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Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Índice 1. O Estado e o Poder

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Índice

1. O Estado e o Poder de Tributar

2. Tributo (art. 3º, CTN)

3. Espécies tributárias de acordo com a CRFB/88

3.1. Imposto (art. 145, I, CRFB)

3.1.1. Impostos da União

3.1.2. Impostos dos Estados

2

2

3

5

5

6

3.1.3. Imposto dos Municípios 6 3.2. Taxa 6 3.2.1. Taxa de polícia (art. 78, CTN)
3.1.3. Imposto dos Municípios
6
3.2.
Taxa
6
3.2.1.
Taxa de polícia (art. 78, CTN)
6
3.2.2.
3.2.3
Taxa de serviço público
Taxa X Tarifa (preço público)
7
7
3.3
Contribuição de Melhoria
8
3.4
Empréstimo Compulsório (art. 148, CRFB e art. 15, CTN)
9
3.4.1.
Empréstimo Compulsório - Guerra ou Calamidade (art. 148, I, CRFB)
Empréstimo Compulsório - Investimento Público (art. 148, II, CRFB)
10
3.4.2.
10
3.4.3.
Empréstimo Compulsório - Inflação (Art. 15, III, CTN – não recepcionado
pela CRFB)
3.5. Contribuições em sentido amplo (art. 149, CRFB)
10
10
3.5.1.
Contribuições Corporativas
CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico)
Contribuições Sociais
11
3.5.2.
12
3.5.3.
12
3.5.4.
COSIP (Contribuição para o serviço de iluminação pública)
14
4. Princípios Constitucionais Tributários (art. 150, CRFB)
15
4.1.
Princípio da Legalidade (art. 150, I, CRFB c/c art. 97, CTN)
15
4.2.
Princípio da Igualdade ou Isonomia Tributária (art. 150, II, CRFB)
16
4.2.1.
16
4.2.2.
Princípio da pecunia non olet
Capacidade Contributiva
Princípio da Seletividade
Princípio da Progressividade das Alíquotas
17
4.2.3.
17
4.2.4.
17
4.3.
Princípio da não-surpresa ou segurança jurídica (art. 150, III, CRFB)
17
4.3.1
Princípio da Anterioridade (art. 150, III, “b”, CRFB)
17
4.3.2
Princípio da Noventena / Anterioridade Nonagesimal / Anterioridade
Qualificada / Anterioridade Mitigada
18

4.3.3. Princípio da Irretroatividade (art. 150, III, “a” CRFB c/c art. 106, CTN). 19

4.4. Vedação ao Confisco ou Proporcionalidade/Razoabilidade da Carga

Tributária (art. 150, IV, CRFB)

19

4.5. Princípio da liberdade de tráfego (art. 150, V, CRFB)

20

4.6. Princípio da Uniformidade Geográfica

20

4.7. Princípio da não-discriminação baseada na procedência ou destino (art. 152,

CRFB) 20

4.8.

Princípio da vedação às isenções heterônomas ou heterotópicas

20

5. Imunidades Tributárias (art. 150, VI, CRFB)

22

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 1. O Estado e o Poder de

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1. O Estado e o Poder de Tributar

Chama-se de receitas todas as entradas de recursos financeiros com caráter de definitividade, ou seja, entram nos cofres públicos para se incorporarem ao patrimônio do Estado. As receitas podem ser de duas espécies:

Originária: é a receita obtida pelo Estado através da exploração de seu

patrimônio, ou seja, é quando o Estado atua como o particular na economia, em igualdade
patrimônio, ou seja, é quando o Estado atua como o particular na economia, em
igualdade com os demais agentes econômicos. A relação aqui tem natureza de
contratual, pois baseada em elementos como a voluntariedade. Exemplos: aluguéis e
receitas de empresas públicas e sociedades de economia mista.
Derivada: é a receita obtida pelo Estado através do seu poder de império (aqui
o princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado se aplica,
deixando de lado a paridade entre as partes). Exemplo: tributo, pois a relação é
proveniente da vontade da lei.
Assim, diz-se que o Direito Tributário estuda a relação jurídica entre o FISCO e o
contribuinte, e a atuação de instituir, fiscalizar e arrecadar o tributo chama-se de
relação jurídico-tributária.
2. Tributo (art. 3º, CTN)
Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
O tributo é prestação pecuniária em moeda: como regra não se admite seu
pagamento em bens ou serviços (in natura ou in labore). Exemplo: a dívida tributária
não pode ser quitada prioritariamente com a entrega de um carro; também não pode,
por exemplo, um pintor pagar dívida tributária pintando escolas e hospitais públicos.
Exceção (art. 156, XI, CTN): temos aqui como forma de extinção de crédito
tributário a de dação de bens imóveis, desde que exista lei autorizativa nesse sentido,
prevendo a forma e as condições que se dará a dação.

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:

XI

a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições

estabelecidas em lei.

Por sua vez, o tributo é compulsório, ou seja, uma vez praticado o fato gerador, passa a ser devido o tributo, independente da vontade do indivíduo, não havendo na relação jurídico-tributária a autonomia da vontade (não é uma relação jurídica contratual), posto que decorre de vontade da lei.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 O tributo não é sanção: não se

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O tributo não é sanção: não se confunde com a multa, que é penalidade.

Obrigação tributária principal: sempre corresponde ao pagamento de algum valor, que pode ser o tributo ou a multa.

Obrigação tributária acessória: é a obrigação de fazer, não fazer ou tolerar (ex:

emitir nota fiscal).

