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Ana Caroline Barbosa da Silva Bianca Ribeiro Macedo Bruna Estefane Campos Fonseca Camila Rodrigues Souza da Silva Luís Alberto Barbosa dos Santos

Direito Internacional Privado

Universidade Estadual de Santa Cruz Ilheus, BA

Direito Processual Civil Internacional

Noções Básicas

As normas do direito internacional privado indicam, na sua essência, qual o direito aplicável a uma relação jurídica de direito privado com conexão internacional, dependendo sempre, para serem aplicadas, de uma autoridade judiciária ou de um órgão, com funções equivalentes, que seja internacionalmente competente. A ausência desse requisito processual impede o juiz, tribunal ou outro órgão, equiparado ao Poder Judiciário, de pronunciar-se com relação ao mérito da causa sub judice. Mas não só normas da competência internacional influenciam a aplicação do

direito internacional privado no processo civil. Outras regras processuais fundamentais, igualmente, intervêm diretamente em nossa disciplina e estão ligadas tão estritamente a ela que, necessariamente, devem ser levada em Consideração para a solução prática de cada causa de direito privado com conexão internacional.

O conjunto das normas processuais inter-relacionadas diretamente com a nossa

disciplina concentra-se no direito processual civil internacional. Em virtude deste vínculo estreito, a doutrina mais moderna inclui essas normas dentro do objeto do direito internacional privado, assim concebida a disciplina em lato sensu, enquanto as normas de direito internacional privado, as quais designam o direito aplicável, são consideradas stricto sensu.

É princípio fundamental que às normas de direito processual civil internacional,

basicamente, é aplicável a lex fori, ou seja, a lei do lugar, no qual se desenvolve o processo. Essa regra já foi estabelecida de longa data, e, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, é reconhecida como o princípio básico do processo, embora a doutrina tenha apontado algumas exceções a tal princípio. Na atualidade, a maior influência para a evolução do direito processual civil internacional na América Latina deve ser atribuída à Conferência Especializada lnteramericana de Direito Internacional Privado. As suas convenções, em geral, foram ratificadas por um considerável número de Estados. O Brasil, todavia, mostrou reservas, até agora, em aderir a tais convenções, mas recentemente ratificou duas importantes convenções, a saber, a Convenção Internacional sobre Arbitragem Comercial Internacional, de 30 de janeiro de 1975 (promulgada pelo Decreto n0 1.902, de 9.05.1996, publicado no DOU de 10.05.1996), e a Convenção lnteramericana sobre Cartas Rogatórias, de 30 de janeiro de 1975 ( pelo Decreto no 1.900, de 20/05/1996, publicado no DOU de 21/05/1996).

Aplicação das Normas de Direito Internacional Privado

As normas do Direito Internacional Privado classificam-se segundo a fonte, natureza e estrutura.

A fonte da norma pode ser legislativa, doutrinária ou jurisprudencial; ainda

segundo a fonte pode ser interna ou internacional, conforme seja criada pelos órgãos internos de um Estado ou em coordenação com outros Estados por meio de tratados e convenções. Quanto à sua natureza, a norma de Direito Internacional Privado é geralmente

conflitual, indireta, não solucionadora da questão jurídica em si, mas indicadora do direito

interno aplicável, daí ser classificada como sobredireito

No plano do direito convencional,

fonte internacional, as normas podem ser indiretas quando seguem o método conflitual, como também diretas, quando adotam regras materiais uniformes.

Existem ainda as normas conceituais ou qualificadoras, que se restringem a definir determinados institutos para efeito do D.I.P. E quanto à sua estrutura as normas podem ser unilaterais ou bilaterais.

Aplicação do Direito Estrangeiro no Processo

As normas de direito internacional privado integram a ordem jurídica interna de cada país e devem ser aplicadas pelo juiz de ofício. Na sua essência, designam o direito aplicável a relações jurídicas de direito privado com conexão internacional. Este sempre será ou do direito interno ou um determinado direito estrangeiro. Quanto à aplicação do direito interno, não há dúvida de que o juiz o aplique de ofício. No entanto, é assunto controvertido na doutrina como o juiz deve aplicar o direito estrangeiro no processo. Nos dias atuais, existem, basicamente, três tendências gerais nos diferentes sistemas jurídicos nacionais. Conforme a primeira, cumpre ao juiz aplicar o direito estrangeiro de ofício. A adoção desses princípios, entretanto, não significa que o juiz não possa exigir das partes a colaboração na pesquisa do direito estrangeiro, sendo-lhe facultado determinar diligências para apuração do teor, da vigência e da interpretação de tal direito. Para a corrente oposta àquela que admite a aplicação do direito estrangeiro pelo juiz ex officio, cabe unicamente às partes do processo alegar e provar o direito estrangeiro. Nesse sentido, não incumbe ao juiz tomar a iniciativa.

