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SUMÁRIO

1. A IMPORTÂNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DE


APRENDIZAGEM........................................................................................................ 2

2. A IMPORTÂNCIA DO COMPUTADOR NA ESCOLA COMO


FERRAMENTA MEDIADORA DO PROFESSOR NO PROCESSO DE
CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ...................................................................... 9

3. RECEIO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS ................................................... 12

4. O PAPEL DA EDUCAÇÃO FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS ....... 18

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 21

5. LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................ 24

NOVAS TECNOLOGIAS NAS AULAS DE LÍNGUA INGLESA: APRIMORANDO


O PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM ........................................................ 24

REFERÊNCIAS .............................................................................................. 38

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1. A IMPORTÂNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM

Fonte: catracalivre.com.br

Nossa sociedade recebe a cada dia um número maior de seres humanos que
precisam de uma organização pessoal, familiar e educacional. Os estudos apontam
que tem crescido nas escolas, o número de crianças que apresentam dificuldade de
aprendizagem de origem orgânica e secundária. Esse problema suscita a possibili-
dade do uso de recursos tecnológicos da informática como auxílio direto ou indireto
para as atividades tanto das Salas de Recursos, como também nas demais modalida-
des da Educação Especial e educação dos alunos em geral.
São muitos os desafios em busca da melhoria da aprendizagem na educação
brasileira. Sabe-se que a Educação procura intercâmbio com outras áreas do saber
como a Medicina, Engenharia, Arte, Informática, Psicopedagogia, Fonoaudiologia, Te-
rapia Educacional, Fisioterapia, dentre outras áreas do conhecimento.
A informática é um riquíssimo recurso aliado à construção do conhecimento. A
Educação é um campo rico em experiências de desenvolvimento e aprendizagem,
sendo a Informática uma área do conhecimento humano que pode contribuir de ma-
neira positiva para a Educação Especial. A questão é de que maneira se apropriar da

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Informática como mais um recurso disponível para o almejado “vencer obstáculos e
lacunas” e ter sucesso na aprendizagem. Sabe-se que a instituição educacional deve
ter base bem estruturada e para isso, necessita-se de profissionais especializados em
Educação, como também de profissionais habilitados de outras áreas e, que cada
profissional contribua com o seu melhor conhecimento local, conectado com o univer-
sal.
A tecnologia da informação e comunicação trouxe novas concepções através
de interações e reflexões profundas sobre a participação de cada indivíduo na forma-
ção da história contemporânea. A sociedade mundial tende a ser informatizada, o que
exige estudo e entendimento de sua linguagem tecnológica digital no meio educacio-
nal. A Educação deve ter conexão com a realidade, tanto a já registrada, como a pre-
sente. A História aponta que nas atividades das mais variadas sociedades, as ferra-
mentas, os instrumentos são importantes para o desenvolvimento do indivíduo, auxi-
liando-o a conhecer e a dominar o ambiente, de forma semiótica ou material, num
tempo e espaço, sendo desenvolvido segundo observações, pesquisa, habilidades,
criatividade, consciência e necessidades humanas. Cada artefato, ambiente, meio tec-
nológico desenvolvido por determinada sociedade traz vantagens e limites sobre ou-
tras tecnologias conhecidas. Nas últimas décadas, vários autores desenvolveram pes-
quisas relacionadas aos recursos da informática e desenvolvimento/aprendizagem
humana, tais como: TAYLOR (1980); MENDONÇA e RAMOS (1991); PIERE LÉVY
(1993); FERREIRA (1998); GRAVINA e SANTA ROSA (1998); CAMPOS, CUNHA e
SANTOS (1999); PAULA e REIS (1999); COSTA, OLIVEIRA e MOREIRA (2001); CO-
ELHO, FLEMING e LUZ (2002); MELO, SANTOS e SEGRE (2002) dentre outros.
Através dos tempos, o ser humano utiliza-se da extensão de seus sentidos para
aperfeiçoar suas atividades cotidianas em seu universo tecnológico através da pes-
quisa de ferramentas dentre outras atividades. Cada uma das técnicas inventadas
exige uma forma de registrar e representar o conhecimento em seu momento histó-
rico. A tecnologia é um fazer, tendo como propulsor o raciocínio e os sentidos. Flusser
(2002, p. 13) defende que as imagens técnicas produzidas por “...aparelhos fazem
parte de determinadas culturas, conferindo a estas certas características. ” As novida-
des da tecnologia possuem forte vinculação com o desenvolvimento social, econômico
e cultural de certa época. Estudos apontam que a transmissão primitiva dos conheci-

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mentos teve a sequência: oral – desenho - escrita. Já os computadores foram proje-
tados a partir dos registros escritos. Inicialmente o ser humano e o computador se
comunicavam por meio de códigos que precisavam ser digitados a cada novo co-
mando; posteriormente criaram-se as interfaces gráficas, baseadas em imagens. Os
pesquisadores desde a antiguidade buscam sempre desenvolver novas tecnologias,
almejando - melhorias.
Segundo Nascimento (1990, p. 2) acredita-se que a informática tenha seus pri-
mórdios nos povos do Egito, Mesopotâmia e China, que iniciaram os processos e re-
gistros de: contagem, medidas, análise, cálculos e escrita. Sabe-se que novas tecno-
logias podem gerar inovações nas relações de aprendizagem. Cada época constrói
seus pensamentos e conceitos, sendo hoje quase impossível pensar num mundo des-
vinculado da informática.
É possível nos conscientizar sobre o momento em que vivemos, encarando o
desafio da informática educacional de forma real, verificando quais tecnologias podem
ser acopladas à Educação tendo como meta a busca do desenvolvimento da apren-
dizagem. A tendência educacional contemporânea defende a implantação das tecno-
logias da informática na Educação, minimizando a diferença entre a escola pública e
a particular. Os computadores fazem parte do ensino/aprendizagem dos países de-
senvolvidos.
A utilização do computador estimula mudanças profundas na educação con-
temporânea. É hora de os profissionais da Educação estudar formas de construção
do conhecimento. O docente precisa estar ciente de que, aprimorar-se em conheci-
mentos que integram sua atuação, faz parte de seu dever e também é seu direito
como profissional na Educação. O fenômeno informático provoca curiosidade, pes-
quisa, deslumbramento e dúvidas; está alargando a percepção e a inteligência em
códigos digitais de linguagem computacional, reunindo em sistemas artificiais de inte-
lecção, abrindo caminhos antes nunca imaginados. Camargo e Bellini (1995, p. 10)
apontam que “O computador não melhora o ensino apenas por estar ali. A informati-
zação de uma escola só dará bons resultados se conduzida por professores que sai-
bam exatamente o que querem”. É necessário estender a tecnologia educacional para
além dos suportes materiais. O docente deve conhecer e dominar os procedimentos
da tecnologia que deseja colocar em ação, sendo o currículo, as disciplinas, tecnolo-
gias organizadoras do conhecimento construído pela sociedade.
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Santos (2007, p. 6) salienta que a “... consciência do professor está condicio-
nada, primeiramente ao domínio do conteúdo e do método, além do conhecimento
sobre as possibilidades facilitadoras para a sua prática, permitindo assim operar as
tecnologias e operar sobre as tecnologias, superando a passividade pela atividade
criativa. ” O uso da tecnologia na aprendizagem é mais do que objetos, ferramentas,
conhecimentos técnicos e conceituais, pois envolve postura afetiva, social, simbólica
e conceitual por parte do docente.
Nossa sociedade está a cada dia mais se relacionando com símbolos da lin-
guagem digital. Sabe-se que muitas pessoas sonharam com bibliotecas onde o saber
da humanidade fosse armazenado e compartilhado com sujeitos das mais diferentes
localidades. Vivemos esse tempo e devemos usufruir dessa nova facilidade de acesso
ao conhecimento real e virtual. Chaui (2004, p. 303) salienta que: “agora, com os sa-
télites e a informática, é o nosso cérebro ou nosso sistema nervoso central que, por
meio das novas máquinas, se expande sem limites, diminuindo distâncias espaciais e
intervalos temporais até abolir o espaço e o tempo. ” O ser humano está se tornando
parte do corpo da alta tecnologia, com os órgãos dos sentidos e cérebro conectados
com o mundo, ou seja, o corpo como sujeito e objeto das novas tecnologias. A tecno-
logia da informática favorece a renovação que pode ser ao estudante a chance de
melhorar a conexão de informações e ampliar conhecimentos. As pesquisas apontam
que as tecnologias influenciam as pessoas, a Educação e a sociedade. A escola ao
diversificar as opções de aprendizagem tecnológica pode auxiliar a sociedade a de-
senvolver um ambiente cultural e também científico.
O mundo contemporâneo vive o momento de reflexões multimídia. Países po-
tenciais como a China, EUA e Canadá têm suas escolas conectadas à Internet. Madov
(2000, p. 35) destaca que “Israel, que tem uma das populações mais escolarizadas
do mundo, procura empresas de software que queiram testar produtos em suas salas
de aula. ” Atualmente a computação traz possibilidades de desenvolvimento da apren-
dizagem, pois pode ser programada para atividades educacionais cada vez mais com-
plexas. Há um número elevado de pesquisa no campo da informática, e isso causa o
surgimento de novos programas praticamente a cada dia.
É necessário perceber que mesmo com toda a tecnologia de comunicação e
informática de que dispomos, faz-se necessário o desenvolvimento do ser humano. O
computador deve ser utilizado de forma estratégica para que possa desempenhar o
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papel de desenvolver o indivíduo, dando alternativas para que escolha qual a via mais
adequada para o desenvolvimento e aprendizagem. A informática pode auxiliar a de-
senvolver a aprendizagem do estudante através de programas, os quais se dividem
em: tutoriais, exercícios, prática, jogos dentre outros componentes.
Camargo e Bellini (1995, p. 13) apontam para atividades e benefícios que po-
dem ser produzidas com a mediação do computador:
• Simulações: Estão entre os mais interessantes usos da informática na educa-
ção. Estes softwares permitem estudar conteúdos difíceis de demonstrar com giz e
palavras como (...) reações bioquímicas. Benefícios: as simulações expandem o uni-
verso do aluno. Permitem o tratamento de conceitos complexos abstratos.
• Apoio: Existem softwares (programas) que, embora não tenham sido desen-
volvidos para a educação, podem ser úteis. São editores de texto (que transformam
os micros em máquinas de escrever muito mais versáteis) e planilhas (para fazer ta-
belas e cálculos). Benefícios: permitem a elaboração de relatórios e de textos.
• Jogos: Os jogos têm estreita ligação com o lazer e a descontração. Mas po-
dem ser muito instrutivos em sala de aula. Alguns jogos favorecem atividades multi-
disciplinares e permitem exercícios paralelos, pois vêm com material de apoio para
trabalho em sala. Benefícios: são muito motivadores e servem para quebrar resistên-
cia às novas tecnologias.
• Logo: Especialmente criada para o ensino, o Logo é uma linguagem matemá-
tica muito simples desenvolvida segundo preceitos do construtivismo. Com esta lin-
guagem, os alunos aprendem a desenvolver seus próprios programas. O trabalho com
o Logo exige o treinamento constante dos professores. Muitas escolas o abandona-
ram por outros softwares.
• Telemática: Um dos usos mais promissores da informática. Os sinais elétricos
do computador são transformados em sinais digitais e enviados à distância – como
um telefonema. (...) laboratório da Nasa, sem sair da escola. Benefícios: troca de ex-
periências, acesso a informações remotas.
• Enciclopédias: A informática mudou as enciclopédias. Especialmente as que
vêm gravadas em CD-ROM. Nelas, podem-se ver algumas imagens que têm movi-
mento ou comparar versões sonoras sobre um mesmo tema, como ouvir um soneto
de Shakespeare recitado por vários atores. Benefícios: informações mais completas
e atraentes do que as enciclopédias de papel.
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A informática possui a capacidade de mostrar como o estudante constrói rela-
cionamentos entre informações e conhecimentos; com o uso da Informática, a repre-
sentação simbólica é demonstrada através das práticas intencionais do educando.
Marques, Mattos e Taille (1986, p. 36) apontam que o computador pode ser uma fer-
ramenta importante “nas primeiras etapas da aprendizagem: perceber (...) conceitos
linguísticos, matemáticos, geográficos e muitos outros podem tornar-se mais ‘percep-
tíveis’. (...). Fica a cargo do professor que concebe o programa a engenhosidade de
aproveitar as características do recurso, concretizando visualmente conceitos e suas
relações para seus alunos. ” O computador é para o ser humano criativo um amplifi-
cador da mente, dando suporte para as mais diferentes linguagens. Há várias propos-
tas de desenvolvimento e aprendizagem, por exemplo, quando o estudante procura
através da informática somar ou modificar suas ideias está manipulando informações,
construindo conceitos e ampliando seu conhecimento.
Quando o estudante, frente ao computador passa a querer interferir, busca so-
luções. Kalinke (2003, p. 56) descreve que “se o indivíduo é tomado por uma excitação
mental, então ele está pensando, raciocinando, desenvolvendo a sua capacidade
mental. ” Então, pode-se deduzir que a informática pode ativar circuitos cerebrais.
Moraes (2005, p. s/n.º) acrescenta que “...não é possível ignorar os avanços tecnoló-
gicos. Para produzir, entender, aprender e educar, é cada vez mais necessário co-
nhecer a linguagem digital. ” Diariamente vê-se a transferência do conhecimento hu-
mano para os suportes digitais. Num clicar do mouse acessamos imagens reais do
universo, via satélite. Um ambiente informatizado pode contribuir para desenvolver a
comunicação, a troca de ideias, opiniões, reflexões, num constante aprender e desen-
volver aprendizagem.
Vivemos na sociedade em que o uso da Internet faz parte da interconexão pla-
netária, num tempo que apresenta espaço para organização de informações e conhe-
cimento. A Internet é uma ferramenta da Informática que traz informações atualizadas
de forma rápida, despertando o interesse do estudante. Pensar escrevendo é a grande
contribuição da informática para o desenvolvimento intelectual em intercâmbio cultural
e também na estimulação da capacidade de analisar e solucionar situações-proble-
mas.

