P. 1
Fiança CC

Fiança CC

|Views: 911|Likes:
Publicado poralvaroinacio

More info:

Published by: alvaroinacio on Nov 27, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/25/2013

pdf

text

original

Da Fiança

32
DA FIANÇA
Sumário: 32.1 – Considerações introdutórias. 32.2 – Conceito. 32.3 – Principais características jurídicas do contrato de fiança. 32.4 – Limitação ou não-limitação da fiança. 32.5 – Fiança prestada por um dos cônjuges sem o consentimento do outro. 32.6 Da escolha do fiador. 32.7 – Efeitos da fiança. 32.8 – Exoneração do fiador. 32.9 – Extinção da fiança.

32.1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS
“Não se pode responsabilizar o fiador por contrato renovado em ação de revisão de aluguéis para a qual não fora intimado, mesmo que tenha se obrigado até a entrega das chaves, pois o contrato de fiança, por ser benéfico, não admite interpretação extensiva” (in RT 772/181). Sendo a fiança forma de garantia do pagamento, é comum, no Tribunal, a decisão constante da ementa do acórdão destacado, não respondendo o fiador pelos acréscimos do aluguel, se não foi citado como litisconsorte na revisional. Aliás, a jurisprudência, de um modo geral, vem se firmando no sentido de não ser o fiador responsabilizado por obrigações resultantes de aditamento contratual sem sua anuência. Considerando que o fiador só responde pelo que declarou expressamente no instrumento da fiança, não se pode admitir a responsabilidade do
379

Como regra geral. “é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga por outra. é o patrimônio do devedor que constitui a garantia de que honrará seus compromissos. sendo. o seguinte aresto: “Na ação revisional. exceto nos casos de infidelidade do depositário e de dívida de alimentos. há garantia real. móvel ou imóvel. estes ficam sujeitos à execução forçada devido ao princípio existente de que o patrimônio do devedor responde pelo cumprimento de suas obrigações. o contrato de fiança deve ser interpretado restritivamente. que se responsabiliza pela dívida. impõe-se a regular citação do fiador para integrar a lide no pólo passivo. caso o devedor não 380 . Não tendo o fiador integrado na ação revisional. “Pelo contrato de fiança. pode ser oferecida. de todo irrelevante a previsão de responsabilização até a entrega das chaves. ocasião em que o fiador. a satisfazer a obrigação. Portanto. dessarte. por isso. Confira-se. esta será resolvida em favor do fiador. na espécie. a responsabilidade do devedor pela sua dívida é de natureza patrimonial e ninguém pode ser preso por dívida.2 CONCEITO Se devo certa quantia a alguém e possuo bens penhoráveis. A fiança é uma garantia pessoal. ainda. Ela resulta do contrato. 818). não pode ser demandado pelos valores que por ela foram acrescidos ao antes contratado. para o seu credor. sem a sua anuência. terceira pessoa. uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor.Das Várias Espécies de Contrato fiador por encargos locatícios acrescidos ao pactuado originalmente. contudo. caso este não a cumpra” (CC. Quando a garantia é oferecida por terceira pessoa. Quando houver dúvida. chamada fidejussória ou fiança. particularmente. para a própria coisa responder pela obrigação. Fiança. art. que compreende o penhor e a hipoteca. pelo próprio devedor ou por terceiro. Essa garantia do cumprimento da obrigação. portanto. 32. é a garantia pessoal. notória a sua ilegitimidade passiva para a ação que executa título judicial emanado daquela ação revisora do locativo” (in RT 774/201). Quando o devedor fornece um bem. submete o seu patrimônio penhorável ao inadimplemento do seu afiançado.

