Você está na página 1de 37

Técnico em Secretaria Escolar

Administração de Materiais

Ana Karla Pereira da Silva Neves de Souza

2014
Presidenta da República Governador do Estado de Pernambuco
Dilma Vana Rousseff João Soares Lyra Neto

Vice-presidente da República Secretário de Educação e Esportes de


Michel Temer Pernambuco
José Ricardo Wanderley Dantas de Oliveira
Ministro da Educação
José Henrique Paim Fernandes Secretário Executivo de Educação Profissional
Paulo Fernando de Vasconcelos Dutra
Secretário de Educação Profissional e
Tecnológica Gerente Geral de Educação Profissional
Aléssio Trindade de Barros Josefa Rita de Cássia Lima Serafim

Diretor de Integração das Redes Coordenador de Educação a Distância


Marcelo Machado Feres George Bento Catunda

Coordenação Geral de Fortalecimento


Carlos Artur de Carvalho Arêas

Coordenador Rede e-Tec Brasil


Cleanto César Gonçalves

Coordenação do Curso
Sheila Ramalho

Coordenação de Design Instrucional


Diogo Galvão

Revisão de Língua Portuguesa


Eliane Azevêdo

Diagramação
Klébia Carvalho
Sumário
INTRODUÇÃO............................................................................................................................ 3
1. COMPETÊNCIA 01 | CONHECER A DIVERSIDADE DE CONCEITOS RELACIONADOS À
ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS E O SIGNIFICADO DE GESTÃO PEDAGÓGICA DE MATERIAIS:
CULTURA DO USO RACIONAL E DO NÃO DESPERDÍCIO: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR. ..6
1.1. Gestão Pedagógica ................................................................................................ 6
1.2. Em defesa do Não Desperdício ........................................................................... 10
1.3. Reutilizar.............................................................................................................. 11
2. COMPETÊNCIA 02 | COMPREENDER AS EXIGÊNCIAS SOBRE AQUISIÇÃO DE MATERIAIS -
LICITAÇÃO, ALÉM DE CUIDAR E MANTER A CONSERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO ..... 14
2.1. Aquisição de Materiais ........................................................................................ 14
2.2. Bens na Escola – Processo de Aquisição ............................................................. 16
2.3. Programa Dinheiro Direto na Escola ................................................................... 17
2.4. Funções do Conselho .......................................................................................... 18
2.5. Escola e Outros Recursos .................................................................................... 19
3. COMPETÊNCIA 03 | CONHECER AS INTER-RELAÇÕES EQUIPAMENTOS FÍSICOS,
MATERIAIS PEDAGÓGICOS, EDUCAÇÃO E APRENDIZAGEM. ................................................. 21
3.1. Gestão Pedagógica e Democracia ....................................................................... 21
3.2. Administração e Gestão ...................................................................................... 24
3.3. Patrimônio Material ............................................................................................ 28
CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 30
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 32
INTRODUÇÃO

Figura 1 - Administrar
FONTE: bandnewsfmcuritiba.com

Uma gestão de recursos materiais de qualidade deve atender


adequadamente às exigências do processo educacional. Para que isso
aconteça, é necessário fazer um planejamento para levantar as necessidades
de forma criteriosa. Não é meramente comprar por comprar ou simplesmente
para garantir o suprimento de um estoque, mas, sobretudo, a qualidade e a
valorização da educação pública, afinal a gestão de recursos pode definir
desde a qualidade apropriada do produto até mesmo o serviço e preço justo
a ser pago pelo mesmo.

Os recursos materiais interferem diretamente na qualidade da educação. A Lei


de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 estabelece formas
de garantir uma educação de qualidade, baseado no cálculo de custo mínimo
por aluno. Porém, nem todos os sistemas de ensino conseguem cumprir esta
garantia. Segundo Martins (2001), é necessário que os sistemas de ensino
vençam, gradativamente, essa distância entre o possível e o desejável. É
preciso racionalizar o uso dos recursos buscando evitar desperdícios.

Diante do exposto, a escola deve estabelecer critérios para a escolha dos


recursos materiais, dentre eles está o de qualidade e o de adequação aos
objetos da escola, dessa forma a instituição contribuirá para um ambiente

3
Administração de Materiais
agradável para todos. Dentre os bens materiais existem os meios moveis que
são:

Equipamentos e material permanente: são as mobílias em geral como, por


exemplo: aparelhos e equipamentos e aparelhos diversos e de escritório.

Material de consumo: são materiais de laboratório, de expediente e de


construção para reparo de móveis, assim como materiais de fotografia e
filmagem e matéria de instalação elétrica.

Material de distribuição gratuita: são materiais como remédios, livros


didáticos, medalhas e troféus.

Figura 2 - Multifacetária
Fonte: www.cartunista.com.br

O responsável por planejar deve ser o mesmo que compra os materiais. Ele
deve conhecer as necessidades e as prioridades da instituição, acompanhando
sistematicamente seu desenvolvimento. Para que possa adquirir os recursos
materiais e contratar os serviços ele deve conhecer os procedimentos gerais
fixados na legislação que institui as normas para licitações e contratos de
administração pública.

