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Núcleo De Estudos Da Zona Oeste

Preparatório Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro


Tema: PSICOPATOLOGIA II

Organizadores: Professora Fabiana Valerio

nezonaoeste@gmail.com
www.nezoeducacional.com.br
MÓDULO: PSICOPATOLOGIA II

Coordenação Geral NEZO

Profª. Drª. Tatiana M.A. Fonseca

Coordenação Pedagógica

Profª. Drª. Tatiana Fonseca


Mestre e Doutora em Política Social-UFF
Assistente Social do INTO e SMAS RJ

Capa, arte

NEZO EDUCACIONAL

Revisão Final

ProfªMSc. Maria Silva

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1. INTRODUÇÃO

O termo psicopatologia foi cunhado por Jeremy Benthan no ano de 1817, contudo, os
trabalhos de Esquirol e Griesinger publicados na França e Alemanha renderam aos autores o título
de criadores da Psicopatologia.

PSYCHÉ PATHOS LÓGOS

Alma Sofrimento Estudo


Doença Ciência

A psicopatologia estuda a doença mental em diferentes aspectos, como: causas, alterações


estruturais, alterações funcionais, modos de manifestação (sinais e sintomas). As doenças mentais
irão se manifestar a partir de: comportamentos, cognição e experiências subjetivas anormais
(Cheniaux, 2011).
De acordo com Dalgalarrondo (2008) a psicopatologia pode ser definida também a partir de
uma concepção científica mais ampla como sendo: “o conjunto de conhecimentos referentes ao
adoecimento mental do ser humano” (p. 27).
Segundo estas breves noções conceituais acerca do tema, é possível observar a abrangência
que existe dentro dos estudos psicopatológicos. Baseado nisso, o objetivo deste material é consolidar
as principais informações que vem sendo cobradas em concursos para cargos de psicologia, além de
uma indicação de bibliografias principais que podem ser consultadas durante a rotina de estudos.
Alguns editais trazem o detalhamentos dos transtornos específicos a serem estudados (e que
constam no DSM-V), outros, no entanto, optam por uma descrição generalizada (Psicopatologia;
Psicopatologia Geral; Conhecimentos de Psicopatologia, etc.). O caso do edital do concurso da
Prefeitura Municipal de Vassouras, organizado pelo Ibam (Instituto Brasileiro de Administração
Municipal) se encaixa no caso da descrição generalizada. Para estes casos, é possível observar que
boa parte das questões de prova em relação ao conteúdo, também são de âmbito geral e não tão
centrada em conteúdos específicos de transtornos mentais. No entanto, existem alguns transtornos
que se fazem presentes de forma mais recorrente em provas.
Com base nesta primeira avaliação do modo como o conteúdo é demandado no edital e em
conjunção com os objetivos da aula, o presente conteúdo se estrutura em três partes fundamentais:

I) Estruturação de conceitos gerais e noções centrais para a compreensão do tema


(Questões Gerais em Psicopatologia)

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II) Consolidação do processo de avaliação do paciente e as informações principais para o


campo da Psicopatologia
III) Consolidação dos principais conteúdos referentes aos transtornos mentais cobrados com
maior frequência em concursos
Além do conteúdo teórico, a apostila conta também com exercícios sobre o tema. As vinte
questões presentes no material foram retiradas de concursos anteriores, tendo a referência dos
mesmos registradas em cada uma delas. Ao final, temos o gabarito com as respostas corretas e
durante a exposição da aula serão realizados comentários sobre as resoluções.As referências
utilizadas na construção da aula estão separadas por: conteúdos e exercícios. Neste campo, você
poderá acessar a bibliografia principal do tema, e também sites nos quais encontrará outras
questões e exercícios que poderão apoiá-lo na continuidade dos estudos.

2. ASPECTOS GERAIS DA PSICOPATOLOGIA


comportamentais que apresentam, por um
Os aspectos discutidos neste tópico lado, uma especificidade psicológica (as
referem-se a uma definição do campo de vivências dos doentes mentais possuem
estudos da psicopatologia e seus fenômenos; o dimensão própria, genuína, não sendo apenas
conceito de normalidade em psicopatologia e “exageros” do normal) e, por outro, conexões
os principais tipos de psicopatologia. A complexas com a psicologia do normal (o
referência principal do conteúdo é a obra de mundo da doença mental não é um mundo
Paulo Dalgalarrondo: “Psicopatologia e totalmente estranho ao mundo das
Semiologia dos Transtornos Mentais”. experiências psicológicas “normais”)
(Dalgalorrondo, 2008, p. 27).
- Definição do campo da psicopatologia
Segundo o autor é possível delimitar o - Aspectos básicos no estudo dos sintomas
campo da seguinte forma: psicopatológicos
O campo da psicopatologia inclui um Em relação aos aspectos básicos que
grande número de fenômenos humanos devem ser observados e considerados no
especiais, associados ao que se denominou estudo dos sintomas psicopatológicos,
historicamente de doença mental. São Dalgalarrondo estabelece dois:
vivências, estados mentais e padrões
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1) A forma dos sintomas: sua estrutura porém a alteração profunda e


