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Integrando as Abordagens de Uppsala e do Paradigma Eclético: um modelo
econométrico
Autoria: Rodolfo Coelho Prates, Zandra Balbinot

Resumo
O presente trabalho propõe estabelecer uma integração teórica entre duas das principais
abordagens de internacionalização: a abordagem processual e a abordagem econômica. Para
tal, escolheu-se seus maiores representantes, ou seja, a Escola de Uppsala e o modelo
desenvolvido por Johanson e Vahlne (1977) para a primeira abordagem; e para a segunda, o
Paradigma Eclético elaborado por Dunning (1977). Parte-se da premissa de que ambas as
teorias são complementares, e não substitutas, e, portanto, passíveis de integração. Acredita-se
que, conforme defendido pela Escola de Uppsala, em um primeiro momento a empresa inicia
suas atividades pelos mercados de menor distância psíquica, contudo, face a um conjunto de
mercados próximos, a escolha final do mercado-alvo se dá através do Paradigma Eclético. O
resultado da integração é a construção de uma equação matemática que combina as duas
teorias. Para testar a validade da equação, foi construído um modelo empírico simplificado de
regressão por meio de dados em painel, tomando como base os investimentos diretos
brasileiros nos países das três Américas. Oito variáveis fazem parte do modelo. Dessa
variáveis, três estão associadas à distância psíquica e são chamadas de minimizadoras
(CONT, LINGUA, DIST) e cinco estão associadas à maximização do resultado (TERR, POP,
PIB, EXP, IMP). Contrário às expectativas, a variável PIB mostrou um comportamento
inverso. Isto é, no caso das multinacionais brasileiras, quanto menor o PIB dos países, maior
será a média de investimento. Levando em consideração as explicações de Dunning (2000)
sobre as vantagens de propriedade, esse fato pode ser explicado pelo nível de competitividade
global intermediário das empresas brasileiras. Nesse sentido, elas buscariam se
internacionalizar para países cujas estruturas produtivas ainda não estariam consolidadas,
encontrando dessa forma um mercado onde tais empresas poderiam ser competitivas sem
necessariamente realizar algum tipo de mudança tecnológica. A variável POP, que capta as
dimensões do mercado, mostrou-se significativa estatisticamente, evidenciando que os
investimentos externos brasileiros caminham para países populosos. Porém, se analisadas PIB
e POP em conjunto pode-se dizer que há evidências de que a matriz dos investimentos diretos
brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa. Acredita-se que o teste
empírico do modelo revelou a possibilidade de uma integração possível entre as duas teorias
de internacionalização. Tal modelo poderá ser grande valia para empresas que desejam se
internacionalizar, pois através da integração dessas abordagens, as empresas poderão traçar
cenários estrategicamente melhor estruturados possibilitando obter uma internacionalização
de maior sucesso.

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McDougall & Baume. Ohlin. o processo de internacionalização e a distância psíquica da Escola Nórdica (Johanson & Vahlne. as redes de relacionamentos (Johanson & Mattsson. 1977). Com a intensificação das trocas entre países diferentes autorespassaram a estudo o fenômeno das trocas internacionais sobre o ponto de vista das vantagens comparativas dos países associadas aos recursos presentes em cada localização (Smith. como o isomorfismo – dentro da teoria institucional (Davis. Percebe-se que vários esforços vêm sendo realizados na busca dessa integração. Ricardo. Dunlap-Hinkler. de forma brilhante. além de permitir uma escala de compreensão mais ampla. No entanto. Nesse sentido. restrita a seu Paradigma Eclético. utilizando como lente de integração o Paradigma Eclético (Dunning. 1977). a teoria do ciclo de vida do produto (Vernon. Reid. por exemplo. 2007) e a aliança estratégica (Robson. questões relacionadas ao empreendedorismo internacional (Oviat & Mcdougall. a integração parece sempre passar pela dominação de uma abordagem sobre a outra. Essa tarefa se justifica por possibilitar que o avanço teórico se torne mais compreensível. Os estudos têm abordado diferentes facetas da internacionalização das empresas. a abordagem econômica. com o propósito de sedimentá-las. ou seja. a transferência de conhecimento (Kotabe. a entrada das empresas nos mercados externos por estágios (Bilkey & Tesar. a teoria da internalização (Buckley & Casson. e. Jones & Coviello. No Brasil. entendendo que as teorias de internacionalização são complementares entre si. 1776. 2   . Dunning (2000) encontra um espaço para a abordagem processual. os valores transacionados.  INTRODUÇÃO As primeiras discussões teóricas sobre comércio internacional datam do século XVI e XVII. A multiplicidade de temas e correlações revelam a complexidade intrínseca desse objeto de estudo. o Paradigma Eclético (Dunning. Desai & Francis. enquanto discussão voltada para a distância psíquica tal como analisada por Johanson e Vahlne (1977). e o poder que as empresas adquiriram levaram diferentes autores a desenvolver pesquisas que pudessem interpretar especificamente o fenômeno da internacionalização que assumia proporções crescentes. 