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pr efÁcio

a questão ambiental, em busca de um desenvolvimento sustentável, tornou-se um dos temas mais


debatidos neste final de século. certamente, também será um dos temas centrais de todo o grande
debate político a respeito da vida dos homens no próximos século. não poderá ser apenas tema de
debate, será, de fato, um dos maiores desafios, senão o maior, para a sobrevivência do próprio homem.
nós somos natureza, somos vida e dependemos para a nossa sobrevivência do respeito à natureza, à
vida. temos o direito inalienável de exigir o respeito à vida; temos o dever intransferível de cuidar da
vida, principalmente, sob o aspecto do direito dos outros, de modo especial, daquelas que virão após,
seja como nossos filhos ou gerações futuras. essa concepção se concentra especialmente, nos direitos e
deveres do homem. no entanto, se ele os cumprir, estará aberto o caminho para o direito das plantas e
animais, das águas e do ar. será um longo caminho de amadurecimentos, mas deverá ser começado por
cada um de nós. hoje já temos conhecimento suficiente para não aceitamos mais a falta de
responsabilidade social da pessoas, no que diz respeito à questão ambiental.
È preciso criar as condições para que todos possam assumir essa responsabilidade, sem a imposição de
limites geográficos ou das nacionalidades, com visão planetária e holística.
foi com essa preocupação que a direção da fidene/unijuÍ iniciou os contatos com organismos de apoio
e cooperação internacional, visando a parceria em projetos ambientais, especialmente de
reflorestamento. várias foram as organizações contactadas, desde 1991, com o intuito de obter o apoio
a projetos que permitissem alavancar atividades, voltadas à questão ambiental e ao desenvolvimento
sustentável. os contatos com a e.z.e. – central evangélica de ajuda para o desenvolvimento, iniciaram
em 1992, após a prestação de contas de projetos anteriores, voltados à construção de infra-estrutura da
unijuÍ. seguiu-se um longo debate entre fidene/unijuÍ, aipan (associação ijuiense de proteção ao
ambiente natural), arfor (associação de reflorestamento obrigatório regional), ibama (instituto
brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis), drnr (departamento de recursos
naturais renováveis), emater/rs (associação riograndense de empreendimentos de assistência técnica e
extensão rural) de ijuí e ambientalistas sobre o projeto a ser desenvolvido. em 1995 obteve-se a
aprovação do projeto de reflorestamento e meio ambiente, com o apoio de 57% de seu financiamento
sendo custeado pela e.z.e. . com isso são dadas a s condições iniciais para a grande jornada de
responsabilidade e compromisso com a defesa e a recuperação ambiental, com vistas a um
desenvolvimento sustentável. assim como todo o projeto dessa natureza, esse também exige vontade
política dos dirigentes das entidades envolvidas e o esforço consciente e determinado por parte
daqueles que devem, individualmente, assumir o reflorestamento em suas propriedades – os
agricultores. o projeto visa o incentivo ao reflorestamento ambiental e ao reflorestamento com
finalidade de exploração econômica. além do incentivo à piscicultura e apicultura, que são atividades
econômicas, por natureza, exigentes em termos de proteção a respeito à natureza. o sucesso do projeto
depende, acima de tudo, desses fatores políticos, culturais e econômicos. se não formos capazes de
reverter a situação das condições ambientais, a partir do nosso esforço e iniciativa, não poderemos
exigir que os outros cumpram a parte que lhes cabe nesse processo complexo e desafiador.
o projeto regional de reflorestamento e recuperação ambiental traz em seu bojo a vontade política e o
compromisso de muitos organismos e cidadãos com a luta por um desenvolvimento equilibrado e
sustentável. ele deve ser visto, conduzido e vivenciando como processo pedagógico onde todos temos
a “aprender fazendo”, confrontando as informações, as nossas práticas e os nossos conhecimentos com
vistas à construção das soluções.
os autores do texto “referencial teórico” do projeto, como primeira contribuição ao processo, colocam
nele a sua visão teórica, a sua interpretação e percepção histórica do problema, as suas recomendações
técnicas para o encaminhamento das soluções, enfim, as suas expectativas de resultados.
o caminho da construção coletiva comprometida, responsável e aberta, é elemento básico do processo
pedagógico que nos deverá conduzir a novas concepções e atitudes diante das questões ambientais,
especialmente, a do reflorestamento ecológico.

walter frantz é presidente da fidene (fundação de integração, desenvolvimento e educação do noroeste


do estado) e reitor da unijuÍ (universidade regional do noroeste do estado do rio grande do sul).

projeto regional de reflorestamento e recuperaÇÃo ambiental


referencial teÓrico

revisado – 1999
engo florestal alexandre f. barnewitz – ibama
téco agrícola vito a. cembranel – emater/rs

2
eze - central evangélica de ajuda ao desenvolvimento
fidene – presidente – walter frantz
saa – secretário – césar augusto schirmer
emater – presidente – caio tibério da rocha
drnr – diretora margô guadalupe antonio
ibama – superntendente rs - nelton vieira dos reis
aipan – presidente – ben–hur lenz césar mafra
m a – delegado estadual – clóvis a schwertner
arfor
ijuí – presidente – nilo rubem leal da silva
santo Ângelo – presidente antônio warpechowski
santa rosa – presidente – oscar bütenbender
três passos - presidente – joão pedro weiler
giruá – presidente – vazulmiro fernandes

orientação – raimundo paula diniz


revisores técnicos - osório a. lucchese, geraldo ceni coelho.
Élio dreilich e nilo leal da silva
criação /arte – elias schüssler e vilson maurio mattos

agradecimentos
a nossas esposas, filho e filhas pela compreensão e apoio que nos dedicaram.
as equipes municipais da emater de ijuí, catuípe e augusto pestana pelo apoio.
aos departamento da unijui, irder, dbq, e reitoria pela colaboração prestada.
ao doper-det- setor de multimeios da emater/rs pela orientação.
ao ibama, drnr e arfors pelo apoio técnico.
dedicaÇÃo
aos secretários de agricultura, aos colegas da emater e arfors, aos professores e
extensionistas das comissões municipais do municípios comveniados que terão a nobre
tarefa de levar aos agricultores, lideres e estudantes a idéia de vivermos em um
ecossistema mais equilibrado.
os autores

3
indice
apresentaÇÃo...................................................................................................................5

1. objetivos.......................................................................................................................6

2. o grande problema.......................................................................................................6

3. causas...........................................................................................................................8

4. conseqÜÊncias.............................................................................................................8

5. soluÇÕes......................................................................................................................9

6. revisÃo tÉcnica............................................................................................................11

6.1. porque do reflorestamento........................................................................................11

6.1.1. importância da floresta..........................................................................................11

6.1.2. importância da fauna e flora associado..................................................................13

6.1.3. influência da floresta no micro-clima e no solo....................................................14

6.1.4. equilíbrio ecológico...............................................................................................16

6.2. porque reflorestar......................................................................................................19

6.3. onde reflorestar.........................................................................................................22

6.3.1. Áreas recomendadas para reflorestamento............................................................23

6.4. como reflorestar........................................................................................................26

6.4.1. qualidade da muda.................................................................................................26

6.4.2. sistemas de reflorestametno...................................................................................27

6.4.3. plantio....................................................................................................................36

6.4.4. tratos culturais........................................................................................................37

6.4.5. combate a pragas...................................................................................................38

6.4.6. manejo das florestas...............................................................................................39

6.4.7. problemas do reflorestamento...............................................................................43

6.5. descrição das espécies..............................................................................................44

6.5.1. exóticas..................................................................................................................44

6.5.2. nativas....................................................................................................................49
4
7. resultados esperados....................................................................................................55

7.1. diagnóstico................................................................................................................55

7.1.1. dados gerais dos municípios..................................................................................55

7.1.2. classes de capacidade de uso do solo.....................................................................56

7.1.3. dados sobre recursos florestais..............................................................................57

7.1.4. dados sobre apicultura e piscicultura.....................................................................59

7.1.5. dados sobre a utilização da matéria-prima florestal..............................................60

7.2. balanço energético e déficit florestal de ijuí.............................................................61

7.3. metas em dez anos....................................................................................................62

7.4. sugestão de pólos de produção.................................................................................63

7.5. experiência que está dando certo..............................................................................66

7.6. isso 14.000................................................................................................................67

7.7. relação custo/benefício.............................................................................................68

8. metodologia da soluÇÃo.............................................................................................69

8.1. o projeto....................................................................................................................69

8.2. estrutura do projeto de reflorestamento....................................................................70

9. benefÍcios.....................................................................................................................71

9.1. exemplo prático........................................................................................................71

9.2. nosso projeto.............................................................................................................72

referencial bibliogrÁfico.................................................................................................74

5
apresentaÇÃo

o presente trabalho tem a finalidade de trazer contribuições, sobre o


reflorestamento e recuperação ambiental, aos membros das comissões municipais do
projeto regional de reflorestamento e recuperação ambiental , somando-se aos esforços
locais.
o mesmo faz parte do material instrucional da campanha regional de
reflorestamento e visa nivelar conhecimentos e instrumentalizar os parceiros nas ações
em cada município.
estes produtos instrucionais em conjunto com o ensino forma, não formal e a
mídia, buscam aumentar a abrangência de forma eficiente e eficaz para atingir os
rincões.
são eles:
• referencial teórico
• vídeo educativo
• vt 30’
• cartazes
• folder
• lâminas para retroprojetor
• spot para rádio
• formulário de curso e palestra
• kit demonstrativo

6
projeto regional de refloretamento e recupeÇÃo ambiental

referencial teÓrico
desenho?

1)objetivos

• conscientização para o reflorestamento, visando promover uma mudança de


mentalidade.
• promover o planejamento e utilização racional do solo, visando elevar a qualidade de
vida dos agricultores, população em geral;
• aumentar a produtividade agropecuária e reverter o quadro de degradação do meio
ambiente;
• implementar ações que levem o agricultor a efetivar estas mudanças;
• oferecer alternativa de produção, reflorestamento econômico, ecológico e sistemas
de produção onde a floresta venha a ser uma cultura complementadora da
piscicultura e apicultura.
• viabilizar o reflorestamento ecológico visando a recuperação dos recursos naturais
(mata ciliar, por exemplo);
• produzir mudas de alta qualidade;
• ocupar com florestas, áreas ociosas e improdutivas;
• melhorar o equilíbrio ecológico de modo a contribuir no controle biológico de pragas
e doenças;
• melhoria da qualidade de vida explorando racionalmente a atividade florestal,
obtendo renda.

2)o grande problema

redução da área florestal através do desmatamento, levando a uma má utilização


dos recursos naturais com agravamento da situação ambiental e econômica em nossa
região, bem como no estado.

***(ver mapa ibama (ibdf) as 3 situações de cobertura florestais, original, 82 e 90)

3)causas

colonização pelos imigrantes europeus a partir do século xix;


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revolução verde com implantação de uma agricultura agroexportadora a partir da
década de 50;
divisão das propriedades pelos herdeiros dos colonizadores levando à derrubada
de matas em áreas inapropriadas para cultivo anuais e pastoreio;
política governamental que incentivava os proprietários a desmatar
(financiamento), considerando área de mata nativa como sendo improdutiva,
inclusive com impostos mais elevados;
má utilização do solo com técnicas inapropriadas de plantio e manejo;
falta de formação de consciência conservacionista do solo, da água e dos recursos
naturais;
• mecanização excessiva da agricultura e implantação de sistema de monocultura, que
levaram ao empobrecimento do solo, provocando a expansão da fronteira agrícola o
gerou o desmatamento;

4)conseqÜÊncias

redução da cobertura florestal nativa para níveis inferiores a 2,6 % no estado;


erosão genética e seleção negativa das espécies florestais araucária e grápia ;
aumento do impacto dos fenômenos meteorológicos como as precipitações
elevadas, ventos, geadas, variações de temperatura e de umidade do ar,
acarretando enxurradas, temporais, secas e redução de produtividade
agropecuária;
aumento do co2 na atmosfera, o que contribuí para o efeito estufa;
deterioração do solo por: erosão, perda de fertilidade e estrutura, redução de
matéria orgânica do solo;
rebaixamento dos lençóis freáticos, irregularidade de vazão dos rios, redução do
número de fontes e de sua potabilidade, aumento da turbidez da água, aumento de
fertilizantes e agrotóxicos nos mananciais hídricos, redução da piscosidade dos
rios, assoreamento de barragens e rios, aumento dos custos para potabilizar água e
produzir energia;
perda de áreas com florestas nativas, acarretando redução da oferta de produtos
florestais nobres com diminuição no número de empresas (“empregos”), e maior
exportação de recursos financeiros com a compra de matéria prima e produtos de
outras regiões;
dependência da produção de grãos com conseqüente descapitalização dos
agricultores levando a uma deterioração econômica nos diversos segmentos da
economia regional;
aumento gradativo dos custos de produção das lavouras e o agravamento da
desestruturação dos sistemas de produção, especialmente provocados pelo manejo
incorreto e utilização intensiva de insumos e agrotóxicos, acarretando a perda de
sustentabilidade destas unidades;
diminuição da qualidade de vida da população regional devido ao desequilíbrio
ambiental e econômico.

