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Relação dos Cidadãos com

a Política

Ciência Política
Trabalho de Investigação

Ana Catarina Moreira Anjos


João Paulo Monteiro Nunes
Introdução
No âmbito da disciplina de Ciência Política, surgiu a ideia da realização de um
trabalho cujo tema principal é a Relação dos cidadãos com a política.

“Tem de ser os jovens a cativar outros jovens, eles expressam o ponto de vista
que se pretende e revertem-no na sua linguagem”.

Ray Zeller

É compreensível a razão pela qual os portugueses cada vez se afastam mais da


política. Se assistirmos a um dos muitos noticiários, na rádio ou na TV, ficamos
convencidos de que o Mundo vai acabar senão hoje, talvez amanhã.

Somos bombardeados por notícias sobre a crise em Portugal, a crise no estrangeiro,


a Gripe A, enfim um manancial de problemas sobre os quais nós, enquanto
cidadãos, gostaríamos de ter algumas explicações. Mas cada vez que um membro
do governo ou de um partido da oposição fala, é como se falasse para os outros
políticos e não para os restantes portugueses. Linguagem hermética, ataques
permanentes, mais parece uma arena ou o relato de um jogo de futebol. Se
acreditarmos no que os políticos dizem uns dos outros, então temos que aceitar
aquela frase que anda na boca de tantos, há tanto tempo: São todos iguais!

Neste trabalho pretenderemos abordar os seguintes assuntos: participação


política convencional, participação política não convencional, socialização política,
cultura política, entre outros.
Política
Antes de mais pretendemos dar uma noção de política: política é a arte ou
ciência da organização, direcção e administração de nações ou Estados.

Alguns sistemas políticos e poderes políticos são: Monarquia, Democracia,


República, Oligarquia, Teocracia, Autocracia, Anarquismo.

Monarquia:
Monarquia é um sistema de governo em que o monarca (rei) governa um país
como chefe de Estado. A transmissão de poder ocorre de forma hereditária (de pai
para filho), portanto não há eleições para a escolha de um monarca. Este governa
de forma vitalícia, ou seja, até morrer ou abdicar.

A monarquia foi muito comum nos países da Europa durante a Idade Média e
Moderna. Neste último caso, os monarcas governavam sem limites de poder. Este
sistema ficou conhecido como absolutismo. Com Revolução Francesa (1789), este
sistema de governo entrou em decadência, sendo substituído pela República, em
grande parte dos países.

Actualmente, poucos países utilizam este sistema de governo e, os que usam,


deixam poucos poderes nas mãos do rei. Neste sentido, podemos citar as
Monarquias Constitucionais do Reino Unido, Austrália, Noruega, Suécia, Canadá,
Japão e Dinamarca. Nestes países, o monarca funciona como uma figura
decorativa e tradicional, pois o Brasil já teve monarquia entre os anos de 1822 e
1889, com os reinados de D. Pedro I e D. Pedro II.

Democracia:
Democracia é um sistema de governo onde o poder de tomar importantes
decisões políticas está com o povo. Para usar uma frase famosa, democracia é o
"governo do povo para o povo". Democracia opõe-se às formas de ditadura e
totalitarismo, onde o poder reside numa elite auto-eleita.
As democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado num número de
distinções. A distinção mais importante acontece entre democracia directa
(algumas vezes chamada "democracia pura"), onde o povo expressa a sua
vontade por voto directo em cada assunto particular, e a democracia
representativa (algumas vezes chamada "democracia indirecta"), onde o povo
expressa a sua vontade através da eleição de representantes que tomam
decisões em nome daqueles que os elegeram.
Outros itens importantes na democracia incluem exactamente quem é "o Povo",
isto é, quem terá direito ao voto; como proteger os direitos de minorias contra a
"tirania da maioria" e qual sistema que deve ser usado para a eleição de
representantes ou outros executivos.

República:
Uma República é uma forma de governo na qual um representante,
normalmente chamado presidente, é escolhido pelo povo para ser o chefe de país,
podendo ou não acumular com o poder executivo. A forma de eleição é
normalmente realizada por voto livre e secreto, em intervalos regulares, variando
conforme o país. A origem da república está na Roma clássica, quando primeiro
surgiram instituições como o Senado.

O conceito de república é ambíguo, confundindo-se às vezes com democracia, às


vezes com liberalismo, às vezes tomado simplesmente no seu sentido etimológico
de "bem comum"; mais recentemente, tem sido interpretado pelo senso comum
como "respeito às instituições".