A multa é obrigação principal que é devida pelo descumprimento de uma obrigação acessória. O
A multa é obrigação principal que é devida pelo descumprimento de uma
obrigação acessória.
O
tributo é necessariamente instituído por lei (em sentido amplo), não havendo
exceção. O que há é a possibilidade de aumento de algumas alíquotas por meio de ato
infralegal, mas que não se confunde com instituição de tributo, já que esta matéria é
de reserva legal.
A
cobrança do tributo ocorre mediante atividade administrativa plenamente
vinculada. Em outras palavras, o lançamento tributário é um ato administrativo
vinculado, não suportando juízo discricionário da autoridade fazenda em lançar ou não
o
tributo uma vez verificado a ocorrência do fato gerador.
Observação: tem-se o fenômeno da subsunção tributária sempre que ocorrer
o
enquadramento do caso concreto à norma legal em abstrato, isto é, o encaixe entre
hipótese de incidência na lei e o fato gerador praticado pelo contribuinte, surgindo a
partir daí a obrigação tributária (ilíquida e incerta, já que somente com o lançamento
que se tem liquidez, certeza e exigibilidade da relação jurídico-tributária, com a
constituição do crédito tributário).
a
3. Espécies tributárias de acordo com a CRFB/88
Ao longo do tempo, diversas teorias foram desenvolvidas para tratar das
espécies tributárias presentes no ordenamento jurídico pátrio.
A
primeira delas, chamada de Teoria Tripartite dos Tributos, pois defende a
existência de apenas três espécies tributárias: imposto, taxa e contribuição de
melhoria, posição inclusive adotada pelo CTN em seu art. 5º.

Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.

Uma outra teoria, chamada de Teoria Pentapartite dos Tributos, sustenta que além dos tributos previstos no CTN, existem outras duas espécies tributárias:

empréstimo compulsório e contribuições.

Prevalece o entendimento de que, a despeito do disposto no art. 5º do Código Tributário Nacional, a Constituição Federal de 88 adotou a chamada Teoria

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Pentapartide ou quinquipartite dos Tributos (entendimento do

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Pentapartide ou quinquipartite dos Tributos (entendimento do STF e que deverá ser adotado em provas de concursos).

Com efeito, a ordem constitucional de outrora exigia a edição de lei ordinária para tratar de normas gerais tributárias, diferentemente da Constituição de 1988. Assim, o Código Tributário Nacional foi elaborado em observância ao comando constituição então vigente em 1966, qual seja a de 1946, que exigia tão somente lei ordinária para tratar de normas gerais em direito tributário. É por este motivo que o CTN é uma lei ordinária na sua origem, qual seja a Lei 5.172/1966.

Art. 146. Cabe à lei complementar:
Art. 146. Cabe à lei complementar:

No entanto, com o advento da Constituição Federal de 1988, o constituinte inseriu orientação diversa no texto constitucional, preconizando no art. 146, inciso III que lei complementar versaria sobre normas gerais de direito tributário.

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ( )

Sucede que, em respeito ao Principio da Recepção, segundo o qual as normas anteriores à CRFB/88 materialmente (conteúdo) compatíveis com ela foram recepcionadas, sendo, portanto, válidas e vigentes. Por outro lado, fala-se em revogação quando as normas anteriores à CRFB/88 forem materialmente incompatíveis à nova Constituição, ou seja, o conteúdo da lei não está de acordo com a nova Constituição.

Neste sentido, o Código Tributário Nacional, lei ordinária em sua origem, foi recepcionado pela nova ordem constitucional com status de lei complementar, ou seja, apesar de ter sido criada como lei ordinária, a partir da recepção, ela é considerada como sendo materialmente complementar.

Observação: A forma não importa na análise de recepção da norma, mas tão somente o conteúdo desta. Isto porque, a nova Constituição dará à lei a forma necessária a sua recepção.

dará à lei a forma necessária a sua recepção. Sobre essa questão de recepção e revogação

Sobre essa questão de recepção e revogação da norma anterior à nova ordem constitucional, cumpre destacar que segundo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal, embora haja doutrina defendendo em sentido contrário, não se adota no ordenamento jurídico pátrio a tese da inconstitucionalidade superveniente, compreendida como sendo a hipótese em que uma determinada norma, elaborada em compatibilidade material e formal à constituição anterior torna- se inconstitucional por ser incompatível com a nova ordem constitucional.

Para o STF, a inconstitucionalidade acompanha determinada norma desde a sua origem (norma ab ovo, ou seja, nula desde a origem). Em outras palavras, a análise

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 sobre a constitucionalidade de uma norma anterior

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sobre a constitucionalidade de uma norma anterior à CRFB/88 deve ser feita de acordo com os parâmetros constitucionais vigentes à época de sua elaboração 1 , cabendo dessa forma à nova ordem constitucional tão-somente observar se aquela norma anterior pode ser recepcionada (compatibilidade material) ou se foi revogada (incompatibilidade material) 2 .

Neste sentido, a edição do CTN observou os preceitos da antiga ordem constitucional (formalmente e materialmente compatível com a Constituição de 1946) e diante de sua compatibilidade material com a CRFB/88, restou recepcionado com status de lei complementar 3 .

3.1. Imposto (art. 145, I, CRFB) I - impostos; 3.1.1. Impostos da União Imposto Extraordinário
3.1. Imposto (art. 145, I, CRFB)
I - impostos;
3.1.1. Impostos da União
Imposto Extraordinário de Guerra: em caso de guerra iminente ou declarada.

Trata-se de tributo não vinculado, ou seja, seu fato gerador independe de atividade estatal específica, mas depende de uma determinada atividade do contribuinte que importe em manifestação de alguma riqueza. A destinação do produto arrecadado com os impostos custeia atividades universais da Administração Pública.

