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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

CENTRO DE ARTES, HUMANIDADES E LETRAS
ARTES VISUAIS

DEISIANE BARBOSA
HELOISA FRANÇA
JAMILE MENEZES
KELVIN MARINHO

PERFORMANCE: A ARTE HÍBRIDA E SUA ESTÉTICA

Cachoeira
2012

do curso de Artes Visuais. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.DEISIANE BARBOSA HELOISA FRANÇA JAMILE MENEZES KELVIN MARINHO PERFORMANCE: A ARTE HÍBRIDA E SUA ESTÉTICA Artigo apresentado à disciplina de História da Arte Moderna e Contemporânea. como requisito avaliativo. Dilson Midlej Cachoeira 2012 . Docente: Prof.

tentava abolir as fronteiras entre a vida e a arte e entre as artes no geral. ação. Através das conceituações. Essencialmente do inglês. aplicada às formas específicas da vanguarda. execução musical. Em inglês abarca vários significados como desempenho. contextualizando-a. representação teatral. Abordará também sua relação estética com conceitos predecessores de outras vertentes na história da arte. houve uma integração do caráter artístico à palavra. Esta. Concomitantemente. funcionamento. originando o termo performance art. atuação. este trabalho estabelecerá uma descrição desta forma de arte que se configura como sendo inovadora na história da arte. CONCEITUAÇÕES Em padrões semânticos o termo performance detém uma ampla abordagem.INTRODUÇÃO O presente artigo tem por objetivo traçar um panorama sobre a performance enquanto vertente artística no Brasil e no mundo. capacidade. como o dadá e o futurismo. bem como sua autonomia enquanto categoria artística híbrida. gerou-se dificuldade em sua definição. do contexto histórico e de grandes nomes daqueles que desempenharam papel fundamental na instauração desta vertente artística. acrobacia. conceituação e seus desdobramentos. Em consequência das múltiplas acepções do termo. elencando nomes representativos desta arte bem como os mecanismos processuais de sua elaboração. tomando como principal ferramenta artística o corpo e suas múltiplas funções. espetáculo. apresentação. recebeu influências do francês e antes ainda do latim. . com seu aspecto multidisciplinar capaz de abarcar uma série de outros elementos para a realização da obra. compondo-se por variações de sentido em diversas línguas. por sua vez. com o sentido de “realizar”.

antes de tudo. 2008. como por exemplo as artes visuais.] a performance é. alguém pintando esse quadro. performance em telepresença. uma arte multidisciplinar. como elementos constitutivos dessa manifestação artística. 04) Pode-se apontar primordialmente como principais objetivações e intenções da performance como arte a negação dos moldes da arte dominante 1José Mário Peixoto Santos.. tendo como referências a História da Arte e a Filosofia.” (COHEN. mentora do grupo Corpos Informáticos. p. Os registros permanecerão registros. o público e o tempo. pesquisa as “bordas rarefeitas” da performance. uma arte de fronteira. cinema. Maria Beatriz de Medeiros2. ao vivo. eco ensurdecido de um prazer para sempre estancado. as relações entre o corpo e as tecnologias. dança. também na Universidade de Brasília.. 02) Renato Cohen – performer. música. por permanecerem. ainda que capazes de leves ressonâncias. Mestre em Artes Visuais peloPPGAV Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes – UFBA 2Professora. educador. teatro. uma expressão cênica: um quadro sendo exibido para uma platéia não caracteriza uma performance. a performance é.] A performance artística se dá no tempo. 2002. a obra em si. apresentando tempo e espaço. apud SANTOS. Os registros são apenas obscuro reflexo. pesquisador e ex-professor do programa de comunicação e semiótica da PUC – objetivou pesquisar a performance como linguagem fronteiriça com o teatro.. 24) A performance está paramentada por quatro elementos básicos em sua configuração estética: a figura do artista. . literatura. dá identidade à nova expressão. p. pesquisadora e artista.Abordando a performance pelo viés da sua natureza artística. p. artista performático e pesquisador dalinguagem artísticaperformance. afirma que [. 2009. sua efemeridade é a condição. observase uma atuação de caráter efêmero que carece de um acabamento de produção e associa várias formas de arte. Conforme indica Zmário1. devido as suas características ‘emprestadas’ das demais linguagens artísticas. estarão semi-mortos. (MEDEIROS. podendo também ser definida como uma arte híbrida. por natureza. portanto. e.. Essa mescla de linguagens. (SANTOS. diretor. já poderia caracterizá-la. além do corpo. Afirma que “[.

