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MÓDULO INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO

SEMINÁRIO IV – EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, COMPENSAÇÃO E


REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Aluna: Maiana dos Santos Patrício

Questões

1. Entendo que a expressão “extinção do crédito tributário” não seria correta para qualificar o
fim da relação jurídica entre o fisco e o contribuinte. Isso porque o crédito tributário é apenas
um dos aspectos da relação jurídica obrigacional, existindo outros elementos que integram a
referida relação e também devem ser considerados. Dessa forma, o vínculo obrigacional será
extinto não somente com a ausência do crédito tributário, mas também se verificada a
ausência de um dos demais elementos que integram a relação jurídica.
De igual forma, entendo também não ser correta a separação das causas de extinção descritas
no art. 156 do CTN em modalidades de fato e de direito, sendo a prescrição e a decadência
modalidades de direito e as demais, de fato. Isso porque as onze modalidades elencadas
tratam-se de hipóteses restritas elencadas pelo direito, não havendo como distingui-las em
causas de direito e de fato, sendo, portanto, modalidades jurídicas específicas reguladas pelo
direito.

2. A pessoa que possui legitimidade para pleitear a repetição do indébito tributário é o sujeito
passivo da obrigação, qual seja, o contribuinte que pagou tributo a maior, ou o pagamento foi
realizado com base em relação jurídica tributária inexistente. Em casos de substituição
tributária, ou seja, quando o contribuinte do tributo não é o contribuinte de fato (que arcou
efetivamente com o encargo, suportando o dano), conforme entendimento jurisprudencial
firmado pelo STJ, e ainda, disposto no art. 166 do CTN, o contribuinte de direito (que suportou
apenas o ilícito) terá legitimidade ativa para propor a ação de repetição de indébito quando
comprovar ter pago o tributo ou quando autorizado expressamente pelo contribuinte de fato a
receber a repetição do indébito.

3. A hipótese de dação em pagamento de bens imóveis como causa de extinção do crédito


tributário não altera a cláusula do art. 3º do CTN no que se refere à prestação tributária ser
apenas em dinheiro. Isso porque, analisando especificamente a modalidade de extinção do
crédito tributário “dação em pagamento”, seria possível concluir a impossibilidade de
aplicação da referida modalidade. Isso porque, a referida norma prevê que as prestações
tributárias serão adimplidas em pecúnia, ou seja, dinheiro. Contudo, o mesmo diploma legal
garante o adimplemento das prestações também “em valor que se possa exprimir”.
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Nesse sentido, considerando que os bens imóveis podem ser exprimidos em valor, a dação em
pagamento não contraria o disposto no art. 3º do CTN.

A LC n. 104/01 veiculou a dação em pagamento em bens imóveis como nova modalidade


extintiva, na forma e nas condições estabelecidas em lei. Nesse sentido, em tese, diante da
ausência de norma prévia que regulamente a dação em pagamento de bens imóveis como
modalidade extintiva do crédito tributário, é possível considerar que previsões neste sentido
existentes antes da LC n. 104/01 não são válidas, ante a ausência de lei ordinária que
estabelecesse de forma clara as condições exigidas para que fossem extintos os créditos
tributários pela dação em pagamento com bens imóveis.

4.

Segundo o professor Paulo de Barros, é o “acerto de contas” entre o fisco e o contribuinte, é


assim, uma hipóstese legal onde ocorre a compensação de débitos do contribuinte com
créditos que ele deteém perante o fisco, é portanto, a extinção da obrigação entre dois
sujeitos os quais são reciprocamente devedores um do outro. (ii) O direito subjetivo a
compensão nasce com a edição e entrada em vigor, da lei autorizadora. Surge aí duas normas
individuais e concretas: uma constitui o débito do fisco e a outra o crédito do contribuinte. (iii)
Entendo que a lei editada em momento posterior ao nascimento do direito subjetivo à
compensação não poderá limitar o exercício do direito à compensação, justamente em razão
do direito adquirido(iv), sendo que tal matéria ainda encontra divergências nos tribunais. Com
isso, não se pode admitir que lei posterior prejudique situações já consolidadas.