se demonstrado o mau uso. e a acessória. o que acontece com a fiança é um reforço de uma outra obrigação da mesma natureza da originária. Normalmente. é costume impor uma cláusula inserida no contrato de locação dizendo o seguinte: “Assinam. 276 José Lopes de Oliveira. entretanto. o que em verdade garante a obrigação afiançada é o patrimônio do fiador e não um determinado bem imóvel ou móvel. que não se presume. solidariamente com o locatário por todas as obrigações exaradas neste contrato. quanto ao cumprimento da obrigação por parte do devedor. deseja uma garantia para o recebimento do aluguel. sendo uma garantia pessoal. O que é óbvio. dos fiadores. Por isso. oportuno transcrever o seguinte julgado: “Pintura externa e interna do prédio locado só se exige do inquilino e.” (in RT 745/275). como principal pagadores. a fiança é um contrato de garantia.. frente ao afiançado. conhecida como obrigação fidejussória.. se na época da execução da dívida. a fiança é uma garantia pessoal ou fidejussória. na qualidade de fiadores. A título de exemplo.Da Fiança a cumpra”. o presente. pagar. tanto que.276 Esse contrato se realiza entre o fiador e o credor do afiançado. cit. requisito legal ao deferimento do arresto” (in RT 767/293). cuja responsabilidades. os Srs. Vale dizer.. A fiança visa dar maior garantia ao credor. o credor do seu afiançado nada receberá. espontaneamente. porque o devedor não vincula um bem ao pagamento da dívida. Esta é um contrato de garantia real. perdurarão até a entrega real e efetiva das chaves do prédio locado”. como é a hipoteca. p. surgindo duas obrigações: a principal.. Em realidade. ob.. o fiador não possuir bem algum. Até então não detém. impõe-se a presença de um fiador. sem benefício de ordem. A fiança. 265. é que todo senhorio. por não envolver determinados bens. título que exprima obrigação líquida e certa. também. quando aluga seu imóvel. contraída pelo fiador (terceiro). subrogando então nos direitos do primitivo credor. Por essa razão. pois.. 381 . exceto se o fiador desejar. “O fiador só se torna credor do afiançado – decidiu o Tribunal – quando efetua o pagamento da dívida por aquele contraída.. enquanto a fiança é um contrato de garantia fidejussória ou pessoal. assumida pelo devedor.

se a obrigação principal for nula. sempre. o destino do principal. art. c) É acessório. a fiança não existe sem a obrigação principal. 1. seu ato é puramente gratuito. examine o seguinte julgado: “Nos termos do art. Caso contrário. o fiador que se obriga até a entrega das chaves. “A fiança dar-se-á por escrito. ou seja. ou seja. a recíproca não é verdadeira. “A fiança bancária. mas também pelas correções que no curso da locação forem autorizadas por lei. sua eficácia depende da validade da obrigação principal. 819) do CC. a nulidade da fiança não atinge o contrato principal.483 (novo. por aumentos. principalmente pelos que forem ajustados amigavelmente entre credor e o principal devedor. Sendo contrato de feição gratuita.diz o art. 819 do CC – e não admite interpretação extensiva”. Nesse diapasão. 382 . a fiança também será. b) É gratuito porque o fiador não aufere nenhum benefício. o devedor-afiançado e o banco-fiador” (in RT 743/222). gratuito. ou seja. deve sempre ser interpretado estritamente. não se obriga. aquela a quem o fiador garante é o afiançado. a) É unilateral porque gera obrigações somente para o fiador. como toda fiança. ainda que exista cláusula estendendo sua obrigação até a entrega das chaves” (in RT 789/196). de tal modo que. acessório e solene. . 32. a fiança deve ser interpretada de maneira restritiva. pois subordina-se à existência de um contrato principal. Este fato fundamenta-se no princípio de que o acessório segue. razão pela qual é inadmissível a responsabilidade do fiador nos contratos de locação prorrogados sem a sua anuência. Como contrato acessório. pressupõe três pessoas distintas: o credor.3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS JURÍDICAS DO CONTRATO DE FIANÇA O contrato de fiança desenrola-se entre o fiador e o credor do afiançado e é: unilateral. evidentemente. desde que estejam convencionadas no respectivo contrato. Por exemplo. há de responder não só pelo aluguel avençado. o fiador só responde pelo que estiver expresso no instrumento de fiança.Das Várias Espécies de Contrato A pessoa que assume a fiança tem o nome de fiador. Mas.

