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SUPERINTENDÊNCIA DE ENSINO MÉDIO

GERÊNCIA DE PROFEN/EJA

PROGRAMA DE FORTALECIMENTO DO ENSINO NOTURNO


“PROFEN”

GOIÂNIA – GO
OUTUBRO/2017
GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS
MARCONI FERREIRA PERILLO JÚNIOR

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTE.


RAQUEL FIGUEIREDO ALESSANDRI TEIXEIRA

SUPERINTENDÊNCIA DE ENSINO MÉDIO – SEM


JOÃO BATISTA PERES JÚNIOR

GERÊNCIA DE PROFEN / EJA


FABÍOLA CORREIA DE SOUZA ARAÚJO MOREIRA

GERÊNCIA DE ENSINO MÉDIO


REGINA EFIGÊNIA DE JESUS SILVA RODRIGUES

COORDENADOR REGIONAL DA METROPOLITANA


MARCELO OLIVEIRA

COORDENADORA PEDAGÓGICA DE EJA


HELIMAR VIEIRA MORAIS

NOVEMBRO/17
SUMÁRIO

1. JUSTIFICATIVA 03
2. O PROJETO 07
2.1 PÚBLICO-ALVO 09
2.2 MATRÍCULA 10
2.3 CURRÍCULO 10
2.4 AVALIAÇÃO 12
3. OBJETIVO 13
4. BASE LEGAL 13
5. ACOMPANHAMENTO DO PROJETO 14
5.1. Avaliação do Projeto 14
6. AVALIAÇÃO 16
7. PROPOSTA CURRICULAR 17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18
APÊNDICE 19

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1. JUSTIFICATIVA

Ao analisar a história da educação no Brasil, percebe-se que:


O ensino médio no Brasil foi implantado com o intuito de preparar para
o ensino superior. A natureza estritamente propedêutica e com oferta
limitada perdurou até 1930, quando se instalou no País a necessidade de
impulsionar o desenvolvimento nacional e, com ele, a escolarização
atrelada à profissionalização. Vislumbram-se dois contextos: de um lado,
um ensino de natureza propedêutica, objetivando o ingresso nas
universidades, e, de outro, uma escola média articulada com a
preparação para o trabalho (COSTA, p. 186, 2013).

Dessa forma, faz-se necessário repensar o ensino médio para além da perspectiva
de mera preparação para o ensino superior, buscando, também, romper com a dicotomia
entre formação propedêutica e formação profissional.
Ainda no contexto histórico deste nível de ensino, no período em que foi
promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o ensino médio, conhecido na época
como 2º grau, era intimamente ligado ao ensino técnico (RODRIGUES, 1995).
O ensino noturno já existia no Brasil desde o período Imperial, haja vista que os
alunos que tinham de trabalhar no período diurno, só podiam estudar à noite. Porém, os
resultados gerados pelo ensino noturno já não eram satisfatórios desde essa época, sendo
um aspecto a ressaltar, a problemática da evasão.
A evasão escolar no período noturno é um fator que vem se arrastando ao longo da
história educacional brasileira. De um modo geral, as taxas de evasão no período noturno
são maiores do que as do diurno. Mesmo assim, a demanda pelo ensino noturno não
diminui (RODRIGUES, 1995).
Para alcançar os objetivos propostos para o ensino médio, especialmente no turno
noturno no que se refere à sua universalização com qualidade e no que se refere à
diversificação de itinerários formativos conforme propõe a nova reforma para este nível de
ensino (Lei nº 13.415, de 2017), exige-se, principalmente na rede pública de ensino,
mudanças na política educacional que compreenda os seguintes aspectos: investimentos na
infraestrutura, revisão das propostas curriculares, mudanças nos aspectos metodológicos,
afim de cumprir as metas dos Planos (Nacional e Estadual) de Educação ora vigentes.
Analisando o contexto do ensino médio noturno na rede pública estadual mantida
pela Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (SEDUCE), constata-se que o
número de matrículas (demanda) é grande, mas a evasão também o é, principalmente na 1ª
série. Observe o gráfico abaixo, referente ao ano de 2014:

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Gráfico 1. Dados 2014.

Fonte: SIGE/2017.

No ano de 2014, conforme consta no gráfico 1, percebe-se que a maior taxa de


evasão se encontra na 1ª série do ensino médio noturno.
Nos anos de 2015 e 2016, a proporção continuou a mesma, segundo demostra os
gráficos 2 e 3.

Gráfico 2. Dados 2015.

Fonte: SIGE/2017.

