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Extensã o de Nacala

Curso de Licenciatura em Direito

Teste de Direito Internacional Privado


Nome: Sofia Momade

RESPOSTAS:
1. a) A consequência jurídica própria do direito de conflitos traduz-se na
«aplicabilidade duma determinada ordem jurídica estadual» à resolução de certa
questão jurídica concreta de direito privado material, daqui resulta que as consequências
jurídicas possíveis do direito de conflitos são tantas quanto os diversos ordenamentos
jurídicos que aquele direito pode designar como aplicáveis.
Trata-se, pois, duma consequência jurídica «sui generis» a que só por transposição de
sentido podemos aplicar a designação de «consequência jurídica», visto ela,
diferentemente do que acontece com a de direito material, não operar, directamente e de
«per si», alterações no domínio das situações jurídicas concretas, ou seja, efeitos
constitutivos, modificativos ou extintivos de relações ou situações jurídicas.

c) discordo plenamente! Pelo contrário, o DIPri procura formular os princípios e regras


conducentes à determinação da lei ou das leis aplicáveis às questões emergentes das
relações jurídico-privadas de carácter internacional e, bem assim, assegurar o
reconhecimento no Estado do foro das situações jurídicas puramente internas de
questões situadas na órbita de um único sistema de Direito estrangeiro (situações
internacionais de conexão única, situações relativamente internacionais)

d) O processo seguido perante os tribunais portugueses é regulado pela lei portuguesa,


ainda que ao fundo da causa deva ser aplicada uma lei estrangeira. Isso é assim, pois
entende-se que as leis relativas ao rito processual (ao formalismo) não levantam um
problema de conflito de leis ― não afectam os direitos substanciais das partes. Em
suma, a «lex fori» é, neste caso, de aplicação imediata e territorial.
Contudo, devemos salientar algumas excepções a esta regra:
 as leis sobre prova podem, simultaneamente, afectar o fundo ou
substância do direito, por isso devem, para efeitos de conflitos de
leis, considerar-se como pertinentes ao direito material ou
substancial.

Há dois tipos de leis sobre prova:

a) Direito probatório formal: refere-se propriamente à actividade


do juiz, dos peritos, ou das próprias partes no decurso
do processo.
b) Direito probatório material: diz respeito às leis que decidem
sobre a admissibilidade deste ou daquele meio de prova, sobre o
ónus da prova e sobre as presunções legais. Aos pontos ou
questões de direito regulados por este tipo de normas já não se
aplica a «lex fori» enquanto «lex fori» (ou seja, enquanto lei
reguladora do processo), mas a (s) lei (s) competente (s) para
regular o fundo da causa:
o lei reguladora da forma dos actos;
o lei reguladora da relação jurídica em litígio;
o lei reguladora dos actos ou factos aos quais vai ligada a
presunção legal.

Importa salientar: a competência da «lex fori» enquanto pura lei de processo não
depende de qualquer conexão particular que a ligue à situação
jurídica em litígio.

Basta:
 que o tribunal deste Estado seja chamado a decidir a questão;
 que se verifique o pressuposto da competência interna de jurisdição
desse Estado; e
 que a acção, de facto, seja posta em movimento.
Quanto ao princípio da não transactividade das leis, ela consiste no princípio segundo
o qual nenhuma lei ― a do foro ou qualquer outra ― deve considerar-se aplicável a um
facto ou situação que não se acha (por qualquer dos seus elementos) em contacto com
ela. O não acatamento deste princípio universal de direito traria inevitavelmente
consigo o perigo da ofensa de direitos adquiridos ou de expectativas legítimas dos
indivíduos.

e). As normas jurídicas, como normas de conduta que são, vêem o seu âmbito de
eficácia limitado pelos factores tempo e espaço: __ não podem, por um lado, ter a
pretensão de regular os factos que se passaram antes de sua entrada em vigor;__nem,
por outro lado, os que se passem ou se passaram sem qualquer contacto com o Estado
que as editou.

Ou seja, o ordenamento jurídico de um Estado não pode chamar a si a orientação


daquelas condutas que se passaram para além da sua possível esfera de influência. Há
que respeitar-se os direitos adquiridos ou situações jurídicas constituídas à sombra da lei
eficaz, isto é, da lei sob cujo império ou dentro de cujo âmbito de eficácia o direito foi
adquirido ou a situação jurídica se constituiu, dado que a natural expectativa dos
indivíduos na continuidade e estabilidade das suas relações jurídicas ou direitos é um
pressuposto fundamental da existência do Direito como ordem implantada na vida
humana de relação.

Distingue-se, assim, o DIP. do direito transitório (ou intertemporal), pois, enquanto o


DIP. tem por objecto os conflitos de leis no espaço, o direito transitório dirime os
conflitos de normas jurídicas no tempo. Por outras palavras, enquanto o direito
intertemporal ou transitório trata de um problema relativo à dinâmica das leis, o DIP.
trata de um problema relativo à dinâmica de relações jurídicas.

b). Pois, é preciso determinar – do ponto de vista da teoria geral do direito – a que título
o direito estrangeiro é aplicado pelo juiz do foro, competente numa visão geral. Em
seguida, abordar os aspectos positivos do reconhecimento do seu teor e do modo de sua
interpretação. Ao se aplicar o direito estrangeiro, aparentemente ocorre uma brecha na
soberania. Com efeito, aí o juiz estaria reconhecendo uma autoridade ou a competência
ao legislador estrangeiro autor da norma aplicada. Portanto, Para que se possa
empreender qualquer estudo relacionado à ordem pública no direito internacional
privado, faz-se necessário, primeiramente, determinar seu conteúdo de referência.

