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Sebenta DIP

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19/2/2008 O Contexto do DI: a Comunidade/Sociedade internacional. Fases Históricas do DI. O DI contemporâneo e os desafios presentes. Noção de DI.

Critérios em presença e respectiva crítica. A questão da juridicidade do DI. Os tipos de relações jurídicas internacionais. DI e figuras afins. Classificações do DI. Contexto do Dto Internacional ● Comunidade/Sociedade Internacional → Complexa → Plural → Fragmentada → Policêntrica → Institucionalização débil mas progressiva. Fases Históricas do Dto Internacional ● Proto-história do DI (do ius gentium romano ao Ius Publicum Europoeum – século XVII) DI é: → o que a razão natural estabeleceu entre todos os homens (Gaio) → o que é usado por todos os povos (Uprano) → o dto regulador da comunidade política internacional (Vitoria 1526) → o dto que todos os povos e nações devem observar entre si (Suarez 1612) → o dto que regula as relações entre as nações (Grocio 1625, em geral considerado o fundador do DI moderno). ● História do DI 1→ Formação do DI – da Vestefália (1648) a Viena (1815) É uma fase de guerras constantes na Europa em que os equilíbrios espontâneos criados por tratados eram frequentemente violados para a formação de novos tratados. Trata-se de uma fase de formação que corresponde à criação da Europa como hoje a conhecemos. Os Estados, como soberanos, eram iguais entre si. 2→ Consolidação do DI – de Viena (1815) a S. Francisco (1945) Corresponde ao concerto europeu. Foi a primeira forma de institucionalização do dto europeu, a qual pretendeu durar ao longo do tempo. Tratava-se de uma forma de directório, ou seja, ainda reconhecendo a soberania dos Estados, o equilíbrio das respectivas relações era decidido pelas grandes potências, ficando os Estados mais pequenos num segundo plano. Tratava-se, pois, de uma institucionalização precária de carácter político-diplomático cujo equilíbrio não resistiu aos novos elementos que surgiram nas relações entre os Estados:  princípio das nacionalidades;  princípio da autodeterminação dos povos;  ideia da nação enquanto representação política dos povos;  consolidação de princípios como a soberania e independência dos Estados, institucionalizando-se as suas relações. Nos finais do século XIX surgem novos elementos que colocam em causa a concepção do DI básico:  surgem as primeiras organizações internacionais (OI), de carácter técnico;

 industrialização (o desenvolvimento da realidade económica e social obrigou os Estados a aprofundar as suas relações internacionais);  o dto de fazer a guerra é discutido, acabando por ter preterido a favor dos movimentos pacifistas nas Convenções de Gaia. É criado um Tribunal para se resolver os conflitos e disputas através de um modo jurídico. Contudo, com a Grande Guerra de1945, verifica-se um recuo destes avanços. 1928→ Pacto de Interdição da Guerra, o qual não teve efeitos práticos. A primeira metade do século XX foi uma fase de espera. 3→ O DI contemporâneo – de S. Francisco (1945) a … Assistimos à criação das Nações Unidas, o que de certo modo retoma a ideia da sociedade nações e de um quadro de organização das relações internacionais. Apesar de não ter conseguido evitar a proliferação dos conflitos a nível global, estes são localizados. Desde 1945 que o DI tem vindo a abranger uma comunidade internacional cada vez mais ampla, sendo, portanto uma organização de carácter universal que não deve ser confundido com o Dto Europeu. A segurança e paz internacionais são uma competência do Conselho de Segurança, havendo uma relação de subordinação que ignora o princípio da soberania. O DI contemporâneo ● Multiplicação dos sujeitos (uma sociedade civil global em construção?) → Estados (descolonização; fim dos Estados socialistas europeus); → Organizações Internacionais, em especial a UE e a ONU; → A questão ONG e TNC como sujeitos do DI; → emancipação do indivíduo como sujeito do DI. Inicialmente o indivíduo não era considerado sujeito do DI, apenas indirectamente – através do Estado – se relacionava com este. No século XX a necessidade de o indivíduo participar na formação das regras que internacionalmente o regulam, assim como a questão da responsabilidade internacional (a possibilidade de os indivíduos serem directamente responsabilizados pelos seus actos internacionais) levou os tribunais e o Tribunal Penal Internacional a permitirem a emancipação do indivíduo como sujeito de DI. Contudo, é algo que se encontra ainda em formação. Exemplos práticos da emancipação dos indivíduos como sujeitos de DI: o reconhecimento das minorias (ex.: povo palestiniano). Dto humanitário → possibilidade de os indivíduos serem reconhecidos internacionalmente, sendo os seus dtos tutelados a nível internacional. É um dto difuso, havendo domínios em que essa tutela é mais profunda e extensa. Ex.: Convenção Europeia dos Dtos do Homem. Sociedades transnacionais (multinacionais): → natureza comercial; → dimensão comparável ou mesmo superior à de alguns Estados, tanto do ponto de vista humano como comercial; → interferem nas relações internacionais e na capacidade dos Estados. ● Os desafios presentes → a globalização económico-financeira; → as ameaças naturais;

→ os desafios humanos (pobreza, diálogo intercivilizacional, conflitos armados, terrorismo, proliferação nuclear, etc). Todas estas questões solicitam o DI – em busca duma governance global. Noção de DI ● Critérios de definição → Sujeito; → Objecto; → Fontes Normativas. Definição do DI: Critério a partir dos sujeitos → conjunto das normas criadas que regulam a relação internacional dos sujeitos. É a concepção clássica encontrada na jurisprudência do Tribunal Permanente da Justiça Internacional. O elemento fundamental é a vontade dos sujeitos, manifesta nas convenções celebradas pelo Estado e no costume internacional. Teve dois momentos no seu itinerário: num primeiro momento definiu o DI como o ramo jurídico que disciplinava apenas as relações jurídicas entre os Estados, contudo, no segundo momento, o DI já foi definido como o sector jurídico regulador dos sujeitos da sociedade internacional, não os identificando apenas com os Estados. Embora seja uma definição compreensiva das diversas realidades subjectivas presentes no DI, actualmente este critério encontra-se ultrapassado. Quais os sujeitos de DI? Como são determinados? São aqueles que as normas de DI consagram como tal, ou seja, define-se com aquilo que está a ser definido. Critério a partir do objecto → conjunto de regras que incidem sobre matéria de natureza internacional (RTIGO 7º/2 da Carta das Nações Unidas). É um critério que separa as matérias internacionais e as matérias internas, justificando-se na natureza trans-estadual do DI. Contudo, tem como desvantagens que o invalidam o facto de haver matérias não internacionalizáveis e a dificuldade em determinar a separação do domínio dos Estados e do internacional. Critério das fontes normativas → é um critério formal. Normas e princípios que surgem de fontes transnacionais de criação do Dto. De acordo com este critério, o sentido principal do DI é funcional, atendendo mais ao modo de produção das suas regras do que ao sujeitos das relações internacionais ou às matérias por aquelas abrangidas. Fausto Quadros define o DI com base neste critério: “conjunto de normas jurídicas criadas pelos processos de produção jurídica próprios da Comunidade Internacional e que transcendem o âmbito estadual.” Todavia, reduz o DI a uma dimensão meramente formal, ignorando as dimensões materiais e subjectivas. Tem igualmente a dificuldade de no DI não haverem apenas fontes que lhe sejam privativas. ● Definição aberta, multidimensional e dinâmica → ordenamento jurídico formado por normas e princípios que regulam as relações jurídico-públicas próprias da comunidade internacional, enquanto substrato subjectivo, relacional e material. Esta definição contem quatro elementos: ▪ elemento formal → o conjunto dos princípios (orientações gerais que indicam sentidos valorativos e técnicos para a decisão jurídica)e normas (têm estrutura dualista, discernindo-se entre previsão – recorte de uma situação ou evento – e estatuição –

que espelha a circunstância de. que se determina pela ausência de uma regulamentação sobre os assuntos conexos com aqueles que. ▪ elemento subjectivo → os membros da sociedade internacional que mutuamente estabelecem relações de coordenação (resultado da necessidade de relacionamento internacional com o propósito de cada um defender os seus interesses numa base egoísta). Todavia. o DI normalmente estabelecer orientações mais gerais. . Deste modo: ● os tribunais internacionais só podem ter parte nos processos do Estado. ● fragmentário nas matérias abrangidas pela sua regulamentação. Este fragmentarismo pode ser visto de duas perspectivas: ● um fragmentarismo horizontal. ao contrário do que acontece no dto interno. ficando a sua efectivação na mão dos sujeitos/Estados. ● a jurisdição é facultativa. imputadas à órbita das relações internacionais em função da sua internacionalidade. não sendo um movimento unilateral mas sim plurilateral. ◘ O DI não tem juiz. já obtiveram essa regulamentação. Características do Dto Internacional São três os traços que se sobressaem da essência do DI: ● parcela do Dto Público. mas antes perante uma manifestação das relações empíricas dos Estados. as normas internacionais devem ser. → Questão da juricidade do DI. ● um fragmentarismo vertical. ▪ elemento material → as matérias abrangidas pela regulação em causa. temos verificado um aumento de jurisdicionalização. Traços fundamentais: considera que não estamos perante um ordenamento jurídico. em cada momento. nem fazer com que ela fique dependente da força.consequência jurídica que se atribui à verificação do acontecimento referido na previsão) com conteúdo jurídico. não efectuando o tratamento normativo exaustivo da problemática sobre que incide. O Dto não pode depender de uma instância de carácter jurisdicional. ▪ elemento funcional → o estatuto jurídico-público das pessoas jurídicas envolvidas. quanto a certa matéria. reciprocidade (há vantagens recíprocas que derivam do estabelecimento de posições subjectivas individuais numa comum base de igualdade) ou subordinação (alguns sujeitos aceitam limitações na sua soberania interna e internacional). as jurisdições internacionais são facultativas. É um dto que se formou com a autonomia dos Estados. Apesar de haver juízes internacionais. revestidas de sanção.: os tratados multilaterais actuais contêm uma cláusula do Tribunal Internacional de jurisdição obrigatória. existem outros meios para o aplicar. Porquê? Críticas: ◘ O DI não tem legislador (o qual se trata de um paradigma ocidental e recente). ● policêntrico nas suas fontes e dos seus sujeitos. Contudo. Ex. e são. ◘ O DI não tem polícia que assegure o seu cumprimento. Não podemos confundir o carácter jurídico de uma norma com sua efectivação.

Associam-se com o positivismo jurídico. mas uma espécie de um terceiro tipo cuja definição ainda se encontra em evolução. a sua base jurídica fundamental é internacional (ex. Ex.: as competências do Conselho de Segurança em matéria de manutenção da paz. na ajuda humanitária e na luta para que os Estados mais ricos perdoem a dívida que os Estados mais pobres têm para com eles. É entendido como um Dto Internacional mais desenvolvido onde se procede ao estabelecimento de relações mais extensas e aprofundadas. Teses em presença. por exemplo. Alguns autores defendem uma outra diferença de carácter qualitativo. . ● Subordinação Recentes e ainda a excepção. é a vontade dos Estados que leva à obrigatoriedade das normas. Têm um carácter vertical. ● Dto Internacional e relações internacionais Apesar de serem a base empírica do Dto Internacional. impossibilitando. Exemplo: não multar automóveis diplomáticos. portanto. 26/2/2008 O Fundamento do DI.: tratados jurídicos acordados entre os Estados-membros). ● Dto Internacional e Dto da U. Tem um carácter bilateral e horizontal do ponto de vista jurídico/formal. trata-se de uma disciplina autónoma de carácter descritivo. Se assim for. ● Dto Internacional (Público) e Dto Internacional Privado Do ponto de vista subjectivo é um conjunto de normas que versa sobre as relações dos sujeitos internacionais privados.Relações jurídicas internacionais ● Cooperação (prossecução de interesses próprios de sentido unívoco) ● Reciprocidade (prossecução de interesses próprios correlativos – relação sinalagmática) Os Estados assumem relações com diferentes interesses mas ao mesmo tempo convergentes (ex. ● Doutrinas voluntaristas → cujo fundamento deriva da vontade do sujeito. O Fundamento do Dto Internacional: Teses em presença. o que só admite a produção e a obrigatoriedade de normas jurídicas como expressão do poder público. a sua qualificação.E. ● Dto Internacional e Cortesia Internacional Determinadas regras de carácter não obrigatório que demonstram uma relação de cortesia e polidez entre os Estados. que se reflecte. Exemplo: quais as normas a aplicar no casamento entre duas pessoas de diferentes Estados? Ao contrário do Dto Internacional Público não é um ordenamento jurídico. não sendo um dto estadual. cumprimentar o chefe de outro Estado com salvas de canhão. Dto Internacional e figuras afins ● Dto Internacional e Moral Internacional Trata-se de moral e ética internacional. mas sim um ramo do dto interno dos Estados.: imunidade diplomática).

→ A irrelevância do fundamento do Dto Internacional (Ago) Trata-se de uma preocupação jurídica irrelevante. O Dto Internacional não é visto como um dto autónomo mas sim como um mero ramo do Dto. ● Tese normativa (Kelsen e Anzilotti) Pretendeu ultrapassar o positivismo. A realidade social institucionalmente organizada e o Dto Internacional como o dto das instituições internacionais. da vontade do Estado. Zorn e Wenzel) → Influenciados por Hegel e a sua maneira de pensar o Estado. ● Crítica → Artigo 38º do Estatuto do TIJ (os ‘princípios gerais de Direito reconhecidos pelas nações civilizadas’) . Crítica: tratando-se de uma autolimitação os Estados podem pôr termo a essa autodeterminação a qualquer momento. Há normas que se formam e se impõem aos Estados independentemente da vontade destes. serem respeitados os acordos. Não são bem aceites pelos juristas por retiraram autonomia ao Dto. devendo. não ficando dependente da individualidade de cada Estado. sendo a vivência internacional geradora da necessidade de leis e normas que conservem a sua coexistência. e A. Teoria da vontade comum dos Estados (Triepel) → Pretende ultrapassar os limites das doutrinas anteriores. Zorn e Wenzel tornaram-se nos protagonistas desta doutrina. O fundamento do Dto Internacional está na vontade colectiva dos Estados e na respectiva manifestação. Kelsen → Teoria da pirâmide normativa → no ordenamento internacional a regra consuetudinária (o costume) encontrar-se-ia no topo da pirâmide. no entanto. Crítica: decorreria uma falta de autonomia do Dto em relação à situação social. Kelsen pensou/introduziu no sistema uma norma hipotética que não se consegue materializar mas que obrigaria a respeitar o dto consuetudinário. debilitando o ordenamento jurídico internacional. Esta crítica vale também para a Teoria do Dto Estadual Externo. Crítica: Confusão entre relevância de vontade para criação de efeito jurídico e relevância de vontade como fundamento da normatividade.Teoria do Dto Estadual Externo (P. Crítica comum às três teorias: não são só os Estados os sujeitos do Dto Internacional. derivando. pactos e tratados. → A sociabilidade internacional (Scette) → O institucionalismo (Santi Romano) ↔ o Dto em geral mais não seria do que a afirmação de um desejo de ordenação em torno de instituições sociais. sendo entendido como dto interno do Estado que se projecta para o exterior. Crítica: O Dto Internacional não pode nunca ser pensado como uma projecção da vontade individual de cada Estado Teoria da Autolimitação do Estado (Jellinek) → O Dto Internacional fundamenta-se numa auto-limitação por parte dos Estados que tem lugar quando os Estados se obrigam a uma vinculação voluntária às normas de internacionais. assim. ● Teoria sociológica Afirma a obrigatoriedade do DI pela sua radicação nas relações internacionais. O fundamento das normas jurídicas transcende a vontade.

Breve referência. não é reconhecida a sua existência devido à opinião generalizada de que haveria riscos em tal. Outros princípios apontados como sendo do ius cogens:  proibição do genocídio. 24-26 → o ius cojens.  proibição da tortura. Silva Cunha.org/docket/files/4/1835. Alguns autores entendem que são princípios do ius cogens os princípios relativos à salvaguarda da dignidade da pessoa humana. ● Teorias contemporâneas → O neo-contratualismo liberal (Rawls e Dworkin) → Teses deliberativas e da ética comunicativa (Habermas e Alexy) . Afonso Queiró. A indispensabilidade de haver norma com o objectivo de promover a dignidade humana. O Dto Internacional encontra a sua validade na indispensabilidade de haver normas com o objectivo de promover a dignidade humana. Afonso Queizó → refere-se à dignidade humana como sendo o fundamento e a validade do Dto Internacional. Qualquer tratado que violar o “ius cogens” é nulo. caso “Reparação dos prejuízos sofridos ao serviço das NU. Sublinha dignidade da pessoa humana. aos quais estes devem obediência. entre os quais sobressai o valor da dignidade da pessoa humana. como a possibilidade de haver uma utilização unilateral do ius cogens que imponha uma concepção de dto ao sujeito diferente da visão de Dto. ● Teses jusnaturalistas Fazem apoiar a obrigatoriedade do DI no respeito por valores ou princípios de Dto Natural.→ Parecer TIJ. Ius cogens→ conjunto de princípios que não se consideram vinculativos para sujeitos de Dto Internacional e dos quais estes não se podem desvincular. → O jusnaturalismo teológico ontológico (Le Fur) → O jusnaturalismo axiológico (Verdross.pdf). 1949 (http://www. sediado acima do poder dos Estados.icj-cij. Principal crítica: determinados princípios têm esse vector jurídico superior. independentemente de terem participado ou não na sua formação.  proibição da escravatura (continua a existir em alguns lugares). Gonçalves Pereira) § o jusnaturalismo axiológico assente na dignidade humana (Bacelar Gouveia) Bacelar Gouveia → refere como fundamento axiológico a dignidade humana. pp. Problema: embora não seja tudo convencional. O jusnaturalismo axiológico é uma das variantes do jusnaturalismo que remete para existência de um jusnaturalismo axiológico fundamento de Dto na natureza humana e respectivos valores. Reconhece-se que existem princípios jurídicos que se podem reconduzir a determinados factos sociais e que não podem reconduzir-se à vontade unilateral comum dos cidadãos.

cujo espaço de aplicação é limitado. Contudo. 3ª ed. Têm inderrogabilidade e encontram-se no topo da pirâmide normativa. however. tendo de o respeitar.. o carácter consuetudinário permanece. and Sony is the largest exporter of television sets from the United States. and any given state is but one constraint in corporate global strategic calculations. ● (âmbito material) Dto Internacional geral vs Dto Internacional especial DI especial → conjunto de normal que materialmente têm um domínio mais restrito. ● (hierarquia) Dto Internacional fundamental vs Dto Internacional ordinário O DI ordinário é inferior ao fundamental. and the like. DI convencional → é acordado pelos sujeitos de Dto Internacional. brings an antidumping case before the U. Ex. and which are more or less effectively mediated by the state.: Dto Internacional Penal. which we continue to call trade. Respeita aos princípios e normas que têm como vocação ampla de aplicação uma perspectiva subjectiva: a todos.S. ou pelo grande parte. a Japanese concern assembling typewriters in Bartlett. Dto da Guerra (embora actualmente os domínios já sejam vastíssimos). pp. resultando duma manifestação de vontades. In the nonterritorial global economic region. Este último chega a ser considerado por alguns autores como um dto constitucional. Tem sido procurada a sua materialização com o objectivo de facilitar a sua aplicação através da codificação. This is the world in which IBM is Japan’s largest computer exporter. isso não as transforma em normas convencionais.Classificação do Dto Internacional ● (âmbito de aplicação) Dto Internacional Comum vs Dto Internacional particular DI comum → princípios gerais do Dto comuns. 9-32 e 37-39 28/2/2008 (pratica) “. the conventional distinctions between internal and external once again are exceedingly problematic. Curso de Direito Internacional Público. an American firm that imports . ● (criação) Dto Internacional espontâneo vs Dto Internacional convencional A relevância das normas jurídicas de criação espontânea (consuetudinária) é muito maior no domínio internacional que no externo. • Bibliografia: Jorge Miranda. It is the world in which Brothers Industries. International Trade Commission against Smith Corona. “Ius cogen” → conjunto de princípios ou normas que se impõem independentemente da vontade dos sujeitos. DI particular → reflexo da fragmentação do Dto.: Convenção de Viena. É atinente aos princípios e normas jurídico-internacionais que apenas beneficiam de uma aplicação restrita. Ex.Comente o seguinte texto: “These conventional spaces-of-places continue to engage in external economic relations with one another. Têm um âmbito material e um âmbito funcional. ● (forma) Dto Internacional não escrito vs Dto Internacional escrito Não escrito → princípios gerais do Dto. Tennessee. foreign investment. em razão das particularidades. nomeadamente o costume. dos sujeitos internacionais.

4/3/2008 As Fontes de Direito internacional. uma das características do Estado. International Organization 47. estrutual. c) os princípios gerais reconhecidos pelas Nações civilizadas. gerais ou especiais. como prova duma prática geral aceite como de direito. uniformal e homogenio. Comunidade → restrito. nomeadamente do económico. Processos de cooperação internacional → visam regular a nova actualidade internacional dentro de um modelo estadual. Devido à sua novicidade não é ainda um movimento político. 1 Winter 1993. 172. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados em litígio. Sociedade versus Comunidade. d) sob reserva do disposto no artigo 59º. O texto refere-se à territorialidade. situando-se ao mesmo nível dos tratados. “Territoriality and beyond: problematizing modernity in international relations”. Sociedade → global. distinção e autonomia entre os seus elementos. cuja função é decidir. há solidariedade. como meios auxiliares para a determinação das regras de direito.: diferentes religiões. ◘ O que a internacionalização trouxe às comunidades nacionais? Heterogenidade. etc) e abertura mental. cujo laço é formado por interesses estratégicos. resultante da abertura de fronteiras e do grande fluxo de emigração (e. Spaces-of-places → espaço não territorial. tem havido uma desterritorialização do poder. as decisões judiciais e a doutrina dos publicistas mais qualificados dos diferentes Estados. de acordo com o Direito Internacional. contudo. cada vez mais se fala de uma comunidade internacional. autor do texto. 38º ETIJ e as fontes de Dto Internacional “1. A vontade e soberania dos Estados estão interligadas a essa territorialização do poder que se verificou após a Idade Média. os litígios que lhe sejam submetidos. cujos laços não se formam pelos interesses. aplicará: a) as convenções internacionais. O Tribunal. do qual os Estados não fazem parte. b) o costume internacional. Alguns autores defendem que os acordos entre empresas internacionais devem ser regulados pelo Dto Internacional público ao invés do privado.typewriters into the United States from its offshore facilities in Singapore and Indonesia. A realidade internacional insere-se na sociedade.” O Texto 1 insere-se no contexto da realidade internacional actual. . Fontes de Dto Internacional ● O art.” John Gerard Ruggie. culturas. p. Segundo John Ruggie. não há um sentido intencional na coesão entre os membros.

UK vs Nor. julgar ex aequo et bono.RFA vs Dinamarca e Holanda. ◘ A jurisprudência e a doutrina.. 41-42) Manifestações da prática: actos dos órgãos internos e externos dos sujeitos de Dto Internacional. ). pp. Elemento psicológico animus → opinio iuris vel necessitatis (caso ‘plataforma continental’ 1969 RFA vs Din e Hol.  Por defeito: os actos unilaterais dos Estados (caso ‘testes nucleares. 1969. A alínea c) é reveladora de um egocentrismo de carácter ocidental. não são criadoras. 138-139) nos costumes locais e tendencial irrelevância nos comuns (caso ‘plataforma continental’. Relevância da objecção (‘Haia de la Torre’. pp. 1950. Não há uma orientação unívoca em termos temporais (cf.” Não visa estabelecer um elenco de fontes. RFA vs Dinamarca e Holanda. . 36-37) → Equidade → Princípios gerais do Dto Costume Não se considera que haja uma hierarquia. a decisão ex aequo et bono é uma forma de resolução concreta de um caso. ● Fontes primárias → Costume → Tratados → Actos unilaterais do Estado e OI ● Fontes secundárias → Jurisprudência (reguladora de normas e princípios mas não criadora) → Doutrina (caso ‘Plataforma continental’ 1969. pp. a vinculação a ele só existe quando é aceite pelo Dto. e ‘Pescarias’ 1951. a primeira com força vinculativa inter partes. 1974. Este artigo não prejudicará a faculdade do Tribunal de. p. caso ‘plataforma continental’ 1969. 277 e ‘Pescarias’ 1951. pp. e Hol. se as partes estiverem de acordo. pp. NZ e Austrália vs França. p. 44-45). ● Crítica do 38º ETIJ → Crítica por excesso e por defeito do elenco enunciado. é antes uma base de partida. 267-270) e das OI. A aceitação do costume é voluntária.  Por excesso: os PGD não são fonte. mas são reveladoras de normas e princípios. RFA Din. 277-278. é tratado em primeiro lugar por ser a fonte mais antiga do Dto Internacional. → Crítica à formulação utilizada Não é clara a distinção entre as convenções internacionais gerais e especiais. Elemento material → corpus (prática constante e uniforme). 41-43) O espaço exterior (instantaneidade do costume a partir da Declaração da AG-NU em 1963) Proposta: a prática deve ter ocorrido cada vez que os sujeitos tiveram oportunidade de a manifestar e deve ter uma carácter uniforme (caso ‘Haia de la Torre’.2. de acordo com a justiça. Remissão. pelo que parece válido considerá-las como fontes ainda que secundárias. são um dos elementos normativos do Dto Internacional. pp.