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Gráfico 3. Dados 2016.

Fonte: SIGE/2017.

Logo, ao se comparar os três últimos anos, percebe-se que a taxa de evasão na 1ª


série do ensino médio noturno vem se mantendo constante, tornando-se esta série e este
turno, pontos de atenção especial da rede. Observe o gráfico 4.

Gráfico 4. Comparativo do período 2014-2016.

Fonte: SIGE/2017.

A SEDUCE possui instrumentos de avaliação de aprendizagem, com intuito de


verificar e corrigir situações-problema. Ao apropriar-se dos resultados de avaliações
internas, como as realizadas pela Superintendência de Ensino Médio (SEM) e resultados
de monitoramento e acompanhamento da rede, a SEDUCE, deparou-se com outro
problema no ensino médio noturno: o aprendizado dos alunos. Percebe-se que o público
inserido neste nível e turno, não está atingindo os objetivos de aprendizagem propostos,

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necessitando de uma especial atenção em relação às metodologias utilizadas, ao currículo
e matriz propostos, uma vez que os alunos deste período já estão inseridos, na sua maioria,
no mercado de trabalho.
Situações como as acima referidas, tem ensejado mudanças consideráveis no
cenário atual do sistema educacional brasileiro, a exemplo da proposta da Base Nacional
Curricular Comum (BNCC) e a recente Reforma do Ensino Médio, com o intuito de
melhorar a qualidade de ensino e um melhor encaminhamento do aluno em termos de
projeto de vida social e profissional. Partindo deste contexto, a necessidade de melhoria do
ensino médio noturno, especialmente no que se refere aos quesitos redução da evasão e
garantia de melhor aprendizagem por parte dos alunos e, aproveitando-se das
oportunidades geradas pelas mudanças na política e nas diretrizes educacionais acima
referidas, a SEDUCE, vem propor a presente proposta de Reforma Educacional para o
ensino médio noturno.
A necessidade de mudança nas políticas educacionais é corroborada por Krawczyk
(p. 767, 2011):
Sem dúvida, a escola precisa mudar e reencontrar seu lugar como
instituição cultural em face das mudanças macroculturais, sociais e
políticas e não apenas das transformações econômicas. Uma mudança
que não seja uma simples adaptação passiva, mas que busque encontrar
um lugar próprio de construção de algo novo, que permita a expansão
das potencialidades humanas e a emancipação do coletivo: construir a
capacidade de reflexão.

Logo, diante do atual contexto do ensino médio noturno (baixos índices de


aprendizagem e permanência na escola), tornou-se imprescindível a realização de
mudanças nesta oferta de ensino. Alterações que possam oportunizar novos
conhecimentos e chances de melhorias para este estudante trabalhador.
A Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, que substitui a Medida Provisória nº.
746/2016, em seu Art. 24, §2º, haja vista as especificidades do turno noturno e do público
nele atendido, reconhece a necessidade de os sistemas de ensino proporcionarem as
mudanças com vistas o melhor atendimento deste público, nos seguintes termos: “os
sistemas de ensino disporão sobre a oferta de educação de jovens e adultos e de ensino
noturno regular, adequado às condições do educando”. Isto, por si, baliza legalmente a
proposta de reforma aqui apresentada.
A literatura sobre o assunto aponta que, para os alunos que frequentam a escola no
turno noturno,
Os conteúdos[...], deveriam ser mais interessantes, adequados, críticos,
transmitidos de forma mais simples e, principalmente, mais numerosos.

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Uma crítica sempre presente é que a escola é fraca e os alunos apontam
como causa, além da inadequação, a insuficiência dos conteúdos
trabalhados (ZAINKO et al, p. 23, 1989).

Aparentemente uma citação antiga, mas que pode ser encontrada na realidade atual
escolar. O fato é que o ensino noturno precisa ter tratamento diferenciado. Não se pode
simplesmente transpor a estrutura curricular, as metodologias e os tempos próprios do
turno diurno para o noturno. É preciso se pensar novos arranjos, novas estratégias, novos
tempos para que a realidade do ensino noturno acompanhe a evolução e dinâmica
educacionais exigidas dos sistemas de ensino, objetivando a melhoria na aprendizagem e a
permanência do aluno na escola.
Nessa perspectiva, propomos uma reformulação curricular para o ensino médio
noturno, com flexibilidade no horário de entrada conforme as necessidades dos alunos de
cada escola e readequação do quadro de horários, respeitando as particularidades desse
público.

