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DIREITO CIVIL

INFORMATIVOS 2015-2016-2017

Até Info 661, STJ e Info 963, STF

DIREITO CIVIL – PARTE GERAL

Tema: Direitos da personalidade


Não se exige que o indivíduo tenha deixado um documento escrito dizendo que desejava ser
submetido à criogenia, podendo essa vontade ser provada por outros meios, como a declaração do
familiar mais próximo Importante!!! Não há exigência de formalidade específica acerca da
manifestação de última vontade do indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo
possível a submissão do cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade manifestada em
vida. A criogenia (ou criopreservação) é a técnica de congelamento do corpo humano após a morte,
em baixíssima temperatura, a fim de conservá-lo, com o intuito de reanimação futura da pessoa caso
sobrevenha alguma importante descoberta científica que possibilite o seu retorno à vida. Em outras
palavras, a criogenia consiste no congelamento de cadáveres a baixas temperaturas, com a finalidade
de que, com os possíveis avanços da ciência, sejam, um dia, ressuscitados. STJ. 3ª Turma. REsp
1.693.718-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

Tema: Direito ao esquecimento


[Informativo 628, STJ] Excepcionalmente, é possível que o Judiciário determine o rompimento do
vínculo estabelecido por sites de busca entre o nome da pessoa, utilizado como critério exclusivo de
busca, e a notícia desabonadora apontada nos resultados Importante!!! Determinada pessoa se
envolveu em uma suspeita de fraude há mais muitos anos, tendo sido inocentada das acusações.
Ocorre que todas as vezes que digita seu nome completo no Google e demais provedores de busca, os
primeiros resultados que aparecem até hoje são de páginas na internet que trazem reportagens sobre
seu suposto envolvimento com a fraude. Diante disso, ela ingressou com ação de obrigação de fazer
contra o Google pedindo a desindexação, nos resultados das aplicações de busca mantida pela
empresa, de notícias relacionadas às suspeitas de fraude no referido concurso. Invocou, como
fundamento, o direito ao esquecimento. O STJ afirmou o seguinte: em regra, os provedores de busca
da internet (ex: Google) não têm responsabilidade pelos resultados de busca apresentados. Em outras
palavras, não se pode atribuir a eles a função de censor, obrigando que eles filtrem os resultados das
buscas, considerado que eles apenas espelham o conteúdo que existe na internet. A pessoa prejudicada

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deverá direcionar sua pretensão contra os provedores de conteúdo (ex: sites de notícia), responsáveis
pela disponibilização do conteúdo indevido na internet. Há, todavia, circunstâncias excepcionalíssimas
em que é necessária a intervenção pontual do Poder Judiciário para fazer cessar o vínculo criado, nos
bancos de dados dos provedores de busca, entre dados pessoais e resultados da busca, que não
guardam relevância para interesse público à informação, seja pelo conteúdo eminentemente privado,
seja pelo decurso do tempo. Nessas situações excepcionais, o direito à intimidade e ao esquecimento,
bem como a proteção aos dados pessoais deverá preponderar, a fim de permitir que as pessoas
envolvidas sigam suas vidas com razoável anonimato, não sendo o fato desabonador corriqueiramente
rememorado e perenizado por sistemas automatizados de busca. No caso concreto, o STJ determinou
que deveria haver a desvinculação da pesquisa com base no nome completo da autora com resultados
que levassem às notícias sobre a fraude. Em outras palavras, o STJ afirmou o seguinte: o Google não
precisa retirar de seus resultados as notícias da autora relacionadas com a suposta fraude no concurso.
Mas para que esses resultados apareçam será necessário que o usuário faça uma pesquisa específica
com palavras-chaves que remetam à fraude. Por outro lado, se a pessoa digitar unicamente o nome
completo da autora, sem qualquer outro termo de pesquisa que remete à suspeita de fraude, não se
deve mais aparecer os resultados relacionados com este fato desabonador. Assim, podemos dizer que é
possível determinar o rompimento do vínculo estabelecido por provedores de aplicação de busca na
internet entre o nome de prejudicado, utilizado como critério exclusivo de busca, e a notícia apontada
nos resultados. O rompimento do referido vínculo sem a exclusão da notícia compatibiliza também os
interesses individual do titular dos dados pessoais e coletivo de acesso à informação, na medida em
que viabiliza a localização das notícias àqueles que direcionem sua pesquisa fornecendo argumentos
de pesquisa relacionados ao fato noticiado, mas não àqueles que buscam exclusivamente pelos dados
pessoais do indivíduo protegido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.168-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel.
Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 08/05/2018

Tema: Direito à imagem


Lucro da intervenção e caso Giovanna Antonelli Importante!!! Determinada “farmácia de
manipulação” utilizou o nome e a imagem da atriz Giovanna Antonelli, sem a sua autorização, em
propagandas de um remédio para emagrecer. O STJ afirmou que, além da indenização por danos
morais e materiais, a atriz também tinha direito à restituição de todos os benefícios econômicos que a
ré obteve na venda de seus produtos (restituição do “lucro da intervenção”). Lucro da intervenção é
uma vantagem patrimonial obtida indevidamente com base na exploração ou aproveitamento, de forma
não autorizada, de um direito alheio. Dever de restituição do lucro da intervenção é o dever que o
indivíduo possui de pagar aquilo que foi auferido mediante indevida interferência nos direitos ou bens
jurídicos de outra pessoa. A obrigação de restituir o lucro da intervenção é baseada na vedação do
enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). A ação de enriquecimento sem causa é subsidiária.
Apesar disso, nada impede que a pessoa prejudicada ingresse com ação cumulando os pedidos de

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reparação dos danos (responsabilidade civil) e de restituição do indevidamente auferido (lucro da
intervenção). Para a configuração do enriquecimento sem causa por intervenção, não se faz
imprescindível a existência de deslocamento patrimonial, com o empobrecimento do titular do direito
violado, bastando a demonstração de que houve enriquecimento do interventor. O critério mais
adequado para se fazer a quantificação do lucro da intervenção é o do enriquecimento patrimonial
(lucro patrimonial). A quantificação do lucro da intervenção deverá ser feita por meio de perícia
realizada na fase de liquidação de sentença, devendo o perito observar os seguintes critérios: a)
apuração do quantum debeatur com base no denominado lucro patrimonial; b) delimitação do cálculo
ao período no qual se verificou a indevida intervenção no direito de imagem da autora; c) aferição do
grau de contribuição de cada uma das partes e d) distribuição do lucro obtido com a intervenção
proporcionalmente à contribuição de cada partícipe da relação jurídica. STJ. 3ª Turma.REsp
1.698.701-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 02/10/2018 (Info 634).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-634-STJ.pdf

[Informativo 921, STF] Inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de


imagem do cadáver morto em via pública Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em
tiroteio ocorrido em via pública. Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos
morais contra o jornal alegando que houve violação aos direitos de imagem. O STF julgou a ação
improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que afronta a
liberdade de informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 23/10/2018

[Informativo 621, STJ] A Súmula 403 do STJ é inaplicável para representação da imagem de pessoa
como coadjuvante em documentário que tem por objeto a história profissional de terceiro Ação de
indenização proposta por ex-goleiro do Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por
ator profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O
autor alegou que a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma indireta,
geraria direito a indenização por danos morais, independentemente de efetivo prejuízo. O STJ não
concordou. A representação cênica de episódio histórico em obra audiovisual biográfica não depende
da concessão de prévia autorização de terceiros ali representados como coadjuvantes. O STF, no
julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização de pessoa biografada
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a autorização de
pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de
representação da imagem de pessoa como coadjuvante em obra biográfica audiovisual que tem por
objeto a história profissional de terceiro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.454.016-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/12/2017

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Tema: Homologação de sentença estrangeira
[Informativo 605, STJ] ARBITRAGEM O STJ não irá homologar a sentença arbitral estrangeira se
constatar que o árbitro que participou do procedimento não gozava de imparcialidade A prerrogativa
de imparcialidade do julgador aplica-se à arbitragem e sua inobservância resulta em ofensa direta à
ordem pública nacional – o que legitima o exame da matéria pelo Superior Tribunal de Justiça,
independentemente de decisão proferida pela Justiça estrangeira acerca do tema. STJ. Corte Especial.
SEC 9.412-EX, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em
19/4/2017

Tema: Associações

[Informativo 602, STJ] O art. 1.023 do CC, que trata da responsabilidade subsidiária dos sócios da
sociedade simples, não se aplica às associações civis O Código Civil, ao tratar sobre a
responsabilidade das sociedades simples, estabelece o seguinte: Art. 1.023. Se os bens da sociedade
não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das
perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. Esse dispositivo NÃO se aplica às
associações civis. As associações civis são caracterizadas pela união de pessoas que se organizam para
a execução de atividades sem fins lucrativos. Sociedades simples são formas de execução de atividade
empresária, com finalidade lucrativa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.398.438-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 4/4/2017 NÃO COLOQUEI NO ANKI

Tema: Vícios do negócio jurídico

[Informativo 594, STJ] Venda do bem pelo sócio antes da desconsideração da personalidade jurídica
e do redirecionamento da execução para a pessoa física A fraude à execução só poderá ser
reconhecida se o ato de disposição do bem for posterior à citação válida do sócio devedor, quando
redirecionada a execução que fora originariamente proposta em face da pessoa jurídica. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.391.830-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/11/2016 (Info 594). O entendimento
acima exposto permanece válido com o CPC/2015? Haverá polêmica, mas pela redação literal do novo
CPC, não. Isso porque o CPC/2015 traz uma nova regra, que não havia no Código passado, afirmando
que a fraude à execução tem como marco a data da citação da pessoa jurídica que é objeto da
desconsideração: Art. 792 (...) § 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à
execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar.

Tema: Nulidades

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[Informativo 591, STJ] ARBITRAGEM Competência para declarar nulidade de cláusula de
compromisso arbitral Importante!!! O Poder Judiciário pode decretar a nulidade de cláusula arbitral
(compromissória) sem que essa questão tenha sido apreciada anteriormente pelo próprio árbitro?
Regra: Não. Segundo o art. 8º, parágrafo único da Lei de Arbitragem (Lei nº 9.307/96), antes de
judicializar a questão, a parte que deseja arguir a nulidade da cláusula arbitral deve formular esse
pedido ao próprio árbitro. Exceção: compromissos arbitrais patológicos. O Poder Judiciário pode, nos
casos em que prima facie é identificado um compromisso arbitral "patológico", isto é, claramente
ilegal, declarar a nulidade dessa cláusula, independentemente do estado em que se encontre o
procedimento arbitral. STJ. 3ª Turma. REsp 1.602.076-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
15/9/2016

Tema: Direitos autorais

É desnecessária a autorização do titular da obra parodiada que não for verdadeira reprodução da obra
originária nem lhe implicar descrédito, ainda que a paródia tenha finalidade eleitoral A paródia é uma
das limitações do direito de autor, com previsão no art. 47 da Lei 9.610/98, que prevê serem livres as
paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem
descrédito. Respeitadas essas condições, é desnecessária a autorização do titular da obra parodiada. A
finalidade da paródia, se comercial, eleitoral, educativa, puramente artística ou qualquer outra, é
indiferente para a caracterização de sua licitude e liberdade assegurada pela Lei nº 9.610/98. Caso
concreto: durante sua campanha de reeleição para Deputado Federal em 2014, o humorista Tiririca fez
uma paródia da música “O Portão”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na qual pedia
votos. O STJ entendeu que não era devida indenização para o titular dos direitos autorais porque, em
regra, não é necessária prévia autorização para a realização de paródias. STJ. 3ª Turma. REsp
1.810.440-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

Ainda que a intérprete tenha autorizado a gravação e produção de um fonograma, a reprodução e


comercialização do material obtido, em CD, precisa de sua nova anuência, não se podendo dizer que
estava abrangida pela primeira autorização A fixação de uma interpretação em fonograma não é
suficiente para absorver o direito prévio do intérprete, tampouco deriva em anuência para sua
reprodução sucessiva ou em cessão definitiva de todos os direitos titularizados pelo intérprete e demais
titulares de direitos de autor ou conexos. Os direitos do artista intérprete estão elencados nos incisos do
art. 90 da Lei nº 9.610/98, e a disposição de cada um deles não presume a cessão dos demais, devendo-
se interpretar restritivamente os contratos de cessão de direitos autorais. Caso concreto: Juliana,
cantora, foi contratada pela “VAM Ltda” (empresa produtora de mídias) para gravar a canção “La vem
Emília”. Ao ser contratada, Juliana foi informada de que a música seria utilizada como tema da
personagem Emília, no programa de TV “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Posteriormente, esse fonograma

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foi incluído em um CD intitulado Sítio do Pica-Pau Amarelo produzido pela “VAM Ltda”. Ocorre que
Juliana não foi comunicada de que a música seria inserida no CD, além de a produtora não ter inserido
o nome da intérprete nos créditos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.400.463-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

O ECAD pode fixar critério diferenciado para valoração de obras de background (música de fundo)
veiculadas em programas de televisão O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD
pode definir critérios diferenciados para distribuição de valores de direitos autorais de acordo com os
diversos tipos de exibição de músicas inseridos no contexto de obras audiovisuais, como nas chamadas
músicas de fundo (background). STJ. 3ª Turma. REsp 1331103/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 23/04/2013. STJ. 4ª Turma. REsp 1.552.227-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
27/11/2018 (Info 640).

[Informativo 606, STJ] Cobrança de direitos autorais em caso de hotel equipado com TV Hotéis
pagam direitos autorais ao ECAD pelo simples fato de os quartos serem equipados com TV A simples
disponibilização de aparelhos radiofônicos (rádios) e televisores em quartos de hotéis, motéis, clínicas
e hospitais autoriza a cobrança de direitos autorais por parte do ECAD. Se o quarto do hotel for
equipado com TV por assinatura, tanto a empresa de TV a cabo como o hotel pagarão direitos autorais
Não há bis in idem nas hipóteses de cobrança de direitos autorais tanto da empresa exploradora do
serviço de hotelaria (hotel) como da empresa prestadora dos serviços de transmissão de sinal de TV
por assinatura (ex: NET). Prazo prescricional para o ECAD ajuizar ação cobrando direitos autorais A
cobrança em juízo dos direitos decorrentes da execução de obras musicais sem prévia e expressa
autorização do autor envolve pretensão de reparação civil, a atrair a aplicação do prazo de prescrição
de 3 anos de que trata o art. 206, § 3º, V, do Código Civil. ECAD não pode cobrar multa moratória
prevista em seu regulamento Por ausência de previsão legal e ante a inexistência de relação contratual,
é descabida a cobrança de multa moratória estabelecida unilateralmente em Regulamento de
Arrecadação do ECAD. STJ. 3ª Turma. REsp 1.589.598-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 13/6/2017

[Informativo 606, STJ] Gravação de mensagem de voz para central telefônica não pode ser
enquadrada como direito conexo ao de autor Gravação de mensagem de voz para central telefônica
não pode ser enquadrada como direito conexo ao de autor, por não representar execução de obra
literária ou artística ou de expressão do folclore. O uso indevido de voz de locutora profissional em
gravação de saudação telefônica, que não se enquadre como direito conexo ao de autor, não encontra
proteção na Lei de Direitos Autorais. Isso porque a Lei nº 9.610/98 protege apenas os intérpretes ou
executantes: de obras literárias ou artísticas; ou de expressões do folclore. A simples locução de uma
saudação telefônica não se enquadra nessas situações que merecem proteção da Lei nº 9.610/98. Os

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direitos da personalidade podem ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente nem
geral O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de disposição voluntária, desde que
não permanente nem geral, estando condicionado à prévia autorização do titular e devendo sua
utilização estar de acordo com o contrato estabelecido entre as partes. STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.851-
SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 27/4/2017

[Informativo 600, STJ] Ideias e indicações de bibliografia não gozam de proteção dos direitos de
autor As ideias que servem de base e a bibliografia de que se vale autor de texto de dissertação de
mestrado não estão abarcadas pela proteção aos direitos de autor. Ex: determinada pessoa fez uma
dissertação de mestrado envolvendo literatura de vampiros; algum tempo depois, a Faculdade criou
uma disciplina na pós-graduação envolvendo esta temática e utilizando parte da bibliografia
mencionada na dissertação. Embora o texto de sua dissertação e das suas conferências realizadas em
eventos acadêmicos esteja protegido pela Lei de Direitos Autorais, as ideias que lhe serviram de base,
bem como a bibliografia de que se valeu para a realização da pesquisa não estão abrangidas pela
proteção aos direitos de autor. STJ. 3ª Turma.REsp 1.528.627-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 7/3/2017

[Informativo 599, STJ] Na antiga Lei de Direitos Autorais, o contrato de cessão de direitos precisava
ser averbado à margem do registro para que pudesse ter eficácia contra terceiros A Lei nº 5.988/73
(antiga Lei de Direitos Autorais) exigia que o contrato de cessão de direitos de obra musical fosse
averbado à margem do registro no órgão competente para que pudesse ter eficácia contra terceiros.
Isso estava previsto no art. 53, § 1º (Para valer perante terceiros, deverá a cessão ser averbada à
margem do registro a que se refere o artigo 17). É possível averbar o contrato de cessão de direitos
autorais firmado na vigência da Lei nº 5.988/73 mesmo sem que tenha havido anterior registro da obra
por seu titular no órgão oficial competente. Em outras palavras, ainda que o titular dos direitos autorais
sobre a música (cedente) não tenha registrado sua canção no registro adequado, o cessionário tem
legitimidade para fazer a averbação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.500.635-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro,
julgado em 21/2/2017

[Informativo 597, STJ] Transmissão de músicas por streaming exige pagamento de direitos autorais
ao ECAD Importante!!! A transmissão de músicas por meio da rede mundial de computadores
mediante o emprego da tecnologia streaming (webcasting e simulcasting) demanda autorização prévia
e expressa pelo titular dos direitos de autor e caracteriza fato gerador de cobrança pelo ECAD relativa
à exploração econômica desses direitos. STJ. 2ª Seção. REsp 1559264/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 08/02/2017

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[Informativo 594, STJ] Imagem da fachada do imóvel utilizada em propaganda comercial com
permissão do proprietário, mas sem autorização do autor do projeto O autor de projeto de obra
arquitetônica, ainda que situada permanentemente em logradouros públicos, integrando de modo
indissociável o meio ambiente, a compor a paisagem como um todo, faz jus ao ressarcimento por
danos de ordem material e moral em virtude da representação por terceiros de sua obra, com fins
comerciais, sem a devida autorização e indicação de autoria, ainda que tenha havido aquiescência do
proprietário da obra. STJ. 3ª Turma. REsp 1.562.617-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 22/11/2016

[Informativo 594, STJ] Possibilidade de a pessoa jurídica ser titular dos direitos autorais Nos
contratos sob encomenda de obras intelectuais, a pessoa jurídica que figura como encomendada na
relação contratual pode ser titular dos direitos autorais, conforme interpretação do art. 11, parágrafo
único, da Lei nº 9.610/98. Assim, ocorrendo a utilização indevida da obra encomendada, sem a devida
autorização, caberá à pessoa jurídica contratada pleitear a reparação dos danos sofridos. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.473.392-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/10/2016

[Informativo 845, STF] A Lei nº 12.853/2013, que modificou a Lei nº 9.610/98, é constitucional A Lei
nº 9.610/98 regulamenta os direitos autorais no Brasil. A Lei nº 12.853/2013 modificou a Lei nº
9.610/98 com o objetivo de alterar diversas regras sobre a gestão coletiva dos direitos autorais. Foram
ajuizadas duas ações diretas de inconstitucionalidade contra a novidade legislativa. O STF, contudo,
julgou as ações inteiramente improcedentes, afirmando que as alterações implementadas pela Lei nº
12.853/2013 são válidas e não violam a Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5062/DF e ADI
5065/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 27/10/2016

[Informativo 588, STJ] DIREITOS AUTORAIS Responsabilidade pelo pagamento de direitos autorais
decorrentes de evento executado por sociedade empresária contratada mediante licitação Se o
Município contratou, mediante licitação, uma empresa para a realização do evento, será dela a
responsabilidade pelo pagamento dos direitos autorais. Exceções: esta responsabilidade poderá ser
transferida para o Município em duas hipóteses: 1) se ficar demonstrado que o Poder Público
colaborou direta ou indiretamente para a execução do espetáculo; ou 2) se ficar comprovado que o
Município teve culpa em seu dever de fiscalizar o cumprimento do contrato público (culpa in eligendo
ou in vigilando). Em síntese: no caso em que sociedade empresária tenha sido contratada mediante
licitação para a execução integral de evento festivo promovido pelo Poder Público, a contratada - e não
o ente que apenas a contratou, sem colaborar direta ou indiretamente para a execução do espetáculo -
será responsável pelo pagamento dos direitos autorais referentes às obras musicais executadas no
evento, salvo se comprovada a ação culposa do contratante quanto ao dever de fiscalizar o

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cumprimento dos contratos públicos (culpa in eligendo ou in vigilando). STJ. 3ª Turma. REsp
1.444.957-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/8/2016

Tema: Nome

É possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome
da mulher durante a convivência matrimonial O cônjuge pode acrescentar sobrenome do outro (§ 1º do
art. 1.565, do Código Civil). Em regra, o sobrenome do marido/esposa é acrescido no momento do
matrimônio, sendo essa providência requerida no processo de habilitação do casamento. A despeito
disso, não existe uma vedação legal expressa para que, posteriormente, no curso do relacionamento,
um dos cônjuges requeira o acréscimo do outro patronímico do seu cônjuge por meio de ação de
retificação de registro civil, especialmente se o cônjuge apresenta uma justificativa. Vale ressaltar que
o art. 1.565, §1º do CC não estabelece prazo para que o cônjuge adote o apelido de família do outro,
em se tratando, no caso, de mera complementação, e não alteração do nome. Assim, é possível a
retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da mulher
durante a convivência matrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.648.858-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 20/08/2019 (Info 655).

[Informativo 911, STF] Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem
fazer cirurgia de transgenitalização e mesmo sem autorização judicial Importante!!! O transgênero tem
direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro
civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. Essa alteração
deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo “transgênero”. Nas
certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial.
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a
requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais
registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a
origem dos atos. STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018
(repercussão geral) (Info 911). Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia
de transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito
à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info
892).

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[Informativo 627, STJ] Possibilidade de voltar o nome de solteira após a morte do marido
Importante!!! É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução do
vínculo conjugal pelo falecimento do cônjuge. Ex: Maria Pimentel da Costa casou-se com João
Ferreira. Com o casamento, ela incorporou o patronímico do marido e passou a chamar-se Maria da
Costa Ferreira. Alguns anos mais tarde, João faleceu. Maria poderá voltar a usar o nome de solteira
(Maria Pimentel da Costa), excluindo o patronímico do falecido marido? Sim. Vale ressaltar que não
há previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de morte do marido. A lei somente
prevê a possibilidade de o homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro (a) em caso de
divórcio (art. 1.571, § 2º, do CC). Apesar disso, o STJ entende que isso deve ser permitido. A viuvez e
o divórcio são hipóteses muito parecidas e envolvem uma mesma razão de ser: a dissolução do vínculo
conjugal. Logo, não há justificativa plausível para que se trate de modo diferenciado as referidas
situações. STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018

[Informativo 592, STF] Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem
fazer cirurgia de transgenitalização e mesmo sem autorização judicial Importante!!! Os transgêneros,
que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de
tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo)
diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o
acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018

[Informativo 608, STJ] Transexual pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem
fazer a cirurgia de transgenitalização Importante!!! O direito dos transexuais à retificação do prenome
e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado à exigência de realização da cirurgia de
transgenitalização. Trata-se de novidade porque, anteriormente, a jurisprudência exigia a realização da
cirurgia de transgenitalização. STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 9/5/2017

[Informativo 588, STJ] NOME Alteração de registro civil após aquisição de dupla cidadania O
brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do Brasil, desde
que isso não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da cidadania por
força da apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por lei estrangeira e
diferente do que consta em seus documentos brasileiros. STJ. 3ª Turma. REsp 1.310.088-MG, Rel.
Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
17/5/2016

Tema: Prescrição

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A separação de fato por tempo razoável mitiga a regra do art. 197, I, do Código Civil O art. 197, I, do
Código Civil prevê que “não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade
conjugal”. Se os cônjuges estão separados há muitos anos, não se deve aplicar a regra do art. 197, I, do
CC. Mesmo não estando prevista no rol do art. 1.571 do CC, a separação de fato muito prolongada, ou
por tempo razoável, também pode ser considerada como causa de dissolução da sociedade conjugal e,
em assim sendo, tem o condão de impedir a fluência do prazo prescricional da pretensão de partilha de
bens de ex-cônjuges. Caso concreto: a pretensão de partilha de bem comum após mais de 30 anos da
separação de fato e da partilha amigável dos bens comuns do ex-casal está fulminada pela prescrição.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.947-TO, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

É de 5 anos o prazo para cobrar dívida de empresa com o plano de saúde materializada em boleto
bancário É quinquenal o prazo prescricional aplicável à pretensão de cobrança, materializada em
boleto bancário, ajuizada por operadora do plano de saúde contra empresa que contratou o serviço de
assistência médico-hospitalar para seus empregados. Fundamento: art. 206, § 5º, I, do CC. Art. 206.
Prescreve: (...) § 5º Em cinco anos: I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de
instrumento público ou particular; STJ. 3ª Turma.REsp 1.763.160-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 17/09/2019 (Info 657).

O termo inicial do prazo prescricional para a cobrança da multa prevista no § 2º do art. 116 do DL
9.760/46 é a data em que a União tem ciência efetiva da ausência de transferência das obrigações
enfitêuticas O termo inicial do prazo prescricional para a cobrança da multa prevista no § 2º do art.
116 do Decreto-Lei nº 9.760/46 é a data em que a União tem ciência efetiva da ausência de
transferência das obrigações enfitêuticas. E quando a União tem essa ciência efetiva? Quando ocorre a
comunicação à SPU. A comunicação à Secretaria de Patrimônio da União - SPU é o momento em que
a União toma conhecimento da alienação, sendo irrelevante a data em que emitida a Declaração de
Operação Imobiliária (DOI). STJ. 2ª Turma. REsp 1.765.707-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 15/08/2019 (Info 658).

Prazo prescricional para a repetição de indébito por cobrança indevida de valores referentes a serviços
de telefonia fixa não contratados: 10 anos A ação de repetição de indébito por cobrança indevida de
valores referentes a serviços não contratados de telefonia fixa tem prazo prescricional de 10 (dez)
anos. STJ. Corte Especial. EAREsp 738.991-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/02/2019
(Info 651).

