AULA 08 – ENFERMAGEM EM SAÚDE DO ADULTO E DO IDOSO II

SAE – CASOS CLÍNICOS
Almiro Mendes da Costa Neto CHRISFAPI Enfermagem Bloco VI

CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
I.R.G, 81 anos, sexo feminino, negra, brasileira, natural de Piracuruca, PI, viúva, aposentada, primeiro grau incompleto, recorreu ao hospital por conta de dor intensa em flanco esquerdo à esclarecer. DM 2, hipertensa, dislipidêmica, portadora de IRC. Mobilidade no leito prejudicada por conta de dor em flanco esquerdo, vigil, padrões de sono e repouso alterados, com queixa de nictúria e da rotina da unidade. Ao exame apresentou couro cabeludo íntegro, mucosas oculares normocrômicas, escleróticas anictéricas, acuidade visual e auditiva diminuídas, narinas sem lesões. Tórax simétrico, murmúrio vesicular fisiológico em ambos hemitórax; RCR, BNF 2T; abdome distendido, doloroso à palpação, principalmente no flanco esquerdo; RHA presentes; extremidades perfundidas e sem edemas. Definiu-se como uma pessoa tranqüila e "sem grandes preocupações com a sua doença“.

CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
Descobriu que era diabética há 26 anos após a realização de uma cirurgia de hérnia. Sua última hospitalização foi no dia 23/06/07, para a realização de uma cirurgia de catarata, a qual ocorreu sem intercorrências. Apresentou bom conhecimento acerca do diabetes e dos mecanismos de controle da mesma. Consulta-se com o nefrologista a cada dois meses. Não pratica atividades físicas. Conforme a prescrição médica, estava em uso das seguintes medicações: insulina NPH SC pela manhã; AAS 100 mg após o almoço; Atensina 0, 150 pele a manhã e pela noite; Sinvastatina 20mg à noite, Carbonato de Cálcio pela manhã e 1 ampola de furosemida EV pela manhã e soroterapia em acesso periférico no MSD. Negou tabagismo, alcoolismo e alergias.

TAx: 36.7 kg.5º C. a filha relatou também que a paciente passava a maior parte do tempo deitada no sofá de sua casa e tinha "preguiça" de deambular e praticar atividades físicas. Além disso. Dados vitais e antropométricos: PA: 150x80 mmHg. Segundo a filha que a acompanhava no momento da realização do histórico de enfermagem. Peso: 65. Diurese presente com relato de poliúria assim como evacuações ausentes há ± 4 dias. permanecendo por muito tempo deitada no leito. e enjôo ao andar por conta da labiritite. deglutição e mastigação realizada à custa de prótese dentária total. FC: 80 bpm. FR: 16 inc/min. o que a deixou restrita quanto à deambulação. . Altura: 1.99. IMC: 25.59m. Cansaço ao vestir-se. a paciente alimenta-se fora do horário e por conta disso ficava sem apetite e sem almoçar.CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA Apetite e paladar preservados. Referiu ainda não ingerir muito líquido ao dia "para evitar ficar urinando toda hora".

04 dias Dor no flanco esquerdo Cansaço Permanece muito tempo deitado no leito .CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA 1 – Problemas de enfermagem encontrados: • • • • • • • • Sono e repouso alterados Enjôo ao deambular Poliúria e Nictúria Perda excessiva de líquidos Ausência de evacuações há +/.

Eliminação urinária prejudicada relacionada coma diminuição da capacidade da bexiga secundária a nictúria.CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: • • • • • • • • • Padrão de sono alterado relacionado com o ato de despertar freqüentemente durante a noite secundário à nictúria. Constipação relacionada à atividade física insuficiente e motilidade intestinal diminuída Dor crônica relacionada à incapacidade física crônica Intolerância à atividade relacionada ao aumento das demandas metabólicas secundário ao DM Risco para mobilidade física diminuída relacionado à dor e à intolerância à atividade Risco para estilo de vida sedentário relacionado ao conhecimento inadequado dos benefícios da atividade física à saúde. . Náusea relacionada à irritação gástrica secundária à labirintite. Risco de volume de líquidos deficiente relacionado à perdas excessivas por vias normais com o uso de medicamentos.