→ Gentlemen’s agreements. Nor vs UK)? ● Classificação → Âmbito: comum (generalidade . ‘Quase Tratados’? ● Denominações (inter alia) → Convenção → Acordo → Carta. 1960). → Para existir o costume necessita da conjugação de dois elementos: o elemento material (corpus). → Sentido (a questão do costume contra tractum – art. ).  contra tratum (contrário ao tratado). que consiste na convicção de que aquela prática é para ser cumprida. o Costume pode ser regional. a).  secundum legem Tratados ● Definição Art. ● Distinção de figuras afins → Feixes de actos unilaterais. quer esteja consignado num instrumento único.  contra legem. Pt vs Ind. e o elemento psicológico (animus). ▪ O problema da objecção persistente (caso ‘pescarias’ Nor vs UK 1951 e ‘Haia de la Torre’. ou local caso ‘direito de passagem’. Os acordos entre os Estados e sujeitos de direito privado com acção transnacional. precisa ou desenvolve uma lei). ‘Plataforma continental’ 1969. Prática constante. 2º nº 1. ● Proposta Acordo de vontades entre sujeitos de DI. al. Complementa. Ou seja. RFA vs Din e Hol) ▪ Presunção iuris tantum (caso ‘pescarias. geral. → Classificação do Costume:  Comum. quer em dois ou mais instrumentos conexos. particular (regional ou local) → abrange um conjunto de sujeitos internacionais). agindo nessa qualidade. 27º Carta NU). Constituição ou Estatuto . local ou de alcance geral (a objecção de um ou dois sujeitos é tendencialmente relevante. → Acordos políticos.▪ Carácter objectivo.prática de em conjunto diversificado e representativo de sujeitos) e particular (regional – caso ‘Haia de la Torre’-. → Elementos que constituem o “corpus” do costume: actos dos órgãos internos e externos dos sujeitos de Dto Internacional. e qualquer que seja a sua denominação particular”. cits. de que resultam efeitos jurídico-internacionais. CVDTE: “um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. uniforme. que se traduz na existência de uma prática reiterada.  infra legem (corresponde ao secundum legem.

) Expressa a vontade do autor do acto na concessão de uma vantagem que passa a ser juridicamente protegida. o acto de ratificação por parte do Chefe de Estado. em função de ser possível a sujeitos que não assinaram e ratificaram a futura pertença ao seu conteúdo. excepto a publicidade (caso ‘testes nucleares). de tal possibilidade ser condicionada (tratados semi-fechados) ou mesmo proibida. dependendo do número de sujeitos celebrantes. Actos jurídicos unilaterais → Protesto Corresponde à manifestação de uma discordância. apenas dependendo de si própria. → Vinculativos. factual ou jurídica.→ Pacto → Concordata → Acta final ou geral → Compromisso ● Classificações (inter alia) tendo em consideração a incidência sobre o regime jurídico respectivo → Tratados-lei e tratados-contrato. → Tratados bilaterais e tratados multilaterais. → Reconhecimento Representa a aceitação por parte do respectivo autor quanto à qualidade de certa entidade como sujeito de Dto Internacional. sendo estes últimos para um número reduzidos de sujeitos partes. tomando em consideração a adopção ou não da forma escrita na respectiva celebração. numa visão estritamente unilateral. dos efeitos que sejam estabelecidos no respectivo articulado. autonomamente. em razão de ser ou não necessário. denúncia. ▪ Os feixes de AJI → AJI não autónomos (mas com efeitos jurídico-internacionais) – adesão. → Notificação Consiste na comunicação aos respectivos destinatários de uma qualquer situação ou acontecimento. → Renúncia Vontade de um sujeito internacional fazer extinguir um direito que pertença à sua esfera jurídica. → Tratados escritos e tratados não escritos. → Tratados abertos e tratados fechados. . individual e não duradouro. independentemente da existência de qualquer retribuição. quanto a um acontecimento ou situação. → Tratados solenes e tratados não-solenes. ao qual se associam efeitos jurídico-internacionais. cit. ● Regime jurídico: → A ausência de requisitos formais. de cujo conhecimento depende a produção de tais efeitos na esfera jurídica de um sujeito internacional. de acordo com o sentido normativo ou concreto. → Promessa (caso ‘testes nucleares’. etc. → Tratados gerais e tratados restritos.

(Bacelar Gouveia) → Actos vinculativos e consultivos Actos que produzem efeitos obrigatórios e actos que apenas contêm recomendações ou pareceres. de outro modo todas igualmente possíveis. ▪ Os actos das instituições da EU. reciprocidade. ● Princípios gerais internacionais: proibição do uso da força. resolução pacífica dos conflitos. como os princípios relativos ao Estado de Dto e os princípios democráticos. 11/3/2008 Os Princípios Gerais de Direito. ‘canal de Corfu’). princípios processuais e de prova. → Actos normativos e não normativos. AG 1970). . O Ius Cojens. responsabilidade. cooperação. Princípios Gerais de Direito → Consagração do ‘Direito Natural’? ● Princípios gerais oriundos dos direitos internos: boa fé (transversal). A equidade e a decisão ex aequo et bono. abuso do direito. podendo provocar a respectiva invalidade material. igualdade de direitos dos povos e autodeterminação (‘Declaração relativa às relações amigáveis e de cooperação entre os Estados conforme a CNU’. igualdade soberana dos Estados. ● Os actos das OI → Actos de eficácia interna e externa. ● Função dos PGD ● Legitimadora Os princípios permitem questionar a legitimidade material das normas ou de outros princípios que com eles estejam desconformes. Actos que incorporam normas jurídicas e actos que contêm somente efeitos individuais e concretos. mas há princípios que vinculam apenas alguns desses sujeitos? Nem todos acham que sim. liberdade dos mares.→ Irrevogáveis. livre consentimento. estoppel. Actos que apenas se destinam à organização e ao funcionamento dos respectivos órgãos e actos que se projectam nas relações jurídicas com outras entidades. Actos que se aplicam por si mesmos e actos que para se tornaram operativos carecem de um outro acto que lhes confira executoriedade. mas existem. ▪ Os actos da AG e do CS das NU. não ingerência. → Actos exequíveis e não exequíveis. princípios de direito privado (casos ‘Barcelona Traction’. ● Interpretativa Os princípios permitem determinar preferências. ◘ Todos estes princípios são comuns aos sujeitos de Dto Internacional. Admissibilidade? ● Princípios de Dto Privado: celebração de tratados. → Princípios gerais comuns e princípios gerais restritos. dto das sociedades. de entre válidas soluções hermenêuticas. → Actos preceptivos e programáticos (a problemática do soft law).

os quais se revestem de todas as características atribuídas à judicatura pública. Por si só. ● Complementadora Os princípios têm a virtualidade de regulativamente alargar a extensão de aplicação do Dto Internacional. 38º do ETIJ). Ius cojens refere-se apenas a dto comum. tal importância tem vindo a diminuir cada vez mais não só devido há multiplicação daqueles que hoje cultivam o Dto Internacional. na sua interpretação e na sua aplicação (é a este sentido que se refere o art. como por o Dto Internacional ter vindo a diversificar-se dogmaticamente. a disposição do Direito aplicável pelas partes e a intervenção destas na escolha dos juízes que se encarregarão de decidir o litígio. Riscos. ou seja. nas suas fontes. Elencos possíveis. permite ultrapassar o problema da inexistência de normas para determinadas situações. não é a jurisprudência que funciona como fonte de Dto Internacional: no primeiro caso realça a fonte costumeira e no segundo avulta a atribuição ao órgão judicial de uma faculdade normativa. não vigorando a regra do precedente. Ius Cojens O grande interesse das normas de ius cogens internacional é o de servir de critério. Conquanto. da doutrina. → Dificuldade de determinação. 53º. a jurisprudência cobre várias situações que se repartem por dois grandes grupos: ▪ as decisões arbitrais ↔ São proferidas por tribunais de cunho arbitral. os quais têm como singularidades o menor formalismo processual. 64º e 71º CVDTE. contudo. Jurisprudência O valor da jurisprudência na construção do Dto Internacional é limitado. → Convenção de Viena: ius cojens só são reconhecidos se tiverem alcance geral.● Integradora Os princípios possibilitam integrar lacunas de regulamentação. Ou seja. . No âmbito do Dto Internacional. ▪ como conjunto de opiniões jurídicas a respeito do Dto Internacional. Os arts. ▪ as decisões judiciais ↔ incluem as sentenças e os acórdãos dos tribunais judiciais. não possui a qualidade de fonte normativa de Dto Internacional. Doutrina A expressão “doutrina” pode ter dois sentidos distintos: ▪ como orientação de política externa. Num primeiro momento. numa feição ético-valorativa. para dirimir conflitos entre normas e fontes de Dto Internacional. embora tal possa ser diferente quando os tribunais sejam confrontados com a imposição de orientações gerais em duas ocasiões: pela formação de um costume jurisprudencial ou pela imposição de uma orientação comum admitida ao nível do estatuto do órgão judicial em causa. em acréscimo à função judicial. o Dto Internacional esteve muito dependente do trabalho dos jusinternacionalistas.

Convenção Europeia dos Dtos do Homem: entre a tese maximalista (J. Miranda) e a tese minimalista (cf. Soluções: a Carta das Nações Unidas admite o uso da força para a manutenção da paz e segurança internacionais. Identidade ou não? . Nunca será contra ou pretem legem.→ Art. assim como determina no seu artigo 48º que todos os Estados devem acatar e cumprir as decisões do Conselho de Segurança. 100-1) ↔ convenção das Nações Unidas. Comummente entendida como “a justiça do caso concreto”. → A jurisprudência do TIJ.71º: tratados incompatíveis com o ius cojens. mas a doutrina defende a sua existência. Genericamente reconhecidos. Problemas: não pode ser objecto de derrogação. → Decisão ex aequo et bono e equidade. a equidade significa a resolução de casos através da aplicação de critérios criados pelo próprio aplicador. → Consequências da violação do ius cojens: ▪ Convenção de Viena → é nulo qualquer tratado que viole o ius cojens. 1996. O pacto de 1928 que estabelece a proibição da guerra não impediu a Segunda Guerra Mundial. 257) → Responsabilidade ● Ius cojens (outros) → Soberania permanente sobre os recursos naturais → Autodeterminação → Os direitos humanos. → Proibição do genocídio (Congo vs Ruanda. num ajustamento da pauta de decisão às características de cada situação em análise. O reconhecimento explícito e qualificação de normas internacionais como ius cojens (cf. quanto muito secundum legem. → Até 2006 não se verificou qualquer norma institucional com nome de ius cojens. caso ‘Barcelona Traction’. 26-27) → A proibição da discriminação racial → Crimes contra a humanidade → A proibição da escravatura e da pirataria → Direito humanitário internacional (convenção de Haia) no ius in bello (Parecer ‘Armas Nucleares’. pp. 2006. problema de conjugação com o dto à legítima defesa individual e colectiva. sendo apenas possível saber a sua amplitude de um modo concreto. caso ‘Congo vs Ruanda’. excepto por uma norma de igual conteúdo. ● Ius cojens consensual → Problema do ius cojens: Quais as normas que são ius cojens? A construção substantiva do ius cogens só se realiza com recurso a normas e princípios que sejam portadores dos grandes valores da sociedade internacional. É um princípio imperativo importante para garantir a igualdade de soberania dos Estados. p. Equidade → Princípio equitativo: princípios que se conjugam para uma melhor aplicação do Dto. 1970. 26-27. são: → Proibição do uso da força (Nicarágua vs EUA. os quais se impõem involuntariamente à conduta os respectivos membros. pp. pp. 62-64). pp. 1986. Há um conjunto de situações em que este princípio é objecto de derrogação mais ou menos ampla. → A admissibilidade de ius cojens regional. 2006.

1966. que tanto pode ser expresso ad hoc como pode constar de uma prévia convenção. 1º. 554 e 6313). → Limites no recurso à equidade: é necessário um acordo das partes. p. e ‘Burkina Faso vs Mali’. → Cronológico A norma posterior derroga a anterior. 1986. 89-101. p. → O TIJ e a aplicação de princípios de equidade.A expressão “ex aequo et bono” implicita que o julgador. devendo ser ratificada pelos Estados signatários. que as normas internacionais aplicáveis na resolução do litígio não sejam normas imperativas. nº 1. em especial ‘equidade infra legem’ (caso ‘plat. pp. Hierarquia do DI ● Critérios: → Ético-valorativo (em especial o jus cojens) Coloca em evidência normas de Dto Internacional que correspondem a uma orientação valorativa. 5º CVDT) → Parte das regras da CVDT são supletivas. . → A aplicação de ‘considerações de humanidade’ (caso ‘canal de Corfu’ 1949. Cont’ cit. → A aplicação dos CVDT está directamente prevista. Há quem defenda que o ius cojens o é. desconsiderações de considerações de humanidade. al. 22. 5º CVDT) → Acordos internacionais adoptados no âmbito de uma organização internacional (regra subsidiária – art. pp. Convenção de Viena (art. 133 e 142) → Recurso a outros elementos por parte do Tribunal (princípios complementares): considerações de humanidade. a). etc. e assim como é também imprescindível a disponibilidade das normas internacionais potencialmente aplicáveis. 2º. pp. devendo procurar um critério que melhor sirva os interesses contrapostos do caso sub iudice. incluindo os que constituem organizações internacionais (art. mas tal é duvidoso. São inderrogáveis? Ius cojens não. interesses legítimos de natureza económica. com excepção no ius cojens. perante o caso concreto. está liberto da aplicação de orientações normativas pré-definidas. mas outros normas poderão sê-lo através de acordo entre as partes. também se admitindo a sua abertura para adesão de outros Estados. 25/03/2008 Dto dos Tratados. em sentido diverso ‘South West Africa’. → Lógico (lex specialis…) Lei especial derroga a lei geral. nomeadamente as que consagram dtos humanos. 34) e de ‘interesses legítimos’ (caso ‘pescarias’ cit. 41º) ↔ condições para que seja possível celebrar um segundo acordo entre as partes que prevalecerá. → Formal (103º CNU) Qualquer acordo contrário à Carta das Nações Unidas (CNU) não pode prevalecer sobre esta. Convenção de Viena Sobre o Dto dos Tratados entre os Estados (assinada em Viena a 23/05/1969) ● Âmbito de aplicação da CVDT → Acordos internacionais concluídos por escrito entre Estados (arts. ou seja.

▪ Negociação geral – calendarização das negociações e definição dos sub-temas materiais.Para muitos Estados que não emitiram uma vontade de ratificar ou aderir. acto que expressa o encerramento das negociações. ser dividida em dois sub-momentos: a aprovação do texto. c) CVDT) – pode ser de duas categorias: ▪ Habilitação funcional (art. podendo deixar de haver vontade. 2º. → A negociação internacional deve ser distribuída por três momentos distintos: ▪ Pré-negociação – estabelecimento das disposições que guiarão o processo negocial através da identificação das partes e das matérias. Nem sempre termina com a passagem à fase seguinte. portanto. nalgumas ou mesmo todas as partes envolvidas. nº 1. ● Adopção do texto → Põe termo às negociações → Aprovação do texto (todos os participantes ou 2/3 – art. na qual se indica a pessoa do representante e os actos para que está autorizado. al. 7º. o que significa a apresentação de uma carta-patente. 8º CVDT). → Pode. e a autenticação do texto. em seu nome. Celebração dos Tratados entre Estados ● Fases: 1 – Negociação 2 – Adopção do texto 3 – A vinculação das partes 4 – A entrada em vigor 5 – O registo e a publicação → CVDT negociação (2º. recíproca e pormenorizada entre os negociadores. ▪ Habilitação específica (art. ▪ Negociação específica – fase da consulta directa. para consolidar as negociações. acto que lhe atribui um valor de veracidade e de definitividade. → Pode apenas ser levada a cabo por entidades habilitadas para o efeito. Trata-se de um documento escrito que deve ser assinado pelas entidades internamente responsáveis pela manifestação da vontade de o Estado internacionalmente se representar nessa fase. nº 2 CVDT) Autoriza o estabelecimento da negociação por parte daqueles que exercem certos cargos na estrutura de poder do sujeito interessado. sendo esta capacidade para a negociação internacional designada de “plenos poderes”. nº 1. ◘ Os tratados multilaterais e a negociação em conferência internacional → Habilitação negocial – a carta de ‘plenos poderes’ (art. 9º CDVT). e) ● Negociação → Integra todos os actos destinados a aproximar as partes que têm interesse nem futuro articulado de tratado a celebrar. pode considerar-se globalmente vinculativa como repositório de costumes internacionais ou mesmo de princípios gerais de Dto. poder negociar a elaboração de um texto de tratado internacional. 7º. . ◘ A falta de ‘plenos poderes’ e a respectiva sanação (ar. efectuando-se a discussão dos vários sub-temas de acordo com o esquema definido na fase anterior. al. nº 1 CVDT) Decorre de o sujeito internacional conferir uma carta de plenos poderes a alguém para.

◘ Partes do Tratado: → Preâmbulo (razão de ser do tratado. intenções dos Estados que o negociaram) → Corpo dispositivo (tem o articulado ou clausulado. 10º) → Efeitos: direito do Estado contratante a vincular-se. a) do art. o depósito. nº 4. → Autenticação do texto. 15º ↔ surge quando está em causa a adesão de um sujeito que não adoptou o texto. nomeadamente as Declarações → Admissibilidade de reservas . em princípio. 19º . que se torna definitivo – art. a manifestação do consentimento à vinculação. ▪ Aceitação ↔ paralelo da ratificação mas no âmbito das OI ▪ Aprovação – art. → A vinculação. 11º): ▪ Assinatura – nos acordos em forma simplificada (art. 12º: pode ser a rubrica nos termos do nº 2. obrigação de não privar o tratado do seu objecto ou do seu fim (boa fé) – art. etc. 76 e 77º. bem como outras que se suscitam antes da entrada em vigor – art. faz-se em relação a todo o Tratado. 33º) ● Vinculação internacional É nesta fase que o sujeito internacional exprime a sua vontade de ficar obrigado pelas cláusulas que constam do respectivo articulado. Distinção de outras figuras. 24º.→ Efeitos: aplicação imediata das disposições que regem a autenticação do texto. 14º ↔ paralelo da ratificação mas no âmbito das OI ▪ Adesão – art. nem tendo feito a respectiva assinatura diferida. al. não tendo participado nas negociações. praticada no âmbito da vinculação dos Estados pelos respectivos Chefes de Estado. 19º a 23º) → O Depósito nos tratados multilaterais ▪ Funções do depositário: arts. d). estando reservada aos tratados solenes.art. 10º CVDT → Assinatura e assinatura diferida (nos tratados multilaterais abertos para os Estados que não negociaram ou negociaram e não adoptaram o texto – ex. 13º ▪ Ratificação (acto livre). Declarações. estando a eficácia que lhe é inerente sempre dependente da confirmação posterior por parte do Estado em causa (o mesmo se passa com a assinatura ad referendum) → Outro processo (al. conforme seja redigido por artigos ou por cláusulas) → Parte complementar (Anexos. ou a assinatura ad referendum após confirmação) ▪ Troca dos textos (‘cartas’) – art. as reservas. nº 1. a entrada em vigor. 46º. 2º. al. → Assinatura ad referendum (está sujeita a aceitação) ↔ provisória → Rubrica ↔ provisória. a. ◘ Reservas → A questão da sua formulação em tratados bilaterais → Noção – art. a CVDT – 81º) ↔ é definitiva. ▪ Excepções: art. ▪ Outro → A problemática das ratificações imperfeitas – art.) ◘ A questão das línguas e reflexos interpretativos (art. 18º. → Modalidades (art. 17º ▪ A formulação de reservas (arts.

nº 4. nº 3) • Aceitação tácita (art. 22º → Competência – dos órgãos internos competentes para a vinculação internacional do Estado. 20º. nºs 1 e 2) ▪ No caso de objecção à reserva: • se o Estado objector não se opõe à entrada em vigor do Tratado entre si e o Estado que formulou a reserva. → A ‘pré-vigência’ – art. 20º. É frequente adoptar-se um sistema misto. 19º. → A vigência em relação a um Estado que se vincule após a entrada em vigor do Tratado dá-se no momento da manifestação da sua vinculação (excepto se o Tratado dispuser diversamente) – art. nº 3. 19º e 23º. nº 5) → Efeitos: ▪ Relatividade – produz os efeitos previstos na reserva nas relações entre o Estado que a formulou e as outras partes que a aceitaram. nº 1 – entra em vigor no momento da última manifestação do consentimento a ficar vinculado entre os Estados contratantes – 24º. CNUDM – art. 21º. Trata-se de uma vigência que se considera de natureza parcial e temporária. ERTPI – art. 20º. nº 3. al. as disposições sobre que incide a reserva não se aplicam entre esses Estados na medida do que foi previsto pela reserva – art. 23º). 309º) – art. nº 2) ▪ Processo (art. 24º. nº 4 (já referida) Certa normas têm de entrar logo em vigência. não modificando as relações entre estas últimas (arts. ▪ Aceitação:  Reserva expressamente prevista: desnecessidade de aceitação (art. sob pena de o tratado não se poder consumar nos termos estabelecidos. al. 24º. c) ▪ Momento da formulação (arts. 20º.  Necessidade de aceitação: • Por todas as partes (art. ● Entrada em vigor → Caso nada seja determinado pela vontade dos Estados contratantes (prevista no Tratado ou determinada de outro modo) – art. nº 2 – nº restrito de Estados e especial objecto e fim do Tratado…) • Pelo órgão competente da OI instituída pelo Tratado (art. 20º. → Aplicação provisória – art. al. . excepto previsão em contrário. 24º.▪ Inadmissibilidade total (ex. o Tratado não entra em vigor nas relações entre esses Estados . nº 4 e 21º. 25º Surge antes da vinculação e pode ser determinada para a totalidade ou para apenas uma parte do texto.art. b) → Revogação – art. a) e b) ▪ Incompatibilidade com o objecto e o fim do Tratado – art. 20º. nº 2 – ou na data e termos que ficaram combinados nas respectivas disposições finais ou por qualquer outro forma considerados relevantes. • Se o Estado objector se opõe expressamente à entrada em vigor do Tratado entre si e o Estado que formulou a reserva. 120º) ou parcial (ex. indo necessariamente além do âmbito de aplicação da prévigência. nº 1). 19º.