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Fonte: www.escolaaberta.com.br

Araújo (2007, p. 15) destaca que a internet tem despertado a atenção de lin-
guistas, pedagogos, psicólogos, sociólogos e antropólogos “preocupados em compre-
ender o fenômeno da comunicação digital”, uma nova visão de formas e linguagem,
até então inimaginável, por exemplo, escrita, conversa e imagem em tempo real.
Almeida (2005, p. 42) cita que “O uso de hipertexto rompe com as sequências
estáticas e lineares de caminho único, com início, meio e fim fixados previamente. ”
Através das TIC’s, por exemplo, o autor de um texto disponibiliza possibilidades com-
putacionais que permite ao leitor: “(...) interligar as informações segundo seus interes-
ses e necessidades (...) navegando e construindo suas próprias sequências e rotas. ”
O recurso do hipertexto “comparado” a um dicionário – mas sem uma ordem sequen-
cial rígida - oportuniza navegação mais atrativa na pesquisa, pois ao unir imagem,
animações, vídeos e sons, leva o estudante a assimilar o conteúdo de forma rápida,
lúdica, oportunizando a interação, valorizando o indivíduo e suas particularidades.
Tornaghi (2005, p. 168) aponta que “A ligação em rede mundial, por si só, já
indica que essas tecnologias reunidas – computadores e redes de comunicação – têm
grande potencial para a educação, seja ela a distância ou presencial. ” Na Educação,
a Internet tem marcado presença desde que foi concebida, como inovação tecnoló-
gica, criando a difusão do conhecimento de forma democrática. Valente (2005, p. 27)
analisa: “A interação entre o aprendiz e o computador consiste na leitura da tela (ou

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escuta da informação fornecida), no avanço na sequência de informação, na escolha
de informação e/ou na resposta de perguntas que são fornecidas ao sistema, ” sendo
importante a intervenção dos recursos informáticos por parte do docente, dando opor-
tunidade para o processo educacional ser mais interativo, dinâmico.

2. A IMPORTÂNCIA DO COMPUTADOR NA ESCOLA COMO FERRAMENTA


MEDIADORA DO PROFESSOR NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CO-
NHECIMENTO

Fonte: aureaandrade.files.wordpress.com

Se adequadamente usado, torna-se um instrumento capaz de favorecer a re-


flexão do aluno, viabilizando a sua interação ativa com determinado conteúdo de uma
disciplina ou de um conjunto de disciplinas. A Internet mostra-se como um recurso
significativo para a aprendizagem, pois possibilita o acesso à informação em horários
mais adequados ao usuário. Na estrutura da internet pode-se enviar ao receptor novas
informações e, o usuário ao modificá-lo, passa a valorizar-se como autor, num direci-
onamento para a formação contínua. O computador viabiliza a comunicação de estu-
dantes de localidades diferentes. Sabe-se que um site educacional pode ser utilizado
por diversos usuários e cada um analisará conforme sua expectativa individual.

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Para Heide e Stilborne, idem (2003, p. 42) a Internet auxilia no processo de
construção e produção de conhecimento nos quais os estudantes “podem explorar
ambientes, gerar perguntas e questões, colaborar com os outros e produzir conheci-
mento, em vez de recebê-lo passivamente. ” A Internet proporciona que realidades
vividas em localidades e tempos diferentes sejam comparadas. O professor deve ori-
entar as atividades, auxiliar na organização, contextualização e reflexão sobre as in-
formações buscando ampliar o conhecimento do educando.
Almeida (2005, p. 42) aponta que “Descrever ideias com o uso das mídias digi-
tais cria um movimento entre o escritor e o texto que os aproxima, criando vínculos
que seduzem o leitor para ler, refletir, reescrever, atribuir significados, trocar informa-
ções e experiências, divulgar fatos do cotidiano, produzir histórias, criar hipertextos e
desenvolver projetos. ”
Há no campo educacional a preocupação com a formação do ser humano e
reflexões sobre os impactos da tecnologia da informática sobre o meio social, pois é
uma tecnologia que onde se insere, modifica a vida. A interação do estudante com a
tecnologia modifica o próprio estudante. Na escola, a orientação e conscientização
podem auxiliar o educando a usufruir dos benefícios da informática, pois a Internet
pode apresentar finalidades pouco interessantes à Educação, por exemplo, infideli-
dade de algumas informações ou, pela quantidade de informações, o leitor se disper-
sar da essência do assunto proposto ou ter “achatamento” da capacidade intelectiva
diante de tanta informação, com efeitos como: canseira mental e/ou visual e esgota-
mento físico. O docente pode estabelecer critérios como - a indicação de links e sites
específicos. Para avaliar essa tecnologia é preciso embasamento das informações,
pois há possibilidades valiosas, como também vias desnecessárias, prejudiciais. É
imprescindível a interação entre a tecnologia e as pessoas para que se produza uma
aprendizagem dinâmica e eficaz.
Sabe-se que há limitações na máquina informatizada, pois não foi concebida
especificamente para uso educacional. Marques, Mattos e Taille (1986, p. 38) salien-
tam que pela sua programação os comandos computacionais foram gerados pela ma-
temática binária e por isso apresentam limitação de resposta “só pode lidar com infor-
mações precisas, não ambíguas, como sim e não ou certo e errado. Da mesma forma,
só pode devolver informações deste tipo. ” Mas, sabemos que a informática é uma
das áreas do conhecimento humano que mais rapidamente se aperfeiçoa. Cabe ao
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professor prever as possibilidades de lime, buscando maneiras de adaptar as respos-
tas à sua realidade educacional. Fazendo um paralelo entre a informática e o nosso
cérebro: a programação do computador é linear, mas a internet não é linear e mostra-
se incrivelmente flexível, permitindo a interação entre milhares de páginas com textos,
imagens e sons.
Para Gimeno (1998, p. 47) no ser humano não existe uma relação linear “Ao
contrário do modo de processar as rotinas por parte da máquina, entre o conhecimento
e a ação, no aluno intercalam-se complexos e contraditórios processos de tomada de
decisões, entre os quais aparece com especial relevância a forma de sentir, o rico e
complicado terreno das emoções, as tendências e as expectativas individuais e soci-
ais. ” A Internet caracteriza-se no ambiente educativo como mais uma possibilidade
de aprendizagem e não como a única fonte de pesquisa. A escola como elemento da
sociedade deve proporcionar experiências e construção de conhecimento, prepa-
rando os estudantes para essa nova realidade que tem a informação e a comunicação
cada vez mais elaborada, sendo a capacidade de interpretação e de organização,
requisitos da sociedade global. Quanto a linguagem digital, Moraes (2005, p. s/n.º) cita
que “É nela que, hoje em dia, a informação é gerada, processada, armazenada e
transmitida. Queiramos ou não, o novo ‘idioma’ está mudando o modo de ver o mundo.
‘A tendência é que, mais rapidamente do que podemos imaginar, essa mudança atinja
a todos’.” A nova sociedade de conhecimento tem como suporte principal o desenvol-
vimento digital. O docente precisa refletir como os recursos da informática podem pro-
mover aprendizagem em sua realidade escolar.
Percebe-se que, muitas vezes há um descompasso entre o que aprendemos
na escola e o que necessitamos na vida. A educação brasileira precisa estar conec-
tada com o conhecimento universal e estar atento à mudança tecnológica mundial. Há
grande futuro na Educação que busca na informática recursos para o desenvolvimento
da aprendizagem. Vários pesquisadores preocupam-se com a lacuna que pode vir a
existir entre aqueles que dominam a informática e aqueles que não têm acesso. Ao
docente compete buscar conhecimentos, pois trabalha com seres humanos que pre-
cisam ser inseridos no diálogo entre escola e vida. Ao referir-se à informática educa-
cional, Freire citado por Camargo e Bellini (1995, p.11), salientou que “A tecnologia é
maravilhosa. Mas é preciso que ela chegue à escola pública, senão as diferenças
sociais vão se aprofundar. ” Na educação contemporânea, busca-se que a parceria
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com a informática transponha os limites do ensino convencional, rompendo paradig-
mas. A tecnologia da informática é um segmento que está em constante modificação
e atrai profissionais ligados à pesquisa, pois se mostra ao mesmo tempo: prática,
complexa e também em constante metamorfose.

