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Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Mestrado em Estudos de Teatro Trabalho final do seminário de Documentação Profª – Maria Helena Serôdio

Aluna – Manoela Amaral Fernandes Data – 16 de Dezembro de 2011

Anos Vinte em Portugal: A importância de ADOLFO LIMA para o Teatro, para a Escola e para o Teatro na Escola

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Adolfo Lima e o Teatro Livre 3.Adolfo Lima e o Teatro Juvênia 4.Revista Educação Social (1924-1927) 7.Escola Oficina nº1 e Escola Normal de Benfica 6.Bibliografia 2 .Introdução 2.ÍNDICE 1.O Livro (Comunicação feita em 8 de Abril de 1914): O Teatro na Escola 5.

assim como César Porto. dirigiu e iniciou a Enciclopédia Pedagógica Progredir. de que são exemplo: Metodologia. entre outros) e das já referidas obras dramáticas. 27 de Novembro de 1943). Quanto ao seu percurso no mundo teatral. Escreveu importantes livros relacionados com a educação. foi perseguido e preso pelo regime de Salazar. Álvaro Viana de Lemos e outros pedagogos importantes da altura. lutou incansavelmente para inserir os valores da Escola Nova no sistema de ensino português. 3 . onde chega a director. revolucionando o sistema de ensino em Portugal nas primeiras três décadas do. na sua maioria para o público infantil e traduziu autores como Ibsen e Zola. sendo que. para além de ter sido professor de teatro em vários estabelecimentos (Liceu Pedro Nunes. para a presente pesquisa. posteriormente. no início dos anos trinta. pugnando por uma escola com elevados valores sociais. em 1936. correspondente da revista parisiense L´Education (1921-1927). primando por um ensino mais prático e inovador. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Posteriormente. responsável pela defesa da introdução do ensino do teatro dentro da escola moderna. Foi director e autor de vários artigos da revista Educação Social (19241927). em 1907 troca a advocacia pelo ensino e passa a ser professor na Escola Oficina nº1. não obstante. no desempenho dos cargos de director e professor de metodologia da Escola Normal de Lisboa. Em 1927. este estabelecimento passa a ser um modelo de ensino libertário. continuou a produzir e a escrever peças teatrais e obras ligadas à pedagogia. Terminada a carreira docente na Escola Normal. Adolfo Lima foi um dos fundadores do Teatro Livre e também esteve ligado ao Teatro Juvénia. escreveu mais de 20 peças de teatro. 1921 e 1932. Voz do Operário.Introdução O presente trabalho resulta da pesquisa da obra de Adolfo Lima (Lisboa. séc. para todas as classes e para ambos os sexos. aposta na formação de professores. 2 volumes. exerceu.Lisboa. pedagogo anarquista português e homem de teatro que muito influenciou a sua geração. O Teatro na Escola (1914) será o mais comentado. XX. 28 de Maio de 1874 . Através do trabalho de Adolfo Lima coadjuvado por César Porto.1. 2 volumes. Pedagogia Sociológica. o cargo de director da Biblioteca-Museu do Ensino Primário. Adolfo Lima.

