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DIREITO PENAL

HOMICÍDIO ART.121
Homicídio simples

Art 121. Matar alguém: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.

 vocábulo homicídio vem do latim homicidium. Compõe-se de dois elementos:


homo e caedere Homo, que significa homem, provém de húmus, terra, país, ou do
sânscrito bhuman. O sufixo cídio derivou de coedes, de cadere, matar
 Visa proteger o bem maior do ser humano: a vida
 Tem fundamento jurídico na Constituição (art. 5 caput) e se propaga para as
demais áreas do direito
 Como os outros direitos não é absoluto, encontra limitação quando há
confronto com outros interesses do Estado, na própria CF há possibilidade de
pena de morte (art. 5.º, XLVII, a) e tantas outras possibilidades no código
militar, como no crime militar de traição
 No ordenamento brasileiro homicídio é sinônimo de assassinato
 Há sistemas legislativos que fazem diferenciação, atribuem pena mais
rigorosa ao assassinato (ação contra uma vítima completamente estranha)
 Ainda há a autorização legal para a prática de aborto, quando a mulher
engravidou de um estupro ou está correndo risco de vida com a gestação
 A vida é direito fundamental, somente não podendo ser atacada
arbitrariamente, não chegando a abranger nem mesmo a possibilidade de
aplicação da pena de morte “o direito de qualquer pessoa à vida é protegido pela
lei. Ninguém poderá ser intencionalmente privado da vida, salvo em execução de
uma sentença capital pronunciada por um tribunal, no caso de o crime ser
punido com esta pena pela lei”
 Prevê a Lei 8.072/90, no art. 1.º, I, ser hediondo o homicídio simples “quando
praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por
um só agente”, entretanto, essa figura típica tem pouca reflexão, a atividade de
grupos de extermínio sempre foi considerada pela jurisprudência majoritária
como majoritária de um crime cometido por motivo torpe
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ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR

 Matar: eliminar a vida; alguém: pessoa humana


 Forma simples é a do caput
 Momento da morte: a cessação das funções vitais do ser humano (coração,
pulmão e cérebro), de modo que ele não possa mais sobreviver, por suas próprias
energias, terminados os recursos médicos validados pela medicina
contemporânea, experimentados por um tempo suficiente, o qual somente os
médicos poderão estipular para cada caso isoladamente
 A Lei 9.434/97 estabeleceu constituir a morte, para efeito de transplante de
órgãos, a interrupção da atividade encefálica.
 o conceito de morte, trazido pela Lei 9.434/97, não alterou substancialmente o
que, tradicionalmente, a medicina legal sempre apregoou, embora tenha
enaltecido ser o momento mais importante a cessação da atividade encefálica,
predominando sobre as funções circulatória e respiratória
 O ser humano é o único animal da natureza, ainda sendo racional, que tira a vida
de outro semelhante sem o fundamento da sobrevivência
 Há debate sobre penas de outros crimes ditos “não tão ofensivos” pois não tutelam
o bem da vida, considerado mais importante, terem a pena base maior que a do
homicídio, Nucci defende que isso precisa mudar, que a pena de homicídio precisa
ser elevada

ESTADOS ENTRE A VIDA E A MORTE

 Vida atenuada: uma ocorrência, seja qual for, leva a percepção de que as
funções básicas – neurológica, cardíaca e respiratória – não se mantem, porem
a pessoa está viva, a aparência do corpo por um leigo diria que está morte, o que
seria afastado por um profissional da saúde
 Vida suspensa: nesta situação, uma função vital, geralmente a cardíaca ou a
respiratória, cessou por completo, logo, deve-se recuperá-la o mais breve
possível para evitar danos irreversíveis;
 Morte certa: essa situação pode dar-se em um ambiente higienizado (há
diagnóstico de morte certa em ambiente hospitalar aparecerá fundamentalmente
nos casos de morte cerebral ou em parada cardiorrespiratória) ou fora dele (seja
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pela existência de lesões incompatíveis com a vida – decapitação, achatamento


craniano etc. – pode--se certificar a morte da pessoa, sem nenhuma dúvida).
 Morte absoluta: o cadáver não tem nenhuma atividade vital, diagnosticável
pois seu corpo todo leva a isso, a constatação da morte é clara

MORTE PARA FINS DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

 A necessidade de transplante de órgãos fez a medicina fixar a morte encefálica


como determinante para atestar o óbito. Sem aguardar a cessação de todos os
sinais vitais e a parada completa dos sistemas circulatório, respiratório e cerebral,
é fundamental avaliar com segurança a morte encefálica.
 O coma do doador deve ser irreversível
 O sistema nervoso central deve estar comprovadamente danificado de maneira
irrecuperável

GENOCÍDIO

 Crime contra humanidade


 Hediondo
 descrito no art. 1.º da Lei 2.889/56
 tem várias condutas alternativas
 o agente pretende eliminar um grupo, mesmo parcialmente, um grupo nacional,
étnico, racial ou religioso.

SUJEITOS

 o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa


 o sujeito passivo pode ser qualquer pessoa
 vida extrauterina: a vida é protegida desde a sua concepção, quem mata a
“pessoa” em vida intrauterina pratica aborto, porém há polemica de quando
começa a vida extrauterina para a diferenciação do crime de homicídio e
infanticídio, por exemplo, em tese considera-se vida extrauterina a partir do
instante em que se instala o processo respiratório autônomo do organismo do ser
que está nascendo, não mais dependente da mãe para viver, mas há outros casos
como a criança morrer ainda ligada a mãe. Diferenciando o homicídio e o
aborto, IRURETA GOYENA aponta constituir o homicídio a destruição de uma
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vida humana; o aborto é a destruição da esperança de uma vida humana,


fundada na existência de um processo de vida

ELEMENTO SUBJETIVO

 É o dolo, não se exigindo elemento subjetivo específico


 A forma culposa está prevista no § 3.º.
 Para configurar homicídio simples basta o dolo

OBJETOS

 Material: é a pessoa que sofre a conduta criminosa, o cadáver


 Jurídico: é o interesse protegido pela norma, ou seja, a vida humana.

CLASSIFICAÇÃO

 Crime comum: aquele que não demanda sujeito ativo qualificado ou especial;
 Material: delito que exige resultado naturalístico, consistente na morte da
vítima;
 De forma livre: podendo ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente;
 Comissivo: “matar” implica ação;
 Instantâneo de efeito permanente: cujo resultado “morte” se dá de maneira
instantânea, não se prolongando no tempo;
 De dano: consuma-se apenas com efetiva lesão a um bem jurídico tutelado;
 Unissubjetivo: que pode ser praticado por um só agente;
 Progressivo: trata-se de um tipo penal que contém, implicitamente, outro, no
caso a lesão corporal;
 Plurissubsistente: geralmente, vários atos integram a conduta de matar
 Admite tentativa.

MEIOS DE MATAR

 diretos: os possuidores de força e eficácia para, por si sós, causarem a morte


(ex.: desferir um golpe de machado na cabeça da vítima)
 indiretos: os dependentes de outra causa para que o resultado seja atingido
(ex.: fomentar a ira em um louco para que agrida e mate a vítima desejada).
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 Materiais: atingem a integridade física do ofendido, de forma mecânica,


química ou patológica
 Morais/psíquicos: os que atuam por meio da produção de um trauma psíquico
na vítima, agravando doença já existente, que a leva à morte, ou provocando-
lhe reação orgânica, que a conduza à enfermidade e, desta, à morte
 Pode-se matar por ação ou por omissão

HOMICÍDIO PRIVILEGIADO ART.121 §1

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral,
ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o
juiz pode reduzir a pena de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço).

