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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO P rocesso s eletivo

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Processo seletivo simPlificado – docentes

012. Prova objetiva

Professor de educação Básica ii – filosofia

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11.11.2012

manhã

FORMAÇÃO PEDAGÓGICA

01. Com relação à formação contínua de professores, analise as seguintes afirmações. I. Formar-se é fazer cursos de forma ativa, sem, neces- sariamente, ter de repensar as práticas profissionais. II. Entre os procedimentos pessoais e coletivos de auto- formação, podem-se mencionar, entre outros, a leitura, a experimentação, a inovação e o trabalho em equipe. III. A prática reflexiva diz respeito a uma vontade de aprender metodicamente com a experiência e de trans- formar sua prática a cada ano.

De acordo com Perrenoud, está correto o que se afirma em

(A)

I, apenas.

(B)

II, apenas.

(C)

I e III, apenas.

(D)

II e III, apenas.

(E)

I, II e III.

02. Segundo Perrenoud, “[

]

sob as aparências da continuidade,

as práticas pedagógicas mudam lenta, mas profundamente. Ao longo das décadas, elas:

(A)

exigem uma disciplina cada vez mais estrita, deixando pouca liberdade aos alunos”.

(B)

vinculam-se mais à adaptação do aluno à sociedade, um pouco menos ao desenvolvimento da pessoa”.

(C)

concebem progressivamente o ensino como uma sucessão de lições, desconsiderando a organização de situações de aprendizagem”.

(D)

direcionam-se a um planejamento didático mais rí- gido, sem negociação com os alunos, e desconside- rando ocasiões e aportes imprevisíveis”.

(E)

visam cada vez mais frequentemente a construir compe- tências, para além dos conhecimentos que mobilizam”.

03. Em A educação em novas perspectivas sociológicas, Go-

mes retoma algumas ideias de um importante autor. Gomes

menciona que, segundo esse autor, “[

ajudar o homem a ser sujeito. Não qualquer tipo de educa- ção, mas uma educação crítica e dirigida à tomada de deci- sões e à responsabilidade social e política. Uma educação baseada no diálogo e não no monólogo.”

Nesse trecho, Gomes está fazendo menção a

] A educação pode

(A)

Paulo Freire.

(B)

Jean Piaget.

(C)

Cipriano Luckesi.

(D)

Henri Wallon.

(E)

L. S. Vygotsky.

04. Em relação à escola segundo os paradigmas do consenso e do conflito, analise as seguintes afirmações.

I. Na escola, existem e coexistem duas estruturas: formal

e informal. Um exemplo da estrutura formal encontra-

-se em situações em que um professor, em virtude de seu amplo e profundo conhecimento das relações in- formais da escola, torna-se mais importante que um administrador.

II. O paradigma do conflito enfatiza as tensões e oposi- ções entre professores e estudantes. A escola é vista como uma instituição que impõe certos valores e pa- drões culturais ao aluno. III. O paradigma do consenso enfatiza os valores comuns

e a cooperação entre professores e alunos, de modo

que a escola funcione como elemento de integração e continuidade entre gerações.

De acordo com Gomes, está correto o que se afirma em

(A)

I,

apenas.

(B)

III, apenas.

(C)

I e II, apenas.

(D)

II

e III, apenas.

(E)

I,

II e III.

05. Saviani afirma que o “lema ‘aprender a aprender’, tão di- fundido na atualidade, remete ao núcleo das ideias peda- gógicas escolanovistas.”. Segundo esse autor, o “aprender a aprender”,

(A)

no âmbito do escolanovismo, ligava-se à necessidade de constante atualização exigida pela necessidade de ampliar a esfera da empregabilidade.

(B)

atualmente, no processo de ensino e aprendizagem, provoca um deslocamento do eixo: o professor passa

ser aquele que ensina e deixa de ser o auxiliar do aluno em seu próprio processo de aprendizagem.

a

(C)

no contexto atual, é ressignificado, já não significa adquirir a capacidade de buscar conhecimentos por

si

mesmo, ocupar um lugar e cumprir um papel de-

terminado em uma sociedade entendida como um organismo.

(D)

na atualidade, significa assimilar determinados co- nhecimentos, isto é, o mais importante é ensinar e aprender os conteúdos curriculares previstos pelos programas de cada sistema de ensino.

(E)

no contexto atual, refere-se à valorização dos proces- sos de convivência entre as crianças e os adultos e da adaptação do indivíduo à sociedade vista como um organismo em que cada um tem um lugar e um papel definido a cumprir.

06. Na ação docente, de acordo com Rios, construir a felicida- dania, entre outras coisas, é:

I. reconhecer o outro, o qual, para o professor, na relação docente, é o aluno. É preciso considerar o aluno na perspectiva da igualdade na diferença, que é o espaço da justiça e da solidariedade; II. traçar e desenvolver um projeto individual de traba- lho. Um projeto de escola é a soma de projetos indivi- duais, os quais, em última análise, têm por finalidade a superação de dificuldades de aprendizagem; III. lutar pela criação e pelo aperfeiçoamento de condições viabilizadoras do trabalho de boa qualidade. Essas condições encontram-se unicamente no docente, não dizem respeito à infraestrutura do local de trabalho.

Está correto o contido em

(A)

I, apenas.

(B)

II, apenas.

(C)

I e III, apenas.

(D)

II e III, apenas.

(E)

I, II e III.

07. Considerando-se as sete categorias básicas de construção do conhecimento, na perspectiva dialética, analise as in- formações a seguir.

•   É o amplo e complexo processo de estabelecimento de  relações entre o objeto de conhecimento e as representa- ções mentais prévias e as necessidades do sujeito.

•   É a exigência, no processo de conhecimento, da ativi- dade do aluno para ser sujeito do próprio conhecimento (agir para conhecer), e da articulação do objeto com a prática social mais ampla (objeto-realidade).

•   É a postura do professor no sentido de, ao invés de dar  pronto, levar o aluno a pensar, a partir do questionamento de suas percepções, representações e práticas.

De acordo com Vasconcellos, as informações, correta e respectivamente, referem-se à

(A)

Criticidade; à Historicidade; à Práxis.

(B)

Significação; à Práxis; à Problematização.

(C)

Historicidade; à Criticidade; à Significação.

(D)

Problematização; à Práxis; à Significação.

(E)

Significação; à Criticidade; à Continuidade-Ruptura.

08. Com relação ao projeto pedagógico-curricular, de acordo com o que afirmam Libâneo et alii, assinale a alternativa correta.

(A)

O projeto é construído individualmente, ou seja, cada professor, voltando-se para sua especialidade, cons- trói o projeto de forma autônoma.

(B)

Para garantir a autonomia da equipe, é preciso des- considerar o já instituído (currículos, conteúdos, mé- todos etc.).

(C)

A característica instituinte do projeto significa que ele institui, estabelece, cria objetivos, procedimentos, instrumentos, modos de agir, formas de ação, estrutu- ras, hábitos, valores.

(D)

Elaborado para evitar mudanças institucionais, do comportamento e das práticas dos professores ao lon- go do ano letivo, o projeto é um documento acabado, concluído e definitivo.

(E)

A formulação do projeto pedagógico-curricular não é prática educativa, mas contribui no processo de aprendizagem efetiva dos alunos.

09. Segundo Libâneo et alii, o currículo real refere-se

(A)

ao que é estabelecido pelos sistemas de ensino, ex- presso em diretrizes curriculares, nos objetivos e nos conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo.

(B)

àquilo que, de fato, acontece na sala de aula, em de- corrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino.

(C)

àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores e são provenientes da experiência cultural, dos valores etc.

(D)

aos conteúdos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e concretizados pela elaboração da Pro- posta Curricular do Estado de São Paulo.

(E)

aos conceitos, às definições e às metodologias de- senvolvidos ou validados pelos diferentes órgãos de fomento científico.

10.

11.

Em relação às ações da escola no campo da avaliação edu- cacional, voltadas para a formação continuada no contexto de trabalho, analise as afirmações a seguir.

12. De acordo com o Parecer CEB n.º 15/1998, é correto afir- mar que a preparação básica para o trabalho, prevista no artigo 35 da LDB,

•   É uma função primordial do sistema de organização e de  gestão dos sistemas escolares, podendo abranger tam- bém as escolas, individualmente. •   Visa à produção de informações sobre os resultados da  aprendizagem escolar em função do acompanhamento e da revisão das políticas educacionais, do sistema escolar

das escolas, com a intenção de formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino.

e

(A)

destina-se exclusivamente àqueles que já estão no mercado de trabalho ou que nele ingressarão a curto prazo.

(B)

será preparação para o exercício de profissões espe- cíficas ou para ocupação de postos de trabalho deter- minados.

(C)

está vinculada a alguns componentes curriculares em particular, não a todos, pois o “trabalho” é obrigação de conteúdos determinados.

•   Tem  por  objetivo  aferir  a  qualidade  de  ensino  e  da  aprendizagem dos alunos; para isso, busca-se perceber

relação entre a qualidade da oferta dos serviços de en- sino e os resultados do rendimento escolar dos alunos.

a

(D)

destina-se aos alunos matriculados em escolas de

ensino técnico profissional, portanto, direcionada

De acordo com Libâneo et alii, essas informações, correta

e

respectivamente, referem-se à avaliação

um grupo que já está ingressando no mercado de trabalho.

a

(A)

acadêmica; à avaliação institucional; à avaliação da escola.