básica e que pode ser dita avassaladora que um paciente com
relativamente semelhante em diversos depressão psicótica experimenta é
pacientes, ex: delírio, ideias obsessivas, parcialmente semelhante à tristeza
etc. normal).
2) O conteúdo dos sintomas: o que 3) Fenômenos qualitativamente novos,
preenche a alteração estrutural, ex: diferentes: fenômenos próprios à
conteúdos relacionados à culpa, determinadas doenças e estados
religiosos, conteúdos persecutórios, mentais (ex: alucinações, delírios,
etc. alterações cognitivas, etc.)
Ao passo que a forma tende a se
apresentar de modo semelhante em diversos - Critérios de Normalidade
pacientes, o conteúdo se relaciona com a Os principais critérios de normalidade
história de vida de cada paciente, sendo utilizados em psicopatologia são:
portanto, mais pessoal. 1) Normalidade como ausência de
- Tipos de fenômenos para a psicopatologia doença: define saúde como sendo a
Em relação aos tipos de fenômenos o ausência de sintomas, sinais ou
autor destaca que existem três tipos de doenças. A crítica que se coloca para
fenômenos clássicos parapsicopatologia: este critério é que o mesmo se baseia
1) Fenômenos semelhantes: experiências numa definição negativa, ou seja,
que podem ser consideradas comuns defini-se o que é normalidade a partir
em todas as pessoas (ex: medo de um daquilo que ela não é.
animal perigoso). Mesmo que haja uma 2) Normalidade Ideal: a normalidade
qualidade pessoal, a experiência em si tomada como certa “utopia”. Uma
é semelhante em todos. norma ideal é estabelecida
2) Fenômenosem parte semelhantes e arbitrariamente do que seria mais
em parte diferentes: fenômenos que o saudável e melhor, por exemplo. A
homem comum experimenta e apenas norma é socialmente construída e
em parte são semelhantes aos que o depende de critérios socioculturais e
homem com doença mental vivencia ideológicos que podem ser arbitrários,
(ex: todo homem pode sentir tristeza, dogmáticos e doutrinários.
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3) Normalidade Estatística: identifica-se desenvolvimento psicossocial,


pelos conceitos de norma e frequência. desestruturações, reestruturações,
Aplica-se a fenômenos quantitativos mudanças próprias a períodos etários.
com distribuições na população geral Conceito particularmente útil em
(peso, altura, horas de sono, entre psiquiatria infantil, adolescente e de
outros).O normal passa a ser aquilo idosos.
que é observado com mais frequência. 7) Normalidade Subjetiva: ênfase na
É um critério muitas vezes falho em percepção subjetiva do próprio
saúde mental pois não se pode dizer indivíduo em relação ao seu estado de
que tudo que é frequente é saúde e suas vivências subjetivas.
necessariamente saudável e nem que Ponto falho deste critério é que ele
aquilo que é infrequente é patológico. pode desconsiderar pessoas em fases
4) Normalidade como bem-estar: maníacas que se sentem
definição de saúde da OMS engloba o excessivamente bem e felizes, porém
bem estar físico, mental e social. A apresentam um transtorno mental
crítica ao conceito se dá por seu grave.
aspecto impreciso, já que não é simples 8) Normalidade como
definir o que é bem-estar, e também Liberdade:proposta de autores
pela realidade de cada local, uma vez fenomenológicos e existenciais
que em alguns países e culturas, propõem que a doença mental seria
poucas pessoas se encontrariam na uma perda de liberdade existencial. A
categoria de saudáveis a partir de saúde mental estaria relacionada à
todos estes aspectos. possibilidade de transitar sobre o
5) Normalidade Funcional: baseada em mundo e o próprio ser, e a doença
aspectos funcionais e não mental encerraria as possibilidades
necessariamente quantitativos. existenciais.
Considera-se patológico aquilo que é 9) Normalidade Operacional: critério
disfuncional e produz sofrimento para assumidamente arbitrário com
o indivíduo ou seu grupo social. finalidades pragmáticas explicitas.
6) Normalidade como Processo: são Existeuma definição a priori do que é
considerados aspectos dinâmicos do normal e do que é patológico e a partir
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disso se trabalha operacionalmente uma desregulação ou


com os conceitos, aceitando as disfunção de alguma parte
consequências desta definição do “aparelho biológico”
estabelecida previamente. - O doente é visto como
existência singular
- Tipos de Psicopatologia - O ser é construído a
Corrente Definições partir da experiência
Psicopatológica particular de cada sujeito,
- Interesse fundamental na na sua relação com outros
Psicopatologia forma das alterações sujeitos e na abertura para
Descritiva psíquicas, a estrutura dos a construção de cada
sintomas. destino pessoal
- Interesse pelo conteúdo Psicopatologia - Nesta perspectiva a
da vivência, os Existencial doença mental não é vista
movimentos internos de como disfunção biológica
afetos, desejos e temores ou psicológica, mas
Psicopatologia do indivíduo sobretudo como um modo
Dinâmica - A experiência particular, particular de existência,
pessoal e não uma forma trágica de ser
necessariamente no mundo, de construir um
classificável em sintomas destino, um modo
previamente descritos. doloroso de ser com os
- Noção de homem outros.
centrada no corpo, no ser - O homem é visto como
biológico como espécie um conjunto de
Psicopatologia
natural e universal Psicopatologia comportamentos
Médica
- O adoecimento mental Comportamental observáveis, verificáveis e
(naturalista)
nesta perspectiva é visto -Cognitivista que são regulados por
como um mau estímulos específicos e
funcionamento do cérebro, gerais, e por certas leis e

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determinantes do mentais são considerados


aprendizado. formas de expressão de
- Associado a isso a conflitos,
perspectiva cognitivista predominantemente
tem sua atenção centrada inconscientes, de desejos
nas representações que não podem ser
cognitivas conscientes de realizados e temores aos
cada individuo. quais o individuo não tem
- As representações acesso.
conscientes são vistas - O sintoma: um arranjo,
como essenciais ao uma solução de
funcionamento mental, compromisso, um arranjo
normal e patológico. E os entre o desejo
sintomas resultam de inconsciente e as normas e
comportamentos e as permissões culturais e
representações cognitivas as possibilidades reais de
disfuncionais, aprendidas e satisfação destes desejos.
reforçadas pela - O sintoma
experiência sociofamiliar. psicopatológico: a
- O homem é visto como resultante deste
ser “determinado”, emaranhado de forças,
dominado por forças, desta trama conflitiva
desejos e conflitos inconsciente
inconscientes. - As entidades nosológicas
Psicopatologia
- Nesta perspectiva é dada ou transtornos mentais
Psicanalítica
uma importância aos específicos podem ser
Psicopatologia
afetos, que são nesta compreendidos como
Categorial
visão, o que domina o entidades completamente
psiquismo. individualizadas, com
- Os sintomas e síndromes contornos e fronteiras

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demarcados. transtorno mental são,