É através do processo licitatório que há o reconhecimento da legalidade na


aquisição dos bens materiais. Tudo que se for comprar em uma instituição

4
Técnico em Secretaria Escolar
pública deve passar por esse processo, desde a compra de um lápis a
construção de uma obra. Afinal todos os bens adquiridos pela escola ficam
sob a responsabilidade da Secretaria de Educação e dos gestores de seus
órgãos e escolas, cabendo a ele cuidar e conservar os materiais.

Na busca para elencar e descrever alguns conceitos relacionados à atividade


de gerir recursos materiais e como esta atividade pode ser organizada, nós
nos utilizaremos de uma visão moderna em que administração de material é
uma atividade que abrange a execução e gestão de todas as tarefas de
suprimento, e manutenção do material bem como a economia sustentável
dos mesmos em uma instituição.

Assim, buscaremos facilitar a leitura e compreensão desta proposta tão atual


e complexa como é a de administração de recursos materiais. Para tal fim,
conheceremos a diversidade de alguns conceitos administrativos de recursos
materiais ante ao processo de gestão pedagógica dos mesmos dentro de uma
visão racionalizada o seu uso, na busca do não desperdício.

Tentaremos ainda compreender o processo de aquisição de materiais e as


exigências de todo o processo licitatório bem como o zelo com a manutenção
e conservação do patrimônio público, conhecendo a inter-relação entre os
equipamentos físicos, materiais pedagógicos educação e aprendizagem,
reconhecendo que a junção dos mesmos e a adequação de um ao outro dará
mais qualidade ao processo de ensino e aprendizagem.

Assim, buscaremos juntos desenvolver por meio do conhecimento habilidades


necessárias para a administração de materiais, recursos e equipamentos
sejam estes de ordem natural ou didática no âmbito educacional escolar,
mantendo o cuidado e manutenção do patrimônio público, bem como de
todo o material consumível observando as normas e orientações do conceito
democrático hoje vivenciado na escola.

5
Administração de Materiais
Competência 01

1. COMPETÊNCIA 01 | CONHECER A DIVERSIDADE DE CONCEITOS


RELACIONADOS À ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS E O
SIGNIFICADO DE GESTÃO PEDAGÓGICA DE MATERIAIS: CULTURA
DO USO RACIONAL E DO NÃO DESPERDÍCIO: REDUZIR, REUTILIZAR
E RECICLAR.

Figura 3 - Novo de Novo


FONTE: espacocurupirasalaverde.blogspot.com

1.1. Gestão Pedagógica

Vamos juntos então refletir sobre o que acontece com as sobras daquilo que
consumimos e os encaminhamentos que lhes devemos dar ajudando-nos na
construção de uma consciência ambiental. Vamos juntos refletir sobre este
texto humorado e interessante.

O lixo

Há algum tempo, ninguém percebia que ele existia. Era esquecido nas latas,
nos cantos, abandonado. Agora, ficou famoso, todo mundo fala nele. Aparece
na TV, nos jornais, vira até capítulo de livro! Ele deve estar na maior exibição,
orgulhoso. De quem eu estou falando? Do lixo.

Sinceramente, não sei o que passa na nossa cabeça. Agora tem essa
montoeira de lixo no mundo e ninguém sabia o que fazer.

6
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 01

Como juntamos tanto lixo? É que misturamos as coisas que sobram, sem
critério. Não entendo. Antes de ser “Lixo”, tudo na nossa vida é separado e
catalogado, com o maior cuidado.

Ninguém, quando chega do mercado, mistura arroz com embalagem de


shampoo com pó de café e laranja e papel higiênico, tudo numa lata.

Arrumamos tudo caprichadinho, guardamos o feijão na lata, o açúcar no


açucareiro, as frutas na fruteira.

Mais, depois que consumimos, as coisas perdem o conteúdo, não falem mais
nada. Somos uns tremendos consumistas-egoistas-bagunceiros.

A casca da banana, as sementes, o osso do frango, a casca do ovo,


aproveitamos o melhor e passamos a ter nojo, aflição e desprezo pelo resto,
chamando-o de “lixo”...

Depois, as embalagens, essas são as “roupas” dos nossos produtos. Sem elas,
eles se sujariam, se contaminariam, estragariam. As embalagens protegem.
Não podemos esquecer que tem lixo que é lixo mesmo, e que removê-lo da
cidade é uma questão de saúde pública. Vamos olhar com outros olhos para
o que chamamos de “Lixo”. Pois, o que vem da natureza, para lá deve voltar; e
o que vem da indústria, para ela deve retornar.

Quando nos falam tanto de “re”, na reciclagem, na reutilização e na redução,


acho que temos que ouvir outras palavras: retorno, realidade, resgate,
resolução, retribuição, responsabilidade e recompensa.

Afinal de contas, hoje em dia, o lixo é respeitável.

7
Administração de Materiais
Competência 01

Figura 4 -Reciclagem
Fonte: meio ambiente.culturamix.c

Sob a ótica deste modelo acima, é hora de pararmos para refletir sobre os R’s
existentes no processo de seleção do lixo, bem como as formas de
aproveitamento do que iria ser jogado fora.

Reduzir o consumo, pensar antes de comprar. Afinal 40% do que compramos


vai parar no lixo.

Reutilizar transformando uma coisa em outra dando uma nova função ao


material.

