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implementação da mão de obra indígena e africana no brasil colonial

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES

O TRABALHO NA COLÔNIA
A IMPLENTAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA INDÍGENA E AFRICANA NO SÉCULO XVI

Disciplina: História do Brasil I Profª: Adriana R Aluno: Thalles Ogeny Ferreira

Julho / 2008

efetivada pra valer a partir dos anos 30 do século XVI. viam a escravidão destes povos como um empecilho significativo para o cumprimento desta missão. repleto de intensas polêmicas. pois “a produção se devia organizar de modo a possibilitar aos empresários metropolitanos ampla margem de lucratividade1”. Fernando A. a relação entre índios e brancos deterioraram-se rapidamente. Na organização das tribos indígenas. a maior parte das funções relacionadas à lavoura e à agricultura era exercida pelas mulheres. Difel. dentre as principais o tronco tupi-guarani. agindo de forma 1 NOVAIS. quando os portugueses começaram a obriga-los aos trabalhos agrícolas nos engenhos. com o apresamento indígena e se seguiria com a introdução da mão-de-obra nesta terra. de onde vinham os tamoios. A historiografia sobre a escravidão no período colonial muito se modificou ao longo dos anos. Com o papel de educar e cristianizar os povos nativos. período em que se iniciou uma discussão sobre o que era o Brasil e que povos formavam esta nação. 1969. Estimam-se os povos indígenas brasileiros por volta de dois milhões de pessoas à época do Descobrimento. tendo marcos temporais como Nina Rodrigues e Gilberto Freyre. tendo em vista a abundância de terras. O historiador Fernando Novais afirma que o modo de produção escravista foi essencial para o sistema colonial. foi marcada pela forte presença e influência da Igreja Católica. Brasil em Perspectiva.Propor uma reflexão sobre qualquer tema relacionado ao início da história brasileira é fazer parte de uma grande e fantástica experiência. principal grupo representante da Igreja na colônia. os jesuítas. Carlos G. a produção seria menos rentável. sendo importante entender de maneira sucinta por que e de que forma ela se estabeleceu na colônia portuguesa no Brasil. O Brasil Nos Quadros Do Antigo Sistema Colonial. As primeiras reflexões históricas sobre este assunto surgem em meados do século XIX. in MOTTA. A colonização brasileira. divididos em várias nações. os carijós e os tupinambás. Ed. Todavia. Acostumados à caça e à pesca. O foco deste trabalho se encontra na implementação da mão de obra escrava africana em substituição à mão de obra indígena no fim do século XVI. no contexto político do Império. trazendo abordagens distintas. já que utilizando-se de trabalho assalariado/livre. . os homens não se acostumavam facilmente aos novos postos que lhes eram dados. reproduz a diversidade incrível que marcou tal período iniciado já a partir do século XVI. Refletir então sobre o tema da escravidão brasileira.

“o que os portugueses demandavam ia de encontro a aspectos fundamentais da vida e da mentalidade dos nativos2”. fugindo ou até mesmo cometendo suicídio. Num momento onde a economia açucareira começava a se expandir. Stuart. fez-se necessário um contingente cada vez maior de mão-de-obra experiente. Cia das Letras. filho de Noé. A população indígena também reagiu mal às epidemias trazidas pelos portugueses. Uma das principais justificativas era a lenda de que os povos africanos seriam. dentre outras formas de preação da mão de obra ameríndia para o trabalho na lavoura. descendentes de Cã. O historiador Ricardo Salles afirma que o desenvolvimento dessas colônias não pode ser dissociado de forma 2 3 SCHWARTZ. Gênesis 9:20-27. que superasse a suposta debilidade física indígena. determinou a reação dos indígenas às demandas européias. Sua vinda para o Brasil foi peça fundamental para a economia colonial. Segredos Internos. a questão econômica foi fundamental no que se refere à entrada dos africanos no trabalho compulsório das colônias portuguesas. a partir do fim do século XVI. de sociedades que utilizavam o trabalho com ferro. Mais do que os supracitados fatores sócio-culturais. segundo a Bíblia. 1992. Ed. A “guerra justa”. foi abandonada à medida que a implantação da economia açucareira foi acontecendo. dentre outras similaridades com o trabalho nas lavouras brasileiras. estavam em constante contato com o processo de produção açucareiro. todavia. havendo uma urgência. gado. Boa parte do “exército de trabalho” negro vinha da África Ocidental. característica dos primeiros contatos. para que fossem servos de seus irmãos3. Como diz Schwartz. Os africanos. Como podemos perceber. Estes fatores faziam com que constantemente se rebelassem. A escravidão africana.arredia e não aceitando a nova divisão social do trabalho. já desde o século XV. . os cananeus. pela introdução de novas forças produtivas na colônia. a visão paradisíaca do indígena. sendo a introdução do tráfico negreiro um gigantesco marco do período. era legitimada por várias justificativas. que ao zombar da nudez de seu pai teve sua prole amaldiçoada para sempre. pois a mortalidade das tribos nativas era cada vez maior e impossibilitando sua exploração na incipiente produção do açúcar. principalmente nas ilhas atlânticas e nas Antilhas.