O futurismo. numa entrevista a Pierre Cabanne. portanto. por sua vez. que também surgiu na mesma época. numa referência ao ato religioso dos clérigos. ter significado. defendia a aceitação incondicional da modernidade em todas as suas manifestações. 2008.e do mercado de arte. Os precursores de tal arte objetivaram. Eu era católico.. a valorização de atitudes ecológicas e espiritualistas. a remodelação dos conceitos de apreciação estética. que raspavam parte do cabelo como símbolo da sua renúncia à moda do mundo e em homenagem ao cometa Halley que passaria pelo planeta neste ano. o qual era baseado em acasos e absurdos – segundo os artistas desse movimento a lógica e a razão apenas conduziram à guerra. A arte não mais deveria ser símbolo de bom gosto: deveria sim. uma personagem criada pelo artista que almejou mudar a identidade sexual para realizar essa ação.9) Os primeiros registros da Performance aconteceram em 1919. eu pensei adotar um nome judeu. situam-se os movimentos hippie. a valorização da criatividade e da liberdade artística em detrimento da técnica e do virtuosismo. Neste período surgiram movimentos artísticos de vanguarda como o dadaísmo. e esta passagem de uma . Compondo o contexto artístico-histórico. a reestruturação e uma remodelação dos conceitos de apreciação estética. Em 1920.. Duchamp faz a seguinte declaração: Eu desejava mudar a minha identidade e. gay. p. feminista. CONTEXTO HISTÓRICO E PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES A Performance tem início no século XX. Em 1967. o automobilismo e as máquinas num geral.] além de outras reivindicações relacionadas aos direitos humanos na contemporaneidade – movimento mais abrangentemente conhecido como contracultura. a contestação do discurso sacralizador da arte e da arte em si. (SANTOS. a luta dos negros pelos direitos civis e contra o preconceito racial. Duchamp foi fotografado vestido como Rrose Sélavy (Figura 2). primeiramente. quando Marcel Duchamp realizou a bodyart intitulada “Tonsure” (Figura 1) cortando seu cabelo em forma de estrela. [. estudantil. incluindo a eletricidade. durante a Primeira Guerra Mundial.

ele introduz o conceito de arte autocrítica: uma arte que questiona a sua própria condição de obra de arte. o artista utiliza modelos nuas com o corpo pintado de azul como pincel. dançarino. artistas dadaístas e futuristas que faziam experimentações inovadoras. Uma das primeiras manifestações da Performance é a “ActionPainting” de Jackson Pollok. ele afirma: . p. Outro importante precursor é Yves Klein. Quando estou em minha pintura. artista francês. não tenho consciência do que estou fazendo. Assim. o coreógrafo. um pioneiro em derramar a tinta e caminhar sobre a tela. os artistas se afastaram da pintura clássica. ao som de uma música minimalista. ao invés do método tradicional do uso de pincel e paleta. pois como o próprio nome sugere. Em 1952. valorizando a obra como processo. Ele defendia a atualidade do artista em detrimento às tradições clássicas. trabalhar dos quatro lados. Lucio Fontana introduziu o “espaço” na pintura ao perfurar e cortar a tela. arquiteto e artista plástico Rudolf Von Laban reunia no Cabaré Voltaire. Em “Antropometrias” (Figura 3).29) A posição de Duchamp era que a verdadeira natureza da arte não só devia ser tornada visível. na parede ou no chão. Nesse contexto. 2008. Me sinto mais próximo. somada à ideia de uma percepção sensorial pura.religião para outra já significava uma mudança. o que o direcionou a uma tendência ao vazio e à redução de cores em sua obra. consistiu num salto em queda livre. 2005) Após a Segunda Guerra Mundial. em Zurique. no chão fico mais à vontade. já que desse modo posso andar em volta dela. mas também devia assumir um papel central enquanto tema artístico. mais uma parte da pintura.. por exemplo. de repente. Pollok diz em 1947: Prefiro atacar a tela não esticada. ação que lhe custou a vida. também consideradas performance. autor de “Salto no vazio” (1960). e literalmente estar na pintura.... (apud SANTOS. tive uma idéia: por que não mudar de sexo? Era muito mais fácil! E foi assim que surgiu o nome Rrose Sélavy. Sobre sua obra. (ACTION. Mas não encontrei nenhum nome judeu de que gostasse ou que despertasse a minha fantasia e. afirmando que a arte deveria aproximar-se ao máximo da realidade e gozar de liberdade pessoal como na “Action Painting”. no Manifesto del movimento spaziale per la televisione. Por volta desse mesmo período.