 É usado esse nome pela doutrina, mas na verdade não se trata exatamente
disso o verdadeiro crime privilegiado é aquele cujos limites mínimo e máximo
de pena, abstratamente previstos, se alteram, para montantes menores, o que
não ocorre neste caso.
 Não é possível ser hediondo
 A fração da redução tem cunho subjetivo, nos casos relevante valor moral ou
social maior diminuição (um terço) para a mais aguda relevância; menor
diminuição (um sexto), para relevância ordinária, já no tocante a violenta emoção,
mensura-se a intensidade desse sentimento exacerbado, conforme o grau de
provocação injusta da vítima.
 Utiliza-se a pena do homicídio simples, com uma redução de 1/6 a 1/3, o que
ocorre aqui é um causa de diminuição de pena
 O verdadeiro homicídio privilegiado é o infanticídio, que tem as penas mínima
e máxima alteradas, embora, para ele, tenha preferido o legislador construir um
tipo autônomo, assim, formalmente, o infanticídio é crime autônomo;
materialmente, não passa de um homicídio privilegiado
 Há incomunicabilidade das motivações no § 1.º do art. 121, pois elas têm
caráter pessoal. Essa é a regra, como frisamos no início, mas pode haver
exceção. EX: Imagine-se que dois pais matem o traficante do bairro, que produziu
o vício em seus filhos. Ambos agem por relevante valor social ou moral (depende
do prisma).
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 HOMICÍDIO PELO DOMÓNIO DE VIOLENTA EMOÇÃO = HOMICÍDIO


PRIVILEGIADO
 HOMICÍDIO PELA INFLUÊNCIA DE VIOLENTA EMOÇÃO = HOMICÍDIO
SIMPLES

RELEVANTE VALOR SOCI AL OU MORAL

 O relevante valor é uma apreciação subjetiva em relação a alguma coisa; na


hipótese do Código Penal, essa apreciação torna-se de grande importância para a
sociedade brasileira. Exemplos de relevante valor: patriotismo, lealdade,
fidelidade, intimidade pessoal e de domicílio, entre outros
 Social; leva-se em consideração interesse da sociedade. Ex: matar o traidor da
pátria
 Moral: leva em conta um sentimento de ordem pessoal. Ex.: agressão (ou morte)
desfechada pelo pai contra o estuprador da filha.
 Nucci acredita que o ciúme, exclusiva e automaticamente, não pode ser
classificado como relevante valor moral ou social, tampouco como motivo
fútil ou torpe. É preciso analisar o contexto
 No caso da Eutanásia e do homicídio privilegiado há três condutas para se
analisar
 Eutanásia: homicídio piedoso (chamado, também, homicídio médico,
compassivo, caritativo ou consensual), para “abreviar, sem dor ou sofrimento,
a vida de um doente, reconhecidamente incurável”, é proibida no
ordenamento brasileiro, pode ser :
o ativa (praticam-se atos para matar o enfermo, que se encontra em
sofrimento)
o passiva (deixa-se de ministrar remédios – e/ou alimentação forçada –
ou outras intervenções, quando ainda viável fazê-lo)
o direta (quando o agente se dirige à execução de atos voltados a matar
a vítima de grave enfermidade)
o indireta (quando se ministra cada vez mais remédios para aliviar a
dor, terminando por intoxicar o paciente ou reduzir ainda mais a sua
capacidade de resistência orgânica)
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 ortotanásia: homicídio piedoso omissivo; morte no tempo certo (eutanásia


omissiva em sentido lato, eutanásia moral ou terapêutica), é aceita no
ordenamento com consentimento do paciente, a Resolução 1.805/2006 do
Conselho Federal de Medicina, ratificando o entendimento em prol da
ortotanásia
 distanásia: morte lenta e sofrida de uma pessoa, prolongada pelos recursos
que a medicina oferece
 Mistanásia: É o homicídio miserável, ocorrido antes da hora, por descaso social.
CLEBER MASSON levanta o problema, mostrando que tal situação pode
ocorrer por erro médico, falta de socorro em hospital público e situações similares.
Não é adotada no ordenamento brasileiro

DIFERENÇA ENTRE CAUS A DE DIMINUIÇÃO DE P ENA E A ATENUANTE

 No art. 121, § 1.º, do Código Penal, prevê-se que o agente atua impelido por
motivo de relevante valor social ou moral, ou seja, movido, impulsionado,
constrangido pela motivação, enquanto no contexto da atenuante (art. 65, III, a)
basta que o autor cometa o delito por motivo de relevante valor social ou
moral, representando, pois, uma influência da motivação, mas não algo que
o domina
 não sendo possível, quando houver um homicídio, aplicar a causa de
diminuição da pena, porque o agente não estava efetivamente impelido pela
motivação, ainda é viável considerar a atenuante em caráter residual

DOMINIO DE VIOLENTA EMOÇÃO

 A emoção, na lição de HUNGRIA, “é um estado de ânimo ou de consciência


caracterizado por uma viva excitação do sentimento”, podendo levar alguém
a cometer um crime.
 Há homicídio privilegiado quando o agente dominado por violenta excitação
de seus sentimentos e foi injustamente provocado pela vítima momentos antes
tirar-lhe a vida
 Não pode ser banalizado o conceito de violenta emoção
 As duas grandes diferenças entre o privilégio e a atenuante (art. 65, III, c,
CP)
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 para o privilégio exige a lei que o agente esteja dominado pela violenta
emoção e não meramente influenciado, como mencionado no caso da
atenuante;
 determina a causa de diminuição de pena que a reação à injusta provocação
da vítima se dê logo em seguida, enquanto a atenuante nada menciona
nesse sentido
 Há três critérios que justificam a atenuação nesse caso
 objetivo: trata-se de uma espécie de compensação entre a violência gerada
pelo provocador e a resposta dada pelo provocado, reduzindo a ilicitude do
ato praticado. Seria uma espécie de legítima defesa imperfeita
 subjetivo: põe em relevo a psicologia do agente, uma vez que a provocação
diminui a sua culpabilidade, mas não altera a gravidade do fato ilícito. A
diminuição da culpabilidade reside na circunstância de ter havido provocação,
o que ocasiona a cólera do autor;
 misto: é a combinação das duas anteriores
 No aspecto da injusta provocação da vítima, essa nem sempre é feita por
violência física
 Nesse caso, é fundamental considerar o cenário onde estão inseridos ofensor e
destinatário da ofensa. Este, somente pode alegar domínio de violenta emoção
quando a agressão verbal fugir completamente ao seu cotidiano e à sua expectativa
 O agente que planeja cuidadosamente a prática do delito, não pode alegar, em
hipótese alguma, estar violentamente emocionado, até porque a lei exige que o
distúrbio emocional seja fruto da injusta provocação da vítima.
 há uma relação de imediatidade entre o ato da pessoa ofendida e a reação
desencadeada no autor da agressão.
 A circunstância do domínio da violenta emoção, logo após a injusta provocação
da vítima é de natureza subjetiva. Portanto, não existe incompatibilidade com
dolo eventual. Isso ocorre porque o dolo do agente não pode ser confundido com
o motivo que ensejou a conduta. Por exemplo, o agente pode ter assumido o risco
de atingir o resultado, agindo pelo domínio da violenta emoção, não se afigurando
incompatibilidade alguma.

CONCOMITÂNCIA DE CAUSAS DE DIMINUI ÇÃO


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 É possível que, em situações excepcionais, ocorra mais de uma causa de


diminuição de pena prevista no § 1.º do art. 121.
 Ex: Imagine-se o traidor da pátria que agride fisicamente alguém que, com justiça,
recriminou seus atos. O ofendido, tomado de violenta emoção, termina por matá-
lo.
 Pode o juiz levar em conta as duas circunstâncias (relevante valor social:
eliminação do traidor da pátria + domínio de violenta emoção logo em seguida a
injusta provocação da vítima) em momentos diferentes.
 Uma delas como atenuante e outra como causa de diminuição de pena, sem que
se possa falar em bis in idem
 assim também se faz quando um crime comporta mais de uma qualificadora.
O juiz leva em conta uma delas para alterar o patamar de fixação da pena e a outra
(ou as outras) será levada em conta para outras fases, como a prevista no art. 59
ou a relativa às agravantes.