Reciclar transformando o usado em novo com a mesma finalidade.

A reutilização e a reciclagem não devem ser encaradas como a solução para


todos os males da poluição do planeta. O mais importante é reduzir a
quantidade de lixo produzida atualmente e, para isso, cada um de nós tem um
papel a cumprir. Incentivar a reflexão de que as coisas não acabam quando as
jogamos fora, tampouco a nossa responsabilidade sobre elas, é o grande
desafio a ser vencido. Nesse sentido, palavras não bastam, é preciso ação!

Você pode agora então me perguntar, o que a educação tem a ver com isso? E
eu lhe respondo tudo, pois, a assimilação de uma cultura de uso racional e do

8
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 01

não desperdício passa, necessariamente, pela reflexão sobre o que, quanto e


como consumimos.

Pois sob o foco da ação temos a escola como espaço educativo e seus ensinos
podem e devem ser levados para fora da sala de aula. Assim é realmente
necessário que os estudantes, professores e seus pares reflitam e
transformem seus hábitos e atitudes, pois, a intenção de educar deve estar
inserida em todas as ações da escola e para fora da mesma em um processo
de educação da sociedade pela redução na produção do lixo escolar,
aproveitando e economizando, o máximo possível, os materiais de
expediente, higiene, limpeza, racionalizando também o uso dos
equipamentos e dos recursos naturais, como a água e a eletricidade.

Assim, uma gestão pedagógica dos materiais, equipamentos e dos recursos,


além da construção da cidadania, desenvolve a postura de preservação do
meio ambiente e dos recursos naturais do planeta, pode também contribuir
para o processo de autonomia da escola, desde que expressamente prevista
no projeto político pedagógico.

Por isso mais do que construir uma cultura de economia e do uso racional de
materiais, uma ação pedagógica deve partir das necessidades locais,
investigando, propondo, e conquistando mudanças.

Assim a escola será capaz de transformar sua realidade sendo autora de uma
nova postura social de preservação do meio ambiente, desenvolvendo assim a
autonomia, a adoção e o acompanhamento de medidas econômicas básicas,
como o controle de gastos de energia elétrica, água, material de limpeza,
higiene e expediente, como também a conservação de equipamentos
permanentes.

Tais ações são organizadoras e benéficas à autonomia e saúde financeira da


escola, porém o mais importante é sobretudo o desenvolvimento e a
formação dos estudantes.

9
Administração de Materiais
Competência 01

Você pode estar se questionando sobre como se dá a intervenção da


dimensão dos serviços na dimensão pedagógica. Digo que, grande é a
complexidade entre a relação pedagógica e o recurso, porém o que deve ser
levado em conta é o papel primordial da educação, que é a formação do
aluno, veremos que ambas as dimensões (pedagógica e de serviços) devem
caminhar juntas, uma em complementaridade à outra. Assim, a tomada de
decisão, pelo professor, no desenvolvimento e na gestão do processo que
orienta na sala de aula deve encontrar apoio e parceria nas ações do técnico
em gestão, a fim de que, juntos, eles promovam um ambiente pedagógico
adequado à melhor formação e aprendizagem dos alunos.

1.2. Em defesa do Não Desperdício

Ao administrar os materiais da escola, devemos buscar uma educação que


vise à mudança de atitudes, traduzida em ações de responsabilidade social,
economia e auto sustentabilidade.

Ou seja, trabalhar para instituir, no ambiente escolar, a cultura do não


desperdício como meio de gestão autônoma dos recursos materiais e
financeiros da escola, além do desenvolvimento da consciência em relação às
transformações provocadas, no planeta, pelo consumismo desordenado
humano.

Em outras palavras, apresentar esforços no sentido do estabelecer um


compromisso, com a manutenção de um ambiente escolar saudável e, com a
diminuição dos efeitos da ação humana sobre a camada de gás carbônico na
atmosfera e o consequente superaquecimento global, tão comentado
ultimamente, afinal atitudes simples podem contribuir com essa missão: a
economia de materiais e recursos, a coleta seletiva do lixo e o
reaproveitamento de grande parte daquilo que sobra, são medidas que fazem
muita diferença.

10
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 01

Outra questão são as ações de manutenção das redes devem vir


acompanhadas de atitudes individuais de responsabilidade social, como o uso
racional da água e da luz, assim, uma economia interfere na outra pois a
conscientização quanto ao uso das quantidades adequadas de sabões e
detergentes reflete imediatamente na economia da água, bem como na do
próprio produto.

Na tentativa de colaborar com a economia de recursos, outra prática que


poderia ser adotada na escola, seria a criação de um cronograma que
organizasse as atividades de limpeza. Facilitando assim a distribuição de
matéria referente apenas para aquela tarefa.

1.3. Reutilizar

Outra ação não menos importante é o reaproveitamento daquilo que sobra.


