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LEGISLAÇÃO BÁSICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A legislação que sustenta o Sistema Único de Saúde do Brasil será melhor entendida
quando pensada no processo de construção e realização das novas práticas de saude que se
iniciam a partir dos anos de 1990 com a aprovação das leis orgânicas de saúde de número
8080/1990 e 8142/1990. A lei 8080/1990 foi regulamentada em 2011 pelo decreto 7508 que
efetivou o projeto de um sistema de saúde público, universal, com possível participação da
iniciativa privada seguindo critérios estabelecidos pela própria legislação.

A seguir são apresentados sínteses de momentos históricos com vistas a favorecer


a apreensão de saberes necessários. São situados cinco períodos históricos mais
relevantes sem a pretensão de se esgotar a discussão e possíveis aprendizagens para
além do que se apresenta aqui. Importa que o estudantes
realize outras pesquisas sobre o tema, leia artigos
publicados em base de dados confiáveis, e discuta com
colegas e professores. Bons estudos!

História da formação do Sistema Único de Saúde no Brasil

Para melhor entendermos a situação atual da saúde no Brasil, é importante


conhecer como as demandas de saúde eram atendidas. O início das políticas públicas de
saúde no país, mesmo que de forma precária, se deu com a vinda da família Real. Desde
essa época, vários fatos marcaram a saúde pública. Nesse sentido é importante
recordarmos alguns fatos importantes que foram essenciais para determinar a saúde
contemporânea. Neste material será utilizado a classificação de períodos históricos
adaptada de Paim (2003). Aqui se apresentam cinco momentos importantes, a saber:

◇ Rep
ública Velha (1889 – 1930)
◇ Era
Vargas (1930 – 1964)
◇ Auto
ritarismo (1964 -1984)
◇ Nov
a República (1985 – 1988)
◇ Pós
–constituinte (1989 – 2011).

República Velha (1889-1930)

Fonte:http://www.contemporaneum.net/2010/09/historica-economica-do-brasil-
republica.html

Durante a República Velha o país foi governado pelas oligarquias dos estados
mais ricos, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A cafeicultura era o
principal setor da economia, isso favoreceu a industrialização, a expansão das atividades
comerciais e o aumento acelerado da população urbana, engrossada pela chegada dos
imigrantes desde o final do século XIX" (BERTOLLI FILHO, 1996)
Nesta época havia a predominância de doenças transmissíveis que trazia
grandes prejuízos econômicos e, por isso eram organizadas campanhas sanitárias,
visando à salubridade dos portos, controle de endemias e saneamento, além, da
organização de serviços de saúde pública.
No governo de Rodrigues Alves desencadearam-se ações que tiveram como
vertente a chamada "Higienização". Através da figura de Osvaldo Cruz, a questão
sanitária passou a ser tomada como uma questão política. Como exemplo, pode se
verificar a lei sobre a vacinação e re-vacinação contra a varíola, no ano de 1904, processo
que gerou uma série de revoltas no âmago da população civil contra o sentido militar
imputado a campanha (IYDA, 1994).
Em 1920 acontece a Reforma Carlos Chagas, que implanta o novo regulamento
do Departamento Nacional de Saúde Pública, separando a organização da saúde em
saúde pública e previdência social. E, em 1923 é criada a Lei Elói Chaves, que
regulamentou a criação de Caixas de Aposentadoria e Pensão – CAP – um modelo
restrito ao âmbito de grandes empresas e que possuíam administração próprias para seus
fundos (BERTOLLI FILHO, 2008).
As Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), que se constituíram em
embrião do Seguro Social, corresponderam ao primeiro período da história da
Previdência brasileira. As CAPs concediam benefícios pecuniários, nas modalidades de
aposentadorias e pensões, bem como na prestação de serviços do tipo de consultas
médicas e fornecimento de medicamentas. Para tanto, foi criado um fundoconstituído pelo
recolhimento compulsório do empregado: 3% do salário; doempregador: 1% da renda
bruta das empresas e da União: 1,5% das tarifas dosserviços prestados pelas empresas
(CORDEIRO. 1981).
Este período anterior a 1930 caracterizou-se pela predominância do modelo
neoliberal privado tradicional e com assistência médica individual oferecida pelas santas
casas e instituições de caridade a quem não podia pagar ou por médicos tipicamente
liberais, mediante remuneração direta (VIANA; LIMA, 2011).

Era Vargas (1930 – 1964)

Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_Vargas

A revolução de 1930 marcou o fim da hegemonia política da classe dominante


ligada à exportação do café. A crise de 1929 afetou as exportações, provocando uma
enorme queda nos preços do café. Assim, em 1930 ocorreu a revolução, liderada por
frações da classe dominante que não estavam ligadas à exportação de café. Além disso,
o movimento contou com o forte apoio de camadas médias urbanas, como intelectuais,
profissionais liberais, militares, particularmente os tenentes" (CEFOR, s.d.)
Predomínio das doenças da pobreza (infecto-parasitárias) e aparecimento das
doenças da modernidade (crônicas).
Com a Revolução de 1930 ocorre a reestruturação nos órgãos do Estado. São
criados o Ministério da Educação e Saúde Pública e o Ministério do Trabalho, que cuidava
da medicina previdenciária e saúde ocupacional, coexistindo com medicina privada,
hospitais beneficentes, filantrópicos (BRASIL, 2007).
Em 1933 surgiu a Previdência Social, atuando por meio dos Institutos de
aposentadorias e Pensão (IAP) das diversas categorias profissionais, para trabalhador
formal, surgindo assim a medicina previdenciária. Segundo NICZ (1982), além de servir
como importante mecanismo de controle social, os IAP’s tinham, até meados da década
de 50, papel fundamental no desenvolvimento econômico deste período, como
“instrumento de captação de poupança forçada”, através de seu regime de capitalização.
Em 1942 surge o Serviço Especial de Saúde Pública– SESP para assegurar condições
sanitárias na Amazônia para a produção da borracha, atendendo às indústrias bélicas.
Cabe lembrar financiamento com recursos americanos e, em plena segunda guerra.
O hospital assumiu a posição central na prestação dos serviços de saúde e no
final da década de 50 definia-se como local de encontro das diversas especialidades
médicas, como detentor da infra-estrutura e dos equipamentos necessários para a
prestação dos serviços de saúde (BRASIL, 2007; BERTOLLI FILHO, 2008; VIANNA;
LIMA, 2011).
Em 1953 o Ministério da Saúde incorpora os serviços de combate às endemias e,
já, em 1956 foi criado o Departamento Nacional de Endemias Rurais. Mais tarde, todos
esses órgãos se transformaram em Fundação SESP, SUCAM e FUNASA.

Autoritarismo (1964 -1984)

Em 1964 acontece um Golpe Militar. Neste contexto político o modelo de saúde


adotado é hospitalocêntrico. Em todos os países elevam-se extraordinariamente os custos
da assistência à saúde, em consequência das próprias transformações científicas e
tecnológicas por que passava o ato médico neste período. Ocorria então uma profunda
mudança no saber e no ato médico, diversificando-se as especialidades, diferenciando-se
a mão de obra empregada e uma maior presença do capital aprofundava a divisão técnica
do trabalho (VIANA; LIMA, 2011).
Em 1967, a unificação dos IAP no INPS (Instituto Nacional de Previdência
Social) cria um mercado para as ações que serão produzidas pelas empresas
vendedoras de serviços médicos e fortalece o movimento de privatização do setor. A
criação do INPS propiciou a unificação dos diferentes benefícios ao nível do IAP’s. Na
medida em que todo o trabalhador urbano com carteira assinada era automaticamente
contribuinte e beneficiário do novo sistema, foi grande o volume de recursos financeiros
capitalizados.
O fato do aumento da base de contribuição, aliado ao fato do crescimento
econômico da década de 70 (o chamado milagre econômico), do pequeno percentual de
aposentadorias e pensões em relação ao total de contribuintes, fez com que o sistema a
cumulasse um grande volume de recursos financeiros.
Ao unificar o sistema previdenciário, o governo militar se viu na obrigação de
incorporar os benefícios já instituídos fora das aposentadorias e pensões. Um destes era
a do assistência médica, que já era oferecido pelos vários IAPs , sendo que alguns destes
já possuíam serviços e hospitais próprios.
Este sistema foi se tornando cada vez mais complexo tanto do ponto de vista
administrativo quanto financeiro dentro da estrutura do INPS, que acabou levando a
criação de uma estrutura própria administrativa, o Instituto Nacional de Assistência
Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1978.
O Plano de Pronta Ação (PPA) criado em 1974 amplia o atendimento de
urgência a TODA população (contribuinte e não contribuinte) nas clínicas e hospitais
particulares contratados;
Em 1975 cria-se o - Programa de Interiorização das ações de Saúde e
Saneamento -PIASS, abrangendo a região nordeste do país. Inicia-se a crise de
financiamento com o fim do milagre econômico (BRASIL, 2006).

MOVIMENTO DE REFORMA SANITÁRIA BRASILEIRA (1976-


1979)

O MRSB pode ser definido como um movimento social ou um


“conjunto organizado de pessoas e grupos, partidários ou não,
articulados ao redor de um projeto” (ESCOREL, 1988). Partindo do
princípio de que a defesa da saúde é a defesa da própria vida, o
Movimento pela Reforma Sanitária insistia em que era preciso reformular o sistema de
saúde para torná-lo mais eficaz e disponível a toda a população.
O movimento teve como participantes: profissionais de saúde, lideranças
políticas, sindicais e alguns populares.
Em 1978 acontece a Conferência de Alma-Ata que expressa a necessidade de
todos os governos em promover a saúde para todos. Em 1979 o PIASS expande-se para
todo o país. É um período de abertura política e começa-se a discutir publicamente uma
proposta de reorientação do sistema de saúde para contrapor-se ao modelo
hospitalocêntrico e o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde- CEBES é ator fundamental
nesse processo. Ademais, em 1980 o PREVSAÚDE incorpora o ideário do PIASS como
componente rural e avança no tocante ao financiamento.
Os anos de 1980 são considerados de década perdida pela intensa crise
econômica vivida. Neste período houve um esgotamento do modelo sanitário adotado. A
intensa crise e o processo de democratização do país determinaram novos rumos nas
políticas públicas e fizeram surgir, na arena sanitária, sujeitos sociais que propugnavam
um modelo alternativo de atenção à saúde.Em 1983 foi criado a AIS (Ações Integradas
de Saúde), um projeto interministerial (Previdência-Saúde-Educação), visando um novo
modelo assistencial que incorporava o setor público, procurando integrar ações curativas
preventivas e educativas ao mesmo tempo. Assim, a Previdência passa a comprar e
pagar serviços prestados por estados, municípios, hospitais filantrópicos, públicos e
universitários.

Nova República (1985-1988)

Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_%C3%9Anico_de_Sa%C3%BAde

Foi um período profícuo para o setor saúde. Acontece em 1986 a 8ª Conferência


Nacional de Saúde que lançou as bases doutrinárias do SUS.
Em 1987 foi implantado o Sistema Único e Descentralizado da Saúde – SUDS
que tentou incorporar alguns elementos centrais da proposta de reforma sanitária:
universalização, descentralização (estadualização) e democratização das instâncias
gestoras.
Em 1988 foi promulgada a constituição cidadã que consagrou a saúde como
produto social e estabeleceu as bases legais dos municípios como responsáveis pela
elaboração da política de saúde. Cria-se o SUS.

Pós-Constituinte (1989-1992)
Com a promulgação da Constituição Federal do Brasil em 1988 a saúde foi
incluída no capítulo de seguridade social e foi criado o Sistema Único de Saúde.
A constituinte de 1988, no capítulo VIII da Ordem social e na secção II,
referente à Saúde define no artigo 196 que: “A saúde é direito de todos e dever do estado,
garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação”.
O SUS é definido pelo artigo 198 como sendo “As ações e serviços públicos de
saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, e constituem um sistema único,
organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I. Descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II. Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem
prejuízo dos serviços assistenciais;
III. Participação da comunidade - controle social.

Parágrafo único - o sistema único de saúde será financiado, com recursos do orçamento
da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além
de outras fontes”.
Apesar do SUS ter sido definido pela Constituição de 1988, ele somente foi
regulamentado em 19 de setembro de 1990 através da Lei 8.080. Esta lei define o modelo
operacional do SUS, propondo a sua forma de organização e de funcionamento. Neste
momento algumas reflexões são necessárias: primeiramente a saúde passa a ser definida
de um forma mais abrangente :
“A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre
outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o
trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e
o acesso aos bens e serviços essenciais: os níveis de
saúde da população expressam a organização social
e econômica do país”.

O SUS é concebido como o conjunto de ações e serviços de saúde, prestados


por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração
direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público. A iniciativa privada poderá
participar do SUS em caráter complementar.

Foram definidos como princípios doutrinários do SUS:

UNIVERSALIDADE - o acesso às ações e serviços deve ser garantido a todas as


pessoas, independentemente de sexo, raça, renda, ocupação, ou outras
características sociais ou pessoais;
EQUIDADE - é um princípio de justiça social que garante a igualdade da assistência à
saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie. A rede de serviços deve
estar atenta às necessidades reais da população a ser atendida;
INTEGRALIDADE - significa considerar a pessoa como um todo, devendo as ações
de saúde procurar atender à todas as suas necessidades.

Destes derivaram alguns princípios organizativos:

HIERARQUIZAÇÃO - Entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e


serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em
todos os níveis de complexidade do sistema; referência e contrarefrência;
PARTICIPAÇÃO POPULAR - ou seja a democratização dos processos decisórios
consolidado na participação dos usuários dos serviços de saúde no chamados
Conselhos de Saúde;
DESENCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA ADMINISTRATIVA -
consolidada com a municipalização das ações de saúde, tornando o
município gestor administrativo e financeiro do SUS.

Os objetivos e as atribuições do SUS foram assim definidas:


· Iden
tificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde;
· For
mular as políticas de saúde;
· Forn
ecer assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e
recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das
atividades preventivas.
· Exe
cutar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica;
· Exe
cutar ações visando a saúde do trabalhador;
· Part
icipar na formulação da política e na execução de ações de saneamento
básico
· Parti
cipar da formulação da política de recursos humanos para a saúde;
· Real
izar atividades de vigilância nutricional e de orientação alimentar;
· Part
icipar das ações direcionadas ao meio ambiente;
· For
mular políticas referentes a medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, e
outros insumos de interesse para a saúde e a participação na sua produção;
· Con
trole e fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde;
· Fisc
alização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo humano;
· Parti
cipação no controle e fiscalização de produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
· Incr
emento do desenvolvimento científico e tecnológico na área da saúde;
· For
mulação e execução da política de sangue e de seus derivados:

Em 1990 foram criadas as Leis Orgânicas da Saúde. Cabendo um registro que


foram assinadas pelo, então presidente Fernando Collor de Melo, que era um presidente
de ideologia neoliberal e vetou artigos da Lei 8080/90 que versassem sobre participação
popular e transferência de recursos. No entanto, com a sociedade bastante mobilizada em
torno da Reforma Sanitária tão sonhada, no mesmo ano foi aprovada a Lei 8142/90 que
complementa a Lei 8080/90, atendendo ao anseio da sociedade por mais participação
popular na gestão da saúde e na descentralização de recursos para o setor.

Legislação Básica do SUS - Lei 8080/1990; 8142/1990 e Decreto 7508/2011.

Lei Orgânica da Saúde é composta por um conjunto de duas leis, a saber:

Lei 8.080 de 1990 Lei 8142 de 1990


Lei orgânica da Saúde que dispõe sobre as Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do
condições para a promoção, proteção e recuperação Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências
da saúde, a organização e o funcionamento dosinter-governamentais de recursos financeiros na área da
serviços correspondentes e dá outras providências saúde e dá outras providências.

A década de 90, do século passado, foi de normatização e implantação do SUS. Em 1993


o INAMPS integra-se ao sistema público de saúde. Neste período acontecem as Normas
Operacionais Básicas do SUS – NOB-SUS.

Normas Operacionais Básicas do SUS

Normas operacionais são documentos jurídicos que foram sendo


publicadas ao longo dos anos de 1990 para efetivar a realização do que estava previsto em lei. Por
isso, o nome é norma operacional que tem como finalidade operacionalizar, colocar em prática. De
modo geral, serviram para a implantação do SUS nos estados e municípios. Elas estão ligadas ao
principio da descentralização politico-admistrativa e o da integralidade. Serão apresentadas as
mais relevantes do ponto de vista histórico.
NOB-SUS/91 – Nesse momento o INAMPS ainda é o único gestor da saúde de fato. Os
estados eram como prestadores e veio para equiparar o prestador público e o privado. Foi editada
no governo Collor representando uma reação conservadora do modelo liberal de prestação de
serviços, adotando a tabela de procedimentos e mantendo a prática centralizadora do INAMPS
(ACIOLI, 2006).
NOB-SUS/92 – Objetiva normatizar a assistência à saúde, estimular a implantação, o
desenvolvimento e o funcionamento do sistema.
NOB-SUS/93 – Primeira editada pelo Ministério da Saúde e sua importância é por ter
institucionalizou as Comissão Inter-gestores Tripartite (CIT) e a Comissão Inter-gestores Bipartite
(CIB), criando-se um sistema decisório compartilhado pelas diferentes instâncias. Mas, muito mais
importante foi porque essa NOB desencadeia o processo de municipalização, tentando corrigir
lacunas do governo Collor.
Em 1995, Fernando Henrique Cardoso assume o governo, mantendo e intensificando a
implementação do modelo neoliberal, atrelado a ideologia da globalização e da redução o do
“tamanho do estado” .
Na busca de uma alternativa econômica como fonte de recurso exclusiva para financiar a
saúde, o então Ministro da Saúde - Adib Jatene - propõe a criação da CPMF (contribuição
provisória sobre movimentação financeira).
O governo FHC edita a NOB-SUS 01/96 ,o que representa um avanço importante no
modelo de gestão do SUS, principalmente no que se refere a consolidação da Municipalização. Esta
NOB revoga os modelos anteriores de gestão propostos nas NOB anteriores (gestão incipiente,
parcial e semiplena), e propõe aos municípios se enquadrarem em dois novos modelos : Gestão
Plena de Atenção Básica e Gestão Plena do Sistema Municipal.
É fundamental destacar que uma das alterações mais importante introduzidas pela NOB
96 refere-se a forma de repasse dos recursos financeiros do governo federal para os municípios,
que passa a ser feito com base num valor fixo per-capita (PAB) e não mais vinculado a produção de
serviços, o que possibilita aos municípios desenvolverem novos modelos de atenção à saúde da
população.
O PAB (Piso Assistencial Básico) consiste em um montante de recursos financeiros
destinado ao custeio de procedimentos e ações de assistência básica, de responsabilidade
tipicamente municipal.
Esse Piso é definido pela multiplicação de um valor per capita nacional (atualmente ) pela
população de cada município (fornecida pelo IBGE) e transferido regular e automaticamente ao
fundo de saúde ou conta especial dos municípios. Além disto, o município poderá receber
incentivos para o desenvolvimento de determinadas ações de saúde agregando valor ao PAB.
As ações de saúde que fornecem incentivo são: Programa de Agentes Comunitários de
Saúde (PACS); Programa de Saúde da Família(PSF); Assistência Farmacêutica básica; Programa de
combate as Carências Nutricionais; ações básicas de vigilância
sanitária; ações básicas de vigilância epidemiológica e ambiental.

A partir de 2000 foram estabelecidos acordos, e neste período


intituiram-se as NOAS 2001 e 2002.
NOAS 2001, Norma Operacional de Assistência à Saúde (2001),
define o processo de regionalização da assistência, ampliando a
responsabilidade dos municípios na atenção básica; defini o processo de regionalização da
assistência, cria mecanismos para a capacidade de gestão. A NOAS 2002 promove mais equidade
na alocação de recursos e no acesso à população às ações de saúde, cria mecanismos para o
fortalecimento da capacidade de gestão do SUS, atualiza os critérios de habilitação de estados e
municípios e a Regionalização da assistência.