2. O PROJETO

Ao analisar o que a escola deve oferecer para os alunos do ensino noturno, a


SEDUCE constatou que esses alunos geralmente são trabalhadores- estudantes ou mães-
estudantes, então a atividade principal não é a escola, mas o trabalho e ou os filhos.

Visando atender a todas essas especificidades, a Superintendência de Ensino


Médio (SEM), por meio da Gerência de PROFEN/EJA, propõe este Projeto para o ensino
noturno, na expectativa de minimizar fatores dificultadores da gestão e da ação
pedagógica na rede estadual de ensino, além de proporcionar oportunidades melhores de
aprendizado para este público, bem como permanecer aprendendo.

Houve uma implantação do projeto, mas que devido à adesão de toda a rede,
tornou-se necessário a formulação de uma proposta com uma maior amplitude, corrigindo
algumas rotas.

Portanto, a proposta de trabalho aqui apresentada é de construir uma abordagem


voltada para a preparação dos estudantes do ensino médio no formato da Educação de
Jovens e Adultos (EJA), turno noturno, para que atuem como cidadãos e futuros
profissionais que contribuam para uma ressignificação protagonista de suas vidas e da

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própria realidade social em que se encontram inseridos, com currículo e matriz (apêndice)
próprios para este público.

Para tanto, se propõe uma matriz nova, diferenciada do ensino médio regular
diurno, balizada na concepção da EJA, com a carga horária diária condizente com o turno
noturno. Ressaltando que neste formato, os alunos terão uma carga horária própria, matriz
e currículo, voltados para um ensino médio noturno renovado. Neste aspecto, ela é voltada
para os alunos com idade inferior a 18 anos.

Para além da proposta diferenciada no formato de EJA, a SEDUCE ofertará a 3ª


etapa da modalidade para aqueles alunos maiores de 18 anos, por meio do reordenamento
da rede, e também o ensino médio Técnico Profissional. Este último será implementado de
forma gradativa, com adequação de espaços físicos e equipamentos, ocasionando a
diminuição da necessidade de menores no turno noturno.

Com a aprovação da BNCC, no que tange às condições de oferta para os cursos


técnicos (laboratórios, espaços físicos), a rede passará a oferecer o ensino médio noturno
com o itinerário Técnico e Profissional, sendo apresentado projeto específico à este
Conselho Estadual de Educação, para contribuições. Neste contexto, há uma articulação
com a Reforma do Ensino Médio. Se necessário for, a SEDUCE buscará firmar parcerias
com outras instituições ofertantes da Educação Profissional.

Desta forma, a rede objetiva, com o novo ensino médio noturno, garantir a
matrícula do menor de idade no turno diurno, melhorando os índices de permanência e
sucesso dos alunos, evitando a necessidade de mudança de turno.

Como a dificuldade maior, encontrada na implantação do programa, foi a


existência de um número significativo de alunos com menos de 18 anos matriculados no
noturno, para tal, a saída encontrada é a de oferecer a certificação com duração maior em
horas, considerando a diversidade de motivação para o noturno. O intuito é que a própria
rede se organize, pelo reordenamento, os alunos nas respectivas turmas no ensino noturno,
de acordo com as idades, dependendo, o menor, de autorizo do conselho.

Além do curso presencial a ser ofertado, o aluno ainda contará com a possibilidade
de realização do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos
(ENCCEJA). O espaço físico ocioso no turno noturno, também poderá ser usado para o
desenvolvimento de atividades complementares do turno diurno, como preparatórios para
o ENEM e reforço escolar, dentre outros.

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Para o alcance do sucesso do programa, a SEDUCE investirá na formação dos
profissionais do turno noturno. Para César Callegari, sociólogo e membro do Conselho
Nacional de Educação, “alega-se que há um desinteresse na EJA por parte das pessoas,
mas isso acontece por causa da falta de preparo dos professores, falta de estrutura, falta de
um currículo interessante e atendimento às expectativas”. Reconhecendo a necessidade de
formar profissionais para atuar com excelência, a rede proporcionará formações
continuadas.

2.1 PÚBLICO-ALVO

Serão beneficiários desta Proposta, os estudantes do Ensino Médio do turno


noturno, de todas as unidades escolares da rede. De acordo com dados obtidos no sistema
da SEDUCE, atualmente, há 14.574 alunos matriculados no ensino médio da rede estadual
de educação no turno noturno, que trabalham no turno diurno.
De acordo com os dados obtidos, representados na tabela abaixo, percebe-se a
faixa etária majoritária, no ensino noturno / PROFEN.

