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(CP, ART.

1º A 12) TÍTULO I- DA APLICAÇÃO DA PENA – CÓDIGO


PENAL “PARTE GERAL” (CP, ART. 1 A 120)

TÍTULO I- DA APLICAÇÃO DA PENA


Anterioridade da lei
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem
prévia cominação legal.
CF, art. 5º, XXXIX
CPM, art. 1º
Lei penal no tempo
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais
da sentença condenatória.
Pacto de São José da Costa Rica, art. 9º
Parágrafo único – A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença
condenatória transitada em julgado.
CF, art. 5º, XL
CP, art. 107, III
CPP, art. 2º
CPM, art. 2º
LEP, art. 66, I.
Súmula 471 – STJ:
Súmula 501 – STJ:
 Irretroatividade da Lei Penal (ou Retroatividade da Lei Penal mais benéfica)

Significa que a lei penal não pode retroagir, salvo para beneficiar o acusado.

Aplicação da Lei Penal


Regra Exceção
(Tempus regit (Extratividade da norma penal)
actum)
Em regra, se aplica Contudo, excepcionalmente é possível a aplicação da Lei a fatos ocorridos antes
a Lei vigente à ou depois da vigência da lei, desde que para favorecer o Agente.
época dos fatos. Retroatividade Ultratividade
Aplicação da Lei nova, mais benéfica Aplicação de Lei já revogada, ou seja,
ao agente, aos fatos ocorridos antes da após o seu período de vigência.
sua vigência.
Não Retroage Retroage
Novatio legis Novatio legis Lex gravior Novatio legis Lex mitior Abolitio
incriminadora in pejus (Lei mais in mellius (fa- (lei mais Criminis
(prejudicial) grave) vorável) branda)
 Abolitio Criminis (CP, art. 107, III)
É a revogação da lei penal incriminadora, afastando, portanto, a sua tipicidade.
Efeitos: Extingue-se a punibilidade do agente (apaga-se os efeitos penais da condenação)
a) Elimina o dever de cumprir a pena;
b) Não gera reincidência;

Atenção! Os efeitos civis da pena, contudo, permanecem

Súmula 711 - STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a
sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

Crime Habitual Crime continuado (CP, art. 71) Crime permanente


Ocorre quando se tem a Se constitui quando o agente É o crime cuja consumação se
habitualidade da conduta comete 02 ou mais crimes da prolonga no tempo por vontade do
ilícita que se torna um estilo mesma espécie, mediante mais de agente.
de vida. 01 ação ou omissão, com o Exemplo: Sequestro.
Exemplo: Rufianismo e o mesmo “modus operandi” e
curandeirismo arts. 230 e 284 dentro de prazo razoável que
do CP permita caracterizar a
continuidade.
Atenção! Cada ato é um crime
autônomo sendo tratado em
conjunto, como crime único, por
ficção jurídica, apenas para fins
de aplicação da pena em favor do
réu.
Exemplo: caixa de supermercado
que ao longo de 01 semana furta
30 reais por dia de seu caixa.
Não admite flagrante: pois só Admite flagrante em cada uma Admite flagrante durante sua
se consuma através de várias dos atos, pois são crimes consumação.
condutas reiteradas e não autônomos.
individualmente.

P. Quem tem a competência para aplicação da lei penal nova mais favorável?

Súmula 611 - STF: transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções a
aplicação de lei mais benigna. Assim:
Durante o Processo em 1º Grau Em grau de Recurso Transitada em julgado a
sentença condenatória
Cabe ao Juiz do Processo de Cabe ao Tribunal de JUstiça Cabe ao Juízo das Execuções
Conhecimento penais.

 Combinação de Leis Penais.

P. É possível a combinação de leis penais pelo Juiz para beneficiar o réu? Exemplo: um indivíduo praticou
tráfico de drogas sob a égide da Lei 6.376/1976. Por ocasião da sentença, já havia sido editada a Lei
11.343/2006. Poderia o juiz combinar as duas leis, aplicando a pena cominada na Lei 6.376/1976 (mais
benéfica) com a causa de diminuição prevista no § 4º da Lei 11.343/2006.