“(…) os promotores do «Teatro Livre». Segundo Luiz Francisco Rebelo. O Teatro Livre produz a que seria a sua derradeira temporada. com encenação de duas peças de autores estrangeiros e duas portuguesas.Amanhã. tanto no que respeita a autores (com realce para Manuel Laranjeira) (…) Ramada Curto. pouco antes. no que diz respeito à divulgação de novas estéticas teatrais e. o Teatro Moderno. Entre estes últimos. Os dois primeiros espectáculos apresentados em 1904 foram: A Moral Deles. sendo um dos sócios fundadores e traduzindo peças que foram levadas à cena pelo mesmo. a cooperativa Teatro Livre tinha como grande objectivo aliar modernas necessidades estéticas ao poder educativo e social do teatro. sob a orientação de Luciano de Castro e Araújo Pereira. Araújo Pereira e Luciano de Castro haviam saído do Teatro Livre para fundar. no teatro do Príncipe Real. O arranque do movimento foi feito através de três conferências. ao trabalho do actor e encenador moderno. Entretanto. no Teatro D. ambas de Bjorson sob a direcção de António Pinheiro. como a actores (Luciano de Castro e Palmira Torres. através do mesmo. foram levadas à cena duas traduções de Adolfo Lima: Maternidade de Brieux e Uma falência. de Emídio Garcia e Carrasco Guerra. na segunda temporada do Teatro Livre. será somente em 1904 que o Teatro Livre produzirá o seus primeiros espectáculos. Em relação ao Teatro Livre e ao Teatro Moderno. Heliodoro Salgado e Ernesto Silva. também. Nesta altura. Apesar da sua curta duração.2 . versão portuguesa de César Porto e Luís da Mata. O Teatro Livre contribuiu para a evolução do teatro em Portugal. resumiam as suas intenções numa fórmula impressiva: «redimir pela Arte e vencer pela Educação»” (1978:75). não só pela afirmação polémica de uma atitude combativa frente ao marasmo da vida teatral portuguesa como ainda pela revelação de novos valores. Por sua vez. Em 1905.Adolfo Lima e o Teatro Livre Adolfo Lima participou da iniciativa do Teatro Livre português. para quem era «a Arte um meio e o tablado cénico uma tribuna». que terá precipitado a falência do movimento”(1978:80). Rebello comenta: “(Estas) duas iniciativas representam um marco importante na evolução do nosso teatro. se exibira em Lisboa). denunciar injustiças sociais e tratar de assuntos que contribuíssem para uma melhor educação do espectador. Segundo Rebello. ministradas por Teófilo Braga. tão operoso nas décadas seguintes. é de inteira 4 . Fundado em 1902 e influenciado pelas ideias do teatro de Antoine (que. de uma peça do repertório de Antoine intitulada Tante Leontine. em Julho de 1908. até então mal aproveitados em dramalhões do Príncipe Real e farsas do Ginásio) e encenadores. de Maurice Boniface e Edouard Boudin e um fragmento do Prólogo dramático de Manuel Laranjeira . iniciativa que se limitou a uma época. pretendendo. a iniciativa do Teatro Livre falhou por tentar conciliar duas correntes teatrais tão distintas como a corrente mística ou idealista com a naturalista ou realista: “Conciliação impossível. Amélia. juntamente com o actor Simões Coelho.

justiça salientar o nome de Araújo Pereira. em especial numa comunicação feita em 1914 (O Teatro na Escola). 5 . onde o autor defende a vertente educativa do teatro. Pirandello. mais tarde. mais tarde. a divulgação entre nós de Raul Brandão. Lenormand e outros dramaturgos «malditos»” (1978:85). irão ser divulgadas. A experiência de Adolfo Lima na iniciativa do Teatro Livre de muito influenciará as suas ideias acerca do teatro na escola que.a quem viria adever-se. grande impulsionador destas iniciativas.