declaram a soma ou o limite da dívida garantida. Veja. pagamento a dívida ou apresentando defesa (in RT 434/2452). não terá direito de cobrar deste as custas e os honorários da ação de despejo. desde a citação do fiador”. ainda. não respondem pela multa contratual” (in RT 460/165). a fiança se diz limitada à fração da dívida indicada. 822 do CC. consoante mostra o art. isto porque. se o locador propõe ação de despejo por falta de pagamento e não manda notificar o fiador. as indenizações decorrentes pela inexecução da obrigação. poderia o fiador ter evitado a condenação. responde por elas quando tiver sido acionado juntamente com o devedor. o fiador não poderá dever mais do que o afiançado nem ter a sua situação mais onerosa do que a daquele. De outra feita. O art. a seguinte ementa de acórdão: “Se os fiadores não forem cientificados. 819 acima transcrito. a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal.Da Fiança d) É solene porque a fiança só existe por escrito. na ação de despejo por falta de pagamento. considerando que a fiança é acessório da obrigação principal. despesas judiciais etc. A propósito. no contrato. b) Ilimitada – Quando as partes no contrato não estabelecem restrições. o Tribunal certa vez decidiu que. nada mais. inclusive as despesas judiciais. abrangendo os juros moratórios. 32. a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal. a) Limitada – Quando as partes. Dizendo a lei que o fiador responde pelas despesas judiciais desde a citação. ipso facto.4 LIMITAÇÃO OU NÃO-LIMITAÇÃO DA FIANÇA A fiança pode ser limitada ou ilimitada. É o que se extrai da dicção textual do art. Não abrange os acessórios da obrigação. se tivesse participado da ação. movida contra o afiançado. 823 do CC dispõe a respeito. in verbis: “Não sendo limitada. dizendo textualmente o seguinte: “A fiança pode ser 383 . multa.

e. Exemplificando: Se foi dada uma fiança no valor de R$ 10. não valerá senão até o limite da obrigação. somente seus bens podem ser constrangidos. o consentimento do cônjuge pode ser suprido judicialmente na hipótese de recusa injusta.00. Não será demais reiterar que. Se foi dada uma fiança no valor de R$ 10. ou for mais onerosa que ela. Quando apenas um deles é fiador. sem autorização do outro. Mas os cônjuges podem afiançar em conjunto. um cônjuge afiança e o outro simplesmente autoriza. ou seja. Portanto.00 e o afiançado pratica um desfalque no valor de R$ 20.Das Várias Espécies de Contrato de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas. Contudo.000. O consentimento do cônjuge autorizando a fiança significa que não há fiança de ambos. a fiança cingir-se-á a R$ 10.00. quando exceder o valor da dívida. necessária é essa outorga. o ato é nulo ou anulável? Com efeito..000. in verbis: “.00. Uma indagação: Se a pessoa casada afiançar sem o consentimento do outro cônjuge. exceto no regime da separação absoluta: III – Prestar fiança ou aval”.000. do CC. para a sua validade. 32. pode prestar fiança. não valerá senão até ao limite da obrigação afiançada”.. e ainda sem uma opinião doutrinária definitiva e aceita por 384 .00 e o afiançado pratica um desfalque no valor de R$ 5. qualquer que seja o regime de bens.000. desde que capaz. III. exceto o da separação absoluta. mas não atingirá os bens próprios desse cônjuge. dos muitos assuntos considerados abertos à discussão. É o que se extrai da dicção textual do art.647.nenhum dos cônjuges pode. o fiador será responsável por esta quantia. Ou seja. 1.000. a responsabilidade do fiador vai até onde ele se responsabilizou. é vedada a prestação de fiança sem a outorga conjugal. exceto a pessoa casada que não poderá fazê-lo sem o consentimento do cônjuge.5 FIANÇA PRESTADA POR UM DOS CÔNJUGES SEM O CONSENTIMENTO DO OUTRO Qualquer pessoa. Portanto.