O PACTO PELA SAÚDE

De 2003-2006 é o período do primeiro mandato de Luiz Inácio


Lula da Silva. A publicação da Portaria GM/MS 399/2006 que lança os
Pactos pela Saúde que tinha como “finalidade a qualificação da
gestão pública do SUS, buscando maior efetividade, eficiência e
qualidade de suas respostas” (CONASEMS, 2006, p. 34).
Esse pacto tinha três dimensões:
a) Pact
os pela Vida;
b) Pac
tos em Defesa do SUS
c) Pact
os de Gestão.
A dimensão dos Pactos pela Vida: estabelecem metas sanitárias mobilizadoras,
partindo de compromissos sanitários e de gestão que deverão ser atingidos pelo SUS. O
referido Pacto está estruturado em uma política de resultados.
Prioridades:
o
Saúde do idoso,
o
Controle do Câncer do colo de útero e de mama;
o
Redução da mortalidade infantil e materna;
o
Fortalecimento da capacidade de resposta às doenças emergentes e endemias;
o
Promoção da saúde e fortalecimento da atenção básica

Quanto à dimensão dos Pactos em Defesa do SUS (2006) as prioridades são


expressar compromissos entre os gestores do SUS com a consolidação da Reforma
Sanitária Brasileira e desenvolver e articular ações que visem qualificar e assegurar o
SUS como política pública.
Já os Pactos de Gestão (2006) estabelecem diretrizes para a gestão do sistema
nos aspectos da: Descentralização; Regionalização; Financiamento; Planejamento;
Programação, pactuada e integrada; Regulação; Controle social; Gestão do trabalho e
educação na saúde.
O pacto não trouxe grandes mudanças na estrutura de funcionamento da rede de
assistência do SUS, porém apresentou componentes novos como o processo de
pactuação entre os gestores, extinguindo o processo de habilitação para estados e
municípios.
A pactuação preconizada considerava as possibilidades dos gestores de
assumirem responsabilidades, não transferindo para outras esferas a execução de ações
que poderiam ser resolvidas em seu âmbito, com cooperação, coesão regional e
responsabilização de cada gestor no seu âmbito de atuação.
Outras mudanças ocorridas foram nas formas de recebimento dos recursos
financeiros que passaram a ser por blocos de financiamento, além de incentivos
financeiros para a área de gestão e planejamento que historicamente nas normas
anteriores não foram priorizadas (MACHADO et al, 2009).
DECRETO PRESIDENCIAL 7.508/2011

Em 2011 a presidente Dilma Rouseff publicou o


decreto 7.508/2011 de que regulamenta a lei 8080/1990,
para dispor sobre a organização do SUS, o planejamento da
saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e de outras providências.
Esse decreto define: Definições:
I – Região de Saúde;
II – Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde (COAP);
III – Portas de Entrada;
IV – Comissões Intergestores;
V – Mapa da Saúde;
VI – Rede de Atenção à Saúde;
VII – Serviços Especiais de Acesso Aberto;
VIII – Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica.

Da Organização do SUS:

O SUS é constituído pela conjugação das ações e serviços de promoção,


proteção e recuperação da saúde executados pelos entes federativos, de forma direta ou
indireta, mediante a participação complementar da iniciativa privada, sendo organizado de
forma regionalizada e hierarquizada.

Das Regiões de Saúde:

Região de Saúde: espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de


municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e
de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade
de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde.
As Regiões de Saúde serão instituídas pelo estado, em articulação com os
municípios, respeitadas as diretrizes gerais pactuadas na Comissão Inter-gestores
Tripartite – CIT.
Poderão ser instituídas Regiões de Saúde insterestaduais.
Para ser instituída, a Região de Saúde deve conter, no mínimo, ações e serviços de:
I – atenção primária;
II – urgência e emergência;
III – atenção psicossocial;
IV – atenção ambulatorial especializada e hospitalar; e
V – vigilância em saúde.

Rede de Atenção à Saúde: conjunto de ações e serviços de saúde articulados


em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da
assistência à saúde.
As Redes de Atenção à Saúde estarão compreendidas no âmbito de uma Região de
Saúde, ou de várias delas.

Da Hierarquização:

O acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde se inicia


pelas Portas de Entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e hierarquizada, de
acordo com a complexidade do serviço.
Portas de Entrada: serviços de atendimento inicial à saúde do usuário no SUS.
O acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde será ordenado
pela atenção primária e deve ser fundado na avaliação da gravidade do risco individual e
coletivo e no critério cronológico.
Ao usuário será assegurada a continuidade do cuidado em
saúde, em todas as suas modalidades, nos serviços, hospitais e em
outras unidades integrantes da rede de atenção da respectiva região.

Do Planejamento da Saúde:
O processo de planejamento da saúde será ascendente e integrado,
do nível local até o federal, ouvidos os respectivos Conselhos de Saúde ,
compatibilizando-se as necessidades das políticas de saúde com a disponibilidade de
recursos financeiros. Esta compatibilização será efetuada no âmbito dos
Planos de Saúde, os quais serão resultado do planejamento integrado dos entes
federativos, e deverão conter metas de saúde.
No planejamento devem ser considerados os serviços e as ações prestados
pela iniciativa privada, de forma complementar ou não ao SUS, os quais deverão
compor os Mapas da Saúde regional, estadual e nacional.
Mapa da Saúde: descrição geográfica da distribuição de recursos humanos e de
ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-se
a capacidade instalada existente, os investimentos e o desempenho aferido a partir dos
indicadores de saúde do sistema.
O Mapa da Saúde será utilizado na identificação das necessidades de saúde e
orientará o planejamento integrado dos entes federativos, contribuindo para o
estabelecimento de metas de saúde.

Da Assistência à Saúde:

A integralidade da assistência à saúde se inicia e se completa na Rede de


Atenção à Saúde, mediante referenciamento do usuário na rede regional e interestadual.
Da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde – RENASES:
A RENASES compreende todas as ações e serviços que o SUS oferece ao
usuário para atendimento da integralidade da assistência à saúde.
O Ministério da Saúde disporá sobre a RENASES em âmbito nacional,
observadas as diretrizes pactuadas pela CIT.
Da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME:
A RENAME compreende a seleção e a padronização de medicamentos indicados
para atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do SUS.
O Ministério da Saúde é o órgão competente para dispor sobre a RENAME e os
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em âmbito nacional, observadas as
diretrizes pactuadas pela CIT.
Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica: documento que estabelece critérios para
o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os
medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias
recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e a verificação
dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS.

O acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica pressupõe,


cumulativamente:
I – estar o usuário assistido por ações e serviços de saúde do SUS;
II – ter o medicamento sido prescrito por profissional de saúde, no exercício
regular de suas funções no SUS;
III – estar a prescrição em conformidade com a RENAME e os Protocolos
Clínicos e Diretrizes Terapêuticas ou com a relação específica complementar estadual,
distrital ou municipal de medicamentos; e
IV – ter a dispensação ocorrido em unidades indicadas pela direção do SUS.
A RENAME e a relação específica complementar estadual, distrital ou municipal
de medicamentos somente poderão conter produtos com registro na Agência Nacional de

Da Articulação Interfederativa:
Comissões Inter-gestores: instâncias de pactuação consensual entre os entes
federativos para definição das regras da gestão compartilhada do SUS.
As Comissões Inter-gestores pactuarão a organização e o funcionamento das
ações e serviços de saúde integrados em redes de atenção à saúde, sendo:
I – a CIT, no âmbito da União, vinculada ao Ministério da Saúde para efeitos
administrativos e operacionais;
II – a CIB, no âmbito do estado, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para
efeitos administrativos e operacionais; e
III – a Comissão Intergestores Regional – CIR, no âmbito regional, vinculada à
Secretaria Estadual de Saúde para efeitos administrativos e operacionais, devendo
observar as diretrizes da CIB.

As Comissões Inter-gestores pactuarão:


I – aspectos operacionais, financeiros e administrativos da gestão
compartilhada do SUS;
II – diretrizes gerais sobre Regiões de Saúde, integração de limites
geográficos, referência e contrarreferência;
III – diretrizes a respeito da organização das redes de atenção à saúde;
IV – responsabilidades dos entes federativos na Rede de Atenção à Saúde;
V – referências das regiões intra-estaduais e interestaduais de atenção à saúde
para o atendimento da integralidade da assistência.

Do Contrato Organizativo da Ação Pública

Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde: acordo de colaboração firmado


entre entes federativos com a finalidade de organizar e integrar as ações e serviços de
saúde na rede regionalizada e hierarquizada, com definição de responsabilidades,
indicadores e metas de saúde, critérios de avaliação de desempenho, recursos
financeiros que serão disponibilizados, forma de controle e fiscalização de sua execução
e demais elementos necessários à implementação integrada das ações e serviços de
saúde.
O Contrato Organizativo da Ação Pública de Saúde conterá as seguintes
disposições essenciais:
I – identificação das necessidades de saúde locais e regionais;
II – oferta de ações e serviços de vigilância em saúde, promoção, proteção e
recuperação da saúde em âmbito regional e inter-regional;
III – responsabilidades assumidas pelos entes federativos perante a população
no processo de regionalização;
IV – indicadores e metas de saúde;
V – estratégias para a melhoria das ações e serviços de saúde;
VI – critérios de avaliação dos resultados e forma de monitoramento
permanente;
VII – adequação das ações e dos serviços dos entes federativos em relação às
atualizações realizadas na RENASES;
VIII – investimentos na rede de serviços e as respectivas responsabilidades; e
IX – recursos financeiros que serão disponibilizados por cada um dos partícipes
para sua execução.
A humanização do atendimento do usuário será fator determinante para o
estabelecimento das metas de saúde previstas no Contrato Organizativo de Ação Pública
de Saúde.
O Sistema Nacional de Auditoria e Avaliação do SUS, por meio de serviço
especializado, fará o controle e a fiscalização do Contrato Organizativo de Ação Pública
de Saúde.

LEI 12.466/2011

A Lei 12.466, de 24 de agosto de 2011, acrescenta artigos 14-A e 14-B à Lei


8080, de 19 de setembro de 1990, que “dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e dá outras providências”, para dispor sobre comissões inter-gestores do
Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass),
o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)
e suas respectivas composições, e dar outras providências.

LEI COMPLEMENTAR 141/2012

A Lei Complementar 141/2012, de 13 de janeiro de 2012, regulamenta


a EC 29/2000 e também altera dispositivos das leis 8080/1990 e 8689/1993.
Algumas questões/novidades importantes da LC 141/2012, comentários preliminares:
Definição de punição aos gestores que descumprirem a LCL 141 (art. 46) com
base no código penal, lei de responsabilidade municipal (DL 201/67) e na lei da
improbidade administrativa (Lei 8.429). Apenas reforça dispositivos existentes;
Definição do que são e do que não são ações e serviços de saúde (artigos
terceiro e quarto); introduz o critério de necessidade e epidemiológico no rateio dos
recursos da União e estados; as diferenças entre receita e despesa na aplicação dos
percentuais mínimos deverão ser apuradas e corrigidas a cada quadrimestre no exercício
financeiro (art. 23) – evitará que se deixe o cumprimento do percentual de 15% para o
final do ano;
Redefinição da agenda formal de Planejamento e Prestação de Contas pelo
Minicípio:
Reafirmação do prazo de aprovação do Relatório Anual de Gestão (RAG) pelo
Conselho Municipal de Saúde (30 de março) e CIB (30 de maio); o município deverá
enviar a Programação Anual de Saúde (PAS) antes do encaminhamento da Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO) – art. 36, inciso segundo; o gestor deverá elaborar
relatórios quadrimestrais (o SIOPS deverá seguir este calendário), que serão avaliados
pelos Conselhos (art. 35/art. 41); o gestor deverá apresentar os relatórios quadrimestrais
em audiência pública na Casa Legislativa, nos meses de maio, setembro e fevereiro –
substitui as prestações de contas trimestrais da Lei 8689 a qual foi revogada.

REFERÊNCIAS

BERTOLLI FILHO, Claúdio. História da Saúde Pública no Brasil. 11. ed. São Paulo: Ática,
2008.
BRAGA, José Carlos de Souza; PAULA, Sergio Goes de. Saúde e previdência: estudos
de política social. São Paulo: Hucitec, 2006.
BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Sistema Único de Saúde. Brasília:
CONASS, 2007.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 1997.
BRASIL. Lei nº 8080, de 19 de setembro de 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde/INAMPS. Resolução nº 273, de 17 de julho de 1991
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. Portaria nº
234, de 10 de fevereiro de 1992.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 545, de 20 de maio de 1993.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2203, de 5 de novembro de 1996.
BRASIL. Lei nº 8142, de 28 de dezembro de 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde. Norma Operacional de Assistência à Saúde -NOAS. SUS
01/2001. Portaria GM/MS n. 95 de 26 de janeiro de 2001. Brasilia, 2001
BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011.
Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização
do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a
articulação interfederativa, e dá outras providências. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 29 jun. 201.
CORDEIRO, Hésio. As empresas médicas: um estudo sobre a s transformaçõe s
capitalista s da prática médica no Brasil. Sã o Paulo, 1981. Tese (doutorado) - Faculdade
de Medicina Universidade de São Paulo.
NICZ, Luiz F. Previdência social no Brasil. In: GONÇALVES, Ernesto L.35 Administração
de saúde no Brasil.São Paulo: Pioneira, 1988, cap. 3, p.163-197.
VIANA, Ana Luiza D'Avila. As diferentes institucionalidades da políitica social no Brasil no
período de 1995 a 2010. In: VIANA, Ana Luiza D'Avila; LIMA, Luciana Dias de (Org.).
Regionalização e relações federativas na política de saúde do Brasil. Rio de Janeiro:
Contra Capa Livraria, 2011.

QUESTÕES

1.A estratégia de regionalização é uma diretriz organizativa, cujos fundamentos legais vêm sendo
definidos ao longo da história da saúde no Brasil. Após a Constituição Federal de 1988, a Lei nº.
8080/1990, em seu artigo 7º define competências frente a criação de redes regionalizadas e
hierarquizadas de saúde, estabelecendo:
A) Que a direção municipal do SUS deve participar do planejamento, programação e organização
em articulação com sua direção estadual.
B) A regionalização como pressuposto de descentralização sem caráter normativo.
C) Que diversos municípios devem se agrupar em caráter cooperativo com fins político-
financeiros.
D) Estratégias que constituirão a promoção da equidade no sentido de reforço da palavra
conjuntural.
E) Módulos assistenciais individualizados, sem inclusão no Plano Diretor de Regionalização
(PDR), concepção sem formalização legal.

2.Os critérios e valores para a remuneração de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial


serão estabelecidos pela direção nacional do SUS, com aprovação do(s):
A) Conselho Nacional de Saúde. D) Sistema Financeiro.
B) Conselhos Federativos. E) Orçamentos da União.
C) Conselhos de Ordem.

3.“A representação dos usuários nos Conselhos de Saúde e Conferências de Saúde será
____________ em relação ao conjunto dos demais segmentos.” (§4º art. 1º Lei nº. 8142/1990)
Para completar o parágrafo citado anteriormente, nos termos da lei, marque a alternativa correta:
A) confidencial B) paritária C) semanal D) ordenada E) englobada

4.Nos termos da Lei Federal nº. 8080/1990, as ações e serviços de saúde, executados pelo SUS,
diretamente ou mediante participação complementar da iniciativa privada, serão organizados:
A) De forma assistencial, político-administrativa.
B) De forma regionalizada e hierarquizada em níveis de complexidade crescente.
C) Com ênfase na descentralização dos serviços somente para a rede privada.
D) Pela capacidade e por níveis de assistência.
E) De forma decrescente, hierarquizada e por município.

5.De acordo com a Lei nº. 8142/90 em relação aos Conselhos de Saúde, é correto afirmar,
EXCETO:
A) Fiscalizam a aplicação dos recursos da saúde.
B) Devem se reunir a cada quatro anos.
C) São compostos por representantes do governo, dos prestadores de serviços, dos profissionais
de saúde e dos usuários do sistema.
D) Atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na
instância correspondente.
E) Terão sua organização e normas de funcionamento definidas em regimento próprio.

6.No modelo de gestão plena de atenção básica, o município recebe recursos do Fundo Nacional
de Saúde para o financiamento:
A) Integral da assistência à saúde. D) Das ações básicas e das de média complexidade.
B) Das ações de assistência básica à saúde. E) Das ações de alta complexidade.
C) Do Programa de Saúde da Família.

7.O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que
apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. Fazem parte das
prioridades pactuadas, EXCETO:
A) Fortalecimento da atenção básica. D) Redução da mortalidade infantil e materna.
B) Saúde do idoso E) Erradicação das doenças emergentes.
C) Controle do câncer de colo de útero e de mama.

8.“Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde.” (Carta dos
Direitos dos Usuários de Saúde) Este princípio contido na Carta significa que:
A) Os cidadãos precisam de atendimento imediato, sempre em primeiro lugar.
B) Os cuidados no atendimento são prescritos pela agenda diária.
C) A garantia de acessibilidade significa condições de atendimento adequado, justo e eficaz.
D) A informação deve considerar as evidências científicas.
E) Os procedimentos diagnósticos devem ser somente preventivos

9.Conforme preconiza a Lei Federal nº. 8080/1990, são considerados como princípios do SUS,
EXCETO:
A) Preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral.
B) Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde.
C) Organização dos serviços públicos, de modo a evitar duplicidade de meios para fins idênticos.
D) Regionalização de serviços para evitar e conter excessos de viagens de demandas evasivas.
E) Integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico.

10.Conforme dispõe a Lei Federal nº. 8080/1990, é de competência do SUS, EXCETO:


A) Formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição.
B) Impedir a descentralização dos serviços e até mesmo monitorar sua abrangência a nível
estadual.
C) Participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgãos afins, de agravo
sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana.
D) Estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle de qualidade sanitária dos
produtos, substâncias e serviços de consumo e uso humano.
E) Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde.

11. As Conferências e Conselhos de Saúde, conforme determina a Lei nº. 8142/1990 deverão se
pautar por normas regulamentadoras que permitam seu funcionamento. Tais normas organizam
os Conselhos e Conferências de Saúde e são aprovadas em regimento próprio pelo(a):
A) Assembleia Popular. D) Dirigentes Municipais.
B) Poder Executivo. E) Regulamento Geral.
C) Respectivo Conselho

12.A participação complementar dos serviços privados para o SUS, será formalizada mediante
contrato ou convênio, preferencialmente destinados a:
A) Hospitais Estaduais. D) Entidades filantrópicas e sem fins lucrativos.
B) Fundações públicas e privadas. E) Entidades confessionais.
C) Serviços de Pronto-Socorro Cardíaco.

13.No que se refere à Gestão Financeira do SUS, conforme determinação da Lei Federal n°.
8080/1990, os recursos financeiros em cada esfera de sua atuação deverão:
A) Ser programados trimestralmente.
B) Gerir e financiar as receitas extraordinárias.
C) Ser depositados em conta específica e movimentados sob a fiscalização dos Conselhos de
Saúde.
D) Constituir receita para pagamentos generalizados.
E) Fomentar e financiar instituições sociais

14.A Lei Federal 8080/90 estabelece que a articulação das políticas e programas, a cargo das
comissões intersetoriais, abrangerá em especial, atividades como:
A) Alimentação e nutrição.
B) Saneamento e meio ambiente.
C) Recursos humanos.
D) Ciência e tecnologia.
E) Todas as alternativas anteriores completam o enunciado.

15. Analise as assertivas abaixo que apresentam as competências da direção estadual do SUS:
(Lei 8080/90)
I. Participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de trabalho.
II. Em caráter suplementar, formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e
equipamentos para a saúde.
III. Identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta
complexidade, de referência
estadual e regional.
IV. Estabelecer normas, em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços
de saúde.
Estão corretas apenas as alternativas:
A) I, II e III B) I, II, III, e IV C) II, III e IV D) I, III e IV E) II e III

16.Acerca da Lei nº. 8080/90 pode-se afirmar que, EXCETO:

A) A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.


B) Proíbe a destinação de subvenção e auxílio a instituição prestadora de serviços à saúde com
finalidade lucrativa.
C) Normatiza e coordena nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, componentes e
derivados.
D) Em nenhuma hipótese, os serviços de saúde das forças armadas poderão integrar-se ao SUS.
E) Estabelece normas, em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços
de saúde.

17. “As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema Único de Saúde, seja diretamente ou
mediante participação _______________ da iniciativa privada, serão organizados de forma
_______________ e ________________ em níveis de complexidade crescente.” Referente ao
Art. 8º da Lei nº. 8080/90, assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a
afirmação anterior.
A) efetiva / regionalizada / centralizada
B) complementar / hierarquizada / centralizada
C) complementar / regionalizada / hierarquizada
D) complementar / descentralizada / regionalizada
E) efetiva / regionalizada / descentralizada

18.São objetivos e atribuições do Sistema Único de Saúde (SUS), EXCETO:


A) Identificar e divulgar os fatores condicionantes e determinantes da saúde.
B) Executar ações de vigilância epidemiológica.
C) Incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico.
D) Colaborar na proteção do meio ambiente.
E) Executar ações de assistência terapêutica parcial.