na Escola Oficina nº1 e juntamente com César Porto e Adolfo Lima. em artigos que enaltecem o seu trabalho como mestre de Teatro. participa no Grémio de Educação Racional. Escreve para revistas anarquistas e traduz obras de Gorki. quando este passou a trabalhar na Escola Normal. O Juvénia.César Porto. Os artigos encontrados para esta pesquisa foram: O Mestre Araújo Pereira (Revista De Teatro. como no trabalho exercido no campo pedagógico. em publicações como as revistas De Teatro e ABC. Colaborou com Adolfo Lima em várias iniciativas. Também foi professor e administrador do Teatro Juvénia. Araújo Pereira – Mestre de Teatro (Revista ABC – Maio de 1928). . opereta de Adolfo Lima. Junho de 1924). Foi professor do Conservatório de Teatro. A Cigarra e a Formiga. entre outros. principalmente na Escola Oficina nº 1. Manuela Porto. Marx e Ibsen. com a participação da actriz e então aluna da escola Araújo-Pereira. e Escola-Teatro de Araújo Pereira (Revista De Teatro – 1930). Por partilharem os mesmos ideais pedagógicos e artísticos é. substituindo Adolfo Lima. como é o caso de Serão Familiar. destacando-se: . Algumas peças da autoria de Adolfo Lima foram levadas à cena no teatro Juvénia. fundador do Teatro Livre e do Teatro Moderno (1904-1905). 6 . Araújo Pereira e César Porto em tantos projectos em comum como foram O Teatro Livre.Araújo Pereira (1871-1945). funda a Escola-Teatro Araújo Pereira. como a Revista Educação Social e na peça para a infância. portanto. com versos de César Porto e música de Francine Benoit. a Escola Oficina. situada no Teatro Juvénia. bastante compreensível encontrar Adolfo Lima. O trabalho de Araújo Pereira foi reconhecido e divulgado pela imprensa portuguesa dos anos vinte.3 – Adolfo Lima e o Teatro Juvénia São vários os nomes ligados a Adolfo Lima. tanto no trabalho desenvolvido com o Teatro Livre e o Teatro Juvénia. Vinte anos mais tarde. em 1928. foi director da Escola Oficina nº1.

. as concepções justas e verdadeira. uma sociedade intitulada Teatro Livre” (…). como fará depois Peter Slade e muitos outros. uma vertente “textocêntrica” do ensino teatral. porém. há anos.. Para tal. em França e. . É evidente a sua preocupação com um aluno/actor espontâneo. propondo uma aliança entre a vertente educacional e a vertente artística da acção teatral. apesar de Adolfo Lima referir especificamente o ensino do teatro para crianças dentro das escolas.uma técnica perfeita. pelo teatro de Stanislavski. é aquele que mais informações fornece. Tanto os actuantes como o público em geral estão sujeitos a esta acção social. (…) a obra dramática deve ser educativa. Adolfo Lima expõe uma visão de “Teatro-Educação” bastante pertinente e inovadora para a época e.quer no diálogo e no desenrolar natural e aparentemente espontâneo das suas sucessivas cenas.) A boa obra dramática educativa é aquela que alia às sãs ideias. Afirmando ser um dos melhores veículos de transmissão de valores cívicos e sociais. é..O Livro ( a partir de uma comunicação feita em 8 de Abril de 1914): O Teatro na Escola. Incontestavelmente. junto das escolas portuguesas. condução e remate do assunto ou tema – começo.1914: 5-6) 7 . indirectamente. que vai “entrando” na personagem. sendo que o indivíduo (criança ou adulto) aprende sem “suspeitar” que está a receber uma lição.4 . Adolfo Lima. no que diz respeito ao próprio processo de crescimento da criança. no seu encadeamento lógico e verosímil. à época. usando como exemplo o Teatro Livre. Em O Teatro na Escola. nomeadamente. que é o teatro. por ser uma actividade divertida e atraente. ressalta a importância da escolha de textos que revelem valores sociais (e também estéticos) pertinentes e cujas encenações sejam feitas de uma forma tecnicamente apurada. indispensável que haja meticulosa escolha de peças (. Adolfo. e para tal tem de ser uma ideia apresentada com arte. aos olhos do professor de teatro poderá parecer antiquado e limitador por defender. Actualmente. ligada aos ideais da Escola Nova. verosímil. de todos os documentos pesquisados para a realização deste trabalho. Adolfo Lima começa por enaltecer a vertente educacional e social do teatro. e do “faz de conta”. dentro de uma metodologia revolucionária. por estar muito voltado para a apresentação pública do espectáculo e por ainda não abordar a vertente lúdica (jogo dramático). Adolfo Lima aborda o trabalho do actor/aluno através de uma perspectiva realista. aos bons conceitos filosóficos que devem ressaltar do entrecho. Através da divulgação das suas ideias. estão presentes muitas ideias relacionadas com as suas convicções estéticas e com o panorama do teatro nacional. Saliento que neste documento. O Teatro na Escola. mais importante. As premissas deste comunicado irão estar presentes em todo seu trabalho de pedagogo revolucionário. na minha opinião. quer na exposição. “Para que satisfaça essa condição educativa. No que diz respeito ao ensino do teatro. meio e fim. repetindo na sua metodologia na escola. preconizado por Antoine.`” (LIMA. em harmonia com os ideais discutidos no teatro profissional de seu tempo. Adolfo Lima passa a ser um dos pioneiros na questão da introdução do ensino do teatro na escola em Portugal. (…) Foi com estes intuitos que se fundou em Lisboa. de certa forma. um modelo de vanguarda.

