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Tudo sobre AIDS (HIV): sintomas, o

que é, tratamento e mais


Por
Redação Minuto Saudável
29/06/2017
14

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A AIDS é uma doença crônica que atinge o sistema imunológico,


podendo levar à morte quando não tratada. O indivíduo que
sofre de AIDS tem a sua imunidade enfraquecida contra as
infecções ou tumores (câncer, por exemplo).

A transmissão do HIV ocorre por meio do sangue, sêmen


(também o líquido seminal que escorre no início da ereção),
secreções vaginais e leite, da mãe para o recém-nascido ao
amamentar, por isso recomenda-se a não amamentação quando
a mãe tem o HIV.

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A AIDS ainda não tem cura e nenhuma vacina de prevenção ou


contra ela, apenas tratamento. Apesar de estar presente no
mundo todo, sua maior ocorrência é na África subsahariana.

É importante conhecermos um pouco sobre a história da AIDS,


antes de entrar nos detalhes da doença. A AIDS é considerada
uma pandemia humana e teria início Kinshasa, capital da
República Democrática do Congo (RDC), na década de 1920,
antes de se espalhar por todo o mundo em plena mutação,
obtiveram uma equipe internacional de pesquisadores em
outubro de 2014.
Os cientistas sugerem que o ancestral comum do HIV, muito
provavelmente, tenha aparecido Kinshasa em 1920. Contudo, o
HIV foi identificado pela primeira vez apenas em 1981.

 5 de junho de 1981: surgimento da Aids, dia em


que o Centro de Controle de Doenças de Atlanta
relatou, em cerca de cinco jovens homossexuais na
Califórnia, uma pneumonia rara que anteriormente
surpreendeu com problemas tópicos severos de
imunossuprimidos. Os cinco jovens morreram
de pneumonia.
 5 de julho de 1981: um mês depois, um câncer raro
da pele foi diagnosticado em 26 homossexuais
americanos, chamado de “câncer gay”, a doença foi
então nomeada no ano seguinte como síndrome da
imunodeficiência adquirida ou AIDS (em inglês,
SIDA).
 1983: uma equipe francesa isolou o vírus transmitido
pelo sangue, secreções vaginais, leite materno ou
sêmen, que ataca o sistema imunológico e expõe às
“infecções oportunistas” como tuberculose ou
pneumonia.
 2 de outubro de 1985: o ator americano Rock
Hudson morre de AIDS, outros famosos seguiriam o
mesmo caminho, como os cantores: Cazuza (1990) e
Freddy Mercury (1991) e o bailarino russo Rudolf
Nureyev (1993).
 1986: foi desenvolvida a primeira droga, azidovudina
(AZT), um antirretroviral que retarda a propagação
do vírus, mas não a elimina. Ele foi oficialmente
chamado vírus da imunodeficiência humana (HIV,
sigla em inglês). Em dezembro, 4.500 casos foram
relatados na Europa, um aumento de 124% em um
ano.
 1996: a chegada da triterapia, mais conhecida como
coquetel, mudou o jogo: de doença inevitavelmente
fatal, a AIDS tornou-se uma doença crônica. As
Nações Unidas criaram o Programa Conjunto sobre
AIDS (UNAIDS). A epidemia se espalhou
rapidamente na África e se agravou na Europa
Oriental, Índia e China.
 2002: criação do Fundo Global de Luta contra a
SIDA, tuberculose e malária, que contou com o apoio
de Bill Gates.
 2003: lançado pelo presidente George W. Bush um
programa de 5 anos de US$ 15 bilhões, o Pepfar.
 2006: estudos estabelecem que a circuncisão de
homens não infectados com o vírus reduz pelo menos
pela metade o risco de serem infectados pelo HIV.
Mas ela não protege as mulheres. Ocorreram então
campanhas de circuncisão precoce na África.
 2009: desde o início da doença, cerca de 25 milhões
de pessoas morreram de AIDS e 60 milhões foram
infectadas. Durante oito anos, o número de infecções
diminuiu em 17% (UNAIDS).
 2010: Estudo mostra que um gel vaginal microbicida
contendo um antirretroviral pode, quando utilizado
corretamente, reduzir pela metade o risco de infecção
pelo HIV em mulheres.
 2011: um ensaio clínico estabeleceu que tratar muito
rapidamente as pessoas HIV positivas com
antirretroviral, reduz quase completamente o risco de
transmissão do vírus aos parceiros não infectados.