estava o da indagação acima. dependerá das seguintes condições: a) idoneidade moral e financeira. os tribunais proclamam que a fiança prestada por pessoa casada sem o consentimento do outro cônjuge é nula integralmente. Não ocorre apenas exclusão da meação do cônjuge que dissentiu277. “A falta de autorização. é absolutamente nula e não simplesmente anulável. 279 Uxória = da mulher. 385 . b) residência no município onde tenha de prestar fiança. 825 do CC. 235 (antigo). não suprida pelo juiz. III. e não possua bens suficientes para cumprir a obrigação”. praticamente sem discrepância.649). o credor não pode ser obrigado a aceitá-lo se não for pessoa idônea.278 Em abono deste entendimento. Também já decidiu que a “fiança prestada sem outorga uxória é apenas anulável. c/c o art. Havia aqueles que entendiam ser nula a fiança prestado pelo marido sem o consentimento da esposa. É o que se extrai da dicção textual do art. p. São Paulo.647). 277 278 Dissentiu = discordou.16. por infração a preceito de natureza cogente previsto no Código Civil em seu art. Saraiva. III. havia o seguinte aresto: “A fiança prestada pelo marido sem anuência ou outorga uxória279. confira o seguinte julgado: “A falta de outorga uxória acarreta mera anulabilidade de fiança prestada em contrato de locação. O Código Civil de 2. c) possuir bens suficientes para desempenhar a obrigação.6 DA ESCOLHA DO FIADOR Quando alguém houver de dar fiador. pois se a fiança fosse nula. 32.Da Fiança todos. IV” (in RT 758/252). 1981. Nesse particular.002 colocou um ponto final na questão. 35. 145 (antigo). não podia ser ratificada ou prescrito o direito de sua anulabilidade” (in RT 803/266). domiciliada no município onde tenha de prestar a fiança. in verbis: “Quando alguém houver de oferecer fiador. Nesse diapasão. observava Lauro Laertes de Oliveira: “Hoje. quando necessário (art. o que seria supérfluo se a lei a julgasse nula” (in RT 752/249). n. a aceitação pelo credor. 1. podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação. pois o próprio art. Da fiança. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal” (art. tornará anulável o ato praticado. não nula. 248 (antigo). mas anulação total do ato”. 1. do CC estabelece prazo para a prescrição da ação de que pode se utilizar a mulher para anular a fiança.

o fiador completará com os seus. Como a fiança é um contrato benéfico. até a contestação da lide. art. Sendo insuficientes os bens nomeados. quando executado. prefere somente o fiador. dizendo o seguinte: “O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir. onde se desenvolve a execução. poderá o credor exigir que seja substituído” (CC. 32. como geralmente acontece. bem como suficientes. no mesmo Município ou Comarca. porém. deve o fiador nomear à penhora os bens do devedor principal. O direito do fiador. não entre fiador e devedor. porque a fiança é contrato entre fiador e credor. no entanto. na prática. devidamente prevista pelo art. Contudo. Vencida a dívida e não paga. que sejam primeiro executados os bens do devedor”. sujeitos à execução. in verbis: “Não aproveita este benefício ao fiador: 386 .000. Parágrafo único. “O fiador que alegar o benefício de ordem. O contrato que inclui cláusula declarando o fiador como principal pagador.7 EFEITOS DA FIANÇA Certo indivíduo afiança a importância de R$ 100. solidariamente responsável com o devedor. a renúncia expressa ou tácita do benefício da ordem. 827 do CC dispõe.00 para uma firma da capital do Estado de São Paulo. se os do devedor forem insuficientes à satisfação do direito do credor”. a que se refere este artigo. livres e desembargados. com aqueles. desde que livres e desembargados. Pode acontecer. quantos bastem para solver o débito”. sitos no mesmo município. poderá nomear à penhora bens livres e desembargados do devedor. Os bens do fiador ficarão. O parágrafo único do art. com muita clareza. 826). 595 do CPC. que assim diz: “O fiador. até que. o legislador procura proteger o fiador e o faz através do princípio do art. deve nomear bens do devedor. a Cia.Das Várias Espécies de Contrato “Se o fiador se tornar insolvente ou incapaz. é um caso de renúncia tácita. a respeito do assunto em tela. perfaçam o valor da dívida. Poderia ter acionado somente o devedor ou ambos ao mesmo tempo. para se valer desse benefício. 828 do CC. é chamado de benefício de ordem e. Industrial propõe ação executiva somente contra o fiador. de ver penhorados os bens do afiançado (devedor principal).