1977). Dunning foi o primeiro a experimentar um diálogo amplo e conciliador entre as diversas teorias. Pode-se mencionar uma diversidade muito extensa de temas e teorias. 1998). conciliar os dois lados da moeda. 1987). 1976. vista pelo Paradigma Eclético (Dunning. seguro e robusto. 1977. por exemplo. Paparoidamis. e a abordagem processual. os estudos que correlacionam a internacionalização com outros temas. durante o período do mercantilismo. Rezende e Versiani procuraram mostrar duas perspectivas presents dentro da abordagem processual (2010). apesar de alguns esforços realizados pela literatura. Cavusgil. mais recentemente. Após a Segunda Guerra Mundial. o presente trabalho busca. 1983). sem contar. A magnitude dos recursos. a teoria dos custos de transação (Williamson. porém. tanto de magnitude quanto em importância. 2000). como. 2009). de outro. 2006. de um lado. ). no processo de decisão da internacionalização das atividades de uma empresa. recentemente. houve um intenso avanço da internacionalização de empresas. Johanson & Vahlne. 1994. 1975. 1966). 2005). Claramente. através de um modelo econométrico. Parente. Um olhar um pouco mais global sobre esses trabalhos revela a multiplicidade de temas sobre o mesmo objeto. 1980). Contudo. pois ele pode (e deve) ser analisado por diferentes primas teóricos e metodológicos. podendo ser divididos em teorias voltadas para o investimento direto no exterior (IDE) e aquelas mais direcionadas ao estudo da dinâmica da internacionalização (Laanti. & Mashra. 2005. 2009). Welch & Welch. sistematizá-las e integrálas. 2000). em algum momento no avançar dos estudos surge a necessidade de repensar as diferentes linhas. & Ginoglou. Heckscher.

debatida sobretudo nos seus primórdios pelos pesquisadores suecos da Universidade de Uppsala. Uma do campo organizacional. além desta introdução. em teoria. Nascendo desse forma.  A justificativa maior dessa pesquisa reside no fato de que juntas. educação e práticas de negócio. a fim de minimizar as perdas em uma operação de menor certeza que a local. O artigo está estruturado em quatro partes. utilizando como modo de entrada aquele que necessitaria o menor comprometimento de recursos progredindo até o IDE. Outro argumento que levaria as empresas a se internacionalizarem a regiões de menor distância psíquica está relacionado aos recursos pertencentes a essa organização. visto possuir uma racionalidade limitada. 1976. 1983). localidades de menor disância psíquica. Com base nos trabalhos originais e nos avanços posteriores que os próprios autores realizaram. Logo. partindo de um movimento do país de menor para o de maior distância psíquica. Rugman. A distância estaria ligada às incertezas associadas às diferenças entre países em termos de língua. 1981). a empresa deve avaliar onde estão suas competências e de quais recursos dispõe. A terceira apresenta um teste empírico para validar o modelo e seus resultados e a quarta tece algumas considerações finais. Buckley & Casson. A segunda abordagem desenvolvida pelos economistas da Escola de Reading. especificamente. Na realidade. defendida por Herbert Simon (1945) que argumenta que o homem não possui acesso a todas as informações. por exemplo. 1999. as duas teorias que servem de base para a integração proposta por esse trabalho: a Escola de Uppsala de Johanson e Vahlne e o Paradigma Eclético de Dunning. abordando elementos comuns e díspares entre elas. A primeira. podemos dividir a discussão sobre internacionalização em duas abordagens principais. nada melhor do que comprometer o mínimo de recursos possível em um primeiro momento. A segunda tece as bases para a integração entre as duas teorias de internacionalização. esse comportamento seria definido por duas variáveis. ABORDAGENS DE INTERNACIONALIZAÇÃO De acordo com Andersen (1993). o executivo teria tendência a primeiramente internacionalizar seus negócios para regiões onde ele pudesse minimizar as incertezas. Reid. 1977. Esse argumento dá origem ao conceito de distância psíquica. baseado nos estudos de caso de Johanson e Weidersheim-Paul (1975) e consolidados no artigo de Johanson e Vahlne (1977). 1977. Como discutido por Penrose (1995). devam convergir em uma teoria com poder de explicação maior do que quando isoladas. toda a discussão da entrada progressiva nos mercados internacionais (Bilkey & Tesar. teria a tendência a também ver competências de sucesso daquela organização nesse novo mercado. 3   . Ou seja. onde a empresa deveria fazer uma escolha entre o controle pretendido em suas atividades internacionais em prol do grau de compromentimento nessas mesmas atividades. cultura. A primeira delas apresenta uma revisão da literatura a respeito das teorias de internacionalização. ESCOLA DE UPPSALA A abordagem processual defendida pela Escola Nórdica vê a internacionalização sob uma perspectiva comportamental. 1980. que estudavam a motivação dos fluxos de IDE realizados pelas empresas (Dunning. Cavusgil. uma localidade de menor distância psíquica. isto é. na Inglaterra. Por outro lado. serão apresentadas a seguir as características principais dessas duas correntes de internacionalização que constituem o objeto desse estudo e. fazendo com que ele não possa tomar a melhor decisão. vindas de diferentes teorias. baseada no processo de internacionalização das empresas. as abordagens de internacionalização.