(E)

destacará a relação da teoria com a prática e a com- preensão dos processos produtivos enquanto aplica- ções das ciências, em todos os conteúdos curriculares.

(B)

da escola; à avaliação diagnóstica; à avaliação científica.

(C)

formativa; à avaliação institucional; à avaliação aca- dêmica.

 

(D)

diagnóstica; à avaliação do sistema escolar; à avalia- ção institucional.

13. Proposta Curricular do Estado de São Paulo aponta para

A

a

necessidade de se trabalhar com um currículo que pro-

(E)

institucional; à avaliação acadêmica; à avaliação da escola.

mova competências. De acordo com esse documento, esse currículo

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo lançou, em 2008, o Programa de Qualidade da Escola (PQE), com o objetivo de promover a melhoria da qualidade e a equidade

do sistema de ensino na rede estadual paulista. De acordo

com esse programa, Nota Técnica (2009), o IDESP (Índice 

(A)

(B)

acarreta, necessariamente, a dissociação entre a atua- ção do professor, os conteúdos, as metodologias dis- ciplinares e a aprendizagem requerida do aluno.

promove os conhecimentos próprios de cada discipli-

na sem a necessidade de articulá-los às competências

de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo)

e

às habilidades dos alunos.

um indicador que avalia a qualidade da escola. Nesta ava- liação, considera-se que uma boa escola é aquela

é

(C)

tem de levar em conta o fato de que as competências

e

as habilidades devem ser consideradas, exclusiva-

(A)

em que a maior parte dos alunos apreende as compe- tências e habilidades requeridas para a sua série, num período de tempo ideal – o ano letivo.

mente, no que têm de específico com as disciplinas e

tarefas escolares.

(B)

que possui condições de infraestrutura suficientes para a efetivação do trabalho docente, inclusive com laboratórios de informática e de química.

(D)

parte da premissa de que a educação escolar é refe- renciada no ensino – o plano de trabalho da escola indica o que será ensinado ao aluno.

(C)

em que a gestão democrática efetiva-se mediante a participação real de alunos, pais e profissionais da educação, sobretudo na construção de um projeto político-pedagógico.

(E)

tem o compromisso de articular as disciplinas e as atividades escolares com aquilo que se espera que os alunos aprendam ao longo dos anos.

(D)

que tem por referência o bem coletivo, cujos alunos voltam-se para demandas concretas da sociedade, por meio de projetos trans e interdisciplinares.

 

(E)

em que se instala, na prática educativa, uma instância de comunicação construtiva, espaço para a palavra do professor e do aluno, para o exercício da argumenta- ção e da crítica.

14. Analise a figura a seguir, constante na obra Matrizes de Referência para a Avaliação:
14. Analise a figura a seguir, constante na obra Matrizes de
Referência para a Avaliação: documento básico (2009),
que apresenta uma síntese das competências cognitivas
avaliadas no SARESP.
Grupo III
Esquemas Operatórios
Realizar
Compreender
COMPETÊNCIAS
Grupo II
Grupo I
Esquemas
Esquemas
Procedimentais
Observar
Presentativos

Com relação a esses grupos, analise as seguintes infor- mações.

Coluna a

Coluna B

Grupo I

a) Competências para compreender: as com- petências relativas a esse grupo referem- -se a operações mentais mais complexas, que envolvem pensamento proposicional ou com- binatório, graças ao qual o raciocínio pode ser agora hipotético-dedutivo.

Grupo II

Grupo III

b) Competências para observar: graças aos esquemas relativos a esse grupo, os alunos podem ler a prova, em sua dupla condição:

registrar perceptivamente o que está propos- to nos textos, imagens, tabelas ou quadros e interpretar este registro como informação que torna possível assimilar a questão e decidir sobre a alternativa que julgam mais correta.

c) Competências para realizar: as habilidades relativas às competências desse grupo caracteri- zam-se pelas capacidades de o aluno realizar os procedimentos necessários às suas tomadas de decisão em relação às questões ou tarefas pro- postas na prova.

De acordo com a obra Matrizes de Referência para a Ava- liação: documento básico (2009), assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas A e B.

(A)

Grupo I – a; Grupo II – b; Grupo III – c.

(B)

Grupo I – b; Grupo II – c; Grupo III – a.

(C)

Grupo I – c; Grupo II – b; Grupo III – a.

(D)

Grupo I – c; Grupo II – a; Grupo III – b.

(E)

Grupo I – b; Grupo II – a; Grupo III – c.

15. Com relação à aprendizagem do que ensinar e de como ensinar, Delors et alii afirmam que, para o professor,

(A)

diferentemente do que ocorre com os membros das outras profissões, a sua formação inicial lhe basta para o resto da vida.

(B)

a

competência na disciplina ensinada é imprescindí-

vel, mas a competência pedagógica, mesmo sendo desnecessária, deve ser cuidadosamente respeitada.

(C)

sua formação deve inculcar-lhe uma concepção de pedagogia que se limite ao utilitário, caso contrário, ela perderá sua função educativa.

(D)

sua formação deveria incluir um forte componente de formação para a pesquisa e deveriam estreitar-se as relações entre os institutos de formação pedagógica

e

a universidade.

(E)

sua formação tem de ser uma formação à parte que o isole das outras profissões, pois é prejudicial à edu- cação que os professores exerçam outras profissões.

16. Em relação à frequência e à compensação de ausências, analise as afirmações a seguir.

I. As atividades de compensação de ausências serão pro- gramadas, orientadas e registradas pelo coordenador pedagógico, com a finalidade de sanar as dificuldades de aprendizagem provocadas por frequência irregular às aulas.

II. A compensação de ausências não exime a escola de adotar as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, e nem a família e o próprio aluno de justificar suas faltas.

III. O controle de frequência será efetuado sobre o total de horas letivas, exigida a frequência mínima de 75% para promoção.

De acordo com o Parecer CEE n.º 67/1998, artigos 77 e 78, está correto o que se afirma em

(A)

II, apenas.

(B)

III, apenas.

(C)

I

e III, apenas.

(D)

II e III, apenas.

(E)

I,

II e III.

17. Rodrigo e Sérgio, dois adolescentes regularmente matri- culados no ensino fundamental, são educandos com ne-

cessidades especiais. Rodrigo, em virtude de suas defici- ências, não pode atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental. Sérgio é superdotado, está sempre

à frente de seus colegas de sala e resolve com extrema facilidade as situações de aprendizagem propostas.

De acordo com o artigo 59 da Lei n. o 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o sistema de ensino, do qual faz parte a unidade escolar onde estudam esses dois educandos, deve assegurar a

(A)

Rodrigo a terminalidade específica de seus estudos, já

que ele não pode atingir o nível exigido para concluir

o

ensino fundamental.

(B)

Rodrigo e Sérgio a aceleração de estudos para que concluam em menor tempo o programa escolar.

(C)

Rodrigo estudos de recuperação, de preferência pa- ralelos ao período letivo, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seu regimento.

(D)

Sérgio bolsa de estudos, a fim de que possa matri- cular-se em uma escola mais bem preparada para atendê-lo.

(E)

Rodrigo e Sérgio a transferência para uma instituição privada especializada e com atuação exclusiva em educação especial.

18. Com relação ao regime de progressão continuada, analise as afirmações a seguir. I. A avaliação contínua em processo é o eixo que sus- tenta a eficácia da progressão continuada nas escolas.

II. No regime de progressão continuada, a avaliação dei- xa de ser um procedimento decisório quanto à aprova- ção ou à reprovação do aluno.

III. Com a adoção do regime de progressão continuada, torna-se imprescindível procurar os culpados da não aprendizagem, sejam eles alunos, membros da família ou professores. Define-se, portanto, uma via de solu- ção que seja a via pessoal.

De acordo com a Indicação CEE n.º 8/1997, está correto

o que se afirma em

(A)

I,

apenas.

(B)

II, apenas.

(C)

I

e II, apenas.

(D)

I

e III, apenas.

(E)

I,

II e III.

19. De acordo com a obra Gestão do Currículo na Escola:

Caderno do Gestor, 2009, vol. 3, os conselhos de classe

e série

(A)

caracterizam-se como o colegiado responsável na es- cola pelo acompanhamento pedagógico do processo de ensino-aprendizagem e de avaliação.

(B)

têm status próprio, mas não têm o poder decisório de in- terferir na Proposta Pedagógica da escola. Esse tipo de interferência é de uso exclusivo das instâncias superiores.

(C)

são, obrigatoriamente, presididos pelo professor-coor- denador e integrados pelos professores e supervisores de ensino. Os alunos não têm direito assegurado de par- ticipação.

(D)

têm por objetivo “julgar” os alunos com problemas de aprendizagem ou de disciplina, podendo, inclusive, re- provar um aluno como forma de punição por sua indis- ciplina.

(E)

têm, no regime de progressão continuada – que pode ser considerado sinônimo de “promoção automática” –, a incumbência de organizar o processo de recuperação.

20. Em relação à Organização da Educação Nacional, analise as colunas a seguir.

Coluna a

 

Coluna B

I. União

a) Oferecer a educação infantil em creches

II. Estados

pré-escolas, e, com prioridade, o ensi- no fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as ne- cessidades de sua área de competência

e

e

com recursos acima dos percentuais

III. Municípios

mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvi- mento do ensino.

b) Baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação.

c) Assegurar o ensino fundamental e ofe- recer, com prioridade, o ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta Lei.