sem justa 387 . 275 do CC: “O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. e. art. I e II.491 (novo. renunciou ao mesmo e se obrigou como principal pagador ou devedor solidário nos termos do art. ou devedor solidário.492 (novo.. consoante permite o parágrafo único do art. 1. in verbis: “O fiador. 827) do CC e no art. 595 do CPC. art. Por exemplo. aos juros legais de mora” (CC. previsto no art.Da Fiança I – se ele o renunciou expressamente. será parte legítima ad causam e ad processum para responder à execução pela dívida deixada pelo seu afiançado. após efetuar o pagamento da dívida. por ocasião do contrato de locação. II – se se obrigou como principal pagador. 595 do CPC. 828). O art. 833). O mesmo acontece no caso do devedor solidário. art.. 1. que pagar a dívida. III – se o devedor for insolvente. Renunciando o benefício de ordem que lhe retira a possibilidade de indicar à penhora os bens do devedor. a fiança. mas poderá requerer o exercício do direito de regresso contra este. “O fiador tem direito aos juros do desembolso pela taxa estipulada na obrigação principal. A tese encontra ressonância na jurisprudência: “O fiador não pode argüir o benefício de ordem. parcial ou totalmente. nos próprios autos. do CC” (in RT 765/274). O fiador tem outros direitos contra o seu afiançado. expressamente. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. 832 do CC esclarece a extensão do direito de regresso: “O devedor responde também perante o fiador por todas as perdas e danos que este pagar.. Se o fiador se obrigou como principal pagador. não havendo taxa convencionada. Ao se utilizar do exercício do direito de regresso. ou falido”. Bem se está a ver.”. se o credor inicia a execução somente contra o devedor e. poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo”. que tem normalmente natureza acessória. o fiador terá direito à indenização por todas as perdas e danos que sofrer em conseqüência do inadimplemento do afiançado. e pelos que sofrer em razão da fiança”. sustentando que a penhora deva incidir sobre os bens da devedora se. pois consoante princípio previsto pela primeira parte do art. a dívida comum. que o direito regressivo alcança o reembolso completo de todo o dispêndio que o fiador tenha sofrido. deixa de ter esse caráter.

Existem ainda muitas conseqüências derivadas da relação entre credor e fiador.Das Várias Espécies de Contrato causa. 829). demorar a execução iniciada contra o devedor. começa a retardar o andamento do processo.º). art. paga ou extinta por qualquer dos casos de extinção (CC. haverá solidariedade entre eles de tal maneira que o credor poderá cobrar de todos ou de um somente. se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão” (CC. alegando incapacidade para ser fiador. por exemplo. Os fiadores podem. quando este é acionado pelo credor. “Cada fiador pode fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade. Aliás. 830). o contrato de fiança também estará extinto. sem justa causa. 834 do CC: “Quando o credor. liberar-se de uma obrigação ou de um encargo. pode dar prosseguimento no feito. “A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas. se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal. art. § 1. o fiador que tem interesse em exonerar-se da responsabilidade assumida. 844. Analise o que dispõe o art. nulidade da fiança ou a existência da novação feita sem o seu consentimento. evitar a solidariedade. declarando a reserva do benefício da divisão. poderá o fiador promover-lhe o andamento”.8 EXONERAÇÃO DO FIADOR Exonerar significa desobrigar. como vimos no início deste capítulo. 837 do CC proclama tal princípio: “O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigação que competem ao devedor principal. lhe couber no pagamento. Se a fiança é prestada sem limitação de tempo. portanto. O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais. o fiador tem 388 . Assim. Se a fiança for dada num mesmo ato por dois ou mais fiadores. passando a ser parte legítima no mesmo. caso em que não será por mais obrigado” (CC. salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor”. está prescrita. se a obrigação principal. com essa declaração cada um responderá unicamente pela parte que. O art. a alegação dessa exceção cabe também ao devedor principal. em proporção. 32. art.

