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VERDADE X AMOR INTRODUÇÃO - O relacionamento entre as pessoas será frutífero à medida que

VERDADE X AMOR

INTRODUÇÃO

- O relacionamento entre as pessoas será frutífero à medida que a sua comunicação for eficaz.

- O relacionamento firme, sadio, depende da eficácia da comunicação. Para beneficiar- se de seu inter-relacionamento é indispensável que as pessoas desenvolvam e conquistem um alto nível de confiança, com o objetivo de:

- Obter a “certeza de relações

- A “certeza de relações” é o estágio para qual deve convergir todo o esforço desenvolvido na comunicação interpessoal. Ela é resultante da prática da comunicação. Portanto, comunicar-se é condição indispensável para se alcançar a “certeza de relações” e para preservá-la.

1 - COMUNICAÇÃO GENUÍNA E “FEEDBACK”

- A comunicação genuína depende da competência de dar e receber feedback.

- Esta competência pode ser desenvolvida.

- A competência do feedback está vinculada à sua validade. A Ciência Social tem tentado estabelecer critérios que garantam essa validade: que ele seja:

.

aplicável pelo receptor;

.

neutro

.

específico

.

oportuno

.

direto

.

objetivo

- APLICABILIDADE (= pode ser aplicado, assimilado pelo outro) o feedback é aplicável quando:

. a informação, objeto do feedback é dirigida para comportamentos que possam ser detectados e modificados pelo esforço individual da outra pessoa.

- NEUTRABILIDADE (= estar depurado, isento de componentes que se sobreponham à realidade dos fatos).

. o feedback é neutro quando se tem à constatação de fatos, evitando-se avaliação de

. o feedback é neutro quando se tem à constatação de fatos, evitando-se avaliação de conotação personalizada e a mania de interpretar.

- ESPECIFICIDADE (= referir-se a pontos específicos e não genéricos ou abstratos).

. o feedback é específico, quando se dirige a fatos, ocasiões ou a situações concretas, observadas e determinadas.

- OPORTUNIDADE (= como? quando? onde?)

.

O feedback é oportuno quando é dado:

.

De maneira adequada (como?) - isoladamente, em grupo?

.

No momento certo = guardando uma distância adequada entre o incidente e sua discussão.

.

Esperando restabelecer-se emocionalmente.

- COMUNICAÇÃO DIRETA (= feita pessoalmente e sem intermediários)

. o feedback é direto quando dado exatamente pela pessoa envolvida, sem

intermediações.

- OBJETIVIDADE (= à especificidade - capacidade de atingir o objetivo)

. o feedback é objetivo quando atinge o alvo, sem rodeios e evasivas, através de mensagem clara, se possível ilustrada pôr exemplos concretos.

02 - BASES PARA UMA TEORIA DE COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL EFICAZ: CONTEÚDO E MOTIVAÇÃO.

- As características (descritas no item 1) são a tecnologia do processo de comunicação.

- A observância desta tecnologia não é suficiente para se garantir a “certeza de relações”, pois as técnicas são menos relevantes do que as premissas de valor que as embasam.

- E necessário, pois, acrescentar ao estudo do processo de comunicação uma nova perspectiva: ético-psicológica.

- A dimensão ética (enfoca o Conteúdo - o quê?)

. Esta diz respeito à autenticidade da mensagem transmitida; se verdadeira ou mentirosa. . Verdade

.

Esta diz respeito à autenticidade da mensagem transmitida; se verdadeira ou mentirosa.

.

Verdade (ou mensagem verdadeira) = verdade pessoal, subjetiva, aquilo que o emissor julga honestamente verdade para si próprio.

.

Mentira (ou mensagem mentirosa) = o oposto da verdade.

- A dimensão psicológica (enfoca a Motivação - por quê?)

.

a dimensão psicológica diz respeito a circunstâncias particulares que acompanham a transmissão das mensagens: pôr exemplo: as razões, as intenções, a motivação enfim do transmissor. A comunicação depende do grau de percepção do receptor em relação à motivação do emissor.

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as razões e as intenções do transmissor podem ser desencadeadas ou motivadas pôr amor ou pôr desamor (como atitudes fundamentais a originar comportamentos).

amor - respeito genuíno pela dignidade de outrem como pessoas humanas. Sentimento de responsabilidade pelo bem-estar e crescimento do outro.