Dessa forma. Esse aspecto é particularmente importante para os propósitos do presente trabalho. dado o distanciamento psíquico. em que o incremento da internacionalização depende do próprio estado de internacionalização no qual a empresa se encontra. Dunning (2000) mostrou que os motivos para internacionalização podem ser definidos em quatro categorias: (1) procura por mercado. nesse momento. deve ser de interesse da empresa combinar suas vantagens com os fatores locacionais de produção de países estrangeiros (L – Localization Advantages). (2) procura por recursos (naturais. Aliada a essa discussão. devido às imperfeições do mercado. Diante de todas essas discussões isoladas. A opção pelo mercado estrangeiro deve necessariamente gerar oportunidades de lucros que não seriam obtidos caso ela se restringisse ao seu próprio mercado doméstico. Se a primeira condição for satisfeita. Conforme adquire conhecimento e experiência. 1977. assumindo que as duas condições anteriores foram atendidas. Primeiramente. A isso. e (4) procura de vantagens estratégicas. entre outros). onde. as empresas tentam maximizar seus ganhos graças às vantagens obtidas devido a localizações diferenciadas. Além disso. Williamson (1975) e Buckley e Casson (1976) trazem outro ponto importante na decisão da localização: a questão do fazer ou comprar expresso pela teoria dos custos de transação e da internalização. a partir disso. uma empresa irá abrir uma subsidiária no exterior se necessariamente três condições são satisfeitas. PARADIGMA ECLÉTICO A abordagem econômica baseia-se na ideia de que a decisão é racional e as empresas buscam a maximização de resultados. a empresa deve internalizar (I – Internalization Advantages) essa atividade. sua inserção é gradual. aspiram por lucros crescentes e pela diminuição dos riscos. pois a aspiração por lucros crescentes e pela redução dos riscos ressalta implicitamente o caráter otimizador da empresa. mão-deobra. (3) procura por racionalização ou eficiência das atividades. p. eles aceitam que as empresas. É interessante verificar no discurso da Escola de Uppsala que. 4   . que é expresso pela posse de ativos intangíveis ou outras vantagens de governança que a empresa possui. nesse momento inicial a empresa avança suas atividades no mercado estrangeiro por meio do ingresso em países cuja estrutura funcional do mercado seja a mais similar em relação ao seu país de origem. por meio de qualquer mecanismo de transferência. o que lhe gera condições materiais e de conhecimento para avançar em outros países. E. ela compromete parcialmente seus recursos (pequeno comprometimento). acentua seu comprometimento com o país. Dunning (1977) introduz uma teoria para conciliar as diferentes questões relacionadas à internacionalização das empresas: o Paradigma Eclético. Segundo Dunning (1977). Ricardo mostrou que as atividades internacionais eram movidas pelas vantagens encontradas em um país em relação a outro (1817/2001). A primeira delas diz respeito à condição que a empresa se encontra frente a outras empresas em relação aos seus ativos. Dunning denomina de vantagem de propriedade (O – Ownership Advantage).  Ao elaborar a teoria. que outras empresas estrangeiras as utilizem. dado que a falta de conhecimento de operações externas geram riscos à empresa. E isso se dará por meio de IDE. na realidade. Rugman (1981) mostra que a atividade internacional ocorre. deve ser mais benéfico para a empresa usar suas vantagens do que permitir. 26). Ou seja. os autores propõem um modelo dinâmico de “ajustes incrementais da empresa com o ambiente” (Johanson e Vahlne. Nesse sentido. no longo prazo. Como inicialmente o mercado estrangeiro se constitui em uma espécie de enigma. apesar dos autores rejeitarem que as empresas visam executar uma estratégia otimizadora de comparar e valorar os diferentes recursos que podem ser explorados nos países estrangeiros.

