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Participação nos lucros e resultados (PLR)

Resumo:
Analisaremos no presente trabalho os procedimentos previstos na legislação para
distribuição da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados (PLR), bem como as
regras de tributação dessa "verba trabalhista", dando ênfase ao Imposto de Renda Retido
na Fonte (IRRF), ao INSS, ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ao Imposto
de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

1) Introdução:
De acordo com o artigo 7º, XI da Constituição Federal/1988 (CF/1988), "são direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social,
a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,
excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei".
Com objetivo de regulamentar esse dispositivo constitucional, foram editadas diversas
Medidas Provisórias (MP), sendo a última a MP nº 1.982-77/2000. Em 19/12/2000 essa
Medida Provisória (MP) foi convertida na Lei nº 10.101/2000 (DOU de 20/12/2000), dispondo
de forma definitiva sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados (PLR)
das empresas como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, e como incentivo
à produtividade.
Interessante observar que essa participação deve ser objeto de negociação entre a empresa
e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhido entre as
partes de comum acordo: a) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também,
por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou; b) convenção ou
acordo coletivo.
Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas
quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive
mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado,
periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo
ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:
a. índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;
b. programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
Em verdade, a PLR é um dos estímulos utilizados para garantir a permanência dos
empregados e garantir a união de esforços para alcançar os objetivos da empresa. Reter
talentos em uma organização é um trabalho árduo do departamento de Recursos Humanos,
que vive em busca de novas estratégias para impedir que os melhores funcionários
abandonem a empresa na primeira oportunidade, desta forma, a PLR é uma poderosa
ferramenta para alcançar esse objetivo.
Infelizmente a falta de informação ainda gera certo desconforto e receio por parte dos
empregadores, além de dúvidas por parte dos colaboradores. Por este motivo, passaremos
a analisar nos próximos capítulos os procedimentos previstos na legislação para distribuição
da PLR, bem como as regras de tributação dessa "verba trabalhista", dando ênfase ao
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ao INSS, ao Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço (FGTS), ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Utilizaremos como fonte de estudo a Lei nº 10.101/2000, bem como outras fontes citadas
ao longo do texto.
Base Legal: Art. 7º, XI da CF/1988; MP nº 1.982-77/2000 - Convertida em Lei e; Preâmbulo e arts. 1º e
2º, caput, § 1º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

2) Conceitos:

2.1) PLR:
No que se refere ao conceito de PLR, destacamos a definição trazida pelo ilustre professor
Sérgio Pinto Martins na obra Direito do Trabalho:
A participação nos lucros é o pagamento feito pelo empregador ao empregado, em decorrência do contrato
de trabalho, proveniente da lei ou da vontade das partes, referente à distribuição do resultado positivo obtido
pela empresa, o qual o obreiro ajudou a conseguir.

Interessante observar que a PLR não se confunde com a distribuição de lucros feitas aos
sócios, visto que a primeira é o pagamento feito pelo empregador ao empregado em
decorrência do contrato de trabalho. Já a segunda, é o pagamento feito a título de repartição
de lucros não decorrente do contrato de trabalho.
Nesta mesma obra, o ilustre professor ainda ensina:
Verifica-se do conceito que a participação nos lucros é o pagamento feito pelo empregador ao empregado
em decorrência do contrato de trabalho. Um pagamento feito a título de repartição de lucros que não seja
decorrente do contrato de trabalho poderá confundir-se com o pagamento feito aos sócios de uma
sociedade pelo resultado positivo obtido pela empresa no final do exercício. O lucro porém, a ser distribuído
é resultado positivo, não negativo, pois, por definição, empregador é aquele que assume os riscos de sua
atividade econômica, que não pode ser transferida ao operário.

Por fim, lembramos que a implantação do programa da PLR não é de caráter obrigatório,
salvo se previsto no documento coletivo da categoria respectiva, hipótese em que a empresa
deverá obrigatoriamente cumprir esta cláusula.
Base Legal: Art. 7º, XXVI da CF/1988 e; MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. São Paulo: Editora
Atlas, 2007. p. 266. (Checado pela Valor em 31/01/19).

