Integrando as Abordagens de Uppsala e do Paradigma Eclético: um modelo
econométrico
Autoria: Rodolfo Coelho Prates, Zandra Balbinot

Resumo
O presente trabalho propõe estabelecer uma integração teórica entre duas das principais
abordagens de internacionalização: a abordagem processual e a abordagem econômica. Para
tal, escolheu-se seus maiores representantes, ou seja, a Escola de Uppsala e o modelo
desenvolvido por Johanson e Vahlne (1977) para a primeira abordagem; e para a segunda, o
Paradigma Eclético elaborado por Dunning (1977). Parte-se da premissa de que ambas as
teorias são complementares, e não substitutas, e, portanto, passíveis de integração. Acredita-se
que, conforme defendido pela Escola de Uppsala, em um primeiro momento a empresa inicia
suas atividades pelos mercados de menor distância psíquica, contudo, face a um conjunto de
mercados próximos, a escolha final do mercado-alvo se dá através do Paradigma Eclético. O
resultado da integração é a construção de uma equação matemática que combina as duas
teorias. Para testar a validade da equação, foi construído um modelo empírico simplificado de
regressão por meio de dados em painel, tomando como base os investimentos diretos
brasileiros nos países das três Américas. Oito variáveis fazem parte do modelo. Dessa
variáveis, três estão associadas à distância psíquica e são chamadas de minimizadoras
(CONT, LINGUA, DIST) e cinco estão associadas à maximização do resultado (TERR, POP,
PIB, EXP, IMP). Contrário às expectativas, a variável PIB mostrou um comportamento
inverso. Isto é, no caso das multinacionais brasileiras, quanto menor o PIB dos países, maior
será a média de investimento. Levando em consideração as explicações de Dunning (2000)
sobre as vantagens de propriedade, esse fato pode ser explicado pelo nível de competitividade
global intermediário das empresas brasileiras. Nesse sentido, elas buscariam se
internacionalizar para países cujas estruturas produtivas ainda não estariam consolidadas,
encontrando dessa forma um mercado onde tais empresas poderiam ser competitivas sem
necessariamente realizar algum tipo de mudança tecnológica. A variável POP, que capta as
dimensões do mercado, mostrou-se significativa estatisticamente, evidenciando que os
investimentos externos brasileiros caminham para países populosos. Porém, se analisadas PIB
e POP em conjunto pode-se dizer que há evidências de que a matriz dos investimentos diretos
brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa. Acredita-se que o teste
empírico do modelo revelou a possibilidade de uma integração possível entre as duas teorias
de internacionalização. Tal modelo poderá ser grande valia para empresas que desejam se
internacionalizar, pois através da integração dessas abordagens, as empresas poderão traçar
cenários estrategicamente melhor estruturados possibilitando obter uma internacionalização
de maior sucesso.

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1975. as redes de relacionamentos (Johanson & Mattsson. McDougall & Baume. A magnitude dos recursos. de forma brilhante. Contudo. 1977. 1994. e o poder que as empresas adquiriram levaram diferentes autores a desenvolver pesquisas que pudessem interpretar especificamente o fenômeno da internacionalização que assumia proporções crescentes. Dunning foi o primeiro a experimentar um diálogo amplo e conciliador entre as diversas teorias. 1998). Ohlin. questões relacionadas ao empreendedorismo internacional (Oviat & Mcdougall. sem contar. Com a intensificação das trocas entre países diferentes autorespassaram a estudo o fenômeno das trocas internacionais sobre o ponto de vista das vantagens comparativas dos países associadas aos recursos presentes em cada localização (Smith. recentemente. 2005). 2007) e a aliança estratégica (Robson. utilizando como lente de integração o Paradigma Eclético (Dunning. de um lado. como. os valores transacionados. 1776. 1980). Rezende e Versiani procuraram mostrar duas perspectivas presents dentro da abordagem processual (2010). Ricardo. 2005. o presente trabalho busca. Claramente. 1966). porém. 2000). Dunning (2000) encontra um espaço para a abordagem processual. Essa tarefa se justifica por possibilitar que o avanço teórico se torne mais compreensível. No entanto. Heckscher. e a abordagem processual. pois ele pode (e deve) ser analisado por diferentes primas teóricos e metodológicos. durante o período do mercantilismo. Jones & Coviello. através de um modelo econométrico. A multiplicidade de temas e correlações revelam a complexidade intrínseca desse objeto de estudo.  INTRODUÇÃO As primeiras discussões teóricas sobre comércio internacional datam do século XVI e XVII. e. tanto de magnitude quanto em importância. 1976. enquanto discussão voltada para a distância psíquica tal como analisada por Johanson e Vahlne (1977). por exemplo. vista pelo Paradigma Eclético (Dunning. Dunlap-Hinkler. Cavusgil. ). entendendo que as teorias de internacionalização são complementares entre si. podendo ser divididos em teorias voltadas para o investimento direto no exterior (IDE) e aquelas mais direcionadas ao estudo da dinâmica da internacionalização (Laanti. conciliar os dois lados da moeda. 