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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS – UFPEL

Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo- PROGRAU

A Tecnologia dos Materiais de Construção Civil aplicada à Arquitetura

RELATÓRIO DOSAGEM IPT/EPUSP

Grupo:

Fernando Ritiéle Teixeira

Jean Morais Rodrigues

Jones Machado Pereira

Vanessa Lucas Krause

Vanessa Peres Martins

Vitória Silveira da Costa

Pelotas, 2017
Capítulo 1 – Introdução

O concreto é o principal material de construção e o segundo mais consumido no


mundo após água. Segundo Silva (1991), o concreto é um material resultante da mistura
proporcionada de um aglomerante (cimento), agregados miúdos e agregados graúdos
com água. Podendo-se utilizar também adições minerais e pozolânicas, assim como
aditivos plastificantes e superplastificantes. Com vistas à redução do consumo de
cimento, devido ao custo elevado desse material e o impacto ambiental negativo gerado
pela sua produção, principalmente emissão de CO2, estudos de dosagens são sempre
interessantes.

O objetivo deste trabalho é estudar e determinar o desempenho do concreto:


convencional através do método IPT/EPUSP, através da determinação dos seguintes
parâmetros:

a) Consumo de material;
b) Massa específica do concreto fresco;
c) Resistência à compressão aos 3,7 e 28 dias.

Capítulo 2 – Estudo de dosagem de concreto convencional pelo método de IPT/EPUSP

2.1 – Introdução

O método do IPT/EPUSP para dosagem de concretos convencionais apresenta


um roteiro experimental no qual após a determinação das resistências de controle, para
as idades de controle, segue-se uma série de dosagens experimentais, compondo um
estudo preliminar, para construção de gráficos nos quais serão definidos vários
parâmetros, dentre os quais estão: módulo de finura da mistura, porcentagem de areia, a
relação a/c, graduação geométrica e porcentagens de cada agregado.

2.2 – Procedimento e Metodologia

A dosagem experimental baseia-se em regras e procedimentos práticos para a obtenção


do traço de concreto, sendo testada em laboratório. Existem diversos métodos de
dosagem. Alguns são extremamente trabalhosos, exigindo grande número de ensaios
laboratoriais, outros exigem extenso desenvolvimento analítico. Um dos métodos mais

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difundidos atualmente no Brasil é o método IPT/USP por não requerer quantidade
demasiada de ensaios e ser de fácil execução, podendo inclusive ser executado em obra.
Outra vantagem deste método é que ele é totalmente experimental baseado na
observação do concreto.

O método tem os seguintes conceitos fundamentais:

• A relação a/c é o parâmetro mais importante do concreto estrutural;

• Definidos uma determinada relação a/c e definidos certos materiais, a resistência e a


durabilidade do concreto passam a ser únicas;

• O concreto é mais econômico quanto maior a dimensão máxima característica do


agregado graúdo e menor o abatimento de tronco de cone.

O método tem por objetivo obter um concreto com trabalhabilidade adequada, com os
materiais disponíveis, e considera que esta trabalhabilidade é influenciada pelo teor de
argamassa seca (α) e quantidade de água (H%). Através de procedimento experimental
define-se o teor de argamassa seca ideal e a quantidade de água necessária para a
obtenção da trabalhabilidade desejada. Obtido o teor de argamassa ideal requerida são
moldados corpos-de-prova de concreto com a trabalhabilidade desejada, variando as
proporções entre cimento e agregados (1:m), para ruptura à compressão em idades pré-
determinadas. Com os resultados dos ensaios à compressão e dados do procedimento
experimental é construído o “Diagrama de Dosagem” no qual pode-se modelar o
comportamento do concreto. O diagrama relaciona “resistência à compressão x relação
a/c”; “relação a/c x o teor de areia e brita (m)” e “m x consumo de cimento por m3 de
concreto”. Estas relações podem também ser estabelecidas analiticamente.

O estudo experimental é feito partindo-se do princípio que cada curva do diagrama de


dosagem pode ser definida a partir de três pontos, ou seja, 3 traços diferentes (relações
1:m). Dessa forma, é fixado um traço intermediário, em geral 1:5 (cimento : agregados
secos totais, em massa). Os experimentos feitos com o traço intermediário têm o
objetivo de determinar o teor de argamassa seca ideal (α) e a quantidade de água
necessária à trabalhabilidade requerida.