OBRIGAÇÃO OU FACULDADE DO JUIZ

 Sendo o homicídio um delito julgado pelo Tribunal do Júri (art. 5.º, XXXVIII,
d, CF), é natural supor que o reconhecimento do privilégio, que integra o tipo
do homicídio, tenha sido acolhido pelos jurados, dentro da sua soberania (art.
5.º, XXXVIII, c, CF), de modo que é obrigação do juiz aplicar a redução
 Não vemos como o magistrado poderia reconhecer o privilégio se os jurados o
negaram ou deixaram de se pronunciar com relação a ele – afinal, não se trata de
mera atenuante (circunstância legal não integrante do tipo penal), mas de um tipo
derivado.
 Se a acusação sustentou homicídio simples e a defesa nada pediu a esse
respeito, é defeso ao juiz presidente aplicar a diminuição por sua conta, o que
não deixa de ferir a soberania do veredicto (que reconheceu um homicídio
simples, e não privilegiado).
 Defendendo, igualmente, a soberania dos veredictos dos jurados, a prevalecer
sobre a opinião individual do magistrado, está a lição de EUCLIDES
CUSTÓDIO DA SILVEIRA: “Ora, se os jurados afirmam o quesito relativo à
causa de diminuição da pena, que é obrigatório quando requerido pela defesa
(Código de Processo Penal, art. 484, IV [atual art. 483, § 3.º, I, com redação
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determinada pela Lei 11.689/2008]), iniludivelmente sacrificado estaria o


princípio constitucional se o juiz Presidente do Tribunal do Júri pudesse
desatendê-lo ou recusar-lhe acolhimento, que a tanto equivaleria não diminuir a
pena prevista na cabeça do artigo, de um sexto a um terço”.

HOMICÍDIO QUALIFICADO ART.121 §2

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

 É o homicídio praticado envolto por circunstâncias legais que integram o tipo


penal incriminador, de modo derivado, alterando para mais a faixa de fixação
da pena
 motivos determinantes (I e II), meios (III), formas de execução (IV), conexão
com outro crime (V), feminicídio (VI)
 Heleno Fragoso diz que meio é o instrumento de que se serve o agente para a
prática da ação delituosa; modo de execução é a forma da conduta. Os meios que
qualificam o homicídio são os que envolvem dissimulação, crueldade ou perigo
de maior dano.
 é possível o homicídio qualificado privilegiado, desde que a qualificadora seja
de cunho objetivas (III, IV e VI)

§ 2º Se o homicídio é cometido

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

 Paga: é o valor ou qualquer outra vantagem, tenha ou não razão patrimonial


recebida antecipadamente pelo agente para que ele leve a efeito o crime
 Promessa de recompensa: foi prometido ao agente um pagamento no futuro
 STJ entende que essa qualificadora atinge também o mandante ou qualquer
outro coautor, assim ela tem caráter objetivo
 Motivo torpe/abjeto: é o motivo repugnante, que causa repulsa a excessiva à
sociedade
 A vingança pode ou não constituir motivo torpe, na dependência do que a
originou

II - por motivo futil;


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 Motivo fútil: É o motivo insignificante, que faz com que o comportamento do


agente seja desproporcional, é preciso conhecer a motivação do agente
 Não há crime cometido sem motivo
 Para a posição majoritária: a ausência de motivo não se iguala ao motivo fútil.
Segundo o STJ, todo homicídio possui um motivo, não há crime sem motivo. O
que poderá ocorrer é o homicídio com motivo desconhecido. O ônus da prova –
indicar ou comprovar o motivo – é da acusação. Se a acusação não demonstrou o
motivo, não será motivo fútil (HC n.º 152.548).
 O ciúme, geralmente, não é motivo fútil, mas um sentimento humano, ainda que
altamente perigoso, pois impede a ação lúcida e por ele o paciente pode ter sido
levado a uma violenta emoção ao ver a vítima com a ex companheira, por quem
nutria grande afeto
 A ebriedade não impede o processo e a condenação de alguém por ter
cometido homicídio (art. 28, II, CP).
 visão de PAULO HEBER DE MORAIS: “se a embriaguez, em princípio, não é
incompatível com o motivo fútil, dependendo do seu grau, poderá atuar
decisivamente sobre o psiquismo do agente, de maneira a excluir o
reconhecimento dessa qualificadora”.

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;

 três famílias:
 o meio insidioso (pérfido, enganoso, que constitui uma cilada para a
vítima),
 o meio cruel (que exagera, propositadamente, o sofrimento impingido à
vítima)
 o meio que traz perigo comum (aquele que provoca danos à vítima, mas
também faz outras pessoas correrem risco).
 Veneno: para ser ministrado, em regra, é meio insidioso, pois o agente precisa
ludibriar o ofendido, a fim de garantir a ingestão da substância, mas nem sempre;
deve ser veneno para todos, não apenas para a vítima, no caso de alergia
 quando empregado de forma sub-reptícia, isto é, sem o conhecimento do
ofendido, o veneno representará meio insidioso. De outro lado, se for
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utilizado com violência, proporcionando a ofendido um sofrimento


exagerado, estará caracterizado o meio cruel. Ex: amarrar a vítima e injetar
o veneno em seu sangue.
 Fogo: meio cruel ou que gera perigo comum. A queimadura, em regra, é um
sofrimento atroz, concretizando, pois, o desiderato cruento do agente. Por outro
lado, pode atingir terceiros, conforme sua volatilidade
 Explosivo: provocar a morte da vítima por meio da explosão de determinada
substância, em regra, gera perigo comum, mas também pode constituir-se em
meio cruel, caso a detonação, previamente calculada pelo autor, provoque no
ofendido a perda de membros e, consequentemente, uma morte agônica e lenta
 Asfixia: pode constituir-se em meio insidioso ou cruel – ou ambos –, pois ela
demanda superioridade de forças do agente ou o efeito surpresa, além de ser,
muitas vezes, agônica, demandando mais de três minutos para causar a morte
 o estrangulamento: compressão do pescoço por um laço conduzido por
força que pode ser a do agente agressor ou de outra fonte, exceto o peso do
corpo do ofendido
 o enforcamento: compressão do pescoço por um laço, causada pelo peso
do próprio corpo da vítima
 a esganadura: é o aperto do pescoço provocado pelo agente agressor
diretamente, valendo-se das mãos, pernas ou antebraço
 o afogamento: trata-se da inspiração de líquido, estando ou não imerso
 e o uso de gases ou drogas asfixiantes, entre outros
 Tortura: que evidentemente é um processo cruel, prolongando maldosamente o
sofrimento da vítima, a pessoa precisa morrer pela tortura
 Negando o exame pericial o emprego de meio cruel para a execução do
homicídio, tal qualificadora só poderá ser acolhida se houver nos autos provas
suficientes para desconstituir tal exame

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou


torne impossível a defesa do ofendido;

 Trair: enganar, ser infiel, de modo que, no contexto do homicídio, é a ação do


agente que colhe a vítima por trás, desprevenida, sem ter esta qualquer
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visualização do ataque. O ataque súbito, pela frente, pode constituir surpresa,


mas não traição
 Emboscar: ocultar-se para poder atacar, o que, na prática, é a tocaia. O agente
fica à espreita do ofendido para agredi-lo.
 Dissimular: é ocultar a verdadeira intenção, agindo com hipocrisia. Nesse
caso, o agressor, fingindo amizade ou carinho, aproxima-se da vítima com a meta
de matá-la.
 Dificuldade ou impossibilidade de defesa: recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido, função de evidenciar a maior gravidade da
conduta do homicida quando surpreende a vítima, sem lhe conceder possibilidade
real de se defender ou dificultando essa defesa. É indispensável a prova de que
o agente teve por propósito efetivamente surpreender a pessoa visada,
enganando-a, impedindo-a de se defender ou, ao menos, dificultando a
reação.
 Existência anterior de ameaça de morte: só ela não é suficiente para
descaracterizar a qualificadora baseada na surpresa, é preciso de:
 se a vítima, que proferiu a ameaça, agiu com seriedade e gerou expectativa
no agente;
 se passou muito tempo entre a ameaça e a agressão;
 como foi feita a agressão (pelas costas da vítima, mediante dissimulação
etc.).