CASO 1 – DIABETES MELLITUS/ INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA 3 – Faça as prescrições de enfermagem necessárias a uma intervenção de qualidade: • • • • • • • • • • Monitorar o horário das refeições Estimular a ingesta hídrica adequada Monitorar as eliminações diariamente Inspecionar diariamente a integridade da pele Estimular a hidratação da pele. principalmente as extremidades dos MMII Orientar e estimular a atividade física Estimular a deambulação Auxiliar na deambulação Monitorar a glicemia capilar sanguínea Monitorar os SSVV .

sexo masculino. edema em membros inferiores. náusea. Pai falecido de insuficiência cardíaca. mora com a esposa. sinais estes que tiveram início há cerca de cinqüenta dias e. não possui religião.S. cor parda. natural de Piripiri PI.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA J. pedreiro autônomo. em casa própria de alvenaria. dois filhos. dispnéia. têm progredido. com sete cômodos. Em uso domiciliar de captopril 25mg 2x/dia e aldactone 25mg/dia. em setembro de 2005. 58 anos. desde então. Portador de hipertensão arterial há quinze anos e cirrose hepática há cinco meses. filhos e nora.F. . intoxicação alcoólica e cirrose hepática (há cinco meses). anorexia. Relata não estar usando a medicação há alguns dias. provida de saneamento básico e luz elétrica. Casado. ensino fundamental incompleto. Deu entrada na unidade de emergência de um hospital público de Brasília. distensão e desconforto abdominais. Passado de internação hospitalar por hipertensão. apresentando quadro clínico de icterícia e prurido generalizados.

ingere entre 2 e 2. Refere alteração no ritmo circadiano há cinqüenta dias. não se alimenta em alguns dias devido à ingestão excessiva de álcool. baixa ingestão de legumes e frutas. etilista há 44 anos. Não consegue verbalizar. porém manifesta pouco interesse em adotar medidas para controlar a progressão da doença. dorme muito durante o dia e pouco durante a noite. Demonstra ciência de que seu estado é complicado. Não possui grandes expectativas de vida. Ao exame físico: consciente e orientado. conhecimentos sobre sua patologia. relata ter sido tabagista por 20 anos. Faz 2 refeições ao dia (almoço e jantar).CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA Não fuma há dez anos. mesmo que de forma simples. comunicativo e cooperativo. Verbaliza ansiedade e insistência em receber alta hospitalar. com períodos de alucinações.5 litros de líquidos. . com uso diário de 20 cigarros. refere ingestão de cerca de um litro/dia de "conhaque e 51" durante os quatorze dias anteriores à hospitalização.

e. . TGO = 96U/L. Exames laboratoriais alterados: Ht = 32%.67%. = 36. expansibilidade simétrica diminuída. BD = 26. perfusão periférica diminuída. urina concentrada. marcha lenta. Aparelho Cardiovascular: sem alterações perceptíveis. SSVV: PA = 170 x 100 mmHg. por cânula nasal. BT = 59. evacua a cada 6-8 dias. 12/12h. aldactone 25mg 1x/dia. IMC = 38. palpação do fígado impossibilitada pela ascite. Medidas antropométricas: Circunferência abdominal = 145cm. com auxílio de O2 úmido a 4litros/min. TGP = 36U/L. Extremidades: membros inferiores edema em cacifo ++/4+.5mg/dL. Abdome: ascítico. fezes endurecidas de cor marrom-amarelada. tenso. Peso = 105. rocefin 2g 1x/dia e gentamicina 80 mg 8/8h.5g/dL.1mg/dL. creatinina = 3.3mg/dL. murmúrios vesiculares fisiológicos. Durante a internação o paciente estava sobre terapia medicamentosa com: captopril 25mg 2x/dia. vasos sangüíneos proeminentes. BI = 33. furosemida 40mg.4mg/dL. superficial.5 Kg. P = 98 bpm.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA Deambulando pouco e com auxílio. Aparelho Respiratório: tórax simétrico. Eliminações: oligúria. albumina = 2. respiração espontânea.ax. Apresentando icterícia generalizada. uréia = 119mg/dL.5mg/dL. Hb = 9. R = 26 rpm e T. turgor de pele diminuído.9°C. RHA diminuídos.

