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Conflitos na História do Brasil

- Período Colonial -

Conjuração de “Nosso Pai”: 1666


A Conjuração de Nosso Pai, também conhecida por Revolta contra Mendonça Furtado é um
dos primeiros movimentos nativistas ocorrido no Brasil Colônia, que teve lugar em Recife e Olinda,
em 1666.

A Capitania de Pernambuco lutava por reconstruir suas duas principais cidades - Recife e Olinda -
destruídas com as lutas contra os invasores holandeses. Os senhores de engenho, radicados em
Olinda e com reservas quanto ao porto do Recife, acreditavam merecer maiores reconhecimentos da
Coroa Portuguesa, pelo contributo na expulsão dos flamengos. Portugal, entretanto, mandou para
governar a Capitania Jerônimo de Mendonça Furtado, um estranho, contrariando assim os interesses
de muitos pernambucanos, que se julgavam merecedores de ocupar a função, e não um estrangeiro.
Mendonça Furtado era apelidado pejorativamente de Xumberga (ou, nalgumas outras versões,
Xumbregas) - referência ao general alemão Von Schomberg, mercenário que lutara na Guerra da
Restauração, por ter um bigode semelhante ao dele.

A revolta

Somou-se à nomeação de Mendonça a sua inabilidade no trato com os chefes locais, permitindo que
o sentimento nativista ganhasse corpo. O estopim do movimento, que culminou com a prisão e
deposição do Governador, foi a estada, no porto do Recife, de uma esquadra francesa, que por
ordem da Corte, foram bem tratados. Os insurgentes fizeram divulgar a notícia de que o governador
estaria a serviço dos estrangeiros, que preparavam um ataque à província, e seu conseqüente saque.
Reuniram-se os conjurados em casa do senhor de engenho João de Novalhaes y Urréa, dentre os
quais o juiz de Olinda André de Barros Rego, os vereadores Lourenço Cavalcanti e João Ribeiro, e
outros, a fim de deliberar a forma de dar um golpe. A ocasião para isto foi a de simularem um
Nosso Pai.

O Sacramento para o golpe

Na religião católica o viático, também chamado de Nosso Pai, é o sacramento da Eucaristia


ministrado aos enfermos que não podem sair de casa. Os golpistas valeram-se do costume então
vigente de o governador acompanhar tal procissão, se a encontrasse na rua. Isto foi conseguido na
tarde de 31 de agosto de 1666, acompanhando Mendonça Furtado o falso cortejo. Desviado para
uma igreja, ao dela sair, André de Barros Rego deu voz de prisão ao governador, que rendeu-se,
sendo levado prisioneiro à fortaleza de Brum. Os franceses albergados foram perseguidos – uns
conseguindo refugiar-se num convento, sendo outros presos. Mendonça foi levado por uma frota
que, da Bahia, levou-o de volta a Lisboa – onde mais tarde envolveu-se numa conspiração contra
Afonso VI de Portugal, sendo degredado por isto para a Índia.

Coube ao Vice-Rei evitar um confronto maior com os conspiradores: habilmente nomeou para
substituir o Xumberga a André Vidal de Negreiros, que tinha fortes ligações com a colônia, e já
havia exercido o cargo, anteriormente - e facilmente apaziguaria os ânimos. Esta gestão, entretanto,
durou por meio ano apenas: em junho do ano seguinte novo governador era empossado - não
logrando o movimento de imediato maiores repercussões, senão a de que foi dos primeiros
movimentos locais onde se fez presente o sentimento de brasilidade - ou nativismo.