realizou performances e instalações. (apud FRICKE. o individualismo e a função social da arte e dos artistas. criticava os valores burgueses. Em Depósito. 2010. O grupo Fluxus. importante grupo dos anos 60. Sob grande influência dadaísta. . juntou uma enorme quantidade de pneus num terreno onde o público podia circular livremente ou manter-se como observador passivo. as linhas do horizonte multiplicam-se até ao infinito. as galerias. Elas derivam de um esforço para encontrar uma estética quando a pintura já não é pintura. a escultura deixou de ser escultura e as páginas escritas se tornaram independentes da sua forma tipográfica. críticas e com extrema presença de humor. p. 579) Allan Kaprow. em dimensões infinitas. realizou experiências de percepção de tal forma que a realidade se inseria na arte. Suas apresentações eram sempre provocativas. formas de arte. Buscavam novos conceitos. mudanças na estética tradicional e politização da arte.Na nossa arte. inventor do Happening.

99). Allan Kaprow. ele instrui ao pianista a execução de uma partitura ausente de notas.11). Conforme observação de Zmário (2008. ignorando a intenção do músico. rasgarem ou destruírem. aleatoriedade.. Marina Abramovic. o público mais uma vez é integrante fundamental da ação: foram oferecidos alimentos aos visitantes. Os artistas japoneses não utilizavam pincéis ou broxas. Após esse momento. transformando o gesto em violação. segundo Ferrari (2001. Em 4’33”. a qual permanece contida até o tempo referido no título da obra. o espetáculo musical foi constituído puramente por pausas e silêncios. faz uma pesquisa que busca observar sons cotidianos. ou seja. Jonh Cage. propunha uma ação que. John Cage. aponta-se o happening como uma vertente muito bem representada por Allan Kaprow. propondo a valorização do silêncio e de ruídos inseridos às suas composições musicais.PRECURSORES MUNDIAIS Traçando um breve panorama mundial da história da performance é possível apontar alguns ícones que figuram na estreia desse gênero como ação artística. protestam a devolução dos seus ingressos. poeta e compositor norte-americano. que cobrem de tinta para o imprimirem na tela. Cage faz uso de “conceitos como permanência. que em Passage (1955). É o caso de Saburo. ênfase no processo em detrimento da obra acabada”. Dentre a representação oriental. mas o próprio corpo. referindo-se a ele “como um organismo . metaforizando o espaço onde a intervenção ocorria. a intenção de Kaprow era de remeter-se aos processos de degustação e digestão do corpo humano. irrompe em telas de folhas enormes objetivando rasgá-las com o corpo. p. Carolee Schneemann e Ana Mendieta.. aspectos estes muito explorados durante sua trajetória artística. acaso. p.]. Joseph Beuys. ou para a perfurarem. Orlan. remonta uma versão japonesa da action painting [. o japonês Murakami Saburo. Já perpassando por conceitos como acaso e improviso. Nomes como Murakami Saburo. integrante do grupo Gütai – referenciado como um dos precursores do happening –. Em Eat. preenchido apenas por eventuais ruídos da plateia.

