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Imperialismo e Colonialismo do século XIX, O Concerto europeu e o Sistema de Bismarck

Durante o século XIX, o expansionismo europeu sofreu um grande impulso, e a Ásia, a África e a
Oceania foram divididos em zonas ocupadas pelos europeus ou sob influência europeia. A respeito
desse tema, julgue (C ou E) o seguinte item.
Na Conferência de Bandung, já no século XX, os Estados afro-asiáticos se apresentaram como um
bloco organizado perante o resto do mundo, e seus participantes tinham economias essencialmente
agrícolas, exceto o Japão.

Ao final do século XIX, quase a totalidade do território africano estava sujeita ao controle de países
europeus como a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e Portugal.

A Guerra da Crimeia — um dos maiores conflitos militares em que se envolveram Estados europeus
e asiáticos entre as Guerras Napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial —, ao opor, de um lado, Grã-
Bretanha e França, e, do outro, a Rússia, provocou séria elevação no nível de tensão do sistema
internacional.

O equilíbrio entre os grandes Estados europeus, estabelecido no Congresso de Viena , rompeu-se com
a agressiva política externa realizada na Alemanha por Otto von Bismarck, a qual, após a fundação
do II Reich, causou perdas territoriais expressivas à Grã-Bretanha, à Rússia, à França e à
Áustria. Embora o sistema de “hegemonia coletiva” tenha sido comprometido com a unificação alemã, o
equilíbrio não foi rompido. Igualmente errada é a afirmação de que a Alemanha causou perdas territoriais
à Grã-Bretanha e à Rússia. No processo de unificação alemã, Bismarck consquistou terras que estavam
sob domínio austríaco, dinamarquês e francês.

Na Conferência de Berlim (1884-1885), Portugal viu-se forçado a abrir mão das suas principais
possessões coloniais na África, a saber, dos territórios que hoje correspondem, mais ou menos, a
Angola e Moçambique.
A Conferência de Berlim foi realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 e teve
como objetivo organizar, por meio de regras, a ocupação da África pelas potências coloniais, resultando
numa divisão territorial que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares
dos povos desse continente. Seu organizador e acompanhante foi Chanceler Otto von
Bismarck da Alemanha e
participarama GrãBretanha, França, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados
Unidos, Suécia, Áustria-Hungria e Império Otomano.

PORTUGAL NA CONFERÊNCIA DE BERLIM


Durante esta conferência, Portugal apresentou um projeto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia em
ligar Angola a Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colônias, facilitando o comércio e
o transporte de mercadorias. Sucedeu que, apesar de todos concordarem com o projeto, mais tarde a
Inglaterra, à margem do Tratado de Windsor, surpreendeu com a negação face ao projeto e fez
um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse
com o projeto. Portugal, com receio de colocar em causa o tratado de amizade e cooperação militar mais
antigo do mundo, cedeu às pretensões inglesas e todo o projeto foi anulado.

As múltiplas disputas entre Grã-Bretanha e Alemanha por colônias na África e na Ásia, na virada
do século XIX para o século XX, e a inexistência de processos de regulação dessas disputas,
constituem a principal causa da deflagração da Primeira Guerra Mundial.
A Conferência de Berlim (1884-85), convocada pela ALE, foi um esforço para organizar a ocupação do
continente africano pelas potências.

A derrota britânica na Guerra de Independência travada pelas treze colônias ingles as da América do
Norte, a independência do Haiti em relação à França, bem como os processos de emancipação
frente às metrópoles ibéricas, conduzidos nas Américas do Sul e Central nas primeiras décadas do
século XIX, marcaram o fim do colonialismo típico do Antigo Regime e o início de uma nova fase
da história colonial europeia.

Na Índia, o impacto da dominação britânica pode ser sintetizado em dois aspectos essenciais: a
desarticulação da economia artesanal, especialmente a rural, e a exploração imperialista sistemática,
ou seja, a adoção de determinadas práticas de dominação e de controle pelos ingleses.

Aproveitando-se da vulnerabilidade militar da França, por conta das campanhas militares de


Napoleão na Europa, o presidente Thomas Jefferson incorporou Louisiana ao território norte -
americano, em 1803, mediante bloqueio naval e ocupação militar.

A expansão imperialista no século XIX, que se estendeu ao século seguinte, foi conduzida pelas
potências industrializadas do Ocidente. Na África, elas transformaram antigos Estados nacionais em
meras colônias e, na Ásia, subjugaram o Japão e a Indochina, mas não conseguiram conter a
vigorosa resistência chinesa.

ERRADA. Não foi somente conduzida por ocidentais, pois o Japão também participou. O imperialismo
na África foi direto, de conquista territorial. Na Ásia houve conquista e imposição de livre-comércio e
concessões, um imperialismo indireto. A China não conseguiu conter o processo de expansão
imperialista.