Do ponto de vista histórico, as repúblicas e o republicanismo surgiram em


contraposição às monarquias, consideradas, devido ao seu carácter absolutista,
como opressoras e liberalistas. A primeira república de que se tem notícia é a
romana, fundada no século V a. c., exactamente em contraposição à monarquia. Na
Idade Média houve diversas repúblicas, das quais as mais famosas foram as
italianas (por exemplo: Florença) e, depois, a holandesa. Cada uma delas teve
características próprias e o seu elemento unificador é, de facto, uma negação: não
eram monarquias.

Oligarquia:
Oligarquia significa, literalmente, governo de poucos. No entanto, como aristocracia
significa, também, governo de poucos - porém, os melhores -, tem-se, por
oligarquia, o governo de poucos em benefício próprio, com amparo na riqueza
pecuniária. As oligarquias são grupos sociais formados por aqueles que detém o
domínio da cultura, da política e da economia de um país, e que exercem esse
domínio no atendimento de seus próprios interesses e em detrimento das
necessidades das massas populares; num país pós-colonial, como o Brasil, os
interesses oligárquicos estão directamente relacionados aos interesses do
imperialismo. O imperialismo, por sua vez, participa directamente da sustentação
daqueles grupos sociais oligárquicos no domínio do "seu" país: os oligarcas de um
país dominado são, portanto, "sub-dominantes". Formadas geralmente por
familiares de grande poder.

Teocracia:

Período teocrático ocorreu após Josué onde Deus governava através dos juízes e
estendeu-se até o inicio da monarquia quando Saul assumiu o trono como o
primeiro rei de Israel.

Autocracia:

Autocracia significa governo por si próprio. O sentido do termo tem uma


denotação histórico concreto e política que convergem em muitos pontos.
As monarquias não são sempre autocratas, nem sequer as monarquias
absolutistas o são. Caso uma monarquia absoluta seja de direito divino não pode
ser considerada como uma autocracia, porque a sua legitimidade depende de uma
entidade superior (Deus).

Historicamente refere-se ao Império Bizantino em que o imperador se denominava


autocrator, o que significava para ele que o seu poder era supremo, absoluto,
ilimitado, irresponsável com relação a qualquer instituição terrestre e dado
somente por Deus. Era um governo total sobre a sociedade porque controlava o
domínio temporal e espiritual. A história do termo prolongou-se após o fim do
Império Bizantino com a adopção pela Rússia da ideologia imperial de Bizâncio.
Além de adoptar o título de czar, equivalente russo do César latino, adoptou
também a denominação e substancia da autocracia.

Anarquismo:
A palavra anarquia vem do grego, que quer dizer mando, poder autoridade,
etimologicamente, pois, a palavra anarquia, que deveria ser escrita anarquia,
significa estado de um povo, ou dito com mais exactidão, de um meio social sem
governo.
Como ideal social e como realização efectiva, anarquia quer dizer uma maneira de
viver na qual o indivíduo, desembaraçado de toda coação legal e colectiva que
tenha a seu serviço uma forca pública, não terá outras obrigações do que as que
sua própria consciência imponha. Possuirá, portanto, a faculdade de entregar-se às
inspirações reflexivas de sua iniciativa pessoal; gozará do direito de tentar todas as
experiências que lhe pareçam desejáveis ou fecundas; aceitará livremente todos Os
acordos que lhe liguem aos seus semelhantes, sempre de carácter revogável; e não
querendo que ninguém sofra com sua autoridade, resistirá a sofrer a autoridade do
outro, seja que seja. Assim, dono soberano de Si mesmo, da direcção que de a sua
vida, da utilização que faça das suas faculdades, de seus conhecimentos, de sua
actividade produtora, de suas relações de simpatia, amizade e de amor, 0 indivíduo
organizara sua existência como melhor lhe convier: desenvolvendo-se em todos Os
sentidos a sua maneira, sem mais limites que Os assinalados pela liberdade, plena
e inteira, dos demais indivíduos. Esta maneira do viver implica um regime social no
qual esta' desterrada toda a ideia do salário e assalariado, do capitalista e
proletário, do amo e servo, de governante e governado.
Participação
política
Os comportamentos participativos dependem da verificação de uma série de
condições. Começamos por descrever os resultados obtidos relativos a essas
condições fundamentais de participação.