Um exemplo são os sabões em barra onde os pequenos pedaços ou as sobras
podem ser reaproveitados na fabricação de detergente caseiro, o que garante
uma grande economia na aquisição do produto e uma diminuição da
produção de lixo como pode ver:

Receita de Detergente Caseiro

Ingredientes:

• 200 g de sabão em pedra (de glicerina ou de coco) picado

• 3 litros de água

• suco coado de 1 limão

• 3 colheres de sopa de amoníaco

11
Administração de Materiais
Competência 01

Figura 5 - Aproveitar
Fonte: www.atitudessustentaveis.com.br

Modo de Preparo:

Coloque em um balde 2,5 litros de água e o suco de limão. Coloque o sabão


com a água restante numa panela e aqueça em fogo baixo, mexendo bem até
dissolver. Em seguida despeje o sabão no balde e mexa bem, acrescentado o
amoníaco. Continue mexendo até estar tudo muito bem misturado. Está
pronto, guarde o detergente em recipientes não metálicos bem tampados.
Rende aproximadamente 3 litros de detergente.

Para sabonetes a dica é, coloque as sobras de sabonetes em um vidro de boca


larga, cubra-as com dois dedos de água e algumas gotas de amônia. Coloque o
vidro em banho-maria, mexa de vez em quando com uma colher de pau,
dissolva todo o sabonete. Aos poucos, acrescente duas colheres de sopa de
glicerina e misture bem. Despeje em formas pequenas ou tabuleiro. Depois de
frio, corte em barras ou com cortadores de formas.

Se desejar colorir, acrescente anilina enquanto estiver quente.


Esta forma de reaproveitamento pode ser feita pelos alunos, afinal, “se eu
faço, eu valorizo”.

O que dizer então dos materiais de expediente? Existem infinitas


possibilidades de economizá-los além da reutilização. Tudo depende do

12
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 01

planejamento e da organização. Por isso é tão importante sua efetiva


participação na implementação do projeto pedagógico da escola.

É preciso conhecer intimamente as práticas e as atividades docentes, não só


para administrar a quantidade de materiais necessários, mas, sobretudo, para
auxiliar a escolha, no uso racional e no reaproveitamento do material mais
adequado.

É importante reiterar que ações como essas, além de medidas econômicas


que trazem resultados quase imediatos, mostram resultados também a médio
e longo prazo, com o desenvolvimento de uma cultura do não desperdício, em
toda a comunidade escolar, pois, uma vez desenvolvidas com a participação
dos alunos, essa atitude multiplica-se no seio da comunidade, nas famílias, na
vizinhança.

13
Administração de Materiais
Competência 02

2. COMPETÊNCIA 02 | COMPREENDER AS EXIGÊNCIAS SOBRE


AQUISIÇÃO DE MATERIAIS - LICITAÇÃO, ALÉM DE CUIDAR E
MANTER A CONSERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO

Figura 6 - Zelo
Fonte: charlesonline.com.br

2.1. Aquisição de Materiais

Chega a hora, e já não era sem tempo, de refletirmos sobre os principais


procedimentos a serem observados quanto à aquisição e bens materiais para
a escola.

Licitações

Conhecer as exigências legais, bem como os procedimentos relativos à


aquisição de materiais, é muito importante, pois, há normas e princípios
estabelecidos em lei que devem ser obedecidos no uso do bem público.

14
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 02

A compra de bens permanentes, como mobiliários (carteiras, cadeiras),


equipamentos de grande porte (fogões industriais, geladeiras), em valores
superiores a R$ 8.000,00 (oito mil reais), a realização de grandes obras, como
a construção de uma escola ou ainda a aquisição de materiais em grandes
quantidades, depende de processos que obedecem a determinadas normas A licitação é “um
conjunto de
legais: as licitações. procedimentos
administrativos
que a
A grande regulamentadora dos processos licitatórios é a lei nº 8.666/93, que administração
pública deve
estabelece as normas gerais sobre licitações e contratos administrativos, seguir para
obras, serviços, compras, alienações e locações ligadas aos Poderes da União adquirir bens e
contratar
Federal, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. serviços”.
(Lei nº 8.666/93)

Esta lei determina, em seu Artigo 3º, que a licitação deve garantir o princípio
constitucional da isonomia e a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração pública, devendo estar em consonância com os princípios
norteadores das ações de gestão dos recursos públicos sejam estes de ordem
licitatória ou não. Vejamos os princípios a seguir:

Princípio da Publicidade: todo o processo deve ser público, devendo ser dada
ampla divulgação ao edital da licitação e a todos os atos de sua realização.

Princípio da Legalidade: a aquisição de bens ou a contratação de serviços


deve atender estritamente aos mecanismos legais vigentes.

Princípio da Impessoalidade: interesses particulares não devem, em


nenhuma hipótese, se contrapor ao interesse público.

Princípio da Moralidade: os atos administrativos devem ser pautados pela


lisura, pela ética dos agentes envolvidos.

Princípio da Igualdade: deve ser garantida a igualdade de oportunidade a


todos os interessados em fornecer bens e serviços, não devendo haver
nenhum tipo de favorecimento a qualquer participante.

15
Administração de Materiais
Competência 02

Princípio da Probidade Administrativa: não deve haver, em nenhuma


hipótese, prejuízo ao erário e ao patrimônio público.

A observância desses princípios garante a transparência na gestão dos bens


públicos, sendo este um dos aspectos mais importantes. Seu exercício
consciente, em todas as ações que o servidor desempenha, mais que um
dever profissional, deve ser uma filosofia de vida, que, uma vez assimilados,
devem ser transpostos para o cotidiano na escola, para a administração de
materiais, independentemente da forma ou do meio de sua aquisição.

