Gestão Administrativa e Material de Stocks Técnicas de Apoio à Gestão

Nuno Seixas 04-05-2009

Gestão de Stocks

Gestão Administrativa e Material de Stocks

Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas

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Introdução Gestão de Stocks: Benefícios Principais * Optimiza o investimento nas suas existências ao minimizar os custos relacionados com transporte, encomendas e custos por falta de produtos.

* Mantém exactos e actuais os registos em inventário permanente.

* Contribui para o aumento das margens de comercialização e para a satisfação dos clientes ao reduzir tarefas de expediente, custos e falta de informação de gestão.

* Facilita a análise da oferta e da procura para uma eficiente e rentável execução do plano director da empresa.

* Ordens de transferência inter-armazéns são processadas rápida e eficientemente, com uma completa visibilidade das existências em trânsito.

* Mantém na Contabilidade Geral a contabilização do custo das vendas por grupos de produtos, armazém.

* Disponibiliza consultas rápidas à situação das existências.

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* Permite ciclos múltiplos de contagem de existências. * Suporta informação completa do produto ao nível de quantidade. vendas.Características Principais * Possibilita a definição pelo utilizador de tipos de transacções de stocks para o controlo do impacto nos custos. controlar as existências noutra e vender ainda noutra. * Custeio de stocks para a Contabilidade Geral ao custo padrão corrente. custo médio ou último custo actual * Fornece processamento completo do inventário físico para determinar as quantidades existentes por contagem actual. preço. * Mantém informação da quantidade física existente por empresa e armazém. técnicas como: -Classificação ABC. encomendas e reservas. metros e quilos. controlar os stocks em embalagens e vender em unidades. custo. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 4 . selecção aleatória de produtos ou um ciclo pré. Como por exemplo comprar em contentores.definido e plano de contagem regular. custo padrão inicial. forma de contabilização e impacto na quantidade existente. * Permite encomendar numa determinada unidade de medida.

financeiros e físicos dos stocks. assim como uma completa análise estatística em ambos os aspectos. O sistema de Gestão de Stocks Neste fluxo processual. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 5 . permite: • A consulta. a aplicação de Gestão de Stocks. * Possibilita a informação de base requerida para os stocks relacionados com a distribuição. dos artigos requisitados e ainda não integralmente fornecidos. * Oferece um conjunto completo de mapas e consultas. através dos métodos de revisão contínua e periódica disponibilizando mapas de ponto de encomenda e de revisão periódica.Características Adicionais * Possibilita uma análise ampla dos produtos usando códigos de grupos de produtos. pelo armazém. * Permite gestão de stocks de produtos com procura independente. * Disponibiliza a classificação ABC dos produtos segundo critérios definidos pelo utilizador.

por direcção / departamento. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 6 . em armazém. • O registo de notas de devolução interna e a sua consulta. • A actualização imediata de existências. a emissão das Guias de Entrega. por data. por serviço. • A consulta de saídas de materiais do armazém. • A consulta de entradas de artigos em armazém. não se perdendo a noção dos pedidos não satisfeitos.• A agregação dos artigos não fornecidos por serviço e. ou entre datas. após consulta automática do material existente em armazém. por artigo. de artigos referentes a uma Requisição Oficial. • A entrada. por fornecedor. • A satisfação parcial dos pedidos dos serviços. quando da entrada ou da saída de materiais do armazém. por serviço ou por artigo. • A actualização imediata do valor das existências e do custo médio unitário dos bens em armazém. por artigo. por data.

requisições não satisfeitas ou requisições dirigidas a um fornecedor. • A verificação da evolução da "conta corrente" de um artigo. • A definição de existências iniciais ou resultado de uma inventariação intermitente. com respectiva situação. data de requisição ao fornecedor e tempo necessário para entrega. dirigidos à secção de compras. • A consulta dos pedidos do armazém. por artigo. • A consulta de requisições. • A consulta de artigos com existências abaixo do ponto de encomenda (PE).• A valorização de todos os artigos fornecidos aos serviços. • A lista de existências reportadas. • O cálculo das compras a efectuar (quantidade). entre datas. por diferentes formas: de um artigo. para confronto com o inventário físico dos materiais. com base no comportamento observado do consumo durante um período anterior. distinguindo os artigos que já foram objecto de encomenda daqueles que ainda o não foram. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 7 . apresentando sequencialmente os diversos movimentos de entrada e saída.

de um modo único e genérico. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 8 . ou já fornecedora. Economato – Serviço que gere o material em armazém e a sua entrega aos outros Serviços de um Organismo. permitindo-se ainda a consulta por código do artigo ou por ordem alfabética. de um bem. para os quais não pode existir ruptura de stocks. Entidades Intervenientes Para uniformizar e simplificar a descrição do sistema de informação de gestão de stocks cito as entidades intervenientes num processo de aquisição de um bem. Firma – Entidade passível de consulta para fornecimento e que pode vir a ser Fornecedor. por grupo e subgrupo. • A localização física em armazém de cada artigo. • A definição de artigos indispensáveis. Serviço – Entidade pertencente a um Organismo e que consome bens. Fornecedor – Entidade designada para fornecer.• A gestão de um classificador de artigos. se bem que na realidade os nomes possam variar consoante a nomenclatura usada em cada organismo.

Com estes intervenientes definidos. dá-se início a um processo de aquisição através de um pedido à secção de Compras. 3. as várias fases que integram o fornecimento. podem descrever-se do seguinte modo: 1. A entrega. 5. Quando um serviço necessita de um bem pede-o à secção de Economato através de uma Requisição interna. Se houver no Armazém o bem pretendido este é entregue ao Serviço acompanhado de uma Guia de entrega. O Fornecedor. após a recepção da Requisição oficial ou Nota de encomenda. 2. 4. Armazém – Serviço ou espaço onde são depositados. de um modo provisório. 6. Se não houver no Armazém. a qual é formalizada por uma Requisição oficial ou Nota de encomenda.Compras – Serviço que efectua e gere o processo de aquisição de um bem. entrega o bem ao Organismo. A secção de Compras efectua o processo de consulta ao mercado e é tomada uma decisão de aquisição de um bem a uma dada Firma. os bens adquiridos pelo Organismo. de um bem a um Serviço. O Economato verifica a existência do bem em armazém. dependendo do Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 9 .

. Gere todo o processo de contratação e requisição de bens e serviços. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 10 . No entanto.decidir acerca dos artigos a adquirir. pode ser no Armazém ou no Serviço. e disposição dos materiais no armazém. assim como.Gestão Económica de Stocks . e centra-se na requisição externa. este é passível de pagamento. quem acusa a recepção do bem é o Economato através da recepção da Guia de remessa/Factura do Fornecedor.Gestão de Materiais – preocupa-se essencialmente com as entradas. . saídas.Gestão Administrativa de Stocks – identifica-se na prática com a gestão de Aprovisionamento. 7. das suas quantidades. Domínios da Gestão de Stocks O Sistema de Gestão de Stocks tem como objectivo primordial gerir três domínios importantes: .tipo de bem. Após entendimento de boa recepção do bem.

