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1. Introdução
A pediculose é caracterizada pela infestação dos insetos da ordem Anoplura, conhecidos como piolhos. Essa ordem apresenta cerca de 532 espécies distribuídas em 15 famílias. A família Pediculidae compreende os piolhos que vivem exclusivamente em Primatas e possui três espécies que parasitam o homem: Pediculus capitis, que é o piolho da cabeça e Pediculus humanus corporis, que é o piolho do corpo, conhecido como muquirana, e Phthirus pubis, piolho que se aloja na região pubiana e é comumente denominado de chato (LINARDI, 2003). Morfologicamente, estas são separadas pelo tamanho, coloração e posicionamento de determinadas estruturas anatômicas em seu corpo. A sua infestação não é considerada rara e nem restrita a determinadas raças humanas, posicionamento social ou a regiões do planeta, sendo encontrados em locais de clima quente e tropical ou de clima frio (ANDRADE, 2000). Os relatos sobre a ocorrência da pediculose datam de até 1300 a.C. (REY, 2001). Recentemente Araújo e colaboradores apud Barbosa, 2003. relatam que foram encontrados ovos de Pediculus humanus capitis em múmias no Piauí que datam 10.000 anos. Na antiguidade, a ocorrência de pediculose era associada à falta de higiene e as pessoas que possuíam piolhos eram consideradas promíscuas, pois o asseio corporal era erroneamente tido como um pecado. Com o acontecimento da primeira e segunda guerra mundial, houve grandes surtos de pediculose, decorrentes da superlotação e da falta de higiene comuns em acampamentos de refugiados, ou entre prisioneiros e soldados em campanha (REY,
2001).
Outro fator importante que deve ser considerado é a hematofagia do parasito sobre o seu hospedeiro, que provoca escoriações decorrentes do ato de coçar, devido à hipersensibilidade da substância anticoagulante encontrada na saliva do inseto (KAVAMURA, 1995). Além do desconforto, irritação e debilidade gerados pela presença dos insetos, as escoriações provocadas pelos piolhos favorecem a penetração de agentes oportunistas, gerando infecções estafilocócicas secundárias que levam a um quadro de impetigo. Outros agentes oportunistas também podem ser transmitidos por piolhos
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como: Rickettsia prowazeki, agente etiológico do tifo exantemático; Rickettsia quintana, agente etiológico da febre das trincheiras e a Borrelia recorrentis, agente etiológico da febre recorrente. Para essas doenças o homem é o único reservatório conhecido, indicando estreita relação evolutiva entre esses três agentes (ANDRADE, 2000). Existem fatores que contribuem para eventuais surtos do piolho da cabeça, tais como: aumento da população humana e modificação dos hábitos sociais e afetivos, que mostra um maior contato físico entre as pessoas de qualquer classe social (salas de aula cheias e beijos faciais para cumprimentos), além da indiferença das autoridades em relação à infestação (que a considera inofensiva, sem maiores e piores conseqüências e de fácil tratamento) e a falta de inspeção em alguns grupos que podem servir como reservatórios (crianças em idade pré-escolar e população de rua) (LINARDI, 2003). Os moradores de rua, bem como os residentes em abrigos e albergues sempre são citados entre aqueles que possuem uma maior propensão a contaminar-se por piolhos devido ao fato de possuírem poucos recursos de higiene e residir em locais aglomerados onde o compartilhamento de objetos pessoais pelo grupo é bastante comum, constituindo dessa forma um importante problema em saúde pública. Além das condições de vida muitas vezes inadequadas, os moradores de rua não possuem informações e conhecimento sobre as principais características da doença, o que é fundamental para a sua prevenção, controle e tratamento. Outro fator importante é que a pediculose é considerada até mesmo pelas autoridades públicas como uma doença de fácil tratamento e um tipo de moléstia que não traz graves problemas à saúde. Com base nesses fatos, ressaltamos neste trabalho a pertinência e relevância do estudo na área de saúde, no sentido de gerar subsídios para o desenvolvimento de um Programa Educacional eficiente, capaz de conscientizar os moradores de rua e às autoridades responsáveis sobre a prevenção e o tratamento adequado da pediculose.
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1.1. Moradores de rua
Segundo a Organização Mundial de Saúde, caracteriza-se morador de rua como qualquer pessoa que, por não possuir moradia, pernoita em ruas, em albergues ou em qualquer lugar que não seja destinado à habitação fixa. Pode compreender também, pessoa que perdeu o seu domicilio por despejo e encontra-se alojada em instituições públicas ou residências de terceiros (CARBONE, 2000). Também incluem-se nesse grupo famílias que residem em situações precárias de qualquer espécie, tais como moradores de cortiços e favelas, dada a precariedade de seu domicilio (AMED, 1995). Caracterizam-se pelo fato de alocarem-se em áreas da cidade que possam encontrar trabalho, alimentos, roupas e abrigo e em sua grande maioria não dispõe nem de domicilio ou local de trabalho conhecido. Estima-se que até dois terços da população de moradores de favela de grandes cidades ou pessoas carentes de comunidades rurais são afetados por pelo menos uma ectoparasitose (HEUKELBACH,
2003).
