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Resenha - Direito Antigo.docx

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RESENHA LIVRO: HISTÓRIA DO DIREITO CAPÍTULO 6 – DIREITO ANTIGO: ATENAS E ROMA AUTORES: JOSÉ FÁBIO RODRIGUES MACIEL, RENAN

AGUIAR ATENAS Este capítulo da obra História do Direito, de José Fábio Rodrigues Maciel e Renan Aguiar, nos apresenta o Direito em suas manifestaçãoes primordiais, consideradas desde a Grécia até Roma. Iniciando esse passeio na história pela Grécia notamos que os gregos foram grandes juristas, não propriamente enquanto construtores de uma ciência jurídica, mas quando promoveram inúmeras melhorias nas tradições dos direitos cuneiformes, como também ao transmitirem-nas aos romanos. Considerando-se o direito grego, e mais especificamente o direito de Atenas, notamos que, para os gregos, o direito deveria fazer parte da educação de todo cidadão. Este, aparentemente foi formulado mais segundo consciência coletiva de justiça, do que de textos legislativos propriamente ditos. A vida pública era considerada um dos maiores bens que o homem poderia almejar. E a obediência à lei era o que legitimava a liberdade do cidadão, bem como limitava o poder das autoridades. Assim sendo, a fonte do direito para eles era o nomos, isto é, a lei. Mas nomos também significa costume, o que pode justificar o fato dos gregos terem escrito poucas leis. A democracia ateniense permitia aos cidadãos deliberarem sem o intermédio de representantes, governando diretamente na assembléia. Entretanto, esta era uma democracia pouco democrática à medida que os escravos não possuíam nenhum direito, e as mulheres e crianças muito poucos. As leis de Dracon são a mais antiga legislação conhecida de Atenas. Famosas também pela sua severidade, puseram fim à solidariedade familiar expandindo o fundamento da vida social além do seio da família. Este primeiro Código ateniense promoveu importantes distinções dentro do direito penal, como a que se deu entre os muitos tipos de homicídio, diferenciando o homicídio voluntário do involuntário, bem como do homicídio em legítima defesa. Depois de algum tempo o Código criado por Dracon foi alterado por Sólon, quando este instaurou uma democracia moderna, a qual engrandeceu Atenas pondo a Justiça nas maõs dos cidadãos e não nas mãos de especialistas. A partir daí, os gregos ultrapassaram o debate sobre as normas, passando a discutir sobre temas mais amplos como o justo e a justiça. A retórica dentro dessa sociedade era extremamente importante, pois era por meio dela que se

onde apenas as partes envolvidas poderiam iniciar a ação. proporcionando distinção de tratamento. o Direito privado. Como o ideal era que todo cidadão se indignasse com qualquer ilícito. O rei (rex) na maioria das vezes era um estrangeiro vindo da potência política econômica da época: a Estrúria. entre os patrícios (fundadores de Roma) e os demais habitantes. a atividade advocatícia era vista com maus olhos. podriam ser provas naturais. didaticaemnte. As guerras eram a maneira de conquistar novas terras e escravos. Surgiram normas distintas para cada classe social. Havia também uma clara distinção entre ação pública. Os grupos de grandes famílias patriarcais que ocupavam essas aldeias eram chamados de gentes. ROMA A história do desenvolvimento de Roma é bastante longa. A República era conduzida pelo Senado romano. concentrando o poder nas mãos dos patrícios. inclusive jurídico. de bens e cultivos limitados. tendo como idioma o latim. que podia ser iniciada por qualquer cidadão que se sentisse lesado pelo Estado. onde os cidadãos romanos usurfruiam de direitos romanos (ius civile). As provas além dos testemunhos. O direito grego foi bastante evoluído a ponto não só de influenciar o direito romano. República e Império. como ecoar até hoje em muitas de nossas práticas e conceitos jurídicos. uma Estrúria enfraquecida refletiu na diminuição do poder do rei. trazendo riquezas para Roma. e a reunião de seus chefes de família daria origem mais tarde ao Senado romano. e qualquer cidadão era considerado como capaz de sustentar sua acusação. ou provas artificiais. assinalando para o surgimento da República. por exemplo. Mais tarde. e os demais cidadãos eram submetidos apenas ao direito comum a todos os homens (ius gentium). Quando se tratava de crimes públicos. apresentando suas provas e formulando seus argumentos diante do Tribunal competente. que hoje é a Itália. o sistema penal grego era fundado na acusação popular. em três períodos: Realeza. No período da realeza Roma era constituída de pequenas aldeias habitadas por pastores.1 podia convencer os outros e defender-se também. semelhantes à distinção entre direito material e direito procesual de hoje. e ação privada que era o debate entre litigantes reivindicando um direito ou contestando uma ação. . mesmo não sendo a vítima. e por isso o autor decidiu dividíla. o Direito público e as distinções entre lei substantiva e lei processual. que eram as evidências empíricas. Nos seus intitutos os gregos já preconizavam muito do que existe hoje como. como se estimulasse o engano. advindas da invenção ou descoberta a partir do raciocínio e eloquência.