5)soluÇÕes:

a solução da problemática ambiental passa por dois aspectos importantes: - o controle


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do gás carbônico (co2) na atmosfera e a busca de alternativas energéticas para o próximo
século, baseada nos recursos naturais renováveis, com o incremento da cobertura
florestal através do:
reflorestamento econômico: com diferentes espécies, gerando alternativas
concretas para viabilizar indústrias de transformação de produtos florestais;
reflorestamento ecológico: visando recuperar áreas de preservação permanente
(margens de rios, riachos e barragens), áreas degradadas pela má utilização do
solo, áreas de empréstimo (beira de estradas), como protetora de áreas de lavouras
e construções (quebra ventos) e em aterros sanitários, contribuindo para o
equilíbrio agroecológico;
apoio a atividades complementares ao reflorestamento como apicultura e
piscicultura, que são incompatíveis com o uso indiscriminado de agrotóxico;
• estímulo a preservação dos remanescentes de vegetação nativa, que mantêm o
equilíbrio agroecológico preservando também a biodiversidade;

justificativa: o estado tem 42% de sua área com aptidão para o reflorestamento
segundo as classes de capacidade de uso do solo (classes vi, vii, viii), podendo ser
um grande fornecedor de matéria-prima florestal para o país, segundo rocha 1990.
a região noroeste tem esta aptidão destacada porque originalmente era coberta de
mata. no ano 2000 o brasil terá um consumo de 9,7 milhões de hectares igual a 95,4
milhões de metros cúbicos conforme souza, aflovem (1987).

gráfico 1 capacidade de uso do solo para rio grande do sul (rocha,1990).


uso do solo
58% 42%

6) revisÃo tÉcnica

6 1.)por que do reflorestamento:

introdução: tendo em vista o grande problema do desmatamento, a diversidade


de trabalhos que estão sendo executados e a necessidade de padronizar a linguagem , os
conhecimentos e as ações dos extensionistas dos municípios conveniados ao projeto e
considerando a grande importância do reflorestamento e a complexidade do tema em
questão, passamos a fazer a seguinte revisão técnica .
a flora, a fauna, o clima, o solo, a água, a diversidade genética, o plantio, a
situação atual, a legislação e o manejo florestal são alguns dos tópicos a serem
revisados.
sobre tudo porque consideramos o reflorestamento como sendo a uma alternativa
viável para procurar melhorar a situação sócio-econômica da propriedade rural e buscar
resolver o problema ambiental da região noroeste do estado, com vistas ao
9
desenvolvimento sustentado e a garantira de melhor qualidade de vida.

6.1.1) importância da floresta


protege o solo que reveste.
evita a erosão.
promove a infiltração das chuvas no solo, até a proporção de l40 mm por hora.
regula o micro-clima e o ciclo das águas.
fornece matéria orgânica para o solo.
enriquece o solo ao contrario de empobrecê-lo. (retira os nutriente das camadas
inferiores e os traz para a superfície).
fornece ao solo uma melhor textura e estrutura, pela acumulação de matéria
orgânica.
É um filtro natural da poluição, reciclando o co2.
recupera áreas deterioradas e erodidas.
serve de quebra vento e abrigo para animais.
serve de refúgio para fauna e inimigos naturais.
protege o solo em margens de rios, fontes d’água, áreas declivosas e topos de
morros (áreas de preservação permanente).
fornece bens de consumo (renda em dinheiro)
**figura

figura no 2: a floresta ameniza os fenômenos meteorológicos.


fonte: ibdf,1986

resumindo serve para preservar o solo, água, ar, diversidade da flora e fauna;
gerando equilíbrio ambiental fundamental para a perpetuação das espécies vivas
inclusive a dos homens.
este equilíbrio somente será atingido se tivermos 25 % da área coberta de floresta
segundo a onu e fao (citada por rocha l990).

6.1.2) importância da fauna e flora associadas


na natureza as florestas sempre estiveram associadas aos animais e vice-versa. a
floresta fornece abrigo e alimento para a fauna que controla as pragas com seus
inimigos naturais. a fauna ainda contribui na disseminação das plantas.
os animais alimentam-se de vegetais e de outros animais formando a cadeia
alimentar, e controlando as populações naturalmente .
os animais herbívoros alimentam-se da vegetação e por sua vez passam a ser o
alimento dos animais carnívoros, e estes, juntos com seus dejetos, são alimentos dos
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decompositores que devolvem elementos nutritivos ao solo, beneficiando os vegetais e
completando a cadeia alimentar .
o homem não pode destruir a cadeia alimentar e causar desequilíbrio nos
ecossistemas. por exemplo: destruindo os animais que comem os insetos, esses
aumentam até se constituírem em pragas para a agricultura, (cada morcego come 500
insetos por dia, conforme rocha, 1990).
a destruição da cadeia alimentar é responsável pelo desaparecimento de muitas
espécies. desde o ano l600 já desapareceram no mundo 360 espécies de animais e nos
últimos 2000 anos desapareceram l00 espécies de mamíferos (rocha 1990).
hoje são catalogados 300 espécies de animais brasileiros em via de extinção.
a maior concentração de fauna encontra-se nos ecossistemas de banhados, por
exemplo: peixes, crustáceos, aves, répteis, mamíferos, uma infinidade de insetos e
microorganismos.
a alteração desses ecossistemas, através de drenagens no propósito de tornar
agricultáveis, não é recomendada sob pena de causar sérios desequilíbrios ecológicos.
esta prática tem influência na ocorrência de espécies vegetais e animais e causam
rebaixamento no lençol freático gerando danos catastróficos.
uma das principais funções da fauna associada a flora diz respeito a polinização
feita por insetos e pequenos animais, além é claro, da dispersão de sementes por aves e
mamíferos (por exemplo o pinhão que a gralha azul planta e as sementes de palmeiras
que os esquilos disseminam ao esconder estas frutas para comê-las mais tarde).

6. 1.3.) influência da floresta no micro-clima e no solo


***(usar desenho esquemático do ciclo da água ou ciclo das chuvas)

1. precipitação (chuvas)
2. intercepção (em culturas, árvores, solo, etc.)
3. gotejamento de copa (água goteja da copa)
4. fluxo de caule (água escorre pelos caules)
5. infiltração(água penetra no solo)
6. interfluxo (fluxo subsuperficial)
7. escoamento superficial ( enxurrada)
8. armazenagem deprecional ou superficial (retenção)
9. percolamento ou fluxo de base
10. evapotranspiração
11. detenção superficial

figura no 3: componentes do ciclo hidrológico.


fonte: epagri, 1994.

a floresta é sinônimo de preservação de água e regularidade do micro-clima. o


chão das matas funciona como uma esponja, retendo a água das chuvas e liberando-a
aos poucos, para os lençóis freáticos que mantém as fontes e cursos d’água.
a evaporação e a transpiração aumentam a umidade relativa do ar, evitando
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mudanças bruscas de temperatura, formando nuvens e depois novas chuvas
sucessivamente.
a regularidade do micro-clima e do regime de chuvas está condicionando a
manutenção da floresta.
a mata oferece condições ideais para que a água da chuva se infiltre rapidamente
no solo e assim evite a erosão, permanecendo mais tempo no local em que cai e
passando a abastecer as fontes e a alimentar as plantações. retornando à atmosfera,
aumenta a umidade do ar, criando condições para novas chuvas.
a umidade do ar também evita mudanças bruscas de temperatura.
a floresta reduz a velocidade dos ventos, agindo como refrigeradora das massas
de ar quente, que provocam vendavais, e também atuam como quebra ventos.
da água das chuvas que caem sobre florestas, 80 % retornam à atmosfera através
da evapotranspiração, após passarem as chuvas.

figura nº 4: esquema de intercepção da água da chuva segundo maixner).

uma árvore do tipo sibipiruna sozinha, transpira no verão cerca de 400 litros de
água por dia. isto eqüivale ao efeito refrescante proporcional a 4 aparelhos de ar
condicionado ligados durante 24 horas por dia (revista natureza, edição especial Árvores
ornamentais, editora europa, 1996).
as concentrações mundiais de co2 (gás carbônico),na atmosfera, antes da
revolução industrial era de 290 ppm. atualmente com a queima dos combustíveis
fôsseis, chega a níveis de 345 ppm, estas situação necessita ser revertida no prazo de 20
a 30 anos para evitar o efeito estufa prejudicial a vida do planeta. segundo ab ‘saber, a.
12
et alii, 1990, citado por schröeder (1992).
para reduzir os níveis de co2 na atmosfera, impõe-se duas linhas: fixar
rapidamente o excesso de carbono e pesquisar fontes de energia que reduzem a emissão
de co2. transformando assim o modelo energético atual, (hoje cerca de ¾ da energia
primária no mundo são derivados de combustíveis fósseis), para minimizar o efeito
nocivo do excesso de co2 na atmosfera e contribuir decisiva e economicamente
justificada, a forma recomendada é o reflorestamento, segundo schröeder (1992).
a floresta fixa de 20 a l00 vezes mais carbono por unidade de área do que
plantações ou pastos. isto nos revela além da alta fixação de co2 da floresta, as
proporções que podem nos levar o desmatamento indiscriminado, conforme pacheco &
helene,1990, citado por schröeder (1992).

6.1.4) equilíbrio ecológico


um ecossistema natural sem sofrer agressões fortes tanto naturais como humanas,
tende a apresentar a capacidade de manter suas condições físicas, químicas e biológicas
em equilíbrio. isto se deve em boa parte à diversidade de espécies que o compõem.
pela observação de espécies como a erva-mate que tem grande diversidade
genética, e o trigo, com uniformidade genética acentuada, podemos concluir que existe
um desequilíbrio e uma susceptibilidade à variações climáticas e ao ataque de pragas,
causados pela uniformidade ou falta de variabilidade genética gerada pelo
desmatamento e monocultura.
esta fragilidade no equilíbrio dos ecossistemas, criada pelo homem, está perto de
comprometer o abastecimento de água, alimentos e a sobrevivência das espécies e do
homem.
para tentar reverter este quadro propomos o projeto regional de reflorestamento
em sua corrente de recuperação ambiental. desta forma as práticas abaixo listadas são de
fundamental importância para manter o equilíbrio agroecológico.
• cultivo de lavouras em policultura e com cultivares primitivos:
• preservação de vegetação nativa e reflorestamento em áreas contínuas formando
corredores de trânsito para fauna;
• atenuação dos fatores micro-climáticos como ventos, precipitação e temperatura.

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auto-ecologia de espécies florestais (corrigir conforme rascunho)???

figura no 5: inter-relações entre uma árvore e outros elementos do seu ambiente


próximo. relações cooperativas em retângulos, negativas em elipse
branca e neutras em elipse achurada (coelho, 1996, não publicado).

segundo a figura no 5, verificamos que uma árvore possui relações diversas com
os elementos físico-químicos e biológicos da floresta a sua volta. cabe explicar mais
detalhadamente cada grupo de (micro) organismos.

algas e bactérias na superfície das folhas:


pequenos organismos microscópicos sobre as folhas que vivem como epífitas sem
causarem danos às folhas, nutrindo-se de elementos liberados pelas folhas ou
carregados pelo vento e a chuva. podem ser diferentes formas de vida inter-relacionadas
de forma intrincada e cooperativa por vezes.

fungos parasitas:
especialmente ascomicetos e bacidiomicetos, que atacam as folhas destruindo células.

fungos decompositores:
a maioria são saprófitas, que alimentam-se de matéria orgânica em decomposição.
aguardando o momento de decompor as folhas velhas e mortas.

dispersores:
na floresta nativa, os dispersores apresentam muitas vezes para espécies de árvores
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uma condição especial para a sua perpetuação. animais maiores dispersam sementes
grandes e frutos carnosos e animais pequenos dispersam sementes menores.

epífitas:
são plantas que crescem em cima de outra planta, com raízes sem contato com o chão.
são as samambaias, bromélias e orquídeas. não são prejudiciais à planta hospedeira,
em sua maioria.

microorganismos mutualistas:
a maioria das árvores possuem associações com fungos em suas raízes denominados de
micorrizas. absorvem açucares das raízes e fornecem nutrientes minerais como o
fósforo e nitrogênio através de bactérias fixadoras associadas às leguminosas e outras
famílias.

polinizadores:
são insetos, pássaros e morcegos que, visando as flores em busca de néctar e pólen,
fazem a polinização.
(coelho, 1996 não publicado)

6.2) porque reflorestar

existe uma lei que diz que cada propriedade deve ter, no mínimo, 20% de sua área
coberta com florestas. essa lei, se for bem analisada, traz muitas vantagens para o
produtor.
a mata, quando existente na propriedade, traz os seguintes benefícios:

• a floresta controla a erosão


em terra com mato a água da chuva escorre menos. menos terra é arrastada
para as baixadas e rios, evitando o atulhamento. (ferreira, 1993).
no rs perde-se anualmente 242,4 milhões/ton. de terras férteis igual a 2 % da
área cultivada. (rocha, 1990).

• protege as nascentes dos rios e mantém o nível das águas


o mato na beirada dos rios evita o atulhamento dos mesmos com a terra que vem
das ladeiras e dos morros. o mato diminui a correnteza das águas, evita as
grandes enchentes e a poluição da água, pois, sabemos que a quantidade de
água doce disponível para homens e animais em todo o planeta é apenas 0,06 %
do total da água e ainda vem sendo poluída e contaminada.

• protege os animais selvagens


as árvores oferecem sombra, abrigo e alimentação aos animais silvestres. e estes
são importantes para manter o equilíbrio da natureza.

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• o mato enriquece o solo
as folhas que caem das árvores deixam o solo mais fértil.