Prazo prescricional na responsabilidade contratual é, em regra, de 10 anos Importante!!! A pretensão


indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo prescricional decenal (art.
205 do Código Civil), se não houver previsão legal de prazo diferenciado. STJ. Corte Especial. EREsp

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1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, julgado em 15/05/2019
(Info 649). É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas em
inadimplemento contratual. É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de
reparação civil advinda de responsabilidades contratual e extracontratual. Nas controvérsias
relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que prevê
10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o
disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. Para fins de prazo prescricional, o
termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo apenas os casos de
indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632). Resumindo. O prazo prescricional é
assim dividido: • Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, do
CC). • Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205 do CC)

Prazo prescricional na responsabilidade contratual é de 10 anos e na responsabilidade extracontratual é


de 3 anos Importante!!! É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão
fundamentadas em inadimplemento contratual. É adequada a distinção dos prazos prescricionais da
pretensão de reparação civil advinda de responsabilidades contratual e extracontratual. Nas
controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205
CC/2002) que prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade
extracontratual, aplica-se o disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. Para fins
de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo
apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. Resumindo. O
prazo prescricional é assim dividido: • Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos
(art. 206, § 3º, V, do CC). • Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art.
205 do CC). STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018
(Info 632)

[Informativo 619, STJ] Pedido para analisar se existe mesmo o débito não pode ser considerado ato
que interrompe a prescrição (art. 202, VI, do CC) O pedido de concessão de prazo para analisar
documentos com o fim de verificar a existência de débito não tem o condão de interromper a
prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/02/2018

[Informativo 593, STJ] EVICÇÃO Prazo prescricional da ação de indenização A pretensão deduzida
em demanda baseada na garantia da evicção submete-se ao prazo prescricional de 3 anos. Em outras
palavras, é de 3 anos o prazo prescricional para que o evicto (que perdeu o bem por evicção) proponha
ação de indenização contra o alienante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.577.229-MG, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 8/11/2016

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[Informativo 592, STJ] Prazo prescricional da repetição de indébito envolvendo contrato de cédula
de crédito rural Qual é o prazo prescricional da ação de repetição de indébito envolvendo contrato de
cédula de crédito rural? • Se o fato ocorreu sob a vigência do CC/1916: 20 anos. • Se o fato ocorreu
sob a vigência do CC/2002: 3 anos. O termo inicial do prazo prescricional é a data do pagamento
(efetiva lesão). STJ. 2ª Seção. REsp 1.361.730-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 10/8/2016
(recurso repetitivo)

[Informativo 588, STJ] Prazo de 3 anos para pretensão de entidade de previdência privada
complementar de reaver verbas relativas a benefício indevidamente apropriadas por terceiro É de 3
anos o prazo prescricional de ação proposta por entidade de previdência privada complementar contra
terceiro que se apropriou indevidamente de verbas relativas a benefício previdenciário. Não há
previsão específica para este caso na LC 109/2001, razão pela qual se aplica o art. 206, § 3º, IV, do
Código Civil (pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa). Ex: o segurado morreu e,
como a entidade de previdência não foi informada, continuou a depositar, todos os meses, o valor da
aposentadoria; tais quantias foram sacadas indevidamente da conta bancária por uma sobrinha do
falecido; a entidade terá o prazo de 3 anos para reaver os valores. STJ. 4ª Turma. REsp 1.334.442-RS,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado em 7/6/2016

Tema: Filiação

INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE Determinada pessoa ajuizou ação de investigação de


paternidade contra o suposto pai e esta foi julgada improcedente; transitou em julgado; o suposto pai
morreu; eventual ação rescisória contra esta sentença deve ser proposta contra os herdeiros (e não
contra o espólio) A ação rescisória de sentença proferida em ação de investigação de paternidade cujo
genitor é pré-morto deve ser ajuizada em face dos herdeiros, e não do espólio. STJ. 3ª Turma. REsp
1.667.576-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/09/2019 (Info 656).

É possível a inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida mediante


as técnicas de reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição, não configurando
violação ao instituto da adoção unilateral Situação hipotética: Daniel e João, que convivem em união
estável homoafetiva, almejaram ter um filho. Procuraram uma clínica de fertilização na companhia de
Martha, irmã de João, para um programa de inseminação artificial. Daniel e Martha se submeteram ao
ciclo de reprodução assistida, culminando na concepção de um embrião. Martha foi a “barriga de
aluguel”. Este embrião deu origem, então, a Letícia. Martha, mãe de substituição, por meio de
escritura pública, renunciou ao seu poder familiar em relação ao nascituro. Daí, Daniel e João
ajuizaram a ação postulando que ambos fossem declarados pais da criança recém-nascida. Eles

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pediram que fossem reconhecidos como pai biológico (Daniel) e pai socioafetivo (João), mantendo em
branco os campos relativos aos dados da genitora, pois a concepção ocorreu mediante inseminação
artificial heteróloga e a gestação por substituição. O pedido foi acolhido pelo STJ. É possível a
inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida mediante as técnicas de
reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição. A reprodução assistida e a
paternidade socioafetiva constituem nova base fática para incidência do preceito “ou outra origem” do
art. 1.593 do Código Civil. Os conceitos legais de parentesco e filiação exigem uma nova
interpretação, atualizada à nova dinâmica social, para atendimento do princípio fundamental de
preservação do melhor interesse da criança. Vale ressaltar que não se trata de adoção, pois não se
pretende o desligamento do vínculo com o pai biológico, que reconheceu a paternidade no registro
civil de nascimento da criança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.608.005-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

[Informativo 627, STJ] Homologação de acordo extrajudicial de retificação de registro civil É


inadmissível a homologação de acordo extrajudicial de retificação de registro civil de menor em juízo
sem a observância dos requisitos e procedimento legalmente instituído para essa finalidade. Ex:
Sandro namorava Letícia, que ficou grávida. Ao nascer a criança, Sandro a registrou como sua filha.
Alguns anos depois, por meio de um exame de DNA feito em uma clínica particular, descobre-se que
o pai biológico da menor é, na verdade, João. Diante disso, o pai registral, o pai biológico e a criança,
representada por sua mãe, celebraram um acordo extrajudicial de anulação de assento civil. Por
intermédio deste instrumento, as referidas partes acordaram que haveria a retificação do registro civil
da menor para que houvesse a substituição do nome de seu pai registral pelo pai biológico. As partes
ingressam com pedido para que o juiz homologasse esse acordo. O pedido deverá ser negado. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.698.717-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/06/2018

[Informativo 623, STJ] É imprescindível o consentimento de pessoa maior para o reconhecimento de


filiação post mortem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.688.470-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
10/04/2018

[Informativo 604, STJ] AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE Não se pode mais rediscutir
a coisa julgada em situação na qual a ação de investigação foi julgada procedente pelo fato de o
investigado ter se recusado a fazer o DNA Importante!!! A coisa julgada estabelecida em ações de
investigação de paternidade deve ser relativizada nos casos em que, no processo, não houve a
realização de exame de DNA e, portanto, não foi possível ter-se certeza sobre o vínculo genético (STF.
Plenário. RE 363889, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/06/2011. Repercussão geral). O STJ
entendeu, contudo, que essa relativização da coisa julgada não se aplica às hipóteses em que o
magistrado reconheceu o vínculo pelo fato de o investigado (ou seus herdeiros) terem se recusado a

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comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico. Ex: Lucas ajuizou ação de investigação
de paternidade contra João; este se recusou a fazer o DNA, razão pela qual o juiz julgou a demanda
procedente e reconheceu que Lucas é filho de João (Súmula 301-STJ: Em ação investigatória, a recusa
do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade). Depois
que esta sentença transitou em julgado, João ingressou com ação negatória de paternidade pedindo a
relativização da coisa julgada e a realização de exame de DNA. Esta ação deverá ser extinta sem
resolução do mérito pela coisa julgada (art. 485, V, do CPC). Em suma, a relativização da coisa
julgada estabelecida em ação de investigação de paternidade – em que não foi possível determinar-se a
efetiva existência de vínculo genético a unir as partes – não se aplica às hipóteses em que o
reconhecimento do vínculo se deu, exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em
comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico. STJ. 3ª Turma. REsp 1.562.239/MS,
Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 09/05/2017

[Informativo 588, STJ] PARENTESCO SOCIOAFETIVO (I)legitimidade do filho para pedir que sua
falecida mãe seja reconhecida como filha dos pretensos avós O filho, em nome próprio, não tem
legitimidade para deduzir em juízo pretensão declaratória de filiação socioafetiva entre sua mãe - que
era maior, capaz e, ao tempo do ajuizamento da ação, pré-morta (já falecida) - e os supostos pais
socioafetivos dela. Obs: o filho teria legitimidade para propor ação pedindo o reconhecimento de sua
relação de parentesco socioafetivo com os pretensos avós. Aí, contudo, seria outra ação, na qual se
buscaria um direito próprio (e não de sua mãe). STJ. 3ª Turma. REsp 1.492.861-RS, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 2/8/2016

[Informativo 840, STF] FILIAÇÃO Direito de ter reconhecida a filiação biológica prevalece sobre a
presunção legal de paternidade O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim,
mesmo que ele tenha nascido durante a constância do casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele
poderá ingressar com ação de investigação de paternidade contra o suposto pai biológico. A presunção
legal de que os filhos nascidos durante o casamento são filhos do marido não pode servir como
obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. STF. Plenário. AR 1244
EI/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016

[Informativo 840, STF] FILIAÇÃO Paternidade socioafetiva não exime de responsabilidade o pai
biológico Importante!!! A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede
o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos
jurídicos próprios. Ex: Lucas foi registrado e criado como filho por João; vários anos depois, Lucas
descobre que seu pai biológico é Pedro; Lucas poderá buscar o reconhecimento da paternidade
biológica de Pedro sem que tenha que perder a filiação socioafetiva que construiu com João; ele terá
dois pais; será um caso de pluriparentalidade; o filho terá direitos decorrentes de ambos os vínculos,

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inclusive no campo sucessório. STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21 e
22/09/2016

Tema: Pessoas jurídicas

Se um cooperado pede para sair ou é expulso da cooperativa ele não terá direito de receber uma quota-
parte do FATES, que é um fundo indivisível Não se partilha a verba do Fundo de Reserva e
Assistência Técnica Educacional e Social - FATES - com o associado excluído ou que se retira do
quadro social da cooperativa. O percentual obrigatoriamente pago ao FATES, no percentual mínimo
de 5% das sobras líquidas apuradas ao final do exercício social não é disponível e seu destino
independe da vontade dos cooperados. STJ. 3ª Turma. REsp 1.562.184-RS,Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

[Informativo 853, STF] AUTONOMIA DAS ENTIDADES DESPORTIVAS O art. 59 do CC é


compatível com a autonomia conferida aos clubes pelo art. 217, I, da CF/88 A autonomia das
entidades desportivas não é absoluta. O art. 59 do CC é compatível com a autonomia constitucional
conferida aos clubes pelo art. 217, I, da CF/88. STF. 1ª Turma. ARE 935482/SP, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 07/02/2017 -> NÃO COLOQUEI NO ANKI

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

[Informativo 621, STJ] É dever do alienante transmitir ao adquirente o direito sem vícios, de forma
que se caracteriza a evicção se existir um gravame que impede a transferência do bem Caracteriza-se
evicção a inclusão de gravame capaz de impedir a transferência livre e desembaraçada de veículo
objeto de negócio jurídico de compra e venda. Caso concreto: foi vendido um carro, mas, antes que
pudesse ser transferido à adquirente, houve um bloqueio judicial sobre o veículo. Foi necessário o
ajuizamento de embargos de terceiro para liberação do automóvel, sendo, em seguida, desfeito o
negócio. Neste caso, caracterizou-se a evicção, gerando o dever do alienante de indenizar a adquirente
pelos prejuízos sofridos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.713.096-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
20/02/2018

Tema: Dação em pagamento

Determinada empresa deu ao credor um terreno como pagamento da dívida (dação em pagamento); se
não foi feita nenhuma ressalva, presume-se que a transferência do imóvel incluiu a plantação ali
existente Na dação em pagamento de imóvel sem cláusula que disponha sobre a propriedade das

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árvores de reflorestamento, a transferência do imóvel inclui a plantação. STJ. 4ª Turma. REsp
1.567.479-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 11/06/2019 (Info 651).

Tema: Contratos

ARRENDAMENTO RURAL A outorga uxória é desnecessária nos pactos de arrendamento rural Não
é necessária a outorga uxória para validade e eficácia de contrato de arrendamento rural. Nos termos
do Decreto nº 59.566/66, o arrendamento rural é, por definição legal, o contrato mediante o qual uma
pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural,
mediante retribuição. Não há exigência legal de forma especial para a sua plena validade e eficácia,
sendo o arrendamento rural um contrato não solene. STJ. 3ª Turma. REsp 1.764.873-PR, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

[Informativo 639, STJ] A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora A
abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora. STJ. 2ª Seção. REsp
1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018 (recurso repetitivo) (Info
639). Obs: o reconhecimento da abusividade dos encargos essenciais exigidos no período da
normalidade contratual descarateriza a mora (STJ. 2ª Seção. REsp 1061530/RS, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 22/10/2008).

Reconhecida a coligação contratual, é possível a extensão da cláusula compromissória prevista no


contrato principal de abertura de crédito aos contratos de swap Uma fábrica e um banco celebraram
dois contratos: • ajuste 1: contrato de abertura de crédito (no qual havia uma cláusula
compromissória). • ajuste 2: contrato de swap (no qual não havia cláusula compromissória). Foi
reconhecido que havia coligação contratual entre os dois ajustes, sendo o contrato de swap dependente
do contrato de abertura de crédito (ajuste principal). Nos contratos coligados, as partes celebram uma
pluralidade de negócios jurídicos tendo por desiderato um conjunto econômico, criando entre eles
efetiva dependência. Tendo sido reconhecida a coligação contratual, é possível que a cláusula
compromissória prevista no contrato principal (contrato de abertura de crédito) seja estendida ao
contrato de swap (dependente). Isso porque ambos são integrantes de uma operação econômica única.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.639.035-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/09/2018
(Info 635). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-635-STJ.pdf

[Informativo 628, STJ] Descabimento da repetição do indébito com os mesmos encargos do contrato
Importante!!! Pessoa celebrou contrato de mútuo feneratício com instituição financeira. Por algum
motivo (ex: nulidade, ato ilícito, abusividade etc.) o mutuário ingressou com ação judicial pedindo a

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resolução do contrato e a restituição das parcelas pagas. Se esta ação for julgada procedente, o
mutuário terá direito de receber os valores pagos acrescidos de juros remuneratórios no mesmo
percentual que era previsto no contrato para ser cobrado pelo banco mutuante? NÃO. O mutuário que
celebrar contrato de mútuo feneratício com a instituição financeira mutuante, não tem direito de pedir
repetição do indébito com os mesmos índices e taxas de encargos previstos no contrato. Tese aplicável
a todo contrato de mútuo feneratício celebrado com instituição financeira mutuante: “Descabimento da
repetição do indébito com os mesmos encargos do contrato”. STJ. 2ª Seção. REsp 1.552.434-GO, Rel.
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 13/06/2018 (recurso repetitivo)

[Informativo 627, STJ] Se o devedor de empréstimo consignado morrer, a dívida continua existindo O
falecimento do consignante não extingue a dívida decorrente de contrato de crédito consignado em
folha de pagamento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.498.200-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/06/2018

[Informativo 618, STJ] Falecimento do parceiro outorgante não extingue o contrato de parceria rural O
falecimento do parceiro outorgante não extingue o contrato de parceria rural. Os herdeiros somente
poderão exercer o direito de retomada ao término do contrato e desde que obedeçam às regras do
Decreto nº 59.566/1966 quanto ao prazo para notificação e às causas para retomada. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.459.668-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/12/2017

[Informativo 592, STJ] A cláusula contratual que transfere ao comprador a responsabilidade pela
desocupação do imóvel que lhe é alienado pela CEF não é abusiva A cláusula contratual que impõe
ao comprador a responsabilidade pela desocupação de imóvel que lhe é alienado pela CEF não é
abusiva. Não há abusividade porque a alienação se dá por preço consideravelmente inferior ao valor
real do imóvel, exatamente pela situação peculiar que o imóvel possa se encontrar. A obrigação do
adquirente de ter que tomar medidas para que o terceiro desocupe o imóvel é um ônus que já é
informado pela CEF aos interessados antes da contratação. Tal informação consta expressamente no
edital de concorrência pública e no contrato que é celebrado. A rápida alienação do imóvel, no estado
em que se encontre, favorece o SFH porque libera recursos financeiros que serão revertidos para novas
operações de crédito em favor de famílias sem casa própria. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.933-SP, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 4/10/2016

[Informativo 592, STJ] Impossibilidade de revisão de cláusulas contratuais em ação de prestação de


contas Importante!!! Não é possível a revisão de cláusulas contratuais em ação de exigir contas (ação
de prestação de contas). STJ. 2ª Seção. REsp 1.497.831-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
Rel. para acórdão Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/9/2016 (recurso repetitivo)

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Tema: Força maior

[Informativo 589, STJ] A invasão promovida por integrantes do MST em propriedade rural pode ser
considerada como força maior para evitar que o proprietário tenha que pagar dívida A invasão
promovida por integrantes do MST em propriedade rural, por si só, não é fato suficiente para
configurar o evento como de força maior, pois deve ser analisada, concretamente, a presença dos
requisitos caracterizadores do instituto (necessariedade e inevitabilidade – art. 393, parágrafo único, do
Código Civil). A parte que faz esta alegação deverá comprovar que a ocupação ilegal da propriedade
rural pelo MST criou óbice intransponível ao cumprimento da obrigação. Deverá também provar que
não havia meios de evitar ou impedir os seus efeitos. Assim, a cédula de crédito rural hipotecária
permanecerá exigível na hipótese de o MST invadir o imóvel do financiado e este deixar de comprovar
que a invasão constitui óbice intransponível ao pagamento do crédito e que não existiam meios de
evitar ou impedir os efeitos dessa ocupação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.564.705-PE, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 16/8/2016

Tema: Obrigações – noção geral

CLÁUSULA PENAL
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de
compromisso de compra e venda firmado entre particulares
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de
compromisso de compra e venda firmado entre particulares.
Para a caracterização do vício de lesão, exige-se a presença simultânea de:
a) elemento objetivo (desproporção das prestações); e
b) elemento subjetivo (a inexperiência ou a premente necessidade).
Os dois elementos devem ser aferidos no caso concreto.
Tratando-se de negócio jurídico bilateral celebrado de forma voluntária entre particulares, é
imprescindível a comprovação dos elementos subjetivos, sendo inadmissível a presunção
nesse sentido.
O mero interesse econômico em resguardar o patrimônio investido em determinado negócio
jurídico não configura premente necessidade para o fim do art. 157 do Código Civil.
STJ. 3ª Turma.REsp 1.723.690-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 06/08/2019
(Info 653).

CLÁUSULA PENAL Cláusula penal moratória não pode ser cumulada com indenização por lucros
cessantes Importante!!! Mudança de entendimento! Atualize os informativos 513 e 540 do STJ A
cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e, em

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regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.498.484-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso
repetitivo) (Info 651).

[Informativo 627, STJ] Possibilidade de redução de ofício da cláusula penal manifestamente excessiva
Constatado o caráter manifestamente excessivo da cláusula penal contratada, o magistrado deverá,
independentemente de requerimento do devedor, proceder à sua redução. Fundamento: CC/Art. 413. A
penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em
parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a
finalidade do negócio. STJ. 4ª Turma. REsp 1.447.247-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
19/04/2018

[Informativo 613, STJ] Não é possível a cumulação da perda das arras com a imposição da cláusula
penal compensatória Importante!!! Na hipótese de inexecução do contrato, revela-se inadmissível a
cumulação das arras com a cláusula penal compensatória, sob pena de ofensa ao princípio do non bis
in idem. Ex: João celebrou contrato de promessa de compra e venda com uma incorporadora
imobiliária para aquisição de um apartamento. João comprometeu-se a pagar 80 parcelas de R$ 3 mil
e, em troca, receberia um apartamento. No início do contrato, João foi obrigado a pagar R$ 20 mil a
título de arras. No contrato, havia uma cláusula penal compensatória prevendo que, em caso de
inadimplemento por parte de João, a incorporadora poderia reter 10% das prestações que foram pagas
por ele. Trata-se de cláusula penal compensatória. Suponhamos que, após pagar 30 parcelas, João
tenha parado de pagar as prestações. Neste caso, João perderá apenas as arras, mas não será obrigado a
pagar também a cláusula penal compensatória. Não é possível a cumulação da perda das arras com a
imposição da cláusula penal compensatória. Logo, decretada a rescisão do contrato, fica a
incorporadora autorizada a apenas reter o valor das arras, sem direito à cláusula penal. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.617.652-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/09/2017 (

[Informativo 610, STJ] É possível que o cassino cobre no Brasil por dívidas de jogo contraídas no
exterior Importante!!! A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona
legalmente no exterior é juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a
soberania nacional. STJ. 3ª Turma. REsp 1.628.974-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
em 13/6/2017

[Informativo 599, STJ] A capitalização de juros, seja qual for a sua periodicidade, somente será
considerada válida se estiver expressamente pactuada no contrato A cobrança de juros capitalizados
nos contratos de mútuo é permitida quando houver expressa pactuação. Isso significa que a
capitalização de juros, seja qual for a sua periodicidade (anual, semestral, mensal), somente será

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considerada válida se estiver expressamente pactuada no contrato. A pactuação da capitalização dos
juros é sempre exigida, inclusive para a periodicidade anual. O art. 591 do Código Civil permite a
capitalização anual, mas não determina a sua aplicação automaticamente. Não é possível a incidência
da capitalização sem previsão no contrato. STJ. 2ª Seção. REsp 1.388.972-SC, Rel. Min. Marco Buzzi,
julgado em 8/2/2017 (recurso repetitivo)

[Informativo 572, STJ] Impossibilidade de capitalização de juros por decorrência da aplicação da


imputação do pagamento prevista no art. 354 do CC. No caso de dívida composta de capital e juros, a
imputação de pagamento (art. 354 do CC) insuficiente para a quitação da totalidade dos juros vencidos
não acarreta a capitalização do que restou desses juros. STJ. 3ª Turma. REsp 1.518.005-PR, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/10/2015 (Info 572). Explicação: Imputação do pagamento
Imputação do pagamento consiste na indicação da dívida a ser quitada quando o devedor se encontra
obrigado por dois ou mais débitos a um mesmo credor e efetua pagamento não suficiente para saldar
todas as dívidas. Ex: Heleno deve R$ 100 mil, a título de capital (principal), e mais R$ 20 mil de juros,
totalizando R$ 120 mil. Heleno paga R$ 10 mil, que é a única quantia que possui. Deve-se abater este
valor do capital ou dos juros? Segundo o CC-2002: Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento
imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o
credor passar a quitação por conta do capital. Desse modo, seguindo a regra geral, tem-se que o valor
pago por Heleno será utilizado para abater primeiro os juros. Logo, ele agora deve: R$ 100 mil de
capital + R$ 10 mil de juros. Total: R$ 110 mil. Como Heleno não pagou tudo, incidirão novamente
juros. Estes juros, contudo, incidirão sobre o principal (R$ 100 mil) e não sobre o total (capital + juros
remanescentes - R$ 110 mil). Desse modo, ainda que, por decorrência de pagamento insuficiente para
quitar sequer a parte da dívida referente aos juros, o pagamento seja imputado apenas em parte dos
juros vencidos (art. 354 do CC), a base de cálculo para juros dos períodos subsequentes continuará a
ser tão somente o valor do capital principal, que permanecerá integralmente destacado das parcelas da
dívida que se refiram a juros e, portanto, intacto: nem aumentará nem reduzirá. Daí se conclui que a
incidência da regra legal de imputação em nada interfere na incidência ou não da capitalização de
juros, tratando-se ambos de institutos jurídicos distintos.

[Informativo 566, STJ] Dívida de jogo contraída em casa de bingo. A dívida de jogo contraída em
casa de bingo é inexigível, ainda que seu funcionamento tenha sido autorizado pelo Poder Judiciário.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.406.487-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 4/8/2015 (Info
566).

Tema: Vício Redibitório

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[Informativo 554, STJ] Vício Redibitório. Prazo decadencial para a ação redibitória. O prazo
decadencial para o exercício da pretensão redibitória ou de abatimento do preço de bem móvel é de 30
dias (art. 445 do CC). No caso de vício oculto em coisa móvel, o adquirente tem o prazo máximo de
180 dias para perceber o vício (§ 1º do art. 445) e, se o notar neste período, tem o prazo de decadência
de 30 dias (a partir da verificação do vício) para ajuizar a ação redibitória. STJ. 4ª Turma. REsp
1.095.882-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 9/12/2014 (Info 554).

Tema: Condomínio

O proprietário de imóvel gerador de débitos condominiais pode ter o seu bem penhorado em ação de
cobrança ajuizada em face de locatário, já em fase de cumprimento de sentença, da qual não figurou
no polo passivo O proprietário do imóvel gerador dos débitos condominiais pode ter o seu bem
penhorado no bojo de ação de cobrança, já em fase de cumprimento de sentença, da qual não figurou
no polo passivo, uma vez que ajuizada, em verdade, em face da então locatária do imóvel. Ex: o
condomínio ajuizou ação de cobrança de cotas condominiais apenas contra o locatário; o pedido foi
julgado procedente determinando que o locatário pagasse os débitos condominiais; iniciou-se a fase de
cumprimento de sentença; o STJ afirmou que o juiz pode determinar a penhora do imóvel mesmo o
locador (proprietário) não tendo figurado no polo passivo da ação de cobrança. STJ. 3ª Turma. REsp
1.829.663-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660). Vale ressaltar que existe
decisão em sentido contrário envolvendo o promitente comprador: Em ação de cobrança de cotas
condominiais proposta somente contra o promissário comprador, não é possível a penhora do imóvel
que gerou a dívida - de propriedade do promissário vendedor -, admitindo-se, no entanto, a constrição
dos direitos aquisitivos decorrentes do compromisso de compra e venda. STJ. 3ª Turma. REsp
1.273.313-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

Não se pode proibir o condômino inadimplente de usar as áreas comuns do condomínio Importante!!!
O condomínio, independentemente de previsão em regimento interno, não pode proibir, em razão de
inadimplência, condômino e seus familiares de usar áreas comuns, ainda que destinadas apenas a lazer.
Assim, é ilícita a disposição condominial que proíbe a utilização de áreas comuns do edifício por
condômino inadimplente e seus familiares como medida coercitiva para obrigar o adimplemento das
taxas condominiais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.564.030-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 9/8/2016 (Info 588). STJ. 4ª Turma. REsp 1.699.022-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 28/05/2019 (Info 651).

É possível a criação de animais nas unidades autônomas do condomínio? Acerca da regulamentação


da criação de animais pela convenção condominial, podem surgir três situações: a) Se a convenção não
regular a matéria: o condômino pode criar animais em sua unidade autônoma, desde que não viole os

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deveres previstos no art. 1.336, IV, do CC e no art. 19 da Lei nº 4.591/64. b) Se a convenção veda
apenas a permanência de animais causadores de incômodos aos demais moradores: essa norma
condominial é válida (não apresenta nenhuma ilegalidade). c) Se a convenção proíbe a criação e a
guarda de quaisquer espécies de animais: essa restrição se mostra desarrazoada, considerando que
determinados animais não apresentam risco à incolumidade e à tranquilidade dos demais moradores e
dos frequentadores ocasionais do condomínio. O impedimento de criar animais em partes exclusivas
(unidades autônomas) somente se justifica para a preservação da segurança, da higiene, da saúde e do
sossego. Se tais aspectos não estão em risco, não há motivo para a proibição. Assim, é ilegítima a
restrição genérica contida em convenção condominial que proíbe a criação e guarda de animais de
quaisquer espécies em unidades autônomas STJ. 3ª Turma. REsp 1.783.076-DF, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

Honorários de sucumbência decorrentes de ação de cobrança de cotas condominiais não possuem


natureza propter rem As verbas de sucumbência, decorrentes de condenação em ação de cobrança de
cotas condominiais, não possuem natureza ambulatória (propter rem). O art. 1.345 do CC estabelece
que o adquirente de unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive
multas e juros moratórios. A obrigação de pagar as verbas de sucumbência, ainda que sejam elas
decorrentes de sentença proferida em ação de cobrança de cotas condominiais, não pode ser
qualificada como ambulatória (propter rem), seja porque tal prestação não se enquadra dentre as
hipóteses previstas no art. 1.345 do CC para o pagamento de despesas indispensáveis e inadiáveis do
condomínio, seja porque os honorários constituem direito autônomo do advogado, não configurando
débito do alienante em relação ao condomínio, senão débito daquele em relação ao advogado deste.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.730.651-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/04/2019 (Info 646).