Índice – neste artigo você


encontrará as seguintes
informações:
1. O que é a AIDS?
2. Como identificar? Quais são os sintomas da AIDS?
3. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
4. O que causa? Qual é o tratamento para a AIDS?
5. O que é a janela imunológica?
6. A Aids tem cura? E os antirretrovirais?
7. Gestantes e idosos com HIV
8. Como prevenir? É transmissível?
9. Grupo de risco
10. Complicações
O que é a AIDS?
A Acquired Immune Deficiency Syndrome (AIDS) é o estágio
mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico,
conhecida também por “Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida”, causada pelo HIV. Como este vírus ataca as
células de defesa do corpo humano, o organismo fica mais
vulnerável, seja para um simples resfriado até infecções mais
graves, como tuberculose ou câncer, dificultando o tratamento
dessas doenças.

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O indivíduo diagnosticado com o vírus da AIDS é chamado de


soropositivo, e tomando as medicações corretamente poderá ter
uma boa qualidade de vida.

Para entender melhor o que é a AIDS, devemos antes entender o


que é o Human Immunodeficiency Virus (HIV), sigla em inglês
para o vírus da imunodeficiência humana, que ataca o sistema
imunológico, responsável por defender o organismo de doenças.

As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+ (também


conhecidos por glóbulos brancos, são um grupo de células
diferenciadas a partir de células-tronco pluripotenciais oriundas
da medula óssea e presentes no sangue, linfa, órgãos linfoides e
vários tecidos conjuntivos), e alterando o DNA dessa célula que
o HIV faz cópias de si mesmo, multiplicando-se e rompendo os
linfócitos, em busca de outros para continuar a infecção.

O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília


dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham algumas
propriedades comuns: período de incubação prolongado antes
do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do
sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.

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Um indivíduo ter o HIV não é a mesma coisa que ter a AIDS,


pois existem muitos soropositivos que vivem anos sem
apresentar sintomas nem desenvolver a doença. Contudo,
podem transmitir o vírus a outros através de relações sexuais
desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas
contaminadas ou da mãe para filho durante a gestação e
amamentação.

Os linfócitos T CD4+ são os principais alvos do HIV e do HTLV,


vírus causador de outro tipo de doença sexualmente
transmissível. São esses glóbulos brancos que organizam e
comandam a resposta diante dos agressores. Produzidos na
glândula timo, eles aprendem a memorizar, reconhecer e
destruir os micro-organismos estranhos que entram no corpo
humano.

O HIV liga-se a um componente da membrana dessa célula, o


CD4, e penetra no seu interior para se multiplicar. Com isso, o
sistema de defesa vai pouco a pouco perdendo a capacidade de
responder adequadamente, tornando o corpo mais vulnerável a
doenças.

Quando o organismo não possui mais forças para combater


esses agentes externos, o indivíduo começa a ficar doente mais
facilmente e então se diz que tem AIDS.

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Como identificar? Quais são


os sintomas da AIDS?
Após o contágio pelo vírus HIV, os sintomas da AIDS podem
demorar até 10 para se manifestar, por esta razão, a pessoa pode
ter o vírus mas não a AIDS ainda em seu corpo. O organismo
leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos
anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de
uma gripe, como febre e mal estar, devido a isso, a maioria dos
casos passa despercebida. Entre os principais sintomas estão:

 Diarreia prolongada, sem causa aparente.


 Emagrecimento.
 Fraqueza.
 Febre alta.
 Problemas nos pulmões e dificuldades no
desenvolvimento aparecem em crianças que nascem
infectadas.