V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime

 caracteriza-se pela evidência do ânimo especial de agir – o elemento subjetivo


específico ou dolo específico.
 Conexão consequencial: a prática de um crime para assegurar a ocultação, a
impunidade ou a vantagem de outro.
 Conexão teleológica: a utilização de um crime como meio para garantir a
execução de outro
 Conexão ocasional: é a prática de um crime no mesmo cenário em que se
comete outro, trata-se de um concurso material, não envolvendo esta
qualificadora
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Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)


VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher

 considerando homicídio qualificado e hediondo a conduta de matar a mulher,


valendo-se de sua condição de sexo feminino
 não pode ser cometido contra transexual
 natureza objetiva
 matar a mulher por razões advindas da condição de sexo feminino, matar o mais
fraco, algo francamente objetivo.
 violência de gênero
 Violência doméstica e familiar
 a condição de ser mulher é justamente a causa de grande parte da violência
ocorrida no lar e na família, em virtude da covardia com que atua o agente.
 O companheiro a agride por que é mais fraca
 O agente pode ser outra mulher, num relacionamento homossexual; ao
matar a outra mulher, porque ela é a parte fraca da relação, também responde
por feminicídio
 lógica adotada pela Lei Maria da Penha. Pune-se a lesão corporal contra
a mulher, dentro do lar, como lesão qualificada (art. 129, § 9.º, CP),
independentemente do motivo. Aliás, se for torpe, por exemplo, acrescenta-
se a agravante (lesionou a mulher para receber o valor de um seguro qualquer,
ilustrando). Sob outro aspecto, a qualificadora é objetiva, permitindo o
homicídio privilegiado-qualificado.
 Femicídio: matar mulher

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício
da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de
2015)

 considerados sujeitos passivos os integrantes:


 I – das Forças Armadas – Exército, Marinha ou Aeronáutica (art. 142 da CF);
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 II – da Polícia Federal (art. 144, I, da CF);


 III – da Polícia Rodoviária Federal (art. 144, II, da CF);
 IV – da Polícia Ferroviária Federal (art. 144, III, da CF);
 V – das Polícias Civis (art. 144, IV , da CF);
 VI – das Polícias Militares e corpos de Bombeiros Militares (art. 144, V , da
CF);
 VII – das Guardas Municipais (art. 144, § 8º, da CF);
 VIII – do Sistema Prisional;
 IX – da Força Nacional de Segurança Pública (Lei nº 11.473/2007).
 Serão considerados sujeitos passivos o cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até o terceiro grau, em razão dessa condição, ou seja,
considerando seu vínculo familiar com qualquer uma das autoridades ou agentes
previstos pelos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, conforme elenco acima
indicado.
 Filho adotivo também seria qualificadora?
 Parte da doutrina diz ser analogia in male partem, porem a Constituição
(art. 227, § 6.º) garante tratamento igualitário entre o filho biológico e o
adotivo, assim mesmo dizendo “consanguíneo” os filhos adotivos devem ser
tratados igualmente
 Para que incida a qualificada sub examen é preciso que o homicídio tenha sido
praticado enquanto algumas das autoridades ou agentes acima mencionados
estiverem no exercício da função ou em decorrência dela

HOMICIDIO CULPOSO ART.121 §3º

§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)


Pena - detenção, de um a três anos.

 o art. 18, II, do Código Penal define a culpa como constituída de “imprudência,
negligência ou imperícia”
 VICENTE SABINO JÚNIOR que “a nossa lei penal não distingue entre culpa
‘consciente’ e culpa ‘inconsciente’, por entender tratar-se da mesma coisa, no
tocante ao elemento subjetivo do agente”.
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 Para a tipificação da conduta não haja tal diferença, é preciso que o julgador leve
em consideração se a culpa foi consciente ou inconsciente, visto ser a primeira
mais grave e a segunda forma, mais branda
 A previsibilidade objetiva é a do homem médio, a potencialidade de prever o
resultado danoso da maior parte dos indivíduos prudentes;
 a previsibilidade subjetiva é a potencialidade de prever o resultado danoso
do próprio agente, aquele que o causou, com suas próprias peculiaridades;
 a mista (objetivo-subjetiva) leva em conta tanto o homem médio, para ter um
parâmetro, como também o réu em julgamento, que pode estar acima ou
abaixo da média.
 A previsibilidade deve ser apreciada objetivamente, isto é: não do ponto de vista
do agente, mas do ponto de vista do homem comum, em face da lição da
experiência relativa ao que geralmente acontece
 No caso de crime comissivo por omissão:
 (...) Em não estando no local a pessoa, não há como considerá-la responsável,
tendo em conta a atividade profissional que exerce, por fatos nele ocorridos.
Daí o exemplo colhido em obra de Júlio Fabrini Mirabete: Imagine-se a
hipótese de um salva-vidas contratado para chegar às oito horas da manhã no
clube contratante. Em determinado dia, por motivo qualquer, chegou às nove
horas e tomou conhecimento de que na aula das oito e meia uma criança
falecera afogada. Indaga-se: teria esse salva-vidas cometido homicídio? A
resposta é desenganadamente negativa.
 Daí o consagrado mestre ter concluído, em ‘Manual de Direito Penal’ que em
tais casos, o dever de agir deriva principalmente de uma situação de fato e não
apenas do contrato. Não serão autores de crime o guarda de segurança que se
atrasou para o serviço, não impedindo a ação de depredadores e o salva-vidas
que faltou ao trabalho em dia em que uma criança se afogara na piscina.
 Para a configuração da responsabilização por crime impróprio, não basta a
mera omissão do garantidor e a ocorrência do resultado que poderia ter sido
evitado com a devida ação, pois nesta modalidade penal não foram afastados
os institutos do dolo e da culpa. De acordo com a teoria finalista, a conduta é
um comportamento humano, voluntário e consciente (doloso ou culposo),
dirigido a uma finalidade. Se não fosse assim, caso o garantidor
DIREITO PENAL

sofresse coação física irresistível para impedir o resultado, ele ainda seria
responsabilizado. O nosso sistema jurídico não aceita a responsabilidade
penal objetiva, em que há responsabilidade sem dolo ou culpa. Desta
forma, para se apurar a justiça de se responsabilizar o salva-vidas pelo
resultado, como nos demais crimes, também se deve levar em conta a teoria
da imputação objetiva. Ora, não foi criado um risco proibido por ele, ao
simplesmente faltar ao trabalho. Pelo critério da confiança, se ele não estava
presente, seria razoável imaginar que os outros funcionários do
estabelecimento deveriam ter fechado a piscina (aí ele sofreria as
consequências de ordem trabalhista: advertência, multa, etc.).
Responsabilidade ele teria se tivesse dormido na cadeira de salva-vidas,
porque aí estaria faltando no cumprimento da posição de garante.

HOMICIDIO CULPOSOS NO TRÂNSITO

 O Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), no art. 302, estipulou um tipo


incriminador específico.
 A pena é mais elevada do que o homicídio culposo fora do trânsito

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de


inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um
terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos.