podendo. A jurisprudência era considerada como conhecimento das regras jurídicas e sua aplicação na prática forense. dar instruções ao juiz de como deveria apreciar as questões de direito. e limitava-se a cuidar da primeira fase do processo entre particulares. pois os pontífices continuaram tendo o monopólio da interpretação da Lei. Temos assim a primeiro período pertinente à nova forma de governo: Alto Império. por sua vez. Octávio. e um deles. na qual se resumia a causa. abrindo-lhe espaço para atuar com mais arbítrio. Sendo extremamente ritualista. jurídicas e religiosas. indicando as provas a serem produzidas. conseguiu concentrar todos os poderes em suas mãos. Após algum tempo. criaram a Lex Hortência determinando que as normas aprovadas em plebiscito tomassem o mesmo caráter das leges e passassem a obrigar todos os cidadãos. Com o advento da República e ascenção do Senado a lei passou a concorrer com o costume como fonte do direito. Na Época Antiga ainda estavam conectadas entre si as regras morais. para depois remetê-lo ao juiz. verificando as alegações e fixando os limites do caso. à medida que os soldados concluiam suas missões e delas saiam sem qualquer indenização. que foi a época de esplendor de Roma. foi admitido o poder de mando ao pretor o que lhe permitiu modificar o processo. exigindo que os costumes romanos fossem escritos para que integrar o povo nesse entendimento do direito. Ao apoiarem os soldados os generais foram fortalecidos. A partir do surgimento do processo formular. Em resposta à discriminação sofrida com leis distintas para cada parcela da sociedade. tomando sua decisão. o direito romano dessa época era cheio de fórmulas conhecidas somente pelos pontífices. estabelecendo os limites subjetivos e objetivos da lide processual. verificava a procedência das alegações de acordo com as provas apresentadas. por meio das fórmulas. muitas revoltas foram geradas. Os períododo do direito romano tem uma divisão distinta da historicamente concebida anteriormente. Entretanto. Época Clássica e Época do Baixo Império. assim temos: Época Antiga ou Arcaica.2 Entretanto. a redação da Lei resolveu parte dos conflitos. Ainda assim. o plebiscito. isto é. As fórmulas tinham como função organizar a controvérsia transformando o conflito real em conflito judicial. sendo proclamado Imperador ao receber do Senado o título de Augusto. Grande parte das modificações e aperfeiçoamento no direito dessa época foi resultado da atividade dos pretores que inicialmente não podiam modificar as regras antigas. a decadência do povo romano ocasionou o período que ficou conhecimdo como Baixo Império.A lei das XII Tábuas também é consequencia das reivindicações dos plebeus. e este. Eram um tipo de decreto pretoriano em forma de carta ao juiz. os plebeus por meio do ato legislativo que lhe era pertinente. o pretor passa a poder resolver os casos concretos que antes . A Época Clássica apresenta um direito laico e individualista.

havendo valorização dos juristas. O direito de família ressaltando opoder do pater famílais. os bens matrimoniais no casamento cum manu integrados ao patromônio do marido. a posse e propriedade já eram consideradas de modo distinto. sofrendo também grande influência do Cristianismo que modificou diversos princípios do direito privado romano. onde posse dizia respeito a quem tinha de fato poder sobre determinada coisa corpórea e propriedade relacionava-se ao poder absoluto e exclusivo sobre uma coisa corpórea. a qual nos apresenta um período de decadência política e intelectual. ocasionando um processo mais rápido. o casamento como relação social e não propriamente jurídica. CONCLUSÃO Dentre as muitas contribuições do direito grego e do direito romano. E apesar das muitas falhas que promoviam uma má administração dos poderes. e no casamento sine manu havia separação de bens. bem como a discriminação de parte do povo. a mando de Teodosiano II e Justiniano I. Seguindo o curso da divisão histórica do direito romano. que eram as coisas móveis e imóveis. por intermédio do trabalho dos compiladores as obras dos jurisconsultos do período áureo de seu direito. considerado apenas quando os cônjuges. o direito das obrigações nos leva a uma relação entre duas ou mais partes onde uma é o credor e o outro o devedor. a sucessão ou herança nos remete à transmissão do patrimônio de uma pessoa morta a uma ou mais pessoa vivas. admitindo-se o dote. ou um deles. e res nec mancipi. nos direitos reais ou direitos das coisas havia distinção das coisas em res mancipi que precisavam de solenidade para serem transferidas. como também os frutos. temos a Época do Baixo império. são cidadãos romanos. é notável seu desenvolvimento e evolução extremamente arrojados para suas épocas. . O grande mérito do direito pós-clássico foi o de ter conservado. numa relação direta entre o titular do direito e a coisa. de regressão econômica. temos no direito uma das maiores heranças históricas de inestimável valor e influência no mundo contemporâneo. podendo posteriormente ser feito por qualquer um dos cônjuges. Em seus principais intitutos os romanos tiveram criações geniais que foram perpetuadas na história. o divórsio inicialmente sob a forma de repúdio da mulher pelo marido. A divisão de tarefas entre o pretor e o juiz desaparece. centralização dos poderes em um único órgão e o surgimento do recurso ou apelação. divisíveis e indivisíveis.3 eram submetidos à rigorosidade das formalidades. escrito e menos formalista.

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