3) Não equiparação à pessoa jurídica:


Não se equipara a empresa, não estando, portanto, obrigada a conceder participação nos
lucros ou resultados (PLR) aos seus empregados:
a. a pessoa física;
b. a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente:
i. não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes,
administradores ou empresas vinculadas;
ii. aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País;
iii. destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de
encerramento de suas atividades;
iv. mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos
deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam
aplicáveis.
Base Legal: Art. 2º, § 3º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).
4) Negociação da participação:
De acordo com a Lei nº 10.101/2000, a participação nos lucros ou resultados será objeto de
negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir
descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo:
a. comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante
indicado pelo sindicato da respectiva categoria;
b. convenção ou acordo coletivo.
Como podemos verificar, a lei ao dispor sobre a comissão, apesar de dar liberdade de
escolha de seus membros, determina que a mesma deve ser integrada por um
representante do sindicato da "respectiva categoria".
Neste sentido, se faz imperioso a participação de um representante indicado pelo sindicato
da categoria, pois caso não seja observada essa disposição poderá acarretar a
descaracterização da natureza jurídica da PLR, vinculando o seu pagamento ao salário do
empregado, inclusive para efeitos da contribuição previdenciária e para o FGTS, conforme
determinação do artigo 28, § 9º, "j" da Lei nº 8.212/1991, in verbis:
Art. 28 (...)
§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:
(...)
j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei
específica;
(...)

Portanto, a observância das disposições da Lei nº 10.101/2000 é imprescindível para não


integração da PLR ao salário-de-contribuição do empregado, acarretando a incidência do
INSS e do FGTS sobre essa participação.
Base Legal: Art. 28, § 9º, "j" da Lei nº 8.212/1991 e; Art. 2º, caput da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela
Valor em 31/01/19).

4.1) Instrumentos de negociação:


Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas
quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive
mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado,
periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo
ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:
a. índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;
b. programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.
Quando forem considerados os critérios e condições definidos nas letras "a" e "b" anteriores:
a. a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária
informações que colaborem para a negociação;
b. não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.
Base Legal: Art. 2º, §§ 1º, 2º e 4º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

5) Impasse na negociação:
Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em
impasse, as partes poderão utilizar-se dos seguintes mecanismos de solução do litígio:
a. mediação;
b. arbitragem de ofertas finais, utilizando-se, no que couber, os termos da Lei nº
9.307/1996 (1).
O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes.
Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das
partes.
O laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial.
Nota Valor Online:

(1) Considera-se arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringir-se a optar pela
proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes.

Base Legal: Art. 4º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

6) Periodicidade da distribuição:
É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de
participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo
ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.
Portanto, caso o pagamento do PLR seja feito mensalmente é do nosso entendimento que
estará em desacordo com a legislação que rege o tema (Lei nº 10.101/2000), e o valor pago
a esse título será caracterizada como sendo de natureza salarial.
Além disso, todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos
lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados
com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes
à participação nos lucros ou resultados.
Base Legal: Art. 3º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

7) Substituição da remuneração:
A PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem
constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio
da habitualidade.
Base Legal: Art. 3º, caput da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

8) Empresas estatais:
A PLR, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes
específicas fixadas pelo Poder Executivo.
Consideram-se empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista,
suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente,
detenha a maioria do capital social com direito a voto.
Base Legal: Art. 4º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).
9) Penalidades:
Conforme a redação dada pela Lei nº 10.101/2000, não há obrigação da empresa na
distribuição de lucros e resultados, salvo se houver negociação determinando seu
pagamento. A referida Lei apenas estabelece as regras para a concessão do pagamento da
PLR, sem entretanto prever nenhuma penalidade ou sanção pelo não cumprimento.
No caso do Acordo ou Convenção coletivo da categoria determinar o pagamento da PLR,
deverá ser observado o artigo 613, caput, VIII da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT/1943) quanto às penalidades a serem aplicadas, que assim dispõe:
Art. 613 - As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatòriamente:
(...)
VIII - Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as emprêsas em caso de violação de
seus dispositivos.