A determinação do teor de argamassa ideal é muito importante, pois a falta de


argamassa provoca falhas de concretagem e porosidade no concreto e o excesso torna

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aumenta o consumo de cimento, tornando o concreto mais caro, além das demais
conseqüências do consumo excessivo de cimento (maior risco de fissuração térmica e
retração).

O estabelecimento do teor de argamassa ideal é feito de forma gradual, a partir de um


teor inicial adotado, por exemplo, 35%. A partir deste valor, são feitos acréscimos de
cimento e areia, aumentando-se o teor de argamassa, e, eventualmente, água, mantendo-
se constante a massa do agregado graúdo até obter-se a consistência e o teor de
argamassa desejada. A quantidade de agregado graúdo deve ser fixada em função da
capacidade da betoneira utilizada no estudo.

Da mesma forma a água é adicionada até a obtenção da trabalhabilidade desejada. Este


procedimento é repetido até que se obtenha o teor de argamassa (α) ideal e a
trabalhabilidade requerida.

A determinação do teor ideal é feita visualmente, de acordo com observações práticas


feitas durante o estudo. Com a betoneira desligada, retira-se o material aderido nas pás e
em seguida podem ser feitas as seguintes observações:

• Passar uma colher de pedreiro sobre a superfície do concreto fresco tentando formar
uma superfície plana e observar o aspecto. Um concreto com teor adequado de
argamassa deve ter a superfície homogênea, compacta e sem vazios;

• Coletar com a colher de pedreiro uma porção de concreto e verificar se ocorre


desprendimento de agregado graúdo o que indica falta de coesão (função da argamassa);
• Coletar com a colher de pedreiro parte do concreto e soltar de determinada altura. O
concreto com teor ideal de argamassa deve cair de maneira homogênea e compacta, sem
ocorrência de segregação;

• Realizar o ensaio de abatimento de tronco de cone e observar a superfície lateral do


concreto, que deve estar compacta e com poucos vazios. Bater com a haste na placa
metálica ou lateral inferior do concreto e observar como ocorre a queda. Caso não
ocorra desprendimento de agregados graúdos o teor de argamassa pode ser considerado
como adequado.

Nas misturas em que foram observados falta de argamassa deve-se continuar com os
acréscimos até o teor ideal. Além do teor de argamassa deve ser verificada a

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consistência do concreto através do ensaio de abatimento do tronco de cone. Caso o
abatimento obtido for inferior ao desejado adiciona-se água até obter a consistência
desejada. Com a obtenção do α ideal, deve ser verificada a necessidade ou não de
acréscimo de uma margem de segurança no teor de argamassa, tendo em vista perdas
devido à mistura, transporte, etc. Nestes casos pode-se sugerir um acréscimo de 2% em
relação ao α determinado experimentalmente. Com o α final moldam-se os corpos-de-
prova para serem rompidos nas idades especificadas, normalmente 7 e 28 dias. Com os
resultados dos ensaios à compressão é possível obter os primeiros pontos do diagrama
de dosagem (fc x a/c; a/c x m e m x consumo).

Com o teor de argamassa adotada são produzidos os traços auxiliares (pelo menos dois),
ou seja, um traço com maior consumo de cimento, denominado traço rico e um traço
com menor consumo de cimento, denominado traço pobre. Os traços pobre e rico
devem se afastar do traço inicial de maneira a obtenção do diagrama de dosagem,
normalmente adotam-se intervalos de 1 a 2, em geral 1,5. Estes traços, rico (1:3,5) e
pobre (1:6,5), têm o mesmo teor de argamassa do traço inicial e devem ter a mesma
faixa de trabalhabilidade. Com a moldagem e posterior ruptura à compressão de corpos-
de-prova são obtidos os outros pontos do Diagrama de Dosagem.

Para cada traço faz-se a determinação da resistência à compressão nas idades


especificadas, obtendo-se os valores de “fc”. Com a medição da água adicionada para
em cada traço se obtém a relação a/c, dividindo-se a quantidade total de cimento pela
quantidade de água em cada traço “m” e o consumo pode ser calculado através da massa
específica do concreto fresco ou através da fórmula do consumo teórico de cimento.