 O aumento da pena se deve ao fato de que o agente, mesmo tendo os


conhecimentos das técnicas exigidas ao exercício de sua profissão, arte ou
ofício, não os utiliza por leviandade, sendo maior, portanto, o juízo de
reprovação que deve recair sobre o seu comportamento
 NÉLSON HUNGRIA que as causas de aumento do art. 121, § 4.º, voltaram-se
primordialmente, na visão do legislador, quando formuladas em 1940, para os
delitos de trânsito – na época, não previstos em lei especial –, de modo que o
motorista, causando um acidente fatal por excesso de velocidade, estaria, ao
mesmo tempo, demonstrando a sua imprudência por correr demais, sem conseguir
DIREITO PENAL

controlar o veículo (falta do dever de cuidado objetivo), e incidindo na causa de


aumento, pois existe a regra técnica, quanto à velocidade, determinando o respeito
ao limite estabelecido em normas de trânsito.
 NÉLSON HUNGRIA buscando estabelecer uma diferença entre imperícia e
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, menciona que na
imperícia o agente não tem conhecimentos técnicos, enquanto na causa de
aumento ele os possui, mas deixa de empregá-los, por indiferença ou
leviandade
 Imperito é o médico que não tem conhecimento suficiente para tratar do
doente (caracteriza a imperícia, não se podendo lançar, sobre o mesmo fato, a
causa de aumento). Por outro lado, tratando-se de um bom médico, que esquece
instrumento cirúrgico dentro da cavidade abdominal do paciente, cuida-se
de negligência profissional (caracteriza a negligência e não se pode valer do
mesmo fato para lançar lhe a causa de aumento).
 Omissão de socorro: o agente demonstra sua insensibilidade para com o
sofrimento alheio, cuja autoria se lhe atribui, o agente que fere a vitima
culposamente deve fazer tudo que está ao seu alcance para ajudar a socorrer a
vitima, se a vitima morrer instantaneamente não há o que se falar em omissão de
socorro, seria crime impossível
 Terceiros que socorrem a vitima: Se terceiros, concomitantemente ao
desejo do autor do fato, prestam socorro ao ofendido, torna-se surrealista
a hipótese de haver disputa pela vítima, assim o agente não responde pela
causa de aumento, mas se o agente deixa de fazer a sua obrigação, que é
socorrer a pessoa ferida, obrigando que terceiros o façam sob pena de não
existir socorro, deve ele responder pelo aumento.
 a não prestação de socorro não significa, em hipótese alguma, resultado
mais grave. O dano foi perpetrado, de modo que o perigo não pode qualificá-
lo, o que representaria um autêntico contrassenso. O perigo sempre é
absorvido pelo dano
 agente que foge para evitar sua prisão em flagrante: causa de aumento
inconstitucional, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Se
a fuga não causa nenhum aumento no crime doloso, também não pode representar
gravame no culposo. Ninguém é obrigado a se auto incriminar
DIREITO PENAL

 vitima menor de 14 anos: causa de aumento valida apenas para crime doloso,
o agente precisa saber que a vitima é menor que 14 anos
 vitima maior de 60 anos: proporcionada pela Lei 10.741/2003 (Estatuto do
Idoso), o agente precisa saber que a vitima tem mais de 60 anos

PERDÃO JUDICIAL

§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as


consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção
penal se torne desnecessária

 só é cabível em crimes culposos


 Baseia-se no fato de que a pena tem o caráter aflitivo, preventivo e reeducativo,
não sendo cabível a sua aplicação para quem já foi punido pela própria
natureza, recebendo, com isso, uma reeducação pela vivência própria do mal que
causou
 pode ser entendido sob os dois aspectos, ou seja, como um direito subjetivo do
acusado ou como uma faculdade do julgador (não cabe ao magistrado negar o
beneficio, só podendo faze-lo se não se convencer e deve fundamentar, livre
convencimento motivado)
 caso de crime cometido por ascendente, descendente, cônjuge, companheiro
ou irmão, o perdão judicial deverá ser encarado como um direito subjetivo do
agente, uma vez que, nesses casos, presume-se que a infração penal atinja o
agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária.
 As sequelas podem ser físicas ou emocionais

MILICIA PRIVADA OU GRUPO DE EXTERMINIO

§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por
milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de
extermínio.

 Milícia privada: grupo paramilitar organizado por particulares com


finalidades de segurança pública
 Grupo de extermínio: agrupamento de pessoas voltado a eliminar seres
humanos por razões variadas
DIREITO PENAL

 O crime de homicídio, praticado por grupo de extermínio ou milícia privada,


sempre foi considerado como qualificado, fundado no inciso I do § 2.º: paga,
promessa de recompensa ou outro motivo torpe.
 não se pode aceitar o indevido bis in idem
 não há necessidade de número mínimo de integrantes da milícia privada ou
do grupo de extermínio
 CLEBER MASSON e CEZAR ROBERTO BITENCOURT, sem maiores
esclarecimentos, preferem fazer analogia com o art. 288 do CP e opinam pelo
mínimo de três pessoas.
 Montante de elevação da pena: homicídio praticado por milícia privada ou
grupo de extermínio, o menor aumento (um terço) deve ser reservado a quem
age dentro do número mínimo de agentes, elevando-se o quantum conforme
aumentar o número de integrantes do agrupamento, independentemente da
eventual tipificação do crime do art. 288-A
 Finalidade específica: não é exigida a finalidade especifica

AUMENTO DE PENA NO FEMINICIDIO

§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com
deficiência;
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima

 É aplicável na terceira fase da aplicação da pena, conforme prevê o art. 68 do


Código Penal
 não admite bis in idem
 gestação e pós parto: motivo dessa causa de aumento não leva apenas em conta
a condição de sexo feminino, pois o enfoque é na maior fragilidade da mulher
gestante ou parturiente
 o agente precisa saber da condição de gestante ou parturiente da vitima
 Menor de 14, maior de 60 e deficiente: duas razões para tanto
DIREITO PENAL

 evita-se qualquer tentativa de argumentação de que estaria afastada


aquela causa de aumento do § 4.º, quando se tratasse, especificamente, do
feminicídio, visto não ter sido reproduzida no § 7.º;
 permite que o legislador conceda ao julgador uma margem maior de
aumento; enquanto a causa de aumento do § 4.º menciona apenas um terço,
essa elevação pode atingir de 1/3 até a metade.
 Presença de descendente ou ascendente da vítima: Essa circunstância, quando
ocorria, era tratada como consequência do crime, prevista no art. 59 do CP, por
traumatizar os descendentes. A presença implica visualização do momento da
conduta lesiva, geradora da morte. Não envolve, por óbvio, o momento do
resultado (morte), pois este pode dar-se muito tempo depois da agressão. Quanto
maior o trauma da pessoa que presenciou maior o aumento de pena

INSTIGAMENTO, INSTIGAÇÃO OU
AUXÍLIO AO SUICÍDIO ART. 122
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três
anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
DIREITO PENAL

Parágrafo único - A pena é duplicada

Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência.

 Suicídio é a morte voluntaria segundo DURKHEIM, “resulta, direta ou


indiretamente, de um ato positivo ou negativo, realizado pela própria vítima,
e que ele sabia que produziria esse resultado”
 Pode ser chamado, também, de autocídio e autoquiria
 No Brasil, não se pune o autor da tentativa de suicídio, por motivos
humanitários

ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR

 Três são as formas de praticar o induzimento, instigação ou auxílio ao


suicídio: nas duas primeiras hipóteses (induzimento e instigação), temos a
participação moral; já na última (auxílio) a participação é material.
 Induzir: dar a ideia a quem não possui, inspirar, incutir, nessa conduta, o agente
sugere ao suicida que dê fim à sua vida.
 Instigar: é fomentar uma ideia já existente, trata-se do agente que estimula a
ideia suicida que alguém anda manifestando.
 Auxílio: é a forma mais concreta e ativa de agir, pois significa dar apoio
material ao ato suicida. Ex.: o agente fornece a arma utilizada pela pessoa que
se mata.

