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Síntese e Purificação do Dibenzalacetona

Marilia Gabriela Ferreira dos Anjos* a

Aline Carla Costa * b

a Departamento de Química Fundamental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. Luiz Freire s/n, CDU, CEP 50740-540, Recife – PE; E-mail: mariliagabriela2@yahoo.com.br b Departamento de Química Fundamental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. Luiz Freire s/n, CDU, CEP 50740-540, Recife – PE; E-mail: enilacarla23@gmail.com

Prof.: Jefferson Princival – Química Exp. L6

Introdução Teórica

As reações químicas têm como base a procura de novos materiais que tenham uso na nossa sociedade, de modificarem, melhorarem os já existentes ou como meio de perceberem os segredos e os mecanismos destas reações. Reproduzir em laboratório aquilo que a Natureza produz ou criar aquilo que não existe na Natureza é sintetizar. As sínteses laboratoriais procuram a obtenção de novos produtos com as suas propriedades mais acentuadas, mais concentradas do que as existentes na Natureza ou compostos com propriedades inexistentes nos produtos naturais ou ainda produtos em quantidade superior aquela que são possíveis extrair de fontes naturais. Podemos, portanto afirmar que a síntese esta presente em toda a nossa vida, pois revolucionou o mundo ao permitir a produção em massa de compostos muito mais potentes do que estão presentes na Natureza. Uma síntese que é muito realizada principalmente nas aulas de Química Orgânica Experimental em todo o Brasil é a da Dibenzalacetona (1,5-difenil-(E,E)-1,4-pentadien-3- ona), através da condensação aldólica. A condensação aldólica é uma reação química que envolve um íon enolato de um composto carbonílico com outra molécula de composto carbonílico. Nesse grupo funcional pode ocorrer a reação em três

regiões:

  • - No oxigênio ligado ao carbono carbonílico (por

possuir dois pares de elétrons não partilhados pode sofrer

ataque de um eletrófilo).

  • - No carbono carbonílico (pode sofrer adição

nucleofílica devido a sua eletrofília).

  • - No carbono alfa (por estar diretamente ligado ao

carbono carbonílico e a um átomo de hidrogênio, pode participar em um equilíbrio ceto-enólico, do qual resulta um íon enol ou um enolato). Em uma reação a cetona é enolizável e por isso ela forma o íon enolato. Já a adição aldólica do íon enolato ocorre preferencialmente no carbono carbonílico do aldeído, pois este está mais desimpedido estericamente por ser um grupo terminal e porque nele não ocorre estabilização por dispersão eletrônica, já que não esta rodeado por dois grupos metil como nas cetonas. Assim, sendo uma das reações mais utilizadas para a síntese de ligações carbono – carbono, a condensação aldólica baseia-se na formação de um íon enolato e na sua subseqüente reação com uma molécula de um aldeído ou cetona, originando um b-hidroxialdeído ou uma b-hidroxicetona, respectivamente (designados genericamente por aldóis). Os aldóis tem tendência a se desidratar espontaneamente para formarem aldeídos ou cetonas a,b-insaturados, estabilizados por ressonância. A formação 1,5-difenil-(E,E)-1,4-pentadien-3-ona (dibenzalacetona), um composto que é utilizado como um dos componentes de protetores solares, é um exemplo de uma

condensação aldólica “mista” ou “cruzada” chamada também de reação de Claisen-Schimidt, pois estabelece-se entre dois compostos carbonílicos diferentes. Nestas condições, para que a condensação aldólica resulte na formação majoritária de um produto, é necessário que um dos reagentes não condense com ele próprio, ou seja, não tenha a possibilidade de formar um íon enolato em meio básico. É o que acontece com o benzaldeído, dado que não tem carbonos com hidrogênio a relativamente ao grupo carbonila. O aduto formado por condensação aldólica de uma molécula de acetona e uma molécula de benzaldeído em um meio básico é a E-4-fenilbut-3-en-2-ona (benzalacetona), a qual possui ainda átomos de hidrogênio acídicos, pelo que assim forma um novo íon enolato, que condensa com uma nova molécula de benzaldeído. Dá-se, assim, uma nova condensação aldólica para originar o produto final. O objetivo deste experimento é sintetizar a dibenzalacetona através da condensação aldólica cruzada (reação de Claisen-Schimidt) de duas moléculas de benzaldeído e cetona em solução diluída de hidróxido de sódio.