“É de toda a conveniência atrair a criança à Escola e fazer desta um mundo onde aquela possa expandir toda a sua força e actividade e experimente os maiores prazeres” (1914: 9). a escolha do texto e os ensaios devem ser encarados com seriedade. Fica muito claro perceber que o terceiro tipo seria o ideal para Adolfo Lima. Outro aspecto interessante é a questão do pedagogo descartar a hipótese do encenador ser um actor profissional. não dispensa a presença do “ponto” que. e deve ser para criança. O autor considera que todos os quatro tipos podem trazer benefícios à educação da criança. 2) Teatro feito por adultos e para um público infantil. mas acredita que os dois últimos são realmente os mais importantes. há uma interessante passagem neste livro. Adolfo Lima tece uma crítica notável sobre o facto das crianças serem muitas vezes submetidas a assistir a espectáculos inadequados para a sua idade). dado que um professor de teatro dentro da escola. para os crescidos. deverá conter aspectos que também sejam importantes para os adultos. marcação de cena. ensaios de apuramento e ensaio geral (porém. é na escola que se deve fazer teatro com crianças. que. não poderei deixar de dizer que não estou inteiramente de acordo. por motivos de proximidade e confiança. sem opressões. deve ser o próprio professor).Em relação ao público. em regra.)” (1914:19) Quanto a esta questão. porque se trata de teatro feito na escola. dizendo: “ O actor. Para o autor. pois as apresentações escolares implicam a presença dos pais. 4) Teatro feito por crianças e para crianças. 3) Teatro feito por crianças e para um público misto. a meu ver.. a par de uma formação pedagógica. é semelhante ao processo de trabalho profissional conhecido e veiculado pelo teatro realista. faria uma série de ensaios intensivos em que as crianças se esgotariam e a compreensão dos papéis.. O espectáculo teatral escolar. a moralidade das peças e a crítica dos caracteres das personagens se apagariam diante do zelo do actor em querer dar a obra por pronta no mais curto espaço de tempo. Por outras palavras. Seria um trabalho de afogadilho e. A formação de um professor de teatro deveria passar pelas duas vertentes. e sendo professora de teatro. Adolfo Lima divide o trabalho em ensaios de leitura. 8 . em que o autor caracteriza quatro diferentes tipos de teatro: 1) Teatro feito por adultos e para um público misto – adultos e crianças (em relação a este tipo. ou seja. deve possuir uma formação teatral teórica e prática. A separação das duas áreas não me parece benéfica. dependendo da sua qualidade. “(…) devem corresponder à dupla necessidade de oferecerem uma lição para as crianças e outra para a família. é feita uma proposta de metodologia para o trabalho de ensaios. o da preparação de uma apresentação. sem orientação pedagógica (. mas o processo deve correr num ambiente divertido. também é salientado o aspecto “empolgante” que é.” (1914: 11) Por outro lado. Ao longo do comunicado. portanto. com o único fito na récita. um teatro que valoriza a análise psicológica.

com o teatro escolar. não só.Como vimos. envolvido com o teatro profissional e. 9 . foi também um homem de teatro. Adolfo Lima. pedagogo e professor de teatro.