Verificação do conteúdo do Direito Estrangeiro no Processo

Como o juiz e as partes geralmente não estão familiarizados com o direito estrangeiro aplicável a uma causa com conexão internacional, é mister conhecer os meios adequados para ter acesso a esse direito, a fim de poderem averiguar o seu conteúdo. Para obter uma visão geral é necessário que haja uma consulta na literatura disponível relacionada ao direito estrangeiro aplicável. No Brasil, as melhores universidades do país, dispõem de grandes repertórios de monografias e revistas que discorrem sobre o direito comparado e o direito estrangeiro em particular. No exterior, frequentemente são consultados institutos de direito especializados, que oferecem os seus serviços e emitem pareceres escritos sob a sua responsabilidade. Por vezes, os interessados procuram repartições diplomáticas estrangeiras para esclarecer dúvidas quanto ao direito estrangeiro e, eventualmente,também outras entidades públicas podem fazer o mesmo.No Brasil, utilizamos todos os meios de conhecimento disponíveis que conduzam à averiguação certa do direito estrangeiro aplicável, enquanto os institutos de direito especializados são menos requisitados. Com a vigência da Convenção Interamericana sobre Prova e Informação acerca do Direito Estrangeiro, de 8 de maio de 1979, no Brasil, foi introduzido no País um novo meio de informação sobre o direito estrangeiro. Conforme a convenção, as autoridades judiciárias ou eventualmente também outras autoridades de um Estado contratante são autorizadas a solicitar, perante a autoridade central de outro Estadocontratante, informações sobre o texto, vigência, sentido e alcance legal do seu direito. O Estado que prestar as informações não será responsável pelas opiniões emitidas nem ficará obrigado a aplicar ou fazer aplicar o direito segundo o conteúdo da resposta dada. Por outro lado, o Estado que receber as informações não ficará obrigado a aplicar ou fazer aplicar o direito segundo o conteúdo da resposta recebida. Cada Estado, porém, ficará obrigado a responder às consultas dos demais Estados contratantes da convenção.

Regime das Provas no Processo com Conexão Internacional

O regime das provas nos processos com conexão internacional é objeto de várias convenções internacionais, cuja finalidade é facilitar a colheita de provas no estrangeiro. Enquanto na prática a colheita de provas no estrangeiro acarreta, sobremaneira, uma dificuldade fática para a parte interessada, é de alta relevância, em termos jurídicos, a delimitação entre o direito processual e o direito substantivo ou material, quando a tarefa

é definir as regras sobre o regime de provas em processos com conexão internacional. Uma norma probatória, pertencente ao direito processual, sempre é aplicável em conformidade com a regra geral da lex fori. Incluindo-a, porém, no direito substantivo ou material, aplicar-se-á a lex causae, isto é, o direito aplicável a uma relação jurídica com conexão internacional, em consonância com as normas indicativas ou indiretas do direito internacional privado, designando ou o direito interno ou o direito estrangeiro. A doutrina internacional reconhece, quanto ao regime de provas, a dificuldade de traçar os limites entre o direito processual e o direito substantivo ou material. De modo geral, porém, o regime jurídico das provas é qualificado como parte integrante do direito processual civil.