É notório que a maioria destes princípios faz parte de nossa rotina diária
profissional visto que, estes mesmos, se analisados por uma ótica social,
mostram claramente a postura íntegra que deve gerir a vida de qualquer
cidadão.

Os princípios que estão totalmente em consonância com o processo licitatório


legal nos leva a compreender que valores legais são os valores para a vida,
que garantem transparência na gestão e esta postura do gestor bem mais que A Lei no
uma postura ligada à profissão deve ser sua filosofia de vida que faça parte do 8.666/93
estabelece as
cotidiano da escola, para a administração de materiais, independente da normas gerais
forma e do meio de aquisição. para todo tipo
de aquisição de
bens e para
2.2. Bens na Escola – Processo de Aquisição todo tipo de
contratação de
serviços,
destinados a
Um administrador de materiais tem como responsabilidades de sua função: todo e qualquer
realizar compras, estocar, distribuir, controlar, contabilizar e fiscalizar o uso ente público, em
todos os níveis
dos materiais adquiridos. Para desempenhar eficientemente todas essas da
funções é preciso muita organização e planejamento, especialmente em administração.

relação à aquisição de bens.

Nesse sentido, além de conhecer profundamente as necessidades da escola,


baseando-se no aspecto pedagógico, alinhavado no projeto político
pedagógico vigente, bem como o plano de gestão proposto é necessário

16
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 02

também uma precisa noção dos mecanismos possíveis de aquisição de bens


pela própria escola. Para tanto, observemos alguns recursos e suas
orientações para uso.

2.3. Programa Dinheiro Direto na Escola

Figura 7 - Recursos
Fonte: www.ayrtoncarvalho.com.br

A escola pública dispõe de alguns recursos financeiros para adquirir bens ou


contratar serviços, a fim de suprir as necessidades imediatas que surgem no
cotidiano escolar. Um dos mais importantes é o Programa Dinheiro Direto na
Escola (PDDE), programa de descentralização, instituído pelo Ministério da
Educação (1995), destinado às escolas estaduais e municipais de ensino
fundamental, que tenham mais de vinte alunos matriculados. O valor do
recurso é proporcional ao número de alunos e à modalidade de ensino
oferecida.

O PDDE surge, portanto na tentativa de sanar as demandas da escola visto


que muitas vezes os materiais de consumo e os permanentes repassados
pelas secretarias de educação destoavam das reais necessidades da escola.
Esta democratização de recursos e de gestão era também um desejo de
organizações sociais ligadas à educação que defendiam a autonomia e
cidadania da escola e a melhoria da qualidade de ensino, afinal a democracia

17
Administração de Materiais
Competência 02

da escola envolve toda a comunidade e seus seguimentos por busca dos


interesses comuns.

Esta prática democrática de gestão se da por meio dos conselhos escolares os


quais se tornam responsáveis tanto por elencar as necessidades e prioridades
da escola bem como as realizações de cotação de preço, compra, fiscalização
de ações e obras bem como a prestação de contas. A meu ver, a mais rica
função do conselho escolar é a de unir escola e comunidade.

2.4. Funções do Conselho

Figura 8 - Conselho
Fonte: escoladegestores.mec.gov.br

Este grupo colegiado e com representatividade de todos os seguimentos da


escola, pais, alunos, professores e funcionários é responsável pelo processo
de gestão escolar em parceria com gestores das unidades educacionais. Entre
as funções do conselho iremos destacar algumas.

Consultiva – quando é consultado sobre questões importantes da escola.

Deliberativa - quando aprova, decide e vota as questões administrativas,


financeiras ou pedagógicas da escola.

Normativa - elabora regimentos, avalia e decide os melhores rumos para a


escola.

18
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 02

Fiscalizadora/Avaliativa – quando exerce papel de controle ficando


subordinado apenas à assembleia geral.

2.5. Escola e Outros Recursos

Além dos recursos do PDDE e outros programas governamentais a escola


pode também gerar outros recursos de tal forma; promover festas, gincanas,
feiras, festivais e campanhas, tais ação já acontecem nas escolas, vejamos;
feiras de ciência e tecnologia, as festas juninas, os bazares, os festivais de
sorvete ou as comidas típicas. O que falta às unidades educacionais é planejar
as ações de forma a solucionar a necessidade da unidade educacional para
aquele momento. Assim, os lucros de atividades abertas à população podem
ser revertidos em benefício da escola.

Figura 9 - Esforço
Fonte: escoladegestores.mec.gov.br

Essas ações, planejadas de acordo com a proposta pedagógica, tendo como


objetivo primeiro o estreitamento dos laços escola–comunidade, podem
também ser importantes fontes geradoras de recurso e um passo importante
rumo à autonomia financeira da escola.

Outra forma que a unidade educacional tem de adquirir outros equipamentos


é o processo de doações, porém este só pode se dar desta forma: A escola
deve manter atualizado o registro de todos os seus bens, porém quando a

19
Administração de Materiais
Competência 02

escola recebe uma doação direta de uma empresa, deve em primeiro lugar,
ter por parte da empresa a doação formalizada por meio de um documento
impresso. Em seguida, ao receber a doação, a escola deve registrá-la,
identificá-la e comunicar ao órgão responsável pelo material e patrimônio.