3. RECEIO ÀS NOVAS TECNOLOGIAS

Em nossos dias há uma invasão de tecnologias em todas as áreas da vida


humana, levando o ser humano a pensar sobre sua própria condição humana e pro-
fissional. Há docentes que receiam as TIC e sentem-se despreparados para o manu-
seio do computador, porém precisam estar cientes que é um recurso poderoso no
processo educacional. Camargo e Bellini (1995, p.11) apontam que há situações em
que o estudante é iniciante na tecnologia informatizada, ou seja, envolveu-se pouco
com a máquina: “esse primeiro contato é essencial para quebrar resistências. E por
isso, deve ser feito com cuidado. Ele pode marcar o início de um bom relacionamento
ou de uma antipatia incurável. ” Em outras palavras não se deve obrigar o indivíduo a
trabalhar com o computador, mas em geral o estudante é atraído pelos recursos que
a informática proporciona. Mesmo que o estudante já tenha contato com o computa-
dor, há sempre o convite aberto para novos contatos com a Informática. Em geral, os
estudantes mostram-se receptivos iniciando a busca a novas alternativas que o com-
putador possa proporcionar, pois o virtual faz parte do campo da curiosidade.
Almeida (2005, p. 72) salienta que trabalhar com a Informática é “utilizá-la para
a representação, a articulação entre pensamentos, a realização de ações, o desen-
volvimento de reflexões que questionam constantemente as ações e as submetem a
uma avaliação contínua. ” As tecnologias da informática levam o indivíduo a desen-
volver a imaginação, observação, criatividade, formar julgamento, pesquisa, classifi-
cação, leitura, análise de imagens, pensamento experimental e hipotético.
A tecnologia informatizada está disponível em inúmeros espaços e pode con-
tribuir para a eficácia da aprendizagem escolar e da vida prática. No computador po-
dem-se criar estruturas que oportunizem efeitos de simulação, levando o ser humano
a fazer experiências virtuais inviáveis no mundo real, possibilitando a verificação dos
resultados. O computador é uma das grandes invenções do ser humano e tem trans-
formado a vida do planeta. A informática na escola é um sonho que muitos estudantes
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de algumas décadas atrás não conseguiram concretizar em sua experiência acadê-
mica. As TIC’s trazem em si a descoberta, e isso faz com que além do conhecimento
historicamente organizado pela instituição escolar, amplie-se a visão para a realidade
mundial do tempo em que se vive, abrindo novos significados.
Armstrong e Casement (2001, p. 197) alertam que muitas vezes os programas
de computador podem dar ao educando “a falsa ideia de seu relacionamento com o
mundo natural. (...) as crianças desenvolvem a impressão de que a natureza está
convenientemente na ponta de seus dedos e de que seus processos podem ser ma-
nipulados ou acelerados e servidos para elas...”. É preciso perceber que os programas
trazem as percepções, padrões e julgamentos do projetista que construiu aquele sof-
tware. O docente que utiliza a informática deve preocupar-se com as possibilidades e
limitações da tecnologia, buscando desenvolver no estudante o processo crítico, ima-
ginativo, pesquisador, criativo num ambiente que leve a um processo contínuo, bus-
cando o desenvolvimento da aprendizagem.
A informática é um instrumento contemporâneo de aprendizagem que pode
ajudar na construção do conhecimento de muitas áreas, sendo também uma das lin-
guagens mais importantes para a inserção no mundo do trabalho. Com a utilização
das novas tecnologias, percebe-se que a matéria, o tempo e o espaço têm conotação
diferente de algumas décadas atrás. Através da tecnologia da informática, passado,
presente e futuro podem ser trabalhados ao mesmo tempo. As TIC’s abrem perspec-
tivas para o futuro, isso quer dizer crise de paradigmas sem precedentes na História.
Em nossos dias, a informática tem se desenvolvido na captação do real que se mostra
com roupagem de “pura” realidade (se não soubéssemos do subsídio técnico que dá
sustentação à imagem virtual), quanto também a imagem criada e gerada pelos pro-
fissionais da informática.
Santaella (1995, p.14) salienta que “... não apenas a vida é uma espécie de
linguagem, mas também todos os sistemas e formas de linguagem tendem a se com-
portar como sistemas vivos, ou seja, eles: reproduzem, se readaptam, se transformam
e se regeneram como coisas vivas. ” Devemos criar ambientes modificadores com
tecnologias que incitem as potencialidades do estudante, despertando atenção e dis-
posição à aprendizagem. Não encontramos a aprendizagem pronta, é um processo
construído a cada momento.

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Marques, Mattos e Taille (1986, p. 35) citam as vantagens da utilização do com-
putador:
• É um recurso audiovisual superior aos demais por ser interativo. (...) pode
solicitar e responder às intervenções do aluno, evitando que este permaneça passivo
e, consequentemente, que se disperse para outros aspectos não relevantes da situa-
ção;
• (...) possui a vantagem de poder obedecer ao ritmo próprio de cada aluno, por
exemplo, repetindo uma mesma explicação o número de vezes que o aluno desejar,
ou, esperando o tempo necessário por uma resposta do aluno;
• (...) ao trabalhar com um determinado conteúdo, digamos, por exemplo, fixa-
ção da ortografia de determinadas palavras, o aluno tem uma avaliação imediata so-
bre aquelas que precisa exercitar mais para um completo domínio do assunto.
Para muitas pessoas o computador é uma forma inovadora de representar o
conhecimento. Os computadores têm auxiliado no ato físico de escrever, bem como
na preparação de cópias, estimulando no planejamento, na organização do pensa-
mento e no estímulo à escrita e à leitura, porém não devem ser considerados como
instrumentos mágicos que vão resolver todos os problemas de aprendizagem. A tec-
nologia da informática auxilia a flexibilidade de ideias, o desenvolvimento do pensa-
mento, as linguagens, dando abertura a descobertas e possibilitando a utilização de
diversas vias na busca de um resultado final. O computador auxilia na mediação da
aprendizagem, trazendo à mostra os conhecimentos que o estudante já possui e sua
forma de perceber o mundo.
Lamiral citado por Castanheira (1986, p. 17) salienta a importância do compu-
tador no trabalho de recuperação acadêmica de estudantes: “... com dificuldades de
aprendizagem passaram a ter suas aulas reforçadas com programas educacionais
fora do horário escolar. ‘Isso desbloqueou essas crianças. ’ O computador, (...) acom-
panha o ritmo de assimilação (...) Essa atividade apresenta outras vantagens. Todos
os erros dos alunos ficam registrados. De posse dessas informações, a professora
pode identificar os pontos de maior dificuldade...” O uso da tecnologia da informática
é uma forma de recompor, reavaliar, redirecionar ideias, conceitos transformando em
novos conhecimentos. O conhecimento em nossos dias desenvolveu-se em escala
geométrica e necessita de novos suportes como a informatização. A Revolução Digital
proporciona reflexões de como podemos utilizar as novas tecnologias para melhorar
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a qualidade de vida dos seres humanos. Porém, destacamos: o ser humano precisa
preservar sua história real, sem ruptura com a vida. White (1993, p. 300) aconselha
que a criança “deve ser rodeada das condições mais favoráveis, tanto para o cresci-
mento físico como para o mental. ” Sendo na maioria dos casos da realidade brasileira,
a escola - a provedora de conhecimento é sua responsabilidade oportunizar a apren-
dizagem e desenvolvimento integral do educando.
O que precisamos entender é que a nova tecnologia é importante para a nossa
época e nos estrutura para um futuro educacional inimaginável. Sabe-se que a capa-
cidade de pensar é diferente do clique de um mouse e a capacidade da inteligência é
diferente do avanço tecnológico. Assim sendo, para o embasamento deste trabalho
científico, articulamos a pesquisa com estudos de pensadores como Piaget, Vygotsky
e Feuerstein, sendo que em cada abordagem há contribuições de natureza diferente,
mas que se unem num mesmo objetivo: conhecer o ser humano.
O ambiente computacional, visto através do estudo de VYGOTSKY contém o
ambiente de aprendizagem colaborativo - relacionado com a interação social. Oliveira
(1993, p. 57) referindo-se a VYGOTSKY salienta que “Aprendizagem é o processo
pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores, etc., a partir
de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas, ou seja, envolve
interação social”, pois é o envolvimento do sujeito inteiro em seu emocional e social,
mesmo na aprendizagem puramente intelectual.
Segundo Passerino e Santarosa (2000, p. 8) o ambiente computacional: ... se
constituem em instrumentos de mediação, socialmente criados e dotados cultural-
mente de significados, constituindo verdadeiras ferramentas cognitivas que possibili-
tam o desenvolvimento cognitivo dos sujeitos ao permitir-lhes não apenas interpretar
e organizar o conhecimento pessoal, mas interagir e trabalhar em grupo para resolu-
ção de problemas constituindo verdadeiras comunidades cognitivas e possibilitando
criar uma atmosfera de responsabilidade individual/social na resolução de tarefas
compartilhadas que envolvem pessoas mais experientes juntamente com pessoas
menos experientes dentro de um sistema social no qual a argumentação, atenção,
respeito, encontram-se presentes.
Os pesquisadores da teoria sócio histórica sustentam que a informática pode
complementar o ser humano, ao oferecer rapidez na resolução de situações-proble-

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mas. Os procedimentos na utilização da informática visam interações, processos cri-
ativos próximos da realidade social. Apontam de que o computador regula a atividade
humana, põe em ação o ser humano, reorganizando o campo de ação, assumindo
similitude com a teoria de VIGOTSKY referente à linguagem. Na abordagem de
VYGOTSKY o desenvolvimento do indivíduo está intrinsecamente envolvido com a
aprendizagem, se o uso da tecnologia da informática propõe atividades com a lingua-
gem, envolvendo o histórico-social do indivíduo, esta é fonte de desenvolvimento do
indivíduo. Na estruturação do conhecimento, a análise das informações pode ser me-
diada pelo (a) docente, promovendo e transformando o processo de aprendizagem, o
que resulta em desenvolvimento. Então, os recursos tecnológicos da informática au-
xiliam na organização mental e na construção do conhecimento, o qual é elaborado
no cérebro e representado exteriormente através de signo, símbolo, notação, sinais
que podem mediar o meio material e também desenvolver as estruturas cognitivas,
ao mesmo tempo. Na interação através do computador muito potencial pode ser de-
senvolvido.
Assim sendo, as tecnologias de informática na construção do conhecimento,
podem modificar o desenvolvimento, a forma de aprender. A utilização dos recursos
da informática, visto através da epistemologia de PIAGET pressupõe sujeito e objeto,
ou seja, que o estudante ao interagir com o computador através da construção e re-
construção do conhecimento, desenvolva suas estruturas mentais em atividades que
auxiliem a desenvolver raciocínios cada vez mais complexos. As utilizações dos re-
cursos da informática podem contribuir para a movimentação das estruturas operató-
rias de pensamento, na relação entre o concreto e o formal. Os defensores desta
abordagem propõem que o estudante programe o que fazer no computador, com isso
construindo seu conhecimento; que vá além das informações, dialogando com o pen-
samento, por vezes, objetivamente, ora subjetivamente.
O computador passa a ser uma máquina que proporciona ao estudante colocar
a situação problema, buscar estratégia, refletir sobre que caminho percorrer para ob-
tenção do resultado satisfatório, o que proporciona direito de decidir e agir, aumen-
tando a auto- estima e desenvolvimento do senso de pesquisa e crítica. O ambiente
virtual deve oportunizar a interação entre sujeito e objeto, ou seja, para que ocorra o
desenvolvimento cognitivo é preciso que alguma característica do objeto desnorteie

