ser evitado pelo aquecimento, para destruir as bactérias.

    Micro-organismos:

    • - Podem existir sob forma subcelular (vírus) ou celular

    • - Apresentam pequenas dimensões

    • - Podem produzir estruturas pluricelulares observáveis a olho nu

    • - Apresentam baixo grau de diferenciação

    - A milhões de anos atrás, os micro-organismos proporcionaram a produção de alimentos ao Homem (pão,
    • - Grande diversidade metabólica e nutricional

    • - Grande capacidade de se reproduzirem

    rapidamente

    Justificam a sua grande utilidade

    na produção de substâncias úteis

    ao Homem

    METABOLISMO AERÓBIO E ANAERÓBIO

    POSSÍVEIS SUBSTRACTOS: - Lípidos - Hidratos de carbono - Proteínas REACCÇÕES ENZIMÁTICAS QUE OCORREM NO HIALOPLASMA:
    POSSÍVEIS SUBSTRACTOS:
    -
    Lípidos
    -
    Hidratos de carbono
    -
    Proteínas
    REACCÇÕES ENZIMÁTICAS
    QUE OCORREM NO
    HIALOPLASMA:
    -
    Glicólise: ocorre a
    degradação da glicose em
    piruvato
    -
    Redução do piruvato:
    conduz à formação dos
    produtos de fermentação
    FERMENTAÇÃO: Obtenção de
    energia, na ausência de
    oxi énio a
    artir da

    FERMENTAÇÃO ALCCÓLICA

    - Após a glicólise ocorre a descarboxilação do piruvato, originando-se um composto com 2 átomos de carbono (aldeído acético), que origina etanol por redução:

    - A milhões de anos atrás, os micro-organismos proporcionaram a produção de alimentos ao Homem (pão,
    • - As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da

    cerveja em etanol e CO 2 , o qual pode originar as bolhas de algumas bebidas fermentadas.

    • - O vinho deixado em contacto com o ar pode produzir vinagre, pois bactérias aeróbias do género Acetobacter desenvolvem-se sobre a superfície, oxidando

    o etanol, que se transforma em ácido acético.

    - As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da cerveja em

    - Na panificação as leveduras produzem uma série enzimas que lhes permite decompor o amido da farinha em compostos mais simples, os quais, por fermentação, produzem

    álcool e CO 2 .

    • - O etanol evapora-se e o CO 2 fica retido, formando bolhas que faz aumentar

    o volume da massa. A cozedura mata as leveduras e faz expandir o CO 2 ,

    formando-se espaços do interior do pão.

    FERMENTAÇÃO LÁCTICA

    - As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da cerveja em
    • - Intervêm lactobactérias do género Lactobacillus e

    Streptoccocus que desencadeiam reações de fermentação no leite, utilizando diversos açúcares como

    substrato

    • - O leite é pasteurizado para eliminar micro-organismos endógenos, sendo-lhe depois acrescentadas culturas de

    arranque, para iniciar o processo.

    • - No caso dos queijos, se a cultura de arranque for de estirpe pura, o seu sabor será suave. Caso a estirpe for

    mista, terão um sabor mais acentuado.

    • - Alguns queijos experimentam um tratamento onde se favorece o crescimento de fungos

    • - Após a glicólise, o piruvato experimenta redução, combinando-se com o

    hidrogénio transportado pelo NADH, originando-se ácido láctico, que altera o

    pH do meio, provocando a coagulação do leite.

    - As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da cerveja em
    - As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da cerveja em

    AÇÃO DAS ENZIMAS

    Para que se inicie uma reação química é necessário haver colisões entre os átomos das moléculas envolvidas.

    Quanto maior for o número de colisões (maior agitação corpuscular), mais facilitada será a reação química entre os reagentes.

    Energia de ativação: energia mínima necessária para que se inicie uma reação química

    Características/ Propriedades das enzimas:

    • - São catalizadores químicos e biológicos

    • - Fazer baixar a energia de ativação das reações

    • - Não alteram o equilíbrio químico das reações

    • - Não são destruídas ao participarem na reação

    • - São específicas

    • - São destruídas a temperaturas elevadas

    • - São inibidas a temperaturas muito baixas

    • - Atuam em reações de anabolismo e catabolismo

    Cadeia enzimática: sequencia de enzimas que funcionam em cooperação num conjunto de reações

    Via metabólica: conjunto ordenado de reações que ocorrem com intervenção de uma cadeia enzimática

    • - Numa via metabólica, os produtos intermédios servem de substrato à

    reação seguinte, até à formação do produto final.

