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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

1
Universidade da Amazônia

LÚCIA CRISTINA CAVALCANTE

OBESIDADE E ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO

Belém
UNAMA
2009
2
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

RELATÓRIO FINAL DE PESQUISA: OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO


© 2009, UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA

REITOR
Édson Raymundo Pinheiro de Souza Franco
VICE-REITOR
Antonio de Carvalho Vaz Pereira
PRÓ-REITOR DE ENSINO
Mário Francisco Guzzo
PRÓ-REITORA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO
Núbia Maria de Vasconcelos Maciel
SUPERINTENDENTE DE PESQUISA
Ana Célia Bahia Silva
SUPERITENDENTE DE EXTENSÃO – SUPEX
Vera Lúcia Pena Carneiro Soares

EXPEDIENTE
EDIÇÃO: Editora UNAMA
COORDENADOR: João Carlos Pereira
SUPERVISÃO E FOTO DA CAPA: Helder Leite
NORMALIZAÇÃO: Maria Miranda
FORMATAÇÃO GRÁFICA: Elailson Santos
IMPRESSÃO:

“Campus” Alcindo Cacela “Campus” BR “Campus” Senador Lemos “Campus” Quintino


Av. Alcindo Cacela, 287 Rod. BR-316, km3 Av. Senador Lemos, 2809 Trav. Quintino Bocaiúva, 1808
66060-902 - Belém-Pará 67113-901 - Ananindeua-Pa 66120-901 - Belém-Pará 66035-190 - Belém-Pará
Fone geral: (91) 4009-3000 Fone: (91) 4009-9200 Fone: (91) 4009-7100 Fone: (91) 4009-3300
Fax: (91) 3225-3909 Fax: (91) 4009-9308 Fax: (91) 4009-7153 Fax: (91) 4009-3349

Catalogação na fonte
www.unama.br

C3766o Cavalcante, Lúcia Cristina


Obesidade e análise do comportamento / Lúcia
Cristina Cavalcante. — Belém: Unama, 2009.

176 p.

ISBN 978-85-7691-074-9

1. Obesidade. 2. Análise do comportamento.


3 Psicologia do comportamento.I.Título

CDD: 616.398

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Universidade da Amazônia

“´Pessoas com excesso de


peso são mais diferentes
que parecidas’. Nem todos
os nossos sujeitos
respondem ao
procedimento da mesma
maneira. As variáveis
pessoais e sociais
envolvidas são relevantes
e muitas vezes
desconhecidas e escapam
ao controle do
experimentador. Parece
que temos em mãos uma
tecnologia que nos permite
fortalecer comportamentos
incompatíveis com a
resposta de comer
excessivamente a ser
eliminada, mas que há
ainda um longo caminho a
percorrer. Encontrar a
resposta controladora
proposta por Skinner é
possível. O problema
central é manter essa
resposta”

Rachel Rodrigues Kerbauy (1977, p. 129-130)

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Às milhares de pessoas que vivem todos os


dias em meio a contingências aversivas, pro-
vindas do ambiente social, físico e fisiológi-
co, derivadas do excesso de peso.

Aos Analistas do Comportamento que cientes


dessas situações aversivas esforçam-se coti-
dianamente para construir conhecimentos e
técnicas eficazes para instrumentalizar aque-
las pessoas a terem uma vida melhor.

À Profª Drª Rachel Rodrigues Kerbauy que ini-


ciou esse empreendimento em terras brasilei-
ras, pelos muitos frutos e pela determinação
de levar o arsenal teórico e metodológico da
Análise do Comportamento à área da Psicolo-
gia da Saúde.

A Arlindo Gomes da Silva (in memorium), pa-


ternidade abundante que me acompanhará
por toda a vida.

Especialmente, à Maria Jacy Cavalcante, a


mais hábil Analista do Comportamento que
já conheci, um exemplo de resistência, sobre-
vivência, competência e maternidade.

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Universidade da Amazônia

AGRADECIMENTOS

À Universidade da Amazônia e à Fundação


Instituto para o Desenvolvimento da Amazô-
nia, pela acolhida, infraesturura e fomento
dessa pesquisa, aspectos tão necessários à
consolidação da pesquisa na Amazônia.

À direção e a coordenação do curso de Psi-


cologia do Centro de Ciências Biológicas e da
Saúde, pelo crédito e incentivo à minha produ-
ção científica.

Às minhas bolsistas voluntárias Bruna Me-


nezes Castro dos Santos e Rebeca Pereira Ca-
bral pela presença continente e competente nas
longas horas de estudo; jovens talentos de
comportamento responsável e ético, tão neces-
sário nos settings de produção do conhecimen-
to científico.

Às minhas meninas, Ana Luiza e Marina,


que com características e formas distintas ins-
piram sonhos e abastecem realizações. Amo-
res definitivos!

Aos meus mestres e modelos Olavo de Fa-


ria Galvão, Marcelo Galvão Baptista e Lúcia
Medeiros, que sempre foram extremamente
hábeis em dispor contingências para o meu
aprendizado de Análise do Comportamento, re-
forçando positivamente minha formação como
docente e pesquisadora.

Minha eterna gratidão e reconhecimento.


Obrigada a cada um de vocês!
Lúcia Cavalcante

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Distribuição dos trabalhos localizados por ano ............................ 38


Gráfico 2: Distribuição dos trabalhos localizados pelos quatro
períodos de tempo analisados .......................................................................... 39
Gráfico 3: Distribuição dos trabalhos localizados por Região Brasileira
nos quatro períodos de tempo analisados ....................................................... 39
Gráfico 4: Distribuição dos trabalhos localizados pelas instituições
geradoras em cada um dos quatro períodos de tempo analisados ................ 41

Gráfico 5: Distribuição dos trabalhos localizados por tipo de instituição


geradora nas quatro Regiões Brasileiras em cada um dos quatro períodos
de tempo analisados ......................................................................................... 42

Gráfico 6: Distribuição dos trabalhos localizados por tipo de produção


bibliográfica gerada nos quatro períodos de tempo analisados ................... 42

Gráfico 7: Distribuição dos trabalhos localizados por número de autores


em cada um dos quatro períodos de tempo analisados .................................. 43

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Lista de palavras-chave selecionadas para a revisão de


literatura ............................................................................................................ 34
Quadro 2: Número de trabalhos realizados e/ou orientados por nove
pesquisadores identificados, distribuídos nos quatro períodos de tempo
analisados ......................................................................................................... 44
Quadro 3: Proporção do número de trabalhos obtidos sobre o número de
trabalhos localizados nos quatro períodos de tempo analisados ................. 47
Quadro 4: Dificuldades relatadas pelos sujeitos para o seguimento da
1ª etapa do programa desenvolvido por Heller (1990) ................................... 75

LISTA DE SIGLAS

UNAMA = Universidade da Amazônia (Belém – PA)


UFPA = Universidade Federal do Pará (Belém – PA)
UFPR = Universidade Federal do Paraná (UFPR)
UnB = Universidade de Brasília (Brasília – DF)
UCG = Universidade Católica de Goiás (Goiânia – GO)

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Universidade da Amazônia

USP = Universidade de São Paulo (São Paulo – SP)


PUCCAMP = Pontífice Universidade Católica de Campinas (Campinas – SP)
UNICOR = Universidade Vale do Rio Verde (Três Corações – MG)
UEL = Universidade Estadual de Londrina (Londrina – PR)
UNIPAR = Universidade Paranaense (Curitiba – PR)
CESUMAR = Centro de Ensino Superior de Maringá (Maringá – PR)
PUCRG = Pontífice Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(Porto Alegre – RS)

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 10

PREFÁCIO ............................................................................................................ 12

CAPÍTULO 1: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................... 15


1.1 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO: compreendendo a relação
organismo-ambiente .......................................................................................... 16
1.2 UM POUCO DA HISTÓRIA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO BRASIL .. 24
1.3 O QUE VEM A SER OBESIDADE? .................................................................... 25
1.4 OBESIDADE SOB A PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO .......... 28

CAPÍTULO 2: PERCURSO METODOLÓGICO ......................................................... 32


2.1 A PESQUISA “ESTADO DA ARTE” .................................................................... 33
2.2 RELATANDO O CAMINHO ............................................................................... 34
2.2.1 A localização dos trabalhos ........................................................................ 34
2.2.2 Leitura, identificação e caracterização ...................................................... 35
2.2.3 Análise dos resultados .............................................................................. 36

CAPÍTULO 3: DADOS E ANÁLISE QUANTITATIVA ................................................ 37

CAPÍTULO 4: DADOS E ANÁLISE QUALITATIVA ................................................... 46


4.1 A PESQUISA NA DÉCADA DE 70 ..................................................................... 48
4.2 A PESQUISA NA DÉCADA DE 80 ..................................................................... 61
4.3 A PESQUISA NA DÉCADA DE 90 ..................................................................... 84
4.4 A PESQUISA NOS ANOS DE 2001 A 2004 ...................................................... 96

À GUISA DA CONCLUSÃO ................................................................................. 129

REFERÊNCIAS .................................................................................................... 134

ANEXOS E APÊNDICE ........................................................................................ 147

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Universidade da Amazônia

APRESENTAÇÃO

A dentrar as teceduras de um grave problema de saúde pública


como a Obesidade que, democraticamente, atinge em todos os
continentes pessoas de todas as faixas etárias, sexos e classes
sociais, não é tarefa simples, muito menos deve ser levada a efeito por
uma só ciência.
No entanto, tão importante quanto pesquisar, elaborar e aplicar
estratégias interdisciplinares de enfrentamento ao problema, são os
investimentos de cada ciência na construção crítica e reflexiva de uma
espécie de autodiagnóstico acerca de sua produção científica sobre a
questão. O que se produziu? Como foi feito? Por quem? Com que grupo
de indivíduos? Sob que condições? São perguntas fundamentais para
compreender não apenas o fenômeno, mas as características do conhe-
cimento produzido sobre ele. Se é verdade que o conhecimento cientí-
fico deve animar as iniciativas racionais de modificações da realidade,
tão verdadeiro também é o fato de que este conhecimento é obtido de
forma processual e deve ser permanentemente revisto.
Nos últimos anos tem crescido o contingente de cientistas in-
teressados em realizar “Estados da Arte”, revisões do conhecimento
científico que não apenas historiam, mas, sobretudo, indicam cami-
nhos para a consolidação de teorias explicativas sobre determinados
temas de pesquisa. Ganha a ciência, pois toma consciência de si, ga-
nham os profissionais que configuram responsavelmente suas inter-
venções no conhecimento científico e, por fim, ganha a população
afetada direta e indiretamente, na medida em que passa a contar com
intervenções tecidas com um arsenal de conhecimentos permanen-
temente refletidos.
A Psicologia faz parte do rol das ciências que toma a Obesidade
como objeto de estudo, é bem verdade que por suas características esta
ciência não lança um único olhar sobre o mesmo, é possível identificar
diferentes atitudes epistemológicas nas investigações, o que gera, na-
turalmente, compreensões diversas sobre o fenômeno.
Dentre estes olhares encontramos a Análise do Comportamen-
to, um campo de estudos e pesquisas da Psicologia proposto por B. F.
Skinner na década de 30 nos Estados Unidos, que se caracteriza pela
investigação da relação organismo-ambiente sob uma perspectiva ex-

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ternalista, julgando que o comportamento dos indivíduos não é deter-


minado por motivações internas, mas pela sua história de relação com o
ambiente físico e social.
Os primeiros estudos realizados pela Análise do Comportamen-
to sobre a Obesidade ocorreram na década de 60, após o estudo pionei-
ro de Ferster, Nurnberger e Levitt (1962). Dez anos depois, a defesa da
tese de doutorado de Rachel Kerbauy, no Instituto de Psicologia da Uni-
versidade de São Paulo, deu início a estas investigações em território
nacional. Há mais de três décadas, Analistas de Comportamento brasi-
leiros vêm em maior ou menor intensidade investigando a Obesidade,
construindo um acervo de conhecimentos significativos, eleito como
objeto de estudo deste trabalho.
Historiar, sintetizar e analisar esta produção foram nossas me-
tas. A pesquisa de caráter bibliográfico, conhecida como “Estado da Arte”
ou “Estado do Conhecimento”, o nosso caminho. Os resultados geraram
um catálogo com as produções por ano, objeto de análise quantitativa.
Parte destas produções foi obtida e tornou-se objeto de uma análise
qualitativa. Ao final, foi possível esboçar uma espécie de raio x da pro-
dução brasileira entre os anos de 1972 a 2004, apresentado no decorrer
deste texto dividido em cinco capítulos. Embora seja desejável a leitura
contínua do texto, é possível que os iniciados em Análise do Comporta-
mento prescindam da leitura do Capítulo 1, uma vez que o conteúdo
apenas faz uma apresentação didática da Obesidade e da Análise do
Comportamento. Desta forma, é possível iniciar a leitura pelo Capítulo
2, sem prejuízo à compreensão do trabalho.
Esperamos que este texto possa, muito mais que responder ques-
tões, provocar perguntas que incitem a realização de novas pesquisas, abas-
tecendo de razões os Analistas do Comportamento interessados em com-
preender a complexa relação entre comportamento, saúde e doença.

Lúcia Cristina Cavalcante

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Universidade da Amazônia

PREFÁCIO

R
ecentemente, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Me-
tabólica (SBCBM) divulgou resultados de uma pesquisa indicando
que mais da metade (51%) da população brasileira está acima de
seu peso ideal. Entre os jovens de 18 a 25 anos, a incidência correspon-
de a 66%, sugerindo que, caso não sejam tomadas medidas preventi-
vas, já nas próximas décadas, o Brasil precisará dispensar elevados re-
cursos financeiros com o tratamento e as consequências sociais de do-
enças associadas ao excesso de peso como diabetes e cardiopatias. Mais
alarmante ainda, esta pesquisa revela que 3% da população brasileira
pode ser incluída na classe de obesidade mórbida.
Há décadas, a obesidade tem sido objeto de estudo de diver-
sos campos do conhecimento científico. No caso das ciências do com-
portamento, como a Psicologia e em particular a Análise do Compor-
tamento (AC), o interesse tornou-se crescente a partir da constatação
de que a obesidade apresenta etiologia multifatorial e suas consequ-
ências afetam a qualidade de vida do indivíduo, de seu grupo familiar,
ocupacional e social.
A Análise do Comportamento não estuda a obesidade em si,
mas as relações entre o indivíduo com obesidade e seu ambiente, iden-
tificando a função que o comportamento alimentar adquiriu para este
indivíduo a ponto de fazer com que o mesmo continue a executá-lo em
excesso, a despeito das consequências adversas. Desse modo, a AC se
destaca como um promissor modelo teórico e metodológico para o es-
tudo da obesidade, o que vem a ser demonstrado neste trabalho reali-
zado por Lúcia Cristina Cavalcante, professora e pesquisadora da Uni-
versidade da Amazônia (UNAMA).
Este livro apresenta uma organização do conhecimento produ-
zido na área, isto é, o seu “estado da arte”. É o principal produto da
pesquisa realizada pela autora com o objetivo de “historiar, sintetizar e
analisar a produção científica sobre obesidade realizada por analistas
do comportamento no Brasil – uma espécie de raio X da produção brasi-
leira entre os anos de 1972 a 2004”.
O livro está dividido em cinco capítulos. Nos dois primeiros, a
autora apresenta a fundamentação teórica e o percurso metodológico
de coleta e de análise do material bibliográfico localizado. No terceiro

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

capítulo, é apresentada uma análise quantitativa dos 78 estudos seleci-


onados, por meio da qual se observa o crescente interesse de analistas
do comportamento brasileiros, destacando-se o maior volume de pes-
quisas realizadas nos primeiros anos do século XXI. Nesta análise, a
autora considera o número e o tipo de estudo por ano, por década e por
autor, e também as regiões geográficas brasileiras nas quais os traba-
lhos foram realizados.
No quarto capítulo, o mais extenso, a autora apresenta cuidado-
sa análise qualitativa de 21 pesquisas realizadas em 33 anos de produ-
ção, organizadas em quatro categorias (década de 70, década de 80,
década de 90 e anos 2001 a 2004), por meio da qual são analisados as-
pectos como: delineamento utilizado, participantes, principais resulta-
dos obtidos e questões conceituais mais exploradas, sob uma perspec-
tiva histórica. Muito interessante a forma que a autora elegeu para a
apresentação dos estudos, iniciando com um resumo do trabalho, se-
guido de uma análise do mesmo e ao final, fazendo uma síntese da
produção do autor. A cada apresentação do grupo de estudos, a autora
justifica os critérios utilizados para a seleção dos mesmos, orientando o
leitor sobre o modo de fazer uma pesquisa bibliográfica.
No quinto capítulo, a autora tece importantes conclusões sobre
os resultados encontrados, fazendo, como boa pesquisadora, impor-
tantes comentários e sugestões para estudos futuros. Desse modo, per-
mite um salto qualitativo para os pesquisadores da área, ao organizar o
conjunto de trabalhos já realizados por analistas do comportamento
brasileiros apontando caminhos a serem seguidos.
Para complementar, a autora anexa a lista de todos os trabalhos
localizados, como um catálogo, oferecendo ao leitor uma preciosa fer-
ramenta para estudo.
Os resultados apontam a carência de estudos nas Regiões Norte
e Nordeste, sugerindo a necessidade de incentivos à pesquisa nestas
regiões. A autora também destaca o importante papel das instituições
de ensino superior na realização de pesquisas.
Cabe ainda algumas considerações sobre o percurso realizado
pela profa. Lúcia como docente e pesquisadora. Formada em Bachare-
lado em Psicologia pela Universidade Federal do Pará, concluiu o cur-
so de mestrado no programa de pós-graduação em Psicologia: Teoria
e Pesquisa do Comportamento, também pela UFPA, com dissertação
realizada sob a orientação do Prof. Dr. Olavo Galvão. Em 1997 iniciou
suas atividades como docente na Universidade da Amazônia. Atual-

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Universidade da Amazônia

mente, é Professora Adjunto VI nesta instituição de ensino superior,


orienta trabalhos de iniciação científica e de conclusão de cursos de
graduação e de pós-graduação, além de ministrar disciplinas em cur-
sos da área de educação (Pedagogia) e de saúde (Psicologia, Fisiote-
rapia e Fonoaudiologia).
Iniciou sua vida acadêmica realizando estudos sobre aprendiza-
gem e desempenho acadêmico, ampliando-os para estudos sobre con-
trole aversivo e, mais recentemente, tem se dedicado a estudar o com-
portamento alimentar de indivíduos com obesidade seguindo o mode-
lo analítico-comportamental. Vários de seus trabalhos foram apresen-
tados em eventos científicos locais e nacionais.
Espera-se que, ao final da leitura deste livro, outro objetivo apon-
tado pela autora seja alcançado: “mais que responder perguntas, [ ]
provocar perguntas que incitem a realização de novas pesquisas, abas-
tecendo de razões os analistas do comportamento interessados em com-
preender a complexa relação entre comportamento, saúde e doença”.

Profª. Drª. Eleonora Arnaud Pereira Ferreira


Mestre e Doutora em Psicologia (UnB)
Psicóloga e Professora Associada I da UFPA

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Capítulo 1

FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA

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Universidade da Amazônia

1.1 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO: compreendendo a relação organis-


mo-ambiente

A Análise do Comportamento é um campo de estudos e pesqui-


sas da Psicologia, proposto por B. F. Skinner, inicialmente em 1938 com
a obra The Behavior of organisms: an experimental analysis (MATOS,
1990), que se caracteriza pela investigação do comportamento, funda-
mentada epistemologicamente no Behaviorismo Radical (BAUM, 1999;
COSTA, M., 1997; MICHELETTO e SÉRIO, 1993; TODOROV, 1981, 1982;
ANDERY e SÉRIO, 2001; SÉRIO, 1999).
O Behaviorismo Radical, enquanto uma epistemologia, se con-
figurou a partir das reflexões que Skinner desenvolveu sobre a visão de
homem, o objeto de estudo e o modelo de ciência adotados pela Psico-
logia; refelxões estas nascidas de pesquisas realizadas pelo autor des-
de 1931, quando iniciou seu doutoramento em Harvard, mas só explici-
tadas pela primeira vez em 1945, no artigo The operacional analysis of
psichological terms (MATOS, 1990; TOURINHO, 1987).
Para o Behaviorismo Radical, o homem é um ser ativo, sujeito
de sua própria história, construída e reconstruída nas relações com o
ambiente (SKINNER, 1957/19781; SKINNER, 1990; MACHADO, 1994). Com
relação a esta concepção de homem, Micheletto e Sério (1993, p. 14)
afirmam que:

O homem constrói o mundo a sua volta, agindo sobre ele e,


ao fazê-lo, está também se construindo. Não se absolutiza
nem o homem, nem o mundo; nenhum dos elementos da
relação tem autonomia. Supera-se, com isto, a concepção
de que os fenômenos tenham uma existência por si
mesmos... A cada relação obtém-se, como produto, um
ambiente e um homem diferentes.

Para compreender o homem, portanto, é necessário investigar a


relação homem-mundo. Dito de outra forma, é necessário compreender
seu comportamento, definido não apenas como a ação do homem no
mundo, mas a relação/interação deste homem, visto como um organis-
mo vivo, com seu ambiente presente e passado (SKINNER, 1953/2000;
TODOROV, 1981, 1982; MATOS, 1999a; SANT‘ANNA, 2001). Cabe assinalar

1
O primeiro ano se refere à data de publicação original em língua inglesa. O segundo ano se refere à
data da obra lida em língua portuguesa.

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

o significado que o termo “ambiente” assume no Behaviorismo Radical:


conjunto de condições ou circunstâncias que afetam o organismo e o
fazem comportar-se (MATOS, 1999b). O ambiente, portanto, não se res-
tringe apenas a eventos no meio físico, como alterações climáticas (ambi-
ente físico) por exemplo, abarca também eventos sociais, ou seja, com-
portamentos de outros indivíduos da mesma espécie que afetam o indi-
víduo em análise. Eventos estes que, para Skinner (1953/2000), Todorov
(1981) e Todorov (1982), constituem o ambiente social.
Para fins de investigação, a Análise do Comportamento utiliza
os conceitos estímulo e resposta para descrever o comportamento. Se-
gundo Keller e Schoenfeld (1950/1973, p. 17), estímulo é “Uma parte, ou
mudança em uma parte do ambiente”, já resposta é definida como “Uma
parte, ou a mudança em uma parte, do comportamento”; não havendo
sentido na utilização de um destes termos sem a referência ao outro.
Micheletto e Sério (1993, p. 12) prosseguem afirmando ainda
que o homem “... Não é uma natureza humana diferente dos demais
fenômenos e nem contém em si duas naturezas distintas, o homem
está submetido a leis universais e é passível de ser conhecido”.
Desta forma, pode-se afirmar que o Behaviorismo Radical rejeita
concepções dualistas de homem, rejeitando a ideia de um homem com-
posto de uma natureza material (o corpo) e outra imaterial (a alma, o
espírito, a mente). O homem é visto como um organismo vivo que possui
apenas uma natureza: a física, que está submetida às mesmas leis que
regem outros aspectos do universo (CHIESA, 1994). Esta interpretação
leva o Behaviorismo Radical a ser considerado uma abordagem monista.
Por conta disso, estímulos e respostas acessíveis de modo dire-
to apenas ao próprio indivíduo, circunscritos no “mundo-dentro-da-
pele”, como sensações e pensamentos, não têm nenhuma natureza
especial diferenciada dos estímulos e respostas públicas, diferindo dos
últimos apenas pela questão do acesso à observação. Estes estímulos e
respostas são denominados de eventos privados (SKINNER, 1953/2000,
1974/1993; LAMPREIA, 1996; TOURINHO, 1999; SIMONASSI, TOURINHO e
SILVA, 2001; TEIXEIRA, 2001; TOURINHO, TEIXEIRA e MACIEL, 2002).
Os eventos privados são vistos pelo Behaviorismo Radical como
frutos da história de interação do organismo com o ambiente externo
físico e/ou social, assim como os eventos públicos. Por conta disso, não
têm existência independente, contrariando a visão de outras aborda-
gens psicológicas que pressupõem o livre arbítrio e/ou o determinismo
interno do comportamento (LAMPREIA, 1996). Desta forma, os eventos

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Universidade da Amazônia

privados fazem parte da relação organismo-ambiente, mas não podem


ser tomados, em última análise, como as causas do comportamento,
que estariam no ambiente e que seriam as variáveis das quais o com-
portamento é função (SKINNER, 1953/2000, 1974/1993, 1969/1984, 1989/
1991; CHIESA, 1994). Esta interpretação sobre a determinação do com-
portamento permite classificar o Behaviorismo Radical como uma abor-
dagem externalista (TOURINHO, 1999).
Outro aspecto que tem particular importância na compreensão
do Behaviorismo Radical é a ênfase dada por Skinner em toda sua obra
(1930-1990) às consequências das interações organismo-ambiente. O
estabelecimento do conceito de comportamento operante em 1938 é
um marco nesta direção dada à explicação do comportamento.
Em estudos desenvolvidos em sua tese de doutorado, Skinner iden-
tificou um tipo de comportamento: o operante, que não poderia ser expli-
cado pelos estudos até ali realizados, baseado na noção de comportamen-
to reflexo ou respondente, desenvolvida por I. P. Pavlov.
Skinner verificou, em observações experimentais, que as res-
postas do sujeito não poderiam ser explicadas pela presença de estí-
mulos antecedentes eliciadores2, como vinha sendo feito nos estudos
sobre comportamentos e reflexos. Os sujeitos ora respondiam na pre-
sença de um estímulo antecedente, ora não respondiam. As respostas
dos sujeitos tinham sua frequência alterada pelas modificações produ-
zidas no ambiente (estímulos ambientais consequentes). Este novo tipo
de comportamento caracterizava-se pela sensibilidade às consequên-
cias (SKINNER, 1974/1993) e mantinha uma relação muito particular e
bastante diferenciada com o estímulo ambiental antecedente: depen-
dendo das consequências da resposta, a situação onde ela ocorria (estí-
mulo ambiental antecedente) assumia um controle sobre a mesma.
Este controle, denominado discriminativo, fazia com que aspectos des-
ta situação funcionassem para o sujeito como “dicas”, indicativo da pro-
babilidade de certos tipos de consequências serem apresentadas para
aquela resposta. Skinner (1953/2000) passa a se referir ao comporta-
mento operante como uma relação do tipo resposta-estímulo (R-S3),
em contraste à relação do tipo estímulo-resposta (S-R) presente no com-
portamento respondente.