• as matas diminuem a erosão provocada pelos ventos


um solo coberto com árvores é menos varrido pelos ventos.

• as matas purificam o ar
além de fornecer inúmeros produtos, as florestas são produtoras de oxigênio,
filtram o ar e tem efeito refrescante. uma árvore de grande porte transpira cerca
de 400 litros de água por dia, no verão, equivalente ao efeito de 4 aparelhos de
ar condicionado funcionando 24 horas por dia..

• as florestas embelezam e valorizam a propriedade


uma propriedade com matas tem mais valor que uma que não tem.

• garante o abastecimento de madeira


a madeira pode ser usada para lenha, carvão, madeira serrada, postes, tramas e
moirões etc.

• mais mato menos impostos


plantando árvores ou mantendo as matas da propriedade, menor será o imposto
territorial rural a ser pago (lei federal n.º 8171/91).

• reflorestar permite aumentar a renda


as árvores fornecem madeira, para lenha, construções, móveis, celulose,
laminados, papel, dormentes e uma infinidade de outros produtos.
fonte: plante Árvores, emater - rs, 1993.
o projeto floram elaborado por cientistas da universidade de são paulo, citado por
schröeder (1992) enfatiza a importância e necessidade de implantar reflorestamentos
industriais pela importância da madeira no balanço energético nacional (siderúrgicas)
.também pelo significado do setor florestal para a economia nacional: em 1988 gerou
250.000 empregos, 400milhões de dólares em impostos e 3,4 bilhões de dólares de
faturamento no mercado interno e 1,0 bilhão de dólares de exportações. também porque
não se nega a experiência e o conhecimento brasileiro na implantação de florestas de
rápido crescimento, necessário, dada a premência de iniciar o processo de fixação do co2
excedente na atmosfera.
o projeto floram prevê para o noroeste do rio grande do sul uma taxa de ocupação
de 30 %, com área a reflorestável de 1.350.000 ha

o projeto é uma contribuição para discussão nos mais diferentes segmentos da


sociedade brasileira, aponta os caminhos para a problemática ambiental nos aspectos do
controle do co2 na atmosfera e a busca de alternativa energética para o próximo século,
como é o caso do uso do álcool anídro adicionado à gasolina.

aptidão florestal: o nosso país, e por conseqüência, o nosso estado, tem um


16
potencial produtivo superior a muitos países que são tradicionalmente exportadores de
madeira.

tabela 1 - vantagem comparativa em crescimento florestal


local espécie m3/ha ano rotação anos
brasil pinus taeda 25 20/25
brasil eucaliptus 40 –60 7/15
brasil pinus tropical 35 20
chile 25 20/25
nova zelândia pinus radiata
usa pinus taeda 12 30
África do sul pinus patula 19 19
escandinávia picea, abies 5 60
canadá diversas 1 indefinida
suécia coníferas 3 60 a 100
fonte: ferron, roberto magnus. viabilidade da floresta social. erechim rs.

6.3) - onde reflorestar


numa propriedade as coisas devem ficar nos lugares apropriados nos lugares
planos, onde há menos perigo de erosão, devem ficar as lavouras. as pastagens e as
árvores devem ficar onde o terreno for mais dobrado.
em topos de morro, ladeiras, margens de rios, lagoas e barragens, devem ser
conservadas as matas existentes ou então deve ser feito o reflorestamento.
o mato no alto do morro, forma um solo muito fofo que, quando chove, funciona
como uma esponja. a chuva que cai penetra nesta esponja, vai para as camadas
profundas. nos lugares mais baixos surgem as vertentes.
ao redor das vertentes, o mato deve ser mantido ou, quando não tem, deve ser
plantado.
não tendo mato no alto do morro e nas ladeiras, o solo não é fofo e não funciona
como esponja. então a água da chuva, ao cair, não penetra na terra, mas escorre ladeira
abaixo .aí, ocorrem a erosão e as enchentes.
devem ser plantadas árvores, ainda, em terras inaproveitáveis, fracas, acidentadas
e onde não vinga mais nada (plante Árvores, emater - rs,1993).

17
***figura do perfil do rio, morro, encosta reflorestados

figura no 6: perfil do rio, morro, encosta reflorestados.

• 6.3.1) Áreas recomendadas para reflorestamento

• Áreas deterioradas, morros e encostas: segundo tabela de classes de uso do solo


todas as áreas com declividade superior a 16% são recomendadas para preservação da
mata nativa , reflorestar ou cultivos perenes, sofrendo restrições para cultivos anuais.
Áreas com declividade superior a 30% são exclusivamente recomendados para
reflorestamento ou conservação da mata nativa. sua exploração não é recomendada
ecologicamente, para cultivos anuais. nas áreas deterioradas a recomendação é que se
use espécies da família das leguminosas que são recuperadoras do solo por excelência,
além da fixadoras de nitrogênio. Áreas com 45o de declividade ou mais são
consideradas de preservação permanente por lei
tabela 2 - espécies recomendadas:
espécies finalidade
acácia negra lenha e tanino
araucária madeira nobre
bracatinga lenha
canafístula madeira para assoalho
cabreúva madeira para construções e móveis
camboatá lenha e palanque
erva-mate erva para chimarrão
eucaliptos lenha ,carvão, postes, palanques, serraria
guatambu madeira para assoalho
ipê e louro madeira para carpintaria e construções
fonte: plante arvores, emater – rs,1993.

• banhados: nestes locais há uma vegetação característica, própria de áreas inundadas.


são ecossistemas ligados ao lençol freático de uma região e dependem do regime de
chuvas. são ricos em variedades de animais e vegetais. nossa recomendação é que não
se altere mais que 20% destas áreas sob pena de deterioração do banhado, devido as
espécies da flora e fauna que só ocorrem nestes locais, não é recomendado o plantio
de eucalipto nem a drenagem (silveira,1989).
• topos de morros e áreas declivosas: nestas áreas devem ser preservada a floresta

18
nativa ou reflorestar devido a importância da cobertura florestal para absorver o
impacto da chuva e promover infiltração da água, abastecendo o lençol freático e
evitando erosão.
***inserir figura no 7 e 8

figura no 7 e 8:encosta declivosa e topo de morro.


fonte:ibdf,1986.

• margem de rios e barragens: segundo a legislação, qualquer curso d’água com até
10 m de largura deve ter uma mata de preservação permanente de 30 metros em cada
margem. em rios com largura de 10 a 50 metros a margem florestal deve ser de 50
metros. nos rios com largura de 50 a 200 metros, deve ser de 100 metros a margem
florestal. em rios de largura de 200 a 600 metros a margem florestal deve ser de 200
metros, e de 500 metros de margem florestal para rios com largura superior a 600
metros.
ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios naturais ou artificiais,
nascentes e olhos d’água deve ter um raio mínimo de 50 metros de cobertura florestal.
(código florestal brasileiro - lei 4771/65).

***inserir figura 9 e 10

figura no 9 e 10: margem de açude e rio.


fonte: ibdf, 1986.

para estes locais recomenda-se:

açoita-cavalo angico tarumã sete capote


araticum canela do brejo canela preta uvaia
goiabeira guabiroba guabijú guajuvira
pitangueira ingá branquilho aguaí
araça cerejeira cambuim pessegueiro brabo

fonte: plante Árvore, emater - rs ,1993.

obs.: em margens de cursos d’água , lagos e fontes não se recomenda o plantio de


espécies exóticas de grande porte como por exemplo eucalipto e pinus, em função
do risco de rebaixamento do lençol freático.

19
6.4) como reflorestar

6.4.1) - qualidade da muda


o primeiro passo para se ter mudas de boa qualidade é a obtenção de sementes
superiores.
o projeto vai adquirir sementes das melhores procedências fornecidas pela
fepagro – e.e.s. santa maria – rs e embrapa/cnpf, inclusive de algumas espécies exóticas
serão importadas sementes do pais de origem.
exemplo: as sementes do gênero eucaliptus deverão ser oriundas de áreas de
produção de semente, pomares clonais e importadas da austrália, garantindo a qualidade
genética da semente e a identidade das diferentes espécies do gênero, bem como seu
potencial produtivo.
as nativas serão produzidas a partir de matrizes especialmente selecionadas,
garantindo a qualidade e produtividade.
outro passo importante na qualidade das mudas será a tecnologia de ponta
implantada no viveiro regional que possui casa de vegetação com as condições
ambientais controladas, sistema de irrigação e nebulização automatizados e utilização
de tubete plástico, que é o mais novo tipo de embalagem para produção de mudas,
proporcionando um sistema radicular perfeitamente desenvolvimento.
*** inserir desenho do tubete – no 11

figura no 11: muda em tubete.

6.4.2) sistemas de reflorestamento

• semeadura a lanço - este sistema consiste em plantar em local definitivo as espécies


de sementes grandes, diretamente sem a produção de mudas em viveiro. exemplo:
pinheiro brasileiro, bracatinga e timbó que podem ser plantadas diretamente no local
definitivo.
• plantio heterogêneo - consiste no plantio conjunto de diferentes composições mais
parecidas com as nossas florestas nativas. É indicado para enriquecimento de matas e
na recuperação de florestas de margens de rios.
• plantio homogêneo - consiste na formação de maciços florestais com uma única
espécie, como os reflorestamentos implantados com eucalipto, acácia negra, uva do
japão, pinus sp, sendo indicado para fins econômicos e energéticos.
• plantio consorciado - nesse sistema aproveita-se os espaços entre as linhas de
reflorestamento para o plantio de culturas anuais como: soja, milho, mandioca nos
primeiros anos do reflorestamento.
esse sistema além de custear as despesas com a implantação do reflorestamento,
pode produzir cultura de subsistência, bem como, proporcionar uma melhoria nas
propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, com o uso de leguminosas fixadoras
20
de nitrogênio e facilitar os tratos culturais do reflorestamento.
sistemas agroflorestais - estes sistemas consistem na associação entre cultivos de
florestas, culturas agrícolas, e ou pastagens, visando produção auto sustentável na
propriedade rural.
projetos agroflorestais, em áreas ocupadas apenas com lavouras, pastagens ou
florestas plantadas constitui alternativa fundamental para o aumento da produção de
alimentos, madeira e energia, constituindo-se em uma prática aperfeiçoada, pois a
ocupação excessiva do solo já não permite a sustentabilidade da produção, (carvalho
1994).
exemplo: sistemas agroflorestais com a erva mate:
a erva mate se presta muito bem para diferentes sistemas silviagrícolas e
silvipastoris, associada com cultivos de mandioca, milho, feijão ou com ovinos, gado de
leite e novilhos precoces.
o sistema agroflorestal associa os componentes árvore-pastagem-animal-lavoura,
de forma simultânea ou seqüencial, no tempo e no espaço, promovendo interações entre
eles, podendo haver competição por nutrientes, água, luz, espaço, quando existe
exigências similares, por outro lado pode haver interações de favorecimento entre os
componentes do sistema.
exemplo: - forrageiras leguminosas fixam nitrogênio beneficiando a erva mate .- a
bracatinga fixa nitrogênio para o feijão e milho. - o esterco dos animais no sistema
inoculam microorganismos e fertilizam o solo beneficiando as culturas.

sistema de abandono de área - neste sistema a natureza se encarrega de fazer a


regeneração da vegetação anteriormente existente na região, bastando ao homem
simplesmente abandonar a área. isto vai ocorrer dependendo das condições
existentes no local tais como: banco de sementes armazenado no solo, matrizes
fornecedoras de sementes, dispersores e condições climáticas e fertilidade.
nestas condições inicialmente desenvolvem-se as gramíneas, as vassouras entre
outras, criando condições de surgimento de pioneiras arbóreas, secundárias, secundárias
tardias e as espécies clímax, ou reprodutoras a sombra.

sistema de sucessão natural (recomposição da mata nativa similar à original) -


consiste no homem ajudar a natureza a se recompor, reflorestando com espécies
nativas tanto em áreas de preservação permanente como em outras áreas que se
deseje implantar floresta nativa.
segundo longhi, (1995) na utilização desse sistema é imprescindível observar as
características específicas de cada uma das espécies, como a regeneração, dispersão,
formação e longevidade.
para haver a reconstituição da mata natural é importante que se use no mínimo
duas espécies e que sejam complementares entre si quanto a seu hábitos e situação. se
utilizarmos espécies pioneiras secundárias e clímax, o plantio pode ser simultâneo ou
obedecer a seqüência natural, que pode ser aleatória ou através de esquema (a ou b)
entre outros.
a) implantação de bosques com 2500 plantas por hectare.
625 pioneiras

21
625 secundárias (no máximo 50 exemplares por espécies)
625 secundárias tardias (idem secundárias)
625 clímax
b) implantação de bosques com 2000 plantas por hectare.
l.625 pioneiras
250 secundárias
l25 clímax
*** inserir desenho das formas geométricas. fig. 12.

figura no 12 deve-se observar que a formação seja sempre um mosaico como ocorre
naturalmente.