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

São eles: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Exportação (IE), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), Imposto sobre Grandes Fortunas (ISGF).

Rural (ITR), Imposto sobre Grandes Fortunas (ISGF). Além dos impostos acima mencionados, diante de alguma

Além dos impostos acima mencionados, diante de alguma excepcionalidade e necessidade extra, há a possibilidade de se instituir Imposto Residual (art. 154, I, CRFB), desde que haja a observância dos seguintes requisitos:

1 Toda norma goza, a priori, de presunção de constitucionalidade, sendo, por isso, aplicável na prática. Deve ser observado que, em um caso concreto, mesmo na vigência de uma nova ordem constitucional, o juiz pode deixar de aplicar a norma (pré-constitucional ou norma de legislação anterior à CRFB/88) por considerá-la inconstitucional frente à Constituição anterior. Até porque, lei que padece do vício da inconstitucionalidade é nula desde a origem.

2 Logo, não se fala em controle de constitucionalidade e sim em controle de recepção ou não recepção.

3 Convém destacar que nem todas as normas previstas no CTN foram recepcionadas pela CRFB/88, ou seja, aquelas que materialmente são incompatíveis com a CRFB/88 foram revogadas.

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5

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Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 - lei complementar ; - não-cumulatividade ;

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- lei complementar;

- não-cumulatividade;

- fato gerador e base de cálculo diversos dos impostos já existentes.

Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde
que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo
próprios dos discriminados nesta Constituição;
II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários,
compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos,
gradativamente, cessadas as causas de sua criação.
3.1.2. Impostos dos Estados
São eles: Imposto sobre Veículo Automotor (IPVA), Imposto sobre a Circulação
de Mercadorias (ICMS), Imposto sobre a Transmissão causa mortis ou sobre a Doação
(ITCMD).
3.1.3. Imposto dos Municípios
São eles: Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU), Imposto sobre
a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Imposto sobre Serviços (ISS).
3.2.
Taxa
Trata-se de tributo bilateral (contraprestacional, sinalagmático, referível).
A cobrança da taxa ocorre em razão da prestação de uma atividade estatal
específica. Aqui, contrariamente ao que vimos nos impostos, há uma atuação do
Estado que legitima a cobrança da taxa. Esta pode ser:
Em razão do exercício efetivo do Poder de Polícia (taxa de polícia).

Em razão de prestação de serviço público específico e divisível, utilizado de forma efetiva ou potencial, prestado ou disponibilizado ao contribuinte.

3.2.1. Taxa de polícia (art. 78, CTN)

O Poder de Policia fundamenta a cobrança de taxa, visto se tratar da atividade da Administração que limita um direito, interesse ou liberdade do particular para assegurar o interesse público (ordem pública, segurança, higiene, bons costumes).

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Exemplo: taxa de fiscalização sanitária; taxa de

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Exemplo: taxa de fiscalização sanitária; taxa de fiscalização e controle ambiental (TFCA é constitucional); taxa cobrada pela CVM (súmula 665, STF); alvarás de funcionamento, de construção.

Súmula 665 - É CONSTITUCIONAL A TAXA DE FISCALIZAÇÃO DOS MERCADOS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS INSTITUÍDA PELA LEI 7940/1989.

O STJ e STF entendem que a simples existência de órgão de fiscalização já

presume o exercício do Poder de Polícia, gerando a possibilidade legítima de cobrança de taxa
presume o exercício do Poder de Polícia, gerando a possibilidade legítima de cobrança
de taxa (não é necessário o efetivo exercício).
3.2.2. Taxa de serviço público
É aquela cobrada em razão da prestação de um serviço público específico e
divisível (especifico: individualiza o usuário; divisível: possível quantificar a utilização
de cada um).
Exemplo: serviço judiciário (custas, emolumentos e taxa judiciária); taxa para
emissão do passaporte.
Deve haver proporcionalidade entre o valor da taxa e o serviço prestado.
O
serviço público pode ser efetivamente prestado ou apenas disponibilizado. A
mera disponibilidade do serviço gera cobrança de taxa.
Exemplo: taxa de coleta de lixo domiciliar → o STF entendeu constitucional que
a base de cálculo dessa taxa pode ser a área construída do imóvel e que pode ser
cobrada pela simples disponibilização do serviço de coleta.
3.2.3 Taxa X Tarifa (preço público)
Ambas são prestações pecuniárias que remuneram o serviço público prestado
ao contribuinte.
O
que diferencia taxa e tarifa é a essencialidade do serviço prestado.

Os serviços propriamente estatais são prestados somente pelo ente público (são serviços inerentes ao Estado, que refletem a sua soberania).

Os serviços essenciais ao interesse público beneficiam a um determinado

indivíduo, mas interessam a toda a sociedade (exemplo: serviço de água e esgoto;

sepultamento; coleta domiciliar de lixo).

Os serviços não essenciais são prestados exclusivamente no interesse do particular (exemplo: telefonia; serviço postal; energia elétrica).

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Os serviços propriamente estatais somente podem ser

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Os serviços propriamente estatais somente podem ser remunerados por TAXA. Por outro lado, os serviços essenciais ao interesse público e os não essenciais podem ser remunerados por TAXA OU TARIFA, a depender de previsão legal.