Como podemos verificar, o próprio documento coletivo em que for fixado o pagamento da
PLR deverá prever, dentre outras cláusulas, as penalidades para os sindicatos convenentes,
os empregados e as empresas em caso de violação de seus dispositivos.
Portanto, o empregador (ou empresa) que não pagar o PLR aos empregados, quando
previsto na respectiva Convenção ou Acordo coletivo, ficará sujeito à multa prevista no
próprio documento, a qual será aplicada pelo Auditor Fiscal do Trabalho (AFT), uma vez que
o sindicato não possui competência para a aplicação dessa multa.
Base Legal: Art. 613, caput VIII da CLT/1943 e; Art. 1º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em
31/01/19).

10) Tratamento tributário:


A participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será tributada pelo
Imposto de Renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos
recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na Tabela Progressiva Anual tratada
no subcapítulo 10.1 abaixo e não integrará a Base de Cálculo (BC) do imposto devido pelo
beneficiário na Declaração de Ajuste Anual (DAA).
Base Legal: Art. 3º, § 5º e Anexo Único da Lei nº 10.101/2000; Art. 1º da Lei nº 12.832/2013 (Checado
pela Valor em 31/01/19).

10.1) Tabela de Tributação Exclusiva na Fonte sobre PLR:


Reproduzimos nos próximos subcapítulos as Tabelas de Tributação Exclusiva na Fonte
incidentes sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa
vigentes desde o ano-calendário de 2013 (2).
Nota Valor Online:

(2) A partir do ano-calendário de 2014, inclusive, os valores da citada Tabela serão reajustados no mesmo
percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos
das pessoas físicas.
Base Legal: Art. 3º, §§ 6º e 11 e Anexo Único da Lei nº 10.101/2000 e; Art. 1º da Lei nº 12.832/2013
(Checado pela Valor em 31/01/19).
Tabela vigente a partir de abril do ano-calendário de 2015:
Participação nos Lucros - Tabela de Tributação Exclusiva na Fonte

Valor do PLR Anual (R$) Alíquota (%) Parcela a Deduzir (R$)

De 0.000,00 a 6.677,55 0,00 0,00

De 6.677,56 a 9.922,28 7,50 500,82

De 9.922,29 a 13.167,00 15,00 1.244,99

De 13.167,01 a 16.380,38 22,50 2.232,51

Acima de 16.380,38 27,50 3.051,53

Base Legal: Anexo III da IN RFB nº 1.500/2014 (Checado pela Valor em 31/01/19).

10.2) Base de Cálculo (BC):


Na determinação da Base de Cálculo (BC) do IRRF incidente sobre aa PLR não haverá
dedução de dependentes e nem de qualquer outra despesa (saúde, educação, previdência
privada, etc.), salvo a importância paga a título de pensão alimentícia, conforme artigo 3º, §
10 da Lei nº 10.101/2000, in verbis:
Art. 3º (...)
§ 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados,
poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das
normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado
judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que
correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da
base de cálculo dos demais rendimentos.

Conforme consta do referido parágrafo, somente a pensão alimentícia que incidir sobre a
PLR (decorrente de determinação judicial, acordo judicial ou divórcio consensual realizado
em cartório) poderá se deduzida da Base de Cálculo (BC).
Base Legal: Art. 3º, §§ 6º e 10 da Lei nº 10.101/2000 e; SC Cosit nº 53/2013 (Checado pela Valor em
31/01/19).

10.3) Tratamento exclusivo na fonte:


Conforme analisado acima, os pagamentos relativos à PLR serão tributados pelo Imposto
de Renda exclusivamente na fonte.
Porém, ocorrendo mais de 1 (um) pagamento a título de PLR no curso de um mesmo ano-
calendário, ainda que se trate de resultados apurados pela empresa em períodos diferentes,
o IRRF deverá ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida neste
ano-calendário, mediante a utilização da Tabela Progressiva Anual, deduzindo-se do IRRF
assim apurado o valor retido anteriormente.
A título de exemplo, suponhamos que a empresa Vivax Indústria e Comércio de Eletrônicos
Ltda. tenha pagado ao empregado Adalberto Pereira de Castro, em abril/2015, o valor de
R$ 9.000,00 (nove mil reais) a título de PLR. Assim, o IRRF a ser retido do empregado será
assim calculado:
Descrição Valores