- As categorias portanto, alterações de
diagnósticas: espécies mecanismos neurais e de
únicas tal como espécies determinadas áreas e
biológicas, cuja circuitos cerebrais
identificação precisa - Visa estudar os
constituiria uma das transtornos mentais como
tarefas da psicopatologia comportamentos
- Nesta perspectiva haveria desviantes que surgem a
dimensões, como por partir de certos fatores
exemplo, o espectro socioculturais como:
esquizofrênico, que discriminação, pobreza,
incluiria desde formas migração, estresse
muito graves até formas ocupacional,
menos deteriorantes. desmoralização
Psicopatologia - Exemplo de polaridades sociofamiliar, etc.
Dimensional dimensionais: - Os sintomas e
Psicopatologia
esquizofrenia transtornos devem ser
Sociocultural
deficitária/esquizofrenia estudados, segundo essa
benigna/psicose visão, no seu contexto
esquizoafetivas/transtorno sociocultural, simbólico e
s afetivos com sintomas histórico.
psicóticos/ transtornos - É no contexto de normas,
afetivos menores. valores e símbolos
- Ênfase nos aspectos culturalmente construídos
cerebrais, neuroquímicos que os sintomas recebem
Psicopatologia ou neurofisiológicos das seu significado, e portanto,
Biológica doenças e dos sintomas poderiam ser
mentais. precisamente estudados e
- A base de todo tratados.

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- A cultura é elemento - Este é o modelo adotado


fundamental na própria pelas classificações de
determinação do que é transtornos mentais DSM e
normal ou patológico, na CID
constituição dos - Proposto pelo
transtornos e nos psicanalista francêsPierre
repertórios terapêuticos Fedida visa centrar a
disponíveis em cada atenção da pesquisa
sociedade. psicopatológica sobre os
- As definições básicas de fundamentos de cada
transtornos mentais e conceito psicopatológico
sintomas são formuladas e - Dá ênfase à noção de
tomadas de modo doença mental como
arbitrário, em função de Psicopatologia pathos, que significa
sua utilidade pragmática, Fundamental sofrimento, paixão e
Psicopatologia clínica ou orientada à passividade.
Operacional pesquisa. - O pathos é um
(pragmática) - Não há questionamento sofrimento-paixão que, ao
sobre a natureza da ser narrado a um
doença ou do sintoma e interlocutor, em certas
nem fundamentos condições, pode ser
filosóficos ou transformado em
antropológicos de experiências e
determinada definição. enriquecimento.
Tabela elaborada pelo autor do documento
com base nas informações disponíveis em
Dalgalarrondo (2008, pp 35 a 38).

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3. AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA

A avaliação do paciente em psicopatologia é feita principalmente por meio da entrevista


(Dalgalarrondo, 2008, p. 61).
A entrevista possui três objetivos básicos: a formulação de um diagnóstico, a formulação de
um prognóstico e o planejamento terapêutico (Cheniaux, 2011, p.5).
Dalgalarrondo (2008, p.61) ainda aponta que é a entrevista psicopatológica que permitirá a
realização de dois principais aspectos da avaliação:
1) A anamnese
2) O exame psíquico também denominado de estado mental atual

Cheniaux (2011) também irá dizer que os dois componentes da avaliação psiquiátrica são a
anamnese e o exame psíquico (p.6). O autor estabelece alguns itens principais que comumente
estão presentes na avaliação psiquiátrica (incluindo a anamnese e o exame psíquico), que são:
identificação; queixa principal; motivo do atendimento; história da doença atual (HDA); história
patológica pregressa (HPP); história fisiológica; história pessoal; história social; história familiar;
exame psíquico; súmula psicopatológica; exame físico; exames complementares; diagnóstico
sindrômico; diagnóstico nosológico; conduta terapêutica.
Dalgalarrondo (2008) apresenta os seguintes itens como os aspectos mais relevantes sobre a
técnica da entrevista em psicopatologia: avaliação física; avaliação neurológica; o psicodiagnóstico,
exames complementares. E, estabelece três regras de ouro da entrevista em saúde mental:
1. Pacientes organizados (mentalmente) com inteligência normal, escolaridade boa
ou razoável, fora de um “estado psicótico” devem ser entrevistados de forma mais
aberta, permitindo que falem e se expressem de maneira mais fluente e
espontânea. O entrevistador fala pouco, faz algumas pontuações e deixa que o
paciente conte a sua história.
2. Pacientes desorganizados, com nível intelectual baixo, em estado psicótico ou
paranóide, “travados” por alto nível de ansiedade, devem ser entrevistados de
forma mais estruturada. Nesse caso, o entrevistador fala mais, faz perguntas mais
simples e dirigidas (perguntas fáceis de serem compreendidas e respondidas)

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3. Nos primeiros contatos com pacientes muito tímidos, ansiosos ou paranóides,


deve-se fazer primeiro perguntas neutras (nome, onde mora, profissão, estado
civil, nome de familiares, etc.) para apenas, gradativamente começar a formular
perguntas mais complexas.
- As funções psíquicas elementares e suas alterações
Funções psíquicas elementares:
1) Consciência
2) Atenção
Funções mais afetadas nos transtornos
3) Orientação psico-orgânicos
4) Memória
5) Inteligência
6) Linguagem

7) Afetividade
Funções mais afetadas nos transtornos
8) Vontade afetivos, neuróticos e da personalidade
9) Psicomotricidade
10) Personalidade

11) Sensopercepção
12) Pensamento Funções mais afetadas nos transtornos
13) Juízo de Realidade psicóticos

14) Vivência do Eu

Dalgalarrondo (2009) destaca um aspecto essencial e muito importante nesta divisão das
alterações das funções psíquicas, algumas questões em concursos abordam este apontamento de
modo sutil em questões mais gerais, por isso é importante destaca-lo:
Apesar de ser absolutamente necessário o estudo analítico das funções psíquicas isoladas e de
suas alterações, nunca é demais ressaltar que a separação da vida e da atividade mental em distintas
áreas ou funções psíquicas é um procedimento essencialmente artificial. Trata-se apenas de uma
estratégia de abordagem da vida mental que, por um lado, é bastante útil, mas, por outro, um tanto
arriscada, pois pode suscitar enganos e simplificações inadequadas. É útil porque permite o estudo
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mais detalhado e aprofundado de determinados fatos da vida psíquica normal e patológica; e


arriscada, porque facilmente se passa a acreditar na autonomia desses fenômenos, como se fossem
objetos naturais (Dalgalarrondo, 2008, p. 85).
O autor ainda destaca que “não existem funções psíquicas isoladas e alterações
psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. É sempre a pessoa na sua
totalidade que adoece” (p. 85). Dito isso, o resumo abaixo consiste em trazer as principais
informações acerca das alterações nas funções psíquicas elementares destacadas acima. Importante
mencionar que durante a exposição da aula serão apresentadas (de forma breve e resumida) as
alterações em todas as funções psíquicas, no entanto, para a confecção do material selecionamos
aquelas mais comumente cobradas em provas de concursos.