TAXA TARIFA Tributo Preço público Lei Contrato Compulsório Facultativo Direito Público Direito Privado
TAXA
TARIFA
Tributo
Preço público
Lei
Contrato
Compulsório
Facultativo
Direito Público
Direito Privado (geralmente CDC)
Prestada somente pelo ente público
Pode ser delegada ao particular
O ente público pode cobrar tarifa ou taxa; já o particular não pode cobrar taxa
(por se tratar de tributo – só o Estado pode instituir tributo por meio de lei).
Pedágio: há divergência doutrinária quanto a sua natureza (taxa ou tarifa). Há
quem entenda como taxa sob o fundamento de que o art. 150, V, CRFB, que trata da
liberdade de tráfego, prevê que o pedágio é tributo e, portanto, o particular não
poderia prestar este serviço. Há, no entanto, parcela da doutrina que entende se tratar
de tarifa.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado
à
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
V
- estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela
utilização de vias conservadas pelo Poder Público;
No STJ prevalece o entendimento de que o pedágio tem natureza de taxa
quando existe via única (acaba por utilizar o critério da compulsoriedade da súmula
545, STF). Diversamente, havendo via alternativa, o pedágio é tratado como tarifa
pela jurisprudência.
3.3
3.3

Contribuição de Melhoria

É uma contraprestação a um serviço público que tem como fato gerador a

valorização imobiliária decorrente de uma obra pública realizada pelo Estado (traz

justiça social, distribuição de riquezas).

do

A

contribuição

de

melhorias

apresenta

limites

para

a

sua

cobrança

particular:

Limite Global: é o custo da obra, ou seja, o total arrecadado não pode ultrapassar o quanto se gastou para realizar a obra.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011  Limite Individual : é a valorização

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Limite Individual: é a valorização do imóvel do particular, ou seja, não pode o particular contribuir com montante maior que a valorização de seu patrimônio.

A obra sempre deve ser realizada anteriormente à cobrança do tributo.

3.4

Empréstimo Compulsório (art. 148, CRFB e art. 15, CTN)

É o tributo de competência privativa da União, instituído por lei complementar

e criado em situações excepcionais. O produto proveniente deste tributo visa custear a situação que o fundamentou.

compulsórios: I
compulsórios:
I

Os valores a ele destinados serão devolvidos posteriormente aos contribuintes. Essa restituição será necessariamente em dinheiro.

O empréstimo compulsório tem destinação vinculada, pois o dinheiro deverá ser utilizado para os fins que justificaram sua criação. A tredestinação (desvio de finalidade lícito ou ilícito) não é permitida (art. 148, § único, CRFB).

Observação1: a tredestinação em nenhuma hipótese será admitida no caso do empréstimo compulsório, mas a título de explicação, entende-se por tredestinação ilícita aquele que fere a finalidade calcada pelo interesse pública (a finalidade era construir uma escola pública, mas acabou por se utilizar o dinheiro público para favorecer um particular); a tredestinação lícita é aquela que, apesar da mudança do objeto, o interesse público continua sendo atendido (a finalidade era construir uma escola pública, mas acabou por se construir um hospital público, pois percebeu-se que era mais importante).

Observação2: Para identificar o empréstimo compulsório é necessário saber a destinação do produto arrecadado, não basta ver o fato gerador.

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos

mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de

- para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;

II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

Art.

empréstimos compulsórios:

I - guerra externa, ou sua iminência;

casos excepcionais, pode instituir

15.

Somente

a

União,

nos

seguintes

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 II - calamidade pública que exija auxílio

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II - calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender com os recursos orçamentários disponíveis;

III - conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo.

Parágrafo único. A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo e as condições de seu resgate, observando, no que for aplicável, o disposto nesta Lei.

3.4.1. Empréstimo Compulsório - Guerra ou Calamidade (art. 148, I, CRFB)

Pode ser instituído em caso de guerra externa ou sua iminência / calamidade pública (pressuposto autorizativo), sendo seu fato gerador previsto em lei complementar que o instituir. Em outras palavras, a guerra externa autoriza a instituição do EC por meio de lei complementar, que poderá ter como hipótese de incidência uma demonstração de riqueza, por exemplo, consumir combustível fóssil.

3.4.2. Empréstimo Compulsório - Investimento Público (art. 148, II, CRFB) 3.4.3. 3.5. Contribuições em sentido
3.4.2. Empréstimo Compulsório - Investimento Público (art. 148, II, CRFB)
3.4.3.
3.5. Contribuições em sentido amplo (art. 149, CRFB)

Atenção: essa modalidade de empréstimo compulsório é EXCEÇÃO aos princípios da anterioridade de exercício e da noventena, ante a urgência de sua finalidade e destinação vinculada, que demandam imediatismo na obtenção dessa receita.

Este empréstimo submete-se aos princípios da anterioridade e noventena, diversamente do anterior.

Empréstimo Compulsório - Inflação (Art. 15, III, CTN não recepcionado

pela CRFB)

Diante de inflação descontrolada era possível instituir esse tributo, porém essa modalidade de empréstimo compulsório não foi recepcionada pela CRFB.

empréstimo compulsório não foi recepcionada pela CRFB . Trata-se de tributo, cuja competência é privativa da

Trata-se de tributo, cuja competência é privativa da União, que apresenta referibilidade indireta, isto é, o indivíduo se beneficia indiretamente do serviço fornecido pelo Estado. O produto arrecadado por esse tributo visa custear atividade estatal na área social e pode trazer ou não benefício ao contribuinte.

Nessa espécie tributária, tal como ocorre com os empréstimos compulsórios, o que importa é a destinação daquilo que for arrecadado e não tão somente o seu fato gerador.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Exceção : os Estados e Municípios poderão

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Exceção: os Estados e Municípios poderão instituir contribuição para custear a Previdência dos seus servidores (art. 149, §1º, CRFB).

Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.