Tabela. 1 – Idade no PROFEN


Idade Matrículas
Inferior a 18 anos 8.373
Acima de 18 anos 6.201
Total 14.574

Ressalta-se a importância de uma proposta diferenciada para este público, que


mesmo trabalhador, ainda tem idade inferior a 18 anos. Então esta proposta seguirá matriz
curricular específica, em seis semestres de 500 horas e carga horária total de 3180 horas.
O currículo proposto para estes estudantes foi elaborado tendo como plano de fundo as
BNCC. A certificação será emitida de acordo com a carga horária do curso.
Para os alunos com idade acima de 18 anos, será ofertada a terceira etapa de EJA,
com matriz anexa a este projeto, já consolidada e implantada na rede.

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2.2 MATRÍCULA

A matrícula do aluno com idade inferior a 18 anos, no ensino noturno aqui


proposto, deverá ser confirmada com a apresentação de documentos legais comprovando
vínculo empregatício, tais como carteira de trabalho ou contrato.

Os alunos com idade superior a 18 anos serão matriculados normalmente, na 3ª


etapa da EJA, por um reordenamento interno da SEDUCE, conforme previsto em
legislação.

2.3 CURRÍCULO

Neste contexto, o currículo é o reflexo dos objetivos para o aprendizado, com a


finalidade de desenvolver a identidade humana, para alcançar as realizações profissionais
e sociais.
Segundo Goiás:

O currículo foi inventado há menos de 500 anos, com o objetivo de


ordenar/organizar o que e como ensinar nas escolas. É ele que define o
que ensinar e aprender, e como ensinar e aprender. Esse “o que ensinar”,
implica selecionar, por meio de um repertório cultural muito amplo, o
que deve ser trazido para a escola, isso é, o que deve ser transposto para
fazer parte do repertório da educação escolar (GOIÁS, 2010, p.38).

Sendo assim, o currículo proposto neste projeto, parte do concreto para o aluno. As
áreas de conhecimento e seus componentes curriculares serão organizadas de forma não
linear e não automática, mas de conhecimentos que fazem sentido no cotidiano deste
aluno.
Para este fim, a SEDUCE fortalecerá a formação de professores, baseando-se no
princípio da reflexão-ação-reflexão. Além de fortalecer as ações pedagógicas voltadas para
a interdisciplinaridade, com o Projeto Científico Profissional, acrescido nos 5º e 6º
período.
Neste componente curricular, o aluno terá a chance de elaborar um projeto voltado
para suas pretensões futuras, sendo orientado por até 3 (três) professores na forma de
Educação à Distância.
Os temas partem do diálogo entre a escola e a comunidade. O objetivo é tornar o
conhecimento científico uma ação humana e, assim, uma identificação do aluno com a
prática da ciência. Essa é a oportunidade de dar voz ao aluno, entender sua linguagem e
construir com ele os projetos que fazem sentido em suas vidas e na de suas comunidades.

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O grande ponto deste projeto é proporcionar liberdade a alunos e professores para
elaborar seus próprios projetos, seguindo as temáticas que eles escolherem; possibilitando
uma gestão democrática e estimular a criatividade tanto do professorado quanto dos
alunos, valorizando os processos criativos.

Neste contexto, a Educação à Distância será um aliado nesta nova proposta. Com o
desenvolvimento das tecnologias a escola deixa de se limitar a quatro paredes, o local
exclusivo da transmissão de saberes, para se transformar em um espaço de mediação,
integrando as tecnologias de comunicação em seu processo formativo, resultando, assim,
em “um novo espaço de intervenção social, associando a Comunicação e a Educação num
campo interdiscursivo e interdisciplinar não respeitando, na verdade, as fronteiras da
formalidade das situações e dos projetos educativos” (SOARES, 1999, p. 3).
Nessa perspectiva, a Matriz Curricular propõe uma formação de ensino médio
noturno, que possibilita a interação e cooperação, oferecendo condições para que o
estudante possa aprender e construir seu conhecimento de forma dinâmica e interativa,
usando as possibilidades das ferramentas do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) -
Moodle.
A metodologia diferenciada possibilitará o desenvolvimento do aprendizado dos
estudantes de forma a reconhecê-lo como agente social, onde a construção do
conhecimento é mediada pela interação, de forma autônoma, na medida em que o aluno
troca saberes entre seus pares.
O uso de recursos tecnológicos, dentro desta perspectiva, possibilitará o
atendimento das particularidades e as possibilidades de trocas qualitativas de experiências
e saberes no ambiente de aprendizagem, entre aluno-professor, aluno-aluno e aluno-
ambiente, além de propor uma mudança dos paradigmas de aprendizagem do Ensino
Médio noturno.
A utilização de ambiente virtual de aprendizagem está em consonância com a
proposta do projeto científico / profissional. Outro aspecto importante do uso do AVA
nessa proposta é a forte presença dos meios de comunicação na cultura contemporânea,
que além de colocá-los na posição de agência de socialização, torna-os, também,
educadores, participando assim da construção da cidadania (BACCEGA, 2009).
A estrutura organizacional da Superintendência de Ensino Médio é composta por
uma Gerência de Educação a Distância, responsável pela administração do Ambiente
Virtual de Aprendizagem – Moodle para a oferta de cursos na modalidade a distância e
semipresencial. Essa estrutura existente e consolidada, possibilita a viabilidade de ensino