    • - O não funcionamento de uma enzima na cadeia enzimática conduz à acumulação de um dos produtos intermediários, não se formando os produtos seguintes

    • - Enzima exocelular: atua fora da célula em que é produzida.

    • - Enzima endocelular: atua dentro da célula em que é produzida.

    • - Especificidade absoluta: a enzima atua sobre uma única substância (substrato)

    • - Especificidade relativa: a enzima atua sobre um grupo de substâncias com algumas afinidades entre elas

    Estrutura das enzimas:

    • - São proteínas constituídas por uma ou mais cadeias polipeptídicas.

    • - Em regra, têm maiores dimensões do que o substrato

    • - No mínimo, a sua estrutura tem que ser ternária

    • - A configuração espacial de uma enzima determina a existência de uma

    pequena região – centro ativo – que é complementar da configuração

    espacial do substrato (no todo ou em parte)

    • - É ao nível do centro ativo que se faz a ligação que forma o complexo enzima-substrato

    • - A longa cadeia polipeptídica dobrada permite a adaptação da molécula através de alterações conformacionais

    • - Componente proteica Apoenzima

    • - Substância não proteica Cofactor

    Apoenzima + Cofactor HOLOENZIMA

    Reações de síntese (anabolismo): enzima + 2 substratos = 1 produto Reações de análise (catabolismo): enzima + 1 substrato = 2 produtos As ligações enzima-substrato são transitórias. Depois de atuar a enzima fica livre, podendo depois ligar-se a novas moléculas de substrato, até que todo este seja transformado em produto.

    Os cofactores podem ser:

    • - Iões metálicos que ligados à apoenzima permitem uma melhor ligação da enzima ao substrato

    • - Coenzimas (Q10, A, derivados vitamínicos, etc): compostos orgânicos que se ligam temporariamente durante a catálise.

    Características comuns dos centros ativos:

    • - Ocupam uma pequena parte do volume total da enzima

    • - Correspondem a uma fenda ou cavidade na estrutura da enzima

    • - A especificidade da ligação ao substrato depende do arranjo dos átomos no

    centro ativo

    • - O nº de centros ativos de uma enzima é variável (quando intervêm cofactores há centros ativos adicionais)

    Variação dos intervenientes numa reação enzimática:

    Inicialmente há uma grande concentração de substrato em relação à enzima livre - O substrato liga-se à enzima formando complexos enzima-substracto (ES) Enquanto a concentração de enzima livre e de substrato diminui, a concentração do complexo ES aumenta. À medida que a enzima cataliza a reação, a concentração de produto vai aumentando Há uma estabilização das concentrações de enzima livre de do complexo ES, o que significa que a velocidade de formação de ES é igual à velocidade da separação da enzima e do produto. A partir do momento que a concentração do substrato atinge valores baixos, a concentração da enzima livre aumenta ligeiramente.

    MODELOS DE LIGAÇÃO ENZIMA–SUBSTRATO:

    MODELO “CHAVE-FECHADURA” DE FISHER

    Apoenzima + Cofactor  HOLOENZIMA Reações de síntese (anabolismo): enzima + 2 substratos = 1 produto

    muito rígido e estático

    • - Baseado na especificidade da ação enzimática

    • - O centro ativo tem estrutura

    permanente onde apenas se pode ajustar

    um tipo de substrato

    • - Mais tarde, este modelo foi considerado

    MODELO DO “ENCAIXE INDUZIDO” DE KOSHLAND

     MODELO DO “ENCAIXE INDUZIDO” DE KOSHLAND - Existe uma interação dinâmica entre enzima e substrato

    - Existe uma interação dinâmica entre enzima e substrato

    - O substrato, ao ligar-se à enzima, induz uma mudança na estrutura da molécula enzimática, de modo a que os aminoácidos do centro ativo se adaptem , formando um centro ativo complementar do substrato

    - Este modelo permite explicar a atividade de certas enzimas que atuam sobre substâncias ligeiramente diferentes.

    INIBIÇÃO DA ATIVIDADE ENZIMÁTICA

    Inibidor enzimático: substância que, quando interatua com uma enzima, provoca uma diminuição da sua atividade catalítica.

    • - Inibição irreversível: o inibidor combina-se permanentemente com a

    enzima, inativando-a ou mesmo destruindo-a. (Gás cianídrico, pesticidas, etc.)

    • - Inibição reversível: o inibidor dissocia-se rapidamente da enzima e a enzima permanece funcional. (Antibióticos, etc.)