Se o contrato de locação previu que sua prorrogação só se daria por escrito. diretamente. sem consentimento seu. I. nos precisos termos do art. Outro modo também comum de exonerar o fiador é a moratória concedida pelo credor ao devedor principal. do CC: “O fiador. sempre que lhe convier. O que se deduz. ficando obrigado por todos os efeitos da fiança. o que se depreende do texto do art. é que a exoneração não se dá pela via judicial. Confira pelo seguinte aresto: “A fiança é contrato benéfico e não admite interpretação extensiva. exonerou-se da garantia prestada. à sua revelia. I. eis que alteram o seu conteúdo. É. Basta apenas uma notificação ao credor do afiançado e aguardar sessenta dias. ainda. Outro modo comum de caracterizar a exoneração do fiador é pela novação objetiva. prevista no art. n. é admissível a exoneração da fiança. 835 do CC. pela ocorrência de novação” (in RT 779/283). exonerando o fiador da obrigação assumida. do CC. a majoração do locativo não prevista em cláusula específica do contrato e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação. durante sessenta dias após a notificação do credor”. o contrato acessório de fiança. Ou seja. O julgado que segue é bem esclarecedor: “Se a locação foi prorrogada por prazo indeterminado. mas não por escrito. alheio à substituição da dívida (art. 838. 360. in verbis: O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo. afetando. o credor conceder moratória ao devedor”.Da Fiança o direito de exonerar-se da obrigação assumida sempre que lhe convier. Essa transação realizada sem o consentimento do fiador. ficará desobrigado: I – se. n. a ausência de anuência dos fiadores à prorrogação que se deu automaticamente. exonera-o da fiança. 389 . ainda que solidário. enfim. onde a lei afirma o seguinte. 366 do mesmo diploma). O que se deduz do artigo é que o fiador será responsável por todos os efeitos da fiança durante sessenta dias após a notificação do credor. ainda que o contrato de locação contenha cláusula estabelecendo que a garantia subsistirá até a restituição efetiva das chaves” (in RT 755/303).

extingue-se também o da fiança. III). não mais terá direito à hipoteca. por fato do credor. 3. I.503. 4. do CC. Se isto acontecer. 390 . por ato seu. Morrendo o fiador. Se o credor. O exemplo dado pela doutrina refere-se a ter o credor.caracteriza a moratória. o fiador. 838. É o que se extrai do art. também a hipoteca prestada pelo devedor. representando uma diminuição de garantia contra o seu afiançado. objeto diverso do que este era obrigado a dar. 2. for impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências”. Se o credor. ainda que solidário.Das Várias Espécies de Contrato “A transação celebrada com a finalidade de parcelar o débito locatício – decidiu o tribunal . amigavelmente. mesmo que depois venha a perdê-lo. além da fiança. II. Se o credor abrir mão dessa hipoteca e o fiador vier a pagar a dívida. está convicto de poder exercer os direitos e preferência que possui o credor caso venha a ser compelido a solver a obrigação. mas a responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador. in verbis: “O fiador. Com efeito. em pagamento da dívida. ao aceitar a fiança. a fiança se extingue. extingue-se a garantia ou a fiança. 1. extinguindo o contrato principal. Sendo o contrato de fiança acessório. desobriga o fiador dos encargos da fiança (CC. Própria é a consulta ao art. A responsabilidade da fiança vai até a morte. ficará desobrigado: II – se. e não pode ultrapassar as forças da herança”. 838.9 EXTINÇÃO DA FIANÇA Extinguir significa deixar de ser válido. aceita. a responsabilidade dos herdeiros não pode ultrapassar as forças da herança e limita-se ao tempo decorrido até o dia da morte do fiador. extinguindo-se a fiança. ficará o fiador desobrigado. 836 do CC: “A obrigação do fiador passa aos herdeiros. 32. do CC” (in RT 754/310). impossibilita a sub-rogação do fiador nos direitos de garantia que iria possuir. 1. ex vi do art. art. do devedor principal. desobrigando o fiador se celebrada sem sua anuência.

