1. a) Em que sistema de tributação baseia-se o IRPS Moçambicano?
O IRPS moçambicano baseia-se num sistema de tributação mundial para residentes
fiscais e de tributação na fonte para não residentes.
Residentes fiscais são tributados com base nos rendimentos mundiais, ou seja, todos
os rendimentos auferidos, independentemente de onde forem obtidos.
Não residentes são tributados apenas pelos rendimentos de fonte moçambicana, com
incidência, geralmente, através da retenção na fonte.
1. b) Como será apurado o IRPS do casal?
Dado que:
Alda e Mário residiram mais de 183 dias em Moçambique no ano de 2010;
Adquiriram imóvel com intenção de o manter como residência habitual;
Ambos preenchem os critérios de residência fiscal em Moçambique para o ano de 2010.
Assim:
O rendimento é apurado de forma individual, pois o IRPS em Moçambique não
prevê tributação conjunta automática de casais. Cada cônjuge declara os seus
rendimentos separadamente.
Cada um será tributado com base nos rendimentos obtidos em Moçambique e no
exterior (se aplicável), conforme as regras de determinação de rendimentos para
cada categoria (A, B, C, D).
1. c) Qual é a obrigação fiscal do casal, relativamente aos rendimentos auferidos
enquanto reformados?
Sendo residentes fiscais em Moçambique, os rendimentos de reforma (pensões):
Estão enquadrados na Categoria A do IRPS (trabalho dependente e pensões).
Devem ser declarados na declaração anual de rendimentos.
São tributáveis em Moçambique, ainda que tenham origem no estrangeiro (salvo se
houver convenção para evitar dupla tributação aplicável com o país de origem da
pensão).
A obrigação fiscal consiste em declarar e pagar o IRPS sobre os rendimentos de pensões,
nos prazos legais.
2. a) Em que categoria se enquadram os rendimentos da ALDA?
Alda, no exercício de 2011, prestou actividade de consultoria por conta própria, recebendo
40.000,00 Meticais de uma entidade com contabilidade organizada.
Este rendimento enquadra-se na Categoria B do IRPS, que abrange rendimentos
provenientes de actividades por conta própria e empresariais.
2. b) Qual é a importância resultante de retenção na fonte no momento do seu
pagamento?
Para rendimentos da Categoria B, quando pagos por entidades com contabilidade
organizada, é aplicada retenção na fonte à taxa de:
20% sobre o montante pago (quando não há regime simplificado aplicável).
Cálculo:
20%×40.000 MZN=8.000 MZN
A importância a reter na fonte é de 8.000,00 Meticais.
2. Bibliografia
1. FAUSTINO, Manuel (2003) - O dever de retenção na fonte e outros deveres
autónomos de cooperação em IRS, Áreas Editora
2. FREITAS, Manuel Henrique (2005) – Fiscalidade, Almedina
3. MARTINEZ, Soares (1993) - Direito Fiscal, Coimbra SANCHES, J. L. Saldanha
(2000) -Manual de Direito Fiscal, S/ Ed., Coimbra Institucionais. Lisboa, 1991.