A população de rua não consta em censos, mas está cada vez mais visível nas ruas e praças das grandes cidades, envolvida nas mais originais estratégias de sobrevivência (ZALUAR, 1992 apud CARBONE, 2000). Apenas uma parte desta população faz uso de algum tipo de serviço público ou privado, quer seja de distribuição de alimentos ou abrigo em albergues ou casas de convivência. Nem todas as pessoas assumem aspecto andrajoso, podendo ser confundidos com pessoas que compõe o estrato de baixa renda da cidade. Em algumas vezes, passam a viver nas ruas, buscando o anonimato, fugindo de problemas judiciais, familiares ou financeiros. São muitas as causas possíveis para que uma pessoa se torne moradora de rua, tais como: desemprego, falta de estrutura familiar, problemas com a justiça, vícios e problemas mentais. Entretanto, alguns fatores como o alcoolismo, a doença mental e o uso de drogas, podem ser iniciados ou agravados com o “viver na rua” (CARBONE,
2000).
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2. Biologia do parasita:
Os piolhos são ectoparasitas obrigatórios. Morfologicamente observa-se tamanho reduzido (no máximo 6mm), corpo achatado dorso ventralmente, ausência de asas e presença de aparelho picador-sugador. Seu aparelho bucal é fino, com aspecto semelhante ao de um canudo, este tubo penetra na pele à procura de um capilar sangüíneo, esse fato o classifica como hematófago solenofágico (CAPORRINO, 2000).
Fig. 1 – Detalhes da morfologia externa de Pediculus humanus Linneaus macho, aspecto dorsal; a, clypeus; b, linha correspondente a sutura epicraneana; c, protorax; d, mesotorax; e, metatorax; f, nus; g, dilator; h, tarso; i, polex; j, tibia; k, femur; l, trochanter; n, coxa; m, estigma; o, costela; p, cova esternal; q, faixas transversais; r, placa pleural; 1-6 estigmas abdominais (Caporrino, 2000).
Considerando ainda aspectos de seu aparelho bucal, os piolhos são também classificados como triquetas por apresentarem três estiletes compondo o seu aparelho bucal. Estes são classificados em estilete dorsal (ou hipofaringeano), que consiste em seu tubo alimentar por ser o tubo por onde o sangue é aspirado; estilete mediano (ou salivar), tubo por onde a saliva é injetada e o estilete ventral (ou labial), que possui a função de perfurar o couro cabeludo.Os três estiletes ficam recolhidos em um saco
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dentro da cabeça, correndo por baixo do intestino anterior. Durante a alimentação, os estiletes saem através de um pequeno bico denominado rostro ou probóscide (CAPORRINO, 2000).
Figura 2. Vista lateral em corte da cabeça de um piolho (à direita) e à esquerda, o ROSTRO como seria visto se cortado (Caporrino, 2000).
Possuem pernas curtas, fortes, do tipo escansorial e no tarso nota-se um conjunto garra e processo tibial que forma uma estrutura alongada, recurvada e achatada com o aspecto de pinça na qual o inseto fica fortemente abraçado ao pêlo. (LINARDI, 2003). O tegumento é espesso e por esse motivo que observa-se a dificuldade em se dissecar ou cortar (ANDRADE, 2000). Dá-se o nome de lêndeas aos ovos que são colocados aderidos aos pêlos ou as fibras, geralmente na região próxima à orelha e a nuca. As lêndeas medem aproximadamente de 0,8mm / 0,3mm. De acordo com o crescimento do cabelo, as lêndeas se afastam cada vez mais para a extremidade, de modo que as lêndeas situadas de 0,7cm da base do cabelo seriam lêndeas mortas ou então eclodidas, uma vez que os ovos necessitam do calor da cabeça para eclodir (LINARDI, 2003).
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2.1. Ciclo Biológico
A fêmea de P.capitis é capaz de colocar durante a sua vida adulta, que dura cerca de 3 a 4 semanas, uma média de 50 a 250 ovos. O ciclo completo passa pelas seguintes fases: ovo (incubação), 8 dias – eclosão - ninfa 1 (primeira forma jovem), 2 dias - muda – ninfa 2 (segunda forma jovem), 2 dias – muda - ninfa 3 (terceira forma jovem), 3 dias – muda – adulto ( o período pré- ovipositório dura cerca de 1 dia). Por apresentarem metamorfose gradual são chamados de paurometábolos (ANDRADE,
2000).
Figura 3: Ciclo Biológico do piolho (Andrade, C.F, 2000)
Após a
fecundação,
as
começam
depositar
do
fio
fêmeas
a
os
ovos na base
de
cabelo. As lêndeas são então cimentadas com uma sustância secretada por glândulas especiais denominadas glândulas coletéricas; esta ação de postura de ovos dura em média 17 segundos. O período de incubação dura cerca de 8-9 dias e só é possível graças ao calor humano (LINARDI, 2003). Antes de tornar-se sexualmente madura, a ninfa passa por três períodos de muda, que podem ser diferenciados em função do tamanho (ANDRADE, 2000). O ciclo ocorre em um período de 15 dias, em condições favoráveis de temperatura e umidade e do hospedeiro. A picada é intermitente e dura cerca de 3-10 minutos. Parecem ser mais ativos à noite, pois é o período que corresponde ao descanso do hospedeiro (REY, 2001).