pois ela trata tão somente dos fatores que orientam uma empresa a realizar investimentos diretos em países estrangeiros. De posse dessa vantagem. torna difícil a ordenação completa e consequente construção de um vetor dos países com base na distância psíquica. independente da distância geográfica. a empresa inicia suas atividades no mercado estrangeiro por meio do ingresso em países cuja estrutura funcional do mercado seja a mais similar em relação ao seu país de origem (menor distância psíquica). a exemplo de exportações esporádicas. então. O único elemento imprescindível para a internacionalização é a vantagem de propriedade. a internacionalização da empresa visa obter oportunidades de acesso a lucros crescentes. De acordo com a abordagem processual. ou seja. por exemplo. visto que a ausência de um deles inviabiliza a internacionalização. PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO TEÓRICA Segundo a Escola de Uppsala. mesmo sendo aversa ao risco (Johanson & Vahlne. os quais mantenham entre si a distância cultural do país de referência. Primeiro. pode-se dizer que. Para minimizar os riscos. ela se tornou uma teoria específica para um caso particular do processo de internacionalização. Dessa forma. Segundo. assume-se que não há diferenças entre os países que se encontram no mesmo conjunto. Definido. ela bem sabe que deve começar por países mais próximos culturalmente (menor distância psíquica). qualitativos ou por uma combinação deles. essa limitação não impede a possibilidade de construir conjuntos de países . seus elementos devem ser indiferentes entre si e não 5   . a empresa deve conhecer a distância psíquica dos países. decorrente da limitação imposta por aspectos práticos. conforme a abordagem Uppsaliana. modos de entrada que impliquem no menor comprometimento possível de recursos. como as exportações e as licenças. ela pode adotar a forma de exportações.  Da forma como Dunning (1977. No entanto. De acordo com seus principais autores. Conforme adquire conhecimento e experiência. o conjunto de países deve ser fechado e único. avança para outros países de maior distância psíquica. quer seja por meio de critérios quantitativos. os elementos Propriedade. a empresa deve ordenar os países restantes de acordo com a distância psíquica e iniciar a internacionalização pelo país cuja distância psíquica é a menor. o tipo de operação. sem ela. 1977). ela compromete o mínimo possível de seus recursos nessa atividade. Assim. Dessa forma. pois dessa forma ela também minimiza os seus riscos. que a empresa inicia as operações internacionais com base no critério da minimização da distância psíquica. é possível afirmar que no processo de internacionalização. os elementos isolados da teoria do Paradigma Eclético fornecem respaldo teórico para compreender outros tipos de internacionalização que não seja tão somente o IDE. Para isso. E caso a empresa julgue mais vantajoso internalizar as operações. não há razão que torne viável qualquer atividade em mercados estrangeiros. 1988) construiu a teoria do Paradigma Eclético. a empresa não age com base no acaso. Localização e Internalização são complementares entre si. pois os mecanismos de transação lhe são familiares. Se uma ordenação precisa é praticamente impossível de ser realizada. a empresa inicia a internacionalização por meio de operações simples. para países cuja distância psíquica seja pequena. A racionalidade limitada somada à incerteza e à dificuldade de mensurar plenamente elementos culturais e psicológicos. Isto é. a empresa pode estabelecer licenças para que empresas em mercados estrangeiros operem em seus mercados. dois são seus pressupostos principais. dessa forma. não inicia suas atividades em qualquer mercado internacional. e todos eles apresentam a mesma distância psíquica com relação ao país de origem da empresa. Pode-se entender. Assim.