Os sintomas ainda variam conforme a fase da AIDS:

Infecção aguda:
 Dores de cabeça.
 Estado de prostração.
 Feridas na área da boca, esôfago e órgãos genitais.
 Falta de apetite.
 Ínguas e manchas na pele, desaparecem após alguns
dias.
 Perda excessiva de peso.
 Náuseas e vômitos.
 Sensibilidade à luz.
 Sintomas de infecção viral: febre, afecções dos
gânglios linfáticos, faringite, dores musculares e nas
articulações.

Fase sintomática inicial


 Candidíase oral.
 Sensação constante de cansaço.
 Aparecimento de gânglios nas axilas, virilhas e
pescoço.
 Diarreia.
 Febre.
 Fraqueza orgânica.
 Transpirações noturnas.
 Perda de peso superior a 10%.
Qual profissional devo
procurar? Qual o
diagnóstico?
O médico infectologista é o responsável por diagnosticar a AIDS.
A Fundação Oswaldo Cruz, do Ministério da Saúde, é a
responsável pelos testes de diagnóstico da infecção por HIV e
são realizados gratuitamente nos Centros de Testagem e
Aconselhamento (CTA), bem como nas unidades das redes
públicas de saúde, além de várias maternidades do país.

A AIDS ainda é classificada segundo o CDC e a Organização


Mundial da Saúde (OMS):

Organização Mundial da Saúde


(OMS):
Em 1990, a OMS agrupou essas infecções e condições em
conjunto através da introdução de um sistema de estadiamento
para pacientes infectados com HIV-1. Uma atualização ocorreu
em setembro de 2005. A maioria dessas condições são infecções
oportunistas que facilmente são tratáveis em pessoas saudáveis.

 Estágio I: infecção pelo HIV é assintomática e não


classificada como AIDS.
 Estágio II: inclui pequenas manifestações
mucocutâneas e recorrentes infecções do trato
respiratório superior.
 Estágio III: inclui diarreia crônica inexplicada por
mais de um mês, as infecções bacterianas e
a tuberculose pulmonar.
 Estágio IV: inclui
a toxoplasmose cerebral, candidíase do esôfago,
traqueia, brônquios e pulmões e o sarcoma de Kaposi;
essas doenças são indicadores da AIDS.
Centers for Disease Control and
Prevention (CDC):
Existem duas principais definições para a AIDS, ambas
produzidas pelo CDC:

A velha definição é a referência para a AIDS usando doenças que


eram associados a ela, como por exemplo a linfadenopatia,
condição clínica pela qual os cientistas descobridores do HIV
originalmente nomearam o vírus.

Em 1993, o CDC expandiu a sua definição para a AIDS incluindo


todas as pessoas HIV positivas com contagens de células T CD4
+ abaixo de 200 por l de sangue ou 14% do total de linfócitos.

A maioria dos novos casos de AIDS nos países desenvolvidos


usam essa definição ou a definição pré-1993 do CDC. O
diagnóstico de AIDS ainda está de pé, mesmo que, após o
tratamento, a contagem de células T CD4 + sobe para acima de
200 por l de sangue ou outras doenças definidoras da AIDS são
curados.

A seguir, os principais testes para diagnosticar a AIDS:

Teste Elisa:
É o teste de laboratório mais realizado para este diagnóstico, são
investigados anticorpos contra o HIV no sangue do paciente. Se
uma amostra não apresentar nenhum anticorpo, o resultado
negativo é fornecido para o paciente.

Se for detectado algum anticorpo anti-HIV no sangue, é


necessária a realização de outro teste adicional, o teste
confirmatório. Como testes confirmatórios, são usados
o Western Blot, o Teste de Imunofluorescência indireta para o
HIV-1 e o imunoblot.
São necessários os testes de confirmação porque, em alguns
casos, os exames podem dar resultados falso positivos em
consequência de algumas doenças, como artrite reumatoide,
doença autoimune e alguns tipos de câncer.