1977). Pode-se mencionar uma diversidade muito extensa de temas e teorias. Um olhar um pouco mais global sobre esses trabalhos revela a multiplicidade de temas sobre o mesmo objeto. seguro e robusto. 2000). 1977). Welch & Welch. a integração parece sempre passar pela dominação de uma abordagem sobre a outra. por exemplo. 1987). a transferência de conhecimento (Kotabe. 1977). Os estudos têm abordado diferentes facetas da internacionalização das empresas. a abordagem econômica. Reid. Paparoidamis. Parente. & Mashra. no processo de decisão da internacionalização das atividades de uma empresa. sistematizá-las e integrálas. No Brasil. 1983). 2009). 2009). a teoria da internalização (Buckley & Casson. o Paradigma Eclético (Dunning. Desai & Francis. Após a Segunda Guerra Mundial. Johanson & Vahlne. ou seja. Nesse sentido. & Ginoglou. a teoria do ciclo de vida do produto (Vernon. a teoria dos custos de transação (Williamson. 2006. mais recentemente. restrita a seu Paradigma Eclético. 2   . o processo de internacionalização e a distância psíquica da Escola Nórdica (Johanson & Vahlne. como o isomorfismo – dentro da teoria institucional (Davis. os estudos que correlacionam a internacionalização com outros temas. houve um intenso avanço da internacionalização de empresas. em algum momento no avançar dos estudos surge a necessidade de repensar as diferentes linhas. apesar de alguns esforços realizados pela literatura. de outro. com o propósito de sedimentá-las. a entrada das empresas nos mercados externos por estágios (Bilkey & Tesar. Percebe-se que vários esforços vêm sendo realizados na busca dessa integração. além de permitir uma escala de compreensão mais ampla.

em teoria. partindo de um movimento do país de menor para o de maior distância psíquica. Ou seja. baseado nos estudos de caso de Johanson e Weidersheim-Paul (1975) e consolidados no artigo de Johanson e Vahlne (1977). 1980. utilizando como modo de entrada aquele que necessitaria o menor comprometimento de recursos progredindo até o IDE. as abordagens de internacionalização. as duas teorias que servem de base para a integração proposta por esse trabalho: a Escola de Uppsala de Johanson e Vahlne e o Paradigma Eclético de Dunning. onde a empresa deveria fazer uma escolha entre o controle pretendido em suas atividades internacionais em prol do grau de compromentimento nessas mesmas atividades. uma localidade de menor distância psíquica. A primeira delas apresenta uma revisão da literatura a respeito das teorias de internacionalização. A primeira. nada melhor do que comprometer o mínimo de recursos possível em um primeiro momento. Com base nos trabalhos originais e nos avanços posteriores que os próprios autores realizaram. além desta introdução. Uma do campo organizacional. 1977. Por outro lado. 1999. Cavusgil. esse comportamento seria definido por duas variáveis. o executivo teria tendência a primeiramente internacionalizar seus negócios para regiões onde ele pudesse minimizar as incertezas.  A justificativa maior dessa pesquisa reside no fato de que juntas. serão apresentadas a seguir as características principais dessas duas correntes de internacionalização que constituem o objeto desse estudo e. defendida por Herbert Simon (1945) que argumenta que o homem não possui acesso a todas as informações. 1983). educação e práticas de negócio. 1977. 1981). a empresa deve avaliar onde estão suas competências e de quais recursos dispõe. especificamente. podemos dividir a discussão sobre internacionalização em duas abordagens principais. vindas de diferentes teorias. A distância estaria ligada às incertezas associadas às diferenças entre países em termos de língua. teria a tendência a também ver competências de sucesso daquela organização nesse novo mercado. por exemplo. na Inglaterra. visto possuir uma racionalidade limitada. cultura. A segunda tece as bases para a integração entre as duas teorias de internacionalização. que estudavam a motivação dos fluxos de IDE realizados pelas empresas (Dunning. debatida sobretudo nos seus primórdios pelos pesquisadores suecos da Universidade de Uppsala. Logo. toda a discussão da entrada progressiva nos mercados internacionais (Bilkey & Tesar. Outro argumento que levaria as empresas a se internacionalizarem a regiões de menor distância psíquica está relacionado aos recursos pertencentes a essa organização. ESCOLA DE UPPSALA A abordagem processual defendida pela Escola Nórdica vê a internacionalização sob uma perspectiva comportamental. a fim de minimizar as perdas em uma operação de menor certeza que a local. abordando elementos comuns e díspares entre elas. Nascendo desse forma. Na realidade. isto é. Esse argumento dá origem ao conceito de distância psíquica. Rugman. A segunda abordagem desenvolvida pelos economistas da Escola de Reading. A terceira apresenta um teste empírico para validar o modelo e seus resultados e a quarta tece algumas considerações finais. baseada no processo de internacionalização das empresas. Como discutido por Penrose (1995). Reid. fazendo com que ele não possa tomar a melhor decisão. 1976. Buckley & Casson. 3   . ABORDAGENS DE INTERNACIONALIZAÇÃO De acordo com Andersen (1993). O artigo está estruturado em quatro partes. localidades de menor disância psíquica. devam convergir em uma teoria com poder de explicação maior do que quando isoladas.