. Como não há uma unidade básica de referência. mas por qual dos países pertencentes a ? A elaboração dos conjuntos e sua ordenação tornam mais simples o critério de escolha da empresa. está tanto relacionada com a população quanto com o nível de renda. Logo. a empresa escolherá o país para sua atividade internacional. A dimensão do mercado. mesmo assumindo a racionalidade limitada e fatores de incerteza atrelados às operações internacionais. 6   . Se. possui a maior combinação desses elementos. a empresa poderá compor um índice ponderado para cada país . a equação (1) pode ser reescrita como: (2) As equações 1 e 2 são igualmente obtidas estabelecendo um procedimento inverso: se dois países oferecem o mesmo conjunto de vantagens quando a empresa se internacionaliza. a empresa deve iniciar suas atividades internacionais por algum país pertencente ao o conjunto . o nível de escolha não é mais o país e sim um conjunto. tomando como critério a capacidade que eles têm em oferecer tais vantagens. o critério da empresa é verificar qual grupo de países. a estratégia consiste em . é possível dizer que. Do ponto de vista da empresa. um dos critérios de escolha da empresa pode ser. No entanto. dentre o conjunto . Tomando como base o nível mais elementar de internacionalização. Dessa forma. só faz sentido quando se estabelece comparações entre os países. em que os elementos constitutivos do índice representam na forma propriedade. verificar aquele que possui o maior mercado para onde ela possa escoar sua produção. há a necessidade da combinação dos três tipos de vantagens (DUNNING. os países se distinguem entre si pela intensidade das vantagens. nesse caso. ela está interessada em encontrar um país no qual tais vantagens possam ser concretizadas. a vantagem que o país oferece em Sendo e dois países quaisquer. a estratégia de internacionalização (EI) da empresa pode ser definida como: (1) Dado que a maximização e a minimização são operações inversas. a estratégia da empresa consiste agora em escolher o Escolhido o conjunto país que lhe conceda o maior nível de vantagens. a exportação. a empresa está interessada em maximizar algum critério que justifique sua inserção nos mercados internacionais. seja o que apresente países Supondo que pelo critério de minimização. o Paradigma Eclético passa a orientar as decisões da empresa pelo critério das vantagens OLI (Propriedade. com base na distância psíquica. se relação à Localização ( ) à empresa é maior do que o país . por exemplo. Muitos elementos orientam as vantagens para uma empresa se inserir no mercado internacional. de forma geral. integrando a visão da Escola de Uppsala e do Paradigma Eclético. Caso o interesse da empresa estiver voltado em uma combinação entre vantagens. ela ainda necessita de um segundo critério de escolha. o conjunto com a menor distância psíquica. Localização e Internalização). 1988). De forma combinada. Portanto. a empresa está interessada em maximizar as vantagens que pode obter ao se internacionalizar. . No caso do investimento direto externo. localização e internalização. mas de forma pragmática. Assim. Dessa forma.  pode existir sub-conjuntos de de tal forma que eles possam ser novamente ordenados pelo critério da distância psíquica. Portanto. Quando se depara com esse problema. independente do tipo de internacionalização a que a empresa se propõe. todos os países dentro do conjunto resultante da estratégia são indiferentes à empresa.

  qual deles oferece as melhores condições de acesso? Assim. isso não impede que a trajetória de internacionalização seja seqüencial. Ou seja. pois não há uma relação intertemporal clara. A a estratégia de internacionalização pode ser explicada com base em elementos que representam a distância psíquica e as vantagens OLI. com exceção do Brasil) e i=2001. Pelas equações 1 e 2. é possível afirmar que: (4) Como é possível observar pelo conjunto de equações. quer seja para ampliar a intensidade das relações que já estão estabelecidas com um determinado país. ou seja.Variável de interesse Área Territorial População Renda Exportações (FOB) Importações (FOB) Contiguidade Territorial Penetração Linguística Distância entre as capitais Critério Fonte Banco Central do Brasil Maximização Maximização Maximização Maximização Maximização Minimização FMI FMI FMI Banco Central do Brasil Banco Central do Brasil Construção do autor Minimização Construção do autor Minimização CEPII 7   .. ela deve adotar uma nova estratégia minmax. aparentemente os critérios de escolha são tomados simultaneamente. No entanto. é possível perceber que a empresa escolhe uma estratégia conjunta entre as vantagens e as condições de acesso quando opta pelo ingresso em mercados internacionais. A dinamicidade está relacionada ao fato de que para cada passo que a empresa execute. que ela primeiro escolha os países pelo critério da distância psíquica (ou das vantagens obtidas) e na sequencia pelo critério das vantagens obtidas (ou da distância psíquica). . Tabela 1: Variáveis de Integração das Abordagens Variável ID TERR POP PIB EXP IMP CONT LINGUA DIST Representação Investimento Direto Brasileiro . TESTE EMPÍRICO Com o propósito de validar a equação 1. foi construído um modelo sintético (equação 5) visando captar os diversos elementos que servem de mensuração para as empresas detectarem as vantagens que cada país pode oferecer. 2006... a estratégia de internacionalização da empresa se torna: (3) Portanto. (5) Em que t =32 (os países que compõem os três continentes americanos. as ações estratégicas da empresa operam simultaneamente entre a minimização e a maximização. quer seja para expandir em outros países. As variáveis do modelo e seus detalhamentos são apresentados na Tabela 1.