o surgimento das espécies nativas seguem uma seqüência lógica a qual devemos
observar quando da implantação de bosques nativos segundo longhi, (1995).
a formação da diversidade de espécies florestais nativas tropical e subtropical é de
mais de uma centena de espécies arbóreas klein, (l982), citado por longhi (1995) não
publicado, com densidade baixa para cada espécie por ha, formando um mosaico
arbóreo natural, onde cada ponto é diferente na estrutura e composição segundo
kageyama citado por longhi (1995) não publicado. para que esta formação possa seguir
sua reprodução é essencial a presença de animais, porém essa relação é altamente
específica para com as espécies florestais.
importante é que o reflorestamento que se pretende implantar deve ser de
múltiplas espécies para que possa se auto renovar sem a interferência humana.
segundo budowski citado por longhi (1995), as espécies nativas comportam-se de
modo diferente quanto ao crescimento a pleno sol, a sombra ou independem destes
fatores.
a separação de espécies florestais tropicais em grupos ecológicos pode ser feita
por diferentes critérios, conforme demostra a tabela 3, por isto gerando confusão na
literatura segundo kageyama & viana, (1989) citados por coelho (1996) não publicado.
“no sul do brasil, algumas espécies apresentam características mistas, dificultando
sua inclusão em categorias. especialmente na formação florestal denominada mata de
pinhais, observamos espécies com características mistas. a araucária (araucaria
angustifolia) é um exemplo, pois apresenta sementes recalcitantes (de curta
longevidade), crescimento mediano e folhas com alta longevidade, apresentando-se
como heliófita em qualquer fase, muitas vezes atuando como pioneira sobre áreas de
campo.

tabela 3 - características biológicas das espécies conforme as categorias ecológicas, em


grau decrescente de importância. baseado em budowski(1965), blackman & wilson
22
(1951), kageyama & viana (1989), gonçalves et al., poggiani et al.,(1992).
pioneiras secundárias iniciais secundárias tardias reprodutoras à sombra

necessidades de luz germinação, crescimento, reprodução pouca necessidade de


intensa durante as fase crescimento, reprodução luz intensa
do desenvolvimento. reprodução
longevidade das longa mediana mediana ou curta
sementes curta (semanas –
alguns meses)
tipo de dormência quebrada por luz germinação apenas dormência tegumentar variada
(fotoblásticas) ou por com embebimento de
calor água dormência
tegumentar
fenologia perenifólias caducifóias variável perenifólias
tipo de dispersão das por animais, sem fatores físicos (água, animais ou autocoria animais específicos ou
sementes especificidade, ou chuva) ou animais, ou generalistas
autocoria autocoria
tolerância à sombra baixa baixa tolerante em estágio alta tolerância
juvenil
raízes grandes desenv. (massa desenvolvimento desenvolvimento desenvolvimento
crescim. em mediano reduzido
reduzido
profundidade
velocidade de
crescimento)
produção de galhos e alta variável baixa baixa
folhas
longevidade das folhas baixa baixa baixa média alta
aumento da não variável variável sim
produtividade em
regime de sombra
porte mediano (estrato mediano a emergente mediano a emergente estrato inferior (sub-
intermediário) bosque) ou
intermediário
ciclo de vida anos 10 a 30 (-50) 50 a 500 (-1000) 50 a 500 (-1000) variável
concentração de alto mediano mediano baixo
nutrientes nas folhas
densidade(p|ha) alta variação local baixa (raras) a médias baixa (raras) a médias médias a altas
principais usos lenha, celulose, frutos, madeira de madeira de média e madeira, frutos, folhas,
alimentação animal média e alta qualidade alta qualidade ornamental

timbó (ateleia glazioviana), é outra espécie que apresenta características mistas.


possui frutos alados (dispersão pelo vento), sementes recalcitantes e é caducifólia.
por outro lado, apresenta enraizamento agressivo, e rápido crescimento em áreas
abertas (heliófita).
o timbó não é uma espécie florestal característica, mas sim, ocupa áreas de
transição entre a floresta e campo, (rambo, 1994, conforme também vasconcellos et alii,
1992) citados por coelho 1996 não publicado. este ocorria nas bordas da floresta. hoje o
timbó invadiu áreas, tornou-se uma planta ruderal, ou seja, especializada em ocupar
ambientes perturbados pelas transformações humanas podendo ser classificada, na
prática de manejo florestal como pioneira antrópica, desde que considerando-se a sua
inibição ao desenvolvimento de outras espécies”.
(coelho, 1996, não publicado)

23
conceito de categorias sucessionais ou categorias ecológicas ou ainda categorias de
sucessão vegetal ou florestal:
longhi, (1995) não publicado, faz uma conceituação das categorias sucessionais
como segue:
pioneiras: de ciclo curto em média 5 a l5 anos podendo durar até 50 anos,
formadoras do estrato arbustivo,(nessecita luz em todas as fases, dormência fotoblástica
ou por calor) dispersão por animais não específicos. ex.: grandiúva, aroeira-brava, chá
de bugre.
secundárias iniciais: ciclo 15 a 30 ano em média, formadora do estrado sub-
arbóreo, sementes dispersas pelo vento com poder germinativo curto, aparecem nas
clareiras. ex.: ipê amarelo.
secundárias tardias: ciclo de 30 a 50 anos formação do estrato arbóreo,
sementes dispersas pelo vento, surgem depois das secundarias iniciais, sementes com
dormência mecânica. ex.: grápia e alecrim.
clímax: ciclo superior a 50 anos podendo chegar a 500 anos, formadora do estrato
arbóreo superior a dispersão das sementes é feita por animais específicos é reprodutora
à sombra. ex.: grápia, canafístula.
segundo coelho, em ecologia florestal, 1996, não publicado), conceitua a
categoria de reprodutoras à sombra no lugar da categoria clímax. outros conceituam
simplesmente, que espécies clímax são as mais altas e dominantes na floresta o que não
é de todo verdadeiro. tampouco é verdadeiro que a floresta é sempre o ápice de qualquer
processo sucessional, ou o ápice de qualquer escala de valores, mesmo porque estes
valores são criados pelo homem com forte influência econômica. a natureza nem
sempre se comporta segundo valores estabelecidos pelo homem. exemplos: vegetações
de banhados, campos, cerrados, campos sujos, conforme condições de solo e clima
disponíveis podem ser considerados ecossistemas clímax.
reprodutoras à sombra: categoria equivalente a clímax , porém diferindo do seu
conceito clássico. caracterizada pela presença de espécies com pouca necessidade de luz
intensa, longevidade de sementes de mediana a curta com dormências variadas. ex.:
erva mate que surge em um estágio avançado da sucessão florestal na floresta latifoliada
mista. outros exemplos: aguaí-da-serra, cerejeira, manacá ou primavera e guassatonga.

exemplos de cada categoria para a região noroeste do rs.

pioneiras:
bracatinga mimosa scabrella, leguminosa
chá-de-bubre casearia silvestris, flacourtiácea
fumo-bravo solanum erianthum, solanácea
mandiocão didimopanax morototoni, araliácea

secundárias iniciais de fruto alado


cedro cedrela fissilis, meliácea
cabreúva myrocarpus frondosus, leguminosa
angico - vermelho parapiptadenia rigida, leguminosa
24
ipê-branco tabebuia alba, bignoniácea

secundárias iniciais de fruto carnoso ou sementes com arilo


ariticum rolinia salicifolia, anonácea
guabiroba campomanesia xanthocarpa, mirtácea
batinga vermelha eugenia rostrifolia, mirtácea
ingás inga sessilis, inga virescens, leguminosas

secundárias tardias ou tolerantes à sombra


alecrim holocalyx balansae, leguminosa
camboatá-vermelho cupania vernalis, sapindácea

reprodutoras à sombra
erva mate ilex paraguariensis, aquifoliácea
aguaí da serra chrysophyllum gonocarpum, sapotácea
manacá ou primavera brunfelsia uniflora, solanácea
cerejeira engenia rostrifolia, mirtácea
guassatonga casearia decandra, flacourtiácea

(coelho, 1996, não publicado)

• sistema enriquecimento de matas secundárias - enriquecimento de florestas,


capoeiras pouco produtivas ou florestas semi-devastadas podem ser adensadas com
espécies mais nobres. o plantio pode ser feito em linhas ou mesmo aproveitando
pequenas clareiras. as espécies devem ser adequadas para crescerem sem a insolação
direta. a araucária, o sobragi, a canafístula, as canelas, os ipês, o palmiteiro, a uva do
japão e mesmo o eucalipto são espécies adequadas para este tipo de plantio. este
plantio é mais indicado quando se deseja árvores de troncos retos e altos.
o método de plantio de enriquecimento visa aumentar o número de espécies de
maior valor comercial e facilitar a exploração. no trabalho de abertura do sub-bosque, as
mudas das espécies florestais desejáveis devem ser mantidas. mesmo após o plantio é
necessário manter a área limpa, pelo menos nos dois primeiros anos. a falta de tratos
culturais pode condicionar uma elevada percentagem de mortalidade das mudas
plantadas.
este sistema pode ser utilizado no manejo sustentado.

• sistema bracatinga - consiste na implantação de povoamentos homogêneos de


bracatinga ou de outras espécies em talhões implantados um a cada ano. o número de
talhões deve ser igual ao número de anos da rotação da cultura, a fim de se explorar
um talhão por ano, obtendo-se renda anualmente.
após a implantação do último talhão iniciar-se-á a exploração do primeiro talhão,
até o último, quando o primeiro novamente estará pronto para nova exploração.
espécies recomendadas: bracatinga, acácia negra, eucalipto inclusive para a região
25
este sistema se adapta como método de exploração racional do timbó.
exemplo: agricultores do paraná usam este sistema associado a cultivos de feijão
e milho. eles implantam os talhões de bracatinga um a cada ano, no final do sétimo ano
fazem a colheita do primeiro talhão, e como a bracatinga fixa nitrogênio proporciona o
cultivo do feijão e milho com bons rendimentos. como a bracatinga já produziu
sementes, ressemea novas plantas da espécie que devem ser raleadas. assim que as duas
culturas são colhidas, está reimplantado este talhão, e assim sucessivamente. deste
modo tem-se uma colheita de lenha, milho e feijão todo ano na propriedade rural.
este sistema se presta muito para recuperação de áreas deterioradas.

• quebra ventos - estas estruturas tem a finalidade de reduzir a velocidade dos ventos
em até 80%. estes devem ser localizados perpendicularmente ao sentido dos ventos
dominantes da localidade. este é formado por 3 a 8 fileiras de árvores de diferentes
espécies e alturas.
o quebra vento protege até 22 vezes a sua altura em distância, além da vantagem
de abrigar inimigos naturais das pragas de lavouras, abrigar gado e favorecer
polinização das lavouras abrigadas por uma série de quebra ventos, bem como dificultar
a disseminação de pragas e doenças.
espécies recomendadas para quebra ventos: ciprestes, calistemon (chorão da
praia), acácia trinervis, eucalipto, grevilha, pinus, plátano, tipuana, guajuvira,
bracatinga.
ex.: 1ª fileira calistemon
2ª fileira acácia trinervis
3ª fileira acácia trinervis
4ª fileira cipreste
5ª fileira eucalipto
6ª fileira eucalipto
7ª fileira eucalipto
8ª fileira acácia trinervis

6.4.3) plantio
o preparo do solo vai depender de cada situação, porém o ideal deve ser
semelhante ao preparo do solo para culturas anuais, tais como subsolagem e outros.
após a limpeza do terreno ou das clareiras prepara-se o local das covas para o
plantio, fazendo pequenas coroas. É muito importante que o plantio seja efetuado
quando o solo estiver com umidade recomendada, dando preferência a dias nublados.
isto possibilitará melhores condições para que as mudas plantadas sobrevivam.
a profundidade do plantio deve ser a mesma em que a muda se encontra no
tubete, isto é, não se deve enterrar demais nem deixar a raiz sobrando sobre a superfície
do solo, devendo formar uma pequena bacia para captar água.
deve-se abrir a cova e misturar a terra da superfície com adubo orgânico e ou
químico, conforme a análise do solo.

26
algumas espécies suportam bem a semeadura direta a campo, podendo ser feita a
lanço, sem a produção de mudas em viveiro
exemplo: pinheiro brasileiro, bracatinga e timbó podem ser semeadas diretamente
no local definitivo.

6.4.4) tratos culturais


a manutenção da área reflorestada limpa, livre de ervas invasoras na fase inicial
de implantação, contribui decisivamente para o bom desenvolvimento das plantas,
consequentemente aumentando sua produtividade. em casos de manejo da regeneração
natural, a roçada na forma de coroamento é suficiente.
. consorciação - plantio com outras culturas, conforme descrito anteriormente onde os
tratos culturais efetuados para a cultura anual auxiliam a cultura principal que é o
reflorestamento.
. coroamento - consiste na capina ao redor da planta, até l m de diâmetro, aproveitando
esta oportunidade para readubar plantas deficientes. a coroa deve ser mantida limpa nos
dois primeiros anos após o plantio.
***inserir figura do coroamento do folder(folheto)

figura no 13: coroamento da muda.

. cobertura morta - é a prática de proteger o solo ao redor da planta com palha, restos
de cultura ou outros materiais orgânicos, para evitar o desenvolvimento de ervas
daninhas e manter a umidade do solo.
. roçada - prática que deve ser adotada nas entre linhas, que pode ser mecânica ou
manual, até o perfeito estabelecimento das árvores na área.
. replantio - o replantio é executado com mudas de qualidade, de modo a substituir
aquelas atacadas por formigas, mortas ou danificadas por outros agentes: deverá ser de
20 - 30 dias após o plantio; o povoamento deve ter sobrevivência superior a 95%.
. desrama (poda)- a desrama é a prática de retirada dos galhos mortos e vivos mais
baixos, com a finalidade de evitar a criação de nós dentro da madeira, melhorar a
qualidade e altura do fuste, favorecendo a ventilação e insolação do povoamento, sendo
realizado no fim do inverno.