16
as estruturas mentais do sujeito, gerando adaptações e a ampliação do desenvolvi-
mento cognitivo. Numa abordagem construtivista o docente deve saber encaminhar o
processo de aprendizagem e estar presente para mediar quando problemas possam
aparecer.
Santarosa (1996, p. 4) destaca aspectos teóricos da teoria de Piaget ao utilizar
a linguagem Logo em estudo com pessoas que apresentam dificuldades de aprendi-
zagem, estudo baseado nas pesquisas do matemático sul-africano Seymour PAPERT
apud TORNAGHI (2005, p. 167) que ao estudar PIAGET, defende de que os compu-
tadores “ampliam a inteligência dos seres humanos, ligados em rede permitem que as
inteligências trabalhem em cooperação” A ideia do LOGO imergiu quando PAPERT
estudou no centro de Epistemologia Genética com Jean PIAGET, no final dos anos
60 no Massachusetts Institute of Tecnology. PAPERT e Marvin MINSKY lideraram um
grupo de pesquisadores em informática educacional.
Oliveira (1999, p. 26) apud Fagundes (1994) com base nas pesquisas de PI-
AGET, busca comprovar que “... é na interação que se constrói o conhecimento. Essa
interação se dá entre o sujeito e os objetos de seu meio social: ele próprio, as outras
pessoas, o ambiente natural, físico, mental, simbólico, cultural... O conhecimento
avança na medida em que avança a tomada de consciência da ação sobre o ambiente
em que os sujeitos interatuam”. Ao simbolizar suas relações, construir sua identidade,
expressar seus pensamentos e sentimentos, desenvolve a autonomia.
Oliveira (1999, p. 156) salienta que:
• Ele trabalha com representações virtuais de forma coerente, mas extrema-
mente flexível, possibilitando a descoberta e criação de novas relações;
• Exige que o usuário tenha consciência do que quer, se organize e informe de
modo ordenado o que quer fazer, digitando corretamente;
• Dá um retorno extremamente rápido e objetivo do processo em construção,
favorecendo a autocorreção, a inserção da “desordem” na ordem global;
• Trabalha com uma disposição espacial das informações, que pode ser con-
trolada continuamente pela criança através de seu campo perceptivo visual, apoiando
o raciocínio lógico;

17
A diversidade de sujeitos implica em práticas de ensino/aprendizagem adap-
tada ao sujeito que apresenta dificuldades na aprendizagem. Na Educação, a infor-
mática pode ser um excelente agente na prevenção do fracasso escolar, trazendo
possíveis soluções.
Valente (2005, p.24) destaca que “o conhecimento é o que cada indivíduo cons-
trói como produto do processamento, da interpretação, da compreensão da informa-
ção. ” É o significado que atribuímos ao mundo e representamos em nosso cérebro
sobre a realidade que a nós interessa.

4. O PAPEL DA EDUCAÇÃO FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS

Fonte: blogdaformacao.files.wordpress.com

A Educação deve buscar aproximação com o que há de mais inovador nas


pesquisas: tanto internamente (trabalhar com suas estruturas mentais) como externa-
mente (ampliar e estender os sentidos do corpo). Litwin (1997, p. 9) sugere que “Na
hora de pensar inovações, é importante reconhecer a necessidade de criá-las nos
contextos educacionais específicos, a fim de que a sua implantação seja significativa.
” Em busca da aprendizagem eficaz, comportamentos perceptivos devem ser desen-
volvidos através das vias de acesso ao mundo exterior. O mais complexo mecanismo
existente no universo é o cérebro, sendo que para Stencel (2003, p. 3) “é milhares de
vezes mais potente do que o maior e mais desenvolvido computador do mundo. ” O
18
cérebro é um dos órgãos que merece ser pesquisado pois está relacionado intrinse-
camente com o desenvolvimento, aprendizagem e tecnologias inovadoras.
O ensino/aprendizagem com mediação da docente, utilizando a informática
pode trabalhar a sinestesia, ou seja, vários sentidos interconectados ao mesmo
tempo, sendo que a Neurociência e a Psicopedagogia dão suporte, revelando que se
aprende melhor quando o cérebro é ativado por mais de um dos órgãos dos sentidos.
Para Morin (2000, p. 52) “A mente humana é uma criação que emerge e se afirma na
relação cérebro-cultura. ” Neste caso, cérebro e a tecnologia da informática – tendo
como suporte os programas, acessórios e recursos da informática.
Parece possível pensar que os recursos da Informática fazem intercâmbios
com as funções básicas e geram desenvolvimento e aprendizagem, proporcionando
mudança, crescimento e ampliação do modo de atuar perante a vida, pois instiga a
curiosidade nas descobertas, o desenvolvimento do pensamento. Motivam o prazer
em saber, abrindo espaços para a aprendizagem, possibilitando a criação de novos
sistemas integrados de informações, gerando novos conhecimentos. Dão subsídios
para resgatar a vontade de iniciar, desenvolver e concluir a atividade, construindo o
conhecimento, transformando o indivíduo e a própria sociedade.
Brasil (2000, p. 12) salienta de que “os computadores possibilitam representar
e testar ideias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico,
ao mesmo tempo que introduzem diferentes formas de atuação e de interação entre
pessoas. ” O profissional que atua em Educação Especial deve considerar o progresso
individual do seu aluno, dando abertura às potencialidades, fazendo nascer, desen-
volver; respeitando e permitindo a liberdade do pensamento, da aprendizagem e de-
senvolvimento.
A busca do sucesso na aprendizagem dos educandos deve ser a meta da Edu-
cação. ARENDT In PFDC (2004, p. 30) salienta que “A educação é também onde
decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las [...] arrancar
de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para
nós,...” Informática na Educação Especial é ampliar o conceito de pluralidade de in-
tercâmbio entre saberes e experiências de diferentes profissionais interessados no
desenvolvimento do ensino/aprendizagem e a abertura de um amplo campo de obser-
vação para os mais diferentes desafios informáticos na prática, pois conhecimento

19
passa a ser de interconexão e muita pesquisa, ressignificando sua prática educacio-
nal.
Para Kenski (2007, p. 124) “na nova realidade tecnológica, o tempo da educa-
ção é o tempo da vida. ” A construção do conhecimento e do saber deve ser visto com
lentes macroscópicas e microscópicas, promovendo a aprendizagem e instigando o
desejo de encontrar maneiras que levem ao conhecimento, através da conscientiza-
ção e organização num espaço escolar que inclua a todos, onde se criem oportunida-
des para novas opiniões e busca de novas soluções. Acredita-se que todo ser humano
têm potencial de aprendizagem a ser detectado, o qual pode se desenvolver através
do vínculo afetivo que se estabelece entre quem aprende, a tecnologia e quem está
realmente interessado em pesquisar e buscar desenvolver a aprendizagem.

20
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23
5. LEITURA COMPLEMENTAR

AUTORES: Samantha Gonçalves Mancini


Ramos e Susy Maria Zewe Coimbra Furuta
DISPONÍVEL EM: http://periodicos.uem.br/ojs/in-
dex.php/ActaSciLangCult/article/download/6006/6006
ACESSO: 19 de julho de 2016

6. NOVAS TECNOLOGIAS NAS AULAS DE LÍNGUA INGLESA: APRIMO-


RANDO O PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM

Samantha Gonçalves Mancini Ra-


mos e Susy Maria Zewe Coimbra Furuta2
1*

1
Universidade Norte do Paraná, Av. Paris, 675, 86041-140, Jardim Piza, Lon-
drina, Paraná, Brasil.
2
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil. *Autor para
correspondência. E-mail: saramos2007@gmail.com

RESUMO. Este estudo relata uma experiência de inserção de novas tecnolo-


gias, no desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação de textos
de vestibulares, da Universidade Estadual de Londrina. O foco da análise está
voltado para o aprimoramento no processo ensino/aprendizagem, propiciado
pela elaboração e implementação de um curso online. Os resultados apontam
benefícios da inserção de ferramentas tecnológicas no ensino de línguas e o
desafio que esta representa aos professores e alunos.

Palavras-chave: novas tecnologias, curso online, aprimoramento, ferramen-


tas tecnológicas, benefícios, desafio.

ABSTRACT. New technologies in English language classes: improving the


teaching/learning process. This study reports on the experience of inserting
new technologies into the development of reading and comprehension skills
of texts extracted from entrance examinations at the State University of Lon-
drina. The focus of analysis lays on the improvement of the teaching/learning
24
process, which was accomplished through the elaboration and implementation
of an online course. The results point to the benefits of inserting technological
tools into language teaching, and to the challenge this represents to teachers
and students alike.

Key words: new technologies, online course, improvement, technological tools, benefits, challenge.

Introdução

A humanidade vivencia sua tão famosa era digital. Esta conquista, galgada por
uma sociedade no decorrer de toda a sua história, apresenta-se por novas formas de
apropriação da informação e pelo uso da tecnologia. O emprego de novas ferramentas
de informação e comunicação (NTIC) disponibiliza a utilização não-linear de informa-
ções, o uso das diversas redes de comunicação, dos recursos multimídia, entre tantos
outros, propiciando, de maneira extremamente veloz e eficiente, novas formas de vis-
lumbrar a realidade que, atualmente, faz parte do contexto do ser humano.
Tais recursos vêem alterando significativamente as mais diversas áreas da
educação e o contexto de ensino de línguas. Dentre estas mudanças, destaca-se a
inserção do uso de computadores, na sala de aula de línguas estrangeiras. Este novo
recurso tecnológico auxilia na geração de novas formas de comunicação entre os alu-
nos e o mundo o que, consequentemente, capacita novas possibilidades de interação
entre nativos e outros aprendizes de uma determinada língua-alvo.
Inúmeros são os estudos capazes de apontar as contribuições que as novas
tecnologias de informação e comunicação trazem aos educandos, nos mais diversos
contextos socioculturais e em seus mais variados níveis de ensino (Warschauer e He-
aley, 1998; Braga e Costa, 2000; Paiva, 2001; Leffa, 2003; Marcuschi e Xavier, 2004).
A utilização dessas ferramentas tecnológicas, cada vez mais diversificadas,
visa não apenas a ensinar de forma mais atrativa e inovadora, mas, também, melhorar
e desenvolver a própria prática pedagógica, gerando, consequentemente, aprimora-
mentos para todas as partes integrantes desse processo.
Aliás, a inserção das novas tecnologias, no ambiente escolar, especialmente
no setor público, tem sido assunto amplamente explorado pela imprensa brasileira.
Dentre os aspectos levantados, podemos destacar tentativas de entidades com ou
sem fins lucrativos que buscam promover a inclusão digital de jovens que se encon-
tram na educação básica (Rotary Club, 2007; Lorenzoni, 2003), projetos que visam à
25
compra de laptops para serem utilizados por alunos da rede pública (Paraná, 2007),
iniciativas governamentais como a da ProInfo mediante convênio com a Organização
das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – Unesco (Cunha e Ballone,
2003) e índices que apontam melhora, mas estão longe de indicar que a inclusão
digital seja realidade palpável nas escolas das redes públicas do país (Cunha e
Ballone, 2003).
Por sua vez, as escolas da rede privada que, a princípio, optaram por arcar com
os custos da inserção de computadores em seus estabelecimentos para assumir um
caráter inovador no mercado, agora o fazem para que não sejam excluídas do mesmo.
Esses investimentos em tecnologias, nos setores públicos e privados, objeti-
vam mudanças na forma de ministrar e vivenciar o ensino que vem, gradativamente,
adaptando-se à evolução do conceito de formação do aluno como ser que participa
da produção de seu próprio conhecimento, percebendo-se como indivíduo que se
constrói, permanentemente, nas interações sociais.
Tendo como pano de fundo a realidade a ser observada no contexto de sala de
aula, esta investigação ocorreu por meio da inserção de ferramentas tecnológicas no
processo de aprendizagem, de um grupo de alunas do Ensino Médio, de uma escola
particular da cidade de Londrina, Estado do Paraná. O objetivo foi o aprimoramento
da habilidade de leitura e da interpretação de textos em língua inglesa, com vistas aos
exames vestibulares de Língua Inglesa da Universidade Estadual de Londrina – UEL.
Neste estudo, podemos apontar de que forma as tecnologias de comunicação
e informação podem trazer melhorias ao ensino e, consequentemente, estimular e
propiciar melhor formação do aluno indivíduo, gerando melhor rendimento e, também,
um melhor aproveitamento escolar.
O desenvolvimento deste estudo aponta que, com a inserção das tecnologias,
é possível: (a) despertar o interesse para a interpretação de textos em língua inglesa;
(b) orientar, indicar e propiciar a prática de técnicas e recursos que possibilitem o apri-
moramento das habilidades de leitura e interpretação de textos; (c) permitir o rápido
acesso a informações atuais, verídicas e/ou fictícias, possibilitando ao aluno a pes-
quisa superficial ou profunda; (d) criar situações de interatividade e, consequente-
mente, incentivar trabalhos em grupo tais como discussões, troca de ideias; e (e) au-
xiliar no desenvolvimento do leitor estratégico, propiciando condições para que seja
desenvolvida a autonomia do aprendiz.
26
Material e métodos