o que implica que cada tratado. a qual se desdobra em dois actos: ▪ registo. al. assim como a sua disponibilização on-line nos respectivos sites. Ac. TIJ de 27/6/2001. § a interpretação dos Tratados e os direitos humanos (cf. Ac.● Registo e publicação → Visa dotar os tratados internacionais do atributo da publicidade internacional. nº 4. sistemático – 31º. embora seja possível atender à intenção das partes no sentido a atribuir a um termo. México vs USA) A interpretação dos tratados internacionais. → Compete ao Secretariado da ONU (art. 102º CNU) – art. a). RFA vs USA. seja assinalado num registo próprio. ob. nº 1. é uma tarefa que visa alcançar o sentido normativo que se contém nas fontes normativas analisadas com os seguintes tópicos fundamentais: → o objectivo da interpretação. de acordo com o nº 4. LaGrand. proibição do absurdo. 32º) – Fins da interpretação (em princípio objectiva. Miranda. nº 1. TIJ 31/3/2004. 80º CVDT. identificado nas suas características fundamentais. o que implica a publicitação do conteúdo do tratado nas publicações oficiais da ONU. ▪ publicação. integração e aplicação dos Tratados. racional/teleológico (“à luz dos respectivos objecto e fim”) – 31º. → os resultados da interpretação ● O objectivo da interpretação consiste na descoberta das normas jurídicointernacionais que se objectivam nas fontes convencionais de acordo com uma orientação simultaneamente objectivista. no art. nº 1 e 33º. 102. e actualista – a relevância dos acordos e práticas ulteriores . porque se pretende a mens legis e não a . nº 1 – Elementos da interpretação: gramatical (“sentido comum atribuível aos termos do tratado”) – 31º. histórico (complementar – art. → Efeitos da ausência de registo: inoponibilidade perante os órgãos das NU – art. → os elementos da interpretação. Requisitos de validade e regime das invalidades. → A problemática dos Tratados secretos… • Bibliografia: J. ou por ex. Suspensão. 56º. Interpretação ● Arts. nº 3) – Resultados da interpretação: os limites à interpretação extensiva.. efeitos implícitos) – 31º. nº 2 CNU. pp. 67-81 e 82-83 1/4/2008 Interpretação. regulada pela CVDTE. 31º e 32º – Boa fé (corolários: efeito útil. → o sujeito da interpretação. cit. cessação da vigência dos Tratados e recesso. nº 2 e 3.31º.

avultando a doutrina. e extra-literais. → Elemento teleológico. de acordo com o sentido comum a atribuir aos termos do tratado”. incluindo-se as OI. total ou parcial. feita pelos órgãos judiciais a quem incube a aplicação do tratado. ● Os elementos da interpretação são os meios de que o interprete se serve para atingir o objecto da interpretação (a mens legis). uma vez que a interpretação deve procurar o sentido normativo do tratado à luz dos respectivos objecto e fim. Os elementos de interpretação tanto podem ser literais. que pode ter cinco categorias: → a interpretação declarativa. porque se pretende surpreender as normas no seu contexto actual. assim como outros acordos celebrados e que com o mesmo possuem uma relação específica. É também sublinhada a importância de se considerar acordos e práticas posteriores à celebração dos tratados e só por excepção se pode dar valor à vontade subjectiva das partes outorgantes se esse entendimento tiver sido admitido. ● O sujeito da interpretação é todo aquele a quem sejam dirigidas as fontes. ● Na articulação entre os elementos literais e os elementos extra-literais. Há certas entidades que desempenham um papel especial. havendo um sentido espiritual mais lato. atinge-se o resultado da interpretação. → Elemento histórico. São ainda possíveis: → interpretação feita pelos Estados partes. sendo os dois primeiro superiores em relação ao terceiro: → Elemento sistemático. os instrumentos que permitem chegar ao objecto da interpretação. → interpretação feita pelos restantes operadores jurídicos. → a interpretação abrogante. → interpretação feita pelos órgãos internos dos sujeitos partes. sendo que se sub-distinguem em três tipos. onde se incluem o texto. em que a letra do tratado não faz sentido. . → a interpretação extensiva. → interpretação feita por outros sujeitos internacionais. por incongruência lógica interna ou porque deve ser eliminada em favor de outro sentido normativo tido como prevalecente. relativamente às quais deve conformar o seu comportamento. sendo que muitas vezes o resultado não é o da coincidência entre a letra e o espírito da fonte normativa em questão. em que se justifica alargar o alcance da letra. → a interpretação enunciativa. → interpretação jurisprudencial. carecendo por isso de previamente lhes extrair um sentido normativo. Diz a CVDTE que “Um tratado deve ser interpretado de boa fé. ou seja. conferindo à interpretação que realizam um valor acrescentado superior: → interpretação autêntica. em que há necessidade de limitar o alcance da letra porque o espírito é mais limitado. e actualista. que se verifica na extracção de um sentido hermenêutico não constante da letra mas que resulta da aplicação de argumentos lógicoformais. → a interpretação restritiva. preâmbulo e anexos do tratado. consistindo nos preceitos que se incluem no articulado do contrato.mens legislatoris. como o do contrario sensu. com exacta correspondência entre a letra e o espírito do tratado. os trabalhos preparatórios e as circunstâncias em que foi concluído o tratado. feita pelos autores do tratado. distinguindo-se entre a feita a título unilateral e a feita a título colectivo.

→ se os dois ou mais textos são autênticos. Só ocorre uma verdadeira lacuna quando são percorridos todos os níveis normativos e fontes do Direito Internacional. ao considerar todas as fontes normativas possíveis e não se limitar a ser uma lacuna apenas de certas fontes. a incompleição não pode ser pretendida pelo Direito Internacional. presume-se que o respectivo valor é autêntico. A acepção da lacuna de Direito Internacional só pode ser vista amplamente. 26º e 27º. não se vê razão para o afastamento de esquemas que são válidos no âmbito da Teoria Geral do Direito. A solução para tal implica saber se estes tratados correspondem ou não a textos autenticados em todas essas línguas: → se os dois ou mais textos não são todos autênticos.Coloca-se ainda o problema da interpretação de textos que tenham sido redigidos em diversas línguas. A aplicação dos Tratados → o princípio pacta sunt servanda – arts. a orientação geral é a de fazer prevalecer o sentido do texto que tenha sido redigido na versão autêntica. no qual pontificam dois grandes critérios: → a analogia legis. que não tem de ser regulada pelo Direito Internacional. As lacunas internacionais representam a ausência de um sentido ordenador em vista de um caso que dele absolutamente carece. na falta de indicações particulares normativas. e a situação extra-jurídica. hipótese em que directamente se recorre a princípios gerais. Mais. 46º São quatro os aspectos fundamentais na problemática geral da aplicação dos tratados internacionais: → aplicação temporal . O problema das ratificações imperfeitas – art. só podendo a divergência ser ultrapassada adoptando-se o sentido que melhor concilie esses textos. de acordo com as diversas possibilidades que se organizam. Integração de lacunas ◘ A analogia (Parecer do TIJ. em que se apela à aplicação de normas que regulam casos dotados de analogia com o caso que carece de tratamento → a analogia iuris. para ser resolvido ao nível do Direito aplicável. tendo em conta o objecto e o fim do tratado. Quanto ao processo de preenchimento de lacunas. A dificultar ainda mais a admissibilidade das lacunas está o fragmentarismo do Direito Internacional e a ideia geral de que o que não é objecto de regulação internacional automaticamente fica a pertencer à esfera dos Estados. de 11/4/1949) relativo aos prejuízos sofridos ao serviço das NU) ◘ A importância dos PGD Na integração de lacunas internacionais é preciso ter em conta dois pontos fundamentais: → o conceito de lacuna internacional tido por relevante → os critérios que possibilitam o seu preenchimento. Distingue-se ainda entre a lacuna jurídico-internacional. atinente a todas as suas fontes.

41º e 60º) Abrange simultaneamente três questões distintas: → início da vigência temporal.37º Refere-se ao círculo de entidade jurídico-internacionais a quem os respectivos efeitos são concernentes. ◘ O art. ocorre nos diversos momentos de caducidade.→ aplicação territorial → aplicação subjectiva → aplicação interna. aquando do estudo do procedimento de feitura dos tratados internacionais. ◘ Aplicação territorial (art. A orientação prevalecente é a que for determinada pelas disposições finais de cada texto convencional. expressa ou tacitamente produzida. Trata-se de uma orientação geral que aceita derrogações. os efeitos decorrentes do tratado atingem quem nos mesmos autorizou. ocorre depois do último sujeito que assinou o texto ao mesmo manifestar a vontade de lhe ficar obrigado. 35º) ↔ revogação art. de que são exemplos a cláusula colonial e a cláusula federal. etc. que elabora uma solução própria. neutralização. → fim da vigência temporal. 28º) – Sucessão de tratados no tempo (arts. Aplicando-se o princípio da relatividade. são duas as respostas dadas pelo CVDTE aos Estados que se encontrem nestas circunstâncias: → se se tratar de direitos. que remete para uma das regulações em causa. com normas específicas. Caso isto aconteça. 34º) – A criação de obrigações para 3ºs (art. → sucessão de tratados internacionais. podendo diferenciar-se entre regime formal. 30º. podendo haver efeitos retroactivos se essa for a vontade das partes. 29º . 36º) ↔ revogação art. “Um tratado não cria obrigações nem direitos para um terceiro Estado sem consentimento deste”. valendo o seu silêncio como consentimento e vigorando uma presunção iuris tantum. não havendo lugar a qualquer presunção. 34º a 38º) – Pr. Na falta de tais disposições é de supor que os tratados internacionais se aplicam à totalidade dos territórios dos sujeitos que aos mesmos se obrigam. → se se tratar de obrigações. revogação e desvalor jurídico. 25º) – Não retroactividade (art. estas só integram a esfera jurídica dos Estados terceiros se nisso expressamente tiverem consentido. podendo aí estabelecer-se regras de delimitação a respeito do espaço geográfico a que o mesmo se aplica. e regime material. 38º ◘ A oponibilidade erga omnes. nomeadamente dos tratados que criam situações objectivas (fixação de fronteiras. da relatividade (arts. “as disposições de um tratado não vinculam uma Parte no que se refere a um acto ou facto anterior ou a qualquer situação que tenha deixado de existir à data da entrada em vigor do tratado relativamente a essa Parte”. a antiga ou a nova. ◘ Aplicação temporal – Aplicação provisória antes da vigência (art. estes integram a esfera jurídica dos Estados terceiros se estes nada disserem.37º – A previsão de direitos para 3ºs (art.) .regra supletiva) Encontra-se estritamente associada aos sujeitos que à mesma se vinculam. ◘ Aplicação subjectiva (arts. Os tratados internacionais não são retroactivos.

A questão dos tratados normativos ● Formais – O respeito pelas regras relativas à conclusão dos tratados que vinculem as partes. ▪ Processo → De acordo com as regras do tratado – art. CNUDM – art. No caso de adesão posterior de um Estado rege o art. nº 1 – Processo – art. alguns tratados constitutivos de OI(UE e ONU). 40º) que se traduzem na celebração de um novo acordo. 47º) – Vícios materiais da vontade: o erro (art. na medida em que é internacionalmente relevante. 40º. 103º da CNU – A subordinação a outro tratado (art. o excesso de representação (art. ● Objectivos ou materiais – Dizem respeito ao conteúdo e ao objecto do tratado internacional. no que toca ao ius cojens. 41º. nº 2) § Há limites materiais à revisão? No caso dos tratados normativos a questão pode ser respondida favoravelmente (cf. nº 5 ● Modificação – alteração das disposições do Tratado somente a respeito das relações entre algumas partes. ou seja. 52º). com a excepção da ratificação imperfeita. é uma alteração subjectivamente parcial do tratado internacional. § a questão da ‘coacção económica’. para além de dever ser inteligível e coerente nos efeitos que contem. 39º e obrigação de notificação da intenção às restantes partes e das modificações operadas (art. Dizem respeito às exigências formais e procedimentais. apenas sendo atinente a certas partes e não ao universo global dos que nela participaram. coacção sobre o representante (art. 53º e 64º) – O art. Requisitos de validade dos Tratados ● Subjectivos – o consentimento livre. 51º) e coacção sobre o Estado (art. seja no plano funcional dos órgãos que para tanto estão habilitados. Aplica-se o art. nº 4. – O respeito do ius cojens (arts. 49º). Dizem respeito à qualidade e à capacidade dos sujeitos internacionais outorgantes. 30º.Revisão e modificação dos Tratados ● Revisão – alteração das cláusulas do Tratado. na extrinsecação do . Caso as partes envolvidas no tratado original e no tratado de revisão não coincidam há uma situação de sucessão de tratados que é regulada pelo art. 30º. 30º. nos termos previstos para a conclusão e entrada em vigor dos tratados (parte II CVDT) → Nos tratados multilaterais prevê-se regras específicas (art. corrupção do representante (art. seja no plano psicológico. 27º). – Admissibilidade – art. consciente e correctamente formado e manifestado. 39º). 50º). nºs 1 a 3 caso haja coincidência de partes. relativamente à exigências de expressão de uma vontade que seja livre e esclarecida. 46º). 41º. nos termos do art. 155º. nº 2). nº 2). o dolo (art. envolvendo a participação dos Estados que outorgaram no tratado internacional. – Vícios funcionais: a irrelevância do desrespeito pelo direito interno (art. 39º → Por acordo entre as partes (art. bem como à manifestação da respectiva vontade. 48º).

→ Relativa (pode incidir apenas sobre parte do tratado. fazendo parte das suas causas a irregularidade na conclusão interna do tratado. São dois os factores que permitem distinguir entre a nulidade absoluta e a nulidade relativa: o critério da sanabilidade do correspondente vício. sejam aplicáveis Regime das invalidades ● Regime imperativo ◘ Nulidade. – O respeito pelas disposições relativas à conclusão de Tratados da CVDT que não sejam supletivas (ex. . 53º). então deve considerar-se como absoluta. 44º. A questão do ius cojens superveniente (art. e pode ser sanada. o erro. Neste sentido também pode invocar-se o art. sendo necessário referir que nem todas as causas de nulidade permitem que se possa invocar a sua operatividade por referência a uma parte do tratado. nos termos do art.os vícios subjectivos relativos ao consentimento de uma das partes que incidam sobre a totalidade de um Tratado multilateral implicam a possibilidade de desvinculação dessa parte (arts. nº 2. nº 2. nº 4) . bem como no iter procedimental que importa respeitar para se afirmar completo. nas condições do nº 3 do art. 51º (coação e incompatibilidade originária com ius cojens – art. A verificação da nulidade determina o apagamento dos efeitos do tratado internacional. sendo alguns exemplos a coacção sobre o representante de um Estado. 64º . ◘ Efeitos → As disposições afectadas pela nulidade não têm força jurídica e deve ser reconstituído o statu quo ante . nº 3 (exclui a coação e o ius cojens) implicam a nulidade dessas cláusulas nas relações entre o Estado sujo consentimento foi viciado e o(s) outro(s) Estado(s). .tratado. nalguns casos isso só aocntecendo para a totalidade do tratatdo. critério em que a alegação da nulidade nem sempre pode acontecer. 71º.os vícios subjectivos e objectivos que incidam sobre algumas disposições e em que se aplique o art. al a). 45º) A nulidade relativa é menos grave. 69º.os vícios objectivos e formais que incidam sobre a totalidade do tratado implicam a nulidade do tratado multilateral ou bilateral . 44º. 42º).art. art. já que essa invocação não produz efeitos se entretanto tiver acontecido a sua aceitação expressa ou tácita. a coacção sobre um Estado pela ameaça ou pelo emprego da força e a violação da norma internacional de ius cogens. ou que. nº 1 e 69º. nº 2) A nulidade absoluta inclui as causas que são mais graves na violação dos princípios e normas de Direito Internacional. Questão controvertida. a restrição especial ao poder de manifestar o consentimento. . e o critério da divisibilidade dos tratados viciados. 45º e 69º. o dolo e a corrupção de um representante de um Estado. quase como se o mesmo nunca tivesse existido. Assim.os vícios subjectivos que incidam sobre a totalidade do Tratado implicam a nulidade dos tratados bilaterais. sendo supletivas. → Absoluta (afecta a totalidade do Tratado e é insusceptível de convalidação) – arts.arts. 44º.se a nulidade absoluta é a regra geral das invalidades .

al. b) → excepção prevista nos termos do nº 3 para a parte que provocou o vício de consentimento → Quando se trate de violação de ius cojens há que distinguir os efeitos já produzidos no 53º (devem eliminar-se sem salvaguarda da boa fé) e no 64º (são válidos) – art. 67º. nº 2 → Podem ser revogados estes actos até ao momento em que produzam efeitos (art. 45º (estoppel). de uma paralisação temporária. quer a cessação da vigência podem ter lugar apenas relativamente a algumas disposições. als. 65º. b) e c). consignar-se-á num instrumento comunicado à(s) outra(s) parte(s) a invalidade e respectivas consequências (art. – Conclusão entre todas as partes de um Tratado posterior sobre a mesma matéria nos termos do art. nºs 1 e 2. nos termos do art. 65º. 69º. 57º – Por acordo entre certas partes. . ▪ Quer a suspensão. é possível o recurso por acordo a arbitragem. não suprimindo a fonte de onde emanam esses efeitos. ◘ Causas: – Impossibilidade temporária de execução – art. 45º (estoppel). b) Suspensão da aplicação Determina a interrupção da produção de efeitos do tratado. nº 2). a). a). 33º CNU – art. 62º. 60º. al. nº 3. Cessação da vigência Implica uma extinção definitiva do tratado internacional. nº 4  Recurso aos meios do art. ou o recurso ao TIJ – art. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. Pode ser determinada ou indeterminada e surge associada a acontecimentos temporários. al. Competência – art. nº 1 e 5 → Não havendo objecção (no prazo do 65º.art. nº 3. nº 1 – Alteração fundamental das circunstâncias – art. 65º. 71º ◘ Processo – arts. 66º. 59º. 66º. no caso de o diferendo incidir sobre a violação de ius cojens. 58º – Violação substancial – art. quando o diferendo incida sobre outro fundamento. nº 2 – Previsão no Tratado ou por consentimento de todas as partes – art. nº 3  Caso o recurso aos meios do art. tratando-se. 44º. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. nº 2. contudo.→ Consideram-se válidos os actos praticados antes da invocação da nulidade que tenham sido praticados de boa fé . 33º CNU tenha sido infrutífero. nº 2). 69º) → Em caso de objecção:  Resolução do diferendo nos termos previamente convencionados pelas partes – art. qualquer parte pode solicitar o recurso ao processo de conciliação anexo à CVDT – art. 65º a 68º → Notificação fundamentada e por escrito da intenção à(s) outra(s) parte(s) – art. nos termos do art. 61º. tal como a nulidade. 67º.

al a) – Cessação da vigência do tratado multilateral quando o nº de partes se torne inferior ao nº necessário nos termo do art. Nunca a alteração de circunstâncias é aplicável estando em causa um tratado de fixação de fronteiras ou a se a alteração se ficar a dever a comportamento antijurídico de quem a invoca. TIJ. podendo este ser resolvido de duas maneiras: por recurso à via geral da arbitragem ou do tribunal. → uma fase litigiosa. Ac. perante um contexto distinto daquele em que se formou o contrato. 54º. através da qual uma das partes notifica a outra de que pretende a cessação do tratado. 60º. pondo termo ao tratado existente com duas sub-hipóteses: de essa revogação ser retroactiva. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. Perante o fim da vigência dos tratados. no caso de aquela vontade extinta não ter sido aceite. que consiste na incapacidade de se cumprir os efeitos estabelecidos no articulado do contrato. devendo aquela ser radical. nº 1 . – Denúncia nos tratados bilaterais – art. 45º (estoppel). – Impossibilidade superveniente de execução relevante nos termos do art.que se traduz na feitura de uma “anti-convenção”. A operacionalidade da alteração das circunstâncias está dependente da verificação de dois possíveis resultados não previsíveis: → a alteração de circunstâncias modificar a base essencial do consentimento dos Estados a vincular-se ao tratado. 61º. b) Caso a cessação da vigência do tratado seja por vontade colectiva (com o consentimento de todas as partes) a causa de cessação toma o nome abrogação. 55º (previsão do Tratado) – Execução do Tratado (contrato) Verifica-se uma impossibilidade de cumprimento. ou por recurso à via especial da reconciliação. 45º (estoppel). → Alheias às partes – Cessação da vigência por previsão no Tratado (art. só valendo para o futuro. 59º. criando-se um diferendo. e Bacelar Gouveia?). Pescarias. al.◘ As causas podem ser: → Relativas às partes – Desaparecimento da(s) parte(s). 56º.Alteração fundamental das circunstâncias relevante nos termos do art. especialmente regulada no anexo à CVDTE. 62º (rebus sic standibus) – cf. pode ocorrer a cessação de vigência. – Por consentimento de todas as partes (abrogação)– art. 54º. ou de essa revogação ser apenas prospectiva. motivo pelo qual se entende que o mesmo não pode continuar a vigorar (correspondência correcta entre a prof. O problema da sucessão de Estados. → a alteração de circunstâncias desembocar numa transformação radical da natureza das obrigações assumidas no tratado. A alteração das circunstâncias implica que. de 25/7/1974. atingindo os efeitos já produzidos. . nos termos do art. UK e RFA vs Islândia. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. – Violação substancial (exceptio non adimpleti contractus) – art. invocando uma ajustada justificação que pode ser aceite. a CVDTE prevê um procedimento aplicável que se desenvolve por duas fases: → uma fase amigável. – Conclusão de um tratado subsequente sobre a mesma matéria. nº 1.

al. indirectamente e até certo ponto. se foram aceites pelas partes ou se deduzam das natureza do tratado. parte-se da crença de que está em causa uma suspensão. → quando o tratado faça realmente sentido no caso da eclosão de um conflito armado. nº 1. Processo relativo à suspensão. Denúncia e recesso Caso a vontade de cessação de um tratado seja de apenas um dos sujeitos que o integram. 73º Até ao novo regime do ius ad bellum a guerra era considerada como uma causa de perturbação da vigência nos tratados celebrados entre os Estados beligerantes. nº 1. Com a proscrição geral do uso da força. ficando essas disposições suspensas. 56º. imunes aos efeitos da guerra. contudo. distingue-se entre denúncia e recesso. apenas sendo referida. a intenção deve ser comunicada com 12 meses de antecedência – art. cessação da vigência. → e casos em que o estalar de um conflito entre entidades beligerantes se mostre irrelevante não havendo nada a alterar na respectiva configuração jurídica. 56º. considerados alheios ao conflito. denúncia ou recesso → De acordo com as disposições do Tratado – arts. 57º. opera-se essas suspensão. → Não é admissível o recesso nas convenções de codificação e nas que constituem situações objectivas. 55º → Caso o tratado não preveja a denúncia ou o recesso. mas mantendo-se relativamente a outros Estados. por intermédio da ruptura das relações diplomáticas. estes só poderão ter lugar com verificação de uma das condições previstas no nº 1 do art. al. A guerra nos tratados bilaterais causa de cessação ou/e suspensão? – art. → quando um tratado crie situações objectivas. Deste modo. estabelece-se um prazo de 12 meses para que os efeitos cessatórios de vigência que inerem a cada um destes actos possa começar a produzir-se. 63º e 74º. a) e nº 2 → No caso de denúncia ou recesso ao abrigo do art. a guerra não foi considerada do âmbito da CVDTE. mantendo-se em vigor o tratado para as restantes. 54º. → casos em que alguns dos efeitos sejam exactamente activos em função da deflagração de um conflito armado. que não tem efeitos cessatórios da vigência de tratados celebrados entre os Estados em conflito. 56º. Dada a provisoriedade da guerra.Costume contra tractum? ▪ A (ir)relevância da ruptura ou ausência de relações diplomáticas – arts.. nº 2 . a). → A denúncia acarreta a cessação da vigência dos tratados bilaterais. excepto na situação do art. al. havendo três resultados possíveis: → nos casos em que a guerra seja um acontecimento incompatível com a manutenção dos efeitos convencionais. a) e 58º. há casos em que a guerra não leva à cessação de vigência de um tratado: → quando o tratado preveja essa vigência expressamente em condições de conflito. → Nos tratados multilaterais a desvinculação de um parte assume a forma de recesso e só implica a desvinculação dessa parte e a consequente modificação das relações jurídicas entre si e as restantes partes.