Valor bruto do PLR: R$ 9.000,00

Alíquota do IRRF, conforme a faixa: 7,5%

Valor do IRRF antes da dedução (R$ 9.000,00 X 7,5%): R$ 675,00

Parcela a deduzir, conforme a faixa: R$ 500,82

Valor do IRRF a recolher (R$ 675,00 - R$ 500,82) R$ 174,18

Portanto, o Adalberto receberá a importância líquida de R$ 8.825,82 (oito mil, oitocentos e


vinte e cinco reais e oitenta e dois centavos) a título de PLR, correspondente à diferença
entre o valor bruto do PLR (R$ 9.000,00) e o valor do IRRF (R$ 174,18).
Suponhamos, agora, que em setembro de 2015, a Vivax pague mais uma parcela à título de
PLR no valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais) ao seu empregado Adalberto. Assim, o IRRF
a ser retido do empregado será assim calculado:
Descrição Valores

Valor bruto do PLR pago no ano (R$ 9.000,00 + R$ 11.000,00): R$ 20.000,00

Alíquota do IRRF, conforme a faixa: 27,5%

Valor do IRRF antes da dedução (R$ 20.000,00 X 27,5%): R$ 5.500,00

Parcela a deduzir, conforme a faixa: R$ 3.051,53

Valor do IRRF devido (R$ 5.500,00 - R$ 3.051,53) R$ 2.448,47

Valor do IRRF retido no ano-calendário R$ 174,18

Valor do IRRF a recolher (R$ 2.448,47 - R$ 174,18) R$ 2.274,29

Portanto, o Adalberto receberá a importância líquida de R$ 8.725,71 (oito mil, setecentos e


vinte e cinco reais e setenta e um centavos) à título de PLR, correspondente à diferença
entre o valor bruto do PLR pago em setembro de 2015 (R$ 11.000,00) e o valor do IRRF
(R$ 2.274,29).
Base Legal: Art. 3º, § 7º e Anexo Único da Lei nº 10.101/2000 e; SC Cosit nº 229/2014 (Checado pela
Valor em 31/01/19).

10.4) Pagamentos acumulados:


Os rendimentos pagos acumuladamente (3) a título de participação dos trabalhadores nos
lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado
dos demais rendimentos recebidos, sujeitando-se, também de forma acumulada, ao Imposto
de Renda com base na Tabela Progressiva.
Nota Valor Online:
(3) Considera-se pagamento acumulado o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de 1 (um)
ano-calendário.
Base Legal: Art. 3º, §§ 8º e 9º da Lei nº 10.101/2000 (Checado pela Valor em 31/01/19).

10.5) Desconto de IRRF inferior a R$ 10,00:


A dispensa de retenção do IRRF de valor inferior a R$ 10,00 (dez reais) não se aplica aos
casos de tributação exclusiva na fonte. Assim, considerando que a PLR é tributada pelo
Imposto de Renda exclusivamente na fonte, é do entendimento de nossa Equipe Técnica
que a dispensa da retenção do imposto não se aplica a esses rendimentos, ou seja, nessa
hipótese, o valor do IRRF, ainda que inferior a R$ 10,00 (dez reais), deverá ser normalmente
descontada do empregado.
Porém, considerando que o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) não
pode ser utilizado para pagamento de tributos e contribuições federais de valor inferior a R$
10,00 (dez reais), o IRRF inferior ao mencionado valor deverá ser adicionado ao imposto de
mesmo código, referente ao período subsequente (independentemente de tratar-se de ano
calendário diferente), até que o total seja igual ou superior a R$ 10,00 (dez reais), quando,
então, deverá ser pago no prazo estabelecido na legislação para este último período de
apuração, sem acréscimos legais.
Nota Valor Online:

(4) Leia também nosso Roteiro de Procedimentos intitulado "Dispensa de retenção: Valor igual ou inferior
a R$ 10,00". Analisaremos neste Roteiro a hipótese legal de dispensa da retenção do Imposto de Renda
e/ou das contribuições sociais na fonte, quando o valor retido for igual ou inferior a R$ 10,00 (dez reais).
Base Legal: Arts. 67 e 68, caput, § 1º da Lei nº 9.430/1996; Art. 785 do RIR/2018 e; IN SRF nº 85/1996
(Checado pela Valor em 31/01/19).