p. A partir da década de 90. a pregos. Ela pratica uma vertente também denominada Art charnel. pois insere a arte literalmente em sua vida e sua carne.12) Joseph Beuys. integrante do grupo Fluxus. Os resultados obtidos perpassaram dentre os mais suaves.” (SANTOS. p. Faz referências. quando as pessoas ali presentes utilizavam de objetos nocivos e feriam a artista. “pois as lebres entendem melhor que os seres humanos – enquanto público só podia observar pela janela”. passa por uma experiência drástica na Segunda Guerra Mundial. (ARCHER. ele circula por uma galeria de onde o público é excluído. Marina Abramovic costumava fazer uso do tempo estendido. à testa da Mona Lisa. nua e diante de 43 objetos – os mais diversos. fere-se gravemente num bombardeio e é socorrido por moradores locais que cobrem seu rosto com gordura animal e o envolvem em feltro. até pontos mais drásticos. Ao servir como soldado na guerra. porém ultrapassa a sujeição do mesmo conforme Marina o faz. investigando suas próprias limitações e possibilidades. 2009. .115) Marina Abramovic e os três subsequentes nomes femininos citados anteriormente são artistas que fizeram um extremado e intenso uso do corpo dentro da performance. Na intervenção “How to explain pictures to a dead hare” (1965). nos quais o público ainda reservado começava a experimentar alguns objetos inofensivos. ao queixo da Vênus de Botticelli. testando a resistência do corpo. Orlan. artista alemão. artista francesa. ela passa a modificar a própria imagem do corporal em performance cirúrgicas denominadas “Image(s) nouvelle(s) image(s)”. por exemplo. ela dispõe-se num salão. Em “Rhythm”. Sua intenção era discutir os cânones de beleza femininos figurados na história da arte. segurando nos braços uma lebre morta e sussurrando palavras em seu ouvido diante de pinturas que ia observando. A partir de então adere aos seus trabalhos artísticos esses mesmos materiais. 2001. faz do próprio corpo obra de arte. perfumes e uma arma de fogo. também faz uso do corpo. Em suas performances. O público mais uma vez era dono da ação e era incitado a utilizar tais objetos da maneira que oconviesseno corpo da artista.vivo. com o rosto banhado em mel e folhas de ouro. que variavam dentre flores e espinhos. capaz de digerir os participantes durante o percurso pelos interiores da arquitetura artisticamente modificada.

Antônio Manuel. p. Em 1970. Flávio de Carvalho estudou na França e na Inglaterra entre 1911 e 1922. Antônio protesta descendo nu as escadas do Museu de Arte Moderna (MAM/RJ). sugerindo “a redescobrir a formosura do corpo como abuso estético e como lugar de violência. com o intuito de desafiar e testar os limites de tolerância e agressividade da multidão. escultor e desenhista português que fixa residência no Brasil em 1953. Ana Mendieta. figuram entre os principais representantes desta vertente artística nomes como o de Flávio de Carvalho. Desta forma. 18). A proposta é recusada pelo júri e. Com seu “traje tropical”. propunha o questionamento acerca do vestuário europeu adotado em países tropicais como o Brasil. Em “Glass onbody” ela pressiona placas de vidro contra o corpo revelando imagens distorcidas e deformadas. caminhando no Viaduto do Chá. em São Paulo. Hélio Oiticica. apud SANTOS. trajando saia e blusa de mangas curtas. propõe o trabalho “O Corpo é a Obra” no Salão de Arte Moderna. Lygia Clark e Lygia Pape. PRECURSORES NACIONAIS No Brasil. questões de gênero e do papel desempenhado pela mulher na sociedade. Suas atividades artísticas se desenvolvem de forma provocativa e inovadora. somadas a discussões em torno de território e ritual. sociólogo. aos seis anos. Anos mais tarde. também incluiu questões afins. Tais aspectos se apresentam. realiza a chamada “Experiência nº3” (Figura 7). Ela o faz intencionando discutir o erotismo. de modo similar. em “Experiência nº2” (1931): o artista utiliza um chapéu verde e caminha em direção contrária à procissão de Corpus Christi. 2009. Engenheiro civil. retornando ao Brasil logo após a Semana de Arte Moderna. o artista levanta um questionamento acerca .” (ORZESSEK. pintor expressionista e artista experimental do corpo. no Rio de Janeiro. Outra figura importante neste campo da arte é Antônio Manuel. pintor. cubana.A norte-americana Carolle Schneemaan é a primeira performer a usar o corpo nu em suas intervenções. na noite de abertura. por exemplo. então.