19. Considerando a Lei nº. 8080/90, no que se refere a recursos humanos e sua política na área
da saúde, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) As especializações na forma de treinamento em serviço sob supervisão serão regulamentadas
por Comissão
Nacional, de forma a garantir a participação das entidades profissionais.
( ) Será formalizada e executada articuladamente, pelas diferentes esferas do governo, para dar
cumprimento a
determinados objetivos.
( ) Os servidores, que legalmente acumulam dois cargos ou empregos, não poderão exercer suas
atividades em mais de um estabelecimento.

A sequência está correta em


A) V, F, F B) V, V, F C) F, V, V D) F, V, F E) V, V, V

20.O Art. 3º da Lei nº. 8080/90 dispõe sobre os fatores determinantes e condicionantes da saúde,
que são, EXCETO:
A) Alimentação. B) Lazer. C) Moradia. D) Saneamento básico. E) Medicamento.

21.De acordo com o Art. 6º da Lei nº. 8080/90 estão incluídas no campo de atuação do Sistema
Único de Saúde (SUS)
I. formulação e execução da política de sangue e seus derivados.
II. incrementos, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e tecnólogo.
III. execução de ações de vigilância sanitária e epidemiológica.
IV. controle e fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde.
Estão corretas apenas as alternativas
A) I, II B) II, IV C) II, III D) I, III, IV E) I, II, III, IV

22.Sobre os princípios do Sistema Único de Saúde, assinale a afirmativa INCORRETA.


A) A universalidade garante o acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência.
B) A integralidade é um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e
curativos, individuais e
coletivos, exigidos para cada caso, e em todos os níveis de complexidade do sistema.
C) A preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral é um dos
princípios do SUS.
D) A equidade consiste na igualdade de assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de
qualquer espécie.
E) A integridade compreende a organização dos serviços públicos, de modo a evitar duplicidade
de meios para fins
idênticos.

23.O controle social do Sistema Único de Saúde (SUS) está relacionado também à participação
comunitária em sua gestão. A conferência de saúde que reunir-se-á a cada quatro anos, terá
como objetivo:
I. avaliar a situação da saúde.
II. controlar e avaliar os hospitais públicos no que se refere à atenção básica.
III. propor diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes

Está(ão) correta(s) apenas a(s) alternativa(s)


A) I B) III C) I, III D) II, III E) I, II

24. “É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições com
fins lucrativos.” “As instituições privadas poderão participar de forma complementar do Sistema
Único de Saúde.” As afirmativas citadas anteriormente se referem à saúde conforme dispõe a
Constituição Federal de 1988 e assim se apresentam:
A) As duas afirmativas estão incompletas. D) As duas afirmativas estão incorretas.
B) A 1ª afirmativa está incorreta e a 2ª correta. E) A 2ª afirmativa está incompleta e a 1ª incorreta.
C) As duas afirmativas estão corretas.

25.O Pacto pela Saúde aprova e consolida o Pacto pela Vida, suas prioridades e objetivos. Nas
alternativas abaixo, marque V para as verdadeiras e F para as falsas:

( ) Reduzir a mortalidade materna, infantil neonatal, infantil por doenças diarréica e por
pneumonia.
( ) Contribuir para a redução da mortalidade por câncer de colo do útero e de mama.
( ) Fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde às doenças emergentes e endemias.
( ) Implantar a Política Nacional de Saúde de Pessoa Idosa, com serviços especializados no
atendimento geriátrico em casas de abrigo, estritas a casos e mantidas por organizações não
governamentais.

A sequência está correta em:


A) V, V, V, V B) V, V, V, F C) V, F, V, F D) V, V, F, F E) V, V, F, V

26. “A iniciativa ___________ poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS) em caráter
complementar.” (§2º do artigo 4° da Lei nº. 8080/90) Das palavras citadas abaixo, marque a que
completa corretamente o parágrafo anterior:
A) pública B) institucional C) privada D) federal E) legislativa

27. As normatizações legais estabelecidas na Lei 8080/90 são aplicadas para regular as ações e
serviços de saúde emtodo o território nacional brasileiro, sejam elas executadas de forma isolada
ou conjunta, bem como em caráterpermanente ou eventual, mediante pessoas naturais ou
jurídicas de direito público ou privado. Considerando o textoexplícito nessa Lei Orgânica da Saúde
e as suas disposições gerais, é INCORRETO afirmar que:
A) os níveis de saúde expressam a organização social, bem como a econômica, do País.
B) constituem determinantes e condicionantes da saúde, dentre outros, alimentação; moradia;
saneamento básico; meio ambiente; trabalho; renda; educação; atividade física; transporte; lazer e
acesso aos bens e serviços essenciais.
C) apesar de o provimento da saúde constituir um dever do Estado, não estão exclusos desse
dever as pessoas, a família e a sociedade, sendo facultado às empresas o seu cumprimento.
D) o dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas
econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no
estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos
serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
E) as ações, que se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar
físico, mental e social, também se referem a ações de saúde.

28. Tratando-se, especificamente, das ações e serviços de saúde voltados para atenção à Saúde
Indígena, o regulamento legal (Lei Nº 8.080, de 19 de setembro de 1990) estabelece que:
A) os municípios, por meio de recursos orçamentários próprios, deverão prover o financiamento
do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena.
B) tendo em vista os aspectos culturais e morais particulares e característicos das populações
indígenas, o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena deverá ser centralizado no estado, com
maior representatividade dessa população, evitando ainda a hierarquização.
C) devido à simplicidade e ausência de aparato tecnológico mais complexo, as populações
indígenas devem ter acesso garantido ao SUS apenas na atenção primária à saúde.
D) o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena - SasiSUS terá como base os Distritos Sanitários
Especiais Indígenas, visando organizar os serviços prestados a essa população.
E) em decorrência da diversidade de dialetos indígenas no Brasil, as populações indígenas não
possuem espaço de participação no Conselho Nacional e Estadual de Saúde, fazendo-se
presente, apenas, nos Conselhos Municipais de Saúde.

29. Sabe-se que as Conferências de Saúde, em todos os âmbitos de ocorrência, são espaços
promovedores de democracia e construção de políticas públicas de saúde, nos quais a população
participa de decisões. Considerando o funcionamento dessa instância colegiada, assinale a
alternativa que se encontra coerente com os preceitos legais que dispõem acerca dessas
Conferências.
A) Encontra-se taxativamente listado na Lei 8142/90 que as Conferências Municipais de Saúde
destinar-se-ão à construção de políticas públicas que comporão o plano plurianual - PPA e o plano
municipal de saúde.
B) A Lei nº. 8142/90 menciona, no seu texto, que a convocação para realização da conferência
deve ser do poder Executivo ou extraordinariamente dessa e do Conselho de Saúde, portanto,
nas Conferências Municipais de Saúde, cabe ao Prefeito convocá-la.
C) A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos, sendo, portanto, um órgão
permanente e deliberativo.
D) As Conferências de Saúde não ocorrem de forma centralizada pela gestão; para isso, é
garantida a participação de representantes de diversos segmentos sociais, sendo, porém, vedada
a participação de prestadores de serviços de Saúde, a fim de não coibir os participantes.
E) As Conferências de Saúde atuam na formulação de estratégias, bem como no controle da
execução da política de saúde, inclusive no que se refere a aspectos econômicos e financeiros,
devendo as decisões decorrentes dos encontros serem homologadas pelo chefe do poder
executivo.

30. “As ações e serviços de saúde, implementados pelos Estados, Municípios e Distrito Federal,
são financiados com recursos da União, próprios e de outras fontes suplementares de
financiamento, todos devidamente contemplados no Orçamento da Seguridade Social.” (Gestão
Financeira do Sistema Único de Saúde: manual básico / Ministério da Saúde, Fundo Nacional de
Saúde. – 3 ed. rev. e ampl. - Brasília: Ministério da Saúde, 2003.).Nesse contexto, a Lei 8142/90
dispõe sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área de Saúde e
afirma que:
A) os recursos do Fundo Nacional de Saúde, voltados para a cobertura das ações e serviços de
saúde a serem executados pelas instâncias governamentais, serão destinados em, pelo menos,
setenta por cento, aos Municípios, cabendo o restante aos Estados.
B) os recursos, voltados aos serviços de saúde serão destinados, pelo menos, vinte e cinco por
cento, aos Municípios, afetando-se o restante aos Estados.
C) é vetada, entre Municípios, qualquer forma de consórcio para a execução de ações e serviços
de saúde.
D) para recepção de recursos do Fundo Nacional de Saúde, não há normatização legal prevista
que determine critérios específicos a serem cumpridos.
E) o Plano de Saúde não se constitui em um requisito para recepção de recursos por parte dos
Municípios, Estados e Distrito Federal.

31. De acordo com o Decreto Nº 7.508, de 28 de junho de 2011:


A) Devido ao modelo de constituição do SUS, em forma de Rede de Atenção na qual ocorre a
conjugação das ações e serviços saúde, não deve haver organização com base em
regionalização e hierarquização.
B) A atenção psicossocial não se constitui em uma porta de entrada às ações e aos serviços de
saúde nas Redes de Atenção à Saúde, sendo o acesso a essa modalidade de serviço apenas por
referência.
C) Não há, previsto em mecanismos legais, possibilidade de serem criadas novas Portas de
Entrada às ações e serviços de saúde no âmbito do SUS, devendo ser respeitadas aquelas
citadas no Decreto 7508/11.
D) Os serviços de atenção hospitalar e ambulatorial de nível especializado, entre outros de maior
complexidade e densidade tecnológica, não deverão ser referenciados por intermédio de portas
de entrada, sendo o acesso por demanda espontânea.
E) O acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde será ordenado pela atenção
primária.

32. A respeito do Financiamento do Sistema Único de Saúde, é CORRETO afirmar que:


A) o Governo Federal será o único responsável pelo financiamento em todas as instâncias de
saúde.
B) para o financiamento, os recursos serão advindos, exclusivamente, do orçamento da
seguridade social.
C) o Sistema Único de Saúde será financiado, com recursos do orçamento da seguridade social,
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, além de outras fontes.
D) o financiamento dos serviços e ações dos Estados devem ser providos pelos excessos
decorrentes das ações em saúde municipais.
E) os recursos destinados ao financiamento do SUS em todas as instâncias devem ser
decorrentes da execução direta das ações dos serviços privados em cada nível.

33. Referente à aplicação mínima de recursos pelos entes federados em ações e serviços
públicos de saúde, assinale a alternativa CORRETA.
A) Os municípios e o Distrito Federal devem aplicar anualmente, no mínimo, 25% da arrecadação
dos impostos em ações e serviços públicos de saúde.
B) Os estados devem aplicar, anualmente, no mínimo, 30% da arrecadação dos impostos em
ações e serviços públicos de saúde.
C) A União deve aplicar ao valor empenhado no exercício financeiro anterior, sem acréscimos.
D) Os municípios e o Distrito Federal devem aplicar, anualmente, no mínimo, 15% da arrecadação
dos impostos em ações e serviços públicos de saúde.
E) Os estados devem aplicar, anualmente, no mínimo, 15% da arrecadação dos impostos em
ações e serviços públicos de saúde.

34. Ao retomar o processo de construção do SUS, pode-se observar que muitas ações com
características autoritárias estiveram presentes entre o século XIX e XX, através de um Estado
brasileiro liberal-oligárquico. Considerando os aspectos relacionados ao período citado, analise as
alternativas abaixo e assinale aquela que NÃO caracteriza o sistema de saúde e desafios deste.

A) Presença de Doenças de massa, como a tuberculose.


B) Presença de Doenças pestilenciais, como a febre amarela.
C) Assistência à saúde por meio da previdência social, de forma incipiente.
D) Medicina de caráter voltado para a promoção da saúde.
E) Dicotomia entre saúde pública e previdência social.

35. Referente à 8° Conferência Nacional de Saúde, assinale a alternativa CORRETA.


A) Nesse espaço, foi firmado o conceito de saúde como a mera ausência de doenças.
B) Foi distanciada do Estado brasileiro qualquer responsabilidade quanto ao direito à saúde pela
população.
C) Foi proposta a reformulação do Sistema Nacional de Saúde por meio de uma reforma sanitária.
D) Foram coibidas as formas de participação popular sob as modalidades de conselho.
E) Não foram abordados temas relacionados ao uso e à transferência de recursos voltados para
saúde, debatendo temas, apenas, de saúde pública.

36. O texto da Lei Orgânica da Saúde (LOS) Nº 8.080/1990 ressalta que o sistema de saúde deve
ser descentralizado.Considerando esse processo de descentralização político-administrativa,
assinale a alternativa CORRETA.
A) Deve ser estabelecido por meio da centralização dos serviços.
B) Deve ocorrer por meio do processo de municipalização dos serviços e ações de saúde.
C) Deve ser realizado por meio da conservação do poder em nível central, ou seja, no Ministério
da Saúde.
D) Deve ocorrer por meio da redistribuição de poder, bem como das competências para os
municípios, mantendo a direção ao
nível de Estados.
E) Deve ocorrer mediante o processo parcial de municipalização, conservando, sob o poder do
estado, a administração dos recursos.

37. Referente à Comissão Integestores Bipartite, assinale a alternativa CORRETA.


A) É integrada, paritariamente, por representantes do Ministério da Saúde e dos órgãos de
representação do conjunto dos Secretários Municipais de Saúde/CONASEMS.
B) É integrada por dirigentes da Secretaria Estadual de Saúde e usuários do SUS.
C) É integrada, paritariamente, por dirigentes da Secretaria Estadual de Saúde e do órgão de
representação dos Secretários Municipais de Saúde do Estado.
D) É integrada, paritariamente, por representantes do Ministério da Saúde e do segmento dos
usuários do SUS.
E) É integrada pelo conjunto dos Secretários Municipais de Saúde/CONASEMS.

38. Lei o trecho abaixo:


Instrumento, que envolve atividades assistenciais ambulatoriais e hospitalares bem como de
vigilância sanitária/ de epidemiologia e de controle de doenças, sendo essencial para a
reorganização do modelo de atenção/gestão SUS e, ainda, para alocação dos recursos e
explicitação do pacto estabelecido entre as três esferas de governo. Esse instrumento traduz as
responsabilidades de cada município, garantindo acesso da população aos serviços de saúde,
através do próprio município ou de encaminhamento a outros, sempre por intermédio de relações
entre gestores.

O instrumento abordado no texto trata da(o)

A) Programação Pactuada e Integrada – PPI.


B) Relatório Anual de Gestão.
C) Piso Assistencial da Atenção Básica.
D) Plano Municipal de Saúde.
E) Fração Assistencial Especializada.
ATENÇÃO BÁSICA E ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA
POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DO SUS

A Atenção Básica é desenvolvida com o mais alto grau de descentralização e


capilaridade, ocorrendo no local mais próximo da vida das pessoas. Ela deve ser o
contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de
comunicação com toda a Rede de Atenção à Saúde. Deve-se orientar pelos princípios
da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da
integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e
da participação social.
A atenção básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito
individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de
agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a
manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que
impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e
condicionantes de saúde das coletividades. É desenvolvida por meio do exercício de
práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em
equipe, dirigidas a populações de territórios definidos, pelas quais assume a
responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que
vivem essas populações. Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que
devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior
frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco,
vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de
saúde ou sofrimento devem ser acolhidos.
A atenção básica considera o sujeito em sua singularidade e inserção
sociocultural, buscando produzir a atenção integral. A Atenção Básica tem como
fundamentos e diretrizes:
I - Ter território adstrito sobre o mesmo, de forma a permitir o planejamento, a
programação descentralizada e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais
com impacto na situação, nos condicionantes e nos determinantes da saúde das
coletividades que constituem aquele território, sempre em consonância com o princípio
da equidade;
II - Possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade
e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada aberta e preferencial da rede de
atenção, acolhendo os usuários e promovendo a vinculação e corresponsabilização
pela atenção às suas necessidades de saúde.
O serviço de saúde deve se organizar para assumir sua função central de
acolher, escutar e oferecer uma resposta positiva, capaz de resolver a grande maioria
dos problemas de saúde da população e/ou de minorar danos e sofrimentos desta, ou
ainda se responsabilizar pela resposta, ainda que esta seja ofertada em outros pontos
de atenção da rede.
III - Adscrever os usuários e desenvolver relações de vínculo e
responsabilização entre as equipes e a população adscrita, garantindo a continuidade
das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado.
IV - Coordenar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: integrando as
ações programáticas e demanda espontânea; articulando as ações de promoção à
saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação e manejo
das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes fins e à
ampliação da autonomia dos usuários e coletividades; trabalhando de forma
multiprofissional, interdisciplinar e em equipe; realizando a gestão do cuidado integral
do usuário e coordenando-o no conjunto da rede de atenção.
V - Estimular a participação dos usuários como forma de ampliar sua autonomia
e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do
território, no enfrentamento dos determinantes e condicionantes de saúde, na
organização e orientação dos serviços de saúde a partir de lógicas mais centradas no
usuário e no exercício do controle social.
A Política Nacional de Atenção Básica considera os termos “atenção básica” e
“Atenção Primária à Saúde”, nas atuais concepções, como termos equivalentes.
Associa a ambos: os princípios e as diretrizes definidos neste documento. A Política
Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para
expansão e consolidação da atenção básica.
O Decreto nº 7.508, de 28 de julho de 2011, que regulamenta a Lei nº 8.080/90,
define que “o acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde se
inicia pelas portas de entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e
hierarquizada”.

Nesse sentido, a atenção básica deve cumprir algumas funções para contribuir
com o funcionamento das Redes de Atenção à Saúde, são elas:
I - Ser base: ser a modalidade de atenção e de serviço de saúde com o mais
elevado grau de descentralização e capilaridade, cuja participação no cuidado se faz
sempre necessária;
II - Ser resolutiva: identificar riscos, necessidades e demandas de saúde,
utilizando e articulando diferentes tecnologias de cuidado individual e coletivo, por
meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos positivos e intervenções
clínica e sanitariamente efetivas, na perspectiva de ampliação dos graus de autonomia
dos indivíduos e grupos sociais;
III - Coordenar o cuidado: elaborar, acompanhar e gerir projetos terapêuticos
singulares, bem como acompanhar e organizar o fluxo dos usuários entre os pontos de
atenção das RAS. Para isso, é necessário incorporar ferramentas e dispositivos de
gestão do cuidado, tais como: gestão das listas de espera (encaminhamentos para
consultas especializadas, procedimentos e exames), prontuário eletrônico em rede,
protocolos de atenção organizados sob a lógica de linhas de cuidado, discussão e
análise de casos traçadores, eventos- -sentinela e incidentes críticos, entre outros.
IV - Ordenar as redes: reconhecer as necessidades de saúde da população sob
sua responsabilidade, organizando-as em relação aos outros pontos de atenção,
contribuindo para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades
de saúde dos usuários.

SÃO RESPONSABILIDADES COMUNS A TODAS AS ESFERAS DE


GOVERNO:

I - Contribuir para a reorientação do modelo de atenção e de gestão com base


nos fundamentos e diretrizes assinalados;
II - Apoiar e estimular a adoção da Estratégia Saúde da Família pelos serviços
municipais de saúde como tática prioritária de expansão, consolidação e qualificação
da Atenção Básica à Saúde;
III - Garantir a infraestrutura necessária ao funcionamento das Unidades
Básicas de Saúde, de acordo com suas responsabilidades;
IV - Contribuir com o financiamento tripartite da atenção básica;
V - Estabelecer, nos respectivos planos de saúde, prioridades, estratégias e
metas para a organização da atenção básica;
VI - Desenvolver mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de
qualificação da força de trabalho para gestão e atenção à saúde, valorizar os
profissionais de saúde estimulando e viabilizando a formação e educação permanente
dos profissionais das equipes, a garantia de direitos trabalhistas e previdenciários, a
qualificação dos vínculos de trabalho e a implantação de carreiras que associem
desenvolvimento do trabalhador com qualificação dos serviços ofertados aos usuários;
VII - Desenvolver, disponibilizar e implantar os sistemas de informações da
atenção básica de acordo com suas responsabilidades;
VIII - Planejar, apoiar, monitorar e avaliar a atenção básica;
IX - Estabelecer mecanismos de controle, regulação e acompanhamento
sistemático dos resultados alcançados pelas ações da atenção básica, como parte do
processo de planejamento e programação;
X - Divulgar as informações e os resultados alcançados pela aten- ção básica;
XI - Promover o intercâmbio de experiências e estimular o desenvolvimento de
estudos e pesquisas que busquem o aperfeiçoamento e a disseminação de
tecnologias e conhecimentos voltados à atenção básica;
XII - Viabilizar parcerias com organismos internacionais, com organizações
governamentais, não governamentais e do setor privado, para fortalecimento da
atenção básica e da Estratégia Saúde da Família no País;
XIII - Estimular a participação popular e o controle social.