1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores,
1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição,
cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime
previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da
contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União.
§
3.5.1. Contribuições Corporativas
São criadas no interesse de categorias profissionais ou econômicas.
Pode ser:
Contribuição Corporativa Sindical: serve ao custeio do sindicato (compulsória
para filiados ou não). Observação: Não se confunde com a Contribuição Confederativa,
que não é tributo e só é paga pelos filiados ao sindicato. (art. 8º, IV, CRFB e súmula
666, STF)
Art. 8º ( )
V
- a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria
profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da
representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista
em lei;
Súmula 666 - A CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA DE QUE TRATA O ART. 8º, IV, DA
CONSTITUIÇÃO, SÓ É EXIGÍVEL DOS FILIADOS AO SINDICATO RESPECTIVO.
Contribuição Corporativa-Anuidade: cobrada pelos órgãos de classe que atuam
na fiscalização e na defesa daquela classe determinada (exemplos: Conselhos Classe,
que são autarquias: CREA, CRM).
Observação: a OAB é uma autarquia sui generis, não se confundindo com um
mero órgão de classe, haja vista sua função constitucional. As contribuições cobradas
pela OAB não são tributos, têm natureza particular.

Atenção: Conforme entendimento sedimentado na ADI 3.026, a OAB, na cobrança das mensalidades, não pode ajuizar Execução Fiscal, já que as mesmas não têm natureza tributária.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 3.5.2. CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio

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3.5.2. CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico)

Trata-se de tributo extrafiscal, cuja principal função não é a arrecadação financeira e sim a intervenção na economia e regular o mercado.

Exemplo: CIDE Combustíveis.

Exemplo. de outros tributos extrafiscais: II, IE, IOF.

Atenção: A CIDE Combustíveis é EXCEÇÃO ao princípio da anterioridade e da legalidade (suas alíquotas podem ser reduzidas ou restabelecidas por meio de ato infralegal, mas não podem ser majoradas).

3.5.3. Contribuições Sociais As contribuições sociais se dividem em:
3.5.3. Contribuições Sociais
As contribuições sociais se dividem em:

Com o objetivo de implementar direitos sociais, as contribuições sociais são criadas para custear as atividades vislumbrem a concretização desses objetivos.

Observação1: o instituto da “parafiscalidade” é compreendido como sendo o instituto pelo qual o ente que tem competência para instituir o tributo delega à outra pessoa a capacidade tributária ativa (esta diz respeito à fiscalização e arrecadação). O produto arrecadado ficará para com quem recebeu a delegação.

Observação2: atualmente, não prevalece mais o entendimento anterior no sentido de que todas as contribuições são parafiscais.

Todas as contribuições são de competência da União, salvo aquela criada pelos Estados e Municípios para o custeio da previdência complementar de seus servidores e a COSIP (Contribuição de Iluminação Pública a cargo dos municípios, de acordo com o art. 149-A da Constituição Federal).

Gerais: são aquelas cujos produtos irão custear atividades que não se referem à

seguridade social (ou seja, as que não se refiram à saúde, previdência e assistência).

que não se refiram à saúde, previdência e assistência). Ex. : salário-educação: pago pelo empregador visando

Ex.: salário-educação: pago pelo empregador visando custear o ensino fundamental (art. 212, §5, CRFB e súmula 732, STF); Sistema “S” (serviço social autônomo custeado, principalmente, pelas contribuições; art. 240, CRFB SESI, SEBRAE, SENAI, SESC)

Art. 212 ( )

§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Súmula 732 - é constitucional a cobrança

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Súmula 732 - é constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9424/1996.

Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.

Seguridade Social: serve para custear a seguridade social, isto é, previdência e assistência.  saúde,
Seguridade Social: serve para custear a seguridade social, isto é,
previdência e assistência.
saúde,
Desde o advento da Lei da Super Receita, essa contribuição não é mais
parafiscal. Isto porque a Receita Federal passou a ter a competência para fiscalizar e
arrecadar e, posteriormente, repassar o produto da arrecadação ao INSS.
Exemplos:
 Contribuições de seguridade social custeadas pelo empregador/empresa:
 Contribuição Patronal (sobre a folha de salários);
 PIS/PASEP;
 CSLL (sobe o lucro líquido); e
 COFINS.
 Custeadas pelo empregado:
 Contribuição para o Regime Geral de Previdência.
 Custeadas pela Receita de Concursos e Prognósticos (LOTERIAS).
 Pagas pelo Importador (decorrente do Princípio da Solidariedade):
 PIS/COFINS importação.
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta
e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes
contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a

qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo

empregatício;

b) a receita ou o faturamento;

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 c) o lucro; II - do trabalhador

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

c) o lucro;

II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;

III - sobre a receita de concursos de prognósticos.

de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele

IV - do importador

equiparar.

Outras (Residuais): nos mesmos termos do art. 195, § 4º, aplicar-se-ia numa primeira leitura o art. 154, I, CRFB em sua integralidade. Contudo, posicionou-se o STF no sentido de que as contribuições residuais deverão respeitar tão somente a exigência de instituição por lei complementar. Não se trata de aplicação do art. 146, III, “a” da Carta, às contribuições, conforme já decidiu o STF, pois fato gerador, base de cálculo e contribuintes, especificamente, somente são exigidos previsão em lei complementar para impostos.

I. Art. 154. A União poderá instituir: 3.5.4. COSIP (Contribuição para o serviço de iluminação
I.
Art. 154. A União poderá instituir:
3.5.4. COSIP (Contribuição para o serviço de iluminação pública)

Art. 195, § 4º, CRFB - A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154,

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;

Surgiu com a EC 39/02, que acrescentou o art. 149-A na Constituição de 88. Tradicionalmente, a iluminação pública era cobrada através de taxa. No entanto, o serviço de iluminação publica não é específico e divisível, mas universal e geral, características pertinentes ao imposto. A súmula 670 do STF proibiu a sua cobrança por intermédio de taxa.