O teste de confirmação é feito com a mesma amostra e o


resultado definitivo é fornecido ao paciente. Se o resultado for
positivo, o paciente será informado e chamado para mais um
teste com amostra diferente. Sendo o resultado positivo ou
negativo, encaminha-se o paciente para o “aconselhamento pós-
teste”, uma conversa com o profissional do CTA ou do posto de
saúde que orientará sobre prevenção, tratamento e outros
cuidados com a saúde.

O Elisa é realizado com uma placa de plástico que contém


proteínas do HIV absorvidas ou fixadas nas cavidades em que
cada amostra de soro ou plasma (que são frações do sangue)
será adicionada. Após uma sequência de etapas, nas quais são
adicionados diferentes tipos de reagentes, o resultado é
fornecido por meio de leitura óptica, em um equipamento
denominado “leitor de Elisa”.

Teste Western Blot:


Seu custo é elevado, o Western Blot é confirmatório, ou seja,
indicado em casos de resultado positivo no teste Elisa. Nele, os
médicos procurarão fragmentos do HIV.

Para a realização do Western Blot, uma tira de nitrocelulose é


utilizada, e nela serão fixadas proteínas do HIV. O soro ou
plasma do paciente é adicionado e fica em contato com a tira de
nitrocelulose. Depois da adição de vários tipos de reagentes, o
resultado é fornecido por meio de leitura visual.

Teste de imunofluorescência
indireta para o HIV-1:
Outro tipo de teste confirmatório, ele permite detectar os
anticorpos anti-HIV. Com ele, o soro ou plasma do paciente é
adicionado a uma lâmina de vidro que contém células infectadas
com o HIV, fixadas nas cavidades.

Depois de uma sequência de etapas, em que são adicionados


diferentes tipos de reagentes, o resultado é fornecido por meio
da leitura em um microscópio de imunofluorescência.

Teste rápido:
Permite a detecção de anticorpos anti-HIV na amostra de
sangue do paciente em até 30 minutos, e pode ser realizado no
momento da consulta.

O teste rápido permite que o paciente, no mesmo momento em


que faz o teste, tenha conhecimento do resultado e receba o pré
e pós aconselhamento. Este teste é, preferencialmente, adotado
em populações que moram em locais de difícil acesso, em
gestantes que não fizeram o acompanhamento pré-natal e em
situações de acidentes no trabalho.

O que causa? Qual é o


tratamento para a AIDS?

Quando ocorre a infecção pelo vírus o sistema imunológico


começa a ser atacado e divide-se em fases:
 Primeira fase (aguda): ocorre a incubação do HIV,
tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos
primeiros sinais da doença. Este período varia de 3 a
6 semanas.
 Segunda fase (assintomático): marcada pela
forte interação entre as células de defesa e as
constantes e rápidas mutações do vírus, mas o
organismo não chega a enfraquecer, mas é suficiente
para permitir novas doenças, pois os vírus
amadurecem e morrem de forma equilibrada. Este
período pode durar muitos anos.
 Terceira fase (sintomática inicial): devido ao
frequente ataque, as células de defesa começam a
funcionar com menos eficiência até serem destruídas.
O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a
infecções comuns. Esta fase caracteriza-se pela alta
redução dos linfócitos T CD4 (glóbulos brancos), que
chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de
sangue. Em adultos saudáveis, este valor varia entre
800 a 1.200 unidades.

O acompanhamento médico da infecção pelo HIV é majoritário,


tanto para quem não apresenta sintomas e é assintomático (fase
em que não precisa de remédios) quanto para quem já
demonstra algum traço da doença e trata-se com os
medicamentos antirretrovirais (AIDS).

O paciente sempre será avaliado quanto a sua evolução clínica


nas consultas regulares. Seguir a risca o tratamento com os
remédios é fundamental neste processo.

O uso irregular e/ou errado dos antirretrovirais faz acelerar o


processo de resistência do vírus aos medicamentos, por isso,
toda e qualquer decisão sobre interrupção ou troca de
medicamentos deve ser tomada com o consentimento do médico
que faz o acompanhamento do indivíduo soropositivo.

