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A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS;.

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS;.

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Reportagem A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA A PRODUÇÃO DE TEXTOS / Patrícia Ferreira Bianchini Borges Carneiro (2001:9): “Todos, escritores, ou não

, são unânimes em apontar as dificuldades da tarefa de escrever. Muitos a consideram um aprendizado demorado, dispendioso e pouco eficiente, já que são poucos os que chegam a redigir textos de forma adequada. Outros afirmam que escrever é lutar inutilmente contra as palavras, pois parecem nunca atingir plenamente os objetivos pretendidos. Além do mais, no nosso cotidiano, a língua falada parece ocupar um espaço de maior prestígio – jornais falados, mensagens gravadas em fitas, telefonemas, etc. substituem tradicionais meios de comunicação que utilizam a língua escrita. Diante desse cenário, cabe a pergunta – Ainda vale a pena aprender a escrever? A escola parece acreditar que sim, já que ainda prioriza a escrita... Mas de onde vem essa importância? Por que, apesar das dificuldades, alguns ainda acham que devem continuar a defender o seu ensino?” O texto, transcrito acima, faz parte da introdução do capítulo ‘’Para que aprender a escrever?’’, o qual parece apropriado para o início de uma reflexão acerca desse assunto. ‘’Escrever é falar no papel.’’ Esta é uma frase, retirada do livro de Donald Weiss, “Como Escrever com Facilidade”; no qual o autor assegura que o medo acaba inibindo pessoas alfabetizadas de escrever. Já que escrever é falar no papel, o primeiro passo, segundo ele, para perder este medo é escrever como se estivéssemos falando. Escrever sem medo e sem preguiça, fazer vários rascunhos, ler em voz alta o texto escrito para descobrir as falhas (sub-vocalização) são técnicas indispensáveis; e o restante advém da coragem de não ter medo de errar e de ser criticado por alguém que nunca escreveu nada, mas que está sempre pronto a destruir a criatividade do outro. Na escola, uma grande dificuldade enfrentada pelos alunos com relação ao escrever refere-se à necessidade que eles têm de deixar a linguagem coloquial, “aquela do dia-a-dia”, e passar a se expressar por escrito, numa linguagem mais formal e mais cuidadosa. A fala por ser mais espontânea, menos cerimoniosa e com certeza mais fácil que escrever, e pelo fato de a escrita ter normas próprias (ortografia, acentuação, etc.), a falta de um interlocutor à sua frente exige deles que obedeçam a essas normas. Outra questão muito comum entre os alunos é dizer que aquele dia “não estão inspirados”, que não vão conseguir escrever. Esta afirmação, para Gustavo Ioschpe, jornalista da Folha de São Paulo, não tem fundamento, pois garante que ‘’além do 1% de inspiração que está no DNA de qualquer aspirante a Shakespeare, o que é determinante são os 99% de transpiração”. Outra grande referência é a opinião de Garcia (2002:301) que assegura: ‘’aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, 1

À primeira vista. como "funciona" o código e para que ele sirva quando colocado em funcionamento introduz o risco de empobrecer. autênticos e socialmente significativos. através de atividades que exijam reflexão e produção de um novo texto. a relação entre a expressão sonora das palavras e sua forma gráfica exceções à parte . propiciar condições para o aluno exercitar-se na arte de pensar. coerentes e objetivas.’’ Considera ser ilusório supor que se está apto a escrever quando se conhecem as regras gramaticais e suas exceções. carregados de sentido são impróprios para colocar em evidência as relações que ligam as letras e os grupos de letras escritas aos sons orais. não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprisionou. textos ricos. A descoberta do princípio alfabético exige a manipulação de segmentos curtos e cuidadosamente escolhidos para uma ilustração precisa. com seu apelo facilitador à inteligibilidade do mundo. utilizar seus recursos. que permitirá a ele adquirir certos hábitos de estruturação de frases modestas. já a tomada de consciência da diversidade dos escritos e de suas finalidades individuais e sociais exige escritos ricos. a partir de um mesmo suporte escrito. enfrentando-o. Fazer compreender. variados. e mesmo perverter uma das duas tarefas: textos muito curtos. Mas é preciso ter em conta que a língua escrita é um "código derivado" da língua oral. Freqüentemente. pontuação. Subjacente à relação não arbitrária entre a forma ortográfica e a forma fonológica há um princípio que o aluno deve descobrir: o alfabético. Considerando a produção de textos na escola. pode-se pensar que cada palavra escrita é objeto de uma "convenção" que associa arbitrariamente. diferente. em contrapartida. e para alcançar esse objetivo. captar e criar suas próprias idéias. insípidos. uma forma gráfica específica a um sentido específico. como se fosse uma verdadeira obra de arte.não é. dirigir uma proposta política/ética/estética ao aluno. tenta-se conciliar o inconciliável: fazer compreender como funciona o código escrito pela descoberta do princípio alfabético e fazer descobrir as finalidades e as questões envolvidas na leitura usando os mesmos textos. um aluno precisa de um mínimo de gramática indispensável (grafia. deve-se utilizar a criatividade. mas claras. um pouco de morfologia e sintaxe). Evidentemente. pois. sempre considerando e usando “A PALAVRA” como veículo de expressão do pensamento. estar em seu meio e a partir dele.aprender a encontrar idéias e a concatená-las. embora se isto não seja suficiente. no ensino da leitura. Estes dois objetivos complementares exigem que os alunos apóiem-se sobre suportes escritos de dimensões e de natureza muito diferentes. 2 . pode-se dizer que cabe aos educadores. sem ambições semânticas e sem significado social não podem revelar a um aluno o que é ler. assim como não é possível dar o que não se tem. para integrá-lo a uma compreensão de mundo que vise à interação com tudo que esta carrega de coerências e contradições. o qual disputa terreno com a tradição escrita. Ao colocar-se o ler e o escrever ainda como desafios. portanto. deve-se ter em mente que formar o leitor é também compreender e conhecer esse modo de ser oral de nossa cultura urbana. desenhando através da “ARTE DA PALAVRA ESCRITA” um texto original. sem negá-lo ou ignorá-lo. Situá-los nesse ambiente de turbulência cultural. Se a relação entre a expressão sonora das palavras e o seu sentido é arbitrária.