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híbrido, com a integração das tecnologias com foco nas ações de ensino-aprendizagem
integrando a tecnologia digital ao currículo escolar, contribuindo com a proposta de
diminuição do tempo escolar sem prejuízo na qualidade, bem como ofertar condições que
atendam às especificidades identitárias do estudante-trabalhador. A utilização de recursos
tecnológicos nos processos de ensino-aprendizagem, contribui ainda com o letramento
digital dos estudantes do ensino médio noturno.
Será disponibilizado um ambiente virtual de aprendizagem na plataforma Moodle
personalizado para o Ensino Médio Noturno, que será utilizado para a oferta do Projeto
Científico / Profissional da Matriz Curricular. Esse ambiente, além de repositório dos
conteúdos será um espaço de interação, interatividade e socialização de saberes e
experiências entre os agentes pedagógicos envolvidos no processo educacional.
A formação dos professores para atuarem no componente Projeto Científico /
Profissional será ofertada a Distância, mediado por tecnologia, ou seja, no Moodle
SEDUCE. Uma alternativa educativa, pois estará acontecendo no mesmo ambiente onde
serão disponibilizados os conteúdos para os estudantes. Esse modelo de formação
fortalece os processos de ação-reflexão-ação no espaço educativo.

2.4 AVALIAÇÃO

A avaliação pode ser uma aliada no combate a evasão, uma vez que seja formativa,
ou seja, “valorize o aluno e sua aprendizagem e o torne parceiro de todo o processo”,
sendo assim ela conduz à inclusão (VILLAS BOAS, 2013, p.33).

Propõe-se uma avaliação composta por vários instrumentos, como provas,


trabalhos, reflexões textuais, auto avaliação, dentre outros). Partindo do sentido de avaliar
como:

[...]participar do processo de construção do conhecimento, interpretando


as informações recolhidas, sem reduzir essas informações a meros
instrumentos para a tomada de decisões, mas indo além, caracterizando o
processo avaliativo como abertura às possibilidades e às inter-relações
não imediatamente evidentes (CHAVES, 2003).

A análise dos instrumentos será de forma quantitativa e qualitativa, perfazendo o


processo avaliativo como um todo, e para alcançar esta avaliação como reflexão, a
SEDUCE fortalecerá a formação de professores, com o intuito de redesenhar a avaliação
predominante no sistema de ensino, uma avaliação com alto teor classificatório.

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Para tanto, o projeto prevê ao final do curso (5º e 6º período), o aproveitamento
formativo, no qual o aluno poderá adicionar cursos concluídos no decorrer dos períodos,
afim de valorizar a formação extracurricular.

Aproveitamento de estudos é o processo de reconhecer os conhecimentos


formalmente adquiridos pelo educando e devidamente avaliados no decorrer de um ano
letivo para prosseguimento ou conclusão de estudos. Neste contexto, o aproveitamento
formativo que o aluno pretender será contabilizado na carga horária das áreas de
conhecimento afins, nos dois últimos períodos (5º e 6º), podendo concluir antes do período
proposto.

Além desta possibilidade, o aluno poderá ser classificado e reclassificado conforme


legislações vigentes.

3. OBJETIVO

 Proporcionar, com proposta específica, o aumento do índice da conclusão do ensino


médio noturno visando uma aprendizagem significativa, que oportunize o
desenvolvimento intelectual e acadêmico em prol da equidade dos saberes para o
acesso ao Ensino Superior, ao mundo e ao mercado de trabalho.