Gestão Administrativa de Stocks GESTÃO ADMINISTRATIVA DE STOCKS O conhecimento das existências. bem como o valor dos consumos anuais. Em termos de gestão dos stocks. parâmetros de base para definir o período económico de encomenda. Os movimentos do stock devem estar concebidos de forma a assegurar o inventário contabilístico permanente. em quantidade e em valor. as existências em quantidade e em valor. responde a várias necessidades da empresa. servindo para alimentar a contabilidade. o conhecimento global do stock só se obtém quando se fala em unidades monetárias e não apenas em quantidades – donde a necessidade de dispor de dados quantificados e valorizados sobre stocks: os consumos. Por outro lado. apoiado no registo validado das entradas e saídas de modo a permitir conhecer no curso do exercício. È portanto necessário que os stocks e os seus movimentos sejam correctamente valorizados. É indispensável o conhecimento do preço unitário dos artigos para os poder integrar no cálculo dos preços de custo dos produtos finais ou em curso. os preços unitários informados servem de referência aos compradores permitindo determinar os preços de facturação dos artigos cedidos a outros serviços da empresa ou vendidos ao exterior. Em resumo. o inventário permanente permite informar as quantidades e os preços unitários. gerir a tesouraria e gerir os reaprovisionamentos. as entradas e os stocks detidos. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 11 .

atempadamente. . Desenvolve-se a 2 Níveis: -No Armazém -No Departamento Administrativo NO ARMAZÉM Preenchendo guias de entrada e de saída e fichas de armazém: -A guia de entrada é preenchida em quadruplicado para distribuir pelos seguintes serviços: -Gestão de stocks.Planear a entrega das encomendas dos clientes. -Gestão de stocks.Registar. A guia de saída é preenchida em quadruplicado destinada a: -Serviço requisitante. -Analisar desvios entre as quantidades existentes e as que deveriam existir. -Armazém. as entradas e saídas dos bens. -Contabilidade.Assim a Gestão Administrativa de Stocks tem como objectivos: . -Compras. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 12 . -Conhecer as quantidades dos diversos bens. existentes em armazém. -Manter actualizadas as previsões de recepção de encomendas dos fornecedores.

-Armazém.-Contabilidade. as saídas e os stocks. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 13 . „ Conferir periodicamente. Alguns cuidados: „ As fichas de armazém (uma para cada artigo existente em armazém) registam-se as quantidades entradas. as quantidades referidas nas fichas e as existências reais em armazém.

-Gestão administrativa: verificação de desvios. por exemplo. utilizando códigos de barras. -QUANTO EXISTE em stock (análise ABC) – assegurar o controlo permanente do armazém. com o objectivo de desencadear uma próxima compra. -Analisar os desvios verificados nas fichas. através de: -Armazém: registo de entradas e saídas e elaboração de fichas de stocks. comparando as existências reais com os saldos das fichas. Destes. -Em que local (ONDE) está – facilidade de localização e arrumação. -Comparar as existências e as previsões de novas entradas com as próximas saídas. os mais utilizados são os seguintes: Entradas de compras – produtos provenientes de fornecedores que provocam o aumento das existências Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 14 . “O SEU OBJECTIVO É CONTROLAR AS EXISTÊNCIAS” O Serviço Administrativo deve a cada momento: -O QUE EXISTE em stock – através da identificação dos artigos. controlar e comparar stocks.No Departamento Administrativo: -Controlar os stocks. utilizando um código TIPOS DE MOVIMENTOS MAIS CORRENTEMENTE UTILIZADOS Os materiais dentro da empresa estão sujeitos aos mais diversos tipos de movimentos.

Saídas para utilização interna – produtos requisitados para uso na própria empresa e que originam a redução das existências Expedição – movimento de saída para o exterior que conduz à redução das existências Transferências – movimentos entre armazéns ou entre locais de armazenagem. ao mais baixo custo. -Gestão eficiente do processo de recepção RECEPÇÃO Operação de recepção tem por fim tomar conta dos artigos que são entregues ao armazém. mas cuja não conformidade só foi detectada após o movimento de Entrada da Compra. compreendem movimento de entrada em stock proveniente de saídas de stock não utilizadas Devoluções a fornecedores – movimento de saída resultante da não-aceitação de materiais provenientes de compras. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 15 . através: -Da gestão eficiente do processo de recepção -Do registo correcto e funcional das movimentações -Do controlo do inventário permanente -Da gestão eficiente do processo do reaprovisionamento -Do controlo contabilístico dos stocks. A Gestão Administrativa dos Stocks controla os fluxos de informação e fiabiliza os dados recolhidos. que não conduzem ao aumento em termos globais do inventário Devoluções de fabricação – ou mais genericamente devoluções de utilização.

As operações devem efectuar-se no momento da entrega. A recepção qualitativa deve ser feita por pessoal tecnicamente preparado.A recepção verifica-se segundo duas perspectivas: Quantitativa e Qualitativa. laboratório. verificando a totalidade recebida. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 16 . por "pesagem" (peso). mas pode também ser feita junto do fornecedor. É a função da recepção qualitativa. dispondo do equipamento de verificação necessário (calibração. ou tão próximo deste quanto possível. A verificação pode efectuar-se conforme o produto que se trata. ou por AMOSTRAGEM. RECEPÇÃO QUANTITATIVA Tem por fim verificar se as quantidades recebidas correspondem às quantidades registadas na guia que o deve acompanhar. balança de precisão. "pesagem" ou "medição" pode ser exaustiva. etc. o recepcionista necessita de dispor do instrumento de medida que melhor se adeqúe a cada caso. ou apenas sobre parte desta – AMOSTRA – devendo esta ser determinada de forma a oferecer segurança de que é verdadeiramente significativa do todo (universo). por "contagem" (unidades). por "medição" (volume ou capacidade). Para o efeito. quando por qualquer razão não seja exequível a verificação exaustiva. RECEPÇÃO QUALITATIVA Feita a recepção quantitativa.) Tal como a recepção quantitativa. esta recepção efectua-se também à chegada ao armazém de destino. torna-se necessário verificar se as matérias recebidas estão qualitativamente conforme as especificações da encomenda. aparelhos de ensaio. A "contagem". pode ser feita sobre a totalidade da mercadoria recebida. Geralmente.

Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 17 . Mas a gestão de stocks não constitui uma célula isolada na empresa. etc Por exemplo: . para além de uma organização própria que responda ao conjunto de economias possíveis de realizar. -NOÇÃO DE STOCK É o conjunto de unidades de cada artigo que constitui determinada reserva aguardando satisfazer uma futura necessidade de consumo. A gestão dos stocks e das compras são factores de relevância na gestão actual das empresas. do armazém. a gestão de stocks. de somente 2%. como um órgão integrado numa organização global que. Por exemplo: 100 litros de água destilada. verifica-se quando estes saem. caso não esteja suficientemente desenvolvida.– A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DOS STOCKS Não é raro que o montante de compras atinja 50% do volume de vendas da empresa. 2500 caixas de lápis. de modo a permitir a concentração dos activos das empresas no núcleo duro do negócio. encontra-se. Por outro lado a introdução das novas orientações estratégicas à gestão empresarial conduziram à segmentação da intervenção das empresas no ciclo total de obtenção dos produtos. originando um aumento das aquisições de produtos semi-acabados e serviços. no seio da empresa. 30 kilogramas de açucar. Podemos afirmar que uma redução das encomendas. bloqueia a sua acção e a concretização dos seus objectivos. ligada a uma sã gestão de stocks. Em resumo. a fim de ganhar competitividade.Para o gestor de stocks o consumo de 3 kg de arroz. conduz a uma economia de 1% sobre as vendas.

