Você está na página 1de 4

1.O AMBIENTE ORGANIZACIONAL: OS PARÂMETROS DA AÇÃO GERENCIAL.

(SOBRAL, 2008, P-
71)

A visão predominante nas sociedades ocidentais, segundo a qual os administradores são


diretamente responsáveis pelo alcance dos resultados organizacionais (visão onipotente da
administração). A esta contrapõe-se outra perspectiva, na qual o papel do administrador é
limitado por forças internas e externas à organização que escapam ao seu controle (visão
simbólica da administração).
A visão onipotente da administração reflete um pressuposto básico: a qualidade dos
administradores determina a qualidade da organização. Em contrapartida, a visão simbólica da
administração considera que o impacto do administrador nos resultados organizacionais é
mínimo e limitado. Segundo essa perspectiva, os resultados são muito mais condicionados por
fatores fora do controle do administrador como a economia, o mercado, as políticas
governamentais, as ações dos concorrentes ou as decisões tomadas por antigos administradores
da organização. A realidade empresarial sugere uma síntese entre essas duas visões. O gerente
opera condicionado pelas restrições impostas pelos ambientes externos e internos da
organização, mas mesmo assim, tem espaço para a ação gerencial.

O AMBIENTE DAS ORGANIZAÇÕES. (SOBRAL, 2008, P-72)

Independentemente do tipo de organização, o ambiente é uma força poderosa com impacto


no sucesso ou insucesso das organizações. Cabe aos administradores monitorarem e analisarem
o ambiente organizacional para detectar potenciais oportunidades e ameaças para suas
organizações. Para compreender o ambiente e seus efeitos sobre as organizações, os
administradores devem fazer uso da análise ambiental.
A análise ambiental baseia-se nos conceitos da teoria dos sistemas e de contingência e faz
parte da reflexão estratégica de qualquer organização. O termo ambiente organizacional refere-
se ao conjunto de forças, tendências e instituições, tanto externas como internas à organização
que tem potenciais para influenciar seu desempenho. A análise ambiental distingue entre o
ambiente externo e interno. O ambiente externo é o contexto no qual as organizações existem
e operam sendo constituídos pelos elementos que se encontram fora dos limites das
organizações. O ambiente externo pode ser dividido em ambiente contextual, que inclui todos
os fatores que existem fora da organização, mas que independem da ação dela como os fatores
econômicos, políticos-legais, socioculturais, demográficos e tecnológicos. O ambiente
contextual afeta a organização indiretamente. Por outro lado, o ambiente operacional é a parte
do ambiente externo diretamente relevante para o alcance dos objetivos das organizações. É
composto pelas forças, atores e instituições que podem influenciar de forma positiva ou
negativa o desempenho da organização e abrange fornecedores, clientes ou consumidores,
empresas competidoras etc.
O ambiente interno é composto pelos elementos internos da organização, como
trabalhadores, administradores, cultura organizacional, etc. Esses elementos influenciam a
adequação da organização ao ambiente externo e consequentemente o desempenho
organizacional.

O AMBIENTE INTERNO E A CULTURA ORGANIZACIONAL; (SOBRAL, 2008, P-73)


É o ambiente interno que marca a singularidade organizacional, uma vez que se refere aos
pontos fortes e fracos particulares de uma organização. A cultura representa muito da
personalidade de uma organização já que se refere a características e traços relativamente
permanentes que marcam sua trajetória de atuação e perpassam todos os elementos do
ambiente interno. De fato, a cultura organizacional se expressa nas políticas e recursos humanos
nos estilos de liderança, nas tomadas de decisão e até no ambiente físico e tecnológico da
organização.
A cultura organizacional é definida como um conjunto de significados compartilhados pelos
membros da organização, expressa e produzida por meio de histórias, rituais, lendas, símbolos,
linguagem e cerimônias. A cultura organizacional diferencia uma organização de outra. Segundo
Schein, a cultura pode ser aprendida em vários níveis:
- Artefatos: são todas as coisas que as pessoas podem ver ou ouvir no dia-a-dia da
organização.
- Valores: resultam da crença sobre o que é certo ou errado.
- Pressupostos básicos: percepção não questionada da realidade. Determinam como os
membros da organização percebem, pensam e sentem.
Independentemente da perspectiva, é indiscutível que a cultura condiciona a forma como
os membros percebem a organização e como respondem a seus desafios e problemas. A cultura
guia o comportamento e as decisões dos membros organizacionais, tendo uma influência direta
no desempenho organizacional.