Se a primeira condição for satisfeita. ela compromete parcialmente seus recursos (pequeno comprometimento). (3) procura por racionalização ou eficiência das atividades. Dessa forma. sua inserção é gradual. os autores propõem um modelo dinâmico de “ajustes incrementais da empresa com o ambiente” (Johanson e Vahlne. apesar dos autores rejeitarem que as empresas visam executar uma estratégia otimizadora de comparar e valorar os diferentes recursos que podem ser explorados nos países estrangeiros. Como inicialmente o mercado estrangeiro se constitui em uma espécie de enigma. A isso. A opção pelo mercado estrangeiro deve necessariamente gerar oportunidades de lucros que não seriam obtidos caso ela se restringisse ao seu próprio mercado doméstico. Nesse sentido. dado o distanciamento psíquico. Segundo Dunning (1977). A primeira delas diz respeito à condição que a empresa se encontra frente a outras empresas em relação aos seus ativos. Dunning denomina de vantagem de propriedade (O – Ownership Advantage). 26).  Ao elaborar a teoria. entre outros). Williamson (1975) e Buckley e Casson (1976) trazem outro ponto importante na decisão da localização: a questão do fazer ou comprar expresso pela teoria dos custos de transação e da internalização. que outras empresas estrangeiras as utilizem. Aliada a essa discussão. mão-deobra. E. que é expresso pela posse de ativos intangíveis ou outras vantagens de governança que a empresa possui. E isso se dará por meio de IDE. em que o incremento da internacionalização depende do próprio estado de internacionalização no qual a empresa se encontra. PARADIGMA ECLÉTICO A abordagem econômica baseia-se na ideia de que a decisão é racional e as empresas buscam a maximização de resultados. p. Dunning (2000) mostrou que os motivos para internacionalização podem ser definidos em quatro categorias: (1) procura por mercado. no longo prazo. dado que a falta de conhecimento de operações externas geram riscos à empresa. uma empresa irá abrir uma subsidiária no exterior se necessariamente três condições são satisfeitas. nesse momento inicial a empresa avança suas atividades no mercado estrangeiro por meio do ingresso em países cuja estrutura funcional do mercado seja a mais similar em relação ao seu país de origem. onde. acentua seu comprometimento com o país. o que lhe gera condições materiais e de conhecimento para avançar em outros países. Rugman (1981) mostra que a atividade internacional ocorre. pois a aspiração por lucros crescentes e pela redução dos riscos ressalta implicitamente o caráter otimizador da empresa. na realidade. Diante de todas essas discussões isoladas. deve ser mais benéfico para a empresa usar suas vantagens do que permitir. Primeiramente. deve ser de interesse da empresa combinar suas vantagens com os fatores locacionais de produção de países estrangeiros (L – Localization Advantages). assumindo que as duas condições anteriores foram atendidas. por meio de qualquer mecanismo de transferência. Esse aspecto é particularmente importante para os propósitos do presente trabalho. eles aceitam que as empresas. a partir disso. a empresa deve internalizar (I – Internalization Advantages) essa atividade. Dunning (1977) introduz uma teoria para conciliar as diferentes questões relacionadas à internacionalização das empresas: o Paradigma Eclético. as empresas tentam maximizar seus ganhos graças às vantagens obtidas devido a localizações diferenciadas. (2) procura por recursos (naturais. É interessante verificar no discurso da Escola de Uppsala que. Conforme adquire conhecimento e experiência. 4   . devido às imperfeições do mercado. aspiram por lucros crescentes e pela diminuição dos riscos. 1977. Além disso. e (4) procura de vantagens estratégicas. Ricardo mostrou que as atividades internacionais eram movidas pelas vantagens encontradas em um país em relação a outro (1817/2001). Ou seja. nesse momento.