    • - Inibição competitiva: (ex: sulfamidas) uma molécula estruturalmente

    semelhante ao substrato (inibidor), resistente à ação enzimática, liga-se ao centro ativo da enzima, impedindo a ligação do substrato. Ao aumentarmos a concentração do substrato em relação à do inibidor, a probabilidade da ligação enzima-substrato vai aumentar. Esta inibição tem maior tendência a ser irreversível do que a inibição alostérica.

    • - Inibição alostérica (não competitiva): algumas enzimas contêm, para

    além do centro ativo, um centro alostérico (centro regulador) onde podem ligar-se inibidores que não têm estrutura semelhante à do substrato. Apesar do substrato e do inibidor poderem ligar-se à enzima, a ligação do inibidor provoca uma alteração estrutural na enzima que afeta o seu centro ativo e, por isso, a enzima fica não funcional. Não há competição pela ocupação do centro ativo, pelo que a inibição depende apenas da concentração do inibidor.

    Muitos inibidores são substâncias celulares que regulam a atividade enzimática, combinando-se reversivelmente com enzimas. Por isso, o produto de uma atividade enzimática pode controlar a atividade de outra enzima.

    Quando o produto final está em excesso, as moléculas desse produto vão inibir a 1º enzima, provocando a paragem da sequência metabólica; que será retomada logo que deixe de haver excesso de produto final. Este controlo representa uma economia celular!

    FATORES QUE INFLUENCIAM A ATIVIDADE ENZIMÁTICA

    • 1. Temperatura: Baixas temperaturas provocam, normalmente, a

    inativação das enzimas, devido à compactação das moléculas. A partir de uma temperatura mínima a velocidade da reação aumenta com a temperatura, uma vez que a energia de ativação também aumenta até um valor ótimo. O aumento da temperatura acima da temperatura de desnaturação afeta a estrutura da enzima e a estabilidade do complexo ES

    desnaturação da enzima. A partir da temperatura ótima verifica-se então um declínio da velocidade da reação, até esta se anular.

    • 2. pH: pode alterar a estrutura do centro ativo, desnaturando a enzima. Há

    enzimas que têm a sua atividade ótima em meio ácido, outras em meio

    neutro e outras em meio básico.

    • 3. Concentração do substrato: a velocidade da reação é proporcional à

    concentração do substrato até a um valor máximo, a partir do qual

    estabiliza. A velocidade máxima é atingida quando todas as moléculas da enzima estiverem ocupadas em catálise. Desse modo, os centros ativos das enzimas atingem a saturação, não há enzimas livres.

    • 4. Concentração da enzima: quando a concentração do substrato é

    elevada, a velocidade da reação é diretamente proporcional à concentração

    da enzima.

    • 5. Inibidores:

    a. Inibição competitiva: um aumento da concentração do substrato (até um certo ponto), faz aumentar a velocidade da reação (há mais possibilidades da enzima encontrar as moléculas de substrato)

    • b. Inibição alostérica : ação dos inibidores é independente da concentração do substrato. Haverão tantas moléculas inibidas quantas moléculas de inibidor existirem. A inibição poderá ser ultrapassada fazendo aumentar a concentração da enzima.

    CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS ENZIMAS

    - Designação estabelecida por Duclaux (1883): a partir do nome do substrato sobre o qual atuam, acrescenta-se o sufixo –ase o problema é que não especifica o tipo de transformação que ocorre durante a catálise

    - Comissão para as Enzimas da União Internacional de Bioquímica (1961): as enzimas dividem-se em 6 classes:

    estabiliza. A velocidade máxima é atingida quando todas as moléculas da enzima estiverem ocupadas em catálise.

    CONSERVAÇÃO, MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

    A produção de alimentos saborosos, disponíveis e seguros por parte das indústrias alimentares inclui:

    • - Processamento de matérias-primas para produzir alimentos estáveis;

    • - A utilização de micro-organismos ou produtos da sua atividade;

    • - A distribuição de alimentos até ao consumidor final com garantias de qualidade.

    Alimentos seguros: não prejudicam a saúde do consumidor quando preparados e ingeridos de acordo com as condições corretas de utilização.

    O consumo de alimentos frescos nem sempre é possível, havendo necessidade de serem conservados. Por outro lado, os produtos podem ser transportados a grandes distâncias e passar por um longo período de armazenamento antes de serem consumidos, ficando assim sujeitos a diversos micro-organismos.