8º. A maioria da doutrina portuguesa tem-se inclinado para a existência de uma reserva material de tratado. sendo o Governo o órgão a quem compete. a ser necessariamente o tratado solene. O 277º. nº 2 e outras considerações em relação a “opções políticas primárias” (Jorge Miranda). seja por Tratado ou acordo..als. a) e b) • Bibliografia: J. Acordo Aprovação: Competência da AR (quando as respectivas matérias se incluem na esfera da sua reserva de competência legislativa ou quando.→ O processo segue um regime idêntico ao referido para as invalidades (arts. 70º. al. uma vez que tal dispensaria a intervenção do Chefe de Estado. entendimento que deve ser genericamente seguido. nº 1 → Supletivamente aplica-se o art. nº 1. nº 1. Admite-se que possa haver confirmação no caso de inconstitucionalidade. havendo contratação internacional sobre certas matérias. não há confirmação. nº 4 CRP. 65º a 68º) Consequências da extinção de um tratado ou do recesso num tratado multilateral → Determinadas pelas disposições do Tratado ou resultantes de convenção entre as partes – art. 197º. pp. 81-93 8/4/2008 DIREITO DOS TRATADOS NORMAS PORTUGUESAS RELATIVAS À CONCLUSÃO DOS TRATADOS Conceitos Fundamentais Tratado (solene) Aprovação: Competência da Assembleia da República (AR) Vinculação: é a ratificação que manifesta a vontade do Estado Português se vincular aos tratados solenes. 279º. entenda que deva cometer AR) ou Governo Vinculação: a vontade de vinculação do Estado Português é logo manifestada com a aprovação. ob cit. 70º. Ambos: • Inadmissibilidade de vinculação a acordos por troca de notas sem posterior aprovação ou ratificação. a qual implica que. parlamentar ou governamental. 8º. Mesmo de matéria análoga a DL de desenvolvimento deve ser submetida à aprovação da AR. nº 2 atenua os efeitos perversos no plano internacional. nº 2 • Reserva material de Tratado? a essencialidade – arts. . al i). arredando aquele órgão fundamental do nosso sistema político de uma intervenção no respectivo procedimento – art. c). 161º. Fiscalização preventiva da constitucionalidade: não confirmação? Numa interpretação de teor literal. Fiscalização preventiva da constitucionalidade: confirmação – art. não possa haver a manipulação da escolha do procedimento. Miranda.

como nos casos de habilitação funcional. sendo assim no respectivo âmbito que as mesmas se iniciam e desenvolvem.Se houvesse essa reserva material. . Min. sanando assim a irregularidade verificada. § Desconformidade com a CVDT No plano da CVDTE a negociação e a adopção do texto nem sempre surgem directamente legitimadas pelo Governo. em que pode haver a intervenção de entidades que ou não são o Governo ou. veio dizer que a rubrica e a assinatura dependem da aprovação do Conselho de Ministros. 17/88 Atendendo à CRP.Isso sucederia sempre que o Estado Português se preparasse para estabelecer convenções internacionais em matéria constitucionalmente incluída no “tratado”. estando tacitamente delegadas no Primeiro-Ministro. Do Conselho de Ministros nº17/88. não se inscrevem no condicionalismo acima descrito. as fases de negociação e ajuste (a. sendo do Governo. 197º. nº 1. ao abrigo da própria CVDTE. o texto constitucional falaria de tratado nas mais sensíveis matérias. Os argumentos fundam-se na defesa da preeminência da função parlamentar em detrimento da função governamental.a. O DL nº48/94de 24 de Fevereiro defere ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a condução das negociações. sendo essa competência definida primariamente pelo âmbito material e não pelo tipo de procedimento. interessando a todos os Estados e podendo limitar a liberdade de negociação do Estado Português. Minoritariamente. Argumentos: .k. mas não esclarece de que forma o Governo intervém nessas duas fases de elaboração das convenções internacionais. não podendo prevalecer as regras internacionais. al.As matérias em relação às quais a AR tem o poder de aprovar os tratados também estão acolhidas na competência que se lhe defere na aprovação dos acordos que lhe possam materialmente corresponder. pois este não é uma imposição constitucional. no que refere ao ajuste. procedimento que constituiria um conceito normativo e não fáctico: a AR seria competente não por ser um tratado mas porque deve ser um tratado. o Governo tem a possibilidade. Cons. é algo que fica definido nas negociações internacionais prévias. quando na verdade podem até corresponder a meras convenções. tacitamente delegadas no PM) – Res. Procedimento relativo à negociação e vinculação ◘ Negociação e ajuste (adopção do texto) → Competência política do governo – art. de concordar com tais actos. a doutrina também defende a não existência da reserva material do tratado. . adopção do texto) estão atribuídas ao Governo no âmbito do exercício da sua função política. b) da CRP Condução das negociações – Ministério NE – DL 48/94 Ajuste (as rubrica e assinatura aprovadas pelo Conselho de Ministros. com a estranheza que a manipulação do poder governamental sobre as matérias mais relevantes da contratação internacional causaria. Tendo essa anomalia sido registada. .O Presidente da República (PR) dispõe exactamente do mesmo poder. A Res. não havendo o perigo de se excluir a sua intervenção.O facto de a escolha ser feita em plano internacional. A validade das convenções internacionais fica sempre dependente das orientações internas. o que se torna particularmente necessário dada a complexidade do órgão em questão. .

al. o texto é remetido aos respectivos órgãos de governo próprio. uma fórmula que levanta algumas hesitações. 161º. mas também não pode ser um interesse nacional qualquer. → Participação das organizações de trabalhadores na OIT. 114º. nº 2. 134º.qual a posição procedimental em que se dá a participação. al. grupos parlamentares – art. 164º e 165º. 140º. 197º. 198º. d) § os Acordos têm de ser assinados pelo PR – arts. o RAR estabelece ainda que “quando o tratado ou acordo diga respeito à Regiões Autónomas. Não lhe sendo possível participar directamente por se tratar de um órgão colegial. nº 1 .Informação ao PR – art. al b) e 137º. De acordo com a CRP o âmbito do poder regional de participar nas negociações internacionais do Estado Português acontece apenas em relação aos “tratados e acordos internacionais que directamente lhes digam respeito”. nº 1. al. pois dispõe da função política. 161º. i) → Acordos  Resolução da AR (obrigatória – os indicados no elenco do 161º. al. assim. é. i) e os matéria de competência reservada – arts. essa participação dá-se através de mandato expresso conferido a um membro do Governo ou a outro representante. facultativa – que o governos entenda submeter) – art. pois pode trazer à negociação a importância dos interesses regionais. a fim de sobre eles se pronunciarem”. nº 3 RAR) Do ponto de vista constitucional.  Decreto do Governo (os que não versem sobre matéria da competência reservada) – arts. t) (voltam a intervir consultivamente na aprovação – art. que são assim directamente ponderados. c) e 200º. ◘ Aprovação (legitimação político-democrática) → Tratados – Resolução da AR – art. al. contudo. nº 1. 201º. 180º. i).sobre que convenções essa participação faz sentido. . nos termos da alínea t) do número 1 do artigo 227º da Constituição. . A instância de poder regional que participa nas negociações é o Governo Regional. aos partidos – art. não é preciso ser apenas um interesse específico regional. O momento procedimentalmente adequado explicita-se no próprio conceito de negociação internacional a que este poder de intervenção regional se agrega.que órgão regional tem o poder de intervir. contudo. numa podendo a intervenção redundar-se na atribuição ao poder regional de uma capacidade de determinação do sentido das futuras convenções internacionais. É necessário encontrar um conceito intermédio entre o interesse nacional e o interesse regional stricto sensu. sob pena de as regiões autónomas poderem intervir em tudo o que respeita à negociação internacional do Estado Português. É obrigatória também a referenda governamental – art. al. j) → Participação das Regiões Autónomas (governo regional) – 227º. “para que as regiões autónomas possam reivindicar este direito. al. o que seria sempre excessivo”. nº 1. nº 3. não deve ser desdenhada. Quanto à aprovação parlamentar. estas entidades jurídico-públicas menores (as Regiões Autónomas) têm o direito de participar na base das negociações para assunto que aluda o seu interesse regional. c). nº 1. al. sendo necessário considerar os seguintes pontos: .

494/99 chega a entender que não seria possível a fiscalização preventiva dos acordos aprovados por resolução da AR.no caso dos acordos aprovados pela AR é a resolução da AR. § A adesão. podendo ser excepcionalmente encurtado. § e os acordos? O ac. 8º. O procedimento da aprovação dos tratados internacionais solenes é composto por vários momentos: . • Ratificação dos Tratados – PR – art.§ A desconformidade do regime interno português de vinculação nos Acordos com o regime internacional – a necessidade de recorrer à assinatura ad referendum (sob reserva da aprovação interna). dispondo-se do prazo de 30 dias. 140º. que compete à comissão parlamentar especializada.no caso dos acordos aprovados pelo Governo trata-se de um decreto assinado pelo Presidente da República. mas não suficiente (exige-se a vinculação internacional do Estado). 279º.  Confirmação nos termos do nº 4 (tratado aprovado pela AR). 277º. nº 1. nº 1. A fase da aprovação equivale ao momento de legitimação político-democrática quanto ao conteúdo das convenções internacionais em causa. 135º. Solução idêntica para estes. que compreende a discussão e a vontade. . Aplicação analógica das disposições relativas à aprovação e ratificação. no exercício das suas funções políticas. na especialidade e como votação final global. Apesar de normalmente não ter efeitos internacionais não pode ser negligenciada pelas suas implicações no alargamento da legitimidade popular dos tratados internacionais.a iniciativa. ◘ Fiscalização preventiva da constitucionalidade → Iniciativa – PR – art. deverá o diploma ser vetado pelo PR (…) e devolvido ao órgão que o tiver aprovado” – art. Quanto à forma dos actos finais em cada um destes procedimentos de aprovação dos tratados e dos acordos internacionais: . resultado que se alcança por exclusão de partes. • Publicação no DR (I Série) – condição de vigência interna – art. de rectificação de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares. 279º. na generalidade. al. nº 2 e 119º. bem como os acordos internacionais que versam matérias da sua competência reservada ou que o Governo entenda submeter à sua apreciação” enquanto que “compete ao Governo. sendo a assinatura deste um seu elemento de existência jurídica. b). nº 1. . que cabe ao Governo. nº 1 Prazo – 8 dias → Declaração de inconstitucionalidade de “acordo internacional.no caso dos tratados solenes trata-se de resolução da AR. os tratados de amizade.a instrução. de paz. designadamente os tratados de participação de Portugal em organizações internacionais. – a não previsão de prazo. Diz a CRP que “compete à Assembleia da República aprovar os tratados. 204º RAR) . sendo essa assinatura um seu elemento de existência. b) –.  aprovação com modificação a nível de reservas (reformulação – art. assinada pelo Presidente da República. nº 3 e art. al.a deliberação. de defesa. . aprovar os acordos internacionais cuja aprovação não seja da competência da Assembleia da República ou que a esta não tenham sido submetidos”. de acordo com as regras gerais do procedimento administrativo. Exige referenda governamental (obrigatória)– art. .

241º. No caso da pronúncia pela inconstitucionalidade o PR deve vetar juridicamente o diploma e devolve-lo ao órgão que o tiver promanado. nºs 1. no caso dos acordos. o uso do referendo nacional é limitado à auscultação da vontade dos cidadãos apenas em relação às questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas por acto jurídico-público. 279º/1 e 279º/4 da CRP. Do ponto de vista das matérias. no prazo assinalado. não podendo haver juridicamente qualquer acto jurídicopúblico que seja constitutivo do mesmo. A CRP admite ainda nestes casos três tipos de resposta: → a não decisão: sempre que o órgão promanante do diploma em causa entende não ser de prosseguir com o assunto. → a confirmação. O modelo que a CRP adoptou é do referendo vinculativo e é tratado no artigo 115º/1 e 115º/11. → a não pronúncia pela inconstitucionalidade. 115º. → dentro da fase da aprovação. ou no caso de haver uma decisão que não seja proferida dentro do prazo. é a aprovação do próprio tratado que pode ser submetida a referendo (art. nº 3) → Fiscalização preventiva obrigatória – art. ◘ O referendo – art. No que respeita à decisão do referendo deve pôr-se a opção de saber se o resultado é ou não vinculativo. Valor de decisão referendária: a projecção do resultado do referendo na vinculação convencional do Estado Português. Este controlo de constitucionalidade exerce-se em dois momentos precisos: → depois de produzida a resolução da aprovação parlamentar e antes do Presidente da República se decidir a ratificar no caso dos tratados solenes. 5 e 11 (excepto tratados de paz e rectificação de fronteiras) → O resultado do referendo vincula os órgãos competentes a aprovarem ou ratificarem no caso afirmativo e a não aprovarem ou ratificarem em caso negativo – arts. 295º) e não as questões sobre que incida o tratado internacional (art. A apreciação do Tribunal Constitucional pode ter três resultados: → a não decisão. . 115º. nada declare. 115º. precludindo-se o respectivo poder jurisdicional. sempre que o diploma em causa seja confirmado pela maioria da dois terços dos Deputados presentes. podendo ser o próprio texto do tratado a ser submetido a referendo. 242º e 243º LORR → No caso de “tratado que vise a construção e aprofundamento da união europeia”. entre a votação da resolução parlamentar ou do decreto governamental e respectiva assinatura presidencial. → o expurgo.Trata-se de um fase eventual directamente descrita no texto constitucional nos artigos 278º/1. com preclusão do seu poder. da qual se excluem as convenções internacionais sobre paz e rectificação de fronteiras. quando o Tribunal Constitucional. → a pronúncia pela inconstitucionalidade quando se considera a existência de cláusulas viciadas de inconstitucionalidade. Objecto do referendo: as questões internacionais que podem ser referendadas: Inserção procedimental da decisão referendária: a colocação da convocação do referendo no procedimento de conclusão das convenções internacionais. nº 8. sempre que o órgão promanante extrai do diploma as normas ou os segmentos de normas consideradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional. sendo um desses actos a convenção internacional. desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.

Caso a decisão se torne vinculativa, esta projecta-se sobre a intervenção dos órgãos de soberania na conclusão da convenção internacional em causa, impondo-lhes determinados deveres: → a obrigação da aprovação do tratado ou do acordo internacional em causa por parte do órgão competente; → a obrigação de ratificação o de assinatura do acto de aprovação por parte do PR; → a obrigação de não aprovar convenções internacionais contrariando o sentido do resultado referendário, obrigação de não agir que se impõe à AR e ao Governo. A contratação internacional não está só dependente de Portugal deve articular-se, no contexto plurilateral que o domina, com a produção de outras vontades alheias à intervenção de Portugal. Procedimento para a desvinculação ou suspensão da aplicação Não está regulada, mas deve ter um procedimento substancialmente idêntico ao da vinculação, nomeadamente assegurando a aprovação pelo órgão competente e a intervenção do PR. Relação entre o DI e o direito interno ◘ Relação entre o DI e os direitos nacionais – dualismo ou monismo (associação com o fundamento)  Monismo com primado do direito interno  Monismo com primado do DI § posição adoptada: monismo com primado do DI mitigado (a questão não é tãosó de invalidade) e diferenciado (tendo em consideração as diferentes categorias de DI e a especial importância do direito constitucional num quadro de Estados soberanos) à luz de uma orientação pluralista do direito De um ponto de vista político-doutrinário, que se destina a avaliar o tipo de relações que são susceptíveis de ser praticadas entre o DI e o dto interno, destacam-se duas teorias: a teoria dualista e a teoria monista. O dualismo afirma que o Dto Internacional e o Dto Estadual são duas ordens jurídicas radicalmente distintas baseando-se nos seguintes argumentos: → na diferença das fontes, que no plano interno é a lei e no internacional é o tratado; → na diferença dos sujeitos, que no plano interno é uma multidão de entidades jurídicas, públicas e privadas, singulares e colectivas e no plano internacional é restrito a uma dimensão demasiadamente institucional; → na diferença dos mecanismos garantísticos que no plano interno funcionam com eficácia a partir dos tribunais, apoiados depois nas forças policiais e nas forças armadas, enquanto que no plano internacional a estrutura jurisdicional é frágil. Por sua vez, o monismo frisa os diversos aspectos que têm aproximado o Dto Internacional do Dto Estadual, utilizando exactamente os mesmos argumentos: → na proximidade das fontes, pois há a nível interno sinais de uma intensa “contratualização legislativa”, além de que no Dto Internacional são também relevantes outras fontes como, por exemplo, o costume; → na coincidência dos sujeitos, pois não se pode dizer que outros sujeitos, como a pessoas humana, não sejam directos destinatários das normas de Dto Internacional, sendo de considerar que o Estado a nível interno é igualmente um destinatário; → na diversificação dos mecanismos de garantia.

Dentro do monismo têm sido sugeridas duas orientações: → o monismo com primado de Dto Interno: tem a sua raiz num voluntarismo estadual, que tanto na teoria como na prática conduz à negação do próprio DI, não podendo ter hoje aceitação; → o monismo com primado de DI: orientação que reflecte a posição de se aceita a prevalência do DI sobre o Dto Interno. Pode ainda apresentar-se sobre duas formas:  uma radical, que implica a prevalência absoluta da norma internacional sobre qualquer norma estadual; e  outra moderna que apenas o admite em certa medida, reconhecendo que o Dto Interno pode em alguns casos prevalecer ou que nele não deve o DI interferir. ◘ Sistemas de incorporação do DI nas ordens internas → Recepção  Automática (incorporação como tais sem necessidade de qualquer formalidade)  Condicionada (incorporação como tais com algumas condições) → Transformação (para o DI convencional vigora no Reino Unido e na Itália) → O caso português – o art. 8º – Nº 1 – recepção automática do DI comum. § a questão do DI comum convencional (DUDH e outros Tratados normativos) • O costume regional ou local não está previsto, mas deve cair no âmbito do nº 1 – Nº 2 – recepção condicionada do DI convencional regularmente ratificado ou aprovado, sujeito à condição da sua publicação oficial e à vigência internacional e à vinculação internacional do Estado – Nº 3 – recepção automática das normas de OI de que Portugal seja parte, desde que tal esteja previsto no tratado constitutivo (caso UE). Vide crítica de Gonçalves Pereira (não há recepção). § a questão das decisões do CS NU – Nº 4 – recepção automática ou plena? A questão não é necessariamente de vigência, mas do alcance dos efeitos. Comparação com o art. 16º. O regime da sua incorporação é devolvido ao direito da União. Cautelas de salvaguarda constitucional (o respeito pelos “princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático”). Leitura à luz dos arts. 1º, 2º, 3º, 288º, etc. § outras disposições relevantes – arts. 7º, 16º, 29º, nº 2 – A insuficiência do art. 8º (além do costume particular, não prevê os actos unilaterais dos Estados) São dois os modelos de incorporação do DI no Dto Interno: o modelo da transformação e o modelo da recepção. O modelo da transformação implica que o DI mude de natureza, ficando as respectivas orientações do mesmo modo a valer no Dto Interno mas a título de fonte interna e já não a título de fonte internacional. Assenta nos postulados dualistas porque não concebe a comunicabilidade directa do DI com o Dto Interno. O modelo da recepção assenta na ideia de que o DI pode fazer parte do Dto Interno conservando a sua natureza original, não sendo necessário fazer qualquer operação no seu título de validade. Pode desdobrar-se em recepção automática (ocorre quando a integração do DI no Dto Interno não fica dependente de qualquer acto intercalar interno para a sua vigência se efectivar) e recepção condiciona (acontece

quando a incorporação do DI no Dto Interno carece de um acto de interposição, que não transforma a sua natureza mas que condiciona a respectiva vigência), podendo-se ainda falar em recepção material (se for de um conteúdo específico) e recepção formal (se for da fonte abstractamente considerada). É de referir a possibilidade de existência de um sistema misto que pode assumir diferentes variedades, aparecendo sempre que haja a transformação para uma parte do DI e a recepção para uma outra parte do DI. ◘ O conflito entre normas de DI e normas nacionais → DI comum  Os princípios do art. 7º e a sua consideração como ius cojens – supraconstitucionalidade (J. Miranda e Gonçalves Pereira); paridade (Bacelar Gouveia)  O art. 16º – cláusula aberta de recepção formal - valor idêntico  O art. 29º, nº 2 – valor infraconstitucional (“nos limites da lei”). Dúvida suscitada pelo art. 7º, nº 7  Restante DI comum – valor infraconstitucional e supralegal (J. Miranda); supraconstitucional (Gonçalves Pereira) → DI convencional (com excepção do que caiba supra)  Valor infraconstitucional e supralegal. Argumentos substanciais e procedimentais. ▪ Artigo 8º CRP § a questão das normas da UE. As diversas posições em presença. Argumentos. Artigo 8º/3 CRP → tem o problema de só se referir às normas quando há outros actos que à luz do Dto da União Europeia também teriam efeito directo, como as decisões. ◘ Regime da inconstitucionalidade das normas de DI → Preventivo (supra) → Sucessivo – de iure constituto e de iure constituendo ( a distinção entre a fiscalização abstracta e a concreta – arts. 281º e 282º). → Material (do conteúdo) → Orgânica e formal (violação das normas internas relativas à conclusão e vinculação) – o art. 277º, nº 2 (int. extensiva para os acordos – J. Miranda)  “disposição interna fundamental” (incompetência absoluta; incompetência relativa – art. 161º, al. i) 1ª parte; referendo negativo, inexistência da deliberação da AR por falta de quorum ou maioria de aprovação). § o problema à luz do art. 46º CVDT (“manifesta”) ◘ Desconformidade de actos legislativos com DI → Inconstitucionalidade no caso da DUDH – 16º, nº 2 (não outras convenções nos termos do 16º, nº 1, excepto Bacelar Gouveia) → Desconformidade atípica no restante, fiscalizável com base no 204º (controlo difuso) e art. 70º, nº1, al. i) da LTC (controlo concreto). ◘ Consequência jurídica de qualquer incompatibilidade Ineficácia. Bibliografia: • J. Miranda, ob cit., pp.94-119 e 139-185

união real. indivíduo e OI) → De capacidade plena (Estado soberano) → De base não territorial (OI. Cruz Vermelha. particulares colectivos) → De capacidade limitada (os restantes) ● Tipos principais 1. que pode ser titular de relações jurídicas (especialmente importante para os particulares). particulares. Cruz Vermelha. pleno/condicional) ● Classificações → De base territorial (Estado. por ex. A personalidade jurídico-internacional é a susceptibilidade para se ser destinatário de normas e princípios de DI. Instituições não estatais 3. beligerante) → De fins gerais (Estados) → Permanentes (Estado. O indivíduo e outros entes particulares . individual/colectivo. OI 4. definitivo/provisório. Santa Sé. ▪ O Reconhecimento – relevância e tipos (de jure/de facto. diferenciando-se entre uma dimensão de titularidade e uma dimensão de exercício dos mesmos. de acordo com o pr. OI. Ordem de Malta) → De fins especiais (os restantes) → Não permanentes (beligerantes. confederação. que é destinatário directo de normas jurídicas. ▪ Capacidade jurídica internacional – esfera da titularidade de relações jurídicas – Genérica – Estados – Limitada. Santa Sé. Ordem de Malta.Os sujeitos de DI § Subjectividade e pertença à comunidade internacional (remissão) São encarados como sujeitos de DI o conjunto de entidades que protagonizam as relações internacionais que o DI disciplina. da especialidade – outros sujeitos – Capacidade de gozo – Capacidade de exercício A capacidade jurídico-internacional afere-se pelo conjunto dos direitos e deveres que podem estar inscritos na esfera jurídico-internacional da entidade em causa. expresso/tácito. declarativo/constitutivo. Estados e entidades afins 2. em todos os casos internacionais. dos quais directamente recorre a oportunidade para a titularidade de direitos ou para se ficar adstrito a deveres. ▪ Subjectividade ou personalidade jurídica – qualidade do ente ao qual são imputáveis direitos e deveres.