Não verbaliza conhecimentos sobre sua patologia. Não possui grandes expectativas de vida. Não se alimenta em alguns dias devido à ingestão excessiva de álcool. Alteração no ritmo circadiano Ansiedade e insistência em receber alta hospitalar.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA 1 – Problemas de enfermagem encontrados: • • • • • • • • • • • 02 refeições ao dia – baixa ingestão de legumes e frutas. Períodos de alucinações Deambula pouco e com auxílio Icterícia generalizada Turgor de pele diminuído . Pouco interesse em adotar medidas para controlar a progressão da doença.

com auxílio de O2 úmido • Abdome ascítico com vasos sangüíneos proeminentes. • Oligúria. • Sobrepeso • Hipertensão . • Fezes endurecidas de cor marrom-amarelada • Edema em MMII • Perfusão periférica diminuída. respiração superficial. • Palpação do fígado impossibilitada • RHA diminuídos.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA 1 – Problemas de enfermagem encontrados: • Expansibilidade torácica diminuída. urina concentrada • Evacuação a cada 6-8 dias. • Abdome tenso.

devido a fatores biológicos. mudança no meio ambiente. • Processo de pensamento alterado relacionado com mudanças fisiológicas . estresse. econômicos e culturais • Sono e repouso alterados relacionado com ansiedade • Ansiedade relacionada à ameaça ao estado de saúde.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: • Nutrição alterada: Ingestão menor que as necessidades corporais relacionada com inabilidade para ingerir ou digerir alimentos ou absorver nutrientes. • Baixa auto-estima crônica relacionada com longa duração ou cronicidade de sua doença. psicológicos. • Déficit de conhecimento relacionado com a falta de interesse em aprender.

• Excesso no volume de líquido relacionado com comprometimento dos mecanismos reguladores .CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: • Mobilidade física prejudicada relacionada com intolerância à atividade física • Integridade da pele prejudicada relacionada com pigmentação alterada • Integridade da pele prejudicada relacionada com alteração do turgor da pele. • Padrão respiratório ineficaz relacionado ao uso de musculatura acessória para respirar.

diuréticos quando prescritos. Monitorar os sinais e sintomas de hipoglicemia. Monitorar a encefalopatia portal sistêmica investigando o comportamento geral Ensinar o paciente e a família a comunicar em caso de circunferência abdominal aumentada. Ensinar o cliente a comunicar o sangramento incomum. Monitorar os sinais e sintomas de hiponatremia através de restrição hídrica.CASO 2 – CIRROSE HEPÁTICA 3 – Faça as prescrições de enfermagem necessárias a uma intervenção de qualidade: • • • • • • • • • • • Manter o repouso e acamado (para que o fígado possa restabelecer sua capacidade funcional). Promover a restrição de sódio . Investigar os efeitos colaterais das medicações. Estimular a melhora do estado nutricional. oferecendo uma alimentação rica em proteínas. Verificar e registrar o peso e a ingestão de líquido diariamente. Administrar e orientar dietas hipossódicas.

92 na clínica ortopédica com diagnóstico de Luxação de Coluna cervical entre C4 e C5. Porém conseguiu sair da água nadando e deambulando.B. cor branca. católico. . 19 anos. solteiro. Perda da motricidade.C. logo foi colocado colar cervical e iniciado os procedimentos diagnósticos.11. natural de Pedro II. PI. açougueiro. Nega perda da consciência. Ao chegar ao atendimento de urgência. Foi transportado ao atendimento de urgência deitado no banco traseiro de um carro. HDA: ao mergulhar chocou a cabeça no fundo do rio. com preservação da medula espinhal. Apenas fraqueza nas pernas. Sentindo forte dor no pescoço.M.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL W. Apoiando a cabeça sobre o colo de um colega. sexo masculino. Antecedentes clínicos: queixa-se de dor quando movimenta principalmente o tórax. Admitido em 15. ensino médio incompleto.

refere ter sono pesado em casa. Costuma freqüentar barzinhos aos finais de semana.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL Nega qualquer tipo de doença. almoço. costuma freqüentar barzinhos aos finais de semana. afirma que tem vida sexual ativa. Joga futebol freqüentemente. necessitando de tratamento cirúrgico. concluímos que realiza alimentações de boa qualidade e freqüência. vítima de fratura de fêmur. apenas internado há três anos. Conforme referindo os tipos de alimentos que consume. não tem filhos. lanche da tarde e jantar. mas no hospital queixa-se de estar dormindo pouco por causa da imobilização a que foi submetido. . Joga futebol freqüentemente. que transcorreu sem qualquer problema. seus hábitos alimentares restringem-se ao desjejum.