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2.2. Transmissão
Os piolhos são transmitidos principalmente por contato. Não possuem asas e nem adaptações para saltar como as pulgas, por esse motivo a principal via de transmissão é a transmissão ativa de uma pessoa para outra (cabeça / cabeça) durante beijos faciais, abraços ou a coabitação em locais apertados como transporte coletivo (LINARDI, 2003). Outra forma de contaminação importante é pelo compartilhamento de objetos de uso pessoal como pentes, escovas, bonés e travesseiros. Determinados estímulos podem acarretar a mudança de hospedeiro pelo piolho, como temperatura, umidade e odor (LINARDI, 2003). Relata-se que aumentando a temperatura do portador dos piolhos, ou seja, em casos de febre, estes se mostram inquietos, e espalham-se pelas roupas, na tentativa de passar para outros indivíduos. O mesmo acontece quando há um decaimento progressivo da temperatura corporal, por esse motivo os piolhos tendem abandonarem os cadáveres assim que começam a resfriar (REY, 2001).
2.3. Patologia e manifestações clínicas
Os efeitos da infestação por piolhos são derivados essencialmente da secreção das glândulas salivares, que provoca de inicio e durante algum tempo, uma lesão papilosa e elevada que produz intenso prurido. Esse efeito é observado quer seja no ataque pelo piolho da cabeça (Pediculus capitis), quer pela “muquirana” (Pediculus corporis) quer pelo “chato” (Phthirus pubis). Nesses casos, a pessoa é levada a coçar- se e arranhar-se provocando escoriações que tendem a ficar com a base endurada e não raro revestidas por crostas (REY, 2001). Com o aumento da infestação observa-se a formação de placas hemorrágicas, urticária e dermatite por infecções secundárias (LINARDI, 2003).
2.4.
Doenças transmitidas por piolhos (infecções secundárias):
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As escoriações provocadas pelos piolhos, favorecem a penetração de agentes oportunistas como bactérias do tipo estafilococos, que levam a um quadro de impetigo (LINARDI, 2003). As lesões podem em alguns casos, serem agravadas por larvas de alguns dípteros que causam miíases, estas levam a um quadro de adenomegalia de
gânglios retro auriculares e cervicais (KAVAMURA, 1995). Outros agentes oportunistas podem ser citados, causando rickettisioses como o tifo exantemático, a febre das trincheiras e a febre recorrente, todas transmitidas por piolhos (ANDRADE, 2000).
O agente transmissor do tifo exantemático é denominado Rickettsia prowazeki.
Trata-se de um pequeno organismo, semelhante a um cocobacilo imóvel, cujo desenvolvimento é obrigatoriamente intracelular, com curtos estágios extracelulares.
Em condições naturais, infecta somente homem e piolho (REY, 2001). Esta doença se caracteriza pela manifestação de bacteriemia e de um quadro de vasculite generalizada que ocasiona a formação de trombos e hemorragias, o que pode ser seguido de extravasamento de plasma, hemoconcentração e choque (LINARDI, 2003).
A febre das trincheiras é causada por Rickettsia quintana. Esta doença se
caracteriza por apresentar calafrios e febre no seu estágio inicial; esta febre tende a reclinar-se e reaparecer de três a cinco dias. Esta doença foi reconhecida pela primeira vez durante a guerra de 1914-1918 e voltou a tornar-se epidêmica durante a Segunda Guerra Mundial (REY, 2001). A febre recorrente, caracteriza-se por estágios febris de 2 a 9 dias de duração, alternados com períodos de apirexia de 2 a 4 dias; sendo transmitida pelo agente Borrelia recurrentis, seja através de carrapatos ou de piolhos. As manifestações clínicas da doença se caracterizam pelos estágios de febre além do exantema transitório do tipo petequial que aparece em um primeiro acesso. A letalidade desta doença durante períodos epidêmicos chega alcançar 50% nos casos não tratados (LINARDI, 2001).
2.5. Diagnóstico e tratamento:
O diagnóstico para Pediculus capitis é simples, pois basta observar a presença
de lêndeas e de insetos adultos na cabeça principalmente na região da nuca e atrás da orelha (REY, 2001).
O tratamento para a pediculose provoca discussão no uso de medicamentos
para o seu controle, pois a grande parte das drogas utilizadas apresentam grau de
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toxidade considerável e a região afetada, a cabeça, caracteriza-se por ser uma região extremamente vascularizada. Outro fator que deve ser considerado é que o inseto pode adquirir resistência a algumas drogas, induzindo a uma falsa sensação de cura, fazendo com que as pessoas se tornem descuidadas em relação à praticas higiênicas (BARBOSA, 2003). Medidas extremamente eficazes e naturais merecem destaque, pois são de grande importância no tratamento da pediculose. O primeiro meio que podemos destacar é a catação manual seguida da destruição do inseto pelo fogo ou pela imersão do mesmo em álcool; neste caso não é recomendado que o inseto seja morto entre os dedos, pois esta é uma das formas de transmissão das doenças já mencionadas (LINARDI, 2003). Outra forma de tratamento é através da penteação ou escovação freqüentes, utilizando-se um pente fino para retirar insetos adultos e jovens. Também possui eficácia na retirada de lêndeas (BARBOSA, 2003). Tanto os insetos jovens e adultos quanto as lêndeas podem sofrer lesões e escoriações pelos movimentos do pente fino, e essas injúrias fazem com que os insetos jovens e adultos sejam mutilados enquanto as lêndeas tem o seu desenvolvimento impedido. A penteação pode ser facilitada quando o cabelo é previamente massageado com óleos, pois esta substância faz com que os insetos sejam imobilizados (LINARDI, 2003). Medida extrema como a raspagem total da cabeça ainda é muito utilizada em algumas comunidades e principalmente quando os homens são infectados por esta ectoparasitose. É importante ressaltar que o corte dos cabelos só é eficiente se o cabelo for cortado até 8mm do couro cabeludo (REY, 2001). A pediculose também é comumente tratada através do uso de substâncias piolhicidas como pomada mercurial, benzoato de benzila organoclorados (lindane e hexaclorocicloexano), compostos sulfurados e piretróides sintéticos (deltametrina e permetrina). Entretanto, ao fazer uso destas substâncias, deve-se ter em mente que é possível aumentar a resistência dos insetos em virtude da seleção natural (LINARDI,
2003).