dentre outras coisas. Antes de serem. indo até sua proibição no século XIX. retrata esta despersonalização dos africanos trazidos para a América. Alguns destes grupos mais poderosos foram grandes aliados e intermediadores do tráfico negreiro. A historiadora Kátia Mattoso. Kátia mostra que em geral o africano criava aos poucos uma nova personalidade. um novo mundo. os escravos passaram a ocupar outros encargos na sociedade colonial. Enfatizam este processo de aculturação. embora estas já não estejam presentes no recorte temporal do trabalho presente. tendo a intervenção européia e o estabelecimento do tráfico negreiro atrapalhado imensamente tal organização. mas com alguns contratempos na instalação de certas feitorias. recebendo valor financeiro e de troca. até em serviços urbanos e nas casas dos senhores de engenho. o progresso da colônia só foi grande porque teve como sustento a escravidão. Mattoso explicita como os africanos perdem seu status pessoal e ganham status jurídico. mostrando como os africanos sofreram imposições socioculturais no sistema escravista. 5 Até porque os primeiros contatos entre europeus com os africanos da costa do Atlântico não foram exatamente amistosos. mesclando os vestígios de sua cultura natal com as diversas etnias da sociedade na qual está agora inserido. em “Ser Escravo no Brasil”. Estabelecida a condição de escravo. em alguns livros didáticos defasados). trocam de nome. tendo também parte da “culpa” pela aculturação da África negra tão questionada nos dias atuais. incentivou nessas sociedades a guerra e a caçada aos seus inimigos. se perdendo em um novo Eu. de certa forma. fonte direta e indireta de lucratividade4. Ricardo Henrique. Submetidos aos batismos. Topbooks. . segundo ele. muito lucrativo para os colonizadores europeus e também para os grupos africanos dominantes. transformando-se em mercadoria. Sua participação é fundamental também na exploração das minas e nas plantações cafeeiras. Dentro dos reinos africanos. Ed. Vindo inicialmente para os exigentes trabalhos pesados da lavoura açucareira. 1996. A importância do tráfico negreiro fica muito clara quando observamos a sua trajetória e permanência na sociedade brasileira. os povos africanos não são constituídos por indivíduos sem passado e história. Este tráfico. Ao contrário do que é erroneamente propagado (até hoje. Nostalgia Imperial: a Formação da Identidade Nacional no Brasil do segundo reinado. invadidos 5 pelo colonizador europeu. existia uma hierarquia e um aparelho estatal muito desenvolvido.alguma do tráfico negreiro. desde sua captura no território africano até a chegada no Brasil. os africanos possuíam sociedade e cultura organizadas. que se baseia 4 SALLES. pois.

Brasiliense. por dominar a língua portuguesa e conhecer a terra. A autora afirma que eles eram “objeto de contradições irredutíveis entre brancos e negros” por serem de uma nova classe. peças econômicas fundamentais7. Idem. Além disso. como dito anteriormente. sugeria Vieira aos escravos 6. legitimava a escravidão negra. A Igreja. o escravo nascido no Brasil “tem mais dificuldades de assumir sua individualidade. as punições dadas aos escravos deveriam ser comedidas e merecidas. op. Já o também padre da época. Além disso. dentre eles troncos e grilhões. abrem-se uma gama de instrumentos de punições extremas comumente aplicadas aos servos. Outro discurso interessante é o do jesuíta Jorge Benci. cit. sobre as relações entre senhores e escravos. sendo de certa forma até comum que alguns senhores fossem denunciados e acusados de maus tratos para com seus escravos. “Regozijem-se”. não excluíam as possibilidades de exagero nas relações senhor-escravo. Ed. todavia. Mattoso reflete também a posição dos crioulos. Estas intervenções. Para ele. os crioulos em geral não se rebelavam em grupos constantemente. Para ele. Para o padre Antonio Vieira. Katia M. 1990. por motivos quaisquer como pequenos atrasos e faltas. Campos Da Violência. . De Q. eram considerados pelos colonizadores mais humanos que os negros africanos. pois os poderosos esperam muito mais do escravo crioulo que do africano10”. É neste contexto histórico que aparecem as primeiras visões sobre o uso da mão de obra compulsiva do negro africano. evitando agressões no rosto e em lugares visíveis. Ed. os escravos eram as mãos e pés dos senhores. Paz e Terra. De acordo com documentos encontrados pela historiografia recente em arquivos inquisitórios9. sendo até possível punição sem razão. o escravo só deveria ser punido caso realmente houvesse necessidade. 1988. escravos nascidos no Brasil e que. até porque “a solidariedade é muito mais forte 6 7 MATTOSO. os escravos negros tinham sido eleitos por Deus e a escravidão seria um sinônimo de salvação e graça divina. 9 LARA. Silvia Hunold. para que não se acostumasse com os castigos e ficasse sempre temeroso. 10 MATTOSO. Ser Escravo no Brasil. abrindo precedentes para novos incidentes. teve uma visão mais econômica e que era mais que um simples discurso legitimador.estruturalmente nas relações entre dominado e dominador. Apesar da maior pressão que sofriam de seus donos. ou seja. Antonil. 8 Ibidem. evitando assim a indiferença8.