É uma atribuição confinada aos sujeitos internacionais de tipo clássico e às organizações internacionais. art. Preâmbulo Estatuto TPI § 2. que agora unicamente se concebe numa situação de auto-defesa.Coreia e. a Comunidade internacional . os povos (remissão) Estados e entidades afins . Afecta essencialmente o ius belli. que representa o âmbito espacial da de projecção da sua Ordem Jurídica. – a doutrina da legitimidade (Tobar ou de Wilson). O sentido da subjectividade internacional surge associado a três facetas fundamentais que desde sempre marcaram a intervenção dos Estados na vida internacional: o ius tractuum. só os Estados ou OI podem exercer esses direitos. como conjunto de pessoas que se lhe ligam por um vínculo de cidadania.os Estados divididos .art. O ius tractuum representa a faculdade de celebrar tratados internacionais.ius tractum. § a cidade do Vaticano .(históricos) Estados protegidos (exercem direitos através de outros. Posição adoptada – declarativa. como a OMC) § o reconhecimento do Estado (a teoria declarativa e a teoria constitutiva – doutrina Stimson). o ius legationis e o ius belli. e → o elemento funcional/poder político: a soberania. arts. O ius legationis corresponde ao estabelecimento de relações diplomáticas e consulares. na independência e igualdade frente a outros poderes. a Humanidade .53º CVDT (ius cojens). na esfera interna. ius legationis. art.a doutrina da efectividade (Estrada). Miranda e Bacelar Gouveia). vassalos (o exercício de direitos fica sujeito a aceitação do suserano) – capacidade de exercício limitada .§ 1. no poder máximo de auto-organização. TPI (mas refere os ‘crimes contra humanidade’). 33º e 48º do Projecto de Artigos sobre Responsabilidade do Estado por actos ilícitos Seja como for. ● Estados de soberania restrita (capacidade limitada) . .Estado soberano (elementos: território.Estados exíguos – capacidade de gozo afectada pela sua exiguidade territorial (Mónaco. O ius belli consiste na possibilidade de se usar a força ao abrigo do DI. nº 4 e 51º CNU) São elementos fundamentais do Estado: → o elemento humano: o povo. § 3.Estados neutralizados (inadequação da autonomização. 1º do TEUEE. Distinção dos micro-Estados. direito de reclamação e ius belli (legítima defesa – arts. activas no mandar e passivas no receber. Liechtenstein ou Andorra). que se traduz. 136º CDMUN – a ‘Área’ (fundos marinhos). de 1971. → o elemento territorial: o território. Marino. e na esfera internacional. povo e poder político) . S. a não ser a ausência de direito à intervir em legítima defesa colectiva em favor de outro Estado) . 2º. Reconhecimento é constitutivo (Gonçalves Pereira) ou declarativo (J. os protectores). O Governo no exílio. 5º Est. O dever de não reconhecimento de situações resultado de actos contrários ao DI § o reconhecimento do governo . em especial a China (RPC e RC – Res 2758(XXVI) AG NU. mas é membro de OI.

da AG NU). Os beligerantes correspondem a grupos de rebeldes armados que desenvolvem uma actividade bélica em prol da mudança do sistema político do Estado em que se integram. por acto unilateral interno ou por tratado internacional. neutralidade de terceiros que reconhecem. em troca de protecção e ajuda.Movimentos de libertação nacional – os povos como sujeitos de DI? O pr. não sendo ainda um Estado. ocupando uma parte do território estadual e tendo como principal . Res. de 1960. confere protecção e segurança ao Estado vassalo. nos termos previstos no texto institutivo da respectiva estrutura federativa ● Entidades pró-estatais . mas continua sujeito a uma administração internacional) .A Autoridade Palestiniana e os respectivos territórios – entidade pré-estatal? A situação da Palestina oferece contornos internacionais. O mesmo se pode entender. Não existe actualmente. da autodeterminação (arts. → Estados federados: por força da sua inclusão numa federação perdem parte da respectiva capacidade internacional. e 2625. Não se trata de uma limitação total. § os insurrectos (não são sujeitos de DI. mas caso venham a constituir governo ou a criar um novo Estado os seus actos constituem actos ‘estaduais’ para efeitos de responsabilidade).Estados não soberanos (Estados federados e os Estados membros de uma União Real – podem possuir ius tractum e ser membros de OI – Ucrânia e Bielorrússia na ONU antes de 1993) Tratam-se de Estados limitados na sua capacidade. → Estados neutralizados: Estados que. porventura. Podem ser: → Estados confederados: vêem a sua soberania internacional limitado nos assuntos que ficam delegados na estrutura confederativa. ao mesmo tempo que atinge diversos aspectos da soberania internacional.Beligerantes – reconhecimento constitutivo. a quem conferem um mandato para o exercício de certos poderes internacionais. ficaram decepados do seu poder de intervir em assuntos de natureza militar no plano internacional. embora possam exercer alguns dos seus poderes que se lhes reconhecem. através do qual o suserano. Requisitos representação e ‘controlo político’ do povo. Não existe actualmente.XXV. → Estados protegidos: colocam-se numa posição de menoridade relativamente ao Estado protector. 7º). em troca do exercício de poderes internacionais. da actual situação do Kosovo (declarou-se independente e soberano. 73º e 76º CNU. Aplicação do DI da guerra. → Estados exíguos: devido à sua pequenez territorial não são aceites à plenitude da capacidade jurídico-internacional. 1514-XV.§ a Bósnia Herzegovina e o papel desempenhado pelo Alto Representante da Comunidade Internacional para a BiH (aproxima-a de um território sob tutela ou de um Estado ocupado). indefinidos mas aproximando-se de uma região internacionalizada.Estado confederado . → Estados vassalos: reflectem a existência de um vínculo feudal. podendo ser várias as causas dessa limitação. O direito de petição do Protocolo Facultativo anexo ao PIDCP (art. O seu reconhecimento visa colocá-los sob a tutela do DI humanitário . 1º. irresponsabilidade do Estado quando o governo reconhece .

da desestabilização económica que provocam na região e da desprotecção e emigração das respectivas populações ● Entidades infra-estatais .As confederações (histórico. normalmente. as “regiões administrativas especiais” de que são exemplo Hong Kong e Macau em relação à China (no plano interno as suas atribuições são também de foro legislativo e jurisdicional. não tendo. Na prática internacional tem-se vindo a dar prevalência à efectividade no tocante ao conteúdo (atende-se mais ao domínio do território do que ao respeito pelo princípio democrático) e à não intervenção dos assuntos internos. a única recente foi a Senegâmbia) São associações de Estados que se fundam num tratado internacional. que correspondem a porções territoriais que por força de circunstâncias históricogeográficas especiais não dão origem à criação de um Estado. 1244 do CS NU. Os insurrectos são grupo de rebeldes que levam por diante uma luta armada com o objectivo de derrubar o sistema político vigente. em cujos termos são vertidas as atribuições que lhe são transmitidas e os órgãos que ficam incumbidos da respectiva prossecução. Podem existir implicações internacionais das actividades de beligerantes e insurrectos a nível da importação do armamento que utilizam. não extravasando para outros Estados.Hong Kong e Macau – regiões administrativas especiais do Estado chinês (por ex. que podem participar em organizações internacionais e celebrar tratados internacionais especialmente atinentes ao seu território e interesses. dotados de autonomia jurídico-pública e com poderes (limitados) na vida internacional. incluindo Macau sob administração portuguesa .o caso do Kosovo. mudando depois a ordem constitucional estabelecida. .o território de Timor-Leste entre 1999 e 2002 (administração pela UNTAET) § a capacidade internacional de algumas regiões de Estados. são membros da OMC e têm ius tractum) . Exemplos: Cracóvia e Jerusalém. ● Entidades supra-estatais . As regiões infra-estaduais corporizam espaços territoriais.Mandatos e territórios sob tutela (regime caducado) . de 1999 (território nacional de um Estado com administração internacional) .Colónias autónomas (Bermudas. Ilhas Caimão) . executando as suas actividades de guerrilha em diversas zonas desse território. podendo fazer leis e ter tribunais próprios. Situam-se dentro do contexto estadual.A união real (histórico – Áustria-Hungria) . uma implicação internacional. Não ocupam nenhuma parcela do território estadual. enquanto que no plano internacional é-lhes reconhecida competência para a celebração de alguns tratados internacionais e para a pertença a algumas organizações internacionais) e as cidades internacionalizadas. sem qualquer controlo político-administrativo. Inserem-se aqui as regiões autónomas. nos termos da Res.característica a prossecução da luta armada.histórico – algumas cidades.Territórios infra-estatais com capacidade internacional . sendo-lhe contudo atribuída uma capacidade para agir no seio da comunidade internacional e reconhecendo-se-lhes uma autonomia interna administrativa.

que se traduz na administração dos sacramentos e outros actos de culto divino. que exercita através do estabelecimento de relações diplomáticas com a esmagadora maioria dos Estados do Mundo. alguns dos órgãos dos Estados simples participantes.a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. embora a realidade seja diversa. . absorvem numa lógica de fusão. As uniões reais são verdadeiros Estados compostos. limita-se ao ius legationis. CEI. realizando nos diversos Estados actividades como transporte de doentes. eventualmente CPLP) – não têm personalidade jurídica internacional As associações de Estados fundam-se em pactos constitutivos que reflectem aspectos da estrutura estadual dos que dela passam a fazer parte.o múnus de santificar. que se reflecte na emissão de leis e providências para melhor governar a sociedade eclesial. . e ao ius tractuum. São três as principais atribuições da Igreja Católica: . ainda que limitada. na defesa e expansão da Cristandade. na actividade missionária e na educação religiosa. bem como da liberdade de culto. ajuda à terceira idade e acções humanitárias internacionais. e . A actividade desta instituição tem sido desenvolvida sobretudo no plano assistencial. ▪ Soberana Ordem de Malta (estatuto ambíguo).Mantêm a sua soberania interna. que executa através da celebração de tratados internacionais com os Estados.o múnus de governar. Fins espirituais. Fusão entre o poder estadual superior com os poderes estaduais subjacentes.o facto de ostentarem esse nome. bem como com várias organizações internacionais. No seu âmbito de acção ao abrigo do DI. contudo. as vicissitudes de luta religiosa rapidamente a extravasaram para objectivos militares e religiosos. O seu carácter sui generis pode resultar de diversos aspectos que se deve ponderar: . .o facto de as atribuições concedidas não serem suficientes para justificar a existência formal autónoma da estrutura compósito em relação aos Estados que dela fazem parte. Fins espirituais e assistenciais Trata-se de uma instituição cujas raízes históricas se encontram no tempo das Cruzadas. Fins humanitários Encontra-se intimamente ligada com o Dto Internacional Humanitário e apoia-se em três tipos de estruturas distintas: . O seu primeiro propósito foi o hospitalar. que se desdobra na pregação da palavra. que tomam o nome tradicional de “concordatas”.As associações de Estados (Commonwealth. ▪ Cruz Vermelha Internacional e Crescente Vermelho. aos seus fins espirituais e ao exemplo de vivência inter-geracional. firmando compromissos de parte a parte nas matérias da educação e casamento religioso. . criados a partir de um tratado internacional que integram vários Estados e que. Tem capacidade limitada (ausência de ius belli e ‘neutralização’ nos conflitos temporais) É o mais antigo dos sujeitos internacionais não estaduais. . § a UE (remissão para o estudo do DC) Instituições não estatais ▪ Santa Sé (órgãos dirigentes da Igreja Católica) ou Igreja Católica.o Comité Internacional da Cruz Vermelha. caracterizando-se pela peculiaridade devido à limitação dos seus meios materiais.o facto de o substrato em causa não se revestir de um elemento territorial.o múnus de ensinar. do mesmo passo. e .

aproximado do estatuto diplomático. independência. em representação dos respectivos Estados participantes..3º/1 do DL 281/2007). cada um deles interpretando um interesse distinto dos interesses estaduais presentes. diversos dos sujeitos que a promovem. neutralidade. de 1949. pessoas físicas que nelas trabalham e que se diferenciam daqueles que preenchem os respectivos órgãos. imparcialidade. É-lhes reservado um estatuto especial. com vista a prosseguir fins comuns dos seus membros. que não ostentam qualquer elemento político. unidade e universalidade. militares. nomeadamente em matéria fiscal.) . económicos. São dois os seus elementos fundamentais: um elemento organizacional e um elemento internacional. O elemento organizacional atende à formação de uma nova pessoas colectiva.as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. no respeito pelo Direito Internacional Humanitário. permanente (não necessariamente sem termo). de substrato associativo e com carácter de permanência. etc.Fins – gerais ou especiais (políticos. previstos no Tratado. com base num substrato próprio. Organizações internacionais Associação de sujeitos de DI. O elemento internacional chama a atenção para o facto de esta nova entidade ser regulada pelo DI.. Não tem base territorial. mas em que não está presente uma dimensão territorial que seja determinante na definição do exercício do poder que lhe foi atribuído. § personalidade jurídica autónoma e capacidade de gozo limitada pelo princípio da especialidade. a Cruz Vermelha Portuguesa é uma “pessoa colectiva de Direito Privado e de utilidade pública administrativa” (art. As organizações internacionais estribam-se numa vontade comum que pretende instigar a cooperação internacional entre os Estados. voluntariado. estruturandose como “uma instituição humanitária não governamental. ao mesmo tempo que se diferencia das organizações internacionais não governamentais. o qual se submete a sete princípios: humanidade. As organizações internacionais são instituídas por um tratado internacional em que são vertidas as opções fundamentais do novo sujeito internacional. Parecer TIJ “Reparações dos Prejuízos”. civil e penal. Actualmente. ● Classificações de OI .. dotada de órgãos e de direito próprios. que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado. A entidade fundadora é o Comité Internacional da Cruz Vermelho. Dirige e coordena toda a acção internacional humanitária que lhe seja atribuída. são novas entidades jurídico-internacionais que desenvolvem atribuições que aqueles lhes transmitiram. dotada de órgãos próprios que lhe imputam uma vontade funcional em nome de interesses privados. nas restantes a doutrina divide-se). O reconhecimento (nas OI universais – declarativo – cf. sendo estes formados pelo conjunto dos respectivos funcionários internacionais. constituída mediante tratado segundo o DI. de carácter voluntário e de interesse público. por órgãos próprios. pelos Estatutos do Movimento Internacional e pela Constituição da Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho” (art. Quando fundadas pelos Estados.3º/2 do DL 281/2007). Não é possível às organizações internacionais viver sem recursos humanos.

Tem uma finalidade lucrativa específica e assumida.Estrutura – intergovernamentais e supranacionais . no caso de violação dos direitos humanos. com excepção da CEDH. de direitos de vários tipos: . a personalidade internacional é sempre limitada. ● As sociedades transnacionais . fundando-se num substrato patrimonial. Breve referência com remissão para o DC Foi a seguir à II Grande Guerra que apareceu a protecção internacional dos direitos do homem. .A progressiva internacionalização do regime jurídico das suas acções (a acção do CIRDI e a arbitragem internacional na resolução de conflitos com os Estados) . criador de DI. Não há lugar a reconhecimento.direitos de participação em reuniões como observadores.a responsabilidade por crimes internacionais – dos Tribunais de Nuremberga e Tóquio (não internacionais) ao TPI § 1. Em várias instituições internacionais consagra-se o direito de petição. económico. internacionalmente defendendo os seus interesses e pontos de vista. . Tanto as ONG como as sociedades transnacionais usufruem. mas apenas passivo (titular de direitos e obrigações de DI criado por outros sujeitos). . devendo ser consultadas na elaboração de alguma regulamentação internacional.Em rigor.direitos de queixa internacional. contra o Estado e contra todas as outras manifestações de poder. não tendo qualquer finalidade lucrativa.direitos de audição.direito de queixa (Protocolo Facultativo ao PIDCP. Caracterizam-se por uma genuína preocupação de defesa de interesses e valores claramente desconsiderados ao nível das relações inter-estaduais. O problema. § 2.Acesso – abertas ou restritas (critérios: geográfico. a cidadania da UE.Participam no funcionamento de OI com funções consultivas (art. . alçando-se ao plano de DI a defesa das posições jurídicas subjectivas de cada pessoas humana.a titularidade de direitos com tutela internacional .Duração – sem termo e com termo O indivíduo e outros entes particulares ● O indivíduo. ● As Organizações Não Governamentais (pessoas colectivas sem fins lucrativos) . pois não é um sujeito activo. como observadoras. político.A sua personalidade em rigor é de Direito Privado Interno . na esfera internacional. Direitos e deveres fundamentais dos Estados . continuam a ser sujeitos de direito interno. é o duvidoso efeito directo (carácter self-executing) das disposições convencionais que consagram direitos humanos.Âmbito geográfico – universais ou para-universais e regionais . 71º CNU).. Convenção Americana dos Direitos do Homem) e de acção jurisdicional (TEDH). etc…) . e reconhece-se o direito de apresentação de petições ou de queixa (CEDH).

As vicissitudes podem ser de duas dimensões: políticas e territoriais. determinando alterações importantes na sua aparência. o dever de cooperação internacional.dever de cooperação § a questão do dever de ingerência humanitária Bibliografia: • J. . .direitos: a não sujeição orgânica dos Estados e outros sujeitos.. Int. pp.Independência política . a proibição do uso da força.Integridade territorial ▪ Direitos não políticos (Carta dos Direitos e Deveres Económicos dos Estados) .Dever de assistência às NU . mas pode acontecer que essas alterações políticas se projectem na fisionomia internacional dos Estados. Têm apenas uma projecção sobre o sistema constitucional dos Estados. As vicissitudes territoriais corporizam mutações no sistema político dos Estados. 187-230 e 235-247 Sujeitos de DI Vicissitudes do Estado § irrelevância das vicissitudes políticas internas – pr.Abstenção do uso da força .deveres: o respeito pelo DI. a proibição de ingerência em assuntos internos. Miranda. da continuidade do Estado • Vicissitudes territoriais (aquisitivas. com implicações em cada sistema constitucional.Solução pacífica de conflitos . ▪ Direitos políticos (art.Soberania plena e permanente sobre os recursos .A soberania internacional dos Estados acarreta consigo um feixe de situações jurídicas que importa enumerar: . 2º. . 2º CNU) . ob. cit.Dever de não ingerência – o domínio reservado (art.Participar no comércio internacional . podendo diminuir ou aumentar a sua capacidade internacional. excepto em legítima defesa. modificativas ou extintivas) – Em algumas destas situações coloca-se um problema de sucessão de Estados.Boa fé nas rel.Direito de beneficiar do aproveitamento dos fundos marinhos (CNUDM) ▪ Deveres políticos (art. 2º CNU) . a sua autonomia constitucional na respectiva organização política. a presunção de regularidade dos respectivos actos.Igualdade jurídica. nº 7) ▪ Deveres não políticos . .Direito de associação económica .

sem que seja contestada. quando o Estado se desagrega. . se convola em direito de soberania territorial.o nascimento a partir de um processo de secessão. • desmembramento com criação de novos Estados (Checoslováquia). • A sucessão de Estados – substituição de um Estado por outro na responsabilidade das relações internacionais de um território . podendo ser por: . aos arquivos e à dívida. como foi o caso da Atlântida.o nascimento por fusão num novo Estado de territórios que pertenciam a outros Estados. As vicissitudes modificativas modificam territorialmente. • desmembramento do território e a sua inclusão no território de outros Estados já existentes. .decisão unilateral de um governo de facto ou de uma organização internacional. interferindo directamente com o respectivo posicionamento. 10º CVSET) Distinções relevantes (princípios gerais) • • . com manutenção do Estado anterior.) – pr. 11º CVSET) – Tratados que prevêem a sucessão – faculdade ou aceitação do Estado sucessor (art. . Divide-se em três categorias: . etc. surgindo um novo Estado através de um acto de separação territorial. 2º da CV sobre a sucessão de Estados em relação à propriedade pública.art. de 1978. e .usucapião.vicissitudes extintivas. da continuidade (art. seja por fenómenos naturais ou por actos jurídicos. • secessão de partes do território que formam novos Estados (Jugoslávia . .perda de parte do seu território por cataclismos naturais. podendo concretizar-se por: .secessão extintiva. . Em relação a Tratados: – que regulam situações objectivas territoriais (fronteiras.vicissitudes aquisitivas.aquisição de parcelas territoriais. art. . . que ao mesmo tempo se dissolvem. o que pode acontecer pelas seguintes vias: . com fundamento no movimento da descolonização internacional. de 1983 (não vigente) – Formas: • fusão (RFA e RDA).vicissitudes modificativas. Nas vicissitudes extintivas dá-se o desaparecimento do Estado. As vicissitudes aquisitivas apontam para o momento do nascimento do Estado. quando a posse sobre território alheio.cessação parcial voluntária. Kosovo actual com a declaração da independência).desaparecimento do seu território. 2º da CV sobre a sucessão de Estados em matéria de Tratados (CVSET). com a independência da Eslovénia e Croácia.As vicissitudes territoriais designam alterações no elemento territorial que se modifica total ou parcialmente.o nascimento a partir de um processo de descolonização política. .

§ há diversas especialidades relativas à aplicação provisória. Separação de territórios para formar novos Estados – pr. § há diversas especialidades na extensão territorial. a reservas. 23º CVPAD) Princípios gerais: • Aplicação supletiva afastada por acordo das partes (art. als. excepto se forem ‘intuito personae’. etc) • Sucessão de propriedade pública. nos tratados bilaterais tem de haver acordo recíproco expresso ou tácito e deixa de ser parte o Estado predecessor (arts. arquivos e dívidas: – Direitos. em especial tendo em conta o princípio da soberania permanente sobre os recursos • Há especialidades também quando o Estado predecessor se extingue para dar lugar a vários (é relevante o local e a afectação dos bens e pode haver uma compensação equitativa entre os Estados sucessores – art. nº 2. 34º CVSET). excepto por acordo dos interessados. 27º. 18º CVPAD) – Arquivos – a transmissão não dá lugar a compensação (art. § há especialidades diversas (reservas. etc. 15º CVSET) Estados de recente independência (Estados fruto da descolonização) – faculdade de sucessão nos Tratados multilaterais. incluindo a propriedade – transmissão do predecessor para o sucessor na data da sucessão sem compensação (arts. nº 3) . quando o tratado só dissesse respeito ao território que se separa ou no caso de tratado ‘intuito personae’. etc. 31º CVSET). 15º CVPAD). Na ausência deste. os imóveis transmitem-se e os móveis relacionados como a actividade de governação do território também (art. 16º e 17º CVSET). 27º. excepto por acordo dos interessados ou tratado ‘intuito personae’ (art. Unificação de Estados – todos os tratados em vigor em relação a qualquer deles continuarão em vigor (art. a) e b) • Os títulos e outros elementos probatórios relativos ao território ou às fronteiras devem ser disponibilizados pelo Estado predecessor ao sucessor (art 27º. nº 1) • Salvaguarda-se o respeito pela integralidade das partes dos arquivos (art. 9º. 25º CVPAD) • Distingue-se entre as partes relativas à administração normal do território do Estado sucessor e os que digam respeito exclusiva ou principalmente a esse território – transferem-se (art. da continuidade. 10º e 11º CVPAD) • Dever ser regulada a transmissão por acordo. a reservas. excepto se forem ‘intuito personae’ (arts. 14º CVPAD) • Há especialidades para os Estados sucessores fruto de descolonização (art. 24º e 25º CVSET). No caso do Estado predecessor continuar a existir continua a ser parte nos Tratados.– – – – Integração de um território na esfera territorial de um Estado (RDA na RFA) – aplicação imediata dos Tratados que vinculam o Estado sucessor (art.