    PROCESSOS DE CONSERVAÇÃO

    Aditivos alimentares: substâncias adicionadas pelos fabricantes aos alimentos com o objetivo de prolongar a sua conservação e de os tornar mais atraentes, mantendo o seu aspeto e consistência. Existem mais de 300 aditivos autorizados pela UE.

    • - Os aditivos devem responder a uma necessidade tecnológica e apresentar vantagens para o consumidor, desde que inofensivos para a saúde.

    • - Alguns são úteis, como os que contribuem para evitar o aparecimento de micro-organismos; mas alguns ocultam a falta de certos ingredientes ou a

    utilização de outros sem qualidade.

    • - A alteração dos alimentos causada pelos micro-organismos é um processo normal na natureza

    A quantidade e qualidade dos micro-organismos presentes num alimento processado dependem:

    • - Da qualidade microbiológica do produto quando fresco;

    • - Dos procedimentos seguidos durante o seu processamento;

    • - Das condições de higiene no manuseamento dos alimentos;

    • - Das condições de armazenamento.

    • - Os principais agentes de alteração alimentar são as bactérias, seguindo-se os bolores e as leveduras

    • - Alguns dos micro-organismos são proteolíticos, degradando as proteínas, com

    libertação de aminoácidos, aminas, amoníaco e ácido sulfúrico.

    • - As gorduras também se alteram, decompondo-se em ácidos gordos e glicerol

    • - Os hidratos de carbono podem fermentar com produção de ácidos, álcoois e substâncias gasosas

    • - Todos os alimentos têm tendência a deteriorar-se devido às enzimas intrínsecas

    Ervas aromáticas, cebola, alho, ovos e leite são alimentos que apresentam

    substâncias antimicrobianas.

    Como minimizar a alteração dos alimentos por micro-organismos (em casa):

    • - Os alimentos crus e os alimentos cozinhados não devem ser guardados em conjunto

    • - Os alimentos que foram congelados não devem ser recongelados

    • - Os alimentos não devem ficar expostos ao ar na superfície de trabalho

    • - As técnicas de conservação nem sempre impedem a deterioração microbiana dos alimentos

    O controlo de qualidade dos alimentos faz parte da indústria alimentar, incidindo sobre todas as etapas do processamento de alimentos.

    Os métodos de controlo devem ser simples e rápidos e estar em contínua atualização, porque:

    • - Novos agentes biológicos se tornam patogénicos;

    • - Novos compostos químicos intervêm na intoxicação alimentar;

    • - Novas tecnologias industriais são desenvolvidas, exigindo novas necessidades de controlo.

    Conservação de alimentos

    Conservação de alimentos MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS 46

    MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

    Utilidade dos micro-organismos deve-se: à sua diversidade metabólica e nutricional associada à capacidade de se reproduzirem rapidamente, produzindo compostos de grande utilidade. No processo industrial todos os fatores devem ser rigorosamente controlados (pH, temperatura, humidade, esterilização, etc)

    Fases de um processo industrial que utiliza micro-organismos:

    Seleção de micro-
    Seleção de
    micro-
     Utilidade dos micro-organismos deve-se: à sua diversidade metabólica e nutricional associada à capacidade de se
    Matérias- primas e pré-
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     Utilidade dos micro-organismos deve-se: à sua diversidade metabólica e nutricional associada à capacidade de se
    Melhorame nto da
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    Preparação do meio de
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    Fermentad or Controlo das
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    Controlo
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     Utilidade dos micro-organismos deve-se: à sua diversidade metabólica e nutricional associada à capacidade de se

    Recuperação e formulação do

    Durante o processo é necessário:

    • - Assegurar as condições de assépticas para que as culturas não sejam contaminadas com outros micro-organismos

    • - Identificar claramente a atividade das estirpes bacterianas e o produto pretendido (raramente se utilizam estirpes selvagens pois a quantidade de

    metabolitos é muito baixa)

    • - Escolher estirpes melhoradas para aumentar o rendimento (otimização do

    produto)

    • - Que o meio de cultura e os micro-organismos estão devidamente misturados

    • - Assegurar as condições ideais de temperatura, pH, humidade, arejamento e dispersão de calor.

    Melhoramento não recombinante de estirpes é um método tradicional de mutagénese que produz resultados rápidos e vantajosos. Foi ultrapassado pela Técnica do DNA recombinante que tem tido um grande impacto na microbiologia industrial.

    O desempenho dos micro-organismos é influenciado pelas condições em que se expressa a informação genética. Muitas vezes, em situações de carência de nutrientes específicos os micro-organismos otimizam a produção de metabolitos.