no largo da Graça. a actriz (que frequentou a Escola Oficina nº1) conta que a grande aposta da mesma era a co-educação. os ideais estrangeiros da Escola Nova. “Se num primeiro momento o Estado Novo se posicionou contra a Educação Nova e seus princípios. fixa-se em definitivo uma concepção moderna da pedagogia que. em que integraram. igualmente. o pintor José Tagarro (1901-1931) e a escritora e actriz Manuela Porto ( 1908 – 1950. Glicínia conta ainda. filha de César Porto). dominará o universo educacional durante o século XX. Faziam parte do currículo aulas de teatro. Emídio Santana (1906 – 1988). após a visita à Portugal de Adolphe Ferrière.Escola Oficina nº1 e Escola Normal de Benfica Adolfo Lima fez parte de um grupo de pedagogos que lideraram um processo de revolução pedagógica em Portugal. Álvaro Viana de Lemos e António Sérgio. no mês de Novembro de 1930. chegando a enviar um grupo de bolseiros para o Instituto Jean-Jacques Rousseau. 2005. como director pedagógico e professor de Sociologia da Escola Oficina nº1 e. a partir dos anos trinta. que sua irmã chegou a ter aulas de piano na Escola Oficina nº1 com Francine Benoit (1894-1990). severamente criticada. Araújo Pereira foi também professor da Escola. com a ditadura militar. que obteve grande impacto no país. então chefe de cenografia do Teatro Nacional. principalmente nos anos vinte. posteriormente. Muitos outros nomes conhecidos passaram por esta escola. em 2005. Um trabalho de pesquisa recente. Foi inicialmente criada por maçons republicanos e anarquistas e graças ao trabalho de Adolfo Lima e César Porto . “Nesta época. por momentos. estabelecendo nas escolas portuguesas. director e professor da Escola Normal de Benfica. como o escultor Leopoldo de Almeida (1898 – 1975). o que possibilitou a abertura de novos caminhos para uma reinterpretação das teorias sobre a Educação Nova” (Sitiografia 3) Adolfo Lima protagonizou experiências pedagógicas marcantes em vários estabelecimentos de ensino. As aulas de carpintaria eram dadas por Manuel Oliveira. o governo volta a abrir espaço para as ideais da Escola Nova.5 . 83)” (Sitiografia 3) Entretanto. apesar de imperfeitamente realizada e. sem discriminação de sexos. o escritor Manuel Mendes (1906 – 1969). António Faria de Vasconcelos. Segundo uma entrevista de Glicínia Quartin para a Revista Artistas Unidos. o militante anarquista e um dos responsáveis pelo atentado a Salazar. transformou-se num modelo de educação libertária. 1995). por consequência muitos de seus defensores vão para a prisão ou o exílio (NÓVOA. este movimento sofre muitos revezes e perseguições. Contudo. dando aulas de teatro e organizando espectáculos de teatro escolar. “Em 1921 fundou-se em Portugal a Liga Internacional Pró-Educação Nova. A Escola Oficina nº1 esteve em funcionamento entre 1905 e 1930. da UNISO (São Paulo -Brasil) organizado por Luiz Carlos Barreira intitulado – EDUCAÇÃO POPULAR E RENOVAÇÃO 10 . de Genève (berço da Educação Nova). em um segundo momento. p. ocorreu uma mudança de atitude das autoridades. (NÓVOA. dança e ginástica. em Lisboa.

