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Manifestações patológicas existentes em construções populares do programa cheque moradia.

dezembro/2015

Manifestações patológicas existentes em construções populares do


programa cheque moradia.
Lucas Silva Fonseca – lucas_fonseca15@hotmail.com
MBA Gerenciamento de obras, tecnologia e Qualidade na construção.
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Goiânia, GO, 20, de julho de 2015.

Resumo
Na construção moderna, agilidade com qualidade são fatores de extrema importância às
construtoras, que se preocupam em realizar o empreendimento em tempos recordes,
adotando-se tecnologias avançadas, mas não levando em consideração um planejamento de
prevenções e manutenções futuras nas edificações, surgindo assim, patologias que
comprometem a estrutura e a estética dos edifícios. Este trabalho apresenta uma revisão
bibliográfica sobre patologias de revestimento, abordando os principais problemas
verificados em edificações, nos sistemas de alvenaria, sistemas de revestimento de
argamassa, revestimento cerâmicas e revestimento de pintura, descrevendo suas principais
manifestações. Para tanto, nos estudos de casos foram realizados levantamentos
quantitativos das principais patologias de revestimento existentes, sendo vistoriados e
registrados, para posterior análise. Além do levantamento foram realizadas sugestões
propostas para minimizar os efeitos de anomalias nas edificações. Foi executado um
levantamento socioeconômico para mostrar se o Programa Cheque moradia realmente tem
como alvo famílias carentes. Por fim, são sugeridos temas relacionados com o estudo em
questão para futuras análises cientificas.

Palavra-Chave: Patologias em edificações, Programa Cheque Moradia, Levantamento


socioeconômico.

1. INTRODUÇÃO
Com o desenvolvimento da construção civil, o problema da patologia nas edificações
vai ficando mais evidente. Apesar do avanço tecnológico os problemas nas construções não
param de surgir (MACIEL, 1998).
A durabilidade e a consequente previsão da vida útil das estruturas de concreto
armado estão sendo objeto de muitas pesquisas em diversas instituições, tanto no Brasil como
no exterior. Estudos indicam que os problemas patológicos ocorrem na maioria das vezes por
falhas em projeto e planejamento em edificações, além do mau uso da moradia (LIMA,
2009).
Assim, para que seja garantida a qualidade das estruturas, entre outros aspectos, deve-
se melhorar a concepção e a representação gráfica dos projetos e estabelecer um programa de
inspeção periódica. Um programa eficiente de inspeção/manutenção periódica garante a

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/ 2015 dezembro/2015
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durabilidade das edificações e permite estabelecer prioridades para as ações necessárias ao


cumprimento da vida útil prevista (LIMA, 2009).
É necessário também que as patologias sejam evitadas depois das construções prontas,
pois muitas das vezes o mau uso da moradia provoca muitas consequências, desagradáveis no
dia-a-dia, proporcionando assim o ambiente doméstico algo incômodo e não um refúgio de
descanso e paz (MACIEL, 1998).
Esta pesquisa tem como objetivo geral realizar um levantamento das patologias
encontradas nas construções do residencial em estudo.

2. DEFINIÇÃO CHEQUE MORADIA

De acordo com a LEI N. 14.542 (2003) o programa é de caráter eminentemente social


e foi criado para possibilitar às famílias, com renda de até três salários mínimos, construir,
ampliar e/ou reformar suas casas, ficando a mão-de-obra sob a responsabilidade do
beneficiário.
Tem por finalidade responder ao grave problema do déficit e da inadequação
habitacional em que se encontram os estados brasileiros hoje, tendo sido, portanto o
instrumento utilizado exclusivamente para a aquisição de materiais de construção, com
fornecedores legalmente estabelecidos no Estado, como forma de saldar o Imposto sobre
circulação de mercadorias e prestação de serviço (LEI N. 14.542, 2003).
O processo de seleção dos beneficiados é feito através de critérios sociais e técnicos.
Depois de selecionada, a família recebe o crédito, que é entregue em forma de cheques
previamente preenchidos (LEI N. 14.542, 2003). .

CONDIÇÕES PARA USUFRUIR DO CHEQUE MORADIA

 Ter família constituída com no mínimo dois integrantes.


 Não possuir outro imóvel.
 Não ter sido beneficiado com doação de moradia em outro programa
municipal, estadual ou federal.
 Ser maior de 18 anos ou emancipado.