Condôminos podem ser chamados a responder pelas dívidas do condomínio, sendo permitida,
inclusive, a penhora do apartamento que é bem de família Importante!!! É possível a penhora de bem
de família de condômino, na proporção de sua fração ideal, se inexistente patrimônio próprio do
condomínio para responder por dívida oriunda de danos a terceiros. Ex: um pedestre foi ferido por
conta de um pedaço da fachada que nele caiu. Essa vítima terá que propor a ação contra o condomínio.
Se o condomínio não tiver patrimônio próprio para satisfazer o débito, os condôminos podem ser
chamados a responder pela dívida, na proporção de sua fração ideal. Mesmo que um condômino tenha
comprado um apartamento neste prédio depois do fato, ele ainda assim poderá ser obrigado a pagar
porque as despesas de condomínio são obrigações propter rem. O juiz poderá determinar a penhora
dos apartamentos para pagamento da dívida mesmo que se trate de bem de família, considerando que
as dívidas decorrentes de despesas condominiais são consideradas como exceção à impenhorabilidade
do bem de família, nos termos do art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90. STJ. 4ª Turma. REsp 1.473.484-RS,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info 631).

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Ação de cobrança de débitos condominiais proposta contra o arrendatário Atenção! Concursos
estaduais A ação de cobrança de débitos condominiais pode ser proposta contra o arrendatário do
imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.498-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/04/2018 (Info
624).

[Informativo 596, STJ] Prazo prescricional para cobrança de cotas condominiais: 5 anos Na vigência
do Código Civil de 2002, é quinquenal o prazo prescricional para que o condomínio geral ou edilício
(vertical ou horizontal) exercite a pretensão de cobrança de taxa condominial ordinária ou
extraordinária, constante em instrumento público ou particular, a contar do dia seguinte ao vencimento
da prestação. STJ. 2ª Seção. REsp 1.483.930-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
23/11/2016 (recurso repetitivo)

[Informativo 588, STJ] Não se pode proibir o condômino inadimplente de usar as áreas comuns do
condomínio Importante!!! O condomínio, independentemente de previsão em regimento interno, não
pode proibir, em razão de inadimplência, condômino e seus familiares de usar áreas comuns, ainda que
destinadas apenas a lazer. STJ. 3ª Turma. REsp 1.564.030-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 9/8/2016

[Informativo 573, STJ] Aplicação de multas sancionatória e moratória por inadimplência


condominial contumaz. Se o condômino descumpre reiteradamente o dever de contribuir para as
despesas do condomínio (inciso I do art. 1.336 do CC), o condomínio poderá aplicar contra ele, além
da multa moratória (§ 1º do art. 1.336 do CC), multa sancionatória em razão de comportamento
"antissocial" ou "nocivo" (art. 1.337 do CC). Assim, o condômino que deixar de adimplir
reiteradamente a importância devida a título de cotas condominiais poderá, desde que aprovada a
sanção em assembleia por deliberação de 3/4 (três quartos) dos condôminos, ser obrigado a pagar
multa em até o quíntuplo do valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais, conforme a
gravidade da falta e a sua reiteração. STJ. 4ª Turma. REsp 1.247.020-DF, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 15/10/2015 (Info 573).

[Informativo 573, STJ] Cobrança de cota condominial proposta apenas contra o promitente
comprador e impossibilidade de penhora do imóvel. Em ação de cobrança de cotas condominiais
proposta somente contra o promissário comprador, não é possível a penhora do imóvel que gerou a
dívida - de propriedade do promissário vendedor -, admitindo-se, no entanto, a constrição dos direitos
aquisitivos decorrentes do compromisso de compra e venda. STJ. 3ª Turma. REsp 1.273.313-SP, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

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[Informativo 570, STJ] Aplicação de multa a condômino antissocial e direito de defesa. O Código
Civil prevê que, se o condômino apresentar reiterado comportamento antissocial, poderá ser punido
com multa (art. 1.337, parágrafo único). Essa sanção para o comportamento antissocial reiterado de
condômino só poderá ser aplicada se antes foram conferidas ao condômino as garantias da ampla
defesa e do contraditório. Enunciado 92-CJF: Art. 1.337: As sanções do art. 1.337 do novo Código
Civil não podem ser aplicadas sem que se garanta direito de defesa ao condômino nocivo. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.365.279-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 25/8/2015 (Info 570)

[Informativo 568, STJ] Alteração de fachada sem autorização da totalidade dos condôminos. O
condômino não pode, sem a anuência de todos os condôminos, alterar a cor das esquadrias externas de
seu apartamento para padrão distinto do empregado no restante da fachada do edifício, ainda que a
modificação esteja posicionada em recuo, não acarrete prejuízo direto ao valor dos demais imóveis e
não possa ser vista do térreo, mas apenas de andares correspondentes de prédios vizinhos. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.483.733-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/8/2015 (Info 568)

[Informativo 567, STJ] Condomínio Edilício. Legitimidade passiva em ação de cobrança de dívidas
condominiais. Em caso de compromisso de compra e venda, a legitimidade passiva para ação de
cobrança de cotas condominiais será do promitente-comprador ou do promitente vendedor? Quem
deverá responder pelo pagamento? A 2ª Seção do STJ apreciou o tema e forneceu três conclusões
expostas em forma de teses: a) O que define a responsabilidade pelo pagamento das obrigações
condominiais não é o registro do compromisso de compra e venda, mas a relação jurídica material com
o imóvel, representada pela imissão na posse pelo promissário comprador e pela ciência inequívoca do
condomínio acerca da transação. b) Havendo compromisso de compra e venda não levado a registro, a
responsabilidade pelas despesas de condomínio pode recair tanto sobre o promitente vendedor quanto
sobre o promissário comprador, dependendo das circunstâncias de cada caso concreto. c) Se ficar
comprovado: (i) que o promissário comprador se imitira na posse; e (ii) o condomínio teve ciência
inequívoca da transação, afasta-se a legitimidade passiva do promitente vendedor para responder por
despesas condominiais relativas a período em que a posse foi exercida pelo promissário comprador.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.345.331-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 8/4/2015 9 (recurso
repetitivo) (Info 560). Pelo que foi exposto na tese "c", a responsabilidade será só do PROMITENTE
COMPRADOR se ficar comprovado que: i) o promissário comprador se imitiu na posse (ele já está na
posse direta do bem); e ii) o condomínio teve ciência inequívoca da transação (o condomínio soube
que houve a “venda”). Nesta hipótese, o condomínio não poderia ajuizar ação contra o promitente
vendedor pelas cotas condominiais relativas ao período em que a posse foi exercida pelo promissário
comprador. Ocorre que mesmo após o julgamento desse recurso especial repetitivo (REsp 1.345.331-
RS), a 3ª Turma do STJ julgou em sentido contrário à tese exposta na letra "c". Segundo decidiu a 3ª
Turma do STJ, o promitente comprador e o promitente vendedor de imóvel têm legitimidade passiva

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concorrente em ação de cobrança de débitos condominiais posteriores à imissão daquele na posse do
bem, admitindo-se a penhora do imóvel, como garantia da dívida, quando o titular do direito de
propriedade (promitente vendedor) figurar no polo passivo da demanda. STJ. 3ª Turma. REsp
1.442.840-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 6/8/2015 (Info 567).

[Informativo 564, STJ] Direito de preferência na alienação de imóvel em estado de indivisão. O


condômino que desejar alienar a fração ideal de bem imóvel divisível em estado de indivisão deverá
dar preferência na aquisição ao comunheiro. STJ. 4ª Turma. REsp 1.207.129-MG, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 16/6/2015 (Info 564).

[Informativo 562, STJ] Condomínio de Fato. Cobrança de taxa de manutenção em condomínio de


fato. As taxas de manutenção criadas por associações de moradores não obrigam os não associados ou
que a elas não anuíram. STJ. 2ª Seção. REsp 1.280.871-SP e REsp 1.439.163-SP, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. Marco Buzzi, julgados em 11/3/2015 (recurso repetitivo)
(Info 562)

[Informativo 560, STJ] Condomínio Edilício. Legitimidade passiva em ação de cobrança de dívidas
condominiais. A responsabilidade pelo pagamento das despesas condominiais é sempre do
proprietário? NÃO. As despesas condominiais constituem-se em obrigações “propter rem” e são de
responsabilidade não apenas daquele que detém a qualidade de proprietário da unidade imobiliária. As
cotas condominiais podem ser de responsabilidade da pessoa que, mesmo sem ser proprietária, é titular
de um dos aspectos da propriedade, tais como a posse, o gozo ou a fruição, desde que esta tenha
estabelecido relação jurídica direta com o condomínio. É o caso, por exemplo, do promitente
comprador que já está morando no imóvel e que já fez todos os cadastros no condomínio como sendo
o novo morador da unidade. Em caso de compromisso de compra e venda, a legitimidade passiva para
ação de cobrança será do promitente-comprador ou do promitente vendedor? Depende. Em caso de
promessa de compra e venda, a responsabilidade pelas despesas de condomínio pode recair tanto sobre
o promitente vendedor quanto sobre o promissário comprador, dependendo das circunstâncias de cada
caso concreto: 1) A responsabilidade será do PROMITENTE COMPRADOR se ficar comprovado
que: a) o promissário comprador se imitiu na posse (ele já está na posse direta do bem); e b) o
condomínio teve ciência inequívoca da transação (o condomínio sabe que houve a “venda”). Nesta
hipótese, o condomínio não poderá ajuizar ação contra o promitente vendedor pelas cotas
condominiais relativas ao período em que a posse foi exercida pelo promissário comprador. O fato de
o compromisso de compra e venda estar ou não registrado irá interferir? NÃO. Não há nenhuma
relevância, para o efeito de definir a responsabilidade pelas despesas condominiais, se o contrato de
promessa de compra e venda foi ou não registrado. O que importa realmente é a relação jurídica
material com o imóvel, representada pela imissão na posse pelo promissário comprador e pela ciência

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inequívoca do condomínio acerca da transação. STJ. 2ª Seção. REsp 1.345.331-RS, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 8/4/2015 9 (recurso repetitivo) (Info 560).

[Informativo 554, STJ] Alteração de cláusula irrevogável e irretratável da convenção de condomínio.


Os condôminos, pelo voto de 2/3, poderão alterar cláusula da convenção original de condomínio,
mesmo sendo ela prevista como irrevogável e irretratável. No caso concreto, a convenção original
determinou que a divisão das despesas do condomínio seria feita em partes iguais. Pelo voto de 2/3,
alterou-se a forma de rateio para que as expensas sejam suportadas na proporção das frações ideais.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.447.223-RS, Rel. originário Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para
acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/12/2014 (Info 554).

Tema: Inadimplemento das Obrigações

[Informativo 577, STJ] Cálculo das arras confirmatórias e desproporção entre a quantia paga
inicialmente e o preço ajustado. Se a proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total
ajustado evidenciar que o pagamento inicial englobava mais do que o sinal, não se pode declarar a
perda integral daquela quantia inicial como se arras confirmatórias fosse, sendo legítima a redução
equitativa do valor a ser retido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.513.259-MS, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 16/2/2016 (Info 577).

 CONTRATOS EM ESPÉCIE

Tema: Contrato de transporte

O Vale-Pedágio e a dobra do frete, previstos na Lei nº 10.209/2001, não estão sujeitos à supressio nem
podem ser reduzidos com base no art. 412 do CC A Lei nº 10.209/2001 estabelece que a empresa que
contratar uma empresa de transporte rodoviário deverá pagar, de forma antecipada e separada, os
valores que o transportador terá que arcar com os pedágios nas estradas. Esse pagamento é chamado
de Vale-Pedágio. O art. 8º da Lei prevê que o embarcador/contratante que não pagar ao transportador o
valor do pedágio estará sujeito a uma multa equivalente ao dobro do valor do frete. Essa multa é
conhecida como “dobra do frete”. A obrigação de pagamento antecipado do Vale-Pedágio previsto
pela Lei nº 10.209/2001 é norma cogente que não admite o instituto da supressio. Isso significa que,
mesmo que o transportador não tenha cobrado o pagamento antecipado do pedágio durante longo
período, ele não perde o direito de exigir essa quantia. Além disso, a dobra do frete (art. 8º da Lei nº
10.209/2001) é uma sanção legal, de caráter especial, razão pela qual não é possível a convenção das
partes para lhe alterar o conteúdo e também não é possível a sua redução com base no art. 412 do CC.

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STJ. 3ª Turma. REsp 1.694.324-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Moura Ribeiro,
julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Tema: Corretagem

É devida a comissão de corretagem ainda que o resultado da intermediação imobiliária tenha sido
diferente do negócio que o contratante queria inicialmente celebrar É devida a comissão de corretagem
ainda que o resultado útil da intermediação imobiliária seja negócio de natureza diversa da
inicialmente contratada. Ex: corretor foi contratado para procurar um interessado em comprar o
terreno; encontrou um interessado em fazer um contrato de parceria para loteamento urbano; o
contrato de parceria foi celebrado; mesmo o terreno não tendo sido vendido, o corretor deverá receber
a comissão por ter aproximado as partes, gerando um ganho para o seu contratante. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.765.004-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Tema: Leasing

É possível a descaracterização do leasing se o prazo de vigência do arrendamento não respeitar a


vigência mínima estabelecida de acordo com a vida útil do bem arrendado É possível a
descaracterização do contrato de arrendamento mercantil (leasing) se o prazo de vigência do acordo
celebrado não respeitar a vigência mínima estabelecida de acordo com a vida útil do bem arrendado.
Nos termos do art. 8º do anexo da Resolução nº 2.309/96 e art. 23 da Lei nº 6.099/74, o prazo mínimo
de vigência do contrato de arrendamento mercantil financeiro é de (i) dois anos, quando se tratar de
bem com vida útil igual ou inferior a cinco anos, e (ii) de três anos, se o bem arrendado tiver vida útil
superior a cinco anos. Caso concreto: o bem arrendado (pá-escavadeira) possui vida útil superior a
cinco anos. Apesar disso, o ajuste previa o arrendamento pelo prazo de apenas dois anos. Logo, foi
desrespeitada a Resolução, ficando descaracterizado o contrato de arrendamento mercantil. Ficando
descaracterizado o leasing, é possível cobrar ICMS sobre esta operação. STJ. 2ª Turma. REsp
1.569.840-MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/08/2018 (Info 632).

Tema: Consórcio

Se o consorciado faleceu durante o consórcio e o seguro prestamista quitou todo o saldo devedor, a
administradora do consórcio deverá fazer a liberação imediata da carta de crédito A beneficiária do

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consorciado falecido tem direito à liberação imediata da carta de crédito, em razão da quitação do
saldo devedor pelo seguro prestamista contratado, independentemente da efetiva contemplação ou do
encerramento do grupo. João celebrou com a “Itaú Consórcios” contrato de participação em grupo de
consórcio destinado à aquisição de um automóvel. Neste contrato, havia uma cláusula prevendo seguro
de vida e proteção financeira, ou seja, um seguro prestamista com cobertura para o risco de morte. Isso
significa que havia uma espécie de seguro de vida como pacto acessório ao contrato de consórcio. Por
meio deste seguro prestamista, a administradora do consórcio afirmou o seguinte: se o contratante
falecer antes de quitar todas as parcelas do consórcio, a contratada (Itaú Consórcios) irá quitar o saldo
devedor relativo à cota do consorciado falecido. Antes do fim do consórcio, João faleceu. Ocorre que a
administradora do consórcio recusou-se a fazer a liberação imediata da carta de crédito dizendo que o
herdeiro de João teria que aguardar ser sorteado ou esperar terminar o consórcio. O STJ não concordou
com a postura da administradora e disse que a liberação, nestes casos, deve ser imediata, não havendo
lógica em se aguardar, considerando que já houve a liquidação antecipada da dívida pela seguradora.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.770.358-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/03/2019 (Info 644).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.406.200-AL, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/11/2016 (Info
596).

[Informativo 596, STJ] Herdeiros de consorciado falecido e liberação da carta de crédito em razão
da quitação do saldo devedor pelo seguro prestamista Em 2006, Maria celebrou com a “Caixa
Consórcios” contrato de participação em grupo de consórcio destinado à aquisição de um bem imóvel.
Neste contrato havia uma cláusula prevendo um seguro prestamista com cobertura para o risco de
morte. Isso significa que havia uma espécie de seguro de vida como pacto acessório ao contrato de
consórcio. Por meio deste seguro prestamista, a administradora do consórcio afirmou o seguinte: se a
contratante falecer antes de quitar todas as parcelas do consórcio, a contratada (Caixa Consórcios) irá
quitar o saldo devedor relativo à cota da consorciada falecida, viabilizando não só a continuidade do
grupo consorcial, como também a proteção financeira da família da segurada. Antes do fim do
consórcio, Maria faleceu. Ocorre que a Caixa Consórcios recusou-se a pagar a indenização do seguro
(quitação do saldo devedor do consórcio) O STJ decidiu que: 1) Os herdeiros de consorciado falecido
antes do encerramento do grupo consorcial detêm legitimidade para pleitear a liberação, pela
administradora, do montante constante da carta de crédito, quando ocorrido o sinistro coberto por
seguro prestamista. 2) Os herdeiros de consorciada falecida têm direito à liberação imediata da carta
de crédito, em razão da quitação do saldo devedor pelo seguro prestamista, independentemente da
efetiva contemplação ou do encerramento do grupo consorcial, nos termos da norma regulamentar
vigente à época da contratação do consórcio (Circular Bacen 2.766/97). STJ. 4ª Turma. REsp
1.406.200-AL, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/11/2016

Tema: Fiança

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Em um contrato de cessão de crédito tendo por cessionário Fundo de Investimento em Direitos
Creditórios - FIDC, é válida a previsão contratual de fiança, garantindo os riscos em caso de
inadimplência dos devedores É válida a celebração de contrato acessório de fiança na cessão de crédito
em operação de securitização de recebíveis, tendo por cessionário um FIDC (Fundo de Investimento
em Direito Creditório). STJ. 4ª Turma. REsp 1.726.161-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 06/08/2019 (Info 655). Observação: o entendimento acima é diferente do caso das factorings. Não
se admite a estipulação de garantia em favor da empresa de factoring no que se refere,
especificamente, ao inadimplemento dos títulos cedidos, salvo na hipótese em que a inadimplência é
provocada pela própria empresa faturizada (STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1385554/SE, Rel. Min.
Antonio Carlos Ferreira, julgado em 09/09/2019).

[Informativo 602, STJ] A interrupção do prazo prescricional operada contra o devedor principal
prejudica o fiador A interrupção do prazo prescricional operada contra o fiador não prejudica o
devedor afiançado, salvo nas hipóteses em que os devedores sejam solidários A interrupção do prazo
prescricional operada contra o devedor principal prejudica o fiador Em regra, o ato interruptivo da
prescrição apresenta caráter pessoal e somente aproveitará a quem o promover ou prejudicará aquele
contra quem for dirigido (persona ad personam non fit interruptio). Isso está previsto no art. 204 do
CC. Exceção a esta regra: interrompida a prescrição contra o devedor afiançado, por via de
consequência, estará interrompida a prescrição contra o fiador em razão do princípio da gravitação
jurídica (o acessório segue o principal), nos termos do art. 204, § 3º, do CC: § 3º A interrupção
produzida contra o principal devedor prejudica o fiador. A interrupção do prazo prescricional operada
contra o fiador não prejudica o devedor afiançado, salvo nas hipóteses em que os devedores sejam
solidários Como regra, a interrupção operada contra o fiador não prejudica o devedor afiançado. Isso
porque o principal não segue a sorte do acessório. Existe, no entanto, uma exceção: a interrupção em
face do fiador poderá, sim, excepcionalmente, acabar prejudicando o devedor principal nas hipóteses
em que a referida relação for reconhecida como de devedores solidários, ou seja, caso o fiador tenha
renunciado ao benefício ou se obrigue como principal pagador ou devedor solidário. STJ. 4ª Turma.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.276.778-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/3/2017

[Informativo 595, STJ] Fiança limitada e honorários advocatícios A fiança limitada decorre da lei e
do contrato, de modo que o fiador não pode ser compelido a pagar valor superior ao que foi avençado,
devendo responder tão somente até o limite da garantia por ele assumida, o que afasta sua
responsabilização em relação aos acessórios da dívida principal e aos honorários advocatícios, que
deverão ser cobrados apenas do devedor afiançado. Por se tratar de contrato benéfico, as disposições
relativas à fiança devem ser interpretadas de forma restritiva (art. 819 do CC), razão pela qual, nos
casos em que ela é limitada (art. 822), a responsabilidade do fiador não pode superar os limites nela

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indicados. Ex: indivíduo outorgou fiança limitada a R$ 30 mil; significa que ele não terá obrigação de
pagar o que superar esta quantia, mesmo que esse valor a maior seja decorrente das custas processuais
e honorários advocatícios. STJ. 3ª Turma. REsp 1.482.565-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 6/12/2016

Tema: Locação

O prazo para o fiador exonerar-se da fiança inicia-se do efetivo conhecimento da sub-locação, ainda
que a ciência não ocorra pela comunicação do locatário sub-rogado Atenção! Juiz de Direito e DPE O
art. 12 da Lei nº 8.245/91 prevê que “em casos de separação de fato, separação judicial, divórcio ou
dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá automaticamente com o cônjuge ou
companheiro que permanecer no imóvel.” O § 1º do art. 12 afirma que o locatário original (sub-
rogado) deverá notificar o fiador, informando sobre essa separação, a fim de que o fiador decida se
deseja ou não continuar com este encargo. Segundo o § 2º do art. 12, o fiador, depois de ser notificado
pelo sub-rogado, poderá, no prazo máximo de 30 dias, informar ao locador que quer se exonerar das
suas responsabilidades. Suponhamos que o locatário original não informou o fiador. O locador,
contudo, assumiu esse papel e notificou o fiador, comunicando que houve a sub-rogação. Mesmo
assim o prazo do fiador já começou a correr? O prazo de 30 dias para que o fiador peça a sua
exoneração começou a ser contado a partir dessa notificação feita pelo locador? SIM. O prazo para o
fiador exonerar-se da fiança inicia-se do efetivo conhecimento da sublocação, ainda que a ciência não
ocorra pela comunicação do locatário sub-rogado. Apesar de o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.245/91 afirmar
que é o locatário original que deverá fazer a notificação do fiador, é possível a relativização dessa
formalidade por meio da aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. STJ. 3ª Turma. REsp
1.510.503-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/11/2019 (Info 660).

A inércia do locador em exigir o reajuste dos aluguéis por longo período de tempo suprime o direito à
cobrança de valores pretéritos, mas não impede a atualização dos aluguéis a partir da notificação
extrajudicial encaminhada ao locatário A inércia do locador em exigir o reajuste dos aluguéis por
longo período de tempo suprime o direito à cobrança de valores pretéritos, mas não impede a
atualização dos aluguéis a partir da notificação extrajudicial encaminhada ao locatário. Exemplo: a
Alamos Ltda. alugou um imóvel para a Havana Ltda. O valor do aluguel era de R$ 10.000,00 e o
contrato tinha prazo de duração de 20 anos. No pacto havia uma cláusula prevendo reajuste automático
no percentual de 5% a cada ano. Durante 5 anos, a Havana (locatária) pagou, todos os meses, o valor
de R$ 10.000,00, sem qualquer oposição da Alamos (locadora). Em outras palavras, a locadora nunca
exigiu o cumprimento dessa cláusula contratual de reajuste. No dia 02/02/2019, a Alamos enviou uma
notificação extrajudicial para a Havana dizendo que a locatária estava descumprindo o contrato porque

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estava pagando um valor de aluguel menor do que deveria. A locadora afirmou que a locatária deveria
ter aumentado o valor do aluguel a cada ano e que, portanto, ela estaria inadimplente. Na notificação, a
locadora exigiu que a locatária: 1) pagasse os próximos meses já com o valor reajustado; e 2) pagasse
também a diferença dos meses anteriores à notificação. Em outros termos, a Alamos falou que as
parcelas anteriores foram pagas a menor e exigiu a diferença de todos esses meses. Os pedidos da
locadora devem ser acolhidos, segundo o STJ? O pedido 1, sim. O pedido 2, não. STJ. 3ª Turma. REsp
1.803.278-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/10/2019 (Info 659).

O arbitramento do aluguel provisório na ação revisional faz nascer a obrigação do locatário de pagar
esse novo valor e, se não o fizer, tais quantias já poderão ser incluídas na execução que pedia o
pagamento de aluguéis atrasados Na execução de contrato locatício, é possível a inclusão dos aluguéis
vencidos no curso do processo com base em valor fixado provisoriamente em anterior ação revisional.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.714.393-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/08/2019 (Info 654).

É possível que empresa de telefonia celular proponha ação renovatória (art. 51 da Lei nº 8.245/91)
para renovar a locação de imóvel onde está instalada a sua antena (ERB), considerando que isso
também compõe seu fundo de comércio A “estação rádio base” (ERB) instalada em imóvel locado
caracteriza fundo de comércio de empresa de telefonia móvel celular, a conferir-lhe o interesse
processual no manejo de ação renovatória fundada no art. 51 da Lei nº 8.245/91. STJ. 3ª Turma. REsp
1.790.074-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/06/2019 (Info 651).

Não são exigíveis aluguéis no período compreendido entre o incêndio que destruiu imóvel objeto de
locação comercial e a efetiva entrega das chaves pelo locatário Importante!!! A locação consiste na
cessão do uso ou gozo da coisa em troca de uma retribuição pecuniária, isto é, tem por objeto poderes
ou faculdades inerentes à propriedade. Assim, extinta a propriedade pelo perecimento do bem, também
se extingue, a partir desse momento, a possibilidade de usar, fruir e gozar desse mesmo bem, o que
inviabiliza, por conseguinte, a manutenção do contrato de locação, já que o locatório não terá como
realizar a exploração econômica dessas faculdades da propriedade. STJ. 3ª Turma. REsp 1707405/SP,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. p/ Acórdão Min. Moura Ribeiro, julgado em 07/05/2019
(Info 650).

Notificado o locador ainda no período determinado da locação acerca da pretensão de exoneração dos
fiadores, os efeitos desta exoneração somente serão produzidos após o prazo de 120 dias da data em
que se tornou indeterminado o contrato de locação O art. 40, X, da Lei nº 8.245/91 prevê o seguinte:
Art. 40. O locador poderá exigir novo fiador ou a substituição da modalidade de garantia, nos
seguintes casos: X – prorrogação da locação por prazo indeterminado uma vez notificado o locador
pelo fiador de sua intenção de desoneração, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante

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120 (cento e vinte) dias após a notificação ao locador. Não é necessário que a notificação seja
realizada apenas no período da indeterminação do contrato de locação, podendo, assim, os fiadores, no
curso da locação com prazo determinado, notificarem o locador de sua intenção exoneratória, mas os
seus efeitos somente poderão se projetar para o período de indeterminação do contrato. Notificado o
locador ainda no período determinado da locação acerca da pretensão de exoneração dos fiadores, os
efeitos desta exoneração somente serão produzidos após o prazo de 120 dias da data em que se tornou
indeterminado o contrato de locação, e não da notificação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.798.924-RS, Rel.
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019 (Info 650).

A averbação do contrato com cláusula de vigência no registro de imóveis é imprescindível para que a
locação possa ser oposta ao adquirente A averbação do contrato com cláusula de vigência no registro
de imóveis é imprescindível para que a locação possa ser oposta ao adquirente. É o que prevê a Lei nº
8.245/91: Art. 8º Se o imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato,
com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o
contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do
imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.669.612-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
07/08/2018 (Info 632).