5.  O art. 170-A do CTN estabelece que, tendo o contribuinte ingressado em juízo, deverá
aguardar o trânsito em julgado para a certeza quanto à ocorrência de indébito a possibilitar a
compensação. Contudo, considerando-se o art. 489, §1°, inciso VI, bem como os arts. 926 e
seguintes do CPC, temos a possibilidade de o art. 170-A não mais impedir a imediata
compensação de valores indevidamente pagos, desde que a matéria discutida esteja pacificada
no âmbito do STJ e do STF, a exemplo de o crédito tributário já ter sido objeto de recurso
repetitivo e seu julgamento, decidido de forma favorável ao contribuinte, não sendo razoável
aguardar o trânsito em julgado de situação jurídica já reconhecida, para só então haver a
efetivação da compensação do crédito tributário.

6. a) Em razão da suspensão da exigibilidade do crédito quando da compensação, não é


possível afirmar que a ausência de homologação significa o não pagamento. Por outro lado, a
compensação só ocorre, de fato, quando revertida em linguagem competente, ou seja, esta
depende de posterior homologação, que é condição resolutiva do ato. Assim, caso não venha
ser homologada, subsiste a norma individual e concreta de incidência.
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b) A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória os
débitos nela informados (art. 74 § 2º, Lei nº 9.430/96). A falsificação ocorre quando o
contribuinte, quando da declaração de compensação, age omitindo ou deturpando
informações, em clara ofensa aos ditames normativos que regulamentam o referido
procedimento. Nestes casos, é aplicada a multa isolada agravada (150% sobre os débitos
informados em declaração) prevista no art. 18, § 16 da Lei 9.430/96.
c) Importante destacar que a declaração de compensação tributária é revestida, a princípio, de
licitude, uma vez que prevista expressamente na legislação, constituindo tal prática por parte
do contribuinte, se não verificada e comprovada fraude, ato lícito e exercício regular de um
direito.
A penalidade em discussão decorre da simples ausência de homologação da declaração de
compensação pleiteada, não havendo, portanto, a configuração de qualquer ato ilícito.
Dessa forma, as multas aplicadas certamente ferem os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade em razão do seu percentual extremamente elevado. Ademais,
principalmente quando aplicada independentemente da comprovação de má-fé do
requerente, a penalidade inibe o contribuinte de questionar perante o Fisco, contrariando o
direito de petição, e violando, automaticamente, o princípio do devido processo legal.
O vício de inconstitucionalidade surge quando do não atendimento ou indeferimento do
pedido realizado pelo contribuinte de ressarcimento ou da não homologação da declaração de
compensação.

7.
O art. 928 do CPC, que prevê a sistemática dos julgamentos de recursos repetitivos, criada para
trazer mais celeridade processual, garantir a segurança jurídica nas decisões e, de certo
modo,funcionar como “filtro para barrar” demandas repetitivas de casos análogos que
ocupavam parcela considerável da pauta de julgamento dos tribunais. Diante deste senário,
foi criado pelo legislador essa sistemática que elege um ou mais recursos como
representativos da controvérsia para julgando-os, resolver o mérito da questão, não apenas
para estes, mas para todos os demais recursos que versam sobre o mesmo assunto. Feito esse
panorama, entendo por “direito subjetivo” aquele em que o titular de um direito, imbuído pela
faculdade de outro direito, o potestativo, deduz pretensão que entende ser passível de
apreciação pelo poder judiciário, ainda que ela posteriormente não venha ser reconhecida.
Contextualizando, entendo que o contribuinte tem sim o direito de ajuizar a ação de
repetição/compensação do indébito cujo fundamento seja objeto do recurso repetitivo, no
entanto, não significa que a medida será eficiente/procedente. Como ressaltado, o direito
subjetivo para pleitear a tutela jurisdicional sempre será possível, mas nem sempre será
favorável.