O processo de colonização vigente nas décadas finais do século XIX integra um contexto de
expansão do sistema produtivo, do qual resultam a busca de mercados consumidores, de matéria-
prima industrial e de bases estratégicas, bem como o surgimento de áreas propícias ao investimento
de capitais e ao recebimento dos contingentes populacionais excedentes das metrópoles.

No Extremo Oriente, a expansão do mercado capitalista foi facilitada pelo fato de que China e Japão
eram sociedades historicamente abertas ao intercâmbio com estrangeiros, o que pode ser
comprovado pela presença, em ambos os países, de número considerável de comerciantes e
missionários ocidentais.

Ainda que possa ser interpretada como uma continuidade da expansão ocorrida na Idade Moderna, a
expansão capitalista ao longo do século XIX assumiu novas características em termos de motivações
inspiradoras, métodos utilizados e objetivos perseguidos.

A unificação italiana, de pilar liberal, sob a liderança de Cavour, espraiou -se pela monarquia
piemontesa, não tendo essa orientação ideológica, contudo, predominado em toda a península itálica.

A trajetória do liberalismo, no transcurso do século XIX, caracterizou-se por ambiguidade conceitual


e prática, ora defendendo projetos reformistas, ora assumindo posições revolucionárias.

Entre 1870 e 1891, as relações internacionais da Europa foram marcadas pela ampliação da rigidez
sistêmica e pela formação de bipolaridade de blocos, o que criou antagonismos entre antigas e
novas potências.
Comentário: Não havia rigidez nem formação de bipolaridade de blocos, essa divisão só começa a
aparecer com Guilherme II e seu imperialismo agressivo (diferente da satisfação de limitação dos
objetivos de Bismarck).
Questão errada. O movimento italiano não teve um sentido social. Seus líderes, animados por ideais
liberais e republicanos, desejavam a unificação do país.

A disputa entre Portugal e Bélgica pelas riquezas minerais de Angola exemplifica a influência
determinante exercida pela corrida colonial sobre a política continental, com a qual se envolveram as
potências europeias no período de 1871 a 1890.
Não há disputa entre Portugal e Bélgica pelo território de Angola. A bélgica esteve envolvida em
disputas, prinvipalmente com Leopoldo II, acerca do Congo e a livre navegação na Bacia do Rio de
mesmo nome. Entretanto as disputas nãoi estavam ligadas apenas a Portugal e sim aos interesses de
outros países também (Inglaterra, França e até a Alemanha). A importância de Portugal pode ser
identificada no seu papel de propositor da Conferência de Berlim que Bismarck convocou.
Cronológicamente podemos apontar uma imprecisão, pois o período afirmado no ítem corresponde a Real
politik e nesse período a política européia esteve razoavelmente descolada das disputas coloniais. Foi a
partir de 1890 ( Welt Politik) que as tensões no continente acentuaram-se em consequencia das disputas
coloniais.

A Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, consagrou o


princípio da ocupação declarada de áreas em litígio, garantindo a soberania ao país que ocupava o
território. - Conferência de Berlim (1884-1885) consagra o princípio da ocupação efetiva dos territórios
coloniais e liberdade de comércio na bacia convencional do Congo.

O novo colonialismo europeu, identificado a partir do último terço do século XIX, retomou a corrida
por possessões coloniais, motivado pelos mesmos interesses e inspirado pelas mesmas dinâmicas
políticas, religiosas, civilizacionais e econômicas que marcaram o século XVI.
O imperialismo DIFERE do colonialismo por diferentes motivos:
- Motivação: acesso a mercados, MP e oportunidades para o capital excedente pela II Revolução
Industrial
Enquanto o colonialismo foi uma resposta à Revolução comercial e ao mercantilismo, como forma de
enriquecer o Estado
- Direção: África e Ásia
Enquanto o colonialismo almejou o Hemisfério Ocidental e as ilhas tropicais
- Forma de dominação: incentiva fortemente a emigração (para aliviar a pressão sobre o crescimento e
urbanização das metrópoles)
Enquanto o colonialismo desencorajava a emigração em larga escala para as colônias

Ainda, na época do imperialismo, já era muito difundida a ideia de CRÍTICA ao antigo colonialismo,
motivo pelo qual o imperialismo vai bater bem mais na tecla de uma missão civilizacional/fardo do
homem branco.
A corrida colonialista do final do século XIX, para a qual serve de exemplo de ordem econômica o
capitalismo industrial, necessitado, naquele momento, de ampliar o fornecimento de matérias-primas
e de aumentar o mercado consumidor, resultou da conjunção de vários processos, entre os quais se
incluem fatores de natureza estratégica e ideológica.

Os INDIRECT RULES, forma de ocupação territorial anglo-francesa na Ásia e na África,


constituíram o modelo hegemônico de expansão imperialista europeia nas denominadas áreas
periféricas.
Este modelo foi somente INGLÊS.
Na qual a gerência da colônia era indireta por líderes tradicionais (do local colonizado) que
eram garantidas ele, em geral, benefícios comerciais (monopólios comerciais, concessões) e os impostos
pagos, em troca, o poder colonial assegurou poder militar. Poderia fazer uma comparação forçada com
a negligência salutar.