Obs.: O genuíno respeito recíproco faz com que não seja necessário gostar ou se amar alguém, para que haja efetiva comunicação.

desamor - desrespeito genuíno, desapreço pela dignidade da pessoa do outro.

03 - A MATRIZ DA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

- Estabelecida a significação dos termos das duas dimensões (ética e psicológica), é possível configurar o relacionamento pessoal através de um diagrama, a partir do qual podem ser formados os seguintes binômios:

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Verdade/amor - Verdade/desamor

.

Mentira/amor - Mentira/desamor

VERDADE/AMOR (Primeiro Quadrante)

- Este binômio retrata um “feedback” cujo conteúdo transmitido é verdade e cuja motivação é

- Este binômio retrata um “feedback” cujo conteúdo transmitido é verdade e cuja motivação é amor. E o ideal, tanto para se dar um feedback positivo (de aprovação ou

No caso

particular do feedback negativo, embora possa ser dado com verdade/amor, requer-

elogio) quanto um feedback negativo (de desaprovação ou correção).

se maturidade, grandeza, seriedade e controle emocional das pessoas envolvidas.

- Não basta que o conteúdo seja verdade para se dar um feedback negativo. É necessário ter-se motivação do amor. No relacionamento “verdade/amor” a pessoa “A” entende que, pôr respeito à pessoa “B”, deve-lhe o feedback. Negá-lo é desamor, é prejudicar “B”. Dá-lo é prova de apreço. As pessoas são credoras de feedback. A forma de dar o feedback negativo deve ser a que mais favoreça uma reação positiva.

ILUSTRAÇÕES DE VERDADE/AMOR

Enredo. Precisando admitir um auxiliar, o gerente (A) solicita a seu assessor (B) que lhe indique uma pessoa competente. B, que anteriormente trabalhara com C noutro departamento e de quem se tornara amigo particular, aponta-o como o “melhor homem”, ignorando a competência notoriamente superior de um outro colega seu, D, com quem não simpatiza. Algum tempo após admitir C, o qual não desempenha a contento, A vem, a saber, da verdadeira razão da escolha feita por B. A motivação de A para dar feedback a B. “Estou não só decepcionado como irritado com a atitude de B; tenho de lhe dizer isso para que ele tome consciência da minha posição sobre o caso e possa explicar-se a respeito do que houve. Talvez ele ainda possa corrigir o que fez. Vou chamá-lo para conversarmos”.

Conteúdo do feedback de A a B. “Estou informado sobre as razões por que você indicou C para o cargo. Gostaria de saber diretamente de você o que o levou a tomar essa atitude. Isso deixou-me extremamente inseguro quanto a seus pontos-de-vista profissionais.

Minha expectativa era a de que sua lealdade fosse à organização e não a uma pessoa ou departamento. Gostaria de discutir o problema com você, de saber o que o levou a adotar tal procedimento o qual, a meu ver, foi falho e precisa ser esclarecido para seu próprio benefício e o de nossa relação.

Por outro lado, o subordinado deve também manifestar seus sentimentos face a um eventual descontentamento com relação a seu superior. Isso é duplamente mais difícil, em virtude da diferença hierárquica.

Enredo. Surpreendentemente, sem maiores explicações, o gerente (A) resolve substituir o atual fornecedor de serviços gráficos por outro, sem consultar o subordinado (B) que sempre participa desse tipo de decisão, pois é quem se articula diretamente com a gráfica para entregar, rever, autorizar e receber serviços. B sente que “foi participado”, apenas, de uma decisão final que afetará seu trabalho.

Motivação de B para dar feedback a A. “Fiquei frustrado com essa decisão de A

Motivação de B para dar feedback a A. “Fiquei frustrado com essa decisão de A sem qualquer entendimento prévio comigo, que sempre sou consultado. É importante que eu lhe exponha o problema, para que compreenda minha perplexidade e eu possa ajudá-lo no que for possível nesse sentido.

Talvez ele nem tenha pensado no impacto que me causou, e só tomando consciência disso poderá esclarecer suas razões e eliminar minhas reservas à sua decisão.