Figura 10 - Doações
Fonte: g1.globo.com

Porém, se a doação é feita por outro órgão público tanto a doação quanto à
recepção do bem devem ser formalizadas entre as instâncias máximas de
cada órgão, sendo esta formalização devidamente assinada pela
representação de cada órgão. Tal doação é conhecida como transferência de
patrimônio.

20
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 03

3. COMPETÊNCIA 03 | CONHECER AS INTER-RELAÇÕES


EQUIPAMENTOS FÍSICOS, MATERIAIS PEDAGÓGICOS, EDUCAÇÃO E
APRENDIZAGEM.

Figura 11 - Materiais
Fonte: vilamulher.com.br

3.1. Gestão Pedagógica e Democracia

Perceba que a gestão pedagógica dos materiais envolve os mesmos princípios


da gestão escolar democrática, além de assumir a intencionalidade da ação
educativa. Em outras palavras, sintetiza a construção do conhecimento pela
efetiva participação de todos nas ações de intervenção da realidade escolar,
desde a elaboração até a avaliação, visando, é claro, ao processo formativo do
estudante.

Sob esse foco, ao pensar em uma proposta inovadora, que envolva a todos,
deve-se considerar as peculiaridades de cada segmento da comunidade
escolar: os alunos, com seu contexto socioeconômico-cultural; os professores,
com seus conhecimentos, valores e expectativas em relação à aprendizagem

21
Administração de Materiais
Competência 03

do aluno; a direção, com suas formas e características de liderança e gestão


escolar; as famílias, com a capacidade de envolvimento e acompanhamento
dos filhos; as condições físicas e materiais da escola e, por fim, você,
funcionário de escola, com sua larga experiência na manutenção dos espaços
físicos e seu novo perfil profissional (técnico, gestor e educador).

A não observância a essas características e aspectos pode comprometer o


envolvimento necessário à implementação de ações transformadoras das
práticas convencionais de uso dos materiais e dos recursos disponíveis em
práticas de construção de uma cultura autônoma do não desperdício e da
consciência ambiental. Por isso, ao se planejar ações dessa natureza, deve-se
levar em conta o contexto escolar e social com todas as suas características e
prioridades. Caso contrário, não surtirá os efeitos esperados.

Administrar materiais no âmbito escolar não pode nunca estar distanciada da


proposta pedagógica de gestão seja de materiais ou de equipamentos, nem
tão pouco da proposta autônoma de gestão democrática.

Afinal de contas a administração é uma ciência social aplicada responsável


pelo planejamento, organização, direção e controle dos recursos (humanos,
financeiros, materiais, de uma instituição.

De acordo com Idalberto Chiavenato, a palavra Administração é oriunda do


Latim onde “ad” denota direção/tendência para. Ainda com referência ao
autor através de sua visão pós-moderna, administrar significa “criar condições
ideais de solidariedade para que as pessoas possam se ajudar mutuamente”.

Portanto conceituando:

“Administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar”. (Jules


Henri FAYOL – 1981)

22
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 03

“Administrar é o processo de dirigir ações que utilizam recursos para atingir


objetivos”. (Jucélio PAIVA – 2011)

“A administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre


objetivos e utilização de recursos”. (Antonio César AmaruMAXIMIANO – 1997)

“Administração é o ato de trabalhar com e através de pessoas para realizar os


objetivos tanto da organização quanto de seus membros”. (Patrick
J.MONTANA e Bruce H. CHARNOV – 1998)

“Administração é um processo distinto, que consiste no planejamento,


organização, atuação e controle, para determinar e alcançar os objetivos da
organização pelo uso de pessoas e recursos”. (George TERRY – 1953)

“Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e o controle


sobre as ações dos indivíduos, para o expresso propósito de alcance de metas
predeterminadas”. (PETER Ferdinand DRUCKER – 1989)

“Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e


eficaz de recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas
organizacionais”. (Reinaldo Oliveira da SILVA – 2001)

Diante de toda esta diversidade temática cabe por tanto a o gestor o papel de
abraçar esta pluralidade de ações tais como; Planejar; Organizar; Controlar; e
(em dias atuais) Liderar.

Sendo assim, vamos fugir do que é regra no processo de gestão de materiais,


e valorizarmos o uso pleno da criatividade diante da real idade e das
necessidades existentes na escola quanto ao uso, aquisição e manutenção dos
bens e recursos da escola.

23
Administração de Materiais
Competência 03

Portanto é bom lembrar que gerir materiais é ofertar recursos para a


aprendizagem, observando a quantidade necessária, a melhor qualidade do
que for adquirido, visando ainda à economia dos recursos financeiros.

Os recursos materiais são para serem utilizados, afinal, geri-los é também


avaliar a sua necessidade de compra e de uso.

Às vezes achamos difícil administrar, mas observe a rotina de seu dia, pare e
pense como você o tem administrado bem desde o acordar até dormir; você
tem horários e coisas para fazer, escolhe mudar e avançar etapas como
também decide o que pode ser feito depois. Você é administrador. Constatei!

Figura 12 - Varias Ações


Fonte: gero.com.br

Afinal, além do planejamento, da organização, dos conhecimentos já


acumulados a partir de suas experiências de vida e de trabalho, o
conhecimento formal, adquirido ao longo desta disciplina, será também
elemento de transformação de uma administração convencional e mecânica
em uma atuação crítica, reflexiva e competente.