[Informativo 629, STJ] Locatário, ao ajuizar ação renovatória, deverá demonstrar a quitação
tributária, sendo suficiente, para tanto, a certidão de parcelamento fiscal A certidão de parcelamento
fiscal é suficiente para suprir a exigência prevista no inciso III do art. 71 da Lei nº 8.245/91 (Lei de
Locações) para efeito do ajuizamento de ação renovatória de locação empresarial. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.698.814-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/06/2018

[Informativo 615, STJ] O prazo de 30 meses previsto no art. 46 da Lei de Inquilinato não pode ser
alcançado pela prorrogação de contratos Importante!!! Se a locação residencial foi celebrada por
escrito e com prazo igual ou superior a 30 meses, quando chegar ao fim o prazo estipulado, termina o
contrato e o locador poderá pedir a retomada do imóvel sem a necessidade de apresentar qualquer
justificativa. Diz-se, assim, que o locador pode fazer a chamada “denúncia vazia”. Isso está previsto no
art. 46 da Lei nº 8.245/91. Vale ressaltar, contudo, que não é cabível a denúncia vazia quando o prazo
de 30 meses, exigido pelo art. 46 da Lei nº 8.245/91, é atingido com as sucessivas prorrogações do
contrato de locação de imóvel residencial urbano. Em outras palavras, o art. 46 da Lei nº 8.245/91
somente admite a denúncia vazia se um único instrumento escrito de locação estipular o prazo igual ou
superior a 30 meses, não sendo possível contar as sucessivas prorrogações dos períodos locatícios
(accessio temporis) para se atingir esse prazo de 30 meses. Ex: o contrato de locação foi celebrado por
12 meses; depois foi prorrogado mais duas vezes, totalizando 36 meses; não se aplica o art. 46 porque

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o período mínimo de 30 meses foi alcançado com prorrogações. STJ. 3ª Turma. REsp 1.364.668-MG,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 07/11/2017 (Info 615).

[Informativo 605, STJ] É de 3 anos o prazo para o fiador cobrar do locatário inadimplente o valor
que pagou ao locador É trienal o prazo de prescrição para fiador que pagou integralmente dívida
objeto de contrato de locação pleitear o ressarcimento dos valores despendidos contra os locatários
inadimplentes. O termo inicial deste prazo é a data em que houve o pagamento do débito pelo fiador,
considerando que é a partir daí que ocorre a sub-rogação, e, via de consequência, inaugura-se ao fiador
a possibilidade de demandar judicialmente a satisfação de seu direito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.432.999-
SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 16/5/2017

[Informativo 602, STJ] Se o locatário foi à falência, mas não houve denúncia do contrato de locação,
o fiador permanece vinculado à obrigação A decretação de falência do locatário, sem a denúncia da
locação, nos termos do art. 119, VII, da Lei nº 11.101/2005, não altera a responsabilidade dos fiadores
junto ao locador. Art. 119. Nas relações contratuais a seguir mencionadas prevalecerão as seguintes
regras: VII – a falência do locador não resolve o contrato de locação e, na falência do locatário, o
administrador judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o contrato; STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.048-
MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/3/2017

[Informativo 593, STJ] Termo inicial do prazo para purgação da mora. Não cabimento de purgação
complementar da mora caso os valores tenham sido contestados pelo locatário Importante!!! Cuidado
com alguns livros! Termo inicial do prazo para purgação da mora Na ação de despejo por falta de
pagamento, o locatário ou o fiador poderão evitar a rescisão da locação efetuando, no prazo de 15 dias,
contado da citação, o pagamento do débito atualizado mediante depósito judicial (art. 62, II, da Lei nº
8.245/91). A partir de quando começa a ser contado este prazo que o requerido possui para purgar a
mora? O que o art. 62, II, da Lei quer dizer quando fala "contado da citação"? O prazo de 15 dias para
purgação da mora deve ser contado a partir da juntada aos autos do mandado de citação ou aviso de
recebimento devidamente cumprido. Não cabimento de purgação complementar da mora caso os
valores tenham sido contestados pelo locatário A contestação de parte do débito na ação de despejo
por falta de pagamento é incompatível com a intimação do locatário para fins de complementação do
depósito em relação às parcelas tidas por ele como indevidas. Não se deve intimar o locatário para
efetuar a purgação complementar da mora (art. 62, III, da Lei nº 8.245/91) se houve manifestação
contrária de sua parte, em contestação, quanto à intenção de efetuar o pagamento das parcelas não
depositadas. Em outras palavras, se o locatário, regularmente citado, contesta parte da dívida, não cabe
a sua intimação para complementar o depósito de emenda da mora e pagar tais parcelas. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.624.005-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/10/2016

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Tema: Contrato de honorários e mandato

A procuração que estabelece poderes para alienar "quaisquer imóveis localizados em todo o território
nacional" não atende aos requisitos do art. 661, § 1º, do CC/2002, que exige poderes especiais e
expressos para tal desiderato Em regra, o mandato só confere poderes que o mandatário administre os
bens do mandante: Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. Para
que o mandatário possa dispor, alienar ou gravar o patrimônio do mandante, exige-se a confecção de
instrumento de procuração com poderes expressos e especiais. É o que prevê o § 1º do art. 661: “Para
alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da administração
ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos.” A outorga de poderes de alienação
de “quaisquer imóveis em todo o território nacional” não supre o requisito de especialidade exigido
pelo art. 661, § 1º do CC, que exige referência e determinação dos bens concretamente mencionados
na procuração. STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.643-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/10/2019
(Info 660).

Os honorários advocatícios contratuais que adotarem a quota litis devem ser calculados com base na
quantia efetivamente recebida pelo cliente em razão da cessão de seu crédito a terceiro, e não pelo
valor apurado na liquidação da sentença Ex: João (advogado) foi contratado para ajuizar reclamação
trabalhista em favor de Pedro, mediante celebração de contrato de prestação de serviços advocatícios
com cláusula quota litis, cuja remuneração seria de 20% sobre o crédito apurado em sentença em
benefício do reclamante. A reclamação foi julgada procedente e, na liquidação da sentença, ficou
reconhecido que a empregadora deveria pagar R$ 100 mil ao ex-empregado. Ocorre que a empresa
vencida entrou em processo de falência. Diante disso, Pedro (credor) realizou acordo com terceiro
cedendo seu crédito, com a finalidade de receber ao menos parte de sua verba alimentar, por valor bem
inferior ao judicialmente reconhecido. Assim, Pedro “vendeu” seu crédito de R$ 100 mil, recebendo
apenas R$ 10 mil. João (advogado) receberá 20% de 100 ou de 10? R: 20% de 10. Para o STJ, uma
vez celebrado o contrato de prestação de serviços advocatícios com emprego de cláusula quota litis,
deve a remuneração ad exitum, ali fixada em percentual, ser calculada com base no benefício
efetivamente alcançado pela parte com a cessão de crédito, e não com base no valor total do crédito
reconhecido na demanda trabalhista e não satisfeito, ante a manifesta insolvência da devedora falida.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.354.338-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo,
julgado em 19/03/2019 (Info 650).

MANDATO Advogado substabelecente, em regra, não responde por atos ilícitos praticados por
advogado substabelecido, salvo se o substabelecente tivesse ciência da inidoneidade de seu colega O
advogado substabelecente somente irá responder por ato ilícito cometido pelo advogado
substabelecido se ficar evidenciado que, no momento da escolha, a despeito de possuir inequívoca

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ciência acerca da inidoneidade do aludido causídico, ainda assim o elegeu para o desempenho do
mandato. STJ. 3ª Turma. REsp 1.742.246-ES, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
19/03/2019 (Info 644).

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS A abusiva a resilição unilateral e


imotivada do contrato de prestação de serviços advocatícios na hipótese em que houver cláusula de
êxito Configura abuso de direito a denúncia imotivada pelo cliente de contrato de prestação de
serviços advocatícios firmado com cláusula de êxito antes do resultado final do processo, salvo quando
houver estipulação contratual que a autorize ou quando ocorrer fato superveniente que a justifique. Em
situações como essa, o STJ tem afirmado que deverão ser arbitrados honorários para remunerar o
advogado pelo trabalho desempenhado até o momento da resilição unilateral e imotivada do contrato
pelo cliente, a fim de evitar o locupletamento ilícito deste com a atividade realizada por aquele. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.724.441-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/02/2019 (Info 643).

MANDATO Análise jurídica da conduta de advogado que celebrou acordo prejudicial ao cliente em
virtude de ajuste espúrio realizado com a parte contrária Importante!!! Nas ações de indenização do
mandante contra o mandatário incide o prazo prescricional de 10 anos, previsto no art. 205 do Código
Civil, por se tratar de responsabilidade proveniente de relação contratual. Neste caso, o prazo
prescricional tem início não no momento em que o acordo foi homologado, mas sim a data em que a
vítima soube que havia sido prejudicada. Isso com base na chamada teoria da actio nata. O fato de o
advogado-mandatário ostentar procuração com poderes para transigir não afasta a responsabilidade
pelos prejuízos causados por culpa sua ou de pessoa para quem substabeleceu, nos termos dos arts.
667 do Código Civil e 32, caput, do Estatuto da Advocacia. A responsabilidade pelos danos
decorrentes do abuso de poder pelo mandatário independe da prévia anulação judicial do ato praticado,
pois o prejuízo não decorre de eventual nulidade, mas sim da violação dos deveres subjacentes à
relação jurídica entre o advogado e o assistido. Caso concreto: advogado celebrou acordo prejudicial
ao cliente, por meio do qual renunciou a crédito consolidado em sentença com remota possibilidade de
reversão, em virtude de ajuste espúrio realizado com a parte contrária. STJ. 3ª Turma. REsp
1.750.570-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/09/2018 (Info 633).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-633-STJ-1.pdf

[Informativo 593, STJ] SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS Cláusula penal em contratos de serviços


advocatícios Importante!!! Não é possível a estipulação de multa no contrato de honorários para as
hipóteses de renúncia ou revogação unilateral do mandato do advogado, independentemente de
motivação, respeitado o direito de recebimento dos honorários proporcionais ao serviço prestado. É
direito do advogado renunciar ou da parte revogar o mandato a qualquer momento e sem necessidade
de declinar as razões. Isso porque a relação entre advogado e cliente é pautada pela confiança, fidúcia,

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sendo um contrato personalíssimo (intuitu personae). Apesar de o advogado não poder exigir multa
pelo fato de o contratante ter revogado o mandato, ele poderá cobrar o valor dos honorários
advocatícios na proporção dos serviços que já foram prestados. Cláusula penal em contratos
advocatícios:  é lícita para situações de mora e/ou inadimplemento (ex: multa pelo atraso no
pagamento dos honorários).  não é permitida para as hipóteses de renúncia ou revogação do mandato
(ex: multa pelo fato de o cliente ter decidido revogar o mandato e constituir outro advogado). STJ. 4ª
Turma. REsp 1.346.171-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/10/2016

Tema: Franquia

[Informativo 591, STJ] ARBITRAGEM Para que haja cláusula compromissória no contrato de
franquia deverá ser observado o art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96 Importante!!! A franquia não é um
contrato de consumo (regido pelo CDC), mas, mesmo assim, é um contrato de adesão. Segundo o art.
4º, § 2º da Lei nº 9.307/96, nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se o
aderente: • tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou • concordar, expressamente, com a sua
instituição, por escrito, em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente
para essa cláusula. Todos os contratos de adesão, mesmo aqueles que não consubstanciam relações de
consumo, como os contratos de franquia, devem observar o disposto no art. 4º, § 2º, da Lei nº
9.307/96. Assim, é possível a instituição de cláusula compromissória em contrato de franquia, desde
que observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96. STJ. 3ª Turma. REsp 1.602.076-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/9/2016

Tema: Doação

A doação remuneratória deve respeitar a legítima dos herdeiros e não pode ser universal Importante!!!
A doação remuneratória é aquela feita como uma forma de recompensa dada pelo doador pelo serviço
prestado pelo donatário e que, embora quantificável pecuniariamente, não é juridicamente exigível. A
doação remuneratória deve respeitar os limites impostos pelo legislador. O Código Civil proíbe a
doação universal (doação de todos os bens do doador sem que seja a ele resguardado o mínimo
existencial) e a doação inoficiosa (aquela que ocorre em prejuízo à legítima dos herdeiros necessários).
O fato de a doação ser remuneratória não a isenta de respeitar essas limitações. Assim, a doação
remuneratória não pode se constituir em uma doação universal nem em uma doação inoficiosa. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.708.951-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 648).

Possibilidade de cancelamento de cláusula de inalienabilidade instituída pelos pais em relação ao


imóvel doado aos filhos É possível o cancelamento da cláusula de inalienabilidade de imóvel após a
morte dos doadores se não houver justa causa para a manutenção da restrição ao direito de

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propriedade. A doação do genitor para os filhos e a instituição de cláusula de inalienabilidade, por
representar adiantamento de legítima, deve ser interpretada na linha do que prescreve o art. 1. 848 do
CC, exigindo-se justa causa notadamente para a instituição da restrição ao direito de propriedade. Caso
concreto: decidiu ser possível o cancelamento da cláusula de inalienabilidade após a morte dos
doadores, considerando que já se passou quase duas décadas do ato de liberalidade e tendo em vista a
ausência de justa causa para a manutenção da restrição. Não havendo justo motivo para que se
mantenha congelado o bem sob a propriedade dos donatários, todos maiores, que manifestam não
possuir interesse em manter sob o seu domínio o imóvel, há de se cancelar as cláusulas que o
restringem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.278-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
19/03/2019 (Info 646).

A aposição da cláusula de impenhorabilidade e/ou incomunicabilidade em ato de liberalidade não


importa, automaticamente, na cláusula de inalienabilidade Importante!!! O art. 1.911 do Código Civil
estabelece: Art. 1.911. A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade,
implica impenhorabilidade e incomunicabilidade. A interpretação deste art. 1.911 nos permite chegar a
quatro conclusões: a) há possibilidade de imposição autônoma das cláusulas de inalienabilidade,
impenhorabilidade e incomunicabilidade, a critério do doador/instituidor. Em outras palavras, o
doador/instituidor pode impor só uma, só duas ou as três cláusulas. b) uma vez aposto o gravame da
inalienabilidade, pressupõe-se, ex vi lege (por força de lei), automaticamente, a impenhorabilidade e a
incomunicabilidade. Assim, se tiver sido imposta cláusula de inalienabilidade ao imóvel, isso significa
que ele, obrigatoriamente, será também impenhorável e incomunicável. c) a inserção exclusiva da
proibição de não penhorar e/ou não comunicar não gera a presunção da inalienabilidade. A aposição
da cláusula de impenhorabilidade e/ou incomunicabilidade em ato de liberalidade não importa,
automaticamente, na cláusula de inalienabilidade. d) a instituição autônoma da impenhorabilidade, por
si só, não pressupõe a incomunicabilidade e vice-versa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.155.547-MG, Rel.
Min. Marco Buzzi, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

Tema: Promessa de compra e venda

[Informativo 629, STJ] Se houver o desfazimento da promessa de compra e venda, o promitente


comprador terá que pagar ao proprietário a taxa de ocupação pelo período em que esteve na posse
do bem É devida a condenação ao pagamento de taxa de ocupação (aluguéis) pelo período em que o
comprador permanece na posse do bem imóvel, no caso de rescisão do contrato de promessa de
compra e venda, independentemente de ter sido o vendedor quem deu causa ao desfazimento do
negócio. Ex: João e Pedro celebraram promessa de compra e venda de um apartamento. Pedro
(promitente comprador) estava morando no imóvel há 6 meses e pagando regularmente as prestações.

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Ocorre que o contrato foi desfeito por culpa de João. Todo o valor pago por Pedro deverá ser
devolvido, assim como ele terá que ser indenizado pelas benfeitorias que realizou. Por outro lado,
Pedro terá que pagar taxa de ocupação (aluguel) pelos meses em que morou no apartamento. O
fundamento para isso não está na culpa, mas sim na proibição do enriquecimento sem causa. STJ. 3ª
Turma.REsp 1.613.613-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/06/2018

Tema: Compra e venda

[Informativo 626, STJ] Atraso na entrega do imóvel e lucros cessantes Importante!!! O atraso na
entrega do imóvel enseja pagamento de indenização por lucros cessantes durante o período de mora do
promitente vendedor, sendo presumido o prejuízo do promitente comprador. Os lucros cessantes serão
devidos ainda que não fique demonstrado que o promitente comprador tinha finalidade negocial na
transação. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.341.138-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
09/05/2018

[Informativo 625, STJ] COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA É juridicamente possível o


pedido de alienação judicial de bem imóvel objeto de compromisso de compra e venda É
juridicamente possível o pedido de alienação judicial de bem imóvel objeto de compromisso de
compra e venda. STJ. 3ª Turma. REsp 1.501.549-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
08/05/2018

[Informativo 611, STJ] Se a pessoa somente foi reconhecida como filha após a alienação ter
acontecido, ela não poderá pleitear a anulação com base no art. 496 do Código Civil O
reconhecimento de paternidade post mortem não invalida a alteração de contrato social com a
transferência de todas as cotas societárias realizada pelo genitor a outro descendente. STJ. 4ª Turma.
REsp 1.356.431-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 8/8/2017

[Informativo 610, STJ] Se o vício redibitório foi sanado, o adquirente não tem mais direito ao
abatimento do preço O saneamento de vício redibitório limitador do uso, gozo e fruição da área de
terraço na cobertura de imóvel objeto de negócio jurídico de compra e venda – que garante o seu uso
de acordo com a destinação e impede a diminuição do valor –, afasta o pleito de abatimento do preço.
João comprou apartamento no último andar do edifício, estando previsto no contrato que ele poderia
fazer construções na cobertura. Por ter comprado a cobertura, ele pagou 25% a mais. Ocorre que,
depois que o prédio ficou pronto, João não pode realizar nenhuma construção na cobertura porque isso
foi negado pelo Município sob o argumento de que o prédio já teria alcançado o limite máximo de
altura previsto para aquela localidade. Diante disso, João ajuizou ação de abatimento de preço contra a
construtora. Três anos após o ajuizamento, houve uma mudança nas regras municipais e o limite de

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altura dos prédios naquela localidade aumentou. Com isso, passou a ser permitido que ele construísse
na cobertura. João não terá mais direito ao abatimento do preço. STJ. 4ª Turma. REsp 1.478.254-RJ,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 8/8/2017

[Informativo 601, STJ] Em caso de compra e venda com reserva de domínio, é possível a
comprovação da mora por meio de notificação extrajudicial enviada pelo RTD Importante!!! A mora
do comprador, na ação ajuizada pelo vendedor com o intuito de recuperação da coisa vendida com
cláusula de reserva de domínio, pode ser comprovada por meio de notificação extrajudicial enviada
pelo Cartório de Títulos e Documentos (RTD). Assim, em caso de cláusula de reserva de domínio,
existem três formas pelas quais o vendedor (credor) poderá comprovar a mora do comprador
(devedor): a) mediante protesto do título; b) por meio de interpelação judicial; c) por notificação
extrajudicial enviada pelo Cartório de Títulos e Documentos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.629.000-MG,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/3/2017

[Informativo 589, STJ] Nulidade de contrato de compra e venda de imóvel localizado em terreno de
marinha sem pagamento de laudêmio É nulo o contrato firmado entre particulares de compra e venda
de imóvel de propriedade da União quando ausentes o prévio recolhimento do laudêmio e a certidão
da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ainda que o pacto tenha sido registrado no Cartório
competente. Antes de o ocupante vender o domínio útil do imóvel situado em terreno de marinha, ele
deverá obter autorização da União, por meio da SPU, pagando o laudêmio e cumprindo outras
formalidades exigidas. Somente assim esta alienação será possível de ser feita validamente. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.590.022-MA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 9/8/2016

Tema: Seguro

Súmula 632-STJ Correção monetária nos contratos de seguro Súmula 632-STJ: Nos contratos de
seguro regidos pelo Código Civil, a correção monetária sobre a indenização securitária incide a partir
da contratação até o efetivo pagamento. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 08/05/2019, DJe 13/05/2019.

[Informativo 640, STJ] A seguradora não pode se recusar a contratar seguro com o consumidor que
tenha restrição de crédito se ele se comprometer a pagar à vista A seguradora não pode recusar a
contratação de seguro a quem se disponha a pronto pagamento se a justificativa se basear unicamente
na restrição financeira do consumidor junto a órgãos de proteção ao crédito. STJ. 3ª Turma. REsp
1.594.024-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

[Informativo 640, STJ] É abusiva cláusula prevista em seguro de acidentes pessoais que exclua
complicações decorrentes de gravidez, parto, aborto, intoxicações alimentares, exames e tratamentos É

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abusiva a exclusão do seguro de acidentes pessoais em contrato de adesão para as hipóteses de: a)
gravidez, parto ou aborto e suas consequências; b) perturbações e intoxicações alimentares de qualquer
espécie; e c) todas as intercorrências ou complicações consequentes da realização de exames,
tratamentos clínicos ou cirúrgicos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.635.238-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 11/12/2018

[Informativo 639, STJ] Ainda que contrato preveja a exclusão da cobertura em caso de embriaguez do
segurado e mesmo que o acidente tenha sido causado por essa embriaguez, a seguradora será obrigada
a indenizar a vítima, já que essa cláusula é ineficaz perante terceiros Mudança de entendimento! No
contrato de seguro de automóvel, é lícita a cláusula que exclui a cobertura securitária para o caso de o
acidente de trânsito (sinistro) ter sido causado em decorrência da embriaguez do segurado. No entanto,
esta cláusula é ineficaz perante terceiros (garantia de responsabilidade civil). Isso significa que,
mesmo que contrato preveja a exclusão da cobertura em caso de embriaguez do segurado, a
seguradora será obrigada a indenizar a vítima (terceiro) caso o acidente tenha sido causado pelo
segurado embriagado. Em outras palavras, não se pode invocar essa cláusula contra a vítima. Depois
de indenizar a vítima, a seguradora poderá exigir seu direito de regresso contra o segurado (causador
do dano). A garantia de responsabilidade civil não visa apenas proteger o interesse econômico do
segurado tendo, também como objetivo preservar o interesse dos terceiros prejudicados. O seguro de
responsabilidade civil se transmudou após a edição do Código Civil de 2002, de forma que deixou de
ser apenas uma forma de reembolsar as indenizações pagas pelo segurado e passou a ser também um
meio de proteção das vítimas, prestigiando, assim, a sua função social. É inidônea a exclusão da
cobertura de responsabilidade civil no seguro de automóvel quando o motorista dirige em estado de
embriaguez, visto que somente prejudicaria a vítima já penalizada, o que esvaziaria a finalidade e a
função social dessa garantia, de proteção dos interesses dos terceiros prejudicados à indenização, ao
lado da proteção patrimonial do segurado. STJ. 3ª Turma.REsp 1.738.247-SC, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 639).

Súmula 620-STJ: A embriaguez do segurado não exime a seguradora do pagamento da indenização


prevista em contrato de seguro de vida. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

[Informativo 625, STJ] É vedada a exclusão de cobertura de seguro de vida em razão da embriaguez
do segurado Atenção! Concursos estaduais É vedada a exclusão de cobertura do seguro de vida na
hipótese de sinistro ou acidente decorrente de atos praticados pelo segurado em estado de embriaguez.
Tal cláusula é abusiva, com base nos arts. 3º, § 2º, e 51, IV, do CDC. STJ. 2ª Seção. EREsp 973.725-
SP, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado Do TRF 5ª Região), julgado em
25/04/2018

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Súmula 616-STJ: A indenização securitária é devida quando ausente a comunicação prévia do
segurado acerca do atraso no pagamento do prêmio, por constituir requisito essencial para a suspensão
ou resolução do contrato de seguro. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 23/05/2018, DJe 28/05/2018.

Súmula 610-STJ: O suicídio não é coberto nos dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro
de vida, ressalvado o direito do beneficiário à devolução do montante da reserva técnica formada. STJ.
2ª Seção. Aprovada em 25/04/2018, DJe 07/05/2018.

Súmula 609-STJ: A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se
não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do
segurado. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018.

[Informativo 622, STJ] O contratante do seguro de vida em grupo não tem direito à renovação da
apólice sem a concordância da seguradora nem pode exigir a restituição dos prêmios pagos Não é
abusiva a cláusula contratual que prevê a possibilidade de não renovação automática do seguro de vida
em grupo por qualquer dos contratantes, desde que haja prévia notificação da outra parte. À exceção
dos contratos de seguro de vida individuais, contratados em caráter vitalício ou plurianual, nos quais
há a formação de reserva matemática de benefícios a conceder, as demais modalidades são geridas sob
o regime financeiro de repartição simples, de modo que os prêmios arrecadados do grupo de segurados
ao longo do período de vigência do contrato destinam-se ao pagamento dos sinistros ocorridos naquele
período. Dessa forma, nos contratos de seguro de vida em grupo não há direito à renovação da apólice
sem a concordância da seguradora ou à restituição dos prêmios pagos em contraprestação à cobertura
do risco no período delimitado no contrato. Vale ressaltar que a seguradora pode decidir não mais
renovar o contrato de seguro de vida, mesmo que não comprove que houve desequilíbrio atuarial-
financeiro. Trata-se de um verdadeiro direito potestativo. STJ. 2ª Seção. REsp 1.569.627-RS, Rel.
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 22/02/2018

[Informativo 616, STJ] Seguradora não é obrigada a conceder indenização por invalidez total pelo
simples fato de o segurado estar recebendo aposentadoria por invalidez do INSS Atenção! Juiz de
Direito e DPE A aposentadoria por invalidez permanente concedida pelo INSS não confere ao
segurado o direito automático de receber indenização de seguro contratado com empresa privada,
sendo imprescindível a realização de perícia médica para atestar o grau de incapacidade e o correto
enquadramento na cobertura contratada. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.508.190-SC, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 08/11/2017

[Informativo 614, STJ] Se houve reconhecimento da culpa do segurado e pagamento de parte da


indenização pela seguradora ao terceiro, não se aplica a Súmula 529 do STJ A vítima de acidente de

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trânsito pode ajuizar demanda direta e exclusivamente contra a seguradora do causador do dano
quando reconhecida, na esfera administrativa, a responsabilidade deste pela ocorrência do sinistro e
quando parte da indenização securitária já tiver sido paga. Não se aplica, neste caso, a Súmula 529 do
STJ. Isso porque, mesmo não havendo relação contratual entre a seguradora e o terceiro prejudicado, a
sucessão dos fatos (apuração administrativa e pagamento de parte da indenização) faz com que surja
uma relação jurídica de direito material envolvendo a vítima e a seguradora. Súmula 529-STJ: No
seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro prejudicado
direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano. STJ. 3ª Turma. REsp
1.584.970-MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 24/10/2017

[Informativo 614, STJ] Não se aplica o CDC para as discussões envolvendo o DPVAT As normas
protetivas do Código de Defesa do Consumidor não se aplicam ao seguro obrigatório (DPVAT). STJ.
3ª Turma. REsp 1.635.398-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/10/2017

[Informativo 604, STJ] Não há indenização DPVAT se a vítima estava praticando um crime com o
veículo no momento do acidente É indevida a indenização relativa ao seguro obrigatório – DPVAT, na
hipótese em que o acidente de trânsito que vitimou o segurado tenha ocorrido no momento de prática
de ilícito penal doloso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.661.120-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
9/5/2017

[Informativo 604, STJ] Seguro de vida e sinistro causado pelo segurado em estado de embriaguez:
haverá indenização Importante!!! No SEGURO DE VIDA (seguro de pessoas) é devida a indenização
securitária mesmo que o acidente que vitimou o segurado tenha decorrido de seu estado de
embriaguez? SIM. Ocorrendo o sinistro morte do segurado e inexistente a má-fé dele (ex: deixar de
revelar que possuía doença grave antes de fazer o seguro) ou o suicídio no prazo de carência, a
indenização securitária deve ser paga ao beneficiário, visto que a cobertura neste ramo é ampla.
Assim, é vedada a exclusão de cobertura do seguro de vida na hipótese de sinistro ou acidente
decorrente de atos praticados pelo segurado em estado de embriaguez. STJ. 3ª Turma. REsp
1.665.701-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/5/2017 (Info 604). No SEGURO
DE AUTOMÓVEL (seguro de bens) celebrado por uma empresa com a seguradora, é devida a
indenização securitária se o condutor do veículo estava embriagado? • Em regra: NÃO. • Exceção:
será devido o pagamento da indenização se o segurado conseguir provar que o acidente ocorreria
mesmo que o condutor não estivesse embriagado. Não é devida a indenização securitária decorrente de
contrato de seguro de automóvel quando o causador do sinistro (condutor do veículo segurado) estiver
em estado de embriaguez, salvo se o segurado demonstrar que o infortúnio ocorreria
independentemente dessa circunstância. STJ. 3ª Turma. REsp 1.485.717-SP, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 22/11/2016 (Info 594).