Segundo Rosa Luxemburgo e Lênin, o imperialismo representava forma colonial de capitalismo,


fusão do capitalismo industrial com a formação de oligopólios.

Durante o século XIX, o imperialismo europeu na África foi caracterizado pela ocupação gradual de
grandes extensões territoriais, diferentemente do que ocorreu, nesse período, na América Latina.
Durante o século XIX, na América Latina, o imperialismo europeu se deu sob a forma de controle
econômico sobre países independentes menos desenvolvidos. Já na África, durante o século XIX, o
imperialismo europeu utilizou, principalmente, uma outra forma de domínio: o colonialismo. Esse último
domínio era exercido sobre territórios dependentes (colônias), a níveis militar, político, econômico,
cultural e racial, diferenciando, assim, do ocorrido, nesse período, na América Latina.

Ao contrário do que aparentava, o imperialismo formal, que caracterizou o final do século XIX, foi
uma continuação histórica de processo anterior, que, já em curso na história do Atlântico Sul desde
os tempos do mercantilismo, permitia a acumulação capitalista por meio do mercado de escravos e
especiarias.
O foco da questão é a diferença entre imperialismo formal e o imperialismo informal ou neo-
imperialismo.
O primeiro é aquele praticado na época das grandes navegações, mercantilismo, onde as nações
européias detinhamvo domínio territorial, militar e econômico de suas colonias. Já no imperialismo
informal o domínio de uma nação sobre a outra é apenas cultural e econômico.
Um exemplo de imperialismo formal é a colonização do Brasil pelos Portugueses, nos séculos XV,
XVI, XVII e parte do Séc. XVIII e de domínio informal é o que os EUA exercem sobre vários países
do mundo inteiro ainda nos dias atuais.
A questão descreve, na realidade, o que viria ser o IMPERIALISMO INFORMAL. Este sim é uma
continuação história do processo anterior, ou seja, o Imperialismo formal.
A Revolução Industrial é considerada a base material da contemporaneidade, especialmente por
sepultar antigos padrões de produção e consolidar o capitalismo como sistema econômico.

A expansão imperialista, ocorrida a partir de meados do século XIX, inscreve-se no processo de


globalização da moderna economia de mercado.
A Conferência de Berlim foi realizada entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 e teve
como objetivo organizar, por meio de regras, a ocupação da África pelas potências coloniais, resultando
numa divisão territorial que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares
dos povos desse continente. Seu organizador e acompanhante foi Chanceler Otto von
Bismarck da Alemanha e participaram
a GrãBretanha, França, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados
Unidos, Suécia, Áustria-Hungria e Império Otomano.
O Império Alemão, país vencedor, não possuía colônias na África, mas tinha esse desejo e viu-o
satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (atual Namíbia), Tanganica,
Camarões e Togolândia; os Estados Unidos na altura não tinham mais a colônia da Libéria, independente
desde 1847, mas como potência em ascensão foram convidados; o Império Otomano possuía províncias
na África, notadamente o Egito (incluindo o futuro Sudão Anglo-Egípcio) e Trípoli, mas seus domínios
foram vastamente desconsiderados no curso das negociações e foram arrebatados de seu controle até
1914.
Durante esta conferência, Portugal apresentou um projeto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia em
ligar Angola a Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colônias, facilitando o comércio e
o transporte de mercadorias. Sucedeu que, apesar de todos concordarem com o projeto, mais tarde a
Inglaterra, à margem do Tratado de Windsor, surpreendeu com a negação face ao projeto e fez
um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse
com o projeto. Portugal, com medo de uma crise, não criou guerra com Inglaterra e todo o projeto foi-se
abaixo.
Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com
exceção das colônias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano, toda a África
Oriental, com exceção da Tanganica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e
Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da
Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Associação
Internacional do Congo, cujo principal acionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a
administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi

A partilha da África, decidida na Conferência de Berlim (1885), símbolo marcante dos princípios,
métodos e objetivos da expansão capitalista, reiterou o caráter quase exclusivamente anglo-francês
da competição por novas colônias na passagem do século XIX ao XX, já que praticamente
inexistiam, à época, potências que com Inglaterra ou França pudessem rivalizar.

Ao contrário da Ásia e, particularmente, da África, ambas repartidas entre as principais potências


ocidentais, a América Latina praticamente não sofreu a ação do imperialismo, o que se explica pelo
fato de, em larga medida, as antigas colônias ibéricas terem conquistado sua independência na
primeira metade do século XIX.
Considerando o colonialismo como uma faceta do imperialismo, podemos dizer que a África e Ásia
sofreram um colonialismo formal, onde havia exploração econômica e dominação política, enquanto na
América Latina havia um colonialismo informal (CULTURAL E ECONOMICO), isto é, exploração
econômica com independência política.