2
Eliciar é o termo técnico usado para se referir à função de provocar uma resposta reflexa que
estímulos possuem, quando apresentados a um organismo, a exemplo da comida na boca (estímulo
eliciador) que gera salivação (respondente). A relação S-R é denominada reflexo ou comportamento
respondente.
3
S do inglês stimulus e R do inglês response.

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OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

É importante destacar que o advento deste novo conceito não


excluiu do campo da Análise do Comportamento as dimensões com-
portamentais que podem ser explicadas a partir do conceito de com-
portamento respondente, uma vez que os estímulos apresentados como
consequência para um operante (R-S) eliciam, sem dúvida, responden-
tes no organismo (S-R). A diferenciação entre eles, operante e respon-
dente, se justifica pela especificidade da interação apresentada em cada
um, especialmente no que tange à ação do sujeito e é muito útil para
efeito de análise comportamental. A partir da proposição do conceito
de comportamento operante, Skinner (1969/1984) passa a analisar a in-
teração organismo-ambiente utilizando o conceito de contingência.
Contingências são enunciados do tipo “se..., então....” que descrevem
relações entre eventos (SOUZA, 1999). Um exemplo de contingência
presente no comportamento respondente seria: “se a luz apagar (estí-
mulo eliciador), então a pupila irá imediatamente se contrair (respon-
dente)” ou esquematicamente apenas S-R.
A Análise do Comportamento a partir do estabelecimento do
conceito de operante passou a empregar a contingência tríplice: S-R-S,
ou seja, estímulo ambiental antecedente-resposta-estímulo ambiental
consequente, para identificar as variáveis das quais o comportamento
é função. Este método de Análise do Comportamento é denominado
análise funcional (TODOROV, 1981, 1982, 1985; COSTA e MARINHO, 2002).
A importância atribuída às consequências no comportamento
operante desencadeou uma série de estudos que culminaram com a
identificação de dois tipos de operações que ocorrem na relação orga-
nismo-ambiente, e interferem na frequência e probabilidade de ocor-
rência de um comportamento: a punição e o reforçamento.
A punição é uma operação que consiste na apresentação de um
estímulo ambiental consequente que diminui a frequência e probabili-
dade de ocorrência das respostas que o produzem. Estes estímulos são
denominados estímulos aversivos (SKINNER, 1953/2000).
Estudos mostraram que esta operação, infelizmente muito usa-
da nas relações humanas, tem apenas eficácia parcial na diminuição da
frequência do comportamento, uma vez que os indivíduos tendem a
não emitir a resposta na presença do agente punitivo, mas na sua au-
sência podem voltar a apresentar o comportamento, que em muitos
casos se apresenta em uma frequência ainda maior que a original.
Outros estudos, a exemplo de Sidman (1989/1995), que avalia-
ram os subprodutos da punição apontam como correlatos da exposição

19
Universidade da Amazônia

sistemática a situações punitivas: o desenvolvimento de alterações or-


gânicas como taquicardia, tremores periféricos, aumento da sudorese,
úlceras, medo, ansiedade, depressão, fobias, dentre outros. Tais efei-
tos fizeram Skinner (1953/2000) propor alternativas à punição para ob-
ter a redução da frequência de um comportamento, sendo a principal
delas a extinção, que se caracteriza pela retirada do evento ambiental
consequente à resposta com alta frequência.
A segunda operação estudada pela Análise do Comportamento
é o reforçamento. Reforçamento é definido como uma operação na
qual um estímulo ambiental apresentado contingentemente a uma res-
posta, aumenta a frequência e probabilidade de ocorrência futura da
mesma (SKINNER, 1953/2000, 1969/1984; HALL, 1975).
As pesquisas da Análise do Comportamento mostraram que exis-
tem basicamente dois tipos de reforço: reforço positivo e reforço nega-
tivo. A diferença básica entre eles está no fato de que, no reforço posi-
tivo o que aumenta a frequência e probabilidade de ocorrência do com-
portamento é a apresentação de um estímulo contingente à resposta,
enquanto que, no reforço negativo, o que aumenta a frequência e pro-
babilidade de ocorrência do comportamento é a retirada de um estímu-
lo aversivo ou a evitação do contato com o referido estímulo.
Os estudos sobre o reforço positivo realizados pela Análise do
Comportamento indicaram como fatores críticos para o estabelecimen-
to de uma contingência de reforço: 1) o tempo entre a resposta e a
conseqüência e; 2) o esquema de administração da consequência, que
pode ser feita de forma contínua, intermitente, dentre outras variações
e combinações possíveis (MACHADO, 1980, 1986).
Vários autores estudaram os efeitos do reforço negativo. Em geral,
estes estudos são realizados em associação com estudos acerca da punição.
Tais estudos classificaram os comportamentos reforçados negativamente
como fuga e esquiva. Na fuga, a resposta é reforçada pela retirada do estí-
mulo aversivo e na esquiva a resposta é reforçada por evitar ou adiar o
contato do indivíduo com a estimulação aversiva (SIDMAN, 1989/1995).
Embora, haja uma franca defesa nos textos de Skinner e Sidman dos
benefícios de estabelecer comportamentos via reforçamento positivo, estu-
dos recentes têm problematizado esta questão, uma vez que muitos com-
portamentos instalados e mantidos por reforço positivo imediato têm con-
sequências futuras altamente aversivas. Um exemplo disso, pode ser o com-
portamento de comer em excesso, para o qual existe reforço imediato. Esta
discussão leva com que se iniciem reflexões sobre as consequências do uso

20
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

indiscriminado do reforçamento positivo. Somado a isso, é possível pensar


que a situação de punição também se apresenta como uma oportunidade de
ampliação de repertório, uma vez que os indivíduos passam a apresentar
comportamentos alternativos ao punido, estabelecendo outras formas de se
relacionar com seu ambiente (PERONE, 2003). Longe de defender a utilização
de punição, a análise de quadros como a Obesidade pode servir de incentivo
à pesquisa sobre os malefícios da disponibilização de reforçamento positivo
e consequente fortalecimento de comportamentos incompatíveis com a saú-
de. Aprofundaremos esta questão mais à frente.
A proposição do conceito de operante e a identificação da opera-
ção de reforçamento fizeram com que Skinner (1989/1991) apresentasse
a seguinte questão: “Por que o reforço reforça?”. Na ânsia por responder
esta questão, Skinner foi buscar o mecanismo de seleção natural propos-
to por Darwin para a evolução das espécies e elaborou o modelo de sele-
ção pelas consequências, em 1981. Este modelo propõe que a seleção não
atuaria somente na variabilidade anatômica e fisiológica exibida pelos
indivíduos, mas também na variabilidade comportamental. O comporta-
mento de um indivíduo seria resultado de contingências filogenéticas
(atuando no nível das espécies), de contingências ontogenéticas (atuan-
do no nível dos repertórios comportamentais individuais) e de contin-
gências culturais (atuando no nível das práticas grupais) (SKINNER, 1969/
1984; MACHADO, 1994; NELSON, 1998; ANDERY, 1999; MICHELETTO, 1999).
Acerca da Seleção pelas consequências no nível filogenético,
Matos (1990) afirma que:

... A modificação ocorre na reserva genética da espécie e é


assim transmitida pelos indivíduos que, consequentemente,
sobrevivem. Em nível comportamental, esses indivíduos tor-
nam-se sensíveis a diferentes tipos e/ou níveis de estimula-
ção, apresentam posturas típicas, sequências reflexas etc.

Desta forma, é possível entender porque alguns estímulos con-


sequentes ao comportamento têm o poder de aumentar a frequência e
probabilidade de ocorrência do mesmo, tais como: água e alimento.
Eles adquirem seu poder reforçador pelos efeitos que produzem no
organismo. A estes estímulos denominamos reforçadores primários
(SKINNER, 1953/2000, 1989/1991).
No entanto, Skinner (1953/2000), evocando o segundo e terceiro
nível de seleção: a ontogênese e a cultura, identifica outros estímulos
consequentes que adquiriam o status de reforçadores pelo pareamen-

21
Universidade da Amazônia

to4 ocorrido durante a história de vida do indivíduo com um ou mais


reforçadores primários. Estes estímulos serão denominados reforçado-
res condicionados e reforçadores generalizados, respectivamente.
Ao analisar o comportamento é necessário considerar os três ní-
veis de seleção. No entanto, pelas próprias características da ciência que
preconiza a eleição de um nível de análise ou ainda um recorte para con-
figurar o caminho de investigação de um aspecto da realidade, Skinner
(1990) propõe que a Análise do Comportamento investigue o comporta-
mento a partir das interações organismo-ambiente que se dão no nível
ontogenético (na história pessoal de cada indivíduo), acreditando que
neste nível se façam presentes os dois outros níveis de determinação do
comportamento: o filogenético e o cultural.
Por conta desta eleição para a compreensão do processo de determi-
nação do comportamento, uma das críticas mais frequentemente feitas ao
Behaviorismo Radical (e por extensão à Análise do Comportamento) é que o
homem seria tomado como um autômato e que não existiria a possibilidade
de um indivíduo comandar sua própria vida. A exposição feita acima, ainda
que pontual e sumarizada, impossibilita a confirmação desta crítica.
A elaboração do conceito de autocontrole por Skinner (1953/2000),
como controle ambiental exercido pelo próprio indivíduo, a partir da aná-
lise das contingências às quais seu comportamento é função (autoconhe-
cimento), que lhe possibilita apresentar respostas (respostas controla-
doras) para diminuir a frequência de alguns comportamentos e/ou au-
mentar a frequência de outros (respostas controladas); descaracteriza a
crítica de automação humana frequentemente feita ao Behaviorismo
Radical, muito difundida no meio acadêmico (SKINNER, 1974/1993; FRAN-
ÇA, 1997; CARRARA, 1998; RODRIGUES, 1999; WEBER, 2002).
Em geral, o autocontrole é requerido em que existam contin-
gências conflitantes. Na maioria das vezes, as consequências reforça-
doras são apresentadas primeiramente que as consequências aversi-
vas, mantendo a frequência e a probabilidade de ocorrência da respos-
ta em níveis altos, gerando um controle competitivo (KERBAUY, 2000).
Um exemplo de controle competitivo e dos prejuízos que este pode
causar ao indivíduo pode ser observado no consumo de drogas (SILVA,
GUERRA, GONÇALVES e GARCIA-MIJARES, 2001) e na Obesidade (KER-
BAUY, 1972, 1977).
4
Pareamento ou emparelhamento de estímulos é o procedimento pelo qual um estímulo previamente
neutro em relação a um respondente, adquire a função de eliciá-lo, após ter sido apresentado
conjuntamente com o estímulo que originalmente eliciava o respondente em questão (SKINNER,
1953/2000).

22
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Para Hanna e Todorov (2002, p. 338) os seguintes aspectos fa-


zem parte da análise comportamental do autocontrole:

1. Trata-se de uma contingência ou uma combinação de


contingências com duas conseqüências para uma mesma
resposta – reforçamento e punição – esta resposta é cha-
mada por ele de controlada (Rc);
2. Envolve uma história individual onde ocorre o estabele-
cimento de propriedades aversivas para o comportamento
controlado, idéia esta derivada da afirmação de que res-
postas que reduzem a probabilidade deste comportamen-
to podem ser fortalecidas;
3. Faz parte da contingência um segundo comportamento –
chamado por ele de controlador (Rc1 ) – que muda algum
aspecto que compõe as condições ambientais e altera a
probabilidade da resposta controlada;
4. As mudanças na contingência do comportamento contro-
lado produzidas pelo comportamento controlador podem:
(a) reduzir/aumentar a intensidade de estímulos eliciado-
res ou aversivos; (b) produzir/retirar estímulos discrimina-
tivos; (c) modificar a motivação através da criação de ope-
rações estabelecedoras (emoção, drogas); (d) tornar refor-
çadores/punidores altamente prováveis ou improváveis; ou
(e) desenvolver alternativas comportamentais que não
impliquem punição.

Os autores concluem que “Em qualquer desses casos, a mudan-


ça produzida pelo comportamento controlador somente alterará a pro-
babilidade desse comportamento, se a probabilidade do comportamen-
to controlado for alterada” (HANNA e TODOROV, 2002, p. 338). Sendo
assim, é importante planejar contingências reforçadoras imediatas para
a resposta controladora, de forma a permitir seu fortalecimento.
Em resumo, podemos perceber neste item, que a Análise do
Comportamento considera o comportamento como uma relação entre
organismo e ambiente, que é construída e mantida ao longo de uma
história de vida. Embora cada indivíduo tenha traçado uma caminhada
peculiar, os processos que permeiam esta relação são plenamente aces-
síveis à análise científica, o que permite o estabelecimento de estraté-
gias de modificação baseadas, sobretudo, na compreensão da função
que o comportamento tem no ambiente e nos limites e possibilidades
do repertório comportamental de cada indivíduo.

23
Universidade da Amazônia

1.2 UM POUCO DA HISTÓRIA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO


BRASIL

Apesar da Psicologia, como área de conhecimento, ter se feito


presente nos escritos brasileiros desde a época do Brasil Colônia (MAS-
SIMI, 1987; MASSIMI, 1990; ANTUNES, 2001), a Análise do Comporta-
mento chegou ao Brasil apenas em 1961, com as aulas do Prof. Fred
Keller na USP (primeira graduação em Psicologia a surgir no Brasil). O
processo de desenvolvimento inicial dessa área do conhecimento psi-
cológico é mais bem descrito por Matos (1996; 1998).
Durante um significativo período de tempo, as pesquisas esti-
veram concentradas em princípios básicos do comportamento, investi-
gados por meio de experimentos com animais infra-humanos. Outro
campo que mereceu investimento inicial foi a área da Educação, com as
investigações sobre programação de ensino.
A partir de 1964, as contingências criadas a partir da instalação
da ditadura militar, fizeram com que a Análise do Comportamento no
Brasil fosse, por muitos anos, um sinônimo de Psicologia Experimental,
área que sofria menor controle coercitivo do Estado. Desta forma, exce-
tuando-se a área da Educação, a ampliação das pesquisas para áreas
tradicionais como a área da Saúde se deu de forma mais lenta, o que
veio a ocorrer no início da década de 80, em tese defendida na pós-
graduação do Instituto de Psicologia da USP sobre o tema “Autocontrole
do comportamento alimentar” (KERBAUY, 1972).
Além da questão relativa aos campos de pesquisa explorados,
Matos (1998) nos chama a atenção para a concentração da formação dos
primeiros Analistas do Comportamento. Para a autora, esta concentra-
ção se deu no eixo Sul-Sudeste, com exceção do Estado da Pará:

Um sólido curso de pós-graduação, com uma forte ênfase


em Análise do Comportamento, existia na Universidade de
São Paulo desde 1970. Outros foram criados, na Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, SP, em 1972, e na
Universidade de Brasília, em 1974. Um excelente mestrado
em Educação Especial passou a ser oferecido na
Universidade Federal de São Carlos, SP, a partir de 1980, e
um mestrado em Análise Comportamental passou a ser
oferecido na Universidade Federal do Pará em 1987. Cursos
de especialização em Análise do Comportamento passaram
a ser oferecidos regularmente na Universidade Estadual
de Londrina, PR, e na Universidade de Caxias do Sul, RS.

24
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Há poucos dados sobre a migração dos Analistas do Comporta-


mento para outras regiões do país, mas a análise dos programas de con-
curso para as Universidades Federais revela que a seleção de tópicos
circunscritos à Análise do Comportamento iniciou-se em meados da
década de 90. É preciso lembrar, no entanto, que na Região Nordeste já
há grupos de pesquisa consolidados e que a presença da Análise do
Comportamento vem se tornando forte, em áreas como a Psicologia
Clínica e Escolar.

1.3 O QUE VEM A SER OBESIDADE?

A Obesidade é uma doença crônica de etiologia multifatorial,


que se caracteriza pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura no
organismo sob a forma de tecido adiposo (ADES e KERBAUY, 2002; AL-
MEIDA, LOUREIRO e SANTOS, 2002; SEGAL e FANDIÑO, 2002).
O Índice de Massa Corporal (IMC)5 tem sido o método de refe-
rência para o diagnóstico da Obesidade, adotado como parâmetro por
organismos internacionais, a exemplo da Organização Mundial da Saú-
de (OMS), para estimar a prevalência deste distúrbio na população (DO-
BROW, KAMENETZ e DEVLIN, 2002). Tal índice estabelece basicamente
duas categorias para descrever a condição de um indivíduo que está
acima do peso corporal considerado normal: o Sobrepeso e a Obesida-
de. O sobrepeso é caracterizado quando o cálculo do IMC resulta em
índice que varia de 25 a 29,9 Kg/m2. A Obesidade é caracterizada quan-
do o cálculo do IMC atinge índices de 30 a 34,9 Kg/m2. A Obesidade
mórbida é aferida quando o índice do IMC ultrapassa 35 Kg/m2, nesta
condição o indivíduo já excede o peso normal em mais de 40% (DAMIA-
NI, DAMIANI e OLIVEIRA, 2002).
Outros autores alertam para as limitações do IMC, já que ele
não permite visualizar, por exemplo, a distribuição do tecido adiposo
excedente ao longo do corpo, fator comprovadamente relevante e cor-
relacionado com algumas doenças associadas à Obesidade como o dia-
betes. Conforme Cuppari (2002, p.136), a Obesidade pode ser classifica-
da em relação a forma de armazenamento e distribuição da gordura
pelo corpo em três grupos:

5
Peso corporal em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros quadrados.

25
Universidade da Amazônia

a) Obesidade andróide: também chamada troncular ou


central, lembra o formato de uma maçã. Sua presença se
relaciona com alto risco cardiovascular;
b) Obesidade ginecóide: caracteriza-se por um depósito
aumentado de gordura nos quadris, lembra o formato de
uma pêra. Sua presença está relacionada com um risco
maior de artroses e varizes;
c) generalizada.

A Obesidade e o Sobrepeso têm apresentado um aumento pro-


gressivo e significativo na população mundial nos últimos 40 anos, atin-
gindo indistintamente crianças, adolescentes, adultos e idosos, não só
nos países chamados desenvolvidos, mas também alcançando altos ní-
veis de prevalência em países com baixos índices de desenvolvimento,
a exemplo do que se observa na América Latina (CARVALHO, 2000; DA-
MIANI, DAMIANI e OLIVEIRA, 2002), passando, assim, a se configurar
como uma epidemia. No Brasil, as pesquisas apontam o mesmo avanço
na prevalência da Obesidade, sendo caracterizado por alguns autores
como uma transição epidemiológica, uma vez que o país contava com
um alto índice de subnutridos e um baixo índice de obesos no início da
década de 70, hoje conta com 40% de sua população obesa e apenas
5,7% subnutrida (OLIVEIRA, 2000; NEVES, 2003).
A Obesidade já é bem conhecida como fator de risco para patolo-
gias graves como o diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, ar-
teriosclerose, alguns tipos de câncer, problemas respiratórios e distúrbi-
os reprodutivos em mulheres, dentre outros (GIGANTE, BARROS, POST e
OLINTO, 1997; ADES e KERBAUY, 2002; ALMEIDA, LOUREIRO e SANTOS,
2002; SEGAL e FANDIÑO, 2002; DAMIANI, DAMIANI e OLIVEIRA, 2002).
No entanto, as alterações e as patologias orgânicas decorrentes
da Obesidade, sobretudo a Obesidade mórbida, não expressam comple-
tamente o que este quadro pode ocasionar na vida de um indivíduo. In-
vestigações têm indicado a relação entre Obesidade e baixa competên-
cia social6 (BARBOSA, 2001), expressa em quadros de esquiva e retrai-
mento social (KERBAUY, 1987) e dificuldades no estabelecimento de rela-
cionamentos amorosos (ROCHA, ABDELNOR e VANETTA, 2001; ROCHA,
ABDELNOR, VANETTA e SILVA, 2002), além de quadros de ansiedade e
depressão (GONÇALVES e OLIVEIRA, 2003; DOBROW, KAMENETZ e DEV-

6
Competência social pode ser definida pela expressão de sentimentos, atitudes, desejos, opiniões e/
ou direitos, adequada ao contexto situacional, respeitando-se igualmente a expressão destes mesmos
comportamentos por outros indivíduos (BARBOSA, 2001; DEL PRETTE e DEL PRETTE, 1999).