visto que a ausência de um deles inviabiliza a internacionalização. Para isso. torna difícil a ordenação completa e consequente construção de um vetor dos países com base na distância psíquica. Isto é. como as exportações e as licenças. então. Para minimizar os riscos. De acordo com a abordagem processual. Assim. De acordo com seus principais autores. os elementos isolados da teoria do Paradigma Eclético fornecem respaldo teórico para compreender outros tipos de internacionalização que não seja tão somente o IDE. modos de entrada que impliquem no menor comprometimento possível de recursos. Definido. Primeiro. a internacionalização da empresa visa obter oportunidades de acesso a lucros crescentes. é possível afirmar que no processo de internacionalização. A racionalidade limitada somada à incerteza e à dificuldade de mensurar plenamente elementos culturais e psicológicos. e todos eles apresentam a mesma distância psíquica com relação ao país de origem da empresa. dois são seus pressupostos principais. sem ela. Se uma ordenação precisa é praticamente impossível de ser realizada. independente da distância geográfica. a empresa inicia suas atividades no mercado estrangeiro por meio do ingresso em países cuja estrutura funcional do mercado seja a mais similar em relação ao seu país de origem (menor distância psíquica). Dessa forma. a empresa inicia a internacionalização por meio de operações simples. os quais mantenham entre si a distância cultural do país de referência. a empresa não age com base no acaso. mesmo sendo aversa ao risco (Johanson & Vahlne. O único elemento imprescindível para a internacionalização é a vantagem de propriedade. a empresa deve conhecer a distância psíquica dos países. pois dessa forma ela também minimiza os seus riscos. a empresa deve ordenar os países restantes de acordo com a distância psíquica e iniciar a internacionalização pelo país cuja distância psíquica é a menor. decorrente da limitação imposta por aspectos práticos. E caso a empresa julgue mais vantajoso internalizar as operações. pois ela trata tão somente dos fatores que orientam uma empresa a realizar investimentos diretos em países estrangeiros. Assim. para países cuja distância psíquica seja pequena. De posse dessa vantagem. ela se tornou uma teoria específica para um caso particular do processo de internacionalização. a exemplo de exportações esporádicas. não inicia suas atividades em qualquer mercado internacional. o tipo de operação. a empresa pode estabelecer licenças para que empresas em mercados estrangeiros operem em seus mercados. conforme a abordagem Uppsaliana. Dessa forma. Conforme adquire conhecimento e experiência. ela bem sabe que deve começar por países mais próximos culturalmente (menor distância psíquica). Pode-se entender. dessa forma. Segundo. ela compromete o mínimo possível de seus recursos nessa atividade. seus elementos devem ser indiferentes entre si e não 5   . PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO TEÓRICA Segundo a Escola de Uppsala. ou seja. não há razão que torne viável qualquer atividade em mercados estrangeiros. No entanto. pois os mecanismos de transação lhe são familiares. o conjunto de países deve ser fechado e único. qualitativos ou por uma combinação deles. assume-se que não há diferenças entre os países que se encontram no mesmo conjunto. quer seja por meio de critérios quantitativos. avança para outros países de maior distância psíquica. por exemplo. 1988) construiu a teoria do Paradigma Eclético. 1977). essa limitação não impede a possibilidade de construir conjuntos de países . pode-se dizer que. ela pode adotar a forma de exportações. Localização e Internalização são complementares entre si. os elementos Propriedade. que a empresa inicia as operações internacionais com base no critério da minimização da distância psíquica.  Da forma como Dunning (1977.