COMPETE AO MINISTÉRIO DA SAÚDE:

I - Definir e rever periodicamente, de forma pactuada, na Comissão


Intergestores Tripartite (CIT), as diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica;
II - Garantir fontes de recursos federais para compor o financiamento da
atenção básica;
III - Prestar apoio institucional aos gestores dos Estados, ao Distrito Federal e
aos municípios no processo de qualificação e de consolidação da atenção básica;
IV - Definir, de forma tripartite, estratégias de articulação com as gestões
estaduais e municipais do SUS, com vistas à institucionalização da avaliação e
qualificação da atenção básica;
V - Estabelecer, de forma tripartite, diretrizes nacionais e disponibilizar
instrumentos técnicos e pedagógicos que facilitem o processo de gestão, formação e
educação permanente dos gestores e profissionais da atenção básica;
VI - Articular com o Ministério da Educação estratégias de indução às mudanças
curriculares nos cursos de graduação e pós-graduação na área da saúde visando à
formação de profissionais e gestores com perfil adequado à atenção básica;
VII - Apoiar a articulação de instituições, em parceria com as Secretarias de
Saúde Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, para formação e garantia de
educação permanente para os profissionais de saúde da atenção básica.

COMPETE ÀS SECRETARIAS ESTADUAIS DE SAÚDE E DISTRITO


FEDERAL:
I - Pactuar, com a Comissão Inter-gestores Bipartite (CIB), estratégias, diretrizes
e normas de implementação da atenção básica no Estado, de forma complementar às
existentes, desde que não haja restrições destas e que sejam respeitados as diretrizes
e os princípios gerais regulamentados nesta portaria;
II - Destinar recursos estaduais para compor o financiamento tripartite da
atenção básica prevendo, entre outras, formas de repasse fundo a fundo para custeio
e investimento das ações e serviços;
III - Ser corresponsável pelo monitoramento da utilização dos recursos federais
da atenção básica transferidos aos municípios;
IV - Submeter à CIB, para resolução acerca das irregularidades constatadas na
execução dos recursos do Bloco de Atenção Básica;
V - Analisar os dados de interesse estadual gerados pelos sistemas de
informação, utilizá-los no planejamento e divulgar os resultados obtidos;
VI - Verificar a qualidade e a consistência dos dados enviados pelos municípios
por meio dos sistemas informatizados, retornando informações aos gestores
municipais;
VII - Consolidar, analisar e transferir para o Ministério da Saúde os arquivos dos
sistemas de informação enviados pelos municípios de acordo com os fluxos e prazos
estabelecidos para cada sistema;
VIII - Prestar apoio institucional aos municípios no processo de implantação,
acompanhamento e qualificação da atenção básica e de ampliação e consolidação da
Estratégia Saúde da Família;
IX - Definir estratégias de articulação com as gestões municipais do SUS com
vistas à institucionalização da avaliação da atenção básica;
X - Disponibilizar aos municípios instrumentos técnicos e pedagógicos que
facilitem o processo de formação e educação permanente dos membros das equipes
de gestão e de atenção à saúde;
XI - Articular instituições, em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde,
para formação e garantia de educação permanente aos profissionais de saúde das
equipes de atenção básica e das equipes de Saúde da Família;
XII - Promover o intercâmbio de experiências entre os diversos municípios,
para disseminar tecnologias e conhecimentos voltados à melhoria dos serviços da
atenção básica.

COMPETE ÀS SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE E DISTRITO


FEDERAL:

I - Pactuar, com a Comissão Intergestores Bipartite, por meio do Cosems,


estratégias, diretrizes e normas de implementação da atenção básica no Estado,
mantidas as diretrizes e os princípios gerais regulamentados nesta portaria;
II - Destinar recursos municipais para compor o financiamento tripartite da
atenção básica;
III - Ser corresponsável, junto ao Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de
Saúde, pelo monitoramento da utilização dos recursos da atenção básica transferidos
aos municípios;
IV - Inserir a Estratégia Saúde da Família em sua rede de serviços como tática
prioritária de organização da atenção básica;
V - Organizar, executar e gerenciar os serviços e ações de atenção básica, de
forma universal, dentro do seu território, incluindo as unidades próprias e as cedidas
pelo Estado e pela União;
VI - Prestar apoio institucional às equipes e serviços no processo de
implantação, acompanhamento e qualificação da atenção básica e de ampliação e
consolidação da Estratégia Saúde da Família;
VII - Definir estratégias de institucionalização da avaliação da atenção básica;
VIII - Desenvolver ações e articular instituições para formação e garantia de
educação permanente aos profissionais de saúde das equipes de atenção básica e
das equipes de Saúde da Família;
IX - Selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compõem as equipes
multiprofissionais de atenção básica, em conformidade com a legislação vigente;
X - Garantir a estrutura física necessária para o funcionamento das Unidades
Básicas de Saúde e para a execução do conjunto de ações propostas, podendo contar
com apoio técnico e/ou financeiro das Secretarias de Estado da Saúde e do Ministério
da Saúde;
XI - Garantir recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes para o
funcionamento das Unidades Básicas de Saúde e para a execução do conjunto de
ações propostas;
XII - Programar as ações da atenção básica a partir de sua base territorial e de
acordo com as necessidades de saúde das pessoas, utilizando instrumento de
programação nacional ou correspondente local;
XIII - Alimentar, analisar e verificar a qualidade e a consistência dos dados
alimentados nos sistemas nacionais de informação a serem enviados às outras
esferas de gestão, utilizá-los no planejamento e divulgar os resultados obtidos;
XIV - Organizar o fluxo de usuários visando à garantia das referências a
serviços e ações de saúde fora do âmbito da atenção básica e de acordo com as
necessidades de saúde dos usuários;
XV - Manter atualizado o cadastro no sistema de cadastro nacional vigente dos
profissionais, de serviços e de estabelecimentos ambulatoriais, públicos e privados,
sob sua gestão;
XVI - Assegurar o cumprimento da carga horária integral de todos os
profissionais que compõem as equipes de atenção básica, de acordo com as jornadas
de trabalho especificadas no SCNES e a modalidade de atenção.

Infra-estrutura e Recursos Necessários:

I - Unidades Básicas de Saúde (UBS) construídas de acordo com as normas sanitárias

II - As Unidades Básicas de Saúde: a) Devem estar cadastradas no sistema de cadastro


nacional vigente de acordo com as normas vigorantes; b) Recomenda-se que
disponibilizem, conforme orientações e especificações do manual de infraestrutura do
Departamento de Atenção Básica/SAS/MS: 1 Consultório médico/enfermagem;
consultório odontológico e consultório com sanitário; sala multiprofissional de acolhimento
à demanda espontânea; sala de administração e gerência; e sala de atividades coletivas
para os profissionais da atenção básica; 2 Área de recepção, local para arquivos e
registros; sala de procedimentos; sala de vacinas; área de dispensação de medicamentos
e sala de armazenagem de medicamentos (quando há dispensação na UBS); sala de
inalação coletiva; sala de procedimentos; sala de coleta; sala de curativos; sala de
observação, entre outros

III - Manutenção regular da infraestrutura e dos equipamentos das Unidades Básicas de


Saúde;
IV - Existência e manutenção regular de estoque dos insumos necessários para o seu
funcionamento das Unidades Básicas de Saúde, incluindo dispensação de medicamentos
pactuados nacionalmente quando estiver prevista para ser realizada naquela UBS;

V - Equipes multiprofissionais compostas, conforme modalidade das equipes, por


médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, auxiliar em saúde bucal ou técnico em saúde
bucal, auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de
saúde, entre outros profissionais em função da realidade epidemiológica, institucional e
das necessidades de saúde da população;

VI - Cadastro atualizado dos profissionais que compõem a equipe de atençã o básica no


sistema de cadastro nacional vigente, de acordo com as normas vigorantes e com as
cargas horárias de trabalho informadas e exigidas para cada modalidade;

VII - Garantia pela gestão municipal, de acesso ao apoio diagnóstico e laboratorial


necessário ao cuidado resolutivo da população;

VIII - Garantia pela gestão municipal, dos fluxos definidos na Rede de Atenção à Saúde
entre os diversos pontos de atenção de diferentes configurações tecnológicas, integrados
por serviços de apoio logístico, técnico e de gestão, para garantir a integralidade do
cuidado.
Recomenda-se: a) Para Unidade Básica de Saúde (UBS) sem Saúde da Família em
grandes centros urbanos, o parâmetro de uma UBS para, no máximo, 18 mil habitantes,
localizada dentro do território, garantindo os princípios e diretrizes da atenção básica; e b)
Para UBS com Saúde da Família em grandes centros urbanos, recomenda-se o
parâmetro de uma UBS para, no máximo, 12 mil habitantes, localizada dentro do
território, garantindo os princípios e diretrizes da atenção básica.

DO PROCESSO DE TRABALHO DAS EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA

São características do processo de trabalho das equipes de atenção básica:

I - Definição do território de atuação e de população sob responsabilidade das UBS e das


equipes;
II - Programação e implementação das atividades de atenção à saúde de acordo com as
necessidades de saúde da população, com a priorização de intervenções clínicas e
sanitárias nos problemas de saúde segundo critérios de frequência, risco, vulnerabilidade
e resiliência.
III - Desenvolver ações que priorizem os grupos de risco e os fatores de risco clínico-
comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o
aparecimento ou a persistência de doenças e danos evitáveis;
IV - Realizar o acolhimento com escuta qualificada, classificação de risco, avaliação de
necessidade de saúde e análise de vulnerabilidade, tendo em vista a responsabilidade da
assistência resolutiva à demanda espontânea e o primeiro atendimento às urgências;
V - Prover atenção integral, contínua e organizada à população adscrita;
VI - Realizar atenção à saúde na Unidade Básica de Saúde, no domicílio, em locais do
território (salões comunitários, escolas, creches, praças etc.) e em outros espaços que
comportem a ação planejada;
VII - Desenvolver ações educativas que possam interferir no processo de saúde-doença
da população, no desenvolvimento de autonomia, individual e coletiva, e na busca por
qualidade de vida pelos usuários;
VIII - Implementar diretrizes de qualificação dos modelos de atenção e gestão, tais como
a participação coletiva nos processos de gestão, a valorização, fomento à autonomia e
protagonismo dos diferentes sujeitos implicados na produção de saúde, o compromisso
com a ambiência e com as condições de trabalho e cuidado, a constituição de vínculos
solidários, a identificação das necessidades sociais e organização do serviço em função
delas, entre outras;
IX - Participar do planejamento local de saúde, assim como do monitoramento e avaliação
das ações na sua equipe, unidade e município, visando à readequação do processo de
trabalho e do planejamento diante das necessidades, realidade, dificuldades e
possibilidades analisadas;
X - Desenvolver ações intersetoriais, integrando projetos e redes de apoio social voltados
para o desenvolvimento de uma atenção integral;
XI - Apoiar as estratégias de fortalecimento da gestão local e do controle social;
XII - Realizar atenção domiciliar destinada a usuários que possuam problemas de saúde
controlados/compensados e com dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até
uma unidade de saúde, que necessitam de cuidados com menor frequência e menor
necessidade de recursos de saúde, e realizar o cuidado compartilhado com as equipes de
atenção domiciliar nos demais casos.

DAS ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DAS EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA

As atribuições dos profissionais das equipes de atenção básica devem seguir as


referidas disposições legais que regulamentam o exercício de cada uma das profissões.
São atribuições comuns a todos os profissionais:

I - Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da


equipe, identificando grupos, famí- lias e indivíduos expostos a riscos e vulnerabilidades;
II - Manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos no sistema de
informação indicado pelo gestor municipal e utilizar, de forma sistemática, os dados para a
análise da situação de saúde, considerando as características sociais, econômicas,
culturais, demográficas e epidemiológicas do território, priorizando as situações a serem
acompanhadas no planejamento local;
III - Realizar o cuidado da saúde da população adscrita, prioritariamente no âmbito da
unidade de saúde, e, quando necessário, no domicílio e nos demais espaços comunitários
(escolas, associações, entre outros);
IV - Realizar ações de atenção à saúde conforme a necessidade de saúde da população
local, bem como as previstas nas prioridades e protocolos da gestão local;
V - Garantir a atenção à saúde buscando a integralidade por meio da realização de ações
de promoção, proteção e recuperação da saúde e prevenção de agravos; e da garantia de
atendimento da demanda espontânea, da realização das ações programáticas, coletivas e
de vigilância à saúde;
VI - Participar do acolhimento dos usuários realizando a escuta qualificada das
necessidades de saúde, procedendo à primeira avaliação (classificação de risco,
avaliação de vulnerabilidade, coleta de informações e sinais clínicos) e identificação das
necessidades de intervenções de cuidado, proporcionando atendimento humanizado,
responsabilizando-se pela continuidade da atenção e viabilizando o estabelecimento do
vínculo;
VII - Realizar busca ativa e notificar doenças e agravos de notificação compulsória e de
outros agravos e situações de importância local;
VIII - Responsabilizar-se pela população adscrita, mantendo a coordenação do cuidado
mesmo quando necessitar de atenção em outros pontos de atenção do sistema de saúde;
IX - Praticar cuidado familiar e dirigido a coletividades e grupos sociais que visa a propor
intervenções que influenciem os processos de saúde-doença dos indivíduos, das famílias,
das coletividades e da própria comunidade; X - Realizar reuniões de equipes a fim de
discutir em conjunto o planejamento e avaliação das ações da equipe, a partir da
utilização dos dados disponíveis;
XI - Acompanhar e avaliar sistematicamente as ações implementadas, visando à
readequação do processo de trabalho;
XII - Garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas de informação na
atenção básica; XIII - Realizar trabalho interdisciplinar e em equipe, integrando áreas
técnicas e profissionais de diferentes formações;
XIV - Realizar ações de educação em saúde à população adstrita, conforme planejamento
da equipe; XV - Participar das atividades de educação permanente;
XVI - Promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o
controle social; XVII - Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam
potencializar ações intersetoriais; e XVIII - Realizar outras ações e atividades a serem
definidas de acordo com as prioridades locais.

Das atribuições específicas

Do Enfermeiro:

I - Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias cadastradas nas equipes e, quando
indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações etc.), em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência,
idade adulta e terceira idade;
II - Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, atividades em grupo e conforme
protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual,
municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão, solicitar
exames complementares, prescrever medicações e encaminhar, quando necessário,
usuários a outros serviços;
III - Realizar atividades programadas e de atenção à demanda espontânea;
IV - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS em conjunto com os
outros membros da equipe;
V - Contribuir, participar e realizar atividades de educação permanente da equipe de
enfermagem e outros membros da equipe;
VI - Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da UBS. Do Auxiliar e do Técnico de Enfermagem:
I - Participar das atividades de atenção realizando procedimentos regulamentados no
exercício de sua profissão na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou
nos demais espaços comunitários (escolas, associações etc.);
II - Realizar atividades programadas e de atenção à demanda espontânea;
III - Realizar ações de educação em saúde à população adstrita, conforme planejamento
da equipe;
IV - Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da UBS; V - Contribuir, participar e realizar atividades de educação
permanente.

Estratégia de Saúde da Família-ESF

A estratégia Saúde da Família (SF) foi implantada pelo Ministério da Saúde


em 1994, tendo como base os resultados obtidos no Programa de Agentes Comunitários
de Saúde (PACS), criado em 1991, e em outras experiências nacionais já existentes.
A Estratégia Saúde da Família visa à reorganização da atenção básica no País,
de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde, e é tida pelo Ministério da Saúde
e gestores estaduais e municipais, representados respectivamente pelo Conass e
Conasems, como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da atenção básica
por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de
aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a
resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de
propiciar uma importante relação custo-efetividade.

São itens necessários à Estratégia Saúde da Família:

I - Existência de equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família) composta por, no


mínimo, médico generalista ou especialista em Saúde da Família ou médico de Família e
Comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou
técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde, podendo acrescentar a esta
composição, como parte da equipe multiprofissional, os profissionais de saúde bucal:
cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar e/ ou técnico
em saúde bucal;
II - O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com
um máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família, não
ultrapassando o limite máximo recomendado de pessoas por equipe;
III - Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4.000
pessoas, sendo a média recomendada de 3.000, respeitando critérios de equidade para
essa definição. Recomenda-se que o número de pessoas por equipe considere o grau de
vulnerabilidade das famílias daquele território, sendo que, quanto maior o grau de
vulnerabilidade, menor deverá ser a quantidade de pessoas por equipe;
IV - Cadastramento de cada profissional de saúde em apenas uma eSF, exceção feita
somente ao profissional médico, que poderá atuar em, no máximo, duas eSF e com carga
horária total de 40 horas semanais;
V - Carga horária de 40 horas semanais para todos os profissionais de saúde membros
da equipe de Saúde da Família, à exceção dos profissionais médicos, cuja jornada é
descrita no próximo inciso. A jornada de 40 horas deve observar a necessidade de
dedicação mínima de 32 horas da carga horária para atividades na equipe de Saúde da
Família, podendo, conforme decisão e prévia autorização do gestor, dedicar até oito horas
do total da carga horária para prestação de serviços na rede de urgência do município ou
para atividades de especialização em Saúde da Família, residência multiprofissional e/ou
de Medicina de Família e de Comunidade, bem como atividades de educação permanente
e apoio matricial.

Observação: Serão admitidas também, além da inserção integral (40h), as seguintes


modalidades de inserção dos profissionais médicos generalistas ou especialistas em
Saúde da Família ou médicos de Família e Comunidade nas equipes de Saúde da
Família, com as respectivas equivalências de incentivo federal: I - Dois médicos
integrados a uma única equipe em uma mesma UBS, cumprindo individualmente carga
horária semanal de 30 horas – equivalente a um médico com jornada de 40 horas
semanais –, com repasse integral do incentivo financeiro referente a uma equipe de
Saúde da Família; II - Três médicos integrados a uma equipe em uma mesma UBS,
cumprindo individualmente carga horária semanal de 30 horas – equivalente a dois
médicos com jornada de 40 horas, de equipes –, com repasse integral do incentivo
financeiro referente a duas equipes de Saúde da Família; III - Quatro médicos integrados
a uma equipe em uma mesma UBS, com carga horária semanal de 30 horas –
equivalente a três médicos com jornada de 40 horas semanais, de três equipes –, com
repasse integral do incentivo financeiro referente a três equipes de Saúde da Família; IV -
Dois médicos integrados a uma equipe, cumprindo individualmente jornada de 20 horas
semanais, e demais profissionais com jornada de 40 horas semanais, com repasse
mensal equivalente a 85% do incentivo financeiro referente a uma equipe de Saúde da
Família; e V - Um médico cumprindo jornada de 20 horas semanais e demais profissionais
com jornada de 40 horas semanais, com repasse mensal equivalente a 60% do incentivo
financeiro referente a uma equipe de Saúde da Família.

As equipes de Saúde da Família devem estar devidamente cadastradas no


sistema de cadastro nacional vigente de acordo com conformação e modalidade de
inserção do profissional médico. O processo de trabalho, a combinação das jornadas
de trabalho dos profissionais das equipes e os horários e dias de funcionamento das
UBS devem ser organizados de modo que garantam o maior acesso possível, o
vínculo entre usuários e profissionais, a continuidade, coordenação e longitudinalidade
do cuidado.
Os profissionais de saúde bucal que compõem as equipes de Saúde da Família
podem se organizar nas seguintes modalidades: I – Cirurgião-dentista generalista ou
especialista em Saúde da Família e auxiliar em saúde bucal (ASB); II – Cirurgião-
dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, técnico em saúde bucal
(TSB) e auxiliar em saúde bucal (ASB); e III - Profissionais das Modalidades I ou II que
operam em Unidade Odontológica Móvel.

AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

É prevista a implantação da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde nas


Unidades Básicas de Saúde como uma possibilidade para a reorganização inicial da
atenção básica, com vistas à implantação gradual da Estratégia Saúde da Família ou
como forma de agregar os agentes comunitários a outras maneiras de organização da
atenção básica. São itens necessários à implantação desta estratégia: I - A existência
de uma Unidade Básica de Saúde, inscrita no sistema de cadastro nacional vigente,
que passa a ser a UBS de referência para a equipe de agentes comunitários de saúde;
II - A existência de um enfermeiro para até, no máximo, 12 ACS e, no mínimo, quatro,
constituindo, assim, uma equipe de agentes comunitários de saúde; e III - O
cumprimento da carga horária integral de 40 horas semanais por toda a equipe de
agentes comunitários, composta por ACS e enfermeiro supervisor.
Cada ACS deve realizar as ações previstas nesta portaria e ter uma microárea
sob sua responsabilidade, cuja população não ultrapasse 750 pessoas. O enfermeiro
da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde, além das atribuições de atenção à
saúde e de gestão comuns a qualquer enfermeiro da atenção básica descritas nesta
portaria, tem a atribuição de planejar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas
pelos ACS, comum aos enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, e deve ainda
facilitar a relação entre os profissionais da Unidade Básica de Saúde e os ACS,
contribuindo para a organização da atenção à saúde, qualificação do acesso,
acolhimento, vínculo, longitudinalidade do cuidado e orientação da atuação da equipe
da UBS em função das prioridades definidas equanimemente conforme critérios de
necessidade de saúde, vulnerabilidade, risco, entre outros.

EQUIPES DO CONSULTÓRIO NA RUA

A responsabilidade pela atenção à saúde da população de rua, como de qualquer


outro cidadão, é de todo e qualquer profissional do Sistema Único de Saúde, com
destaque especial para a atenção básica. Em situações específicas, com o objetivo de
ampliar o acesso desses usuários à rede de atenção e ofertar de maneira mais oportuna
atenção integral à saúde, pode-se lançar mão das equipes dos Consultórios na Rua, que
são equipes da atenção básica, compostas por profissionais de saúde com
responsabilidade exclusiva de articular e prestar atenção integral à saúde das pessoas
em situação de rua. As equipes deverão realizar suas atividades de forma itinerante,
desenvolvendo ações na rua, em instalações específicas, na unidade móvel e também
nas instalações das Unidades Básicas de Saúde do território onde está atuando, sempre
articuladas e desenvolvendo ações em parceria com as demais equipes de atenção
básica do território (UBS e NASF), e dos Centros de Atenção Psicossocial, da Rede de
Urgência e dos serviços e instituições componentes do Sistema Único de Assistência
Social, entre outras instituições públicas e da sociedade civil.
As equipes dos Consultórios na Rua deverão cumprir a carga horária mínima
semanal de 30 horas. Porém seu horário de funcionamento deverá ser adequado às
demandas das pessoas em situação de rua, podendo ocorrer em período diurno e/ou
noturno em todos os dias da semana. As equipes dos Consultórios na Rua podem
estar vinculadas aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família e, respeitando os limites
para vinculação, cada equipe será considerada como uma equipe de Saúde da
Família para vinculação ao NASF.

NÚCLEOS DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA

Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram criados com o objetivo


de ampliar a abrangência e o escopo das ações da atenção básica, bem como sua
resolubilidade. São constituídos por equipes compostas por profissionais de diferentes
áreas de conhecimento, que devem atuar de maneira integrada e apoiando os
profissionais das equipes de Saúde da Família, das equipes de atençã o básica para
populações específicas (Consultórios na Rua, equipes Ribeirinhas e Fluviais etc.) e
Academia da Saúde, compartilhando as práticas e saberes em saúde nos territórios
sob responsabilidade dessas equipes, atuando diretamente no apoio matricial às
equipes da(s) unidade(s) na(s) qual(is) o NASF está vinculado e no território dessas
equipes.
Os NASF fazem parte da atenção básica, mas não se constituem como serviços
com unidades físicas independentes ou especiais, e não são de livre acesso para
atendimento individual ou coletivo (estes, quando necessários, devem ser regulados
pelas equipes de atenção básica). Devem, a partir das demandas identificadas no
trabalho conjunto com as equipes e/ou Academia da Saúde, atuar de forma integrada
à Rede de Atenção à Saúde e seus serviços (ex.: CAPS, Cerest, Ambulatórios
Especializados etc.), além de outras redes como SUAS, redes sociais e comunitárias.
Os NASF devem buscar contribuir para a integralidade do cuidado aos usuários
do SUS principalmente por intermédio da ampliação da clínica, auxiliando no aumento
da capacidade de análise e de intervenção sobre problemas e necessidades de saúde,
tanto em termos clínicos quanto sanitários. São exemplos de ações de apoio
desenvolvidas pelos profissionais dos NASF: discussão de casos, atendimento
conjunto ou não, interconsulta, construção conjunta de projetos terapêuticos,
educação permanente, intervenções no território e na saúde de grupos populacionais
e da coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção da saúde,
discussão do processo de trabalho das equipes etc. Quando presente no NASF, o
profissional sanitarista pode reforçar as ações de apoio institucional e/ou matricial,
ainda que não sejam exclusivas dele, tais como: análise e intervenção conjunta sobre
riscos coletivos e vulnerabilidades, apoio à discussão de informações e indicadores e
saúde (bem como de eventos-sentinela e casos traçadores e analisadores), suporte à
organização do processo de trabalho (acolhimento, cuidado continuado/programado,
ações coletivas, gestão das agendas, articulação com outros pontos de atenção da
rede, identificação de necessidades de educação permanente, utilização de
dispositivos de gestão do cuidado etc.).
Os NASF podem ser organizados em duas modalidades, NASF 1 e NASF 2. O
NASF 1 deverá ter equipe formada por uma composição de profissionais de nível
superior escolhidos entre as ocupações listadas abaixo que reúnam as seguintes
condições: I - A soma das cargas horárias semanais dos membros da equipe deve
acumular, no mínimo, 200 horas semanais; II - Nenhum profissional poderá ter carga
horária semanal menor que 20 horas; III - Cada ocupação, considerada isoladamente,
deve ter, no mínimo, 20 horas e, no máximo, 80 horas de carga horária semanal. O
NASF 2 deverá ter equipe formada por uma composição de profissionais de nível
superior escolhidos entre as ocupações listadas abaixo que reúnam as seguintes
condições: I - A soma das cargas horárias semanais dos membros da equipe deve
acumular, no mínimo, 120 horas semanais; II - Nenhum profissional poderá ter carga
horária semanal menor que 20 horas; e III - Cada ocupação, considerada
isoladamente, deve ter, no mínimo, 20 horas e, no máximo, 40 horas de carga horária
semanal.
Poderão compor os NASF 1 e 2 as seguintes ocupações do Código Brasileiro
de Ocupações (CBO): médico acupunturista; assistente social; profissional/professor
de educação física; farmacêutico; fisioterapeuta; fonoaudiólogo; médico
ginecologista/obstetra; médico homeopata; nutricionista; médico pediatra; psicólogo;
médico psiquiatra; terapeuta ocupacional; médico geriatra; médico internista (clínica
médica); médico do trabalho; médico veterinário; profissional com formação em arte e
educação (arte educador); e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional
graduado na área de saúde com pós-graduação em saúde pública ou coletiva ou
graduado diretamente em uma dessas áreas. A composição de cada um dos NASF
será definida pelos gestores municipais, seguindo os critérios de prioridade
identificados a partir dos dados epidemiológicos e das necessidades locais e das
equipes de saúde que serão apoiadas.
Os NASF 1 e 2 devem funcionar em horário de trabalho coincidente com o das
equipes de Saúde da Família e/ou equipes de atenção básica para populações
específicas que apoiam. Os profissionais do NASF devem ser cadastrados em uma
única unidade de saúde, localizada preferencialmente dentro do território de atuação
das equipes de Saúde da Família e/ou equipes de atenção básica para populações
específicas, às quais estão vinculados, não recomendada a existência de uma unidade
de saúde ou serviço de saúde específicos para a equipe de NASF.
Define-se que cada NASF 1 realize suas atividades vinculado a, no mínimo, oito
e, no máximo, 15 equipes de Saúde da Família e/ou equipes de atenção básica para
populações específicas. Define-se que cada NASF 2 realize suas atividades vinculado
a, no mínimo, três e, no máximo, 7 (sete) equipes de Saúde da Família. Os NASF 3,
que são suprimidos por esta portaria, se tornarão automaticamente NASF 2. Quanto
ao NASF, compete às Secretarias de Saúde dos municípios e do Distrito Federal: I -
Definir o território de atuação de cada NASF de acordo com as equipes de Saúde da
Família e/ou equipes de atenção básica para populações específicas às quais eles
estiverem vinculados; II - Propiciar o planejamento das ações que serão realizadas
pelos NASF, de forma compartilhada entre os profissionais (equipe de NASF, eSF e
equipes de atenção básica para popula- ções específicas); III - Selecionar, contratar e
remunerar os profissionais dos NASF, em conformidade com a legislação vigente nos
municípios e Distrito Federal; e VI - Disponibilizar espaço físico adequado nas UBS e
garantir os recursos de custeio necessários ao desenvolvimento das atividades
mínimas descritas no escopo de ações dos diferentes profissionais que comporão os
NASF, não sendo recomendada estrutura física específica para a equipe de NASF.

PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA

O Programa Saúde na Escola (PSE), instituído pelo Decreto Presidencial nº


6.286, de 5 de dezembro de 2007, surgiu como uma política intersetorial entre os
Ministérios da Saúde e da Educação, na perspectiva da atenção integral (promoção,
prevenção, diagnóstico e recuperação da saúde e formação) à saúde de crianças,
adolescentes e jovens do ensino público básico, no âmbito das escolas e Unidades
Básicas de Saúde, realizada pelas equipes de saúde da atenção básica e educação
de forma integrada, por meio de ações de: I - Avaliação clínica e psicossocial que
objetivam identificar necessidades de saúde e garantir a atenção integral a elas na
Rede de Atenção à Saúde; II - Promoção e prevenção que articulem práticas de
formação, educativas e de saúde, visando à promoção da alimentação saudável, à
promoção de práticas corporais e atividades físicas nas escolas, à educação para a
saúde sexual e reprodutiva, à prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, à
promoção da cultura de paz e prevenção das violências, à promoção da saúde
ambiental e desenvolvimento sustentável; e III - Educação permanente para
qualificação da atuação dos profissionais da educação e da saúde e formação de
jovens. A gestão do PSE é centrada em ações compartilhadas e corresponsáveis.

POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH)

Lançada em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH) busca pôr em


prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças
nos modos de gerir e cuidar. A PNH estimula a comunicação entre gestores,
trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações
de poder, trabalho e afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas
desumanizadoras que inibem a autonomia e a corresponsabilidade dos profissionais de
saúde em seu trabalho e dos usuários no cuidado de si.
O HumanizaSUS, como também é conhecida a Política Nacional de
Humanização, aposta na inclusão de trabalhadores, usuários e gestores na produção e
gestão do cuidado e dos processos de trabalho. Humanizar se traduz, então, como
inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são
construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e
compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas
formas de organizar o trabalho.
A partir da análise dos problemas e dificuldades em cada serviço de saúde e
tomando por referência experiências bem-sucedidas de humanização, a PNH tem sido
experimentada em todo o País. Mas incluir como? As rodas de conversa, o incentivo às
redes e movimentos sociais e a gestão dos conflitos gerados pela inclusão das diferenças
são ferramentas experimentadas nos serviços de saúde a partir das orientações da PNH.
Incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem
seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças no serviço de saúde.
Incluir usuários e suas redes sociofamiliares nos processos de cuidado é um poderoso
recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si.

Princípios:

Transversalidade
A Política Nacional de Humanização deve se fazer presente e estar inserida em todas as
políticas e programas do SUS.Transversalizar é reconhecer que as diferentes
especialidades e práticas de saúde podem conversar com a experiência daquele que é
assistido. Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma mais corresponsável.

Indissociabilidade entre atenção e gestão


As decisões da gestão interferem diretamente na atenção à saúde. Por isso,
trabalhadores e usuários devem buscar conhecer como funciona a gestão dos serviços e
da rede de saúde, assim como participar ativamente do processo de tomada de decisão
nas organizações de saúde e nas ações de saúde coletiva. Ao mesmo tempo, o cuidado e
a assistência em saúde não se restringem às responsabilidades da equipe de saúde. O
usuário e sua rede sociofamiliar devem também se corresponsabilizar pelo cuidado de si
nos tratamentos, assumindo posição protagonista com relação a sua saúde e a daqueles
que lhes são caros.

Protagonismo, corresponsabilidade eautonomiadossujeitosecoletivos


Um SUS humanizado reconhece cada pessoa como legítima cidadã de direitos e valoriza
e incentiva sua atuação na produção de saúde.

Diretrizes
A Política Nacional de Humanização atua a partir de orientações clínicas, éticas e
políticas, que se traduzem em determinados arranjos de trabalho.

Acolhimento
O QUE É? Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade
de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e
usuários/ populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de
forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a
construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços,
trabalhador/equipes e usuário com sua rede socioafetiva.
COMO FAZER? Com uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às
necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a
tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de
saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir
da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco.

Gestão Participativa e cogestão


O QUE É? Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de
análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão – que se transforma também
em espaço de realização de análise dos contextos, da política em geral e da saúde em
particular, em lugar de formulação e de pactuação de tarefas e de aprendizado coletivo.
COMO FAZER? A organização e experimentação de rodas é uma importante orientação
da coges- tão. Rodas para colocar as diferenças em contato de modo a produzir
movimentos de desestabilização que favoreçam mudanças nas práticas de gestão e de
atenção

-Ambiência
O QUE É? Criar espaços saudáveis, acolhedores e confortá- veis, que respeitem a
privacidade, propiciem mudanças no processo de trabalho e sejam lugares de encontro
entre as pessoas. COMO FAZER? A discussão compartilhada do projeto arquitetônico,
das reformas e do uso dos espaços de acordo com as necessidades de usuários e
trabalhadores de cada serviço é uma orientação que pode melhorar o trabalho em saúde.
Clínica ampliada e compartilhada
O QUE É? A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática cuja finalidade é
contribuir para uma abordagem clínica do adoecimento e do sofrimento, que considere a
singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde/doença. Permite o
enfrentamento da fragmentação do conhecimento e das ações de saúde e seus
respectivos danos e ineficácia.
COMO FAZER? Utilizando recursos que permitam enriquecimento dos diagnósticos
(outras variáveis, além do enfoque orgânico, inclusive a percepção dos afetos produzidos
nas relações clínicas) e a qualificação do diálogo (tanto entre os profissionais de saúde
envolvidos no tratamento quanto destes com o usuário), de modo a possibilitar decisões
compar- tilhadas e compromissadas com a autonomia e a saúde dos usuários do SUS.

Valorização do Trabalhador
O QUE É? É importante dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na
tomada de decisão, apostando na sua capacidade de analisar, definir e qualificar os
processos de trabalho.
COMO FAZER?
O Programa de Formação em Saúde e Trabalho e a Comunidade Ampliada de Pesquisa
são possibilidades que tornam possível o diálogo, intervenção e análise do que causa
sofrimento e adoecimento, do que fortalece o grupo de trabalhadores e do que propicia os
acordos de como agir no serviço de saúde. É importante também assegurar a
participação dos trabalhadores nos espaços coletivos de gestão.

Defesa dos direitos dos Usuários


O QUE É? Os usuários de saúde possuem direitos garantidos por lei e os serviços de
saúde devem incentivar o conhecimento desses direitos e assegurar que eles sejam
cumpri- dos em todas as fases do cuidado, desde a recepção até a alta.
COMO FAZER? Todo cidadão tem direito a uma equipe que cuide dele, de ser informado
sobre sua saú- de e também de decidir sobre compartilhar ou não sua dor e alegria com
sua rede social.

PROGRAMA NACIONAL DE MELHORIA DO ACESSO E DA QUALIDADE DA


ATENÇÃO BÁSICA (PMAQ)
O PMAQ é um programa de âmbito nacional que tem como objetivo promover a melhoria
do acesso e da qualidade da atenção à saúde. O PMAQ - AB tem como objetivo incentivar
os gestores a melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos nas
Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio das equipes de Atenção Básica à Saúde. A
meta é garantir um padrão de qualidade por meio de um conjunto de estratégias de
qualificação, acompanhamento e avaliação do trabalho das equipes de saúde. O
programa eleva os recursos do incentivo federal para os municípios participantes, que
atingirem melhora no padrão de qualidade no atendimento. Equipes bem avaliadas
poderão receber até R$ 11 mil a mais, por mês. Hoje, cada equipe recebe do governo
federal de R$ 7,1 mil a R$ 10,6 mil, de acordo com o perfil sociais, econômicos e
culturais, acrescidos ainda pelos recursos das equipes de Saúde Bucal e Agentes
Comunitários de Saúde.

REFERÊNCIAS
BRASIL.SIAB. Manual do Sistema de Informação da Atenção Básica. Brasília: Ministério
da Saúde, 2000.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488/ GM, de 21 de outubro de 2011. Aprova a


Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para
a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o
Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 24 out. 2011b. Disponível em:
<http://www.brasilsus.com.br/legislacoes/gm/110154-2488.html>.

BRASIL. Decreto nº 7.508/GM, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei no 8.080, de


19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde -
SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá
outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 jun.
2011c. Disponível em: <http://www.brasilsus.com.br/legislacoes/gm/108599-7508.html>.

BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro


de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de
diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da
Família - ESF e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde - PACS. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 24 out. 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 648, de 28 de março de


2006. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes
e normas para a organização da Atenção Básica para o Programa Saúde da Família
(PSF) e o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 29 mar. 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção


Básica. Política Nacional de Atenção Básica / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção
à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de


Humanização.– Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

QUESTÕES

1 – (Petrolina Enfermeiro PSF 2007) Em relação às atribuições dos profissionais que


integram o Programa de Saúde da Família, é incorreto afirmar que:
a) compete ao médico do programa de saúde da família planejar, gerenciar, coordenar e
avaliar as ações desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde.
b) é atribuição comum a todos os profissionais do programa de saúde da família promover
a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o controle social.
c) compete ao agente comunitário de saúde acompanhar, por meio de visita domiciliar,
todas as famílias e indivíduos sob sua responsabilidade, de acordo com as necessidades
definidas pela equipe.
d) compete ao médico realizar consultas clínicas e procedimentos na unidade de saúde
da família e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços
comunitários (escolas, associações etc).
e) compete ao enfermeiro participar do gerenciamento dos insumos necessários para o
adequado funcionamento da unidade de saúde da família

2 – (Residência Enfermeiro PE 2008) É de competência do Agente Comunitário de


Saúde todas as alternativas abaixo, EXCETO.
a) Acompanhar o estado vacinal das crianças de zero a um ano de idade.
b) Identificar as condições do ambiente físico e social que constituem risco para a saúde
de indivíduos e populações.
c) Realizar o acompanhamento de microáreas, utilizando os indicadores definidos pela
respectiva equipe de saúde da família.
d) Aferir a pressão arterial, quando realizar visita a pacientes hipertensos.
e) Priorizar os problemas de saúde de cada microárea, segundo critérios estabelecidos
pela equipe de saúde.

3 – (Residência Enfermeiro PE 2008) Considerando a Política Nacional de Atenção


Básica em vigência, assinale a alternativa que exprime CORRETAMENTE aspectos
relacionados aos princípios gerais da Estratégia Saúde da Família.
a) A atenção básica está contida e visa reorganizar a Estratégia Saúde da Família.
b) O diagnóstico situacional de saúde deve servir à organização do trabalho das
necessidades de saúde da população pela lógica da demanda espontânea.
c) O foco principal das ações de saúde operacionalizadas da Estratégia de Saúde da
Família deve ser o indivíduo em todas as suas especificidades.
d) As ações de saúde operacionalizadas pelas Equipes de Saúde da Família devem
resultar de programações pactuadas com a comunidade e devem ser baseadas no
diagnóstico situacional do território.
e) A atuação das equipes de Saúde da Família deve ser planejada, visando ao alcance de
resultados mais eficazes, de acordo com as especialidades dos profissionais disponíveis
no município.

4- (Recife 2008) A estratégia do Programa de Saúde da Família atua mediante ações


dentro das áreas de prevenção primária, secundária e terciária. Em relação aos
níveis de prevenção e suas ações específicas, correlacione a segunda coluna de
acordo com a primeira.

PRIMEIRA COLUNA SEGUNDA COLUNA


I. Promoção à Saúde ( ) Tratamento para evitar a progressão da
doença
II. Proteção específica ( ) Reinserção social de portador de
transtorno mental
III. Prevenção secundária ( ) Alimentação adequada
IV. Prevenção terciária ( ) Imunização

Assinale a alternativa que corresponde à seqüência CORRETA de cima para baixo.


a) III, IV, I, II. b) III, II, I, IV. c) III, I, IV, II. d) IV, II, III, I. e) III, II, IV, I.