Conteúdo do feedback de B a A. “Fiquei sem compreender essa decisão que você tomou ontem, primeiro porque a gráfica atual nos vinha satisfazendo e segundo porque sempre resolvemos em conjunto esse tipo de problema. É natural que eu disponha de informações de que você necessita para uma decisão dessas. O que houve de errado? Você não acha que deveríamos esclarecer o assunto para que ficássemos em condições de levar adiante nosso trabalho com segurança e sem reservas?

MENTIRA/AMOR (Segundo Quadrante)

.

Neste binômio, o conteúdo é mentira; a motivação amor.

.

Freqüente entre marido e mulher, pai e filha, mãe e filho

.

Aqui, as pessoas não dizem o que estão pensando nem o que estão sentindo, preferindo utilizar-se de expedientes de contorno: “douração da pílula”, evasivas, etc , quando não a omissão.

Tudo para não ferir o receptor.

.

este binômio favorece mais o feedback positivo.

.

quando do feedback negativo, o desconforto do transmissor é tão grande, que é

comum sair em defesa (falsa) do receptor, quando este tenta uma autocrítica honesta.

Neste caso, de feedback negativo a atitude básica é: Não magoar ninguém, não

destruir ninguém. Não vale a pena. É melhor calar-se: “

feedback”, “amigo não julga o outro”. Desta forma, a omissão, que, em algumas circunstâncias, pode ser até entendida, vai-se transformando aos poucos, em viciosa acomodação racionalizada. Nesta circunstância, é necessário refletir: até que ponto não estou escondendo uma fraqueza minha, sob a alegação de fragilidade da outra pessoa? Isto é ser altruísta ou egoísta? Quem na verdade, está sendo poupado de incômodos? Eu ou a outra pessoa?

não suportará esse

B

ILUSTRAÇÕES DE MENTIRA/AMOR

Enredo. A secretária (B) trabalha com o gerente (A) há 3 anos. Embora se mostre muito aquém das expectativas de A, este a considera extremamente prestativa e delicada e sempre se sente mal em criticar suas deficiências. Teme magoá-la e tende

até a justific ar -lhe as falhas. B acaba de elaborar a A o cronograma

até a justificar-lhe as falhas. B acaba de elaborar a A o cronograma definitivo de um projeto com os prazos fatais todos trocados (trata-se de tarefa a que já está habituada).

Motivação de A para dar feedback a B. “Ela falhou mais uma vez e agora o erro não foi tão simples. mas não faz mal; dá-se um jeito nisso. O que não se pode fazer é humilhá- la. Sei o quanto se esforça para acertar. Não é o caso de repreendê-la, mas de compreendê-la e estimulá-la”.

Conteúdo de feedback de A a B. “Sei que você não teve intenção de falhar na execução dessa tarefa, mas alguém já disse que errar é humano, perdoar é divino. E

sua boa vontade em outros trabalhos compensa de sobra essas pequenas lacunas. Aliás, esse trabalho deveria ter sido feito por C, que tem mais experiência com tabelas

e diagramas do que você. Não faz mal, da próxima vez tudo sairá bem”.

Evidentemente, quando o feedback negativo deve “subir” do subordinado para o chefe,

o processo torna-se mais delicado ainda, como na situação a seguir.

Enredo. A secretária (B) trabalha com o gerente (A) há 1 ano e esse tempo já foi suficiente para sentir como A a “asfixia” e a onera com sua total desorganização, falta de atenção e incapacidade de comunicação. B quer deixá-lo, mas sente que não pode feri-lo revelando claramente seus motivos. Acha mais humano arranjar uma desculpa, pregar uma mentira branca - “que não faz mal a ninguém”.

Motivação de feedback de B a A. “Não tenho mais condições de trabalhar com A. Será

muito melhor para nós dois se eu conseguir deixá-lo sem que ele perceba por que. Ele

é muito bom, muito sensível e não há razão para magoá-lo. Inventarei alguma coisa aceitável e me livrarei dele sem feri-lo. Nem sempre a verdade constrói”

Conteúdo do feedback de B a A. “Doutor Fulano, o Doutor C, chefe do Departamento XYZ, está sobrecarregado de trabalho e sua secretária não está conseguindo dar conta do serviço sozinha. Acho que seria uma ótima experiência para mim, conhecer um pouco a área e, ao mesmo tempo prestar uma ajuda a eles. O nosso setor está tranqüilo, agora, assim a minha transferência não o prejudicaria em nada. Além disso, D estará aqui me substituindo e o Senhor não ficará desassistido”.