Exames de rotina
No atendimento inicial, os seguintes exames são solicitados:
 Avaliação do funcionamento do fígado e rins.
 Sangue (hemograma completo).
 Fezes.
 Urina.
 Testes para hepatites B e C, tuberculose e sífilis.
 Dosagem de açúcar e gorduras (glicemia, colesterol e
triglicerídeos).
 Raios-X do tórax.
 Testes fundamentais para o acompanhamento
médico: contagem dos linfócitos a fim de verificar a
quantidade de vírus HIV presente no sangue do
paciente.

Estes são cruciais para o médico decidir qual o momento mais


adequado para iniciar o tratamento ou modificá-lo. Como
servem de monitoramento da saúde de quem toma os
antirretrovirais ou não, o Consenso de Terapia Antirretroviral
recomenda que esses exames sejam realizados a cada 3 ou 4
meses.

A frequência dos exames e das consultas é determinada pelo


médico e é essencial para controlar o avanço do HIV no
organismo, determinando qual o tratamento mais adequado de
acordo com cada caso.

O que é a janela imunológica?


Entende-se como o intervalo de tempo entre a infecção pelo
vírus da AIDS (HIV) e a produção de anticorpos anti-HIV no
sangue. Esses anticorpos são produzidos pelo sistema de defesa
do organismo em resposta ao vírus e os exames detectarão a
presença dos anticorpos, que confirmará a infecção.

O período de identificação do contágio pelo vírus depende do


tipo de exame (quanto à sensibilidade e especificidade) e da
reação do organismo do indivíduo. Na maioria dos casos, a
sorologia positiva é constatada de 30 a 60 dias após a exposição
ao HIV.
Mas, há casos em que o tempo pode ser maior, o teste realizado
120 dias após a relação de risco serve apenas para detectar os
casos raros de soroconversão – quando há mudança no
resultado.

Se um teste de HIV for feito durante o período da janela


imunológica, existe a possibilidade de apresentar um falso
resultado negativo. Com isso, recomenda-se aguardar mais 30
dias e refazer o teste.

A AIDS tem cura? E os


antirretrovirais?
Ainda não foi descoberta nenhuma cura para esta doença. Ela
tem tratamento para que o paciente tenha uma qualidade de
vida melhor, os chamados “antirretrovirais”, estes surgiram na
década de 1980, para impedir a multiplicação do vírus HIV no
organismo.

Eles não matam o vírus, mas ajudam a evitar o enfraquecimento


do sistema imunológico do paciente. Por isso, seu uso é
fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida de
quem é diagnosticado com a AIDS.

No Brasil, o coquetel “anti-aids” é distribuído gratuitamente


desde 1996 para todos que necessitam do tratamento. Segundo
dados de 2015, 455 mil pessoas estavam em uso dos remédios
para tratar a doença. Este coquetel é composto de 22
medicamentos, divididos em cinco tipos:

Inibidores Nucleosídeos da
Transcriptase Reversa:
Atuam na enzima transcriptase reversa, incorporando-se à
cadeia de DNA que o vírus cria. Tornam esta cadeia defeituosa,
impedindo que o vírus se reproduza. São eles:
 Abacavir.
 Didanosina.
 Estavudina.
 Lamivudina.
 Tenofovir.
 Zidovudina e a combinação Lamivudina/Zidovudina.

Inibidores Não Nucleosídeos da


Transcriptase Reversa:
Bloqueiam diretamente a ação da enzima e a multiplicação do
vírus:

 Efavirenz.
 Nevirapina.
 Etravirina.

Inibidores de Protease:
Atuam na enzima protease, bloqueando sua ação e impedindo a
produção de novas cópias de células infectadas com HIV:

 Itazanavir.
 Darunavir.
 Fosamprenavir.
 Lopinavir.
 Ritonavir.
 Saquinavir.
 Tipranavir.