Outro grande risco do uso das substâncias citadas é que as mesmas possuem grande toxidade. A pomada mercurial pode causar lesões hepáticas e renais; os produtos com base em benzoato de benzila não são aconselhados em caso de
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infecções secundárias; os organoclorados a base de lindane e hexaclorocicloexano, podem causar irritabilidade, inquietação nervosismo e insônia (LINARDI, 2003); e os piretróides sintéticos, xampus a base de deltametrina e permetrina, podem gerar graves efeitos colaterais em pacientes portadores de asma ou problemas respiratórios (BARBOSA, 2003).
2.6. Prevenção e controle:
Segundo a literatura, as principais medidas que devem ser tomadas para prevenção de piolhos constituem-se em evitar o contato físico com indivíduos infestados ou com os seus objetos de uso pessoal, manter a inspeção periódica dos cabelos e incluir a prevenção da pediculose nos programas de educação sanitária (REY, 2001).
3. Objetivos
1) Conhecer como a população de moradores de rua representa, interpreta e concebe a pediculose, assim como a conceituação sobre sinais e sintomas, aspectos epidemiológicos e principalmente a forma de tratamento mais adequado.
2) Caracterizar e identificar as medidas para o controle de pediculose.
4. Materiais e Métodos
4.1. Levantamento Bibliográfico
Para a realização deste trabalho buscou-se primeiramente na literatura clássica da Parasitologia, um aprofundamento teórico quanto à biologia do inseto, seus hábitos e forma de vida, o que é de importância extrema para a conscientização de uma população, visando atrelar esse conhecimento à prevenção, controle e tratamento adequado desta ectoparasitose.
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Posteriormente, com a finalidade de compreender mais profundamente os aspectos relevantes sobre a população estudada, buscamos a referência de artigos científicos recentes que abordassem aspectos biológicos, sociais e de prevenção da doença, bem como relatos de outras investigações na área de saúde pública e de educação em saúde, com o objetivo de melhor compreendermos as medidas educativas que devem ser desenvolvidas para esse grupo. Buscamos também referências sobre os riscos associados aos tratamentos alternativos, bem como a sua implicação no comprometimento da saúde do individuo.
4.2. Elaboração dos questionários
O questionário elaborado a partir da revisão bibliográfica (Apêndice A) englobava aspectos amplos sobre pediculose, abordando desde pontos relevantes sobre o conhecimento da biologia do inseto, características e manifestações clínicas da doença, bem como as percepções do entrevistado quanto as formas de combater e prevenir a ectoparasitose em questão.
4.3. Aplicação dos questionários
A aplicação dos questionários ocorria somente com a autorização do entrevistado, fato devidamente documentado e comprovado pelo termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice B). As entrevistas contaram com o apoio da direção do albergue e com a supervisão dos assistentes sociais presentes na Casa da Cidadania, nos dias das entrevistas. Os horários para a aplicação dos questionários eram limitados, a fim de não alterar as regras do albergue ou a rotina dos albergados; dessa forma o controle era feito pelo inicio do horário do jantar, que determinava o fim do horário de entrevistas, compreendendo, portanto, o intervalo das 18 às 19 horas.
4.4.
Caracterização do público investigado
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O albergue abriga um grupo de indivíduos bastante heterogêneo quanto às características e hábitos de vida. As regras do albergue são claras, e é permitido ao albergado permanecer na casa pelo prazo máximo de 15 dias. Todo albergado ao chegar à casa é submetido a uma avaliação criteriosa dos assistentes sociais do local e somente em alguns casos, é permitido ao albergado permanecer na instituição por um tempo superior aos 15 dias determinados. Observamos a aplicação desta medida excepcional quando uma moradora de rua chegou à casa, grávida, acompanhada por seu companheiro, este em tratamento por dependência química. Outro caso excepcional é aplicado aos indivíduos que participam de projetos de capacitação profissional e que tem interesse e vontade de estruturar novamente a sua vida. Esta medida também foi adotada nos casos em que os indivíduos estavam sendo submetidos a tratamentos de recuperação por dependência química no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) e por não possuírem residência fixa (por rejeição da família ou por escolha pessoal) utilizavam as instalações do albergue para pernoitar durante todo o tratamento, contando desta forma com apoio psicológico e assistência durante a maior parte de seu dia. A cada quinzena, nos deparamos comumente com pessoas de diversos estados brasileiros que desde muito jovens (por volta dos 12 anos) abandonaram a sua residência, com o objetivo de aventurar-se e que infelizmente, no meio de sua jornada, passaram por situações diversas que não permitiram a esses indivíduos retornar para as suas famílias. Deste modo, as pessoas deste grupo migram por diversas cidades e estados do país, sobrevivendo através de trabalhos informais ou temporários, e utilizando os albergues como moradia temporária.