Demonstrou-se cansado de ficar imobilizado. Glúteos: n.n.4ºC. Pulso: 70 bpm. Pressão Arterial: 130x80 mmHg..d.n.n. Cabeça e Couro Cabeludo: Com tração halo-craniana (3 kg). MMSSII: atividade motora diminuída em MSE devido a soroterapia.n..d..d. Cavidade Bucal: n. Temperatura axilar: 36. .n. Nariz: n.n. Ouvidos: n. Respiração: 15 mpm. Nível de Consciência: consciente. Eliminações: vômito biliar 4 vezes de odor característico em pequena quantidade. Tórax Anterior e Posterior: n.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL Exame Físico: Peso: 75 kg.d.n.n.. Face (coloração da pele e mucosas): corada..d.n.74m.d. Pescoço: n. Comunicativo com a equipe de saúde.d. altura: 1. abdômen: n.. Genitais: n.. porém tem colaborado com o tratamento..d. Reflexos: isocóricas e fotorreagentes.d. Olhos: n..

CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL 1 – Problemas de enfermagem encontrados: .

• Potencial para infecção relacionado a procedimento invasivo da tração esquelética craniana. relacionado a imobilização. • Mobilidade física prejudicada relacionada a imobilização da coluna cervical e tração esquelética craniana.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: • Potencial para trauma da medula relacionado a luxação cervical. • Potencial para prejuízo na integridade da pele relacionado a imobilização no leito. . • Déficit de autocuidado: higiene corporal. • Potencial para aspiração relacionado a imobilização da coluna cervical.

suspenso apenas pelas roldanas permanentemente. Orientar o paciente e/ou família quanto a necessidade de alinhamento da coluna cervical. lembrando ao paciente a importância de se manter o alinhamento da coluna cervical. . Solicitar acompanhamento do enfermeiro durante procedimentos que envolva mudança de decúbito em bloco.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL 3 – Faça as prescrições de enfermagem necessárias a uma intervenção de qualidade: • • • • • • • • Manter o alinhamento rigoroso no eixo da cabeça-quadril. Oferecer alimentos de fácil mastigação e deglutição durante as refeições. permanentemente e/ou durante qualquer procedimento com o paciente. .Observar presença de sinais de sintomas de náuseas. Manter o sistema de aspiração ao lado da cabeceira do paciente para uso imediato por 24 horas. . Manter os pesos e cordas do sistema de tração livres de qualquer atrito.Fazer aspiração oral e nasal em caso de vômitos. caso presentes comunicar o médico.

• Realizar banho no leito. • Observar características das fezes. • Auxiliar nos exercícios passivos e ativos na cama de MMII e MMSS 3x/dia.CASO 3 – LUXAÇÃO DE COLUNA CERVICAL • Auxiliar no bochecho com solução padronizada para higiene oral. caso houver sinais de constipação intestinal. somente em caso de extrema necessidade. • Fazer curativo nas inserções dos parafusos na calota craniana. observando sinais flogísticos 1x/dia. orientando para desprezar pela comissura labial na cubarim aparada sob a mesma. utilizando a mudança de decúbito em bloco. caso o paciente não consiga. • Observar presença de áreas hiperemiadas pela extensão corporal durante o banho. realizar aspiração. sempre após as refeições. comunicar nutricional .

hipereosinofilia e infiltrados pulmonares temporários”. homens na faixa dos 50 anos com história pregressa de asma e rinite alérgica. Essa síndrome. . rara e de etiologia indeterminada que afeta. também conhecida como angeíte granulomatosa. principalmente. clinicamente caracterizada por asma.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS “A SCS é uma doença auto-imune. é definida como uma vasculite sistêmica.