Para o cliente do restaurante. o consumo do arroz. o consumo dos 3 kg de arroz verifica-se quando ele confecciona uma refeição. convém fazer a identificação dos artigos existentes em stock. ou seja conhecer um por um os artigos existentes em armazém. Os elementos que identificam os artigos em armazém designam-se por nomenclatura. constitui o STOCK GLOBAL da empresa. verifica-se quando ele ingere uma refeição confeccionada com arroz.1250 caixas de lápis . Verifica-se quando algumas ou todas as unidades de um artigo saem do armazém. Ou verifica-se quando satisfaz a necessidade que o levou a sair do armazém.. um conjunto de termos que definem com precisão os artigos Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 18 . Por exemplo: .986 caixas de canetas -etc Consumo Refere-se à saída de unidades de um artigo de armazém ou à sua utilização final.120 caixas de dossiers .450 caixas de borrachas .Para o cozinheiro. O conjunto de todos os artigos. ou seja. Nomenclatura – designação e codificação Antes de descrever os tipos de stock que existem em armazém. .

Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 19 . identificar de forma abreviada cada artigo. alfabético. Assim. Designação Serve para identificar o produto através de uma descrição convencionada no âmbito da linguagem falado a escrita. Codificação O Código constitui uma simplificação complementar da designação e tem por finalidade. através de símbolos (numérico. tendo por objectivo aproximar artigos semelhantes e separar os distintos. Ao primeiro conjunto de símbolos que estabelece a primeira divisão ou família designa-se classe e a sua articulação constitui a primeira fase da codificação. Actualmente. O Código também se deve desenvolver do geral para o particular. o código de barras (standard do fabricante ou criado por equipamento próprio) evita a digitalização do código e a sua leitura interpretativa. Por exemplo: Parafuso de aço cabeça sextavada. de 10 mm. Portanto. a nomenclatura engloba a designação e a codificação. etc). começando pela caracterização mais global para a mais específica do artigo ou produto. por forma a que os últimos elementos sejam aqueles que identificam e precisam o artigo. convenientemente registados e ordenados segundo critérios adequados. a leitura óptica facilitou bastante este trabalho. que assim toma o nome de classificação. isto é. Essa descrição deve ser desenvolvida a partir do geral para o particular.consumidos pela empresa.

Stock mínimo – valor mínimo atingido pelo stock normal. Stock médio – valor médio das existências em determinado período de tempo. Este stock é calculado para determinados materiais.-TIPOS DE STOCKS Numa empresa industrial podemos encontrar. provenientes de: . . basicamente.Falta de material por deterioração. etc. Stock afectado – parte do stock global que se encontra destinado a fins específicos.Aumentos de prazo de entrega em relação aos que tinham sido acordados. por vezes reserva-se parte do seu quantitativo retirando-a do stock normal onde fisicamente se encontra. embora constitua consumo de vários serviços. é fundamental para o consumo de um deles e está a escassear. de segurança e afectado. Stock máximo – valor máximo atingido pelo stock normal. quatro tipos de stocks: Stock de segurança ou de protecção – parte do stock global destinado a tentar prevenir rupturas de material. . Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 20 .Eventuais excessos de consumo em relação aos previstos. . que se destinam a garantir a existência de uma quantidade mínima. Exemplo – quando um artigo.Rejeições de material na sua recepção. roubos. que é igual à soma dos stocks: normal. Stock global – toda a existência física de determinado artigo num dado momento.

7. tornados aptos para a utilização. 6. o responsável pelo funcionamento do reservatório – o gestor Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 21 . Materiais de conservação. Stock de recuperados – constituído por artigos que foram devolvidos ao armazém. entretanto. Relativamente ao processo de produtivo os stocks podem classificar-se: 1. 4. Matérias-primas ou componentes – artigos que se incorporam no produto final. Produtos de consumo – produtos adquiridos aos fornecedores para consumo interno da organização. 8.Stock em trânsito – aquele que entra no armazém por um período de tempo limitado. As funções dos stocks: Imaginemos que temos um reservatório de água que alguém está encarregado de encher – o fornecedor – e destinado a abastecer o consumo de água de certa família – o utilizador. 5. 3. 2. Se este consumo fosse constante. Produtos de comercialização – produtos adquiridos aos fornecedores destinados à venda. peças e acessórios. Produtos finais (produtos acabados). Materiais auxiliares – materiais que se destinam à fabricação mas que não se incorporam na produção. Ferramentas. Embalagens. por não se encontrarem em boas condições de utilização e.

– não teria mais do que dar ordem ao fornecedor para que procedesse a um abastecimento de uma certa quantidade de água com uma cadência igual à do consumo, isto é, para um consumo de 1500litros/semana, ele forneceria todas as semanas 1500 litros. No entanto, os consumos só excepcionalmente são que são regulares. O gestor é obrigado a estudar, em função do consumo, qual o nível ou stock de água mais conveniente que deve manter no reservatório, ou seja, que quantidades de água deve mandar abastecer e em que períodos de tempo. Objectivo – não ter água de mais, o que seria um desperdício (sobredimensionamento do stock), nem de menos, o que ocasionaria faltas de água (ruptura do stock). A função deste stock de água no reservatório (armazém) é a de constituir um amortecedor entre o consumo (ou as vendas) e os fornecimentos. Os stocks desempenham o papel de amortecedores entre as compras e as vendas, entre as compras e a produção, nas diferentes fases da produção, e também entre a produção e as vendas. O stock é útil porque nos defende da escassez, procurando providenciar as faltas que poderão ocorrer nos diferentes ritmos de necessidade de compra e produção, nas fases de produção, de consumo ou vendas. Pode ser vantajoso constituir stocks com uma finalidade

especulativa, isto é, comprar quando os preços estão mais baixos para revender ou utilizar quando os preços subirem. -Evita compras frequentes de pequenas quantidades, o que é incómodo, oneroso e até, por vezes, impossível de efectuar dada a eventual indisponibilidade do fornecedor para tais entregas.

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- A compra em grandes quantidades pode proporcionar reduções de preço compensadoras do custo de armazém agora acrescido. A utilidade dos stocks tem como contrapartida os seus custos, que se subdividem em custo de compra e custo de armazenagem. Estes custos são importantes e o seu somatório corresponde ao custo total de aprovisionamento.

A Problemática da Gestão de Stocks – Produção Quatro tipos de Stocks: - Stocks necessários à fabricação: matérias-primas, protótipos, peças intermédias fabricadas pela empresa, etc; - As peças de substituição para o parque de máquinas, ferramentas especiais, ferramentas e materiais consumíveis, produtos para a manutenção dos edifícios; - Stocks dos produtos em curso de fabricação, isto é, os stocks entre as diferentes fases do processo produtivo (entre postos de trabalho); - Os stocks de produtos acabados. Os stocks são uma necessidade e ao mesmo tempo um pesado constrangimento financeiro.

Podemos ter stocks: Involuntários – Devido a erros nas previsões da procura, produção acima da necessária, produção por lotes e utilização aleatória dos meios de produção. Deliberados – Devido à produção antecipada por meio de um prazo que decorre entre a encomenda e a produção, produção
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antecipada

para

nivelamento

das flutuações da

procura,

stocks

necessários para compensar as regularidades na gestão da fabricação, do controlo e dos transportes. Se considerarmos o investimento que representam os stocks concluímos que é fundamental para uma empresa procurar reduzi-los o mais possível. Por outro lado, esta redução terá que ser feita com cuidado para não criar roturas e atrasos nas entregas ao cliente, a redução de stocks está sempre associada a uma redução de prazos de produção ou a redução dos stocks está sempre associada a uma redução de prazos de entrega. Em conclusão PORQUE EXISTEM STOCKS NA EMPRESA? São diversas as razões que estão na base da existência de stocks. Passamos a enumerar aquelas que nos parecem mais importantes: - Fluxo das entradas e fluxo das saídas com diferentes ritmos - Erros de previsão - Produção por lotes - Produzir mais do que é necessário - Prazos de fornecimento e pouca habilidade na negociação dos prazos acordados - Deficiências de qualidade - Sistemas fabris não balanceados (diferenças de cadências entre os equipamentos) originando stocks entre as operações. - E ainda, muitas vezes ligados ao processo do fabrico