4.5. Caracterização do albergue
A Casa da Cidadania, situada na cidade de Campos dos Goytacazes, é um órgão mantido pela Prefeitura Municipal, filiado à Secretaria de Desenvolvimento e Promoção Social, que conta com o auxílio da Polícia Militar, do Departamento de Posturas do Município e da Guarda Civil Municipal de Campos dos Goytacazes. Esses órgãos atuam, em conjunto, conduzindo e amparando os moradores de rua para que sejam submetidos a tratamento e acompanhamento psicológico na instituição.
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As pessoas acolhidas que são não sabem ler e escrever, são alfabetizadas na instituição. Os albergados também participam de ciclos de palestras sobre temas como drogas e violência. A instituição abriga em média 30 (trinta) pessoas quinzenalmente. Este número varia de acordo com a época do ano, por exemplo, em épocas de moagem da cana-de- açúcar na cidade, onde é grande a procura por mão de obra sem especialização, o número de pessoas que vem a cidade à procura de emprego temporário cresce, o que faz com que o número de albergados também sofra uma elevação. O objetivo principal desta Instituição Municipal é recuperar a cidadania dos acolhidos, buscando oferecer oportunidades para que estas pessoas sejam resgatadas socialmente.
5. Resultados
Foram entrevistados, 42 (quarenta e dois) albergados. Destes indivíduos entrevistados, 90% eram do sexo masculino. A faixa etária predominante, cerca de 60%, encontra-se o grupo dos indivíduos com idades entre 21 e 40 anos. Com relação ao nível de escolaridade a predominância entre os albergados era de indivíduos que possuíam somente o Ensino Fundamental incompleto (cerca de
62%).
Quando interrogados se conheciam piolhos, 100% dos entrevistados responderam que sim. Este conhecimento baseava-se em experiências próprias ou familiares de ocorrência de infestação pelo ectoparasita. O gráfico 1, mostra que 65% dos entrevistados afirmaram que o sangue é o principal alimento do piolho. Para esta questão, 26% apresentou respostas variadas, tais como que o principal alimento do piolho é o cabelo, o couro cabeludo e pele. As entrevistas ainda revelaram que 9% dos entrevistados, desconhecia totalmente qual é a principal forma de nutrição do piolho.
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Gráfico 1- Qual o alimento do piolho.
O gráfico 2 mostra que quanto a forma de locomoção dos insetos, que é relacionada ao modo de transmissão dos piolhos, 49% dos entrevistados afirmaram que os piolhos pulam e voam, 29%, que os piolhos pulam, 14% que os piolhos voam e 8% afirmaram que os piolhos não pulam e não voam.
Como o piolho se locomove?
Gráfico 2: Forma de locomoção dos piolhos.
O gráfico 3 faz alusão ao modo de contaminação propriamente dito, onde verificou-se que 60% dos entrevistados afirmaram que o piolho é transmitido pelo contato com pessoas contaminadas; 14%, afirmou que a contaminação se dá através de objetos e utensílios pessoais contaminados; e ainda, 8%, acredita que os piolhos são transmitidos pelo ar; 13% acreditam em formas de contaminação diferenciadas, como por exemplo que os piolhos são gerados pelo sangue e somente depois deste fato, é que os insetos passam de uma pessoa para outra, e 5% desconhecem totalmente como se adquire piolho.
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Como adquire-se piolho?
Gráfico 3: Modo de contaminação por piolhos.
O gráfico 4, mostra os resultados para a pergunta sobre quais os sintomas são sempre associados a pediculose. Para essa questão, a grande maioria, cerca de 90% dos entrevistados, afirmaram que o principal sintoma da infestação por piolhos é a coceira característica, 9% dos entrevistados desconheciam os sintomas e ainda 3% fizeram outras afirmações caracterizando os sintomas da pediculose. Entre essas respostas diferenciadas podemos destacar como sintomas destacados, que o piolho provoca muitas feridas na cabeça, o aparecimento de uma “gosma”, além de ser mencionado que a pessoa infectada pode ficar “amarela”.
Gráfico 4 : Sintomas da pediculose.
Com relação ao nome do ovo do piolho 57% dos entrevistados afirmaram que o ovo do piolho chama-se lêndea, enquanto 43% dos entrevistados desconheciam a resposta. (Gráfico 5). E a respeito da forma como essas lêndeas devem ser retiradas, 37% dos entrevistados afirmaram que a melhor forma de acabar com as lêndeas é
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utilizando o pente fino, 17% acredita que a utilização de remédios é a forma mais eficaz, 31% dos entrevistados sugeriram métodos diferenciados e perigosos como por exemplo utilizando de álcool e fogo e 15% afirmou não saber como retirar os ovos dos piolhos (Gráfico 6).