com a mescla de elementos como a dança. poesia e música. Assim. performance e ambientação. Em 1960. bandeiras que pressupõem manifestações culturais coletivas. a qual se completava com a ação direta do espectador. bem como do processo de seleção das mesmas. Artista performático. placas de madeira são pintadas com cores quentes e vibrantes. Oiticica também propôs o que se pode chamar de “vivência”. em São Paulo. causando desconforto por realizar movimentos frenéticos com a língua e o ato de esfregar as genitais sob a sunga. a qual é caracterizada pelo seu aspecto experimental e inovador. maquiagem feminina. a exemplo de “Tropicália” (1966). Aquela pode ser considerada como grande expoente da arte contemporânea brasileira. terapia e interatividade. é um dos artistas que mais se destaca com sua irreverência e obras cheias de personalidade. “Parangolé”. também chamados de “Manifestação Ambientais e Penetráveis”. penduradas por fios de nylon.do julgamento das obras de arte. o espectador é convidado a caminhar por entre as placas e movimentá-las. por sua vez. “é a antiarte por excelência”. espaço que explora os conceitos de instalação. capas de vestir. Em “Mitos Vadios” (Figura 8). segundo ele. passando por entre os transeuntes no estacionamento Unipark. Na abertura da mostra Opinião 65. Realiza a proposição “Bichos” (1960). pintor e escultor. Sua obra estabelece um diálogo entre corpo. passando a integrar a obra. A gestualidade do espectador participante torna-se a ação performática que dialoga com sua obra. centra sua produção artística no diálogo do espectador com a obra. cria os primeiros “Núcleos”. Trata-se de um conjunto de elementos tipicamente brasileiros dispostos de modo a criar uma ambientação imersiva. destacam-se os nomes de Lygia Clark e Lygia Pape. Quanto às mulheres. arte. Oiticica protesta realizando uma manifestação coletiva em frente ao museu. peruca e sunga. no MAM/RJ. na qual os “Parangolés” são vestidos pelos amigos sambistas. o artista apareceu travestido. Hélio Oiticica. a qual consiste em uma série de construções metálicas com dobradiças de cunho participacional: o espectador então se depara com a co-criação da . Trata-se de estandartes. quando seus amigos integrantes da escola de samba Mangueira são impedidos de entrar. Nesta obra. usando salto alto.

Em “Baba Antropofágica” (1973). Lygia Pape. a artista explora o caráter sensorial. pois ficava alheio ao mundo de que há pouco fazia parte“. Seu caráter transitório e temporal submete o espectador a apreciá-la ou depreciá-la no momento em que ocorre. a artista pretendia estabelecer uma relação entre arte e coletividade. Em “Divisor” (1968). tendo a sensação de nascimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS Entender a performance é entender os anseios da alma e do corpo. de modo que o espectador possa rompê-lo. audição e olfato. Clark permite a passagem do espectador dentro da obra. a arte da performance mergulha em conceitos. cubos de madeira são envolvidos em plástico ou papel fino.obra. Com isto. Com estas propostas. mesmo sendo um tabu em múltiplos segmentos. Em “A Casa é o Corpo: Labirinto” (1968). visão. um pano de 30 metros quadrados é utilizado para que as pessoas coloquem suas cabeças nas aberturas ali dispostas. os quais retiram lentamente a linha e a dispõem sobre o corpo de outro. as máscaras “seriam um meio de fazer o homem encontrar o fantástico dentro de si. onde as pessoas pudessem experimentar as estruturas simples e manifestações performáticas sem que ela estivesse necessariamente presente. permitindo ao espectador uma experiência única que abarca o tato. a artista alude ao ritual arcaico de canibalismo. A obra consiste na colocação de carretéis de linha na boca de participantes. Devido ao . É desprender-se das amarras sociais e deslocar a atenção para o suporte e ferramenta acessível a todo e qualquer artista. questiona o caráter objetual da arte. passa a criar experiências que ressaltem o conceito e o processo da obra. Segundo ela. Despindo-se dos moldes acadêmicos. Em “Máscaras Sensoriais” (Figura 9). liberdade e multiplicidades representativas. O corpo assume a forma de arte em sua totalidade. Ora se apresenta como ferramenta atuante no processo de construção de uma obra bem como suporte para a própria formação da arte. dialogando diretamente com a escultura e apresentando novas possibilidades de representação. em 1950. Em “Ovo” (Figura 10). a qual faz uma alusão ao aparelho reprodutor feminino.

havendo a possibilidade de reproduzi-la visualmente quando necessário. abarca. devido a sua pluralidade de significações e ressignificações. . a fotografia. o vídeo. por exemplo.seu aspecto híbrido. a instalação e se apropria destes elementos como registro. a performance se configura como uma importante modalidade de expressão artística da contemporaneidade. Assim. sendo reconhecida e reverenciada como tal.

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