Ainda não entrou em vigor. – Superfície terrestre lato sensu – solo. 37º. nº 1). Fronteira – limite exterior de um território. Demarcação . caso não haja acordo. 38º) . 11º e 23º). gerais – não afectação dos direitos e obrigações dos credores (art. a questão deve ser solucionada por acordo entre Estado predecessor e sucessor (art. 40º). 28º. 30º. o problema das baías históricas (art. nº 4) § Há disposições especiais para as várias formas de sucessão de Estados (arts. de 2006. 5º e 22º) § para prevenir a apatridia em virtude da sucessão de Estados há uma convenção do Conselho da Europa na matéria. 15º. lagos. na falta de acordo a dívida transmite-se numa proporção equitativa. isto é sob a exclusividade. baías. etc. 27º.Há disposições especiais relativas aos Estados fruto de descolonização. subsolo. fundamentais – toda a pessoa tem direito a uma nacionalidade (art. A soberania abrange o leito e o subsolo. com a excepção do art. deve considerar-se a vontade da pessoa (arts. nº 2) .Na unificação de Estados a sucessão é plena (art. mar territorial e espaço aéreo. que sujeita a transmissão a um acordo e salvaguardando especificamente o equilíbrio económico fundamental (art.Prs. 37º.) situadas aquém da linha de base do mar territorial. 29º. 36º). no caso a uma das nacionalidades em causa (art. Há uma restrição à plena soberania do Estado: o direito de passagem inofensiva (arts. 55/153 AG NU).• Cópias relativas a arquivos relacionados com interesse do território separado devem ser disponibilizadas pelo Estado predecessor (art. Dívidas para com outros Estados. 41º) Efeitos pessoais da sucessão dos Estados – a questão da nacionalidade . há uma transmissão equitativa. Relevância internacional: tradicionalmente nenhuma (não há direito de passagem inofensiva. Domínios Interno e Internacional Domínios internos • Território – superfície terrestre lato sensu. O mesmo ocorre na dissolução (art. os direitos e interesses transmitidos (art. OI ou outros sujeitos de DI . plenitude e autonomia de jurisdição do Estado sobre o território e as pessoas que nele se encontram. tendo em conta o ‘activo’ transmitido (art. nº 2 CDM). 10º CDM) – Mar territorial – extensão até 12 milhas marítimas a partir do ponto mais baixo da baixa-mar. 39º) . Está sob a soberania do Estado.processo técnico de concretização dos limites.Na separação de partes do território.Pr. águas interiores (rios. 8º. nº 1 DUDH). 17º a 32º) - . 31º). há uma presunção fundada na residência (arts. 1º da Res. tendo em consideração a propriedade. Delimitação – processo jurídico de determinação dos limites do território.

exclui os grandes fundos e as cristas oceânicos e o respectivo subsolo). da soberania sobre os recursos consagrada na Carta dos Direitos e Deveres Fundamentais dos Estados (Res. Sobre os recursos não vivos explorados além das 200 milhas o Estado tem de pagar contribuições em espécie à Autoridade. § salienta-se aqui o pr. A jurisdição do Estado consiste na possibilidade de fiscalização com vista a evitar as infracções às normas aduaneiras. 80º CDM) ZEE – espaço adjacente além do mar territorial até às 200 milhas da linha de base do mar territorial (art. sobre os navios e aeronaves aí matriculados no Estado Domínios de extensão da jurisdição estadual – Zona contígua – extensão marítima contígua ao mar territorial até 24 milhas da linha de base do mar territorial (em princípio a linha da baixa mar) – art. Contudo. 78º CDM). 1974). ou até às duzentas milhas da linha de base do mar territorial. do prolongamento submerso da massa terrestre do Estado costeiro e é constituída pelo leito e subsolo. 1º CCACI (não há direito de passagem inofensiva idêntico ao do mar territorial – o Estado pode impor a aterragem – art. 76º CDM (i.e. etc). etc. 5º CCACI. mas pode construir aí ilhas artificiais e outras estruturas com fins económicos e outros (art. 3281(XXIV) AG NU . escala técnica. Os direitos do Estado compreendem a exploração e aproveitamento de todos os recursos naturais. de emigração ou sanitárias no seu território ou no seu mar territorial. há deveres resultantes do DI que condicionam e restringem a plena jurisdição do Estado sobre o seu território (por ex. 57º CDM). fiscais. no máximo de 350 milhas – art. é um domínio exaustivamente regulado por convenções internacionais em matéria de navegação (com diversos direitos: sobrevoo. 33º CDM. 77º CDM). bem como dos organismos vivos sedentários (art. • – – . Embora haja uma soberania plena – art. O Estado costeiro tem o direito de exploração exclusiva dos seus recursos minerais e outros recursos não vivos do leito do mar e de subsolo. das águas sobreadjacentes ao leito do mar. vivos ou não vivos. O limite superior é o espaço extra-atmosférico. 193º CDM) – – • Aplicação extraterritorial do direito estadual – no interior dos edifícios diplomáticos e consulares e sobre o pessoal a eles afecto. ou a reprimir as infracções às normas vigentes no seu território ou no seu mar territorial Plataforma continental – extensão do prolongamento natural do seu território terrestre até ao bordo exterior da sua margem continental. cujos critérios não estão perfeitamente determinados.).– Espaço aéreo – a coluna de ar situada sobre a superfície terrestre e o mar territorial. pelo talude e pelas elevações continentais. Não tem qualquer jurisdição exclusiva sobre as águas ou o espaço aéreo sobreadjacentes (art. dever de proteger e preservar o meio marinho (art.

nomeadamente para a conservação e gestão dos recursos vivos.do leito do mar e seu subsolo e a exploração do seus elementos para fins económicos como a exploração da energia a partir da água. 69º CDM) e dos Estados geograficamente desfavorecidos (art. que só pode ser pacífica. 56º e 60ºCDM). das correntes e dos ventos. Área – espaço constituído pelo leito do mar e o seu subsolo além dos limites das jurisdições estaduais. 110º CDM) e o direito de hot pursuit (art. A sua utilização.coluna de ar situada para além do mar territorial. A área e os respectivos recursos são património comum da humanidade (art. 87º e 88º CDM). 13º CDM). O pr. embora em relação à Área e ao Espaço exterior considerá-la como património da Humanidade encontre uma base legal. fundamentais são: utilização pacífica. tendo sido criada uma Autoridade (OI) que exerce os respectivos direitos (art. deve fazer-se tendo em consideração os interesses da humanidade em geral. para os mais diversos fins desde que pacíficos (arts. 137º). evitando e reprimindo as violações do DI. Os prs. 1º CNU): – Manutenção da paz e segurança internacionais. fundamental é a utilização livre. ONU • Fins (art. Prevêse a consideração especial dos interesses dos Estados sem litoral (art. § estatuto jurídico destes espaços: res nullius. § o direito de visita (art. Alto mar – definido por exclusão de partes (art. 70º CDM). elevando assim a Humanidade a sujeito de DI. O seu estatuto jurídico definitivo não está fixado. O pr. liberdade de utilização. consagra a sua desmilitarização e a proibição de deposição de resíduos radioactivos. salvaguarda dos interesses de toda a humanidade. 86º CDM). 111º CDM). Compreende ainda o direito de colocar e utilizar ilhas e outras estruturas artificiais e a jurisdição sobre a investigação científica e a protecção e preservação do meio marinho (arts. havendo alguns estados vizinhos que têm reivindicações territoriais. em especial dos Estados e povos menos desenvolvidos (arts. fundamental é o da liberdade de utilização por todos os Estados. • • • • . 140º e 141º) Antárctida – o Tratado de Washington de 1959 determina a sua utilização livre. Domínios internacionais • Espaço aéreo internacional . Em relação à Antárctida a situação não é clara. res communis omnium ou domínio público da comunidade internacional (propendemos para uma das duas últimas soluções. Aplica-se-lhe o regime do DI. Há um dever de cooperação em diversas matérias. mas há convenções que regulam a navegação aérea O espaço exterior – toda a realidade física que se encontra para além dos espaços definidos.

– Respeito do domínio reservado dos Estados. O CS pode pôr termo à suspensão. social. Prevê-se também a suspensão do voto na AG quando esteja em falta nas suas contribuições (art. São também incluídas certas limitações à entrada de membros na ONU. 5º): Estado objecto de uma medida preventiva ou repressiva do CS. cultural e humanitário). como é o caso dos Estados exíguos. 19º) – Expulsão (art. 2º CNU): – Igualdade soberana dos Estados-membros. o desenvolvimento económico e social entre os Estados e os novos sujeitos de DI. seja por via de outras limitações. Os membros da ONU podem ser susceptíveis de duas categorias: . a juízo da Organização. ou seja.– – – • Promoção de relações amistosas entre as nações. Promoção da cooperação internacional nos mais diversos domínios (económico. sobre recomendação do CS. • .os Estados membros supervenientes ou admitidos: aqueles que integraram posteriormente a CNU. procedimentais – deliberação da AG (por 2/3 – art. tendo estado presentes na Conferência de São Francisco ou tendo previamente assinado a Declaração das Nações Unidas de 1 de Janeiro de 1942. 4º. Codificação do DI. A admissão dos Estados membros opera-se por deliberação da Assembleia Geral (art. – Boa fé no cumprimento das obrigações assumidas.suspensão: um Estado membro pode ser suspenso da Assembleia Geral (AG) por deliberação desta. Membros: só Estados (originários – art. assinaram a CNU e ratificaram-na (art. – Cooperação na consecução de medidas para garantir a paz e a segurnaça internacionais. por deliberação da AG (2/3). nº 1. cooperação internacional. salientando-se os direitos humanos e as liberdades fundamentais. nº 2) com base numa recomendação do CS – Suspensão (art.” (art. 4º) – são 192 – Admissão: requisitos (substanciais – art. por deliberação da AG (2/3) sobre recomendação do CS.4º/1 CNU). 6º): Estado que viole persistentemente os princípios da Carta. – Interdição do uso da força nas relações internacionais. Princípios fundamentais (art. estiverem aptos e dispostos a cumprir tais obrigações. seja por circunstancialismos históricos (os que eram considerados inimigos das Nações Unidas). . ou seja. sob recomendação do Conselho de Segurança (art.3º da CNU). através de: . – Extensão das obrigações da CNU aos Estados que dela não façam parte. – Jurisdição erga omnes das NU.4º/2 da CNU). admitidos –art. – Resolução pacífica dos litígios internacionais. 3. 18º. desde que sejam “amantes da paz” e “aceitem as obrigações contidas da presente Carta e que.os Estados membros originários ou fundadores: aqueles que.5º da CNU). O vínculo de pertença à ONU pode ser enfraquecido ou sofrer mesmo de uma ruptura.

é subsidiária (art. o Conselho de Segurança. III da CNU).em relação às quais pode adoptar recomendações (art. 23º. a AG pode ultrapassar a limitação acima referida em caso de ameaça à paz. 10º e 13º . . Em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais a sua competência (excepto relativa a princípios gerais – art. 12º) § de acordo com a Resolução 377(V) ‘Unidos para a Paz’. 4º ETIJ) § tem desempenhado um importante papel na promoção da codificação do DI . São órgãos subsidiários a CDI. eleição dos membros não permanentes do CS (art. nº 1. CS. os órgãos da ONu podem distinguir-se entre órgãos principais. mediante recomendação do Conselho de Segurança” (art. o Conselho de Tutela. de Nov.6º da CNU). nº 1). desde que para o efeito formulem um pré-aviso num tempo razoável e tenham saldado todas as suas responsabilidades financeiras.a retirada. que não são directamente definidos e apenas implicam o exercício de uma vontade subordinada àquilo que estiver na génese da respectiva criação. caso o Estado membro tenha “violado persistentemente os princípios contidos na presente Carta pela Assembleia Geral.7º da CNU). nº 1). o Alto Comissário para os Refugiados e o Conselho de Direitos do Homem. 4º. aprovação dos acordos do CES com organizações especializadas (art. é de crer que há o direito de os Estados saíram da ONU. 1950. – Assembleia Geral – universalidade – art. violação da paz ou agressão e em que o CS se manifeste incapaz de agir. 11. pedir pareceres e autorizar o seu pedido por outros órgãos (art. 101º. suspensão e exclusão de membros (arts. 108º). 61º). 17º). o Tribunal Internacional de Justiça e o Secretariado (art.a expulsão. junto da Assembleia Geral. nº 1 • Atribuições: – políticas genéricas – arts. CES. não podendo mesmo fazer qualquer recomendação quando o CS esteja a exercer em concreto as suas funções específicas na matéria (art. admissão. 15º – competências específicas – orçamental (art. eleição dos membros do CES (art. devido ao voto negativo de um membro permanente (que pode ir nos dois últimos casos à recomendação do uso da força) – controlo político sobre os outros órgãos – art. TIJ e Secretário-Geral (o Conselho de Tutela já caducou) Quanto à estrutura governativa (descrita no Cap. 14º). 18º. definir o regime dos funcionários (art.. 5º e 6º). o Conselho Económico e Social. 11º. nº 2). 9º. nº 1). eleger em conjunto com o CS os juízes do TIJ (art. 7º): AG. igualdade – art. 96º). aprovar emendas à Carta (art. onde se incluem a Assembleia Geral. 63º). • • Observadores – há diversas entidades e OI com estatuto de observadores Órgãos (art. que apesar de não se encontrar directamente prevista. e órgãos subsidiários.

comissão de assuntos de tutela. . humanitários e culturais.as recomendações sobre a manutenção das paz e segurança internacionais. de 7 do CS ou maioria da AG) • Órgãos subsidiários (há vários comités. Representa uma minoria das resoluções. comissão jurídica e comissão de política especial. São consideradas questões importantes pelo texto da CNU: .uma competência decisória específica e reservada nas matérias consideradas importantes: a admissão de novos membros e respectiva exclusão e suspensão. comissões e grupos de trabalho). As competências da Assembleia Geral são de diversa índole. e o critério quanto à natureza das matérias sobre que pode incidir para se chegar à seguinte trilogia de competências (arts.Deliberação (se não for pedido o voto registado.uma competência decisória substitutiva. no caso de não o serem (art. excepto quaisquer reservas definidas para outros órgãos. . § há alguns anos que se desenvolve um esforço especial para alcançar decisões por consenso. Funciona em plenário. nº 2 (inclui um elenco não exaustivo de ‘questões importantes’) – Outras questões (maioria dos presentes e votantes).18º da CNU). 18º. são obtidas por maioria de dois terços presentes e votantes no caso de serem consideradas importantes. comissão de assuntos administrativos e financeiros. ou por maioria relativa dos membros presentes e votantes. comissão de assuntos económicos.a eleição dos membros não permanentes do Conselho de Segurança. ou se vinculativas. que tem lugar uma vez por ano no Outono. sendo a maioria das resoluções adoptadas sem votação – AG – reuniões: • Em plenário ou em comissão • Em sessões anuais regulares (Setembro a Dezembro) ou especiais (art. incluindo de emergência (a pedido do SG. As deliberações da AG. . quando não seja adoptado o consenso.a eleição dos membros do Conselho Económico e Social. 20º). aqui se inclui a decisão de submeter outras questões a uma maioria de 2/3 (o que sucedeu em relação à orientação sobre a reforma do CS – Res. a aprovação do orçamento ou a eleição de membros de outros órgãos. competindo-lhe discutir todas as matérias que se inscrevam nas finalidades da ONU. se meramente recomendatórias. comissão de assuntos sociais. cruzando-se o critério do tipo de vinculação das respectivas deliberações. só é indicado o número global dos sentidos de votação) – Questões importantes (2/3 dos presente e votantes) – art. 53/30).uma competência recomendatória genérica. alteração da CNU. desdobrando-se em diversas comissões especializadas: comissão política. . .10 e ss da CNU): . • A AG é o órgão representativo de todos os Estados membros. que dela fazem parte num plano de estrita igualdade (art.9º/1 e 18º/1 da CNU).

. 34º) » Formular recomendações sobre procedimentos ou métodos de solução.a admissão de novos membros da Organização. Pode ainda convidar as partes a aceitar medidas provisórias (art. em conjunto com a AG os juízes do TIJ (art. Conselho de Segurança • Atribuição principal – manutenção da paz e segurança internacionais que age em nome dos EM (art. As decisões do CS que não sejam recomendações ou ‘convites’ são obrigatórias para os EM (art. 24º.a suspensão de direitos e privilégios de membros. Para levar a cabo medidas de natureza militar.. nº 1). 32º. recomendar a admissão de novos membros. 31º. incluindo envolvendo Estados não membros (arts. 36º). recomendar à AG o Secretário-Geral a eleger (art. 4º ETIJ). 33º. . 41º) » Adoptar acções militares (art.as questões orçamentais. EU. nº 3) – . 97º) § 1. 40º) » Aplicar sanções não militares (art. de acordo com a deliberação do CS (art. » Determinar a existência de qualquer ameaça à paz. 37º e 38º). A execução das decisões do CS em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais cabe a todos ou a alguns membros. 26º) » Intervenção. . 39º). ou após submissão das partes (arts. violação da paz ou acto de agressão e formular recomendações a esse respeito (art. 48º. 35º). convidando as partes num conflito que possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais.a expulsão de membros. 48º. . nº 2 – Competências: » Estabelecimento de planos de regulamentação de armamentos (art. por sua iniciativa (art. . 42º) • Outras Atribuições – eleger. CE (art.as questões atinentes ao funcionamento do regime de tutela. nº 2). os EM têm obrigação de lhe prestar assistência e disponibilizar meios (arts. 25º) § 2. por iniciativa de qualquer membro das NU (art. 43º e 45º). nº 1) e será cumprida directamente por estes ou por organismos de que sejam membros – ex. a resolvê-lo através dos meios do 33º » Investigação sobre qualquer situação que possa constituir uma ameaça à paz e segurança internacionais (art. o que poderá passar pela celebração de acordos (art. a qual é obrigatória na impossibilidade de resolução pelos meios do 33º. 4º e 5º).a eleição dos membros do Conselho de Tutela. 43º. a suspensão (e levantá-la) e expulsão de membros (arts.

O seu conjunto constitui a ‘família das NU’ • .questões de natureza procedimental: vigora a regra da maioria agravada de 9 votos afirmativos: . bem como em matéria de direitos humanos e liberdades. preparação de convenções. Rússia. nº 1) – As ‘questões processuais’ são decididas por uma maioria de 9 votos favoráveis (art. como sucede em relação à admissão de novos membros. As suas competências centram-se essencialmente nas questões ligadas às atribuições da ONU na manutenção da paz e segurança internacionais. 29º (tem diversos comités) O Conselho de Segurança é um órgão colegial. opondo-se à respectiva aprovação (art. restrito e de tipo governativo. Os Estados membros da ONU que sejam membros permanentes do Conselho de Segurança têm uma posição privilegiada. 58º e 63º). nº 2) – As ‘questões não processuais’ entre os 9 votos têm de se incluir os votos favoráveis dos membros permanentes (direito de veto). 27º. sendo composto por 15 Estados membros. que podem passar por estudos. dentro dos quais há cinco com lugar permanente: China. particularmente aquelas que estão vinculadas às NU (arts. – Age em estreita conexão com organizações e agências especializadas. à escolha de membros dos diversos órgãos e à revisão da CNU. 23º. incluindo a determinação da natureza procedimental ou não da questão: aplica-se a regra da maioria agravada de 9 votos a favor. 27º. nº 1) – Órgãos subsidiários . e na propulsão procedimental. 57º. 62º): desenvolver iniciativas nos mais diversos domínios económicos. nºs 1 e 2) Deliberações: – Cada membro tem um voto (art. sociais e técnicos. França. neles necessariamente se incluindo os votos dos membros permanentes. nº 1). Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América. entre os quais 5 permanentes expressamente indicados (art. 23º.art. nº 3 (um costume contra tractum consagrou a orientação de que uma abstenção de um membro permanente não impede a deliberação) § o duplo veto – a determinação do carácter processual ou não processual de uma questão considera-se uma questão não processual. etc. 27º. os 10 restantes são eleitos pela AG para um mandato de 2 anos (art.27º/3 da CNU). pelo que fica sujeita ao veto dos membros permanentes • Funcionamento: – Permanente (art. O procedimento decisório encontra-se distribuído por dois possíveis esquemas: . recomendações.questões de natureza não procedimental. 28º. possuindo um “duplo” poder de veto: um poder de veto na qualificação de certa questão como não sendo procedimental e depois na decisão de fundo. funcionando em permanência de funções.• Membros – 15 EM. – Conselho Económico e Social • Atribuições (art. a parte num conflito deve abster-se – art.

social. – TIJ – principal órgão judiciário das NU • Membros do TIJ – todos os EM das NU são parte no ETIJ anexo à CNU – art. dispondo cada Estado de um voto (art. • As suas atribuições são internacionais e independentes (art. . mas desempenha poderes políticos e diplomáticos importantes para além do alerta ao CS em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais (art. 91(I) AG. O Secretário-Geral é eleito pelo Assembleia Geral para um mandato de cinco anos sob recomendação do Conselho de Segurança. 62º/1 da CNU). eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de três anos. 67º) O Conselho Económico e Social é um órgão consultivo nos “assuntos internacionais de carácter económico. Quanto ao seu carácter consultivo. nomeadamente desenvolvendo esforços de mediação (‘bons ofícios’ . 97º). O Conselho Económico e Social pode funcionar tanto em plenário como através de comissões especializadas. – Secretário-Geral – designado pela AG mediante recomendação do CS (art. duas delas sendo tipificadas na própria CNU: assuntos económicos e sociais e protecção dos direitos do homem (art.68º da CNU). As competências do Secretariado são de natureza administrativa.elaborar estudos e relatórios sobre matérias que o requeiram. aos membros das Nações Unidas e às organizações especializadas” (art. dentro e fora da ONU.• • Membros: 54 EM eleitos pela AG. . e como responsável pelas missões de paz (remissão). É um órgão colegial composto por 54 membros. pode agir de várias formas: . As suas deliberações são genericamente tomadas por maioria relativa dos membros presentes e votantes.103 até 1995). de saúde e conexos.67º da CNU). 93º CNU (outros podem ser parte nos termos da Res.97º da CNU). -preparar projectos de tratados internacionais e organizar conferências internacionais.solicitar as informações que considerar pertinentes a outras instâncias. cultural. e poderá fazer recomendações a respeito de tais assuntos à Assembleia Geral. de 1946 – actualmente não se aplica) • Competências: . educacional. 61 da CNU). 99º). podendo ainda exercer competências de influência e de sugestão. 100º) O Secretariado da ONU é o aparelho burocrático da Organização e é composto pelo Secretário-Geral e por outro pessoal de onde se destacam os secretários-gerais adjuntos (art. todos os anos renovado num terço (art. com um mandato de 3 anos (eleição anual de 1/3) Deliberação: cada membro tem um voto e as deliberações são por maioria dos membros presentes e votantes (art. por designação do CS.fazer recomendações aos órgãos competentes para deliberar. do CS e do CES • Explicitamente tem funções administrativas (art. 97º) • Participa em todas as reuniões da AG. executando as deliberações tomadas pelos outros órgãos.

25º e 26º ETIJ Os acórdãos em litígios são obrigatórios para as partes. 3º e 12º. qualquer que ele seja – arts. § o juiz ad hoc (art. § a • . pelo CS e AG (arts. 2º. para um mandato de 9 anos. 36º. AG 56/83. Ilícito (contrária ao DI vigente. 36º. Não tem jurisdição obrigatória (art. 2º) 2. nº 2 e 3 ETIJ) • A garantia do DI A responsabilidade internacional por actos ilícitos § a ilicitude internacional: enquadramento dogmático específico que não se pode reconduzir aos quadros dogmáticos nacionais – ‘responsabilidade pública’ sui generis • Consequências da ilicitude – A invalidade do acto jurídico internacional viciado – v. mediante autorização da AG. Lex specialis derogat lex generalis – art. 7º ETIJ). 3º e 4º ETIJ) a partir de uma lista elaborada pelo SG (art. a pedido de outras organizações especializadas. nº 1. 95º CNU e 36º e 37º ETIJ) » A competência pode ser obrigatória quando prevista em Tratados de que os Estados sejam parte em relação aos litígios relativos a esses Tratados (36º. definitivos e inapeláveis (art. 13º e 32º). 31º. 94º. de 2001 § o pr. 1ª parte) consultivas (art. nº 1.arts. nº 1 ETIJ). e/ou – A responsabilidade do sujeito (Estado. nº 1 CNU e 59º e 60º ETIJ). As lacunas – art. 2ª parte ETIJ) » A competência pode resultar da Declaração prevista na ‘cláusula facultativa de jurisdição obrigatória’ (art. outros. b). OI. (F)Acto (‘conduta’ voluntária: acção ou omissão juridicamente relevante – art. em questões jurídicas da sua esfera de actividade (nº 2) – TIJ • • Funcionamento – em plenário ou em câmara (excepcional) . § em especial a responsabilidade penal e civil dos indivíduos – ERTPI e Convenção contra a tortura…) Responsabilidade internacional do Estado por factos ilícitos internacionais – Projecto de artigos da CDI de 2001 (em anexo à Res. nº 2 ETIJ) » A competência pode ser objecto de um acordo ad hoc (art. podendo o CS ser chamado a intervir em caso de incumprimento (art. 55º. 96º) a pedido do CS e da AG (em qualquer questão jurídica (nº 1). 56º – Pressupostos: 1.– – contenciosas em litígios entre Estados (art. 94º CNU e 34º. 94º.CVDT (parte V).g. Não releva a sua licitude interna – arts.. nº 2 CNU) Composição do TIJ – 15 juízes eleitos.