está-se diante do modelo de Efeito Aleatório. PIB. língua muito distante = 3). língua distante = 2. que foi julgada próxima da língua portuguesa. é representada por zi'δ. Para testar a pertinência dos modelos. LINGUA e DIST são as proxies para mensurar a distância psíquica. levando em consideração o conjunto de variáveis e também os tipos de dados relacionados à ela. 288). Para a variável LINGUA. POP. se dois países têm fronteira comum. a estrutura básica do modelo de regressão que utiliza painel de dados é: (6) em que: yit é a variável endógena referente ao país i no ano t. são utilizados os testes F de Chow. Uma das vantagens desse modelo é possibilitar “ao pesquisador investigar efeitos econômicos que não podem ser identificados apenas com o uso de dados em corte transversal ou apenas com o uso de séries temporais” (Pindyck & Rubinfeld. Existem K variáveis exógenas em xit. maior será a probabilidade dessa região possuir vantagens associadas a recursos. A grande maioria dos países dos três continentes americanos tem como língua materna o espanhol.  As variáveis presentes na Tabela 1 são assim definidas. testa a ausência dos efeitos individuais. ou seja. Já o teste de Hausman verifica se a hipótese de que os efeitos individuais não observáveis são correlacionados com as variáveis explanatórias do modelo. o Brasil só não tem vizinhança com 3 deles. POP e PIB buscam mensurar o tamanho do Mercado através do tamanho da população e da sua renda para consume. TERR está associada à quantidade de recursos presents na região. Dos países da América do Sul. foi utilizado o critério de proximidade linguística (mesma língua = 0. A variável CONT expressa vizinhança. O teste F de Chow verifica se todos os termos constantes da regressão são zero. o efeito individual é simplesmente parametrizado como um distúrbio aleatório adicional. ele testa a ortogonalidade entre o Efeito Aleatório e as variáveis explicativas do modelo. o modelo de Efeitos Aleatórios será preferível ao modelo Pooled. a abordagem pertinente é utilizar modelos econométricos que exploram as características cross-section ao longo do tempo. DIST mensura a distância entre as capitais. O erro ui é ou não correlacionado com os regressores xit e zi. A não rejeição dessa hipótese indica que o estimador de Efeitos Fixos deve ser preferido. EXP e IMP estão relacionadas com as vantagens que uma empresa pode obter no exterior. Dessa forma. então o modelo é de Efeito Fixo. para esses países foram atribuídos o valor 1. desenvolvido por Breusch e Pagan. não incluindo o termo constante. E as variáveis CONT. do Multiplicador de Lagrange. mas se ui é correlacionado com os regressores. portanto. Vale ressaltar que as variáveis TERR. O teste do Multiplicador de Lagrange avalia a hipótese de que a variância dos resíduos que refletem diferenças individuais é igual a zero. a melhor estimativa é pelo modelo de regressão Pooled. Se essa hipótese for rejeitada. como proposto por Baum (2006). sendo que zi contém um termo constante e um conjunto de variáveis específicas de cada unidade cross-section. o modelo de painel de dados. considerando que quanto menor a distância. 2004. e de Hausman (Greene. representada por uma equação. língua próxima = 1. ou também chamado efeito individual. 8   . p. EXP e IMP representam a entrada e saída de capital. menor deve ser a distância psíquica. Acredita-se que quanto maior a extensão territorial. Se o erro ui for não correlacionado com os regressores. 2003). Utilizando a notação matricial. ou seja. Para verificar empiricamente a aderência da teoria proposta. O significado do termo Efeito Aleatório se deve ao fato de que quando ui não está correlacionado com os regressores do modelo. A heterogeneidade. as quais podem ser observadas ou não observadas. portanto. ou seja.