Parte Experimental

  • 1. Dissolveu-se 2,0 g de hidróxido de sódio em 20 mL de água destilada num béquer de 150 mL.

  • 2. Adicionou-se 15 mL de etanol a 95%.

  • 3. Misturou-se 2,1 g de benzaldeído e 0,6 g de acetona pura num erlenmeyer.

  • 4. Agitou-se levemente o frasco.

  • 5. Adicionou-se aproximadamente metade da solução de benzaldeído + acetona sob agitação vigorosa.

  • 6. Manteve-se a agitação por cerca de 5 minutos e então adicionou-se o restante da solução de benzaldeído + acetona.

  • 7. Manteve-se a agitação por 30 minutos.

  • 8. Filtrou-se o solido amarelo obtido em um funil de Buchner.

  • 9. Transferiu-se o produto obtido para um béquer limpo e adicionou-se 50 mL de água destilada.

    • 10. Agitou-se a mistura ate obter uma pasta fina.

    • 11. Filtrou-se em um funil de Buchner e lavou-se o filtrado até obter uma água de lavagem incolor.

    • 12. Recristalizou-se o produto em etanol a 95% a quente.

    • 13. Determinou-se seu ponto de ebulição e calculou-se o rendimento da reação.

Resultados e Discussões

A preparação da dibenzalacetona trata-se de uma reação aldólica cruzada prática, também chamada de reação de Claisen-Schimidt por utilizar um grupo cetona na reação. Nessa pratica utilizou-se o benzaldeído, um componente que não possui hidrogênio α e acetona como reagente. Foi

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utilizado para obtenção da dibenzalacetona a agitação magnética, filtração a vácuo e por fim mediu-se seu ponto de fusão.

O produto formado, precipitou-se na forma de um produto amarelo (figura 1). Um ponto critico deste experimento é a lavagem do produto que não poderá conter qualquer traço de NaOH. Lavou-se com água destilada para total retira do excesso de NaOH. Na 1° lavagem observou-se que o produto tinha uma cor alaranjada indicando que havia excesso de etanol. Este excesso de etanol foi percebido após tirar o ponto de fusão. A reação de síntese abaixo demonstra a síntese da dibenzalacetona através de uma condensação aldólica cruzada de duas moléculas de benzaldeído e acetona em solução diluída de hidróxido de sódio.

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Figura 1: Mecanismo da reação

No mecanismo o íon enolato, atua como nucleófilo, ataca o carbono carbonílico do aldeído, formando o alcóxido. O íon enolato, atua como base, capta um próton de uma molécula de água. O produto formado (benzalcetona) sofre eliminação por desidratação, formando um composto conjugado. Esta reação ocorre espontaneamente mesmo à temperatura ambiente e em meio básico, pois o produto é estabilizado por ressonância devido à presença de duas ligações duplas conjugadas e do grupo fenil. Com excesso de benzaldeído pode ocorrer uma nova reação entre a benzalacetona com uma nova molécula de benzaldeído. Nessa reação a benzalacetona ira atuar como a cetona enolizável, a partir da qual se forma o íon enolato que ira atuar como nucleófilo. O produto formado nessa dicondensaçao é a dibenzalacetona.

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Figura 2: Equaçao global da dibenzalazetona

No experimento em questão, o produto formado (a dibenzalacetona) obteve-se uma coloração amarelada, este fato deve-se pelo fato da mesma possuir ligações duplas e conjugadas, os maiores números de duplas ligações captam comprimentos de ondas mais largas (mais para o vermelho). Assim, com somente três ligações conjugadas, só pode captar luz ultravioleta (sendo, portanto, incolor), e com onze duplas ligações conjugadas, absorve desde o ultravioleta até o vermelho. Á medida que o comprimento do sistema de duplas

ligações conjugadas aumenta, o comprimento de onda de máxima absorção também aumenta. O mesmo acontece com o dibenzalacetona, por obter

duplas conjugadas ele absorve a luz e reflete a luz amarela.

Determinação do Ponto de Fusão:

Transferiu-se uma pequena quantidade de dibenzalacetona seca, compactou-se bem no fundo do capilar. Colocou-se o capilar com a amostra no aparelho de Ponto de Fusão, realizando-se duas medidas. Determinou-se o intervalo de Fusão, considerando o inicio a temperatura na qual a primeira gota de liquido aparece e o final, a temperatura em que o ultimo fragmento de solido desaparece.