Formando leitores dentro das diferentes naturezas da linguagem escrita e visual. no segundo. desejos e reflexões. sensações de maneira clara. informações) a serem colocados no papel. conceitos. tão urbana e tecnológica. Os pensamentos dos outros não substituem os seus próprios pensamentos. não menos importante. No primeiro momento. conceitos e informações para que possam obter o resultado desejado em sua produção textual. Ruminem. agregando ao ato solitário da leitura do texto escrito o movimento de luz e sons. opiniões. mais especificamente na sala de aula. informações. coesa e coerente com aquilo que se deseja e cabe ao professor ensinar-lhes a selecionar e manipular tanto palavras e frases como idéias. que se constitua num espaço cultural capaz de instigar/sugerir/convocar certos conhecimentos. atitudes. Um livro não é para poupar-lhes o trabalho de pensar. Somente os seus pensamentos estão vivos em você. sentimentos. Os alunos devem estar convictos de que escrever é expressar idéias. 3 . É para provocar o seu pensamento. valores. Uma orientação eficiente para a prática de produção de textos.Professores podem e devem planejar um ambiente. no interior da unidade escolar. resgatando e/ou apresentando habilidades de estruturação do texto que permitam tecer microestruturas eficazes para se conseguir um texto coeso e coerente com as idéias e intenções do autor. em que estão inseridos. Depois de ruminar. na escola. Para encerrar uma apropriação das sabias palavras do grande mestre Rubem Alves: “Bom seria que o professor dissesse aos seus alunos – Leiam esse livro. deve envolver procedimentos fundamentais distribuídos em dois grandes momentos: o que antecede e o que coincide com o ato de escrever. motivando e formando alunos/leitores. escrevam os pensamentos que vocês pensaram. em sua dimensão tanto física quanto social. provocados pelos pensamentos do autor. deve-se preocupar com o modo de fazê-lo. há que se orientar na busca de conteúdos (idéias. mesmo dentro dessa sociedade. propriamente dito.

como gestos ou expressões faciais. ou até mesmo de mudar o curso da conversação. O conhecimento da situação facilita a produção oral. ele deve ter claro que há diferenças marcantes entre falar e escrever. Na linguagem oral o falante tem claro com quem fala e em que contexto. de pedir esclarecimentos. é ativo. Para lutar contra esses fatores obrigatórios se faz aguçar a capacidade de interpretação. Qual o contraste apontado? 4 .A modalidade escrita da língua: sua estrutura O ato de escrever prescinde de organização do pensamento aliada à capacidade de aproveitar recursos expressivos da língua na interpretação da realidade que se pretende comunicar. isto é. Os problemas começam a surgir quando esse aluno tem necessidade de expressar formalmente e se agravam no momento de produzir um texto escrito. tais como regras de ortografia – que. Nesta última situação. Ulisses (1998. Texto para estudo – Transcrição de INFANTE. Nesse ato muitas vezes instalam-se dificuldades de várias ordens: timidez falta de assunto. No interior de texto devem existir elementos que estabeleçam ligações entre as partes. Entretanto. É necessário preocupar-se com a constituição de um discurso. só fazendo sentido quando consideradas em relação umas com as outras. Escrever não é apenas traduzir a fala em sinais gráficos. é preciso ter em mente a figura do interlocutor e a finalidade para a qual o texto foi produzir.O primeiro parágrafo nos fala da capacidade de expressão dos alunos. p. que se deve organizar de forma a garantir sua intelegibilidades. A escrita tem normas próprias. presente fisicamente. Para que esse discurso seja bem-sucedido. a simples utilização de tais regras e de outros recursos da norma culta não garante o sucesso de um texto escrito. elos significativos que confiram coesão ao discurso. 1. saber que escrever é diferente de falar. O texto escrito A luta que os alunos enfrentam com relação à produção de textos escritos é muito especial. de usos de tempos verbais. de questionamento. O falante pode ainda recorrer a recursos que não são propriamente lingüísticos. deve constituir um todo significativo e não fragmentos isolados justapostos. É preciso saber “o que” e “como” escrever. além disso. também.88-90). Em geral. não é marcada na fala-. Considera-se coeso o texto em que as partes referem-se mutuamente. métodos e muitas outras. Não basta. tendo possibilidade de intervir. Na linguagem escrita a falta desses elementos extratextuais precisa ser suprida pelo texto. de pontuação. de concordância. entendido aqui como um ato de linguagem que representa uma interação entre o produtor do texto e o seu receptor. eles não apresentam dificuldades em se expressar através da fala coloquial. evidentemente. Nela o interlocutor. de análise num processo que resulta na produção de conhecimentos. O fato de um texto escrito não ser satisfatório não significa que seu produtor tenha dificuldades quanto ao manejo da linguagem cotidiana e sim que ele não domina os recursos específicos da modalidade escrita.

Releia o quarto parágrafo e responda: O que é discurso? ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4.Um texto escrito mal formulado não representa necessariamente falta de domínio da linguagem cotidiana. Justifique essa afirmação com base no terceiro parágrafo.O que é um texto coeso? --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------5 . ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.

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