SUJEITOS

 Sujeito ativo: pode ser praticado por qualquer pessoa


 Sujeito passivo: pode ser vitimado por qualquer pessoa com um mínimo de
discernimento ou resistência, pois, do contrário, trata-se de homicídio.

ELEMENTO SUBJETIVO

 É o dolo, não se admitindo a forma culposa


 Elemento subjetivo específico implícito: consistente na real vontade de que a
vítima morra por suas próprias atitudes.
DIREITO PENAL

 É preciso ser dirigida a uma pessoa especifica

OBJETOS

 Objeto material: é a pessoa contra a qual se volta a conduta do agente, no


sentido de induzir, instigar ou auxiliar
 Objeto jurídico: a vida humana

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME

 Delito comum: praticável por qualquer pessoa


 Material: que exige resultado naturalístico
 Instantâneo: cuja consumação não se arrasta no tempo
 Comissivo: de ação
 De dano: que se consuma com a efetiva lesão a um bem jurídico tutelado
 Unissubjetivo: que pode ser cometido por uma só pessoa
 De forma livre: a lei não exige forma especial para o cometimento
 Plurissubsistente: em regra, praticado por mais de um ato
 Crime condicionado: não admite tentativa.
 Condição objetiva de punibilidade: morte ou lesão grave

AUXÍLIO POR OMISSÃO

 questão controversa na doutrina e na jurisprudência, havendo duas correntes:


 não se admite: pois a expressão contida no tipo penal menciona “prestar
auxílio”, implicando ação
 admite-se: desde que o agente tenha o dever jurídico de impedir o
resultado, como no caso de um garantidor (art. 13, § 2.º, CP), aceita pela
maior parte da doutrina

PACTO DE MORTE

 é possível que duas ou mais pessoas promovam um pacto de morte, planejando


a morte para uma mesma ocasião
 várias hipóteses podem se dar:
 se cada uma ingerir veneno por si só, aquela que sobreviver responderá
por participação em suicídio, sendo o sujeito passivo aqueles que morreram
DIREITO PENAL

 se uma ministrar veneno para os demais, e essa que ministrou sobreviver


responderá por homicídio consumado de todos que morrerem e por tentativa
aos que sobreviveram, pois o art. 122 não admite atos executórios contra
terceiros
 na hipótese de cada pessoa administrar veneno à outra (“A” dá veneno a
“B”, que fornece a “C”, que o ministra a “D” etc.), todas sobrevivendo,
responderá cada uma por tentativa de homicídio, tendo como sujeito
passivo a pessoa a quem deu o tóxico
 se cada pessoa ingerir, sozinha, o veneno, todas sobrevivendo, com lesões
leves ou sem qualquer lesão, o fato é atípico, pois o crime do art. 122 é
condicionado à ocorrência de lesões graves ou morte
 na hipótese de uma pessoa administrar veneno à outra, ao mesmo tempo
em que recebe a peçonha desta, aquela que sobreviver responderá por
homicídio consumado; se ambas sobreviverem, configurará tentativa de
homicídio para as duas, como na alternativa anterior
 caso quatro pessoas contratem um médico para lhes ministrar o veneno,
tendo por resultado a morte de duas pessoas e a sobrevivência de outras duas.
Estas, que ficaram vivas, sem lesões graves, responderão por participação em
suicídio, tendo por sujeitos passivos as que morreram. O médico, por sua vez,
responderá por dois homicídios consumados e duas tentativas de homicídio
 no caso da roleta russa, quem sobreviver responde por participação em
suicídio com sujeito passivo aquele que morreu

CAUSAS DE AUMENTO

MOTIVO EGOISTICO

 Trata-se de causa de aumento, chegando ao ponto de duplicar a pena, relativa ao


excessivo apego a si mesmo (agente), o que evidencia o desprezo pela vida
alheia, desde que algum benefício concreto advenha ao agente (art. 122,
parágrafo único, I, CP)
 É um fator negativo da personalidade do agente

VÍTIMA MENOR OU COM RESISTENCIA DIMINUID A


DIREITO PENAL

 Resistência diminuída se da por fases críticas de doenças graves, físicas ou


mentais, abalos psicológicos, entre outros, até por ingestão de álcool ou
substancias de efeitos análogos, essa pessoa pela sua condição se apresenta
mais fragilizada
 No caso do menor é considerado este a pessoa entre 14 e 18 anos, sendo menor
de 14 anos, se não tem capacidade nem mesmo para consentir num ato sexual,
certamente não a terá para a eliminação da própria vida.
 o suicida com resistência nula – pelos abalos ou situações supramencionadas,
incluindo-se a idade inferior a 14 anos – é vítima de homicídio, e não de
induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.

GREVE DE FOME E CONCEPÇÕES RELIGIOSAS

 não se alimentar não é um fato normal, pois é uma necessidade humana, para a
pessoa praticar tal ato é necessária uma motivação, que muitas vezes é um
protesto para alguma causa e que logo após disso pretende voltar a se alimentar,
e só há crime se a pessoa que a instigou, induziu ou auxiliou a greve de fome
levando-a até o final, suicídio
 ainda, devemos procurar saber quais são os agentes que, em razão de sua
particular condição, a exemplo do médico, agente penitenciário etc., gozam do
status de garantidor, com a finalidade de poder-lhes atribuir eventual
resultado (morte ou lesões)
 Se chegar à privação da vida, pode-se punir o garantidor (agente penitenciário,
por exemplo) por homicídio; pode se punir aquele que deu a ideia e incentivou,
sem providenciar ajuda, por instigação a suicídio; pode-se punir os que viram
acontecer o processo de degeneração do sujeito e não buscaram ajuda, por omissão
de socorro.
 A pessoa que está se privando de alimento não pode ser obrigada a comer
nem internada em hospital a força pela família, desde que seja capaz, porem
se estiver tão fraca ao ponto da quase morte poderá ser internada para evitar a
morte
 No aspecto religioso – como o caso das testemunhas de jeová, que não admitem
transfusão de sangue –, depende da situação concreta.
DIREITO PENAL

 Se a transfusão for o único meio para salvar a vida do paciente, que está
impossibilitado de se manifestar com tranquilidade e firmeza, o médico deve
empreendê-la, sob pena de responder por homicídio. Caso a transfusão seja
apenas uma das opções de tratamento, cabe ao paciente decidir. Se não puder,
seus familiares. Não querendo a transfusão, respeita se a vontade. No primeiro
caso, está-se diante do estado de necessidade: entre a vida e a religião, o bem mais
relevante é respeitar o direito à vida
 Mas, havendo capacidade de manifestar sua fiel vontade, há de se respeitar a
liberdade de crença

INFANTICÍDIO ART. 123


Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.

 Homicídio cometido pela mãe contra seu filho, nascente ou recém-nascido,


sob a influência do estado puerperal.
 Homicídio privilegiado em essência
 Iniciado o parto, torna-se o ser vivo sujeito ao crime de infanticídio antes, é
hipótese de aborto.
 o parto se inicia com o rompimento da membrana amniótica e termina com
a expulsão da placenta e corte do cordão umbilical, pois era por meio deste que
se efetuava a ligação fisiológica entre o filho e a mãe

ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR

 verbo matar é o mesmo do homicídio, a diferença está na condição especial da


agente
 crime só é punido na forma dolosa

SUJEITOS

 Sujeito ativo: a autora do delito só pode ser a mãe


 Sujeito passivo: o recém-nascido
DIREITO PENAL

OBJETOS

 Objeto material é o ser nascente ou recém-nascido.