26
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

LIN, 2002), gerando consequências significativas para a autoimagem e


autoestima dos indivíduos (ALMEIDA, LOUREIRO e SANTOS, 2002), preju-
dicando sua interação social e, consequentemente, sua qualidade de vida.
Nos últimos anos, novos métodos têm sido construídos com vis-
tas a realizar uma intervenção mais efetiva em quadros de excesso de
peso. Em especial, nos casos de Obesidade mórbida, a cirurgia bariátri-
ca tem sido indicada como um método eficaz para a redução de peso e
sua manutenção em longo prazo (GARRIDO JÚNIOR, 2002; OLIVEIRA,
LINARDI e AZEVEDO, 2004; BENEDETTI, 2003; FERRAZ et al, 2007).
A cirurgia bariátrica pode ter caráter exclusivo ou restritivo e
busca dificultar, com maior ou menor intensidade, a absorção de nutri-
entes. Essa intervenção cirúrgica pode ser dividida em procedimentos
que: 1) limitam a capacidade gástrica, ou seja, cirurgias restritivas; 2)
interferem na digestão (cirurgias disabsortivas) e; 3) uma combinação
de ambas as técnicas, isto é, cirurgias mistas (MARQUES e GRAIM, 2004;
QUADROS, HECKE e ORTELLADO, 2005).
Um conjunto de critérios estabelecidos pela Federação Interna-
cional para a Cirurgia da Obesidade e pela Sociedade Brasileira de Cirur-
gia Bariátrica (SBCB) é adotado para a feitura da indicação do paciente
para a realização da cirurgia bariátrica. Dentre eles estão: o paciente deve
ser portador de Obesidade tipo III (Obesidade mórbida); não ter obtido
sucesso em diversos tratamentos clínicos; apresentar comprometimento
em sua saúde derivado da presença da Obesidade; ter risco cirúrgico acei-
tável; ter capacidade de compreender as implicações que a feitura da
cirurgia irá gerar em termos de mudanças em seu estilo de vida.
As principais contraindicação da cirurgia são a existência de dis-
túrbios psiquiátricos, dependência química, alcoolismo, atraso mental,
transtornos alimentares como a bulimia nervosa e resistência à mudança
de atitude alimentar e comportamental. Além disso, não é aceitável a
realização de cirurgias bariátricas em crianças, adolescentes, grávidas e
pessoas com idade avançada; possuidores de varizes esofágicas, doenças
imunológicas ou inflamatórias do trato superior; sujeitos com doença
cardiopulmonar severa e descompensadora; que tenham quadros alérgi-
cos exuberante e nunca tenham frequentado programa de tratamento
para perda de peso, considerando a cirurgia bariátrica como tratamento
de primeira escolha (CARREIRO e ZILBERSTEIN, 2004).
Em alguns casos, é aceitável a realização de cirurgia bariátrica
em pacientes com IMC em torno de 32 e 35, desde que seja atestada a
presença de comorbidades ou tenham indicações formais do clínico,

27
Universidade da Amazônia

endocrinologista e psicólogo, uma vez que esses indivíduos encontram-


se com sua saúde extremamente debilitada e necessitam de melhora
urgente na sua qualidade de vida (CARREIRO e ZILBERSTEIN, 2004).
Os pacientes submetidos a esta cirurgia passam por um longo
período de adaptação à nova condição gástrica, seguindo durante alguns
meses uma sequência de passos para a reintrodução de alimentos e de
atividade física. Por conta de sua história alimentar anterior, a literatura
sobre o assunto ressalta que há necessidade da equipe responsável pela
alimentação do paciente atentar para possíveis situações, nas quais o
paciente poderá se sentir tentado a comer mais do que pode ou a ingerir
alimentos que não são tidos como saudáveis. Um exemplo de situação
perigosa é o fato de que geralmente o sujeito obeso come mais e pior
(quanto à qualidade), no final de semana do que durante os dias da se-
mana, e com frequência, justifica esse comportamento relatando que é
mais comedido durante a semana para poder comer o que e o quanto
desejam no sábado e no domingo (GARRIDO JÚNIOR, 2002).

1.4 OBESIDADE SOB A PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A Psicologia, como ciência e profissão, tem tomado a Obesida-


de como foco de análise e intervenção. Entretanto, dadas as caracterís-
ticas deste domínio do conhecimento, há na ciência psicológica dife-
rentes formas de compreender a Obesidade que geram diferentes for-
mas de abordá-la, dentre elas, a Análise do Comportamento.
A Análise do Comportamento tem desenvolvido pesquisas so-
bre o comportamento alimentar desde o estudo clássico de Ferster,
Nurnberger e Levitt (1962). Estes estudos se caracterizam pela descri-
ção e análise do comportamento alimentar, em termos da relação orga-
nismo-ambiente construída ao longo da história dos indivíduos, visan-
do a identificar que condições ambientais (variáveis) instalaram e man-
têm o padrão de comportamento observado e, desta forma, identifi-
cam a função do mesmo. Além da avaliação de métodos de intervenção
para o estabelecimento de mudanças comportamentais e autocontrole
do comportamento dos indivíduos obesos.
Estes estudos, que inicialmente se desenvolviam dentro do
ambiente controlado do laboratório (FERSTER, NUNRBERGER e LEVITT,
1962; GOLDIAMOND, 1965), foram progressivamente estendidos para
outros settings como hospitais e consultórios psicológicos (BARBOSA,
2001, por exemplo).

28
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

No Brasil, o primeiro estudo realizado a partir do referencial


teórico e metodológico da Análise do Comportamento acerca do com-
portamento alimentar de obesos é de autoria de Kerbauy (1972), tese
de doutorado em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. Desde
este estudo, vários pesquisadores têm investigado este tema sob o
mesmo referencial, buscando construir conhecimentos científicos que,
em última análise, orientem ações profiláticas e/ou terapêuticas. Sem
dúvida, nestes mais de 30 anos de pesquisas brasileiras sobre o tema se
construiu um arcabouço de conhecimentos considerável.
Estes estudos levantaram questões acerca da função que o com-
portamento alimentar tem para o obeso, em outras palavras colocaram
a necessidade de identificar o porquê de o indivíduo obeso apresentar
um padrão de ingesta de alimento superior ao gasto de seu organismo
(KERBAUY, 1988). Responder a esta pergunta, coerentemente com o re-
ferencial teórico assumido, passa necessariamente pela descrição e
análise das contingências a que o indivíduo está exposto, ou seja, por
uma análise funcional de seu comportamento.
Estudos, como o de Silva, V. (2001), apontam que a carência de fontes
de reforçamento positivo alternativas ao alimento no ambiente do indivíduo
obeso, associada à história de exposição às contingências familiares, quan-
do, principalmente na infância, o alimento é administrado em substituição a
outros reforçadores como contato físico, atenção etc., são fatores relevantes
para a instalação e manutenção do comportamento alimentar do obeso.
Outros estudos, a exemplo de Kerbauy (1988) e Gonçalves e
Oliveira (2003) _ este último, realizado por meio da coleta de dados
clínicos de pacientes obesos com psicólogos comportamentais - têm
apontado que o comportamento alimentar do obeso seria instalado
e mantido também por reforçamento negativo. Em situações que o
indivíduo tem contato com um estímulo pré-aversivo ou aversivo e
não há a possibilidade da emissão de respostas de esquiva e/ou fuga,
ocorre um padrão conjunto de produção de estados corporais (even-
tos privados) e supressão de comportamentos operantes (evento
público) denominado ansiedade (TORRES, 2000; QUEIROZ e GUI-
LHARD, 2001), o indivíduo obeso ingeriria alimento para, pelo me-
nos momentaneamente, reduzir os estados corporais experimenta-
dos, reforçando negativamente o comportamento de ingerir alimen-
tos nestas situações.
É importante destacar que, coerentemente com a fundamenta-
ção epistemológica da Análise do Comportamento, a ansiedade em si

29
Universidade da Amazônia

não é tomada como causa do comportamento alimentar do obeso, mas


a situação que a gerou. Nestes termos, a ansiedade é tão produto das
contingências quanto o comportamento alimentar do obeso.
Outros estudos avaliaram contingências presentes no ambiente
social do obeso que podiam estar relacionadas ao padrão de ingestão de
alimento apresentado. Estes estudos apontaram a oferta de alimentos e
os padrões comportamentais presentes no ambiente familiar como vari-
áveis que afetam a instalação do quadro de Obesidade. Estes mesmos
estudos também relacionam estas variáveis com as dificuldades em se-
guir as prescrições de dieta alimentar, em realizar exercícios periodica-
mente e manter a perda de peso, obtida inclusive com o uso de medica-
mentos (ALBUQUERQUE e GOMES, 2002; ADES e KERBAUY, 2002). Estes
estudos foram progressivamente fornecendo dados para uma área de
investigação central da Psicologia da Saúde: a adesão ao tratamento (MA-
LERBI, 2000; FERREIRA, 2001, ZANNON e ARRUDA, 2002, por exemplo).
Outros estudos têm indicado que o indivíduo obeso é exposto a
um conjunto de contingências sociais aversivas, como rejeição de cole-
gas, por exemplo, que têm como reflexo dificuldades de estabelecimen-
to de relacionamentos amorosos (ROCHA, ABDELNOR, VANETTA e SILVA,
2002), retraimento social (KERBAUY, 1988), solidão, depressão e agressi-
vidade, em alguns casos (MULLER, 1999). O estudo de Barbosa (2001) rati-
fica a relação entre Obesidade e baixa competência social, uma vez que
os dois adolescentes estudados apresentaram melhoras nas suas rela-
ções interpessoais à medida que foi se configurando a perda de peso. É
preciso, no entanto, salientar que programas que usam apenas estratégi-
as médicas, mesmo que evasivas, como a cirurgia bariátrica, apesar de
produzirem perda de peso, não habilitam o indivíduo a lidar com sua
nova situação (ADES e KERBAUY, 2002). Além disso, estes mesmos estu-
dos apontam que programas que associam estratégias médicas a estraté-
gias comportamentais são mais eficazes, uma vez que este tipo de inter-
venção amplia o repertório do indivíduo, em vários aspectos, inclusive no
aspecto social, permitindo que ele aprenda a lidar com as novas contin-
gências que se configurarão no seu ambiente daí para frente. Esta consta-
tação resultou em uma outra série de estudos que visou a construção de
programas de redução de peso que abarquem estes dois tipos de estraté-
gias, por exemplo (COSTA, J., 1983; HELLER e KERBAUY, 2000).
A caracterização do comportamento alimentar do obeso, como
comportamento que experimenta como consequência, por um lado, de
forma mais imediata, reforço positivo e negativo e, por outro, a médio

30
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

e longo prazo, consequências aversivas relacionadas a questões orgâni-


cas e sociais vivenciadas pelo obeso, faz com que esta área de pesquisa
esteja em franca ascensão no meio acadêmico e profissional dos Ana-
listas do Comportamento.
Ades e Kerbauy (2002) apresentam dados que sustentam a im-
portância da análise e intervenção em nível comportamental com o in-
divíduo obeso. As autoras no trecho abaixo descrevem o comportamen-
to de indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica:

Com o tempo, M. parou de se incomodar muito com isso,


acostumou-se a comer pouco. Porém, a escolha dos
alimentos continuou sendo influenciada por antigas
preferências: “às vezes prefiro comer um biscoito e não almoçar.
Tem que ser um biscoito...”... Não é incomum encontrar
pessoas que precisam de um seguimento ainda mais
cuidadoso após a cirurgia por ter uma dificuldade muito
grande em adaptar-se à nova alimentação que deve ser
introduzida aos poucos. Pacientes relatam muita ansiedade
e até desespero por não poderem comer mais como antes...
Pacientes que entram no programa de mudança
comportamental e que iniciam a dieta antes da cirurgia
parecem estar mais prontos a aceitar a alimentação no
período pós-operatório (líquidos, papas, etc.) e parecem
ter mais consciência de que uma reeducação alimentar é
necessária. O prognóstico é bastante melhor.

O trecho acima é claro ao destacar que a mudança na escolha dos


alimentos, fundamental para promover a perda de peso, não é obtida
simplesmente com uma intervenção orgânica, por mais abrasiva que esta
seja. O indivíduo tem uma história alimentar, seu comportamento ali-
mentar foi construído a partir de relações travadas com seu ambiente ao
longo de sua vida. A cirurgia modifica o corpo, mas não necessariamente
o comportamento, simplesmente porque este adquiriu uma função para
aquele indivíduo e a cirurgia não é capaz de alterar esta função.
Em resumo, a Análise do Comportamento não estuda a Obesi-
dade em si, por ela se tratar de uma patologia orgânica, mas sim a rela-
ção entre o indivíduo obeso e seu ambiente que instalou e mantém
este quadro, em especial a função que o comportamento alimentar
adquiriu a ponto de fazer com que o indivíduo continue a executá-lo em
excesso e de forma inadequada, a despeito dos enormes prejuízos sen-
tidos nos campos orgânico e social.

31
Universidade da Amazônia
Capítulo 2
______________________________________________________________
Percurso Metodológico

Capítulo 2

PERCURSO
METODOLÓGICO

32
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

2.1 A PESQUISA “ESTADO DA ARTE”

“Estado da Arte” ou “Estado do conhecimento” é uma pesquisa


de caráter bibliográfico que inventaria e analisa a produção científica
de uma dada área do conhecimento acerca de uma temática, constitu-
indo-se, desta forma, em “... Uma exposição sobre o nível de conheci-
mento e o grau de desenvolvimento de um dado campo” (SPINK apud
RANGEL, 1998, p. 73).
Para Luna (1999, p. 82), o objetivo deste tipo de pesquisa é fun-
damentalmente responder a questões como:

[...] O que já se sabe, quais as principais lacunas, onde se


encontram os principais entraves teóricos e metodológi-
cos, contribuindo por um lado, para caracterizar o conheci-
mento produzido, por outro, para desencadear reflexões
que sirvam para reorientar a investigação científica acerca
da temática em análise; ratificando sua relevância episte-
mológica.

Neste sentido, Gamboa (1996, p.147) afirma que, ao se referir a


pesquisas “Estado da Arte” na área da Educação:

Estudos semelhantes [Estado da Arte] aos aqui registrados


poderão contribuir para a avaliação crítica dessa trajetória
e, conseqüentemente, para potencializar o “salto
qualitativo” a que a pesquisa em educação precisa. Não é
possível transformar uma realidade sem conhecê-la. Não é
possível esse conhecimento sem o rigor da pesquisa.

Tais estudos, além disso, adquirem relevância social, uma vez


que avaliar a produção científica tem reflexos sobre a qualidade do
conhecimento produzido, que em última instância, será fornecido a
sociedade em geral, para a prevenção e o enfrentamento de problemas
cotidianos. Isto, em muitas áreas, mas especialmente na área da Saúde,
confere a estes estudos uma importância estratégica.
A julgar pela presença crescente de pesquisas “Estado da Arte”
ou “Estado do Conhecimento” no meio acadêmico brasileiro (SILVA, R.
et al, 1991; GODOY, 1995; ORTEGA, FAVERO e GARCIA, 1998; ANDRÉ, 2000;
HADDAD, 2000: MOLINA, 2007), pode-se afirmar que este tipo de pes-
quisa vem se expandindo e se consolidando na comunidade científica.

33
Universidade da Amazônia

2.2 RELATANDO O CAMINHO


A investigação de nosso objeto: a produção científica da Análise
do Comportamento no Brasil sobre o tema Obesidade, requereu a ado-
ção dos seguintes procedimentos metodológicos:
1º movimento: Localização dos trabalhos científicos produzidos com as
características eleitas como objeto de estudo;
2º movimento: Leitura, identificação e caracterização dos elementos
constituintes de cada trabalho localizado e;
3º movimento: Análise dos Resultados.

2.2.1 A localização dos trabalhos


Nesta fase foi eleito um conjunto de palavras-chave que guiou a
consulta às bases bibliográficas eletrônicas e convencionais. A escolha
seguiu dois critérios: ser termo do arcabouço teórico da Análise do Com-
portamento que frequentemente aparece em textos de Análise do Com-
portamento e Saúde (a exemplo de autocontrole) (1° grupo de pala-
vras-chave) e; ser termo comumente utilizado em textos das áreas
médica e nutricional sobre Obesidade (2° grupo de palavras-chave). O
resultado desse processo de seleção pode ser visto no quadro abaixo:

1° GRUPO 2° GRUPO
Análise do Comportamento Obesidade
Autocontrole Sobrepeso
Terapia por Contingência Obesidade Mórbida
Terapia Comportamental Redução de Peso
Psicologia Comportamental Excesso de Peso
Terapia Analítico-Comportamental Transtornos Alimentares7
Análise Comportamental Cirurgia Bariátrica
Gastroplastia
Descontrole Alimentar Épisódico
Comportamento alimentar

Quadro 1. Lista de palavras-chave selecionadas para a revisão de literatura


7
Embora, a Obesidade não possa ser classificada como um distúrbio alimentar, com uma certa
frequência, ela é mencionada em estudos sobre distúrbios de compulsão.

34
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Para garantir um refinamento maior na busca optou-se também


por utilizar sempre duas palavras-chave, uma de cada grupo. Desta for-
ma, 70 cruzamentos de palavras-chave foram realizados e utilizados nas
bases bibliográficas selecionadas.
As bases eletrônicas selecionadas seguiram dois critérios de abran-
gência e especificidade. Neste sentido, um exemplo de escolha por abran-
gência é a Plataforma Lattes do CNPq, uma vez que disponibiliza currículos
de estudantes e pesquisadores brasileiros de todas as regiões do país. A
escolha do Index Psi, por outro lado, satisfaz o critério da especificidade, já
que disponibiliza resumos de trabalhos exclusivamente da área da Psicolo-
gia. Além dessas bases, foram consultadas o Scielo, a Biblioteca de Teses e
Dissertações da USP, o Periódico Capes e o acervo das bibliotecas onde
existem cursos de Psicologia no Brasil. Desta forma, a revisão da literatura
pertinente foi realizada prioritariamente em bases eletrônicas.
Após essa incursão, obtivemos diferentes tipos de materiais: o
resumo dos textos, apenas a referência bibliográfica completa do texto
completo (em forma de artigo, teses, dissertações, por exemplo). Em
todos os casos, foi realizada uma pré-seleção que primou por identifi-
car no material localizado o uso de termos da Análise do Comportamen-
to. Como já foi acentuado no capítulo anterior, a produção brasileira da
Psicologia Comportamental não se restringe à Análise do Comporta-
mento, uma vez que nos últimos anos cresce um movimento denomi-
nado Psicologia Comportamental e Cognitiva que, embora compartilhe
com a Análise do Comportamento alguns termos e técnicas, não cons-
trói sua análise baseada nos mesmos princípios. Neste sentido, foi pre-
ciso perceber a que linha de pensamento os materiais localizados esta-
vam circunscritos. Em alguns casos, além da leitura foi necessária a aná-
lise do currículo do pesquisador como um todo e o estabelecimento de
contato via e-mail com o mesmo.
Composta a lista de trabalhos iniciou-se o processo de captação
dos textos completos, que compreendeu a requisição dos mesmos via
COMUT ou BIREME, a solicitação de cópias aos autores, dentre outras
estratégias utilizadas. À medida que se foi acessando os mesmos iniciou-
se a fase seguinte.

2.2.2 Leitura, identificação e caracterização


Esta fase objetivou extrair de cada trabalho elementos que o re-
presentasse e permitissem o estabelecimento de relação com os outros
trabalhos, com vistas à composição de um quadro que fornecesse base à

35
Universidade da Amazônia

construção de uma espécie de mapa da produção científica brasileira da


Análise do Comportamento sobre o tema Obesidade. Neste sentido, di-
vidimos em dois grupos os elementos identificados em cada trabalho:

1º Grupo: Dados bibliográficos da obra = autor, instituição de origem,


ano, título, tipo de documento bibliográfico resultante (livro,
artigo, resumo em congresso etc.); veículo de publicação, lo-
cal/região;
2º Grupo: Dados característicos da pesquisa = problema de pesquisa,
objetivos, referencial teórico apresentado, metodologia (tipo
de pesquisa, local de investigação, fontes de dados, técnicas
de coleta e análise de dados); resultados e análise/discussão
teórica dos mesmos.

Para a tabulação dos dados foi elaborada uma Ficha de Análise (ver
Apêndice) que era preenchida a cada novo trabalho analisado, servindo, ao
final, como base para o estabelecimento de comparações entre os trabalhos.

2.2.3 Análise dos resultados

Nesta fase, as Fichas de Análise foram comparadas e geraram


dois tipos de análise:

1. Análise quantitativa dos dados: tomando como parâmetro os dados


bibliográficos de cada trabalho, traçou-se um perfil da produção,
levando em consideração a década em que foi realizada, a institui-
ção, a distribuição por região brasileira, o tipo de produção biblio-
gráfica resultante, o veículo de publicação e os autores envolvidos.
2. Análise qualitativa dos dados: tomando como base os dados carac-
terísticos da pesquisa, identificaram-se os delineamentos mais fre-
quentes, as questões conceituais mais exploradas, os resultados e
as conclusões de cada trabalho.

A composição desses perfis não intencionou apenas ser uma


espécie de diagnóstico (fotografia da produção), tarefa que por si só já
seria relevante, mas pretendeu dar elementos à proposição de um ho-
rizonte futuro de pesquisa, que pudessem atender as novas demandas
que o fenômeno da Obesidade vem trazendo à sociedade brasileira,
intenção premente em estudos do tipo “Estado da Arte”.

36
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Capítulo 3

DADOS E ANÁLISE
QUANTITATIVA

37
Universidade da Amazônia

A presente pesquisa identificou entre os anos de 1972 e 2004


um conjunto de 78 trabalhos realizados por Analistas do Comportamen-
to brasileiros sobre o tema Obesidade, apresentado em forma de Catá-
logo de Trabalhos sobre Obesidade e Análise do Comportamento (1972-
2004) (ver Anexo).
A análise do Gráfico 1 revelou uma distribuição irregular desta
produção ao longo desses 33 anos, indicando que por vários anos (14 ao
todo) nenhum trabalho foi identificado (42,42 % da amostra de tempo
analisada).

Gráfico 1. Distribuição dos trabalhos localizados por ano.

Por outro lado, é patente a intensificação da produção a par-


tir do final da década de 90 e nos primeiros anos do Século XXI, a tal
ponto que os trabalhos apresentados nestes últimos quatro anos tota-
lizam 61,53% do conjunto de trabalhos realizados. O cruzamento desses
percentuais com a literatura sobre a incidência da Obesidade na popu-
lação permite inferir a existência de uma correlação positiva, entre a
incidência da Obesidade (sobretudo em países em desenvolvimento
como o Brasil) e o número de trabalhos realizados por Analistas do Com-
portamento sobre o tema.
Para visualizar-se mais adequadamente o processo de desen-
volvimento dessa produção científica, optou-se por dividir o tempo total
analisado em quatro períodos, a saber: 1) década de 70 (1971-1980); 2) dé-

38
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

cada de 80 (1981-1990); 3) década de 90 (1991-2000) e, por fim, 4) os primei-


ros anos do Século XXI (2001-2004). A partir dessa escala de tempo pode-se
verificar a distribuição da produção científica em cada período no Gráfico 2.

Gráfico 2. Distribuição dos trabalhos localizados pelos quatro


períodos de tempo analisados.
A análise do Gráfico 2 permite afirmar que a produção e divulga-
ção dos trabalhos tiveram um crescimento significativo na passagem da
década de 70 para a década de 80 (333,33%). Neste processo, observou-
se que o número de trabalho praticamente manteve-se estável no pe-
ríodo subsequente, experimentando um aumento significativo no últi-
mo período analisado (242,85%).

Gráfico 3. Distribuição dos trabalhos localizados por região


brasileira dentro dos quatro períodos de tempo analisados.

39
Universidade da Amazônia

A análise do Gráfico 3 demonstra a regularidade da produção


científica nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Embora, haja uma dife-
rença significativa no volume de trabalhos realizados nas duas regiões,
uma vez que, a primeira aparece como a região que mais produziu tra-
balhos sobre o assunto (28 trabalhos), e a segunda figura, como a tercei-
ra região em número de trabalhos produzidos (15 trabalhos).
Um outro aspecto perceptível no Gráfico 3 é a expressiva partici-
pação que a Região Sul passa a ter neste cenário a partir da década de
90, o que lhe rendeu inclusive o segundo lugar no número de trabalhos
produzidos (24 trabalhos), com uma diferença discreta em relação ao
primeiro lugar.
Outro aspecto patente é a entrada da Região Norte no circuito
de pesquisas sobre o tema nos primeiros anos do Século XXI, mas que já
se apresenta de forma promissora, superando, dentro desse período, o
número de produções da Região Centro-Oeste, uma Região, como foi
assinalado desde o início, com uma tradição de pesquisas sobre o tema,
sustentada pela produção científica da UnB.
Por fim, a ausência da produção de trabalhos na Região Nordeste
enseja a reflexão sobre as contingências que poderiam ter configurado e
mantido este índice. A construção de hipóteses que justifiquem este qua-
dro tomou basicamente dois caminhos: a análise do mapa de distribuição
de fomento à pesquisa no Brasil e; o levantamento da história da chegada
e disseminação da Análise do Comportamento em nosso país.
Diversos eventos em torno do tema “fomento à pesquisa” têm
sistematicamente indicado a alta concentração de recursos nas Regiões
Sudeste e Sul, onde se localiza o maior número de universidades e
institutos de pesquisa, bem como o maior número de cursos de pós-
graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), algo em torno de 89%
do total de recursos para a pesquisa no Brasil (ver DINIZ e GUERRA,
2002). Regiões como a Norte perfaz apenas 1 % desse montante, além
do que, conta com um reduzido número de institutos de pesquisa e
pós-graduações stricto sensu, a maioria delas com tempo de instalação
bem recente. Esta forma de distribuição dos investimentos tem refle-
xos no desenho do mapa da produção científica brasileira, do qual as
investigações sobre a Obesidade, a partir da Análise do Comportamen-
to, faz parte.
No entanto, este argumento por si só não dá conta de explicar os
resultados obtidos pela Região Nordeste, já que a Região Norte, apesar
dos recursos escassos e do número reduzido de cursos de graduação e

40
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

pós-graduação, especialmente na área da Psicologia, passa a compor um


polo de produção sobre o tema nos primeiros anos do Século XXI.
Desta forma, foi preciso abstrair outras dimensões e características
da Região Nordeste para compreender seu desempenho. Neste sentido, a
análise da história da chegada e disseminação da Análise do Comporta-
mento (exposta brevemente no Capítulo 1) aparece como uma opção de
análise promissora. Como foi discutido naquele momento do texto, a con-
centração da formação dos Analistas do Comportamento no eixo Sul-Su-
deste, a discreta migração para as universidades das outras regiões, exceto
a Universidade Federal do Pará, se apresentam como fatores relevantes,
por um lado, para a compreensão da ausência de trabalhos no período
analisado na Região Nordeste e, por outro, da localização de uma linha de
investigação promissora na Região Norte, no Estado do Pará.