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[Informativo 603, STJ] A criação de nova espécie de seguro não possui a proteção da Lei de Direitos
Autorais O direito autoral não pode proteger as ideias em si, mas apenas as formas de expressá-las.
Isso porque as ideias constituem patrimônio comum da humanidade. Assim, não há proteção autoral a
ideia de fazer uma determinada espécie de contrato, por mais inovadora e original que seja. No
máximo, o texto das cláusulas pode ser protegido. A Lei de Direitos Autorais não pode tolher a
criatividade e a livre iniciativa, nem o avanço das relações comerciais e da ciência jurídica, que ficaria
estagnada com o direito de exclusividade de certos tipos contratuais. Assim, a criação de nova espécie
de seguro não possui a proteção da Lei de Direitos Autorais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.627.606/RJ, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 02/05/2017 NÃO BOTEI NO ANKI

[Informativo 598, STJ] Não é devida a indenização prevista em contrato de seguro de RC D&O caso
o segurado tenha praticado insider trading O seguro de RC D&O (Directors and Officers Insurance)
não abrange operações de diretores, administradores ou conselheiros qualificadas como insider
trading. O RC D&O é um tipo de seguro feito por grandes executivos (exs: CEOs) por meio do qual a
seguradora assume os custos caso eles sejam responsabilizados por algum ato culposo praticado
durante a gestão da empresa. O insider trading ocorre quando uma pessoa (insider), por força do
exercício profissional, possui informações relevantes sobre a empresa e utiliza tais dados para negociar
as ações dessa companhia antes que essas informações sejam reveladas ao público em geral. O
administrador que praticou insider trading não tem direito à cobertura securitária do seguro RC D&O
por dois motivos: 1) o insider trading não é um ato culposo, mas sim doloso (fraudulento); 2) o insider
trading não configura ato de gestão, mas sim um ato pessoal do administrador com o objetivo de gerar
proveitos financeiros próprios, em detrimento dos interesses da companhia. STJ. 3ª Turma. REsp
1.601.555-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/2/2017

[Informativo 598, STJ] Sucessores do falecido podem cobrar a indenização DPVAT por invalidez
permanente que a vítima deveria ter recebido quando estava viva Determinada pessoa sofreu
acidente de trânsito que causou sua invalidez permanente. Ela não requereu indenização DPVAT.
Meses depois, ela faleceu por outras razões. Seus herdeiros poderão cobrar a indenização do DPVAT
que ela deveria ter recebido quando estava viva? SIM. Os sucessores da vítima têm legitimidade para
ajuizar ação de cobrança de pagamento de indenização do seguro DPVAT por invalidez permanente
ocorrida antes da morte daquela. O direito à indenização do seguro DPVAT por invalidez permanente
integra o patrimônio da vítima e transmite-se aos seus sucessores com o falecimento do titular. Os
sucessores, portanto, têm legitimidade para propor a ação de cobrança da quantia correspondente. STJ.
4ª Turma. REsp 1.185.907-CE, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/2/2017

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[Informativo 594, STJ] Embriaguez ao volante e agravamento do risco No seguro de automóvel
celebrado por uma empresa com a seguradora, é devida a indenização securitária se o condutor do
veículo (funcionário da empresa segurada) estava embriagado? • Em regra: NÃO. • Exceção: será
devido o pagamento da indenização se a empresa segurada conseguir provar que o acidente ocorreria
mesmo que o condutor não estivesse embriagado. Não é devida a indenização securitária decorrente de
contrato de seguro de automóvel quando o causador do sinistro – preposto da empresa segurada –
estiver em estado de embriaguez, salvo se o segurado demonstrar que o infortúnio ocorreria
independentemente dessa circunstância. STJ. 3ª Turma. REsp 1.485.717-SP, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 22/11/2016

[Informativo 591, STJ] Direito de a seguradora ser ressarcida pelos gastos que houve com o
segurado mesmo que este tenha dado quitação integral para o autor do dano Importante!!! Em regra,
mesmo que o proprietário do veículo segurado tenha dado termo de quitação ou renúncia ao causador
do sinistro, a seguradora continuará tendo direito de ajuizar ação regressiva contra o autor do dano e
de ser ressarcida pelas despesas que efetuou com o reparo ou substituição do bem sinistrado. Ex: o
segurado combina com o causador do dano que este irá pagar apenas o valor da franquia do seguro, em
troca de um termo de quitação. A seguradora paga, então, os prejuízos e poderá cobrar do causador do
dano porque ela tem direito à sub-rogação por força de lei (art. 786, CC) e este acordo não é eficaz
perante ela (art. 786, § 2º). Exceção: a seguradora não terá direito de regresso contra o autor do dano
caso este demonstre que indenizou realmente o segurado pelos prejuízos sofridos, na justa expectativa
de que estivesse quitando, integralmente, os danos provocados por sua conduta. Neste caso, protege-se
o terceiro de boa-fé e a seguradora poderá cobrar do segurado com base na proibição do
enriquecimento ilícito. Ex: o causador do dano paga todas as despesas do segurado e recebe um termo
de quitação; de má-fé, o segurado, mesmo já tendo sido indenizado, aciona o seguro para consertar seu
carro. Se a seguradora ajuizar ação regressiva contra o causador do dano, ele poderá provar que pagou
integralmente as despesas e, neste caso, a ação será julgada improcedente. Protege-se a boa-fé do
terceiro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.533.886-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/9/2016

[Informativo 590, STJ] O atraso do segurado em comunicar o seguro que houve um sinistro com o
veículo nem sempre irá gerar a perda da indenização securitária O art. 771 do CC determina que o
segurado deverá comunicar imediatamente à seguradora quando ocorrer algum sinistro envolvendo o
veículo, já que isso possibilita que esta tome medidas que possam amenizar os prejuízos da realização
do risco, bem como a sua propagação. Esse dispositivo legal prevê que, se não houver esta
comunicação imediata, o segurado perderá o direito à indenização. Vale ressaltar, no entanto, que, para
que ocorra a sanção prevista no art. 771 do CC, é necessário que fique demonstrada a ocorrência de
uma omissão dolosa do segurado, que beire a má-fé, ou culpa grave e que, com isso, prejudique, de
forma desproporcional, a atuação da seguradora. Assim, se o segurado demorou três dias para

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comunicar à seguradora que o veículo foi roubado porque foi ameaçado pelo criminoso, ele não
perderá o direito de ser indenizado já que, neste caso, não poderia ser dele exigido comportamento
diverso. Resumindo: o segurado que, devido às ameaças de morte feitas pelo criminoso a ele e à sua
família, deixou de comunicar prontamente o roubo do seu veículo à seguradora não perde o direito à
indenização securitária (art. 771 do CC). STJ. 3ª Turma. REsp 1.404.908-MG, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 2/8/2016

[Informativo 590, STJ] Súmula 580-STJ: A correção monetária nas indenizações do seguro DPVAT
por morte ou invalidez, prevista no § 7º do art. 5º da Lei nº 6.194/1974, redação dada pela Lei nº
11.482/2007, incide desde a data do evento danoso. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 14/09/2016, DJe
19/09/2016

[Informativo 589, STJ] DPVAT A intimação para perícia médica em ação de cobrança de DPVAT
deve ser pessoal Em ação de cobrança de seguro DPVAT, a intimação da parte para o comparecimento
à perícia médica deve ser pessoal, e não por intermédio de advogado. Não pode a intimação ser feita
ao representante processual se o ato deve ser pessoalmente praticado pela própria parte, como é o caso.
Recaindo a perícia sobre a própria parte, é necessária a sua intimação pessoal, não por meio do seu
advogado, uma vez que se trata de ato personalíssimo. STJ. 4ª Turma. REsp 1.364.911-GO, Rel. Min.
Marco Buzzi, julgado em 1/9/2016

Tema: Sistema Financeiro de Habitação (SFH)

[Informativo 640, STJ] É possível a adjudicação direta do imóvel ao credor hipotecário que oferece o
preço da avaliação judicial do bem, independentemente da realização de hasta pública Em ação de
execução hipotecária, o credor hipotecário pode requerer a adjudicação do imóvel penhorado pelo
valor constante do laudo de avaliação, independentemente da realização de hasta pública. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.721.731-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Súmula 586-STJ: A exigência de acordo entre o credor e o devedor na escolha do agente fiduciário
aplica-se, exclusivamente, aos contratos não vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação – SFH.
STJ. Corte Especial. Aprovada em 19/12/2016.

[Informativo 594, STJ] Imóveis vinculados ao SFH não são suscetíveis de usucapião O imóvel da
Caixa Econômica Federal vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, como está afetado à
prestação de um serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, pois, imprescritível
(insuscetível de usucapião). STJ. 3ª Turma. REsp 1.448.026-PE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 17/11/2016

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Tema: Incorporação imobiliária

Termo inicial dos juros de mora incidentes sobre a restituição das parcelas pagas em caso de resolução
judicial do contrato por iniciativa do promitente comprador de forma diversa da cláusula penal
convencionada Nos compromissos de compra e venda de unidades imobiliárias anteriores à Lei nº
13.786/2018, em que é pleiteada a resolução do contrato por iniciativa do promitente comprador de
forma diversa da cláusula penal convencionada, os juros de mora incidem a partir do trânsito em
julgado da decisão. STJ. 2ª Seção. REsp 1.740.911-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min.
Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/08/2019 (recurso repetitivo – Tema 1002) (Info 654). Obs: nos
contratos celebrados a partir da Lei nº 13.786/2018 (28/12/2018), os juros de mora incidem a partir da
citação válida, nos termos dos arts. 397 e 405 do Código Civil.

É de 10 anos o prazo prescricional para ação do adquirente contra a incorporadora pedindo o


pagamento da multa do art. 35, § 5º, da Lei nº 4.591/64 O incorporador só se acha habilitado a
negociar unidades autônomas do empreendimento imobiliário depois que registrar, no Registro de
Imóveis, os documentos elencados no art. 32 da Lei nº 4.591/64. Descumprida essa exigência legal,
impõe-se a aplicação da multa do art. 35, § 5º, da mesma lei. É decenal o prazo prescricional aplicável
à ação do adquirente contra a incorporadora que visa a cobrança da multa prevista no art. 35, § 5º, da
Lei nº 4.591/64. Fundamento: art. 205 do Código Civil. Não se aplica o art. 27 do CDC porque este
dispositivo é restrito às ações que busquem a reparação de danos causados por fato do produto ou do
serviço e essa situação não se enquadra como fato do produto ou serviço (não se trata de acidente de
consumo). STJ. 3ª Turma. REsp 1.497.254-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
18/09/2018 (Info 633). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-633-STJ-1.pdf

[Informativo 607, STJ] Se for realizada nova alienação do terreno onde iria ser construído o imóvel,
é necessário que o proprietário/vendedor faça a indenização dos antigos adquirentes O proprietário
de terreno objeto de contrato de permuta com incorporadora/construtora, rescindido por decisão
judicial no curso do processo falimentar desta, tem responsabilidade pelos danos sofridos pelos antigos
adquirentes de unidades autônomas no empreendimento imobiliário inacabado. STJ. 3ª Turma. REsp
1.537.012-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 20/6/2017

[Informativo 594, STJ] Unidade habitacional já quitada e que foi dada em garantia ao banco A
recusa do banco em substituir a garantia dada pela incorporadora em contrato de financiamento
imobiliário, mesmo após a ciência de que a unidade habitacional se encontrava quitada, viola os
deveres contratuais da informação e cooperação, tornando ineficaz o gravame perante o adquirente.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.478.814-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 6/12/2016

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 JUROS

Se o FIDC for cessionário de título de crédito de um banco, ele pode cobrar a mesma taxa de juros
porque esse fundo se amolda à definição legal de instituição financeira Os Fundos de Investimento em
Direito Creditório - FIDCs amoldam-se à definição legal de instituição financeira e não se sujeitam à
incidência da limitação de juros da Lei da Usura. STJ. 4ª Turma. REsp 1.634.958-SP, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 06/08/2019 (Info 655)

[Informativo 629, STJ] Réu foi condenado a pagar indenização acrescida de juros até o efetivo
pagamento. O fato de o seu patrimônio ter sido bloqueado em outra ação judicial que trata sobre
fatos conexos não significa que os juros de mora devem deixar de ser computados naquele primeiro
processo A mera notícia de decisão judicial determinando a indisponibilidade forçada dos bens do réu,
no cerne de outro processo, com objeto e partes distintas, não possui o condão de interromper a
incidência dos juros moratórios. STJ. 3ª Turma. REsp 1.740.260-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 26/06/2018

[Informativo 602, STJ] O termo inicial em caso de abuso de mandato é a data da citação
Reconhecido o abuso de mandato por desacerto contratual, em razão de o advogado ter repassado
valores a menor para seu mandatário, o marco inicial dos juros moratórios é a data da citação. O termo
inicial dos juros moratórios deve ser determinado a partir da natureza da relação jurídica mantida entre
as partes. No caso, tratando-se de mandato, a relação jurídica tem natureza contratual, sendo o termo
inicial dos juros moratórios a data da citação (art. 405 do CC). STJ. 3ª Turma. REsp 1.403.005-MG,
Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 6/4/2017

[Informativo 567, STJ] Termo inicial de juros de mora em cobrança de mensalidade por serviço
educacional. Se o contrato de prestação de serviço educacional especifica o valor da mensalidade e a
data de pagamento, os juros de mora fluem a partir do vencimento das mensalidades não pagas - e não
da citação válida. Ex: João matriculou-se em um curso de pós-graduação de uma instituição privada.
Segundo o contrato, João deveria pagar, durante 12 meses, R$ 500 de mensalidade todo dia 28 de cada
mês. O aluno tornou-se inadimplente, razão pela qual a faculdade ajuizou ação de cobrança pleiteando
o pagamento das parcelas que não foram pagas, acrescidas de juros e multa. Os juros de mora serão
contados da data prevista para o vencimento de cada parcela (e não da data da citação). STJ. 3ª Turma.
REsp 1.513.262-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015 (Info 567).

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[Informativo 564, STJ] Capitalização de juros e instituições integrantes do Sistema Financeiro
Nacional. Súmula 539-STJ: É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual
em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de
31/3/2000 (MP 1.963-17/00, reeditada como MP 2.170-36/01), desde que expressamente pactuada.
STJ. 2ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.

[Informativo 564, STJ] Taxa de juros de contrato bancário. Súmula 541-STJ: A previsão no contrato
bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança
da taxa efetiva anual contratada. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.

[Informativo 562, STJ] Taxa de juros nos contratos bancários. Impossibilidade de se comprovar a
taxa de juros efetivamente contratada e adoção da taxa média de mercado. Súmula 530-STJ: Nos
contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros efetivamente contratada - por
ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos autos -, aplica-se a taxa média de
mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da mesma espécie, salvo se a taxa cobrada for
mais vantajosa para o devedor. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 13/05/2015, DJe 18/05/2015.

DIREITOS REAIS

Tema: Direitos reais de garantia

[Informativo 628, STJ] HIPOTECA Interesse de agir do credor hipotecário de que o imóvel dado em
garantia seja construído de acordo com os padrões de qualidade previstos no contrato de compra e
venda O credor hipotecário tem interesse de agir para propor ação em face do mutuário visando ao
cumprimento de cláusula contratual que determina a observância dos padrões construtivos do
loteamento. Ex: João celebrou contrato de compra e venda de um imóvel (terreno) em um loteamento.
O contrato de compra e venda foi celebrado entre João e a sociedade empresária Constrói Ltda. Ocorre
que neste contrato de compra e venda havia ainda um pacto adjeto (contrato acessório) de mútuo
feneratício com garantia hipotecária, que foi firmado entre João e a sociedade empresária Habitac
Crédito Imobiliário S.A. Por força deste pacto adjeto, João recebeu da Habitac um empréstimo
(mútuo) para adquirir o imóvel e, como garantia de que iria pagar a dívida, deu o bem em hipoteca. A
ideia deste loteamento era a de que todas as casas ali construídas fossem parecidas e mantivessem uma
qualidade mínima. Assim, no contrato havia cláusulas dizendo os padrões que deveriam ser
respeitados no momento da construção (ex: construção toda em alvenaria, fachada com mármore ou
granito etc). João construiu a sua casa no loteamento, mas não respeitou os padrões previstos no
contrato. O estilo da fachada não estava igual ao que determinava o projeto e os materiais empregados
eram de menor qualidade que o exigido. Diante disso, a empresa Habitac Crédito Imobiliário S.A.

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ajuizou ação de obrigação de fazer contra João pedindo que ele fosse condenado a reformar a casa a
fim de deixá-la dentro dos padrões previstos no contrato. O STJ afirmou que a credora hipotecária tem
interesse de agir para propor esta ação. Isso porque ela tem interesse jurídico na valorização do bem
dado em garantia. Se o devedor não pagar a dívida, o bem dado em hipoteca será alienado. Logo, o
credor hipotecário tem interesse em que o imóvel seja construído de acordo com os padrões
estabelecidos para o loteamento a fim de que ele se mantenha valioso e, em caso de inadimplemento,
possa ser vendido por um bom preço, pagando a dívida. STJ. 1ª Turma. REsp 1.400.607-RS, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 17/05/2018

Tema: Posse

Súmula 637-STJ: O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na ação
possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o
domínio. STJ. Corte Especial. Aprovada em 07/11/2019.

Em ação possessória ajuizada pelo fazendeiro que teve o imóvel invadido por indígenas, não cabe a
realização de laudo antropológico para examinar se são terras indígenas É inadequada a discussão
acerca da tradicionalidade da ocupação indígena em ação possessória ajuizada por proprietário de
fazenda antes de completado o procedimento demarcatório. Assim, não cabe produção de laudo
antropológico em ação possessória ajuizada por proprietário de fazenda ocupada por grupo indígena.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.650.730-MS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 20/08/2019
(Info 655).

Súmula 619-STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária,
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. STJ. Corte Especial. Aprovada em
24/10/2018, DJe 30/10/2018. https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-635-
STJ.pdf

[Informativo 623, STJ] Em ação possessória entre particulares é cabível o oferecimento de oposição
pelo ente público, alegando-se incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de demonstração
da posse. STJ. Corte Especial. EREsp 1.134.446-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
21/03/2018

[Informativo 610, STJ] Não é possível que oficina retenha veículo até que haja o pagamento do
serviço contratado Importante!!! Oficina mecânica que realiza reparos em veículo, com autorização
do proprietário, não pode reter o bem por falta de pagamento do serviço. STJ. 3ª Turma. REsp
1.628.385-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/8/2017

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[Informativo 594, STJ] Particular que ocupa bem público dominical poderá ajuizar ações possessórias
para defender a sua permanência no local? 1) particular invade imóvel público e deseja proteção
possessória em face do PODER PÚBLICO: não é possível. Não terá direito à proteção possessória.
Não poderá exercer interditos possessórios porque, perante o Poder Público, ele exerce mera detenção.
2) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face de outro PARTICULAR:
terá direito, em tese, à proteção possessória. É possível o manejo de interditos possessórios em litígio
entre particulares sobre bem público dominical, pois entre ambos a disputa será relativa à posse. STJ.
4ª Turma. REsp 1.296.964-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/10/2016

Tema: Acessão

[Informativo 593, STJ] Responsabilidade do proprietário do solo pelas despesas havidas com a
construção realizada em seu terreno O construtor proprietário dos materiais poderá cobrar do
proprietário do solo a indenização devida pela construção, quando não puder havê-la do contratante.
Ex: a empresa "A" contratou uma construtora para fazer um centro comercial no terreno pertencente à
empresa "B". A empresa "B", mesmo não tendo participado do contrato, poderá ser responsabilizada
subsidiariamente caso a construção seja realizada e a construtora não seja paga. Aplica-se, ao caso, o
parágrafo único do art. 1.257: "O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do
proprietário do solo a indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor." STJ.
4ª Turma. REsp 963.199-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2016

Tema: Loteamento

É válida a estipulação, na escritura de compra e venda, espelhada no contrato-padrão depositado no


cartório, de cláusula que preveja a cobrança, pela administradora do loteamento, das despesas com
manutenção e infraestrutura do loteamento O art. 18, VI, da Lei nº 6.766/79, que dispõe sobre o
parcelamento do solo urbano, exige que o loteador submeta o projeto de loteamento ao registro
imobiliário, acompanhado, dentre outros documentos, do exemplar do contrato-padrão de promessa de
venda ou de cessão ou de promessa de cessão, do qual constarão, obrigatoriamente, as indicações
previstas no seu art. 26 e, eventualmente, outras de caráter negocial, desde que não ofensivas aos
princípios cogentes da referida lei. É válida a estipulação, na escritura de compra e venda, espelhada
no contrato-padrão depositado no registro imobiliário, de cláusula que preveja a cobrança, pela
administradora do loteamento, das despesas realizadas com obras e serviços de manutenção e/ou
infraestrutura, porque dela foram devidamente cientificados os compradores, que a ela anuíram
inequivocamente. STJ. 3ª Turma. REsp 1.569.609-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
07/05/2019 (Info 648).

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Tema: Propriedade

A estipulação prevista no contrato social de integralização do capital social por meio de imóvel
indicado pelo sócio, por si, não opera a transferência da propriedade do bem para a sociedade
empresarial O registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis como condição
imprescindível à transferência de propriedade de bem imóvel entre vivos propugnada pela lei civil não
se confunde, tampouco pode ser substituído para esse efeito, pelo registro do contrato social na Junta
Comercial. O contrato social que estabelece que a integralização do capital social será feita por meio
da transferência de um imóvel pelo sócio, depois de ser devidamente inscrito no Registro Público de
Empresas Mercantis (da Junta Comercial), torna-se um título translativo, ou seja, um título que serve
para transferir a propriedade imóvel, mas desde que seja levado a registro no cartório de Registro de
Imóveis, conforme determina o caput do art. 1.245 do CC. Enquanto não for feito o registro do título
translativo (contrato social) no Cartório de Registro de Imóveis, o bem com o qual se deseja fazer a
integralização não compõe ainda o patrimônio da sociedade empresarial. Ex: o contrato social previu
que um dos sócios integralizaria o capital social transferindo imóvel de sua propriedade para a
sociedade empresária; mesmo após esse contrato social ser registrado na Junta Comercial, o bem ainda
não foi transferido; exige-se ainda o registro desse contrato social no Cartório de Registro de Imóveis.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.743.088-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/03/2019 (Info
645).

Tema: Usucapião

Bem furtado pode ser objeto de usucapião, desde que tenha cessado a clandestinidade É possível a
usucapião de bem móvel proveniente de crime após cessada a clandestinidade ou a violência. Nos
termos do art. 1.261 do CC/2002, aquele que exercer a posse de bem móvel, interrupta e
incontestadamente, por 5 anos, adquire a propriedade originária do bem, fazendo sanar todo e qualquer
vício anterior. A apreensão física da coisa por meio de clandestinidade (furto) ou violência (roubo)
somente induz a posse após cessado o vício (art. 1.208 do CC/2002), de maneira que o exercício
ostensivo do bem é suficiente para caracterizar a posse mesmo que o objeto tenha sido proveniente de
crime. Caso concreto: indivíduo adquiriu caminhão por meio de financiamento bancário, com emissão
de registro perante o órgão público competente, ao longo de mais de 20 anos. Depois se descobriu que
o veículo havia sido furtado antes da aquisição. Pode-se reconhecer que houve a aquisição por
usucapião, sendo irrelevante se analisar se houve a inércia do anterior proprietário (vítima do furto) ou
se o usucapiente conhecia a ação criminosa anterior à sua posse. STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.370-RJ,
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019 (Info 656).