4. BASE LEGAL

a) Constituição Federal do Brasil- CF/1988;


b) Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB nº 9394/96;
c) Lei Estadual Complementar nº 26/1998;
d) Parecer do CNE/CEB nº 11/2000;
e) Resolução do CNE/CEB nº 1/2000;
f) Decreto N. 5622/2005, com alterações dadas pelo Decreto N. 6303/2007;
g) Resolução do CNE/CEB nº 3/10;
h) Resolução do CEE/GO nº 5/11 e Parecer;
i) Resolução do CEE/GO nº 08/16;
j) Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017.

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5. ACOMPANHAMENTO DO PROJETO

Para que esta Proposta Pedagógica se efetive faz-se necessário a aprovação prévia
do Conselho Estadual de Educação de Goiás, com emissão de Parecer que a autorize.
O acompanhamento do desenvolvimento deste projeto acontecerá mensalmente
pela Coordenação Pedagógica e Equipe Técnica Pedagógica da Gerência de
PROFEN/EJA em parceria com as Coordenações Regionais de Educação, com o
Departamento Técnico Pedagógico e Tutores Pedagógicos das Regionais, Gerência Geral
de Inspeção Escolar.
As coordenações, Departamento Técnico Pedagógico e Tutores dialogam com os
educadores e parceiros, planejando junto o desenvolvimento das aulas/atividades/projetos
e parâmetros que possam sanar problemas e desafios para que se possa atingir um
desempenho positivo na aprendizagem dos estudantes. E mantenham a Coordenação Geral
informada das ações decorrentes deste projeto.
Há ainda, um momento de escuta e conversação com os estudantes para avaliar a
proposta, descobrir suas reais necessidades e dificuldades em adquirirem os
conhecimentos necessários às suas mudanças comportamentais, bem como promover a
sociabilidade e convivência no ambiente em que estão inseridos.
Assim, o acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos torna-se imprescindível
para que se concretize o objetivo proposto para este Projeto, bem como para fazer
possíveis correções de rotas.

5.1. Avaliação do Projeto


A avaliação do Projeto será realizada a partir do segundo semestre a contar do
início da execução do mesmo, pois será possível verificar o resultado, detectando as
necessidades de melhoria e de replanejamento das ações que não foram realizadas, mas
que são necessárias ao bom desempenho do estudante.
Para realizar tal avaliação, alguns pontos deverão ser observados:
 As coordenações, os parceiros e os educadores tiveram ciência da proposta do
Projeto?
 Houve momento para planejamento/estudo sobre o que foi colocado no Projeto?
 O trabalho pedagógico teve sintonia com o objetivo a ser alcançado?
 Os estudantes mostraram-se mais interessados nas aulas/atividades/projetos durante
a execução do Projeto?

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 Os materiais e práticas didático-metodológicas utilizados no quinto e sexto
semestres (opcional para os estudantes) pelos parceiros foram coerentes para
atender a esses sujeitos?
 Houve melhoria no processo de ensino e aprendizagem?

O projeto será avaliado de forma qualitativa, considerando:


 Os resultados da execução do Projeto e da avaliação de desempenho do estudante
ao longo do curso/semestre letivo;
 A adequação do material didático utilizado pelos parceiros e aplicado em sala de
aula, se for o caso;
 O trabalho pedagógico do educador: relação educador-estudante/estudante-
estudante e dinâmica do grupo/relações interpessoais;
 A incorporação de eixos temáticos/temas geradores/currículo/conteúdos/projetos
interdisciplinares e orientações didáticas inovadoras na práxis do educador, das
coordenações e parceiros.

De forma procedimental, quando serão considerados:


 Acompanhamento da aplicação do material didático utilizado pelos parceiros, de
modo a apoiar o desenvolvimento dos estudantes em sala de aula, de acordo com
os instrumentos e ações propostas pelas coordenações;
 Visitas in loco para observação e orientação da prática docente;
 Comunicação direta com os educadores, coordenações pedagógicas e parceiros,
utilizando-se dos vários meios de comunicação;
 Estudos de textos complementares/formulação de respostas às indagações
suscitadas;
 Preenchimento de questionários e formulários utilizados pelo Sistema de
acompanhamento e avaliação.

