AO ILUSTRÍSSIMO SÍNDICO DO CONDOMINIO FICCOS
BENJAMIN
RICARDO ANTONIO CORREIA DE ARAÚJO, CPF Nº:531.514.024-53,
proprietário da unidade CASA C9 do respectivo condomínio, em virtude da
CARTA DE ADVERTÊNCIA referente ao assunto DESCUMPRIMENTO DAS
NORMAS INTERNAS assim alegadas e recebida em:14/11/2020, vem por
meio desta respeitosamente, apresentar sua:
CONTESTAÇÃO
I - DAS QUESTÕES PRELIMINARES:
Conforme se observa na carta de advertência exarada, da qual vem
destacado in verbis: que é terminantemente proibido: Construção irregular
em área comum - COBERTURA DE TELHA CANAL NA ÁREA DO
QUINTAL, ademais, buscando-se respaldar-se no art. 1.342 do Código Civil de
2002.
Ressalta-se demonstrada com todas as vênias, a controvérsia
manifestada nessa carta de advertência, revelando-se um tremendo
contrassenso, em dissonância com o próprio Código Civil de 2002, que em
seus artigos 1.228, caput e 1.331, descrevem respectivamente os conceitos de
área de uso comum e exclusiva assim descrita:
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da
coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a
possua ou detenha.
Art. 1.331. Pode haver, em edificações, partes que são propriedade
exclusiva, e partes que são propriedade comum dos condôminos.
Em que pese, diante da leitura destes dispositivos, deixa claro o
entendimento, que tanto nos condomínios edilícios ou nos de casas, o objeto
da propriedade exclusiva é a parte privativa, que no caso ora em questão,
relaciona-se ao quintal da unidade C9, NÃO SE TRATANDO DE ÁREA
COMUM. Do mesmo modo, a co-propriedade será exercida sobre as partes de
USO COMUM (terrenos e construções para esses fins), cuja a destinação é
para todos condônimos, na proporção de sua fração ideal.
Maculando desta forma, o entendimento da norma impositiva descrita na
carta de advertência, gerando uma confusão no que concerne de fato a
distinção do que é área exclusiva privativa. Por outro lado, de acordo com a
vertente desse entendimento, o que compõe a área de uso comum? Ou os dois
se misturam? Nesse caso, o quintal em tese, pertencente à área exclusiva da
casa C9, passando a ser de uso comum? Ou exclusivo? Em ultima hipótese,
seria uma servidão!
II - DO MÉRITO:
Em consonância com que está consignado na Convenção Condominial,
não há absolutismo na interpretação das normas convencionais, quando estas
vão de encontro ao seu próprio texto, ou seja, no caso em questão, ao permitir
na época, a COBERTURA DE TELHA CANAL NA ÁREA DO QUINTAL DA
UNIDADE CASA C9, que foi procedida sem nenhuma reclamação, outrossim,
não existindo documento expresso desautorizando ou autorizando, diante da
aquiescência por parte do condomínio, restou caracterizada a ACEITAÇÃO
TÁCITA.
Não nos parece racional muito menos funcional que a posteriori, após
considerável lapso temporal, o condomínio venha exigir o desfazimento do
objeto em questão. Em outras palavras, o próprio Condomínio agiu em
discordância com a própria Convenção Condominial.
Igualmente, não se faz evidente, a necessidade por parte do
condomínio, a DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZOS QUE JUSTIFIQUE O
DESFAZIMENTO da COBERTURA DE TELHA CANAL NA ÁREA DO
QUINTAL DA UNIDADE CASA C9.
Neste sentindo, é consistente o entendimento Jurisprudencial dos
nossos Tribunais, segundo alguns acórdãos listados abaixo:
9ª CÂMARA CÍVEL - APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.711.890- 6, DA 4ª VARA CÍVEL
DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE
MARINGÁAPELANTE: CONDOMÍNIO CENTRO EMPRESARIAL
TRANSAMÉRICA APELADO: EDSON MAURÍCIO DE LIMA RELATOR CONV.:
JUIZ GUILHERME FREDERICO HERNANDES DENZ1APELAÇÃO CÍVEL.
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PRECEITO
COMINATÓ[Link]ÍNIO. OBRA REALIZADA SEM O AVAL DO
SÍNDICO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO DISPOSTO NO REGIMENTO
INTERNO. AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE. OBRA REALIZADA EM ÁREA
DE PROPRIEDADE EXCLUSIVA SEM ALTERAÇÃO DA FACHADA
EXTERNA, NEM COMPROMETIMENTO DA ESTRUTURA DO --1 Em
substituição à Desª. Vilma Régia Ramos de Rezende. Apelação Cível nº
1.711.890-6 CONDOMÍNIO. REFORMA DE [Link]ÃO.
DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO DO SÍNDICO. FIXAÇÃO DE
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS. SENTENÇA
[Link] NÃO PROVIDO. (TJPR - 9ª C.Cível - AC - 1711890-6 -
Região Metropolitana de Maringá - Foro Central de Maringá - Rel.: Juiz
Guilherme Frederico Hernandes Denz - Unânime - J. 09.11.2017).
CONDOMÍNIO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COM PRECEITO
COMINATÓRIO - DEMOLIÇÃO DA OBRA - ALTERAÇÃO DA FACHADA -
AUSÊNCIA – DESCABIMENTO. Não caracterizada alteração da fachada,
ausente os danos estéticos, mudanças na aparência e o comprometimento
visual, incabível a demolição de obra realizada em unidade autônoma.
Rejeição dos Embargos Infringentes” (EI 489.500 - 10ª Câm. - Rel. Juiz
ADAIL MOREIRA - J. 30.9.98).
CONDOMÍNIO - AÇÃO DEMOLITÓRIA - OBRA REALIZADA PELO SÍNDICO
- AUSÊNCIA DE PRÉVIA APROVAÇÃO DE ASSEMBLÉIA - IRRELEVÂNCIA
- INFRINGÊNCIA À LEI MUNICIPAL - NÃO COMPROVAÇÃO –
DESCABIMENTO. Improcede o pedido demolitório se não comprovado que a
obra violava as normas municipais de postura, acarretou chamamento
extraordinário de numerário para seu custeio, ultrapassou limites
orçamentários, importou no embaraço de uso da coisa comum ou na
alteração estrutural da edificação. Exame dos atos do síndico que, ademais,
pode ocorrer a posteriori. Recurso provido” (Ap. c/ Rev. 519.674 - 12ª Câm. -
Rel. Juiz ARANTES THEODORO - J. 28.5.98).
III - REQUERIMENTO:
Pelo exposto, requer:
i) improcedência das alegações cominadas, e;
ii) indeferimento no que concerne a aplicação de qualquer tipo de sanção.
Atenciosamente;