Assim como qualquer programa habitacional, o Cheque Moradia exige que as pessoas
interessadas em usufruir do programa atendam essas condições, com o propósito de fazer
com que este atinja seu objetivo que é diminuir os efeitos da pobreza e a desigualdade social
(LEI N. 14.542, 2003).

CONDIÇÕES DE SUBSÍDIOS

O subsídio concedido terá o seu valor expresso no Cheque Moradia, emitido em


nome das pessoas físicas ou jurídicas beneficiárias, em valor único, permitido o seu
fracionamento em parcelas que podem variar de R$ 10,00 (dez reais) a R$ 5.000,00 (cinco
mil reais) por folha do cheque (LEI N. 14.542, 2003).
Para concessão do subsídio as pessoas beneficiárias do Programa Habitacional
observar-se-ão as seguintes regras e valores de acordo com a LEI N. 14.542 (2003).
Para as famílias com renda mensal de até três salários-mínimos e aos servidores
públicos civis e militares, da ativa, exceto comissionados e temporários, cuja renda mensal
seja de até 6 (seis) salários-mínimos
 Na construção de unidade habitacional o subsídio será de até R$ 5.000,00
(cinco mil reais).
2

 Na construção ou implantação de redes de energia elétrica ou de distribuição


de água potável e reservatório desta, para atendimento de unidade
habitacional, o subsídio será de até R$ 600,00 (seiscentos reais).
 Na reforma ou ampliação de unidade habitacional o subsídio será de até R$
1.500,00 (um mil e quinhentos reais) por serviço, permitindo-se a soma de
serviços até o limite máximo de R$ 3.000,00 (três mil reais).
Para obras executadas por pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de
direito privado sem fins lucrativos e de interesse social
 Construção, reforma ou ampliação de unidades habitacionais, incluindo-se a
construção de redes de energia elétrica e de distribuição de água potável e
reservatório, o subsídio será de até R$ 20.000,00 (vinte mil reais) e R$
8.000,00 (oito mil reais), respectivamente.
 Construção, reforma ou ampliação de centros comunitários de atividades
múltiplas, creches, escolas, áreas de recreação e praças de esportes o subsídio
será de até R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) e R$ 12.000,00 (doze mil reais),
respectivamente.
 Reforma ou recuperação de imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico e
Cultural o subsídio será de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) e R$
16.000,00 (dezesseis mil reais), respectivamente.

2. MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS
2.1 PATOLOGIAS EM REVESTIMENTO DE ARGAMASSA

2.1.1 Fissuras

A fissuração em revestimentos de argamassa é, sem dúvida, uma das patologias que


mais podem causar desconforto e prejuízo econômico aos usuários. Até o momento é precário
o domínio técnico sobre as causas que intervêm nessa patologia e suas conseqüências na
durabilidade das vedações, não havendo sequer critérios que estabeleçam limites de
fissuração para a aceitação de revestimentos, em rotinas de controle deste serviço (MACIEL,
1998).

2.1.2 Retração

A retração é um fenômeno que ocorre pela diminuição do volume da argamassa


quando da perda de água para o substrato por sucção, por evaporação ou pela reação química
dos componentes do cimento e da cal. Vários são os fatores que influenciam na retração tais
como: tipos de aglomerantes, temperatura, incidência do sol, umidade relativa do ar,
velocidade do vento, etc.

2.1.3 Eflorescência

Segundo Verçoza (1987) eflorescência é a ocorrência de depósitos salinos causados


por sais de cálcio, de sódio, de potássio, de magnésio ou de ferro, formados na superfície dos
materiais de construção. Essas cristalizações fazem com que o sal aumente de volume
podendo assim deteriorar a superfície em questão.
3

Figura 1: Manchas de aspecto nuvem.


Fonte: Uemoto (1988)

2.1 PATOLOGIA EM REVESTIMENTOS CERÂMICOS

2.1.1 Gretamentos

O gretamento das peças cerâmicas se manifesta pela aparência de abertura liniformes,


ou seja, abertura pouco profunda sem causar a divisão da peça, sobre a superfície da placa,
geralmente originada por variações dimensionais desta peça, seja por variação térmica ou
higroscópica (CAMPANTE E BAIA, 2003).
Campante e Baia (2003) indicam que esta patologia ocorre pela perda da integridade
da superfície da peça cerâmica, que pode ficar limitada a um defeito estético ou evoluir para
um descolamento, em caso de trincas. A Figura 3.5 mostra este processe.
As causas listadas por Campante (2003) são: dilatação e retração das placas
cerâmicas, deformação estrutural excessiva, ausência de detalhes construtivos ou pela
retração da argamassa de fixação.