670 do STF proibiu a sua cobrança por intermédio de taxa. A doutrina entende que a

A doutrina entende que a COSIP é inconstitucional material e formalmente. Materialmente, pois o serviço a ela pertinente é universal e, portanto, deveria ser custeado por imposto. Além disso, entende pela inconstitucionalidade formal, visto que o interstício temporal entre os turnos da EC 39/02 não foi respeitado.

O STF entende que a COSIP é constitucional e sui generis e, ainda, que o período de tempo entre os dois turnos de votação em cada Casa do Congresso Nacional é disciplinado pelo regimento interno da Casa (questão interna corporis não sujeita ao controle de constitucionalidade pelo judiciário).

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Art. 149-A Os Municípios e o Distrito

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002)

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput,

na fatura de consumo de energia elétrica.

Súmula 670 – o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. 4.
Súmula 670 – o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante
taxa.
4. Princípios Constitucionais Tributários (art. 150, CRFB)
Dizem respeito às limitações ao poder de tributar do Estado, bem como aos
direitos e garantias fundamentais dos indivíduos (cláusulas pétreas – art. 60, §4º, I,
CRFB).
4.1. Princípio da Legalidade (art. 150, I, CRFB c/c art. 97, CTN)
Todo tributo é criado por lei, sem exceção.
Além da criação do tributo, o seu aumento e seus principais aspectos também
devem ser disciplinados, obrigatoriamente, por meio de lei.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
- a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21,
26, 39, 57 e 65;
II
III
- a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o
disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;

IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto

nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;

V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus

dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;

VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de

dispensa ou redução de penalidades.

§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 § 2º Não constitui majoração de tributo,

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.

Exceções (somente quanto às alterações de alíquotas dos tributos):

II, IE, IPI, IOF

São impostos extrafiscais, pois não têm como função principal a arrecadação de dinheiro, mas sim
São impostos extrafiscais, pois não têm como função principal a arrecadação
de dinheiro, mas sim a regulação do mercado. Impõem medidas urgentes para
aumentar alíquotas de modo que a medida seja realmente eficiente – por meio de
Decreto do Presidente da República.
CIDE Combustível
admite
redução e restabelecimento por meio
de Decreto. De forma
nenhuma pode ocorrer o aumento do limite da alíquota através de ato infralegal.
ICMS Combustível
Não tem alíquota regulamentada por lei, mas sim por convênio no âmbito do
CONFAZ (Conselho de Política Fazendária), que é a reunião dos estados-membros da
federação mais o Distrito Federal.
4.2.
Princípio da Igualdade ou Isonomia Tributária (art. 150, II, CRFB)
É
vedado
tributar
desigualmente
contribuintes
em
situação
equivalentes
(igualdade formal).
Imprescindível tratar os desiguais na medida das suas desigualdades (igualdade
material). Contudo, não basta que se tratem os desiguais de formal desigual, pois é
vedada ainda a discriminação desproporcional (deve haver proporcionalidade entre a
medida discriminatória e a causa justificadora – correlação lógica).
Art. 150 ( )
- instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou
função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos;
II

4.2.1. Princípio da pecunia non olet

Não importa a origem do dinheiro (lícita ou ilícita). Uma vez praticado o fato gerador, havendo o lançamento e a constituição do crédito tributário, é devido o pagamento do tributo.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Por esse princípio é que as atividades

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Por esse princípio é que as atividades ilícitas ou socialmente reprováveis devem ser tributadas Princípio da Isonomia. Até porque se assim não fosse, estar-se-ia incentivando a prática de atividades ilícitas na sociedade.

É justamente por este motivo que a renda adquiria através da prática de uma atividade ilícita deverá ser tributada pelo imposto sobre a renda.

“O dinheiro não tem cheiro.” 4.2.2. Capacidade Contributiva “Quem tiver mais, pagará mais.” Visa à
“O dinheiro não tem cheiro.”
4.2.2. Capacidade Contributiva
“Quem tiver mais, pagará mais.”
Visa à justiça social com a efetiva distribuição de renda (ex: Imposto de Renda).
Assim, o contribuinte que demonstrar possuir mais capacidade econômica deverá
contribuir de forma proporcionalmente maior para o custeio da máquina estatal.
É obrigatório que o imposto respeite esse princípio. Com relação aos outros
tributos, deverá ser aplicado sempre que possível de acordo com a doutrina
majoritária.
4.2.3. Princípio da Seletividade
Esse princípio impõe alíquotas variadas na razão inversa da essencialidade do
bem. Ou seja, quanto mais essencial o bem, menor a alíquota; quanto mais supérfluo o
bem, maior a alíquota.
Produtos de consumo indesejável devem sofrer tributação mais gravosa, pois o
Estado visa à repreensão do seu consumo (ex: cigarro, bebidas, armas etc.).
Esse princípio é aplicável a dois tributos: IPI (de forma obrigatório) e ICMS (aqui
já será de aplicação facultativa).
4.2.4.
Princípio da Progressividade das Alíquotas

Quanto maior a base de cálculo (grandeza econômica), maior a alíquota.

Aquele que tem maior grandeza econômica é tributado mais gravosamente. (Ex: Imposto de Renda).

4.3.

Princípio da não-surpresa ou segurança jurídica (art. 150, III, CRFB)

4.3.1

Princípio da Anterioridade (art. 150, III, “b”, CRFB)

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 É vedado cobrar o tributo no mesmo

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

É vedado cobrar o tributo no mesmo exercício financeiro em que ele foi criado ou majorado. Isto é, o tributo somente poderá ser cobrado no exercício financeiro seguinte (que pela lei 4.320/64 corresponde ao ano civil).