VERDADE/DESAMOR (Terceiro Quadrante)

- Neste binômio, o conteúdo é verdade, a motivação desamor.

- Também freqüente como o anterior.

- Aqui, as verdades são ditas para magoar, diminuir, “enquadrar”, humilhar, “dar o troco”, ou subjugar o outro.

- Possíveis conseqüências do feedback baseado neste binômio:

. grande probabilidade de distorção do conteúdo do feedback, da parte de “B”; . concentração

.

grande probabilidade de distorção do conteúdo do feedback, da parte de “B”;

.

concentração de “A” em feedbacks negativos, para servir a seus propósitos agressivos; (o feedback positivo, neste caso, é que é penoso);

.

atitude defensiva cada vez maior de “B” em relação a “A”;

.

“B” passa a “colecionar” feedbacks negativos de “A” para pronta resposta;

.

destruição da certeza de relações;

.

intensificação do sentimento de rejeição recíproca;

.

rompimento.

- O equívoco fundamental de “A” neste binômio é: estou com a razão, pois “só recorro à verdade”.

- Mas isto não basta. É preciso perguntar-se pela real motivação de se dar um feedback mesmo que verdadeiro: é por amor ou por desamor?

- Verdade/desamor, entretanto não se manifesta necessariamente sob forma de grosseria. Às vezes, dá-se o contrário: polidez, maneirismos, comunhão de dor, sorrisos, etc

ILUSTRAÇÕES DE VERDADE/DESAMOR

Enredo. O gerente (A) sempre “deixou por menos” os inúmeros erros de B (um bom sujeito). Os senões, porém, vão se acumulando ao longo do tempo e, um dia, A explode com B face a um erro até banal, se comparado com outros anteriormente ocorridos.

Motivação de A para dar feedback a B. “Com essa de hoje é demais! Vou fazer ver a B com quantos paus se faz uma canoa. Não me interessa se ele vai gostar ou não. Sei que vai ter de engolir tudo, caladinho. Vou acertar o novo e o velho com ele”. Conteúdo do feedback de A a B. “Você realmente não se emenda. Isso era coisa de que se esquecesse? Estou farto de aturar as suas” barbeiragens”. Afinal de contas, já

era tempo de você ter aprendido a trabalhar comigo. Imagine o que o seu erro de hoje provocou. Estamos seriamente arriscados a perder um grande cliente. Está satisfeito?”. Após alguns dias, A pede desculpas a B pela grosseria feita e solicita-lhe que “esqueça” o caso e voltem às boas, como bons companheiros que sempre foram. Está articulando o pêndulo Mentira-Amor/Verdade-Desamor/Mentira-Amor. Na direção do subordinado para - chefe, o feedback à base de verdade/desamor é

muito arriscado

para o subordinado.

Enredo. O subordinado (B) é assessor de (A) há algum tempo. O título que ostenta,

Enredo. O subordinado (B) é assessor de (A) há algum tempo. O título que ostenta, porém nada representa, uma vez que A raramente dá ouvidos às suas opiniões. Segundo ele (A), sempre há algo de confuso nas opiniões de B. Os julgamentos deste nunca satisfazem A - sem que B saiba por que. Tal situação se prolonga até o dia em que há uma crise e A pede ajuda a B. Este aproveita para dar o troco a seu chefe.

Motivação de B para dar feedback a A. “Hoje ele vai saber até que ponto conseguiu me irritar. É bom mesmo eu aproveitar a ocasião para falar, porque assim ele pagará mais caro pela desconsideração.

Conteúdo do feedback de B a A. Sinto não ser esta a hora apropriada para tocar no assunto, mas tenho de lhe dizer que, no meu entender, a sua atuação foi desastrosa. O seu imediatismo pôs tudo a perder. Estou preocupado com a crise financeira por que estamos passando agora. Você se recorda daquela conversa que tivemos há 2 meses? Cansei de aconselhá-lo; você simplesmente não quis ouvir o que tinha para lhe dizer na ocasião e hoje estamos todos pagando o preço”.

MENTIRA/DESAMOR (Quarto Quadrante)

A mentira por desamor putrefaz.