6.4.5) - combate a pragas


quando efetuamos o plantio, expomos as plantinhas a uma série de predadores
que podem provocar sérios danos às mesmas ou até matá-las. o cuidado com o controle
destes predadores é, portanto, de fundamental importância.
. formigas - as formigas são consideradas um dos piores inimigos dos reflorestamentos,
especialmente quando refloresta-se com espécies de eucalipto. para combatê-las é
necessário que dois meses antes do plantio se faça uma limpeza na área, eliminando-se
27
os formigueiros. após o plantio deve-se manter o controle com o uso de iscas
formicidas, distribuídas a cada 10 m de distância, na periferia da área, e a cada 20 m no
meio da área reflorestada. a proteção da isca deve ser feita com potes plásticos, casca de
árvores, canudo de bambu ou qualquer material que a proteja da umidade.
a folha de timbó triturada pode ser usada como repelente quando espalhada em
volta da muda.
para correta utilização de formicidas siga as recomendações do receituário
agronômico.
as formigas cortadeiras tem sido responsáveis pelo fracasso de inúmeros
reflorestamentos. antes do plantio é necessário efetuar o seu controle. após o plantio a
vigilância deve ser constante.

. outros insetos: - comunidades de plantas com um pequeno número de espécies são


geralmente mais suscetíveis a aumentos repentinos de insetos herbívoros do que as
comunidades mais diversificadas e complexas, e as árvores mais jovens e vigorosas são
mais resistentes ao ataque de insetos. por isso, o problema de pragas é acentuado nos
reflorestamentos homogêneos. o controle é complicado e, muitas vezes, muito
dispendioso. a manutenção de áreas com remanescentes de florestas nativas
diversificadas, se possível enriquecendo-as com outras espécies, é uma forma de atenuar
o ataque de pragas sobre os plantios. até porque, muitas vezes, estas áreas atraem e
abrigam os predadores naturais destes insetos.

6.4.6) - manejo das florestas


• corte raso e condução da rebrota
a partir da floresta estabelecida uma das técnicas de manejo é o corte raso, que
consiste em um tempo só, cortar todas as árvores e conduzir a rebrota ou fazer nova
implantação.
esta modalidade de manejo é indicada para algumas espécies exóticas e vai gerar
produtos de baixo valor comercial, porém, em grande quantidade e em curto prazo.
exemplo: eucalipto, densidade superior a 2.500 plantas por hectare cortados entre 4 e 6
anos, produzindo lenha e varas para construção civil.
***inserir figura do corte raso no 14

figura no 14: condução da rebrota.


fonte: fao / ibama, 1987.

neste caso após a exploração deseja-se que cada toco brote, devendo-se ter os
mesmos cuidados da época de implantação, sem uso do fogo e com combate à formiga.
em cada toco poderá surgir inúmeros brotos dos quais deve-se conduzir 3 a 4 brotos
bem distribuídos.
28
a bracatinga faz a resemeadura naturalmente, para seguir o processo basta fazer o
desbaste do excesso de mudas.

tabela 4 - rendimento médio de uma floresta de eucaliptus sp.


número de idade do diâmetro dap* rendimento destino
cortes povoamento médio de corte médio de corte do produto
anos cm m3/ha
primeiro 8 12,80 230 lenha
segundo 13 11,40 207 lenha
terceiro 18 10,20 184 lenha
total - - 621 -
*dap – diâmetro a altura do peito a 1,30 m do solo.

• corte seletivo
neste sistema faz-se o plantio com densidade inicial de 2.500 plantas por hectare.
nos anos iniciais a plantação terá um desenvolvimento bem visível em altura e diâmetro.
após este período ela entra em estagnação em função da concorrência por espaço e
nutrientes, sempre que isso ocorrer recomenda-se o desbaste seletivo por baixo, marca-
se e retira-se as árvores suprimidas e dominadas e deixa-se as dominantes, com espaço
vital suficiente para o seu crescimento. este sistema adapta-se para o cultivo de espécies
exóticas de rápido crescimento tais como: eucaliptos, pinus, cinamomo paraíso, uva do
japão, grevilha, e nativas como pinheiro brasileiro.
neste caso objetiva-se produzir madeira nobre para serrarias com diâmetro maior,
porém com ciclo mais longo (20 anos ou mais).
***inserir figura 15

figura no 15: corte seletivo.


fonte: fao / ibama, 1987.

nos desbastes periódicos obtém-se produtos menos nobres, mas trazendo receita
para o produtor. partindo-se de 2.500 plantas por hectare, após os desbastes ficaremos
com uma densidade final de 300 plantas destinadas a toras para serraria.

tabela 5 – rendimento em corte seletivo


nº do desbaste idade do diâmetro dap rendimento destino do produto
povoamento médio de corte médio do corte
anos cm m3/ha
lenha m3/ha serraria m3/ha
29
primeiro 08 14 73 54,8 18,2
segundo 11 17 105 31,5 73,5
terceiro 14 20 115 - 115,0
quarto 18 23 145 - 145,0
corte final 23 31 225 - 225,0
total - - - 83,6 576,7

o desbaste propicia povoamentos mais saudáveis, devido a entrada de


luminosidade no seu interior. as copas podem se expandir, tornando-se assim, árvores
mais resistentes, surgindo também outras espécies principalmente nativas enriquecendo
o subosque.
observa-se a campo em povoamentos antigos, principalmente de coníferas, que a
falta de desbastes periódicos faz com que as árvores fiquem muito altas e de baixo
diâmetro com copa verde menor do que 1/3 de sua altura, o que não é desejável, pois
estas são instáveis, não tem vitalidade e provavelmente vão quebrar e ou morrer.
desta forma é fundamental que os desbastes sejam feitos ao tempo certo evitando
esta situação de perda de produtividade. caso isto acontecer o povoamento poderá
perder muitas árvores. então deverá fazer-se um desbaste predatório, retirando-se as
árvores bifurcadas, suprimidas e mortas deixando-se as árvores mais saudáveis com
maior chance de incremento. em caso de dúvida deve-se decidir pela retirada da árvore.
isto ocorre hoje em dia nos povoamentos de pinus sp que não sofreram intervenções e
tendo atualmente baixíssima qualidade.

• corte sistemático
este sistema é menos usado, porém mais simples e barato em alguns casos, e
consiste na retirada sistemática de uma fileira e deixando-se outras três, retira-se mais
uma sucessivamente, prestando-se para povoamentos homogêneos. no caso de
povoamento heterogêneos, retiram-se faixas de árvores, correndo-se o risco de se cortar
algumas árvores valiosas para o povoamento.

• manejo sustentável de florestas nativas


segundo o código florestal brasileiro são consideradas de preservação permanente
as áreas de margens de rios e cursos d’água, lagos e lagoas naturais e artificiais,
nascentes e fontes d’água, topos de morros, nas encostas declivosas, restingas, e as
definidas por decreto específico do poder público. nestas áreas a floresta não pode ser
explorada (cortada) economicamente e são isentas do itr – imposto territorial rural.
conforme a mesma lei a quinta parte das propriedades rurais (20%) é considerada
reserva florestal legal e também não pode ser explorada.
as áreas de florestas ressalvadas as de preservação e reserva, estão sujeitas apenas
ao manejo sustentado sendo proibido o corte raso.
o manejo sustentado de florestas nativas é uma prática de exploração não
predatória onde deve ser retirado apenas a quantidade de madeira que a floresta cresce
anualmente (ima - incremento médio anual), ou seja, retira-se as árvores mortas, caídas,
quebradas e maduras deixando as árvores finas para continuarem crescendo.

30
6.4.7) problemas do reflorestamento
• plantio de espécies em locais inadequados;
• replantio atrasado;
• falta de adubação ou adubo em contato direto com a raiz;
• espaçamento incorreto;
• mudas plantadas com o colo enterrado;
• competição demasiada de inços;
• não combate às formigas cortadeiras;
• manejo ou condução inadequado de povoamentos;
• intervalo de corte prolongado;
• falta de replantio;
• não execução da desrama;
• não condução da rebrota;
• falta de desbaste e desbrote;
• falta de conhecimento do assunto.

6.5) descrição das espécies:

6.5.1) exóticas:
1. a) nome vulgar: acácia negra
b) nome científico: acacia mearnsiii
c) classificação na dinâmica sucessional: pode ser usada como pioneira para
implantações futuras de nativas.
d) características gerais: espécie rústica exótica, nativa da austrália, de rápido
crescimento, leguminosa fixadora de nitrogênio, com boa adaptação na região sul.
tem casca rica em taninos e madeira dura de alto poder calorífico.
espécie procurada pelas formigas e atacada por um inseto coleóptero chamado
“serrador da acácia negra” que coloca ovos nos galhos e corta estes para o
desenvolvimento das larvas. esta praga deve ser combatida através da catação manual
dos adultos e queima imediata dos galhos afetados.
e)usos: pode ser empregada em áreas deterioradas e voçorocas como
recuperadora de solos, indicada como pioneira na implantação de erva-mate e
outras nativas. indicada para produção de casca para extração do tanino na região
da grande porto alegre para produção de lenha de alto poder calorífico e varas de
construção civil, aglomerados e papel.
f) produtividade: espécie de rápido crescimento com alta produção de lenha (+/-
300 m3/ha por ciclo) de baixo diâmetro quando feito plantio adensado. Árvore de
ciclo curto, morrendo após aproximadamente 8 anos de idade. indicado o corte
31
raso para se obter maior produtividade.
g) propagação: faz-se a implantação preferencialmente com mudas, podendo-se
fazer também com sementes. após o primeiro ciclo de 8 anos faz-se novo plantio
com mudas ou se induz a regeneração natural através da queima da resteva da
cultura que é menos indicado pelos danos causados pelo fogo ao ambiente
natural. espaçamento 2 x 2 m ou 3x 1,5 m ou 2 x 1,5 m dependendo da fertilidade
do solo.

2. a) nome vulgar: cinamomo paraíso


b) nome científico: melia azedarach
c) classificação na dinâmica sucessional: pode ser usado como precursora,
pioneira ou secundária inicial.
d) características gerais: espécie florestal exótica, originária da Ásia, de rápido
crescimento com produção de madeira nobre para móveis. própria para
reflorestamento homogêneos.
e) usos: indicada para reflorestamentos homogêneos com a finalidade de produzir
madeira nobre para serraria, indicada para construção de casas de madeira,
móveis, esquadrias, e laminação. como subproduto dos desbastes e galhadas
produz lenha de média importância.
f) produtividade: espécie produtiva e de rápido crescimento estimando-se que
chegue a 40 cm de diâmetro em 10 anos produzindo produto nobre de maior valor
comercial. para se atingir esta produtividade alta devem ser utilizadas mudas de
boa qualidade, fazer um plantio bem feito e tratos culturais e desbastes indicados.
recomenda-se bom preparo do solo, coroamento por 2 anos, roçadas para evitar a
concorrência com invasoras.
desrama e desbaste periódicos são imprescindíveis para o sucesso do cultivo.
devemos fazer desramas nos anos iniciais evitando nós na madeira e bifurcação em
galhos grossos, visando melhorar a quantidade e qualidade do fuste. após a poda dos
galhos ainda tenros, não lenhosos, deve-se aplicar uma solução fungicida para evitar
contaminação da madeira com fungos. os desbastes devem ser sistemáticos retirando-se
1 fila em um sentido no terceiro ano e no outro sentido no sexto para se obter logo um
espaçamento de 4 x 4 m propiciando o corte de árvores com 40 cm de diâmetro aos 10
anos.
g) propagação: faz-se o plantio definitivo com mudas de boa qualidade
produzidas por sementes e após o corte final existe a possibilidade de conduzir a
rebrota.

3. a) nome vulgar: grevilha


b) nome científico: grevillea robusta
c) classificação da dinâmica sucessional: pioneira, própria para reflorestamento,
ornamentação e quebra ventos.
d) características gerais: árvore de grande porte, nativa da austrália, podendo
atingir 30 metros de altura, crescimento rápido com formato de copa semelhante
as coníferas com folhas recortadas parecidas com as samambaias, boa produtora
32
de sombra, ornamental e fornecedora de pólen e néctar para as abelhas.
e)usos: são plantas ornamentais recomendadas para jardinagem arborização.
urbana, quebra ventos e reflorestamento homogêneo de rápido crescimento. sua
madeira é dura e valiosa para fabricação de móveis e tonéis para vinho, produz
lenha de boa qualidade de alto poder calorífico.

4. a) nome vulgar: uva do japão


b) nome científico: hovenia dulcis
c) classificação da dinâmica sucessional: pode ser utilizada como pioneira.
d) características gerais: Árvore exótica de rápido crescimento, pioneira de muita
agressividade. facilmente asselvajada, originária da china e do japão, facilitando a
disseminação e propagação. tem folhas grandes que podem ser usadas como
forrageiras ou vão incorporar nutrientes ao solo.
e) usos: árvore de uso múltiplo com aproveitamento integral de folhas, frutos,
galhos e troncos.
folhas: forrageira para herbívoros e adubação;
frutos: forrageira para gado, porcos e aves, vinagre;
galhos: lenha, carvão e moirões;
tronco: lenha, varas, tábuas, laminados e madeira em geral de ótima qualidade.
f) produtividade: árvore de rápido crescimento e alta produtividade, podendo
ser manejada na forma de corte raso para produzir lenha e varas ou corte
seletivo, visando produzir madeira de maior diâmetro.