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Não cabe oposição em ação de usucapião Importante!!! Não cabe intervenção de terceiros na
modalidade de oposição na ação de usucapião. STJ. 3ª Turma.REsp 1.726.292-CE, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

Pessoa jurídica brasileira, mesmo que tenha seu capital social controlado por estrangeiros, pode
adquirir imóvel rural no Brasil, inclusive por meio de usucapião, mas, para isso, precisará cumprir as
regras da Lei 5.709/71 É juridicamente possível a usucapião de imóveis rurais por pessoa jurídica
brasileira com capital majoritariamente controlado por estrangeiros, desde que observadas as mesmas
condicionantes para a aquisição originária de terras rurais por pessoas estrangeiras - sejam naturais,
jurídicas ou equiparadas. A Lei nº 5.709/71 impõe uma série de condições para que estrangeiros
adquiram terras rurais no Brasil. Uma pessoa jurídica nacional que tenha seu capital social controlado
por estrangeiros também está sujeita às mesmas restrições, por força do art. 1º, § 1º, da Lei nº
5.709/71. Isso não significa que ela não possa adquirir imóveis rurais no Brasil. Podem sim, inclusive
mediante usucapião. No entanto, precisam cumprir as regras da Lei nº 5.709/71. STJ. 3ª Turma. REsp
1.641.038-CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

[Informativo 630, STJ] É possível o reconhecimento da usucapião de bem imóvel com a


implementação do requisito temporal no curso da demanda Importante!!! É possível o reconhecimento
da usucapião quando o prazo exigido por lei se complete no curso do processo judicial, conforme a
previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu tenha apresentado contestação. Em março de 2017,
João ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial urbana, nos termos do art. 1.240
do CC (que exige posse ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril de 2017, o proprietário
apresentou contestação pedindo a improcedência da demanda.As testemunhas e as provas documentais
atestaram que João reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja, quando o autor deu entrada na
ação, ainda não havia mais de 5 anos de posse. Em novembro de 2017, os autos foram conclusos ao
juiz para sentença. O magistrado deverá julgar o pedido procedente considerando que o prazo exigido
por lei para a usucapião se completou no curso do processo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.361.226-MG, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/06/2018

[Informativo 616, STJ] Ausência de citação dos confinantes gera nulidade relativa Importante!!! Ao
propor uma ação de usucapião, o autor deverá requerer a citação dos confinantes, ou seja, dos vizinhos
que fazem fronteira com o imóvel que ele almeja. E o que acontece caso não haja a citação dos
confinantes? Haverá nulidade absoluta do processo? Não. Apesar de amplamente recomendável, a
falta de citação dos confinantes não acarretará, por si, ou seja, obrigatoriamente, a nulidade da
sentença que declara a usucapião. Não há que se falar em nulidade absoluta, no caso. A ausência de
citação dos confinantes e respectivos cônjuges na ação de usucapião é considerada hipótese de

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nulidade relativa, somente gerando a nulidade do processo caso se constate o efetivo prejuízo. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.432.579-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017

[Informativo 613, STJ] A decretação da falência do proprietário do imóvel interrompe o prazo para
que o possuidor possa adquirir este bem por usucapião O curso da prescrição aquisitiva da
propriedade de bem que compõe a massa falida é interrompido com a decretação da falência. Ex: João
é possuidor, há 4 anos e 6 meses, de uma área urbana de 200m2, que utiliza para a sua própria
moradia. Ele não tem o título de propriedade dessa área, mas lá mora há todos esses anos sem
oposição de ninguém. Imagine que foi decretada a falência da empresa que é proprietária desse
imóvel. Isso significa que, neste instante, o prazo para João adquirir o bem por usucapião vai ser
interrompido, ou seja, vai recomeçar do zero. STJ. 3ª Turma. REsp 1.680.357-RJ, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 10/10/2017

[Informativo 613, STJ] Se o juízo criminal decretou a perda do imóvel que está sendo pleiteado em
ação de usucapião, esta decisão produzir a efeitos no juízo cível, devendo a ação ser extinta por
perda do objeto Há perda de objeto da ação de usucapião proposta em juízo cível na hipótese em que
juízo criminal decreta a perda do imóvel usucapiendo em razão de ter sido adquirido com proventos de
crime. João praticou um crime. Com o dinheiro obtido com o delito, ele comprou uma casa. No
processo criminal, o juiz decretou, em março/2012, o sequestro da casa comprada. João fugiu e
abandonou o imóvel. Em abril/2012, Pedro invadiu a casa e passou a morar lá. Em maio/2017, após
mais de 5 anos morando no imóvel, Pedro ajuizou ação de usucapião (art. 1.240 do CC). A ação de
usucapião estava tramitando até que, em outubro/2017, transitou em julgado a sentença do juiz
condenando João pela prática do crime. Como efeito da condenação, o magistrado determinou o
confisco da casa (art. 91, II, “b”, do CP). A ação de usucapião perde o objeto, considerando que este
tema foi definido no juízo criminal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.471.563-AL, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 26/09/2017

[Informativo 599, STJ] O art. 12, § 2º do Estatuto da Cidade estabelece uma presunção relativa de
que o autor da ação de usucapião especial urbana é hipossuficiente Importante!!! O Estatuto da
Cidade, ao tratar sobre a ação de usucapião especial urbana, prevê que "o autor terá os benefícios da
justiça e da assistência judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de registro de imóveis." Isso
significa que o autor da ação de usucapião especial urbana gozará sempre da gratuidade da justiça? Há
uma presunção absoluta de que este autor não tem recursos suficientes para pagar as custas? NÃO. O
art. 12, § 2º da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade) estabelece uma presunção relativa de que o
autor da ação de usucapião especial urbana é hipossuficiente. Isso significa que essa presunção pode
ser ilidida (refutada) a partir da comprovação inequívoca de que o autor não é considerado

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"necessitado". STJ. 3ª Turma. REsp 1.517.822-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
21/2/2017

[Informativo 593, STJ] Indivíduo que comprou e tem a posse de veículo pode propor usucapião se o
automóvel estiver registrado em nome de terceiro O indivíduo que tem a propriedade de um veículo
que, no entanto, está registrado em nome de um terceiro no DETRAN, possui interesse de agir para
propor ação de usucapião extraordinária (art. 1.261 do CC) já que, com a sentença favorável, poderá
regularizar o bem no órgão de trânsito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.177-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 25/10/2016

Tema: Direito de vizinhança

[Informativo 592, STJ] A proibição de construir janelas a menos de 1,5m do terreno vizinho é
objetiva A proibição prevista no art. 1.301, caput, do Código Civil – de não construir janelas a menos
de 1,5m do terreno vizinho – possui caráter objetivo e traduz verdadeira presunção de devassamento
("invasão"). Logo, esta vedação não tem por objetivo limitar apenas a visão do imóvel sobre seu
vizinho. Ela também protege o vizinho de outras espécies de invasão, como a auditiva, olfativa e,
principalmente, física (ex: busca impedir que objetos caiam ou sejam arremessados de uma
propriedade a outra). Desse modo, a proibição é objetiva, bastando, para a sua configuração, a
presença do elemento objetivo estabelecido pela lei (construção da janela a menos de 1,5m do terreno
vizinho), não importando a aferição de aspectos subjetivos relativos à eventual atenuação do
devassamento visual. STJ. 3ª Turma. REsp 1.531.094-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 18/10/2016

[Informativo 591, STJ] Construção em terreno alheio de aqueduto para passagem de águas O
proprietário de imóvel tem direito de construir aqueduto no terreno do seu vizinho, independentemente
do consentimento deste, para receber águas provenientes de outro imóvel, desde que não existam
outros meios de passagem de águas para a sua propriedade e haja o pagamento de prévia indenização
ao vizinho prejudicado. Trata-se de direito de vizinhança assegurado pelo art. 1.293 do Código Civil.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.616.038-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/9/2016

Tema: Ações possessórias

[Informativo 590, STJ] Particular pode ajuizar ação possessória tendo como objeto bem público de
uso comum do povo Particulares podem ajuizar ação possessória para resguardar o livre exercício do
uso de via municipal (bem público de uso comum do povo) instituída como servidão de passagem. Ex:

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a empresa começou a construir uma indústria e a obra está invadindo a via de acesso (rua) que liga a
avenida principal à uma comunidade de moradores locais. Os moradores possuem legitimidade para
ajuizar ação de reintegração de posse contra a empresa alegando que a rua que está sendo invadida
representa uma servidão de passagem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.176-MG, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 20/9/2016

Tema: Multipropriedade

[Informativo 589, STJ] Invalidade da penhora sobre a integralidade de imóvel submetido a time-
sharing Importante!!! É inválida a penhora da integralidade de imóvel submetido ao regime de
multipropriedade (time-sharing) em decorrência de dívida de condomínio de responsabilidade do
organizador do compartilhamento. A multipropriedade imobiliária, mesmo não efetivamente
codificada, possui natureza jurídica de direito real, harmonizando-se com os institutos constantes do
rol previsto no art. 1.225 do Código Civil. STJ. 3ª Turma. REsp 1.546.165-SP, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 26/4/2016

Tema: Alienação fiduciária

A alienação fiduciária firmada entre a construtora e o agente financeiro não tem eficácia perante o
adquirente do imóvel Situação hipotética: João celebrou contrato de promessa de compra e venda para
adquirir determinado apartamento. Mesmo após quitar toda a dívida, não conseguiu a escritura
definitiva de compra e venda do imóvel. Foi, então, que descobriu que a construtora havia assinado
contrato de financiamento com uma instituição bancária e, como pacto acessório foi celebrada uma
alienação fiduciária, em que foi dada, em garantia, a unidade habitacional em que mora João. Essa a
alienação fiduciária firmada entre a construtora e o agente financeiro não tem eficácia perante o
adquirente do imóvel (em nosso exemplo, João). Aplica-se aqui, por analogia, o raciocínio da Súmula
308 do STJ: A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à
celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.576.164-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

O credor fiduciário somente responde pelas dívidas condominiais após a imissão na posse
Importante!!! O credor fiduciário, no contrato de alienação fiduciária de bem imóvel, tem
responsabilidade pelo pagamento das despesas condominiais deixadas pelo devedor fiduciante? NÃO.
• A responsabilidade pelo pagamento das despesas condominiais recai sobre o devedor fiduciante
enquanto estiver na posse direta do imóvel. • O credor fiduciário somente responde pelas dívidas
condominiais incidentes sobre o imóvel se consolidar a propriedade para si, tornando-se o possuidor
direto do bem. Assim, a responsabilidade do credor fiduciário pelo pagamento das despesas

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condominiais dá-se quando da consolidação de sua propriedade plena quanto ao bem dado em
garantia, ou seja, quando de sua imissão na posse do imóvel. É o que prevê o § 8º do art. 27 da Lei nº
9.514/97: § 8º Responde o fiduciante pelo pagamento dos impostos, taxas, contribuições condominiais
e quaisquer outros encargos que recaiam ou venham a recair sobre o imóvel, cuja posse tenha sido
transferida para o fiduciário, nos termos deste artigo, até a data em que o fiduciário vier a ser imitido
na posse. STJ. 3ª Turma. REsp 1696038/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
28/08/2018. STJ. 3ª Turma. REsp 1.731.735-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018
(Info 638).

[Informativo 629, STJ] Equipamento de monitoramento do veículo acoplado no caminhão é


considerado pertença e, por isso, como regra, não segue a sorte do principal O equipamento de
monitoramento acoplado em caminhão é qualificado como pertença e pode ser retirado pelo devedor
fiduciante que o colocou. CC/Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não
abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das
circunstâncias do caso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.667.227-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 26/06/2018

[Informativo 613, STJ] Devedor pode ajuizar ação de prestação de contas contra a instituição
financeira com o objetivo de se conhecer o resultado da alienação extrajudicial do bem apreendido
Mesmo antes do advento da Lei nº 13.043/2014, que deu nova redação ao art. 2º do DecretoLei nº
911/69, já era cabível o ajuizamento de ação de prestação de contas relativas aos valores auferidos
com o leilão extrajudicial de veículo apreendido em busca e apreensão. STJ. 3ª Turma. REsp
1.678.525-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 05/10/2017

[Informativo 600, STJ] OSCIP não pode ajuizar ação de busca e apreensão do DL 911/69 Caso o
mutuário de um contrato de alienação fiduciária se torne inadimplente, a instituição financeira
mutuante poderá ingressar com busca e apreensão do bem, sendo essa uma ação especial e muito
célere, prevista no Decreto-Lei nº 911/69. A organização da sociedade civil de interesse público -
OSCIP -, mesmo ligada ao Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado - PNMPO, não
pode ser classificada ou equiparada à instituição financeira, carecendo, portanto, de legitimidade ativa
para requerer busca e apreensão de bens com fulcro no Decreto-Lei nº 911/69. O procedimento
judicial de busca e apreensão previsto no DL 911/69 é um instrumento exclusivo das instituições
financeiras lato sensu ou das pessoas jurídicas de direito público titulares de créditos fiscais e
previdenciários. A OSCIP não se insere no conceito de instituição financeira nem pode ser a ela
equiparada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.311.071-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
21/3/2017

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[Informativo 599, STJ] Importante!!! Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos
de alienação fiduciária em garantia regidos pelo Decreto-Lei 911/69. STJ. 2ª Seção. REsp 1.622.555-
MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/2/2017

[Informativo 594, STJ] Devedor que perdeu o veículo tem direito de retirar aparelhos instalados no
carro para permitir a direção por deficiente físico Havendo adaptação de veículo, em momento
posterior à celebração do pacto fiduciário, com aparelhos para direção por deficiente físico, o devedor
fiduciante tem direito a retirá-los quando houver o descumprimento do pacto e a consequente busca e
apreensão do bem. STJ. 4ª Turma. REsp 1.305.183-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
18/10/2016

[Informativo 592, STJ] Legitimidade para cobrar a taxa de ocupação (art. 37-A da Lei nº 9.514/97) A
legitimidade ativa para a ação de cobrança da taxa de ocupação é, nos termos do art. 37-A da Lei nº
9.514/97, do credor fiduciário ou do arrematante do bem dado em garantia fiduciária, a depender do
momento em que proposta a demanda e o período de sua abrangência. Ajuizada a ação de cobrança em
momento anterior à arrematação do bem, é o credor fiduciário o legitimado para a cobrança da taxa
referida. Por outro lado, proposta em momento em que já havida a arrematação, é do arrematante a
legitimidade ativa da ação de cobrança da taxa de ocupação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.622.102-SP, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 15/9/2016

[Informativo 588, STJ] Na ação de busca e apreensão fundada no DL 911/69, o prazo de 15 dias para
resposta deve ser contado a partir da juntada aos autos do mandado de citação cumprido
Importante!!! Atualize seus livros! Em ação de busca e apreensão de bem alienado fiduciariamente, o
termo inicial para a contagem do prazo de 15 dias para o oferecimento de resposta pelo devedor
fiduciante é a data de juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido (e não a data da
execução da medida liminar). O mandado de busca e apreensão/citação veicula, simultaneamente, a
comunicação ao devedor acerca da retomada do bem alienado fiduciariamente e sua citação, daí
decorrendo dois prazos diversos: a) de 5 dias, contados da execução da liminar, para o pagamento da
dívida; e b) de 15 dias, a contar da juntada do mandado aos autos, para o oferecimento de resposta.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.321.052-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/8/2016

RESPONSABILIDADE CIVIL

Provedor deve fornecer porta lógica para identificar usuário acusado de atividade irregular na internet
É obrigatória, por parte dos provedores de conexão e de aplicação, a guarda e apresentação dos dados
relacionados à porta lógica de origem associadas aos endereços IPs. Com a porta lógica de origem é
possível identificar o usuário, mesmo que ele esteja compartilhando um mesmo número de IP na

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internet com outras pessoas. Trata-se, portanto, de dado essencial para o correto funcionamento da
rede e de seus agentes operando sobre ela. Em razão disso, sua guarda é fundamental para a
preservação de possíveis interesses legítimos a serem protegidos em lides judiciais ou em
investigações criminais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.777.769-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/11/2019 (Info 660). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2019/12/info-660-stj.pdf

A prática de sham litigation (litigância simulada) configura ato ilícito de abuso do direito de ação,
podendo gerar indenização por danos morais e materiais Importante!!! O ajuizamento de sucessivas
ações judiciais, desprovidas de fundamentação idônea e intentadas com propósito doloso, pode
configurar ato ilícito de abuso do direito de ação ou de defesa, o denominado assédio processual. STJ.
3ª Turma. REsp 1.817.845-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 10/10/2019 (Info 658). Trata-se daquilo que, nos Estados Unidos, ficou
conhecido como “sham litigation” (litigância simulada), ou seja, a “ação ou conjunto de ações
promovidas junto ao Poder Judiciário, que não possuem embasamento sólido, fundamentado e
potencialidade de sucesso, com o objetivo central e disfarçado de prejudicar algum concorrente direto
do impetrante, causando-lhe danos e dificuldades de ordem financeira, estrutural e reputacional.”
(CORRÊA, Rogério. Você sabe o que é Sham Litigation? Disponível em:
https://sollicita.com.br/Noticia/?p_idNoticia=13665&n=voc%C3%AAsabe-o-que-%C3%A9-sham-
litigation?)

O companheiro que, com seu comportamento, assume o risco de transmissão do vírus HIV à parceira,
deve pagar indenização pelos danos morais e materiais a ela causados Importante!!! O parceiro que
suspeita de sua condição soropositiva, por ter adotado comportamento sabidamente temerário (vida
promíscua, utilização de drogas injetáveis, entre outros), e, mesmo assim, continua normalmente tendo
relações sexuais com sua companheira sem alertá-la para esse fato, assume os riscos de sua conduta e,
se ela for contaminada, responde civilmente pelos danos causados. A negligência, incúria e
imprudência mostram-se evidentes quando o cônjuge/companheiro, ciente de sua possível
contaminação, não realiza o exame de HIV, não informa o parceiro sobre a probabilidade de estar
infectado nem utiliza métodos de prevenção. STJ. 4ª Turma. REsp 1.760.943-MG, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 19/03/2019 (Info 647).

O fato de o condutor do veículo estar embriagado gera uma presunção de que ele é o culpado pelo
acidente de trânsito Importante!!! Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de
acidente de trânsito, presume-se culpado o condutor de veículo automotor que se encontra em estado
de embriaguez, cabendo-lhe o ônus de comprovar a ocorrência de alguma excludente do nexo de
causalidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.954-RO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
26/02/2019 (Info 644).

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As agressões praticadas por jogador contra árbitro de futebol, durante final de importante campeonato
transmitida para todo o país, podem gerar indenização por danos morais Importante!!! Agressões
físicas e verbais perpetradas por jogador profissional contra árbitro de futebol, na ocasião de disputa
de partida de futebol, constituem ato ilícito indenizável na Justiça Comum, independentemente de
eventual punição aplicada na esfera da Justiça Desportiva. Caso concreto: na final do campeonato
paulista de 2015, o jogador do Palmeiras, após ser expulso, empurrou as costas do árbitro e proferiu
xingamentos contra ele. Vale ressaltar que a conclusão acima exposta não é a regra, ou seja, não é toda
agressão em uma partida de futebol que gerará indenização por danos morais. O STJ entendeu, na
situação concreta, que a conduta do jogador transbordou o mínimo socialmente aceitável em partidas
de futebol. Além disso, o evento no qual as agressões foram perpetradas, final do Campeonato Paulista
de Futebol, envolvendo dois dos maiores clubes do Brasil, foi televisionado para todo o país, o que
evidencia sua enorme audiência e, em consequência, o número de pessoas que assistiram o episódio.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.762.786-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/10/2018
(Info 637).

É possível a indenização por danos morais em novo processo judicial em razão de descumprimento de
ordem judicial em processo anterior, mesmo que tenha sido fixada multa cominatória Importante!!! É
cabível o pedido de indenização por danos morais em razão de descumprimento de ordem judicial em
demanda pretérita envolvendo as mesmas partes, na qual foi fixada multa cominatória. A multa
cominatória tem cabimento nas hipóteses de descumprimento de ordens judiciais, sendo fixada com o
objetivo de compelir a parte ao cumprimento daquela obrigação. Por outro lado, a indenização visa a
reparar o abalo moral sofrido em decorrência da verdadeira agressão ou atentado contra a dignidade da
pessoa humana. Encontra justificativa no princípio da efetividade da tutela jurisdicional e na
necessidade de se assegurar o pronto cumprimento das decisões judiciais cominatórias. Considerando,
portanto, que os institutos em questão têm natureza jurídica e finalidades distintas, é possível a
cumulação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.689.074-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 16/10/2018
(Info 636). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2019/01/info-636-stj.pdf
[Informativo 627, STJ] Acidente de carro sem vítimas: danos morais devem ser provados Os danos
decorrentes de acidentes de veículos automotores sem vítimas não caracterizam dano moral in re ipsa.
Vale ressaltar que é possível a condenação de danos morais em casos de acidente de trânsito, no
entanto, trata-se de situação excepcional, sendo necessário que a parte demonstre circunstâncias
peculiares que indiquem o extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp
1.653.413-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 05/06/2018

[Informativo 619, STJ] É possível que o juiz utilize presunções e regras de experiência para a
comprovação do dano moral da pessoa jurídica Não se admite que o dano moral de pessoa jurídica

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seja considerado como in re ipsa, sendo necessária a comprovação nos autos do prejuízo sofrido.
Apesar disso, é possível a utilização de presunções e regras de experiência para a configuração do
dano, mesmo sem prova expressa do prejuízo, o que sempre comportará a possibilidade de
contraprova pela parte ou de reavaliação pelo julgador. Ex: caso a pessoa jurídica tenha sido vítima de
um protesto indevido de cambial, há uma presunção de que ela sofreu danos morais. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.564.955-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/02/2018 (Info 619). Cuidado: existem
julgados em sentido contrário, ou seja, dizendo que pessoa jurídica pode sofrer dano moral in re ipsa.
Nesse sentido: STJ. 4ª Turma. REsp 1327773/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
28/11/2017

[Informativo 614, STJ] A Súmula 403 do STJ não se aplica para divulgação de imagem vinculada a
fato histórico de repercussão social Importante!!! A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de
divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão social. Súmula 403-STJ: Independe
de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins
econômicos ou comerciais. Caso concreto: a TV Record exibiu reportagem sobre o assassinato da atriz
Daniela Perez, tendo realizado, inclusive, uma entrevista com Guilherme de Pádua, condenado pelo
homicídio. Foram exibidas, sem prévia autorização da família, fotos da vítima Daniela. O STJ
entendeu que, como havia relevância nacional na reportagem, não se aplica a Súmula 403 do STJ, não
havendo direito à indenização. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/10/2017

[Informativo 612, STJ] Policial que, fora de suas funções, prende vizinho por conta de xingamentos
sofridos, pratica ato ilícito que gera dano moral in re ipsa A privação da liberdade por policial fora do
exercício de suas funções e com reconhecido excesso na conduta caracteriza dano moral in re ipsa.
Durante uma discussão no condomínio, um morador, que é policial, algemou e prendeu seu vizinho,
após ser por ele ofendido verbalmente. STJ. 3ª Turma. REsp 1.675.015-DF, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 12/9/2017

[Informativo 611, STJ] Demora para ajuizar a ação e quantum dos danos morais A demora da pessoa
em buscar a indenização por dano moral é um fator que, em conjunto com as demais circunstâncias,
pode influenciar na fixação do quantum indenizatório. Esse entendimento, contudo, não se aplica
quando os autores eram menores de idade no momento do ato ilícito e somente ajuizaram a ação
quando completaram a maioridade. Assim, a demora na busca da compensação por dano moral,
quando justificada pela interrupção prescricional da pretensão dos autores – menores à época do
evento danoso – não configura desídia apta a influenciar a fixação do valor indenizatório. Ex: João foi
atropelado por um ônibus e faleceu, deixando dois filhos: Beatriz (4 meses) e Pedro (1 ano). 17 anos
após o acidente, Pedro e Beatriz ajuizaram ação de indenização por danos morais contra a empresa de

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ônibus pela perda de seu pai. O fato de terem esperado completar a maioridade para proporem a ação
não é motivo para que a indenização seja reduzida. STJ. 3ª Turma. REsp 1.529.971-SP, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/9/2017

[Informativo 609, STJ] Ofensas proferidas por Rita Lee contra policiais militares em show geraram
dano moral in re ipsa As ofensas generalizadas proferidas por cantora contra policias militares que
realizavam a segurança do show atingem, de forma individualizada, cada um dos integrantes da
corporação que estavam de serviço no evento e caracterizam dano moral in re ipsa, devendo a artista
indenizar cada um dos policiais que trabalhavam no local. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.524-SE, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/8/2017

[Informativo 609, STJ] Responsabilidade civil por abandono material do pai em relação ao filho
Importante!!! A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo MATERIAL do filho gera
danos morais, passíveis de compensação pecuniária. O descumprimento da obrigação pelo pai, que,
apesar de dispor de recursos, deixa de prestar assistência MATERIAL ao filho, não proporcionando a
este condições dignas de sobrevivência e causando danos à sua integridade física, moral, intelectual e
psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do Código Civil. STJ. 4ª Turma. REsp
1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/6/2017

[Informativo 599, STJ] A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária,
condicional, mitigada e equitativa Os incapazes (ex: filhos menores), quando praticarem atos que
causem prejuízos, terão responsabilidade subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do
art. 928 do CC. Subsidiária: porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para
ressarcir a vítima. Condicional e mitigada: porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do
patrimônio mínimo do infante. Equitativa: tendo em vista que a indenização deverá ser equânime, sem
a privação do mínimo necessário para a sobrevivência digna do incapaz. A responsabilidade dos pais
dos filhos menores será substitutiva, exclusiva e não solidária.
A vítima de um ato ilícito praticado por menor pode propor a ação somente contra o pai do garoto,
não sendo necessário incluir o adolescente no polo passivo Em ação indenizatória decorrente de ato
ilícito, não há litisconsórcio necessário entre o genitor responsável pela reparação (art. 932, I, do CC) e
o menor causador do dano. É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e liberalidade, tendo em
conta que os direitos ou obrigações derivem do mesmo fundamento de fato ou de direito, intente ação
contra ambos – pai e filho –, formando-se um litisconsórcio facultativo e simples. Ex: Lucas, 15 anos
de idade, brincava com a arma de fogo de seu pai e, por imprudência, acabou acertando um tiro em
Vítor, que ficou ferido, mas sobreviveu. Vítor ajuizou ação de indenização por danos morais e
materiais contra João (pai de Lucas). Não era necessário que Vítor propusesse a ação contra João e
Lucas, em litisconsórcio. Vale a pena esclarecer, no entanto, que seria plenamente possível que o autor

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(vítima) tivesse, por sua opção e liberalidade, ajuizado a ação contra ambos (pai e filho). Neste caso,
teríamos uma hipótese de litisconsórcio: facultativo e simples.
Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não
estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta O art. 932 do CC prevê que os pais são
responsáveis pela reparação civil em relação aos atos praticados por seus filhos menores que estiverem
sob sua autoridade e em sua companhia. O art. 932, I do CC, ao se referir à autoridade e companhia
dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder familiar (a autoridade parental não se esgota na
guarda), compreendendo um plexo de deveres, como proteção, cuidado, educação, informação, afeto,
dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e diária, sendo irrelevante a proximidade
física no momento em que os menores venham a causar danos. Em outras palavras, não há como
afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não estava
fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/2/2017 (Info 599). Obs: cuidado com o REsp 1.232.011-SC,
Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/12/2015 (Info 575), precedente em sentido um
pouco diverso envolvendo uma mãe que morava em outra cidade.

[Informativo 598, STJ] Agressões físicas ou verbais praticadas por adulto contra criança geram dano
moral in re ipsa A conduta de um adulto que pratica agressão verbal ou física contra criança ou
adolescente configura elemento caracterizador da espécie do dano moral in re ipsa. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.642.318-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/2/2017

[Informativo 592, STJ] Abuso de direito em ação proposta por terceiro para impedir que mulher
realize aborto Importante!!! Caracteriza abuso de direito ou ação passível de gerar responsabilidade
civil pelos danos causados a impetração do habeas corpus por terceiro com o fim de impedir a
interrupção, deferida judicialmente, de gestação de feto portador de síndrome incompatível com a vida
extrauterina. Caso concreto: uma mulher descobriu que o bebê que ela estava esperando possuía uma
má- formação conhecida como "Síndrome de Body Stalk", que torna inviável a vida extrauterina. Ela
conseguiu uma autorização judicial para interromper a gestação e foi internada com esse objetivo.
Ocorre que um padre descobriu a situação e impetrou um habeas corpus em favor do feto pedindo que
o Poder Judiciário impedisse o aborto. Quando a mulher já estava há três dias no hospital fazendo o
procedimento de aborto, foi deferida a liminar no HC e determinou-se que o procedimento fosse
suspenso e que a gravidez prosseguisse. A mulher teve que voltar para casa. Alguns dias após, nasceu
a criança, mas morreu menos de duas horas depois do parto. STJ. 3ª Turma. REsp 1.467.888-GO, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/10/2016

[Informativo 589, STJ] Legitimidade passiva de sociedade empresária proprietária de semirreboque


em ação de reparação de danos A sociedade empresária proprietária de semirreboque pode figurar no

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polo passivo de ação de reparação de danos ajuizada em decorrência de acidente de trânsito
envolvendo o caminhão trator ao qual se encontrava acoplado. A empresa proprietária de
semirreboque é solidariamente responsável pelos danos causados em acidente envolvendo o caminhão
trator, no qual se encontrava acoplado, devendo, assim, figurar no polo passivo de ação de indenização
em razão dos prejuízos advindos daquele evento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.289.202-RS, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 2/6/2016

DIREITO DE FAMÍLIA

Tema: Ação de exigir contas

[Informativo 622, STJ] Discussão sobre a possibilidade de o filho ajuizar ação de exigir contas em
relação aos valores recebidos pelos pais em nome do menor O pai e a mãe, enquanto no exercício do
poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos (usufruto legal), bem como têm a administração
dos bens dos filhos menores sob sua autoridade, nos termos do art. 1.689, incisos I e II, do Código
Civil. Por essa razão, em regra, não existe o dever de prestar contas acerca dos valores recebidos pelos
pais em nome do menor, durante o exercício do poder familiar. Isso porque há presunção de que as
verbas recebidas tenham sido utilizadas para a manutenção da comunidade familiar, abrangendo o
custeio de alimentação, saúde, vestuário, educação, lazer, entre outros. Excepcionalmente, admite-se o
ajuizamento de ação de prestação de contas pelo filho, sempre que a causa de pedir estiver fundada na
suspeita de abuso de direito no exercício desse poder. Assim, a ação de prestação de contas ajuizada
pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa de pedir estiver relacionada com suposto
abuso do direito ao usufruto legal e à administração dos bens dos filhos. STJ. 3ª Turma. REsp
1.623.098-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/03/2018

Tema: Curatela

O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela, previsto no art. 756, § 1º do
CPC/2015, não é taxativo O motivo que levou o juiz a decretar a curatela pode deixar de existir. Neste
caso, deverá ser ajuizada uma ação para levantamento da curatela. É o que prevê o art. 756 do Código
Civil: Art. 756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a determinou. § 1º O pedido de
levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito, pelo curador ou pelo Ministério Público e será
apensado aos autos da interdição. O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela,
previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo. Exemplo: João foi atropelado por um veículo
conduzido por funcionário da empresa “X”. Em razão das sequelas sofridas, João foi interditado. Em
ação de indenização movida por João contra a empresa, a ré foi condenada a pagar pensão mensal
vitalícia em virtude de, supostamente, o autor não poder mais trabalhar. Passados alguns anos, a

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empresa “X” ajuizou ação de levantamento da curatela em face de João ao fundamento de que há
prova, posterior à sentença de interdição, que atestaria que o interdito não possui mais a enfermidade
que justificou a sua interdição. Por entender que existem elementos probatórios suficientes para
demonstrar que o interdito não possui mais a patologia que resultou em sua interdição, o que poderia
gerar também a cessação da pensão vitalícia, o STJ concluiu que a empresa, mesmo não estando no rol
do art. 756, § 1º do CPC/2015, possui legitimidade para o ajuizamento da ação de levantamento da
curatela. STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.668-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info
640).