Figura 2 : Gretamento
Fonte: revista Téchne Ed. 96
4

2.1.2 Destacamentos

Os destacamentos são caracterizados pela perda de aderência das placas cerâmicas do


substrato, ou da argamassa colante, quando as tensões surgidas no revestimento cerâmico
ultrapassam a capacidade de aderência das ligações entre a placa cerâmica e argamassa
colante e/ou emboço. Devido a probabilidade de acidentes envolvendo os usuários e os custos
para seu reparo, esta patologia e considerada a mais seria (ANGELIM, 2009).

Figura 3: Destacamento
Fonte: Autor (2009)

2.2 PATOLOGIA DOS SISTEMAS DE ALVENARIA

2.2.1 Relação alvenaria com estrutura

A alvenaria tem uma rigidez significante que proporciona uma baixa deformabilidade
da mesma, e quando a estrutura tende a deformar, encontra um corpo rígido (alvenaria) que
reage, originando tensões e um novo carregamento à estrutura de sentido contrário a que ela
aplicou na alvenaria. (SABBATINI, 1998).
Segundo o mesmo autor, é aconselhável a substituição do ferro-cabelo por uma tela
metálica, podendo assim obter um encurvamento da mesma constituindo uma espécie de
mola, absorvendo bem os esforços providos da dilatação e retração da alvenaria, garantindo
uma boa ancoragem mecânica e estabilidade lateral, mas observando sempre a não utilização
de telas não galvanizadas devido à ocorrência de possíveis corrosões desse reforço.

2.2.2 Usos de vergas e contravergas

Nas regiões localizadas entre aberturas de portas e janelas, ocorre acentuadas


concentrações de tensões de compressão, ocasionando fissuramento nessas regiões. Sendo
combatidos esses acúmulos de tensões através da construção de vergas e contravergas. Essas
fissuras nos contornos dos vãos podem assumir diversas configurações devido a fatores como
magnitude das tensões, dimensões das aberturas e dimensão do painel de alvenaria (BAUER,
1999). Situação detalhada nas Figuras 3.9 e 3.10.
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Figura 4: Fissuramento em aberturas de portas e janelas.


Fonte: construtora Andrade Junior (2011)

De acordo com Bauer (1999) as vergas e contravergas deverão avançar de 30 a 40 cm


após o vão das aberturas, e ter altura mínima de 10 cm, a fim de distribuir a concentração de
tensões localizada. Caso exista muitas aberturas em proximidade é recomendável uma única
verga sobre todas elas.

2.3 PATOLOGIAS DOS SISTEMAS DE REVESTIMENTOS EM PINTURA

As pinturas são elementos construtivos mais afetados por patologia em face de que,
além de seus próprios problemas, outras imperfeições na argamassa, na alvenaria ou na
estrutura afetam ligeiramente sua película prejudicando o aspecto estético (CONSOLI, 2006).

2.3.1 Desbotamento

O desbotamento ocorre devido a incidência da radiação solar, descorando o pigmento


presente nas tintas, especialmente os de origem orgânica. A luz solar pode fazer com que
certos pigmentos degradem e as resinas fiquem quebradiças perdendo suas propriedades.
Portanto, deve-se especificar tintas para fachadas à base de pigmentos resistentes aos efeitos
da radiação ultravioleta. (UEMOTO, 1988).

2.3.2 Pulverulência

A pulverulência consiste na patologia em que a superfície se encontra em estado de


pó. Isto acontece devido vários fatores como a aplicação de tinta em substrato muito poroso
em que o veículo da tinta é toda absorvida ficando apenas os pigmentos e cargas na forma de
pó, com fácil remoção. (UEMOTO, 1988).

2.3.3 Calcinação

A calcinação, como mostra a figura 3.11, são manchas esbranquiçadas ou foscas que
aparecem nas superfícies pintadas e provocam a deterioração da pintura com pulverulência
superficial, podendo ser identificada pela presença de um pó branco na superfície. Tal
patologia ocorre devido o desprendimento das cargas e partículas do pigmento e, em tintas
brancas e pastéis, devido a falta do pigmento dióxido de titânio. (UEMOTO, 1988).
6

2.3.4 Manchas de mofo ou bolor

Segundo Conti (2009) as chuvas quando incidem sobre materiais porosos como tijolo,
argamassa e concreto podem ser absorvidas, não escorrendo pela superfície. Uma vez
aprisionada no interior do substrato a água permanece por longo período devido a baixa
velocidade de evaporação da umidade penetrada no substrato, causando a formação de
manchas na película.