- Alterações da Consciência
1)Alterações normais da consciência: sono normal e sonho
2) Alterações patológicas da consciência: alterações patológicas quantitativas da consciência
(rebaixamento do nível de consciência) e alterações qualitativas da consciência
 ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS DA CONSCIÊNCIA:

Em determinados quadros neurológicos e psicopatológicos existe uma diminuição do nível de


consciência de forma progressiva, que pode ir desde o estado normal, vigília, desperto até o coma
profundo, no qual não há nenhuma atividade consciente. Os graus de rebaixamento da consciência
são:
a) Obnubilação ou turvação da consciência: rebaixamento em grau leve ou moderado.
Lentidão de compreensão, dificuldade de concentração, pensamento ligeiramente
confuso, perplexidade leve, dificuldade de integrar informações sensoriais do ambiente.
b) Sopor: marcante turvação da consciência. Embora aparente sinais de defesa, o paciente
não age espontaneamente, tendo que ser despertado por meio de estímulos enérgicos.
Psicomotricidade inibida.
c) Coma: profundo rebaixamento do nível da consciência. Não há nenhuma atividade
voluntária consciente. Movimentos oculares errantes com desvios lentos e aleatórios,
transtorno do olhar conjugado, reflexos oculocefálicos alterados. Os graus de intensidade
do coma são: I (semicoma); II (coma superficial); III (coma profundo); IV (coma dépassé).
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 ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA:


Nestes quadros tem-se alterações com mudança parcial ou focal no campo da consciência.
Uma parte do campo da consciência se encontra preservado, normal e outra parte alterada. São
alterações qualitativas da consciência: estados crepusculares; estado segundo: dissociação da
consciência; transe; estado hipnótico; experiência de quase-morte (EQM).

- Alterações da Atenção
a) Hipoprosexia: diminuição da atenção, perda básica da capacidade de concentração, fatigabilidade
aumentada o que dificulta a percepção dos estímulos ambientais e a compreensão; as lembranças
ficam mais difíceis e imprecisas. Dificuldade crescente em todas as atividades psíquicas complexas
(pensar, raciocinar, integrar informações).
b) Aprosexia: total abolição da capacidade de atenção, por mais fortes e variados que sejam os
estímulos.
c) Distração: não é sinal de déficit propriamente, e sim de uma superconcentração ativa da atenção
sobre determinados conteúdos ou objetos, com a inibição de todo o resto.
d) Distraibilidade: ao contrário da distração é um estado patológico que se exprime por instabilidade
marcante e mobilidade acentuada da atenção voluntária, com dificuldade ou incapacidade para fixar-
se ou deter-se em qualquer coisa que implique esforço produtivo. A atenção é muito facilmente
desviada de um objeto para outro.

 TRANSTORNOS MENTAIS E DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS E NEUROPSICOLÓGICOS E A


ATENÇÃO
As alterações da atenção podem ocorrer tanto em distúrbios neurológicos e
neuropsicológicos como em transtornos mentais.
- Distúrbios neurológicos e neuropsicológicos: são alterações no cérebro ou no sistema nervoso
central causado por doenças como: tumores, AVC, epilepsia, cefaleia, meningite, esclerose múltipla,
demências, etc.
- Transtornos mentais: campo de investigação interdisciplinar entre psicologia, psiquiatria e
neurologia. Desorganização no campo psíquico. São os transtornos de humor, esquizofrenia, quadros
depressivos, etc.

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Nos distúrbios neurológicos e neuropsicológicos nos quais a alteração da atenção está


presente são aqueles nos quais ocorre uma diminuição no nível de consciência: encefalopatias
metabólicas, meningoencefalites, acidentes vasculares cerebrais. Nos quadros de demência as
alterações de atenção podem se referir a quadros episódicosno qual há um rebaixamento do nível da
consciência ou à deterioração progressiva da cognição.
Nos transtornos mentais temos alteração da atenção em pacientes com transtorno do humor,
no qual há dificuldade de concentração e atenção constante. Nos quadros depressivos há uma
diminuição geral da atenção. O transtorno obsessivo-compulsivo apresenta atenção vigilante
excessiva e desregulada. Na esquizofrenia há um déficit na atenção central e uma dificuldade de
filtrar estímulos irrelevantes enquanto estão concentrado em determinadas tarefas. No TDAH existe
uma dificuldade considerável em focar a atenção em estímulos internos e externos, pois há uma
dificuldade em organizar tarefas, assim como em conter os impulsos.
- Alterações da Personalidade
Agrupamento A Agrupamento B Agrupamento C
Esquisitice e/ou desconfiança Impulsividade e/ou Ansiedade e /ou controle
manipulação
Paranóide Boderline Ansiosa
 Desconfiança Constante  Relações pessoais muito  Dificuldade em
 Sensível às decepções e instáveis desconstrair-se
às críticas  Atos autolesivos  Preocupa-se facilmente
 Rancoroso, arrogante repetitivos  Teme situações novas
 Culpa os outros  Humor muito instável  Atento a si próprio
 Reivindicativo  Impulsivo e explosivo  Muito sensível a rejeição
 Sente-se  Graves problemas de  Extremamente Inseguro
frequentemente identidade
prejudicado nas relações  Sentimentos Intensos de
vazio e aborrecimento
crônico
Esquizóide Sociopática Anancástica/obsessiva
 Frio (indiferente)  Irresponsável,  Rígido, metódico,