Com os resultados obtidos é possível montar o “Diagrama de Dosagem” ou calcular as


equações que relacionam as variáveis (“a/c X fc”, “a/c X m” e “m X consumo”). A
partir do diagrama ou equações é possível determinar um traço de concreto a partir de
especificação de qualquer variável: resistência em diversas idades, relação água/cimento
ou consumo de cimento. Cabe ressaltar que as relações são válidas para concretos de
mesma consistência, além disto, deve ser destacado que só é válida a interpolação de
valores, não se podendo afirmar nada sobre o comportamento do concreto para valores
extrapolados

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Para a dosagem foi fixado um Slump de 6 +/- 1, e o teor de argamassa foi ajustado
em 51%.

2.3 – Materiais Utilizados

Utilizou-se na dosagem experimental cimento V-ARI da marca Supremo Secil, a areia


utilizada foi classificada como média e a brita utilizada foi brita 1.

Tabela 1: Caracterização dos agregados


Agregado Agregado
Tipo de ensaio
miúdo graúdo

Ø máx (mm) 4,75 19


Composição granulométrica
Módulo de Finura 2,84 4,69

Massa específica aparente (g/cm³) 2,62 2,60

Massa unitária solta (g/cm³) 1,55 1,41

Índice de volume de vazios (%) 40,87 43,54

Absorção (%) 3,67 1,54

2.4 – Resultados

Com os resultados obtidos é possível calcular as equações que relacionam as variáveis.


Para encontrar as equações foi realizada uma regressão linear simples pelo método dos
mínimos quadrados.

Tabela 2: Resistências à compressão aos 3 dias


Traço Rico Traço Traço Pobre
Médio
m m m
3,5 5 6,5
1,295 2,060 2,825 areia
Teor de argamassa=51% 2,205 2,940 3,675 pedra
a/c 0,41 0,50 0,69
Densidade = 2,330 2,190 2,360 kg/l
Consumo de cimento = 475 337 288 kg/m3
fc = 42,36 33,49 23,89 MPa

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Tabela 3: Resistências à compressão aos 7 dias
Traço Rico Traço Traço Pobre
Médio
m m m
3,5 5 6,5
1,295 2,060 2,825 areia
Teor de argamassa=51% 2,205 2,940 3,675 pedra
a/c 0,41 0,50 0,69
densidade = 2,330 2,190 2,360 kg/l
Consumo de cimento = 475 337 288 kg/m3
fc = 45,00 38,00 28,00 MPa

Tabela 4: Resistências à compressão aos 28 dias


Traço Rico Traço Médio Traço Pobre
m m m
% argam. 3,5 5 6,5
1,295 2,060 2,825 areia
Teor de argamassa51% 2,205 2,940 3,675 pedra
a/c 0,41 0,50 0,69
densidade = 2,330 2,190 2,360 kg/l
Consumo de cimento = 475 337 288 kg/m3
fc = 60,00 39,00 35,00 MPa

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Equações Fundamentais (3 dias)

Tabela 5: LEI DE ABRAMS

DADOS DE ENTRADA DADOS CALCULADOS P/ A REGRESSÃO


PONTOS x (a/c) y (fc3) y' x² y'² x.y'
1 0,690 23,89 1,3782161 0,4761 1,8994798 0,9509691
2 0,500 33,49 1,5249151 0,25 2,3253662 0,7624576
3 0,410 42,36 1,626956 0,1681 2,6469857 0,6670519
4
5
6
SOMATÓRIOS 1,6 99,74 4,5300872 0,8942 6,8718316 2,3804787

Sxx = 0,040866667 b'=Sxy'/Sxx= -0,8703395


Sy'y' = 0,031268137 a'=(soma y'/n) - b'.(soma x/n)= 1,9742102
Sxy' = -0,03556788 Se= (SQR/(n-2))^1/2= 0,0176638
Soma dos
Quadrados dos
Resíduos (SQR) = 0,000312009 Sa ={[(soma x²)/(n.Sxx)]^1/2}.Se= 0,0477041
Sb=Se/(Sxx)^1/2= 0,0873773