Não sabem; 43%
Lêndea; 57%
Gráfico 5: Como se chama o ovo do piolho?
Gráfico 6: Método utilizado para retirar as lêndeas
O gráfico 7 apresenta as respostas sobre a questão quanto ao uso inadequado de substâncias tóxicas no tratamento de pediculose, onde 58% dos entrevistados disseram que a melhor forma de acabar com os piolhos é utilizando algum tipo de remédio (neste grupo engloba o uso de produtos a base de Deltametrina (Deltacid) e permetrina (Kwell)), 8% mencionou algum tratamento alternativo (uso de creolina, álcool, areia, sal, Neocid), 12% afirmou que manter somente hábitos de higiene diária já é suficiente para acabar com os piolhos e 22% afirmou que a melhor maneira é cortar o cabelo e mantê-lo curto.
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O que fazer para acabar com o piolho?
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
|
Remédios |
Tratamento |
Higiene |
Cortar o |
|
Alternativo |
cabelo |
||
Gráfico 7 – Formas de acabar com os piolhos
Sobre a possibilidade do piolho ser o causador de alguma doença, 23% dos entrevistados afirmaram que não existe essa possibilidade, enquanto 77% afirmou que a possibilidade de doenças e infecções decorrentes da presença do piolho são possíveis e reais (Gráfico 8).
O piolho pode deixar você doente?
Gráfico 8 – O piolho pode deixar você doente?
O gráfico 9 analisa a percepção dos entrevistados no que diz respeito a procura por tratamento médico em casos de pediculose. A análise das repostas mostrou que 78% dos entrevistados nunca procurou atendimento médico para tratar de piolhos, enquanto 22% dos entrevistados procurou orientação e ajuda médica.
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Você vai ao médico para tratar de piolho?
Gráfico 9 – Procura por orientação médica no tratamento de pediculose
Quanto a realização de tratamento para pediculose, 51% dos entrevistados afirmaram realizar algum tipo de tratamento, este não necessariamente sob orientação médica. Já, 49% afirmaram não realizar nenhum tipo de tratamento (Gráfico 10).
Faz tratamento?
Não; 49%
Sim; 51%
Gráfico 10 – Realização de tratamento
Ao serem questionados se a pediculose é uma doença ruim, 77% dos entrevistados afirmaram que a pediculose é uma doença prejudicial, enquanto 23% não consideram a pediculose como uma doença ruim (Gráfico 11). Para essa pergunta, obtivemos respostas diferenciadas como justificativa, tais como: a pediculose é uma doença ruim porque incomoda muito além do piolho estar relacionado com o enfraquecimento da memória; ou até mesmo que a pediculose não é uma doença ruim pois é bem fácil de tratar, uma vez que o melhor tratamento é raspar a cabeça.
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A pediculose é uma doença ruim?
Gráfico 11 – A pediculose é uma doença ruim?
Os entrevistados foram questionados quanto ao fato de manter alguma medida preventiva com o propósito de evitar os piolhos. Para esta pergunta, 62% afirmaram que previnem-se de alguma forma e 38% não tomam cuidado algum para evitar os piolhos (Gráfico 12). Para a resposta afirmativa, ou seja, dos 62% que tomam algum tipo de cuidado para evitar os piolhos, 37% declararam que somente mantém os cabelos curtos, enquanto 63% preocupam-se em manter hábitos de higiene (Gráfico 13).
Você faz algo para não pegar piolho?
Não; 38%
Sim; 62%
Gráfico 12 – Realização de medidas para evitar os piolhos.
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O que os entrevistados fazem para não pegar piolho:
anter o cabelo curto; 37%
Higiene; 63%
Manter o cabelo curto; 37%
Gráfico 13 – Descrição das medidas utilizadas para evitar os piolhos.