Competência Internacional – Princípios básicos

A competência internacional de um juiz, de um tribunal ou de uma outra autoridade, equiparada ao Poder Judiciário, exercendo regularmente jurisdição, é um dos pressupostos básicos que, de fato, possibilita, no processo, a aplicação das normas de direito internacional privado, cuja função é, essencialmente, a designação do direito aplicável a uma causa de direito privado com conexão internacional. As normas sobre a competência internacional determinam a extensão da jurisdição nacional, em face daquela dos outros Estados, sempre que o juiz ou um tribunal tenha de decidir uma causa com conexão internacional. Por outro lado, as normas da competência interna são aplicáveis, tão-somente, se o juiz ou o tribunal for competente internacionalmente. Na aplicação dessas normas, o juiz deve examinar, em primeiro lugar, se a causa com conexão internacional enquadra-se nos limites que determinam a extensão da jurisdição nacional, para depois verificar se, tendo competência internacional,

a causa incluir-se-á entre as que lhe tocam em virtude das regras da competência interna. As normas sobre a competência internacional decorrem da soberania de cada Estado, fundado no seu direito de determinar, individualmente, a extensão da jurisdição doméstica. As fontes do direito nas quais se encontram as normas sobre a competência internacional, são, principalmente, os códigos de direito processual civil, as codificações nacionais sobre o direito internacional privado (quando existirem), e normas isoladas sobre a competência internacional, distribuídas em leis específicas. Estão também em vigor alguns tratados e convenções internacionais referentes à matériaAs fontes do direito nas quais se encontram as normas sobre a competência internacional, são, principalmente, os códigos de direito processual civil, as codificações nacionais sobre o direito internacional privado (quando existirem), e normas isoladas sobre a competência internacional, distribuídas em leis específicas. Estão também em vigor alguns tratados e convenções internacionais referentes à matéria.

• Normas de Competência Internacional no Direito Brasileiro

• A competência internacional da Justiça brasileira é matéria regida pelos arts. 88

e 89 do Código de Processo Civil, nos seguintes termos:

• Art. 88. É competente a autoridade judiciária brasileira quando:

• I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;

• II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;

• III - a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil.

• Parágrafo único. Para o fim do disposto no no I, reputa-se domiciliado no Brasil

a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.

• Art. 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer

outra:

• I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;

• II - proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor de herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional "

Noções Básicas do conceito de Imunidade de Jurisdição

A imunidade de jurisdição configura um conjunto de regras negativas que

estabelecem quando uma corte não pode julgar um caso (BRÖHMER, 1997). Desta forma, após determinar se possui ou não jurisdição para o caso, uma corte nacional irá checar se as regras relativas à imunidade se aplicam a este réu específico e, se constatado que ele é imune ao processo, a corte deverá abster-se de julgar a demanda que, não fosse por esta circunstância em particular da qual decorre a imunidade, sujeitar- se-ia normalmente à jurisdição da corte.

Desenvolvimento Histórico do conceito de Imunidade de Jurisdição

A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro sofreu marcantes

transformações no decorrer dos últimos séculos, mudanças estas ocasionadas, em sua maior parte, pela própria alteração do papel desempenhado pelos Estados no cenário internacional. O caráter específico assumido pelo Estado em cada período histórico determinou, assim, a consequente modificação na aplicação do instituto ora estudado, em uma que resultou na concepção atual de imunidade soberana.

A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro

A possibilidade de ser parte de uma relação jurídica de direito privado com

conexão internacional não está restrita aos particulares. O Estado também pode

participar, à medida que sua lei interna admita essa atuação, e, se tal for o caso, não viole

a legislação de um outro Estado, a cujo território a relação jurídica é vinculada. Nesses

casos, indaga-se se o Estado estrangeiro pode ser acionado perante a justiça de outro Estado soberano e seu patrimônio, situado no território deste, judicialmente executado,

baseado em decisão que lhe seja desfavorável. Conforme o direito brasileiro, a sentença proferida por juiz ou tribunal estrangeiro somente será eficaz nó país após a sua homologação pelo Superior Tribunal de Justiça ou seu Presidente. As respectivas normas situam-se na Constituição, no Código de Processo Civil, na Lei de Introdução ao Código Civil e no Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. A finalidade do processo homologatório é o reconhecimento da eficácia jurídica da sentença estrangeira perante a ordem jurídica brasileira. A concentração dessa competência, perante um único órgão jurisdicional, favorece a produção de uma jurisprudência uniforme e assim, também, a certeza de direito.