Gráfico 4. Distribuição dos trabalhos localizados pelas instituições


geradoras em cada um dos quatro períodos de tempo analisados.

A análise do Gráfico 4 demonstra que a concentração da produ-


ção científica se deu em instituições de Ensino Superior com status de
Universidade. Observou-se que houve, sobretudo, a partir dos primei-
ros anos do Século XXI a presença dessa produção tanto em universida-
des públicas, quanto privadas (ver Gráfico 5). É possível perceber, tam-
bém no Gráfico 4, que houve uma distribuição equilibrada no número
de trabalhos entre instituições públicas e privadas nas Regiões Norte e
Centro-Oeste, não observada nas Regiões Sul e Sudeste, que têm mais
trabalhos produzidos em instituições privadas e em instituições públi-
cas, respectivamente.

41
Universidade da Amazônia

Gráfico 5. Distribuição dos trabalhos localizados por tipo de instituição


geradora nas quatro Regiões Brasileiras em cada um dos quatro
períodos de tempo analisados.
Dentre as universidades brasileiras, a USP apresentou a produ-
ção mais constante sobre o tema, seguida da UnB e da UCG que apre-
sentaram produções em três dos quatro períodos de tempo analisados.
É possível perceber também que a Região Sul destaca-se como a região
na qual a produção sobre o tema envolve mais Instituições de Ensino
Superior (IES), existindo inclusive parceria entre algumas delas.

Gráfico
Gráfico 6. Distribuição
6. Distribuição dos
dos trabalhos trabalhos
localizados por tipolocalizados por tipogerada
de produção bibliográfica de produção
nos quatro períodos
bibliográfica gerada nos quatro de tempoperíodos
analisados. de tempo analisados.

42
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A análise do Gráfico 6 revela que a maior parte dos trabalhos


produzidos tomou a forma de resumos de congresso (41,02%), concen-
trados em três dos quatro períodos de tempo analisados. Sendo que a
maioria desses trabalhos apresentados como resumo não foi veiculada
de outra forma (por meio de artigos, por exemplo), comprometendo as-
sim a divulgação para um público maior de possíveis interessados e be-
neficiários do conhecimento produzido. A produção de trabalhos de con-
clusão de curso e artigos em periódicos científicos foi, respectivamente,
o segundo e o terceiro tipo de produção mais frequente. Além disso, é
necessário destacar dois outros dados: 1) a não localização de livros sobre
Obesidade que utilizem os conceitos e ferramentas de análise da Análise
do Comportamento, embora, se tenham localizados livros que ora ou
outra faziam uso de termos compatíveis com essa abordagem psicológica
(HELLER, 2004); 2) a localização de apenas uma tese de doutorado sobre o
tema Obesidade, a partir da visão da Análise do Comportamento, curio-
samente a primeira produção localizada no Brasil, datada de 1972, o que
significa mais de três décadas sem a realização de um estudo de maior
profundidade acadêmica sobre o tema, fato preocupante, uma vez que,
em geral, uma tese de doutorado é um passo importante para a instala-
ção ou/e fortalecimento de grupos de pesquisa.

Gráfico 7. Distribuição dos trabalhos localizados


por número de autores.
A análise do Gráfico 7 releva que a maioria dos trabalhos produ-
zidos foi realizada por apenas um autor (55,12%). Na consulta ao Catálo-
go de Trabalhos (ver Anexo), percebe-se que isso se deve ao fato de

43
Universidade da Amazônia

que as pesquisas que deram origem aos mesmos são comumente reali-
zadas individualmente (teses, dissertações, monografias de especiali-
zação, por exemplo). Além disso, é esperado que os autores dessas
pesquisas as levem ao conhecimento da comunidade científica (por meio
de congressos) durante mais de uma fase da execução e mesmo após a
sua conclusão, o que gerou mais de um trabalho apresentado referente
a mesma pesquisa.
Trabalhos que envolvem mais de um autor foram registrados
somente a partir da década de 90. No entanto, não foi possível identifi-
car grupos de pesquisa consolidados que investiguem a temática da
Obesidade sob a óptica da Análise do Comportamento. Por outro lado,
é possível perceber a presença significativa de pesquisadores, que jun-
tamente com seus orientandos, vêm priorizando estas investigações. A
consulta ao Quadro 2 consubstancia essa afirmação:

Quadro
Quadro 2. Número
2. Número derealizados
de trabalhos trabalhos e/ourealizados
orientados pore/ou orientadosidentificados,
nove pesquisadores por novedistribuídos
pesquisa-nos
dores
quatro identificados,
períodos distribuídos
de tempo analisados. nos quatro períodos de tempo analisados.

A análise do Quadro 2 demonstra, inicialmente, que os nove


pesquisadores que realizaram e/ou orientaram trabalhos sobre Obesi-
dade e Análise do Comportamento são todos do sexo feminino, na sua
maioria com pós-graduação stricto sensu em nível de mestrado.

44
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

No que tange à distribuição temporal dessas pesquisas, verificou-


se que nas décadas de 70 e 80 houve a concentração dos estudos nas
mãos de duas pesquisadoras: Rachel Kerbauy (USP) e Jacira Cunha (UnB/
UCG), que na maioria das vezes publicaram seus trabalhos individual-
mente. A consulta ao Catálogo de Trabalhos permite identificar que a
maioria desses trabalhos foi publicada em apenas um periódico “Ciência
do Comportamento: teoria, pesquisa e prática” (1985), editado pela UCG,
escritos por Jacira Cunha, que para a elaboração desses artigos tomou
como base os estudos realizados por ocasião de sua dissertação de mes-
trado (UnB, 1980), orientada pelo Prof. Dr. João Cláudio Todorov. Este
periódico se constituiu na última publicação localizada da autora.
Da mesma forma, os trabalhos feitos por Rachel Kerbauy (USP)
são desdobramentos de sua tese de doutorado, a primeira e única no
Brasil sobre a temática da Obesidade sob a óptica da Análise do Com-
portamento. É preciso destacar que a autora é a única a se fazer presen-
te no quadro de trabalhos nas quatro décadas analisadas.
Até a década de 90, foi possível identificar uma pesquisadora en-
volvida com o tema: Cristina di Benedetto (UNIPAR). A pesquisadora inau-
gura sua produção por ocasião da apresentação de uma comunicação cien-
tífica na II Jornada de Psicologia Internacional (Umuarama, 1999), e torna-
se a pesquisadora que, quantitativamente, mais realizou e orientou pes-
quisas sobre o tema entre os anos de 2001 - 2004.
Seguindo a tradição de partir de pesquisas produzidas por ocasião
de cursos de pós-graduação strictu sensu, Débora Barbosa (USP) passa a
integrar o conjunto de pesquisadoras que investiga a Obesidade a partir de
2000, quando da apresentação de diferentes frutos de sua pesquisa de
mestrado (USP, 2001), realizada sob a orientação da Profª. Drª Sônia Meyer.
Sem dúvida, foi nesse período (2001 a 2004) que uma quantidade
maior de Analistas do Comportamento desenvolveu ou orientou pesqui-
sas sobre o tema, das quais se destacam os trabalhos de Diane Laloni (PUC-
CAMP), Eleonora Ferreira (UFPA), Vera Raposo do Amaral (PUCCAMP), Ma-
íra Baptistussi (UNIPAR) e Lúcia Cristina Cavalcante da Silva (UNAMA), que
diferentemente da trajetória das outras pesquisadoras, não iniciaram suas
produções sobre o tema em suas dissertações ou teses8. Desta forma, ob-
servou-se que o encontro com a temática se deu por meio do estudo de
outros temas correlacionados e despertou nessas profissionais o interesse
em pesquisar a Obesidade, seja por meio de trabalhos individuais, seja por
meio da orientação de trabalhos.

8
Afirmação baseada na análise das informações disponíveis na Plataforma Lattes (www.cnpq.br/
plataformalattes)

45
Universidade da Amazônia

Capítulo 4

DADOS E ANÁLISE
QUALITATIVA

46
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A pretensão inicial de ler e analisar o conjunto total de trabalhos


veiculados por Analistas do Comportamento sobre o tema Obesidade
enfrentou ao menos dois obstáculos para se concretizar: 1) a maioria
dos trabalhos localizados foi veiculada em anais de congressos, na for-
ma de resumo (41,02%) ou de trabalho completo (2,56%), o que restrin-
ge o seu acesso ao grupo de pessoas que esteve presente nesses even-
tos; 2) boa parte dos outros tipos de trabalhos (teses, dissertações,
monografias de conclusão de especialização de trabalhos de conclusão
de cursos de graduação) só estavam disponíveis nas instituições onde
foram produzidos (16,66%), o que criou a necessidade da captação de
parte deles por meio de sistemas de comutação como o COMUT e simi-
lares, que, por exemplo, infelizmente, não dão acesso a Trabalhos de
Conclusão de Curso (TCC).
Algumas estratégias foram montadas com vistas a aumentar o
número de trabalhos a serem submetidos à análise qualitativa: 1) envi-
amos e-mails para os autores explicando o teor da pesquisa, listando os
trabalhos desejados e solicitando o envio dos mesmos, da forma que
lhes fosse mais conveniente (e-mail, correio, fax etc); 2) enviamos a
referência completa para pessoas de nosso círculo de amizade que tra-
balhavam e/ou estudavam em universidades que provavelmente teri-
am alguns dos trabalhos desejados em seu acervo.
O resultado desse esforço concentrado pode ser visualizado no
Quadro 3:

PERÍODO TRABALHOS TRABALHOS %


DE TEMPO LOCALIZADOS OBTIDOS

Década de 70 3 2 66,66
Década de 80 13 8 61,53

Década de 90 14 05 35,71

2001-2004 48 15 31,25
TOTAL 78 30 38,46

Quatro
Quadro 3. Proporção
3. Proporção do número dedo número
trabalhos desobre
obtidos trabalhos obtidos
o número de trabalhossobre o número
localizados de
nos quatro períodos
de tempo trabalhos
analisados. localizados nos quatro períodos de tempo analisados.

47
Universidade da Amazônia

O Quadro 3 demonstra que foi possível obter um nível de capta-


ção satisfatório dos trabalhos realizados nas décadas de 70 e 80, permi-
tindo a configuração de uma análise representativa da produção cientí-
fica desses períodos. O mesmo não se pode afirmar quanto aos dois
períodos de tempo posteriores, em que foi possível captar menos da
metade da produção.
Estes dados levaram à feitura de nova consulta e, por conse-
guinte, nova análise dos dados disponíveis no Catálogo de Trabalhos
sobre Obesidade e Análise do Comportamento. Percebeu-se que uma
parte dos trabalhos não captados eram produtos de uma mesma pes-
quisa, a qual se conseguiu captar sob outra forma.
Por exemplo, a dissertação de mestrado de Débora Barbosa, fei-
ta na USP sob a orientação da Profª. Drª Sônia Meyer, foi defendida em
2001, apresentada na forma de resumo em um congresso em 2002, pu-
blicada como artigo em periódico em 2003 e tornou-se capítulo de livro
em 2004. Soma-se a isso que a mesma autora apresentou dois outros
trabalhos na forma de resumos em congresso na década de 90 que vie-
ram a compor sua dissertação em 2001.
Sendo assim, uma mesma pesquisa teve como resultado seis
trabalhos, dos quais foi possível captar o principal deles: a dissertação.
Da mesma forma, podemos citar outros casos: Patrícia Bezerra (disser-
tação em 2001 e resumo em congresso em 2002); Mariene Casseb, sob a
orientação de Eleonora Ferreira (TCC e artigo em 2002); Diane Laloni
(resumo em congresso em 2003 e capítulo de livro em 2004) e Terezinha
Smokowicz (monografia de especialização em 1996 e artigo em 1997).
É preciso ressaltar que a veiculação dos resultados de uma mes-
ma pesquisa em diversos espaços e formatos não é apenas comum, mas
também é desejável, haja vista a necessidade de atingir o público po-
tencialmente interessado no conhecimento produzido.
Levando em consideração esta reconfiguração da análise, pode-
se dizer que, na verdade, foi possível atingir indiretamente 50% dos
trabalhos da década de 90 e 57,14% dos trabalhos apresentados entre
os anos de 2001 a 2004, o que permite tecer comentários mais consis-
tentes sobre a produção científica nesses dois períodos de tempo.

4.1 A PESQUISA NA DÉCADA DE 70

Três trabalhos, sendo uma tese de doutorado (KERBAUY, 1972),


um artigo publicado em periódico científico derivado da mesma (KER-

48
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

BAUY, 1977) e uma dissertação de mestrado (Cunha em 1980), resumi-


ram a produção científica da Análise do Comportamento sobre a Obesi-
dade nesta década.
Kerbauy (1972; 1977) realizou uma pesquisa experimental que
teve o objetivo de estabelecer e aumentar a possibilidade dos sujeitos
de automanipular seu comportamento alimentar, por meio de um con-
junto de técnicas de autocontrole, inspiradas em Skinner (1953/2000), a
partir das linhas gerais do experimento de Ferster, Nurnberger e Levitt
(1962), que teriam como fim, capacitar os sujeitos a analisar as condi-
ções antecedentes e consequentes de seu comportamento alimentar,
gerando uma perda de peso gradual.
Quinze mulheres com problemas de superalimentação, com ida-
de variando de 15 a 62 anos, foram recrutadas para o estudo por meio de
anúncios em jornais e avisos em salas de aula de cursos de graduação em
Psicologia. Os critérios de seleção foram: 1) ser maior de 15 anos; 2) não
ter suspeita de gravidez; 3) ter no mínimo 10% acima do peso ideal10; 4)
não estar realizando tratamento psicológico ou para emagrecer; 5) não
apresentar outras queixas comportamentais (checado na 1ª entrevista)
e; 6) não apresentar outras variáveis fisiopatológicas.
Uma vez selecionadas, as mulheres foram distribuídas em quatro
grupos por ordem de apresentação. O primeiro grupo (GI), composto por
sete integrantes, foi o único a receber atendimento individual. O segundo
(GA1) e o terceiro grupo (GA2), compostos por três sujeitos cada e o quarto
grupo (GB), composto de dois sujeitos, receberam atendimento em grupo.
As técnicas de autocontrole utilizadas neste estudo foram: res-
trição física, mudança de estímulos, privação e saciação, manipulação
de condições emociomais, estimulação aversiva, autorreforçamento,
autopunição e comportamento incompatível. Além delas, os sujeitos
recebiam as seguintes instruções verbais: dar garfadas espaçadas e evi-
tar comer enquanto desenvolviam outra atividade. Todos os sujeitos
assinavam uma espécie de contrato (por volta da terceira sessão) no
qual estavam especificadas as obrigações de ambos, experimentador e
sujeito, com relação ao programa.
As sessões foram realizadas na Clínica de Psicologia da Facul-
dade de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto “Sedes Sapientiae”
(São Paulo) e seguiam sempre a mesma ordem: 1. análise das fichas

10
O cálculo do excesso de peso tomou como referência seguinte fórmula: peso atual – peso ideal / peso
ideal X 100. Para a leitura dos resultados utilizou-se a tabela da Metropolitan Life Insurance Company
– USA (1959).

49
Universidade da Amazônia

de alimento preenchidas pelos sujeitos (exceto os sujeitos do GB,


que não recebiam essa ficha); 2. relato dos sujeitos sobre as modifica-
ções comportamentais obtidas e das dificuldades encontradas, acom-
panhado de discussões e propostas de soluções alternativas, bem
como treinamento de respostas verbais quando necessário; 3. apre-
sentação dos conceitos da Análise Experimental do Comportamento,
por meio de explicações do experimentador e a partir de exemplos
fornecidos pelos próprios sujeitos no decorrer da explicação e tam-
bém sobre o regime alimentar e hábitos saudáveis (este último, para
todos os sujeitos exceto os do GB); 4. tarefas propostas para instalar
ou manter desempenhos e; 5. pesagem dos sujeitos e registro do peso
pelos próprios sujeitos em um gráfico.
O número de sessões variou para cada sujeito, mas a sequência das
sessões foi sempre a mesma. As nove primeiras sessões eram suficientes
para apresentar e justificar as técnicas empregadas. Nas outras ocorreu o
acompanhamento e os esclarecimentos requeridos pelos sujeitos.
A medida utilizada para avaliar a modificação do comportamen-
to alimentar dos sujeitos foi o peso. Os sujeitos eram pesados após
cada sessão. Além disso, tomando como base o registro feito pelos su-
jeitos sobre seus hábitos alimentares durante sete dias antes do início
do programa (linha de base), observou-se as modificações ocorridas já
durante o programa, por meio dos relatos nas sessões.
O tempo total de participação dos sujeitos variou de três a sete
meses, bem como o número de sessões oscilou de 12 a 44 sessões, já
que a periodicidade foi muito variada.
Os resultados mostraram que todos os sujeitos atendidos indi-
vidualmente perderam peso, apesar da grande variabilidade intragru-
po. Dos oito sujeitos atendidos em grupo, apenas um aumentou de
peso (sujeito MR do GA1).
A autora estabeleceu uma comparação dos seus resultados com
um conjunto de estudos anteriores (Stuart em 1967; Harris em 1969;
Wollersheim em 1970; Hall em 1972; Harris e Bruner em 1971; Stuart
em 1971), embora tenha ressaltado que isto não é completamente
pertinente, haja vista as diferenças significativas nos procedimentos
usados em seu estudo e nos estudos citados. Como resultado dessa
comparação, a autora identificou a variabilidade e arbitrariedade dos
critérios usados pelos diferentes estudos para julgar a perda de peso
semanal como satisfatória, o que dificulta a obtenção de um referen-
cial comum. Neste sentido, a autora sugeriu a elaboração de um crité-

50
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

rio aceitável, tomando como base a análise do processo de perda de


peso de cada sujeito, comparado em diferentes situações (sujeito de
seu próprio controle, metodologia amplamente utilizada na Análise
do Comportamento).
A autora elencou as cinco principais dificuldades metodológicas
da pesquisa: 1. o controle exercido pela lista de alimentos com conta-
gem de calorias, a tal ponto de os sujeitos passarem a dar menor impor-
tância para a análise das condições antecedentes e consequentes do
comportamento alimentar; 2. a limitação da estratégia de pesagem dos
sujeitos como método de avaliação de modificação de hábitos alimen-
tares, já que não permite acompanhar o processo de modificação ocor-
rendo e não funciona como reforçador contingente à emissão de cada
novo hábito alimentar; 3. a falta de uma estratégia para combater o
controle concorrente que o meio dos sujeitos exerceu sobre o segui-
mento do programa; 4. a necessidade de elaborar mais especificamen-
te o contrato com vista a torná-lo de fato uma variável independente e
5. a dificuldade de checar a veracidade dos registros apresentados pe-
los sujeitos.
A autora apresentou também alguns indicativos para futuras pes-
quisa na área: 1. avaliar o controle exercido pelo conceito que o sujei-
to faz de si no processo de perda de peso, em que medida “se achar
magro” ou “se achar gordo” pode servir de esquiva para aderir e/ou
desistir de um programa de redução de peso; 2. avaliar o efeito de
iniciar o treino de autocontrole por situações menos complexas e com
uma história de condicionamento menos forte que a situação de ali-
mentação; 3. avaliar separadamente o efeito de cada uma das técni-
cas de autocontrole utilizadas sobre a perda de peso; 4. avaliar a natu-
reza de alguns operantes encobertos incompatíveis com o comer em
excesso que poderiam aumentar a eficácia dos procedimentos para
perda de peso.
A autora concluiu que quatro técnicas seriam fundamentais para
perda de peso: controle da situação; atividades incompatíveis; garfadas
espaçadas e; autorreforçamento. Com relação a este último, a autora
considerou robustos os resultados de seus efeitos sobre a perda de
peso, haja vista que somente o grupo que fez uso dessa técnica teve
perda de peso significativa, talvez pelo fato de que estes indivíduos
resolveriam por meio dessa técnica o problema do não reforçamento
contingente de cada emissão do comportamento adequado, variável
crítica em programas que envolvam técnicas de autocontrole.

51
Universidade da Amazônia

A comparação do texto da tese (KERBAUY, 1972) com o texto do


artigo (KERBAUY, 1977) permite verificar um alto grau de semelhança
entre os mesmos, exceto o fato de que o artigo traz ao menos duas
referências bibliográficas publicadas após a defesa da tese.
O outro trabalho realizado dentro da mesma década, infeliz-
mente não pôde ser captado a tempo de ser incorporado diretamen-
te em nossa análise (Cunha em 1980). No entanto, a análise de três
artigos publicados pela autora (CUNHA, 1985a, 1985c, 1985e) em um
número especial do periódico “Ciência do Comportamento: teoria,
pesquisa e prática” (volume 1, número 1) permitiu trazer à discus-
são, ao menos parcialmente, o conteúdo da referida dissertação,
especialmente sua fundamentação teórica.
No primeiro desses artigos (CUNHA, 1985c), a autora discute
as seguintes questões: a Obesidade ao longo da História da humani-
dade; a incidência da Obesidade nos Estados Unidos, os fatores que
teriam contribuído para esta prevalência e; as consequências da Obe-
sidade para a vida diária dos indivíduos, com ênfase nas questões
sociais. Sobre os fatores contributivos à Obesidade, a autora desta-
cou o papel dos nutricionistas, na medida em que processaram mu-
danças significativas nos alimentos com o incremento de vitaminas
e aminoácidos. Além disso, a autora referiu como fator contributivo
a associação alimentação-recreação (ver TV, por exemplo). Por fim,
indicou que estas mudanças de hábitos alimentares vêm acompa-
nhadas de mudanças nos padrões de gastos de energia, causados
pelo sedentarismo. Ainda com relação às causas da Obesidade, to-
mando como exemplo o caso de mulheres brasileiras casadas, apon-
tou o uso constante de anticoncepcionais. A autora encerrou o arti-
go lembrando que o conceito de Obesidade sofre a ação de fatores
culturais e históricos.
No segundo artigo (CUNHA, 1985e), a autora apresentou al-
guns estudos desenvolvidos na área médica que indicam o tratamen-
to da Obesidade como “extremante difícil”, no qual se consegue ape-
nas “modestos resultados”. Em vista desse quadro, Ferster, Nurnber-
ger e Levitt em 1962 delinearam um programa comportamental para
redução de peso que utilizava técnicas de autocontrole, programa este
que serviu de modelo para vários estudos posteriores. Neste sentido,
a autora tomou o pensamento de Wooley e colaboradores em 1979 e
apresentou a definição comportamental para a Obesidade:

52
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

O maior pressuposto no tratamento comportamental da


Obesidade é que o peso exagerado está diretamente
relacionado a excesso de consumação de alimentos,
resultado da falta de hábitos adequados de alimentação.
Hipotetizam que comportamentos aprendidos, para
contribuir para a superalimentação, devem incluir taxas
consumatórias rápidas, grandes bocadas, comer
freqüentemente, ingestão de grandes quantidades de
alimento em uma dada refeição ou lanche, etc. Estes
comportamentos são conhecidos como operantes,
reforçados pelo prazer de comer e sob o controle parcial de
dicas ambientais, associadas com comida que servem como
estímulo discriminativo para o comportamento de ingerir
(Wooley et alli, 1979). Uma explicação comum de
superalimentação é que as consequências reforçadoras
são imediatas, enquanto que as aversivas são atrasadas
(CUNHA, 1985e, p. 30).