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para além do custo de ruptura. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 25 .-Produção antecipada para reduzir o prazo de satisfação dos clientes -Produção antecipada para regular as oscilações da procura e para compensar irregularidades da fabricação (avarias. etc. mas para isso é fundamental: -Reduzir a dimensão dos lotes -Fiabilizar o equipamento -Eliminar as não conformidades -Reduzir o tempo de mudança de série. CUSTOS ASSOCIADOS AO STOCK Os stocks suportam. paragens. Os efeitos mais importantes que resultam da existência de stock são: -Os custos ligados à sua existência -As ineficiências que não são evidenciadas devido à sua existência. duas espécies de custo: custo de passagem de encomendas para a constituição e reabastecimento a que vai somar-se o preço de compra artigos e custo de posse inerente à sua existência e que vai agravar os preços de saída de armazém. Para reduzir o stock é necessário reduzir o ciclo de produção.) -Mudanças de fabrico.

seguros. redacção das encomendas. como remunerações e encargos com os agentes do aprovisionamento. iluminação e força motriz. -Custo de Posse O custo de posse do stock compreende duas categorias de despesas: o interesse financeiro dos capitais imobilizados que se situa entre 10 e 15% e os gastos de armazenagem que podem atingir 5 a 10% do valor imobilizado. perdas por deterioração e roubo. controlo dos prazos. que corresponde a 1% .Manutenção: falta de uma peça que origina paragem de fabrico e cuja produção não pode ser recuperada. manutenção dos locais e dos equipamentos). No primeiro caso (fabricação) podemos considerar duas espécies de ruptura: Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 26 . -Custo de Ruptura A ruptura pode verificar-se nas duas actividades de produção: . a amortização dos equipamentos. a amortização ou aluguer dos locais. estudos de mercado. compreende todos os gastos devidos ao procedimento de compra.-Custo de Passagem O custo de passagem. controlo das entregas e conferência das facturas. custo de obsolescência.Fabricação: falta de materiais para dar continuidade ao processo produtivo .2% do montante total das encomendas. Os gastos de armazenagem são constituídos pelo custo de funcionamento dos armazéns (remunerações e encargos. relance aos fornecedores. despesas com negociações.

Ruptura real: detectada só após o lançamento em fabricação. Durante este tempo (t2 – t1).- Ruptura potencial: detectada antes do lançamento em fabricação. o custo associado ao não cumprimento de prazos (perda da venda do produto/custo de oportunidade). a perda de produção rendível expressa em margem bruta : Custo de Ruptura = Ph (t2 – t1) (PV – Cv) Ph – Produção horária. Por outro lado. obriga a outra natureza de custos. o custo da ruptura em manutenção é devido à falta de uma peça de substituição o que dá origem a um conjunto de consequências financeiras que depende da peça e da máquina. controlar e Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 27 . seja o custo de posse de stock de produtos em curso. custo dá posse do stock e custo de ruptura. Gerir um stock compreende a procura de uma solução optimizada em termos. físicos. mas também contabilizar. o custo da ruptura integra. administrativos e económicos. para além do custo de posse dos produtos em curso de fabrico e do suplemento de desperdícios. Cv – Custos Variáveis Em conclusão. O custo de ruptura tem em conta o tempo suplementar t entre o tempo de reparação t1 com a peça existindo no stock e o tempo t2 para arrancar a instalação quando a peça não existe no stock. origina custos de urgência e custos comerciais . PV – Preço de venda. para obter uma boa gestão de stocks é preciso minimizar os três factores de custo: custo de passagem das encomendas. Organização Documental em Suporte Digital A organização de um bom arquivo informático na gestão de stocks permite. da taxa de utilização da máquina e das possibilidades de reparação. não só inventariar.

Toda a gestão económica e física dos stocks (artigos cuja previsão é serem consumidos pelos serviços) é efectuada neste suporte. automaticamente. Há uma melhoria drástica do desempenho do serviço de armazém. • O nível de stock. com imputação de custos aos serviços. para evitar rupturas.gerir. no sistema de gestão de stocks. os serviços requisitantes passam a automatizar e normalizar as requisições internas de bens de consumo ao serviço de armazém. tendo em conta: • A recepção das requisições internas de artigos dos serviços. saídas e existências dos artigos em armazém. O requerente pode consultar as suas requisições e saber o seu grau de satisfação. • O controlo das encomendas aos fornecedores e o seu grau de satisfação. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 28 . o serviço de armazém gere as entradas. • A conta corrente dos artigos. pois a requisição interna em papel deixa de existir e a informação registada pelo serviço requisitante passa a estar disponível. • A emissão das guias de entrega dos artigos aos serviços. Através dele. • A recepção dos artigos através de nota de encomenda efectuada ao fornecedor. • O controlo das entregas. • A lista de compras a efectuar. • As existências dos artigos e sua valorização. • A previsão dos consumos. Ao usar este suporte através de um software.

O “Mac” apresenta-se como um conjunto de módulos interdependentes. tendo como objectivo o planeamento. podendo funcionar em monoposto ou rede. MÓDULOS         Equipamentos Gestão de Pedidos de Intervenção / Ordens de Trabalho / Contratos Lubrificação Inspecção / Manutenção Condicionada Preventiva Sistemática Gestão de Stocks Compras Estatística / Custos / Histórico Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 29 . assim como das suas interligações com a gestão de recursos humanos. compras e subcontratação.• A referenciação física dos artigos no armazém. stocks. Exemplo de Software Informático: CARACTERIZAÇÃO DO SOFTWARE O “Mac” é uma aplicação de apoio à actividade de gestão da manutenção. programação e gestão desta actividade. • A análise ABC. • A classificação económica e patrimonial dos artigos de stock.

ou numa versão “Multilingue” em que todos os termos utilizados no software. Está disponível nas seguintes versões: “File-Server” no “Visual FoxPro” da Microsoft. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 30 . Responsável Código de Localização níveis). “Cliente / Servidor” utilizando a base de dados “SQL Server” da Microsoft. são traduzidos através de um ficheiro existente de “Dicionário” para vários idiomas. (estrutura arborescente a 4 níveis). (estrutura arborescente até 10 Sv.  Parametrização do Sistema (agrupamentos de Equipamentos) por: Sector· (estrutura arborescente a 4 níveis). desenvolvida em ambiente Windows.O software está disponível na versão original em Português. Sistemas Operativos (Multiposto).  Interfaces com outros sistemas: SAP. utilizando a base da dados nativa desta linguagem de programação. BAAN. Windows 2000 / Interfaces com sistemas de Gestão de Stocks e Compras já existentes na Empresa. Windows 95 / Windows 98 / Windows NT / Windows XP. O “Mac” é uma aplicação de 32 bits.

Módulo de Gestão de Stocks \ Compras Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 31 .

Consumos dos Últimos anos. Informações de Compras / Requisições Efectuadas Equipamentos / Sistema onde se encontra o Artigo. / Distribuição mensal do consumo. Cálculo dos parâmetros de gestão do Artigo.Gestão de Stocks com Pluri-Armazém Consulta de Artigos de Stock (Equipamento Sistema / Designação / Part Number e Estrutura arborescente de Famílias) Ficha técnica de Artigo com: Especificação de Compra do Artigo. Alertas de existências de Artigos por Sector de Manutenção COMPRAS Pedidos de Compras / Recepções de Compras Propostas de Compras de Artigos Contratos de Compras de Artigos de Stock Gestão de Compras Gestão de Consultas / Mapas Comparativos de Propostas Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 32 . Reservas de Artigos / Gestão de Reservas Análise de “Monos” Análises ABC por valores de consumo / Stock médio e Stock momentâneo Previsões de Consumos de Artigos face ao Planeamento da Manutenção.

