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DIREITO BANCÁRIO E DOS SEGUROS

UM COMENTÁRIO À LEI 12/15 DE 17 DE JUNHO


LEI DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

Ferreira Matamba António Caetano


Nº 14338
Turma: A
Diurno

O DOCENTE:
Dr. Miguel de Carvalho

LUANDA, 2019
UM COMENTÁRIO À LEI 12/15 DE 17 DE JUNHO
LEI DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

Ferreira Caetano1

Resumo:
O sistema financeiro bancário é composto pela seguinte trilogia: A Banca; as
Seguradoras; e o Mercado Imobiliário. Dentre esses três sectores, a Banca é, de longe, o
que tem mais contacto com os cidadãos no dia-a-dia.
Razão pela qual a presente lei das instituições financeiras bancárias vem trazer regras que
melhor se adequam aos padrões sociais, e sua evolução. Vem fixar regras prudenciais que
evidenciam a importância do sector financeiro como meio de alavancamento da
economia.

Palavras-Chave:
Sistema Financeiro; Instituições Financeiras; Instituições Financeiras Bancárias; Banco
Nacional de Angola; Regulação.

1
Estudante finalista do curso de Direito na Universidade Católica de Angola
INTRODUÇÃO

A Lei 12/15 – das Instituições Financeiras, vem estabelecer o regime jurídico composto
por um conjunto de normas que visam estabelecer, através de regras modernas, um
sistema financeiro mais eficiente e seguro. Nos termos do art.2º, nº 12, define-se as
Instituições Financeiras como sendo «…empresas de direito público ou privado que
exerçam actividade como instituições financeiras bancárias e não bancárias nos termos
da presente lei». Daqui ressalta uma nota importantes O sistema financeiro angolano é
composto por outros entes além das instituições bancárias.
São Instituições bancárias aquelas cuja principal função é receber depósito ou outros
frutos reembolsáveis para os aplicar por conta própria, mediante a concessão de crédito.
1. Princípio da Exclusividade

A actividade de receber depósito do público ou outros fundos reembolsáveis para


utilizar por conta própria, apenas para as Instituições Financeiras Bancárias. Esta
é a regra da exclusividade (art, 9.º). Queira parecer que o legislador financeiro
pretende dar maior segurança ao sistema financeiro angolano através de normas
prudenciais que devem ser respeitadas; e submete-as especialmente às instituições
financeiras bancárias, dada a finalidade específica que elas prosseguem, e não
permite que outros entes exerçam a mesma actividade escapando ao regime
jurídico que lhes são próprias.

2. Requisitos Das Instituições Financeiras Bancárias

As instituições financeiras bancárias, para poderem exercer as suas actividades,


devem cumprir vários requisitos gerais, sem prejuízo de outros previstos em lei
especial, previstos no art. 15º, dos quais cabe destacar essencialmente três:

- Ter um objecto social exclusivo, como previsto no art. 6.º;


- Adoptar a forma de Sociedade Anónima;
- Ter o capital social não inferior ao mínimo legal,

Relativamente ao primeiro requisito, escuso-me de fazer muito mais acréscimos


por ser um ponto já referido acima quando referimo-nos ao Princípio da
Exclusividade senão para referir que este princípio não é ambivalente, i.é, o facto
de afirmarmos que a actividade de receber depósitos ou outros frutos
reembolsáveis, mediante concessão de crédito, não quer dizer que as instituições
financeiras bancárias só possam exercer essa actividade. Elas podem exercer
Outras também que lhes não sejam vetadas por lei especial2. Com assim podemos
afirmar que as Instituições Financeiras bancárias são as instituições financeiras
por excelência, sendo-lhes possível exercer vários tipos de actividades
financeiras.

Quanto à forma jurídica que as Instituições devam adoptar, exige-se que elas
adoptem a forma de Sociedade Anónima. Nos termos da Lei 1/04 – Lei das
Sociedades Comerciais, o tipo societário mais robusto e mais organizado são as
Sociedades Anónimas. Claramente, aqui, vela-se pela segurança das relações
jurídico-financeiras.