2.3.5 Saponificação

As Tintas mais ácidas à base de óleo e os materiais alquídicos não devem ser
aplicados em meios básicos e alcalinos como substratos de argamassa e reboco com cal, sem
antes aplicar fundo selador para isolar a alcalinidade. A aplicação direta acarreta na patologia
denominada saponificação. (CONTI, 2009).

2.3.6 Bolhas

As bolhas ou fervuras como mostra a figura 3.14, ocorrem devido a presença de água
sob a película. Isto acontece principalmente quando se aplica tintas impermeáveis em
substratos mal curados ou com umidade ou quando se utiliza tinta com baixa resistência a
tinta a óleo em substratos de elevada alcalinidade. A formação de bolhas também pode
acontecer quando uma nova tinta aplicada umedece a película de tinta anterior, causando sua
expansão. No caso de texturas, a formação de bolhas acontece, principalmente, devido à
baixa permeabilidade da camada de proteção e acabamento e na falta do aditivo
antiespumante (SUVINIL, 2010).

2.3.7 Desagregação

Patologia caracterizada pela destruição da pintura que se esfarela, destacando-se da


superfície juntamente com partes do substrato (detalhe na figura 3.15). Normalmente, a
origem do desagregamento está na aplicação da tinta/textura, antes da cura do reboco ou em
um problema do substrato que se manifesta na pintura. (NETO, 2007)

3. ESTUDO DE CASO
Foi realizado levantamento de campo (inspeção) das principais manifestações
patológicas de revestimento, sendo transcrito os problemas encontrados, os quais afetam a
estética do ambiente, e interferem na qualidade de vida do morador. O estudo de caso foi
realizado em 100 casas, em um total de 20 quadras. Sabendo que em cada quadra há 20 casas
a amostragem foi de 25% das casas. Levantamento feito no período entre 02 de agosto a 03
de setembro de 2011, em um dos residenciais do Programa Cheque Moradia.

3.1 Patologias dos sistemas de alvenaria

a) Fissuração da Alvenaria
Observou-se a ocorrência de fissuras e trincas nos muros construídos, conforme figura
4.1. Não realizou-se os cuidados adequados na compactação do solo em que o muro foi
executado, fazendo com que houvesse recalques que comprometem totalmente o muro.
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Conforme citado no item 3.3, o muro deve ser refeito completamente, devendo ser feito a
devida preparação do aterro.

Figura 5 - Fissuras na alvenaria

b) Vergas e Contravergas
Encontradas nos cantos superiores de abertura de janelas e portas, região onde existe
um acúmulo de tensões como citado em 3.3. Destaca-se então a necessidade de previsão
durante a execução, de vergas (elemento estrutural localizado sobre o vão) e contravergas
(reforço colocado sob a abertura). A ausência ou execução deficiente de vergas e
contravergas explica a presença dessas fissuras conforme mostra Figura 4.2, que se tornam
um meio de ingresso de umidade para o interior da parede, ocasionando manchas, mofo e até
o destacamento da pintura de superfície das paredes.

3.2 Patologia dos sistemas de revestimento de argamassa

a) Descolamento da argamassa

Percebe-se a presença de descolamento da argamassa, localizado com maior


intensidade nas regiões inferiores das paredes, conforme mostra a Figura 4.3, onde não
foram tomadas as devidas providências durante a execução, escolhendo materiais de baixa
qualidade, alto teor de materiais pulverulentos, agravando o aparecimento desse tipo de
patologia.
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Figura 6- Descolamento da argamassa

b) Fissuras na Argamassa
Foram detectados fissuras na argamassa, localizadas principalmente nas regiões
centrais das paredes, nas calçadas, no piso e nas bancadas de lavar roupa, conforme
apresentam as Figuras 4.4 e 4.5. Suas aberturas podem contribuir para a entrada de umidade,
evoluindo-se para a ocorrência de outras patologias se não tomados os cuidados de
recuperação.

Figura 7- Fissuras na argamassa


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Figura 8- Rachaduras no piso

Patologias em revestimentos cerâmicos

a) Trincas, Gretamento e Fissuras


Existem trincas e fissuras nos revestimentos cerâmicos, conforme exposto na Figura
4.6, sendo por retração do componente cerâmico ou por umidade do ambiente. Locais com
essas patologias podem contribuir para o acúmulo de sujeiras, bactérias, e é considerada zona
de perigo de acidentes a moradores inabilitados, ou incapazes de locomover-se perfeitamente.