Notas de Encomenda Análises de Fornecedores. Análises Estatísticas a ficheiros de Compras Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 33 .

por um lado.Dos meios de movimentação associados . O armazém deverá ter as dimensões adequadas para colocar os produtos à disposição do empresário. seja fácil aceder a diferentes tipos de artigos. Compreende a definição: . sempre que seja necessário.Gestão Material de Stocks Gestão Física de Stocks A gestão física de stocks preocupa-se. para que.Do plano de conservação dos materiais O Armazém: Local onde se guardam os artigos que formam o stock da empresa. com a organização do espaço físico ocupado em armazém e por outro com a conservação e movimentações necessárias desde a recepção dos materiais.Do layout de implantação dos armazéns .A gestão de entradas e saídas .Os inventários Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 34 . Operações da gestão de stocks .Do plano de arrumação dos materiais . até à sua entrega aos utilizadores internos ou clientes externos.Armazenagem .

A natureza do processo e do sistema logístico. . A situação ideal é a informática. .A segmentação dos artigos em stock por classes de produtos. etc. A segmentação dos artigos em stock -Possuindo as empresas dezenas. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 35 .Armazenagem Os stocks são colocados num armazém a fim de os arrumar no período entre a sua recepção e a sua disponibilização. . Para esta gestão temos dois tipos de organização: . Os elementos fundamentais da política de armazenagem resultam de três análises: .Gestão mono-armazém: todos os produtos são armazenados e geridos num único armazém. repartem-se os stocks por vários locais de armazenagem (cada armazém agrupa um tipo de stock: produtos acabados. a cada momento de entrada ou saída deve corresponder sempre uma transacção. não podem gerir cada um deles individualmente. pois a qualquer momento sabemos qual o ponto de situação dos nossos stocks. A relação entre as quantidades realmente em stock e as quantidades indicadas pela gestão de stocks depende do rigor com que são feitos os movimentos.) -Gestão das entradas e saídas. matérias-primas. centenas ou milhares de artigos em stock.A possibilidade de recolher as informações necessárias e o seu custo.Gestão multi-armazém: com o objectivo de minimizar as movimentações.

A classe C: 5 a 10% do consumo.Valor dos artigos em stock (valor do consumo durante um período) No valor dos Artigos em Stock dividem-se os artigos em stock. 15 a 25% dos artigos. chamada dos 80/20 (20% dos artigos em stock representam 80% do valor e viceversa). em três classes: A classe A: 75 a 85% do consumo. pois o seu impacto sobre os custos é determinante. . ser geridas separadamente. . Os produtos A: São geridos de uma forma precisa. geralmente através de um inventário permanente. Esta classificação é uma variação da Lei de Pareto.A natureza do artigo. como é evidente. A classe B: 10 a 20% do consumo. Estas três classes A. 50 a 60% dos artigos. 25 a 35% dos artigos.O fornecedor. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 36 . ser agrupadas por famílias de artigos tendo em conta: .-As encomendas poderão em determinados casos. B e C deverão.

Este grupo será o implementador da política de stocks e aos armazéns caberá apenas a sua execução. O sistema deverá ser o mais simples e o menos oneroso possível. Estas peças estratégicas deverão ser geridas como os artigos da classe A. A gestão por fichas As fichas deverão ser completas. com as vantagens de um inventário intermitente. particularmente nos casos em que fazem parte de nomenclaturas complexas e em que são indispensáveis à montagem de peças.Os produtos B: São geridos de acordo com sistemas mistos. Sistemas informatizados O computador pode: . subconjuntos e conjuntos de produtos. ou seja reunir toda a informação possível e serão agrupadas num só local.Gerir todos os movimentos feitos nas fichas. Esta segmentação com base num critério de valor não coloca em evidência o aspecto estratégico de certas peças em stock. combinando as vantagens dos métodos que utilizam a quantidade económica ou a periodicidade fixa. Serão actualizadas por um grupo independente dos armazéns. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 37 . pois geralmente os produtos C têm um elevado stock mínimo de segurança elevado. Os produtos C: São geridos por um inventário intermitente e/ou de periodicidade fixa e/ou quantidades fixas de reaprovisionamento.

O ponto de encomenda A partir de dados históricos ou previsionais e utilizando as fórmulas estatísticas que lhe fornecemos.Calcular . .Desencadear encomendas de reaprovisionamento (em função do programado) aos fornecedores. .Efectuar análises do stock. Para verificar a qualidade do estado dos stocks (diferença entre o stock real e o registo informático do stock).Preparar os documentos (pedidos de compra.Elaborar todos os tipos de estatísticas . encomendas de compra) .Permitir a integração de várias tarefas. como por exemplo. e efectuar uma escolha entre os vários fornecedores em função dos seus desempenhos. em quantidade e por local. . a análise ABC quantidades saídas de um artigo x custo = valor saído durante o período .A quantidade económica . é necessário efectuar inventários e evidentemente actualizar o registo informático. . Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 38 . Inventários A todo o momento o gestor deve conhecer a posição actualizada dos stocks para cada referência.Pagar aos fornecedores..Efectuar as previsões de tesouraria relativamente às despesas. Por exemplo: Confrontar e controlar as remessas recebidas com as encomendas que foram feitas.

Tipos de inventários: -inventário permanente. -inventário rotativo Inventário permanente: Consiste em manter permanentemente actualizadas as quantidades de cada artigo em stock através das transacções. Inventário rotativo: Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 39 . Efectua-se para todos os artigos da empresa o que implica uma apreciável carga de trabalho que pode perturbar a sua actividade. -inventário intermitente. Inventário intermitente: É efectuado uma vez por ano e no final do ano contabilístico.Um inventário consiste numa operação de contagem física dos artigos nas prateleiras do armazém.

Consiste em examinar o stock por grupos de artigos e verificar a sua exactidão em termos de quantidades e localização desses artigos. A Informática e o Aprovisionamento A utilização da informática no aprovisionamento permite que a tomada da decisão seja pronta e eficaz. Ou então.. A morada. As principais aplicações de informática nas compras são. O transporte que utiliza. Quais os elementos que consideramos importantes registar numa base de dados de fornecedores? O nome do fornecedor. O contacto telefónico. etc. tanto nas compras. O prazo de entrega. como na gestão dos stocks. a existência de um ficheiro de artigos e de um ficheiro de fornecedores. A frequência de realização deste inventário é diferente consoante o tipo/importância do artigo. O prazo de pagamento. sobretudo. quais os fornecedores em que podemos encomendar um determinado tipo de produto. O tipo de produto. na vigilância dos prazos de entrega. Para isso é necessário constituir uma base de dados de fornecedores. na prevenção das rupturas. a gestão das encomendas aos fornecedores e a gestão das encomendas das fábricas. variedade de artigos e dos seus preços. ao tratar dos dados sobre o mercado fornecedor. temos que saber onde. etc. Para encomendar. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 40 .