Conteúdo da responsabilidade: situação jurídica passiva que consiste na obrigação de reparação de todos os danos.violação ‘grave’ de ius cojens – art. 42º). o pedido de desculpas. nº 1). ‘Certain Phosphate lands’). desde que tenha uma projecção internacional – arts. Nauru vs Austrália. Não tem carácter punitivo.Satisfação (só danos morais – a ofensa à honra do Estado: o reconhecimento da violação. obrigação de cessação da conduta ilícita e garantia de não repetição (art. 4º a 11º). 37º). a respectiva obrigação o afecta especialmente ou altera o carácter da obrigação geral (art. 31º. no caso de uma obrigação devida à comunidade internacional. 47º. Dano . 43º. 48º (obrigação devida a um grupo de Estados ou à comunidade internacional – nº 1). ou. 41º estabelece obrigações para todos os Estados. o cumprimento da reparação aos lesados. Imputável ao Estado directa ou indirectamente (praticado por órgão ou agente em qualquer das suas funções.lesão de direitos ou interesses tutelados de outro sujeito de DI ou da comunidade internacional – art. Ac TIJ. 46º • Invocação da responsabilidade por Estados não lesados – art. o pedido de responsabilização tem de ser intencional e específico (não basta um Protesto).art. da culpa 4. etc.Reconstituição natural (restitutio in integrum: limite – 35º). individual ou em conjunto com outros Estados. § em relação às vítimas de violações flagrantes do DI dos Direitos Humanos e de violações graves do direito humanitário. consagrando princípios gerais e directrizes na matéria. Pode ser complementar das outras. Não há ‘litisconsórcio’ necessário (cf. Nexo de causalidade (relação causal determinante entre a conduta e o prejuízo) . Pluralidade de infractores – art. 30º) e responsabilidade . vários Estados (art. Pode ser jurídica – anulação ou revogação do acto jurídico. Pode ainda adoptar as medidas ‘legais’ admitidas no 54º. 60/147. 33º. O art.Compensação (danos emergentes patrimoniais e não patrimoniais e lucros cessantes – art. apresentando uma . mas a responsabilidade pode ser solidária (nº 2) § 3. a). 34º): . de 2006. – Efectivação da responsabilidade: § 1. 31º 5. 42º) • Pluralidade de lesados – art. Pode solicitar a cessação da conduta violadora. Formas de reparação (art. 46º) e/ou a comunidade internacional (art. sujeitos lesados – pode ser um Estado (art. Exige-se uma notificação do Estado (art. 3. – art. . Só relevam os danos directos e relevam os mediatos (sofridos pelos nacionais do Estado). . 36) . em geral. 2º.Consequências da ilicitude: continuação da obrigação (art. A irrelevância abstracta da intenção (possível relevância concreta) e. Responsabilidade individual de cada Estado pelo acto. § 2. a AG adoptou a Res. reconstituindo a situação hipoteticamente existente – art. 29º). 48) • Estado lesado – aquele em relação ao qual a obrigação era devida. 40º.

Remissão • Contra-medidas (distinção da retorsão e das represálias)– art. 27º. Requisitos gerais e limites – art. • ‘Distress’ (‘perigo extremo’) – art. não violação de um bem maior § a exclusão da ilicitude não exclui a obrigação de compensação pelos prejuízos causados – art.g. 2006 • Há convenções em domínios específicos (v. O autor (indivíduo) do acto não dispunha de outra alternativa razoável para salvar a sua vida ou a de pessoas ao seu cuidado. Parecer sobre licitude do uso de armas nucleares) e requisitos. 54º (dúvidas do seu alcance – lawful measures) • Força maior – art. 25º. A causa tem de ser irresistível. 20º a 27º) • Consentimento do lesado – art. Não tem de assumir nenhuma forma especial. Podem existir procedimentos especiais a respeitar – art.49º. Requisitos procedimentais – art. 24º. Meios de resolução do conflito (remissão) Causas de exclusão da ilicitude (arts. 45º (expressa ou tácita) § 6. § as contra-medidas nas violações do 48º (direitos colectivos ou da comunidade internacional) – art. transporte de resíduos perigosos) – § Está em preparação na CDI um projecto de artigos relativo à responsabilidade das OI Meios de resolução de conflitos entre Estados . proporcionalidade (51º). Conflito irreconciliável entre um interesse essencial e a obrigação do Estado. tornando impossível o cumprimento (pode ser natural ou humana). 52º. b) A responsabilidade internacional do Estado por factos lícitos • A responsabilidade pelo risco em actividades não proibidas pelo DI (independente de culpa) • A Declaração do Rio de 1992 (princípios 13 e 16) • Projecto de artigos da CDI sobre ‘Prevenção dos Danos transnacionais causados por Actividades Perigosas’. Renúncia à reparação – art. • Estado de necessidade – art. 2001 • Projecto de artigos da CDI sobre ‘Imputação de prejuízos resultantes de Danos transnacionais causados por Actividades Perigosas’. 23º (a conduta é involuntária ou não podia ser outra). perigo grave e iminente. § 5. 20º (não contra ius cojens) • Legítima defesa – art. Pode indicar as medidas e a forma de reparação que entende adequadas (nº 2). o comportamento ilícito é a única alternativa para proteger o interesse essencial. 50º. 295º CDM). carácter temporário e reversibilidade (arts. Há limites à legítima defesa (cf. § 4.reclamação. imprevista. Em especial a necessidade de exaustão dos recursos internos (v. art. 22º. nº 2 e 3 e 53º). 44º.g. referindo a situação que entende ser violadora do DI e requerendo medidas que lhe ponham termo e reparem os danos . 21º (exclui-se para algumas obrigações – direito humanitário).

nº 3 CNU) § frequentemente têm natureza mista. 287º e Anexo VI da CDM (em ambos a jurisdição sobre os Estados é facultativa) • Arbitragem – estabelecida ex ante por acordo. 36º. é imperativa a resolução pacífica – art. – Conciliação – intervenção de um terceiro. Neste caso é proeminente o papel atribuído ao TIJ como o meio de resolução do conflito (art. Pode decidir de acordo com o direito ou ex eaquo et bono. minimizar o sofrimento humano associado ao conflito. especial (compromisso arbitral) ou geral (convenção geral de arbitragem). normalmente de uma comissão especializada que propõe soluções para a situação (no quadro da ONU há um sistema de conciliação estabelecido junto do SG) 2 – Meios jurisdicionais: • Os tribunais internacionais – o TIJ (remissão) e o TIDM – art. O art. nº 3 ETIJ. ou outro) que procura aproximar as partes (go-between). 38º prevê a intervenção do CS a pedido das partes. – Negociação – envolve apenas as partes no litígio que discutem a questão de acordo com a boa-fé. rápida resolução do conflito. OI. 2º. 33º CNU (elenco não exaustivo): 1. Ocorre normalmente quando o conflito se prolongou.Os conflitos podem ser de natureza: – Política (em sentido amplo) – Jurídica – art. Meios não jurisdicionais (político-diplomáticos): § objectivos: limitar a expansão ou a escalada do conflito. ou prevista num tratado (cláusula arbitral). • O seu âmbito pode ser: – Interestadual (tipo mais frequente durante a guerra-fria) – Intraestadual (tipo mais frequente após a guerra-fria). estabelecida ex post por acordo especial. e determinam factos relevantes na situação litigiosa. apresentando soluções ou directrizes em cuja base as partes podem chegar a um acordo. . transmitindo informações e mensagens. A decisão é obrigatória. promover a melhoria das relações no futuro – Inquérito – intervenção de terceiros que investigam. 36º. • • • Meios de resolução pacífica – art. – Mediação – intervenção de um terceiro (com um cunho mais formal e mais activa) que procura aproximar as partes. Estes frequentemente têm carácter étnico ou religioso e a sua resolução é especialmente difícil. objectiva e imparcialmente. garantir a prevalência do DI. Ocorre normalmente em conflitos ainda recentes. nºs 3 e 4 CNU. – Bons-ofícios (não tipificada) – intervenção (com um cunho de certa informalidade e passividade) de um terceiro (Estado.

não se confundindo com qualquer outra disputa de interesses. . sobretudo para enfrentar actos materiais. Nestes casos. que pode formular recomendações (arts. uma violação da paz ou um acto de agressão. nºs 2 e 3. medidas provisórias (art. não existindo sequer a aparência de um acto jurídico-internacional.a irregularidade: apenas atinge o autor do acto. . 2 e 3. na medida em que a desvalorização do acto jurídico nem sempre é operativa. em nome de um vício que se repercute no acto. É uma reacção que atinge directamente os actos jurídicos que não estejam conformes com o Direito Internacional. 35º. 52º. militares ou económicos. 39º). nºs 1. Quando o conflito possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais as NU podem intervir (a AG – 11º. São várias as dogmáticas possíveis em função da gravidade dos vícios que adulteram as fontes internacionais: . Caso as partes não cheguem a uma solução do conflito pelos meios indicados. O CS determinará se um conflito constitui uma ameaça à paz. 37º. que apesar de ainda se encontrar numa fase de amadurecimento. a acrescentar à consequência que já se abateu sobre o acto ilícito e que determinou a sua desvalorização.a invalidade: é o desvalor geral e toma as formas de nulidade ou de anulabilidade. sendo que este lhes retira a validade. 37º. situação em que pode adoptar: recomendações (art. A responsabilidade jurídica reflecte a aplicação de consequências desfavoráveis que recaem sobre o autor desse mesmo acto. nº 1). do próprio ordenamento jurídico-internacional. o CS – 33º. Qualquer violação do DI é merecedora de resposta. numa diferenciação em razão da sua gravidade. a violação do DI só pode ser considerada com natureza jurídica. a entidade que perpetrou a infracção e as circunstâncias em que ela ocorreu. medidas coercivas (não militares – art. a qual tem vindo a ganhar uma valorização crescente nos últimos anos. com dois propósitos fundamentais: numa perspectiva cumulativa. Bacelar Gouveia: A ideia de ilicitude internacional Quando ocorre uma desconformidade da actuação dos respectivos sujeitos com os princípios e as normas internacionais aplicáveis é necessário ter em conta os seguintes critérios: o parâmetro internacional violado. A sua intervenção é subsidiária – art. A desvalorização dos actos jurídico-internacionais praticados determina a aplicação de consequências que acarretam a respectiva eliminação.§ 1. 36º). 41º) e militares (42º) – remissão.a inexistência jurídica: é a situação mais grave de todas. afastandoos. devem submetê-lo ao CS (art. nº 2. De acordo com os ramos de Direito que com ela têm mais trabalhado. o que a CVDTE explicitou através da aplicação da sanção da nulidade no âmbito do Direito dos Tratados. 40º). 34º. nº 2) § 2. portanto. esta responsabilidade apresenta-se sob várias vestes: . é viável estabelecer uma contraposição fundamental que pode operar dentro do Direito Sancionatório: a desvalorização dos actos jurídico-internacionais praticados e a responsabilização dos autores dos referidos actos praticados. e numa perspectiva alternativa.

a negociação. propondo soluções no sentido de virem a ser .responsabilidade civil: o nascimento de um dever de indemnizar em reparação de danos que tenham sido cometidos. mas agora com um papel activo.responsabilidade penal: a aplicação de penas de prisão por ter havido comportamentos que configuram crimes. Quanto à via pacífica.a lex perfecta: a lei que prevê a sanção de invalidade para o acto que a infrinja. não já contra o acto praticado. A negociação é o esquema mais simples e directo. a modalidade com maior relevância é a da solução política dos conflitos internacionais. A via da resolução política A solução dos conflitos internacionais pode percorrer dois caminhos: uma via pacífica sem recurso à coerção e uma via bélica.a conciliação. São conhecidos os seguintes mecanismos: . onde se pressupõe a adopção de esquemas que passam apenas pelos respectivos sujeitos. podendo dela recorrer três resultados: a transacção. e . . . .responsabilidade política: a produção dos actos de censura e de substituição dos titulares de órgãos que sejam politicamente dependentes quanto à sua subsistência. num ilícito de natureza administrativa. e . sem que se imponha recorrer a estruturas do tipo jurisdicional.a lex minus quam perfecta: a lei que prevê quanto à respectiva violação apenas sanções para o seu autor. contudo. .33º/1). a aquiescência e a desistência Os bons ofícios integram a intervenção de uma entidade exterior às partes em conflito que assume o papel relevante de as aproximar e colocar em discussão.a lex maius quam perfecta: a lei que prevê contra a sua violação não somente a invalidade do respectivo acto como sanções aplicáveis aos seus autores. através do recurso à força. . ainda que não participando directamente nesta. . O entendimento directo das partes na contenda é. Também na mediação encontramos a intervenção de uma entidade externa ao conflito. São várias as hipóteses de conjugação entre a desvalorização dos actos jurídicointernacionais e a responsabilidade jurídica: .o inquérito. . pertencendo a infracção cometida a esse âmbito. não lhe competindo sequer sugerir solução para o conflito.responsabilidade disciplinar: a aplicação de sanções contra as pessoas que subordinadamente se inscrevam numa relação jurídico-laboral. -a lex imperfecta: a lei que não estabelece qualquer sanção que possa reprimir qualquer violação. partindo do pressuposto de que a resolução do litígio deve aconselhar o entabular de conversações entre as partes desavindas para se chegar a um entendimento que pode assumir a modalidade de um sistema de consultas.a mediação. portanto..os bons ofícios. É para esta via que se posiciona a CNU (art. . não se exclui a possibilidade de preferência por um desses caminhos.responsabilidade contra-ordenacional: a aplicação de penas pecuniárias. igualmente essencial. A situação normal é aquela em que se aplicam as duas modalidades de sanções: contra o acto e contra o autor do acto.

em que se pressupõe a intervenção de entidades independentes que agirão segundo a veste própria da função jurisdicional. apresentando-se como um esquema mais formal e complexo relativamente à ideia de mediação. A solução jurisdicional dos conflitos pode subdividir-se entre a via arbitral e a via judicial. Os tribunais arbitrais decidem em instância única. intervindo. por força de uma das suas cláusulas. devendo assentar na vontade das partes que assim decidem resolver o seu litígio. . com base num processo contraditório. substantiva e adjectiva. para além de poder incluir a respectiva regulamentação. tendo evoluído de um árbitro único a uma comissão mista. sendo estas obrigatórias e definitivas mas não dispondo de executoriedade. O inquérito caracteriza-se pela convicção de que a discórdia entre sujeitos internacionais assenta muita vezes no desconhecimento dos factos praticados. entendam submeter a respectiva resolução a um tribunal arbitral a constituir. extinguindo-se depois de encontrada a decisão arbitral. . em número ímpar e composta por elementos indicados pelas partes em causa e por partes neutras. num número ímpar de membros. prevalecendo hoje o tribunal colegial.aceites pelas partes.o compromisso arbitral: sempre que as partes. A conciliação consiste da formação de uma comissão. sendo que as partes recorrem aos mesmos para lhes pedir uma específica intervenção na composição do conflito que entre elas surgiu e querem ver solucionado. mas suas características de independência e imparcialidade relativamente às partes em conflito. que assim o prevê. Os tribunais arbitrais ad hoc são apenas constituídos para a resolução de um específico litígio. São elas: . assim. Os tribunais arbitrais podem apresentar-se sob duas modalidades: como tribunais arbitrais ad hoc e como tribunais arbitrais permanentes. e aplicando parâmetros jurídicos. não estando os tribunais arbitrais dotados de meios coercivos para aplicar as decisões. A utilização do tribunal arbitral pode ainda ser titulada por três possíveis fontes. que possa analisar a natureza e os pormenores do conflito.a cláusula arbitral: sempre que os litígios resultantes da interpretação ou aplicação de certo tratado devam ser antecipadamente resolvidos por tribunal arbitral. não havendo recurso para os tribunais comuns. bem como o seu limitado número. levantado um litígio. formando-se uma comissão de inquérito. incumbindo-lhe propor uma solução. a não ser em situações de nulidade muito grave. A via da resolução jurisdicional A resolução dos conflitos internacionais pode também operar-se por intermédio de processos de cunho jurisdicional. pelo que se impõe a respectiva averiguação por parte de alguém que lhes é exterior. estando já parcialmente pré-definidos. A via arbitral consiste na resolução do litígio a partir da formação de um tribunal arbitral que tem como particularidade a indicação voluntária dos árbitros. embora deva contar com a anuência das partes em dissídio. podendo ainda receber pedidos de aclaração das respectivas decisões. no procedimento negocial. Os tribunais arbitrais permanentes existem em permanência. A estrutura dos tribunais arbitrais é variável.

o ius ad bellum (a questão da ‘guerra justa’) e o ius in bello • A interdição do uso da força . de onde se evidenciam as seguintes categorias: . Actualmente há cada vez mais tribunais arbitrais para questões de índole económica e tribunais judiciais para questões político-humanitárias.g. • Actual (a acontecer – art. . o 11/9 e a resposta à Al-Qaeda – Res. nº 1 e 107º (caducados) 6. pp. relativos a diversos tratados celebrados. A crescente judicialização de repressão da ilicitude internacional Durante o século XX verificou-se no DI a criação de vários tribunais internacionais. Acções contra antigos inimigos – arts. . AG 3314 (XXIX). nº 3 e 4 CNU. Bibliografia: • Jorge Miranda. CS 1368 (2001) e 1373 (2001) • Subsidiariedade: impossibilidade de repelir a agressão através dos meios lícitos (das NU) • Apenas contra Estados ou contra outros sujeitos (OI e mesmo outras entidades . A legítima defesa do art. 51º CNU) ou iminente (em vias de acontecer). 52º CVDT e Res. • Pressupostos: • ‘Ataque armado’ e ‘agressão’ (a Res. 261-265 e 327-333 O uso da força à luz do DI § Breve referência histórica – o ius belli..os tribunais internacionais penais.os tribunais internacionais económicos. . A assistência humanitária? 2.v. de acordo com o tribunal arbitral naquela previsto. A resposta a uma ‘agressão’ (Res.a convenção geral de arbitragem: sempre que as respectivas partes assumam a vontade de resolver os litígios entre si emergentes. 1368 CS de 2001)? . and no moment for deliberation”) e o problema do terrorismo internacional actual e da proliferação de ADM – a acção no Afeganistão em 2001 (Res.art. AG nº 2625(XXV). 51º CNU 3. 51º CNU • ‘direito natural’ (causa de exclusão da ilicitude) dos Estados. and leaving no choice of means. A autodeterminação dos povos? 7. 53º.os tribunais internacionais institucionais. 3314 (XXIX) da AG. 2º. Decretada pelo CS para a manutenção da paz e segurança internacionais (remissão) – o sistema de segurança colectiva internacional 2..os tribunais internacionais de direitos do homem. O estado de necessidade ou perigo extremo (referidos) 5. cit. de 1974). de 1974 4. overwhelming. § a doutrina Webster (“[n]ecessity of that self-defense is instant. ob. de 1970. A legítima defesa (individual ou colectiva) – art. • A utilização lícita da força: 1.

O papel das NU. (…) the greater the threat. even if uncertainty remains as to the time and place of the enemy’s attack” – National Security Strategy.1914) à ‘doutrina Bush’ (“We must adapt the concept of imminent threat to the capabilities and objectives of today’s adversaries. • A manutenção de forças armadas no território de um Estado violando as condições do acordo ou para além da vigência deste. ou a sua utilização de qualquer outro modo violadora da Carta. Há um presunção iuris tantum de que a primeira utilização de força constitui um acto de agressão. 2002) . a ocupação ou anexação de território resultante de tal ataque. Dificuldades. à luz das circunstâncias relevantes (entre as quais. grupos. a integridade territorial ou a independência política de um Estado (ou grupo de Estados). não o considerar como tal. imediata comunicação ao CS. O regresso da ‘guerra justa’ (causa justa. • Um ataque às forças armadas de outro Estado. antecipatória?. de 1974 – estabelece princípios gerais para a sua definição. O dever de prevenir a proliferação de ADM e o combate ao terrorismo. último recurso). • A permissão do uso do território nacional a um Estado para perpetrar uma agressão a outro Estado. intenção justa. • O bombardeamento pelas forças armadas ou o uso de quaisquer armas contra o território de um Estado. Anexo à Res. 4º): • A invasão ou o ataque com forças armadas ao território de outro Estado. 1º) – consiste no uso da força contra a soberania. • O envio pelo Estado ou a seu mando de bandidos armados. 3º fornece um elenco não exaustivo (art. repressiva? (acção directa?) Requisitos: proporcionalidade. a acção norte-americana no Sudão em 1998. O art. autoridade legítima. o facto de os actos em causa ou as suas consequências não serem de suficiente gravidade). O CS pode. Exemplos: as acções de Israel em 1967 e em 1981. irregulares ou mercenários que levam a cabo acções armadas contra outro estado de tal gravidade que se possam • • .• • • Tipos – preemptiva. As acções de “targeted killing” de Israel e dos EUA § A ‘guerra preventiva’ (guerra ou prevenção/repressão criminal internacional por meios bélicos?). Noção de ‘agressão’. interceptiva. the greater the risk – and the more compelling the case for taking anticipatory action to defend ourselves. da AG 3314 (XXIX). possibilidade razoável de sucesso. ainda que admitindo que “the question of weather an act of aggression has been commited must be considered in the light of all the circumstances of each particular case”: • Princípio geral (art. 3. A questão do excesso de legítima defesa e a responsabilidade internacional Carácter provisório: cessa logo que o CS adopte medidas § a legítima defesa preemptiva e uso da força preventivo – da ‘doutrina Root’ (prevenir “a condition of affairs in which it would be too late to protect itself” . ‘Guerra justa’ e ‘guerra humanitária’ (remissão) – a resposta às ‘emergências globais’. • O bloqueio dos portos ou da costa de um Estado.