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6. AVALIAÇÃO

A avaliação é uma ferramenta permanente para subsidiar ações, sejam elas


pedagógicas ou administrativas. Além disso, permite a tomada de decisões mais acertadas
e assegura a transparência das atividades realizadas. Portanto, tanto o acompanhamento
quanto a avaliação são instrumentos importantes para a análise da execução deste Projeto.
Nessa perspectiva, em nenhuma hipótese, o educador deve esquecer-se, na
avaliação, de que cada estudante tem suas especificidades, ritmos e conhecimentos
diferentes que devem ser respeitados, a fim de romper com o tradicionalismo do sistema
de avaliação com caráter “punitivo”, que privilegia a “cultura da nota” com base na
comparação do desempenho de um estudante com o outro, sob a ótica da promoção, da
retenção e ou da progressão parcial.
A avaliação do desempenho do estudante orienta-se pelos pressupostos legais que
se referem à avaliação como processo contínuo, abrangente, sistemático e flexível, tendo
como ponto de partida a obtenção de informações/formações qualitativas e não somente
quantitativas, sobre o processo de ensino e aprendizagem de modo a:
 Reconhecer o potencial de cada estudante, o qual pode evoluir dentro de
características próprias.
 Apurar o progresso obtido pelo estudante, identificando insuficiências e carências,
a fim de buscar meios pedagógicos para a superação dos problemas, além de fazer
as reformulações metodológicas e da proposta político pedagógica da unidade
escolar, se for o caso.
 Considerar o progresso contínuo do estudante de um
módulo/conteúdo/atividade/projeto para outro, sem rupturas, de acordo com seu
ritmo de aprendizagem.
Com o apoio de material de ensino apropriado ao atendimento desses sujeitos, o
educador poderá: organizar melhor o conteúdo, o tempo e o espaço para o
desenvolvimento de sua aula/atividade, de forma a criar um ambiente favorável ao diálogo
e socialização de conhecimentos; revisar continuamente a produção dos estudantes;
observar o interesse, participação e desempenho dos estudantes, para que o caminho
percorrido por eles seja, de fato, um instrumento valioso para o planejamento de
mudanças/revisão desse processo de ensino-aprendizagem e da própria práxis pedagógica.
Ao longo do curso, o estudante deve ser incentivado a estudar e pesquisar de modo
independente/autônomo, em atividades extraclasse, com o objetivo de fortalecer o seu

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aprendizado, pois é necessário que saiba organizar o próprio tempo de estudo, aprendendo
a combinar, conforme cada caso, o tempo de estudos com as suas necessidades da vida
profissional, o que é possível a partir de sua vontade e disposição para concentrar esforços
na construção/reconstrução de seu próprio projeto de vida e formação continuada.
Nesse ponto de vista, cabe ao educador e coordenações da unidade escolar
conhecer seu estudante, estimulá-lo a expressar sua visão de mundo, sua vivência
individual, profissional e suas opiniões criativas. Para isso, faz-se necessário que o
educador e estudantes tragam propostas problematizadoras e contextualizadas que tenham
significação para esses sujeitos.
É importante que o educador e coordenações da unidade escolar saibam distinguir,
com a maior clareza possível, o que o estudante já conhece e o que ainda precisa conhecer,
levando em conta o eixo temático/tema gerador/currículo/conteúdos essenciais e as
habilidades instrumentais a serem adquiridos até o final das atividades e semestre letivo,
para que o estudante alcance a capacidade necessária para construir, de forma autônoma,
seu próprio conhecimento.
Por conseguinte, espera-se que os resultados alcançados com este Projeto traduzam
a evolução dos estudos e reflitam o grau de desempenho do estudante, eficiente ou não,
resultante de um trabalho didático contínuo, abrangente e competente, alicerçado por um
sistema de apoio e orientação que inclui, sempre que for preciso, o desenvolvimento de
atividades especiais para superação de suas dúvidas por meio de recuperação
contínua/paralela/individual a ser realizada no cotidiano da sala de aula ou em horário
específico, podendo utilizar, se necessário for, o estudo extraclasse, previamente acordado
com as equipes pedagógicas e com o estudante.

7. PROPOSTA CURRICULAR

Para alcançar os objetivos propostos neste Projeto, faz-se necessário um currículo


diferenciado que atenda às expectativas de aprendizado do estudante. O cenário
educacional brasileiro vem propondo mudanças curriculares significativas, expressas na
Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e na Reforma do Ensino Médio. Nesse sentido,
esta proposta visa propor um currículo que abranja conteúdos por área de conhecimento,
de forma que contemplem competências e habilidades significativas para que o estudante
construa seu futuro profissional.

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Então, a proposta curricular, será elaborada focada em Eixos Temáticos, de forma
a proporcionar a interdisciplinaridade, bem como colocar em ação, discussões advindas da
BNCC e da Reforma do Ensino Médio, e a matriz proposta para o atendimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACCEGA, M. A. Comunicação/educação e a construção de nova variável histórica.