Este estudo percorreu, basicamente, os seguintes passos em sua execução: 1)


definição dos objetivos do curso, atendendo às necessidades específicas do público-
alvo e considerando os recursos disponibilizados pela escola; 2) escolha da modali-
dade virtual; 3) levantamento de bibliografias referentes às novas tecnologias de in-
formação e comunicação e à abordagem do inglês para fins específicos; 4) pesquisa
na WEB, em busca de recursos gratuitos para a elaboração de cursos online; 5) es-
colha de um ambiente virtual para cursos; 6) aplicação de pré-teste, com questões
objetivas, retiradas dos vestibulares da UEL, antes do início do curso online; 7) elabo-
ração das atividades no ambiente virtual selecionado; 8) aplicação do curso online no
qual as questões do pré-teste eram retomadas; e 9) análise dos dados coletados em
virtude dos objetivos iniciais propostos.
Sobre a definição de objetivos e necessidades do público alvo, é importante
apontar que, nas aulas presenciais de Língua Inglesa do Ensino Médio das participan-
tes, o foco era a capacitação das alunas para o exame vestibular da UEL. Entretanto,
estas apresentavam dificuldades nas atividades de leitura e interpretação de textos
que representam os requisitos básicos para o referido exame. Desta forma, surgiu o
desejo de se criar um curso extracurricular que pudesse auxiliar as alunas a obter
melhor desenvolvimento destas habilidades e competências. O curso deveria ser um
atrativo a mais para despertar o interesse e a disposição das alunas para que estas
não se sentissem ainda mais desestimuladas diante do desafio.
A escolha da modalidade ocorreu diante do perfil das próprias alunas, que se
mostravam capacitadas e interessadas em desenvolver atividades “virtuais” e pela
própria iniciativa da professora/pesquisadora, que buscava um contexto no qual pu-
desse assumir o desafio da inserção das novas tecnologias, em suas aulas. A opção
por um curso online parecia ser mais apropriada para viabilizar ritmos e padrões dife-
renciados de aprendizagem para que cada aluna desenvolvesse as atividades pro-
postas, de acordo com seu próprio ritmo e disponibilidade de tempo. A facilidade de
uso dos recursos tecnológicos disponíveis, tanto na escola quanto na casa das alunas
e a busca por material autêntico e contextualizado, também foram aspectos essenciais
na escolha da modalidade.

27
É importante ressaltar que as alunas poderiam optar por estar presente no la-
boratório de informática, no horário determinado, contando com a presença da pro-
fessora para eventuais explicações, ou poderiam optar pela realização das atividades
na própria casa. No laboratório, as alunas teriam a possibilidade de questionar, ex-
pressar dúvidas e opiniões. Mas, para as aulas não-presenciais, as alunas apenas
poderiam apontar, interagir, via e-mail, e aguardar pela resposta.
No que se refere ao levantamento de referenciais bibliográficos, os estudos
apontaram para novas possibilidades trazidas a sala de aula pelas novas tecnologias
de informação e comunicação. Por sua vez, a escolha por técnicas de leitura instru-
mental ocorreu mediante a necessidade das alunas em combinar os diversos enunci-
ados de um texto, e, posteriormente, adequá-los a um determinado contexto. No
curso, as alunas seriam instrumentalizadas e capacitadas a formular estratégias de
aprendizagem próprias que facilitassem sua compreensão do texto.
O laboratório de informática, com os computadores em rede e acesso à Inter-
net, abria portas para inúmeras chaves de busca e oportunidades que precisavam,
apenas, ser detalhadamente analisadas, revisadas e até mesmo adaptadas, para que
pudessem vir ao encontro das necessidades priorizadas. Com isso em mente, dois
meses foram gastos em pesquisas na WEB em busca de recursos gratuitos e de um
ambiente virtual que acomodasse o curso. Durante as buscas, foram encontrados di-
versos sites com atividades didáticas, especialmente elaboradas para alunos de lín-
gua inglesa, com revisões gramaticais e exercícios de fixação (por exemplo: http://en-
glishtown.msn.com.br; http://www.simpleenglishnews.com; http://www. englisch-hil-
fen.de/en/index.htm), mas nenhum deles era específico o bastante para os objetivos
do curso em questão e para as necessidades do público-alvo. Foi preciso buscar sites
nos quais textos autênticos em língua inglesa fossem disponibilizados e buscar a
transposição didática dos mesmos.
Na busca de um ambiente virtual em que o curso pudesse ser hospedado, con-
siderou-se o yahoo.groups (ambiente que propicia arquivo de documentos, agenda-
mentos e troca de e-mails), o blogger.com (site de fácil utilização, em que se pode
postar rapidamente o que se pensa, interagir com pessoas gratuitamente), o http://mo-
odle.com (sistema de gerenciamento de cursos, desenhado para auxiliar educadores
que queiram criar cursos online), e o skype.com (com possibilidade de conversação
online).
28
Mas, diante dos sites disponíveis e considerando as especificidades do curso
e os recursos disponíveis, optou-se pela montagem do curso no http://pbwiki.com,
ambiente online, gratuito, que permite a edição coletiva de documentos, usando um
sistema relativamente simples. Com estes recursos, três sites distintos foram criados:
um primeiro site, com a função de armazenar todo o material didático a ser utilizado
no curso ou posteriormente descartado; um segundo site (http://studen-
tblogs.pbwiki.com/) (Informante Neusa, 2006), com a função de disponibilizar espaço
para que as alunas interagissem entre si e realizassem/registrassem as atividades
propostas em aula e um terceiro site (http://susyfuruta.pbwiki.com/) (Furuta, 2007),
com a função de ser o espaço virtual a hospedar o curso (Figura 1).

Figura 1. Visão geral de http://susyfuruta.pbwiki.com/

Antes do início do curso online, foi aplicado um pré-teste com questões objeti-
vas, retiradas dos vestibulares da UEL. Nessa ocasião, as alunas foram orientadas a
resolver o teste sem consulta, de forma espontânea, pautando-se em conhecimentos
prévios e foram incentivadas a fazer alguns comentários sobre as questões, por exem-
plo: “esta é difícil”, “esta eu chutei”, “está é fácil”. O pré-teste consistia de uma coletâ-
nea de textos e 17 questões, pré-selecionadas, de vestibulares dos anos de 2004,
2005 e 2006. A análise dos textos e dos exercícios propostos apontou que as estra-

29
tégias de leitura skimming1, scanning2, extensive reading3 e intensive reading4 pode-
riam ser úteis à realização das provas. Estas foram, então, as estratégias de leitura
elencadas no momento da preparação do curso online.
Na elaboração das aulas em ambiente virtual, vários fatores foram levados em
consideração: o ambiente escolar, as alunas, os textos a serem utilizados, as estraté-
gias de leitura a serem trabalhadas, as possibilidades e restrições do ambiente virtual
selecionado e os recursos disponíveis no laboratório de informática da escola e nos
computadores pessoais das alunas. Estabeleceu-se que o curso teria a duração de
dez semanas, subdivididas em um encontro inaugural e nove encontros-padrão. No
encontro inaugural, as alunas inscritas receberam a senha de acesso e fizeram as
primeiras atividades no site para familiarizarem-se com os links destinados ao envio
de atividades, comentários e dúvidas.
Para a professora, a elaboração de cada aula passava pelos seguintes passos:
1) escolher uma das questões de vestibular que constava do pré-teste; 2) detectar
qual/quais a/as técnica/as de leitura instrumental que deveriam ser utilizadas no auxí-
lio de sua resolução; 3) selecionar textos vinculados pela Internet e elaborar exercícios
nos quais a/as técnica/as poderiam ser exploradas; e 4) criar texto explicativo sobre a
técnica.
Para as alunas, a apresentação ocorria em ordem inversa. Primeiramente, elas
recebiam as explicações sobre a estratégia a ser utilizada para, em seguida, ler um
texto selecionado e realizar as atividades/exercícios propostos e finalmente, refazer a
questão do vestibular que constava do pré-teste, realizado antes do início do curso
online.
A seguir, pode-se acompanhar a análise dos dados, em virtude dos objetivos
iniciais propostos. O foco aponta para a melhora na aprendizagem das alunas através
de abordagem quantitativa, comparando-se os dados coletados no pré-teste (aplicado
antes do início do curso) com os dados coletados durante todo o transcorrer do curso.

1
Compreensão geral de um texto. Consiste em ler rapidamente um texto para se obter uma ideia geral sobre o (s) assunto (s).
Focaliza-se, de modo especial, os títulos e subtítulos, as primeiras e últimas linhas de cada parágrafo, tabelas, figuras, dicas
tipográficas, cognatos etc. (Fiori-Souza et al., 2003).
2
Compreensão das ideias principais, quando, além da ideia geral, busca-se compreender os argumentos ou as ideias mais
relevantes ali apresentadas. Consiste em ler rapidamente o texto para encontrar uma informação específica, sem, contudo, deter-
se em pequenos detalhes (Fiori-Souza et al., 2003).
3
Leitura de texto longo, geralmente feita com prazer, com ênfase no seu total entendimento (significado) (Fiori-Souza et al.,
2003).
4
Leitura de um texto curto para obtenção de informação detalhada. Busca-se, além da compreensão geral e das ideias principais,
certos detalhes do texto (Fiori-Souza et al., 2003).
30
Também serão componentes desta análise os relatos das alunas em seus blogs, no
decorrer da execução das atividades do curso.