Temperatura Inicial

Temperatura Final

103° C

107°

Tabela 1: Temperaturas de Ponto de Fusão (dados obtidos

em aula).

Tirando-se a média dos valores obtidos (105°C), e comparando-os com o valor tabelado da Dibenzalacetona (112°C), percebe-se que há uma discrepância nos valores, isso nos diz que realmente havia excesso de etanol no produto obtido.

Cálculo do Rendimento

Foi obtido durante o experimento uma massa de 0,308 g de dibenzalacetona. Para saber o rendimento percentual que foi obtido na prática, precisam-se analisar os dados que as formulas e as equações proporcionam e compará- los com o resultado experimental.

Reagente

Massa

Densidade

Volume

Molar

(g/mL)

Utilizado

(g/mol)

(mL)

Benzaldeído

106,13

1,0415

2,1

Acetona

58,08

0,788

0,6

Dibenzalacetona

234,2975

-

-

Tabela 2: Informações sobre as substancias

Benzaldeído

Acetona

  • d = m / V → m = d x V

  • d = m / V → m = d x V

  • m = 1, 0415 x 2,1

  • m = 0, 79 x 0,6

  • m = 2,18715 g

  • m = 0, 474 g

n = m / mol → n = 2,18715 / 106,13

n = m /mol → n = 0, 474 / 58, 08

n = 0, 0206 mol

n = 0, 0081 mol

Tabela 3: Calculos Estequiometricos

Sabendo-se que duas moléculas de benzaldeído reagem com uma molécula de acetona formando uma molécula de dibenzalacetona, e a partir das quantidades de matéria dos reagentes pode-se verificar que o benzaldeído é o reagente limitante e a acetona é o reagente em excesso. Portanto, a partir da reação balanceada de todo o processo pode-se calcular o rendimento da dibenzalacetona obtida, considerando a quantidade de matéria do benzaldeído utilizada igual a 0,0206 mol. Tem-se a seguinte relação estequiométrica:

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2 mols de benzaldeído --------------- 1 mol de dibenzalacetona 0,0206 mol ----------------------- n n = 0,0103 mol de dibenzalacetona Sabendo-se que a massa molar da dibenzalacetona corresponde a 234,3g/mol, pode-se calcular a massa teórica obtida:

N = m / MM → m = n x MM m = 0,0103 x 234,3 = 2,41 g

Para o calculo do rendimento temos:

%Dibenzalacetona (m/m) = m (experimento) / m (teórica) x 100 Rend = 0,308 / 2,41 = 0,1278 x 100 = 12,78%

Conclusões

Este processo de tratamento do benzaldeído, acetona e etanol, em presença de hidróxido de sódio, nos remete a síntese da dibenzalacetona, em uma reação conhecida como Claisen-Schimdt. Apesar do baixo rendimento obtido no experimento (12,78%), as reações aldólicas cruzadas são reações que promovem um altíssimo rendimento, este baixo rendimento pode ter sido provocado pelo fator de que ao se transferir a mistura reacional do béquer para o funil de Buchner durante a filtração a vácuo, houve muitas perdas da mistura reacional. Um suposto fator que poderia causar um aumento no rendimento da reação seria adicionar lentamente a acetona na solução do benzaldeído com hidróxido de sódio, pois como o benzaldeído não possui hidrogênios α, ele não se transformaria em um ânion, e quando adicionado lentamente a acetona ela logo se transformaria no ânion enolato e reagiria rapidamente com o benzaldeído, assegurando, assim, apenas a formação de um produto principal e evitando reações laterais. Da forma em que o procedimento foi realizado poderá ter causado o ataque de enolato em uma acetona, formando um produto indesejável.

Notas e Referências

  • 1. SOLOMONS, T. W. G.; FRYHLE, C. B

..

Química

Orgânica. 8.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2005, v.2.

  • 1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Condensação_aldólica>. ACESSO: 27/04/11

  • 2. Hawbecker, B.L., Kurtz, D.W., Putnam, T.D., Ahlers, P.A. e Gerber, G.D. , (1978) J. Chem. Educ., 55, 540.