que não se presume. não é mera figurante necessária por força de outorga uxória. a fiança. mas fiadora solidária. “Pode o locador. “O fiador só se torna credor do afiançado quando efetua o pagamento da dívida por aquele contraída. a dação em pagamento. caso um terceiro venha a reivindicar a propriedade do objeto dado em pagamento e vencer a demanda. então. ocorrendo a morte do marido. título que exprima obrigação líquida e certa. 5. e não solidariamente nos termos do art. que extingue a obrigação principal e. estas sim.Da Fiança Deu-se. verba que corresponde ao aluguel fixado na perícia” – RT 745/275. Até então não detém. não pôde ser locado a terceiro. requisito legal ao deferimento do arresto” – RT 767/293. dever de inquilino” – RT 745/275. a responsabilidade daquela limita-se. apenas. 6. fruto de falta de conservação. razão pela qual sua obrigação persiste. por conseqüência. explica Levenhagen. “Pintura externa e interna do prédio locado só se exige do inquilino e. “A mulher que assina. pois. fiador.280 JURISPRUDÊNCIA 4. possuidor de contrato escrito. “Fiador responde pelo lucro cessante no período em que o imóvel. 7.. mesmo após a morte do cônjuge – RT 759/394.493 do CC. implicando exclusão das verbas a esse título orçada. e vol. “No contrato de fiança em que a mulher apenas concedeu a anuência em face da exigência de outorga uxória. visto que os efeitos da evicção não o alcançam. exceto em relação a paredes riscadas e danificadas por infiltração. p. por força da produção de prova. 9. se demonstrado o mau uso. Posteriormente. frente ao afiançado. juntamente com o marido. pois esta é movida contra o locatário. até a data do infortúnio” – RT 756/195. sub-rogando então nos direitos do primitivo credor. ajuizar execução fundada em título executivo extrajudicial contra os fiadores que se comprometeram expressamente a garantir o total cumprimento da locação. No mesmo sentido: RT 755/281. 8. não terá o fiador revigorada a sua responsabilidade. 1. 280 Ob. 225. tendo como único objetivo a desocupação do imóvel por parte do inquilino inadimplente” – RT 774/208. contrato de fiança em garantia de locação. dos fiadores. independentemente da cientificação sobre a ação de despejo. cits. 391 .

ainda que pactuada e homologada em processo judicial do qual fora cientificado”. 568. “A fiança. “Na execução por título judicial. por ser contrato benéfico e gratuito. não pode obrigá-lo. 1.500 do CC é irrelevante àquele que presta fiança a sociedade jurídica em função dos sócios. embora havendo cláusula expressa no contrato social proibindo a utilização da denominação social da empresa para negócios estranhos aos objetivos sociais. 15. diretamente. 750/409. 755/303. podendo exonerar-se a qualquer tempo. “O fiador não pode ser responsabilizado por prorrogação do contrato por prazo determinado de que foi garantidor. 13. afetando. “A renúncia ao direito assegurado no art. pois sujeito passivo da execução deve ser o devedor reconhecido como tal no título executivo (ART. “Sendo a fiança convencionada até a entrega das chaves. por prazo indeterminado e incerto. “A fiança prestada por pessoa jurídica. 17. 1. 11. A novação sem o consentimento do fiador o exonera da obrigação assumida” – RT 746/194. i. circunstância que autoriza o fiador a postular sua exoneração com base no art. ainda que o contrato tenha sido firmado por prazo indeterminado. contra a sua vontade.500 do CC. 16.RT 752/165. não pode ser invocada contra terceiros. deve ser interpretada restritivamente. No mesmo sentido: RT 756/274. sem a anuência do fiador. restando ao sócio prejudicado voltar-se contra aquele que deixou de observar a restrição” – RT 750/309. No mesmo sentido: RT 789/196. 14. do CPC)” – RT 805/314. quando esses já não integram mais o quadro social” – RT 749/332. o fiador só poderá ser executado se tiver sido citado e condenado na fase de conhecimento. “A majoração do locativo não prevista em cláusula específica e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação. tal estipulação equivale à garantia celebrada sem limitação de tempo. por tempo indeterminado. sendo irrelevante a existência de cláusula prevendo a obrigação até a efetiva entrega das chaves” – RT 807/216. razão pela qual a prorrogação do contrato de locação. por ela não pode ser responsabilizado.Das Várias Espécies de Contrato 10. 12. “Não tendo o fiador participado de acordo que fixou multa diária para desocupação do imóvel. não obstante o contrato conter cláusula de irrenunciabilidade” – RT 757/232. Não se pode falar em obrigação perpétua do fiador. se não foi dada a sua anuência expressa” – RT 808/419. o contrato acessório de fiança. eis que alteram o conteúdo do contrato de locação. 392 .