Há pouco que dizer, a esta altura, sobre o binômio do quarto quadrante da figura 1. Conquanto menos freqüente que mentira/amor a verdade/desamor, este binômio ocorre mais do que se imagina. Aqui, vale tudo. Aproveitam-se alguns fatos, mudam-se as ênfases, acrescentam-se outros dados: Certos molhos ajudam. Muito comum é a informação descontextuada,

sempre é válido mentir,

para servir à interpretação desejada. E se tudo falhar caluniar, contanto que se destrua o outro.

Também não há muito que dizer sobre as conseqüências da mentira/desamor. Quando um relacionamento chega a se caracterizar assim, dificilmente será recuperável em tempos de comunicação genuína e, conseqüentemente, de certeza de relações. Quando falta respeito, a mentira é usada sem pejo. E se torna quase impossível manter uma relação.

ILUSTRAÇÕES DE MENTIRA/DESAMOR

Enredo. B e C são subordinados de A, sendo que B é visivelmente mais eficiente e capaz do que C, porém não é daqueles que “concordam com tudo que o mestre mandar”. Ele aprecia as decisões tomadas com base em fatos e questiona A sempre que tem dúvidas sobre alguma orientação ou decisão de seu chefe. Por esse motivo A “tem marcação” com ele. Embora consciente de sua competência, não a reconhece enquanto pode ignorá-la. Por exemplo, agora há uma promoção à vista. A indica C (e não B) como forma de represália.

Motivação de A para dar feedback a B. “Hoje eu tiro forra. Ele está convencido

Motivação de A para dar feedback a B. “Hoje eu tiro forra. Ele está convencido de que o lugar é seu. Pois, sim vou até chamá-lo primeiro para que ele pense que foi mesmo escolhido e dizer-lhe algumas coisas bonitas. E então terá a surpresa que merece”.

Conteúdo de feedback de A a B. “Sabe, B, eu não vou indicar você para esse cargo porque o Superintendente insinuou que C seria o homem ideal para ocupá-lo e não posso deixar de concordar com ele. Além disso, você ainda tem muito que aprender para assumir o tipo de responsabilidade que essa nova posição exigiria. Outras oportunidades surgirão, quem sabe da próxima vez você tem mais sorte ”

Finalmente, um feedback à base de mentira/desamor no sentido ascendente, do subordinado para o chefe, é ilustrado a seguir.

Enredo. B e C são subordinados de A. B percebe que A valoriza mais o trabalho de C do que o seu e sente-se injustiçado, por considerar infundada tal preferência. Com o passar do tempo o recalque de B se aprofunda cada vez mais. Certo dia, por um motivo bastante aceitável, C deixa de fornecer a B uma informação essencial para a conclusão do relatório quinzenal cuja redação é tarefa de B. Este aproveita a “deixa” para “envenenar” C.

Motivação de B para dar feedback a A. Hoje eu pego o C. Ele pensa que é mais

competente do que eu. Um “tremendo” bajulador, isso é o que ele é. Vamos ver quem leva a melhor. Basta trabalhar um pouquinho - e com “carinho” a imagem dele junto a

A.

Conteúdo do feedback de B a A. “Não tenho mais condições de trabalhar com C, ele

vive para criticar e interferir no meu trabalho está inclusive prejudicando o meu desempenho. Veja este caso do relatório, por culpa dele tive de atrasar. Ele intencionalmente impediu que me chegasse a informação. Você é quem sabe, eu nada

posso fazer além de abrir-lhe os olhos para o risco que estamos correndo

favor, peço-lhe que o assunto morra aqui mesmo, não quero “dedurar” ninguém”.

Mas, por

04 - PROCESSOS TÍPICOS DE CADA BINÔMIO: CONFRONTAÇÃO, CONTEMPORIZAÇÃO E AGRESSÃO

- Cada um desses binômios tem um processo típico a caracterizá-lo:

. Binômio VERDADE/AMOR: a “Confrontação”. Numa comunicação baseada neste binômio, as pessoas estão dispostas a confrontar livremente os fatos, as opiniões, a assumir os riscos das afirmações, pois o objetivo é o crescimento do outro e o relacionamento interpessoal.

deixar por menos; poupar; não machucar. Contemporizar é: - dizer a verdade pela metade -

deixar por menos; poupar; não machucar. Contemporizar é:

- dizer a verdade pela metade

- fugir à confrontação

- omitir

- usar “indiretas”

- protelar

- amaciar

. Binômio VERDADE/DESAMOR e MENTIRA/DESAMOR: a agressão. Na comunicação baseada neste dois binômios, a agressão é usada como processo de descargas pessoais de raiva, ódio, etc A agressão direta, clara, sem rodeios (a grosseria) é mais característica de verdade/desamor. A agressão em formas sofisticadas, é mais típica de mentira/desamor.