Cooperação Jurídica Internacional

Para que não haja desrespeito à soberania dos Estados, existe um princípio fundamental do Direito Internacional, que os tribunais desempenhem suas funções dentro do seu território. De outro modo, configura-se a violação da soberania nacional. Mas pode acontecer uma necessidade, onde certos atos processuais sejam praticados em outro Estado. Como um Estado não pode tomar providências fora do seu território sem interferir em assuntos internos de outro Estado, será preciso pedir apoio das autoridades estrangeiras para a prática desses atos. Com isso, vem a necessidade da cooperação jurídica internacional que pode ser definida como a necessária prestação de auxílio mútuo entre Estados ou entre Estados e tribunais internacionais para a adoção de medidas que contribuam para o exercício da jurisdição.

1. Carta Rogatória A carta rogatória é um instrumento clássico jurídico para a obtenção da cooperação entre dois países. É similar à carta precatória, mas se diferencia deste por ter

caráter internacional. A carta rogatória tem por objetivo a realização de atos e diligências processuais no exterior, como, por exemplo, audição de testemunhas, e não possui fins executórios.

A transmissão e o cumprimento da carta rogatória no Brasil é simplificada pelos

tratados, que visam a cooperação internacional, podendo até haver contato direto entre as autoridades estrangeiras e nacionais.

A competência para conceder a carta rogatória, é do STJ (superior tribunal de

Justiça), como bem descreve o artigo 105 da Constituição Federal. O artigo 109, X da supra Constituição, determina que compete ao Juiz Federal a execução da carta rogatória, após o "exequatur".

1.2 Tipos de carta rogatória Na doutrina brasileira, existe dois tipos de rogatórias: ativa e a passiva. Cartas rogatórias ativas são solicitaçõesda Justiça brasileira para que um tribunal

estrangeiro coopere na realização de certos atos que interessem àquelas justiças, tais como citações, depoimentos, exames e outras diligências.

• Deverão obedecer,quanto á admissibilidade e modo de cumprimento, ao disposto em tratado.

• Na falta de tratado, deverão ser remetidas á autoridade judiciária estrangeira por via diplomática ou por meio das autoridades centrais.

• Deverão ser traduzidas para a língua do país em que o ato será praticado.

• Devem obedecer aos requisitos dos artigos 202, 203 e 338 do CPC.

• Podem ser expedidas por meio eletrônico, com assinatura eletrônica do juiz,

mas não podem ser transmitidas por telegrama, radiograma ou telefone.

• Devem indicar o juízo de origem.

• Só podem emanar de órgãos do Judiciário.

• Não é possível a emissão de carta rogatória com objetivo de obter informações

a respeito de bens localizados no exterior.

• O objeto da rogatória deve ser lícito.

• Suspendem o processo nas hipóteses dos artigos 338, caput, e 265, IV, “b”, do

CPC.

• O cumprimento da rogatória ativa no Estado rogado obedecerá á norma processual deste.

Cartas rogatórias passivas são solicitações de um Tribunal estrangeiro para que a

justiça brasileira coopere na realização de certos atos que interessem àquelas justiças, tais como citações, depoimentos, exames e outras diligências.

Requerem o exequaturdo STJ.

Devem observar a lei do Estado rogado quanto ao objetivo das diligências.

O exame da rogatória configura mero juízo de deliberação: não há exame do

mérito.

Devem estar traduzidas para a língua portuguesa.

Dispensam procuração de patrono da parte autora.

Não devem violar a soberania nacional e a ordem pública.

Devem ser autênticas.

Não serão cumpridas em hipóteses de competência exclusiva do Judiciário

brasileiro.

Não serão cumpridas quando implicarem ato executório.

Serão cumpridas pela Justiça Federal.

A concessão de exequaturnão implica o reconhecimento da competência da

autoridade judiciária requerente nem no compromisso de homologar a sentença que resulte do processo que gerou a rogatória.

2.0 O que é exequatur

Exequatur (latim: ex(s)equatur) significa execute-se, cumpra-se.

No contexto do direito internacional o exequatur é um documento de um Estado que autoriza a execução das funções de um cônsul.

O chefe de uma repartição consular deve apresentar ao Estado onde residirá uma

carta-patente, que é um documento que atesta sua qualidade e indica sua jurisdição

consular e a sede da repartição consular. Após receber a carta-patente, o Estado onde residirá o cônsul emite uma autorização - chamada exequatur - para que este possa exercer suas funções.