6. Discussão
A concepção dos moradores de rua sobre os piolhos e a pediculose é totalmente baseada no senso comum e no empirismo. Essa afirmação é comprovada por respostas como “só crianças possuem piolhos” ou “piolhos só atacam pessoas de sangue doce”. Os relatos obtidos mostram que os albergados não possuem conhecimento sobre a biologia do inseto, as manifestações clínicas da doença, a ocorrência de infecções secundárias e as medidas corretas de prevenção e tratamento da pediculose. A importância do conhecimento sobre a biologia do inseto bem como o seu ciclo de vida, implica no fato deste relacionar-se diretamente com as formas de transmissão da doença. Observamos que pessoas eram isoladas do grupo, sendo segregados pelos companheiros da casa, pois os relatos de ocorrência da pediculose em idade adulta, colocava este individuo no grupo das pessoas que possuem “sangue doce” e até as conversas eram evitadas pois os albergados acreditavam que os piolhos poderiam saltar ou voar durante um contato. A grande contradição, é que entre o grupo que não era considerado propenso a pediculose, o compartilhamento de objetos pessoais como pentes e boné, era freqüente. Os albergados consideravam que a pior conseqüência da pediculose era a coceira e o desconforto característicos. As infecções secundárias não eram conhecidas. O grande perigo desta falta de conhecimento é que para livrar-se dos insetos e da coceira provocada, muitos faziam uso de substâncias tóxicas como creolina, querosene
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e Neocid. Estas substâncias podem provocar graves danos a saúde, podendo levar o
indivíduo ao óbito. Os entrevistados que citaram a utilização destes compostos, afirmaram que sentiram muita tonteira, falta de ar e dor de cabeça após o uso. Houve relatos da utilização de areia, água e sal, por pescadores de uma comunidade praiana que submeteu um dos entrevistados à esfoliação brusca do couro cabeludo pela areia da praia (esta contaminada por fezes de animais, lixo e outros
resíduos). Após esta esfoliação, o individuo foi submetido a um banho por imersão em água do mar. O albergado que relatou este caso, disse ter permitido o tratamento, para que pudesse ser aceito pela comunidade local. Além do uso de substâncias agressivas e tóxicas, verificamos que a raspagem e
o corte dos cabelos era uma prática comum, adotada por homens e mulheres, que residiam na casa. As mulheres queixavam-se muitas vezes pelo fato de ter perdido seus cabelos, mas acreditavam que o “morar na rua” contribuía para o aparecimento dos piolhos e por esse motivo, era necessário manter os cabelos bem curtos. Esta medida poderia ser evitada, se os métodos de erradicação e prevenção dos piolhos fossem adotados (catação e penteação). A baixa procura por acompanhamento ou orientação médica, aliado ao uso inadequado destas substâncias gera preocupação em nível de saúde pública. Pois sem
a orientação para um tratamento eficaz (catação e utilização do pente fino), aumenta as chances para a proliferação da doença, bem como os riscos de intoxicação pelo uso de tratamentos alternativos extremamente perigosos à saúde.
7. Conclusão e Perspectivas futuras:
Considerando a metodologia aplicada e a população estudada, pode-se concluir
que:
∑
A
significativos da pediculose e necessita que um conjunto de medidas educacionais seja desenvolvido.
aspectos
população
estudada,
não
possui
conhecimento
sobre
os
22
essas
seguintes ações:
Após
conclusões,
julgamos
serem
necessárias
a
implementação
das
|
∑ |
Sistematização e implantação de medidas para o controle da pediculose de forma didática e coerente com a realidade dos moradores de rua, através do desenvolvimento de metodologias e material didático apropriado; |
|
∑ |
Criação de uma cartilha amplamente ilustrada, demonstrando os riscos do compartilhamento de objetos pessoais, o perigo do uso de substâncias tóxicas no tratamento da pediculose bem como a necessidade de orientação e acompanhamento médico. |
|
∑ |
A criação de vídeos educativos, que devem ser vinculados em horários próprios, em que os albergados, assistem televisão como forma de descontração e lazer. Com essa medida, falar de saúde e higiene seria algo de interesse coletivo, que se desenvolvido de forma criativa e divertida, faria com que o conhecimento fosse transmitido e devidamente assimilado pelos moradores de rua. |
∑ Promoção da conscientização dos órgãos responsáveis pelo tratamento e orientação dos moradores de rua, visando que as autoridades responsáveis tenham ciência dos riscos gerados pelos tratamentos alternativos inadequados e desta forma fazer com que através da implantação de medidas seguras de tratamento, a catação manual e a utilização de pente fino, a pediculose seja controlada.
23
8. Referências:
- AMED, A.D; Domingos, B., 1995. Moradores de rua e o C.S de Barra Funda: a problemática desta população e a possibilidade de atendimento. Universidade Católica de São Paulo.
- ANDRADE, C.F; Brandão, A.T, Santos, L.U., 2000. Controle da pediculose, um projeto educativo. UNICAMP.
- ARAÚJO, A.; Ferreira, L.F.; Guidon, N.; Maués da Serra Freire, N.; Reinhard, K.J. &
Dittmar, K., 2000. Ten Thousand Years os head lice infection. Parasitol. Today 16 (7) :
269.
- BARBOSA, J.V & PINTO, Z.T, 2003. Pediculose no Brasil. II Encuentro Nacional de Entomologia Médica y Veterinária.
- CAPORRINO, M.C; Gutierrez, M.J.I; Andrade, F.S.A, 2000. Morfologia Bucal e
comportamento alimentar do piolho (Anoplura) – Departamento de Zoologia, UNICAMP.
- CARBONE, M.H, 2000. Tísica e rua: os dados da vida e seu jogo. Fundação Oswaldo Cruz.
- HEUKELBACH, J.; Oliveira, F.A.S & Feldmeier, H, 2003. Ectoparasitosis and public health in Brazil: challenges for control.
- KAVAMURA, MI, Alchorne MM, 1995. Doenças Parasitárias (escabiose e pediculose). Pediatria Moderna, 31:517-520.
- LINARDI, P.M., 2003, Anoplura. Capítulo 50:368-372 In: Parasitologia Humana
(Neves, D.P; Melo, A.L; Genaro, O & Linardi, P.M.) 10ª edição, Atheneu, São Paulo. 428 p.
24
- REY, L, 2001. Anopluros: Os piolhos sugadores. Capítulo 60: 747-751 In:
Parasitologia e doenças parasitárias do homem nas Américas e na África. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 856 p.
- ZALUAR, A. 1992. Quando a rua não tem casa, São Paulo. I Seminário Nacional sobre População de rua.