e por esse motivo procurou o Hospital das Clínicas de Pouso Alegre-MG.P. M. perda da sensibilidade no terço distal dos MMIIs e incapacidade de se manter de pé sem apoio. uso de diclofenaco de sódio. P. cefaléia e tonteira. percebeu aumento da dor. onde permaneceu internado por cinco dias.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS M. .A. Após dois meses. Relata que. fraqueza e tremor. amasiado (vive com companheira há 20 anos). o paciente decidiu mudar-se para Belo Horizonte-MG para se tratar. natural de Capitão de Campos – PI. onde trabalhava como gráfico há 40 anos. apresentou dor intensa de MMII durante o trabalho. se automedicou com diclofenaco de sódio (Voltaren®). novamente. relatando melhora. fazendo. Residia em São Paulo-SP. A. para os momentos de crise. Ao consultar-se com um pneumologista. foi prescrito broncodilatador do tipo aerossol. Relatou que durante a viagem de mudança apresentou episódio de dor generalizada. queixou-se de sensação de "choque e de que os ossos estão [estavam] crescendo e esticando a pele" e piora da dor nas mãos. No dia seguinte. em julho desse mesmo ano. com quadro de tonteira. À anamnese. Para as dores nas pernas. paresia e parestesia em membros superiores (MMSS) e inferiores (MMII). apresentou episódio súbito de asma (nega episódios semelhantes anteriores) e fortes dores nas pernas. 56 anos.. dor generalizada. Em virtude da piora do quadro. foi admitido no Pronto Atendimento do Hospital das Clínicas no dia 29/9/2006.

CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS Quando recebeu alta. vestir-se e banhar-se. Necessita de auxílio para mudarse de decúbito. Ao ser admitido. apresentou piora do quadro álgico. História pregressa de sífilis na juventude. Não consegue manter-se de pé sem auxílio. tontura e tremor de repouso. gota há quatro anos. ler e observar o céu. Após a internação. Caminhava pelo parque ocasionalmente. Dormia em torno de três horas por noite. relatando padrão de sono satisfatório. relatou emagrecimento de 20 quilos nos últimos quatro meses. Informou que suas atividades de lazer consistiam em assistir a filmes durante a noite. sendo encaminhado ao PA-HC. . Relatou que encerrara suas atividades laborativas havia quatro meses. Em 29/9/2006. hipertensão arterial sistêmica e úlcera gástrica diagnosticada há três anos. Relatou que antes da internação realizava suas atividades da vida diária de forma independente e trabalhava em média 12 horas por dia.Iniciou tratamento na clínica de pneumologia do Ambulatório Bias Fortes do HC/UFMG e realizou a consulta com neurologista. foi orientado para consultar-se com um neurologista. alimentar-se. mantém-se acamado. Consumia bebida alcoólica nos finais de semana. relacionado com inapetência e náuseas. desde o agravamento do quadro de saúde. além de perda de memória.

Apresentava conjuntivas hipocoradas (2+/4+). escavado. Sentia dor à palpação da região dos seios maxilares. Estava afebril. Apresentava bulhas normofonéticas (BNF) e o ritmo cardíaco era regular (RCR) em dois tons (2T). Sua ictus cordis era visível. .CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS Relata que tem dispnéia e tontura quando faz pequenos esforços e desconforto na região facial durante a mastigação. Tinha a pele hipocorada (2+/4+). O abdome estava livre. indolor à palpação superficial e doloroso à palpação profunda na região do hipocôndrio esquerdo. medindo duas polpas digitais. Ingere 1000 mL de líquido por dia. O tórax apresentava expansão simétrica e murmúrios vesiculares (MV) fisiológicos. Apresentava tremor de repouso e parecia ansioso. anictérica. orientado no tempo. consciente. O pulso da aorta abdominal era visível. no espaço e sobre si mesmo. comunicativo e colaborativo. Ao exame físico: encontrava-se alerta. hidratado e eupnéico. acianótica. sem ruídos adventícios (RA).