A= 94,23455102 r= Sxy'/(Sxx.Sy'y')^1/2 -0,995


B= 7,418900222 r² = 0,9900215

94,2346
fc7 = a/c
7,4189
r² = 0,9900

Tabela 6: LEI DE
MOLINARY

DADOS DE ENTRADA DADOS CALCULADOS P/ A REGRESSÃO


PONTOS x (m) y (Cons) y' x² y'² x.y'
1 6,500 288,0 0,0034722 42,25 1,206E-05 0,0225694
2 5,000 337,0 0,0029674 25 8,805E-06 0,0148368
3 3,500 475,0 0,0021053 12,25 4,432E-06 0,0073684
4
5
6
SOMATÓRIOS 15 1100 0,0085448 79,5 2,529E-05 0,0447747

Sxx = 4,5 b'=Sxy'/Sxx= 0,0004557


Sy'y' = 9,55558E-07 a'=(soma y'/n) - b'.(soma x/n)= 0,00057
Sxy' = 0,002050439 Se= (SQR/(n-2))^1/2= 0,0001458
Soma dos
Quadrados dos
Resíduos (SQR) = 2,12692E-08 Sa ={[(soma x²)/(n.Sxx)]^1/2}.Se= 0,0003539
Sb=Se/(Sxx)^1/2= 6,875E-05

A= 0,57001637 r= Sxy'/(Sxx.Sy'y')^1/2 0,988808


B= 0,455653021 r² = 0,9777416

8
1000
Cons =
+ 0,4557 *m
0,57

r² = 0,9777

Tabela 7: LEI DE INGE


LYSE

DADOS DE ENTRADA DADOS CALCULADOS P/ A REGRESSÃO

PONTOS x (a/c) y (m) x² y² x.y


1 0,690 6,500 0,476 42,250 4,485
2 0,500 5,000 0,250 25,000 2,5
3 0,410 3,500 0,168 12,250 1,435
4
5
6
SOMATÓRIOS 1,600 15,000 0,894 79,500 8,420

Sxx = 0,040866667 b=Sxy/Sxx= 10,27732463


-
Syy = 4,5 a=(soma y/n) - b.(soma x/n)= 0,481239804
Sxy = 0,42 Se= (SQR/(n-2))^1/2= 0,428396608
Soma dos
Quadrados dos
Resíduos (SQR) = 0,183523654 Sa ={[(soma x²)/(n.Sxx)]^1/2}.Se= 10,90898522
Sb=Se/(Sxx)^1/2= 2,119148623

A= -0,4812398 r= Sxy'/(Sxx.Sy'y')^1/2 0,979396


B= 10,27732463 r² = 0,959217

m= -0,4812 + 10,2773 *a/c


r² = 0,9592

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Equações Fundamentais (3 dias)

𝐟𝐜 3 dias = 94,2346 ÷ 7,4189 ^ a/c


𝐑2=0,9900

Cons = 1000 ÷ 0,57 + 0,4557 × m a


𝑚 = −0,4812 + 10,2773 ×
R2=0,9989 c
R2=0,9592

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Equações Fundamentais (7 dias)

c 7 dias = 89,0031 ÷ 5,3708

2=0,9984

Cons = 1000 ÷ 0,57 + 0,4557 × m


R2=0,9989
𝑚 = −0,4812 + 10,2773 × /

R2=0,9592

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Equações Fundamentais (28 dias)

c 28 dias = 108,3875 ÷ 5,5536

2=0,7391

Cons = 1000 ÷ 0,57 + 0,4557 × m

𝑚 = −0,4812 + 10,2773 ×
R2=0,9989

R2=0,9592

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Capítulo 6 – Considerações Finais

Através dos estudos de dosagem realizados pode-se perceber que dentro dos limites
de resistência para os quais os métodos foram propostos, foram obtidos concretos de
qualidade, com resultados de ensaios satisfatórios e com um consumo de cimento dentro
de um limite comercial aceitável.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CREMONINI, Ruy Alberto. Edificações I: Dosagem dos Concretos. 20 jul. 2007, 13


dec. 2007. 23 p. Notas de Aula. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

HELENE, P. R. L; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto.


Brasília, PINI, 1992.

MEHTA, P. K.; AÏTICIN, P. C. C. Principles Underlying Production of High-


Performance Concreto. USA, American Society fo testing and materials, 1990.

SILVA, M. R. Materiais de Construção. 2ªed. São Paulo, PINI, 1991.

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