Prevalece o entendimento de que não pode, pois o Juiz estaria legislando. Assim, na prática, o Juiz tem
que aplicar a Lei que, individualmente, seja mais favorável ao réu.

Súmula 501 – STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da
incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da
Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de
sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao
fato praticado durante sua vigência.
 Leis Intermitentes (Temporárias ou Excepcionais).
Leis Intermitentes
É gênero do qual são espécies:
Leis Temporárias Leis Excepcionais
São as normas cujo prazo de vigência vem São normas editadas para serem aplicadas durante
determinado no próprio texto (Autorrevogação). uma situação ou período de excepcionalidade.
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado.
 Tempo do Crime.
 O CP adota a Teoria da Atividade.
P. Se um agente, pouco antes de completar 21 anos, atira na vítima, que fica 02 semanas internada e morre
quando o agente já tem completado 21 anos. Esse agente se beneficiará da menoridade relativa do CP, art.
651?
SIM, pois como explicita o art. 4º, considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão.
Nxxdc
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e
regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
 Territorialidade – Territorialidade Temperada.

Territorialidade (aplica-se a lei brasileira ao crime cometido no território nacional)


temperada (sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional).
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no
espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves
ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso
no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou
mar territorial do Brasil.
Síntese: Territorialidade – Aplicação da Lei Brasileira a crimes cometidos em território
nacional ou território nacional por equiparação:
Aplicam-se as Leis brasileiras Aplicam-se as Leis dos do país
cuja bandeira ostentam
a) Embarcações ou aeronaves: b) Embarcações ou aeronaves: c) Embarcações ou aeronaves:
brasileiras + de natureza brasileiras ou estrangeiras + de estrangeiras + de propriedade
propriedade privada. privada.

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CP, Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
I - ser o agente menor de 21, na data do fato, ou maior de 70 anos, na data da sentença.
pública ou a serviço ˪ No território nacional: ˪ Em espaço internacional:
brasileiro. espaço aéreo ou mar espaço aéreo
˪ Onde quer que se territorial brasileiro. internacional ou alto-mar.
encontrem.

Atenção! São consideradas Atenção! Não são Não são consideradas extensão
extensão do território nacional. consideradas extensão do do território nacional, nem
território nacional, apenas aplica-se a lei brasileira.
aplica-se a Lei Brasileira
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como onde ser produziu ou deveria
produzir-se o resultado.
Vide: CPP, art. 69, 70 e 71…

 Lugar do Crime – Teorias:


Existem 03 importantes teorias para a definição do Lugar do Crime:
Teoria da Atividade (ou da Teoria do Resultado (ou do Teoria da Ubiquidade (ou
Ação) Evento) (CPP, art. 70) Mista) (CP, art. 6º)
Lugar do crime: é aquele onde Lugar do crime: é aquele onde Lugar do crime: é tanto onde foi
foi praticada a conduta (ação ou se produziu ou se deveria praticado a conduta, como onde
omissão) produzir o resultado, não se produziu o resultado.
importando o lugar da conduta.
 Adotada pelo CPP, art.  Adotada pelo CP, art. 6º
70.
Aplicabilidade: aplica-se no Aplicabilidade: é a Regra, Aplicabilidade: somente aos
Brasil em casos excepcionais. aplicando-se a todos os delitos, Crimes à Distancia
salvo as exceções previstas em
Lei, quando aplicam-se a Teoria
da Atividade ou da
Ubiquidade.

 Teoria da Ubiquidade (ou Mista) (CP, art. 6º)– crimes praticados no Brasil, mas com
resultado no Exterior, ou vice-versa (abrange o território de 02 países)

 São: Crimes à distância, nesses o Direito Penal Internacional é mais claro.

Nesses casos, aplica-se Teoria da Ubiquidade (ou Mista): nos termos do CP, art. 6º, esse crime será
considerado praticado tanto no Brasil como no estrangeiro.