5 a) nome vulgar: eucalipto


b) nome científico: eucalyptus sp.
c) classificação na dinâmica sussecional: espécie de pioneira passando por
secundária e clímax, vegetando como precursora até chegar a se salientar no
dossel superior da floresta como árvore frondosa.
d) características gerais: árvore de rápido crescimento largamente, utilizada em
todo país. originária da austrália com centenas de espécies, com diferentes
características e empregos. É a principal espécie florestal cultivada sendo a
salvação para a produção de energia, madeira e papel, em muitas regiões
anteriormente desmatadas.
espécie de múltiplos usos, sendo sua presença fundamental em todas as
propriedades rurais.
f) produtividade: espécie altamente produtiva, de rápido crescimento podendo
atingir 100 mst/ha/ano de produtividade quando em condições ótimas de
qualidade genética, solo e manejo; pode ser conduzido para o corte raso
produzindo lenha e varas com produtividade de mais de 621 m st de madeira com
casca aos 18 anos ( 3 cortes no mínimo).
g) propagação: deve ser plantado com mudas de ótima qualidade produzidas
33
através de sementes superiores ou até por propagação vegetativa.

tabela 6 - dados técnicos de algumas espécies de eucalipto

e. citriodora e. dunnii e. grandis e. saligna e. viminalis

resistência a moderada grande moderada moderada grande


geada
fraca

clima subtropical subtropical subtropical, tropical subtropical


úmido tropical úmido

solo profundos, úmidos, férteis úmidos, bem férteis, pesados aluviais, úmidos
suporta bem drenados drenados férteis e úmidos bem drenados
arenosos e e profundos
fracos

altitude até 400 m até 800 m até 1000 m até 1200 m até 1400 m

espaçamento 2x2m 2x2m 2x2m 2x2m 2x2m


mais indicado
3x2m 3x3m 3 x 2.5 m 3x2m 3x2m

branca áspera lisa, solta-se em lisa, solta-se em solta, lisa cor


acinzentada persistente, fina, lâminas, longas tiras cinza nas plantas
casca fina, lisa fibrosa de cor esbranquiçada, esbranquiçada a adultas
brilhante caindo cinza cinza ou cinza azulado persistente e nas
em pequenas esverdeada jovens, grossa,
placas cinza ou marrom

floração abr/mai abr/jun* fev/abr set/nov jun/ago

ago/out

frutificação jan/mar out/nov ago/out mai/jul jan/fev

uso madeira madeira madeira madeira lenha

nobre de cerne e lenha e lenha e cerne

fonte reflorestar é preservar (medeiros, souza cruz,1992)

6.5.2) nativas:
1 a) nome vulgar: angico vermelho
b)nome científico: parapiptadenia rigida
c) característica da dinâmica sucessional: espécie secundária inicial, podendo
34
passar ao estágio seguinte da sucessão. dispersão das sementes pelo vento.
d) características gerais: é da família das leguminosas, semelhante a canafístula,
apresenta copa corimbiforme ampla. sua casca descasca intensamente. os folíolos
são verdes e menores que a canafístula, prefere lugar com bastante umidade,
várzeas e margens de rios.
e) usos: pode ser empregada para confecção de tábuas, dormentes, palanques,
barrotes de casas e como lenha e carvão.
f) propagação: a propagação é feita por semente e sua dispersão através do vento.
o plantio definitivo é feito por mudas.

2. a) nome vulgar: erva-mate


b) nome científico: ilex paraguariensis
c) classificação da dinâmica sucessional: espécie reprodutora a sombra,
umbrófila, que necessita de sombra de outras espécies pioneiras para se instalar,
por este motivo tem dificuldade em se estabelecer inicialmente em povoamentos
homogêneos a céu aberto.
d) características gerais: apesar da tradição do chimarrão no sul do país nem todos
sabem que a erva-mate é uma árvore de porte considerável se estiver no estado
primitivo na mata. espécie nativa da região sul ao longo das bacias dos rios
paraná, paraguai e uruguai, quase sempre associada com o pinheiro brasileiro.
possui muitas propriedades medicinais como tônico, estimulante do cérebro e da
circulação, digestiva, fornecedora de vitaminas e sais minerais e combate a
pressão baixa. planta de alta exploração em sua maioria oriunda da atividade
extrativista de ervais nativos, com sérios problemas de produtividade e
sobrevivência.
e) propagação: ocorre por sementes ou por estaquia (ainda em fase experimental,
para fins de pesquisa) e constitui-se no maior problema da cultura devido a
dificuldade na germinação, que é de 5% aproximadamente, causada pela
dormência da semente e imaturidade do embrião. planta-se a semente em
sementeiras ou direto nos tubetes produzindo as mudas no período de 12 a l8
meses. mudas de 2 anos, produzidas em saquinhos, não são desejáveis devido a
problemas de cachimbamento da raiz.
maiores informações devem ser procuradas junto a técnicos especializados e
informações empíricas de leigos ou práticos devem ser analisadas com muito cuidado.
espécie de difícil produção de mudas devido a germinação e com problemas de
sobrevivência, devendo ser protegida do sol no 1º ano de plantio por ser umbrófila.
necessita de acompanhamento de técnico habilitado e conhecedor da cultura.
f) usos: é usada principalmente na produção de erva mate para chimarrão,
consumido internamente e exportada, e para chá tostado. outros produtos e
subprodutos estão sendo testados como cafeína para refrigerantes, desodorantes,
moderadores de apetite, corantes, porém ainda sem resultados conclusivos. o
consumo vem aumentando sendo um mercado promissor principalmente se outros
produtos forem descobertos e viabilizados.

35
g) produtividade: tradicionalmente os ervais tem produção de 5 a 6 toneladas por
hectare/ 3 anos, mas com manejo correto e moderno pode-se atingir produtividade
superior a 30 toneladas/ano ou l8 meses. hoje em dia já se conhece técnicas
modernas de cultivo que dão ótimos resultados, como o cultivo baixo dos ervais.

recomendações:
plantio: altas densidades superiores a 2.222 plantas por hectare (espaçamento de
3m x l,5 m) com cobertura de solo de inverno e verão.
mudas: pequenas e de um ano de idade, produzidas de preferência em tubetes,
livres de cachimbamento da raiz e rustificadas.
***inserir desenho figura 16,17 e 18

figura no 16, 17 e 18: raiz da muda.

poda: anual ou de 18 em 18 meses, com tesoura, com plantas de até l,80 m de


altura, visando abrir a copa em forma de taça.
recuperação de ervais pela decepa: consiste na decepa das árvores improdutivas a
10 cm do solo e conduzir nova planta a partir da brotação e com adensamento ou
enriquecimento do erval para atingir a densidade recomendada por hectare.

3. a) nome vulgar: bracatinga


b) nome científico: mimosa scabrella
c) classificação da dinâmica sucessional: espécie pioneira, e a dispersão de sua
semente é feita por gravidade.
d) classificação geral: é uma árvore de porte médio de 10 a 12 m de altura, tronco,
com 40 cm de diâmetro, reto, coloração castanha e levemente fissurado. as folhas
são compostas e perenes, de coloração verde brilhante, semelhante a acácia negra,
porém de copa mais arredondadas. não gosta de solo excessivamente úmido.
e) usos: ótima para reflorestamento, sendo muito utilizada como lenha ou na
produção de carvão, presta-se para recuperação de voçorocas, conservação do
solo, em terrenos inclinados e deteriorados principalmente como preparadora do
ambiente para introdução de outras espécies florestais.
f) produtividade: tem abundante produção de sementes, o que torna fácil e
econômico seu plantio, sendo precoce para corte que se dá aos 6 ou 7 anos,
atingindo até 250 mst/ha.
g) propagação: as vagens são colhidas de dezembro a janeiro. a semente é dura e
36
deve ser feita a quebra da dormência. o plantio definitivo pode ser feito com
mudas ou semeado em linhas.

4. a) nome vulgar: cedro vermelho


b) nome científico: cedrela fissilis
c) classificação da dinâmica sucessional: espécie secundária inicial a tardia de
baixa densidade por hectare, e a dispersão de suas sementes é feita pelo vento.
d) característica gerais: é alta com tronco reto ou um pouco tortuoso, com
ramificação pesada, tortuosa e ascendente, formando copa alta em forma de
umbela ou arredondada. sua folhagem é muito característica, densa, verde clara
na primavera.
e) usos: produz madeira de grande valor, fácil de trabalhar, usada principalmente
em carpintaria e marcenaria. a sua madeira é de cor rosa a vermelha podendo
chegar a marrom, de grande durabilidade e resistência ao ataque de insetos.
f) propagação: as sementes colhe-se em abril e maio. o plantio se faz por mudas e
sempre protegida do vento e do sol, adapta-se para enriquecimento de florestas.
não é recomendado para plantio a céu aberto, muito menos para plantios
homogêneos.

5 a) nome vulgar: canafístula


b) nome científico: peltophorum dubium
c) classificação da dinâmica sucessional: é espécie secundária inicial, podendo
passar aos estágios seguintes da sucessão, e a dispersão de sua semente é feita
pela vento e gravidade.
d) características gerais: é fácil sua identificação pelo tronco mais ou menos reto,
bastante grosso mas com fuste curto, com 6 a 10 m, casca marrom ou escura, com
pequenas fissuras longitudinais, com quinas suaves, que se desprendem em forma
de lâminas, a casca interna, de cor rosada, pouco fibrosa, e a ramificação cimosa
ascendente mais escura que o angico, descasca menos. folhagem mais rija, folhas
e folíolos maiores e cor verde mais escura. vegeta de preferência em terrenos
vermelhos, argilosos e profundos das margens dos rios.
e) usos: ornamental. floresce a partir de janeiro, com flores amarelas. boa para
sombra leve, recomendada para arborização de avenidas, parques e praças, e
composição de quebra ventos.
a madeira gosta de empenar mas tem ótima durabilidade em lugares secos.
própria para dormentes, assoalhos, carrocerias, selins, construção civil, marcenaria e
tornearia.
f) propagação: a semente exige quebra de dormência. tem ótima germinação. É
uma espécie com muita facilidade de pega nos transplantes da mudas.

6 a) nome vulgar: guajuvira

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b) nome científico: patagonula americana
c) classificação da dinâmica sucessional: é espécie secundária inicial, e a
dispersão de suas sementes é feita pelo vento, sendo facilmente transportadas e
disseminadas, devido ao cálice seco, semelhante a uma hélice, que é muito
característico.
d) características gerais: distingue-se facilmente das demais por ser decidual, com
tronco freqüentemente tortuoso e com casca cinzenta, levemente fissurada e
abundante ramificação recenosa, formando copa alargada, provida de densa
folhagem verde escura.
e) usos: a madeira tem larga aplicação, sobretudo em construções, obras expostas,
cabos de ferramentas, remos, implementos agrícolas, móveis, carpintaria,
carrocerias, tacos, madeira com flexibilidade e elasticidade. É de fácil combustão.
possui cerne negro resistente a deterioração por insetos.
f) propagação: por mudas com fácil pega no transplante.

7. a) nome vulgar: louro


b) nome científico: cordia trichotoma
c) característica da dinâmica sucessional: espécie secundária inicial, passando ao
estágio seguinte da sucessão e a dispersão de sua semente é feita pelo vento ou
por gravidade.
d) características gerais: as folhas descolores, semelhantes as do açoita-cavalo,
com as bordas lisas, que se torna inconfundível, flores brancas e bem vistosas,
tronco reto e cilíndrico com fuste de 10 a 15 m, casca cinza claro com sulcos
longitudinais, lembrando os do cedro.
e) usos: a madeira, muito utilizada para móveis, é fácil de trabalhar e flexível para
ser envergada. se presta biologicamente para implantar um sistema agroflorestal,
pois, na fase inicial não exerce concorrência para as pastagens e outras culturas.

7)resultados esperados:

7.1) diagnóstico
“o projeto regional de reflorestamento e recuperação ambiental firmou
convênio com 30 municípios da região noroeste do rio grande do sul, sendo:
- 17 municípios so conselho regional de desenvolvimento (crd) do noroeste colonial:
ajuricaba, augusto pestana, bom progresso, catuípe, coronel barros, crissiumal,
humaitá, ijuí, jóia, panambi, pejuçara, redentora, são valério do sul, tenente portela,
tiradentes do sul e três passos;
- 08 municípios do crd fronteira noroeste: cândido godói, dr. maurício cardoso, novo
machado, porto lucena, porto vera cruz, santo cristo, são josé do inhacorá e

38
tucunduva;
- 05 municípios do crd missões: eugênio de castro, giruá, salvador das missões, santo
Ângelo e vitória das missões.
estes municípios estão inseridos na área de atuação da fidene/unijuÍ e emater
regional noroeste. nesta mesma área atuam as arfors (associação de reposição florestal
obrigatória) de ijuí, três passos, santo Ângelo, santa rosa e giruá.
para se ter um dimensionamento desta região, a comissão central do projeto efetuou
um “diagnóstico preliminar da situação florestal, apícola e da piscicultura”, onde os
municípios, através de sua secretaria da agricultura, arfors e emater local, realizaram o
levantamento de dados do seu respectivo município, compilados e analisados no irder
pelo engº agrº m. sc. osório antonio luchese.

