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Livro – “A CABEÇA REPENSAR A REFORMA, REFORMAR O

PENSAMENTO”

EDGAR MORIN

Há necessidade da reforma do pensamento, reforma do ensino, pelo Ensino


Primário, Secundário e Superior.

O ensino, arte ou ação de transmitir os conhecimentos a um aluno, de modo


que eles os compreenda e assimile, tem sentido mais restrito, por que apenas
cognitivo, a missão não é transmitir somente o saber, mas uma cultura que
permita compreender nossa condição e nos ajude a viver, e favoreça, ao
mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre.

Devemos pensar o problema do ensino como um desafio, por um lado, os


efeitos cada vez mais graves da compartimentação dos saberes e da
incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por um lado considerando que a
aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente
humana, que precisa ser desenvolvido e não desgastada. Os conhecimentos
fragmentados só servem para usos técnicos, não conseguimos integrar nossos
conhecimentos para a condução de nossas vidas.

Para Morin, é necessário construir conhecimentos pertinentes, capaz de situar


qualquer informação em seu contexto, no conjunto em que está inserido.

Na organização as práticas pedagógicas dão conta da complexidade do ato de


conhecer a escola contribui para a construção de novas subjetividades, no qual
as intervenções racionais, dialeticamente articuladas com a sensibilidade,
ações para entendimento das contradições dos processos históricos, levando a
nossa consciência apta a perceber as limitações e como sujeitos históricos.

Há três desafios:

- o desafio sociológico: informar, conhecimento, dominar e integrar; o


conhecimento deve ser revisado pelo pensamento; o pensamento, o capital
precioso para o indivíduo e a sociedade.

O conhecimento humano supõe a leitura dialética das condições de avanço


para modificar as condições da existência humana. A capacidade de nos tornar
sujeitos que compreendam bem e saibam agir politicamente tendo
compreensão da sua realidade interagindo: homem entre homens, homem e
coisas, homem e conhecimentos sócio histórico.

A reforma do ensino deve levar à reformado pensamento, e a reforma do


pensamento deve levar à reforma do ensino.
Uma cabeça bem feita seria ao invés de acumular o saber, o essencial das
aptidões para colocar e tratar problemas, ou seja, ligar os saberes e lhes dar
sentido.

A cabeça bem feita desenvolve uma compreensão, é uma cabeça apta a


organizar os conhecimentos e, com isso, evitar sua acumulação estéril,
possibilitando e tornando os conhecimentos significativos, capaz de se

desenvolver a capacidade especulativa e criativa. Todo conhecimento


reproduz e tradução, de sinais, teorias e discursos. Para Morin, o
conhecimento, a cabeça bem feita, faz reflexões sobre a temporalidade e a
existência humana, o conhecimento: separação e ligação, síntese e análise.

O sujeito epistêmico estabelece diálogos significativos, apreende conceitos,


dando significados, tendo uma visão ampla do mundo.

O desenvolvimento da aptidão para contextualizar tende a produzir a


emergência de um pensamento “ecologizante” da educação.

Um pensamento unificador, abre-se sobre si mesmo para compreensão dos


contextos sociais, culturais e políticos, compreensão histórica, articula saberes
e de maneira para um melhor entendimento de mundo, o sujeito aprende o
pensamento do complexo, buscando uma análise, constitui uma nova imagem
para o pensamento, de forma formal e estética de mundo.

Trata-se ao mesmo tempo para Morin, de reconhecer a unidade dentro do


diverso; o diverso dentro da unidade; de reconhecer por exemplo, a unidade
humana em meio às diversidades individuais e culturais em meio a unidade
humana.

A cabeça bem feita reflete acerca das incertezas exercendo a expressividade,


realizando sínteses analíticas junto ao conhecimento adquirido, o sujeito
pensante tem um olhar interpretativo sobre o diverso, criando um
entendimento, desenvolvendo uma formação intelectual, um sujeito em
condições de manifestar uma compreensão do mundo de forma coerente. As
práticas pedagógicas para uma cabeça bem feita requer visão dialética entre as
condições subjetivas e objetivas da realidade no qual o exercício pedagógico
se realiza.

Assim, a compreensão crítica dos fenômenos se constitui a partir da superação


das contradições entre ideias e construir novas formas de referência para
explica-las.