Nome do fornecedor .Formas comerciais do produto .O seu código . a totalidade de artigos existente em stock e.Contactos anteriores Informações diversas: encomendas realizadas. a todo o momento.Fornecedores possíveis . etc. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 41 .Nome do empregado a contactar .Acondicionamento .Utilização na empresa .Nomenclatura .Encomendas passadas Ficheiro de fornecedores: Deve conter: .Números de telefone e de fax . solidez financeira.Ficheiro de artigos: Um ficheiro de artigos deve poder registar.Nome do artigo .Propriedades .Produtos de substituição .Principais produtos que fornece . para cada um deles: .

de acordo com os seguintes passos: .Entrada do artigo em armazém .Recepção e verificação da factura Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 42 . … ) Retirar um artigo que deixou de ser consumido/vendido Solicitar ou responder à procura de qualquer artigo Listar todos os artigos triados sob qualquer critério No ficheiro de fornecedores Juntar ou suprimir um fornecedor de determinado artigo Introduzir ou alterar o preço do artigo apresentado por qualquer fornecedor Introduzir outras informações relevantes A gestão das encomendas aos fornecedores: Decorre desde o envio da nota de encomenda até ao pagamento ao fornecedor.Envio da nota de encomenda .Confirmação da recepção da nota de encomenda .Anulação eventual da nota de encomenda . o preço.Vigilância do prazo de entrega . torna-se necessário: No ficheiro de artigos Acrescentar uma nova referência Modificar as características que definem um produto ( a designação.Para que os ficheiros possam estar actualizados.

Recepção da encomenda .Emissão da nota de saída de armazém Existem um número enorme de aplicações possíveis da informática no que respeita à gestão de stocks. assim como do seu cumprimento dos prazos de entrega e ainda da qualidade dos artigos. o que decorre nas fases seguintes: . recorrendo a uma fórmula informatizada.Saída desta de armazém . há que encarar esse valor como imprescindível para a gestão.. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 43 . Periodicidade económica da encomenda: É simples de calcular. este período que é aquele em que se consome a quantidade económica de encomenda. Torna-se necessário analisar os resultados obtidos em função das circunstâncias em que se encontra o stock em estudo. Isto é.Emissão da ordem de pagamento Também será conveniente a verificação do volume de negócios do fornecedor. utilizando o computador. Cálculo da quantidade económica da encomenda: Através de um programa informático é possível proceder à determinação da quantidade económica da encomenda. A gestão das encomendas das fábricas: Vai desde a recepção da encomenda até à colocação à disposição do requisitante.

ou seja.Conhecer as existências em armazém. encomendar e possuir os stocks. Estes podem ser facilmente determinados pelos registos de entrada. mantendo o nível destas tão reduzidas quanto possível.Stock activo: É a parte do stock normal. Previsão dos consumos: São morosas de efectuar em gestão manual pelas grandes quantidades de valores utilizados. se destinam à satisfação imediata das necessidades correntes dos utilizadores. . Para esse efeito é necessário: . em armazém.O número de unidades do stock que foram encomendadas e ainda não recebidas. saída e saldos dos stocks. recorrendo a uma aplicação própria Vigilância do nível de stock: Tem por finalidade acompanhar a evolução dos stocks de modo a evitar rupturas. custos de: Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 44 . constituída por artigos que.O valor do stock de segurança O Custo Total de Aprovisionamento O custo total de aprovisionamento (CTA) inclui todos os encargos de adquirir. . ocupando um determinado espaço. tornam-se relativamente simples quando se utiliza a informática.

Posse dos stocks (ou armazenagem) Custo de compra (C1): Inclui ▪ A preparação das requisições. ▪ A selecção de fornecedores. nesse período de tempo. de 80€. C1 = N x p Exemplo: Se forem comprados 1000Kg de uma dada matéria prima durante o ano N e se o preço médio por quilo for. ▪ A negociação.000€ Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 45 .Efectivação da encomenda (ou realização da encomenda) . o qual resultará de um a média de todos os preços praticados durante o ano.Aquisição (ou compra) . então C1 = N x p C1 = 1000 x 80 C1 = 80. O custo de compra (C1) é igual ao número de unidades compradas por ano (N) vezes o preço médio unitário do artigo em causa (p).. ▪ Os transportes.

porque estas contribuem para a subida dos preços – a prioridade principal passa a ser a rapidez da entrega da encomenda e não o preço. o gestor de stocks deve procurar satisfazer três condições de redução de p (uma vez que as urgências do consumo/produção determina N): . borrachas. etc. -Encargos com material utilizado na realização das encomendas (papel.Organizar as compras de modo a centralizá-las.Tentar evitar prazos de pagamento longos porque conduzem a preços de encomenda mais elevados.º encomendas O valor E obtém-se somando todos os gastos efectuados directamente e indirectamente com a realização das encomendas e dividindo-os pelo número anual de encomendas: . pagamentos à segurança social. Nem sempre é fácil determinar com exactidão os tempos que os empregados atribuíram à tarefa das compras e não a outras. esferográficas. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 46 . porque aumenta o poder negocial da empresa. impressos das notas de encomenda. . Custo de realização da encomenda (C2): É igual ao custo de realização de uma encomenda (E) vezes o número de encomendas efectuadas durante um ano. .Encargos salariais.Para minimização deste custo. etc).Reduzir tanto quanto possível as compras de urgência. incluindo subsídios recebidos. clipes. relativos ao tempo de trabalho prestado na execução da encomenda. C2 = E x n.

b) Juros do capital imobilizado em stocks. e-mails. O somatório destes custos dá-nos o custo total anual das encomendas.. telefonem. o qual dividido pelo número de encomendas realizadas no mesmo período de tempo é igual ao custo de realização de uma encomenda (E). fax. c) Desvalorização do stock. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 47 . Se considerarmos que frequentemente numa encomenda (nota de encomenda) existe mais do que um artigo pedido. .Amortizações das instalações e equipamentos do sector das compras. A taxa de posse dos stocks é constituída por: a) As despesas relativas aos armazéns. que só aproximadamente e por cálculos indirectos poderão ser afectados às compras. etc. então deverá ser considerado o número anual de artigos encomendados em vez do número anual de pedidos.Custos indirectos relacionados com a encomenda. como os de aquecimento. selos. Custo de armazenagem (C3): Envolve a taxa de posse dos stocks e o valor do stock médio. iluminação.

Num hipermercado. em cadeias de hipermercados. -Contribui para operações do tipo just in time no hipermercado. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 48 . ligando a sua base de dados directamente à do fornecedor. Este sistema está intimamente ligado com a troca de informações entre parceiros comerciais. entre outros. implicando uma diminuição dos stocks armazenados e dos próprios armazéns. o tempo de reabastecimento diminui significativamente. Toda a informação é transmitida ao mesmo tempo que o processo é realizado. visto a transmissão de dados ser feita por algoritmos de codificação ou por assinatura digital. Este método é seguro.são: -A grande diminuição dos stocks nos armazéns. A EDI utiliza um formato de dados estruturados de recolha automática que permite que os dados sejam transformados sem serem reintroduzidos. visto sair logo a nota de encomenda. interligando e interagindo com as áreas do hipermercado. é possível a logística usufruir da EDI. Como a compra de novo stock ao fornecedor é feita na altura da requisição. A EDI funciona sem interacção humana e de uma forma rápida. A informação é transmitida ao mesmo tempo que o processo é realizado.Sistemas de Codificação dos Armazéns: EDI (Electronic Data Interchange) EDI significa troca estruturada de dados através de uma rede de dados qualquer e pode ser definida como o movimento electrónico de documentos standard de negócio entre ou dentro de empresas. tais como as caixas registadoras. visto que está ligada ao sistema informático da cadeia. Esta é uma forma de satisfazer as necessidades a nível dos stocks. os produtos nas prateleiras e no armazém. As grandes vantagens da utilização da EDI.