3.2. Administração e Gestão

Portanto durante esta nova construção de competências, vamo-nos deparar


sempre com dois termos gestão e administração com definições muito

24
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 03

semelhantes, sendo às vezes utilizados como sinônimos, às vezes como


termos distintos.

Vejamos, portanto as definições sobre este tema de Houaiss:

ad.mi.nis.tra.ção (pl.: ões) s.f. 1 ato ou efeito de administrar; 2 ação de


governar ou gerir empresa, órgão público etc. ~ administrativo adj.

ges.tão (pl.: ões) s.f. 1 administração; 2 mandato público.

Então, vamos começar a nos aprofundar sobre tais termos sob um olhar mais
técnico, assim perceberemos administração como o processo racional de
manutenção de controle sobre um grupo, uma situação ou organização de
forma que garanta os melhores resultados em tarefas, visando a alcançar
determinado objetivo.

Para tanto se torna tarefa e parte integrante das atribuições e habilidades de


um administrador que na maioria das vezes está ligada mais diretamente aos
resultados as seguintes questões:

Figura 13 - Valorização
Fonte: www.jacotei.com.br

 Manutenção e controle sobre o ambiente de trabalho e


comportamento humano.

25
Administração de Materiais
Competência 03

 Garantir recursos necessários ao perfeito funcionamento da unidade.


 Importante é fazer o máximo e não o melhor e o diferente.
 Objetividade garante bons resultados.

Como você pode perceber, de acordo com as características apresentadas, na


administração há uma forte tendência centralizadora, focada na figura do
administrador, que privilegia a técnica e atribui aos participantes um caráter
meramente executor.

No ambiente escolar, a administração é, em geral, centrada na figura do


diretor, que é o responsável por coordenar toda a parte administrativa,
pedagógica e de serviços. Na maioria das escolas, o diretor conta com uma
equipe de assistentes e apoio, (vice-diretor, secretário, coordenador) os quais
lhe dão um suporte técnico.

Já ao nos referirmos a gestão, esta é marcada pelo reconhecimento e


conhecimento da importância da participação efetiva e consciente das
pessoas.

Na escola, está associada ao fortalecimento da ideia de democratização do


processo pedagógico, entendida como a participação de todos nas decisões e
na implementação de tudo o que foi decidido. Dessa forma, gerir é algo mais
que administrar, envolve intimidade e contato. Corresponde a um sentido
mais amplo da administração, onde o poder e as ações são descentralizados e
o gestor passa a ser junto com os demais membros do grupo partícipe de
todos os planos e realizações do grupo.

Sendo assim, torna-se, portanto, função da equipe gestora, além do papel de


liderar o grupo, ser o maior incentivador de novas lideranças, dividindo
responsabilidades e tarefas entre os demais segmentos da comunidade
escolar, todas estas ações em nome da qualidade do ensino.

26
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 03

Figura 14 - Companheirismo
Fonte: telexfreehomensdesucesso.blogspot.com

Entende-se a gestão como uma possibilidade de construção de perspectivas


para o desenvolvimento das instituições das práticas educacionais, bem como
das pessoas envolvidas, afinal uma gestão de sucesso desenvolve e incentiva a
autonomia.

Autonomia, uma das bases mais importantes para a gestão moderna e


democrática principalmente no que tange à administração pública trás em si a
independência e a liberdade, como parceiras da responsabilidade. Porem a
autonomia difere de autossuficiência.

A autonomia é vista como a possibilidade e a capacidade institucional de as


escolas programarem projetos pedagógicos próprios, nascidos dos anseios e
das demandas dos segmentos que compõem sua comunidade. A base da
autonomia está em saber gerir e captar os recursos governamentais e
comunitários destinados à escola, que possam dar sustentação aos projetos
pedagógicos e às atividades, de forma criativa e inteligente.

A autonomia da escola na gestão de suas necessidades é elemento tão


fundamental que a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB), em seu Artigo 15, nos diz:

27
Administração de Materiais
Competência 03

Os sistemas de ensino assegurarão às unidades


escolares públicas de educação básica que os integram,
progressivos graus de autonomiae de gestão pedagógica
e administrativa e de gestão financeira, observadas as
normas gerais de direito financeiro público. (Lei no
9394/96), acesse: www.mec.gov.br)

A fim de estabelecer este processo autônomo, a escola deve ter clareza dos
recursos que recebe e plena convicção de que os mesmos devem ser
aplicados de forma a atender as necessidades da mesma e garantir a
qualidade do ensino.

Vale salientar que ser autônomo não é deixa de prestar contas, mas,
sobretudo ter consciência que sua autonomia lhe dá mais responsabilidade
ainda quanto ao gerenciamento destes recursos bem como os bens
patrimoniais que a ela pertencem.

3.3. Patrimônio Material

Figura 10 - Vandalismo
Fonte: www.uni-vos.com

28
Técnico em Secretaria Escolar
Competência 03

Material ou físico, patrimônio, é a base de nossos estudos e constituem todos


os bens móveis e imóveis pertencentes a unidade educacional ou aos órgãos
competentes.