No que diz respeito à incumbência da União, dos Estados

e dos Municípios, estabeleça, de acordo com os artigos 9,

10 e 11 da Lei n.º 9.394/1996, a correta relação entre as colunas A e B.

(A)

I – b; II – a; III – c.

(B)

I – a; II – c; III – b.

(C)

I – b; II – c; III – a.

(D)

I – a; II – b; III – c.

(E)

I – c; II – b; III – a.

FORMAÇÃO ESPECÍFICA

21. “O objetivo da metafísica é propriamente o divino, e a prioridade da metafísica consiste na prioridade que o ser divino tem sobre todas as outras formas ou modos do ser.

Desse ponto de vista, as ciências se hierarquizam segundo

a excelência ou perfeição de seus respectivos objetos, que

é medida confrontando-os com o ser divino”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007. Adaptado)

Sobre a metafísica, pode-se afirmar que

(A)

sua análise dos objetos reais busca expressar a singu- laridade de cada um.

(B)

ela significou o abandono dos referenciais teológicos do conhecimento.

(C)

ela estabeleceu parâmetros que priorizam a universa- lidade em detrimento da particularidade.

(D)

se trata de um conceito que não sofreu alterações de Platão a Aristóteles.

(E)

se trata de um conceito religioso e sem repercussões filosóficas.

22. “Na obra A República, Sócrates apresenta a Glauco três tipos de homem e pergunta qual deles seria o mais feliz: o governado pela razão, aquele que é dominado pelo dese- jo de glória ou o que é dirigido pela ambição de riqueza. Conclui que é aquele em que a razão predomina. Assim, se, como vemos acima, a conduta humana depende do au- tocontrole, segundo a concepção platônica de natureza hu- mana nessa passagem, o indivíduo mais feliz e realizado do ponto de vista ético é aquele em que a razão predomina

e por isso é capaz de decidir com mais acuidade e melhor governar a si mesmo”.

(MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007)

De acordo com a concepção platônica esboçada no texto,

(A)

a felicidade humana é dissociada de repercussões políticas.

(B)

a convivência ética depende do controle sobre as paixões.

(C)

o homem ético é aquele que vive em estado de he- teronomia.

(D)

autocontrole e autogoverno são virtudes do tirano.

(E)

o comportamento humano não pode ser moldado pela ética.

23. “Sócrates – Ao atingir os cincoenta anos, aqueles que se tiverem distinguido em tudo de toda maneira, no agir e

nas ciências, deverão ser levados até o limite e forçados

a elevar a parte luminosa de sua alma ao Ser que ilumina

todas as coisas. Então, quando tiverem vislumbrado o bem em si mesmo, usá-lo-ão como um modelo para organizar

a cidade, os particulares e sua própria pessoa, cada um

por sua vez, pelo resto da sua vida. Passarão a maior parte do seu tempo estudando a filosofia, quando chegar a vez deles, suportarão trabalhar nas tarefas de administração e governo, por amor à cidade, pois que verão nisso não uma ocupação nobre, mas um dever indispensável”.

(Platão, A República. São Paulo, Martin Claret, 2000)

No entender de Platão, o exercício da política

(A)

depende de um constante aperfeiçoamento da alma.

(B)

é uma tarefa profissional compatível com a atividade sofística.

(C)

é uma atividade reservada a sacerdotes religiosos.

(D)

deve ser privilégio de elites nobres e bem nascidas.

(E)

orienta-se por critérios pragmáticos relativos a cada contexto.

24. “Sócrates – Quanto a mim, a minha opinião é esta: no

mundo inteligível, a ideia do bem é a última a ser apreen- dida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo exis- te em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular

e na vida pública”.

(Platão. A República. São Paulo, Martin Claret, 2000)

De acordo com as concepções políticas de Platão,

(A)

os homens são seres imperfeitos condenados à tirania das paixões.

(B)

a política é sempre condicionada por relações de natureza material.

(C)

esfera particular e esfera pública independem uma da outra.

(D)

as imperfeições humanas podem ser corrigidas pela luz da razão.

(E)

o conhecimento filosófico é dissociado de impli- cações éticas.

25. “Existem duas concepções fundamentais de ética. Uma,

a considera como ciência do fim para o qual a conduta

dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir tal fim; outra, a considera como ciência do móvel da conduta humana. A primeira fala a língua do ideal para o qual o homem se dirige por sua natureza, e, por conseguinte, da ‘natureza’, ‘essência’ ou ‘substância’ do homem. Já a se-

gunda fala dos ‘motivos’ ou ‘causas’ da conduta humana, ou das forças que a determinam, pretendendo ater-se ao conhecimento dos fatos”.

(Dicionário Abbagnano. São Paulo, Martins Fontes, 2007. Adaptado)

Sobre essas duas definições filosóficas de ética, pode-se afirmar que

de acordo com a primeira definição, o “bem” é o que é, enquanto para a segunda definição, o “bem” é ob- jeto de desejo.

(B)

(A)

a ética, enquanto ciência da conduta, é assunto con- sensual no interior da história da filosofia.

a ambas é comum a concepção da existência de ideais de perfeição ética alcançáveis pelos homens.

de acordo com ambas, as virtudes éticas são inatas, e, portanto, independem das transformações históricas.

nos dois casos a conduta ética depende diretamente da iluminação da alma humana pela luz divina.

(C)

(D)

(E)

26. “Nietzsche define seu pensamento em Além do bem e do mal como uma ‘crítica da modernidade’. Particularmente no caso da ética, procura mostrar que ela não se funda- menta na razão. A moral cristã se caracteriza pela ‘moral de rebanho’, em que os indivíduos se deixam levar pela maioria e seguem os ensinamentos da moral tradicional de forma acrítica. É também a moral do ‘homem do ressen- timento’, que assume a culpa e o pecado como caracterís-

ticas de sua natureza e por isso reprime seus impulsos vi- tais, sua vontade, sua criatividade, em nome da submissão

à autoridade da religião e, por extensão, do Estado e das instituições em geral”.

(MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007)

Pode-se caracterizar a crítica de Nietzsche à modernidade como uma

(A)

proposta de resgate dos elementos metafísicos da filosofia.

(B)

reflexão de natureza materialista sobre a sociedade.

(C)

aceitação dos parâmetros kantianos de reflexão sobre

a

ética.

(D)

exaltação dos valores morais da sociedade burguesa.

(E)

proposta de autorreflexão crítica sobre a ética e a moral.

27. “Como a moral, portanto, tem influência sobre as ações

e os afetos, não pode ser derivada da razão; isso porque

a razão, por si só, como já provamos, jamais pode ter tal

influência. A moral excita paixões e produz ou evita ações.

A razão sozinha é inteiramente impotente nesse particular.

As regras da moralidade, portanto, não são deduções de nossa razão”.

(HUME, D. citado em MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007)

A ruptura estabelecida por Hume frente à racionalidade filosófica de sua época pode ser atribuída

(A)

à valorização de elementos metafísicos na análise da razão.

(B)

a seu ceticismo frente à autonomia da razão sobre as paixões.

(C)

à sua defesa de uma ética universal fundamentada racionalmente.

(D)

ao apontamento dos elementos teológicos indispen- sáveis à moral.

(E)

à sua análise espinosista da relação entre razão e moral.

28. “A problemática central de Kierkegaard é exatamente a irracionalidade de nossa experiência do real, a impossibi- lidade de tomarmos decisões de maneira racional e de jus- tificarmos nossa ação de um ponto de vista ético. A ques- tão ética fundamental reside, assim, na necessidade de fazermos escolhas frente à impossibilidade de ter certeza delas e de poder justificá-las. É necessário, para isso, dar um ‘salto no escuro’, que consiste na fé e está além da ra- cionalidade, da justificação ou mesmo da compreensão”.

(MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007)

Nos termos assinalados no texto, a ética de Kierkegaard está amparada em pressupostos

(A)

baseados na matematização cartesiana.

(B)

irredutíveis a uma plena compreensão racional.

(C)

cujos alicerces são de natureza epistemológica.

(D)

correspondentes à razão prática kantiana.

(E)

que priorizam o mundo inteligível platônico.

29. “Freud questiona a fundamentação dos valores éticos na razão e a possibilidade de justificação desses valo- res; o ideal de natureza humana que tem como pressu- postos determinadas virtudes e também a consciência moral como instância central da decisão ética. Mostra que a ação humana não depende totalmente do controle racional e das deliberações racionais do ser humano: ao contrário, é em grande parte determinada por elemen- tos inconscientes, como instintos, desejos reprimidos e traumas, dos quais não nos damos conta ou não somos plenamente conscientes”.

(MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007)

De acordo com essa caracterização, pode-se afirmar que o pensamento de Freud

(A)

apresenta elementos que reforçam a moralidade cristã.

(B)

pressupõe que os valores morais são absolutos.

(C)

analisa os fundamentos inconscientes das ações hu- manas.

(D)

justifica em termos psicológicos o imperativo categó- rico kantiano.

(E)

defende a plena transparência dos processos emocio- nais frente à razão.

30. “Para os filósofos antigos, o sujeito ético ou moral não se submete aos acasos da sorte, à vontade e aos desejos de um outro, à tirania das paixões, mas obedece apenas à sua consciência – que conhece o bem e as virtudes – e à sua vontade racional – que conhece os meios adequados para chegar aos fins morais. A busca do bem e da felicidade são a essência da vida ética”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

De acordo com essa definição, a ética, para os filósofos antigos, pressupõe

(A)

que o irracionalismo passional prevalece sobre a razão.