3.0 Cartas Rogatórias – espécies

As cartas rogatórias são classificadas em três diferentes espécies: ordinatórias, instrutórias e executórias. As primeiras destinam-se ao cumprimento de diversas medidas processuais, as segundas objetivam a coleta de provas ou a oitava de testemunhas e as terceiras, por fim, tem como objetivo a tomada de medidas restritivas de direitos, como cautelares para bloquear bens.

ORDINATÓRIAS:

• Citações

• Notificações

• Intimações

INSTRUTÓRIAS:

• Produção de prova

• Oitiva de testemunhas

• Realização de perícia

• Requisição de documentos

EXECUTÓRIAS:

• Cumprimentos de medidas cautelares

• Penhora

• Busca e Apreensão

4.0 Homologação de Sentença Estrangeira

A homologação de sentença estrangeira visa dar executoriedade interna a sentenças proferidas em outro país. Deve sempre ser requerida pela parte interessada.

No Brasil, a competência para a homologação de sentença estrangeira é do Superior Tribunal de Justiça, em acordo com o que estabelece o artigo 105, I, i, da Constituição Federal, com as modificações decorrentes da Emenda Constitucional nº 45,

de 2004. O artigo 15 da Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro- LINDB lista os requisitos necessários para que a sentença estrangeira seja homologada:

• Haver sido proferida por juiz competente;

• Terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificada a revelia;

• Ter transitada em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a Execução no lugar em que foi proferida;

• Estar traduzida por tradutor juramentado;

• Ter sido homologada pelo Superior Tribunal de Justiça.

O artigo 15, parágrafo

de Introdução as Normas do Direito

Brasileiro- LINDB, foi expressamente revogado pela Lei 12.036/09. Seu antigo conteúdo mencionava que "não dependem de homologação as sentenças meramente declaratórias do estado das pessoas". 5.0 Aplicação do Direito Estrangeiro

único, da

Lei

O direito estrangeiro é aplicado de maneira direta e indireta.

Direta

• O processo a ser observado é sempre o da lex fori, ou seja, as regras

processuais da lei nacional.

• Quanto as provas, os tribunais brasileiros não aceitam prova que sua lei

desconheça.

• O processo tem a devida tramitação perante o juiz do foro.

• A primeira tarefa do juiz é identificar o elemento de conexão. Conhecido este

saberá, consequentemente, qual a lei a ser aplicada ao caso sob exame, ou seja, se a nacional ou a estrangeira.

• Em se tratando de lei estrangeira, passará à qualificação.

• Distinguida a instituição estrangeira e, em havendo identidade desta com uma

do nosso sistema jurídico, o juiz investiga o conflito da lei com a ordem pública. • O trabalho subsequente é interpretação que deve estar dentro dos critérios previstos pelo direito pátrio.

• Se conflitando com a ordem pública, não há mais o que fazer, a lei estrangeira não será adaptada.

• Não sendo a instituição, cuja aplicação é prevista, conhecida, só restará ao juiz, através do mérito comparativo, buscar uma outra do direito interno semelhante. Indireta

• Nesta, a sentença é proferida por juiz estrangeiro.

• Apenas a execução será no país homologador, ou seja, seus efeitos agirão no Estado homologador.

• Somente após ser homologada pelo referido país mediante seu organismo

competente para tal (no Brasil o STJ), será executada a sentença nos termos previstos.

Arbitragem Internacional

Introdução

A arbitragem é um método usado para a solução de conflitos envolvendo duas partes. Esse conflito pode ser resultado de incertezas e inseguranças a respeito dos direitos de cada parte. A arbitragem é um meio eficaz nesses casos. E quem decide esse impasse é o árbitro, escolhido pelas partes. Ele exerce suas atribuições como um juiz de

fato e suas decisões possuem efeito de coisa julgada, ou seja, o árbitro decide, julga quem tem razão, quem tem direito a quê, e faz isso da mesma forma de um juiz, através de uma sentença.