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Apêndice A: Questionário
Projeto Parasitoses do Norte Fluminense - Pediculose (Albergue)
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Nome: |
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Data de nascimento: |
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• |
Idade: |
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Sexo: ( )M ( )F |
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Estado civil: ( )Solteiro ( )Casado ( )Viúvo ( ) Mora com companheiro(a) |
|
( |
)outro |
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• |
Escolaridade: ( ) Fundamental Incompleto ( )Fundamental ( )Médio ( )Superior |
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• |
Profissão: |
|
• |
Com quem mora: ( )Marido/Esposa/Companheiro(a) ( )Pais ( )Filhos ( )Colegas |
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( |
)Outros Parentes |
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• |
Cidade de origem: |
|
• |
Cidade de destino: |
Questionário:
1. Você conhece piolho? Sim ( ) Não ( )
2. Dê que o piolho se alimenta?
3. O piolho pode deixar você doente? Sim ( ) Não ( )
4. Qual o nome do ovo do piolho?
5. O que devemos fazer para acabar com o piolho?
6. Como retira-se lêndeas?
7. Piolho voa? Sim ( ) Não ( )
8. Piolho pula? Sim ( ) Não ( )
9. Como nós pegamos piolho?
10. O que você sabe sobre Pediculose?
11. O que você sabe sobre piolhos?
12. Quais os tipos de piolho que você conhece?
13. Quanto tempo os piolhos vivem nas pessoas?
14. O que acontece com o piolho fora do corpo?
15. O que a pessoa sente quando tem piolho?
16. Você vai ao médico e/ou Posto de Saúde para tratar de piolho: ( ) sim ( ) não
17. ( ) caso não, onde você vai?
18. Faz tratamento? Sim ( ) Não ( ) Com que remédio?
19. A pediculose é uma doença ruim para as pessoas? Sim ( ) Não ( )
20. Porque?
21. Você faz alguma coisa para não pegar piolho?
22. É importante não pegar piolho? Sim (
)
Não (
)
26
Apêndice B: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF Centro de Biociências e Biotecnologia PROGRAMA PARASITOSES DO NORTE FLUMINENSE Projeto de Pesquisa: Conceitos e Percepções sobre Pediculose nos albergados da Casa da Cidadania do Município de Campos dos Goytacazes, RJ.
Investigadores Principais: Dr. João Carlos de Aquino Almeida / Dr. Antônio Henrique Almeida de Moraes Netto (FIOCRUZ)
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para freqüentadores de albergues no Município de
Campos dos Goytacazes, Rj.
|
Eu, |
, |
idade |
anos, freqüentador |
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do albergue |
em Campos dos Goytacazes, |
||
RJ, fui convidado(a) a participar de uma pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e percepções a cerca
da pediculose. Fui informado(a) que este estudo visa obter mais conhecimentos sobre a situação da
pediculose em Campos dos Goytacazes, RJ, visando principalmente a melhoria da minha saúde e bem
como ensinar a prevenir a pediculose. A minha participação nessa pesquisa será de responder a
questionários e/ou entrevistas, participar de palestra sobre o tema e quando for o caso ceder amostras
de cabelo contendo ectoparasitas.
O objetivo dessa pesquisa será levantar os conhecimentos de freqüentadores de albergues em Campos
dos Goytacazes, RJ, sobre a pediculose, considerando as concepções que eles tem dessa doença e
como a vivenciam no cotidiano, visando a prevenção bem como a melhoria da saúde e qualidade de vida.
Os resultados obtidos nesse estudo serão divulgados para mim e considerados estritamente
confidenciais, podendo, no entanto ser divulgados na forma de comunicação científica, mas não será
permitida a minha identificação, que será sob a forma de código, o que garante a minha privacidade. Os
resultados desse estudo poderão não me beneficiar diretamente, mas poderão no futuro beneficiar outros
freqüentadores de albergues em Campos dos Goytacazes, RJ.
Eu poderei também contatar os pesquisadores Tania Machado de Carvalho e João Carlos de Aquino
Almeida, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Centro de Biociências e
Biotecnologia (CBB), Sala 210, situada a Av. Alberto Lamego, 2000, Parque Califórnia, Campos dos
Goytacazes, RJ ou pelo Telefone: (022) 2726-1688, e-mail: jalmeidaa@gmail.com .
O pesquisador responsável colocou-me a par destas informações, estando à disposição para responder
minhas perguntas, sempre que tiver dúvidas. A minha participação é inteiramente voluntária e gratuita. Eu
fui informado(a) de que o termo de consentimento é um procedimento preconizado pelo Ministério da
Saúde e que eu poderei a qualquer momento desistir de participar do estudo sem prejuízo para mim.
Recebi uma cópia desse termo de consentimento e pela presente consinto voluntariamente em participar
deste estudo, permitindo, portanto que estes procedimentos descritos acima sejam avaliados.
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Nome do(a) participante: |
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Endereço do participante: |
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Assinado pelo participante: |
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Data: |
/ |
/ |
Local: |
Se Analfabeto:
Na presença de uma Testemunha independente alfabetizada (Se possível indicada pelo participante).
Nome da Testemunha:
Endereço da Testemunha:
Assinatura da Testemunha:
Data:
/
/ Local:
Assinado pelo Pesquisador:
Nome do Pesquisador:
Data:
/
/ Local:
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