aplicação e vantagens dos códigos de barras. Código de Barras Numa monografia. rapidez na recuperação de dados. introdução de novas categorias e precisão de informação. fáceis de ligar e instalar. equipamentos de leitura e impressão flexíveis. Na simbologia de uma dimensão existem dois sistemas de codificação: o UPC (Universal Product Code) e o EAN (European Article Numbering). sua importância e caracterizados os vários tipos existentes. São enunciadas as aplicações desta ferramenta e algumas actividades que exemplificam como um código de barras melhora a produtividade e rentabilidade de um negócio.) dá informação detalhada sobre códigos de barras. Esta é uma ferramenta que serve para armazenar informação e dados que podem ser nele reunidos de forma rápida e com grande precisão. Nas secções seguintes são descritas as vantagens e benefícios dos códigos de barras: impressão a custos baixos.d. percentagem reduzida de erros. Yanina (s. venda a retalho e muitas outras actividades. Explica-se o porquê dos diferentes tipos de simbologia e os factores que lhes estão associados. visto que é tudo informatizado. visto que o tempo que decorre desde o processamento de uma encomenda até à sua colocação na prateleira para venda diminui. É definida a simbologia no código de barras. quer se trate de fabricação. melhor controlo de entradas e saídas.-Diminuição de erros no processamento dos documentos. O documento inclui uma breve introdução sobre a estrutura. Segue-se a definição de código de barras e dos termos símbolo e simbologia a ele associados. Dentro Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 49 . -Diminuição do lead-time. transporte. As simbologias são de uma (1D) e duas dimensões (2D).

fixo e fixo omnidireccional. permitindo um maior controlo logístico numa cadeia de hipermercados. codabar e posnet. por exemplo: codificação em ambientes hostis. os códigos 39 e 128. de ranhura ou slot.desta dimensão encontram-se o EAN 13 e 8. mas o que a torna realmente interessante é o facto de ser cada vez mais apontada como uma substituição do código de barras. intercalado 2 em 5. A simbologia da segunda dimensão é um complemento da simbologia da primeira dimensão e tem como exemplos os códigos PDF417 e MaxiCode. Na secção sobre a leitura dos códigos de barra é explicado o procedimento e apresentados três sistemas de a realizar: entrada de dados pelo teclado. Eletronic Product Code)(Sudré. Identificação por Rádio Frequência (RFID) A RFID (Radio Frequency Identification) utiliza etiquetas eléctrónicas ou de RFID que emitem um Código Electrónico do Produto (EPC. do tipo CCD e CCD de aproximação. leitores portáteis com ou sem memória e leitores de radiofrequência. Esta tecnologia tem vindo a ser usada cada vez mais em diversos ramos. As vantagens das etiquetas electrónicas são. Leitores tipo lápis. Existem diversos tipos de leitores. A última secção apresenta uma visão do futuro onde o código de barras poderá ter o seu papel diminuído pela generalização do uso dos sistemas electrónicos. 2005). de laser de aproximação e do tipo pistola. É explicada a necessidade de uma compatibilidade entre os leitores e os programas para computador. de modo que se possa ter acesso à informação contida no código de barras. descritos na monografia quanto ao seu modo de uso e realçando as suas vantagens e desvantagens. dos quais são abordadas algumas vantagens e aplicações. autónomos e de códigos de barras de 2D. codificação de produtos em que o código de Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 50 .

estarem a ser definidas para cada região. o efeito da exposição humana às ondas de rádio. as etiquetas electrónicas permitem. e a utilização em produtos metálicos ou com componentes metálicos Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 51 . a determinação e identificação dos pontos de perdas de mercadoria. leitura sem abertura da embalagem. também: o controlo das existências em tempo real. 2005). colocação no interior do produto. Para além da utilização pelas cadeias de hipermercados para identificar os produtos na recepção. leitura sem contacto. 2005 e Sudré. e captação da informação com a etiqueta em movimento.barras não é eficiente. baixo tempo de resposta. o que é uma dificuldade no comércio internacional. não se detectar a passagem de mercadoria cuja informação não foi lida. Entre as utilizações correntes desta tecnologia contam-se o controlo de segurança das saídas de estabelecimentos e nas «vias verdes». Uma das grandes desvantagens das etiquetas electrónicas é o seu custo elevado em relação às de código de barras (Dâmaso. colocação em superfícies posteriormente pintadas ou com outro tipo de acabamento. Há ainda o problema das faixas de frequência para leitura das etiquetas. e o controlo das paletes.

dos custos industriais variáveis e dos custos industriais fixos necessariamente suportados para o produzir e colocar no estado em que se encontra e no local de armazenagem.a soma dos custos das matérias-primas e outros materiais directos consumidos.Valorimetria das Existências CRITÉRIOS VALORIMÉTRICOS 1. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 52 . da mão-de-obra directa.soma do respectivo preço de compra com os gastos suportados directa ou indirectamente para o colocar no seu estado actual e no local de armazenagem.  Custo de aquisição de um bem . Critérios de Valorimetria  Disponibilidades As disponibilidades em moeda estrangeira são expressas no balanço do final do exercício ao câmbio em vigor nessa data.  Existências As existências serão valorizadas ao custo de aquisição ou ao custo de produção.  Custo de produção de um bem .

bem como outros factores análogos. desperdícios. também nos casos em que haja obsolescência.Nota: Os custos de distribuição. Definições: Preço de mercado – Diz respeito ao custo de reposição ou ao valor realizável líquido. Relativamente aos subprodutos. se a empresa não conseguir aplicar outro critério mais adequado. resíduos e refugos serão valorizados pelo valor realizável líquido. Se o custo de aquisição ou de produção for superior ao preço de mercado. deverá ser utilizado o preço de mercado. deterioração física parcial. conforme se trate de bens adquiridos para a produção ou de bens para venda. Custo de reposição de um bem . Como métodos de custeio das saídas adoptam-se os seguintes: Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 53 .valor que a empresa teria de suportar para o substituir nas mesmas condições. quantidade e locais de aquisição e utilização. de administrações gerais e os financeiros não são incorporáveis no custo de produção.preço de venda esperado deduzido dos necessários custos previsíveis de acabamento e venda. Valor realizável líquido de um bem . será este o utilizado. qualidade. quebra de preços.

Situações especiais:  Quando. c) FIFO. b) Custo médio ponderado. e) Custo padrão. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 54 . a determinação do custo de produção acarretar encargos excessivos. pecuárias e silvícolas. d) LIFO. o critério a adoptar para a valorização das existências produzidas será o do valor realizável líquido deduzido da margem normal de lucro. deverá haver um ajustamento que considere os desvios verificados. nas explorações agrícolas. As existências poderão ser valorizadas ao custo padrão se este for apurado de acordo com os princípios técnicos e contabilísticos adequados. Nota: O mesmo critério. na falta de outro mais adequado. será também aplicável aos bens adquiridos sujeitos a crescimento natural.a) Custo específico. mas deverá ser rejeitado nos casos dos bens comprados que se mantenham no seu estado original. de contrário.

em caso contrário. Apenas para este efeito e dentro das mesmas condições. o valor realizável líquido deduzido da margem normal de lucro. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 55 . quando em grande variedade.  As mercadorias existentes em estabelecimentos de venda a retalho. pelo método da percentagem de acabamento ou. o critério a adoptar para a valorização das existências extraídas será o do custo de produção se não acarretar encargos excessivos ou.  Nas indústrias piscatórias.  Nas actividades de carácter plurianuais. Nas indústrias extractivas. se vendam a revendedores pequenas quantidades de cada espécie de mercadoria em cada transacção. em caso contrário. o critério a adoptar para a valorização das existências capturadas será o custo de produção se não acarretar encargos excessivos ou. no fim do exercício. à data do balanço. estradas. designadamente construção de edifícios. barragens. consideram-se também como estabelecimentos de venda a retalho aqueles em que. predominantemente. podem ser valorizadas aos respectivos preços ilíquidos de venda praticados pela empresa. o valor realizável líquido deduzido da margem normal de lucro. os produtos e trabalhos em curso podem ser valorizados. pontes e navios. deduzidos das margens de lucro englobadas naqueles preços. exactas ou com suficiente aproximação.