O AMBIENTE CONTEXTUAL E ANÁLISE DE STAKEHOLDERS. (SOBRAL, 2008, P-76 -90)

O ambiente contextual corresponde ao conjunto amplo e complexo de fatores externos à


organização que a influenciam geralmente de forma indireta. Pode ser agregado em cinco
grupos de fatores: demográficos, socioculturais, econômicos, políticos-legais e tecnológicos.
- Fatores demográficos: composição de dada população e define-se por variáveis como a
estrutura etária, o gênero, nível educacional e ocupação profissional.
- Fatores socioculturais: Valores, normas, estilos de vida, hábitos e costumes de uma
sociedade.
- Fatores econômicos: expansão ou recessão da economia, produto interno bruto, nível
salarial, tendência inflacionista e taxas de câmbio.
- Fatores políticos-legais: estabilidade política, clima ideológico geral, políticas econômicas,
lobby, regulamentações governamentais.
- Fatores tecnológicos: A inovação tecnológica de produtos, processos e materiais, legislação
sobre proteção de patentes.
O ambiente operacional é constituído por todos os elementos que interagem de forma mais
direta e próxima com a empresa. Alguns deles são:
- Clientes: basicamente definem o sucesso da empresa;
- Fornecedores: Só compreendendo os seus fornecedores que as empresas conseguem
estabelecer relações que lhes permitam ter vantagens sobre seus concorrentes, como preços
baixos, ou entregas mais rápidas).
- Concorrentes
- Instituições financeiras
- Meios de comunicação
- Grupos de interesse especiais: Há um grande número de grupos com os quais as
organizações estabelecem relações, com influência direta em seu desempenho competitivo. São
os casos dos sindicatos, associações empresariais, associações de defesa do consumidor,
associações ecológicas e organizações não-governamentais. O monitoramento e análise desses
grupos são base do controle social e tem fortalecido a responsabilidade social das empresas.
Os stakeholders são todos aqueles que influenciam de forma decisiva ou são importantes
para o sucesso da organização. Pela análise dos stakeholders a organização pode identificar os
principais atores envolvidos, seus interesses afetarão os riscos e as chances de sucesso da
organização.
Segundo Freeman (1984), as empresas necessitam administrar suas relações com os
stakeholders de forma mais proativa. Para isso devem percorrer as seguintes etapas:
- identificar os stakeholders da organização;
- determinar a importância e o impacto de cada stakeholder para a organização;
- determinar quais são os stakeholders críticos para a organização;
- desenvolver uma abordagem diferenciada para cada um dos stakeholders de acordo com
sua relevância e características específicas.
Se o stakeholder tem uma importância crítica, mas a incerteza que lhe está associada é
baixa, ou seja, sua atuação é previsível, a organização deve administrar diretamente sua relação
com o stakeholder, com o desenvolvimento de ações específicas, como relações públicas e
lobbyng.

A RELAÇÃO ORGANIZAÇÃO-AMBIENTE.

O conhecimento das condicionantes ambientais de cada empresa, é portanto, fundamental


para seu sucesso e, no longo prazo, para sua sobrevivência. A relação organização-ambiente
torna-se mais difícil de gerir quando as organizações atuam em um contexto de incerteza
ambiental, no qual os administradores não dispõem de informações suficientes sobre os
diversos fatores ambientais. Duas dimensões importantes para aferir o grau de incerteza
ambiental são: o ritmo de mudança não planejada e a complexidade ambiental.
O ritmo de mudança não planejada define se a empresa opera em um ambiente estável ou
dinâmico, enquanto o grau da complexidade ambiental refere-se ao número de fatores
ambientais que afetam a empresa. Em contextos ambientais de alta incerteza, como é o caso
das empresas de base tecnológica, estas precisam se esforçar continuamente para acompanhar
e se adequar às mudanças operadas no ambiente. Casa contrário, serão rapidamente
ultrapassadas por correntes mais ágeis.
As empresas podem adotar estratégias de monitoramento, de adaptação ou de reação ao
ambiente. O monitoramento do ambiente realiza-se com o objetivo de perceber os primeiros
sinais de mudanças nos fatores que vão influenciar a empresa. As empresas que enfrentam alto
grau de incerteza ambiental podem utilizar várias estratégias de adaptação ao ambiente, a
saber:
- Papéis de transposição de fronteiras;
- Parcerias interorganizacionais;
- Fusões e joint-ventures
Os gestores não devem se limitar a acompanhar as tendências do ambiente ou adaptar suas
organizações a ele, e sim tentar igualmente influenciar sua evolução. Alguns exemplos de ações
gerenciais com o objetivo de alterar o ambiente são:
- Ações de relações públicas;
- Ações de responsabilidade socioambiental;
- Ações legais;
- Ações políticas;
- Cooptação;
- Coalizões e associações (parceria entre duas ou mais empresas com interesses similares
para atuarem conjuntamente por algum período).

CULTURA ORGANIZACIONAL E AMBIENTE EXTERNO. (SOBRAL, 2008, P-91)

Por culturas fortes compreendem-se as organizações nas quais os valores-chave são


intensivamente mantidos e compartilhados, tendo maior influência nos funcionários. Nas
organizações com cultura fraca, o impacto desta nos funcionários é menor, já que não existe
uma quantidade considerável de valores a ser compartilhada.
Os resultados com relação ao ambiente organizacional e à cultura organizacional devem ser
vistos de forma integrada. Afinal, o processo de administração é um contínuo ajustamento do
ambiente interno, representado pela cultura organizacional, e as características mutantes do
ambiente externo.