A educação para a cabeça bem feita, significa aprender a ver e enxergar


modos de perceber e sentir o mundo subjetivamente. O sujeito de forma
relacional com o tempo, promove associação de ideias e complexidade entre
as partes para um todo.

Morin escreveu que “a relação do homem com a natureza não pode ser
concebida de forma reducionista, nem de forma disjuntiva. A humanidade é
entendida planetária e biosférica”.

O professor para uma educação com cabeça bem feita tem como desafio
buscar as relações entre os fenômenos naturais, sociais, culturais e políticos,
implicando um olhar o objeto do conhecimento para confrontar teses, emitir
juízos e articular o entendimento complexo da realidade. A relação
pedagógica consiste numa experiência humana, lógicas de entendimento e
vínculos entre as categorias conceituais para explicar as formas de
sociabilidade.

Para Morin, “o ser humano nos é revelado em sua complexidade um ser ao


mesmo tempo, totalmente biológico e totalmente cultural.”

A cabeça bem feita é capaz de construir por meios próprios conhecimentos e


entendimento crítico da sociedade e suas relações com o meio natural;
simbólico e cultural, o sujeito aprende a pensar o pensamento, estabelece
diálogos fazendo uso de sua própria razão para explicar e criar as
representações sociais. O desenvolvimento cognitivo visa proporcionar a
prática de entendimento da convergência e divergência de percepção do
mundo, adquirindo experiências, o homem define tempos e espaços e ordena
as referências do pensar. Não basta só compreender, explicar e utilizar todos
os, meios objetivos do conhecimento insuficientes para compreender o ser
subjetivo.

As práticas pedagógicas para uma cabeça bem feita desafia o professor para as
visões simplistas das relações entre os homens, entre esses e a natureza, com o
conhecimento sócio histórico, o sujeito não é apenas racional, mas contido de
emoções, desejos, prazer e expectativas, compreende a natureza, as pessoas e
a si mesmo.

Como escreveu Morim, a compreensão humana nos chega quando sentimos e


concebemos os humanos como sujeitos; ela nos torna abertos a seus
sofrimentos e suas alegrias”.

A pedagogia da cabeça bem feita gera subjetividades relacionadas nas


experiências sociais e culturais, nos quais atos sociais e suas possibilidades
são confrontados a pensar na realidade.

A práxis social está em perceber os modos diferentes de perceber e sentir o


mundo, para um processo investigativo, busca visões e alternativas de pensar.
Para uma cabeça bem feita os modos de adquirir conhecimentos tem como
alicerce a lógica dialética da compreensão das coisas e do próprio
conhecimento, a experiência humana e conhecer se dá na intersubjetiva. O
sujeito pensante, insere-se no contexto e no sentido da existência humana,
reflexão e discussão a respeito da totalidade complexa que é a realidade
social, cultural, política e natural. Há uma reflexão teórica e a busca de
significado para a própria existência humana, acontece a procura por novas
hipóteses de interpretação da existência, marcadas por duas correntes: a
incerteza cognitiva e histórica.

A pronúncia do mundo está no movimento dialético do pensamento, no qual o


objetivo e o subjetivo influenciam o modo de entendimento da realidade.
“Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absoluta certa, mas dialogar
com a incerteza”, ligada a incerteza histórica.

O ato de conhecer é diálogo, postura diante do mundo e do próprio


conhecimento.

É preciso nos prepararmos para o nosso mundo incerto e aguardar o


inesperado. O conhecimento aproxima-se dialeticamente entre os conceitos,
novos pensamentos dentro de um contexto existencial e histórico. A
curiosidade episto

logicamente indicada para se dar conta do complexo que temos do ato de


conhecer.

A complexidade epistemológica consiste no exercício crítico sobre o


conhecimento e dialeticamente compreende sua temporalidade e possibilita
interpretações diversas.

A cabeça bem-feita numa unidade dialética entre subjetividade e objetividade


há uma articulação na forma de relação com a experiência vivida, a partir de
referenciais teóricos novos. Nesse sentido lógico pode-se escrever que a
aventura de conhecer é esse exercício epistemológico, no qual o caráter
investigativo do sujeito emerge do movimento dialógico dialético entre os
homens para compreender melhor o mundo incerto e aguardar o inesperado. O
conhecimento aproxima-se dialeticamente entre os conceitos, novos
pensamentos dentro de um contexto existencial e histórico. A curiosidade
episto logicamente indicada para se dar conta do complexo que temos do ato
de conhecer.