Histórico da arbitragem

Antes mesmo dos tempos modernos o homem já resolvia seus conflitos, suas diferenças, primeiramente, ele mesmo se defendia, logo depois esse poder de decisão foi passado a uma terceira parte, que não estivesse envolvida nesse conflito. A solução dessas controvérsias era cumprida pelo privado, e somente com a expansão do Império Romano passou-se a conhecer a jurisdição pública estatal. A solução de controvérsias pela arbitragem, meio usado de pacificação social e sempre esteve presente na sociedade humana. Em Roma, desde 754 a.C., já havia arbitragem, que era utilizada de duas formas: o processo das legis actiones e o processo per formulas. Os procedimentos contavam com a figura do pretor, que era encarregado de preparar a ação, enquadrando-a nos limites da lei, e que posteriormente encaminhava o processo para julgamento, que era realizado por um iudex ou arbiter. Estes não faziam parte do corpo funcional romano e eram pessoas idôneas, particulares que estavam incumbidos de promover o julgamento da controvérsia que lhes fosse apresentada.

Na Grécia, a regra geral era que as funções do árbitro se dividissem em duas fases: a fase da tentativa de conciliação, em que o árbitro procurava resolver o litígio com a aproximação das partes e a composição do litígio, e a fase puramente arbitral, em que a sentença era proferida. A arbitragem aperfeiçoou-se no período Justiniano. Na Idade Média, a sociedade feudal também utilizou a arbitragem e a mediação na solução de conflitos, inclusive internacionais, tendo-se em vista a intervenção da Igreja Católica em todos os principados, que era a divisão política da época. O Papa era considerado o árbitro supremo, enquanto que os bispos e senhores feudais se valiam mais da mediação. Nos dias atuais centros internacionais ou associações privadas dedicam-se a elaborar estudos e propostas para harmonização de certas normas aplicáveis a contratos internacionais e à arbitragem.

Lei 9.307 de 23 de setembro de 1996 – Lei de arbitragem

A arbitragem não era obrigatória aos contratantes brasileiros, por que a cláusula compromissória não a exigia até a criação da Lei n. 9.307/96. Com a promulgação dessa lei, aqueles contratantes que estavam acostumados a levar todos os seus problemas à instância judicial e desconsiderar a obrigação pactuada na cláusula compromissória já não poderiam optar por isso de maneira deliberada, dada a obrigatoriedade da cláusula compromissória no direito brasileiro com a existência da Lei da Arbitragem.

Validade, reconhecimento e força executiva perante o judiciário local

Na arbitragem internacional, uma possível nulidade contratual não possui o condão de anular a convenção de arbitragem, ou seja, sua validade não depende da validade do contrato no qual esta inserida. Assim há a manutenção da competência dos árbitros para decidir sobre a arguição de invalidade do contrato principal e suas devidas consequências. Ainda há a possibilidade do contrato ser válido e a cláusula não, cabendo aos árbitros verificar se todos os requisitos da arbitragem foram respeitados e por fim decidir sobre a existência de sua própria competência. A validade da cláusula arbitral é

plenamente defendida pelos tribunais judiciários internacionais, que tendem sempre a garantir sua execução.

Arbitragem interna e internacional: admissibilidade

Em princípio não há diferença entre arbitragem interna e arbitragem internacional, ambas se ocupam da solução de litígios, mediante aplicação de regras previamente escolhidas pelas partes, por julgadores não governamentais por elas designados, cujas decisões são passíveis de execução forçada, bem como coerção dos juízes ou tribunais estatais.