05 - UM DILEMA EQUIVOCADO: MENTIRA/AMOR OU VERDADE/DESAMOR

- Na comunicação interpessoal, os binômios mais raros são os que ocupam as

posições

Mentira/Desamor.

extremas

do

diagrama,

mostrado

na

figura

1:

Verdade/Amor

e

- Os binômios mais comuns são os que estão nas posições intermediárias do diagrama. Mentira/Amor e Verdade/Desamor. Possivelmente, a maioria das pessoas utiliza os dois, alternando-os de acordo com as circunstâncias.

- As pessoas oscilam de um para outro (como um pêndulo). Não podendo sustentar indefinidamente o peso acumulado da mentira por amor, provavelmente as pessoas tentem se livrar dele pelo desabafo e assumindo dizer a verdade. Buscam então, a posição de Verdade/Desamor. Algum tempo depois, arrependidas, retornam à posição Mentira/Amor.

UMA ILUSTRAÇÃO DE PÊNDULO SEM SAÍDA

Consideramos, numa organização qualquer, o chefe (A) e o subordinado (B). Este vem trabalhando com (A) há vários anos. A percepção de (B) é de que sua atuação tem sido do inteiro agrado de (A), já que este jamais demonstrou qualquer contrariedade mais séria com ele, (B).

Acontece (A), que durante todo esse tempo, veio “deixando por menos”, superestimando as pouca qualidades de (B) sem discutir os muitos defeitos que pôde detectar, tarefa após tarefa, magoar (B), por que? Ele sempre fora tão leal, tão dedicado!. O problema atinge o clímax. Não suportando mais a carga (A) sucumbe ante uma pressão doméstica e aproveita para “virar a mesa”. Talvez até o faça ante a uma situação que já tenha ocorrido anteriormente e à qual sempre tenha reagido de forma

diferente, procurando proteger (B). Por esta mesma razão, (B) não consegue compreender a atitude de

diferente, procurando proteger (B). Por esta mesma razão, (B) não consegue compreender a atitude de (A) e se sente profundamente magoado. Uma semana mais tarde, arrependido, (A) procura compensar seu excesso: “Acho que fui duro demais com (B), afinal de contas eu não precisava tê-lo castigado daquela maneira”.

E, então, (A) se acomoda outra vez na mentira/amor:

“Não leve muito a sério o que lhe disse na semana passada. Eu estava nervoso, pressionado por muitas coisas. Acabei usando você como bode expiatório. Nós nunca tivemos um problema desses antes. Afinal, você foi sempre o meu braço direito.

Sem a sua ajuda, eu teria 10 vezes mais problemas. Que tal passar lá em casa para vermos o jogo, hoje?

O que (A) obviamente não consegue antever é que a oscilação seguinte do pêndulo no

sentido verdade/desamor será menos demorada do que a primeira. Quando a relação interpessoal se encurrala nesse movimento pendular, a cada movimento se torna mais

difícil libertar-se e tomar o caminho verdade/amor.

É muito mais provável que a incerteza de relações, a imprevisibilidade, os

ressentimentos, a crescente falta de eco para desculpas que se repetem resulte, por fim, na destruição do relacionamento. À base de mentira/desamor

tudo isso

CONCLUSÃO

- As idéias sobre dimensão ético-psicológica do processo de comunicação:

1) não constituem uma teoria;

2) não são científicas, mas;

3) poderão se mostrar valiosas para o diagnóstico e intervenção no processo de comunicação.

- Tese central da abordagem:

- T ese central da abordagem: . a eficácia da comunicação interpessoal é muito mais função

. a eficácia da comunicação interpessoal é muito mais função dos fatores ético- psicológicos (Verdade- Mentira; Amor/Desamor) do que dos componentes tecnológicos do processo (Bom transmissor - Boa mensagem - Bom receptor).

- Para se chegar a Verdade/Amor é preciso praticar, com o ônus e recompensas correspondentes.