Tal cuidado preliminar se deve ao fato de poucos termos serem, no direito, tão
controvertidos e servirem – muitas vezes de forma apenas aparente - para descrever
institutos de naturezas jurídicas tão diversas quanto “ordem pública”.

3. a) A lei para resolver o presente caso no foro competente seria a lei pessoa dos
respectivos sujeitos, nesse caso onde reside o Pandia em Macau, isto com fundamento
no artigo n. 25 do Código Civil na secção de normas de conflitos.

b) As outras leis interessadas para resolução do presente caso seriam à de Portugal, para
o Pulanka, e à da Itália para à Bella Flor, pois são reconhecidos em Portugal os
negócios jurídicos celebrados no País da residência habitual em conformidade com a lei
desse País, desde que esta se considere competente. [art. 32/2 CC]

c) As modalidades ou espécies de conexões podes distinguir da presente hipótese são


conexão múltipla ou complexa pois trata-se aqui de regras de conflitos que inscrevem
várias conexões (vários elementos de conexão) que apontam para várias leis como
sendo potencialmente aplicáveis ou competentes.
Os interesses a cuja satisfação o DIP. vai dirigido aconselham, por vezes, o recurso a
duas ou mais conexões para uma só matéria (v.g.: quando o que releva é garantir a
validade de um acto, proteger certas liberdades ou facilitar a constituição ou extinção
de certa relação jurídica).

2. f) CASO A: Neste primeiro caso, todos os elementos de contacto ou de conexão


relevantes de uma relação jurídica (sujeitos, objecto, facto jurídico) referem-se ao
mesmo ordenamento jurídico que é o ordenamento jurídico local. Deste modo, o regime
regulador para esta relação jurídica celebrada é definido pela lei do Estado em cujo
território o imóvel encontra-se situado segundo a plasmado no artigo 46 n. 1 Código
Civil. São situações puramente internas.

CASO B: neste caso dizem respeito a todos os factos que apresentam pontos de
contacto ou conexão com um único ordenamento jurídico que, todavia, não é o
ordenamento jurídico do foro chamado a conhecer da questão controvertida. Também
aqui não se põe o problema da determinação da lei estadual aplicável, pois, por respeito
ao princípio da não transactividade, apenas poderá ser aplicada ao caso a lei do único
ordenamento jurídico que com a relação jurídica em causa apresenta um ponto de
contacto ou de conexão, consequentemente terá como lei reguladora a lei nacional
comoum nos termos do artigo 52 do Código Civil no que diz respeito as relações entre
os conjuges. Estamos perante situações relativamente internacionais.

CASO C: Aqui neste último, englobam-se neste caso todos os factos que apresentam
pontos de contacto ou conexão com vários ordenamentos jurídicos. Apenas neste último
caso coloca-se verdadeiramente o problema da determinação da lei estadual aplicável
(«choice of law»), visto serem duas ou mais as leis em contacto com a situação.

Neste segundo tipo de situações internacionais, o princípio da não transactividade


assume uma dupla função:

 por um lado, exclui todos os ordenamentos jurídicos que não apresentam


pontos de contacto ou conexão com a situação em causa, não podendo,
portanto, ser aplicados ― dimensão negativa do princípio da não
transactividade das leis; e
 por outro lado, delimita os ordenamentos jurídicos potencialmente
aplicáveis ― dimensão positiva do princípio da não transactividade das
leis.

Contudo, quando estamos perante uma situação absolutamente internacional, a simples


aplicação do princípio da não transactividade das leis, por si só, não basta. Após a
realização desta tarefa de delimitar os ordenamentos jurídicos estaduais potencialmente
aplicáveis a uma dada situação absolutamente internacional, temos ainda que fazer
intervir uma especial regra de conflitos capaz de dirimir o concurso entre as leis
aplicáveis, e dirima este concurso ou conflito tendo em atenção o ponto de contacto ou
de conexão entre os ordenamentos jurídicos em concurso e os factos que exigem uma
solução (segundo momento do DIP.) ― há que atender à conexão entre as leis
potencialmente aplicáveis e os factos através do lugar da sua verificação, à sede das
pessoas e à situação da coisa ou outros elementos de conexão da maior relevância.

Portanto, a lei aplicável a lei pessoa do autor da sucessão ao tempo do falecimetno


deste, competindo-lhe também definir os poderes do administrador da herança e do
executor testamentario.[art. 62 CC], se, porém, a lei Pessoal do autor da herança no
momento da declaração exigir, sob pena de nulidade ou ineficácia, a observância de
determinada forma, ainda que o acto seja praticado no estrangeiro, será a exigência
respeitada [art. 65/2 CC].