O ‘Draft Code of Offenses against the Peace and Security of Mankind’. De acordo com o § 201 caberiam. . 39º CNU). the intervention by the authorities of a State in the internal affairs of another State. or the toleration of a State of organizaed activities calculated to foment civil strife in another State. contra-medidas que envolvessem o uso da força). de não exaustivo. would have been classified as an armed attack rather than as a mere frontier incident had it been carried out by regular armed forces. que não está vinculado pela Res. nº 1. al. o que confirma a incerteza em torno deste conceito. But the court does not believe that the concept of ‘armed attack’ includes not only acts by armed bands where such acts occur on a significant scale but also assistance to rebels in the form of provision of weapons or logistical support.A determinação da sua existência (e. or of other restrictions of the same character. ia mais além e considerava um delito contra a paz e a segurança da humanidade formas de ‘agressão indirecta’ que vão para além de g) e que foram recuperadas recentemente: “the undertaking or encouragement by the authorities of a State of activities calculated to foment civil strife in another state.) – distinção (tendencial irrelevância) . by means of acts contrary to international law. não fornece uma definição que seja simultaneamente objectiva e abrangente. or on fortifications. § De acordo com a resolução há uma tendencial equiparação entre agressão e ataque armado (“aggression is the most serious and dangerous form of the illegal use of force”). 3314. acts by the authorities of a State in vilolation of its obligations designed to ensure international peace and security by means of restrictions or limitations of armaments. não está definido o crime de agressão tendo-se remetido para a Assembleia do TPI a sua definição.Uma ‘guerra de agressão’ é um crime contra a paz internacional e acarreta responsabilidade internacional. Acarreta responsabilidade penal dos seus responsáveis individuais – art. or on military training. by means of coercive measures of an economic or political character in order to force its will and thereby obtain advantages of any kind”. Porém. ou o envolvimento substancial nos actos levados a cabo por ‘rebeldes’ contra o Estado § além. or amount to intervention in the internal or external affairs of other states”. a sua definição concreta) cabe ao CS (art. because of its scale and effects. o que permite defender que é-lhe aplicável a legítima defesa (mesmo quando não é um ‘ataque armado’ convencional). nos termos do ERTPI. 35º. the annexation by the authorities of a State of territory belonging to another State. . Manutenção da paz e segurança internacionais § Situação e conflito (art. nº 2. adoptado pela CDI em 1954. Such assistance may be regarded as a threat of use of force. or the toleration by the authorities of a State of organized activivities calculated to carry out terrorist acts in another state. portanto. etc. the undertaking or encouragement by the authorities of a State of terrorist activities in another State. nos termos do 5º. d). 34º. Porém a decisão do `TIJ no caso ‘Nicarágua vs EUA’ (§ 194-95 e 201) parece mais restritiva (“if such an operation. 5º.equiparar aos actos anteriores. porventura.

violação da paz ou um acto de agressão – cap.Intervenção da AG – arts. recomendações (art. 678 (1990). 24º.). Vectores: 1. VII (arts. de 1950. VI (arts. VI e VII. 34º) • Medidas provisórias (art. • Realização de acções militares de imposição da paz (art. de 1982 (‘Manila Declaration) sublinha a importância da AG para a resolução de conflitos . 39º) • Medidas não militares (art. na interdição aérea sobre a Bósnia em 1993 – Res. 33º. • Operações de Paz . 99º e 100º) sob o mandato do CS – diplomacia ou acção preventiva. nº 2). Remissão • Operações de peace-enforcement (arts. – Medidas: • Inquérito (art. AG 377(V).Intervenção do CS: ‘convite’ (art. forças de interposição. 26º e 41º) – política preventiva geral . § Res. peace-building (ajudar a criar estrutras de ‘governance’ eficazes). A acção repressiva quando se verifique uma ameaça à paz.Medidas de peace-making (concretização da paz). A regulamentação dos armamentos e a promoção do desarmamento (arts. - . 98º. 2. violação da paz ou acto de agressão compete ao CS (art. § Res. AG 43/51 de 1988 sublinha o papel do SG 3. AG 37/10. Estas medidas têm uma latitude muito vasta (desde missões de observação. Há um Gabinete para o Desarmamento integrado no Secretariado.Há uma Comissão para o desarmamento associada ao CS. etc. 39º e 41º e 42º) – visam ‘musculadamente’ garantir a paz conseguida ou restabelecer a paz violada. são multidimensionais e são de difícil enquadramento entre os caps. § a Res. inquérito (34º). 36º. São numerosas as convenções promovidas que limitam os armamentos. . 40º) • Recomendações (art. Algumas têm-se traduzido em autorizações aos Estados para intervirem – assim aconteceu na guerra do Golfo de 1991 – Res. 42º) – nunca foi concretizado. 39º) § Pode ser inter-estadual ou intra-estadual. AG 44/21 de 1989 (exorta os Estados a proceder a cooperar no quadro das NU). nº 1) . a Res. nºs 2 e 3 (limite do 12º): recomendações aos Estados e/ou CS.Intervenção do SG: desenvolvendo ‘bons-ofícios’ ou mediação (arts. peacekeeping (manutenção da paz). 11º. A acção preventiva das NU em conflitos ou situações que possam “vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais” – cap. A ‘Agenda para a Paz’ de Boutros-Ghali e a ‘diplomacia/acção preventiva’. 781 (1992) e 816 (1993) • As operações de paz e o peace-enforcement – As NU já levaram a efeito mais de 60 operações de paz. 33º e ss) – acção preventiva concreta com o objectivo de impedir a escalada da situação ou do conflito.Com a CNU instituiu-se um sistema de segurança colectiva – art. 41º). 39º e ss) – Determinação da existência de uma ameaça à paz.

embora sejam quase sempre multidimensionais. cabendo numa interpretação extensiva do art. Pressupõem o consentimento das partes no conflito ou do Estado local. • Nos últimos anos. VI (conflitos ou situações que podem vir a constituir uma ameaça à paz e segurança internacionais). ou para apoiar a transferência de autoridade. • Operações de peacebuilding. Para a sua efectivação foi criada a Peacebuilding Commission. dada a instabilidade e insegurança vivida em alguns dos cenários das missões. VI. pode ser difícil distinguir do ‘peace-enforcement’. securitária. 37º CNU. de 1962. o CS. passando pelo consentimento dos Estados envolvidos. A primeira teve lugar no final do conflito israelo-árabe de 1948 (missão de observação no final do conflito).– – A competência para a sua aprovação é do CS. não têm carácter coercivo e são parte de um quadro mais vasto de pacificação que activamente envolve as partes de um conflito. considerando haver uma ameaça à paz ou segurança internacionais (legitimando a utilização da força. Era a interpretação tradicional. no que se qualifica como uma ‘defesa próactiva do mandato’). O critério distintivo continua a ser o seu carácter não coercivo. destinadas a manter a paz (antes da eclosão aberta de um conflito ou após o fim do conflito). policiais e civil e visam contribuir para a resolução da situação. reconheceu a sua validade). embora o CS nunca tenha feito tal enquadramento. Esta vertente de peacebuilding é fundamental na construção de uma paz a longo-prazo. não se limitando a um tipo: • Operações de peace-making num conflito em curso. – . não visavam contribuir para a resolução do conflito. São multidimensionais e o seu âmbito é fixado no mandato do CS. • Podem ter lugar ainda no quadro do cap. Só ocorrem após um acordo cessar-fogo ou um acordo de paz. etc. destinadas a fortalecer as estruturas de ‘governance’ política. ainda que a sua imposição só possa ter lugar no quadro do cap. • Operações de peacekeeping. VII. É difícil o enquadramento das operações de paz – caps. “Certas despesas das NU”. Em concreto. envolvendo simultaneamente dimensões militares. Quando sejam ‘robust peacekeeping operations’ admitem o uso táctico da força para garantir o cumprimento do mandato. “policial”) ou puice-building (político-administrativa) no interior de um Estado após o fim de um conflito e destinadas a impedir o seu ressurgimento. jurídica e económica (em menor grau) que permitam uma paz duradoura e o desenvolvimento. Podem ser missões de peace-keeping (de natureza securitária preventiva. Integram-se numa escala gradativa. no presente têm um carácter mais vasto e complexo. tem invocado a base do cap. Neste caso. VII. Passam por uma fase diplomática de aproximação das partes e de negociação de um acordo – ‘diplomacia preventiva’. VII e VIII (o Parecer do TIJ. Inicialmente eram missões militares de observação do cessarfogo e de interposição.

g. para a implementação da paz). O consentimento das partes não é necessário (têm sido levadas a cabo por Estados . nº 1 (exs. pois envolvem a utilização de força militar. normalmente com autorização do CS .art. que é apoiado pelo ‘trio’ Representante Especial/Coordenador Residente/Coordenador Humanitário Não têm funções humanitárias. – imparcialidade. 2ª parte) • Qualquer acção empreendida ou projectada nesse quadro regional deve ser informada ao CS (art.cap. – multinacionais. após a intervenção ocidental para protecção dos curdos iraquianos. • • 4. VIII (arts. caso Equador/Colômbia recente). – utilização da força apenas em legítima defesa ou para garantir o mandato.52º a 54º CNU) • São permitidos – art. sem prejuízo das competências do CS – art. VIII (o que se vai passar no Kosovo. em 1971. Intervenções humanitárias e uso da força • A primeira situação que despoletou a questão da intervenção humanitária foi a Guerra do Biafra (1967-1970). VII. dependendo da vontade de participação dos Estados. – multidimensionais (administrativas/policiais/militares). – a sua organização e direcção compete ao SG (o responsável efectivo é o Sub-Secretário Geral. O conceito de intervenção humanitária foi desenvolvido por Mario Bettati já nos anos 80. . 52º. com a passagem da UNMIK para uma missão sob a EU). OEA. • Princípios fundamentais das operações de paz: – consentimento do Estado ou das partem em conflito no quadro de um processo de paz. 54º) • A Res. 1ª parte. NATO. podendo ter lugar num quadro regional. nº 1. Os sistemas de segurança regionais – Cap. – temporárias. nº 1.caso da interdição aérea na Bósnia). missão no Darfur) ou num outro quadro de cooperação internacional. nº 2 • Podem ser utilizados para levar a cabo as acções repressivas do CS decididas ao abrigo do 42º . etc…) • A solução pacífica dos conflitos deve ser procurado nesse âmbito antes de ser submetida ao CS (v. Ganhou projecção nos anos 90. do CS 1631 (2005) prevê a cooperação das NU e das organizações regionais para a manutenção da paz e segurança internacionais. embora facilitem a acção das organizações que desenvolvem essa missão As operações de paz não são um exclusivo do CS. 53º. que levou à criação dos MSF. misto (v. 52º. • Outras acções repressivas dessas organizações devem ser autorizadas pelo CS (art. 53º. – natureza não coerciva. UEO. incluindo de tipo estratégico.g.§ Operações de peace-enforcement (estas só podem ser baseadas no cap.

1674 (2006) do CS (‘Protecção dos civis’). reactiva ou reparadora). A partir dos anos 90. Haiti – 1994. fruto de uma açção deliberada do Estado local. O conceito de ‘R2P’ foi definido em 2001 pela International Commission on Intervention and State sovereignty (instituída pelo governo do Canadá) – estabelece um ‘código de conduta’ para intervenções humanitárias. acolhe a sugestão do SG de implementação de corredores para assistência alimentar e medicamentosa. Res. A Res. AG 45/100. 794 (1992) a intervenção de forças militares dos Estados para instituírem um ambiente que permitisse a assistência humanitária. Politicamente não tem encontrado grande eco. 1706 (2006) do CS (Sudão). ao abrigo do VII. indo os seus instrumentos dos tradicionais meios político-diplomáticos de pressão. de 1988. VI e VII) Mais do que a sua admissibilidade. ou. que nos anos 90 foram particularmente activos nesse domínio (Somália – 1992. A ‘R2P’ é um conceito multidimensional (pode ser preventiva. embora tenha sido acolhido na Declaração da United Nations World Summit. 929 (1994) para o Ruanda). Além de controvertida juridicamente. sublinha a necessidade da assistência humanitária. VII e VIII – a intervenção armada só pode ter lugar no âmbito dos caps. O primeiro reconhecimento jurídico da legitimidade da intervenção é dado pela AG. etc. A intervenção humanitária visa responder a violações massivas de direitos humanos. O seu enquadramento na Carta não é consensual (caps. pelo menos. a intervenção preventiva. sejam genocídio. subsidiariamente à AG . mas salvaguarda a soberania dos Estados. em primeira linha ao CS (caps. em última instância aos Estados num quadro multilateral (cap. até eticamente tem sido questionada.• • • • • • • • • • Distinguem-se das operações de paz. A legitimidade caberia. O direito de ‘intervenção armada humanitária’ esteve presente na política dos EUA (‘doutrina Clinton’). de 2005 (§ 138 e 139). Kosovo.Res. considerando os desastres humanitários “ameaças à paz e segurança internacionais”. da sua negligência ou da sua incapacidade para impedir o desastre humanitário (caso dos Estados falhados). passando pela intervenção judiciária (v. de 1990. Desde aí o reconhecimento encontra-se em decisões concretas – Res. mas a sua decisão unilateral por Estados é particularmente controversa. com o acordo dos governos dos Estados afectados pelo desastre. Ao seu abrigo justificar-se-ia o uso da força contra o Estado que não protege os cidadãos. embora estas não deixem de ter um vector humanitário. a criação dos tribunais penais internacionais). Na Somália autorizou (Res. da AG 43/131. O conceito de ‘intervenção’ é muito amplo.g. O CS já autorizou intervenções armadas humanitárias (vg. muito menos da intervenção armada. permitem a acção das organizações de assistência humanitária. O CS teria legitimidade para decidir. mas não há um acolhimento genérico explícito. no quadro da NATO – 1999 ). até à acção armada. VI. 377(V). . económicos. fora de restritos círculos ocidentais e africanos (o G-77 condena-a). Res. várias questões concretas se levantam: delimitação da causa. VIII). ganha terreno a defesa da ‘intervenção armada humanitária’. limpeza étnica ou outros. sendo muito controversa a legitimidade dos Estados Intervenção humanitária – direito ou dever? A intervenção humanitária como ‘R2P’ (‘Responsability to Protect’). A Res. VI e VII). Implica a prerrogativa do uso da força contra os Estados.

sobretudo dos Estados. sem deveres e a todo o tempo revogável. a protecção é um dever da comunidade internacional e dos Estados (o que já estaria reconhecido em relação ao Genocídio na Convenção de 1949 – cf. a consagração de uma legislação comum a todos e a igualdade entre todos os cidadãos.conduzida pela autoridade soberana (auctoritas principis).pois o castigo só se impunha havendo uma relação de subordinação – e da guerra de extermínio (bellum internecinum) ou de subjugação . nºs 4 e 7 CNU). -a fundação de uma federação livre dos Estados. com várias opiniões de autores sobre esta problemática que de comum tinham o estabelecimento de condições para a sua legitimidade. . A condenação internacional da guerra A evolução ético-doutrinal clássica Bacelar Gouveia: O tema do uso e condenação da força tem sido especialmente analisado sobre a perspectiva filosófico-jurídica e pela perspectiva jurídico-internacional. enquanto Tomás de Aquino introduziu uma dimensão de subsidiariedade. em especial dos 5P no CS.acompanhada por uma justa causa (causa iusta). pois todos os cidadãos deveriam gozar de um direito de visita dos territórios alheios. com a adopção de três condições fundamentais para se alcançar tal intento: . dando à guerra três características: . Com a igualização das relações internacionais depois da Paz de Westefália. A sua violação poderia acarretar responsabilidade. Segundo o R2P. num primeiro momento. . Há que reequacionar os conceitos? Entra-se aqui na discussão da ‘guerra justa’ e a condição da ‘autoridade legítima’ é a mais problemática. com respeito pela liberdade dos respectivos membros. Do ponto de vista filosófico-jurídico o uso da força é uma necessidade de protecção dos sujeitos internacionais. O pensamento cristão enquadrou ética-juridicamente a guerra justa: Santo Agostinho defendia aquela que se exercia em defesa da paz contra a agressão ou para o seu restabelecimento.a existência de uma Constituição Republicana . ao nível doutrinal e político. e . A relevância jurídica da guerra situou-se. 2º. mas sem que se deixe de questionar em que circunstância o lançar mão da guerra se consideraria admissível.a imposição de regras limitadas às condições de hospitalidade universal. Kant defende a necessidade de abolir a guerra através da adopção de um estado de paz que implicava uma intenção específica. Ac. TIJ de 26/2/2007. São ainda de recordar dois pontos: a) proibição da guerra punitiva (bellum punitivum) . surgindo intimamente ligado à defesa das soberanias então emergentes já como um dos direitos dos Estados. “nacionalizou-se” também o conceito de guerra. Bósnia vs Sérvia e Montenegro).• • • O seu enquadramento entre ‘ingerência humanitária’ e a ‘guerra humanitária’. 25º PAREFI.desde que devidamente animada pelas boas intenções por parte de beligerantes (recta intentio). desde que não o utilizassem para práticas hostis. Seja enquanto direito ou dever o conflito com a ‘soberania’ ou o ‘domínio reservado’ é óbvio (art. Seria possível equacioná-la como causa de exclusão da ilicitude ao abrigo do ‘estado de necessidade’ – art. que os integrasse na cena internacional.

Formou-se a convicção de que a decisão de fazer a guerra. b) limitação dos meios de fazer a guerra defensivo àqueles que não impedissem o exercício da cidadania. . O primeiro momento aconteceu em 1907 na 2ª Conferência de Haia. deveria ser filtrada por uma instância internacional. o uso da força só se considerava permitido como legítima defesa ou como medida de coerção para repelir as mais graves violações de DI. não foi estabelecido qualquer mecanismo sancionatório para punir o respectivo incumprimento.51º da CNU): . O segundo momento aconteceria no texto do PSDN.a moratória de guerra no âmbito do Pacto da Sociedade das Nações. a Parte I do Tratado de Versalhes. concebendo-se a primeira limitação geral ao direito de fazer a guerra.as medidas adoptadas ou autorizadas pelos órgãos competentes da ONU para manter ou estabelecer a paz e a segurança internacionais (art. assentando o DI.a renúncia geral ao uso da força no Pacto Briand-Kellog. a condenação da guerra só aconteceria no século XX. contudo. Assim. No século XX estabeleceu-se a afirmação jurídico-internacional da proscrição do uso da força. O quarto momento seria alcançado com a aprovação da CNU. A proscrição normativo-internacional No plano jurídico-internacional.a proibição geral na Carta das Nações Unidas. definindo o respectivo formalismo e as partes que o pudessem fazer. O ius ad bellum representava o sector do DI que estabelecia os termos e condições para decretar o estado de guerra. onde de estabeleceu a proibição do uso da força através das represálias no caso de entre os Estados haver dívidas não pagas. É afirmado o monopólio do uso da força a cargo da ONU. relevando à comunidade internacional no seu conjunto. sendo uma das suas disposições o facto de os Estados partes aceitarem que o uso da força deixava de pertencer à respectiva capacidade jurídico-internacional. São também formalmente previstas certas excepções: . consagrando-se um direito dos Estados de recorrer à força no âmbito das relações internacionais. . distribuída por quatro momentos: .a proibição do uso da força na cobrança de dívidas contratuais. e . O Pacto Briand-Kellog marcaria o terceiro momento.as medidas adoptadas por organizações regionais (art. sendo as suas principais finalidades a paz e segurança internacionais. . a deliberar por intermédio do Conselho de Segurança (art2º/4 da CNU).a legítima defesa (art. O ius in bello atendia às normas que regulavam os conflitos armados. até lá.(bellum suboigatorium) – pois isso significaria a aniquilação de um Estado ou excederia o antagonismo possível só para defesa própria.42º da CNU). ao ser apenas admitida como medida de ultima ratio.as medidas adoptadas contra anteriores Estados inimigos (arts 107º e 53º/1 da CNU). no âmbito de uma relação obrigacional. na convicção de que haveria uma ordem normativa no meio do caos que um conflito bélico sempre pressupõe.52º/1 da CNU). . condenando-se explicitamente a guerra como instrumento de política internacional. que selaria o fim da I Guerra Mundial. . numa dicotomia fundamental entre ius ad bellum e ius in bello.

. numa fronteira entre as disposições de cada um daqueles capítulos. Assim. . também admitidas. a partir da guerra fria. . . a 4º fase de renascimento.a existência de um cessar-fogo. originando operações de paz de duas categorias distintas: . são funções das operações de paz: . .Para além da decretação da força no seio da ONU. A evolução das operações de paz desde a fundação da ONU é marcada por cinco grandes fases: a 1º de cunho experimental. a 3º fase de estagnação. . foram-no apenas temporariamente. de 1948 a 1956.107º da CNU).o princípio da não utilização da força. mantendo a paz.forças restritivas. bem como o seu regresso à vida civil.dogmaticamente. na modificação de muitas das normas do DI da Guerra. mas que não exercem directamente a força. mas apoiando-se sempre no preâmbulo da CNU e no seu objectivo primordial de manutenção da paz e da segurança internacionais (art. . certas operações de paz passam a ser não só de manutenção de paz mas de imposição da paz.a existência de uma ameaça à paz e à segurança internacionais. Assim. excepto em legítima defesa.a supervisão de um cessar-fogo. rapidamente substituídas por outras. As outras hipóteses. Nos finais da década de 80.regulativamente. .a destruição de armamento.a existência de razoáveis garantias de segurança para o pessoal da ONU. As operações de paz A CNU não refere a possibilidade de a ONU decretar operações de paz.a verificação da disponibilidade de entidades regionais para implantarem uma força de paz.forças amplas. e . que implicam a deslocação de forças militares. impondo a paz. no desinteresse em que caíram estas matérias.1º/1 da CNU). a CNU pode ser interpretada através da conjugação dos capítulos VI e VII. a 2º fase de afirmação internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas apresentou os factores da decretação das operações de paz: .a existência de um objectivo político claro susceptível de ser traduzido num mandato. . e a 5º fase de expansão. de 1967 a 1973. . o tempo e as circunstâncias se encarregando de decretar a respectiva caducidade (art.a desmobilização de forças e grupos armadas. fortemente militarizadas. a solução encontrada tem sido a interpretação extensiva dos poderes literalmente previstos. compostas por um reduzido número de observadores que apenas pretendem garantir o respeito pelo acordo de paz assinado.o princípio do consentimento das partes envolvidas. as quais podem enquadrar-se nestes três princípios: . com uso de equipamento equiparável ao de um verdadeiro exército regular. de 1973 a 1988.a elaboração e aplicação de programas de desminagem.o princípio da imparcialidade dos agentes da manutenção da paz.um mandato preciso. Contudo. As operações de paz submetem-se a orientações internacionais muito próprias. o que tem por consequências: . a única possibilidade de autotutela material efectivamente aberta foi a da legítima defesa. . de 1956 a 1967. Actualmente resta muito pouco do ius belli. . e apesar de se reconhecer que não se encaixam em nenhum dos dois. que implicam a utilização de meios militares para a efectivação da paz.

prescindindo-se do respectivo consentimento. podendo corresponder a qualquer operação ou acto com o efeito de infligir um prejuízo ou dano no Estado e seus elementos fundamentais.o controlo de refugiados e deslocados. .a supervisão das estruturas administrativas existentes.o envio de grupos ou bandos armados por parte de um Estado ou em seu nome. navais ou aéreas de outro Estado. .a coordenação de apoios em vista da reabilitação económica e da reconstrução nacional. incluindo o emprego que quaisquer armas. praticando actos armados de gravidade equiparada à dos actos anteriormente referidos. .a permissão dada por um Estado de utilizar o seu território para empreender uma acção armada contra um terceiro Estado. com o objectivo de evitar o recomeço das hostilidades. supervisão e organização dos actos eleitorais. . . .o uso das forças armadas localizadas no território de outro Estado sem consentimento deste ou o prolongamento da sua estadia sem esse consentimento. . contudo. . . numa listagem exemplificativa: . . incluindo a ocupação militar e a anexação. e lançando os caboucos de um futuro Estado.a observação. . legislativas e eleitorais.o bombardeamento por forças armadas de um Estado do território de outro Estado. . . fugindo dos conceitos clássicos. .consolidação da paz (peace building): o conjunto de medidas destinadas a fortalecer as estruturas do Estado.a verificação do respeito pelos direito humanos. É noção de ataque armado tornou-se. . noção que integra a prática de um acto ilícito contra os bens dos sujeitos internacionais. . .diplomacia preventiva (preventive diplomacy): o conjunto de medidas destinadas a evitar que diferendos se agravem.manutenção da paz (peace keeping): o conjunto de medidas destinadas a garantir a presença de forças da ONU através de efeitos militares ou policiais. com o uso dos meios pacíficos. . aumentando de tensão ou degenerando em conflitos armados. Os pressupostos da legítima defesa relacionam-se com a existência de um “ataque armado”.a invasão ou ataque por forças armadas de um Estado sobre o território de outro Estado. A excepção da legítima defesa internacional A CNU expressa-se sobre a legítima defesa internacional e respectivas limitações no seu artigo 51º.o ataque por forças armadas de um Estado contra as forças armadas terrestres.o bloqueio dos portos ou das costas de um Estado pelas forças armadas de outro Estado. As operações de paz podem ser sintetizadas em: .o estabelecimento de novas forças armadas ou policiais. bem como elementos civis..imposição da paz (peace enforcement): o conjunto de medidas destinadas a garantir a presença de efectivos militares e policiais da ONU para impor a pacificação das relações entre as partes em conflito. Deste modo. difusa.estabelecimento da paz (peace making): o conjunto de medidas destinadas a alcançar um acordo entre as partes. bem como contra a sua frota mercante.a prestação de auxílio humanitário. a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução tipificando diversos casos em que tal conceito se consideraria verificado.a elaboração de reformas constitucionais.

sendo a legítima defesa própria. Bibliografia: • Jorge Miranda. ob. pp. ou por Estados terceiros.subjectivamente: a legítima defesa pode ser levada a cabo pelo próprio Estado que seja destinatário do ataque armado. .procedimentalmente: o exercício da legítima defesa é sempre provisório.objectivamente: a acção de resposta em legítima defesa está internamente limitada ao não poder surgir fora do contexto que venha a ser recortado pelo princípio da proporcionalidade. cit. .. realizando a legítima defesa alheia.Os efeitos da legítima defesa consistem na aplicação do uso da força com o objectivo de repelir o ataque armado: . devendo terminar logo que o Conselho de Segurança tome as medias que considera apropriadas. 265-281 . proibindo-se o excesso de legítima defesa.

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