Você está na página 1de 6

DEPARTAMENTO DA EDUCAÇÃO PRÉ- ESCOLAR

PERFIL DE COMPETÊNCIAS NO FINAL DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar são um quadro de


referência para todos os educadores de infância, na medida em que fornecem um
conjunto de princípios que apoiam as suas decisões sobre a prática e ajudam à
condução do processo educativo, constituindo um referencial comum que inclui os
principais fundamentos da organização da componente educativa. Aí se encontram
elencados os princípios sobre os quais assenta a avaliação das aprendizagens das
crianças, incluindo os procedimentos e as condições de sucesso que se pretende
que as crianças alcancem no final deste nível de educação. É sobre este último
aspecto que se debruça este instrumento, que pretende evidenciar/operacionalizar
as competências genéricas que as crianças devem apresentar à entrada para a
escolaridade obrigatória.
A promoção do sucesso educativo implica a necessidade de algumas referências
sobre as expectativas sociais quanto ao que as crianças devem saber num
determinado momento da sua evolução. Convém, por isso, enumerar algumas
condições favoráveis para que cada criança possa iniciar o primeiro ciclo com
possibilidades de sucesso. Esta indicação não é exaustiva, constituindo apenas uma
referência que facilite a reflexão dos educadores e o diálogo com os professores.

1- CONDIÇÕES DE SUCESSO

1. Anos de frequência no Jardim de Infância com assiduidade


2. As que dizem respeita ao comportamento da criança no grupo;
3. As que implicam determinadas aquisições indispensáveis para a
aprendizagem formal da leitura, escrita e matemática;
4. As que se relacionam com as atitudes perante a escola.
5. O respeito pelo ritmos e percursos individuais

2
1.1- AO NÍVEL DO COMPORTAMENTO
Que a criança seja capaz de:

 Integrar-se no quotidiano do grupo


 Aceitar e seguir as regras de convivência e de vida social
 Colaborar na organização do grupo
 Saber escutar
 Esperar pela sua vez de falar
 Compreender e seguir orientações e ordens
 Tomar as suas próprias iniciativas sem perturbar o grupo
 Terminar tarefas

1.2- AO NÍVEL DAS APRENDIZAGENS


 Que a criança seja capaz de:
 Utilizar a linguagem verbal de forma adequada para
 Compreender, e ser compreendido, e expressar as próprias ideias e
sentimentos.
 Valorize a escrita como meio de expressão.
 Tenha consciência das diferentes funções da escrita
 Reconheça a correspondência entre o código oral e o escrito (ou seja, que o
que se diz se pode escrever e ler, mas que cada um destes códigos tem
normas próprias)
 Conheça e utilize adequadamente as unidades temporais e espaciais básicas.
 Saiba classificar, ordenar e seriar objectos.
 Seja capaz de reconhecer e utilizar com propriedade números e
quantificadores
 Tenha adquirido as noções de espaço, tempo e quantidade
 Utilize as possibilidades expressivas do corpo.
 Conheça as suas próprias capacidades criativas.
 Demonstre prazer ao realizar novas experiências, valorizando as descobertas
de modo a permitir uma apropriação dos diferentes conceitos.
 Observe a realidade do meio que a rodeia e do mundo,

3
 Revele curiosidade relativamente à família, à escola, à casa, à saúde e
segurança do seu corpo, aos seres vivos e à natureza.
1.3- AO NÍVEL DAS ATITUDES
Que a criança:
 Tenha desenvolvido atitudes positivas face escola
 Relacione com os outros e com o mundo de forma crítica
 Tenha desenvolvido algumas atitudes que estão na base de todas as suas
aprendizagens, nomeadamente:
• Progressiva autonomia
• Curiosidade perante tudo o que o rodeia
• Desejo de aprender e experimentar coisas novas
• Revelar sentido crítico
• Revelar criatividade e imaginação
• Ser responsável
• Ser cooperante
• Ser sociável
• Ser autónoma, assumindo as suas responsabilidades.
• Tomar consciência de si própria como indivíduo de forma a poder
compreender o que está certo ou errado, o que pode ou não pode fazer,
ou seja, os direitos e deveres para consigo e para com os outros.
• Participar democraticamente na vida de grupo, respeitando a opinião dos
outros e as diferenças

2- ARTICULAÇÃO ENTRE PRÉ-ESCOLAR / PRIMEIRO CICLO

A realização de projectos comuns que integram docentes e crianças da educação


pré - escolar e 1º ciclo podem ser um meio de colaboração e de maior conhecimento
mútuo, do que se faz e aprende na educação pré - escolar e no 1º ciclo através da
análise e debate das respectivas propostas curriculares, facilitando a transição.
No final do ano lectivo, o educador e o professor do 1º ciclo, do mesmo
Agrupamento/ Instituição, devem articular estratégias no sentido de promover a
integração da criança e o acompanhamento do seu percurso escolar:

4
2.2- ESTRATÉGIAS FACILITADORAS DA ARTICULAÇÃO

 Momentos de diálogo/reuniões envolvendo docentes, encarregados de


educação e crianças para troca de informações sobre como se faz e aprende
no Jardim de Infância e na Escola do 1º CEB;
 Planificação e desenvolvimento de projectos/actividades comuns a realizar ao
longo do ano lectivo que impliquem a participação dos educadores,
professores do 1º CEB e respectivos grupos de crianças;
 Organização de visitas guiadas à Escola do 1º CEB e ao Jardim de Infância
de docentes e crianças como meio de colaboração e conhecimento mútuo.
 No final do ano lectivo, o educador e o professor do 1º ano do 1º CEB do
mesmo
 Agrupamento/Instituição, devem articular estratégias no sentido de promover
a integração da criança e o acompanhamento do seu percurso escolar:
 Organizando visitas guiadas à Escola do 1º CEB para pais e crianças que vão
frequentar o 1º ano, para conhecimento da dinâmica e do funcionamento da
escola;
 Realizando reuniões entre o educador e o professor para:
• Troca de informação sobre o trabalho desenvolvido no Jardim de Infância,
de modo a que, o professor, ao construir o seu Projecto Curricular de
Grupo/ Turma possa assegurar a continuidade e sequencialidade do
percurso escolar das crianças;
• Troca de informações sobre a criança, o seu desenvolvimento e as
aprendizagens realizadas;
• Partilha de informações sobre o decorrer do 1º ano na escolaridade das
crianças que transitaram do Jardim de Infância para o 1º CEB, de modo a
que ao acompanhar o seu percurso, o educador possa continuar a
articular com o professor tendo em vista o sucesso escolar da criança.

5
CONTINUIDADE NO PROCESSO

O diálogo e a troca de informação entre educadores e professores permite valorizar


as aprendizagens das crianças e dar continuidade ao processo, evitando repetições
e retrocessos que as desmotivam e desinteressam.

Comunicar aos pais e também, quanto possível, aos professores o que as crianças
sabem e são capazes de fazer pode facilitar a transição. Esta comunicação deverá
sempre centrar-se numa apreciação positiva que, sem esconder algumas
dificuldades, transmita o que a criança faz de melhor.

A colaboração entre adultos que têm um papel na educação educadores,


professores, pais, é fundamental para que a entrada na escola seja mais fácil para a
criança, permitindo atenuar e resolver eventuais dificuldades que esta possa
encontrar.