Resultados

Visando ter como base de análise o aprimoramento no desempenho das alu-


nas, duas coletas distintas foram feitas no decorrer do curso: o pré-teste (como men-
cionado anteriormente) e uma segunda coleta gradativa, quando as alunas refaziam
as questões durante as aulas do curso online.
Na totalidade, foram 23 questões de vestibular, propostas no decorrer de todo
o curso online, número superior ao contido na prova objetiva, ou seja, as alunas foram
expostas a questões “extras” que envolviam as mesmas técnicas estudadas e, mesmo
assim, obtiveram desempenho favorável.
Quanto à análise dos dados numéricos, observou-se que todas as alunas que
finalizaram o curso online obtiveram melhora em seu desempenho. Ressalta-se que
o curso teve o total de 12 alunas inscritas, mas quatro cancelaram os seus requeri-
mentos de matrícula e duas desistiram, sendo que apenas as seis restantes tiveram
participação integral.
Esses dados foram tabulados, agrupados em tabelas e, posteriormente, repre-
sentados em um gráfico universal que representa o desempenho do grupo como um
todo (Figura 2).

Figura 2. Gráfico com desempenho das seis alunas que finalizaram o curso online.

Observou-se, portanto, que a orientação voltada para as estratégias de leitura


instrumental apresentou resultados práticos bastante estimulantes embora, no decor-

31
rer do curso, algumas alunas tenham reagido de forma negativa à utilização das téc-
nicas, alegando ser impossível a obtenção de uma compreensão mais geral de um
texto em língua estrangeira, sem que houvesse tradução prévia.
De fato, o curso centrou-se no ensino e nas necessidades (ou dificuldades) do
aprendiz, orientando-o a perceber a natureza de tais problemas e possibilitando ma-
neiras possíveis de superá-los. Acrescenta-se a este processo, também, a possibili-
dade de o leitor de textos, em língua estrangeira, basear-se em seu conhecimento
prévio sobre o tema para buscar compensar lacunas de seu conhecimento na língua-
alvo.
Entretanto, os resultados deste estudo não são visíveis apenas nos gráficos
numéricos. Em seus blogs, as alunas exteriorizaram suas percepções sobre o pro-
cesso de aprendizagem no qual estavam inseridas. Estes relatos demonstram que o
ambiente proporcionou novas possibilidades de interação, e os sentimentos das alu-
nas podem ser percebidos também pela escolha de gravuras que elas mesmas utili-
zaram para ilustrar seus textos. Todos os relatos podem ser acessados em http://stu-
dentblogs. pbwiki.com/, clicando nos nomes de cada participante. Segue um dos re-
latos da aluna Neusa, que chama a atenção para a complexidade da realização das
atividades em ambiente virtual e da dificuldade de compreensão de textos em língua
estrangeira:
Hoje achei a aula bem fácil, no começo. Mas fiquei perdida quando tive que optar entre duas
etapas. Primeiro, cliquei na etapa um e descobri que era a etapa que eu tinha acabado de fazer.
Depois, voltei e cliquei na etapa dois e aí funcionou. Mas, só para ter certeza de que eu estava
fazendo a coisa certa, voltei para a página que mostra os links da aula (e vi que estava tudo OK).
Já tinha achado difícil a questão do vestibular quando fiz a lista de exercícios. Gelei quando vi a
questão novamente! Lembro que levei um tempão para tentar achar, no texto, as respostas. Mas
depois lembrei do e-mail da professora que falava alguma coisa sobre características de um edi-
torial. Então, prestei atenção no título - que eu não sei se entendi direito - e na parte final. E isso
ajudou bastante! Não sei se as respostas estão certas, mas parece que a coisa vai ficando mais
fácil mesmo! Ah, eu esqueci de dizer. Brigado teacher, por ter deixado minha prima fazer as aulas
com a gente (Informante Neusa, 2006).

Discussão

32
Nitidamente, pode ser percebido que desempenho não é algo medido apenas
por dados empíricos, mas também de experiências vivenciadas e acréscimos que es-
tas mesmas podem fornecer aos seus participantes e contribuintes. Podemos basear-
nos na concepção de aprendizagem, proposta por
Grégoire et al. (1996):

[...] aprendizagem examinada à luz das novas tecnologias refere-se a línguas,


matemática, ciências humanas e naturais, artes [...] assim como habilidades
intelectuais que estão associadas com essas várias matérias: habilidade de
construir para si mesmo uma imagem mental da realidade, de raciocinar, de
fazer julgamentos, de solucionar vários tipos de problemas, de inventar etc.
Essa aprendizagem é também, por exemplo, o desenvolvimento de indepen-
dência pessoal e responsabilidade, assim como várias habilidades sociais e de
conduta.

Durante a realização de cursos online, a ferramenta designada, o computador,


é capaz de envolver os aprendizes na construção de proposições, mobilizando suas
habilidades sensoriais e cognitivas e auxiliando-os na construção própria e colabora-
tiva de seu conhecimento. Com isso, atitudes e habilidades são estimuladas/desen-
volvidas, e novos processos de aprender e produzir conhecimento são experimenta-
dos, vivenciados e conhecidos. Atitudes de solidariedade, cooperação e reciprocidade
são vivenciadas, contribuindo, desta maneira, para o aumento da consciência social
dos participantes e, consequentemente, da sociedade que os envolve.
Pode ser observado, portanto, que, neste novo ambiente de “sala de aula”,
surge uma visão diferente da educação, do aluno e do professor, e os processos de
aprendizagem passam a ter novos papéis. Desta vez, o aluno é visto como “foco” do
processo de aprender. É necessário considerá-lo um sujeito único devido à sua origi-
nalidade, que pode ser diferenciada dos demais pela inteligência, pelo estilo próprio
de aprender que, consequentemente, geram caminhos diferentes para o entendi-
mento e a resolução de atividades e problemas sugeridos.
Entretanto, deve-se considerar, também, a faceta do sujeito coletivo, pois o
mesmo influencia e é influenciado pelas ações, expressões e comportamento dos de-
mais participantes. Aguçando-se a sua percepção e posterior análise crítica, este in-

33
divíduo é capaz de perceber a produção de seus companheiros e reconhecer o po-
tencial de outros, no processo cooperativo de construção do conhecimento (grupal e
próprio).
O professor, como mediador nessa situação, observa os estilos de aprender de
cada educando e tem, como uma de suas funções, que buscar, possibilitar diferentes
ambientes de aprendizagem, combinando interesses, necessidades, sugestões e via-
bilidades. Desta maneira, novos talentos, habilidades e atitudes são desenvolvidos
(tanto pelos alunos quanto pelo professor), por meio de expressivos e verídicos pro-
cessos de aprender e produzir conhecimento.

Conclusão

Este trabalho buscou despertar o interesse dos profissionais da área educativa


que ainda não tiveram a oportunidade de se engajar nesta corrente que busca incen-
tivar o uso da Internet como ferramenta de apoio na construção do conhecimento.
O objetivo geral foi demonstrar que as tecnologias de comunicação e informa-
ção podem trazer melhorias ao ensino e, consequentemente, estimular e propiciar
uma melhor formação do aluno-indivíduo, gerando melhor rendimento e, também, me-
lhor aproveitamento escolar.
Focando-se em uma análise do aprimoramento do processo de ensino/apren-
dizagem, buscou-se, pela utilização das novas tecnologias, especificamente a Inter-
net; despertar o interesse das participantes para atividades de interpretação de textos
e centrar o ensino nas necessidades dos aprendizes. Com a utilização das técnicas
de leitura instrumental, foram apresentados caminhos para o ensino da habilidade de
leitura em língua inglesa, ou seja, as alunas foram auxiliadas no desenvolvimento de
suas próprias estratégias, fazendo-as dedicar-se ao processo de construção do sen-
tido de um texto e evitando-se um processo meramente decodificador.
Os dados apontaram que o Web site foi uma ferramenta inovadora e se mostrou
um ambiente de ensino-aprendizagem mais autêntico, autônomo e contextualizado.
Pela diversidade dos recursos oferecidos pela rede, despertava-se o interesse das
alunas, sem muitas repetições, e, gradativamente, exigiam-se períodos mais longos
de concentração, preparando-as para as longas leituras das questões do vestibular.
Da mesma forma, as alunas reportaram sua identificação interativa com o am-
biente virtual e a máquina, sentiram-se mais estimuladas para o desenvolvimento das
34
atividades e mais facilmente expostas a textos mais complexos. Capazes de contro-
ladoras das funções da máquina, já estabeleciam o próprio ritmo de aprendizado, bus-
cavam recursos, informações extras, com maior frequência e facilidade. As novas tec-
nologias estimularam, portanto, a busca de mais informação sobre um determinado
assunto e possibilitaram maior número de relações entre as informações obtidas.
As estratégias de leitura instrumental, direcionadas às necessidades das alu-
nas, facilitaram a visão de estruturas textuais básicas e propiciaram a prática de téc-
nicas e recursos que possibilitaram recriar mecanismos de leitura, primeiramente na
língua materna. A vivência destas experiências transportou, para a leitura em língua
inglesa, os processos criados/aprendidos e comprovou a possibilidade de compensa-
ção da falta de conhecimento linguístico específico, por meio do conhecimento prévio
do leitor. As próprias alunas relataram que era possível se basear no conhecimento
de mundo de cada uma delas para compensar algumas lacunas de seu conhecimento
da língua-alvo.
Comprova-se, diante do exposto, que foi possível despertar o interesse para
atividades que exigiram maior nível de concentração e estimular as alunas a gerar
processos próprios que possibilitassem aprimoramento das habilidades de leitura e
interpretação de textos.
Com isso, comprovam-se algumas das intenções básicas sugeridas no começo
deste estudo: a) despertar o interesse para a interpretação de textos em língua in-
glesa; b) orientar, indicar e propiciar a prática de técnicas e recursos que possibilitem
o aprimoramento das habilidades de leitura e interpretação de textos; c) permitir o
rápido acesso a informações atuais, verídicas e/ou fictícias, possibilitando, ao aluno,
a possibilidade de uma pesquisa superficial ou profunda; d) criar situações de intera-
tividade e, consequentemente, incentivar trabalhos em grupo tais como discussões,
troca de ideias; e e) auxiliar no desenvolvimento do leitor estratégico, propiciando con-
dições para que seja desenvolvida a autonomia do aprendiz.
Na prática, pode-se observar, também, a possibilidade de criar situações de
interatividade e, consequentemente, incentivar trabalhos em grupo como discussões
e levantamento de hipóteses. Foi o que aconteceu na aula 3, momento em que os
aprendizes, que estavam no laboratório, não se limitaram apenas à execução das ati-
vidades propostas, mas dialogaram e buscaram discutir, tecer comentários, emitir opi-
niões e relatar seu conhecimento de mundo. A discussão iniciada, neste momento,
35
extrapolou a sala de aula e “invadiu” os e-mails das participantes, chegando àquelas
que desenvolviam suas atividades em casa.
Nessa oportunidade, tanto o papel do professor como o do aluno acusam mo-
dificações. Sendo considerado como o foco do processo de aprender, o aluno é visto
como indivíduo único, dotado de estilos e formas diversas de aprender, diferenciado
em suas habilidades e inteligência, o que o torna capaz de gerar meios, velocidades
e formas únicas de solução de problemas (interação aluno-máquina). E quando busca
a interação com outros alunos e emite opiniões, influencia e é influenciado por outros,
fazendo parte integrante do coletivo, sendo capaz de reconhecer o potencial do outro,
tornando-se mais crítico nos processos cooperativos de construção de conhecimento.
Como se pode observar, estes processos potencializam o desenvolvimento da auto-
nomia e, também, da solidariedade. Entende-se, com isso, a construção do conheci-
mento contextualizada e, ao mesmo tempo, formalizante.
Por outro lado, o professor observa, orienta e faz o papel de mediador do pro-
cesso de educação e não deixa, quando possível, de fazer parte integrante do pro-
cesso, combinando interesses e necessidades diversas, estimulando os diferentes es-
tilos de aprender, individuais e coletivos.
Entretanto, alguns fatores ocorridos durante a execução do curso online inibi-
ram a criação de meios de interatividade de um-para-muitos, de um-para-um ou de
muitos-para-muitos (Paiva, 2001). Dentre eles, destacam-se a semi-utilização dos
blogs para registrar suas impressões e a não-possibilidade da criação do fórum de
debates.
Necessário é salientar que o não-cumprimento desse item da lista de intenções
não desmereceu o trabalho do grupo ou o estudo em si, mas serviu para apontar
diretrizes a serem retomadas em uma etapa subsequente. Veem, então, portas aber-
tas para outros tipos de pesquisa, mais especificamente ligados à interatividade e in-
trinsecamente envolvidos com novas tecnologias de informação e comunicação. Fica,
desta maneira, o alerta e incentivo a futuros pesquisadores a se prepararem
para utilizar, pedagogicamente, as tecnologias na formação de cidadãos.
Caberá ao professor/mediador da aprendizagem, neste con-
texto virtual, o papel de auxiliar os educandos a produzir e a interpretar novas lingua-

36
gens do mundo atual, fazendo com que a comunidade discursiva (virtual) pro-
picie a aprendizagem colaborativa, criando espaço de disseminação
da cultura e fazendo a integração social dos cidadãos.