enquanto que. A inclusão da variável PIB no modelo se deve ao fato dela captar a dimensão do mercado. Pressupõe-se que mercados mais desenvolvidos e estruturados oferecem maiores oportunidades para investimentos diretos (Chesnay. maior será a média 9   . Figura 1. E no ano seguinte. é possível observar que há uma ligeira tendência de queda dos investimentos nos anos pares. para os investimentos diretos brasileiros esse não é um fator relevante. No ano de 2005 é possível observar que houve um aumento significativo dos valores investidos. 2006. evidenciando que o modelo tem boa capacidade de explicação e de previsão. A inclusão dela no modelo se justifica pelo fato de que quanto maior a área territorial de um país. pois o teste de Breush e Pagan também foi significativo. 1996). nos anos ímpares essa tendência é de crescimento acentuado. isso mostra que o modelo de regressão de Efeito Fixo é preferível ao modelo de regressão Pooled. Dessa forma. No entanto. uma grande ruptura nesses dois últimos anos. no entanto.bcb. por não ser significativo. Isso mostra que para o caso das multinacionais brasileiras. Recuperado em 10 março. A única exceção foi a variável TERR. De forma geral. os dados dos Investimentos Diretos do Brasil no Exterior (ver Figura 1) não apresentam tendência ou mesmo ciclo. O resultado do teste F de Chow é significativo. Evolução do Investimento Direto Brasileiro (US$ milhões) Nota Fonte: Banco Central do Brasil (2010). E o teste de Hausman. Isso pode estar relacionado com o fato do próprio Brasil ser um país de grande dimensão territorial e com elevada disponibilidade de recursos naturais. as variáveis incluídas no modelo se mostraram significativas estatisticamente. maior é a possibilidade de ali conter recursos naturais que estimulem a exploração (vantagem de localização) de empresas estrangeiras. o investimento foi o mais modesto de todo o período.gov. de http://www.  RESULTADOS De forma geral. quanto menor o PIB dos países. no período compreendido entre 2001 e 2006. Isso faz com que as empresas nacionais não precisem se internacionalizar para poder explorar tais recursos. contrastando. Vale também ressaltar que o R2 ajustado também é elevado. Investimento Estrangeiro Direto. essa variável é significativa estatisticamente. o seu sinal contraria o esperado.br/rex/IED/Port/ingressos/htms/index2. mostra que o modelo de Efeito Fixo é preferível ao de Efeito Aleatório. No modelo estimado. O mesmo é válido para o modelo de Efeito Aleatório. 2010. é pertinente testar qual dos modelos é o mais eficiente (ver parte inferior da Tabela 2). as análises a seguir tomarão como base o modelo de regressão de Efeito Fixo.asp?idpai=invedir Diante dos modelos de regressão que existem para dados em painel. superando em mais de 100% os valores do ano de 2003. curiosamente. Estabelecendo uma divisão entre anos ímpares e pares.

pode-se afirmar.76) 5.25) 2.82) 90.016E+09* (1.53E+10*** (-5.83) -6.61) -1.7991 0.41E+09*** (6. buscam por países cujas estruturas produtivas ainda não estão consolidadas. Dessa forma. uma fase anterior do investimento direto.01E+10** (2. Dessa forma. a variável POP capta as dimensões do mercado.32*** Teste de Breush e Pagan 53. para o caso brasileiro.95) 8.52) -6. Ela se mostrou significativa estatisticamente.79*** Teste de Hausman 0. No entanto. quanto 10   . sendo que EXP a 1% e IMP a 5%. Dessa forma as exportações e importações mostram que o contato com outros países é significativamente importante para a realização do investimento direto.19E+10*** (-6. há evidências de que a matriz dos investimentos diretos brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa.96E+09* (1.71) Sem estimativa 4256731*** (3.87) 367.3713 (0.20E+09*** (5.61) -1.87E+10** (2.8105 DIST Constante Test F (Chow) 118. reforçando o resultado da variável PIB. o investimento direto é o mecanismo para internalizar a operação internacional que a empresa já executava por meios mais simples. ela diz que quanto maior a vizinhança. com certa confiança.79) Efeito Fixo Efeito Aleatório 91. Esse fato levanta a possibilidade de que as empresas brasileiras.001 Tanto a variável EXP quanto IMP mostram as relações comerciais já consolidadas que as empresas brasileiras têm com os demais países. Entre parênteses.29) 192 0.13E+10*** (-5. que ela representa.71 Nota.7408*** (8. estatística t de Student *valores significativos p < 0. ** valores muito significativos p < . A variável CONT representa a proximidade imediata com outros países.15) 5.11) -1.90) 9. evidenciando que os investimentos externos brasileiros caminham para países populosos.07) 388.8002 Observações 192 Sem estimativa 4391531*** (3.57) 371. Da mesma forma que a variável PIB. decorrente de que estão em um nível de competitividade global intermediário.77E+10*** (-5.07E+10** (2. Particularmente sobre as exportações.01E+10*** (-5.4188*** (7. Tabela 2 Resultados do Modelo de Regressão Para os Investimentos Diretos Brasileiros nas Américas Modelo de Regressão Variáveis Explicativas POP PIB TERR EXP IMP CONT LINGUA Regressão Pooled 87.90E+09*** (6.09) 2. valores altamente significativos p < .01) Sem estimativa 4157485*** (4. Por ser significativa estatisticamente.3287* (1. Esse resultado também é captado pela variável DIST.98) 1.26) 4.09E+10*** (-5. menor a distância psíquica e maior também o nível de investimento direto. Ambas se mostraram significativas estatisticamente.723 (0.42) 192 R2 ajustado 0.15E+09* (2.01) -7.05.1.95) 8. associando com a variável PIB.6380** (8.  de investimento. que mensura a distância geográfica entre as capitais. pois a opção para países mais estruturados acarretaria na anulação de suas vantagens de propriedade.