Art. 150 (

III - cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

)

Exceções: II, IE, IPI, IOF: por sua natureza extrafiscal e sua urgência, a cobrança se
Exceções:
II, IE, IPI, IOF: por sua natureza extrafiscal e sua urgência, a cobrança se dará no
mesmo ano em que foi criado/majorado.
 CIDE/ICMS Combustível
 Empréstimo Compulsório Guerra/Calamidade e Imposto Extraordinário de
Guerra: devido à urgência da situação será cobrado no mesmo ano da sua criação.
Contribuições de Seguridade Social
Observação: não existe mais o Princípio da Anualidade, o qual disciplinava que
o tributo só poderia ser cobrado se previsto no orçamento daquele ano.
4.3.2
Princípio da Noventena / Anterioridade Nonagesimal / Anterioridade
Qualificada / Anterioridade Mitigada
Por meio da EC 42/03 foi estendido a todos os tributos (anteriormente, este
princípio só se aplicava às contribuições), disciplinando que o tributo só pode ser
cobrado depois de decorridos noventa dias da edição da lei que o criou/majorou.
Observação: o período a ser respeitado é de 90 dias e não de 3 meses. São
coisas distintas
Os princípios da anterioridade e noventena aplicam-se cumulativamente.
Exceções:

II, IE, IR e IOF.

Compulsório

Empréstimo

Guerra

Guerra/Calamidade

e

Imposto

Extraordinário

de

Base de cálculo do IPTU e IPVA

Atenção: o IPI deverá respeitar este princípio.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 4.3.3. Princípio da Irretroatividade (art. 150, III,

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

4.3.3. Princípio da Irretroatividade (art. 150, III, “a” CRFB c/c art. 106, CTN)

A tributação não pode ocorrer sobre fato gerador anterior à lei que instituiu o

tributo.

Art. 150 ( )

III - cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;

Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso,
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I
- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a
aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou
omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de
pagamento de tributo;
c)
quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao
tempo da sua prática.
Exceções:
Lei
expressamente
interpretativa:
desde
que
não
implique
aplicação
de
penalidade.
Lei mais benéfica: a lei deixa de capitular o fato como infração ou aplica
penalidade menos severa.
4.4.
Vedação ao Confisco ou Proporcionalidade/Razoabilidade da Carga
Tributária (art. 150, IV, CRFB)
É
vedado utilizar tributo com a finalidade de confiscar. Isto é, não se admite
tributação tão gravosa que gere a perda do patrimônio do particular. O tributo deve
ser utilizado de modo a gerar sempre mais riqueza, não para extinguir a capacidade
contributiva do particular.

A aferição quanto à gravidade acontece no caso concreto e, segundo o STF,

deve ocorrer sobre a carga tributária global.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado

à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º, 3º e 5º andares Tel.: (21) 2223-1327 Barra: Shopping Downtown Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 Tel.: (21) 2494-1888

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19

Downtown – Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 – Tel.: (21)
Exceções ao não-confisco: Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011  Tributos extrafiscais: pois

Exceções ao não-confisco:

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Tributos extrafiscais: pois seu intuito maior não é a arrecadação.

Seletividade: produto supérfluo etc.

Situações de guerra ou calamidade

4.5. Princípio da liberdade de tráfego (art. 150, V, CRFB) É vedado aos entes federativos
4.5. Princípio da liberdade de tráfego (art. 150, V, CRFB)
É vedado aos entes federativos limitar o tráfego de bens e pessoas por meio da
cobrança de tributos.
Exceção: pedágio pela utilização das vias públicas.
Art. 150 ( )
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela
utilização de vias conservadas pelo Poder Público;
4.6. Princípio da Uniformidade Geográfica
A
União não pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional.
Exceção: tratamento diferenciado com vistas a assegurar o desenvolvimento
socioeconômico de uma região.
4.7.
Princípio da não-discriminação baseada na procedência ou destino
(art. 152, CRFB)
Os entes federativos não podem dar tratamento tributário diferenciado em
razão da origem ou do destino do bem.
A
finalidade deste princípio é proteger o pacto federativo.

Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

4.8. Princípio da vedação às isenções heterônomas ou heterotópicas

Isenção é uma forma de exclusão do crédito tributário (art. 175, I, CTN). Significa dizer que há dispensa legal do pagamento de tributo.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Art. 175. Excluem o crédito tributário: I

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Art. 175. Excluem o crédito tributário:

I a isenção; (

)

Tendo em vista que o FISCO não poderá constituir o crédito, é correto dizer, portanto, que a isenção impede o lançamento tributário.

Trata-se de benefício e por esta razão, consequentemente, somente o ente que detém a competência
Trata-se de benefício e por esta razão, consequentemente, somente o ente que
detém a competência para instituir o tributo é que possui competência para conceder
isenções – Isenção Autônoma.
Sendo assim, é vedada a isenção heterônoma (um ente não pode isentar
tributos de outro ente).
Exemplo: A União isenta o portador de deficiência do pagamento de IPI em
relação a automóveis.
Exceções ao princípio da vedação heterônoma:
ISS nas exportações
Justificativa: Trata-se tributo de competência dos municípios, mas no caso de
exportação a União poderá conceder isenções relativas a ele.
Tratados internacionais (doutrinário)
A União poderia isentar tributos estaduais e municipais.
Isto porque, quando a União representa a República Federativa do Brasil é
soberana, refletindo toda a federação, inclusive os Estados e Municípios.
Observação: na exportação a União NÃO pode isentar o ICMS (EC 03/93, art.
156, §3º, II, CRFB). Há imunidade constitucional para o mesmo.
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
III
lei
- serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em
complementar
3º. Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei
complementar:

II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior.