Figura 9- Trincas no revestimento cerâmico

b) Problemas com as Juntas de Assentamento


Em 7 banheiros não foram tomados as devidas preocupação com o rejunte, não
preenchendo totalmente as juntas dos revestimentos cerâmicos, conforme mostra a Figura
4.7. Como nesse ambiente existe um índice de umidade muito elevado, a água percorre entre
os espaçamentos não preenchidos com rejunte, infiltrando-se na parede, auxiliando para o
surgimento de outras patologias.
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Figura 10- Juntas executadas incorretamente

c) Destacamento
Em raras situações foram encontradas cerâmicas destacando-se, todos os casos foram
encontrados nos banheiros, únicos lugares onde havia revestimento cerâmico. O
destacamento foi provocado pela excessiva dilatação higroscópica do mesmo.

Patologias dos sistemas de revestimento de pintura

a) Bolor ou Mofo
Foi encontrada a presença de bolor ou mofo, existente principalmente das regiões
superiores das paredes, nos tetos e nas áreas externas perto da fossa, conforme mostra a
Figura 4.8. Apresentando uma região de proliferação e acúmulo de microorganismos
(fungos).

Figura 11- Bolor ou Mofo


b) Saponificação
Em muitas paredes da cozinha foi detectada a presença de saponificação, localizadas
nas regiões inferiores das paredes. Esse tipo de patologia se não tratada pode evoluir para o
desagregamento do reboco, afetando a estética do ambiente (Figura 4.9).
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Figura 12- Saponificação

ANÁLISE DOS DADOS

Em uma amostragem de 194 quantidades de patologias encontradas e relatada na


tabela abaixo a fim de identificar os quantitativos gerais das patologias nos ambientes e sendo
analisadas graficamente as patologias específicas em um contexto geral.
RESIDENCIAL REAL CONQUISTA
N° casas= 100
PATOLOGIA PATOLOGIA DE
PATOLOGIA EM PATOLOGIA DE
DE REVESTIMENTO
ARGAMASSAS PINTURA
ALVENARIA CERAMICO
AMBIENTE TOTAL

DESAGREGAMENTO DA
DESCOLAMENTO DA

PEÇAS CERAMICAS

BOLOR OU MOFO
DESTACAMENTO

SAPONIFICAÇÃO
ASSENTAMENTO
GRETAMENTO E
CONTRAVERGA
LOCAL

FISSURAS DA
ARGAMASSA

ARGAMASSA
ALVENARIA
FISSURA DA

JUNTA DE
FISSURAS

PINTURA
VERGA E

TRINCAS

Sala 35 3 6 5 8 0 0 0 0 8 5
Quartos 3 0 0 2 0 0 0 0 0 0 1
Banheiro 42 0 0 0 3 10 2 7 8 4 8
Área de
114 25 0 6 32 0 0 0 35 7 9
Serviço
TOTAL 194 28 6 13 43 10 2 7 43 19 23
Tabela 1- Quantitativos de patologias por ambientes
Fonte: Autoria própria
12

ANÁLISE GERAL DE PATOLOGIAS

17%
ALVENARIA
44% ARGAMASSA
CERÂMICO
29%
PINTURA

10%

Gráfico 1- Análise Geral


Fonte: Autor

SOLUÇÕES PROPOSTAS

Para solucionar os problemas construtivos estudados, segue abaixo algumas técnicas


práticas e eficientes, a fim de minimizar ou ate mesmo extinguir tais patologias. Para sua
melhor execução, é recomendável a utilização das orientações da norma NBR 15.575 (2010),
que se trata de desempenho das edificações, e tem como objetivo atender as necessidades dos
usuários da edificação, dentro de determinadas condições de exposição, ao longo de uma vida
útil de projeto e no contexto do ambiente regulatório, econômico e social brasileiro. Esta
norma é uma ferramenta para o usuário estabelecer programas de manutenção corretiva e
preventiva.

i. Patologia nas alvenarias:

a) Fissuras na alvenaria
Quando as fissuras ocorrerem na interface da estrutura com a alvenaria utiliza-se a tela
galvanizada na etapa anterior da argamassa, com transpasse 30 cm de cada lado da junta, sendo
fixada com grampos deixando-a bem firme.
b) Ausência de Verga e Contra verga
A solução encontrada para se resolver definitivamente o problema de fissuras nas
aberturas de janelas e portas, baseia-se na inserção de contravergas pré-moldadas de concreto
armado, devendo ter um transpasse de pelo menos 40 cm da extremidade das janelas ou
portas, conforme mostra a Figura 5.1.
13