Bens estes que variam desde o prédio em que está instalada até mesmo os “Promover o
inquérito civil e a
talheres da cozinha. Vale lembrar que este patrimônio é público e se público é ação civil pública,
pertence a todos e deve por todos ser zelado. para a proteção
do patrimônio
público e social,
do meio
ambiente e de
outros interesses
difusos e
coletivos”.
(Art. 129 inciso III
Constituição
Federal)

29
Administração de Materiais
CONCLUSÃO

Querido aluno, chegamos ao final de mais uma modalidade deste curso rumo
à sua ampliação de conceitos e formação profissional.

Ao longo dos estudos aqui realizados, você teve a oportunidade de agregar


novos conhecimentos ao seu fazer diário com o objetivo de transformá-lo,
conscientemente, em um fazer técnico, educativo e efetivamente
participativo, especialmente no que diz respeito à administração dos
materiais e dos equipamentos da escola.

É muito importante agora que, ao se apropriar dos conhecimentos


construídos a partir dos estudos deste Módulo, você consiga refletir sua
prática e propor ações de intervenção na realidade da sua escola,
multiplicando atitudes positivas na comunidade.

Você já sabe que as ações educativas acontecem a partir da intenção de


educar, podendo se dar em todos os espaços da escola, além da sala de aula.
Assim, a consciência quanto ao uso racional dos materiais e dos
equipamentos escolares, ou seja, do patrimônio escolar, deve sofrer as
influências positivas de uma administração de materiais voltada à construção
de uma postura crítica – individual e coletiva – em relação ao não desperdício
como cultura de preservação do meio ambiente, de conservação do
patrimônio público, de autonomia dos processos econômicos e financeiros e,
principalmente, de construção de identidade da escola.

Os cuidados com os componentes patrimoniais (ambientais, culturais, morais


e materiais) devem nortear outro aspecto crucial à transformação da escola: o
envolvimento de todos os segmentos da comunidade nos processos de
mudança.

30
Técnico em Secretaria Escolar
Como você viu, a mudança só é possível com a participação efetiva dos
alunos, pais, professores, funcionários e direção, desde o planejamento até a
implementação e a avaliação das ações de intervenção.

A transformação da escola em um espaço verdadeiramente educativo


depende necessariamente da transformação dos hábitos e das atitudes nela
cultivados. Assim, o desenvolvimento de uma cultura do não desperdício e do
uso racional dos recursos, dos materiais e dos equipamentos deve ultrapassar
os muros da escola, alcançando as comunidades em que seus membros
convivem, desencadeando atitudes efetivamente cidadãs. E você, educador,
pode ser o motivador de todo esse processo, o “abre-alas” de uma escola
pública mais justa e igualitária.

Portanto então refletiremos sobre o texto a seguir no desejo de sonharmos


com uma escola onde tudo valha realmente a pena.

31
Administração de Materiais
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei no 4.717, de 29 de junho de 1965. Presidência da República, Casa


Civil, subchefia para Assuntos Jurídicos.

________. Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993. Presidência da República,


Casa Civil, subchefia para Assuntos Jurídicos.

________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. In: SOUZA,


José Vieira de. Profuncionário – Teorias administrativas. Brasília:
Universidade de Brasília, 2006.

CENTRO de Educação e Documentação para Ação Comunitária. Livro do


diretor: espaços e pessoas. São Paulo: Cedac/ MEC, 2002.

CHAMUSCA, Heitor. Autonomia escolar como maior objetivo. Revista Gestão


em Rede, n. 71, ago. 2006.

CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação à administração de materiais. São Paulo:


Makron/McGraw-Hill, 1991.

DIAS, Marco Aurélio P. Gerência de materiais. São Paulo: Atlas, 1996.

DOURADO, Luiz Fernandes; DUARTE, Marisa Ribeiro Teixeira. Progestão:


como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de
gestão escolar? Módulo II. Brasília: Consed, 2001.

INSTITUTO ANTÔNIO HOUAISS (Org.). Minidicionário Houaiss da língua


portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. LÜCK, Heloísa. Gestão
educacional: uma questão paradigmática. Volume 1. Rio de Janeiro: Vozes,
2006. (Série cadernos de gestão).

______. Concepções e processos democráticos de gestão educacional.


Volume II. Rio de Janeiro: Vozes, 2006. (Série cadernos de gestão).

32
Técnico em Secretaria Escolar
MARTINS, Ricardo Chaves de Rezende. Gestão de recursos materiais. In:
RODRIGUES. Maristela Marques, GIÀGIO, Mônica (orgs.). Política educacional:
gestão e qualidade do ensino. Brasília: Líber Livro, 2009, p.21-44.

MARTINS, Ricardo Chaves de Rezende; AGUIAR, Rui Rodrigues. Progestão:


como gerenciar o espaço físico e o patrimônio da escola? Módulo VII. Brasília:
Consed, 2

MENDES, Francisco Coelho e NUNES, Marisandra Neri. Gestão escolar: análise


do gerenciamento de recursos em universidades do rj. Disponível
em:http://www.estudosdotrabalho.org/anais6seminariodotrabalho/francisco
coelhomendesmarisandranunes.pdf>acesso em:17/03/2014. SILVA, R. O.
Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001

33
Administração de Materiais