7.1.1) dados gerais dos municípios


do total de 1.205.000 ha, 97,82% corresponde a área rural que possui 46.883
propriedades assim distribuídas: 42,35% com até 10 ha, 33,35% entre 10 e 25 ha,
18,11% entre 25 e 50 ha e somente 6,19% com área superior a 50 ha.
dos 421.225 habitantes, 42,06% residem na zona rural, sendo que estes estão
organizados em 352 associações de produtores e 179 grupos de senhoras e/ou clube de
mães, totalizando 11.415 pessoas.
o número total de escolas públicas de 1° e 2° graus ( municipais e estaduais)
somam 764 com 94.794 alunos, sendo 25,75% em escolas da zona rural, principalmente
de 1° grau incompleto.

7.1.2) classes de capacidade de uso dos solos


na região noroeste do estado do rio grande do sul, em área compreendida entre os
municípios de tenente portela, panambi, jóia, e santo antônio das missões,
correspondente a área de abrangência da emater regional noroeste e os crds do noroeste
colonial, fronteira noroeste e missões, totalizando 2.439.792 ha, efetuou-se o
levantamento das classes de capacidade de uso do solo (incra, 1973 e cepa, 1978), com
o objetivo de saber a quantidade de área com aptidão florestal segundo a capacidade de
uso do solo.
segundo os dados obtidos, esta região apresenta 63,55%da área total (classes i,ii e
iii) a qual corresponde a terras adequadas ao cultivo agrícola de forma continuada.
as áreas agricultáveis com restrições (classes ivpt, ivaf e ivt ) perfazem 18,82%
do total, podendo serem utilizadas para culturas anuais. as suas maiores restrições são a

39
presença de pedregosidade, afloramento de rochas e a declividade acentuada. algumas
deveriam ser utilizadas com o cultivo de essências florestais, principalmente as com
declividade acentuada e com pedregosidade que dificultam as operações agrícolas,
especialmente mecanizada.
as áreas de preservação permanente, de 4.688 ha (classes v e viii) não deveriam
sofrer a ação do homem, pois são consideradas refúgio da fauna e flora, escarpas e
banhados.
os restantes 17,44% (classes ivi, vi e vii) são indicadas para culturas permanentes,
devendo serem ocupadas com cobertura florestal, preferencialmente, pois a utilização
mais intensiva do solo poderá acarretar perdas irreversíveis, degradando e tornando
muitas vezes impossível a sua recuperação.

tabela 7 - capacidade de uso do solo da região noroeste do rio grande do sul


capacidade de uso do solo % sobre Área total hectares
agricultáveis 63,55 1.550.410
agricultáveis c/ restrições 18,82 459.293
preservação permanente 0,19 4.688
culturas permanentes 17,44 425.401
totais 100,00 2.439.792
fonte: (incra, 1973 e cepa, 1978).

dentro desta região, encontram-se os 30 primeiros municípios parceiros ao projeto


regional de reflorestamento e recuperação ambiental, abrangendo uma área de
1.205.000ha ou 49,30% da região noroeste. desta forma, podemos inferir que 17,44%
(210.152ha) deveriam ser destinadas preferencialmente para a cobertura florestal
permanente. contando que os 18,82% (226.781ha) são adequados ao reflorestamento,
especialmente as áreas de declividade acentuada e pedregosidade, pode-se afirmar que,
pelo menos, deveria haver 25% de cobertura florestal nesta região ou 301.250ha.

7.1.3) dados sobre recursos florestais


na área de atuação do projeto, a cobertura florestal chega a 7,52 % (90.616 ha),
sendo 6,25% (75.264 ha) com cobertura florestal nativa. a maior parte desta área de
90.616 ha (94,4%) esta ocupada com cobertura florestal nativa em diferentes estágios de
degradação, onde houve a completa retirada de toras para serrarias e boa parte da lenha,
especialmente para consumo residência. outro grave problema é a retirada da mata para
40
implantação de culturas anuais que, apesar das denúncias e punições, persiste. a área
com erva-mate chega a 1.653 ha (255%) e o timbó, 1.862 ha (2,88%), os demais
florestamentos com nativas são insignificantes.
segundo observação de técnicos da secretaria de estado da agricultura e
abastecimento, em uma formação original da floresta decidual umbrófila mista do
“parque do planalto”, as quantidades de lenha e toras chega a 300 mst e 150 mst de
madeira, respectivamente. nas áreas de regeneração, matas com 20 anos alcançam 50 a
60 mst, enquanto as de 50 anos chegam a produzir de 100 a 120 mst de lenha. em termos
médios podemos admitir que o estoque de lenha nas áreas com cobertura florestal nativa
em nossa região não ultrapassam a 60 mst, principalmente pela degradação destas
formações e do efeito de borda
as áreas reflorestadas com espécies exóticas ocupam 1,27% (15.353 ha), com o
predomínio do eucalipto (78,8%); o pinus (8,41%) e a uva do japão (4,87) são menos
expressivas.
na margem das rodovias federais e estaduais (“áreas de empréstimo”) temos
89,0% dos mais de 2.500 ha sem reflorestamento. somente 1,0% foram reflorestadas e
em regeneração natural. cabe ressaltar que as áreas reflorestadas e em regeneração
natural não conseguem se expandir em função de cultivos anuais, da escolha incorreta
de espécies para reflorestamento, roçadas e / ou queimadas.
a mata ciliar ocupa , pelo menos, 25.000 ha, ou 30% da cobertura florestal nativa
existente. todavia, sabe-se da invasão destas áreas pelos cultivos anuais que, com
certeza, descaracterizam a faixa da mata ciliar na quase totalidade dos afluentes
existentes, que é considerada de preservação permanente, segundo o código florestal
brasileiro (lei nº 4771/65).
segundo os dados apresentados pelos municípios, nos anos de 1995 e 1996, a
demanda atendida fechará 8,0 milhões de mudas, sendo 74,4 % de eucalipto e 15,4% de
nativas, especialmente de erva-mate. isto eqüivaleria dizer que foram reflorestados
1.600 ha/ano, aproximadamente.
a fao/onu preconiza que 25% é o mínimo necessário de cobertura florestal para
haver uma boa qualidade de vida (rocha, 1990). considerando uma densidade média por
hectare de 2.500 mudas, seriam necessárias 526.472.500 mudas, ou 132 anos tomando
como referencial o que foi plantado em 1995, para cobrir os 210.589 ha.

41
7.1.4) dados sobre utilização da matéria prima florestal

a utilização da matéria prima florestal em nossa região se faz sentir em diferentes


segmentos: consumo de lenha em indústrias, comércio, serviços e residências, consumo
de madeira para serraria e indústria de móveis e utensílios, folhas e ramos de erva mate
para beneficiamento, e uma infinidade de atividades de menor expressão econômica,
mas não menos importantes.
o consumo de lenha para indústria, comércio e serviços na área de abrangência
do projeto era estimada em 63.798 mst/ano em 1984 (souza, aflovem/fee, 1987). todavia
estes dados não revelavam a situação de alguns municípios, especialmente três passos
que em 1995 consumiu 91.247 mst/ano e, nos demais , houve aumento próximos de
100%.
no entanto, com dados preliminares levantados junto aos municípios da região,
podemos dizer que este consumo chegou a 272.000 mst/ano. isto cabe afirmar que dos
11.850 ha do reflorestamento energético, considerando uma produção de 185mst/ha,
poderá suprir a demanda por oito anos no máximo, desde que não haja aumento na
demanda, o que é pouco provável. admitindo que os plantios efetuados em 1995 e 1996
tenham logrado pleno êxito e de que 80% das mudas tenha sido plantadas para suprir a
demanda energética, teríamos plantados 1.282 ha/ano com uma produção média, após
10 anos, de 236.800 mst. se mantivermos este ritmo de corte e reflorestamento, pode-se
inferir que a nossa dependência por lenha de outras regiões irá ser cada vez maior nos
próximos anos.
quando se analisa o consumo residencial rural e urbano os dados também são
estarrecedores, pois este consumo é mais expressivo. se considerarmos que o consumo
per capita é de 0,68 mst/ano e o rural é de 3,75 mst/ano (almeida, 1994), chegaríamos a
um consumo atual de 811.677,07 mst/ano.
considerando que o consumo residencial é feito em sua maior parte por espécies
nativas, e de que o rendimento médio de nossas florestas nativas é de 60 m st/ha, está
sendo derrubado 13.528 ha/ano, ou 17,97% da floresta nativa anualmente. neste caso,
teríamos o agravante de que, pelo menos, 37.000 ha, ou a metade da cobertura florestal
nativa remanescente deveriam estar em áreas de preservação permanente (reservas e
margens de afluentes), onde sua utilização é proibida por lei. esta postura se faz
necessária em função de dois aspectos: “bom senso ecológico”, visando manter os
42
irrisórios 6,25% de cobertura florestal nativa; e embasamento técnico-jurídico de que
uma propriedade rural deve ter um mínimo de 20% de sua área com cobertura florestal.
considerando que não sejam exploradas as áreas com cobertura florestal nativa,
necessitaríamos de 5.858 ha de florestas energéticas, o que corresponde a metade dos
reflorestamentos existentes; ou estoque suficiente para apenas dois anos.
cabe ressaltar que não estamos considerando neste cálculo, os 25.000 m 3 de
madeiras para serraria desdobradas no ano de 1995.
não existem dados precisos da quantidade de matéria prima florestal que a região
importa de outras para suprir a nossa demanda. qual é o montante de recursos evadidos
para adquirir esta matéria prima e qual é o número de empregos que poderiam ser
gerados a partir desta produção?
este é o nosso grande desafio.

7.1.5) dados sobre piscicultura e apicultura

as atividades de piscicultura e apicultura estão intimamente ligadas a cobertura


florestal existente, em função da disponibilidade de água de boa qualidade e do
potencial melífero de muitas espécies florestais.
nos 30 municípios participantes do projeto, o número de açudes passou de 3.256
em 1993, para 6.531 e 1995. a produção passou de 661 para 1.553 toneladas,
decrescendo a produtividade por unidade de área em 22,58%. as expectativas são de que
em 1997 tenhamos 10.987 açudes cobrindo 2.509 ha, com produtividade média de 1,08
ton/ha. estes dados nos apontam para a expansão da atividade, sem a preocupação de
melhoria da produtividade, com a consolidação de uma piscicultura extensiva.
a apicultura contava com 992 produtores em 1993, chegando a 1.446 produtores
em 1995; a produção foi elevada de 167,51 para 201,44 toneladas, no mesmo período.
todavia a produtividade por colméia acusou um decréscimo de 7,01%. a perspectiva
para 1997 é de que haja um incremento mínimo de apicultores (6,4%), mas com
elevação da produtividade por colméia em 38,45%, denotando uma maior
especialização dos apicultores, trabalhando com um maior número de colméias e
obtendo maior produtividade.
(osório antônio lucchese, 1996, não publicado)

7.2.) balanço energético e déficit florestal de ijuí


conforme dados obtidos pela emater-rs ijuí em 1989 para o município de ijuí, que
constam nas tabelas 8 e 9, concluímos que a matriz energética baseia-se principalmente
nos derivados petróleo (não renovável) e na lenha 28,68 % (renovável). isto vem a
justificar novamente a necessidade do nosso projeto de reflorestamento.
o levantamento efetuado pelo eng.o agr.o peri osmar korb da emater- rs, em
1989,revelou que 28,68 % da energia consumida no município de ijuí provinha da
lenha, sendo o carvão vegetal responsável por apenas o,11 %.

43
tabela 8 – balanço energético do município de ijuí no ano de 1989
fonte de energia percentual
energia elétrica 11,40 %
derivados petróleo 55,13 %
Álcool carburante 4,68 %
lenha 28,68 %
outros (carvão) 0,11 %
total 100,00 %
fonte: emater/rs - ijuí eng.º agr.º peri osmar korb

todavia o índice comparativo de áreas reflorestadas para madeira e lenha, revelam


um déficit florestal de 160,3 %, em área necessária para suprir a demanda no município,
ou seja, 23.177,29 ha (incluindo o atual município de coronel barros) que deveriam ser
reflorestados para alcançar 22,15 % da área total do município. contra 6,12 % de área
reflorestada existente. cabe ressaltar que estes dados foram obtidos em 1989,pois
atualmente a expectativa é de que esta situação tenha se agravado.

tabela 9 - Índice comparativo em relação área total do município de ijuí em 1989


finalidade Área florestada Área reflorestável Área necessária %
% %
madeira 3,76 4,75 13,09
lenha 2,36 7,46 9,06
total 6,12 12,21 22,15
fonte: emater/rs - ijuí eng.º agr.º peri osmar korb

7.3) metas em 10 anos


o projeto envolve 30 municípios inicialmente, podendo atingir todos os 75
municípios da região noroeste do estado (conselhos regionais do noroeste colonial,
fronteira noroeste e missÕes) que envolve aproximadamente 800.000 habitantes, sendo
que nos 30 municípios conveniados atualmente, a população chega a 421.225
habitantes.
nos 30 municípios conveniados ao projeto a área é de 1.205.000 ha podendo
chegar a 2.865.700 ha se atingirmos a totalidade dos 3 conselhos regionais.
a meta com o projeto nos 30 municípios conveniados é atingir os 25 % de
cobertura florestal preconizada pela onu-fao, como sendo o mínimo necessário para a
população ter uma boa qualidade de vida.
a estimativa preliminar, anterior ao diagnóstico, é que exista 5 % de cobertura
florestal em média na região de abrangência do projeto. portanto para alcançar o nível
ideal de 25 % temos um déficit de 20 % que representa uma área de 24l.000 ha.
considerando uma média de 2.300 mudas por hectare, para atingirmos a meta
ideal de 25 % são necessárias 554.300.000 mudas.
assim sendo com a produção plena do viveiro regional já instalada, que será de 5
milhões de mudas/ano a meta só será alcançada em 110 anos. desta forma, para
44
atingirmos a meta, a produção de mudas de qualidade deverá ser aumentada.
considerando 5 viveiros iguais ao viveiro regional atingiremos o ideal em 22
anos.
o projeto regional tem o compromisso de reflorestar no mínimo 30 mil hectares
na região em 10 anos.
a capacidade instalada no viveiro regional deverá ser aumentada para que em 10
anos consigamos reflorestar o previsto pelo projeto inicial. para chegarmos no ideal
deverão ser repassadas estas tecnologias de produção de mudas para outros viveiros
buscando-se assim novos recursos.