Baseado nesta compreensão da obesidade, a autora expõe quais


seriam as estratégias de um tratamento comportamental:

a) prover reforçamento imediato para o “comer apropriado”


ou abstenção de alimentos que levam à Obesidade;
b) diminuir a força do prazer como um reforçador para
comida;
c) fazer conseqüências negativas de longo prazo mais
salientes nas horas de refeições ou comida;
d) eliminar as dicas de alimento que servem como estímulo
discriminativo;
e) estreitar a lista de estímulos discriminativos para
comida, restringir o tempo e lugar onde o alimento ocorre
(CUNHA, 1985e, p. 30).

A autora apresentou o esquema teórico proposto por Stuart e


Davi em 1972. A análise funcional do comportamento de comer é a base
para a identificação dos estímulos antecedentes que servem de dica
para a emissão desse comportamento, de forma a permitir que um com-
portamento que tenha o objetivo de competir com o comportamento
de comer possa ser planejado para ocorrer, investindo assim, na cons-
trução de “... Uma série de passos que levem à eliminação, supressão
ou fortalecimento dos antecedentes selecionados (STUART e DAVIS,
1972)” (CUNHA, 1985e, p. 32).

53
Universidade da Amazônia

A autora passou a analisar estudos que defenderam a impor-


tância do reforçamento social nos programas de redução de peso.
Neste sentido, ela indicou que parte dos reforços sociais deve ser
contingente não apenas a comportamentos que resultem na redução
de peso, mas também fortalecer “... Atitudes gerais a respeito do ali-
mento e gastos de energias” (CUNHA, 1985e, p. 32), como é o caso da
prática de exercícios.
A “importância da taxa de peso” é outro tópico apresentado.
Citando Stuart em 1972, a autora destacou a função discriminativa da
pesagem e sugeriu que esta seja realizada ao menos três vezes ao dia,
servindo de “dica” ou “lembrete” para o sujeito sobre o programa. Além
disso, as oscilações de peso verificadas nas pesagens fornecem ao su-
jeito “... Evidências diretas sobre o efeito do alimento e bebida sobre o
seu peso. Isto tem função de estímulo aversivo suave, periódico, asso-
ciado com a superalimentação” (CUNHA, 1985e, p. 32).
O “balanceamento de energias” foi outro tópico apresentado
como problemático nos programas de redução de peso, haja vista que a
dieta deve ser configurada de forma a incluir os mais diversos nutrien-
tes, uma vez que a falta de um acarreta alterações na metabilização de
outros. No bojo desta discussão, a autora introduziu o próximo item “O
problema das dietas”. Citando um trabalho de Leeuw em 1979, a autora
destacou o pensamento do autor afirmando que a maioria das dietas
hipocalóricas é ineficiente ou perigosa, seja pela supressão de nutrien-
tes importantes, seja pela ineficiência em longo prazo. Para o autor
citado, a terapia comportamental se apresenta como uma alternativa
efetiva na redução de peso. Ao final, ele adverte para a necessidade de
garantir que a “guerra seja vencida” com uma perda efetiva e duradoura
do peso, e que não é suficiente produzir reduções temporárias de peso.
No terceiro artigo (CUNHA, 1985a), a autora apresentou uma revi-
são geral do uso de técnicas comportamentais, tanto respondentes
como operantes, nos programas de redução de peso, bem como indi-
cou seus problemas metodológicos. Excetuando-se a referência a um
estudo piloto feito pela própria autora durante sua dissertação (Cunha
em 1980) e ao artigo de Kerbauy (1977), toda a literatura analisada pela
autora foi produzida nos Estados Unidos.
A autora iniciou seus argumentos a favor da aplicação de técnicas
comportamentais em programas de redução de peso listando basica-
mente dois motivos: 1. o baixo índice de sucesso dos tratamentos mé-
dicos e psicoterápicos tradicionais e; 2. o fato da redução de peso ser

54
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

um campo promissor para a testagem de problemas conceituais e teóri-


cos da abordagem comportamental (população abundante; manipula-
ção fácil de variável independente – condições de tratamento).
As técnicas de condicionamento respondente foram definidas
pela autora como o:

[...] Emparelhamento de um evento que tem valor positivo


com outro evento que tem valor negativo. O objetivo destes
dois estímulos emparelhados com valores contrários é tanto
criar uma reação positiva a um estímulo previamente
negativo [...] como criar uma reação negativa a um estímulo
previamente positivo... Em Programas de Redução de Peso,
a abordagem respondente é constituída de técnicas
aversivas para enfraquecer a atratividade do alimento
(CUNHA, 1985a, p. 42).

Os estímulos aversivos escolhidos para o emparelhamento fo-


ram vinagre, choque elétrico, odor de alimento deteriorado e redução
do ar inspirado (segurar a respiração). Os experimentos envolviam uma
quantidade pequena de sujeitos, na sua maioria mulheres obesas, e
apresentavam uma variação expressiva nos resultados tanto de perda
de peso quanto de manutenção do peso perdido. Sobre eles, a autora
afirmou que “... Não são suficientemente claros, exigindo novas pes-
quisas e delineamentos mais acurados com maior número de sujeitos.
O motivo que levou as pessoas a perderem peso, nestes experimentos
não ficou claro” (CUNHA, 1985a, p. 43).
Em meio à descrição de técnicas de condicionamento aversivo,
a autora destacou a sensibilização encoberta. Esta técnica compreen-
de o emparelhamento do comportamento indesejável com imagens
nocivas de náuseas e vômito (estímulos aversivos). A autora citou um
estudo clínico clássico de Cautela em 1972, que afirma que o estímulo
mais apropriado para estabelecer condicionamento aversivo é a naú-
sea, mais adequado inclusive que o choque elétrico. No entanto, a
revisão dos resultados de dois outros estudos, um deles que inclusive
replica o estudo de Cautela, não permitiu confirmar a efetividade
dessa técnica. Outros autores, como Abramson em 1973, indicaram a
utilização dessa técnica com vista à redução da consumação de um
alimento específico em uma situação específica e sugerem que seja
avaliada experimentalmente a generalização desses resultados para
outros alimentos e situações.

55
Universidade da Amazônia

A autora finalizou sua análise dos estudos que usam técnicas aver-
sivas tomando como parâmetro a discussão feita sobre o assunto por
Stuart em 1972:

[...] Apesar do entusiasmo inicial, há apenas uma pequena


efetividade como um programa geral de tratamento de
Obesidade, podendo ser combinada com outras técnicas
em casos específicos.
[...] Stuart (1972) apresenta algumas explicações. Segundo
ele, o fracasso pode estar, em parte, ligado diretamente
ao fato de que punição leva a alto controle discriminativo
sobre o comportamento, isto é, o sujeito aprende a suprimir
a primeira resposta na presença do agente punidor, mas
provavelmente aquela resposta ocorrerá em sua ausência.
Há ainda uma segunda explicação: é possível que o ato de
comer, reforçamento positivo, é tão forte que este
desconforto associado à intervenção aversiva pareça trivial
quando comparado com o grande prazer associado ao
comer (CUNHA, 1985a, p. 44).

A partir desse momento a autora passou a tratar das técnicas de


condicionamento operante, que se caracterizam por objetivar o forta-
lecimento ou enfraquecimento de respostas existentes que ocorrem
sob o controle de determinados estímulos antecedentes e conseqüen-
tes. A autora apresentou os resultados de cinco estudos com pacien-
tes esquizofrênicos institucionalizados, nos quais foi utilizado refor-
çamento e punição operante. O número de sujeitos envolvidos nes-
tes estudos foi reduzido (no máximo cinco) e o experimentador tinha
um amplo controle sobre o ambiente dos sujeitos, a ponto de conse-
guir restringir o acesso a doces, por exemplo. Os reforçadores eram
contingentes ao resultado da pesagem do sujeito, que foi feita em
intervalos diferentes em cada estudo (de uma vez por semana até
três vezes ao dia) e variaram em termos de reforçador usado de fichas
em sistema de “token economy”11 até reforço social. Um dado inte-
ressante foi obtido com a observação dos efeitos no peso gerados
pela retirada por duas vezes de um sujeito da instituição, o que resul-
tou em uma interrupção momentânea do programa. Nessa situação,

11
Economia de fichas é um sistema de reforçamento no qual ocorre a administração de fichas como
reforço imediato, posteriormente trocadas por outros reforçadores, a partir de critérios que estabele-
cem uma razão entre número de fichas e reforçadores específicos (para mais detalhes ver Borges,
2004 e Scarpelli, Costa e Souza, 2006).

56
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

observou-se que na primeira interrupção houve aumento de peso,


fato este não repetido na segunda vez. Estes e outros dados mais es-
pecíficos levaram a autora a concluir que:

Os casos apresentados, deixam ver de maneira clara que


pacientes psicóticos perdem peso dentro de um hospital
psiquiátrico, se seu ambiente for programado de tal
maneira que a perda de peso se torne importante para
eles. Ninguém argumenta a efetividade destes programas
com paciente psiquiátrico; a pergunta é acerca da
permanência destas mudanças (CUNHA, 1985a, p. 46).

O outro conjunto de estudos analisado pela autora envolvia pa-


cientes com atraso mental. A autora destacou dois estudos, sendo
que um deles contou com a participação de crianças e seus pais. Ne-
les, foram utilizados um guia para os pais e um jogo de fichas coloridas
que representavam os grupos de alimentos e as quantidades. O outro
estudo utilizou apenas reforço social. Houve perda de peso em am-
bos, embora os autores não tenham conseguido indicar os aspectos
dos programas que geraram estes resultados, sugerindo a realização
de novas pesquisas.
A autora analisou também os resultados de estudos com uma abor-
dagem chamada “coverant”, definida por ela como um operante enco-
berto que pode ser manipulado por meio de dicas ambientais. Esta técni-
ca pode ser sumarizada da seguinte forma: levantamento de pensamen-
tos desagradáveis e agradáveis, de comportamento de alta frequência;
instrução verbal ao sujeito para que a cada emissão do comportamento
de alta frequência, ele pensa nas coisas que considera desagradáveis
com relação a ser obeso, bem como, pense nas coisas que considera agra-
dável em relação a ser magro (pareamento). Os dados expostos pela au-
tora são contraditórios, ora indicam perda de peso ora não indicam. Na
visão analítico-comportamental, diferentemente da visão cognitivo-com-
portamental, estes eventos (privados) não causam a modificação do com-
portamento, mas fazem parte da cadeia comportamental que é modifica-
da por eventos públicos (as causas do comportamento).
Por fim, o maior conjunto de estudos expostos trata da utilização
de procedimentos de autocontrole em programas de redução de peso.
A autora definiu, inicialmente, o que vem a ser autocontrole em uma
perspectiva behaviorista radical:

57
Universidade da Amazônia

Nos estudos de autocontrole, os termos auto-regulação,


auto-monitoria e auto-direção são usados como sinônimos
[...] o autocontrole pode ser visto como um processo, através
do qual o indivíduo se torna o principal agente na
orientação, monitoria, direção e regulação das diversas
formas de sua própria conduta [...] é uma técnica aprendida
através de vários contatos sociais... (CUNHA, 1985a, p. 50).

Desta forma, a autora ressaltou a relação entre autocontrole e


autoconhecimento ao dizer que:
[...] Técnicas de autocontrole estão intimamente ligadas
com a habilidade da pessoa para discriminar padrões e
causas do comportamento a ser regulado, por exemplo,
dicas ou eventos que freqüentemente precedem o comer
exagerado, ou certas conseqüências, que muitas vezes,
seguem o fumar... (CUNHA, 1985a, p. 50).

A autora se ateve à discussão sobre o valor reforçador intrínseco da


autorregulação/autocontrole/autodireção e apresentou as conclusões de
estudos com animais (macacos) e crianças que mostraram que os sujeitos
ao terem a possibilidade de optar entre controlar seu próprio reforçamen-
to ou obter o reforçamento sob o controle externo, optaram pelo primeiro.
A autora apresentou a tentativa de criar um modelo sistemático
de autocontrole feita por Thoresen e Mahoney em 1974, e sumarizan-
do-o da seguinte forma:

Os Estímulos Iniciais Antecedentes (EIA) são aquelas dicas


que precedem a resposta controlada (RC + ou RC -). No caso
da superalimentação, fome ou máquina de doce, pode ser
o Estímulo Inicial Antecedente. A resposta positiva
controlada (RC) é aquele comportamento que provavelmente
será aumentado, (ex. Não comer alimentos que produzem
Obesidade). O comportamento negativo controlado (RC) é o
comportamento a ser desacelerado (ex. Comer em excesso).
Em padrões de hábitos de longa permanência, o EIA pode
ser inexistente ou inespecificado, como se pode observar
na explicação de Premack (1971), [como no caso de] quando
um fumante acende um cigarro, sem conhecimento do ato
em si mesmo, como das dicas ambientais, antecedentes.
A probabilidade de uma resposta de controle (RC) pode ser
modificada por várias respostas de autocontrole (RAC). Isto
é usualmente feito, alterando a consequência de uma ou
mais respostas de controle (RCs) ou pela mudança Estímulo
Inicial Antecedente (EIA) (CUNHA, 1985a, p. 52).

58
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A autora destacou do modelo exposto os tipos de respostas de


autocontrole: 1. Planejamento do ambiente e; 2. Planejamento do com-
portamento. Como exemplos do primeiro tipo temos: “EIA modifica-
ções (estímulo de controle) e a programação de RC conseqüentes; ex-
posição a estímulos de autorregulação (ex. dessensibilização auto-ad-
ministrada)” (CUNHA, 1985a, p.52). No caso do segundo tipo, temos
como exemplo: “auto-observação; autorrecompensa (positiva e nega-
tiva, encoberta e descoberta)” (idem).
A mesma finalizou a exposição do modelo afirmando que respos-
tas de autocontrole são sensíveis à efetividade em alterar as respostas
controladas, bem como à variedade de fatores externos.
No trecho seguinte do texto a própria autora apresentou os estudos
clássicos na área de autocontrole, representados, em sua maioria, por ex-
perimentos desenvolvidos ao longo da década de 70. Dentre os estudos
citados e sumarizados estão: Ferster, Nurnberger e Levitt em 1962, Stuart
em 1967 e 1971, Harris em 1973, Harris e Hallbauer em 1973, Wollerheim em
1970 e Rozensky e Bellack em 1976. Outro conjunto de estudos, na sua
maioria, derivados de teses de doutorado feitas por autores estrangeiros,
exceto Kerbauy (1977), foram apenas mencionados sem detalhamento.
A autora finalizou o texto elencando os problemas metodológicos
do conjunto total de estudos analisados. Para ela, já há dados robustos
que comprovam a eficácia das técnicas de autocontrole na redução de
peso, embora haja lacunas importantes no que tange ao seu efeito pro-
longado, já que os follow ups12 realizados não ultrapassaram o período
de um ano. Para consubstanciar sua análise, a autora parte de um traba-
lho de revisão da literatura sobre o tema produzido entre os anos de 1959
e 1973 feito por Hall e Hall em 1974. Segundo estes autores, as técnicas de
automonitoria isoladas ou mesmo combinadas com outras técnicas são
as que produzem a maior perda de peso durante o follow up. Técnicas de
monitoria externa produzem tanto a perda quanto a manutenção do peso.
Sendo assim, os autores indicaram a necessidade da realização de pes-
quisas que combinem as duas em um mesmo programa.
Na mesma direção, Brightwell e colaboradores em 1977 analisa-
ram outros seis estudos e concluíram que: “... Há um mínimo de evidên-
cia para sustentar a posição de que o peso pedido é mantido ...” (CU-
NHA, 1985a, p. 56).

12
Fase realizada em um período de tempo posterior ao encerramento da pesquisa e/ou intervenção,
visando avaliar a generalização dos resultados obetidos durante a mesma.

59
Universidade da Amazônia

A autora indicou, no entanto, como uma questão crítica dos estu-


dos realizados até aquele momento, o fato de nenhum deles ter conti-
nuado o tratamento até o ponto em que os sujeitos tenham atingidos o
peso normal e que o tivessem mantido por pelo menos três anos. Além
disso, a autora considerou que os estudos têm um delineamento muito
complexo e deixa neste sentido algumas questões:

Uma outra questão, levantada dos estudos revisados, é


que técnicas muito complexas, nem sempre produzem
melhores efeitos de que técnicas mais simples de
autocontrole.
Será que um experimento com técnicas bem simples, não
teria os mesmos efeitos? Usando técnicas tão simples, se
houver uma perda razoável de peso, qual seria a
manutenção deste peso, qual seria o grau de autocontrole
adquirido? (CUNHA, 1985a, p. 57).

A julgar pelas proposições feitas no final desse artigo e pelo títu-


lo da dissertação da autora: “Uma solução simples para um problema
comportamental complexo: uma contribuição para o estudo da Obesi-
dade” (UnB, 1980), estas perguntas finais devem ter se transformado
nos problemas de pesquisa tomados como eixo principal da pesquisa
desenvolvida durante o seu mestrado.
A análise dos estudos localizados nesta década revelou que to-
das as pesquisas realizadas eram pesquisas do tipo experimental, re-
alizadas na sua maioria tendo mulheres como sujeitos e encerradas
antes que os sujeitos tivessem chegado ao peso ideal. Em geral, as
pesquisas tinham como um dos passos de seus procedimentos o ensi-
no de técnicas de autocontrole aos sujeitos, uma vez que suas autoras
comungavam da visão de Ferster e colaboradores em 1962 de que a
Obesidade é um quadro orgânico gerado por déficits de autocontrole.
No entanto, as autoras indicaram a ausência de dados conclusivos acer-
ca dos efeitos em longo prazo dos programas comportamentais de
redução de peso (fase de manutenção), já que nos estudos realiza-
dos, inclusive os citados na literatura internacional, o período de fo-
llow up não ultrapassou um ano.
Com relação aos efeitos diferenciais de cada técnica de autocon-
trole utilizadas nos estudos, houve um claro destaque à efetividade das
técnicas de autorreforçamento e automonitoria. Com relação à primei-
ra, as autoras indicaram que a técnica resolveria uma limitação dos pro-

60
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

gramas de comportamentais de redução de peso: o não reforçamento


contingente de novos hábitos alimentares, sobretudo na fase de insta-
lação desses comportamentos. Com relação à segunda, ao permitir que
o próprio sujeito analise funcionalmente seu comportamento, o auto-
conhecimento seria favorecido, base para o autocontrole.
Outro aspecto comum observado nos trabalhos dessa década foi
a indicação de que o treino de autocontrole deveria ser iniciado por
situações mais simples, talvez não relacionadas ao comportamento ali-
mentar, nos quais o custo da resposta seja menor e a probabilidade de
reforçamento maior.

4.2 A PESQUISA NA DÉCADA DE 80

Foram identificados 13 trabalhos nesta década, distribuídos da


seguinte forma: seis artigos, todos de autoria de Jacira Cunha da UCG
(CUNHA, 1983; 1985a; 1985b; 1985c; 1985e; 1985f); duas dissertações de
mestrado (Duarte em 1981; HELLER, 1990); três resumos publicados em
anais de congresso (Cunha, Mettel e Todorov em 1981; Cunha em 1982 e
em 1983); um trabalho completo publicado em anais de congresso (Ker-
bauy em 1985) e; um capítulo de livro (KERBAUY,1987).
A análise qualitativa da produção dessa década abarcou diretamente
oito trabalhos (CUNHA, 1983, 1985a, 1985b, 1985c, 1985e, 1985f; KERBAUY,
1987; HELLER, 1990). No entanto, na análise dos trabalhos, percebeu-se que
um destes trabalhos não obtidos (Cunha em 1982) foi integralmente apre-
sentado na forma de artigo um ano depois (CUNHA, 1983). Desta forma,
podemos considerar que, ao todo, foi possível compor a análise qualitativa
de nove trabalhos desta década, um número bastante representativo da
produção da mesma (69,23%).
O artigo em questão, publicado por Cunha (1983), derivou de uma
pesquisa experimental que teve como objetivo verificar a contribuição
do registro público do peso e de sua combinação com outros compo-
nentes em programas comportamentais de redução de peso, bem como
seus efeitos no período posterior ao encerramento do mesmo (manu-
tenção do peso atingido).
Participaram da pesquisa 19 sujeitos, sendo 17 mulheres e dois
homens, distribuídos em quatro grupo/condições, a saber: Grupo A = peso,
registro público e dicas de autocontrole (PRP + DA); Grupo B = peso, regis-
tro público e registro de alimentos (PRP + RA); Grupo C = peso e registro
público (PRP) e; Grupo D (controle) = peso (P) sem registro público. Os

61
Universidade da Amazônia

sujeitos desconheciam o grupo a que pertenciam. Nos grupos que ti-


nham em seu programa o registro público, o peso era aferido à vista de
todos e colocado em um gráfico que ficava exposto. Embora, a proposta
do programa seja maior, os dados analisados dizem respeito a um período
de oitos semanas, com pesagem três vezes por semana, e um período de
16 semanas de follow up, durante as quais os contatos com o experimen-
tador foram sendo progressivamente descontinuados (no primeiro mês
foram realizados dois contatos; no segundo mês foi realizado um conta-
to; daí para frente um contato por semestre).
A autora apresentou os resultados dos sujeitos tomando como
parâmetro cinco valores de peso: o peso inicial; o peso normal; o peso
desejado (a expectativa do sujeito); o peso final (na 8ª semana) e; por
fim, o peso pós-programa (follow up). A comparação dos índices obti-
dos pelo sujeito demonstrou grande variabilidade, tanto no que tange
à redução de peso durante o programa (peso inicial – peso final), quan-
to no que tange à perda de peso no período de follow up.
Os resultados do estudo foram submetidos à Análise de Variância
de Kruskal e Willis, com nível de significância de 0,05. A análise revelou:

[...] uma diferença significativa entre os grupos


experimentais e grupo controle. Ficando evidenciado que
registro público é um fator importante na perda de peso. E
o Registro público pode aumentar significativamente sua
importância, quando se acrescentam dicas de auto-controle
ou registro de alimentos, como ficou demonstrado nos
Grupos A (PRP + DA) e B (PRP + RA).
Na segunda fase do Grupo controle, quando se acrescentou
Registro público o aumento na perda de peso foi de mais
de 20% (CUNHA, 1983, p. 107).

Além disso, a análise revelou também que: “... Os sujeitos conti-


nuaram perdendo peso nos quatro meses de follow-up. O que pressu-
põe que os sujeitos adquiriram um ótimo grau de autocontrole”(Idem).
Além disso, Cunha (1983) concluiu que as condições mínimas
para a perda de peso seriam as que compunham o delineamento do
Grupo C (PRP).
A mesma autora, em 1985, apresentou seu trabalho em um nú-
mero especial do periódico “Ciência do Comportamento: teoria, pes-
quisa e prática”, em seis artigos. Como já se comentou, três dos seis
artigos já foram analisados no item anterior devido ao fato de que seu
conteúdo foi, na verdade, desmembrado da dissertação de mestrado

62
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

da autora, produzida ainda na década de 70. Apresenta-se abaixo a aná-


lise dos três outros artigos.
Cunha (1985b) realizou uma pesquisa experimental com o objetivo
de analisar os efeitos de um dos componentes do autocontrole, o reforça-
mento próprio ou autorreforçamento, no desempenho de perda de peso.
A autora iniciou o texto estabelecendo a diferença entre a con-
ceituação de autocontrole configurada por outras abordagens, pelo sen-
so comum e pela Análise do Comportamento, defendendo que esta
última pode, ao oferecer um tratamento científico, viabilizar a criação
de uma “tecnologia de autocontrole”, que pode vir a ser usada por qual-
quer pessoa. Apresentou, desta forma, o resumo de pesquisas prelimi-
nares nesta direção e sintetizou o processo de aquisição de autocontro-
le em três passos básicos: 1. auto-observação; 2. planejamento do am-
biente e; 3. programação de consequências para o comportamento de
autocontrole, especificando o caminho para a aquisição de cada passo.
A autora destacou, dentre os diversos trabalhos citados, o realiza-
do por Rozensky e Bellack em 1976 que investigou a relação entre as dife-
renças individuais no estilo de reforçamento próprio e o desempenho em
programas de redução de peso, já que havia na literatura da época certo
consenso em considerar que as diferenças individuais manifestas no de-
sempenho de autocontrole são resultado da história de aprendizagem de
cada indivíduo. Partindo desse pressuposto, os autores passaram a classifi-
car os indivíduos em dois tipos: indivíduos com alta capacidade de reforça-
mento próprio e indivíduos com baixa capacidade de reforçamento pró-
prio; e a relacionar cada tipo com uma forma de desempenho em progra-
mas de redução de peso. Sobre isso, a autora afirmou que:

[...] Os sujeitos com alta capacidade de reforçamento


próprio, perdem peso e conservam o peso perdido em
condições mínimas de controle [externo]; são refratárias à
perda de peso, quando há um alto grau de controle
[externo]. Enquanto que os sujeitos com baixa capacidade
de reforçamento próprio, só perdem peso dentro de
condições de maior controle [externo] e praticamente não
perdem peso, quando as condições de controle são mínimas
(CUNHA, 1985b, p. 17-18).