5- (Saúde Coletiva Recife 2009) O Programa Saúde da Família (PSF) foi introduzido
no Brasil, pelo Ministério da Saúde, em 1994. Enquanto proposta concebida dentro
da vigência do Sistema Único de Saúde, teve como antecedente:
a) Programa de Saúde da Comunidade (POSAC).
b) Programa de Agentes Comunitários em Saúde (PACS).
c) Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
d) Sistemas Locais de Saúde (SILOS).
e) Programa de Interiorização do SUS (PISUS).

6- (Recife 2010) Qual das assertivas abaixo está CORRETA de acordo com os
preceitos da Estratégia Saúde da Família?
a) O Cadastro da população do território de abrangência da Unidade de Saúde da Família
de Terra Nova deverá ser realizado pelo Agente Comunitário de Saúde e atualizado, no
mínimo , a cada seis meses.
b) A organização do processo de trabalho da Equipe de Saúde da família deve se dar
através do Acolhimento, o que implica na escuta exclusiva do profissional de
Enfermagem.
c) A Equipe de Saúde da Família deverá desenvolver atividades de acordo com o
planejamento e a programação, realizados com base no diagnóstico situacional, tendo
como foco o atendimento individual.
d) Para obedecer aos preceitos da Estratégia Saúde da família sobre a adscrição de
clientela, a Equipe de Saúde de Terra Nova é responsável por atender a demanda
espontânea, mesmo daqueles usuários que não pertençam ao território de abrangência
da Unidade.
e) O vínculo deverá se estabelecer na relação profissional de saúde–usuário, construído
ao longo do tempo, com base na responsabilização da equipe pelo cuidado e promoção
da saúde dos usuários.

7- (Recife 2008) No Programa de Saúde da Família, o membro da equipe que tem


como atribuição específica realizar o mapeamento de sua área e cadastrar as
famílias, identificando as que estão expostas às situações de risco, é o
a) Auxiliar de Enfermagem.
b) Enfermeiro.
c) Assistente Social.
d) Agente Comunitário de Saúde.
e) Sanitarista.

8- (Recife 2008) O Programa Saúde da Família (PSF) requer um trabalho


interdisciplinar para lidar com a complexidade da saúde.
Partindo dessa premissa, a equipe básica do programa pode ser constituída de
I. enfermeiro;
II. técnico de enfermagem;
III. médico;
IV. agentes comunitários;
V. assistente social.
Devem fazer parte efetivamente da equipe os profissionais indicados nos itens:
a) I e III, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) I, II, III e IV, apenas.
e) I, II, III, IV e V.

9 - (Palmares 2007) São consideradas atribuições dos agentes comunitários de


saúde, com uma única exceção.
a) Cadastrar as famílias da comunidade assistida.
b) Registrar as gestantes, acompanhando a gravidez e o parto.
c) Acompanhar o estado vacinal de crianças de 0 a 1 ano de idade.
d) Substituir o auxiliar de enfermagem na unidade, quando este profissional estiver
envolvido em outra atividade.
e) Coletar dados sobre nascimentos e óbitos da comunidade atendida.

10- (Palmares 2007) As ações da equipe do PSF devem ser norteadas dentro da
lógica da:
a) Vigilância sanitária.
b) Vigilância ambiental.
c) Vigilância epidemiológica.
d) Vigilância em saúde.
e) Maior incidência e prevalência das doenças que acometeram as famílias assistidas
pela equipe do PSF.

11– (Saúde Coletiva Recife 2009) Para que uma Unidade de Saúde seja inscrita no
Cadastro Geral de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde dentro da
área para o atendimento das Equipes de Saúde da Família, ela deve possuir
minimamente:
I. consultório médico e de enfermagem para a Equipe de Saúde da Família, de acordo
com as
necessidades de desenvolvimento do conjunto de ações de sua competência.
II. área/sala de recepção, local para arquivos e registros, uma sala de cuidados básicos
de enfermagem, uma sala de vacina e sanitários.
III. equipamentos e materiais adequados ao elenco de ações programadas, de forma a
garantir a resolutividade da Atenção Básica à saúde.
IV. consultório médico, de enfermagem e de odontologia para a Equipe de Saúde da
Família, de acordo com as necessidades de desenvolvimento do conjunto de ações de
sua competência.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa I está correta. d) Somente as afirmativas I e II estão
corretas.
b) Somente a afirmativa IV está incorreta. e) Somente as afirmativas I e III estão
corretas.
c) Somente a afirmativa III está correta.

12 – (Recife 2010) Com relação à Portaria Nº 154, de 24 de janeiro de 2008, que cria
os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF, identifique a alternativa FALSA.
a) Os NASFs têm o objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da atenção
básica bem como sua resolubilidade.
b) O NASF é constituído de equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de
conhecimento, que atuam em parceria com os profissionais das Equipes de Saúde da
Família – ESF.
c) Os NASFs se constituem em porta de entrada do sistema e devem atuar de forma
integrada à rede de serviços de saúde.
d) Os NASFs devem funcionar em horário de trabalho coincidente com o das equipes de
Saúde da Família, e a carga horária dos profissionais do NASF é de, no máximo, 40 horas
semanais.
e) É de responsabilidade de todos os profissionais que compõem os NASFs
desenvolverem coletivamente, com vistas à intersetorialidade, ações que se integrem a
outras políticas sociais, como: educação, esporte, cultura, trabalho, lazer, entre outras.

12. – (Recife 2008) Em relação à Estratégia de Saúde da Família, assinale a


alternativa INCORRETA.
a) É considerada um modelo de atenção primária à saúde, focado na unidade familiar e
em território definido.
b) Desenvolve atividades de acordo com o planejamento realizado com base no
diagnóstico situacional.
c) Tem como equipe mínima um médico, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de
enfermagem e agentes comunitários de saúde.
d) Tem caráter complementar em relação à rede de Atenção Básica tradicional.
e) Tem como atribuições comuns a todos os profissionais da equipe participar do
processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe.

14 - Sobre o Programa Saúde da Família, assinale a alternativa correta.


a) As equipes serão compostas por um médico, um enfermeiro, um dentista e um
assistente social.
b) O PSF foi implantado em 1996, prioritariamente nas áreas delimitadas no mapa da
fome do IPEA.
c) O processo de recrutamento e seleção será coordenado exclusivamente pelo nível
estadual e federal.
d) As equipes de saúde não devem fazer encaminhamento para consultas com
especialistas nos ambulatórios da rede do SUS
e) O Ministério da Saúde firmará com cada Unidade da Federação um convênio de
adesão ao PSF.

15 - Sobre visita domiciliar responda a única resposta falsa.

a) Constitui uma atividade utilizada com o intuito de subsidiar a intervenção no


processo saúde-doença de indivíduos ou o planejamento de ações visando a promoção
de saúde da coletividade.
b) Possibilita ao profissional conhecer o contexto de vida do usuário dos serviços de
saúde e a constatação das reais condições de habitação, relações familiares,
possibilitando o planejamento a execução da assistência.
c) Toda ida ao domicílio é considerada visitar domiciliar, desde que seja feita pelo
profissional de saúde.
d) A visita domiciliar compreende as seguintes etapas: planejamento, execução,
registro de dados, avaliação do processo.

16. Sabe-se que a Política Nacional de Humanização-PNH busca conduzir as ações


em saúde com base em orientações específicas que abrangem aspectos éticos,
clínicos e políticos. Uma diretriz específica, que norteia o trabalho da PNH, é o
Acolhimento, que abrange
A) uma postura profissional que, em momento breve, oferece resposta clínico-
farmacológica ao usuário, evitando demanda exacerbada.
B) uma escuta ao usuário do serviço de saúde, com base em suas queixas, buscando
reconhecer o seu protagonismo no processo saúde-adoecimento e oferecer atendimento
oportuno.
C) uma atuação profissional em consultório clínico ou de enfermagem, realizada em um
turno pré-estabelecido pela Equipe de Saúde da Família.
D) consulta médica para a resolução de casos menos complexos na Unidade de Saúde
da Família.
E) a classificação de risco, com base em cores, apenas, nas Emergências e Urgências do
Sistema Único de Saúde.

17. Está em prática no Sistema de Saúde Brasileiro o movimento voltado para


romper o fenômeno denominado “cultura de cesariana” e fortalecer a humanização
do parto e do nascimento. Dentre as alternativas abaixo, aquela que tem
contribuído para essa mudança de cenário está indicada na alternativa
A) O uso de práticas baseadas em evidências científicas e custo-efetivas, tal qual a
episiotomia de rotina, acelerando período expulsivo e evitando a laceração perineal.
B) Preferência pela posição de litotomia ou supina, tendo em vista a comprovação
científica da redução da duração do parto.
C) Separação imediata do recém-nascido da mãe para banho e aspiração de cavidades,
evitando o comprometimento da saúde do bebê e rejeição materna.
D) Modificar a ambiência das maternidades de modo a permitir a movimentação da
mulher durante o trabalho de parto proporcionando ainda o acesso a métodos não
farmacológicos e não invasivos de alívio à dor.
E) Estabelecer que a presença do acompanhante seja, obrigatoriamente, do sexo
feminino, para não intimidar outras mulheres que estejam em trabalho de parto na
maternidade.

18. De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica em Saúde, constitui um


princípio orientador das ações da atenção básica, dentre outros:
A) Continuidade do cuidado.
B) Co-gestão.
C) Descentralização.
D) Paradigma cartesiano do cuidado.
E) Todas as alternativas acima expostas encontram-se corretas.

19. A respeito dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, é CORRETO afirmar que
A) são compostos por equipes multiprofissionais, de atuação integrada, fornecendo, por
meio de suas ações, apoio às Equipes de Saúde da Família e de atenção básica para
populações específicas, bem como Academia da Saúde.
B) não fazem parte da atenção básica, pois constituem serviços com unidades físicas
independentes ou especiais.
C) são de livre acesso para atendimento individual ou coletivo.
D) atendem à população a partir das demandas identificadas nas Unidades Hospitalares.
E) não há, em nenhuma das formas de atuação do NASF, responsabilização
compartilhada entre a equipe dos núcleos e as equipes de Saúde da Família/equipes de
atenção básica.

20. A respeito da manutenção da transferência dos recursos do bloco da atenção


básica para municípios, assinale a alternativa que causa suspensão do repasse.
A) Presença do Plano Municipal de Saúde
B) Não alimentação regular dos bancos de dados nacionais de informação
C) Relatório Anual de Gestão
D) Presença de área descoberta
E) Falta de medicamentos na Farmácia da Unidade

21. Sabe-se que as Redes de Atenção à Saúde (RAS) se constituem como uma
estratégia que visa à promoção de um cuidado integral às necessidades da
população. A Atenção Básica em Saúde faz parte dessa rede articulada e apresenta,
nesse cenário, funções explicitamente expostas na PNAB. Sobre elas, analise os
itens abaixo:
I. Ser Base
II. Ser resolutiva
III. Coordenar o cuidado
IV. Ordenar as redes
Estão CORRETOS
A) I, II e IV, apenas.
B) III e IV, apenas.
C) I, II e III, apenas.
D) I, II, III e IV.
E) II, III e IV, apenas.

22.De acordo com a Política Nacional da Atenção Básica (Portaria nº 648/GM de 28


de março de 2006) é incorreto afirmar em relação ao Piso de Atenção Básica:
A) São estabelecidas duas modalidades de financiamento para as Equipes de Saúde da
Família e duas pra as Equipes de Saúde Bucal.
B) Constitui-se no componente federal e estadual para o financiamento da Atenção
Básica.
C) A parte fixa do PAB é calculada pela multiplicação de um valor per capita pela
população de cada município.
D) É composto por uma parte variável que consiste em recursos financeiros destinados a
estimular a implantação de
estratégias nacionais de reorganização do modelo de atenção
à saúde.
E) Há suspensão do repasse de recursos do Piso de Atenção
Básica aos municípios se não houver alimentação dos bancos de dados nacionais de
informação, a saber: SIAB, SIA, SIM, SINASC, SISVAN, SINAN, SIS-PNI, HIPERDIA.

23.O Programa de Saúde da Família é apresentado pelo Ministério da Saúde como:


A) uma estratégia experimental de descentralização das ações de saúde.
B) uma estratégia de reorientação do modelo de assistência à saúde visando à atenção
básica de saúde para toda a população.
C) um subsistema do SUS com a finalidade de assistir as populações carentes.
D) um programa de atenção básica com financiamento internacional e duração limitada.
E) um programa de atenção básica e média complexidade com financiamento
internacional e duração limitada.

24.De acordo com a Portaria nº 648/GM de 28 de março de 2006, que aprova a


Política Nacional de Atenção Básica, é incorreto afirmar em relação à Atenção
Básica:
A) Há a efetivação da integralidade em seus vários aspectos, dentre eles, a integração de
ações programáticas e de demanda espontânea.
B) São desenvolvidas atividades de acordo com o planejamento e a programação
realizados com base no diagnóstico situacional e tendo como foco a família e a
comunidade.
C) Não é realizado nesse nível de atenção o primeiro atendimento das urgências médicas
e odontológicas.
D) São realizadas assistência básica integral e contínua, organizada à população adscrita.
E) São utilizadas tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem
resolver os problemas de saúde de maior freqüência e relevância em seu território.

25.Em relação à atenção básica de saúde, é incorreto afirmar:


A) De acordo com o modelo adotado pelo SUS, constitui-se no primeiro nível de atenção
à saúde da população.
B) Deverá proceder aos encaminhamentos dos usuários aos serviços de média e alta
complexidade.
C) O trabalho é interdisciplinar e em equipe que deverá realizar avaliação e
acompanhamento sistemático dos resultados alcançados, como parte do processo de
planejamento e programação.
D) O financiamento para as ações básicas de saúde é de responsabilidade das três
esferas de governo.
E) Engloba apenas ações de caráter coletivo, que envolvem a promoção da saúde, a
prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação dos pacientes.

26.A Política a Política Nacional de Atenção à Saúde no Brasil, cujo princípio geral
envolve um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo,
abrangendo a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o
diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde, é corretamente
denominada de:
A) Política Nacional de Atenção Secundária.
B) Política Nacional de Atenção Terciária.
C) Política Nacional de Atenção Básica e de Referência.
D) Política Nacional de Atenção Básica.
E) Política Nacional de Atenção Básica e de Contra-Referência.

27.Quanto ao Programa Nacional de Melhoria do Avesso e da Qualidade da Atenção


Básica – PMAQ, analise, colocando Verdadeiro (V) ou Falso (F), as questões abaixo:
( ) o objetivo do Programa é induzir a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da
atenção básica, com garantia de um padrão de qualidade comparável nacional, regional e
localmente.
( ) possui parâmetro de comparação entre as equipes da atenção básica, considerando a
realidade de saúde nacional.
( ) permite o permanente acompanhamento das ações e resultados relacionados à
Atenção Básica, por meio de indicadores de desempenho e resultados.
( ) desenvolve uma cultura de negociação e contratualização, que implica na gestão dos
recursos em função dos compromissos e resultados pactuados e alcançados.
( ) possui caráter obrigatório para a adesão das equipes de atenção básica do município.

28.Em relação aos princípios gerais da Atenção Básica no Brasil, é correto afirmar:
A) Orienta-se pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.
B) Caracteriza-se predominantemente por um conjunto de ações assistenciais de saúde,
para resolver os problemas de saúde da população.
C) Saúde da Família é a Estratégia do Ministério da Saúde para reorganização da
Atenção Básica no Brasil, nas áreas de baixas condições sócio-econômicas.
D) Possibilita o acesso pontual e programado aos serviços de saúde.
E) Objetiva consolidar as práticas programáticas de saúde.

29.Todas as alternativas abaixo se configuram como diretrizes da Portaria GM/MS


2488/2011, relativa à Política Nacional de Atenção Básica, exceto:
A) revisão de toda a regulamentação da Atenção Básica.
B) Estratégia Saúde da Família definida como estratégia de organização da Atenção
Básica, com caráter complementar.
C) parâmetro de cobertura, de área adscrita, por Equipe Saúde da Família, no limite
máximo de até 4.000 pessoas.
D) define uma carga horária de 40 horas semanais.
E) fim do financiamento por faixa de cobertura, passando a ser por modalidade de Equipe
de Saúde da Família.
30. A estratégia Saúde da Família visa à organização da atenção básica à saúde no
Brasil, de acordo com os preceitos do SUS. Sobre os Agentes Comunitários de
Saúde (ACS), assinale a alternativa INCORRETA.
A) O número máximo de pessoas por ACS é de 750 pessoas cadastradas.
B) Doze é a quantidade máxima de ACS por equipe de saúde da família.
C) A sua carga horária semanal é de 40 horas.
D) Esses profissionais devem ser suficientes para cobrir de 80 a 100% da população
cadastrada.
E) É atribuição do ACS participar em atividades de educação permanente.

31. Sobre o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção


Básica (PMAQ-AB), analise as afirmativas abaixo:

I. Foi criado mediante uma portaria interministerial.


II. Tem o objetivo de induzir à ampliação do acesso e à melhoria da qualidade da atenção
básica.
III. As Equipes de Atenção Básica Contratualizadas, as Equipes de Saúde Bucal e os
Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) constituem as equipes de Atenção Básica
participantes do PMAQ-AB.
IV. O PMAQ-AB é composto por 4 (quatro) fases distintas, que compõem um ciclo.
V. A penúltima fase do PMAQ-AB é denominada Avaliação Externa e caracteriza-se por
certificação de desempenho das equipes de saúde e gestão da atenção básica,
coordenada de forma tripartite e realizada pelo Conselho de Saúde.
Está(ão) CORRETA(S)
A) todas.
B) apenas quatro. D) apenas duas.
C) apenas três. E) apenas uma.

EPIDEMIOLOGIA

Epidemiologia é a ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades


humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à
saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de
prevenção, controle ou erradicação de ações e fornecendo indicadores que sirvam de
suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde.
É o eixo da saúde pública, proporcionando as bases para:
· Aval
iação das medidas de profilaxia;
· Forn
ecimento de pistas para diagnóstico de doenças transmissíveis e não-
transmissíveis;
· Estu
dar a distribuição da morbidade e da mortalidade a fim de traçar o perfil de saúde-
doença nas coletividades humanas;
· Real
izar testes de eficácia e inocuidade de vacinas;
· Des
envolvimento da vigilância epidemiológica;
· Anal
isar os fatores ambientais e sócio-econômicos que possam ter alguma influência
na eclosão de doenças e nas condições de saúde.
Constitui um dos elos de ligação comunidade/governo, estimulando a prática da
cidadania através do controle pela sociedade dos serviços de saúde. Muitas doenças,
cujas origens até bem recentemente não encontravam explicação, têm tido suas causas
esclarecidas pela metodologia epidemiológica, que tem por base o método científico
aplicado da maneira mais abrangente possível a problemas de doença ocorrentes em
nível coletivo. Alguns exemplos destes são: leucemia na infância, provocada pela
exposição aos raios X durante a gestação; trombose venosa relacionada ao uso de
contraceptivos orais; ingestão de talidomida e o aparecimento de numerosos casos de
focomelia; hábito de fumar e câncer de pulmão; cegueira em crianças nordestinas
subnutridas e sua relação com a avitaminose A; mortalidade infantil e classes sociais.
Pode-se dizer que existem três dimensões na Epidemiologia:

1) Vigilância Epidemiológica é o conjunto de atividades sistemáticas de avaliação de


uma doença com objetivo de detectar ou prever alterações de seu comportamento
epidemiológico.
2) Epidemiologia descritiva põe em evidência as características da ocorrência das
doenças nas populações utilizando dados relativos à distribuição geográfica ou espacial e
temporal e segundo características dos indivíduos afetados. A partir destes dados formula
hipóteses de trabalho para estudos analíticos.
3) Epidemiologia analítica formula uma hipótese de trabalho e, valendo-se de métodos
estatísticos, buscar a comprovação científica da hipótese formulada, através do
estabelecimento de associações entre doenças e determinados fatores de risco ou
exposição. Os estudos epidemiológicos de tipo analítico são de fundamental importância
para a produção de conhecimento sobre a causa (etiologia) e o prognóstico (evolução)
das doenças, fornecendo elementos indispensáveis às autoridades sanitárias para o
controle das doenças na população.