(B)

a necessidade de princípios teológicos para sua fun- damentação.

(C)

que os aspectos trágicos da vida dificultam uma con- duta regrada.

(D)

que o conhecimento é uma esfera separada da vida adequada.

(E)

que os modos adequados de vida podem ser conhe- cidos pela razão.

31. “As virtudes aristotélicas inserem-se numa sociedade que valorizava as relações sociopolíticas entre os seres huma- nos, donde a proeminência da amizade e da justiça. As virtudes cristãs inserem-se numa sociedade voltada para a relação dos seres humanos com Deus e a lei divina. A vir- tude espinosana toma a relação do indivíduo com a Natu- reza e a sociedade, centrando-se nas ideias de integridade individual e de força interna para relacionar-se livremente com ambas”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

De acordo com o texto, a ética pode ser definida como um conjunto de princípios

(A)

absolutos legitimados pela teologia.

(B)

historicamente condicionados.

(C)

dialeticamente condicionados.

(D)

determinados pela luta de classes.

(E)

cientificamente condicionados.

32. Para São Tomás de Aquino “humanidade significa os prin- cípios essenciais da espécie, tanto formais quanto mate- riais, não levando em conta os princípios individuais. A humanidade é aquilo em virtude do que o homem é ho- mem; e o homem é homem não porque tem os princípios individuais, mas porque tem os princípios essenciais da espécie”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007)

Essa concepção de humanidade está alicerçada em princí- pios metafísicos, pois

(A)

pressupõe a existência humana a partir de um modelo mecanicista e matemático.

(B)

prioriza a singularidade de cada homem particular em detrimento da espécie.

(C)

pressupõe a existência de uma essência humana não redutível a parâmetros universais.

(D)

baseia-se na liberdade como dimensão que precede a essência da humanidade.

(E)

enfatiza a existência de uma essência de humanidade que não está sujeita a diferenças acidentais.

33. “Segundo uma concepção crítica, a filosofia tem como tarefa verificar a validade do saber, determinando seus limites e condições, suas possibilidades efetivas. O inicia- dor desse conceito de filosofia foi Locke. Todo o Ensaio nasceu – como ele adverte na ‘Epístola ao Leitor’, que o precede – da necessidade de ‘examinar a capacidade da mente humana e ver que objetos estão ao seu alcance e quais os que estão acima de sua compreensão’ ”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007. Adaptado)

Segundo essa definição, o pensamento de Locke

(A)

buscou definir as instâncias inatas que são condições para o pensamento especulativo.

(B)

caracterizou o saber filosófico como revelação ou ilu- minação divina acessível por meio da fé.

(C)

estabeleceu o Espírito Absoluto como instância que se realiza pelo progresso histórico.

(D)

caracterizou os limites que circunscrevem a atividade do cogito cartesiano.

(E)

antecipou o estilo crítico da filosofia kantiana em seu estudo dos limites e condições do conhecimento.

34. “Ora, Hume torna impossível tanto a universalidade quan- to a necessidade pretendidas pela razão. O universal é apenas um nome ou uma palavra geral que usamos para nos referirmos à repetição de semelhanças percebidas e associadas. O necessário é apenas o nome ou uma palavra geral que usamos para nos referirmos à repetição das per- cepções sucessivas no tempo. O universal, o necessário, a causalidade, são meros hábitos psíquicos”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003)

As hipóteses de Hume aqui descritas explicam-se em função

(A)

da primazia das percepções como fonte das ideias.

(B)

da teoria política por ele esboçada sobre os conflitos de sua época.

(C)

de sua revalorização da existência de um mundo inte- ligível platônico.

(D)

de sua concepção de que as ideias humanas refletem as ideias de Deus.

(E)

de sua crítica às teorias contratualistas sobre o direito natural.

35. “Qual o engano dos empiristas? Supor que a estrutura da razão é adquirida por experiência ou causada pela expe- riência. Na verdade, a experiência não é causa das ideias, mas é a ocasião para que a razão, recebendo a matéria ou

o conteúdo, formule as ideias”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003)

A definição apresentada no texto sobre a relação entre a estrutura da razão e as ideias é compatível com

(A)

o

empirismo filosófico.

(B)

a

metafísica platônica.

(C)

o

idealismo transcendental.

(D)

o

romantismo filosófico.

(E)

a

ética espinosista.

36. “O empirismo é substancialmente uma instância cética,

que de dúvida geral transformou-se em dúvida organizada

e metódica para experimentar, em todos os campos, o al-

cance da verdade que o homem pode obter. O empirismo alija da filosofia, e de qualquer pesquisa legítima, os pro- blemas referentes a coisas que não sejam acessíveis aos instrumentos de que o homem dispõe”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007)

De acordo com essa definição, a filosofia empirista está

fundamentada

(A)

na universalidade metafísica.

(B)

nos princípios inatistas cartesianos.

(C)

na crítica da razão pura de Kant.

(D)

na pesquisa dos dados sensíveis.

(E)

no idealismo absoluto hegeliano.

37. “Imaterialismo foi o termo criado por Berkeley para indi- car a doutrina da negação de existência da realidade cor- pórea e da redução desta a ideias impressas nos espíritos finitos diretamente por Deus. O argumento fundamental adotado por Berkeley em favor do imaterialismo é que as coisas e suas propriedades não são mais que ideias que, para existirem, precisam ser percebidas, portanto pensar coisas que não sejam percebidas equivale a defini-las como ‘não pensadas’ mesmo enquanto são pensadas”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007. Adaptado)

Sobre o imaterialismo, pode-se afirmar que ele

(A)

baseou-se na distinção cartesiana entre mente e corpo.

(B)

fundamentou-se na teoria física de Isaac Newton.

(C)

questionou os fundamentos teológicos da filosofia moderna.

(D)

concebeu existirem duas substâncias: a mente humana

e

a mente de Deus.

(E)

resgatou a divisão platônica entre mundo sensível e mundo inteligível.

38. “Epistemologia: análise crítica das ciências, tanto as ciên- cias exatas ou matemáticas, quanto as naturais e as huma- nas; avaliação dos métodos e dos resultados das ciências; compatibilidades e incompatibilidades entre as ciências; formas de relações entre as ciências etc”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003)

Considerando essa definição, a epistemologia pode ser definida como estudo dos fundamentos lógicos do conhe- cimento. Isso significa que

(A)

a análise epistemológica é sempre condicionada pelo relativismo.

(B)

a análise da linguagem científica é suficiente para sua compreensão.

(C)

os valores éticos e morais presidem a análise filosó- fica das ciências.

(D)

as ciências são enfocadas sob o ponto de vista de um progresso linear.

(E)

a filosofia assume um papel investigativo sobre o papel das ciências.

39. “O termo ideia foi empregado com dois significados fundamentais diferentes: 1. como a espécie única intuí- vel numa multiplicidade de objetos; 2. como um objeto qualquer do pensamento humano, ou seja, como represen- tação em geral. No primeiro significado, essa palavra é empregada por Platão e Aristóteles, pelos escolásticos, por Kant e outros. No segundo significado, foi empregada por Descartes, pelos empiristas, por boa parte dos filósofos modernos e é comumente usada nas línguas modernas”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007. Adaptado)

Considerando o texto, pode-se dizer que, na história da filosofia, o termo ideia

(A)

associa-se a significados que oscilam entre a univer- salidade e a singularidade.

(B)

apresenta significados exclusivamente relacionados com a singularidade dos objetos.

(C)

aparece sempre como palavra relacionada ao caráter genérico dos objetos.

(D)

é abordado consensualmente pelos filósofos citados a partir de uma concepção inatista.

(E)

é hegemonicamente considerado sinônimo de conhe- cimento posterior à experiência.

40. “Segundo Nietzsche, a moral cristã é fruto do ressenti- mento, no sentido de ser manifestação do ódio contra os valores da casta superior aristocrática, inacessível aos in- divíduos inferiores. Outra manifestação do ressentimento, ainda segundo Nietzsche, é a raiva secreta dos filósofos contra a vida, em vista do que a filosofia foi até agora a escola da ‘calúnia’: calúnia contra o mundo real e sensí- vel, que os filósofos tentaram substituir pelo mundo ideal da metafísica e da moral”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007)

Segundo as concepções nietzscheanas, o ressentimento

(A)

significou uma rebelião filosófica contra a metafísica.

(B)

está relacionado com a “moral de rebanho”.

(C)

expressa as virtudes dos pensadores autônomos.

(D)

voltou-se contra os elementos de piedade da morali- dade cristã.

(E)

está relacionado com a crítica ao idealismo platônico.

41. “O conceito da razão como autoconsciência remonta a Fichte. Do Eu deriva, com necessidade infalível, todo o sistema do saber, que é, ao mesmo tempo, o sistema da realidade. Fonte de toda realidade é o Eu. Somente com o Eu e pelo Eu é dado o conceito de realidade. Mas o Eu é porque se põe e põe-se porque é”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007)

Pode-se dizer que o idealismo fichteano pressupõe que

(A)

os objetos materiais têm primazia sobre a mente hu- mana.

(B)

o conhecimento é resultado da união entre sensibili- dade e entendimento.