Inibidores de fusão:
Impedem a entrada do vírus na célula e, por isso, ele não pode se
reproduzir:

 Enfuvirtida.
Inibidores da Integrase:
Bloqueiam a atividade da enzima integrase, responsável pela
inserção do DNA do HIV ao DNA humano (código genético da
célula). Assim, inibe a replicação do vírus e sua capacidade de
infectar novas células:

 Raltegravir.

Para combater o HIV é necessário utilizar pelo menos três


antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de
classes diferentes, que poderão ser combinados em um só
comprimido.

O tratamento é complexo, precisa de acompanhamento médico


para avaliar as adaptações do organismo ao tratamento, seus
efeitos colaterais e as possíveis dificuldades em seguir
corretamente as recomendações médicas.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um


medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele
poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do
tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As
informações contidas nesse site têm apenas a intenção de
informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as
orientações de um especialista ou servir como recomendação
para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da
bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou
farmacêutica.

Gestantes e idosos com HIV


Idosos
Pessoas com mais de 60 anos tem o sistema imunológico mais
frágil que os demais pacientes, o que dificulta o diagnóstico de
infecção por HIV. Isso se deve ao fato de que, com o
envelhecimento, algumas doenças tornam-se comuns e os
sintomas da AIDS podem ser confundidos com os de outras
infecções.

Tanto a pessoa idosa quanto os profissionais da saúde tendem a


não pensar na AIDS e, muitas vezes, a doença é negligenciada
nesta faixa etária. O diagnóstico tardio de AIDS permite o
aparecimento de infecções cada vez mais graves,
comprometendo a saúde mental da pessoa (podendo causar até
demência).

Quanto antes o tratamento tem início, mais o indivíduo


soropositivo ganha em qualidade de vida.

Gestantes
Quando não há nenhum tratamento para a mãe durante a
gestação, a taxa de transmissão pode ser de até 20%. Contudo,
quando as recomendações são seguidas à risca, a possibilidade
de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%.
Geralmente, os médicos recomendam o uso de remédios
antirretrovirais combinados para a grávida e ao recém-nascido,
o parto cesáreo e a não amamentação. O uso de medicamentos
durante a gravidez é indicado para quem já está fazendo o
tratamento e para a grávida que tem HIV, bem como para quem
não apresenta sintomas e não está tomando remédios para a
AIDS.

O uso dos remédios “anti-aids” pode ser suspenso ao final da


gestação. Essa avaliação dependerá dos exames de laboratório
(CD4 a Carga Viral) e do estado clínico da mãe, devendo ser
realizada, de preferência, nas primeiras duas semanas pós-
parto, em um serviço especializado (SAE).

 Diagnóstico durante o pré-natal: o teste para


HIV é recomendado no 1º trimestre, mas, quando a
gestante não teve acesso ao pré-natal adequado, o
diagnóstico pode ocorrer no 3º trimestre ou até na
hora do parto. As gestantes que souberem da infecção
durante o pré-natal têm indicação de tratamento com
os medicamentos para prevenir a transmissão para o
feto. E recebem acompanhamento necessário durante
a gestação, parto e amamentação. A mãe que tem o
vírus não deve amamentar o bebê, pois há risco de
transmissão do vírus da mãe para o filho através do
leite.
 Gravidez depois do diagnóstico: além de ser um
direito garantido por lei, as mulheres soropositivas
podem ter uma gravidez tranquila, segura e com
muito baixo risco do bebê nascer infectado pelo HIV,
se houver um acompanhamento médico correto e
todas as recomendações e medidas preventivas forem
seguidas.

Como prevenir? É
transmissível?
Para evitar a transmissão da AIDS, o método mais recomendado
é o uso de preservativos durante a relação sexual, bem como o
uso de seringas e agulhas descartáveis. Outras medidas
consistem em testar previamente o sangue a ser transfundido e
usar luvas quando for manipular feridas ou líquidos
potencialmente contaminados.