A autora indicou essa variável – reforçamento próprio – como


responsável pela grande variabilidade intersujeitos encontrada em pro-
gramas de redução de peso. A despeito disso, ao definir seu objetivo no

63
Universidade da Amazônia

meio de seu artigo diz que “O presente estudo tem como propósito
investigar o problema da variabilidade inter-sujeito, sem contudo ana-
lisar este componente do autocontrole: estilo de reforçamento pró-
prio” (CUNHA, 1985b, p. 18). Em outro trecho, afirma que “A variável
independente foi o controle alto, médio e mínimo, os esquemas” (CU-
NHA, 1985b, p. 20). Reafirmando que, apesar da fundamentação teórica
apresentada, não consideraria a variável reforçamento próprio nesse
estudo ao dizer em outro trecho “Não foi aplicado um instrumento para
medir o grau de reforçamento próprio de cada sujeito, pois o estudo em
referência não exigiu isto” (CUNHA, 1985b, p. 20).
Foram selecionados inicialmente trinta indivíduos obesos 13,
sendo 12 homens e 18 mulheres na faixa etária de 21 a 60 anos, que não
realizavam tratamento psiquiátrico e não tinham suspeita de gravidez,
dos quais apenas 25 compareceram para a realização das sessões14.
Os participantes foram distribuídos em três grupos, a saber:
Grupo A (alto controle) com sete participantes; Grupo B (médio con-
trole) com oito participantes e; Grupo C (fraco controle) com dez
participantes. O nível de controle foi definido pelo número de ses-
sões de 60 minutos que os grupos teriam por semana, respectiva-
mente, três sessões (segunda, quarta e sexta-feira), duas sessões
(segunda e sexta-feira) e uma sessão (quarta-feira) nos níveis de
alto, médio e baixo controle. Além disso, a autora nomeou cada ní-
vel como Esquema III, Esquema II e Esquema I, com referência ao
número de sessões por semana.
Os participantes assinavam um contrato de permanência no
experimento até o final e estabeleciam como meta a perda de peso de
meio a um quilograma por semana, visando a perder um total de dez
quilos. O experimento durou ao todo 36 semanas, sendo 16 semanas de
exposição às condições experimentais e 20 semanas de pesagem para
verificação de manutenção de peso. Além disso, todos os participantes
receberam informações sobre Obesidade, nutrição e balanceamento
da alimentação, bem como foram instruídos de como deveriam ser pro-
cedidos a pesagem e o registro do peso em gráfico. A figura a seguir
apresenta o delineamento completo da pesquisa:

13
Utilizou-se como parâmetro para aferição de Obesidade o Índice de Broca, corrigido para o Brasil.
14
A autora não esclareceu quais sujeitos não participaram efetivamente.

64
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

SELEÇÃO TRATAMENTO SEGUIMENTO


2 SEMANAS 16 SEMANAS 20 SEMANAS

acompanhamento de cinco anos


Critérios para GRUPO A
ser admitido: Esquema III
- Ter um índice de obe- (48 sessões)
sidade de pelo menos N=7
15 por cento. GRUPO B Sessões uma vez por
- Não estar envolvido Esquema II semana para todos os
em tratamento psi- (32 sessões) grupos.
quiátrico. N=8
- Sem suspeita de gra-
GRUPO C N = 25
videz.
Esquema I
N = 30 (16 sessões)
N = 10

Exames médicos Contratos Exames médicos


e e
curva glicêmica curva glicêmica

Figura 1. Delineamento geral do experimento de Cunha (1985b).

Embora os participantes estivessem divididos em grupos ex-


postos a diferentes esquemas, os resultados foram analisados indivi-
dualmente (sujeito seu próprio controle15), levando em consideração
os cinco tipos de peso aferidos por Cunha (1983). A análise comparativa
do desempenho intergrupos foi realizada visando a avaliar as diferen-
ças individuais em diferentes esquemas.
Os resultados indicaram mostraram que:

Quanto ao objetivo específico de perder de meio a um quilo


por semana, o desempenho do grupo A foi de 79 por cento,
durante o tratamento e chegando a 112 por cento no seguimento.
No grupo B, foi de 69 por cento no tratamento e 95 por cento no
seguimento. No grupo C, foi de 59 por cento no tratamento e 71
por cento, no seguimento (CUNHA, 1985b, p. 20).

Os resultados indicaram ainda que:


Pela análise de variância por postos de Kruskal-Willis,
conclui-se que não houve uma diferença significativa entre
as amostras...
Nos resultados das comparações múltiplas, também não
houve diferença significativa nas amostras, durante o
experimento e acompanhamento (CUNHA, 1985b, p.23).
15
Para mais detalhes ver Sidman (1977).

65
Universidade da Amazônia

A autora concluiu que a proposição de Rozensky e Bellack em


1976, sobre o efeito dos estilos de reforçamento sobre o desempe-
nho de sujeitos expostos a diferentes níveis de controle externo, se-
ria adequada para compreender os resultados de seu estudo. A partir
disso, propõe:

[...] E se concluirmos que o processo, realmente, se


desenvolve desta forma, seria então desejável, que nos
referidos programas se selecionassem os sujeitos de
acordo com o seu grau de auto-reforçamento. Naturalmente,
isto traria benefícios aos sujeitos, dando-lhes um programa
de acordo com sua capacidade de reforçamento próprio
(CUNHA, 1985b, p.23).

Outro artigo escrito pela autora (CUNHA, 1985f), publicado no


mesmo periódico, teve o objetivo de responder às perguntas: o que é
Obesidade e o que fazer? Sobre o primeiro questionamento, a autora
apresentou, inicialmente, algumas definições e métodos de aferição
da Obesidade. Partiu, então, para a análise das respostas dadas na lite-
ratura sobre a sua etiologia. Neste sentido, analisou brevemente algu-
mas teorias explicativas e concluiu que não há como concebê-la fora de
um processo multicausal.
A autora defendeu a ideia de que a melhor forma de reverter o
quadro, não apenas momentaneamente, é investir em programas de
reeducação em vários níveis: social, físico e alimentar.
Na tentativa de sistematizar os achados feitos em pesquisas
comportamentais sobre o tema, a autora indicou que: 1. o conjunto de
técnicas a serem usadas no processo deve ser simples, de forma a viabi-
lizar o manejo e a aplicação pelo próprio obeso e por pessoas significa-
tivas de seu meio; 2. deve ocorrer uma análise prévia das variáveis am-
bientais que instalaram e mantêm os padrões de comportamento ali-
mentar problemáticos; 3. devem ser observados parâmetros de confec-
ção da alimentação (preparação e balanceamento, por exemplo); 4. deve
ser estabelecida uma linha de base da frequência do comportamento
de comer, levando em consideração o registro, ao menos três vezes por
semana, de aspectos como tempo, natureza e quantidade do alimento,
circunstâncias e local e; 5. os eventos que servem de ocasião para a
emissão do comportamento desejado devem ser “encorajados”/apre-
sentados, bem como os que servem de ocasião para a emissão do com-
portamento problemático devem ser “desencorajados”/removidos.

66
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A autora destacou ainda que além do processo descrito acima é


necessário realizar alterações no processo de comer, evitando longos
períodos de privação de alimentos (situação potencialmente aversiva)
e aprendendo a comer em uma velocidade menor, aumentando o nú-
mero de mastigações. Além disso, a autora indicou a necessidade de
limitar o número de estímulos pareados ao comer, evitando emitir o
comportamento durante ou em conjunto com outras atividades e em
diferentes locais. Por fim, a autora discutiu estratégias para lidar com os
estados corporais frequentemente associados ao comer, como “ter uma
sensação de vazio”, que muitas vezes é resultado da exposição do in-
divíduo a situações de tensão/ansiogênicas e não sinalizam, a verdade,
carência de alimentos. A autora então passou a listar um conjunto de
recomendações para a modificação das condições ambientais visando a
aumentar a frequência do comportamento autocontrolado.
Como resultado dessa síntese comportamental, a autora apre-
sentou um programa composto de oito passos para a redução e manu-
tenção do peso:
1º passo:
- Comer sempre no mesmo local;
- Escolher um lugar na casa: mesa da sala de jantar, mesa
da cozinha etc. comer sempre no mesmo local.
- Ter uma companhia, enquanto come.
2º passo:
- Conservar a lista dos grupos de alimentos adequados e
dos alimentos de alto valor calórico, à vista.
- Preparar e servir pequenas quantidades, usar pratos rasos
para ver exatamente quanta comida tem no prato.
- Usar a ficha de registro de alimento, durante as refeições;
Faça o registro na hora, enquanto está comendo.
3º passo:
- Tornar fácil apenas o comer apropriado:
a) fazer a lista de compras;
b) fazer as compras do supermercado, somente após as
refeições.
- Comer devagar, mastigar bem, deixar o garfo descansar.
- Deixar o cartaz de registro de peso, onde fica a maior
parte do dia.
4º passo:
- Limpar o prato diretamente na vasilha de lixo.
- Deixar alguma coisa no prato.
- Separar um dinheiro extra para os alimentos próprios; e
experimentar como é atrativo a preparação dos alimentos
da dieta.

67
Universidade da Amazônia

5º passo:
- Permitir que as crianças tirem seus próprios doces.
- Se for comer alimentos de alto valor calórico, eles devem
ser preparados pela própria pessoa.
- Fazer uma lista de atividades desejáveis:
a) cultivar certos tipos de plantas;
b) escolher um esporte: natação, voley, ginástica etc.;
c) andar rapidamente meia hora toda manhã ou à tarde;
d) não dormir durante o dia;
e) não deitar após o almoço.
6º passo:
- Engolir todo o alimento que está na boca, antes de colocar
mais.
- Comer em prato raso com garfo e faca.
- Mastigar o alimento devagar, inteiramente.
7º passo:
- Tomar a menor quantidade de água, ou qualquer líquido,
durante a refeição.
- Introduzir paradas planejadas, durante as refeições.
Deixar o garfo descansar, conversar com alguém.
- Concentrar no que está comendo. Sinta o gosto bom da
comida.
8º passo:
- Verificar sempre a lista de alimentos que engordam, evitá-los.
- Conseguir que não haja desvio do programa proposto.
- Ler muitas vezes as pistas propostas. Refletir se realmente
está praticando estes exercícios (CUNHA, 1985f, p.10-11).

Além desses passos, a autora chamou a atenção para o controle


do ambiente, sugerindo que sejam evitados alimentos de alto valor
calórico à vista em casa, bem como, estar em locais onde eles estejam
expostos (certas prateleiras de supermercado, por exemplo). O plane-
jamento da alimentação também foi ressaltado, na medida em que a
autora considerou importante investir na realização de um esquema
adequado de alimentação, composto de seis refeições por dia. A pesa-
gem ao menos duas vezes ao dia (pela manhã e à noite) permite que
sejam avaliadas as variações naturais de peso, devido aos ciclos de sono
e vigília, e permite que o sujeito tenha evidências diretas da relação
dos alimentos e bebidas com a redução de seu peso corporal.
Por fim, a autora advertiu para a necessidade da adequação de
qualquer programa ao cliente e para a necessidade de evitar o controle
estabelecido pela contagem de calorias.

68
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Embora o número de artigos assinados por Jacira Cunha no


periódico que estamos analisando tenha sido sete ao invés de seis,
um deles (CUNHA, 1985d) não atendeu ao critério de inclusão na
análise, haja vista apresentar uma explicação para a Obesidade que
não foi consubstanciada em princípios da Análise do Comportamen-
to. Como um exemplo tem-se o trecho abaixo, quando a autora co-
mentou os resultados de uma pesquisa realizada com sujeitos ex-
postos a duas condições: previsibilidade e imprevisibilidade da apre-
sentação do estímulo aversivo:

As duas situações podem provocar problemas psicosso-


máticos, uma pelo medo, agressão desencadeada contra o
objeto agressor ou pela impossibilidade de fugir ou agre-
dir. A outra, pela agressão dirigida para si mesmo, pelo
desamparo, desejo de morte para fugir à situação de in-
controlabilidade, ou pode dirigir a agressão contra um ob-
jeto imaginário, um possível responsável por aquela situa-
ção (CUNHA, 1985d, p. 39).

Kerbauy (1987) confeccionou um capítulo de livro que define


Obesidade na visão médica e na visão comportamental, apresentando as
linhas gerais para a elaboração de um programa de intervenção compor-
tamental. Desta forma, a Obesidade caracterizaria-se por uma ingestão
excessiva e/ou inadequada de alimentos em relação ao gasto calórico do
organismo, o que levaria ao acúmulo de tecido adiposo, contribuindo
para o aparecimento de outras doenças como o diabetes e a hipertensão,
além de gerar quadros de retraimento social, baixa autoestima etc. Nes-
te sentido, a autora propõe que a Obesidade seja compreendida como
um quadro gerado por uma relação tridimensional entre comportamento
alimentar, gasto de energia e consumo de alimentos. Sendo assim, no
tratamento deve constar necessariamente mudanças nos hábitos alimen-
tares e o exercício físico; visão compartilhada por médicos e psicólogos.
Logo de início indicou que os dois maiores problemas observados nos
tratamento de Obesidade são a manutenção dos resultados obtidos com
a exposição aos programas de redução de peso e o emprego por parte dos
clientes de ações preventivas.
A autora apresentou no texto uma caracterização da aborda-
gem comportamental da Obesidade. Inicialmente, mostrou que o pró-
prio termo não era utilizado, sendo mais comum encontrar na litera-
tura expressões como controle alimentar e controle de superalimen-

69
Universidade da Amazônia

tação, uma vez que a intenção era ressaltar que os estudos comporta-
mentais enfatizariam o padrão do comportamento alimentar e não
somente questões orgânicas, tradicionalmente tratadas no campo
médico. A autora afirmou, no entanto, que o termo Obesidade passou
a ser utilizado na literatura comportamental, indicando o caráter mul-
tiprofissional do problema.
Historiando a produção da Análise do Comportamento acerca
da Obesidade, a autora informou ter sido de Ferster, Nurnberger e Le-
vitt em 1962 a primeira pesquisa realizada sobre o problema,

[...] Destacando as situações que causam dificuldades


quanto à seleção e ingestão de alimentos pelo indivíduo,
propondo técnicas de modificação e delimitação à
Obesidade como um problema de autocontrole.
Com essa análise, evidenciou-se o problema de
autocontrole em geral: a diferença entre as conseqüências
imediatas da resposta e suas conseqüências tardias
(KERBAUY, 1987, p. 217).

A partir da pontuação dos autores acima, Kerbauy afirmou que


as contingências presentes (reforçadoras) e futuras (aversivas) não são
discriminadas pelo indivíduo, uma vez que há contingências reforçado-
ras para a resposta de comer em excesso alimentos inadequados. A
autora indicou o controle exercido pelo estímulo antecedente como
um obstáculo ao autocontrole. Neste sentido, temos como exemplo o
comer ao estudar, ao ver televisão e durante um bate-papo. A autora
colocou o problema do autocontrole alimentar como:

[...] Decorrente de circunstâncias com conseqüências


reforçadoras imediatas que têm o efeito controlador sobre
respostas como as já citadas, enquanto há consequências
posteriores para a resposta que tem efeitos aversivos
(aumentar o peso, adiposidade e problemas médicos)
(KERBAUY, 1987, p. 217).

Desta forma, a configuração de qualquer programa comporta-


mental requer a realização de uma análise funcional do comportamen-
to alimentar do cliente. Neste sentido, a autora sintetizou em alguns
pontos as características de um programa comportamental:

70
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

1. identificar as contingências das quais o comportamento de comer


em excesso é função e a interação entre elas, visando a favorecer a
individualização do programa;
2. ensinar o obeso a automonitorar seu comportamento, por meio da
auto-observação e do autorreforçamento;
3. enfatizar com o obeso que o comportamento de comer excessiva-
mente foi aprendido e pode ser modificado e, portanto, pode ser
autocontrolado por ele;
4. definir as metas de perda de peso claramente, especificando a quan-
tidade de peso a ser perdida dentro de um período de tempo;
5. colocar o comportamento de alimentar-se sob o controle de novos
estímulos, dispensando especial atenção à emissão deste compor-
tamento em situações sociais;
6. estruturar um programa que permita a consequenciação para os com-
portamentos do cliente, ensinando o mesmo a discriminar mudanças
e maneiras de iniciar e reiniciar comportamentos, preparando o mes-
mo para lidar com insucessos, analisá-los e planejar novos comporta-
mentos quando situações semelhantes ocorrem novamente;
7. introduzir um programa de atividades físicas para aumentar a quan-
tidade de energia gasta pelo organismo;
8. ensinar ao obeso as regras básicas de nutrição para que ele modifi-
que a composição de sua dieta alimentar e;
9. ampliar o repertório comportamental do obeso, desvinculando-o
da alimentação.

A autora afirmou que estas indicações estão baseadas nos re-


sultados de pesquisa experimentais e clínicas. Neste sentido, a eficácia
em curto prazo de programas comportamentais aplicados à obesidade
passou a ser atestada, embora, ainda não tenha sido observada a mes-
ma eficácia na fase de manutenção. A autora, levando isto em conta,
comentou que:

[...] Esses problemas estão interligados com uma série de


outros comportamentos, aconselhando-se, portanto, um
processo de terapia que apresente como uma das queixas
o comportamento alimentar. Com isso, não se exclui o
tratamento do comportamento alimentar isolado, se esse
for o caso, ou a intenção do cliente, que deverá discutir
esse fato com o terapeuta e delimitar, na medida do
possível, a previsão dos resultados (KERBAUY, 1987, p. 222).

71
Universidade da Amazônia

A autora finalizou o texto indicando a necessidade da realização


de novas pesquisas para compreender os resultados desencorajadores
de tratamentos comportamentais da Obesidade em longo prazo, que
poderiam fornecer dados para a confecção de programas preventivos
junto às famílias e à sociedade de forma geral, caso estes programas
não sejam capazes de propor técnicas que garantam a generalização
dos resultados na fase de manutenção.
No final dessa década, foi defendida a dissertação de mestrado de
Denise Heller, sob a supervisão da professora Rachel Rodrigues Kerbauy.
Heller (1990) realizou uma pesquisa experimental que teve o objetivo de
identificar as variáveis controladoras da perda, da manutenção e do au-
mento de peso em oito mulheres obesas submetidas a um programa com-
portamental para a redução de peso. As participantes foram recrutadas por
meio de divulgação da pesquisa em alguns setores do Hospital Escola de
Curitiba (endocrinologia, clínica médica, enfermagem, nutrição). Os crité-
rios de seleção foram: estar com índice de excesso de peso superior a 20%;
não estar realizando tratamento psicológico; não fazer uso de anorexíge-
nos; não ter diabetes e; não ter suspeita de gravidez. Todas as participantes
eram inicialmente atendidas por uma nutricionista que procedia a avalia-
ção dietética, orientava com relação ao balanceamento da dieta e lhes
fornecia uma ficha de substituição de alimentos.
As participantes eram encaminhadas para a entrevista inicial
com a experimentadora, realizada individualmente, com o objetivo de
‘Estabelecer um histórico de excesso de peso do sujeito, identificando
início, causa, casos na família, além de dados pessoais como: doenças
anteriores, atividade física, altura, índice de excesso de peso e razões
para emagrecer” (HELLER, 1990, p. 36). Todos as participantes foram es-
clarecidas sobre o tipo de trabalho que seria realizado e estabeleceram
um acordo com a experimentadora que previa a sua participação até o
final do programa. Em caso de desistência, deveriam explicar as razões
para sua saída.
A média de excesso de peso inicial dos participantes foi de 29,
56%. O programa era divido em duas etapas, a saber: 1. programa de
autocontrole do comportamento alimentar e; 2. seguimento. A primei-
ra etapa teve a duração de 24 sessões. Sendo que a primeira foi realiza-
da individualmente (entrevista inicial) e as outras 23 em grupo. A peri-
odicidade das sessões foi alterada, de quinzenal para semanal, na quin-
ta sessão, a pedido do grupo de participantes. A segunda etapa teve o
objetivo de manter os desempenhos adquiridos na etapa anterior e foi

72
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

desenvolvida ao longo dos 12 meses posteriores ao encerramento da


primeira etapa, totalizando um número de 15 sessões realizadas, sendo
que sua periodicidade era quinzenal até o quarto mês e passou a men-
sal a partir do quinto mês.
A sessão durava com média 60 minutos e seguia a ordem descri-
ta abaixo:

[...] Pesagem dos sujeitos e registro de peso em um gráfico


pessoal; distribuição de prêmios para o sujeito que perdia
mais peso – a partir da quinta sessão; análise das fichas
preenchidas pelo sujeito; relato pelo sujeito das
modificações comportamentais obtidas e das dificuldades
encontradas, acompanhado de discussões e propostas de
solução alternativas; apresentação de conceitos da análise
experimental do comportamento através de explicações
sempre depois que as tarefas eram propostas; tarefas
propostas para iniciar ou manter desempenhos (HELLER,
1990, p. 35).

A ordem dos acontecimentos nas sessões foi alterada apenas por


ocasião das 7ª, 8ª, 12ª, 16ª e 20ª sessões, em que foram incluídos esclare-
cimentos sobre a dieta alimentar, realizados por estagiárias de nutrição.
A primeira etapa do programa teve um excelente índice de pre-
sença (em torno de 23 sessões). A análise dos dados revelou que todos
os participantes indicaram como razão para a participação no programa,
o fato de não se sentirem bem por estarem gordos e desejarem ema-
grecer, adicionalmente a isso, cinco alegaram querer experimentar um
“tratamento diferente” e um alegou ser a sua participação no grupo
uma exigência de seu médico.
A perda de peso média por mês foi de 1.185 gramas por partici-
pante, perfazendo uma média total de 9.800 gramas. A autora fez a
análise da perda de peso em função da técnica empregada e indicou
que a técnica de registro da alimentação, sozinha, foi capaz de produzir
perda de peso em todos os sujeitos, que variou de três quilos a 700
gramas em 15 dias com o acréscimo da técnica de controle de estímulos,
ao mesmo tempo em que foi indicado o início da dieta, cinco dos oito
emagreceram, um manteve o peso e dois engordaram, sendo que estes
últimos declararam não ter cumprido as tarefas, alegando problemas
familiares. A introdução da pausa durante a alimentação, das garfadas
espaçadas, do relaxamento diário e da prática de duas atividades refor-
çadoras e concorrentes com o comportamento de comer foi capaz de

73
Universidade da Amazônia

produzir perda de peso em sete dos oito sujeitos. A utilização da suges-


tão de mudança na ordem de ingestão dos grupos de alimentos durante
uma refeição foi capaz de gerar perda de peso para todos os sujeitos, os
mesmo declararam estar usando conjuntamente ao menos quatro téc-
nicas aprendidas no programa.
Este processo de introdução de técnicas se desenvolveu entre a
segunda e a nona sessão, a partir daí procedeu-se nas reuniões a discus-
são sobre as dificuldades encontradas na execução do programa. Foram
registradas igualmente perdas de peso no período compreendido en-
tre a décima e vigésima quarta sessão.
Com relação às dificuldades enfrentadas individualmente por
todas as participantes ao longo do programa, as sugestões para a supe-
ração das mesmas (destacando-se a fonte) e o nível de adesão dos par-
ticipantes, estão sumarizadas e apresentadas no quadro abaixo, com
um resumo do que está demonstrado nas oito tabelas expostas no tra-
balho desta autora, acrescentando-se a coluna “sujeitos”.