2
A título de exemplo basta verificar o art. 3.º do Regulamento do Contrato de Locação Financeira,
aprovado pelo Decreto Presidencial 65/11 que estabelece que “além das Instituições Bancárias” só as
Sociedades de Locação Financeira podem celebrar contratos de Locação Financeira.
Relativamente ao capital social exigido para o exercício da actividade financeira
bancária, mais do que o capital exigido pela lei 1/04, o aviso do BNA nº 02/2018
vem exigir como capital social mínimo um valor de 7.500.000.000, 00 (sete mil e
quinhentos milhões de Kwanzas). Este aviso do BNA veio revogar o anterior que
estabelecia como capital mínimo, o valor de 600.000.000,00. Esta medida do
Banco Central provavelmente foi um mecanismo de o Banco central ter um
melhor controlo das Instituições, garantindo sempre a solvabilidade destas para
responderem a altura das necessidades da clientela.

3. Autorização do órgão competente

Compete ao BNA autorizar o início de actividades das Instituições Financeiras


Bancárias. Para tal, os requerentes devem instruir o processo contendo elementos
como o tipo de actividade a desenvolver, solidez e solvabilidade financeira,
estudos de viabilidade de até, ao menos 5 anos, entre outros.
Neste caso o BNA tem 6 meses para responder ao pedido de autorização. Sendo que,
excepcionalmente, este prazo pode chegar até 12 meses quando tenha pedido informações
que tiver achado conveniente para uma melhor ciência do processo. Mas a autorização
que vier a ser prestada caduca se as partes não iniciarem as actividades no prazo
estipulado por lei.

4. Supervisão (art. 65.º)

Como já está bem patente compete ao BNA supervisionar a actividade das


Instituições Bancárias. Esta supervisão é possibilitada através da publicação de
avisos que vão servir para regular todos os aspectos da actividade das Instituições
Bancárias.

Um facto interessante é a possibilidade que a presente lei vem conceder-nos de


fazermos reclamações, directamente, para o BNA. Temos assim um método
eficiente para o ente regulador receber as (in) satisfações das Instituições
bancárias no exercício das suas actividades.

Exige-se ainda que as Instituições Bancárias, dos seus lucros, encaminhem um


valor não inferior à 10% dos lucros líquidos num determinado exercício para a
formação da Reserva Legal.
A reserva legal que é como se fosse um capital de garantia da sociedade, só pode
ser usada para certos fins, como: suprir prejuízos dos exercícios anteriores; e
incorporação no capital social.3

5. Instituições Financeiras não Bancárias

Nos termos da presente lei temos três tipos e dezasseis subtipos de Instituições
Financeiras não bancárias. Temos os seguintes tipos:

- Instituições Financeiras não Bancárias ligadas a moeda e crédito;


Os seus subtipos são os seguintes:
 Casas de Câmbio;
 Sociedades de Cooperativas de Crédito;
 Sociedades de Cessão Financeira;
 Sociedades de Locação Financeira;
 Sociedades mediadoras dos mercados monetário ou de câmbios;
 Sociedades de Microcrédito;
 Sociedades Operadoras de sistemas de Pagamento;
 Sociedades de garantias de Crédito

- Instituições Financeiras não Bancárias ligadas a Actividade Seguradora e


previdência social;
Os seus subtipos são os seguintes:
 Sociedades Seguradoras e resseguradoras;
 Fundos de pensões e suas sociedades gestoras.

- Instituições Financeiras não Bancárias ligadas a Mercado de Capitais e
Investimento.
Os seus subtipos são os seguintes:
 Sociedades Corretoras de valores mobiliários;
 Sociedades distribuidoras de valores mobiliários
 Sociedades de investimento;
 Sociedades Gestoras de patrimónios
 Entre outras assim qualificadas por lei especial…

3
Cfr. Art. 328.º Da lei 01/04 de 13 de Fevereiro, Lei das Sociedades Comerciais
CONCLUSÃO

De tudo quanto foi exposto, conseguimos chegar às seguintes conclusões:


 As Instituições Financeiras por excelências são as bancárias, por poderem exercer
variadas actividades que os outros entes não podem;

 O regime das Instituições Financeiras Bancárias é o que tem maior


desenvolvimento por parte da lei, sendo que aplica-se subsidiariamente, o seu
regime, às demais Instituições;

 O BNA é o principal ente regulador das Instituições Financeiras Bancárias;

 A medida do BNA em aumentar drasticamente o capital social mínimo de


600.000.000,00 para 7500.000.000,00 foi uma medida drástica para continuar a
garantir a solvência das Instituições e a estabilidade do sistema financeiro
nacional.
LEGISLAÇÃO CONSULTADA

 Lei 12/15 de 17 de junho lei das Instituições Financeiras


 Decreto Presidencial 65/11 que aprova o Regulamento do Contrato de Locação
Financeira
 Lei 01/04 de 13 de Fevereiro, Lei das Sociedades Comerciais