ASSOCIATIVISMO E ACTIVISMO SOCIAL DOS JOVENS

Os estudos sociológicos até hoje realizados sobre a participação política têm


demonstrado que ela varia com a intensidade das formas de participação social.
Lester Milbrath, a quem pertence a mais importante sistematização dos
resultados das pesquisas de campo sobre a participação política pôs em
evidência que o associativismo e o activismo parecem favorecer habitualmente
a participação política. Desde logo começamos por aferir o grau de
associativismo e activismo social dos jovens, como indicador de integração
social e, como tal, como condição de participação.

Trata-se de um valor particularmente elevado, comparando-se com os


resultados obtidos por outras pesquisas sobre a juventude portuguesa realizadas
nos últimos anos, e que oferecem valores inferiores.
Interesse pela
política
O interesse pela política é uma variável altamente subjectiva e varia quer com a
opinião que se tem acerca da política, quer ainda com o sentimento afectivo e
com o valor normativo que se atribui à política. A melhor maneira de adquirir
interesse político é indagar directamente dos sujeitos a própria opinião acerca
do interesse próprio que possuem pela política. No entanto, quisemos comparar
esse interesse subjectivamente manifestado com o interesse objectivamente
denunciado, e verificámos que a grande maioria dos jovens têm um interesse
médio pela política.

Os políticos são não somente “interessados”, mas, em sua maioria,


“interesseiros”. Cada vez mais é sensível a manifestação da política como a
defesa de interesses particulares, de grupos, pessoas mesquinhas e mesmo
criminosas, manipuladores dos direitos e bens públicos, em prol da manutenção
do poder nos partidos dos conchavos ou nas oligarquias privilegiadas.

Estamos perante um:

Interesse pela política VS Política de Interesses


Participação Política dos
Jovens
A participação política é a acção voluntária tendo como objectivo exercer
influência sobre o processo de decisão política.

Podemos assim desde logo identificar formas convencionais de participação


política e formas não convencionais.

Formas Convencionais de Participação Política:


- Votar

- Trabalho Partidário Regular

- Campanhas eleitorais

- Trabalho de informação política

Formas não Convencionais de Participação Política:


- Participação em Greves,

- Bloqueios eleitorais

- Consumismo Político

- Comportamento Violento

Se a participação política inclui toda a participação em movimentos, associações


que de certo modo contribuem para influenciar a decisão política, então os
jovens não estão desligados completamente, porque hoje em dia, cada vez mais
são os jovens que integram esses movimentos.

Esses jovens cultivam a ideia que a sua participação deve contribuir para
reforçar a justiça social e que seja expansiva o mais possível.

Os Partidos políticos e os governos do Séc. XXI Deparando-se com a crescente


dificuldade em mobilizar; Interpelar os jovens é ainda uma tarefa muito mais
difícil. De muitos estudos que se tem feito demonstram apatia política e cívica
dos jovens.
A causa da não participação política dos jovens poderá reflectir a ineficácia das
formas convencionais de participação política, no sentido de esquecer por vezes
as preocupações e os problemas que os jovens enfrentam.

No entanto é importante a participação política dos jovens. Os idosos têm a


maior percentagem de exercício do direito de voto, e subsequentemente são
alvo de muitas promessas e medidas políticas. No sentido inverso os jovens são
os que têm as percentagens mais baixas de votação.

Quando os jovens votam e incentivam outros jovens a votar, esse


comportamento serve o interesse dos jovens. Se os jovens participam mais os
políticos ficam com o feedback que este grupo é uma força política a ter em
conta nas suas agendas políticas.

Se os jovens pretendem atenção e resposta aos seus anseios têm de certo modo
ir ao encontro.
Cultura
política
O conceito de cultura política estava delimitado às atitudes e orientações dos
cidadãos em relação aos assuntos políticos. O termo refere-se às orientações
especificamente políticas, às atitudes com respeito ao sistema político, suas
diversas partes e o papel dos cidadãos na vida pública. Através desse conceito,
visava-se chegar à caracterização daquilo que seria a cultura política de uma
nação, definida como " a distribuição particular de padrões de orientação política
com respeito a objectos políticos entre os membros da nação".

Socialização política
A socialização política refere-se ao conjunto de experiências que contribuem
particularmente para a formação da auto-imagem do indivíduo em relação ao
sistema político e em relação às instituições da sociedade. È importante realçar,
que a socialização não se restringe a um período específico da vida, pois trata-se
de um processo inacabado e em contínuo desenvolvimento, restaurado em cada
situação na qual o indivíduo participa.

Referências bibliográficas
BRANDÃO, Carla de Santana; “O processo de Socialização Política dos
Universitários: A importância da universidade e do movimento estudantil”