Comunicação & Educação, São Paulo, v. 14, n. 3, p. 19-28, set./dez. 2009.
COSTA, G. L. M. O ensino médio no Brasil: desafios à matrícula e ao trabalho docente. R.
bras. Est. Pedag., Brasília, v. 94, n. 236, p. 185-210, jan./abr. 2013.
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RODRIGUES, E. M. Ensino noturno de 2º grau: o fracasso as escola ou a escola do
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ZAINKO, M. A. S.; PINTO, M. L. A. T.; BETTEGA, M. O. de P. O ensino de segundo
grau noturno: ou de como ignorar as necessidades do aluno trabalhador. Em aberto,
Brasília, ano 8, n. 41, jan./mar. 1989.

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APÊNDICE

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MATRIZ CURRICULAR – Novo Ensino Médio Noturno/2018

1º 2º 3º 4º 5º 6º
Código das Período Período Período Período Período Período
ÁREAS DE CONHECIMENTOS Disciplinas Carga Horária Total
disciplinas Nº CHT Nº CHT Nº CHT Nº CHT Nº CHT Nº CHT
HA/S HA/S HA/S HA/S HA/S HA/S

Língua Portuguesa 6 120 6 120 6 120 6 120 6 120 6 120 720


Arte 1 20 - - - - - - - - - - 20
Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias Língua Estr. Moderna 2 40 2 40 3 60 3 60 3 60 3 60 320

Educação Física - - 1 20 - - - - - - - - 20

Matemática e suas Tecnologias Matemática 5 100 5 100 5 100 5 100 5 100 5 100 600

Física 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 240
Ciências da Natureza e suas
Tecnologias Química 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 240
Biologia 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 240

Geografia 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 240

História 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 2 40 240
Ciências Humanas e suas
Tecnologias Fundamentos do Mundo do
1 20 1 20 1 20 1 20 1 20 1 20 120
Trabalho

*Tópicos de Filosofia e Sociologia - - - - - - - - - - - - - -

**Projeto Científico/ Profissional - - - - - - - - - - 50 - 50 100

25 500 25 500 25 500 25 500 25 500 25 500 3.000


SUBTOTAL

TOTAL GERAL 25 500 25 500 25 500 25 500 25 550 25 550 3.100

Observações:

I – Matriz Curricular proposta contempla 100 (cem) dias letivos com 20 (vinte) semanas, sendo 5 (cinco) dias letivos com 5 (cinco) aulas presenciais. Para o noturno, as aulas serão de 45 minutos.
II - Educação Física, integrada à Proposta Pedagógica da Escola, é componente obrigatório, sendo a prática facultativa, conforme Lei nº 10.793, de 01 de dezembro de 2003 e Resolução CEE nº 4 de 07 de julho de 2006.
III - Ensino Religioso, de matrícula facultativa para o educando e oferta obrigatória para a Unidade Escolar, é parte integrante da formação básica do cidadão, sendo disciplina dos horários normais das aulas, conforme Redação dada
pela Lei nº 9.475/1997 e Resolução do CEE nº 285/2005.
IV – A Unidade Escolar poderá optar pela Língua Estrangeira Moderna – Inglês ou Espanhol para fazer sua modulação, observando o Código de cada Disciplina. A Língua Estrangeira Moderna – Espanhol – é componente curricular
obrigatório para a unidade escolar no Ensino Médio, conforme a LDB nº 93944/96, alterada pela Lei nº 13.415/17 em seu Art. 35-A, § 4º. Sendo optativa para o aluno e ofertada do 1º ao 6º Período. Porém, se a opção da unidade
escolar for pela Língua Espanhola, a mesma deixa
*V – Os tópicos de Filosofia e Sociologia serão trabalhados de forma interdisciplinar e transversal em todos os Períodos.
**VI – O Projeto Científico/Profissional – PCP será ofertado no 5º e 6º Períodos de forma obrigatória. Da Carga Horária Total de 50 desta, 70% será cumprida presencialmente para orientação do PCP com os alunos
quinzenalmente e 30% será cumprido à distância- EAD - mensalmente. Nestes últimos períodos o professor que for desenvolver o Projeto Científico/Profissional será modulado com duas aulas a mais.
***VII – Aproveitamento Formativo – os alunos do 5º e 6º períodos poderão utilizar deste instituto em qualquer área do conhecimento/disciplina desde que apresente à unidade escolar documento comprobatório do curso realizado,
sendo aproveitado de forma parcial e ou total conforme a carga horária das áreas do conhecimento/disciplina.
****VIII – Os alunos serão certificados na conclusão do curso no Ensino Médio Noturno após o término do 6º Período, com carga horária total de 3.100.

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