7.4) sugestão de pólos de produção


o projeto em sua corrente econômica prevê para a região a observação das
demandas e a criação de pólos micro-regionais de produção florestal verticalizada. isto
posto apresentamos as seguintes sugestões como pólos de produção: de lenha, de
carvão, de madeira para serraria, de erva-mate e tantos outros.
pólo de carvão: uma ou mais micro-regiões podem se dedicar ao plantio de
espécies indicadas para transformação em carvão, tendo em vista o abastecimento da
região com carvão de boa qualidade em quantidade suficiente para suprir o consumo
doméstico e industrial, visto que hoje 90 % do carvão consumido é importado de outras
regiões.
o consumo no estado em 1987 chegou a 600.000 m st/ano de lenha transformados
em carvão, que eqüivalem a 3.243 ha/ano de mata, considerando-se a retirada de
185mst/ha.
pólo de lenha: três a quatro pólos na região poderão produzir floresta para cobrir
a demanda de lenha devido ao grande consumo dentro da região de abrangência do
projeto. principalmente próximo aos municípios de maior consumo, hoje importadores
de lenha de outros municípios como três passos, santa rosa, ijuí, santo Ângelo, e
panambi, por exemplo.
o consumo residencial de lenha no estado é de 6 milhões de mst/ ano e o consumo
industrial é da mesma proporção, necessitando-se de 55.000 ha de florestas por ano
(souza, aflovem/fee, 1987).
no brasil 53 % do consumo de madeira é representado pela lenha. no rs em 1984
era 84,82 %. da energia consumida no brasil 16,5 % provém da lenha e carvão (revista
tempo e presença n.º 26l-92). no rio grande do sul 25,3 % da energia consumida provém
também da lenha e do carvão, fonte renovável menos poluidora (souza, aflovem/fee,
1987). na região noroeste em 1984. consumia-se 1.600.000 mst de lenha por ano
(doméstico e industrial).
pólo de erva mate: o plantio de erva mate pode ser incrementado em toda a
região, preferencialmente nas localidades com latosolo vermelho profundo onde já
ocorria naturalmente, devido a sua melhor adaptação e especialmente nos municípios
com tradição ervateira e que já possuem indústrias em funcionamento.
hoje 90% da matéria prima das indústrias ervateiras da nossa região é importada
de outras regiões e de outros estados. já o rio grande do sul importa de outros estados
50% da matéria prima que consome. como vimos resta um vasto campo na atividade
ervateira a ser explorado (sind. ind. do mate rs).
45
existem hoje pesquisas para se extrair novos produtos da erva-mate, gerando
novos mercados. da mesma forma hoje existe tecnologia disponível para alcançar alta
produtividade.
pólo de madeira para serraria: é sabido que com a devastação da mata ocorrida
na região praticamente toda a madeira vem de fora. as indústrias do setor têm
dificuldades de funcionamento a ponto de muitas fecharem as portas (serrarias e
marcenarias). essas empresas utilizam produtos alternativos como chapas aglomeradas
importadas do chile com custos elevados ao invés de incentivar-se o plantio de espécies
alternativas de rápido crescimento ainda pouco utilizadas mas já com respaldo da
pesquisa oficial como é o caso do convênio entre o ibama/movesul de bento gonçalves
com cultivos de uva do japão.
no rs existe um consumo industrial de madeira na ordem de 2.025.000 mst/ano
equivalente a 10.946 ha/ano sem contar a madeira usada para celulose (souza,
aflovem/fee, 1987).
para suprir as necessidades da indústria deste setor são recomendadas espécies
florestais de rápido crescimento tais como cinamomo paraíso, uva do japão, pinus,
grevilha entre outras, que deverão ser incentivadas nas localidades que dispõem de
pequenas indústria para dar suporte de matéria prima para suprir as demandas. também
poderão ser recomendadas outras espécies menos conhecidas, as quais serão
acompanhadas e avaliadas pela embrapa/cnpf de colombo - pr em arboretos
implantados especialmente para este fim, entre elas álamos, plátanos, quiri, ciprestes,
alnus, liquidambar, num total de 74 espécies entre nativas e exóticas.
pólos de pastagem apícola: associada a atividade de reflorestamento, a
apicultura pode ser viabilizada na pequena propriedade como alternativa ecológica e
econômica rentável a curto prazo. as duas atividades são plenamente compatíveis
complementando-se entre si, pois a mata terá seu benefício na polinização enquanto que
a abelha na alimentação, constituindo-se o reflorestamento em uma excelente pastagem
apícola.

plantas apícolas:

espÉcies Época de florecimento


açoita-cavalo janeiro a março
angico novembro a fevereiro
araticum setembro a outubro
aroeira-periquita setembro e outubro
bracatinga agosto e setembro
camboatá setembro e outubro
guabiroba setembro e outubro
pitangueira setembro e outubro
eucalipto: (camaldulensis
robusta saligna, citriodora,
alba, globulus e tereticornis) todo ano

7.5)experiência que está dando certo


46
plano cotrel de reflorestamento de erechim - rs.

o trabalho que conhecemos semelhante ao nosso, que já está em execução é o pcr


- plano cotrel de reflorestamento com o investimento aproximado de oitocentos mil
reais nos anos de 1993 a 1995, a cooperativa cotrel já distribuiu seis milhões de mudas
chegando a 2.950 hectares de reflorestamento conforme demonstramos nas tabelas 10 e
11.

tabela 10 - resultados alcançados em 3 anos


ano mudas pedidas propriedades Área municípios
rurais reflorestada
1993 1,5 milhões 802 700 ha 25
1994 2,0 milhões 1.009 1.000 ha 30
1995 2,5 milhões 1.042 1.250 ha 33
total 6,0 milhões 2.853 2.950 ha 33
fonte: ferron, r. m. (cotrel, 1996).

tabela 11 - distribuição de mudas por espécies.

espécies percentual (%) número de mudas


eucaliptos 80 % 4.800.000
pinus, acacia negra,
bracatinga, cinamomo, 18 % 1.080.000
uva do japão
nativas 2% 120.000
fonte: ferron, r. m. (cotrel, 1996).

7.6) iso 14 000


as normas de certificação iso 14 000 visam atingir a excelência total em meio
ambiente, fornecendo às empresas certificado de que os seus produtos fabricados ou
comercializados não são perigosos ao meio ambiente.
a legislação ambiental brasileira e mundial; os importadores e consumidores do 1º
mundo, e instituições de financiamento nacionais e internacionais, gradativamente
passarão a exigir produtos certificados com o passaporte verde, ou selo verde, como
forma de garantia que tais produtos e serviços, sejam extraídos de cultivos auto
sustentáveis e que não poluam o meio ambiente.

exemplos:

papel reciclável.

o automóvel bmw é produzido na alemanha com 60 % de sucata.

este são exemplos da reformulação dos processos industriais que se difundem por
todo o mundo.

47
7.7)relação custo/benefício levantado em conta as aplicações alternativas do capital

o capital investido no projeto de reflorestamento poderia ter uma aplicação


alternativa na agricultura, sendo aplicado nas culturas de trigo e soja. esta
aplicação alternativa, após 20 anos um lucro
de:.......................................................................r$ 71.104.112,23

a lucratividade para este projeto de reflorestamento previsto após 20 anos


conforme os cálculos acima citados será na ordem...................................................r$
389.865.200,00

Índice de benefÍcios/custo alternativo


portanto a previsão de lucratividade deste projeto de reflorestamento esta sendo
previsto para ser 5,5 vezes maior do que a lucratividade de um investimento de um
montante igual investido na agricultura.

retorno por r$ aplicado em reflorestamento:.......................r$ 18,76


(para cada real aplicado em reflorestamento haverá um retorno de 18,76 reais
durante o período de vida útil do reflorestamento)

colaboração: engenheiro agrônomo msc. carlos jorge petersen

***inserir 2 tabelas de custos/benefícios do reflorestamento

8) metodologia da soluÇÃo:

8.1) o projeto

o projeto regional de reflorestamento e recuperação ambiental conta com a


parceria das seguintes entidades:
entidade contra partida
eze alemanha r$ 316.000,00
fidene-unijuÍ-mara estrutura do irder - viveiro de mudas,
pessoal técnico, departamentos da unijuÍ e
recursos financeiros
48
saa - emater coordenador e veículo
equipes municipais
drnr recursos humanos e técnicos
mma-ibama recursos humanos e técnicos
aipan fomento
arfor fomento
prefeituras (30) r$ 60.000,00
investimento total r$ 600.000,00

o projeto É constituido de:


viveiro de mudas florestais
campanha de reflorestamento
fundo rotativo nas atividades de apicultura e piscicultura

o viveiro:
no terceiro ano a produção do viveiro deverá chegar a 5.000.000 de mudas, das
espécies de eucalipto 40 %, outras exóticas 20 % e nativas 40 %, usando tecnologia de
ponta como produção em casa de vegetação com ambiente controlado, embalagem
própria que permite desenvolver mudas com raízes perfeitas usando sementes com
qualidade genética superior.

8.2 estrutura do projeto de reflorestamento

comissão central: onde participam representantes de cada entidade parceira.


comissão municipal: constituída em cada município conveniado, composta de:
representante da sec. municipal de agricultura
representante da sec. municipal de educação
representante do escritório local da emater
representante do sindicato dos trabalhadores rurais e cooperativa
representante da arfor...

comissão comunitária: constituída em cada localidade; coordenará trabalhos


comunitários sobre reflorestamento e meio ambiente como por exemplo: arborização na
sede da comunidade, margens de rios e rodovias, bem como levantamento das
necessidades e aspirações locais.

estratÉgia da campanha:
a campanha será levada a campo pela comissão municipal e pessoal de apoio,
49
através de palestras para agricultores e escolares, com utilização da mídia e material
instrucional.
a comissão central realizará curso para nivelar conhecimentos e instrumentalizar
as comissões municipais e pessoal de apoio.
os trabalhos serão acompanhados e avaliados através de formulários específicos e
relatórios das diferentes comissões.

material instrucional:
referencial teórico plano de curso
plano de palestra lâminas para retroprojeção
vídeo educativo spots 30’ para rádio
vt 30’ para tv cartazes
folder kit demonstrativo
faixas.

9)benefÍcios

9.1)exemplo prático

resultados obtidos na regiÃo de erechim


os resultados obtidos no município de erechim em 3 anos de trabalho no
programa cotrel de reflorestamento resumimos em:
foram plantadas 6,0 milhões de mudas florestais, atingindo 2.853 propriedades
rurais, com uma área plantada de 2.950 hectares abrangendo 33 municípios na área de
atuação da cooperativa.
neste programa foram investidos inicialmente esforços na ordem de:
recursos humanos: 39 pessoas sendo que 19 efetivos e 20 técnicos na atividade de
extensão em geral.
recurso econômicos: r$ 700.000,00 entre material e serviços, mais r$ 122.000,00
referentes a salários, totalizando r$ 822.000,00.
resultados: nos 3 anos de trabalho já existe um retorno de r$ 1.080.000,00
considerando-se o volume de madeira estocado na floresta.

9.2) nosso projeto

projeto regional de reflorestamento e recuperaÇÃo ambiental

a nossa meta É:
Área a reflorestar................................30.000 hectares
50
tempo.................................................10 anos
mudas de qualidade ...........................5.000.000 a partir do 3o ano
investimentos .....................................r$ 600.000,00
em 20 anos a lucratividade do
projeto será de.....................................r$ 389.865.200,00
aplicando em trigo e soja
teríamos uma lucratividade de.............r$ 71.104.112,00
aplicando em poupança
teríamos uma lucratividade de.............r$ 2.999.822,00
apicultura............................................r$ 90 novos apiários
25 colméias por apiários
fundo rotativo.....................................u$ 16,305.00
contrapartida brasileira......................u$ 16,305,00
piscicultura.........................................300 novos açudes com 150 ha
de lâminas d’água
fundo rotativo....................................u$ 78,000.00
contrapartida......................................u$ 117,000.00

benefÍcios econÔmicos:
Índice benefício/ custo alternativo .................................................................................5,5

retorno por r$ 1,00 aplicado em reflorestamento................................................r$18,76

benefÍcios sociais:
mais empregos e melhoria da qualidade de vida para a população de 421.223
habitantes nos 30 municípios conveniados.

benefÍcios polÍticos:
preparação da região para obter certificação da iso 14.000 visando o selo verde
para comércio externo.

benefÍcios ambientais:
atingir ecossistemas mais equilibrados e auto-sustentáveis.

51
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