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01/02/2018 Roteiro de avaliação e formulação de caso clínico para terapeutas iniciantes | Superac

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Roteiro de avaliação e formulação de caso clínico para terapeutas


iniciantes

 
Roteiro de avaliação e
formulação de caso
clínico para terapeutas
iniciantes.
Ma. Psic. Erica T. dos (images/noticias/0705909001481968477.jpg)

Santos Crepaldi
CRP 06/98080
ericapsic@uol.com.br

(mailto:ericapsic@uol.com.br)
 
            O início da prática clínica é geralmente motivo de ansiedade para os terapeutas. Além da
imprevisibilidade que cada sessão reserva, há a expectativa de colocar em prática todos os conhecimentos
teóricos adquiridos ao mesmo tempo que precisa cuidar do setting terapêutico.  Com o objetivo de auxiliar estes

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pro ssionais a iniciar esta tarefa, o roteiro aqui proposto sugere um modelo simpli cado de rastreamento e
organização de informações necessárias para as análises funcionais dos comportamentos-problema do cliente.
 
1. Informações sobre o cliente:
a. Dados pessoais;
b. Dados do núcleo familiar;
c. Quem são as pessoas que fazem parte do convívio do cliente;
d. Aparência geral do cliente durante as entrevistas ou outras observações do terapeuta;
e. Como o cliente chegou à terapia;
f. Dados biográ cos: experiências particulares da história do cliente. (Por exemplo: pro ssões
anteriores, morte de pessoas relevantes para ele, etc). Não se inclui aqui dados da queixa.

 
2. Análise da Queixa:
a. Síntese da(s) queixa(s): descrição, em poucas palavras, do motivo preciso que levou o cliente a
buscar terapia. Compreende apenas comportamentos do cliente e não de outras pessoas.
b. Histórico da queixa: Descrever, separadamente para cada queixa, como se deu o início e o
desenvolvimento da queixa até se apresentar na forma atual.

 
3. Análise das di culdades do cliente: descritas pelo cliente (queixa) e observadas pelo terapeuta.
a. Identi car os comportamentos-problema do cliente. Exemplo: excessos ou dé cits
comportamentais.
b. Informações que podem ser pertinentes para a análise de cada comportamento-problema do
cliente:
Um exemplo de ocorrência;
Consequências gerais, a curto, médio e longo prazo, do comportamento-problema;
Pensamentos e sentimentos do cliente, durante e depois da ocorrência do problema;
O que outras pessoas dizem sobre o problema.

b.1. De forma mais detalhada, seguem abaixo quadros com esquemas que auxiliam na obtenção e organização
de dados para a Análise Funcional dos Comportamentos-Problema:

ANTECEDENTE RESPOSTA CONSEQUENTE

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O que foi
observado? Qual
a frequência, Algo surgiu como
Circunstância no momento da intensidade e agradável?
resposta (R) duração da R?  
    Algo desagradável
Em que situações a R ocorre? O que foi foi removido do
  relatado pelo ambiente ou teve
Em que situações a R não ocorre? autor do sua intensidade
  comportamento? diminuída?
O agente estava privado de algo ao    
responder? O que foi Algo desagradável
  relatado por foi evitado ou
No momento da R havia algo em outras pessoas? adiado?
nível satisfatório para o agente?    
  A R possui Algo desagradável
  funções similares surgiu como
A R observada já ocorreu antes? a outras Rs com consequência?
Como esta R foi se desenvolvendo topogra as  
ao longo do tempo? Que diferentes? Algo agradável foi
consequências foram oferecidas à   removido do
emissão da R? Emoções e ambiente?
pensamentos  
associadas à R.
 

OPERAÇÃO
Algum detalhe foi fundamental para a ocorrência da
Discriminação
R?
Generalização A mesma R tem ocorrido em contextos diferentes?
Alguém estava consequenciando diferencialmente as
Modelagem
evoluções do comportamento?

Modelação O agente estava imitando algum modelo de ação?


Extinção Alguma relação de reforçamento foi quebrada?
Reforço por razão As consequências dependem de o agente continuar
( xa ou variável) repetindo a R com certa regularidade?

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Reforço por intervalo As consequências depende de o agente esperar por


( xo ou variável) algum tempo e então emitir a resposta?
Comportamento
O agente está seguindo algum tipo de regra?
governado por regras

4. Informações complementares

a.   Objetivos do cliente para a terapia.


b.   Reservas comportamentais: são os comportamentos não problemáticos.Habilidades, talentos,
comportamentos sociais adequados, etc, presentes no repertório do cliente.
c.   Recursos do cliente: pontos positivos e negativos do cliente em relação às possibilidades de sucesso na
terapia. Exemplos: habilidades ou características pessoais do cliente.
d.   Recursos do ambiente: pontos positivos e negativos de contextos ambientais do cliente relevantes
para alguma predição de sucesso no tratamento. Por exemplo: características da família, do círculo de
amizades, condição nanceira.
e.   Análise do Ambiente Sócio-Físico-Cultural:
* Quais as regras vigentes nos diferentes contextos sociais do cliente sobre os seus
comportamentos-problema?
* Estas regras são semelhantes em ambientes diversos em que o cliente interage? Em caso negativo,
quais as principais diferenças nos comportamentos que são reforçados em um destes ambientes,
mas não em outro?
f.  Tratamentos anteriores: descrição, resultados e apreciação do cliente.
g.  Condições gerais de saúde: aspectos que poderiam exercer alguma in uência no comportamento-
problema do cliente. Exemplos: doenças crônicas, uso de medicação ou drogas.
h.  Motivação do cliente para a terapia: faltas, atrasos, comprometimento com as atividades e mudanças
comportamentais sugeridas na terapia.
i.  Reforçadores potenciais: interessesatuais ou anteriores.
j.  Avaliar riscos de possíveis crises imediatas: estimar grau de urgência, se é o caso de uma intervenção
imediata e de encaminhamento para avaliação de um médico psiquiatra.

Vale lembrar que este roteiro não é um questionário a ser aplicado na sessão com o cliente. O terapeuta
precisa ser habilidoso ao fazer uma entrevista clínica de modo que não seja diretivo, não prejudique a sua
relação com o cliente e aumente as possibilidades de obter informações verídicas. Além disso, é
necessário o domínio teórico sobre os princípios básicos da Análise do Comportamento para fazer as
análises funcionais com as informações obtidas. A ajuda de um supervisor clínico é importante para o
desenvolvimento destas habilidades de entrevista, assim como para o auxílio no exercício de articulação
da teoria com a prática durante todo o processo terapêutico (da avaliação à intervenção).

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En m, espero que este roteiro seja um bom ponto de partida!


 
REFERÊNCIAS:
I. KANFER, F. H. & SASLOW, G. (1976). An outline for behavioral diagnosis. Em E. J. Mash e L. G. Terdal
(Ed.) Behavioral Therapy Assessment. New York: Springer Publishing Company, cap.5.  Texto
traduzido por Noreen Campbell de Aguirre, com revisão técnica de Hélio José Guilhardi.

 
II. SILVARES, E. F. M. & GONGORA, M. A. N. (1998). Psicologia Clínica Comportamental: a inserção da
entrevista com adultos e crianças. São Paulo: EDICON.

 
 
 

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