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 Distante, sem relações inconsequente minucioso


íntimas  Frio, insensível  Não tolera variações ou
 Esquisito (estranho)  Sem compaixão improvisações
 Vive no seu próprio  Agressivo, cruel  Perfeccionista e
mundo  Não sente culpa ou escrupuloso
 Solitário (isola-se) remorsos  Muito convencional,
 Não se emociona  Não aprende segue rigorosamente as
(imperturbável) comaexperiência regras

 Mente de forma  Controlador (dos outros


recorrente e de si)

 Aproveita-se dos outros  Indeciso

Esquizotípica Histriônica Dependente


 Ideias e crenças  Dramatiza, é muito  Depende extremamente
estranhas e de auto- teatral dos outros
referência  Sugestionável e  Necessita muito agradar
 Desconforto nas superficial  Desamparado quando
relações interpessoais  Necessita de atenção sozinho
 Pensamento muito vago  Manipulador  Sem inicitativa e sem
e excessivamente  Infantil e pueril energia
metafórico  Erotiza situações não  Sem autonomia pessoal
Aparência física excêntrica comumente erotizáveis
Quadro Resumo Transtorno Personalidade segundo CID-10 e DSM-V
Fonte: Dalgalarrondo (2008), p. 269

- Alterações do Pensamento
 Alterações dos elementos constitutivos do pensamento
1) Alterações dos conceitos: desintegração; condensação
2) Alterações dos juízos: juízo deficiente ou prejudicado; juízo de realidade ou delírio
 Tipos Alterados de Pensamento

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1) Pensamento Mágico;
2) Pensamento Dereístico;
3) Pensamento concreto ou concretismo;
4) Pensamento vago;
5) Pensamento prolixo;
6) Pensamento deficitário ou oligofrênico;
7) Pensamento demencial;
8) Pensamento confusional;
9) Pensamento desagregado;
10) Pensamento obsessivo.
 Alterações no processo de pensar
1) Curso do pensamento: aceleração; lentificação; bloqueio ou interceptação; roubo
2) Forma do pensamento: fuga de ideias; dissociação; afrouxamento das associações;
descarrilhamento; desagregação
3) Conteúdo do pensamento: persecutórios e depreciativos

4. TRANSTORNOS MENTAIS

Antes de iniciarmos o detalhamento dos aspectos de transtornos mentais, se faz necessário


situar as duas referências nas quais será possível identificar os transtornos e critérios associados e
eles: DSM (DSM-V) e CID (CID-10).
 DSM – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais

O DSM é um manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais, encontra-se em sua


quinta edição (DSM-V) e ao longo de sessenta anos vem sendo utilizado como uma referência para a
prática clínica no campo da saúde mental. O texto contido no prefácio do manual aponta que o
mesmo é utilizado por clínicos e pesquisadores de diferentes orientações (biológica, psicodinâmica,
cognitiva, comportamental, interpessoal, familiar/sistêmica), no sentido de estabelecer uma
linguagem comum que seja utilizada para dizer sobre características dos transtornos mentais
apresentados pelos pacientes.

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“O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM), da American


PsychiatricAssociation é uma classificação de transtornos mentais e critérios associados elaborada
para facilitar o estabelecimento de diagnósticos mais confiáveis deste transtorno” (DSM V, 2014,
p.XLII).
 CID – Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde
A CID (CID-10)trata-se portanto de uma publicação da Organização Mundial de Saúde que tem por
objetivo padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde. Portanto,
nesta classificação serão encontradas todas as doenças que podem acometer o ser humano
(cardiopatias, doenças neurológicas, doenças do sistema endócrino, do sistema reprodutos, e etc.). A
CID-10 fornecerá códigos que se referem às doenças e aos diversos sinais, sintomas, queixas e outros
aspectos relacionados às doenças.
 DSM-V E CID-10
A revisão e organização do DSM-V buscou correlacionar a classificação dos transtornos com a
CID-10 , de modo que os critérios do DSM definem transtornos identificados pela denominação
diagnóstica e código numérico da CID. O DSM traz esta relação com a especificação do código CID
sempre que a referência ao transtorno é pertinente (ao lado, de cor cinza claro e entre parênteses).
Ex: Crises de Pânico

DSM - V CID -10


TRANSTORNOS DE ANSIEDADE OUTROS TRANSTORNOS ANSIOSOS (F41)
Transtorno de Pânico Transtorno de Pânico (ansiedade paroxística episódica)
Código: 300.01 Código: F41.0

Por se tratar de conteúdos de Psicopatologia, a referência principal utilizada será o DSM-V, no


entanto, entendemos ser importante a visão de como as duas referências se conectam na prática
diagnóstica.
A tabela a seguir traz o consolidado dos transtornos classificados no DSM-V e alguns dos
transtornos contidos na categorização. São 19 transtornos nomeados de forma direta, além das três
categorias generalizadas: “Outros Transtornos Mentais”; “Transtornos do Movimento Induzidos por
Outros Medicamentos e Outros Efeitos Adversos de Medicamentos” e “Outras Condições que Podem