(C)

o Eu é uma substância absoluta produtora da reali- dade.

(D)

o conhecimento somente é válido quando fundamen- tado teologicamente.

(E)

a consciência humana equivale ao cogito cartesiano.

42. “Desde Kant, fenômeno indicava aquilo que, do mundo externo, se oferece ao sujeito do conhecimento, sob as es- truturas cognitivas da consciência (isto é, sob as formas do espaço e do tempo e sob os conceitos do entendimento). No entanto, o filósofo Hegel ampliou o conceito de fenô- meno, afirmando que tudo o que aparece só pode aparecer para uma consciência e que a própria consciência mostra- -se a si mesma no conhecimento de si, sendo ela própria um fenômeno”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003)

Uma das consequências da crítica de Hegel a Kant foi

(A)

a defesa das hipóteses inatistas.

(B)

a defesa da filosofia empirista.

(C)

a crítica ao progresso da razão.

(D)

a crítica da existência da coisa-em-si.

(E)

a recuperação da lógica aristotélica.

43. “A era moderna trouxe consigo uma glorificação teórica

do trabalho, e resultou na transformação factual de toda

a sociedade em uma sociedade trabalhadora. É uma so-

ciedade de trabalhadores a que está para ser liberada dos grilhões do trabalho, uma sociedade que já não conhece

aquelas outras atividades superiores e mais significativas em vista das quais essa liberdade mereceria ser conquis- tada. O que se nos depara, portanto, é a perspectiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem

a única atividade que lhes resta. Certamente nada poderia

ser

pior”.

(ARENDT, Hannah, A condição humana. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2010, p.p. 5-6)

O

problema analisado pela autora pode ser entendido

como

(A)

contradição entre as tradições religiosas e a vida mo- derna.

(B)

superação das condições materiais do trabalho alie- nado.

(C)

análise da relação de autonomia das pessoas com o trabalho.

(D)

expressão do estado geral de reificação na moderni- dade.

(E)

expansão das oportunidades de fruição dos objetos da cultura.

44. homo faber é realmente amo e senhor, não apenas por-

“O

que é o senhor de si mesmo e de seus atos. Isso não se aplica ao animal laborans, sujeito às necessidades de sua própria vida, nem ao homem de ação, que depende de seus semelhantes. A sós, com a imagem do futuro produto, o

homo faber é livre para produzir, e, também a sós, diante

da obra de suas mãos, é livre para destruir”.

(ARENDT, Hannah, A condição humana. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2010, p. 179)

A partir do texto, pode-se afirmar que, na modernidade,

(A)

prevalece a homogeneidade de condições entre as ati- vidades intelectuais e manuais.

(B)

a atividade do homo faber é inteiramente perpassada pela condição de não-liberdade.

(C)

intelectuais e trabalhadores estão sujeitos às mesmas condições de heteronomia.

(D)

a autonomia dos homens na relação com o trabalho depende da superação do capitalismo.

(E)

a atividade do homo faber está sujeita a uma dialética entre criação e destruição.

45. “Dois pesadelos perseguem a filosofia de Descartes. Em

um deles a realidade – tanto a realidade do mundo quanto

a da vida humana – é posta em dúvida; se não podemos

confiar nos sentidos, nem no senso comum, nem na razão, então é possível que tudo o que tomamos pela realidade não passe de um sonho. O outro diz respeito à condição

humana geral, tal como revelada pelas novas descobertas,

e à impossibilidade de os homens confiarem em seus sen-

tidos e em sua razão; em tais circunstâncias parece muito mais plausível a ideia de um espírito mau, que teria criado um ser dotado da noção de verdade apenas para conferir- -lhe outras faculdades tais que ele jamais será capaz de al- cançar qualquer verdade, jamais será capaz de estar certo de coisa alguma”.

(ARENDT, Hannah, A condição humana. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2010, p.p. 345-346. Adaptado)

A solução proposta por Descartes para resolver os proble-

mas assinalados consistiu

(A)

na apresentação do ceticismo como corrente filosófica mais adequada para o pensamento científico.

(B)

em definir a existência da substância pensante e de Deus como argumentos definitivos contra o ceticismo.

(C)

na valorização da experiência e do empirismo como princípios fundamentais da atividade intelectiva.

(D)

na desvalorização da perspectiva inatista como fun- damento do conhecimento.

(E)

na definição da substância pensante como prova da existência do gênio maligno.

46. “A sociedade de consumidores não surgiu em decorrên- cia da emancipação das classes trabalhadoras, mas re- sultou da emancipação da própria atividade do trabalho, que precedeu em vários séculos a emancipação política dos trabalhadores. A questão não é que pela primeira vez na história, os trabalhadores tenham sido admitidos com iguais direitos no domínio público, e sim que quase con- seguimos reduzir todas as atividades humanas ao denomi- nador comum de assegurar as coisas necessárias à vida e de produzi-las em abundância”.

(ARENDT, Hannah, A condição humana.

Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2010, p.p. 155-156. Adaptado)

Segundo esse comentário, em uma sociedade de consu-

midores

(A)

a esfera política predomina sobre a esfera do consumo.

(B)

as relações de consumo prevalecem sobre a cidadania.

(C)

prevalece a socialização igualitária dos bens de con- sumo.

(D)

o fetichismo da mercadoria aparece como fenômeno superado.

(E)

as relações de consumo são plenamente autônomas.

47. “Ora apresentado como mestre da maldade, ora como

o conselheiro que alerta os dominados contra a tirania,

quem era este homem capaz de provocar tanto ódio, mas

também tanto amor? Que ideias elaborou que o tornaram

o mais citado entre os pensadores políticos, a ponto de

suscitar as mais díspares interpretações, de sair das pági- nas dos livros eruditos para ocupar um lugar na fala mais vulgar? Por que incitou tamanho temor, sendo sua obra mais conhecida no Index da Igreja, e por que continua a

dar ensejo a tão fundos preconceitos?”

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006)

As controvérsias suscitadas pela obra de Maquiavel jus-

tificam-se

(A)

por sua análise dos condicionamentos pragmáticos das disputas políticas.

(B)

por seu questionamento acerca dos fundamentos epis- temológicos da metafísica.

(C)

por sua posição favorável à democracia como regime político mais adequado.

(D)

por sua crítica radical dirigida aos dogmas e funda- mentos morais do catolicismo.

(E)

pela retomada dos fundamentos morais da teoria po- lítica escolástica.

48. “Dessa forma, o poder que nasce da própria natureza hu- mana e encontra seu fundamento na força é redefinido. Não se trata mais apenas da força bruta, da violência, mas da sabedoria no uso da força, da utilização virtuosa da for- ça. O governante não é, pois, simplesmente o mais forte

– já que este tem condições de conquistar mas não de se

manter no poder -, mas sobretudo o que demonstra possuir virtú, sendo assim capaz de manter o domínio adquirido

e se não o amor, pelo menos o respeito dos governados”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006)

Pode-se afirmar que, de acordo com as concepções políti- cas de Maquiavel,

(A)

os homens nascem como os bons selvagens de Rous- seau, sendo depois corrompidos pela sociedade.

(B)

o universo político está subordinado a leis transcen- dentes em relação às ações e à vontade dos homens.

(C)

as reflexões sobre a política devem se ater tanto às estratégias de conquista do poder, quanto aos meios para mantê-lo.

(D)

a aquisição da virtú pelo bom governante maquiavé- lico assemelha-se ao aprendizado filosófico da repú- blica platônica.

(E)

sendo o poder fundamentado na força, a melhor for- ma de governo é a ditadura.

49. “De modo que na natureza do homem encontramos três principais causas de discórdia. Primeiro, a competição;

segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro;

a segunda, a segurança; a terceira, a reputação. Os pri-

meiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas, mulheres, filhos e rebanhos dos outros homens;

os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias como uma palavra, um sorriso, uma diferença de opinião,

e qualquer outro sinal de desprezo, quer seja diretamente

dirigido a suas pessoas, quer indiretamente a seus paren- tes, seus amigos, sua nações, sua profissão, seu nome”.

(Hobbes, Thomas, Citado em WEFFORT, Francisco,  Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006)

Sobre as concepções políticas de Hobbes, pode-se afirmar que

(A)

ele analisa o funcionamento da política considerando cada contexto específico em detrimento de uma teoria geral.

(B)

partindo da análise da natureza humana, esse filósofo estabeleceu princípios éticos que pudessem corrigir suas imperfeições.

(C)

sua teoria buscou estudar os obstáculos para a ins- tauração de uma sociedade socialista nos moldes do materialismo histórico.

(D)

após analisar as principais causas de conflitos entre os homens, o filósofo defendeu a autoridade estatal como meio de evitá-los.

(E)

seu contratualismo procurou conceber os meios mais adequados para o funcionamento da economia nos moldes liberais.

50. “Quando o indivíduo firmou o contrato social, renunciou ao seu direito de natureza, isto é, ao fundamento jurídico da guerra de todos. É que, neste direito, o meio (fazer o que julgasse mais conveniente) contradizia o fim (conser- var a própria vida). O homem percebeu que, como todos tinham esse direito tanto quanto ele, o resultado só podia ser a guerra. Mas, dando poderes ao soberano, a fim de restaurar a paz, o homem só abriu mão de seu direito para proteger a sua própria vida. Se esse fim não for atendi- do pelo soberano, o súdito não lhe deve mais obediência, simplesmente porque desapareceu a razão que levava o súdito a obedecer”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Na teoria hobbesiana, a superação do estado de natureza depende da instauração

(A)

de um regime político baseado na vontade divina.