a equação (1) pode ser reescrita como: (2) As equações 1 e 2 são igualmente obtidas estabelecendo um procedimento inverso: se dois países oferecem o mesmo conjunto de vantagens quando a empresa se internacionaliza. Como não há uma unidade básica de referência. em que os elementos constitutivos do índice representam na forma propriedade. mas de forma pragmática. o critério da empresa é verificar qual grupo de países. nesse caso. integrando a visão da Escola de Uppsala e do Paradigma Eclético. tomando como critério a capacidade que eles têm em oferecer tais vantagens. a empresa poderá compor um índice ponderado para cada país . . Localização e Internalização). Assim. dentre o conjunto . ela está interessada em encontrar um país no qual tais vantagens possam ser concretizadas. verificar aquele que possui o maior mercado para onde ela possa escoar sua produção. Tomando como base o nível mais elementar de internacionalização. todos os países dentro do conjunto resultante da estratégia são indiferentes à empresa. de forma geral. ela ainda necessita de um segundo critério de escolha. possui a maior combinação desses elementos. com base na distância psíquica. o conjunto com a menor distância psíquica. por exemplo. mesmo assumindo a racionalidade limitada e fatores de incerteza atrelados às operações internacionais. a empresa escolherá o país para sua atividade internacional. a estratégia consiste em . o nível de escolha não é mais o país e sim um conjunto. a empresa deve iniciar suas atividades internacionais por algum país pertencente ao o conjunto . só faz sentido quando se estabelece comparações entre os países. Quando se depara com esse problema. o Paradigma Eclético passa a orientar as decisões da empresa pelo critério das vantagens OLI (Propriedade. a empresa está interessada em maximizar algum critério que justifique sua inserção nos mercados internacionais. um dos critérios de escolha da empresa pode ser. a estratégia de internacionalização (EI) da empresa pode ser definida como: (1) Dado que a maximização e a minimização são operações inversas. No entanto. 6   . De forma combinada. Dessa forma. se relação à Localização ( ) à empresa é maior do que o país . Do ponto de vista da empresa. Se. os países se distinguem entre si pela intensidade das vantagens. No caso do investimento direto externo.  pode existir sub-conjuntos de de tal forma que eles possam ser novamente ordenados pelo critério da distância psíquica. A dimensão do mercado. a vantagem que o país oferece em Sendo e dois países quaisquer. a empresa está interessada em maximizar as vantagens que pode obter ao se internacionalizar. a exportação. seja o que apresente países Supondo que pelo critério de minimização. Dessa forma. é possível dizer que. mas por qual dos países pertencentes a ? A elaboração dos conjuntos e sua ordenação tornam mais simples o critério de escolha da empresa. a estratégia da empresa consiste agora em escolher o Escolhido o conjunto país que lhe conceda o maior nível de vantagens. 1988). está tanto relacionada com a população quanto com o nível de renda. Portanto. independente do tipo de internacionalização a que a empresa se propõe. Portanto. . Caso o interesse da empresa estiver voltado em uma combinação entre vantagens. localização e internalização. há a necessidade da combinação dos três tipos de vantagens (DUNNING. Muitos elementos orientam as vantagens para uma empresa se inserir no mercado internacional. Logo.

. é possível perceber que a empresa escolhe uma estratégia conjunta entre as vantagens e as condições de acesso quando opta pelo ingresso em mercados internacionais. quer seja para ampliar a intensidade das relações que já estão estabelecidas com um determinado país. é possível afirmar que: (4) Como é possível observar pelo conjunto de equações. as ações estratégicas da empresa operam simultaneamente entre a minimização e a maximização. isso não impede que a trajetória de internacionalização seja seqüencial. ela deve adotar uma nova estratégia minmax. pois não há uma relação intertemporal clara. A a estratégia de internacionalização pode ser explicada com base em elementos que representam a distância psíquica e as vantagens OLI. Tabela 1: Variáveis de Integração das Abordagens Variável ID TERR POP PIB EXP IMP CONT LINGUA DIST Representação Investimento Direto Brasileiro . com exceção do Brasil) e i=2001.Variável de interesse Área Territorial População Renda Exportações (FOB) Importações (FOB) Contiguidade Territorial Penetração Linguística Distância entre as capitais Critério Fonte Banco Central do Brasil Maximização Maximização Maximização Maximização Maximização Minimização FMI FMI FMI Banco Central do Brasil Banco Central do Brasil Construção do autor Minimização Construção do autor Minimização CEPII 7   . foi construído um modelo sintético (equação 5) visando captar os diversos elementos que servem de mensuração para as empresas detectarem as vantagens que cada país pode oferecer. 2006. (5) Em que t =32 (os países que compõem os três continentes americanos. No entanto. que ela primeiro escolha os países pelo critério da distância psíquica (ou das vantagens obtidas) e na sequencia pelo critério das vantagens obtidas (ou da distância psíquica). A dinamicidade está relacionada ao fato de que para cada passo que a empresa execute. As variáveis do modelo e seus detalhamentos são apresentados na Tabela 1. Ou seja. aparentemente os critérios de escolha são tomados simultaneamente. ou seja. . quer seja para expandir em outros países.. TESTE EMPÍRICO Com o propósito de validar a equação 1.. a estratégia de internacionalização da empresa se torna: (3) Portanto.  qual deles oferece as melhores condições de acesso? Assim. Pelas equações 1 e 2.