Figura 13 Esquema de recuperação de fissuras


Fonte: Autor

1.1.1 Patologia no revestimento de argamassa:

a) Descolamento da Argamassa
Deve-se fazer a retirada de todo o revestimento que se encontra descolado do
substrato, fazer uma limpeza do local, retirando materiais pulverulentos que impossibilita a
aderência da argamassa, e utilizar cimento pozolânico, pois proporciona ao cimento maior
resistência a meios agressivos, diminui a segregação dos agregados.
b) Fissuração da Argamassa
Para este caso estas devem ser abertas ao longo de seu comprimento, para que fique
em forma de “V”, existe ferramenta com ponteira metálica própria para este serviço. A trinca
deve ser preenchida com selante flexível à base de poliuretano, silicone, resina acrílica, etc.

ii. Revestimento Cerâmico

a) Trincas, Gretamento e Fissuras


Devem-se remover todas as peças cerâmicas danificadas, e na sua substituição
analisar a existência de elementos construtivos corretamente (Junta de assentamento), e
também a utilização de argamassa colante adequada para o tipo de piso.
b) Destacamento do revestimento cerâmico
Observou-se a presença de destacamento somente em alguns banheiros, e devem ser
removidas todas as peças cerâmicas soltas, realizar uma limpeza do local, retirando todas as
sujeiras existentes e a recolocação das peças.
c) Problemas com as juntas de assentamento
Existe a presença de juntas de assentamento sem o preenchimento de rejunte, que
possibilita a entrada de umidade podendo danificar as peças cerâmicas. Deve-se fazer o
rejuntamento dos mesmos.

iii. Revestimento de Pintura

a) Bolor ou Mofo
A abordagem da solução proposta foi abordada no item 2.4.1.
b) Saponificação
A abordagem da solução proposta foi abordada no item 2.4.2.
c) Desagregamento da Pintura
A abordagem da solução proposta foi abordada no item 2.4.4.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise visual das patologias da construção é importante para o conhecimento de


quais patologias são encontrados no residencial em estudo. Mediante a avaliação das
manifestações patológicas levantadas, torna-se possível definir suas intervenções, conhecer
os mecanismos de como os fenômenos surgem e o modo como eles se apresentam.
Como foi mostrado no levantamento feito no residencial do Programa Cheque
Moradia, alguns tipos de patologias como fissuras nas argamassas do piso, na moradia, se
tornam preocupantes pois são fissuras que possuem tendência a aumentar, causando maior
desconforto visual e, chegando a comprometer toda a estrutura da casa.
A pintura teve a maior incidência de patologias, predominando em todas as moradias
estudadas, e mesmo sendo de fácil reparo, representa 44% em comparação com as outras, e
entre elas o bolor ou mofo apresentou maior porcentagem de ocorrência com 51% de todas as
patologias de pintura.
Defeitos na impermeabilização são um dos principais fatores para o surgimento de
patologias, visando que as maiorias dos defeitos encontrados surgem apartir da existência de
infiltrações. Assim a prevenção, será normalmente a forma mais econômica de minimizar as
conseqüências de patologias construtivas, observando as normatizações de desempenho da
edificação, conforme especifica a NBR 15575 (ABNT 2010), equacionando-se meios de
monitoração para realização de inspeções periódicas, no intuito de avaliar o desempenho dos
elementos em condições de serviço.
A existência de uma equipe técnica operacional, atuando diretamente na manutenção e
na prevenção de patologias, reduz esses índices de forma satisfatória, salientando que essa
proposta já vem sendo discutida entre os moradores.
Este trabalho abre novos horizontes para o desenvolvimento de futuros trabalhos
científico, entre os quais:
- Analisar se as patologias construtivas influenciam na evolução de microorganismos;
- Empregar um processo de padronização de vistorias técnicas, criando um arquivo
histórico das edificações, facilitando o gerenciamento de manutenção, programação
de reparos, avaliação histórico das degradações e seu ciclo de vida;
- Fazer uma estimativa de evolução das patologias construtivas em idades futuras.
- Verificar a resposta patológica em construções executadas com outras formas de
benefícios, como o Programa Minha Casa Minha Vida.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
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UEMOTO, K. L. A Pintura na manutenção de edifícios; Tecnologia de Edificações. São


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VERÇOZA, E. J. Impermeabilização na Construção. Porto Alegre: SAGRA, 1987.

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