(B)

de um pacto social que delegue a autoridade ao go- vernante.

(C)

de uma sociedade anárquica que prescinde da auto- ridade.

(D)

de um sistema político republicano e democrático.

(E)

de um regime político baseado nos moldes do fascismo.

51. “Em oposição à tradicional doutrina aristotélica, segun- do a qual a sociedade precede ao indivíduo, Locke afirma ser a existência do indivíduo anterior ao surgimento da sociedade e do Estado. Na sua concepção individualista, os homens viviam originalmente num estágio pré-social e pré-político, caracterizado pela mais perfeita liberdade e igualdade, denominado estado de natureza”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006).

Sobre o contratualismo de John Locke, pode-se afirmar que

(A)

revigorou a defesa do absolutismo de direito divino.

(B)

antecipou os fundamentos da crítica da economia capitalista por Marx.

(C)

manifestou plena concordância com a teoria política de Platão.

(D)

defendeu a importância da metafísica na análise política.

(E)

estabeleceu as bases do conceito de individualidade burguesa.

52. “Juntamente com Hobbes e Rousseau, Locke é um dos representantes do jusnaturalismo ou teoria dos direitos na- turais. O modelo jusnaturalista de Locke é, em suas linhas gerais, semelhante ao de Hobbes: ambos partem do estado de natureza que, pela mediação do contrato social, realiza a passagem para o estado civil. Existe, contudo, grande diferença na forma como Locke, diversamente de Hobbes, concebe especificamente cada um dos termos do trinômio estado natural/contrato social/estado civil”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006).

Sobre Hobbes, Rousseau e Locke, pode-se afirmar que foram pensadores

(A)

críticos da propriedade privada.

(B)

baseados em princípios metafísicos.

(C)

que refletiram sobre a origem dos conflitos na política.

(D)

que retomaram concepções políticas maquiavélicas.

(E)

que defenderam princípios teológicos na política.

53. “Grande parte da obra ‘Reflexões sobre a revolução em França’, de Edmund Burke, tem por fim dinamitar os ar- gumentos dos defensores na Inglaterra daquelas ideias radicais que impulsionaram a Revolução, as quais Burke temia que fossem generalizadas. Burke discute as ideias fundamentais que animaram o movimento, tais como a questão da igualdade, dos direitos do homem e da sobe- rania popular; alerta contra os perigos da democracia em abstrato e da regra do número; e questiona o caráter racio- nalista e idealista do movimento”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Sobre o pensamento de Burke, pode-se afirmar que ele

(A)

apresentou inclinações favoráveis às ideias marxistas.

(B)

refletiu sobre a política sob uma ótica conservadora.

(C)

manifestou simpatia pela democracia de massas.

(D)

questionou de forma contundente os valores tradi- cionais.

(E)

abordou a política sob uma ótica metafísica.

54. “Para Burke, a desigualdade faz parte da natureza das coi- sas (e a propriedade, que tem por traço fundamental ser desigual). A natureza é hierárquica; assim, uma socieda- de ordenada é naturalmente dividida em estados ou clas- ses, de modo que a igualdade, tanto política, social, como econômica, vai contra a natureza. Para Burke, a ideia de igualdade ‘só serve para agravar e tornar mais amarga a desigualdade real que nunca pode ser eliminada’ ”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

A partir das reflexões de Burke sobre as desigualdades so- ciais, pode-se classificá-lo como um pensador liberal pelo seguinte motivo:

(A)

sua concepção sobre a origem social das desigualdades.

(B)

sua ideia de que as desigualdades são vontade de Deus.

(C)

sua simpatia aos temas centrais da Revolução Francesa.

(D)

sua defesa da liberdade em detrimento da igualdade.

(E)

sua tese sobre a necessidade de superação das leis da natureza.

55. “Há filósofos que estabelecem uma diferença entre a rea- lidade e o conhecimento racional que dela temos. Dizem

eles que, embora a realidade externa exista em si e por si mesma, só podemos conhecê-la tal como nossas ideias a formulam e a organizam e não tal como seria em si mes- ma. Não podemos saber nem dizer se a realidade exterior

é racional em si, pois só podemos saber e dizer que ela é racional para nós, isto é, por meio de nossas ideias”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Àtica, 2003. Adaptado)

A linha filosófica descrita no texto pode ser definida como

idealismo, pois

(A)

estabelece a primazia das faculdades intelectivas frente aos objetos do conhecimento.

(B)

concebe a relação de determinação entre as relações materiais e a cultura.

(C)

defende a primazia das sensações e percepções como fonte originária das ideias.

(D)

prescreve a utilidade como critério fundamental para a análise da realidade.

(E)

concebe o mecanicismo como metáfora mais adequada para o conhecimento do mundo.

56. “Toda a filosofia kantiana do direito, da política e da histó- ria repousa sobre essa concepção dos homens como seres morais; eles devem organizar-se segundo o direito, adotar

a forma republicana do governo e estabelecer a paz inter-

nacional, porque tais são comandos a priori da razão, e

não porque sejam úteis”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

As concepções políticas de Kant baseiam-se

(A)

na necessidade de primazia do pragmatismo sobre o idealismo.

(B)

na recuperação dos princípios básicos da república platônica.

(C)

no resgate de princípios religiosos para a moralidade.

(D)

na crítica da validade de princípios universais para a política.

(E)

na adoção do imperativo categórico como princípio moral.

57. “Para Kant, as normas jurídicas são universais; elas obri- gam a todos, independentemente de condições de nasci- mento, de riqueza etc. Quem viola a liberdade de outrem ofende a todos os demais, e por todos será coagido a se conformar à lei e compensar os danos causados. A coerção é parte integrante do direito; a liberdade, paradoxalmente, requer a coerção. Duas são as condições para o uso justo da coerção. A primeira é a seguinte: ‘Se um certo exercí- cio da liberdade é um obstáculo à liberdade [de outrem], segundo as leis universais [isto é, se é injusto], então o uso da coerção para opor-se a ele é justo’. A segunda decorre da universalidade das leis violadas: a coerção só é justa quando exercida pela vontade geral do povo unido numa sociedade civil”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Sob o ponto de vista kantiano,

(A)

liberdade e coerção estão sujeitos a princípios uni- versais.

(B)

a liberdade é um valor relativo sujeito a opiniões individuais.

(C)

os homens somente foram livres sob o estado de natureza.

(D)

o direito é um instrumento ideológico das classes dominantes.

(E)

o exercício da coerção é sempre um atentado à liberdade.

58. Segundo Hegel, alguns filósofos “pressupõem a existên- cia – lógica ou histórica, pouco importa -, de indivíduos li- vres e iguais, vivendo isolados e separados uns dos outros, fora e antes da sociedade e da história. Criam uma ficção. Esta metodologia, que procura apreender formas objetivas da existência histórica por uma via apriorística e abstrata, apenas cristaliza antíteses históricas em antíteses teóricas, sem resolvê-las”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

A crítica de Hegel no trecho citado refere-se

(A)

às teorias políticas de viés teológico.

(B)

às teorias políticas empiristas.

(C)

ao emprego da dialética na política.

(D)

às teorias filosóficas contratualistas.

(E)

às reflexões do materialismo histórico.

59. “A preocupação de Hegel não é apenas construir uma teo- ria do Estado legítimo, uma nova justificação racional do Estado. Ele avança, além disso, para atribuir ao Estado as características da própria razão. Ora, ao considerá-lo ‘a re- alidade em ato da ideia ética’, o ‘racional em si e para si’, o absoluto no qual a realidade encontra sua suprema signifi- cação – ele despertou a suspeita generalizada de que estaria muito prosaicamente justificando o Estado existente”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Sob a concepção hegeliana, o Estado

(A)

representa a realização máxima do Espírito divino.

(B)

é instrumento de dominação pela classe burguesa.

(C)

é uma instituição historicamente obsoleta.

(D)

deriva sua legitimação de um contexto histórico específico.

(E)

é uma instituição racional em si mesma.

60. “Tocqueville vê no desenvolvimento democrático dos po- vos dois grandes perigos possíveis de acontecer: o primeiro seria o aparecimento de uma sociedade de massa, permi- tindo que se realizasse uma Tirania da Maioria; o segundo  seria o surgimento de um Estado autoritário-despótico. No primeiro caso, seu temor é que uma cultura igualitária de uma maioria destrua as possibilidades de manifestação de minorias.  Tocqueville  está  sobretudo  preocupado  com  a  possibilidade de que, nas democracias, as artes, a filosofia, e mesmo as ciências sem imediata aplicação prática não encontrem campo para se desenvolver”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Para Tocqueville, a democracia burguesa

(A)

apresenta o risco de propagar elitismos no campo da cultura.

(B)

deve ser hegemonicamente orientada pela opinião pública.

(C)

está sujeita a retrocessos na área cultural.

(D)

carece das legitimações religiosas tradicionais.

(E)

necessita de novas teorias contratualistas de legitimação.

61. “Para Mill, a liberdade não é um direito natural. Como

utilitarista, ele recusa a teoria dos direitos naturais. Mas

a liberdade também não é um luxo que interesse apenas a

uma minoria esclarecida. É antes de mais nada o substrato necessário para o desenvolvimento de toda a humanidade.