Exceção: O INSS é isento de taxas judiciais, custas e emolumentos (Súmula 178, STJ c/c Lei 9.289/96).

Em duas hipóteses o INSS atua na Justiça Estadual (Ação Acidentária Típica e Ação em comarca que não possua seção judiciária federal); nessas situações não há isenção, pois a lei que garante isenção é federal.

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Súmula 178 - o INSS não goza

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Súmula 178 - o INSS não goza de isenção do pagamento de custas e emolumentos, nas ações acidentárias e de benefícios, propostas na Justiça Estadual.

5. Imunidades Tributárias (art. 150, VI, CRFB)

A CRFB retira a competência do ente federativo para tributar determinada

situação, que não será afetada pela incidência tributária. A imunidade é uma delimitação negativa de competência; uma não-incidência constitucionalmente

qualificada. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
qualificada.
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a)
patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b)
templos de qualquer culto;
c)
patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações,
das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de
assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d)
livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
Não-incidência pura e simples
O
ente tem competência para tributar determinada situação, mas opta por não
fazê-lo. (Ex.: não tributação sobre grandes fortunas).
Ou o ente não tem competência. (Ex: não tributar quem tem bicicleta por meio
do IPVA).
Não-incidência constitucionalmente qualificada
A CRFB retirou do ente competência para tributar determinadas situações que,
normalmente, sofreriam tributação. Trata-se de imunidade.
Exemplo:
são
imunes
de
taxa:
as
certidões;
o
direito
de
ação;
os
hipossuficientes.

Observação1: toda não-incidência de tributo prevista constitucionalmente trata-se de imunidade, mesmo quando o constituinte dê outra denominação como, por exemplo, dispensa e isenção (trata-se de uma atecnia legislativa).

Observação2: todas as imunidades do art. 150, inciso VI, CRFB dizem respeito aos impostos.

a) Imunidade Recíproca

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 É vedado aos entes cobrarem quaisquer impostos

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

É vedado aos entes cobrarem quaisquer impostos uns dos outros.

Um Ente Federativo não paga imposto. Esta condição se estende as suas autarquias e fundações públicas.

As empresas públicas e sociedades de economia mista não gozam de imunidade, pois só podem ter os benefícios aplicáveis às empresas privadas, sob pena de ferir a livre-concorrência, salvo quando prestarem serviço público em regime de monopólio (Ex: Correios).

Esta norma protege o equilíbrio entre os entes, o pacto federativo. b) Imunidade Religiosa Aplicável
Esta norma protege o equilíbrio entre os entes, o pacto federativo.
b)
Imunidade Religiosa
Aplicável aos templos de qualquer culto (decorre do Princípio da Laicidade ou
Neutralidade do Estado).
Observação: o preâmbulo da CRFB traz a expressão “sob a proteção de Deus”.
O STF entendeu que o Brasil é país leigo, laico e não-confessional (ADIN 2.076). Assim,
tal expressão é irrelevante juridicamente, pois não tem força normativa, não devendo
ser obrigatoriamente repetido nas Constituições Estaduais; é tão-somente uma fonte
inspiradora e de interpretação; veicula mensagem de paz e fraternidade, mas de
cunho não religiosa.
Essa imunidade possui o condão de proteger/incentivar o direito fundamental
da liberdade religiosa de crença e de culto.
Se a o templo explora outras atividades, relacionadas à atividade religiosa,
estas também estarão imunes de tributação.
c)
Imunidade
dos
Partidos
Políticos,
Sindicatos,
Entidades
Assistenciais
e
Educacionais sem fins lucrativos
Faz-se necessária lei para regulamentar essa imunidade, portanto, é uma
norma de eficácia limitada. São requisitos para fazer jus à imunidade (art. 14, CTN):

Não distribuir lucro, patrimônio ou renda;

Aplicar o capital integralmente no país;

Manutenção das obrigações acessórias. (Exemplo: escriturar os livros)

A exploração de outras atividades não será tributada desde que relacionadas com a atividade geradora da imunidade (súmula 724, STF).

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011 Súmula 724 - ainda quando alugado a

Direito Tributário Prof. Marcello Leal Outubro de 2011

Súmula 724 - ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, vi, "c", da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.

Partido político tem imunidade a fim de estimular o pluripartidarismo. O sindicato a tem para fomentar a liberdade sindical. Já as entidades educacionais têm para implementar direitos sociais.

d) Liberdade Cultural ou de Imprensa Há vedação quanto à tributação de livros, jornais, periódicos
d)
Liberdade Cultural ou de Imprensa
vedação
quanto
à
tributação
de
livros,
jornais,
periódicos
e
o
papel
destinado a sua impressão (visa assegurar/incentivar a liberdade de imprensa e
comunicação).
ATENÇÃO: somente o papel destinado à impressão é imune à tributação
(súmula 657, STF).
Súmula 657 - a imunidade prevista no art. 150, VI, "d", da Constituição Federal
abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e
periódicos.
Observação1: Encarte que não pode ser destacado do periódico, revista ou
jornal também é imune. Por outro lado, aquele que se desprende do principal paga
imposto.
Observação: A tinta não tem imunidade. Todos os tipos de revistas, jornais e
periódicos são imunes aos impostos (ex: álbum de figurinhas, revista pornográfica,
apostilas) → independe do valor artístico e didático e do conteúdo veiculado.