PIB.  As variáveis presentes na Tabela 1 são assim definidas. portanto. ou seja. o Brasil só não tem vizinhança com 3 deles. Dos países da América do Sul. Para a variável LINGUA. testa a ausência dos efeitos individuais. e de Hausman (Greene. mas se ui é correlacionado com os regressores. a abordagem pertinente é utilizar modelos econométricos que exploram as características cross-section ao longo do tempo. Acredita-se que quanto maior a extensão territorial. Uma das vantagens desse modelo é possibilitar “ao pesquisador investigar efeitos econômicos que não podem ser identificados apenas com o uso de dados em corte transversal ou apenas com o uso de séries temporais” (Pindyck & Rubinfeld. foi utilizado o critério de proximidade linguística (mesma língua = 0. está-se diante do modelo de Efeito Aleatório. Para testar a pertinência dos modelos. as quais podem ser observadas ou não observadas. A variável CONT expressa vizinhança. 2003). o modelo de Efeitos Aleatórios será preferível ao modelo Pooled. Se essa hipótese for rejeitada. Se o erro ui for não correlacionado com os regressores. menor deve ser a distância psíquica. do Multiplicador de Lagrange. Existem K variáveis exógenas em xit. Dessa forma. levando em consideração o conjunto de variáveis e também os tipos de dados relacionados à ela. ou seja. A não rejeição dessa hipótese indica que o estimador de Efeitos Fixos deve ser preferido. Já o teste de Hausman verifica se a hipótese de que os efeitos individuais não observáveis são correlacionados com as variáveis explanatórias do modelo. portanto. não incluindo o termo constante. 2004. se dois países têm fronteira comum. A grande maioria dos países dos três continentes americanos tem como língua materna o espanhol. EXP e IMP estão relacionadas com as vantagens que uma empresa pode obter no exterior. POP. LINGUA e DIST são as proxies para mensurar a distância psíquica. o modelo de painel de dados. A heterogeneidade. O erro ui é ou não correlacionado com os regressores xit e zi. como proposto por Baum (2006). POP e PIB buscam mensurar o tamanho do Mercado através do tamanho da população e da sua renda para consume. o efeito individual é simplesmente parametrizado como um distúrbio aleatório adicional. é representada por zi'δ. são utilizados os testes F de Chow. Utilizando a notação matricial. então o modelo é de Efeito Fixo. ele testa a ortogonalidade entre o Efeito Aleatório e as variáveis explicativas do modelo. língua próxima = 1. a estrutura básica do modelo de regressão que utiliza painel de dados é: (6) em que: yit é a variável endógena referente ao país i no ano t. considerando que quanto menor a distância. ou seja. O teste do Multiplicador de Lagrange avalia a hipótese de que a variância dos resíduos que refletem diferenças individuais é igual a zero. p. que foi julgada próxima da língua portuguesa. O significado do termo Efeito Aleatório se deve ao fato de que quando ui não está correlacionado com os regressores do modelo. maior será a probabilidade dessa região possuir vantagens associadas a recursos. EXP e IMP representam a entrada e saída de capital. O teste F de Chow verifica se todos os termos constantes da regressão são zero. ou também chamado efeito individual. 288). Vale ressaltar que as variáveis TERR. 8   . TERR está associada à quantidade de recursos presents na região. desenvolvido por Breusch e Pagan. a melhor estimativa é pelo modelo de regressão Pooled. língua muito distante = 3). para esses países foram atribuídos o valor 1. E as variáveis CONT. Para verificar empiricamente a aderência da teoria proposta. sendo que zi contém um termo constante e um conjunto de variáveis específicas de cada unidade cross-section. representada por uma equação. língua distante = 2. DIST mensura a distância entre as capitais.