10.6) Prazo de recolhimento:


Nos termos do artigo 70, caput, I, "e" da Lei nº 11.196/2005, o IRRF incidente sobre o
pagamento da PLR deverá ser recolhido até o último dia útil do 2º (segundo) decêndio do
mês subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador, por meio do Darf com o código
3562.
Base Legal: Art. 38 da LC nº 150/2015; Art. 67 da Lei nº 9.430/1996; Art. 70, caput, I, "e" da Lei nº
11.196/2005 e; Art. 785 do RIR/2018 (Checado pela Valor em 31/01/19).

10.7) Comprovante de rendimentos:


Considerando que o PLR é um rendimento sujeito a tributação exclusiva na fonte,
entendemos que o mesmo deverá ser informado no campo Outros (Linha 3 do Quadro 5 -
Rendimentos Sujeitos à tributação Exclusiva) do Comprovante de rendimentos. O PLR
deverá ser informado nesse documento pelo seu valor líquido.
Além de informar a PLR no campo acima mencionado, seu valor também deverá constar no
Quadro 7 "Informações Complementares". Deverá ser informado nesse campo o valor pago,
precedido da seguinte expressão "O total informado na linha 03 do Quadro 5 já inclui o valor
total pago a título de PLR correspondente a R$ _____".
Base Legal: Art. 3º, § 5º da Lei nº 10.101/2000; Anexo II da IN RFB nº 1.215/2011 e; IN RFB nº
1.522/2014 (Checado pela Valor em 31/01/19).
10.8) Dirf:
Na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) o pagamento da PLR
deverá ser informado o valor total pago durante o ano-calendário, os valores das deduções
utilizadas para reduzir a Base de Cálculo (BC) dessa participação e o respectivo IRRF.
Base Legal: Art. 13, § 8º da IN RFB nº 1.836/2019 (Checado pela Valor em 31/01/19).

10.9) DAA:
Na Declaração de Ajuste Anual (DAA) o valor recebido será informado em Rendimentos
Sujeitos à tributação Exclusiva/Definitiva devido ao fato do rendimento da PLR não integrar
a Base de Cálculo (BC) do imposto para o beneficiário, pois trata-se de um rendimento
tributável exclusivamente na fonte.
Base Legal: Art. 17, § 1º da IN RFB nº 1.500/2014 (Checado pela Valor em 31/01/19).

11) Dedutibilidade da PLR na apuração do Lucro Real e


da Base de Cálculo (BC) da CSLL:
Para efeito de apuração do Lucro Real, a participação nos lucros ou resultados atribuída aos
empregados, nos termos da Lei nº 10.101/2000, poderá ser considerada dedutível, como
despesa operacional, dentro do próprio exercício de sua constituição.
Portanto, o valor dessa participação é dedutível, pelo regime de competência, no período-
base em que for computada no resultado da empresa, ainda que o efetivo pagamento ocorra
em período posterior.
Observe-se, porém, que a dedução da despesa antes do efetivo pagamento pressupõe que
o valor das participações a pagar esteja definitivamente quantificado, pois, caso contrário,
tratar-se-á de uma provisão e, como tal, tem a sua dedução vedada pelo artigo 260, caput,
I do RIR/2018.
Vale mencionar que as participações são dedutíveis desde que venha abranger
indiscriminadamente todos os empregados que se encontrem na mesma situação e
atendam aos demais requisitos legais definidos na Lei nº 10.101/2000. Nesse sentido,
o Parecer Normativo CST nº 99/1978 veio esclarecer que se enquadram como não
discriminatórias às participações atribuídas aos empregados por critérios equitativos, como
por exemplo:
a. em proporção do tempo de serviço, ainda que dela sejam excluídos os funcionários
admitidos no último período razoável de tempo, não excedente a um ano;
b. em proporção do último salário ou do salário médio do último ano, haja ou não limite superior
ou quota mínima;
c. pelo mesmo montante a todos os empregados;
d. por qualquer combinação dos critérios anteriormente mencionados ou por outros critérios
igualmente eqüitativos.
Nota Valor Online:

(5) Quanto à CSSL, também é admitida a dedução do valor da PLR, como despesa operacional, quando
da apuração da sua Base de Cálculo (BC).

Base Legal: Art. 3º, § 1º da Lei nº 10.101/2000; Arts. 260, caput I e 526, caput, II do RIR/2018 e; PN CST
nº 99/1978 (Checado pela Valor em 31/01/19).