também por funcionários).EDUCACIONAL EM PORTUGAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX: O PIONEIRISMO DA ESCOLA OFICINA Nº. 11) Música Colectiva (Teatro escolar. por exemplo: O Regime de Internato. 6) Especializações (no sentido de encaminhar profissionalmente o aluno). no qual Adolfo Lima discorre sobre os trinta traços. Alguns traços da Escola Nova que não estavam presentes na descrição de Adolfo Lima acerca da Escola Oficina são. 7) Factos e Experiências (teoria alicerçada pela prática). a localização Situada no Campo e as Viagens e Acampamentos. no qual o mesmo reflecte sobre os escritos e o trabalho de Adolfo Lima e de autores que o estudaram. existe uma enorme proximidade entre os ideais da Escola Nova e a Escola Oficina nº1. professores. enunciando aqueles que podiam ser encontrados na Escola Oficina. festas escolares). 3) Os Trabalhos Manuais. Como foi anteriormente referido. Adolfo Lima relata as suas aulas nesta escola. alunos e. pode chegar-se à conclusão de que uma parte destes traços não seriam prática da escola do Largo da Graça. 8) Os Interesses Espontâneos da criança deveriam ser levados em conta. às vezes. nos livros intitulado Metodologia (volumes I e II). De acordo com o referido artigo. ou seja. 6 – Revista Educação Social 11 . Fundada por decreto do rei D.” (wikipédia) Acerca do seu trabalho como professor de Metodologia da Escola Normal. os traços em comum são: 1) As escolas novas são laboratórios de Pedagogia Prática. “A Escola Normal Primária de Lisboa (1862 — 1930) foi o estabelecimento de referência em Portugal para a formação de professores do então denominado ensino primário durante a última metade do século XIX e o primeiro quartel do século XX. em 1924. Adolfo Lima também foi director e professor de metodologia da Escola Normal de Benfica. manteve-se em funcionamento até ser extinta em 1930 (VER DATA) no decurso da reforma educativa conduzida pelo governo da Ditadura Nacional. 5) Os Trabalhos Livres. constituída pelo director. 4) A Carpintaria. 9) República Escolar (a direcção efectiva da escola caberia a uma Assembleia Geral. NA ÓTICA DE ADOLFO LIMA. Adolphe Ferrière – 1879-1960). Segundo Barreira. Luís I de Portugal no ano de 1862. como o português António Candeias. 1 DE LISBOA. 10) Recompensas e Sanções Positivas. 2) A Co-educação dos sexos. Não obstante. os princípios norteadores de uma escola nova (de acordo com os conceitos do conhecido e já mencionado professor da Escola Nova de Genéve. Esta pesquisa apresenta uma análise de um artigo inserto na revista Educação Social.

destacam-se: Álvaro Viana de Lemos. Entre os principais colaboradores. editada em Lisboa pela Empresa Literária Fluminense e circulando entre 1924 e 1927. inicialmente quinzenal.Para além de ter dirigido Educação. até Maio de 1921 e. Segundo a pesquisa intitulada IMPRENSA DE EDUCAÇÃO E ENSINO: FONTE PRIVILEGIADA PARA UMA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR URBANO EM PORTUGAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX. por Luiz Carlos Barreira. A revista filiou-se à Liga Internacional Pró-Educação Nova no decorrer das várias trocas de informação entre Adolfo Lima e Adolpho Ferrière . Ao contrário. Adolfo Lima foi criador e fundador da revista Educação Social. durante o ano de 1913. assumiu a direcção da Escola Normal Primária de Lisboa. Luiz Carlos Barreira transcreve palavras de António Candeias: “Depois de ter passado pela Escola Oficina. Foi no período em que esteve ligado à Escola Normal que dirigiu a revista Educação Social. até 1933. onde permaneceu. entre outros. Ainda sobre a Educação Social. como professor. Deolinda Lopes Vieira (mãe de Glicínia Quartin). Foram relatadas várias experiências pedagógicas feitas na Escola Oficina. Adolfo Lima. A partir de então. revista editada pela Sociedade Promotora de Escolas (também proprietária da Escola Oficina). Em Fevereiro de 1918. vários professores deixaram o registo de suas experiências pedagógicas realizadas na Escola Oficina Nº 1. que era anexa à Escola Normal de Lisboa. Adolfo Lima jamais a esqueceu. César Porto. tendo-se afirmado de forma importante na divulgação da educação popular. não são poucas as referências que a ela faz nos vinte e tantos artigos que publicou na revista Educação Social. Mesmo encontrando-se afastado da Escola Oficina. assumiu a direcção da Biblioteca-Museu do Ensino Primário. A sua publicação. passou a ser mensal a partir de 25 de Junho de 1924 e assim seguiu até o fim. Adolfo Lima começou a leccionar no Liceu Pedro Nunes.” (Sitiografia 5) Conclusão 12 . como director. assim como publicados vários artigos acerca dos princípios norteadores da Escola Nova.