conforme defendido pela Escola de Uppsala. CONCLUSÕES O presente artigo pretendeu conciliar duas abordagens consideradas excludentes pela literatura: a Escola de Uppsala. pretendeu-se trazer uma primeira aproximação entre as escolas. contudo. maior serão os investimentos. da abordagem processual. Porém. mostrando uma utilização empírica em empresas. passa a se tornar passível de planejamento. isso causou a violação de uma das hipóteses básicas da regressão. em um primeiro momento a empresa inicia suas atividades pelos mercados de menor distância psíquica. a integração mostra caminhos estrategicamente melhor estruturados para empresas que buscam internacionalizar suas atividades. Logo. Levando em consideração as explicações de Dunning (2000) sobre as vantagens de propriedade. se analisadas PIB e POP em conjunto pode-se dizer que há evidências de que a matriz dos investimentos diretos brasileiros está assentada em países com renda per capita baixa. que capta as dimensões do mercado. quanto menor o PIB dos países. encontrando dessa forma um mercado onde tais empresas poderiam ser competitivas sem necessariamente realizar algum tipo de mudança tecnológica. 11   . Mais do que isso. o desconhecido. Isto é. pelo fato da imensa maioria dos países incluídos na análise de regressão ter como língua materna o espanhol. mostrou-se significativa estatisticamente. que é a necessidade de variância da variável explicativa. as empresas terão uma ferramenta para pensar em cenários alternativos de países para sua internacionalização. maior será o nível de investimento direto. a grande questão colocada pelos empresários de porque internacionalizar passa a ter respostas calcadas em um real planejamento estratégico. maior será a média de investimento.  menor for a distância entre capitais. DIST) e aquelas que maximizam resultado estão relacionadas ao Paradigma Eclético (TERR. o modelo inclui a variável LINGUA. Além das duas variáveis anteriores que mensuram a distância cultural. Parte-se do pressuposto de que as teorias de internacionalização são complementares entre si. Para fins de pesquisa. IMP). Acredita-se que. face a um conjunto de mercados próximos. e o Paradigma Eclético. A variável POP. POP. elas buscariam se internacionalizar para países cujas estruturas produtivas ainda não estariam consolidadas. Como. No entanto. a variável PIB mostrou um comportamento inverso. Outras pesquisas. a variância tende a zero. EXP. foi elaborado e testado empiricamente um modelo econométrico com oito variáveis onde as variáveis que minimizam a distância estão associadas à Escola de Uppsala (CONT. Nesse sentido. que representa a proximidade lingüística. LINGUA. não foi possível calcular as estimativas para ela. da abordagem econômica de internacionalização. como pregado pela Escola de Uppsala. o que presume menor distância psíquica. nesse caso. necessitam ser feitas para mostrar a utilidade desse modelo na previsão de uma internacionalização de sucesso. Contrário às expectativas. esse fato pode ser explicado pelo nível de competitividade global intermediário das empresas brasileiras. a escolha final do mercado-alvo se dá através do Paradigma Eclético. evidenciando que os investimentos externos brasileiros caminham para países populosos. PIB. A hipótese sobre o seu comportamento é de que quanto mais próxima for a língua. O teste empírico revelou a possibilidade de uma integração possível entre as duas teorias de internacionalização. no caso das multinacionais brasileiras. Por meio desse modelo. Com o artigo. baseado em fatores tangíveis. Além disso.

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