A complexidade epistemológica consiste no exercício crítico sobre o


conhecimento e dialeticamente compreende sua temporalidade e possibilita
interpretações diversas.
A cabeça bem-feita numa anuidade dialética entre subjetividade há uma
articulação na forma de relação com a experiência vivida, a partir de
referenciais teóricos novos. Nesse sentido e lógico pode-se escrever que a
aventura de conhecer é esse exercício epistemológico, no qual o caráter
investigativo do sujeito emerge do movimento dialógico dialético entre os
homens para compreender melhor o mundo. É necessário repensar as práticas
pedagógicas, o positivismo, a dialética e a lógica na relação professor e aluno,
no sentido de conceber o processo ensino-aprendizagem como algo complexo,
aberto a diversas interpretações e visões de mundo.

A memorização de conteúdo, sobre o ensino aprendizagem que marcou em


épocas passadas, deve dar espaço a compreensão, pelo entendimento de
conceitos, para que o sujeito aprenda a pensar a realidade.

A escola tem como objetivo ensinar a construir conhecimentos e criar


representações das situações do cotidiano tendo como práxis o referencial
epistemológico. Ao professor numa cabeça bem-feita é necessário que os
conteúdos científicos sejam compreendidos e aplicados pelo aluno.

Pouco adiantará aprender todas as regras gramaticais se não souber no final do


ciclo da educação básica, escrever um texto dissertativo, com argumentos,
será pouco significativo se decorar as datas e fatos históricos, nomes de
líderes de movimentos, se não aprender uma leitura crítica da realidade ou do
mundo.

Os conteúdos escolares se tornarão importante na medida em que se tornarem


significativos a nossa percepção de mundo e após a explicação passarem a ser
compreensivos.

O significado do pensamento crítico está na relação com a capacidade de rever


conteúdos através de perspectivas de criar novos significados no cotidiano e
questionar as evidências dele.

O esforço sistemático da construção do conteúdo é portanto função do


professor buscar os vários esforços de como desenvolver esse conteúdo, no
sentido de articular pensamentos estruturantes a lógica reflexiva.

O processo educativo, segundo Morin, acontece na relação com os outros, nas


visões de mundo e experiências de vida e científicas. O conhecimento humano
se desenvolve nas trocas de sentidos entre os sujeitos, processo de
identificação e projeção do sujeito a sujeito, linguagens, percepção,
conhecimentos e entendimentos dialéticos do mundo. A compreensão,
necessita de abertura para ampliar a leitura crítica da realidade em movimento,
mobilidade conceitual, relação dialógica, organizando o pensamento.
O professor se tiver uma cabeça bem feita nesse processo cabe investir na
formação continuada mantendo o referencial epistemológico estabelecendo
diálogos significativos sobre o desafio de ensinar e aprender.

Para Morin devemos estar intelectualmente preparados para compreender a


humanidade, como lógica de abertura do mundo, e reconstruindo sentido de
nossas ações. Ser professor é emergir no contexto a prática reflexiva e
investigativa indispensáveis ao exercício da docência. A compreensão se
desenvolve quando o sujeito aparece na reflexão sobre si mesmo (sujeito a
sujeito).

A cabeça bem feita é aquela que torna o sujeito autônomo, capaz de criar suas
próprias representações do mundo e tomar decisões. O sujeito se prepara para
compreender o processo histórico, capaz de analisar sínteses e expressão da
criatividade.

A cabeça bem-feita consiste no processo dialético do pensamento, complexa


teia de relações significativamente nos espaços sociais, integrando-se ao
Universo reflexivo, fundamentando-se com a realidade.

Considerações Finais

Para Morim, o desafio da educação na atualidade é desenvolver uma cabeça


bem feita, tornando significativos os conceitos trabalhados em sala de aula,
promovendo a compreensão crítica dos conteúdos, mediados pelo diálogo, da
perspectiva dialética entre as partes e o todo, da formação de subjetividades
capazes do atual processo histórico, das incertezas, reconstruindo o
conhecimento para transformar rapidamente os processos sociais, culturais, e
tecnológicos.

Bibliografia

Morin, Edgar. A cabeça feita: repensar a reforma, reformar o pensamento.


Tradução de Eloá Jacobina. 9. Ed. Rio de Janeiro- Bertrand.