E o é principalmente porque ela torna possível a manifes-

tação da diversidade, a qual, por sua vez, é o ingrediente necessário para se alcançar a verdade”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

Segundo Stuart Mill, a liberdade

(A)

deve ter seu conteúdo atrelado a princípios metafísicos.

(B)

apresenta propriedades universalmente válidas.

(C)

é inteiramente relativa, definida de acordo com cada sociedade.

(D)

é um privilégio social das classes dominantes.

(E)

expressa uma condição humana anterior ao pacto social.

62. “Assim como a capacidade revolucionária da burguesia, em relação ao passado feudal, está inscrita em seu pró- prio modo de existir como classe, também a negatividade revolucionária, que Marx atribui ao proletariado, estaria inscrita em seu próprio modo de ser como classe: ‘As con- dições de existência da velha sociedade (burguesia) estão já abolidas nas condições de existência do proletariado. Ou seja, os proletários não têm propriedade, nem pátria, nem família’ ”.

(WEFFORT, Francisco (org.), Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006. Adaptado)

De acordo com o pensamento de Marx,

(A)

as condições sociais de vida são mediadas pelas rela- ções materiais.

(B)

a negatividade revolucionária é um princípio idealista.

(C)

as crises da economia burguesa são de natureza con- juntural e local.

(D)

a prática política proletária subordina-se a critérios teológicos.

(E)

as revoluções burguesas atenderam aos interesses do proletariado.

63. “O compromisso de Marx com a revolução é, porém, algo mais do que a atitude de um militante revolucionário. Este compromisso está no miolo de sua teoria. Que outro sig-

nificado poderia ter a sua afirmação sobre o caráter crítico

e revolucionário da dialética? Assim, se é verdade que a

teoria política de Marx não se entende sem sua ‘crítica da

economia política’, também é verdade que não se entende

a sua teoria sobre as contradições econômicas do sistema

capitalista sem uma noção a respeito da revolução que es- tas contradições estariam preparando”.

(WEFFORT, Francisco, Os clássicos da política. São Paulo, Ática, 2006)

Segundo o pensamento de Marx, a revolução comunista

(A)

depende da atuação espontânea da classe proletária.

(B)

é gerada no interior das próprias estruturas da socie- dade burguesa.

(C)

apresenta um caráter teológico e messiânico.

(D)

é uma possibilidade histórica originalmente idealizada por Hegel.

(E)

é um fenômeno político compatível com as estruturas burguesas.

64. “Quer dizer, ao mesmo tempo, que seria grosseiro sonhar com uma ciência purgada de toda a ideologia e onde não houvesse mais do que uma única visão do mundo ou uma teoria ‘verdadeira’. De fato, o conflito das ideologias, dos pressupostos metafísicos (conscientes ou não) é condição sine qua non da vitalidade da ciência. Aqui se opera uma necessária desmitificação: o cientista não é um homem superior, ou desinteressado em relação aos seus concida- dãos; tem a mesma pequenez e a mesma propensão para

o erro”.

(MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002)

De acordo com o pensamento do autor, a ciência

(A)

embora possa postular uma condição de neutralidade, está sujeita a visões unilaterais de mundo.

(B)

ocidental, após a revolução científica, desprendeu-se inteiramente das influências metafísicas.

(C)

é uma atividade intelectiva que independe de condi- cionamentos materiais.

(D)

é uma atividade inteiramente subjetiva e sujeita a in- terpretações condicionadas aos contextos sociais.

(E)

é uma atividade destruidora da natureza, que afasta os homens de uma integração holística com o cosmos.

65. “No século XIX, a concepção de que a História é o modo de ser da razão e da verdade levou à ideia de progresso, isto é, de que os seres humanos, as sociedades, as ciên- cias, as artes e as técnicas melhoram com o passar do tem- po, acumulam conhecimento e práticas, aperfeiçoando-se cada vez mais, de modo que o presente é melhor e supe- rior, se comparado ao passado, e o futuro será melhor e superior, se comparado ao presente”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003)

A concepção de aperfeiçoamento da humanidade descrita no texto foi defendida por

(A)

Durkheim.

(B)

Nietzsche.

(C)

Foucault.

(D)

Deleuze.

(E)

Hegel.

66. “A psicanálise é uma coisa que acho absolutamente ge- nial, por quê? Porque Freud compreendeu que o nó górdio estava no cruzamento do que podemos chamar as ciências da mente, os conhecimentos psicológicos, as fantasias, os sonhos, as ideias, de um lado, e do organismo biológico, do outro. Por sua ideia de pulsão, ele compreendia que era preciso compreender o ser humano na sua totalidade multidimensional, em vez de recortar um pequeno pedaço que vai cair na aptidão para letras, que é a parte mente, e a parte corpo que deriva da biologia. Ele é um pensador extremamente poderoso cujas intuições devem ser exami- nadas sem cessar. Todavia, existem escolas – seitas – de  psicanálise fechadas e rituais que, pessoalmente, me as- sustam e me aborrecem”.

(MORIN, Edgar, Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002)

Para Edgard Morin, a psicanálise

(A)

deriva sua validade da separação cartesiana entre substância pensante e substância extensa.

(B)

é um ramo de conhecimento psicológico cuja ortodo- xia institucional é altamente desejável.

(C)

estabeleceu vínculos consistentes entre os processos subjetivos e os processos biológicos do ser humano.

(D)

estabeleceu ligações altamente produtivas com as tendências comportamentais da psicologia.

(E)

é uma área do conhecimento cuja elevada dose de subjetividade compromete seu estatuto científico.

67. “A noção de inconsciente revelou que a razão é muito menos poderosa do que a Filosofia imaginava, pois nos- sa consciência é, em grande parte, dirigida e controlada por forças profundas e desconhecidas que permanecem inconscientes e jamais se tornarão plenamente conscien- tes e racionais. A razão e a loucura fazem parte de nossa estrutura mental e de nossas vidas, e, muitas vezes, como por exemplo no fenômeno do nazismo, a razão é louca e destrutiva”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

A modalidade de crítica descrita no texto refere-se à psica-

nálise, pois pressupõe

(A)

a reeducação da personalidade pelo condicionamento comportamental baseado em estímulos.

(B)

que a estrutura fundamental da mente humana é a substância pensante, ou cogito cartesiano.

(C)

a intransparência das camadas mais profundas da mente aos processos racionais de compreensão.

(D)

a capacidade da razão de governar as forças incons- cientes da personalidade.

(E)

um modelo de organização mental baseado na evolu- ção dos estágios cognitivos.

68. “A segunda coisa que é preciso dizer é que perdemos nosso mundo por causa do desenvolvimento do conhe-

cimento  científico.  Tínhamos  um  mundo  absolutamente  confortável.  Tínhamos  a  Terra  que  estava  no  centro  do  mundo, havia o bom Deus que nos criou à sua imagem, os animais eram feitos para servir e obedecer. E eis que

o conhecimento científico manda tudo para o alto. Não

estamos mais no centro do mundo, estamos na terceira fila da orquestra e depois percebemos que o Sol não passa de um pequeno astro miserável de segunda”.

(MORIN, Edgar, Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002).

O deslocamento analisado pelo autor refere-se

(A)

à revalorização da escolástica na idade moderna.

(B)

ao enfraquecimento das visões mecanicistas sobre a natureza.

(C)

à hegemonia das tendências metafísicas na moder- nidade.

(D)

às consequências do heliocentrismo copernicano.

(E)

à valorização das visões antropocêntricas de mundo.

69. “Kant levantou o problema do começo do mundo. Como pode haver um começo a partir do nada, mas como pode existir um mundo sem começo? É como o problema do infinito e do finito. São contradições lógicas, são os fa- mosos problemas dos limites da nossa mente. Os físicos agiram como se pudessem resolver o começo por um acontecimento empírico, imaginário, hipotético: não se preocupem, havia um ponto infinito, que, é evidente, não tinha lugar no espaço, já que o espaço não existia, mas, bruscamente, tudo explode. Eles não percebem que dizer isso é levantar problemas terríveis para a mente humana; o que significa a ideia de começo?”

(MORIN, Edgar, Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002)

Os dilemas apontados pelo autor foram abordados por Kant como

(A)

questões resolvíveis mediante a prova cartesiana da existência de Deus.

(B)

questões metafísicas delimitadoras do alcance inte- lectivo do sujeito.

(C)

problemas lógicos explicáveis pelos fundamentos da filosofia empirista.

(D)

questões metafísicas passíveis de explicação nos moldes do platonismo.

(E)

problemas de natureza ética tratados na crítica da razão prática.

70. “Há também que dizer que, no universo físico, biológico, sociológico e antropológico há uma problemática comple- xa do progresso. Complexidade significa que a ideia de progresso, aqui empregada, comporta incerteza, comporta sua negação e sua degradação potencial, e, ao mesmo tem- po, a luta contra essa degradação. Em outras palavras, há que fazer um progresso na ideia de progresso, que deve deixar de ser noção simples, segura e irreversível, para tornar-se complexa e problemática. A noção de progresso deve comportar autocrítica e reflexividade”.

(MORIN, Edgar, Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002)

Segundo esse ponto de vista, a noção ocidental de progresso deve ser

(A)

questionada em suas certezas de evolução absoluta.

(B)

purificada pelo aperfeiçoamento espiritual do ser humano.

(C)

repensada de acordo com os pressupostos do positi- vismo científico.