Assim. ASPECTOS GERAIS DO CÓDIGO DO IRC Os critérios valorimétricos previstos no artigo 25º do Código do IRC são sensivelmente idênticos aos preconizados pelo POC. mediante a manutenção dos respectivos custos até ao acabamento. Custos padrões apurados de acordo com os princípios e técnicas contabilísticas adequadas.” Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 56 . por uma quantidade e um valor fixos. Valorimetrias especiais para as existências tidas como básicas ou normais.   Preços de venda deduzidos da margem normal de lucro.alternativamente. Nota: As matérias-primas e de consumo podem ser consideradas no activo. “os valores das existências a considerar nos proveitos e custos a ter em conta na determinação do resultado do exercício são os que resultam da aplicação dos critérios que utilizam:   Custos efectivos da aquisição ou produção. c) Não haja variação sensível na sua quantidade. no seu valor e na sua composição. b) Representem um valor global de reduzida importância para a empresa. desde que simultaneamente se satisfaçam as seguintes condições: a) Sejam frequentemente renovadas.

poderá a DGI efectuar as correcções adequadas tendo em conta o montante das vendas e das existências finais e grau de rotação das existências. Contudo. Os custos fixos poderão ser imputados ao custo de produção tendo em conta a capacidade normal dos meios de produção (sistema de imputação racional). nos casos em que a margem normal de lucro não seja Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 57 . A utilização de valorimetria a preços de venda deduzidos da margem normal de lucro.Vimos que o custo de aquisição engloba não só o preço de compra mas também os gastos adicionais de compra. desde que apurados de acordo com os princípios técnicos e contabilísticos adequados. sempre que a utilização de custos padrões conduza a desvios significativos. Contudo. da mão de obra directa. dos custos fixos e variáveis. Não é permitido quer pelo POC quer pelo CIRC a utilização do sistema de “Custeio Variável” No que se refere á utilização dos custos padrões o Fisco permiteos. o custo de produção engloba o custo das matérias primas e outras matérias consumidas. só será aceite nos sectores de actividade em que o cálculo do custo de aquisição ou de produção se torne “excessivamente oneroso” ou “não possa ser apurado com razoável rigor”.

para produtos e trabalhos em curso. para produtos acabados.. como critérios valorimétricos: 20%. em relação ao exercício de 2000 e seguintes. o preço de venda deduzido de acabamento de produto multiplicado por 80% do preço de venda.facilmente determinável. a percentagem de para matérias primas e mercadorias. propomos. devendo estes serem determinados de acordo com as definições adaptadas para as existências. não sujeitas a inventário permanente. o custo de aquisição.  Imobilizações O activo imobilizado deve ser valorizado ao custo de aquisição ou ao custo de produção. ficam sujeitos a uma amortização sistemática durante esse período. Nas empresas industriais. a dedução ao preço de venda não pode ser superior a 20%. e porque se torna excessivamente oneroso o cálculo de custos de produção. Quando os respectivos elementos tiverem uma vida útil limitada. No caso dos investimentos financeiros representados por partes de capital em empresas filiais e associadas serão registados de acordo com um dos seguintes critérios: Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 58 .

b2) Do valor nos correspondente próprios à da proporção empresa noutras filial ou variações associada.a) Pelo seu valor contabilístico (custo de aquisição). a empresa participante deve levar a Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 59 . o qual deve ser acrescido ou reduzido: b1) Do valor correspondente à proporção nos resultados líquidos da empresa filial ou associada. como ganhos financeiros e como perdas financeiras. respectivamente. sem quaisquer alterações. Se no exercício seguinte se verificar que os lucros imputados excederam os lucros atribuídos. b) Pelo método da equivalência patrimonial. capitais Os registos contabilísticos das situações referidas na alínea b) terão as seguintes contrapartidas: a) Os lucros e os prejuízos imputáveis à participação na empresa filial ou na associada serão contabilizados. sendo as participações inicialmente contabilizadas pelo custo de aquisição. b) Os valores imputáveis à participação noutras variações dos capitais próprios da empresa filial ou associada serão contabilizados na conta 553 «Ajustamentos de partes de capital em filiais e associadas Outras variações nos capitais próprios».

por intermédio da rubrica apropriada da conta 49 «Provisões para investimentos financeiros». Obtendo-se assim uma Valorização ao mesmo custo de todos os artigos desse código. as alterações de custo resultantes de novas entradas. este deverá ser objecto da correspondente redução.Lucros não atribuídos». Os critérios de valorização correntemente utilizados são os seguintes: 1 – Custo médio ponderado A utilização deste critério faz distribuir por todos os artigos em stock com o mesmo código. que nestes casos terá contrapartida na rubrica apropriada da conta 554 «Ajustamentos de partes de capital em filiais e associadas .Perdas para aplicações financeiras». à data do balanço. Custo Médio ponderado = Valor do Stock + Valor da Entrada Qte. Em Stock + Qte. respectivamente. qualquer deles tiver. A valorização de qualquer elemento do Activo do Balanço de uma empresa tem reflexos naturais ao nível dos seus Resultados pelo que os critérios de valorização dos stocks têm de ser ponderados com toda a prudência.Depreciações» e 684 «Custos e perdas financeiros .diferença à conta 552 «Ajustamentos de partes de capital em filiais e associadas . um valor de mercado ou de recuperação inferior ao registado na contabilidade. Quando as partes de capital em empresas filiais e associadas e os restantes investimentos financeiros. Entrada Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 60 .

Todos os movimentos se processam com base no valor estabelecido para o período de referência (normalmente 1 ano). 5 – NIFO – Next in First Out Segue a mesma lógica do LIFO. Este critério conduz a uma tendência de inflacionamento do custo dos produtos produzidos. uma vez que se mantém os lotes mais antigos que integram o stock. Os desvios. provocando efeitos existências aos têm tendência a ser sobreavaliadas imputações produtos conduzem tendencialmente à sua subvalorização. 4 – FIFO – First in First Out É exactamente o inverso contrários aos apontados. vão a contas de desvios e são regularizados no final do exercício. Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 61 . Este critério afecta sobretudo a valorização dos produtos onde são imputados os artigos movimentados. Os artigos iguais são valorizados de acordo com o lote que esteve na origem da sua entrada. 3 – LIFO – Last in First Out Este critério assume que o último lote que entrou será o primeiro a sair.2. considerando que as saídas se efectuam ao valor de mercado.Custo standard É fixado um valor standard para cada artigo de stock. entre os valores reais e o standard fixado. As saídas são valorizadas em função do lote movimentado na ordem inversa da sua entrada (último a entrar primeiro a sair). uma vez que se utilizam sempre os lotes mais recentes existentes em stock. Em contrapartida as existências são tendencialmente subavaliadas. e as As do anterior.

pt www. A Gestão de Stocks. K. (1996).quidgest.pt www.pt Manual de Gestão Administrativa e Material de Stocks – Nuno Seixas 62 . Aprovisionamento na Empresa. e Wahnon.lusodata. R. (1990).airc.pt www. Lisboa: Presença www.pt www.logisformacao. C.Bibliografia: Zermati. P.pmelink. Lisboa: Editorial Presença Lysons.

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