sem intervenção do fiador. “É possível a extinção do contrato de fiança em locação se ficar evidenciado o abuso decorrente de protecionismo da credora em favor de devedora. diante da inaplicabilidade da regra do art. pondo termo final nas obrigações dos fiadores. 655 do Estatuto Processual” – RT 793/282. desistindo da faculdade de pedir exoneração da fiança e do benefício de ordem. em razão do abandono. com base no art.500 (novo. A invasão do imóvel locado. 23. quando se exige do possuidor indireto seja resguardada a propriedade contra terceiros” – RT 790/320. “Os fiadores têm legitimidade passiva para a ação de despejo por falta de pagamento cumulada com a cobrança de aluguéis porque também podem emendar a mora e. “Subsiste até a entrega das chaves ou até a imissão na posse do prédio locado. tendo em vista não se tratar de mera exoneração. 219 do CPC. 19. ainda mais. faz dividir a responsabilidade pelos danos causados. razão pela qual não é possível a indicação à penhora de fiança bancária. a responsabilidade deste se limita ao que foi pactuado no contrato original” – RT 780/390. patrimonialmente. por meliantes que. depredam-no. a responsabilidade do fiador pelos danos ocasionados no imóvel. se isto inocorrer. “Se houve acordo entre locador e locatário para majorar o aluguel em valores superiores aos reajustes legais. em virtude da obrigação firmada no contrato locatício. Nada impede a citação dos fiadores obrigados ao pagamento em virtude da solidariedade voluntária. 393 . deferida à locador. “Nos termos dos arts. quando já de conhecimento da locadora do seu estado de abandono. entre o fiador e a locadora. prorrogável apenas por escrito. 22. sendo a cumulação dos pedidos dirigida apenas ao inquilino” – RT 387/368. pois trata-se de repasse de garantia de terceiro não contemplada no rol do art. 591 e 646 do CPC. a execução. 1. o não atendimento de tal condição não tem condão de desonerar o fiador da garantia prestada. art. 20. os prejuízos decorrentes do mau uso da propriedade. com a citação. mas sim de infração contratual” – RT 804/265. diante do indigitado insucesso no resultado buscado. o devedor responde com os seus bens presentes e futuros para garantir. 835) do CC. 21. aumentando.Da Fiança 18. se o garante se comprometeu por tempo indeterminado. prosseguirá a ação pela cobrança do locativo. assumindo solidariamente com o locatário a obrigação até a efetiva desocupação do imóvel” – RT 786/329. sob pena de infligir-se a um só valor expressivo. proporcionando a agilização da prestação jurisdicional e a preconizada economia processual. em detrimento dos fiadores. por serem devedores solidários. “Ainda que se trate de contrato de locação por tempo determinado.

a ausência da anuência dos fiadores à prorrogação que se deu automaticamente. por conseqüência. VII do art. se a demanda for cumulada com cobrança de aluguéis e acessórios da locação. declarando-se solteira. “A fiança prestada sem outorga uxória só produz efeito em relação à meação de quem aprestou. 1. deve ser interpretada restritivamente. a exoneração dos fiadores” – RT 813 /311. no entanto. Dessa forma. de sorte que não podem ser computados no cálculo dos valores devidos débitos relativos a conta de telefones não quitadas. do qual não participou a fiadora” – RT 816/278. não é da responsabilidade do fiador o adimplemento de débitos referentes ao período de prorrogação da locação. “É penhorável o imóvel considerado bem de família por débito gerado por contrato de fiança (inc.003 e 1. 28. “Fiança prestada pela esposa. conforme o disposto na regra dos arts.245/91 não exige que o fiador seja citado para a ação de despejo por falta de pagamento de aluguel movida contra o seu afiançado. tem-se o garante como parte legítima para figurar no pólo passivo da lide” – RT 778/314.Das Várias Espécies de Contrato 24. “A obrigação decorrente da fiança se restringe ao prazo determinado no contrato de locação. 26. o mesmo ocorrendo com o aluguel da garagem. pela ocorrência de novação” – RT 779/283. pactuado posteriormente. 31. No mesmo sentido: RT 810/196. independentemente do aspecto socioeconômico do fiador” – RT 816/280. 29. “A inobservância da forma na prorrogação do contrato de locação acarreta. porque não previsto o ônus no contrato assinado pela garante. à qual não anuiu. “A fiança.006 do CC(de 1916)” – RT 812/167. excluída a de outro cônjuge” – RT 810/284. está eivada de nulidade relativa. Se o contrato de locação previu que sua prorrogação só se daria por escrito.009/90). por contrato separado. “A Lei 8. pelo que anulável” – RT 816/260. “A fiança é contrato benéfico e não admite interpretação extensiva. 27. 3º da Lei 8. 25. mas não por escrito. 30. inexistente a autorização marital ou a ratificação dela. 394 . exonerou-se da garantia prestada. por ser garantia prestada de forma gratuita.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->