· PRI
NCIPAIS USOS DA EPIDEMIOLOGIA:

1. Diagnóstico da situação de saúde


2. Planejamento e organização dos serviços
3.Avaliação das tecnologias, programas ou serviços
4.Aprimoramento na descrição do quadro clínico das doenças
5.Identificação de síndromes e classificação de doenças
6.Investigação etiológica
7.Determinação de riscos
8.Determinação de prognósticos
9.Verificação do valor de procedimentos diagnósticos
10.Análise crítica de trabalhos científicos

A Lei Orgânica da Saúde 8080/90 além de conceituar uma ferramenta importante


da epidemiologia que é a Vigilância Epidemiológica traz no capítulo 2, artigo 7, inciso 8,
que fala dos princípios e diretrizes , descreve:

“Utilização da epidemiologia para o


estabelecimento de prioridades, a alocação de
recursos e a orientação programática”
A epidemiologia não se limita a avaliar a situação sanitária e sócio-econômica
existente ou passada e sim também visa uma prospecção do problema: “o que nos dizem
as tendências atuais sobre a provável situação futura para a qual teremos de fazer planos
e tomar ou não medidas corretivas? Qual será o resultado amanhã?”.
Os fatores sócio-econômicos são parte integrante do sistema associado a outros
fatores causais para a eclosão em massa de doenças e agravos á saúde. A partir daí
surge o conceito de História natural da doença proposto por Leavell e Clark (1976) que
tem como conceito:
“ o conjunto de processos interativos que compreendem
as inter-relações do agente, do suscetível e meio
ambiente que afetam o processo global e seu
desenvolvimento desde as forças que criam o primeiro
estímulo patológico, passando pela resposta ao estímulo
até as alterações que levam a um defeito, invalidez,
recuperação ou morte.”

A História Natural da Doença está dividida em dois períodos (figura 1):

1 - Pré-patogênese: Envolve as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o


suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade
e as condições sócio-culturais que permitem a existência desses fatores. Estão
envolvidos os fatores sociais (sócio-econômicos, sócio-políticos, socioculturais,
psicossociais), os fatores ambientais e os fatores genéticos.
2 - Patogênese: Ações patogênicas sobre os indivíduos afetados desenvolvendo-se nos
seguintes estágios:
➢ Interação estímulo-suscetível: a doença ainda não se desenvolveu, porém todos os
fatores necessários estão presentes.
➢ Alterações bioquímicas, histológicas e fisiológicas – a doença já está implantada,
porém não se percebem manifestações clínicas. Ainda assim, pode ser perceptível por
exames clínicos ou laboratoriais. O “HORIZONTE CLÍNICO” é o que separa este
estágio do próximo. Abaixo dele se processam as manifestações bioquímicas,
fisiológicas e histológicas que antecedem a doença (período de incubação).
➢ Sinais e sintomas: é o desenlace da doença. Pode evoluir para cura, cronicidade,
invalidez ou morte.
➢ Cronicidade: A evolução clínica da doença pode progredir para cronicidade,
incapacidade ou lesões que abrem porta para novas doenças. A doença pode
progredir desse estágio para cura, invalidez permanente ou morte.

HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA


Figura 1- Fonte: Leavell & Clarke, 1976.

Em saúde pública, a ação antecipada é chamada de prevenção. Ela tem como


objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença. Pode ser feita nos períodos pré-
patogêneses e patogênese. A prevenção é dividida nos seguintes níveis:

1. Prevenção Primária: Interrupção dos fatores pré-patogênicos. Ações voltadas


para a manutenção da saúde. Inclui:

a. Promoção da saúde - medidas de ordem geral como moradia adequada,


escolas, lazer, alimentação, educação
b. Proteção específica: imunização, saúde ocupacional, higiene pessoal e do
lar, proteção contra acidentes, aconselhamento genético e controle de vetores.

2. Secundária: Realizada sob a ação do agente patogênico. Inclui:

a. Diagnóstico precoce: inquérito para descoberta de casos na comunidade, exames


periódicos individuais para detectar casos precocemente, isolamento para evitar
propagação de doenças, tratamento.
b.Limitação da incapacidade: evitar futuras complicações, evitar seqüelas.

3. Terciária: reabilitação (impedir a incapacidade total), fisioterapia, terapia


ocupacional, emprego para o reabilitado.

A figura abaixo descreve o modelo de história natural e prevenção de doenças:


Fonte: Leavell & Clarke, 1976.

❖ Med
idas de Saúde Coletiva:

Quantifica a frequência com que os problemas de saúde ocorrem em populações


humanas. Permite avaliar a evolução da epidemia, se as atividade de prevenção vêm
surtindo efeito, se o tratamento disponível aumenta a sobrevida do doente entre
outras.

As medidas de saúde coletiva são expressas através dos Indicadores de Saúde


que são utilizados para descrever e analisar uma situação existente, avaliar o
cumprimento dos objetivos, as metas e suas mudanças ao longo do tempo, além de
prever tendências futuras. Podem ser expressos em frequências absolutas ou em
frequências relativas.

Pode-se identificar três tipos de medidas básicas de saúde: Coeficiente ou taxa,


índice ou proporção e razão.

a) Coe
ficientes ou taxas: Expressa a intensidade dos RISCOS de ocorrência de uma
determinada situação. No NUMERADOR fica os casos e no DENOMINADOR
fica a (população sob o risco de adoecer, de se tornar incapacitado, de morrer etc),
tendo como múltiplo 10N: 100, 1000, 10000, etc. Ex: Coeficiente de Mortalidade
Infantil: Nº de óbitos menores de 1 ano em certa área durante o ano / total de
nascidos vivos nessa mesma área durante o ano x 1000

b) Índi
ce ou Proporção: Relação entre frequências atribuídas de determinado evento. No
NUMERADOR, é registrada a frequência absoluta do evento, que constitui
subconjunto da frequência contida no DENOMINADOR. Não expressam risco. Ex:
Número de óbitos por Aids em relação ao número de óbitos em geral.
c) Raz
ão: Medida de frequência de um grupo de eventos relativa à frequência de outro
grupo de eventos. O numerador e o denominador são elementos de mesma
natureza e mesma dimensão, ou seja, o numerador não é um subconjunto do
denominador, pois não está incluído no denominador. Ex: razão entre duas
doenças, razão masculino/feminino.
Os indicadores podem ser medidos em indicador de mortalidade e indicador de
morbidade.

❖ INDI
CADOR DE MORTALIDADE:

➢ Tem
como características:

· Med
ir o risco ou probabilidade que qualquer pessoa na população apresenta de vir a
morrer, em decorrência de uma doença;
· Ref
erir-se ao conjunto dos indivíduos que morrem num dado intervalo de tempo;
· É
calculado pela taxa ou coeficiente de mortalidade;
· Des
creve as condições de saúde de uma população;
· É o
mais empregado na epidemiologia;
· São
registrados no SIM;
· Tem
como fonte de dados:
➢ Declaração de óbito;

➢ Busca ativa de óbitos em serviços de saúde;

➢ Cemitérios;

➢ Investigação de óbitos maternos, infantis e por


causa mal definida.

➢ Prin
cipais indicadores de mortalidade:

· Coe
ficiente geral de mortalidade;
· Coe
ficiente de mortalidade infantil;
· Coe
ficiente de mortalidade neonatal;
· Cur
va de mortalidade proporcional
· Coe
ficientes específicos e mortalidade proporcional
· Mort
alidade por sexo;
· Mort
alidade por idade;
· Mort
alidade por causas;
· Mort
alidade por local.

O Coeficiente de Mortalidade Infantil é um dos indicadores mais empregados


para medir níveis de saúde e de desenvolvimento social de uma região. A mortalidade
infantil mede o risco de um nascido vivo morrer no seu primeiro ano de vida. Coeficiente
abaixo de 20/1000 é considerado baixo; 50 ou mais por 1000 nascidos vivos é
considerada elevada. O coeficiente de mortalidade neonatal ou infantil precoce,
compreende o período neonatal precoce (0-7 dias) e o período neonatal tardio (>7 a 28
dias).

FÓRMULAS DOS PRINCIPAIS INDICADORES DE MORTALIDADE

1- COEFICIENTE DE MORTALIDADE GERAL:

Nº total de óbitos, no período X 1.000


População total, na metade do período

2- COEFICIENTE DE MORTALIDADE INFANTIL:


Nº de óbitos de crianças menores de um ano de idade, no período X 1.000
Número de nascidos vivos, no período

3- COEFICIENTE DE MORTALIDADE NEONATAL:


Nº de óbitos de menores de 28 dias em certa área durante o ano X 1.000
Total de nascidos vivos nessa área durante o ano

4-COEFICIENTE DE MORTALIDADE PERINATAL:


Nº de óbitos fetais (com 22 semanas ou mais de gestação) acrescido
do número de óbitos na primeira semana de vida, no período X 1.000
Número de nascidos vivos e natimortos, no período

5-MORTALIDADE PROPORCIONAL DE 50 ANOS OU MAIS (SWAROOP UEMURA):


Nº de óbitos de maiores de de 50 anos, no período X 100
Todos os óbitos, no período

6-COEFICIENTE DE MORTALIDADE MATERNA:


Nº de óbitos por causas ligadas à gravidez, parto e puerpério, no período X 1.000
Número de nascidos vivos, no período
7-COEFICIENTE DE MORTALIDADE POR SEXO:
Nº de óbitos de um dado sexo, no período X 1.000
População do mesmo sexo, na metade do período

8-MORTALIDADE PROPORCIONAL POR CAUSAS:


Nº de óbitos por determinada causa (ou grupo de causas) , no período X 100
Todos os óbitos, no período

9-COEFICIENTE DE LETALIDADE:
Nº de óbitos por determinada doença X 100 (ou 1.000)
Número de casos da mesma doença

PARA NÃO ESQUECER:

❖ VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA:

Na década de 1960, a Organização Mundial de Saúde (OMS) implanta sua


Unidade de Vigilância Epidemiológica. Originalmente, essa expressão significava “uma
observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças
transmissíveis e de seus contatos”. Tratava-se, portanto, da vigilância de pessoas com
base em medidas de isolamento ou quarentena aplicadas individualmente, e não de
maneira coletiva.

A definição de vigilância epidemiológica de acordo com a lei 8080 de 19/09/1990 é:


Conjunto de ações que proporcionam o CONHECIMENTO, a DETECÇÃO ou
PREVENÇÃO de qualquer mudança nos fatores determinantes e condcionantes de saúde
individual ou coletiva, com finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e
controle das doenças e agravos”. A vigilância epidemiológica desenvolve as seguintes
atividades:

1- Notificação Compulsória;

2- Investigação Epidemiológica;

3- Processamento dos dados ;

4- Interpretação dos dados e análise da informação;

5- Recomendação e adoção de medidas de controle;

6- Retroalimentação e divulgação das informações.

· Notificação Compulsória:

É a comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos,


profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou
privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento
de saúde pública.”

As doenças e agravos que são considerados como notificação compulsória se


encontram na Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória. Eles
se fazem presente na portaria 204 de 17/02/2016 (anexo I) que se refere a lista de
notificação a nível nacional e na portaria 390 de 14/09/2016 (anexo ll) que se refere a
lista de notificação a nível estadual.

As doenças e agravos de notificação compulsória são atualizadas


sistematicamente na lista nacional e/ou estadual , de forma a responder às novas
demandas e mudanças na situação epidemiológica. Para tal, há critérios para escolha
de inclusão exclusão da lista de notificação. São eles:

✓ Magnitude: Doenças com elevada frequência, que afetam grandes


contingentes populacionais e que se traduzem pela incidência, prevalência,
mortalidade e anos potenciais de vida perdidos. São doenças altamente
transmissíveis. Ex: Sarampo;

✓ Potencial de disseminação: Se expressa pela transmissibilidade e


possibilidade de disseminação por intermédio de vetores e demais fontes de
infecção, colocando sob risco outros indivíduos ou coletividades. Ex; Febre
amarela, dengue;

✓ Transcendência: Doenças que apresentam um conjunto de características


clínicas e epidemiológicas que as tornam objeto de atenção especial;

✓ Vulnerabilidade: São doenças que há instrumentos específicos de


prevenção e controle, permitindo uma atuação concreta e efetiva dos
serviços de saúde sobre os indivíduos ou coletividades. Ex: doenças
imunopreviníveis;

✓ Compromissos internacionais: Se faz através do Regulamento Sanitário


Internacional (RSI) que é um instrumento que estabelece procedimentos
para proteção contra a disseminação internacional de doenças. As doenças
que fazem parte são: Varíola, Poliomielite por poliovírus selvagem,
Influenza humana por novo subtipo viral, Síndrome respiratória aguda grave
(SARS).

· Pro
cesso Epidêmico:

✓ End
emia: É a expressão de um fenômeno de saúde e doença no coletivo, produto de
um conjunto de processos determinantes próprios de uma dada formação social”.
Refere-se à doença habitualmente presente entre os membros de um determinado
grupo e relativamente constante em uma área.

✓ Epi
demia: É uma alteração espacial e cronologicamente delimitada, do estado de
saúde-doença de uma população caracterizada por uma elevação
progressivamente crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de
incidência de determinada doença.

✓ Pan
demia: È uma epidemia de grandes proporções, envolvendo extensas áreas e um
número elevado de pessoas. Aplica-se geralmente a uma doença que passa de um
continente para outro.

✓ Surt
o epidêmico: ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado:
colégio, quartel, bairro etc.

OBS: Abaixo segue conceitos importantes usados na epidemiologia


· Casos Autóctones: são casos de doença que tiveram origem dentro dos limites do
lugar em referência ou sob investigação.
· Casos Alóctones: São os casos importados; o doente, atualmente presente na
área sob consideração, adquiriu o seu mal em outra região, de onde emigrou.
· Epizootia: Doença ou morte de animal ou de grupo de animais que possa
apresentar riscos à saúde pública.

❖ SIS
TEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE:

A Organização Mundial da Saúde define Sistema de Informação em Saúde –SIS


como um
“ mecanismo de coleta, processamento, análise
e transmissão da informação necessária para se
planejar, organizar, operar e avaliar os serviços
de saúde”.

Conjunto de componentes que atuam na intenção de selecionar dados e


transformá-lo em informação a fim de promover o conhecimento sobre a situação de
saúde: perfil de morbidade e moralidade, os principais fatores de risco e seus
determinantes, as características demográficas e informações sobre os serviços, como a
disponibilidade de recursos humanos, de infra-estrutura e financeiros. Os Sistemas de
Informação em Saúde (SIS) brasileiros são uma ferramenta estratégica para a gestão do
sistema de saúde e podem contribuir nas definições de prioridades em saúde, na
organização da assistência e na efetivação das ações de controle e avaliação. Os
principais sistemas nacionais de informação em saúde são:

Além dos grandes bancos de dados gerados por atividades de outros setores
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada-IPEA, etc) e estudos amostrais realizados por universidades e outras
instituições, o SIS é composto por diferentes Sub-sistemas, que produzem uma enorme
quantidade de dados referentes às atividades setoriais em saúde, gerando grandes
bancos de dados nacionais, dos quais se destacam:

SIGLA SISTEMA DE ANO DE DOCUMENTO BÁSICO


INFORMAÇÃO EM INICIO
SAÚDE
SIM Sistema de Informação 1975 Declaração de óbito
sobre Mortalidade
SIH - Sistema de Informações 1991 Autorização de Internação
SUS Hospitalares do SUS hospitalar
SINASC Sistema de Informações 1990 Declaração de Nascidos vivos
sobre nascido
SINAN Sistema de informação de 1993 · Ficha individual de
agravos de notificação notificação
· Ficha individual de
investigação
SI-PNI Sistema de informação do 1994 · Boletim mensal de doses
Programa Nacional de aplicadas;
Imunização · Boletim de movimentação
de imunobiológicos;
· Ficha de notificação de
efeitos adversos;
· Instrumento de supervisão.

SIA Sistema de informação 1994 Boletim de Produção Ambulatorial


-SUS Ambulatorial do SUS

1-Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM):

Criado em 1975, este sistema iniciou sua fase de descentralização em 1991,


dispondo de dados informatizados a partir de 1979, Sendo informatizado na década de
90. Tem como instrumento padronizado de coleta de dados é a Declaração de Óbito (DO),
impressa em três vias coloridas, cuja emissão e distribuição para os estados, em séries
pré-numeradas, são de competência exclusiva do Ministério da Saúde. A distribuição das
DOs aos municípios fica a cargo das secretarias estaduais de saúde. O controle e
distribuição entre os profissionais médicos e instituições que a utilizem, bem como pelo
recolhimento das primeiras vias em hospitais e cartórios são de responsabilidade das
secretarias municipais.
O preenchimento da DO deve ser realizado exclusivamente por médicos, exceto
em locais onde não exista, situação na qual poderá ser preenchida por oficiais de
Cartórios de Registro Civil, assinada por duas testemunhas.
A obrigatoriedade de seu preenchimento, para todo óbito ocorrido, é determinada
pela Lei Federal n° 6.015/73. Em tese, nenhum sepultamento deveria ocorrer sem prévia
emissão da DO.
O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o
local de residência seja a informação comumente mais utilizada. A análise dos dados por
local de ocorrência é importante para o planejamento de algumas medidas de controle,
como, por exemplo, no caso dos acidentes de trânsito e doenças infecciosas que exijam a
adoção de medidas de controle no local de sua ocorrência. As informações obtidas pela
DO permitem também delinear o perfil de morbidade de uma área para as doenças mais
letais e doenças crônicas que não são de notificação compulsórias. Para as doenças de
notificação compulsória, a utilização eficiente desta fonte de dados depende da
verificação rotineira da presença desses agravos no banco de dados do SIM. Deve-se
também checar se as mesmas constam no Sinan, bem como a evolução do caso para
óbito.
Entre os indicadores utilizados com maior frequência, elaborados a partir de
dados do SIM, destacam-se: mortalidade infantil e mortalidade materna.
2- Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc):

O Sinasc é o sistema responsável pelo registro de nascidos vivos. Tem como


instrumento padronizado de coleta de dados a Declaração de Nascido Vivo (DN), cuja
emissão, a exemplo da DO, é de competência exclusiva do Ministério da Saúde. Tanto a
emissão da DN como o seu registro em cartório serão realizados no município de
ocorrência do nascimento. Deve ser preenchida nos hospitais e outras instituições de
saúde que realizam partos, e nos Cartórios de Registro Civil, na presença de duas
testemunhas, quando o nascimento ocorre em domicílio sem assistência de profissional
de saúde.
O número de nascidos vivos é o denominador que possibilita a constituição de
indicadores voltados para a avaliação de riscos à saúde do segmento materno infantil, a
exemplo dos coeficientes de mortalidade infantil e materna, que constitui relevante
informação para o campo da saúde pública.
A obrigatoriedade do registro da Declaração de Nascidos Vivos é dada pela Lei
n° 6.015/73. A DN deve ser preenchida para todos os nascidos vivos no país, segundo
conceito definido pela OMS. No caso de gravidez múltipla, deve ser preenchida uma DN
para cada criança nascida viva. Igualmente à DO, os formulários de Declaração de
Nascido Vivo são pré-numerados, impressos em três vias coloridas e distribuídos às SES
pela SVS/MS. É preconizado que as SMS devem assumir a distribuição aos
estabelecimentos de saúde e cartórios
3- Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan):

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) é alimentado,


principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que
constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória (Anexo I e II), mas é
facultado a estados e municípios incluir outros problemas de saúde regionalmente
importantes. Tem por objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados
rotineiramente pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas de governo, por
intermédio de uma rede informatizada, para apoiar o processo de investigação e dar
subsídios à análise das informações de vigilância epidemiológica das doenças de
notificação compulsória.
A utilização efetiva dos seus dados permite a realização do diagnóstico dinâmico
da ocorrência de um evento na população; podendo fornecer subsídios para explicações
causais dos agravos de notificação compulsória, além de vir a indicar riscos aos quais as
pessoas estão sujeitas, contribuindo assim, para a identificação da realidade
epidemiológica de determinada área geográfica. No Sinan, a entrada de dados ocorre
pela utilização de alguns formulários padronizados:
• Ficha Individual de Notificação (FIN) - Anexo III : É preenchida pelas unidades
assistenciais para cada paciente quando da suspeita da ocorrência de problema de saúde
de notificação compulsória ou de interesse nacional, estadual ou municipal.
• Ficha Individual de Investigação (FII) – Anexo IV : Na maioria das vezes configura-se
como roteiro de investigação, distinto para cada tipo de agravo, devendo ser utilizado,
preferencialmente, pelos serviços municipais de vigilância ou unidades de saúde
capacitadas para a realização da investigação epidemiológica. Permite a obtenção de
dados que possibilitam a identificação da fonte de infecção e mecanismos de transmissão
da doença.