IMC: 18. 12. atróficos com restrição dos movimentos finos e grossos. prednisona. ranitidina. de 12 em 12 horas.68 m. Os membros inferiores eram simétricos.5 mg. com sensibilidade tátil diminuída ao toque. Havia a presença de pequenos nódulos em vasos periféricos dos antebraços. IMC: 25. As palmas das mãos estavam hipocoradas (2+/4+). codeína associada a paracetamol. 20 mg. apresentando hipersensibilidade tátil e dolorosa. de 12 em 12 horas. subcutânea. temperatura axilar: 35. peso: 52 kg. se necessário. dipirona. freqüência respiratória: 20irpm. Os MMSSs apresentavam-se simétricos.5 mg. As resposta sensitiva e motora estavam alteradas. 1 ampola. 60 mg. e a pele estava seca e descamativa. foi observada incisão cirúrgica limpa e seca.5 kg/m2). associada a hidroclorotiazida.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS O fígado era palpável no nível do rebordo costal. liquemine. Dados vitais e antropométricos: pressão arterial: 130x80mmHg. hipotônicos. Na região maleolar direita. 50 mg. duas vezes ao dia. de 12 em 12 horas. de aproximadamente 10 cm. se dor. Apresentava restrição de movimentos nos MMIIs ao exame e pele ressecada e descamativa. altura: 1. O paciente estava em uso de losartana potássica.42 kg/m2 (peso há quatro meses: 72 kg. 7. . hipotônicos e atrofiados. freqüência cardíaca: 80 bpm. ácido fólico. de 6 em 6 horas. de 24 em 24 horas.9C. 20 gotas. sendo mais acentuada na região distal do membro inferior direito. 3 mg.

em ambos os pulmões. dada a correlação com os informes clínicos. alguns com padrão de árvore em brotamento. a possibilidade de acometimento pulmonar pela vasculite Churg Strauss deveria ser considerada. nódulos centro-lobulares mal definidos. com presença de 65% de eosinófilos. linfadenomegalia ou lesão expansiva mediastinal. revelaram hemoglobina de 11 g%. À tomografia computadorizada de tórax/mediastino. Não foram evidenciadas anormalidades nos grandes vasos e as superfícies e os espaços pleurais apresentavam-se livres. Não foi observado aprisionamento aéreo nos cortes em apnéia respiratória máxima. leucócitos totais 21000/mm3. na data de admissão.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS Os exames complementares. O raio-X dos seios da face revelou sinusopatia etmoidal e frontal esquerda e dilatação parcial das unidades osteomeatais. Segundo o responsável pelo laudo. embora não se observassem os padrões mais comuns de consolidações periféricas e vidro fosco. realizada em 18/10/2006. O raio-X de tórax evidenciou nódulos centro-lobulares em ambos os pulmões. .

foi realizada espirometria. foi realizada biópsia dos nervos fibular e sural. de 80bpm. sem sinais de neurite. caracterizando quadro de neuropatia desmielinizante. A saturação de oxigênio foi de 98% e a freqüência cardíaca. A conduta de tratamento para a neuropatia incluiu a pulsoterapia com metilprednisona e ciclosfamida. vasculite ou depósitos metabólicos. sendo compatível com quadro de asma. que revelou distúrbio ventilatório obstrutivo leve com variação significativa de fluxo após broncodilatador. . Em 27/10/2006. que revelou sinais de desmielinização com alguns feixes neurais contendo fibras mielíneas vacuolizadas.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS Em 20/10/2006.

Paresia. Sensação "de choque e de que os ossos estão [estavam] crescendo e esticando a pele" das mãos. Dor nas regiões palmares. • MMSS e MMII hipotróficos e hipotônicos.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 1 – Problemas de enfermagem encontrados: • • • • • • • • Dor em região mandibular durante a mastigação. Impossibilidade de apoiar os pés no chão. parestesia e limitação dos movimentos em MMSS e MMII. Dor à palpação no hipocôndrio direito. Dispnéia e tonteira aos pequenos esforços. Tremor de repouso. .