Por outras palavras. O seu percurso profissional pode ser. 1921:1). adquirir e compreender valores cívicos e morais. ao mesmo tempo. e uma especial da matéria que ensina” (LIMA. Apesar de propor uma metodologia um pouco “antiquada” aos olhos do professor de teatro actual. Adolfo Lima propõe um trabalho pedagógico no qual o professor de teatro deve estar atento à sociedade em que vive e às correntes estéticas existentes. Adolfo Lima foi uma pessoa que atravessou tanto o mundo da pedagogia como o do teatro profissional. através do teatro e da educação. penso que a questão central a ser levada em conta nos ideais educacionais de Adolfo Lima é o facto da mesma estar em completo acordo com as estéticas teatrais mais recentes do seu tempo. na qual a criança pudesse desenvolver habilidades artísticas e. procurou veicular os seus valores. Não seria por acaso. portanto. Adolfo Lima. da realidade teatral como um acção social e não só no âmbito escolar.Adolfo Lima foi um homem multifacetado. 13 . participando. “A todo professor deve exigir-se uma instrução geral. um exemplo de conduta. no sentido de incentivar uma pedagogia teatral. como toda a gente culta. de certa forma. trazendo e levando os benefícios de cada. nem a primeira vez. com ideias muito nítidas acerca da sociedade em que viveu e que. deu um passo adiante. que a arte teatral e a educação se uniam numa tentativa de revolução social.

Maio de 1928 14 .5º ano publicação. Lisboa. Lisboa. Livraria Escolar Progredir. Livraria Escolar Progredir. 1916 ABC: Araújo Pereira.Educação geral e especial: Educação Técnica. Porto. 1914 Educação e Ensino – Educação Integral. Adolfo 1914 O Teatro na Escola.Bibliografia Do autor: LIMA. Adolfo Almanach Theatral: O Theatro e as Revistas . Lisboa: Guimarães Editores. Amadora. Porto. Geral: REBELLO. 1921 Metodologia. Ofensa Grave. Livraria Ferin Editora. Luiz Francisco 1978 Teatro Naturalista e Neo-Romântico (1870-1910). Lisboa. Lisboa. INCM PROENÇA 2010 História da Primeira República Portuguesa. 1935 A surpresa do João Luís. Lisboa. Livraria Escolar Progredir. A formiga e a cigarra. 24 . 1994 Fragmentos de uma Dramaturgia. Casa Portuguesa. Porto. Guimarães Editores. Tinta da China Periódicos: LIMA. 1916 Orientação Geral da Educação . Livraria Escola Progredir. 1936 Um Serão Familiar ou as manas Pires. Porto. Página 39). Biblioteca Breve.

Abril.br/colubhe06/anais/arquivos/24LuizCarlosBarreira. Nº13.CONCL.1930 Sitiografia 1 -http://www.nº 30 e 31.primeirarepublica.BIBL.br/novo/congressos/cbhe4/individuais-coautorais/eixo06/Marcia %20Cristina%20de%20Oliveira%20Mello%20-%20Texto.pdf 3– http://www.br/novo/congressos/cbhe4/coordenadas/eixo02/Coordenada %20por%20Luiz%20Carlos%20Barreira/Luiz%20Carlos%20Barreira%20%20Texto.pdf 15 .INTR.sbhe. 2005 De Teatro: Escola-Teatro de Araújo Pereira .sbhe.pdf 4http://www. Junho 1924 Artistas Unidos: Glicínia Quartin.Revista de Teatro: O Mestre Araújo Pereira. Nº21.ul.faced.php? option=com_content&view=article&id=191:eo-escola-oficina-no-1&Itemid=13 2http://repositorio.pt/bitstream/10451/350/4/17344_3.pdf 5http://www.org/portal/index.CAP.ufu.org.org.