Esta visão eugênica dos intelectuais brasileiros só encontraria mudanças a partir do segundo quarto do século XX. da linha marxista. alimentação e a cultura dos escravos brasileiros. As primeiras teorias quanto à escravidão e suas relações sociais datam do século XIX. adotando fontes peculiares e novas documentações. de movimentos pró e contra o abolicionismo. . que originavam quilombos. que se caracterizavam geralmente pela fuga de grandes contingentes de escravos. Combatendo a história factual. onde surgiria a contribuição de Gilberto Freyre no pensamento sobre a participação negra na formação do Brasil. pois. Freyre abria um novo panorama para o estudo do período colonial brasileiro. que enaltece a importância do entendimento das relações econômicas acima das sociais na explicação do regime escravista. esteve presente ao longo de todo o período em que esta mão de obra compulsória foi adotada. enfatizando apenas as questões da violência contra o negro. Historiadores como Nina Rodrigues discutiam questões como a mestiçagem e a formação do povo brasileiro. voltada para os grandes acontecimentos e nomes.nos grupos africanos do que no dos crioulos11”. Ao exaltar a importância do africano no desenvolvimento do Brasil e enfocar as diferentes relações e conciliações entre os brancos. ao contrário do apregoado pelo senso comum. A identificação entre os africanos que passaram pelos mesmos processos era bem mais evidente. sexo. Nos anos 50 e 60 do século XX. A resistência à escravidão. além de tratar temas até então ignorados como família. As manifestações individuais. surgem as críticas ao trabalho de Freyre por parte de nomes como Ciro Cardoso e Florestan Fernandes. que introduz o estudo da história cotidiana e contextualizada. manifestada de várias maneiras. 11 Idem. através de visões negativas quanto à presença do africano no Brasil. que iam desde abortos forçados até suicídios. Freyre escreveu sua grande obra. Outra questão importante a ser abordada refere-se à participação dos escravos nesta estrutura. Esta série de questões e reflexões foi e ainda é tema de diversos debates historiográficos calorosos. e promovendo o discurso da Escola dos Annales. Casa Grande e Senzala. os escravos não foram indiferentes à dominação a que eram submetidos. e as manifestações coletivas. índios e negros aqui presentes. são produtos imediatos dessa despersonalização sofrida pelos africanos.

Para estas. é preciso ter cuidado para não esquecer que a escravidão colonial brasileira se deu em diferentes formas e tempos. Todavia. é impossível negar o caráter extremamente agressivo da colônia portuguesa no país. racial e social que hoje configura o país.A partir dos anos 80 é que surgem os historiadores como Kátia Mattoso e Sílvia Lara. Refletir o período proposto através de uma harmonia entre as visões coercitivas e as conciliadoras sobre a instauração e o uso da mão de obra escrava no Brasil talvez seja a forma mais coerente de compreender a diversidade cultural. trabalhando em novas linhas e perspectivas na abordagem do escravismo negro. .

• • SCHWARTZ. História Geral do Brasil. Ed. Brasiliense. Topbooks. Ed. Campus. . Maria Yedda. Brasil em Perspectiva. Segredos Internos. Campos Da Violência. Conquista e Colonização da América Portuguesa: O Brasil Colônia – 1500/1750 in LINHARES. MATTOSO. Ed. in MOTTA. Ser Escravo no Brasil. Stuart. SILVA. • SALLES. O Brasil Nos Quadros Do Antigo Sistema Colonial. Paz e Terra. 1990. 1996. Nostalgia Imperial: a Formação da Identidade Nacional no Brasil do segundo reinado. Fernando A. 1988. De Q. Ricardo Henrique. NOVAIS. Cia das Letras. Difel. Ed. Carlos G.BIBLIOGRAFIA • • • LARA. Katia M. Ed. 1990. Ed. 1969. Silvia Hunold. 1992. Francisco Carlos Teixeira da.

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