Situações nas quais o magistrado deverá decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador O art.
1.783 do CC prevê que se o curador for o cônjuge do curatelado e eles forem casados sob o regime da
comunhão universal, em regra, ele não será obrigado à prestação de contas dos bens administrados
durante a curatela, “salvo determinação judicial” que o obrigue a prestar. O STJ identificou duas
situações nas quais o juiz poderá determinar a prestação de contas. Assim, o magistrado poderá
(deverá) decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador, resguardando o interesse prevalente do
curatelado e a proteção especial do interdito quando: a) houver qualquer indício ou dúvida de
malversação dos bens do incapaz, com a periclitação de prejuízo ou desvio de seu patrimônio, no caso
de bens comuns; e b) se tratarem de bens incomunicáveis, excluídos da comunhão, ressalvadas
situações excepcionais. STJ. 4ª Turma. REsp 1.515.701-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 02/10/2018 (Info 637).

[Informativo 611, STJ] Necessidade de nomear curador especial ao interditando mesmo que o MP
esteja atuando como fiscal da ordem jurídica Nulidade do processo de interdição pela não realização
do interrogatório (entrevista) O CPC/1973 previa que quando a interdição fosse requerida pelo
Ministério Público, o juiz deveria nomear ao interditando curador à lide. Assim, em caso de ação de
interdição proposta pelo MP não havia dúvida, o juiz deveria obrigatoriamente nomear curador à lide
(curador especial). E no caso de ação de interdição proposta por outro legitimado (diferente do MP)?
Nesta situação era necessário nomear curador à lide? 1ª corrente: NÃO. Não seria necessária a
nomeação de curador à lide porque o próprio MP já iria ser o responsável pela defesa dos interesses do
interditando. Nesse sentido: STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.458-PR, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 2/12/2014 (Info 553). 2ª corrente: SIM. A participação do MP como custos legis não supre
a ausência de nomeação de curador à lide. Mesmo a ação tendo sido proposta por outro legitimado,
seria necessária a nomeação de curador à lide. Nesse sentido: STJ. 3ª Turma. REsp 1.686.161-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2017 (Info 611). Com o CPC/2015, não importa, para fins de
curador especial, se a ação foi proposta ou não pelo MP. Se o interditando não apresentar advogado, o
juiz deverá, obrigatoriamente, nomear curador especial mesmo que o autor da ação não tenha sido o
MP e mesmo que o Promotor de Justiça esteja atuando nos autos como fiscal da ordem jurídica. O juiz

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poderá dispensar o interrogatório do interditando (atualmente chamado de “entrevista”) argumentando
que este é desnecessário diante das conclusões do laudo médico? NÃO. A ausência de realização do
interrogatório do interditando (atual “entrevista”) acarreta a nulidade do processo de interdição. O
interrogatório (entrevista) do interditando é medida que garante o contraditório e a ampla defesa de
pessoa que se encontra em presumido estado de vulnerabilidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.686.161-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2017

Tema: Casamento

[Informativo 595, STJ] Regime da separação obrigatória de bens para idosos não se aplica se o
casamento foi precedido de união estável iniciada antes da idade-limite A proteção matrimonial
conferida ao noivo, nos termos do art. 258, parágrafo único, II, do Código Civil de 1916, não se revela
necessária quando o enlace for precedido de longo relacionamento em união estável, que se iniciou
quando os cônjuges não tinham restrição legal à escolha do regime de bens. STJ. 4ª Turma. REsp
1.318.281-PE, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 1/12/2016

Tema: Divórcio

A prova documental é o único meio apto a demonstrar a existência da sociedade de fato entre os sócios
A prova escrita constitui requisito indispensável para a configuração da sociedade de fato perante os
sócios entre si. Caso concreto: Daniel e Alessandra casaram-se sob o regime da separação
convencional de bens. Durante o casamento, Daniel montou um restaurante. Apesar de não ser sócia,
Alessandra trabalhava no restaurante, auxiliando o marido. Quando se divorciaram, Alessandra
ajuizou ação pedindo para ser reconhecida a existência de sociedade de fato (sociedade em comum) no
restaurante, ou seja, que ela fosse tida como sócia de Daniel. O pedido foi negado em razão da
ausência de qualquer prova escrita dessa sociedade de fato. Além disso, também se considerou que não
havia affectio societatis entre as partes e que não restou demonstrado que a mulher praticasse atos de
gestão ou que tivesse assumido os riscos do negócio juntamente com o ex-marido. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.706.812-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 03/09/2019 (Info 656).

Ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que decretou o divórcio, mesmo que um
dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se tornado incapaz Importante!!! A incapacidade
superveniente de uma das partes, após a decretação do divórcio, não tem o condão de alterar a
competência funcional do juízo prevento. Assim, a ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar
no juízo que decretou o divórcio, mesmo que um dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se
tornado incapaz. Não se aplica, no caso a regra do art. 50 do CPC/2015, que prevê a competência do

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domicílio do incapaz (competência territorial especial). Isso porque a competência funcional,
decorrente da acessoriedade entre as ações de divórcio e partilha, possui natureza absoluta. Por outro
lado, a competência territorial especial conferida ao autor incapaz, apesar de ter como efeito o
afastamento das normas gerais previstas no diploma processual, possui natureza relativa. As regras de
competência absoluta preponderam em relação às das de competência relativa. STJ. 2ª Seção. CC
160.329-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/02/2019 (Info 643).

A ação de divórcio não pode, em regra, ser ajuizada por curador provisório Em regra, a ação de
dissolução de vínculo conjugal tem natureza personalíssima, de modo que o legitimado ativo para o
seu ajuizamento é, por excelência, o próprio cônjuge. Excepcionalmente, admite-se que o divórcio seja
proposto pelo curador, na qualidade de representante processual do cônjuge. Justamente por ser
excepcional o ajuizamento da ação de dissolução de vínculo conjugal por terceiro em representação do
cônjuge, deve ser restritiva a interpretação da norma jurídica que indica os representantes processuais
habilitados a fazê-lo, não se admitindo, em regra, o ajuizamento da referida ação por quem possui
apenas a curatela provisória. Assim, em regra, a ação de divórcio não pode ser ajuizada por curador
provisório. Isso pode ser admitido em situações excepcionais, quando houver prévia autorização
judicial e oitiva do Ministério Público. STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.612-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 16/10/2018 (Info 637).

O simples fato de a mulher ter sido revel na ação de divórcio não significa que o pedido de retirada do
patronímico do ex-marido de seu nome tenha que ser deferido Importante!!! A revelia em ação de
divórcio na qual se pretende, também, a exclusão do patronímico adotado por ocasião do casamento
não significa concordância tácita com a modificação do nome civil. Ex: João da Silva Maier casou-se
com Gabriela Ferreira. Gabriela adotou o patronímico de João e passou a se chamar Gabriela Ferreira
Maier. O relacionamento chegou ao fim e João ajuizou ação de divórcio contra Gabriela pedindo: a)
que fosse decretado o divórcio; b) que Gabriela fosse condenada a retirar o patronímico “Maier” de
seu nome. Gabriela foi devidamente citada, mas não respondeu a ação. Correta a decisão do juiz que
julga o pedido parcialmente procedente decretando o divórcio, mas mantendo o sobrenome da ré.
Principais argumentos: • o fato de o réu ter sido revel não significa, necessariamente, que o juiz tenha
que acolher o pedido do autor; • o nome é considerado direito indisponível, tendo em vista ser direito
da personalidade; • para que houvesse a retirada do sobrenome, seria necessária a manifestação
expressa da vontade da mulher; • a utilização do sobrenome do ex-marido por mais de 30 trinta anos
pela ex-mulher demonstra que há tempo ele está incorporado ao nome dela, de modo que não mais se
pode retirá-lo, sem que cause evidente prejuízo para a sua identificação. STJ. 3ª Turma. REsp
1.732.807-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/08/2018 (Info 631).

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No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde
que comprovado o esforço comum para sua aquisição Importante!!! No regime de separação legal de
bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento, desde que comprovado o esforço
comum para sua aquisição. Esse esforço comum não pode ser presumido. Deve ser comprovado. O
regime de separação legal de bens (também chamado de separação obrigatória de bens) é aquele
previsto no art. 1.641 do Código Civil. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro
Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), julgado em 23/05/2018 (recurso
repetitivo) (Info 628).

Mesmo já havendo um acordo homologado sobre a partilha de bens, é possível que seja feito um novo
ajuste posteriormente A coisa julgada material formada em virtude de acordo celebrado por partes
maiores e capazes, versando sobre a partilha de bens imóveis privados e disponíveis e que fora
homologado judicialmente por ocasião de divórcio consensual, não impede que haja um novo acordo
sobre o destino dos referidos bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1.623.475-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 17/04/2018 (Info 624)

[Informativo 610, STJ] A separação judicial continua existindo no ordenamento jurídico mesmo após
a EC 66/2010 Importante!!! A EC 66/2010 não revogou, expressa ou tacitamente, a legislação
ordinária que trata da separação judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.370-SP, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 15/8/2017 (Info 610). STJ. 4ª Turma. REsp 1.247.098-MS, Rel. Min. Maria
Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017 (Info 604).

[Informativo 606, STJ] Em caso de divórcio no qual se pede a desconsideração inversa da


personalidade jurídica, deve-se incluir no polo passivo a pessoa que teria participado do conluio com
o cônjuge A sócia da empresa, cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que teria sido
beneficiada por suposta transferência fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem
legitimidade passiva para integrar a ação de divórcio cumulada com partilha de bens, no bojo da qual
se requereu a declaração de ineficácia do negócio jurídico que teve por propósito transferir a
participação do sócio/ex-marido à sócia remanescente, dias antes da consecução da separação de fato.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.522.142-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/6/2017

[Informativo 604, STJ] SEPARAÇÃO JUDICIAL E DIVÓRCIO A separação judicial continua


existindo no ordenamento jurídico mesmo após a EC 66/2010 A EC 66/2010 não revogou os artigos
do Código Civil que tratam da separação judicial. STJ. 4ª Turma. REsp 1.247.098-MS, Rel. Min.
Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/3/2017

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[Informativo 598, STJ] Ex-cônjuge que está utilizando o bem comum de forma exclusiva poderá ser
condenado a indenizar o outro mesmo que ainda não tenha havido partilha Na separação e no
divórcio, o fato de certo bem comum ainda pertencer indistintamente aos ex-cônjuges, por não ter sido
formalizada a partilha, não representa automático empecilho ao pagamento de indenização pelo uso
exclusivo do bem por um deles, desde que a parte que toca a cada um tenha sido definida por qualquer
meio inequívoco. Ex: João e Maria eram casados e decidiram se divorciar. Maria foi morar com a sua
mãe e João continuou no apartamento que pertence ao casal. Vale mencionar que este é o único bem
que o casal tem a partilhar. O juiz determinou o divórcio e afirmou, na sentença, que o imóvel deveria
ser dividido igualmente entre os dois (50% para cada um dos ex-cônjuges). Apesar disso, a partilha
formal do bem ainda não foi feita. Como a partilha ainda não foi realizada, João continuou morando
no apartamento. Enquanto a partilha não for concretizada, João poderá ser condenado a indenizar
Maria, pagando a ela, mensalmente, a quantia equivalente a 50% do valor arbitrado como sendo o
aluguel deste apartamento onde ele está morando. Isso ocorre para evitar o enriquecimento sem causa
daquele que está utilizando o bem de forma exclusiva. Suponhamos que o juiz entenda que Maria tem
direito à indenização. Ela terá direito de receber as parcelas pretéritas desde quando? O termo inicial
para o ressarcimento deve ser a data da ciência do pedido da parte contrária, ou seja, será a data da
citação (caso seja uma ação proposta unicamente para isso) ou da intimação (caso a indenização seja
requerida em pedido reconvencional feito pelo réu na contestação). O fato de João ter sido condenado
a pagar esta indenização poderá influenciar no valor pago a título de pensão alimentícia? Ele poderá
pedir a revisão do valor da prestação alimentícia? SIM. A indenização pelo uso exclusivo do bem por
parte do alimentante pode influir no valor da prestação de alimentos, pois afeta a renda do obrigado,
devendo as obrigações serem reciprocamente consideradas pelo juiz, sempre atento às peculiaridades
do caso concreto. STJ. 2ª Seção. REsp 1.250.362-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 8/2/2017

[Informativo 597, STJ] Justiça brasileira poderá, em processo de divórcio, dispor sobre a partilha de
bem situado no exterior É possível, em processo de dissolução de casamento em curso no país, que se
disponha sobre direitos patrimoniais decorrentes do regime de bens da sociedade conjugal aqui
estabelecida, ainda que a decisão tenha reflexos sobre bens situados no exterior para efeitos da referida
partilha. STJ. 4ª Turma. REsp 1.552.913-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 8/11/2016

[Informativo 594, STJ] Cotas sociais que serão partilhadas após mancomunhão deverão ser
calculadas no momento efetivo da partilha Verificada a existência de mancomunhão, o pagamento da
expressão patrimonial das cotas societárias à ex-cônjuge, não sócia, deve corresponder ao momento
efetivo da partilha, e não àquele em que estabelecido acordo prévio sobre os bens que fariam parte do
acervo patrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.537.107-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
17/11/2016

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Tema: Guarda compartilhada

[Informativo 599, STJ] É possível a fixação de astreintes para forçar a genitora que está com a
guarda da criança a respeitar o direito de visita do pai É válida a aplicação de astreintes quando o
genitor detentor da guarda da criança descumpre acordo homologado judicialmente sobre o regime de
visitas. A aplicação das astreintes em hipótese de descumprimento do regime de visitas por parte do
genitor, detentor da guarda da criança se mostra como um instrumento eficiente e também, menos
drástico para a criança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.481.531-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em
16/2/2017

[Informativo 595, STJ] Aplicação obrigatória da guarda compartilhada Importante!!! REGRA: o CC


determina que, quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, o juiz deverá
aplicar a guarda compartilhada (art. 1.584, § 2º). EXCEÇÕES: Não será aplicada a guarda
compartilhada se: a) um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor; b)
um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar. O § 2º do art. 1.584 afirma que
“encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar”, será aplicada a guarda
compartilhada. O que significa essa expressão: “genitores aptos a exercer o poder familiar”? Quando o
genitor não estará apto a exercer o poder familiar? A guarda compartilhada somente deixará de ser
aplicada quando houver inaptidão de um dos ascendentes para o exercício do poder familiar, fato que
deverá ser declarado, prévia ou incidentalmente à ação de guarda, por meio de decisão judicial (STJ. 3ª
Turma. REsp 1.629.994-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/12/2016. Info 595). O § 2º do
art. 1.584 somente admite duas exceções em que não será aplicada a guarda compartilhada. A
interpretação desse dispositivo pode ser relativizada? É possível afastar a guarda compartilhada com
base em peculiaridades do caso concreto mesmo que não previstas no § 2º do art. 1.584 do CC? O STJ
está dividido, havendo decisões em ambos os sentidos: 1ª) NÃO. A guarda compartilhada apresenta
força vinculante, devendo ser obrigatoriamente adotada, salvo se um dos genitores não estiver apto a
exercer o poder familiar ou se um deles declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor
(STJ. 3ª Turma. REsp 1626495/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/09/2016). 2ª) SIM. As
peculiaridades do caso concreto podem servir como argumento para que não seja implementada a
guarda compartilhada. Ex: se houver dificuldades geográficas (pai mora em uma cidade e mãe em
outra, distante). Isso porque deve-se atentar para o princípio do melhor interesse dos menores. Assim,
as partes poderão demonstrar a existência de impedimento insuperável ao exercício da guarda
compartilhada, podendo o juiz aceitar mesmo que não expressamente previsto no art. 1.584, § 2º. A
aplicação obrigatória da guarda compartilhada pode ser mitigada se ficar constatado que ela será
prejudicial ao melhor interesse do menor (STJ. 3ª Turma. REsp 1605477/RS, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 21/06/2016). STJ. 3ª Turma. REsp 1.629.994-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 6/12/2016

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Tema: Bem de família

O crédito oriundo de contrato de empreitada para a construção, ainda que parcial, de imóvel
residencial, encontra-se nas exceções legais à impenhorabilidade do bem de família Importante!!! O
crédito oriundo de contrato de empreitada para a construção, ainda que parcial, de imóvel residencial,
encontra-se nas exceções legais à impenhorabilidade do bem de família. Ex: João comprou uma casa
antiga para reformar e passar a morar ali com a família. Ele contratou a empresa FB Engenharia para
fazer a reforma. A empresa terminou o serviço e João passou a residir no local. Ocorre que ele não
pagou as últimas parcelas do contrato com a empresa e ficou devendo R$ 40 mil, materializado em
notas promissórias. O imóvel onde João reside poderá ser penhorado para pagar a dívida, sendo essa
uma exceção à impenhorabilidade do bem de família. Fundamento: art. 3º, II, da Lei nº 8.009/90. Art.
3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: (...) II - pelo titular do crédito decorrente do
financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos
constituídos em função do respectivo contrato; STJ. 4ª Turma. REsp 1.221.372-RS, Rel. Min. Marco
Buzzi, julgado em 15/10/2019 (Info 658).

Os direitos do devedor fiduciante sobre o imóvel objeto do contrato de alienação fiduciária em


garantia podem receber a proteção da impenhorabilidade do bem de família legal Importante!!! Os
direitos do devedor fiduciante sobre imóvel objeto de contrato de alienação fiduciária em garantia
possuem a proteção da impenhorabilidade do bem de família legal. Ex: João fez um contrato de
alienação fiduciária para aquisição de uma casa; ele está morando no imóvel enquanto paga as
prestações; enquanto não terminar de pagar, a casa pertence ao banco; apesar disso, ou seja, a despeito
de possuir apenas a posse, os direitos de João sobre o imóvel não podem ser penhorados porque incide
a proteção do bem de família. STJ. 3ª Turma.REsp 1.677.079-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 25/09/2018 (Info 635).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-635-STJ.pdf

[Informativo 906, STF] Impenhorabilidade do bem de família e contratos de locação comercial


Importante!!! Não é penhorável o bem de família do fiador no caso de contratos de locação comercial.
Em outras palavras, não é possível a penhora de bem de família do fiador em contexto de locação
comercial. STF. 1ª Turma. RE 605709/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Rosa Weber,
julgado em 12/6/2018

[Informativo 627, STJ] Bem de família dado em garantia hipotecária Importante!!! O bem de família
é IMPENHORÁVEL quando for dado em garantia real de dívida por um dos sócios da pessoa jurídica,

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cabendo ao credor o ônus da prova de que o proveito se reverteu à entidade familiar. O bem de família
é PENHORÁVEL quando os únicos sócios da empresa devedora são os titulares do imóvel
hipotecado, sendo ônus dos proprietários a demonstração de que não se beneficiaram dos valores
auferidos. Assim, é possível a penhora de bem de família dado em garantia hipotecária pelo casal
quando os cônjuges forem os únicos sócios da pessoa jurídica devedora. STJ. 2ª Seção. EAREsp
848.498-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 25/04/2018

[Informativo 591, STJ] BEM DE FAMÍLIA Impenhorabilidade do único imóvel comercial do devedor
que esteja alugado Segundo a redação literal da súmula 486-STJ, "é impenhorável o único imóvel
RESIDENCIAL do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja
revertida para a subsistência ou a moradia da sua família." A 2ª Turma do STJ, contudo, ampliou esta
proteção e decidiu que também é impenhorável o único imóvel COMERCIAL do devedor que esteja
alugado quando o valor do aluguel é destinado unicamente ao pagamento de locação residencial por
sua entidade familiar. STJ. 2ª Turma. REsp 1.616.475-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
15/9/2016

Tema: Alimentos

No acordo ficou ajustado que o devedor pagaria a pensão durante certo tempo; passado esse período, o
indivíduo, por mera liberalidade, continuou pagando; isso não significa, contudo, que ele passou a ter
o dever de pagar para sempre a pensão Obrigação alimentar extinta, mas mantida por longo período de
tempo por mera liberalidade do alimentante, não pode ser perpetuada com fundamento no instituto da
surrectio. STJ. 3ª Turma. REsp 1.789.667-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/08/2019 (Info 654).

A genitora do menor alimentando pode prosseguir, em nome próprio, com a execução de alimentos, a
fim de receber os valores referentes aos débitos alimentares vencidos, mesmo após a transferência da
titularidade da guarda da criança para o pai executado?
Importante!!! Atualize o Info 590-STJ A mãe tem legitimidade para prosseguir na execução de pensão
alimentícia proposta à época em que era guardiã do filho menor, ainda que depois disso a guarda tenha
sido transferida ao pai executado? 4ª Turma do STJ: SIM. A genitora que, ao tempo em que exercia a
guarda judicial do filho, representou-o em ação de execução de débitos alimentares possui
legitimidade para prosseguir no processo executivo com intuito de ser ressarcida, ainda que, no curso
da cobrança judicial, a guarda tenha sido transferida ao genitor (executado). STJ. 4ª Turma. REsp
1.410.815-SC, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 9/8/2016 (Info 590). 3ª Turma do STJ: NÃO. A
genitora do alimentando não pode prosseguir na execução de alimentos, em nome próprio, a fim de
perceber os valores referentes aos débitos alimentares vencidos, após a transferência da titularidade da

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guarda do menor ao executado. Não se pode falar em sub-rogação no caso, considerando que o direito
aos alimentos possui caráter personalíssimo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.771.258-SP, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 06/08/2019 (Info 654).

O prazo para a interposição de recurso ordinário em habeas corpus contra decisão do TJ que nega
liberdade para devedor de alimentos é de 5 dias (não é 15 dias) O prazo para interposição de recurso
ordinário em habeas corpus, ainda que se trate de matéria não criminal, continua sendo de 5 dias, nos
termos do art. 30 da Lei nº 8.038/90, não se aplicando à hipótese os arts. 1.003, §5º, e 994, V, do
CPC/2015. Ex: recurso ordinário contra decisão do TJ que negou habeas corpus a indivíduo que se
encontra preso em razão de dívida de alimentos. STJ. 3ª Turma. RHC 109.330-MG, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 09/04/2019 (Info 646)

Somente incidirá correção monetária para atualização do valor da pensão alimentícia combinada no
acordo se isso estiver expressamente previsto no pacto Importante!!! O acordo que estabelece a
obrigação alimentar entre ex-cônjuges possui natureza consensual e, portanto, a incidência de correção
monetária para atualização da obrigação ao longo do tempo deve estar expressamente prevista no
contrato. Os alimentos acordados voluntariamente entre ex-cônjuges, por se encontrarem na esfera de
sua estrita disponibilidade, devem ser considerados como verdadeiro contrato, cuja validade e eficácia
dependem exclusivamente da higidez da manifestação de vontade das partes apostas no acordo. Não
confundir: • acordo de alimentos entre ex-cônjuges não prevê atualização monetária da pensão
alimentícia ao longo do tempo: o valor da obrigação se mantém pelo valor histórico (valor original). •
decisão judicial não prevê atualização monetária da pensão alimentícia: mesmo assim a prestação
deverá ser corrigida, atualizando-se o valor historicamente fixado. Observação: a correção monetária
explicada acima diz respeito à atualização da obrigação original fixada no contrato e paga na data do
vencimento. Não se estava tratando sobre correção monetária de parcelas pagas em atraso. Mesmo que
o contrato não preveja, haverá incidência de correção monetária caso o alimentante pague a pensão
alimentícia após a data do vencimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.705.669-SP, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

É admissível o uso da técnica executiva de desconto em folha de dívida de natureza alimentar ainda
que haja anterior penhora de bens do devedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.733.697-RS, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640)

Súmula 621-STJ: Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento
retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade. STJ. 2ª Seção. Aprovada em
12/12/2018, DJe 17/12/2018.

73
Em ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe
exclusivamente a ele provocar a integração posterior no polo passivo O Código Civil prevê o seguinte:
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar
totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas
obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e,
intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Neste julgado, o
STJ entendeu que este artigo possui natureza jurídica de “litisconsórcio facultativo ulterior simples”.
Trata-se, contudo, de litisconsórcio com uma particularidade: em regra, a sua formação pode ocorrer
não apenas por iniciativa do autor, mas também por provocação do réu ou do Ministério Público. Vale
ressaltar, contudo, uma exceção: se o credor dos alimentos (autor da ação) for menor emancipado,
possuir capacidade processual plena e optar livremente por ajuizar a demanda somente em face do
genitor, não pode o réu provocar o chamamento ao processo da genitora do autor (codevedora). Em
ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe exclusivamente a
ele provocar a integração posterior no polo passivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.715.438-RS, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638).

Não cabe embargos de terceiro para rediscutir sentença de exoneração de alimentos que não garante à
ex-esposa o direito de acrescer Os embargos de terceiro não são cabíveis para o fim de declarar, em
sede de ação de exoneração de alimentos, a natureza familiar da prestação alimentícia, de forma a
alterar a relação jurídica posta e discutida na demanda principal. Ex: João e Maria, ao se divorciarem,
firmaram um acordo por meio do qual João iria pagar 30% de seu salário, a título de alimentos, para
Maria e o filho do casal (Vitor). Quando Vitor completou a maioridade, João propôs ação de
exoneração de alimentos contra ele. O juiz deferiu o pedido e determinou que os descontos fossem
reduzidos pela metade (15%), já que Vitor não seria mais credor de alimentos. Maria opôs embargos
de terceiro contra essa decisão, tendo o STJ considerado um instrumento jurídico inadequado. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.560.093-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 18/09/2018 (Info 634)
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-634-STJ.pdf

O juiz não pode liberar o devedor de alimentos da prisão alegando que ele pagou quase toda a dívida e
que, portanto, deve ser aplicada a teoria do adimplemento substancial Importante!!! A teoria do
adimplemento substancial não tem incidência nos vínculos jurídicos familiares, revelando-se
inadequada para solver controvérsias relacionadas a obrigações de natureza alimentar. STJ. 4ª Turma.
HC 439.973-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em
16/08/2018 (Info 632).

74
É possível a fixação de alimentos em valores ou em percentuais diferentes entre os filhos? Em regra,
não deverá haver diferença no valor ou no percentual dos alimentos destinados a prole, pois se
presume que, em tese, os filhos - indistintamente - possuem as mesmas demandas vitais, tenham as
mesmas condições dignas de sobrevivência e igual acesso às necessidades mais elementares da pessoa
humana. A igualdade entre os filhos, todavia, não tem natureza absoluta e inflexível, de modo que é
admissível a fixação de alimentos em valor ou percentual distinto entre os filhos se demonstrada a
existência de necessidades diferenciadas entre eles ou, ainda, de capacidades contributivas
diferenciadas dos genitores. Exemplo: João possui dois filhos, com mulheres diferentes. Para o filho 1,
paga 20% de seu salário e para o filho 2, 15%. O STJ admitiu que essas pensões sejam em valores
diferentes porque a capacidade financeira da mãe do filho 2 é muito maior do que a genitora do filho
1. STJ. 3ª Turma. REsp 1.624.050/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/06/2018 (Info 628).

Dedução das despesas pagas in natura Importante!!! É possível, em sede de execução de alimentos, a
dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia das despesas pagas "in natura", com
o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel onde residia o
exequente. Vale ressaltar que a regra geral é a incompensabilidade da dívida alimentar (art. 1.707 do
CC) e eventual compensação deve ser analisada caso a caso, devendo-se examinar se houve o
consentimento, ainda que tácito, do credor, e se o pagamento in natura foi destinado, efetivamente, ao
atendimento de necessidade essencial do alimentado e não se configurou como mera liberalidade do
alimentante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.501.992-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
20/03/2018 (Info 624).