74
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

SUGESTÃO FONTE DA
DIFICULDADE SUJEITOS ADESÃO
SUGESTÃO
Comer em resposta à Fazer relaxamento e/ou praticar uma atividade Experimentadora D.M. SIM
situação estressante reforçadora. (E) L.M. SIM
Descansar o garfo, pausa. E D.M. SIM
M.A. SIM
Comer muito rápido
M.C. SIM
L. SIM
Fixar horários. E D.M. SIM
M.H. SIM
Não ter horário para
as refeições L.M. SIM
E
M.C. SIM
Pular refeições Acordar dez minutos antes. Grupo (G) L.M. SIM
(café da manhã)
Fazer todas as refeições. E L.M. SIM
Andar 10 minutos diariamente ou fazer ginástica. E D.M. SIM
M.A. SIM16
Não ter atividade E. SIM
física/inatividade M.E. NÃO
Fazer ginástica ou natação. G L.M. NÃO
Andar a pé. Fazer ginástica. EeG M.H. SIM
Usart gelatina dietética. E D.M. NÃO
Gostar muito
de doces Usar gelatina dietética ou salada de frutas. E E. NÃO
Dar respostas que impeçam as pessoas de E D.M. SIM
Não saber recusar
doces (festas e casa continuar a oferecer doces. E
de amigos
Idem+ lembrar de situações desagradáveis G M.A. NÃO
suscitadas por estar gorda... EE
Fixar uma cota de doces. G M.C. SIM
Falta de condições Comprar fruas e verduras ao invés de doces e G M.A. SIM
financeiras para iogurte. Comprar no CEASA. Usar menos óleo M.E. NÃO
comprar frutas e para economizar.
verduras
Comprar frutas e verduras da estação. G L.M. SIM
Fazer horta em casa.

Conservar verduras em plástico na água. G M.E. NÃO


Não ter geladeira Plantar em casa... NÃO
L.M.
Comer para passar Praticar atividade reforçadora em substituição ao E D.M. SIM
o tempo comer.

E M.A. SIM
Sentir muita fome e Mastigar lentamente e fazer pausa após cada
comer muito às grupo de alimento (carne, salada etc.)
refeições

Sistema de economia de fichas (uma moeda para E L. SIM


Comer doces no
cada doce não comido), comprar um presente para
trabalho (bar)
si como o dinheiro...

Pedir para colocar menos arroz e feijão. Comer Nutricionista (N) L. SIM
Comer em um
bandejão primeiro a salada e carne, o feijão e o arroz no
final.

Enjoar verduras e Mudar cardápio. (N) M.C. SIM


frutas

Quadro 4. Dificuldades relatadas pelos sujeitos para o seguimento da 1ª


etapa do programa desenvolvido por Heller (1990).
16
A autora relata que a adesão é apenas parcial, já que o sujeito não realizava a atividade sistematicamente.

75
Universidade da Amazônia

(continuação do Quadro 4)
SUGESTÃO FONTE DA
DIFICULDADE SUJEITOS ADESÃO
SUGESTÃO
Fazer e comer bolo Não fazer bolo em casa. Ussar gelatina dietética. N M.C. SIM

Não discriminar o Utilizar a tabela de composição química. N M.H. SIM


teor calórico dos
alimentos

Não saber escrever Descrever o conteúdo de suas refeições a partir E. e G. M.H. SIM
para usar a folha de do manual de alimentação
registro

Fazer bolo a pedido Esconder o bolo para não vê-lo. G. E. SIM


da família e comê-lo
Fazer bolo só no final de semana. Comer uma E. E. SIM
fatia no sábado e outra no domingo (cota).

Gostar de fazer mais Fazer e esconder. E. E. SIM


do que de comer Fazer outra atividade (visitar pessoas, crochê).
doces

Desejar comer os Comprar para os filhos frutas ao invés de doces. G. M.E. NÃO
doces dos filhos

A autora destacou que, em ordem de frequência, as dificulda-


des mais relatadas pelas participantes foram: a velocidade acelerada ao
comer (pouca mastigação), inatividade física, predileção por doces, fa-
tores socioeconômicos, comer em resposta à exposição a estímulos aver-
sivos e; habituação ao cardápio. A autora avaliou que:

Em suma, observou-se que, nesta primeira etapa do


programa, ocorreram modificações no comportamento
alimentar dos sujeitos nos seguintes aspectos: velocidade
de mastigação e pausas durante as refeições, horário e
local para as refeições, diminuição da ingesta e
balanceamento da dieta (HELLER, 1990, p. 72).

A autora pontuou, ao avaliar a eficácia das técnicas utilizadas,


que diferentemente do estudo de Kerbauy (1972), no qual as técnicas
de controle de estímulos, atividades incompatíveis e garfadas espaça-
das foram indicadas como o conjunto básico de técnicas para a aquisi-
ção de autocontrole do comportamento alimentar, em seu estudo, os
sujeitos elegiam as pausas durante as refeições, ao invés das garfadas
espaçadas, como técnica de maior eficácia, tempo este que foi utilizado

76
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

para a feitura de trabalhos domésticos, os quais eram de responsabili-


dade das participantes.
Com relação à segunda fase do programa, a autora relatou ter
sido necessário constituir-se um novo contrato, que para alguns sujei-
tos envolveu perda de peso e manutenção do mesmo, devido ao pouco
peso perdido na primeira fase e, para outros, se restringiu apenas à
manutenção do peso perdido. Os resultados mostraram variabilidade
intersujeitos como relatou a autora no trecho abaixo:

A média inicial do índice de excesso de peso era de 29,56,


passando para 14,29. O sujeito que mais diminuiu seu índice
de excesso de peso foi D. M.: de 53,8 para 28,2. Dois sujeitos
apresentaram no final do programa índice de excesso de
peso negativo: L. -1,1; M. C. -1,5.
Outros sujeitos também reduziram seus índices de excesso
de peso a números abaixo do considerado obeso (20%)
permanecendo em torno de 10%. Somente três sujeitos estão
pouco acima dos 20% (HELLER, 1990, p. 74).

A autora iniciou a segunda etapa do programa após as festas de


final de ano. Neste contexto, três sujeitos prosseguiram a perder peso
e três engordaram. Os três primeiros relataram ter continuado a usar as
estratégias aprendidas, ter cumprido a dieta e mantido o exercício. Os
três sujeitos que engordaram alegaram não ter seguido a mesma con-
duta, ficando sob o controle das consequências imediatas do comer em
excesso. Outro aspecto que chama atenção no comportamento dos su-
jeitos que emagreceram foi que todos “... Mostram pensamentos foca-
lizados em atividades diferentes da superalimentação” (HELLER, 1990,
p.75-76). Chamam atenção igualmente, as alegações de um dos sujeitos
que engordou, de que enfrentou problemas familiares, confirmando a
literatura, que afirma ser a resposta de superalimentação reforçada
negativamente. Outra alegação para o ganho de peso foi a condição
financeira dos sujeitos que impedia o acesso a alimentos perecíveis
(verduras e legumes) durante todo o mês.
Partindo da associação do uso de estratégias de perda de peso,
amplamente defendidas na literatura, a autora realizou inicialmente um
levantamento das estratégias mais frequentes e menos frequentes, as
explicações para esta seleção e os efeitos em termos de perda de peso.
Os resultados mostraram que as estratégias mais usadas fo-
ram comer em um só local, mastigar bem, usar pouco sal, não repetir
o prato e fazer pausa durante as refeições. A autora indicou que estu-

77
Universidade da Amazônia

dos semelhantes chegaram mais ou menos ao mesmo resultado e que


os autores alegaram que estratégias deste tipo são de mais fácil ma-
nutenção que estratégias que envolvam o autorreforçamento. A au-
tora, no entanto, encontrou uma diversidade muito grande de justifi-
cativas para a seleção das estratégias. A estratégia menos usada foi
descansar o garfo/garfadas espaçadas. Os sujeitos alegaram que des-
cansar o garfo é percebido por eles como “perda de tempo”, uma vez
que todos são extremamente ocupados durante o dia. A autora, por
fim, relatou não ter identificado relação entre o uso de estratégias e a
perda de peso. Para exemplificar a questão, a autora referiu-se a uma
situação específica:

O caso de E. é ilustrativo, pois este sujeito, embora tenha


utilizado as estratégias em maior freqüência, proporcio-
nalmente a esta utilização, este sujeito emagreceu menos
que MH; supõe-se que variáveis biológicas estejam influ-
enciando na perda ponderal (HELLER, 1990, p. 84).

A autora inventariou as situações e os motivos que estão mais


frequentemente associados à superalimentação, a partir de registros
realizados pelos sujeitos que descreviam as situações em que este com-
portamento ocorre e os motivos para o mesmo. Os resultados mostra-
ram que os motivos alegados com mais frequência são a tristeza, a pre-
ocupação e o nervosismo. As situações desencadeadoras da superali-
mentação são as mais diversas, desde reuniões sociais até situações
familiares e profissionais. A autora afirmou que há uma relação estreita
entre ganho de peso e superalimentação, mas que esta relação só seria
bem compreendida com o levantamento da quantidade exata de ali-
mentos ingeridos (porções).
Durante esta segunda etapa, a autora introduziu uma ficha de
registro de atividade física, o que na opinião dela teve efeito sobre o
comportamento dos sujeitos. A autora, informou, por outro lado, que
nesta etapa não foi requerido o preenchimento da ficha de registro ali-
mentar, e que foi possível inferir apenas pelos níveis de redução de peso
que o consumo de alimentos calóricos foi reduzido.
A autora procurou saber, por meio das discussões em grupo,
qual o significado da “festa” para os sujeitos, espaço onde frequente-
mente estes sujeitos diziam não resistir a alimentos hipercalóricos. A
análise da verbalização confirmou a associação entre festa e comida. A
autora, então, introduziu o treino de um repertório social a ser usado

78
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

em situações festivas. Os resultados desse treino mostraram que sete


dos oito sujeitos passaram a não ingerir alimentos nessas situações. O
único sujeito que não modificou seu comportamento afirmou ser este
o único lugar em que é possível ingerir estes alimentos, e que prosse-
guiria a fazê-lo. O caso deste sujeito exemplificou bem o efeito da pri-
vação sobre a superalimentação.
A autora relatou que ao final de 15 semanas, três dos oito sujeitos
aumentaram de peso, sendo que os relatos colhidos dos mesmos indi-
caram que neste período foram expostos novamente a situações es-
tressantes. Sobre esta questão ela afirmou: “Estes resultados nos fa-
zem supor que este padrão comportamental (de superalimentação em
situações estressantes) dificilmente será alterado, o que põe em risco a
manutenção do peso perdido” (HELLER, 1990, p. 90).
A autora destacou e descreveu pormenorizadamente a trajetó-
ria de dois sujeitos (M.H. e L. M.) no programa, com vistas a utilizar
estes dados na construção das considerações finais de sua disserta-
ção. M. H., 18 anos, com índice de excesso de peso de 32,1 %, não
frequentava escola e era semi-analfabeta, fato este que a levou a
ingressar no programa mediante o acordo estabelecido com seus fa-
miliares de cooperação na execução das tarefas escritas, o que perdu-
rou apenas até a primeira etapa do programa. No início da segunda
etapa, M. L. pretendia se retirar do programa, haja vista que seus fa-
miliares se recusavam a prosseguir com o auxílio na leitura. A autora
indicou este, como o momento em que houve um investimento do
grupo e dela mesma, na confecção de materiais (fichas) adaptados à
compreensão de M. H., utilizando desenhos e referências externas
para a contagem de tempo (horas ditas no rádio; o surgimento e movi-
mento do sol e da lua). M. H. obteve durante as duas etapas do progra-
ma perda de peso modesta, mas constante, chegando a ganhar peso
em alguns momentos da segunda etapa, mas voltando a perdê-lo no
seguimento. Na avaliação da autora:

Os resultados obtidos com M. L. foram muito positivos, pois


esse sujeito não só perdeu peso, como também modificou
seus hábitos alimentares, adquiriu noções sobre
balanceamento dietético e aumentou sua atividade física.
No final do programa, era capaz de escrever várias palavras,
apresentava uma caligrafia legível e estava matriculada
em uma escola pública.

79
Universidade da Amazônia

Este caso, mostra as dificuldades encontradas por profis-


sionais que trabalham com populações de analfabetos.
Os materiais estrangeiros nem sempre podem ser utiliza-
dos, necessitando uma adaptação. Parece importante que
se realize mais pesquisas na área, e que sejam divulgadas
as soluções encontradas nos diversos trabalhos (HELLER,
1990, p. 95).

L. M., 16 anos, trabalhava como babá por meio período, ao ingressar


no programa apresentava índice de excesso de peso de 31 %. Seu ingresso
no programa foi motivado pelo estabelecimento, por parte do médico, da
perda de peso como pré-requisito para a realização de uma cirurgia plástica
nas mamas. L.M. relatou que enfrentava muitas dificuldades financeiras,
algumas delas que interfeririam no seguimento das recomendações ali-
mentares, como não possuir geladeira. Além disso, identificou-se que L.M.
apresentava eventos de superalimentação após brigas com a mãe e que no
trabalho procurava se alimentar, já que em casa só existia, em geral, pão e
macarrão. Embora, os seus patrões fossem vegetarianos, doces e gulosei-
mas eram francamente disponibilizadas para os filhos e para ela não existia
qualquer restrição no acesso ao alimento.
Outros fatores também afetaram o processo de perda-de-peso
L. M., tais como: alegava ter um trabalho muito cansativo; fazia o míni-
mo de atividade física; alegando que morar em local muito perigoso
para realizá-la no período da noite; alegava não poder construir uma
horta por morar em terreno pequeno.
A análise quantitativa do desempenho de L. M. indicou que a
mesma foi o sujeito que teve a menor redução de peso do grupo. Por
outro lado, a autora chamou a atenção para a necessidade de realização
da análise qualitativa de seu desempenho:

Observa-se resultados modestos em termos quantitativos.


Entretanto, uma análise qualitativa dos resultados mostra
modificações nos hábitos alimentares do sujeito, tais como:
fixar horários e local para as refeições, mastigar bem os alimentos
e aumentar o consumo de saladas (HELLER, 1990, p. 99).

Ao final do programa, o sujeito foi submetido à cirurgia plástica


pretendida, uma vez que seu índice de excesso de peso estava em 22, 9
%, valor este que representa um risco moderado à saúde.
Por fim, à altura das Considerações Finais, a autora indicou que
os resultados, demonstraram, do ponto de vista quantitativo, que hou-

80
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ve perda de peso tanto na primeira, quanto na segunda etapa, a ponto


de dois dos oito sujeitos terem atingido o peso ideal e os outros terem
reduzido seu excesso de peso 24%, no mínimo.
Na discussão dos dados do ponto de vista qualitativo, a autora
apresentou indicativos e reflexões importantes para a compreensão do
desempenho dos oito sujeitos. Inicialmente, a autora mostrou que dos
quatro hipertensos que participaram do programa, três reduziram o peso
para um índice menor que o considerado para aferir Obesidade, dimi-
nuindo os riscos para a saúde física, com reflexos na longevidade dos
indivíduos.
Outro aspecto destacado foi o impacto da perda de peso na vida
social dos sujeitos. A redução de peso permitiu que o deslocamento
dos mesmos em transporte público se desse de forma tranquila, alguns
passaram a vestir certos tipo de roupa (calça jeans, por exemplo) que
antes não podiam em virtude da numeração e passaram a frequentar
festas e reuniões sociais. Sobre este último efeito, a autora advertiu
para a associação entre excesso de comida-riqueza-fartura, que geral-
mente se verifica na percepção da situação de festa por indivíduos de
baixa-renda. Para a autora, o valor cultural do alimento pode dificultar
a modificação de hábitos alimentares nestas situações.
Além disso, o programa foi capaz de produzir efetiva modifica-
ção em seus hábitos alimentares, a autora listou algumas delas no tre-
cho abaixo:

Atualmente, comem mais salada e legumes, não repetem


os pratos quentes, mastigam bem os alimentos, estabele-
cem horário e local para as refeições, adquiriram noções
sobre balanceamento dietético, sendo capazes de identi-
ficar o valor calórico e nutricional dos alimentos que inge-
rem (HELLER, 1990, p. 102).

Sobre esta questão, a autora incitou a reflexão ao dizer que:

Não existe tratamento específico para esse tipo de popu-


lação no que concerne à dieta pois, em geral, os alimen-
tos prescritos em dietas hipocalóricas são caros e inaces-
síveis... Parece que alegar dificuldades econômicas é mais
simples e fácil que admitir a dificuldade na introdução
de novos hábitos, especialmente alimentares (HELLER,
1990, p. 104).

81
Universidade da Amazônia

Neste ponto, a autora ainda ressaltou a necessidade da família


como um todo alterar seus hábitos alimentares.
No que diz respeito à atividade física, sete dos oito sujeitos
incluíram sistematicamente esta atividade em seu cotidiano, a despei-
to do fato de todos serem trabalhadores braçais e desenvolverem ativi-
dades extremamente cansativas, por conta de sua condição econômica.
A este respeito, a autora traçou a seguinte reflexão:

[...] Nesse estudo pode-se afirmar que, a partir do momento


que passaram a registrar sistematicamente sua atividade
física diária, os sujeitos não só aumentaram-na, como também
perderam peso. Continuam, entretanto, apresentando o
mesmo nível sócio-econômico e desempenhando o mesmo
trabalho braçal (HELLER, 1990, p. 106).

A autora pontuou que as relações de cooperação que se desenvol-


veram entre os membros do grupo, sem dúvida, funcionaram como variá-
veis controladoras importantes dos novos hábitos adquiridos durante o
programa. Além disso, estas relações foram decisivas no sentido de ofere-
cer alternativas aos problemas relatados pelos sujeitos, na medida em que
o grupo apresentava soluções adequadas para a sua realidade.
Outro aspecto levantado pela autora foi a interferência de variáveis
biológicas no processo de redução de peso. Os dados da entrevista inicial de-
monstraram que a maior parte dos sujeitos já havia se submetido a dietas
hipocalóricas, perdido e retornado ao peso anterior (efeito sanfona), bem como,
eram egressos de famílias que tinha membros próximos com Obesidade e já
apresentavam Obesidade desde a infância ou a tinham adquirido há certo
tempo (uso de remédios e gravidez). A autora observou que questões meta-
bólicas e/ou genéticas interferem no ritmo da perda de peso e podem levar à
necessidade de fixar metas de perda de peso individualizadas, ao invés de
grupais (meio a um quilo por semana) como ocorreu nesse estudo.
A análise dos trabalhos deste período revelou que, embora a
maioria dos estudos tenha tido como participantes mulheres, um dos
estudos analisados contou com uma participação expressiva de homens
(CUNHA, 1985b).
A maior parte das pesquisas analisadas (3/5) foi do tipo experi-
mental. Nas três pesquisas experimentais analisadas, bem como em toda
a literatura que as consubstanciou, observaram-se relatos de grande va-
riabilidade intersujeitos com relação à perda de peso. No entanto, na
discussão dos resultados, eixos de explicação bastante diversos foram

82
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

observados. Cunha (1985b) optou por atribuir esta variabilidade ao estilo


de autorreforçamento; por outro lado, Heller (1990) resolveu argumen-
tar na direção de identificar as técnicas ensinadas que tinham tido mais
dificuldades de ser implementadas pelas participantes, levando em con-
sideração a história de cada um e seu nível socioeconômico.
Os dois outros trabalhos que não eram experimentais tomaram a
forma de pesquisas bibliográficas. Estas pesquisas tiveram um traço co-
mum: realizaram um levantamento de pesquisas clínicas e experimen-
tais (em maioria) no campo da Análise do Comportamento e Obesidade e
tiveram a intenção de propor programas, mais ou menos estruturados,
baseados no dados dessas pesquisas. A análise comparativa desses pro-
gramas permite notar que: 1. indicam a necessidade de análise funcional
prévia do comportamento alimentar; 2. indicam como uma das dificulda-
des para a instalação de novos hábitos alimentares o controle exercido
pelos estímulos antecedentes; 3. indicam a automonitoria do comporta-
mento alimentar como técnica básica, visando a propiciar condições para
que o obeso discrimine as contingências das quais o seu comportamento
alimentar é função; 4. indicam a necessidade da introdução de atividades
físicas, de preferência registrando-as; 5. indicam a necessidade de plane-
jamento alimentar e; 5. indicam a necessidade da ampliação do repertó-
rio comportamental do obeso, pela instalação de comportamentos con-
correntes ao comportamento de comer excessivamente e pelo favoreci-
mento do contato com outros reforçadores além da comida.
Com relação às indicações feitas pelos programas, a análise dos
dados das três pesquisas experimentais dessa década suscita algumas
reflexões. A pesquisa de Heller (1990) demonstrou, que a simples intro-
dução de uma ficha de registro de atividade física, mesmo sem o estabe-
lecimento de metas, foi capaz de aumentar e/ou tornar mais constante a
atividade física da maioria de seus sujeitos (7/8). Este aspecto é especial-
mente importante, já que até aqui os procedimentos expostos enfatiza-
ram a automonitoria apenas do comportamento alimentar, não esten-
dendo esta técnica a outros comportamentos interligados e partícipes do
processo que culminou na construção do quadro de Obesidade.
Este mesmo estudo também dá outra contribuição importante
no sentido de ampliar o espectro de comportamentos-alvo de inter-
venção em programas comportamentais de combate à Obesidade: a
introdução do treino de repertório para situações sociais (sobretudo
festas) que envolvam alimentos. Neste sentido, a observação de que
7/8 dos sujeitos foram capazes de controlar a ingesta nestes contex-

83
Universidade da Amazônia

tos, a despeito das contingências dispostas, mostra uma linha interes-


sante de intervenção e de pesquisa: a relação entre repertório de
habilidades sociais, superalimentação e Obesidade.
Destaca-se ainda, nesta década, a indicação de Heller (1990) do
papel representado pelo grupo de participantes para o estabelecimen-
to dos novos hábitos alimentares de cada um dos seus membros, na
medida em que partiu diversas vezes do próprio grupo a iniciativa de
buscar alternativas para a implementação das estratégias componen-
tes do programa no dia-a-dia. Este dado fica especialmente interessan-
te se cruzado com os obtidos por Kerbauy (1972; 1977), em que o menor
desempenho, em termos de perda de peso, ocorreu nos sujeitos que
foram atendidos em grupo. Neste sentido, parece ser bastante signifi-
cativa a realização de pesquisas sobre o papel do grupo na adesão ao
programa e na redução de peso, como sugere Heller (1990).
Afirmações com relação à dificuldade em garantir a manuten-
ção do peso atingido no período de follow up e com relação à necessida-
de de individualizar os critérios e as metas de perda de peso são nova-
mente retomadas nos textos dessa década, indicando a sua pertinência
e a ausência de pesquisa nesta direção.

4.3 A PESQUISA NA DÉCADA DE 90

Foi identificado nesta década um conjunto de 14 trabalhos, dis-


tribuídos da seguinte forma: sete resumos publicados em anais de con-
gresso; um resumo publicado em periódico; três artigos; duas mono-
grafias de conclusão de curso de especialização e; um trabalho de con-
clusão de curso de graduação em Psicologia.
A análise qualitativa da produção dessa década abarcou direta-
mente cinco trabalhos. No entanto, na análise dos trabalhos, percebeu-
se que dois dos trabalhos não obtidos foram integralmente apresenta-
dos na forma de dissertação de mestrado um ano depois, dissertação
esta captada e analisada dentro do conjunto de trabalhos pertencentes
ao período de 2001 a 2004. Além disso, a leitura e análise do artigo de
Smokowicz (1997) relevou que ele abarca o conteúdo integral da mono-
grafia da autora não captada, o que permite dizer que a mesma compõe
nossa análise sobre a produção dessa década. Sendo assim, podemos
considerar que ao todo, foi possível compor a análise qualitativa de oito
trabalhos deste período, um número bastante representativo da pro-
dução do mesmo (57,14 %).