mostra que o modelo de Efeito Fixo é preferível ao de Efeito Aleatório. E o teste de Hausman. Isso pode estar relacionado com o fato do próprio Brasil ser um país de grande dimensão territorial e com elevada disponibilidade de recursos naturais. maior será a média 9   .bcb. No modelo estimado.asp?idpai=invedir Diante dos modelos de regressão que existem para dados em painel. no entanto. enquanto que. os dados dos Investimentos Diretos do Brasil no Exterior (ver Figura 1) não apresentam tendência ou mesmo ciclo. Recuperado em 10 março. Investimento Estrangeiro Direto. o investimento foi o mais modesto de todo o período. Figura 1. 2006.gov. é possível observar que há uma ligeira tendência de queda dos investimentos nos anos pares. Dessa forma. Estabelecendo uma divisão entre anos ímpares e pares. as variáveis incluídas no modelo se mostraram significativas estatisticamente. de http://www. Pressupõe-se que mercados mais desenvolvidos e estruturados oferecem maiores oportunidades para investimentos diretos (Chesnay. uma grande ruptura nesses dois últimos anos. O mesmo é válido para o modelo de Efeito Aleatório. A inclusão dela no modelo se justifica pelo fato de que quanto maior a área territorial de um país. é pertinente testar qual dos modelos é o mais eficiente (ver parte inferior da Tabela 2). curiosamente. O resultado do teste F de Chow é significativo. contrastando. A única exceção foi a variável TERR. No entanto. Isso mostra que para o caso das multinacionais brasileiras. isso mostra que o modelo de regressão de Efeito Fixo é preferível ao modelo de regressão Pooled. as análises a seguir tomarão como base o modelo de regressão de Efeito Fixo.br/rex/IED/Port/ingressos/htms/index2.  RESULTADOS De forma geral. A inclusão da variável PIB no modelo se deve ao fato dela captar a dimensão do mercado. por não ser significativo. Vale também ressaltar que o R2 ajustado também é elevado. quanto menor o PIB dos países. maior é a possibilidade de ali conter recursos naturais que estimulem a exploração (vantagem de localização) de empresas estrangeiras. essa variável é significativa estatisticamente. no período compreendido entre 2001 e 2006. E no ano seguinte. Evolução do Investimento Direto Brasileiro (US$ milhões) Nota Fonte: Banco Central do Brasil (2010). 1996). para os investimentos diretos brasileiros esse não é um fator relevante. No ano de 2005 é possível observar que houve um aumento significativo dos valores investidos. De forma geral. evidenciando que o modelo tem boa capacidade de explicação e de previsão. pois o teste de Breush e Pagan também foi significativo. o seu sinal contraria o esperado. nos anos ímpares essa tendência é de crescimento acentuado. superando em mais de 100% os valores do ano de 2003. Isso faz com que as empresas nacionais não precisem se internacionalizar para poder explorar tais recursos. 2010.

001 Tanto a variável EXP quanto IMP mostram as relações comerciais já consolidadas que as empresas brasileiras têm com os demais países.90E+09*** (6.42) 192 R2 ajustado 0. Esse fato levanta a possibilidade de que as empresas brasileiras. valores altamente significativos p < . Ela se mostrou significativa estatisticamente.61) -1.29) 192 0.90) 9.95) 8. que mensura a distância geográfica entre as capitais. há evidências de que a matriz dos investimentos diretos brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa. Tabela 2 Resultados do Modelo de Regressão Para os Investimentos Diretos Brasileiros nas Américas Modelo de Regressão Variáveis Explicativas POP PIB TERR EXP IMP CONT LINGUA Regressão Pooled 87.19E+10*** (-6.07E+10** (2. Ambas se mostraram significativas estatisticamente.01) Sem estimativa 4157485*** (4.3713 (0. quanto 10   . estatística t de Student *valores significativos p < 0.8002 Observações 192 Sem estimativa 4391531*** (3.26) 4. menor a distância psíquica e maior também o nível de investimento direto.98) 1.95) 8. o investimento direto é o mecanismo para internalizar a operação internacional que a empresa já executava por meios mais simples.3287* (1.87) 367. uma fase anterior do investimento direto.7408*** (8. Por ser significativa estatisticamente.41E+09*** (6. pode-se afirmar. Dessa forma.87E+10** (2.1.79) Efeito Fixo Efeito Aleatório 91.01E+10** (2. Entre parênteses.09E+10*** (-5.77E+10*** (-5. associando com a variável PIB. Esse resultado também é captado pela variável DIST.4188*** (7. sendo que EXP a 1% e IMP a 5%.7991 0.61) -1.83) -6. com certa confiança.57) 371.52) -6.11) -1. pois a opção para países mais estruturados acarretaria na anulação de suas vantagens de propriedade.71 Nota. buscam por países cujas estruturas produtivas ainda não estão consolidadas. para o caso brasileiro.15) 5.76) 5.79*** Teste de Hausman 0.15E+09* (2.82) 90.6380** (8. que ela representa.32*** Teste de Breush e Pagan 53.71) Sem estimativa 4256731*** (3. reforçando o resultado da variável PIB.01) -7.09) 2.8105 DIST Constante Test F (Chow) 118.05. a variável POP capta as dimensões do mercado.53E+10*** (-5. ela diz que quanto maior a vizinhança. Particularmente sobre as exportações.07) 388.20E+09*** (5.96E+09* (1.  de investimento. evidenciando que os investimentos externos brasileiros caminham para países populosos.723 (0. Da mesma forma que a variável PIB.016E+09* (1.13E+10*** (-5. Dessa forma. A variável CONT representa a proximidade imediata com outros países. ** valores muito significativos p < .01E+10*** (-5. Dessa forma as exportações e importações mostram que o contato com outros países é significativamente importante para a realização do investimento direto. decorrente de que estão em um nível de competitividade global intermediário. No entanto.25) 2.