4-Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI):

Implantado em todos os municípios brasileiros, fornece dados relativos à


cobertura vacinal de rotina e, em campanhas, taxa de abandono e controle do envio de
boletins de imunização. Além do módulo de avaliação do PNI, este sistema dispõe de um
subsistema de estoque e distribuição de imunobiológicos para finsgerenciais. O objetivo
fundamental do SI-PNI é possibilitar aos gestores envolvidos no programa uma avaliação
dinâmica do risco quanto à ocorrência de surtos ou epidemias, a partir do registro dos
imunos aplicados e do quantitativo populacional vacinado, que são agregados por faixa
etária, em determinado período de tempo, em uma área geográfica. Por outro lado,
possibilita também o controle do estoque de imunos necessário aos administradores que
têm a incumbência de programar sua aquisição e distribuição.

5-Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS):

O sistema de informações hospitalares (SIH-SUS) constitui importante fonte de


informações das doenças que requerem internação. Embora não tenha sido conhecido
sob a lógica epidemiológica, mas com o propósito de operar o sistema de pagamento das
internações hospitalares, o SIH conta com um detalhado banco de dados sobre o
atendimento, o diagnóstico da internação, a condição da alta, os valores pagos e outros.

6- Sistemas de informação Ambulatorial do SUS (SIA-SUS):

É um sistema que oferece aos gestores estaduais e municipais de saúde


instrumentos para operacionalização das funções de cadastramento, controle
orçamentário, controle e cálculo da produção e para geração de informações necessárias
ao repasse do custeio ambulatorial.

7- Sistema de Informação de Vigilância de Qualidade da Água para Consumo


Humano (SISÁGUA):

O SISÁGUA foi estruturado visando fornecer informações sobre a qualidade da


água para consumo humano proveniente dos sistemas públicos e privados, e de soluções
alternativas de abastecimento. Tem como objetivo geral, coletar, transmitir e disseminar
dados gerados rotineiramente, de forma a produzir informações necessárias à prática da
vigilância da qualidade da água de consumo humano (avaliação da qualidade da água e
definição de estratégias para prevenir e controlar os processos de sua deteriorização e a
transmissão de enfermidades). Esse sistema é alilmentado pelos técnicos da secretaria
estadual de saúde e secretaria municipal de saúde.

✓ FAT
ORES QUE CONTRIBUEM PARA A GARANTIA DA QUALIDADE DOS
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
· Moti
vação
· Faci
lidade da coleta dos dados
· Prec
isão dos dados
· Peri
odicidade da coleta
· Abr
angência

✓ FAT
ORES QUE COMPROMETEM A QUALIDADE DOS SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO
· For
mulários complexos e mal planejados
· Pre
enchimento inadequado (profissionais não habilitados)
· Lent
idão na análise
· Falt
a de retorno da informação aos envolvidos na geração e coleta dos dados
· Exc
esso de dados não essenciais.

❖ TIP
OS DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS:

1 . Epidemiologia Descritiva: Distribuição do evento de saúde segundo características


de tempo (variações sazonais), pessoa (sexo, idade, ocupação) e espaço (país, rural x
urbano). Definem grupos populacionais de maior risco (alvo de programas de prevenção);
Geram hipóteses causais;

✓ Tipos de Estudos Epidemiológicos Descritivos:


· Relato de caso ou série de casos
· Estudos de prevalência – transversais
· Estudos ecológicos ou populacionais

a) REL
ATOS OU SÉRIES DE CASOS: Apenas um ou número pequeno de pacientes; Mais
básico estudo descritivo; Ausência de grupo de comparação; Descrição inicial (às
vezes fundamental) de novas doenças ou associações.
▪ Vantagens: Barato e fácil de ser realizado e gerador de hipóteses;
▪ Desvantagens: Não testa hipóteses.

b) ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL OU DE PREVALÊNCIA: consistem na


avaliação da condição de um grupo de indivíduos com relação a presença ou ausência
de doença ou exposição em um mesmo ponto no tempo (“FOTOGRAFIA”).
▪ Esse estudo serve para:
➢ Estimar a prevalência da doença na população total ou em estratos
desta população;
➢ Comparar taxas de prevalências de diferentes populações ou grupos
populacionais;
➢ Avaliar condições de saúde com fins de uma política pública;
➢ Det
erminar as características epidemiológicas de um novo agente.

▪ Vantagens: Permite descrever distribuição da exposição e do agravo em
população específica; permite estudar de forma simultânea mais de uma
exposição; duração, custo e complexidade operacional relativamente menores;
simplicidade de análise.
▪ Desvantagens: Permite cálculo da prevalência (casos prevalentes englobam
maior proporção de casos de longa duração do que casos incidentes; mais difícil
estabelecer a sequência temporal entre a exposição e o agravo estudado; Não
permite estudar de forma simultânea mais de um efeito da exposição;
inadequado ao estudo de agravos raros e/ou de curta duração, ou de exposições
▪ Estr
utura do estudo transversal

c) ESTUDOS ECOLÓGICOS: Nesse estudo, a unidade de informação não é indivíduo, e


sim o grupo ou população (escolas, cidades, países, etc); são realizados em
populações definidas geograficamente (bairro, município, estados, etc); as áreas
geográficas são comparadas quanto à exposição e doença. Tem como objetivo gerar
hipóteses epidemiológicas e avaliar a efetividade de intervenções populacionais.
▪ Vantagens: Costumam ser mais baratos e rápidos; possível utilização de dados
já disponíveis; captam de forma completa a experiência da base populacional;
permitem compreensão do contexto.
▪ Desvantagens: Não permitem estabelecer associação entre as variáveis
(exposição e doença) no nível individual; Não permitem o controle efeitos de
potenciais fatores de confusão; Utilizam valores médios de exposição, ou seja, os
dados representam a média do nível de exposição e não valores reais para o
indivíduo.

2. Epidemiologia Analítica: testam hipóteses etiológicas ( fatores de risco com eventos


de saúde).

✓ Tipos de Estudos Epidemiológicos Analíticos:


· Estudo de coorte;
· Estudo de caso controle.

a)ESTUDO DE COORTE: Consistem na classificação de indivíduos com base na


presença ou ausência de exposição a um fator particular e então, acompanhá-los por um
período de tempo específico para determinar o desenvolvimento de uma doença ou
condição em cada grupo exposto. Também chamado de estudo longitudinal tem como
objetivo principal medir a incidência de um determinado evento.
▪ Vantagens: Permite cálculo da incidência e do risco relativo diretamente; não há
dúvida quanto à sequência temporal entre a exposição e o agravo estudado;
Menos suscetível a viéses de informação e seleção; permite estudar exposições
raras.
▪ Desvantagens: Em geral não permite estudar mais de um efeito; maior duração,
custo e dificuldade operacional; exige maior tamanho de amostra; não é eficiente
para estudo de doenças raras; a validade dos resultados pode se seriamente
afetada pelas perdas de acompanhamento.
▪ Estr
utura de um estudo de Coorte:
b)ESTUDO DE CASO-CONTROLE: Consistem na seleção de grupos de indivíduos que
apresentam a doença ou resultado em estudo e um grupo controle, sem a doença ou
resultado, comparando a proporção de indivíduos expostos ao fator de interesse em cada
grupo. Ao contrário do estudo de coorte, o estudo de caso-controle origina-se do desfecho
(do efeito ou da doença) para chegar à causa.
▪ Vantagens: Mais adequado para doenças com longo período de latência; mais
eficiente para estudar doenças raras; permite estudar de forma simultânea mais de
uma exposição para uma mesma doença; duração e custo relativamente menores;
exige menor tamanho de amostra – maior eficiência; bom para investigar
epidemias.
▪ Desvantagens: Não permite cálculo da incidência e do risco relativo diretamente;
ineficiente para exposições raras mais difíceis estabelecer a sequência temporal
entre a exposição e o agravo estudado (quem aconteceu primeiro)?; mais
suscetível a vieses de informação e seleção.
▪ Estr
utura de um estudo de Coorte:

▪ Estrutura dos Principais estudo epidemiológicos:


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA FILHO, N. Epidemiol Saude. 6. ed. Rio de Janeiro, RJ: MEDSI, p. 289-312.

SES, Curso Básico de Vigilância Epidemiológica das Doenças Imunopreveníveis. Abril


2015

ROUQUAYROL, Maria Zélia; SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Rouquayrol epidemiologia
& saúde. 7. Ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2013.

EXERCÍCIOS

01. Abaixo estão listados termos e parâmetros utilizados em Vigilância


Epidemiológica:

I. Magnitude
II. Vulnerabilidade
III. Potencial de Disseminação
IV. Compromissos Internacionais
V. Susceptibilidade

Que item(ns) acima é(são) critério(s) para a definição de uma doença ser considerada
como de notificação compulsória?

A) I, II, III, IV e V.
B) Apenas um não é critério.
C) Dois não são critérios.
D) III não é critério.
E) IV não é critério.
02. Sobre o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), leia as
afirmativas abaixo:

I. É o mais importante sistema de vigilância para a Vigilância Epidemiológica.


II. Utiliza Ficha Individual de Notificação (FIN).
III. Utiliza Ficha Individual de Investigação (FII).
IV. Utiliza o mecanismo de notificação negativa.
V. Nele se notifica a ocorrência de surto.

Assinale a alternativa CORRETA


A) I, II, III, IV e V.
B) Existem duas incorretas.
C) Existe, apenas, uma incorreta.
D) III está incorreta.
E) V está incorreta.

03. Um Sistema de Vigilância Epidemiológica tem como objetivo final

A) identificar fatores e grupos de risco.


B) contribuir para a definição da história natural de doenças sob vigilância.
C) identificar mudanças no padrão de doenças.
D) identificar surtos epidêmicos.
E) propor medidas de controle.

04. Sobre a Epidemiologia, leia as afirmativas abaixo:

I. É essencialmente uma ciência populacional.


II. Tem na matemática as bases para a definição de risco.
III. É a ciência da informação em saúde.
IV. Estuda os determinantes de doenças e agravos à saúde.
V. O método epidemiológico é mais apropriado para doenças infecciosas, quando
comparado com as doenças crônicas.

Assinale a alternativa CORRETA.


A) I, II, III, IV e V.
B) Existem duas incorretas.
C) Existe, apenas, uma incorreta.
D) II está incorreta.
E) III está incorreta.
06. Em relação a conceitos em Epidemiologia, correlacione a Coluna A com a
Coluna B.

COLUNA A COLUNA B
Prioridades
A) Epidemia I) Frequência e distribuição em
agrupamentos humanos, distribuídos em
espaços delimitados, mantenham padrões
regulares de variações num determinado
período, ou seja, as oscilações na
ocorrência das doenças correspondem
somente às flutuações cíclicas e sazonais.
B) Endemia II) A Cólera e a Gripe são seus exemplos
clássicos.
C) Pandemia III) Ocorrência de um claro excesso de
casos de uma doença ou síndrome clínica
em relação ao esperado, para uma
determinada área ou grupo específico de
pessoas num particular período.

a alternativa que apresenta a correlação CORRETA.


A) A-II; B-III; C-I. D) A-I; B-III; C-II.
B) B-I; A-III; C-II. E) C-I; A-III; B-II.
C) C-III; A-I; B-II.
07. Quando uma doença afeta, simultaneamente, pessoas de vários países
pertencentes a mais de um continente, atingindo essas comunidades em número
claramente excessivo, se comparado ao normal esperado, tem-se, então, uma

A) epidemia. B) endemia. C) pandemia. D) onda epidêmica. E) epizootia.


10. Vigilância de doenças é um processo sistemático de

A) notificação de doenças, consolidação dos dados, análise das informações e


implementação de medidas de controle.
B) notificação de morbidade, preparação de tabelas, gráficos, diagramas e distribuição
das informações coletadas.
C) investigação de casos, cálculo de taxas de incidência e prevalência, análise dos dados
e distribuição da informação.
D) coleta de dados, consolidação e análise dos dados, distribuição da informação,
devidamente analisada, acrescida de recomendações técnicas, visando a medidas de
controle de doenças específicas.
E) diagnóstico, exames complementares e notificação compulsatória das patologias.
08.Ainda versando a respeito dos sistemas de informação em saúde, leia o trecho
abaixo e posteriormente faça a relação adequada entre as letras (sistemas) e os
aspectos referentes a estes(números).
Os sistemas de informação em saúde são instrumentos padronizados de monitoramento
e coleta de dados, que tem como objetivo o fornecimento de informações para análise e
melhor compreensão de importantes problemas de saúde da população, subsidiando a
tomada de decisões nos níveis municipal, estadual e federal.
(Áreas Temáticas, BVS MS)

A SIM I. Objetivo de reunir


. informações
epidemiológicas
referentes aos
nascimentos
informados em todo
oterritório nacional.
B. SINASC II. Alimentado por
meio da notificação
e investigação de
casos de doenças e
agravos,que
constam da lista
nacional de
doenças de
notificação
compulsória.
C. SINAN III. Obtenção regular
de dados sobre
mortalidade no
país.
D. SICAN IV. Monitoramento das
ações relacionadas
à detecção precoce,
à confirmação
diagnóstica e ao
início do tratamento
de neoplasias
malignas.

Assinale a alternativa que contém a correlação CORRETA.


A) A-II; B-III; C-I; D-IV
B) A-III; B-IV; C-I; D-II
C) A-III; B-I; C-II; D-IV
D) A-I; B-III; C-IV; D-II
E) A-IV; B-II; C-III; D-I
09. As doenças de Notificação Compulsória Imediata (NCI) devem ter notificação
compulsória realizada em até 24 (vinte e quatro) horas, a partir do conhecimento da
ocorrência de doença,agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de
comunicação o mais rápido disponível. Assinale a alternativa que indica o agravo
que constitui uma doença de NCI.

A) Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana ou Síndrome da Imunodeficiência


Adquirida
B) Dengue
C) Esquistossomose
D) Acidente de trabalho com exposição a material biológico
E) Cólera

10. A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de


funções específicas e intercomplementares, desenvolvidas de modo contínuo,
permitindo conhecer, a cada momento,o comportamento da doença ou agravo
selecionado como alvo das ações, para que as medidas de intervenção pertinentes
possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia. Não constitui função da
vigilância epidemiológicaa(o)

A) auditoria dos custos dos pacientes através do fluxo na rede de atenção à saúde.
B) recomendação das medidas de prevenção de agravos e controle apropriadas.
C) processamento de dados coletados.
D) avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas.
E) divulgação de informações pertinentes.
11. A Vigilância Epidemiológica como instrumento de Saúde Pública surgiu no final
do século XIX, com o desenvolvimento da microbiologia, pautada nas doenças
pestilenciais, como a varíola e a febre amarela. O termo Vigilância era vinculado aos
conceitos de isolamento ou quarentena. A década de 60 foi o período, em que a
Vigilância se consolidou internacionalmente, definindo seus propósitos, funções,
atividades, sistemas e modalidades operacionais. Sobre isso, analise as afirmativas
abaixo:

I. A notificação compulsória representa a principal fonte de informação da vigilância


epidemiológica, desencadeando o processo informação–decisão–ação.
II. Vigilância Epidemiológica é um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou
prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários, decorrentes do meio
ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da
saúde.
III. As atividades da vigilância epidemiológica são: coleta, consolidação; investigação
epidemiológica; interpretação de dados e análise de informação; recomendação e adoção
de medidas de controle; avaliação do sistema de vigilância epidemiológica e
retroalimentação e divulgação de informações.

Está CORRETO o que se afirma em


A) I e III, apenas. B) II e III, apenas. C) I, apenas. D) III, apenas,
E)I, II e III.
12. O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) compreende o
conjunto articulado de instituições do setor público e privado, componente do
Sistema Único de Saúde (SUS), que, direta ou indiretamente, notifica doenças e
agravos, presta serviços a grupos populacionais ou orienta a conduta a ser tomada
para o controle destes. Sobre investigação epidemiológica de casos e epidemias,
assinale a alternativa INCORRETA.

A) A gravidade do evento não representa um fator que condiciona a urgência no


curso da investigação.
B) A investigação epidemiológica deve ser iniciada imediatamente após a notificação
de casos isolados ou agregados de doenças/agravos, quer sejam suspeitos,
clinicamente declarados ou mesmo contatos, para os quais as autoridades
sanitárias considerem necessário dispor de informações complementares.

C) Identificar os fatores que determinam a ocorrência da doença ou que possa


contribuir para transmissão da doença a outras pessoas.

D) Numa investigação epidemiológica, envolve-se o exame do doente e de seus


contatos com detalhamento da história clínica e de dados epidemiológicos, além
da coleta de amostras para laboratório (quando indicada), busca de casos
adicionais e identificação do(s) agente(s) infeccioso(s).

E) O exame cuidadoso do caso e de seus comunicantes é fundamental, pois,


dependendo da enfermidade, pode-se identificar suas formas iniciais e instituir
rapidamente o tratamento ao proceder ao isolamento, visando evitar a progressão
da doença na comunidade.
13. Para a investigação de fatores de risco raros, qual é o estudo epidemiológico
mais apropriado?

A) Caso Controle
B) Coorte
C) Intervenção
D) Corte transversal
E) Inquéritos populacionais

14. A coleta de dados para os subsistemas de informação em saúde é realizada


mediante instrumentos próprios. Alguns instrumentos são produzidos em mais de
uma via. Abaixo, estão listados os principais subsistemas de informação em Saúde
I. SIM
II. SINASC
III. SINAN
IV. SIH/SUS
V. SIA/SUS
A) Em I, II, III, IV e V. D) Em I, II e III.
B) Em I, apenas. E) Em IV e V.
C) Em I e II, apenas.
15. Assinale a alternativa que contém, apenas, doenças de notificação compulsória.

A) Hantaviroses – Sarampo – Paralisia Cerebral


B) Febre Amarela – Doença de Chagas Aguda
C) Febre do Nilo – Síndrome de Down – Paralisia Flácida Aguda
D) Dengue – Abscesso de Ludwig – Rubéola
E) Cólera – Síndrome Respiratória Aguda Grave
16 –A Portaria nº 1.271, de 6 de junho de 2014, define a lista de doenças e agravos
de notificação compulsória. Verifique e assinale nas alternativas seguintes, qual a
doença ou agravo que precisa ser notificado em até 24 horas ao Ministério da
Saúde?

A) Raiva humana
B) Doença de Chagas Aguda
C) Esquistossomose
D) Coqueluche
E) Óbito materno
17- A notificação compulsória consiste na comunicação da ocorrência de casos
individuais, agregados de casos ou surtos, suspeitos ou confirmados, da lista de
agravos relacionados na Portaria n.º 204 de 17 de fevereiro de 2016, que deve ser
feita às autoridades sanitárias por profissionais de saúde ou qualquer cidadão,
visando à adoção das medidas de controle pertinentes. Considere os seguintes
conceitos:
1 - notificação compulsória imediata: notificação compulsória realizada imediatamente a
partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo
meio de comunicação mais rápido disponível;
2 - notificação compulsória semanal: notificação compulsória realizada em até 7 (sete)
dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo;
3 - notificação compulsória negativa: comunicação semanal realizada por responsável
pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana
epidemiológica não foi identificada nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública
constante da Lista de Notificação Compulsória;
4 - agravo: qualquer dano à integridade física do indivíduo, provocado por circunstâncias
nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de drogas ou
lesões decorrentes de violências interpessoais, como agressões e maus tratos, e lesão
autoprovocada.
Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA.
A) Somente os conceitos 2 e 3 estão corretos.
B) Somente os conceitos 1, 2 e 3 estão corretos.
C) Somente os conceitos 2, 3 e 4 estão corretos.
D) Somente os conceitos 1, 2 e 4 estão corretos.
18- A Vigilância Epidemiológica deve estar sempre atenta às mudanças de
comportamento de doenças na população. A Portaria No 204, de 17 de fevereiro de
2016, apresenta a seguinte definição: “doença ou morte de animal ou de grupo de
animais que possa apresentar riscos à saúde pública”. De acordo com essa
portaria, essa definição se refere a qual dos termos a seguir?

A) Endemia

B) Agravo

C) Epizootia
D) Evento de saúde pública

E) Pandemia

19-Ainda na Portaria No 204, de 17 de fevereiro de 2016 é colocado que “Violência


sexual e tentativa de suicídio” deverão ser notificados em até 24 horas à(s)
seguinte(s) esfera(s) de governo?

A) Federal

B) Estadual

C) Municipal e estadual

D) Federal e estadual

E) Municipal

20- Perante a lista nacional são doenças ou agravos de notificação compulsória,


exceto:

a) Dengue e raiva humana.

b) Ascaridíase e Gonorréia.

c) Doença de Chagas aguda e febre Chikungunya.

d) Esquistossomose e Acidente de trabalho com exposição a material biológico.

e) Violência doméstica e Síndrome da Paralisia Flácida Aguda.