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ser Foco da Atenção Clínica”. A tabela irá se deter aos 19 transtornos especificados, pois em provas
de concursos são estes os mais solicitados.
Deficiência Intelectual; Transtornos de
Comunicação; Transtorno do Espectro Autista;
Transtornos do Neurodesenvolvimento Transtorno do Déficit de
Atenção/Hiperatividade; Transtorno Específico
da Aprendizagem; Transtornos Motores
Transtorno da Personalidade Esquizotípica;
Espectro da Esquizofrenia e Outros Transtornos
Transtorno Esquizofreniforme; Esquizofrenia;
Psicóticos
Transtorno Esquizoafetivo.
Transtorno Bipolar Tipo I; Transtorno Bipolar Tipo
Transtorno Bipolar e Transtornos Relacionados
II; Transtorno Ciclotímico.
Transtorno Disruptivo da Desregulação do
Transtornos Depressivos Humor; Transtorno Depressivo Maior;
Transtorno Depressivo Persistente (Distimia).
Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social);
Transtornos de Ansiedade Transtorno de Pânico; Agorafobia; Transtorno de
Ansiedade Generalizada.
Transtorno Obsessivo Compulsivo; Transtorno
Transtorno Obsessivo-compulsivo e Transtornos
Dismórfico Corporal; Tricotilomania; Transtorno
Relacionados
de Escoriação (Skin-picking)
Transtorno de Estresse Pós-Traumático;
Transtornos Relacionados a Trauma e Estressores
Transtorno de Estresse Agudo.
Transtorno Dissociativo de Identidade;
Transtornos Dissociativos
Transtorno de Despersonalização/Desrealização
Transtorno de Ansiedade de Doença; Transtorno
Transtorno de Sintomas Somáticos e Transtornos
Conversivo (Transtorno de Sintomas Neurológicos
Relacionados
funcionais)
Anorexia Nervosa; Bulimia Nervosa; Transtorno
Transtornos Alimentares
de Compulsão Alimentar; Transtorno Alimentar

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Restritivo/Evitativo.
Transtornos de Eliminação Enurese; Encoprese.
Transtorno de Insônia; Transtorno de
Transtornos do Sono-Vigília Hipersonolência; Narcolepsia; Transtornos do
Sono relacionados à respiração; Parassonias
Ejaculação Retardada; Transtorno da Dor Gênito-
Disfunções Sexuais pélvica/Penetração; Ejaculação Precoce;
Transtorno Erétil.
Disforia de Gênero Disforia de Gênero.
Transtornos Disruptivos, do Controle de Impulsos Transtorno de Oposição Desafiante; Transtorno
e da Conduta de Personalidade Antisocial; Cleptomania
Transtornos relacionados ao álcool; Transtornos
Relacionados à cafeína; Transtornos relacionados
Transtornos Relacionados a Substâncias e aCannabis; Transtornos Relacionados a
Transtornos Aditivos Alucinógenos; Transtornos Relacionados a
Inalantes; Transtornos Relacionados a Opioides,
etc.
Delirium; Transtornos Neurocognitivos Maiores
Transtornos Neurocognitivos
e Leves.
Transtornos da Personalidade Grupo A
(Paranoide; Esquizóide; Esquizotípica)
Transtornos da Personalidade Grupo B
Transtornos da Personalidade
(Antissocial; Boderline; Histriônica; Narcisista)
Transtornos da Personalidade Grupo C (Evitativa;
Dependente; Obsessivo-compulsiva)
Transtorno Voyerista; Transtorno Exibicionista;
Transtornos Parafílicos
Transtorno Pedofílico
Tabela elaborada pelo autor do documento com base nas informações disponíveis no DSM-V.

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Para cada transtorno o DSM irá estabelecer campos de análise como: Critérios Diagnósticos;
Especificadores; Características Diagnósticas; Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico;
Prevalência; Desenvolvimento e Curso; Fatores de Risco e Prognóstico; Questões Diagnósticas
Relativas à Cultura; Questões Diagnósticas Relativas ao Gênero; Marcadores Diagnósticos;
Diagnóstico Diferencial; Comorbidade; Relação com Outras Classificações.
- TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (DSM-V)
Critérios Diagnósticos:
A. Um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no
funcionamento e no desenvolvimento
*este é um dos critérios diagnósticos principais, existem outros
Características Diagnósticas:
A característica essencial do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um padrão
persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento e no
desenvolvimento. A desatenção manifesta-se comportamentalmente no TDAH como divagação em
tarefas, falta de persistência, dificuldade em manter o foco e desorganização.

- TRANSTORNO DA PERSONALIDADE BODERLINE (DSM-V)


Critérios Diagnósticos:
Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e
de impulsividade acentuada que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos...
Características Diagnósticas:
A característica essencial do transtorno da personalidade boderline é um padrão difuso de
instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e de afetos e de impulsividade acentuada
que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos. Indivíduos com o
transtorno da personalidade boderline tentam de tudo para evitar abandono real ou imaginado
(Critério1). A percepção de uma separação ou rejeição iminente ou a perda de estrutura externa
podem levar a mudanças profundas na autoimagem, no afeto, na cognição e no comportamento.

QUESTÕES

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Defensoria Pública do Estado de Amazonas - AM (DPE/AM) 2018


Cargo: Analista Social de Defensoria - Área Psicologia / Questão 21
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

1) De acordo com o DSM-V, o transtorno da personalidade borderline é


considerado um padrão
(A) com comportamento difuso, desconfiança e suspeita em relação à
motivação da atitude dos outros.
(B) em que se identifica inconstância nas relações interpessoais, na
autoimagem, nos afetos e apresenta impulsividade relevante.
(C) de dependência, submissão, apego e temores de separação.
(D) em que há distanciamento e isolamento nas relações sociais com pouca
expressão de emoções em contextos interpessoais.
(E) relacionado à uma preocupação com ordenamento, perfeccionismo,
controle mental e interpessoal à custa de flexibilidade e eficiência.

Defensoria Pública do Estado de Amazonas - AM (DPE/AM) 2018


Cargo: Analista Social de Defensoria - Área Psicologia / Questão 29
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)
2) No que se refere ao Transtorno de Sintomas Somáticos
(A) por haver alta taxa de comorbidade com doenças médicas, preconiza-se o
tratamento médico antes do encaminhamento para qualquer
acompanhamento psicológico.
(B) está comumente associados traços de personalidade mal-adaptativa e
sintomas dissociativos.
(C) a característica mais importante é o risco aumentado de suicídio que inclui
ideação e comportamentos suicidas.
(D) diferentemente do que ocorre nos transtornos depressivos e transtornos de
ansiedade, não há alta taxa de comorbidade com doenças médicas.
(E) crianças pequenas podem manifestar queixas somáticas.

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Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT 14) 2018


Cargo: Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Área Psicologia / Questão 27
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

3) Consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais − DSM-5,


que o Transtorno da personalidade esquizoide corresponde a um padrão
difuso de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão
de emoções em contextos interpessoais que surgem

(A) desde os primórdios da infância.