no caso das multinacionais brasileiras. esse fato pode ser explicado pelo nível de competitividade global intermediário das empresas brasileiras. Além das duas variáveis anteriores que mensuram a distância cultural. o desconhecido. Com o artigo. Nesse sentido. EXP. da abordagem econômica de internacionalização. a variância tende a zero. DIST) e aquelas que maximizam resultado estão relacionadas ao Paradigma Eclético (TERR. Porém. a integração mostra caminhos estrategicamente melhor estruturados para empresas que buscam internacionalizar suas atividades. A variável POP. Além disso. PIB. nesse caso.  menor for a distância entre capitais. Contrário às expectativas. Outras pesquisas. quanto menor o PIB dos países. necessitam ser feitas para mostrar a utilidade desse modelo na previsão de uma internacionalização de sucesso. Como. como pregado pela Escola de Uppsala. mostrou-se significativa estatisticamente. 11   . POP. e o Paradigma Eclético. contudo. maior será a média de investimento. A hipótese sobre o seu comportamento é de que quanto mais próxima for a língua. Por meio desse modelo. o que presume menor distância psíquica. pelo fato da imensa maioria dos países incluídos na análise de regressão ter como língua materna o espanhol. encontrando dessa forma um mercado onde tais empresas poderiam ser competitivas sem necessariamente realizar algum tipo de mudança tecnológica. a escolha final do mercado-alvo se dá através do Paradigma Eclético. conforme defendido pela Escola de Uppsala. que representa a proximidade lingüística. Acredita-se que. Levando em consideração as explicações de Dunning (2000) sobre as vantagens de propriedade. face a um conjunto de mercados próximos. Parte-se do pressuposto de que as teorias de internacionalização são complementares entre si. baseado em fatores tangíveis. a variável PIB mostrou um comportamento inverso. maior serão os investimentos. O teste empírico revelou a possibilidade de uma integração possível entre as duas teorias de internacionalização. CONCLUSÕES O presente artigo pretendeu conciliar duas abordagens consideradas excludentes pela literatura: a Escola de Uppsala. Isto é. IMP). Para fins de pesquisa. LINGUA. Logo. o modelo inclui a variável LINGUA. passa a se tornar passível de planejamento. que capta as dimensões do mercado. em um primeiro momento a empresa inicia suas atividades pelos mercados de menor distância psíquica. as empresas terão uma ferramenta para pensar em cenários alternativos de países para sua internacionalização. elas buscariam se internacionalizar para países cujas estruturas produtivas ainda não estariam consolidadas. se analisadas PIB e POP em conjunto pode-se dizer que há evidências de que a matriz dos investimentos diretos brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa. da abordagem processual. foi elaborado e testado empiricamente um modelo econométrico com oito variáveis onde as variáveis que minimizam a distância estão associadas à Escola de Uppsala (CONT. que é a necessidade de variância da variável explicativa. maior será o nível de investimento direto. mostrando uma utilização empírica em empresas. Mais do que isso. pretendeu-se trazer uma primeira aproximação entre as escolas. isso causou a violação de uma das hipóteses básicas da regressão. a grande questão colocada pelos empresários de porque internacionalizar passa a ter respostas calcadas em um real planejamento estratégico. evidenciando que os investimentos externos brasileiros caminham para países populosos. não foi possível calcular as estimativas para ela. No entanto.

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