37
7. REFERÊNCIAS

BRAGA, D.; COSTA, L. O computador como instrumento e meio para o ensino/apren-


dizagem de línguas. Trab. Linguíst. Apl. Campinas, v. 36, p. 61-79, 2000.

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38
ROTARY CLUB. Apresentação do mutirão digital para escolas. Disponível em:
<http://www.mutirao.futuro.usp.br/oque.html #escolas>. Acesso em: 20 maio 2007.

WARSCHAUER, M.; HEALEY, D. Computers and language learning: an overview.


Language Teaching, n. 31, p. 57-71, 1998. Disponível em: <http://www.gse.uci.edu/
faculty/markw/overview.html>. Acesso em: 28 fev. 2007.

39
8. ARTIGO PARA REFLEXÃO

AUTOR: Kárpio Márcio de Siqueira


DISPONÍVEL EM: http://www.revistas.uneb.br/in-
dex.php/babel/article/download/98/165
ACESSO: 19 de julho de 2016

9. ENSINO DE LÍNGUA INGLESA NA ERA DA INFORMAÇÃO E CONHECI-


MENTO: INTERATIVIDADE, APRENDIZAGEM E TECNOLOGIA NO DESEN-
VOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA COMUNICACIONAL.5

Kárpio Márcio de Siqueira6

RESUMO: O texto em questão aponta para o Ensino da Língua Inglesa num diálogo com as
Tecnologias da Comunicação e Informação, a favorecer no processo de aquisição da Língua Inglesa
marcas de interatividade que criam espaço para o desenvolvimento da competência comunicacional
como desenho prioritário das ações didáticas dessa atmosfera de ensino.

Palavras-chaves: Língua Inglesa, Tecnologias da Informação e Comunicação, Aprendizagem


e Competência comunicacional

ABSTRACT: This text stares at the English Language Teaching into a dialogue to the Infor-
mation and Communication Technologies, and it also collaborates to the English Language Acquisition
with interactive signs that create spaces for communicational competence development as a main draw-
ing of didactic action directed to this teaching atmosphere.

Key-words: English Language, Information and Communication Technologies, Learning and


Communicational Competence.

5
Artigo publicado na Revista Científica da Faculdade Sete de Setembro – RIOS, ISSN 1808-9321 - Ano5. N.5-2009, p 16-21
6
Professor auxiliar da UNEB – Campus II – Alagoinhas no Colegiado de Letras- Inglês, professor titular da Faculdade Sete de
Setembro, no campo de estudos de Língua Inglesa e suas Literaturas, especialista em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira
e Mídias na Educação.
40
1. Um breve panorama do Ensino de Línguas.

O ensino de idiomas ao longo das últimas duas décadas tem sofrido modifica-
ções no cerne das questões quanto à aplicabilidade de metodologias e ao uso de
novas tecnologias, tudo isso, é pertinente a Era Comunicacional que focaliza a apren-
dizagem como eixo constitutivo da produção do conhecimento, nesse mesmo espaço,
abrem-se questionamentos sobre métodos de ensino e de aprendizagem, os recursos
a serem privilegiados, o nível de interatividade que deve ancorar a experiência de
aprendizado de um novo idioma e ainda o cenário das Tecnologias da Informação e
Comunicação. Contextualiza Almeida Filho que: “aprender uma nova língua na escola
é uma experiência educacional que se realiza para e pelo aprendiz/aluno como reflexo
de valores específicos do grupo social e/ou étnico que mantém essa escola”. (2002,
p.11)
A entender o aprendizado de uma língua como representação do espaço viven-
cial do aluno, é imprescindível apontar nesse percurso o universo tecnológico no qual
alunos e professores participam, a perceber que Rapaport anuncia que [...] qualquer
movimento que façamos no sentido de aplicar novas tecnologias em nossas aulas
merece total atenção e preparo para que seu uso seja adequado ao estilo e ritmo de
aprendizagem de nossos alunos, não só o inverso (2008, p. 127)
Com a premissa de um conhecimento promovido pela interação, absorção de
informações e adentramento no universo tecnológico, a prática comunicativa no en-
sino de uma língua estrangeira surge, então, a partir da carência de condensar vários
elementos envoltos no processo ensino-aprendizagem e de acompanhar o processo
de um mundo globalizado. Dessa forma, esse foco contemporâneo nos direciona a
uma ótica que aponta um novo protótipo de ensino, um ensino que esteja mais pró-
ximo dos anseios do aluno e de suas reais dificuldades no que tange a comunicação
e a aquisição de informação e nessa perspectiva o uso de elementos que façam parte
do seu cotidiano e vai, sem dúvida, facilitar o processo de ensino/aprendizagem, vistas
ao desenvolvimento da competência comunicacional.

2 . Interatividade

41
À ideia de interatividade apresentaremos inicialmente algumas definições do
Dicionário Michaelis:
Interação: 1 Ação recíproca de dois ou mais corpos uns nos outros. 2
Atualização da influência recíproca de organismos inter-relacionados. 3 Ação
recíproca entre o usuário e um equipamento (computador, televisor etc.). I.
social, Sociol: ações e relações entre os membros de um grupo ou entre gru-
pos de uma sociedade. Interativo: 1 Diz-se daquilo que permite, ou é capaz
de interação: Televisão interativa. 2 Inform Diz-se do sistema multimídia em
que um usuário pode executar um comando e o programa responde, ou con-
trolar ações e a forma como o programa funciona. 3 Inform Diz-se do sistema
de visualização que é capaz de reagir a diferentes entradas do usuário. 4
Inform Diz-se do modo do computador que permite ao usuário colocar coman-
dos, programas ou dados, recebendo respostas imediatas. Interatividade:
Qualidade de interativo.

Nessa apresentação, as definições lexicais apontam para uma utilização e en-


tendimento adequado do uso da palavra interativo e suas derivações, a favorecer um
diálogo dentro do cenário educacional e tecnológico. A vislumbrar os significados iden-
tificamos que o processo de interação deve exigir e estimular o intelecto do homem,
ou seja, os conceitos adquiridos dependem não somente do esforço individual, mas
principalmente do contexto em que o indivíduo se insere, e é embasado nesse pen-
samento que atribuir a educação o uso das novas tecnologias torna-se inevitável, já
que se objetiva construir um cidadão crítico e participativo e o ser adequado ao mer-
cado de trabalho e a vida. Interação e colaboração são diferentes níveis de ações
desenvolvidas na educação formal do ponto de vista da comunicação e envolvimento
entre os participantes. (CORTELAZZO, 2009, p. 126)
A possibilidade de inserção e interação num universo social nos mais diferentes
âmbitos (educacional, tecnológico, científico, sociológico, filosófico e etc) e de relaci-
onamento com outros povos, culturas e leituras, objeto do ensino brasileiro, é também
enlarguecido pelo ensino da Língua Inglesa e com a estruturação deste seguimento,
o incentivo ao aluno a entender os vários significados linguísticos presentes nos mais
diferentes textos, pode inserir-se de forma positiva no processo de comunicação glo-
bal, revelando que a linguagem é a referência de povos e culturas. Os PCN de Língua
Inglesa observam que:
Integradas à área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, as
Línguas Estrangeiras assumem a condição de serem parte indissolúvel do
42
conjunto de conhecimentos essenciais que permitem ao estudante aproximar-
se de várias culturas e, consequentemente, propiciam sua integração num
mundo globalizado. (1998 , p. 49.)

Nesse preâmbulo interacionista, o ensino da Língua Inglesa deve priorizar o


enfoque cultural e a relação de interação entre o aluno (leitor) e o texto (a informação),
precisando assim aludir-se a aspectos históricos–culturais de notável presença na
vida do estudante de idiomas, essa exposição reafirma a necessidade de que o edu-
cando não deve entrar em contato com apenas um grupo de palavras, mas com uma
esfera de significados que em parceria com a época e o espaço assumem diferentes
papéis nos valores significativos de uma língua.
A perspectiva interacionista envolve, então, as pontuações de Vygotsky a indi-
car que a interatividade é compreendida nesse espaço de aprendizagem , em diálogo
com a zona proximal do desenvolvimento que pode, então ser definida como a inter-
secção entre as práticas de sujeitos envolvidos na resolução e socialização da cons-
trução de conhecimento e da prática de vida comum, esse cenário direciona o olhar
da aprendizagem que deve ser antes de tudo desafiadora, partindo do que se sabe
para o que se quer saber, num percurso interativo e contextual.