(B) no início da vida adulta.
(C) na passagem da infância para a adolescência.
(D) no decorrer da adolescência.
(E) em qualquer etapa do ciclo vital de um indivíduo.

Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT 14) 2018


Cargo: Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Área Psicologia / Questão 28
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

4) Segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da


CID−10, é/são característica(s) do Transtorno da personalidade anancástica:
(A) flexibilidade e complacência.
(B) despreocupação com detalhes, regras, listas, ordem ou organização.
(C) falta de aderência às convenções sociais.
(D) sentimentos de dúvida e de cautela excessivas.
(E) perfeccionismo que não interfere na conclusão das tarefas.

Prefeitura de Macapá - AP 2018


Cargo: Especialista na Educação - Área Psicólogo / Questão 29
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

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5) Pedro, 30 anos, constantemente se queixa aos seus familiares e amigos de que


suspeita possuir uma doença grave. Tem o hábito de pesquisar na internet sobre
características e sintomas das doenças, frequentemente comparece a consultas
médicas para realização de check-ups. Todos os seus exames físicos e sanguíneos
estão negativos para qualquer diagnóstico. De acordo com o DSM-V, a partir desse
relato, a hipótese diagnóstica mais provável é que Pedro sofre de transtorno
(A) De ansiedade generalizada.
(B) Somático.
(C) Frotteurista.
(D) Somatoforme indiferenciado.
(E) De ansiedade de doença.

Prefeitura de Macapá - AP 2018


Cargo: Técnico em Gestão de Assistência Social - Psicologia / Questão 30
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

6) A mãe de Junior, 8 anos, relata que ele é muito birrento e apresenta


comportamentos verbais agressivos e manifestações de raiva direcionadas a ela e
a outras pessoas de sua convivência, principalmente mediante alguma situação de
frustração. Ela relatou à psicóloga que esse comportamento se iniciou há mais de
ano e que, exceto nessas situações, Junior é um garoto comportado. A hipótese
diagnóstica mais provável é de transtorno
(A) Da conduta.
(B) Disruptivo da desregulação do humor.
(C) Explosivo intermitente.
(D) Bipolar.
(E) Do neurodesenvolvimento.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Tocantins

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Cargo: Psicólogo (IF-TO - 2019)

7) Segundo Paulo Dalgalarrondo, a semiologia das chamadas Síndromes


Depressivas, do ponto de vista psicopatológico, tem como elementos mais
notórios o humor triste e o desânimo e seus principais sintomas são divididos em:
I. Sintomas afetivos, instintivos, ideativos e cognitivos.
II. Alterações da autovaloração, alteração da volição e sintomas
psicóticos.
III. Sintomas conscientes, inconscientes e subconscientes.
IV. Sintomas dinâmicos, estáticos e orgânicos.
Acerca das síndromes depressivas e seus sintomas estão corretos os itens:
(A) I e III.
(B) I e II.
(C) II e III.
(D) III e IV.
(E) II e IV.

Prefeitura Municipal de Mauriti/(CEV-URCA - 2019)


Cargo:Psicólogo

8) “Em geral, quando se estudam os sintomas psicopatológicos, dois aspectos


básicos costumam ser enfocados” (DALGALARRONDO, 2008, p.28). São eles:
(A) Forma e Conteúdo
(B) Forma e Sinais
(C) O Estado Mental e Físico
(D) Conteúdo e Aparência
(E) Normalidades estatística e Sinais

Prefeitura Municipal de Macaparana PE 2019

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Cargo: Psicólogo / Questão 37

9) Segundo Dalgarrondo (2000), distingue-se classicamente quatro subtipos de


esquizofrenia:
I. Paranóide, caracterizada por alucinações e ideias delirantes, sem conteúdo
persecutório.
II. Catatônica, marcada por alterações motoras, hipertonia, flexibilidade
cerácea e alterações da vontade, como negativismo, mutismo e
impulsividade.
III. Hebefrênica, caracterizada por um pensamento desorganizado,
comportamento bizarro e afeto pueril.
IV. Simples, onde, apesar de faltarem sintomas característicos, observa-se um
lento e progressivo empobrecimento psíquico e comportamental, com
autonegligência, embotamento afetivo e distanciamento social.

Estão CORRETOS os itens:


(A)I, II e III.
(B)I, II e IV.
(C)II, III e IV.
(D) Todas estão corretas.
(E)Todas estão incorretas.

Prefeitura Municipal de Macaparana PE 2019


Cargo: Psicólogo / Questão 35

10) De acordo com Dalgarrondo (2000), os delírios podem ser classificados. São
tipos frequentes de delírio, EXCETO:
(A) Delírio de referência: o indivíduo acredita ser alvo constante de referências
depressivas e caluniosas.

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(B) Delírio de influência: acredita que está sendo controlado, comandado ou


influenciado por uma força, pessoa ou entidade externa.
(C) Delírio de invenção ou descoberta: de forma completamente
desproporcional, o indivíduo afirma ser vítima de terríveis injustiças e
discriminações, e, em consequência, envolve-se em intermináveis disputas
legais, querelas familiares, processos trabalhistas, etc.
(D) Delírio cenestopático: o indivíduo afirma que existem animais ou objetos
dentro do seu corpo. Esse delírio baseia-se na interpretação delirante de
sensações corporais vivenciadas pelo paciente, mas sem a temática da doença.
(E) Delírio de reforma: ocorre em indivíduos que se sentem destinados a salvar
ou redimir o mundo ou a sua sociedade. Geralmente é baseado em um dogma
ou sistema religioso.

EMATER-MG 2018
Psicologia

11) De acordo com Dalgalarrondo (2000), em diversos quadros neurológicos e


psicopatológicos, o nível de consciência diminui de forma progressiva, desde o estado
normal, vigil, desperto, até o estado no qual não há qualquer resquício de atividade
consciente.
Associe as colunas, relacionando corretamente os graus de rebaixamento da
consciência às suas características.
GRAUS DE REBAIXAMENTO DA CONSCIÊNCIA
(1) Obnubilação da consciência
(2) Coma
(3) Sopor
CARACTERÍSTICAS
( ) Nesse estado, não é possível qualquer atividade voluntária consciente.
( ) Estado de turvação da consciência no qual o paciente pode ser apenas despertado
por estímulo enérgico, sobretudo de natureza dolorosa.