 Objeto jurídico é a proteção à vida humana.

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME

 Delito próprio: só pode ser cometido por agente especial, no caso a mãe;
 Instantâneo: a consumação não se prolonga no tempo;
 Comissivo: exige ação;
 Material: que se configura com o resultado previsto no tipo, a morte do filho;
 De Dano: o bem jurídico precisa ser efetivamente lesado
 Unissubjetivo: pode ser cometido por uma só pessoa;
 Progressivo: passa, necessariamente, por uma lesão corporal;
 Plurissubsistente: vários atos integram a conduta;
 De forma livre: não se encontra no tipo a descrição da conduta que determina o
resultado;
 Admite tentativa, aliás, vários casos de agressões contra recém--nascidos
terminam não se consumando, pois um fato curioso e digno de nota é que o recém-
nascido tem menor necessidade de oxigênio e, em razão disso, resiste muito mais
à asfixia [meio comum utilizado para a prática de infanticídio], sob qualquer de
suas formas

ESTADO PUERPERAL

 É o estado que envolve a parturiente durante a expulsão da criança do ventre


materno e os momentos após esse fato.
 Há alterações psíquicas e físicas, que chegam a transtornar a mãe, deixando-a
sem condições para entender o que está fazendo
 O puerpério se estende do início do parto até a volta da mulher no estado em
que estava antes da gravidez
 Como toda mãe passa pelo puerpério, mas algumas atingem o chamado estado
puerperal – com graves perturbações e outras com menos –, é desnecessária a
perícia dependendo das circunstâncias temporais do ato criminoso.

CIRCUNSTÂNCIAS DE TEMPO
DIREITO PENAL

 O infanticídio exige que a agressão seja cometida durante o parto ou logo


após, embora sem fixar um período preciso para tal ocorrer
 A expressão “logo após” deve ser interpretada com caráter imediatidade, para
bem da mãe
 Nascente ou ser nascente (‘ens nascens’) é, então, o que está nascendo, com um
segmento corpóreo (cabeça, membros superiores, membros inferiores), já
cursando o canal do parto e despontando na genitália materna
 A interpretação do artigo é confusa, porque não estabelece uma data de tempo
certo, causando embaraço na interpretação

CONCURSO DE PESSOAS

 A circunstância do crime se comunica nesse caso, pois é elementar do crime


 Há divergência no entendimento doutrinário, porém é a parte minoritária que
defende a incomunicabilidade

ABORTO PROVOCADO PELA


GESTANTE OU COM SEU
CONSETIMENTO ART.124
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque

Pena - detenção, de um a três anos.

 O aborto é a cessação da gravidez, cujo início se dá com a nidação, antes do


termo normal, causando a morte do feto ou embrião.
DIREITO PENAL

 São formas de cessar a existência fetal:


 aborto natural: é a interrupção da gravidez oriunda de causas patológicas,
que ocorre de maneira espontânea (não há crime);
 aborto acidental: é a cessação da gravidez por conta de causas exteriores e
traumáticas, como quedas e choques (não há crime);
 aborto criminoso: é a interrupção forçada e voluntária da gravidez,
provocando a morte do feto;
 aborto permitido ou legal: é a cessação da gestação, com a morte do feto,
admitida por lei, com divisões:
o aborto terapêutico ou necessário: é a interrupção da gravidez
realizada por recomendação médica, a fim de salvar a vida da
gestante. Trata-se de uma hipótese específica de estado de necessidade;
o aborto sentimental ou humanitário: é a autorização legal para
interromper a gravidez quando a mulher foi vítima de estupro, aqui é
tutelada a dignidade da pessoa humana em confronto com direito a vida
do feto, a dignidade é vencedora nesse embate
 aborto eugênico ou eugenésico: é a interrupção da gravidez, causando a
morte do feto, para evitar que a criança nasça com graves defeitos
genéticos. Há controvérsia se há ou não crime nessas hipóteses, como se verá
no art. 128;
 aborto econômico-social: é a cessação da gestação, causando a morte do feto,
por razões econômicas ou sociais, quando a mãe não tem condições de cuidar
do seu filho, seja porque não recebe assistência do Estado, seja porque possui
família numerosa, ou até por política estatal. No Brasil, é crime.
 Para Rogerio Grecco a gestante que tentar se suicidar sabendo que está
gravida, se o feto morrer em decorrência desse ato suicida, a gestante suicida
responde por aborto
 O que importa para classificar o crime em aborto ou homicídio, é o fato de o feto
ter morrido em razão das manobras abortivas ou não, e não fato de estar dentro ou
fora do útero. Ou seja, se morreu em função da manobra abortiva, mesmo que dez
dias depois, o crime será o de aborto consumado.

ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR


DIREITO PENAL

 Provocar: dar causa ou determinar;


 Consentir: dar aprovação, admitir, tolerar
 Quem provoca é a própria gestante;
 Quem consente é a gestante, mas o autor é outro
 A prova do aborto se faz por exame pericial ou indiretamente por análise de
fichas médicas
 É preciso que a gestação seja, de algum modo, comprovada, pois “provocar”
aborto implica matar o feto ou embrião.
 Se este não existe ou já estava morto, trata-se de crime impossível.
 É admitida a participação
 O início da vida, segundo entendemos, ocorre a partir da nidação, que é a
fixação do óvulo fecundado na parede do útero. Desde esse ponto ele pode
desenvolver-se e crescer até o nascimento.

SUJEITOS

 Sujeito ativo é a gestante, visto que é um crime próprio, ela não precisa praticar
diretamente a ação de matar
 Sujeito passivo: é o feto ou embrião
 No caso de gêmeos há concurso formal
 Se durante o procedimento abortivo ela se arrepender e solicitar ao terceiro a
interrupção das manobras letais, mas não for obedecida, para ela o fato será
atípico, e o terceiro responderá pelo crime delineado pelo art. 125

OBJETOS

 Objeto material é o feto ou embrião.


 Objeto jurídico tutelado é a vida humana.
 Como a gestante consentiu ela não pode ser considerada pelo passivo

ELEMENTO SUBJETIVO

 Crime próprio: só a gestante pode cometer


 Instantâneo: cuja consumação não se prolonga no tempo
 Comissivo ou omissivo: provocar = ação; consentir = omissão
 Material: exige resultado naturalístico para sua configuração
DIREITO PENAL

 De Dano: deve haver efetiva lesão ao bem jurídico protegido, no caso, a vida
do feto ou embrião
 Unissubjetivo: admite a existência de um só agente, mas na última modalidade
(com seu consentimento) é plurissubjetivo, mesmo que existam dois tipos penais
autônomos – um para punir a gestante, que é este, e outro para punir o terceiro,
que é o do art. 126;
 Plurissubsistente: configura-se por vários atos
 De forma livre: a lei não exige conduta específica para o cometimento do aborto
 Admite tentativa.
 Pune-se somente a forma dolosa.
 Hipóteses que afastam a ocorrência de aborto
 gravidez molar: desenvolvimento completamente anormal do ovo. Não há
aborto, pois é preciso se tratar de “embrião de vida humana”.
 gravidez extrauterina: trata-se de um estado patológico, em que o embrião
não tem condições de se desenvolver, atingindo vida própria de modo
normal. Nesse caso, para haver aborto lícito, é necessário que não haja
possibilidade médica de intervir para sanar o problema.

ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO


SEM O CONSENTIMENTO DA
GESTANTE ART.125
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante
Pena - reclusão, de três a dez anos.

ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR

 Provocar: dar causa ou determinar, aqui não há o consentimento da gestante


 É um aborto forçado, por isso a pena maior, a gestante é privada de ter um
filho que ela desejava
 Prova do aborto se faz por exame pericial, excepcionalmente por meio
indireto, como fichas hospitalares
DIREITO PENAL

TENTATIVA DE ABORTO E MORTE DO RECÉM -NASCIDO

 Lacuna legislativa
 No caso de na tentativa de aborto ocorrer a lesão a gestante, se da o
nascimento com vida do feto, mas ele morre depois em decorrência das lesões
provocadas em sua fase intrauterina, não há homicídio, pois este é “matar
alguém” e o feto não era alguém (pessoa humana com vida)
 O agente quis matar um feto, o que, na atualidade da sua conduta, volta-se à
prática de aborto, sem o consentimento da gestante. O fato de ter a criança
nascido para, depois, falecer, não descaracteriza o crime de aborto
 Pois, no CP para o tempo do crime é adotada a teoria da atividade, assim o tipo
penal fica caracterizado pelos atos praticados no tempo da ação ou omissão
 conduta (agredir a gestante para atingir o feto) + morte do ser humano pós-
nascimento + dolo de eliminar a vida humana intrauterina = aborto
consumado.

SUJEITOS

 O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa


 Já o sujeito passivo só pode ser o feto ou embrião e a gestante

ELEMENTO SUBJETIVO

 É o dolo
 Não há elemento subjetivo específico

OBJETOS

 O objeto material é o feto e a gestante.


 O objeto jurídico é a vida humana, no caso do feto, e a integridade física da
gestante.

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME

 Crime comum: que pode ser praticado por qualquer pessoa


 Instantâneo: cuja consumação não se prolonga no tempo
 Comissivo: provocar = ação
 Material: exige resultado naturalístico para sua configuração
DIREITO PENAL

 De dano: deve haver efetiva lesão ao bem jurídico protegido, no caso, a vida
do feto ou embrião e a integridade física da mãe
 Unissubjetivo: admite a existência de um só agente
 Plurissubsistente: configura-se por vários atos
 De forma livre: a lei não exige conduta específica para o cometimento do aborto
 Admite tentativa

ABORTO PROVOCADO COM O


CONSENTIMENTO DA GESTANTE
ART.126
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze
anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude,
grave ameaça ou violência

ESTRUTURA DO TIPO PENAL INCRIMINADOR

 Provocar: dar causa ou determinar


 É preciso o consentimento da gestante

SUJEITOS

 Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa


 Sujeito passivo é o feto ou embrião, não a gestante, pois aqui há seu
consentimento na prática do delito

ELEMENTO SUBJETIVO

 É o dolo
 Não há elemento subjetivo específico

OBJETOS
DIREITO PENAL

 O objeto material é o feto ou embrião, que sofre a conduta criminosa. Não se


inclui a gestante, pois ela concordou com a eliminação do feto.
 O objeto jurídico é a vida do feto ou embrião. Secundariamente, a sociedade,
pois é a interessada em manter a gestação.

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME

 Crime comum: que pode ser praticado por qualquer pessoa


 Instantâneo: cuja consumação não se prolonga no tempo
 Comissivo: provocar = ação
 Material: exige resultado naturalístico para sua configuração
 De dano: deve haver efetiva lesão ao bem jurídico protegido, no caso, a vida
do feto ou embrião
 Plurissubjetivo: necessita da participação de, pelo menos, duas pessoas,
embora, neste caso, existam dois tipos autônomos
 Plurissubsistente: configura--se por vários atos
 De forma livre: a lei não exige conduta específica para o cometimento do aborto
 Admite tentativa.
 Pune-se somente a forma dolosa.

EXCEÇÕES EM FACE DE ELEMENTOS ESPECÍFICOS

 Quando a vítima não é maior de 14 anos ou é alienada ou débil mental, possui


consentimento inválido, levando à consideração de que o aborto deu-se contra
a sua vontade.
 Tal dispositivo é um desdobramento natural do enfoque que a lei penal concede
ao menos de 14 anos e a pessoa com deficiência mental, estes sendo incapazes
para consentir validamente para determinados atos
 Na hipótese do agente empregar violência, grave ameaça ou até fraude, é
natural a suposição de que o consentimento da gestante está viciado, de modo
que o aborto de encaixa melhor na figura do art.125

ABORTO QUALIFICADO ART.127


DIREITO PENAL

Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço,
se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre
lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe
sobrevém a morte.

 Somente se aplica a figura qualificada às hipóteses dos arts. 125 e 126, pois
não se pune a autolesão no direito brasileiro.
 Hipóteses da figura qualificadora
 lesões graves ou morte da gestante e feto expulso vivo: tentativa de aborto
qualificado
 aborto feito pela gestante, com lesões graves ou morte, havendo
participação de outra pessoa: esta pode responder por homicídio ou lesão
culposa (se previsível o resultado para a gestante) em concurso com auto
aborto, já que não se aplica a figura qualificada à hipótese prevista no art.
124.

CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO

 o resultado mais grave qualifica o originalmente desejado, ou seja, o agente


que matar o feto, embora termine causando lesões graves ou até mesmo a morte
da gestante
 Entendem a doutrina e a jurisprudência majoritárias que as lesões e a morte
só podem decorrer de culpa do agente, constituindo, pois, a forma preterdolosa
do crime (dolo na conduta antecedente e culpa na subsequente).
 não há restrição legal expressa para que o resultado mais grave não possa ser
envolvido pelo dolo eventual do agente. Mas, se isso ocorrer, conforme posição
predominante, costuma-se dividir a infração em duas distintas (aborto + lesões
corporais graves ou aborto + homicídio doloso, conforme o caso).
 Na visão de Nucci o aborto com morte ou lesão grave da gestante é um crime
qualificado pelo resultado, que pode se dar com dolo na conduta antecedente
(aborto) e dolo eventual ou culpa na consequente (morte ou lesão grave). Não
sendo um preterdoloso (dolo antecedente + culpa consequente), assim sendo
possível a tentativa, a exemplo de, o agente tenta praticar o aborto, não consegue,
mas termina causando à gestante lesões graves. É uma tentativa de aborto com
lesões graves para a mãe.
DIREITO PENAL

EXCLUDENTE DE ILICITUDE NO
ABORTO ART.128
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante
ou, quando incapaz, de seu representante legal.

 Sobre a expressão “não se pune”


 trata-se de um equívoco do legislador: mencionar “não se pune” fica
parecendo ser uma escusa absolutória. Melhor teria sido dizer “não há
crime”;
 é correta a expressão: pois está a lei dizendo que não se pune o aborto, o que
significa que o fato típico deixa de ser punível, equivalendo a dizer que
não há crime, mais aceita

SUJEITO QUE PODE PRATICÁ-LO

 Entende se que somente o médico pode providenciar a cessação da gravidez


nessas duas hipóteses, sem possibilidade de analogia in bonam partem para
incluir, por exemplo, a enfermeira ou a parteira, isso pois, o médico é o único
profissional habilitado para salvar a gestante, se necessário
 Aborto terapêutico: quando há estado de necessidade para a gestante, que se
continuar a gravidez põem risco a vida, o direito faz preferência pela vida da
mulher
 Aborto humanitário ou piedoso ocorre no caso de estupro
 O alvará judicial se faz desnecessário
 Se, posteriormente, for descoberto que a gestante mentiu – não houve estupro –
, deverá responder pelo crime de aborto, mas não o médico que o realizou.
 O consentimento da gestante é imprescindível
DIREITO PENAL

 O limite temporal para o aborto não é estabelecido (mas, o que ocorre


comumente é de 3 meses no caso de aborto e a partir do momento no quando foi
constatado risco de vida para a gestante)
 O STF permite o aborto no caso de fetos anencefálicos, pois a vida extrauterina
é inviável

GRÁFICO CRIMES CONTRA À VIDA


DIREITO PENAL