Para caracterizar a arbitragem como interna ou internacional, a legislação brasileira utiliza-se somente do critério geográfico, ou seja, se o Tribunal Arbitral tiver sede no país, a sentença arbitral será nacional, concretizando uma arbitragem interna, mesmo que, por ventura, estejam envolvidas partes sediadas no exterior, houver incidência de leis estrangeiras ou mesmo objeto conectado a país diverso. A determinação da nacionalidade de uma arbitragem se faz necessária por alguns motivos, são eles: a fixação da lei que irá regular a arbitragem, que em princípio, será dessa nacionalidade; a fixação do tribunal estatal que poderá vir a ter jurisdição sobre o processo arbitral, na necessidade de uma intervenção estatal como a obtenção de uma cautelar ou mesmo na imposição judiciária de se realizar a arbitragem; e por fim, identifica o procedimento a ser seguido na execução do laudo arbitral. No direito brasileiro, convenção de arbitragem é um gênero de negócio jurídico do qual são espécies a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Os árbitros em um processo são livres para seguirem suas convicções e elaborarem suas decisões, todavia, as mesmas precisam ser fundamentadas, mesmo quando tomadas por equidade. Publicada a decisão, as partes poderão requerer a correção de erros materiais, tipográficos ou de cálculos que constem da decisão. No julgamento de uma lide, o árbitro decide sob as pretensões das partes como um juiz de fato e de direito. Os trâmites necessários para reconhecimento e execução dos laudos arbitrais estrangeiros primordialmente se encontram na Convenção de Nova Iorque, que trata exaustivamente da questão. Tanto que seus ditames podem ser aplicados aos laudos arbitrais proferidos por Estados não-membros, salvo se o Estado reconhecedor do laudo, ao ratificar ou aderir a Convenção, tenha ressalvado seu direito de só aplicá-la aos Estados membros da mesma. Cada Estado membro da Convenção tem como princípio reconhecer um laudo arbitral estrangeiro como vinculante e consequentemente o executar de acordo com suas próprias normas processuais. O objetivo precípuo da Convenção é o de favorecer o reconhecimento das sentenças arbitrais estrangeiras. Em razão disso, a parte interessada pode optar pela aplicação do direito de origem interna ou de outros tratados, multilaterais ou bilaterais, desde que facilitem mais a validação da sentença. A sentença estrangeira arbitral para ser homologada no sistema brasileiro deve tão somente ser submetida a um exame formal e delibatório, não sendo avaliado o mérito do julgado ou mesmo questionado o direito utilizado pelo árbitro. Para tanto, o único aspecto material analisado é sua conformidade com a ordem pública, ou seja, a coerência de seus resultados e efeitos com as exigências da ordem pública de vertentes internacionais, tal como as nacionalmente concebidas. Em harmonia com a Convenção de Nova Iorque, o direito brasileiro previu expressamente o controle dos requisitos extrínsecos da sentença, de inexistência de violação à ordem pública ‘nacional’, sendo esta interpretada como a ordem daquele país, de que trata a Convenção de Nova Iorque, e não somente como a ordem pública ‘interna’.

Prática Arbitral

Há décadas a arbitragem é utilizada nos países desenvolvidos, e teve sua regulamentação no ordenamento jurídico brasileiro com a promulgação da Lei 9.307 de 1996, a conhecida Lei da Arbitragem. Hoje ela é apontada como o método mais eficiente na resolução de conflitos, contribuindo demasiadamente para o descongestionamento do Poder Judiciário.As principais vantagens do sistema arbitral são a celeridade, a confidencialidade (o conteúdo da arbitragem fica circunscrito às partes e aos árbitros), a especialização (os árbitros podem ser técnicos) e a possibilidade de decisão por equidade. Para os contratos internacionais justifica-se também pelos custos envolvidos (normalmente mais baixos do que em longas e desgastantes lides judiciais). Dessa forma, o sistema moderno de arbitragem garante um tratamento igualitário entre as partes, repelindo a incerteza quanto à participação de Tribunais locais em conflitos entre nacionais e estrangeiros, assegurando uma solução rápida, econômica, sigilosa e técnica para os conflitos de interesses que surgem em decorrência dessas relações.

Contratos Internacionais

O Contrato internacional é um pacto criado entre partes que participam de diferentes ordenamentos jurídicos e que manifestam vontades buscando criar relações entre eles, seja patrimonial ou de serviço. Ele é o resultado da troca entre pessoas e Estados. O desenvolvimento da economia mundial fez com que novas respostas comerciais surgissem, e com isso, novas regras de conexão foram criadas. As regras de conexão são estabelecidas pelo Direito Internacional Privado, e elas indicam qual Direito pode ser aplicado às situações jurídicas ligadas a diversos sistemas legais. A partir do conflito, o DIPr classifica os casos e as integrações jurídicas dentre um rol existente; e encontra a sede jurídica desse caso, determinando a aplicação do Direito vigorante. Assim, encontra-se o elemento de conexão, que é a ligação entre o contato entre uma situação de vida e a norma que vai reger esse processo. Eles podem ser reais (que se refere à situação da coisa); pessoais (que é relacionado à raça, religião do indivíduo, dentre outras coisas); e institucionais (que é correspondente ao foro, à autoridade que entende o caso). Existe também outra classificação, que é adotada pela doutrina francesa, que diz que, o estatuto pessoal é regido pela lei nacional; e o estatuto real é regido pela lei da situação dos bens, já os fatos jurídicos são regidos pela lei do local onde ocorreu o incidente ou pela lei que as partes escolheram. A Lex patriae; Lex domicilii; Lex loci actus, locus regit actus; Lex loci contrastus; Lex loci solutionis e outras são exemplos re regras de conexão. Aqui no Brasil, a Lex rei sitae que é utilizada para reger os bens, mas os Estados podem recorrer à mobilia sequuntur personam para ser empregada no regimento dos bens. No sistema brasileiro de Direito Internacional, alguns exemplos, dos principais elementos de conexão, é o art.7º, caput, da Lei de Introdução do código civil que trata do domicilio, e o art.7, §1º da mesma lei, tratando das formalidades do casamento. A autonomia da vontade é o ponto central nas relações contratuais, pois permite a liberdade de contratação, desde que a ordem pública e a política dos bons costumes sejam respeitadas. A autonomia é de aceitação universal, pois diversos países aceitaram-na nas legislações internas, e também por fazer parte de convenções internacionais. É referida a intangibilidade do conteúdo do contrato, que deve ser cumprido entre as partes, podendo ser anulado, mas não modificado. Aqui, age o principio da boa-fé, já que a lealdade e a confiança recíproca devem ser mantidas entre os contratantes.