[Informativo 621, STJ] É possível a aplicação do art. 528, § 7º do CPC/2015 para execuções
iniciadas na vigência do antigo CPC É possível a aplicação imediata do art. 528, § 7º, do CPC/2015
em execução de alimentos iniciada e processada, em parte, na vigência do CPC/1973. A regra do art.
528, §7º, do CPC/2015, apenas incorpora ao direito positivo o conteúdo da préexistente Súmula
309/STJ, editada na vigência do CPC/1973, tratando-se, assim, de pseudonovidade normativa que não
impede a aplicação imediata da nova legislação processual, como determinam os arts. 14 e 1.046 do
CPC/2015. STJ. 3ª Turma. RHC 92.211-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/02/2018

[Informativo 620, STJ] O valor recebido pelo alimentante (devedor) a título de participação nos
lucros e resultados deve ser incorporado à prestação alimentar devida? Os valores recebidos a título
de “participação nos lucros e resultados” são incluídos no percentual que é devido a título de pensão
alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber participação nos lucros e resultados, o valor da
pensão deverá ser, automaticamente, pago a mais? 1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de
participação nos lucros e resultados não se incorporam à verba alimentar devida ao menor. É a posição
da 3ª Turma do STJ. REsp 1.465.679-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2017 (Info

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615). 2ª corrente: SIM. As parcelas percebidas a título de participação nos lucros configuram
rendimento, devendo integrar a base de cálculo da pensão fixada em percentual, uma vez que o
conceito de rendimentos é amplo, especialmente para fins de cálculo de alimentos. É a corrente
adotada pela 4ª Turma do STJ. AgInt no AREsp 1070204/SE, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 19/09/2017. STJ. 4ª Turma. REsp 1.561.097-RJ, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador
convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/02/2018 (Info 620).

[Informativo 617, STJ] Possibilidade de converter a execução sob o rito da prisão civil promovida em
desfavor dos avós em execução para penhora e expropriação de bens Havendo meios executivos mais
adequados e igualmente eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós, é admissível a
conversão da execução para o rito da penhora e da expropriação, a fim de afastar o decreto prisional
em desfavor dos executados. STJ. 3ª Turma. HC 416.886-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
12/12/2017

[Informativo 615, STJ] O valor recebido pelo alimentante (devedor) a título de participação nos
lucros e resultados deve ser incorporado à prestação alimentar devida? Os valores recebidos a título
de “participação nos lucros e resultados” são incluídos no percentual que é devido a título de pensão
alimentícia? Em suma, toda vez que o devedor receber participação nos lucros e resultados, o valor da
pensão deverá ser, automaticamente, pago a mais? 1ª corrente: NÃO. Os valores recebidos a título de
participação nos lucros e resultados não se incorporam à verba alimentar devida ao menor. É a posição
da 3ª Turma do STJ. REsp 1.465.679-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2017 (Info
615). 2ª corrente: SIM. As parcelas percebidas a título de participação nos lucros configuram
rendimento, devendo integrar a base de cálculo da pensão fixada em percentual, uma vez que o
conceito de rendimentos é amplo, especialmente para fins de cálculo de alimentos. É a corrente
adotada pela 4ª Turma do STJ. AgInt no AREsp 1070204/SE, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 19/09/2017.

Súmula 594-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em
proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do
fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do
Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria
Pública na comarca. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 25/10/2017, DJe 06/11/2017.

Súmula 596-STJ: A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente
se configurando no caso de impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. STJ. 2ª
Seção. Aprovada em 08/10/2017.

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[Informativo 608, STJ] As decisões e sentenças nas ações de alimentos devem ser líquidas Não é
possível, em tutela antecipada deferida na ação revisional de alimentos, a alteração de valor fixo de
pensão alimentícia para um valor ilíquido, correspondente a percentual de rendimentos que virão a ser
apurados no curso do processo. STJ. 3ª Turma.REsp 1.442.975-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 27/6/2017

[Informativo 607, STJ] Termo inicial do prazo prescricional para cumprimento de sentença de
alimentos O prazo prescricional para o cumprimento de sentença que condenou ao pagamento de
verba alimentícia retroativa se inicia tão somente com o trânsito em julgado da decisão que reconheceu
a paternidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.063-AC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 20/6/2017

[Informativo 606, STJ] Ação de alimentos gravídicos não se extingue ou perde seu objeto com o
nascimento da criança A ação de alimentos gravídicos não se extingue ou perde seu objeto com o
nascimento da criança, pois os referidos alimentos ficam convertidos em pensão alimentícia até
eventual ação revisional em que se solicite a exoneração, redução ou majoração de seu valor ou até
mesmo eventual resultado em ação de investigação ou negatória de paternidade. STJ. 3ª Turma. REsp
1.629.423-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 6/6/2017

[Informativo 601, STJ] Se o filho é maior de 18 anos, mas apresenta doença mental incapacitante,
seus pais têm dever de prestar alimentos, sendo a necessidade presumida Importante!!! É presumida a
necessidade de percepção de alimentos do portador de doença mental incapacitante, devendo ser
suprida nos mesmos moldes dos alimentos prestados em razão do poder familiar, independentemente
da maioridade civil do alimentado. STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.323-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 28/3/2017

[Informativo 599, STJ] O devedor de alimentos, executado sob a ameaça de prisão, pode comprovar a
impossibilidade de pagamento por meio de testemunhas? Importante!!! Na execução de alimentos
pelo rito do art. 733 do CPC/1973 (art. 528 do CPC/2015), o executado é intimado pessoalmente para,
em 3 dias: a) pagar o débito; b) provar que o fez (provar que já pagou a dívida); ou c) justificar a
impossibilidade de efetuá-lo (provar que não tem condições de pagar). É possível que o devedor
justifique a impossibilidade de pagar por meio de testemunhas? SIM. Em tese, é possível que isso seja
feito por meio de prova testemunhal. Neste caso, as testemunhas terão que ser ouvidas
obrigatoriamente no prazo de 3 dias. Na execução de alimentos pelo rito do art. 733 do CPC/1973 (art.
528 do CPC/2015), o executado pode comprovar a impossibilidade de pagamento por meio de prova
testemunhal, desde que a oitiva ocorra no tríduo previsto para a justificação. STJ. 3ª Turma. REsp
1.601.338-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. Nancy Andrighi, julgado
em 13/12/2016

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[Informativo 857, STF] Prisão civil não serve para cobrança de débitos pretéritos A prisão por
dívida de natureza alimentícia está ligada ao inadimplemento inescusável de prestação, não alcançando
situação jurídica a revelar cobrança de saldo devedor. A razão de ser da prisão civil é a de compelir o
devedor a pagar quantia voltada à subsistência do alimentando, não podendo ser utilizada para exigir
débitos pretéritos. STF. 1ª Turma. HC 121426/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017

[Informativo 590, STJ] A genitora possui legitimidade para prosseguir na execução de alimentos
proposta na época em que tinha a guarda do filho com o objetivo de ser ressarcida pelas prestações
pretéritas A genitora que, ao tempo em que exercia a guarda judicial do filho, representou-o em ação
de execução de débitos alimentares possui legitimidade para prosseguir no processo executivo com
intuito de ser ressarcida, ainda que, no curso da cobrança judicial, a guarda tenha sido transferida ao
genitor (executado). Ex: João e Maria foram casados e são pais de Lucas. Depois que se separaram,
iniciou-se uma disputa pela guarda do filho. Enquanto não se definia a questão, a guarda foi
provisoriamente deferida para Maria. O juiz determinou que João pagasse pensão alimentícia em favor
do filho. O pai ficou devendo 4 meses de pensão (abril a julho/2015). Em razão disso, Lucas,
representado por Maria, ajuizou execução de alimentos cobrando a quantia. Em novembro de 2015, o
juiz, na sentença, determinou que a guarda de Lucas deveria ficar com o pai, revogando a decisão
interlocutória anterior que havia deferido a guarda em favor de Maria. Mesmo assim, a genitora possui
legitimidade para prosseguir na execução dos débitos alimentares relacionados com a época em que
ela era guardiã do filho. Isso porque ela teve que assumir as despesas com o filho no período em que o
pai não pagou a pensão alimentícia e precisa ser ressarcida. STJ. 4ª Turma. REsp 1.410.815-SC, Rel.
Min. Marco Buzzi, julgado em 9/8/2016

Tema: União Estável

Ao fim de um casamento ou união estável, é possível que o juiz reconheça o direito de visita a animal
de estimação adquirido durante a constância do relacionamento Importante!!! Na dissolução de
entidade familiar, é possível o reconhecimento do direito de visita a animal de estimação adquirido na
constância da união, demonstrada a relação de afeto com o animal. Na dissolução da entidade familiar
em que haja algum conflito em relação ao animal de estimação, independentemente da qualificação
jurídica a ser adotada, a resolução deverá buscar atender, sempre a depender do caso em concreto, aos
fins sociais, atentando para a própria evolução da sociedade, com a proteção do ser humano e do seu
vínculo afetivo com o animal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.713.167-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 19/06/2018 (Info 634). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-634-
STJ.pdf

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[Informativo 616, STJ] Partilha de prêmio da loteria mesmo que se trate de relacionamento regulado
pelo regime da separação obrigatória (art. 1.641, II, do CC) Atenção! Concursos estaduais Se a
pessoa inicia uma união estável possuindo mais de 70 anos, o regime patrimonial que irá regular essa
relação é o da separação obrigatória de bens (art. 1.641, II, do CC). Apesar disso, se, durante essa
relação, um dos companheiros ganhar na loteria, o valor do prêmio integra a massa de bens comuns do
casal (art. 1.660, II, do CC), de forma que pertence a ambos. Assim, havendo dissolução da união
estável, o valor desse prêmio deverá ser partilhado igualmente entre os consortes. Em suma, o prêmio
de loteria, recebido por ex-companheiro septuagenário durante a relação de união estável, deve ser
objeto de meação entre o casal em caso de dissolução do relacionamento. STJ. 4ª Turma. REsp
1.689.152-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017

[Informativo 609, STJ] Em caso de sucessão causa mortis do companheiro deverão ser aplicadas as
mesmas regras da sucessão causa mortis do cônjuge O STF fixou a seguinte tese: No sistema
constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e
companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do
Código Civil. STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral)
(Info 864). O STJ acompanhou o entendimento do Supremo e também decidiu de forma similar: É
inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser
aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002. STJ. 3ª Turma. REsp
1.332.773-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/6/2017

[Informativo 609, STJ] O casal não é obrigado a formular pedido extrajudicial antes de ingressar
com ação judicial pedindo a conversão da união estável em casamento Importante!!! O art. 8º da Lei
nº 9.278/96 prevê a possibilidade de que a conversão da união estável em casamento seja feita pela via
extrajudicial. No entanto, este dispositivo não impõe a obrigatoriedade de que se formule o pedido de
conversão na via administrativa antes de se ingressar com a ação judicial. O art. 8º da Lei nº 9.278/96
deve ser interpretado como sendo uma faculdade das partes. Dessa forma, o ordenamento jurídico
oferece duas opções ao casal: a) pode fazer a conversão extrajudicial, nos termos do art. 8º da Lei
9.278/96; ou b) pode optar pela conversão judicial, conforme preconiza o art. 1.726 do CC. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.685.937-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/8/2017

[Informativo 609, STJ] Partilha dos direitos de concessão de uso para fins de moradia de imóvel
público Na dissolução de união estável, é possível a partilha dos direitos de concessão de uso para
moradia de imóvel público. Ex: João e Maria viviam em união estável.No curso dessa união eles
passaram a residir em uma casa pertencente ao Governo do Distrito Federal sobre o qual receberam a
concessão de uso para fins de moradia. Depois de algum tempo decidem por fim à relação. Deverá

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haver uma partilha sobre os direitos relacionados com a concessão de uso. STJ. 3ª Turma. REsp
1.494.302-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/6/2017

[Informativo 606, STJ] Benefício de previdência privada fechada não entra na partilha em caso de
fim de relação O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de
união estável regida pela comunhão parcial de bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1.477.937-MG, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/4/2017

[Informativo 603, STJ] Imóvel doado por um companheiro para o outro deve ser excluído do
montante partilhável, nos termos do art. 1.659, I, do CC O bem imóvel adquirido a título oneroso na
constância da união estável regida pelo estatuto da comunhão parcial, mas recebido individualmente
por um dos companheiros, através de doação pura e simples realizada pelo outro, deve ser excluído do
monte partilhável, nos termos do art. 1.659, I, do CC/2002: Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I -
os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por
doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; Ex: João e Maria vivem em união estável. Durante
este relacionamento, João comprou um apartamento. Embora adquirido pelo esforço comum do casal,
na constância da união estável, o imóvel foi doado por João, de forma graciosa, à Maria. Isso significa
que, no momento que for feita a dissolução da união estável, este bem não irá integrar o montante
partilhável. João, quando doou o imóvel, o fez quanto à sua metade sobre o bem, que antes pertencia a
ambos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.171.488-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 4/4/2017

[Informativo 864, STF] Em caso de sucessão causa mortis do companheiro deverão ser aplicadas as
mesmas regras da sucessão causa mortis do cônjuge Importante!!! No sistema constitucional vigente,
é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser
aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no artigo 1.829 do Código Civil. STF. Plenário.
RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso e RE 878694/MG, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral)

[Informativo 600, STJ] DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL Prazo para anular partilha de bens em
dissolução de união estável por vício de consentimento é de 4 anos É de 4 anos o prazo de decadência
para anular partilha de bens em dissolução de união estável, por vício de consentimento (coação), nos
termos do art. 178 do Código Civil. Cuidado:  Prazo para anulação da partilha do direito sucessório
(morte): 1 ano.  Prazo para anulação da partilha em caso de divórcio ou dissolução de união estável: 4
anos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.621.610-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 7/2/2017

[Informativo 595, STJ] Contrato de convivência não exige escritura pública Importante!!! É válido,
desde que escrito, o pacto de convivência formulado pelo casal no qual se opta pela adoção da

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regulação patrimonial da futura relação como símil (igual) ao regime de comunhão universal, ainda
que não tenha sido feito por meio de escritura pública. Em outras palavras, um casal que vive (ou
viverá) em união estável pode celebrar contrato de convivência dizendo que aquela relação será regida
por um regime de bens igual ao regime da comunhão universal. Esse contrato, para ser válido, precisa
ser feito por escrito, mas não é necessário que seja realizado por escritura pública. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.459.597-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1/12/2016

[Informativo 588, STJ] Não é possível a partilha de lucros de sociedade empresária quando estes
estão destinados à conta de reserva Algumas vezes, uma empresa apura lucro, mas decide que não irá
distribuí-los aos acionistas, retendo esses lucros com o objetivo de incrementar o seu capital social. O
lucro destinado à conta de reserva, ou seja, que não é distribuído aos sócios, continua pertencendo à
sociedade empresária (e não ao sócio). Em razão disso, essa quantia não será partilhada caso um dos
sócios termine a união estável que mantinha. Em outras palavras, os lucros de sociedade empresária
destinados a sua própria conta de reserva não são partilháveis entre o casal no caso de dissolução de
união estável de sócio. STJ. 3ª Turma. REsp 1.595.775-AP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 9/8/2016

SUCESSÕES

Tema: Direito real de habitação

No CC/1916, o cônjuge viúvo que casasse de novo ou constituísse união estável perdia o direito real
de habitação; no CC/2002, não mais existe essa causa de extinção Se o cônjuge sobrevivente casar
novamente ou constituir uma união estável, ele perderá o direito real de habitação? Ex: João era
casado com Maria. Faleceu, deixando quatro filhos e, como herança, um único apartamento, que
estava em seu nome e onde morava com a esposa. Diante desse cenário, Maria passou a ter direito real
de habitação sobre o imóvel. Suponhamos que 10 anos após a morte de João, Maria passou a viver em
união estável com Pedro. Ela perderá o direito real de habitação sobre o imóvel? • Se a morte do autor
da herança ocorreu na vigência do CC/1916: SIM. A constituição de união estável superveniente à
abertura da sucessão, ocorrida na vigência do Código Civil de 1916, afasta o estado de viuvez previsto
como condição resolutiva do direito real de habitação do cônjuge supérstite. • Se a morte do autor da
herança ocorreu na vigência do CC/2002: NÃO (posição majoritária da doutrina). O Código Civil de
1916 previa que o direito real de habitação seria extinto caso o cônjuge sobrevivente deixasse de ser
viúvo, ou seja, caso se casasse ou iniciasse uma união estável (art. 1.611, § 2º). Como o CC-2002 não
repetiu essa regra, entende-se que houve um silêncio eloquente e que não mais existe causa de
extinção do direito real de habitação em caso de novo casamento ou união estável. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.617.636-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/08/2019 (Info 655).

81
O cônjuge ou companheiro sobrevivente possui direito real de habitação mesmo que seja proprietário
de outros bens Importante!!! O reconhecimento do direito real de habitação, a que se refere o art.
1.831 do Código Civil, não pressupõe a inexistência de outros bens no patrimônio do
cônjuge/companheiro sobrevivente. Em outras palavras, mesmo que o cônjuge ou companheiro
sobrevivente possua outros bens, ele terá direito real de habitação. Isso se justifica porque o objetivo
da lei é permitir que o cônjuge/companheiro sobrevivente permaneça no mesmo imóvel familiar que
residia ao tempo da morte como forma, não apenas de concretizar o direito constitucional à moradia,
mas também por razões de ordem humanitária e social, já que não se pode negar a existência de
vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos cônjuges/companheiros com o imóvel em que, no
transcurso de sua convivência, constituíram não somente residência, mas um lar. STJ. 3ª Turma. REsp
1.582.178-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/09/2018 (Info 633).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-633-STJ-1.pdf

Tema: Inventário

[Informativo 626, STJ] Citação dos herdeiros por correio com aviso de recebimento Tendo sido
declinados na petição inicial todos os dados pessoais indispensáveis à correta identificação dos
herdeiros, inclusive os seus respectivos endereços, devem ser eles citados pessoalmente por carta com
aviso de recebimento, vedada a citação por oficial de justiça (porque comprometeria a duração
razoável do processo). STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.088-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
15/05/2018

[Informativo 625, STJ] Averbação das modificações realizadas em imóveis como condição para o
inventário É legítima a decisão judicial que determina a averbação, no respectivo registro, das
modificações realizadas em bens imóveis submetidos à partilha como condição de procedibilidade da
ação de inventário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.359-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
08/05/2018

Tema: Companheiro
[Informativo 622, STJ] Se o falecido deixou apenas companheira (sem ascendentes ou descendentes),
ela herdará a totalidade da herança Importante!!! Na falta de descendentes e ascendentes, será deferida
a sucessão por inteiro ao cônjuge ou companheiro sobrevivente, não concorrendo com parentes
colaterais do de cujus. STJ. 3ª Turma. REsp 1.357.117-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 13/03/2018

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Tema: Colação
Herdeiro necessário não precisa trazer à colação os valores que ele economizou ao morar
gratuitamente no imóvel do autor da herança enquanto este era vivo É prescindível (dispensável) que o
herdeiro necessário traga à colação o valor correspondente à ocupação e ao uso a título gratuito de
imóvel que pertencia ao autor da herança. Ex: Pedro possuía três filhos (Alberto, Rodrigo e Vanessa).
Enquanto estava vivo, Pedro permitiu que sua filha ficasse morando, gratuitamente, em um
apartamento que estava em seu nome. Pedro faleceu. Vanessa (herdeira necessária) não precisa trazer
à colação o valor dos “alugueis” que ela deixou de pagar pelo fato de ter morado gratuitamente no
imóvel. O art. 2.002 do CC, ao tratar sobre a colação, fala em “doação”, o que não se confunde com
comodato. Da mesma forma, o empréstimo gratuito não pode ser considerado gasto, para os fins do
art. 2.010 do CC, na medida em que o autor da herança nada despendeu em favor da herdeira a fim de
justificar a necessidade de colação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.722.691-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

[Informativo 617, STJ] O cálculo do valor de colação dos bens doados deverá ser feito tendo como
critério o tempo da liberalidade ou da abertura da sucessão? Tema polêmico! Em um caso envolvendo
situação antes do CPC/2015, o STJ decidiu que o valor de colação dos bens doados deverá ser aquele
atribuído ao tempo da liberalidade, corrigido monetariamente até a data da abertura da sucessão.
Aplicou-se aqui a regra do art. 2.004 do Código Civil de 2002. STJ. 4ª Turma. REsp 1.166.568-SP,
Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), julgado em
12/12/2017 (Info 617). O CPC/2015, em seu art. 639, parágrafo único, traz regra diferente do art.
2.004 do CC/2002 e diz que o valor de colação dos bens deverá ser calculado ao tempo da morte do
autor da herança. Confira: Art. 639. No prazo estabelecido no art. 627, o herdeiro obrigado à colação
conferirá por termo nos autos ou por petição à qual o termo se reportará os bens que recebeu ou, se já
não os possuir, trarlhes-á o valor. Parágrafo único. Os bens a serem conferidos na partilha, assim como
as acessões e as benfeitorias que o donatário fez, calcular-se-ão pelo valor que tiverem ao tempo da
abertura da sucessão. Diante disso, não se pode afirmar que a conclusão do STJ no REsp 1.166.568-SP
seria a mesma caso a morte tivesse ocorrido agora, ou seja, sob a vigência do CPC/2015. Isso porque
este diploma é posterior ao CC/2002 e, pelo menos sob o critério cronológico, teria prevalência em
relação ao Código Civil.

Tema: Anulação de adoção


[Informativo 611, STJ] Parente colateral não possui legitimidade ativa para ação pedindo anulação
de adoção realizada pelo seu parente falecido, caso este tenha deixado companheira viva
Importante!!! Parentes colaterais (exs: irmão, tios, sobrinhos) não possuem legitimidade ativa para
ajuizar ação pedindo que se anule a adoção realizada pelo seu parente já falecido, no caso em que o de
cujus deixou cônjuge ou companheira viva. Isso porque tais parentes colaterais não terão direito à

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herança mesmo que se exclua o filho adotivo. Não terão direito à herança porque o art. 1.790 do
Código Civil, que autoriza os colaterais a herdarem em conjunto com a companheira sobrevivente, foi
declarado inconstitucional pelo STF. Logo, em caso de sucessão causa mortis do companheiro,
deverão ser aplicadas as mesmas regras da sucessão causa mortis do cônjuge, regras essas que estão
previstas no art. 1.829 do CC. Em outras palavras, se o indivíduo faleceu deixando uma companheira
(união estável), esta herdará exatamente como se fosse esposa (casamento). Pelas regras do art. 1.829,
se o falecido morreu sem deixar descendentes (filhos, netos etc.) ou ascendentes (pais, avós etc.), a sua
companheira terá direito à totalidade da herança, sem ter que repartir nada com os demais parentes
colaterais (como irmãos, tios, sobrinhos etc.). Ex: João e Maria viviam em união estável. Decidiram
adotar uma criança (Lucas). Logo em seguida, João faleceu. Seus únicos herdeiros eram Maria e
Lucas. Pedro, irmão de João, de olho nos bens deixados pelo falecido, ingressou com ação pedindo a
anulação da adoção de Lucas. Como o art. 1.790 do CC não vale mais, para Pedro, nada muda
juridicamente se conseguir anular a adoção feita por seu irmão. Ele não terá nenhum ganho jurídico
com essa decisão. Dessa forma, se ele não possui interesse jurídico no resultado do processo, ele não
tem legitimidade para propor esta ação de anulação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.337.420-RS, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 22/8/2017

Tema: Testamento
O indivíduo que recebeu um imóvel gravado com cláusula de inalienabilidade pode transferir esse
imóvel por meio de testamento, considerando que a cláusula de inalienabilidade vitalícia dura apenas
enquanto o beneficiário estiver vivo. As cláusulas de inalienabilidade, incomunicabilidade e
impenhorabilidade não tornam nulo o testamento, que dispõe sobre transmissão causa mortis do bem
gravado. STJ. 4ª Turma. REsp 1.641.549-RJ, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em
13/08/2019 (Info 654).

[Informativo 610, STJ] Validade de testamento feito por cego mesmo sem que tenham sido realizadas
duas leituras e ainda que não tenha sido feito o registro da condição de cego no instrumento O art.
1.867 do Código Civil traz as seguintes exigências adicionais no caso de testamento feito por pessoa
cega. Exige-se: a) que o testamento seja público; a) que sejam realizadas duas leituras do testamento
(se não for cego, basta uma); b) que o tabelião declare expressamente no testamento que o testador é
cego. Em um caso concreto, indivíduo cego procurou o tabelionato de notas para fazer um testamento
público. O testamento foi produzido no cartório pelo tabelião. Ocorre que houve apenas uma leitura
em voz alta pelo tabelião na presença do testador e de duas testemunhas. Além disso, não houve
expressa menção no corpo do documento da condição de cego do testador. Apesar disso, o STJ
entendeu que não houve nulidade. O descumprimento de exigência legal para a confecção de
testamento público – segunda leitura e expressa menção no corpo do documento da condição de cego

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– não gera a sua nulidade se mantida a higidez da manifestação de vontade do testador. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.677.931-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/8/2017

Tema: Herança

[Informativo 593, STJ] Pedido de abertura de inventário com a regularização processual por meio de
nomeação de advogado implica aceitação tácita da herança O pedido de abertura de inventário e o
arrolamento de bens, com a regularização processual por meio de nomeação de advogado, implicam a
aceitação tácita da herança. Assim, se depois de constituir advogado e pedir a abertura de inventário, a
pessoa morre, os herdeiros desta não poderão renunciar à herança porque já houve aceitação tácita. A
aceitação da herança (expressa ou tácita) torna definitiva a qualidade de herdeiro, constituindo ato
irrevogável e irretratável. STJ. 3ª Turma. REsp 1.622.331-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 8/11/2016

Tema: Partilha

[Informativo 614, STJ] Dever de prestar contas do cônjuge que ficou na administração dos bens em
mancomunhão Após a separação de fato ou de corpos, o cônjuge que estiver na posse ou na
administração do patrimônio partilhável - seja na condição de administrador provisório, seja na de
inventariante - terá o dever de prestar contas ao ex-consorte. STJ. 4ª Turma. REsp 1.274.639-SP, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 12/09/2017 (Info 614)

[Informativo 592, STJ] AÇÃO DE NULIDADE DE PARTILHA É possível que o herdeiro


testamentário suceda o autor da ação de investigação de paternidade cumulada com nulidade de
partilha Ocorrido o falecimento do autor da ação de investigação de paternidade cumulada com
nulidade da partilha antes da prolação da sentença, sem deixar herdeiros necessários, detém o herdeiro
testamentário, que o sucedeu a título universal, legitimidade e interesse para prosseguir com o feito,
notadamente, pela repercussão patrimonial advinda do potencial reconhecimento do vínculo biológico
do testador. STJ. 3ª Turma. REsp 1.392.314-SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
6/10/2016

Tema: Sucessão

A reserva da quarta parte da herança, prevista no art. 1.832 do Código Civil, não se aplica à hipótese
de concorrência sucessória híbrida Importante!!! A reserva da quarta parte da herança, prevista no art.
1.832 do Código Civil, não se aplica à hipótese de concorrência sucessória híbrida. Concorrência

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sucessória híbrida ocorre quando o cônjuge/companheiro estiver concorrendo com descendentes
comuns e com descendentes exclusivos do falecido. Ex: José faleceu e deixou como herdeiros Paula
(cônjuge) e 5 filhos, sendo 3 filhos também de Paula e 2 de um outro casamento anterior de José.
Paula e cada um dos demais herdeiros receberá 1/6 da herança. Art. 1.832. Em concorrência com os
descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça,
não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com
que concorrer. Assim, essa reserva de um quarto da herança, prevista no art. 1.832 do CC, não se
aplica em caso de concorrência sucessória híbrida. A reserva de, no mínimo, 1/4 da herança em favor
do consorte do falecido ocorrerá apenas quando concorra com seus próprios descendentes (e eles
superem o número de 3). STJ. 3ª Turma. REsp 1.617.650-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 11/06/2019 (Info 651).

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