Cuidado! Crimes à Distância ≠ Crimes Plurilocais


Crimes à Distância Crimes Plurilocais
O delito é iniciado no brasil, porém se consuma no O delito envolve 02 ou mais comarcas.
exterior ou vice-versa.

Aspectos relativos a aplicabilidade do: CP, art. 6º e CPP, art. 69 e 70, Competência, serão tratados no
Resumo do CPP, art. 69 e 70.
Extraterritorialidade
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída
pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou
condenado no estrangeiro.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes
condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora
do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

Tabela: MUITO IMPORTANTE!


Síntese (CP, art.7º): Extraterritorialidade – Ficam sujeitos à lei brasileira, embora
cometidos no estrangeiro, os crimes:
Casos de Extraterritorialidade incondicionada (CP, art. 7º, I c/c §1º):
o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro:
1. contra a vida ou a liberdade do Presidente da
República
2. contra o patrimônio ou a fé pública da
U/DF/E/Território/M/Empresa pública/Sociedade de economia mista/Autarquia ou fundação
instituída pelo Poder Público
˪ Atenção! Não são só Entes de Direito Público, pois englobam as: E.P. e as S.E.M.
3. contra a administração pública, por quem está a seu serviço;

 Nesses incidem o: Princípio da Defesa (ou da Proteção): considera o bem jurídico


protegido ser nacional.
P. A justiça brasileira é competente para julgar crime de falsificação de vistos, cometido por
funcionário local, espanhol, no Consulado Brasileiro em Barcelona?
SIM, CP, art. 7, I, c.
4. Genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.

 Nesse incide o: Princípio da Justiça Universal: Bem jurídico de Interesse Transnacional.

Casos de Extraterritorialidade condicionada (CP, art. 7º, II c/c §2º): o agente somente é
punido segundo a lei brasileira se houver o concurso das seguintes condições:
a) Entrar o agente em território nacional.
b) Ser o fato punível também no país em que foi praticado.
c) Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição.
- Não ter o agente (segundo a Lei mais favorável):
d) sido absolvido no estrangeiro
e) sido perdoado no estrangeiro.
f) cumprido pena no estrangeiro
g) extinta a sua punibilidade.
5. Que, por tratado ou convenção, o brasil se obrigou a reprimir.
 Nesse incide o: Princípio da Justiça Universa: Bem jurídico de Interesse Transnacional.
6. Praticado por brasileiro.
 Nesse incide o: Princípio da Nacionalidade Ativa: autor brasileiro.

7. praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em


território estrangeiro e aí não sejam julgados.
 Nesse incide o: Princípio da Representação (da Bandeira ou do Pavilhão): não havendo
outro critério prevalece o fato de ser a bandeira brasileira.

Casos de Extraterritorialidade Hipercondicionada (CP, art. 7º, II c/c §3º): o agente


estrangeiro + que cometer crime contra brasileiro + fora do Brasil, será punido com a Lei
Brasileira se reunir as seguintes condições.
 Nesse incide o: Princípio da Nacionalidade Passiva: vítima brasileira.

(CP, art. 7º, II c/c §2º) (CP, art. 7º, II c/c §3º):
a) Entrar o agente em território nacional. h) Não foi pedida a sua extradição
b) Ser o fato punível também no país em que foi i) Foi negada a sua extradição
praticado. j) Houve requisição do ministro da Justiça
c) Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a
lei brasileira autoriza a extradição.
- Não ter o agente (segundo a Lei mais favorável):
d) sido absolvido no estrangeiro
e) sido perdoado no estrangeiro.
f) cumprido pena no estrangeiro
g) extinta a sua punibilidade.
Pena cumprida no estrangeiro
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil
pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando
idênticas.

Eficácia de sentença estrangeira


Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz
na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para:
I – obrigar o condenado à reparação do dano, a restituição e a outros efeitos
civis;
II – sujeita-lo a medida de segurança.
Parágrafo único – A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país
de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de
requisição do Ministro da Justiça.
Contagem de prazo
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os
dias, os meses e os anos pelo calendário comum.
Frações não computáveis da pena
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas
de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.
Legislação especial
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados
por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.