(D)

refletida à luz dos valores do romantismo filosófico.

(E)

revalorizada de acordo com o projeto baconiano.

71. “Qual é o erro do pensamento formalizante, quantificante, que dominou as ciências? Não é, de forma alguma, o de ser um pensamento formalizante e quantificante, não é de forma alguma, o de colocar entre parênteses o que não

é quantificável e formalizável. O erro é terminar acredi-

tando que aquilo que não é quantificável e formalizável não existe ou é só a escória do real. É um sonho delirante porque nada é mais louco do que a coerência abstrata”.

(MORIN, Edgar, Ciência com consciência. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002)

De acordo com essa visão, a ciência ocidental deve ser problematizada porque

(A)

renuncia a métodos de matematização absoluta da realidade.

(B)

baseia-se em pressupostos relativos, renunciando à objetividade.

(C)

sujeita-se a processos de autorreflexão acerca da ob- jetividade.

(D)

estabelece a dialética como seu alicerce epistemo- lógico.

(E)

apresenta fortes tendências de fetichização do método científico.

72. “Em meados do século XIX, a noção de ideologia passou

a ser fundamental no marxismo, sendo um dos seus maio-

res instrumentos na luta contra a chamada ‘cultura bur- guesa’. Marx de fato afirmara que as crenças religiosas,

políticas e morais dependiam das relações de produção e trabalho, na forma como estas se constituem em cada fase da história econômica”.

(Dicionário Abbagnano, São Paulo, Martins Fontes, 2007)

De acordo com essa definição, “ideologia” é sinônimo de

(A)

falsa consciência.

(B)

conjunto de ideias.

(C)

consciência verdadeira.

(D)

forças produtivas.

(E)

fantasia e imaginação.

73. “No século XIX, o otimismo filosófico levava a Filosofia

a afirmar que, enfim, os seres humanos haviam alcançado

a maioridade racional, e que a razão se desenvolvia ple- namente para que o conhecimento completo da realidade

e das ações humanas fosse atingido. No entanto, Marx e

Freud puseram em questão esse otimismo racionalista. Marx, voltado para a economia e a política; Freud, voltado para as perturbações e os sofrimentos psíquicos, fizeram descobertas que, até o final do século XX, continuam im- pondo questões filosóficas”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

Como ponto comum entre Marx e Freud, pode-se assinalar

(A)

a recuperação de elementos metafísicos em sua crítica da modernidade.

(B)

a crítica racional a vários elementos da cultura bur- guesa tradicional.

(C)

o ceticismo quanto a qualquer forma de aperfeiçoa- mento da humanidade.

(D)

a confiança na possibilidade de superação das estru- turas capitalistas.

(E)

a formulação de um método terapêutico para a cura da neurose.

74. “Diferentemente da fenomenologia, os filósofos que cria-

ram a Escola de Frankfurt ou Teoria Crítica, adotam a so-

lução hegeliana, mas com uma modificação fundamental. Os filósofos dessa Escola têm uma formação marxista, e, por isso, recusam a ideia hegeliana de que a História é obra da razão, ou que as transformações históricas da ra- zão são realizadas pela própria razão, sem que esta seja condicionada ou determinada pelas condições sociais, econômicas e políticas”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

Sobre  a  Teoria  Crítica,  pode-se  afirmar  que  foi  integrada  por pensadores que realizaram, sobre a sociedade burguesa, uma crítica

(A)

conservadora.

(B)

anarquista.

(C)

genealógica.

(D)

metafísica.

(E)

dialética.

75. “Desde que o Aufklarüng existe no sentido mais amplo,

o de um pensamento em ação, ele procura libertar os ho-

mens do medo e fazer deles seus senhores. Mas a terra do- minada completamente pelo Aufklarüng brilha sob o signo da catástrofe total”.

(WIGGERSHAUS, Rolf, A escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Difel, 2002, 358. Adaptado)

Segundo essa definição, pode-se afirmar que o esclareci-

mento

(A)

é mediado por contradições dialéticas.

(B)

ilustra o progresso linear da ciência e da técnica.

(C)

apresenta aspectos exclusivamente regressivos.

(D)

pode ser adequadamente ilustrado pela alegoria da caverna de Platão.

(E)

justifica inteiramente a confiança kantiana nele de- positada.

76. “O paraíso que a indústria cultural oferece é, ainda uma vez, o cotidiano. A satisfação estimula a resignação que nela quer se esquecer. A indústria cultural consegue trans- formar até a evasão para fora do mundo regido pelo prin- cípio de renúncia realista em um elemento desse mundo. Ela sabe dar a uma arte sem sonho a aparência de uma realização dos sonhos e a uma renúncia sorridente e jovial

a aparência de uma compensação pelas renúncias”.

(ADORNO, Theodor, citado em: p. 367, WIGGERSHAUS, Rolf, 

A escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Difel, 2002. Adaptado)

Para Adorno, a indústria cultural

(A)

é sinônimo de democratização dos bens culturais.

(B)

não apresenta implicações de natureza política.

(C)

é veículo de regressão estética e política.

(D)

é veículo de formação e aperfeiçoamento estético.

(E)

favorece a autonomia intelectual dos consumidores.

77. “Depois de ler Eclipse da razão, Marcuse escreveu a Horkheimer: ‘Se, pelo menos, você chegasse a explicar completamente todas as problemáticas que você conse- gue apenas esboçar neste livro! Principalmente quanto ao que me incomoda mais: o fato de a razão, que se lança na manipulação completa e na dominação, continuar sendo, mesmo então, razão, em outras palavras: incomoda-me que o caráter verdadeiramente espantoso do sistema resi- da em sua racionalidade mais do que em sua desrazão’ ”.

(WIGGERSHAUS, Rolf, A escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Difel, 2002. Adaptado)

A partir dos comentários de Marcuse, pode-se afirmar que

a obra em questão, de Horkheimer,

(A)

trata da necessidade de aperfeiçoamento espiritual em um mundo inteiramente desencantado.

(B)

busca recuperar elementos da filosofia romântica que possam compensar as imperfeições do progres- so burguês.

(C)

caracteriza o imperativo da revolução socialista como a mais importante questão da modernidade.

(D)

apresenta como “eclipse da razão” a hegemonia da razão instrumental no mundo contemporâneo.

(E)

analisa a necessidade de resgate dos princípios da filosofia romântica como meio de correção da irra- cionalidade moderna.

78. “Em Eros e Civilização, Marcuse tentava refutar a tese, largamente aceita, de Freud, segundo a qual a civiliza- ção seria inconcebível sem a renúncia às pulsões e seu recalque, sem o reconhecimento do princípio de realida- de. Baseando-se na metapsicologia freudiana, ele tentava mostrar que uma civilização sem repressão é perfeitamen-

te concebível e que ela pode servir-se das condições ob-

jetivas criadas pela civilização repressiva que existiu até agora”.

(WIGGERSHAUS, Rolf, A escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Difel, 2002, p. 535. Adaptado)

Na obra Eros e Civilização, Marcuse realiza uma crítica à obra de Freud que consiste em

(A)

denunciar a primazia da sexualidade em sua teoria da personalidade.

(B)

apontar os elementos anarquistas de sua análise da civilização.

(C)

denunciar os elementos religiosos subjacentes à psi- canálise.

(D)

analisar a dialética da civilização repressiva na mo- dernidade.

(E)

explicitar a colaboração de Freud para o socialismo científico.

79. “O método arqueológico formulado por Michel Foucault tem como ponto de partida a necessidade de uma reinter- pretação da história, revelando os pressupostos e elemen- tos subjacentes aos saberes de um determinado período histórico e relativizando-os. Foucault foi um crítico da modernidade e sobretudo do Iluminismo, questionando seus pressupostos racionalistas, sua concepção de subje- tividade, e formulando uma crítica extremamente original da questão do nascimento das ciências humanas”.

(MARCONDES, Danilo, Textos básicos de ética – de Platão a Foucault. Rio de Janeiro, Zahar, 2007. Adaptado)

Sobre a obra de Michel Foucault, pode-se afirmar que esse autor

(A)

procurou demonstrar a origem histórica das diversas modalidades de saber e de subjetividade da era mo- derna.

(B)

criticou a racionalidade iluminista recuperando ele- mentos tradicionalmente conservadores.

(C)

realizou uma crítica das bases do pensamento moder- no tendo como alicerce a filosofia existencialista.

(D)

criticou o irracionalismo na modernidade, defendendo a hegemonia do método científico cartesiano.

(E)

realizou uma crítica dialética dos alicerces epistemo- lógicos das principais áreas do conhecimento.

80. “Longe de diferenciar-se da sociedade civil e de separar- -se dela, longe de ser a expressão da vontade geral e do interesse geral, o Estado é a expressão legal – jurídica e policial – dos interesses de uma classe social particular, não sendo, portanto, nem uma imposição divina aos ho- mens, nem o resultado de um pacto ou contrato social”.

(CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia. São Paulo, Ática, 2003. Adaptado)

A concepção de Estado assinalada no texto refere-se à teoria marxista, pois

(A)

apresenta o Estado como superação do estado de na- tureza.

(B)

atribui ao Estado a personificação do espírito abso- luto.

(C)

analisa as implicações materiais do papel do Estado.

(D)

enfatiza o caráter de neutralidade jurídica do Estado.

(E)

prioriza o caráter temporal da instituição estatal.