A dépeçage é um conflito de leis onde surgem diferentes problemas devido ao regimento por leis de diversos Estados. Isso significa que, geralmente, um único contrato que estabelece que as diferentes partes do contrato é regulado por leis diferentes. Na pratica é relativamente raro um mesmo contrato ter mais de uma lei regente expressamente escolhida. Em suma, a dépeçage consiste no ato de quebrar os problemas em vários pedaços para que se possa procurar soluções para estes.

O direito das obrigações é o mais refratário a mudanças e apesar de não ser imutável, ocorre menos interferência, como a modificação de valores e hábitos sociais. Ele é formado por um conjunto de normas e princípios jurídicos reguladores das relações patrimoniais entre um credor e um devedor, que deve cumprir o que se foi acordado; e exclui relações de uma pessoa para com uma coisa, contemplando relações jurídicas de natureza pessoal. A autonomia da vontade ocorre quando as partes pactuam livremente seus interesses privados, entretanto, ela não é ilimitada, e as partes devem se ater aos ditames das normas que incidem sobre o acordo que foi celebrado. Quando há obrigatoriedade da convenção entre as partes (pacta sunt servanda), significa que o contrato faz lei entre as partes, desde que a supremacia da ordem pública (que é respeitada a partir do ordenamento jurídico vigente) seja respeitada.

Entende-se por obrigação o vinculo pessoal existente entre devedores e credores, tendo por objeto uma prestação ou contraprestação de conteúdo econômico, estas, por sua vez, devem ser possíveis, lícitas, determinadas ou determináveis, e, traduzíveis em dinheiro.

Existem diferentes tipos de obrigações:

Ônus real, que são obrigações que delimitam a fruição e a disposição, e representam direitos reais sobre coisa alheia e prevalecem erga omnes (lei que atinge todos os indivíduos).

O direito real atribue à uma pessoa prerrogativas sobre um bem, como o direito a propriedade.

As obrigações propter rem recaem sobre uma pessoa por força de um determinado direito real, permitindo sua liberação pelo abandono do bem; e passa a existir quando o titular do direito real é obrigado, devido a sua condição, a satisfazer certa prestação. E a obrigação terá eficácia real quando, sem perder seu caráter de direito a uma prestação, se transmite e é oponível a terceiros que adquiram direitos sobre determinado bem.

Normas Brasileiras do direito da obrigação

Com a constitucionalização das obrigações, o direito civil perdeu sua unidade fixa e colocada de maneira duradoura no código civil; e a teoria dos contratos, da propriedade, seja no campo empresarial, familiar ou etc, não responde mais a sua pluralidade das situações jurídicas, sendo necessário uma interpretação baseada em artigos da constituição. O intérprete precisa estudar os princípios constitucionais do Direito como um todo, e não somente como princípios políticos, predominando o principio da igualdade, para que ele não seja conduzido a respostas equivocadas. Essa constitucionalização fez com que as constituições se ocupem com a proteção da personalidade já que o direito dos códigos perdeu essa função. Agora a constituição constitui o núcleo de integração do sistema jurídico do DIPr.