Confira também 5 medidas para se prevenir do vírus HIV:

1. Usar preservativo, masculino ou feminino em todo


contato sexual.
2. Usar além o preservativo, espermicida em spray à
base de nonoxinol-9 para aumentar a proteção, se
tiver contato sexual com paciente HIV positivo.
3. Não compartilhar seringas.
4. Evitar o contato com sangue ou secreções de um
indivíduo contaminado.
5. Identificar e tratar qualquer doença sexualmente
transmissível, pois elas aumentam o risco de
contaminação com o vírus HIV.

Importante!
Beijar ou encostar um paciente com AIDS não significa que a
pessoa saudável pegará o vírus. Isso só ocorre se houver
sangramento em ambas as bocas ou ferimentos com ferimentos.

O HIV pode ser transmitido pelo sangue, esperma e secreção


vaginal, pelo leite materno, ou transfusão de sangue
contaminado. O portador do HIV, mesmo sem apresentar os
sintomas da AIDS, pode transmitir o vírus, por isso, a
importância do uso de preservativo em todas as relações sexuais.

Com isso, podemos conviver com uma pessoa portadora do HIV


ou da AIDS. Podemos beijar, abraçar, dar carinho e
compartilhar do mesmo espaço físico sem ter medo de pegar o
vírus da AIDS.

Quanto mais respeito e carinho dermos a quem vive com HIV ou


a AIDS será de grande auxílio para o tratamento, afinal, o
convívio social é muito importante para o aumento da
autoestima das pessoas e, consequentemente, faz com que elas
cuidem melhor da sua saúde.

Grupo de risco
Essa distinção de grupo de risco não existe mais. No começo da
epidemia, pelo fato da AIDS atingir, principalmente, os homens
homossexuais, os usuários de drogas injetáveis e os hemofílicos,
eram então considerados dentro do grupo de risco.

Hoje em dia, fala-se em comportamento de risco e não mais em


grupo de risco, pois o vírus passou a se espalhar de forma geral,
não mais se concentrando somente nesses grupos específicos.

Exemplo disso é que o número de heterossexuais contaminados


por HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia
nos últimos anos, principalmente entre mulheres, que antes não
eram citadas nos grupos de risco.

Complicações
Quanto às complicações da AIDS, existe, principalmente, uma
sensibilidade maior em desenvolver doenças infecciosas (vírus,
bactérias e fungos, por exemplo) e câncer do que uma pessoa
que seja HIV negativa.

O que provoca a morte não é a AIDS, mas as doenças infecciosas


ou os tumores que atingem o organismo do indivíduo infectado.
Veja:

AIDS e câncer
Desde a introdução das multi-terapias antirretrovirais em 1996,
os tipos de câncer se tornaram a maior causa de mortes nos
pacientes com HIV. Entre esses pacientes, o risco de câncer é
duas a três vezes maior do que o da população geral. Para
prevenir este alto risco, é importante que o paciente mantenha
um nível de CD4 elevado, de acordo com a orientação médica.
AIDS e infarto do miocárdio
Os portadores do HIV e pacientes com AIDS têm um risco maior
de morrer do infarto do miocárdio (ataque cardíaco) do que o
resto da população, de acordo com um estudo realizado nos
Estados Unidos, em maio de 2012. Os investigadores acreditam
que estes resultados demonstram “a necessidade de que temos
de levar em consideração o risco potencial para pacientes com
HIV”.

De acordo com um estudo publicado em março de 2013 e


realizado com mais de 82 mil pessoas nos Estados Unidos, o
HIV aumenta o risco de ataque cardíaco em cerca de 50%.

Se há dúvidas, a pessoa deve fazer o teste para a AIDS, pois


quanto mais cedo se diagnostica e inicia o tratamento, maior é a
expectativa de vida do paciente. As mães soropositivas tem 99%
de chances de terem o filho sem HIV positivo se seguirem à risca
o tratamento recomendado durante a gestação.

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riscos da AIDS e que ela, apesar de não ter cura, tem tratamento
que proporciona uma boa qualidade de vida aos pacientes