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Psicopatologia II
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( ) Há diminuição do grau de clareza do sensório, com lentidão da compreensão e


dificuldade de concentração.
( ) Rebaixamento da consciência em grau leve ou moderado.
( ) Neste estado, o paciente pode apresentar reações de defesa, mas é incapaz de
qualquer ação espontânea.
A sequência correta dessa associação é
(A)1; 1; 3; 2; 2.
(B)2; 2; 1; 1; 3.
(C)2; 3; 1; 1; 3.
(D)3; 2; 3; 3; 1.

Prefeitura de Caxias MA 2018


Cargo: Psicólogo
Organizador: Instituto Machado de Assis

12) Analise as afirmativas abaixo e assinale a opção correta.


I. As funções mais afetadas nos transtornos psico-orgânicos são: nível de
consciência, atenção, orientação, memória, inteligência, linguagem e
psicomotricidade.
II. A avaliação do paciente, em psicopatologia, é feita principalmente por meio
do exame psíquico, também chamado exame do estado mental atual.
III. Geralmente, a desorientação ocorre, em primeiro lugar, em relação ao
tempo. Só após o agravamento do transtorno, o indivíduo se desorienta
quanto ao espaço e, finalmente, quanto a si mesmo.
IV. As alterações qualitativas do pensamento são as mais importantes em
psicopatologia. Compreendem as alterações dos conceitos e do juízo.
V. As vivências psicopatológicas situam-se em duas perspectivas
fundamentais: têm-se de um lado, os transfundos das vivências
psicopatológicas, que discriminam-se em dois tipos básicos: os estáveis e os
momentâneos. E de outro, os sintomas emergentes.

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(A) Apenas as alternativas I e V estão corretas.


(B) Apenas as alternativas I, II e V estão corretas.
(C) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
(D) Apenas as alternativas III e V estão corretas.

Defensoria Pública do Estado de Amazonas - AM 2018


Cargo: Analista Social de Defensoria - Área Psicologia / Questão 45
Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)

13) De acordo com o DSM-V, o Transtorno de Ansiedade Generalizada − TAG é


caracterizado pelo excesso de preocupações que interferem de forma significativa na
vida da pessoa e apresenta sintomas relacionados a fadiga, irritabilidade e
perturbações do sono. O modelo cognitivo-comportamental pressupõe que esses
sintomas

(A) São decorrentes da catastrofização, ou seja, na antecipação do futuro em termos


negativos, da necessidade excessiva de controle em todas as situações.
(B) Estão relacionadas a crenças centrais disfuncionais e ao pensamento obsessivo.
(C) São decorrentes dos estímulos discriminativos presentes na história passada da
pessoa.
(D) São reforçados positivamente no processo de condicionamento reflexo.
(E) Podem ser entendidos por meio da análise funcional que consiste em identificar os
pensamentos disfuncionais.

Prefeitura Municipal de Mauriti/ (CEV-URCA - 2019)


Cargo:Psicólogo

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14) Uma das principais características da Psicopatologia, como campo do


conhecimento, é a multiplicidade de abordagens e referenciais teóricos. Neste
contexto, é INCORRETO afirmar:
(A) A psicopatologia dinâmica se interessa pelo conteúdo da vivência, os
movimentos internos dos afetos, desejos e temores do indivíduo, sua
experiência particular, pessoal, não necessariamente classificável em
sintomas previamente descritos.
(B) Para a psicopatologia existencial, o doente é visto principalmente como
“existência singular”, como ser lançado a um mundo que é apenas
natural e biológico na sua dimensão elementar, mas que é
fundamentalmente histórico e humano.
(C) No enfoque comportamental, o homem é visto como um conjunto de
comportamentos observáveis, verificáveis, regulados por estímulos
específicos e gerais, bem como por certas leis e determinantes do
aprendizado.
(D) A psicopatologia médica se interessa fundamentalmente pela forma das
alterações psíquicas, a estrutura dos sintomas, àquilo que caracteriza a
vivência patológica como sintoma mais ou menos típico.
(E) Na visão psicanalítica, o homem é visto como ser “determinado”,
dominado por forças, desejos e conflitos inconscientes.

Prefeitura de Agricolândia - PI
Cargo: Psicólogo

15) As afirmativas abaixo dizem respeito á Psicopatologia. Sendo assim, assinale,


nos parênteses, V para as afirmativas verdadeiras ou F para as falsas:
( ) Em geral, quando se estudam os sintomas psicopatológicos, dois aspectos
básicos costumam ser enfocado: a estrutura básica e aquilo que preenche a
alteração estrutural. Este último é geralmente mais pessoal, dependendo da
história de vida do paciente.

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( ) De modo geral, não existem sinais ou sintomas psicopatológicos


totalmente específicos de determinado transtorno mental.
( ) A avaliação do paciente, em psicopatologia, é feita principalmente por
meio da entrevista. A entrevista psicopatológica permite a realização dos
três principais aspectos da avaliação: anamnese, exame do estado mental
atual e exame físico.
( ) As funções mais afetadas nos transtornos psicoorgânicos são: nível de
consciência, memória, linguagem, psicomotricidade e juízo de realidade.
( ) Em psicopatologia, as alterações das funções psíquicas ocorrem de forma
isolada e compartimentalizadas das demais funções.A sequência correta de
preenchimento dos parênteses é:
(A) F;V; V;V;V
(B) V;V; F; F; F
(C) F; F; V; F; V
(D) V; F; V; F; F

BIBLIOGRAFIA:
American PsychiatricAssociation. (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (5 ed.). (M. I. al, Trad.) Porto Alegre: Artmed.
Cheniaux, E. J. (2011). Manual de Psicopatologia (4 ed.). Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan.
Dalgalarrondo, P. (2008). Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais (2 ed.).
Porto AlegreA: Artmed.

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