Você está na página 1de 4

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES

FUPEA I
PROFESSORA: VERA SIMÕES
ALUNAS: EDLENE O. S. REIS E ELIANA ASSIS

RESENHA:

IAVELBERG, Rosa. Histórico das tendências pedagógicas no ensino de arte. In:


Para gostar de aprender arte: Sala de aula e formação de professor. Porto Alegre:
Artmed, 2003.

ROSA, M.C. A formação de professores de Arte – diversidade e complexidade


pedagógica. Cap. I: Situando a formação de professores/as no contexto da
educação geral. Florianópolis: Insular, 2005.

Os textos apresentados nesta resenha conversam, de certa maneira, por


apresentarem perspectivas sobre as tendências pedagógicas no ensino de arte
(texto de Iavelberg) e de que maneira tais perspectivas se ligam aos períodos
históricos nos quais estão inseridas, sendo marcante a atuação política dos
professores de arte para que mudanças nos quadros apresentados pudessem
ocorrer, proporcionando um ensino de arte atual que, embora ainda imperfeito, se
apresenta como resultado da luta por melhores condições de trabalho e, acima de
tudo, por um ensino de arte que valorize a liberdade e a prática social.

As tendências pedagógicas no ensino de arte, apresentadas por Iavelberg, deixam


claro que tais tendências no Brasil foram influenciadas pelas ideologias dominantes
em suas épocas.

Os Jesuítas – o cristianismo, a missão francesa – o iluminismo, por exemplo.

Algumas dessas tendências discordavam em vários aspectos de outras: a escola


tradicional, que deixava o processo de lado e focava no resultado final desenvolvido
pelo aluno e que, além disso, não tinha vínculo com a realidade social exigia dos
alunos silêncio e atenção, enquanto a escola nova se preocupava com a
criatividade.

Fato é que, tal como apresentado por Iavelberg (2003) “qualquer mudança que não
for acompanhada por formação continuada de professores tende a ser deformada
na prática educativa”.

A partir dos anos 70, impulsionados pela expansão capitalista no contexto da Guerra
Fria o modelo “importado” para o ensino de arte (e de todas as matérias do currículo
escolar) foi o tecnicismo, o qual focava seus esforços na preparação para o mercado
de trabalho. O behaviorismo, com seus reforços positivo e negativo poderiam
“adestrar” os alunos através também das práticas de repetição, tão largamente
usadas no período.

Nesse período acontece um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, e desse


acordo, chamado MEC-USAID, surge a lei 5692/71, que cria a disciplina de
Educação Artística.

Nos anos 80 é a vez da expansão capitalista que, através do Neoliberalismo,


começa a “dar as cartas” na educação pública e no ensino de arte no Brasil.

O neoliberalismo busca a precarização do profissional, o que pode ser visto, de


acordo com o texto de Rosa (2005) nas reformas educativas brasileiras e na
atribuição aos profissionais de arte de carga maior de tarefas por um salário pouco
atrativo (p. 2). A autora chama a atenção para esse fenômeno que acontece na
educação e que é chamado de proletarização da atuação docente.

Além disso, uma das premissas do Neoliberalismo é o enfraquecimento das


associações e sindicatos de trabalhadores, fato que é possível vislumbrar nas
investidas de governos pós 64 no que diz respeito aos sindicatos e associações de
trabalhadores da educação. Embora tenham o direito de se manifestar, os governos
os têm direcionados de maneira a manifestarem a seu favor.

Como bem menciona Rosa (2005)


desestruturar as associações, enfraquecê-las e diminuir seu valor de
organização social, pode ser compreendido como uma estratégia de
ampliação da hegemonia da política dominante. Cabe a cada Associação,
a Federação e todos nós construirmos estratégias de resistência as
políticas de cooptação.

De fato, as políticas públicas para o ensino de arte e para a formação do professor


de arte no Brasil começam a ganhar força e debates mais frequentes a partir dos
anos 80, momento em que há uma certa abertura, já que compreende justamente
o período da redemocratização no nosso país.

Rosa (2005) deixa claro que a análise da conjuntura das políticas públicas que
incidem sobre a formação de professores de Artes se dá a partir da década de 1980,
quando começam os debates para a formulação de uma nova LDB.

A autora a afirma ainda que

Os pressupostos do Movimento Escola Nova, dos quais Darci Ribeiro era


signatário, foram alvo de um longo combate na construção da LDB
9394/96. A lei, que demorou cerca de dez anos para ser aprovada,
vivenciou momentos de grandes conflitos entre o Fórum em Defesa da
Escola Pública, no qual a FAEB tinha assento, e os interesses dos
empresários do ramo educacional.

As universidades que se enveredam na tarefa de formar professores de artes


acabam por ter a difícil tarefa de articular a formação de conteúdo e a formação
pedagógica, Rosa (2005) diz que

O perfil profissional desejado do egresso das licenciaturas em Artes


Visuais é o de um profissional reflexivo, criativo, que apresente
considerável conhecimento sobre a realidade artístico-cultural, sobre a arte
em diferentes tempos, espaços e proposições e que aponte um viés
multicultural-crítico.

Além disso, ela continua dizendo que desse profissional

se exige que tenha o domínio pedagógico de como ensinar, seja articulado


com as instituições culturais e a comunidade e que, fundamentalmente,
conheça o processo de aprendizagem. Da mesma forma, esse perfil
precisa de uma formação cultural mais ampla e que de fato mantenha
interlocução com a sociedade.

Uma formação assim com certeza exige de tal profissional o desenvolvimento de


criticidade, não cabendo nesse contexto o conceito de professor como mero
implementador de políticas educacionais.

O professor deve estar preparado não apenas para monitorar os debates, mas para
se apresentar como um agente, junto com seus alunos, em práticas de construção
conjunta de conhecimento.