• Uso de diurético. úlcera gástrica. Anemia.42 kg/m2). . gota e asma. ansiedade. Ingesta de apenas 1000 mL de líquidos por dia. História de hipertensão arterial sistêmica. Emagrecimento súbito (IMC 18. eosinofilia. Pele ressecada nos MMSS e MMII.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 1 – Problemas de enfermagem encontrados: • • • • • • Medo de contrair infecção em ferida operatória em MID. • Afastamento das atividades laborativas e de lazer. • Dependência para realização das atividades da vida diária.

secundária à sinusopatia e desconforto à mastigação. relacionada à dificuldade para ingerir alimentos. ressecamento e descamação da epiderme. relacionada a agentes lesivos biológicos. paresia e parestesia em MMSS e MMII. 4. 6. inquietação e tremores. 2. restrição ao leito imposta pela patologia. caracterizada por conjuntivas hipocoradas e perda de peso. caracterizada por relato verbal. movimentos limitados. adoção de posição antálgica. menos do que as necessidades corporais.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: 1. relacionada a déficit de líquidos. Dor. Ansiedade. 3. 5. Mobilidade física prejudicada. prejuízos musculoesqueléticos e neuromusculares. . decorrente das mudanças em seu cotidiano e na atividade laboral após o surgimento do agravo. relacionada às dificuldades no atendimento às suas necessidades básicas. caracterizada por amplitude limitada de movimentos e capacidade limitada para realizar movimentos grossos e finos. Nutrição desequilibrada. relacionada a dor intensa. corticoterapia. comportamento de defesa e expressão facial. Risco para síndrome do Desuso. relacionada a dor. dispnéia. Risco para integridade da pele prejudicada. caracterizada por preocupação expressa.

8. regular fluxo e temperaturada água. Percepção sensorial tátil perturbada. dor nos MMIIs e imobilização caracterizado por incapacidade para chegar ao banheiro e retornar ao leito. relacionada à integração sensorial alterada secundária à neurite periférica. 10. relacionado à presença de nódulos centro lobulares em ambos os pulmões secundários à vasculite Churg-Strauss. Padrão respiratório ineficaz. 9.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 2 – Formule os possíveis diagnósticos de enfermagem: 7. relacionada à internação prolongada. relacionado a terapia medicamentosa. caracterizada por hipersensibilidade tátil e dolorosa nas regiões palmares. internação hospitalar prolongada e cirurgia. caracterizada por impedimento à realização de passatempos habituais . relacionado a prejuízo neuromuscular (paresia MMII). pegaros artigos para banho e secar-se. Atividade de recreação deficiente. Déficit para autocuidado para banho/higiene. Risco para infecção. 11. evidenciado por dispnéia e tonteira aos pequenos esforços.

controle dos sinais vitais de 6 em 6 horas. . avaliar as áreas de proeminências ósseas quanto à hiperemia.redução da ansiedade: utilizar abordagem calma e segura. percepções e medos.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 3 – Faça as prescrições de enfermagem necessárias a uma intervenção de qualidade: .prevenção de úlceras de pressão: aplicar creme hidratante em pele íntegra. aplicar Escala de Risco de Braden semanalmente. encorajar a verbalização de sentimentos. tratamento e prognóstico. propiciar momentos de escuta para que possa exteriorizar suas preocupações. ao ressecamento e ao calor. estimular reposicionamentos freqüentes para aliviar áreas de pressão. . com principal atenção à variação dos valores da pressão arterial e do padrão respiratório. . duas vezes ao dia. . explicar os procedimentos. ajudar na transferência para a poltrona. manter ferida operatória em MID protegida com atadura de crepom. manter constantemente mãos protegidas com luvas de procedimento para diminuir sensação de "choque" e dor.controle da dor/percepção sensorial: observar queixas álgicas e medicar conforme prescrição médica. observar evolução de paresia e parestesia em MMSS e MMII. após o banho. oferecer informações reais sobre o diagnóstico. à descamação.

assistência no autocuidado: encaminhar ao banho de aspersão em cadeira de rodas. providenciar os artigos pessoais desejados. .melhora do padrão respiratório: manter a cabeceira elevada a 30º. discutir com a nutricionista a possibilidade de modificar a consistência da dieta. . estimular participação ativa nos momentos de realização de higiene corporal e alimentação.CASO 4 – SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS 3 – Faça as prescrições de enfermagem necessárias a uma intervenção de qualidade: . . proporcionando o equilíbrio entre a nutrição e as necessidades corporais. . facilitar ao paciente o próprio banho.controle da nutrição: estimular e monitorar a aceitação da dieta.terapia recreacional: oferecer livros e revistas.reposição hídrica: estimular e monitorar a ingesta hídrica (em torno de 1500 a 2000 mL por dia). monitorar diurese. .

com .com almiro__neto@hotmail.almiro_neto@globo.

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