3. Ensino e Tecnologia

As grandes evoluções socioculturais e tecnológicas do mundo atual geram in-


cessantes mudanças nas organizações e no pensamento humano e revelam um novo
universo no cotidiano das pessoas. A amplitude do cosmo cultural é prioridade
quando envolvemos direito e cidadania, daí a necessidade de unir num caráter intera-
tivista ensino e tecnologia, linguagem e dia-a-dia e as somas destes elementos sub-
sidiam a matéria prima para a criação de um homem que comporte as mudanças po-
lítico-socioeconômicas do Brasil, e antes de qualquer interferente, projete-se num
campo de conhecimento global. Contextualiza TEDESCO,

A extensão, intensidade, velocidade e impacto que adquirem os flu-


xos, interações e redes globais obrigam todos os países a repensar o vínculo
entre educação e política, economia, sociedade e cultura, e a constituição de

43
um sistema tecnológico de sistemas de informações e telecomunicações que
facilitem esses processos e gerem novos contextos, dentro dos quais deverá
se desenvolver, de agora em diante, a formação de pessoas. (2004, p.21)

Essa percepção orientou a tomada de decisão das políticas públicas que apon-
tam para o desenvolvimento social da humanidade, a identificar o espaço da educação
formal que privilegia uma formação e desenvolvimento social em diálogo com as rápi-
das mudanças nas quais os sujeitos estão envoltos. Essa ótica apresenta o que pres-
creve a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394, de 20 de dezembro
de 1996) dispõe: “Art. 32. O ensino fundamental obrigatório [...] terá por objetivo a
formação básica do cidadão, mediante: [...] II - a compreensão do ambiente natural e
social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se funda-
menta a sociedade”.
Com esse direcionamento, a formação de alunos e professores deve ser pau-
tada na inserção das Tecnologias da Informação e da Comunicação no universo edu-
cacional, a priori esta deve percorrer todo o caminho trilhado por professores e alunos
na busca do conhecimento. Como resultado, percebe-se que o desenvolvimento cog-
nitivo pode ser ampliado na presença do uso dos multimeios, numa percepção de que
aprendemos de maneira distinta e que a representação do saber se dá de maneira
também diversa.
Rapaport orienta que,
Apresentar novas formas de ensinar, certamente, pressupõe orientar
nossos alunos sobre as formas de aprender. Colocando em termos construti-
vistas, temos de focar em “como a mídia instrucional, independente de sua
definição, pode ser utilizada para facilitar a construção do conhecimento e
significados por parte do aluno. (2008, P.127)

O uso das Tecnologias e consequentemente da Internet na escola é exigência


da cibercultura, ou seja, do novo ambiente comunicacional-cultural que surge com a
interconexão mundial de computadores em forte expansão, uma vez que, cibercultura
norteia modos de vida e de comportamentos assimilados e transmitidos na vivência
histórica e cotidiana marcada pelas tecnologias, informáticas, mediando a comunica-
ção e a informação via Internet. Nesse escopo não se admite um método de ensino e

44
aprendizagem único ou hegemônico, mas uma condensação de fatores que oportuni-
zem uma aprendizagem significativa e que consigam acompanhar as rápidas e inten-
sas modificações que a Era da Informação e Comunicação nos sujeita. A perceber
Fernandes & Lima,
A noção do método de ensino e aprendizagem de línguas está forte-
mente vinculada às explicações e compreensões do processo aquisição da
linguagem. Está também fortemente vinculada à própria definição de língua-
linguagem que produzem diferentes propostas de ensino. Nesse sentido, a
noção de método soberano parece ser bastante transitória. Assim como as
identidades hoje são vistas como transitórias, móveis, fluidas, tendo as car-
teiras de identidade uma validade bastante limitada, assim também parecem
ser os métodos: furtivos, descentrados, múltiplos, porque assim são os sujei-
tos aos quais se aplicam (2009, p. 174-175)

A perceber a multiplicidade de fatores que subsidiam o ensino da Língua In-


glesa, podemos entender o ensino como linguagem didática, e como linguagem é
constituída para e pelo aluno e professor numa representação simbólica contextual,
numa relação dialética entre os sujeitos que nesse contexto, escolhem a estampa
tecnológica como marca do percurso a ser trilhado para o desenvolvimento dessa
aprendizagem.
Em se tratando a língua estrangeira como objeto de ensino, a posição
teórica a respeito de uma concepção de linguagem está intimamente relacio-
nada, e é inseparável de uma concepção de sujeito. Como estamos estu-
dando questões relativas à linguagem, estamos estudando também aqueles
que são os sujeitos da linguagem, sujeitos inseridos na ordem do simbólico.
Estamos constantemente interpretando, produzindo sentidos e investigando
suas condições e seus efeitos na sociedade. (BOLOGNINI, 2007, p.21)

Esse efeito na sociedade marca a necessidade de compreender no percurso


de aprendizagem em línguas, elementos que fortalecem essa aquisição e dialoguem
com o universo comunicacional no qual professores e alunos estão envolvidos.
Compreender o mundo, compreender os outros, compreender-se a si
e compreender as interações que entre estes vários componentes se estabe-
lecem e sobre tudo isto ser capaz de “linguajar” é o alicerce da vivência da
cidadania. É através da compreensão que nos preparamos para a mudança,
para o incerto, para o difícil, para a vivência noutras circunstâncias e noutros

45
países. Mas também para a permanente interação, contextualização e cola-
boração. (ALARCÃO, 2007, p. 25)

Essa premissa transcreve o novo emolduramento no qual a educação e seus


sujeitos devem se oportunizar, e neste caso, os agentes do processo de ensino apren-
dizagem de língua inglesa necessitam ressignificar o espaço de sala de aula, o per-
curso desse processo de maturação linguística e ainda, elencar contextualmente os
suportes didáticos que darão suporte a construção processual desse novo sistema de
linguagem.

4. Competência comunicacional

Segundo ALMEIDA FILHO, ser comunicativo significa preocupar-se mais com


o próprio aluno enquanto sujeito e agente no processo de formação a partir de uma
Língua Estrangeira. (2002, p.42). Ao anunciarmos a condição de comunicacional
como eixo central nas discussões de formação de sujeitos linguísticos, apontamos
para o desenvolvimento de competências e habilidades que estejam nitidamente liga-
das à necessidade comunicativa do falante.
Visitemos, então, as proposições dos Parâmetros Curriculares Nacionais de

Língua Inglesa,
Torna-se, pois, fundamental, conferir ao ensino escolar de Línguas
Estrangeiras um caráter que, além de capacitar o aluno a compreender e a
produzir enunciados corretos no novo idioma, propicie ao aprendiz a possibi-
lidade de atingir um nível de competência linguística capaz de permitir-lhe
acesso a informações de vários tipos, ao mesmo tempo em que contribua
para a sua formação geral enquanto cidadão. ( 1998,p.52)

Esse quadro referencial projeta uma abordagem no ensino da Língua Inglesa,


fomentada a partir de uma demanda pela informação, em que as competências e ha-
bilidades a serem desenvolvidas nos estudos linguísticos não podem nem devem ser
reduzidos a ideia de normalização ou ainda descrição da língua, eles devem ofertar à
aquisição de um novo idioma o aspecto da comunicação a possibilitar uma formação
integral do falante diante de uma aprendizagem significativa. Afirma Moran,

46
Um dos grandes desafios para o educador é ajudar a tornar a infor-
mação significativa, a escolher as informações verdadeiramente importantes
entre tantas possibilidades, a compreendê-las de forma cada vez mais abran-
gente e profunda e torná-las parte do nosso referencial (2003, p.23)

A conquista de uma segunda língua tem fundamental importância no processo


de desenvolvimento da humanidade, os processos comunicativos que se sucederam
anos após anos, representados pelo câmbio cultural, permitiram que a humanidade,
não estivessem ao externo de um contexto coletivo, esse posicionamento equilibrou
a desigualdade de povos em relação as descobertas científicas na mais diversas
áreas e consequentemente a troca destas informações supriram necessidades de co-
munidades bem menos desenvolvidas e até mesmo estas em sua construção e ma-
nutenção não linear contribuíram para o aperfeiçoamento das grandes civilizações.
Afirma ALMEIDA FILHO, a aprendizagem de uma nova língua, no ângulo da comuni-
cação, precisa se dar numa matriz comunicativa de interação social. (2002, p.8)
Essa condição de contexto aponta para o entendimento do cosmo cultural na
Era da Informação e Comunicação como eixo balizador do processo de orientação a
o desenvolver da competência comunicativa a perceber Kramsch,
The notion of context is a relational one. In each of its five dimensions:
linguistics, situational, interactional, as well as cultural and intertextual, it is
shaped by people in dialogue with one another in a variety of roles and sta-
tuses. Because language is at the intersection of the individual and the social,
of the texts and discourse, it both reflects and construes the social reality
called ‘context´.( 2004, p.67) 7

Nesse palco, estabelecer um alvo comunicativo ancorado com os artefatos da


comunicação contemporânea e em especial aqueles que dialogam com a Internet no
ensino da Língua Inglesa, não é apenas promover um uso passivo de equipamentos
eletrônicos , a exemplo do computador, mas ofertar a essa demanda de formação
comunicacional a partir de uma atmosfera multidimensional, variados suporte comu-
nicacionais, nos quais o estudante pode ter contato , cujas afinidades serão testadas
em meio a imagens, sons, textos, cores e etc.; o significado de incorporar inovações

7
“A noção de contexto é relacional. Em cada uma das suas cinco dimensões: linguística, situacional, interacional, assim como
cultural e intertextual, ela é montada pelo diálogo com os outros numa variedade de padrões de comportamento e posições.
Porque a língua está na intersecção do individual como o social, do texto com o discurso, ambos refletem e constroem a
realidade social chamado ‘contexto’ “
47
tecnológicas está conectado à contribuição para uma primazia na qualidade do ensino
brasileiro. Elucida os PCN:
Torna-se, pois, fundamental, conferir ao ensino escolar de Línguas
Estrangeiras um caráter que, além de capacitar o aluno a compreender e a
produzir enunciados corretos no novo idioma, propicie ao aprendiz a possibi-
lidade de atingir um nível de competência linguística capaz de permitir-lhe
acesso a informações de vários tipos, ao mesmo tempo em que contribua
para a sua formação geral enquanto cidadão. (1998 , p. 52)

Diante desse escopo de formação integral do cidadão, o espaço de ensino de


língua precisa identificar a demanda do seu público e a partir desse diagnóstico propor
direções para um alcance mais preciso dos objetivos comunicacionais. Segundo
Richards,
O ensino comunicativo de línguas de hoje se refere a um conjunto
normalmente acordado de princípios que podem ser aplicados de formas di-
ferentes, dependendo do contexto de ensino, da idade dos alunos, seu nível,
suas metas de aprendizado e assim por diante”. (2006, p.41)

A ideia de conjunto de artefatos didáticos comunicacionais, apresenta-se a pri-


ori às necessidades e aos objetivos do grupo em aprendizagem linguística numa at-
mosfera de interação e assimilação das representações culturais, no qual os sujeitos
participam durante momento de construção da fala nessa língua adquirida. Logo, Al-
meida Filho,
[...] o ensino comunicativo é aquele que organiza as experiências de
aprender em termos de atividades relevantes/tarefas-usuários de real inte-
resse e/ou necessidade do aluno para que ele se capacite a usar a língua-
alvo para realizar ações de verdade na interação com os outros falantes-usu-
ários dessa língua. ( 2002, p.65)

A esse contrato de competência comunicacional vislumbra-se o aspecto da


aprendizagem significativa vistas a inserção do contexto do aluno e professor de ma-
neira a favorecer um conexões entre o que se aprende e sua utilidade na vida prática,
a condição de interação no entendimento de sujeitos em ação pela própria construção
da identidade linguística no campo da língua inglesa e ainda o suporte da informação
balizada pelos multimeios que apontam para o cenário da tecnologia da comunicação
e informação.

48
10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pensar em um ensino de língua inglesa pautado no desenvolvimento coletivo


do aluno é atribuir um significado contemporâneo ao espaço educacional da nossa
sociedade. É bem verdade que dentro do processo de aquisição de conhecimento
linguístico as operações mentais envolvidas ao longo de anos, nem sempre variam, o
que sugere indagar se não há um avanço nesse conjunto de fenômenos que englo-
bam o palco da aprendizagem, que discussões poderemos trilhar no vislumbre, Edu-
cação e Tecnologias? O que muda, nessa ordem, aluno – recurso- professor? Em que
medida podemos identificar o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação
como subsídios para o alavancamento de uma aprendizagem mais significativa? Com
esses questionamentos, cria-se espaço para a apresentação das temáticas que aden-
traram a atmosfera do ensino de línguas não pela questão do modismo, mas pela
maciça presença desses elementos nos estratos de comunicação que atingem a uma
grande parcela da população, não se excetua o espaço de educação, que pressupõe
contexto, cultural e linguagem.

49
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