84
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Brandão, Neves e Silveira (1994) relatam brevemente, em forma de


resumo, a pesquisa desenvolvida durante psicoterapia de grupo com indiví-
duos obesos. O objetivo da pesquisa em questão foi avaliar os efeitos do uso
de estratégias de intervenção baseadas no controle pelas contingências dis-
postas nas sessões sobre a mudança nos hábitos alimentares de obesos.
Segundo os autores, estudos anteriores priorizavam o estabelecimento de
controle instrucional (regras) em detrimento do “controle vivencial” (con-
tingências). Participaram da pesquisa nove obesos que frequentavam ses-
sões de psicoterapia de grupo semanalmente. Durante o período de inter-
venção, “A abordagem vivencial foi adotada para trabalhar questões relati-
vas à autoimagem, percepção dos estados corporais, atribuição da respon-
sabilidade do problema da Obesidade, entre outras” (BRANDÃO, NEVES e
SILVEIRA, 1994, p. 56). Além dessa estratégia, adotou-se a análise funcional
da relação terapêutica nas sessões. Os resultados mostraram redução de
peso de 4.500 gramas, em média, para sete dos nove obesos; manutenção do
peso inicial em um obeso e ganho de peso de 1.200 gramas em outro
obeso participante. Os dados apresentados compreenderam a com-
paração do peso inicial com peso aferido no final da 16ª sessão. Os
autores concluíram que as estratégias utilizadas – abordagem vivenci-
al e análise funcional do comportamento (públicos e privados) dos
terapeutas nas sessões – foram responsáveis pelo estabelecimento
do contato dos obesos com as contingências relacionadas à Obesida-
de e pelas mudanças observadas em seus comportamentos17.
Florenzano (1994) realizou uma pesquisa com os indivíduos obe-
sos atendidos pelo projeto de extensão do curso de Psicologia da Uni-
versidade Estadual de Londrina - PR “Autocontrole no tratamento da
Obesidade”, que visava a identificar as razões alegadas para a desistên-
cia do programa. O programa era voltado para pessoas que desejavam
reduzir e/ou manter o peso, e tinha como objetivo principal propiciar
condições para que as mesmas passassem a ser capazes de:

[...] Analisar e compreender suas dificuldades, com relação


ao hábito alimentar, podendo continuar seu tratamento
sozinho após o encerramento do programa. Perder peso
deverá se tornar uma conseqüência boa e importante, mas
não imprescindível para o sucesso do tratamento

17
O texto do resumo não esclarece se a análise funcional da relação terapêutica era feita durante as
sessões na presença dos sujeitos e se as mudanças que foram observadas se referem aos hábitos
alimentares e/ou outros comportamentos dos indivíduos relacionados à Obesidade, como é o caso da
atividade física.

85
Universidade da Amazônia

(FLORENZANO, 1994, p. 10).


Os obesos, após avaliações médica, nutricional e de capacidade físi-
ca, foram encaminhados para o atendimento psicológico, responsável ini-
cialmente pela formação dos pequenos grupos para atendimento sema-
nal. A intervenção psicológica tinha por objetivos levar os participantes a:

[...] Se comprometerem com a dieta e exercícios indicados


pelas outras áreas através de: reconhecimento da
impropriedade de seu próprio peso; assumindo
responsabilidades pelo seu próprio peso, dieta e mudança
de vida que se fizeram necessárias; desenvolvendo o auto-
conhecimento; melhorando a auto-estima; identificando e
analisando a função que o comer ou o manter-se gordo
tem na sua vida; analisando e alterando comportamentos
abertos ou privados que colaboram na manutenção do
excesso de peso e desenvolvendo gradualmente controle
sobre sua vontade, sensação e outros sentimentos
(FLORENZANO, 1994, p. 10 - 11).

O programa continha em seu desenvolvimento outras ativida-


des específicas de cada uma das três outras áreas envolvidas: Medicina,
Nutrição e Educação Física. Apesar da elevada demanda, expressa no
grande volume de inscrições, o programa que tinha duração de um ano
apresentava uma taxa considerável de evasão (68,5% em 1993, ano da
coleta de dados da pesquisa), o que motivou a prática de incluir novos
membros em grupos onde ocorreram desistências.
Participaram da pesquisa nove obesas, sendo seis pacientes
desistentes e três pacientes não desistentes de um dos grupos subme-
tidos ao programa no ano de 1993, com o mínimo de um mês de partici-
pação. A pesquisa desenvolvida pela autora se estruturou em torno dos
seguintes objetivos principais: 1. no grupo de pacientes desistentes:
identificação dos motivos e das causas da desistência; 2. no grupo de
pacientes não desistentes: identificar os motivos para a sua permanên-
cia; 3. obter a avaliação dos dois grupos de pacientes sobre a atuação
das diferentes áreas (Psicologia, Nutrição, Medicina e Educação Física);
4. Analisar os motivos e as avaliações feitas pelos dois grupos sobre as
áreas e; sugerir mudanças no programa para reduzir a evasão.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista individual,
desenvolvida por meio de dois instrumentos: 1.Questionário com uma
questão aberta “Qual ou quais foram as razões para você ter desistido de
participar do projeto?” (para as pacientes desistentes) e “Qual ou quais

86
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

razões a fez continuar participando com o projeto?” (para as pacientes não


desistentes) e; 2. questionário com questões fechadas que solicitavam o
parecer de cada paciente sobre cada uma das atividades desenvolvidas
pelas quatro áreas, para as quais o paciente indicaria considerar “Positivo”
ou “Negativo”. No caso das pacientes desistentes foi oferecida uma lista de
sete justificativas/razões para a sua desistência, para que as mesmas indi-
cassem qual se enquadraria em seu caso e especificassem de que forma.
A autora, no início da seção Resultados, historicizou o processo
de composição do grupo de onde as nove participantes da pesquisa eram
oriundas. A composição inicial do grupo contava com 18 pacientes, após
um mês de funcionamento oito pacientes desistiram do programa, fato
este que não gerou ingresso de nenhum novo membro, uma vez, que o
grupo já havia sido considerado muito grande no início. Em meados do
ano, mais cinco pacientes desistiram do programa, sendo substituídas
por outras em mesmo número. Três das seis pacientes desistentes entre-
vistadas pertenciam às oito pacientes que desistiram com apenas um
mês de participação no grupo. Para estas pacientes foi aplicada apenas o
primeiro instrumentos de coleta de dados, já que o curto tempo de per-
manência não permitiria um julgamento adequado das questões refe-
rentes ao segundo instrumento. Com relação ao restante da composição
do grupo, o texto da autora apresentou algumas contradições observadas
na comparação de dois trechos distintos:

[1º trecho:] Foram entrevistados seis pacientes desistentes e


três pacientes não desistentes [e;] (FLORENZANO, 1994, p. 14)
[2º trecho:] Para essas três pacientes que desistiram em
torno de um mês, foi aplicado apenas a primeira etapa da
entrevista, justamente por elas não terem freqüentado o
projeto tempo suficiente para poderem avaliar as atividades
das áreas. Já das outras seis pacientes desistentes, o tempo
de participação no projeto foi de aproximadamente cinco
meses, e por isso foram submetidas às duas etapas da
entrevista (FLORENZANO, 1994, p. 16).

Da forma como está colocado no texto, fica a dúvida sobre a dis-


tribuição da amostra entre pacientes desistentes e não desistentes. A
despeito disso, a autora apresentou os motivos alegados para a desistên-
cia: A - mudança de horário (do grupo); B - falta de tempo; C - melhoras
em aspectos como depressão, autoaceitação, autocontrole, autoconhe-
cimento; D - estar doente; E - falta da área médica; F - orientação inade-
quada das nutricionistas; G - falta de companhia para frequentar o grupo;

87
Universidade da Amazônia

H - ocupação com outras atividades; I - falha na área de educação física; J


- local de funcionamento do grupo era de difícil acesso; K - dificuldade
com recém-nato e; L - estar fazendo tratamento à base de remédios para
emagrecer. Para favorecer a interpretação dos resultados, a autora infor-
mou que no período de tempo analisado não esteve disponível o atendi-
mento médico periódico. Além disso, a autora informou que os motivos
J, K e L foram dados pelas três pacientes que deixaram o grupo com ape-
nas um mês, destacando que o motivo L conflitava com um dos critérios
de permanência no grupo: não fazer uso de medicação com este fim.
A autora apresentou as respostas das pacientes desistentes com
relação às quatro áreas que compõem o programa. Os resultados mos-
traram que a área médica foi avaliada como 100 % negativa pelas paci-
entes, a área nutricional obteve uma avaliação equilibrada com distri-
buição igual entre pontos positivos e negativos. A Educação Física foi
considerada predominantemente negativa e, por outro lado, a área psi-
cológica foi julgada positiva. Para favorecer a compreensão dessas ava-
liações, a autora apresentou as respostas dadas pelas pacientes acerca
dos motivos para desistência, desta feita disponibilizando uma lista
para a escolha. Os resultados mostraram que os mais encolhidos foram:
“ausência de alguma área” (três pacientes), “dificuldade em seguir nor-
mas do grupo (horário, dias, duração)” (dois pacientes) e “expectativa
contrária à proposta do projeto” (uma paciente). Uma vez que as res-
postas ainda eram justificadas, a autora acrescentou que as pacientes
que selecionaram “ausência de alguma área”, indicaram as áreas de
Medicina e Educação Física. As que escolheram “dificuldade em seguir
normas do grupo” alegaram a mudança de horário de funcionamento
do grupo e, a que indicou a “expectativa contrária à proposta do proje-
to”, afirmou ter procurado o programa para obter rápida perda de peso.
Com relação aos dados obtidos com as pacientes não desistentes,
a autora destacou que todas indicaram que o trabalho realizado pela Psi-
cologia foi o fator decisivo para a sua permanência, uma vez que favore-
ceu o autoconhecimento e a autoaceitação. Com relação à avaliação, que
estas pacientes faziam acerca de cada uma das quatro áreas de atuação
do programa, os dados demonstraram que a Psicologia teve um avaliação
100% positiva, a Medicina e a Nutrição obtiveram uma avaliação predo-
minantemente positiva e a Educação Física obteve, por outro lado, uma
avaliação com equilíbrio entre pontos positivos e negativos.
A autora destacou, na seção Discussão, a necessidade da partici-
pação das quatro áreas no programa, uma vez que, algumas das justifi-

88
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

cativas para a desistência foram falhas no funcionamento das áreas de


Medicina, Nutrição e Educação Física. Este dado, segundo a autora, re-
forçou a idéia de Stuart em 1980, exposta pela autora em sua funda-
mentação teórica, de que as falhas na perda de peso não podem ser
atribuídas apenas aos sujeitos, mas podem estar associadas ao delinea-
mento experimental do programa. Baseado no pensamento desse au-
tor, Florenzano (1994, p. 24) infere que:

[...] Pode-se levantar a hipótese de que as técnicas de


educação física e da nutrição, de alguma maneira talvez
tenham se comportado da maneira como Stuart (1980)
ressaltou, dando excessiva atenção à diminuição, sem se
preocuparem em reforçar os sucessos das pacientes e
também em observar e criar condições para que o indivíduo
manipule a situação precedente, isto é, a urgência de se
alimentar entrevista.

A autora acrescentou a esta possibilidade uma outra, segundo a


qual as justificativas dadas pelas desistentes poderiam ser na verdade “des-
culpas”. Para consubstanciar esse eixo de análise, a autora referiu-se a Schon-
bach em 1985, uma vez que este autor indicou a existência de benefícios
nas desculpas formuladas pelos obesos, que se traduzem na mudança do
lócus de atribuição da causalidade do obeso para fora dele. Desta forma,
acusar áreas de não ter fornecido tratamento adequado seria mais fácil do
que assumir suas próprias responsabilidades. Neste sentido, a autora reca-
pitulou a discussão de Hirschamann e Munter em 1991, que afirmaram ter o
excesso de peso função de justificar “... Incapacidades em produzir respos-
tas sexuais adequadas no companheiro” (FLORENZANO, 1994, p. 24-25).
Outros exemplos de justificativas para a desistência são questionados pela
autora, como “morar longe do Campus Universitário”, fato este de conheci-
mento prévio de todas as participantes ao ingressar no programa.
A autora analisou os resultados da avaliação das participantes
desistentes e não desistentes em relação à área psicológica. Para am-
bos os grupos de pacientes, esta foi a única área considerada predomi-
nantemente positiva, o que na visão da autora é justificado pelo fato de
que a maioria dos obesos come excessivamente em respostas à exposi-
ção a situações ansiogênicas e que para o planejamento de comporta-
mentos alternativos ao comer, nestas situações, é preciso que o indiví-
duo identifique os contextos ansiogênicos e passe a controlar o com-
portamento de comer.

89
Universidade da Amazônia

A autora, sugeriu, ao final do trabalho, as seguintes modificação


no programa: 1. enfoque predominante clínico no atendimento psico-
lógico; 2. participação esporádica das outras áreas fornecendo orienta-
ções; 3. implementação do levantamento das causas da desistência do
programa por meio de ficha aplicada no momento da comunicação da
mesma e; 4. implementação do levantamento das causas que contribu-
íram para a permanência dos pacientes no programa aplicada no final
de cada ano.
Silveira e Kerbauy (1995) realizaram uma pesquisa que tinha
como objetivo identificar os fatores envolvidos na manutenção do peso
após a exposição a um programa comportamental de redução de peso.
As autoras introduziram a questão de pesquisa destacando a evidente
dificuldade de programas comportamentais de redução de peso produ-
zirem efeitos duradouros em termo de manutenção. O que tem, segun-
do elas, contribuido para a construção de críticas a estes programas e às
dietas em geral, já que outros estudos têm mostrado que a flutuação no
peso é mais perigosa para a saúde do que o próprio nível elevado de
excesso de peso, desde que ele se torne estável.
Participaram da pesquisa 15 mulheres obesas que se encontra-
vam em fase de manutenção, definida pelas autoras “... Menos de seis
meses pós-tratamento” (SILVEIRA e KERBAUY, 1995, p.13), das quais cin-
co ainda frequentavam um programa de autocontrole no tratamento da
Obesidade. As autoras aplicaram um questionário com perguntas aber-
tas. Acerca dos resultados obtidos, as autoras descrevem que:

Dois terços das mulheres garantiram que sempre usaram


as técnicas ensinadas pelo programa. Mastigar
adequadamente os alimentos, apesar de ser uma das
técnicas mais utilizadas, foi também apontada como uma
das mais difíceis de ser executadas, sugerindo que os
sujeitos executaram com mais freqüência aquelas técnicas
que julgam mais eficazes e não as mais fáceis. Todas
consideraram os encontros semanais do grupo como o fator
mais agradável do programa. A atividade física aparece
como um recurso utilizado pelas pacientes egressas do
programa que têm mantido o peso (SILVEIRA e KERBAUY,
1995, p.13).

As autoras concluem que os resultados obtidos são compatíveis


com os de outras pesquisas que investigaram e comprovaram a efetivi-
dade de programas comportamentais associados à prática de exercícios

90
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

físicos. Por fim, elas indicaram que futuras pesquisas poderiam investi-
gar o papel de variáveis sociais como um “fator motivacional” para o
envolvimento dos sujeitos no programa.
Smokowicz18 (1997) realizou uma pesquisa exploratória com o ob-
jetivo de identificar as estratégias de enfrentamento utilizadas por pesso-
as que fazem dieta em situações de alto risco de recaída, definidas por ela
como: “... Ações ou respostas, de acordo com as habilidades pessoais, para
lidar adequadamente com as situações que possam colocar em risco o au-
tocontrole quanto ao comportamento de ingerir alimentos” (SMOKOWICZ,
1997, p. 78). Além disso, a autora pontuou como seriam definidos os con-
ceitos “recaída” e “manutenção” em relação ao comportamento alimentar:

A manutenção define-se então, como o uso continuado de


regras que regulam a ingestão alimentar. E a recaída é a
violação de uma ou mais dessas regras. A abordagem, que
considera o comportamento adicto como padrão de hábi-
tos adquiridos, considera que uma recaída pode ser vista
como um erro único, um engano, um deslize, um lapso.
A probabilidade de ocorrência de um lapso, no comporta-
mento de alimentar-se, vai depender da habilidade da
pessoa em envolver-se em algum comportamento de en-
frentamento, na situação de risco (SMOKOWICZ, 1997, p. 79).

Um aspecto que chama atenção no Referencial Teórico do artigo


é que, apesar da autora referenciar o trabalho de duas Analistas do
Comportamento (RACHEL KERBAUY e JACIRA CUNHA), passa parte des-
se item do artigo a apresentar as idéias de Marlatt em 1993, que inspi-
ram afirmações como a que se segue:

Nos últimos anos, tem havido interesse pelas intervenções


que enfocam a aplicação de programas de autocontrole e
automanejo, em uma grande variedade de transtornos.
Inicialmente, houve a utilização de processos operantes,
como controle de estímulos e técnicas de auto-reforço, mas
as abordagens contemporâneas salientam os componentes
cognitivos, como a reestruturação cognitiva, o treinamento
para a solução de problemas, e a tomada de decisões...
(SMOKOWICZ, 1997, p. 77).

18
Na captação desse trabalho encontrei o sobrenome da autora com outra grafia: Smokiwicz.

91
Universidade da Amazônia

A despeito dessa afirmação, observa-se que a autora utiliza em


sua interpretação dos dados como suporte teórico-epistemológico a
Análise do Comportamento e o Behaviorismo Radical de B. F. Skinner.
A coleta de dados foi dividida em duas fases. Na primeira fase,
a autora ouviu quatorze sujeitos que tinham frequentado programas
comportamentais para a redução de peso e se encontravam no estágio
de manutenção há dois meses no mínimo. Foi aplicado o “Inventário
das habilidades para lidar com situações de risco” (KNAPP e BERTOLO-
TE, 1994), adaptado pela autora para situações relacionadas à Obesida-
de, como objetivo de levantar as situações de maior risco para a recaída.
Neste instrumento, as situações estavam agrupadas em tipos e cada
sujeito selecionou três situações em cada um deles. A aplicação do ins-
trumento foi realizada individualmente ou em duplas.
Com base nos dados colhidos na primeira fase, a autora elabo-
rou um questionário composto pelas situações escolhidas por 44% ou
mais de sujeitos, que foi aplicado a outros seis sujeitos na segunda
fase. Nesta fase, o objetivo era identificar as estratégias de enfrenta-
mento usadas naquelas situações. A aplicação do questionário com res-
postas abertas foi complementada pela realização de entrevistas gra-
vadas acerca das respostas dadas pelos sujeitos.
A análise das respostas dos sujeitos, tanto ao questionário quan-
to na entrevista, foi realizada por três psicólogas. Os resultados da pri-
meira fase levaram a categorização das seguintes situações de maior
risco de recaída: Tipo I - Lidar com emoções negativas; Tipo II - Lidar com
situações difíceis; Tipo III - Lidar com a diversão e o prazer; Tipo IV -
Lidar com problemas físicos ou psicológicos; Tipo V - Lidar com o hábito
de comer em excesso; Tipo VI - Lidar com o tratamento.
As estratégias de enfrentamento foram identificadas e catego-
rizadas da seguinte forma: A - Discriminar sensações corporais de fome
e saciação; B - Fazer planejamento alimentar; C - Discriminar as relações
de contingência; D - Autoverbalização; E - Comportamentos alternati-
vos; F - Viver adequadamente as emoções; G - Recusar alimentos inade-
quados em situações sociais e; H - Autorreforçamento. Ela identificou a
existência da relação da história de aprendizagem de cada sujeito com
a escolha da estratégia de enfrentamento a ser utilizada.
A autora avaliou de forma quantitativa a frequência de utilização
de cada uma das estratégias categorizadas, os dados revelaram que as
estratégias mais utilizadas pelos sujeitos foram a C (31,85%), D (17,15%) e
E (15, 01%), da mesma forma as que apresentaram a menor frequência

92
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

foram G (2,38%), H (5,10%) e A (6,45%). As outras estratégias obtiveram


freqüência que orbitaram em torno de 10,34% a 10,91%. A autora, no
trecho abaixo, inferiu que variáveis do procedimento poderiam ter con-
tribuído para a baixa frequência de utilização da Estratégia G:

[...] nas questões em que apareciam situações específicas


sobre a adequação em recusar alimentos inadequados em
situações sociais, todos os sujeitos responderam de forma
adequada, isto é, que sabem dizer não a alimentos
inadequados oferecidos nessas situações. O índice pouco
aparente nas respostas justifica-se, provavelmente, pelo
número reduzido de questões específicas neste tipo de
situação (SMOKOWICZ, 1997, p. 84).

A autora identificou a frequência da utilização das estratégias


em cada uma das situações investigadas (Tipo I a VI). A estratégia A foi
utilizada mais frequentemente nas situações Tipo III (9,37%) e Tipo V
(13,46%). A estratégia B foi utilizada mais frequentemente nas situa-
ções Tipo III (28,12%) e Tipo V (17,30%). A estratégia C foi utilizada mais
frequentemente nas situações Tipo IV (68,75%), Tipo II (33,33%), Tipo I
(31,14%) e Tipo III (18,75%). A estratégia D foi utilizada mais frequente-
mente nas situações Tipo III (28,12%), Tipo V (21,21%) e Tipo IV (21,43%).
A estratégia E foi utilizada mais frequentemente nas situações Tipo I
(26,22%), Tipo IV (13,13%), Tipo (12,50%) e Tipo V (9,61%). A estratégia
F foi utilizada mais frequentemente nas situações Tipo IV (40%) e Tipo
V (37,5%). A estratégia G só foi escolhida pelos sujeitos em situações do
Tipo V (9,61%). A estratégia H foi utilizada mais frequentemente nas
situações Tipo IV (9,75%) e Tipo V (9,61%). A autora conclui que houve
diferença no nível de frequência da utilização nas diversas situações.
Além disso, a autora problematiza os resultados obtidos nesta análise
ao inferir que:
Considerando-se que a discriminação das relações de
contingências ocorrem por meio do comportamento verbal,
aberto ou encoberto, o que irá permitir a tomada de decisões
sobre a execução de um comportamento alternativo ao
comportamento de comer, surge a questão: o relato das
estratégias utilizadas com freqüência mais altas mostra que
estas são as que apresentam os primeiros elos das cadeias
comportamentais de evitar comer (SMOKOWICZ, 1997, p. 88).

Além disso, a autora destacou a utilização da estratégia F em


situações do Tipo II e IV e sugeriu que, por serem situações que envol-

93
Universidade da Amazônia

vem fortemente as emoções, a forma mais adequada de vivenciá-las é


apresentar comportamentos compatíveis, como chorar e gritar, mas que
estes não se apresentam como comportamentos concorrentes com ou-
tros comportamentos, inclusive o de se alimentar em excesso. Somado
a isso, a autora destacou que a própria vivência da emoção pode criar
condições para uma recaída. Neste contexto, a estratégias mais utiliza-
da para evitá-la é a estratégia de enfrentamento D.
A autora destaca também a alta frequência da seleção das estraté-
gias D, C e B em situações do Tipo III, uma vez que o próprio comer é uma
fonte de prazer, “... Daí a necessidade de se recorrer ao uso de regras e/ou
informações como, por exemplo, um cardápio específico com baixas calori-
as, como parte de um planejamento adequado” (SMOKOWICZ, 1997, p. 89).
Por fim, a autora apontou que todas as estratégias são usadas
quando se trata de combater o hábito de comer em excesso, principal-
mente a estratégia C. Por outro lado, a estratégia H teve a sua utilização
restrita a situações de tratamento (Tipo V) e as que envolvem o hábito
de comer em excesso (Tipo VI).
A autora apresentou ainda um outro eixo de análise, que procu-
rou relacionar o tempo de manutenção e a frequência do uso das estra-
tégias catalogadas. Os resultados mostraram que as estratégias E e B
não apresentaram alteração significativa em sua frequência de utiliza-
ção em função do tempo, bem como a estratégia D demonstrou um
aumento significativo (de 12,11% para 22,20%). A estratégia C se man-
teve como a mais utilizada de todas as estratégias, por outro lado, a
estratégia F teve a sua frequência de utilização reduzida (de 12,27 para
8,40%) ao longo do tempo. Neste sentido, a autora concluiu: “Observa-
se que, ao longo do tempo, a frequência de utilização da maioria das
estratégias de enfrentamento permaneceu inalterada, apenas a estra-
tégia categorizada como autoverbalização [D] aumentou significativa-
mente sua frequência” (SMOKOWICZ, 1997, p. 91).
A autora teceu suas considerações finais sobre os dados no item
Conclusão, ressaltando que dentre as estratégias mais utilizadas por
seus sujeitos esteve a estratégia C (discriminar as relações de contin-
gência), considerada fundamental para a redução de peso e sua conse-
quente manutenção nos mesmos níveis, uma vez que viabiliza que o
indivíduo “... Aprenda a reconhecer e lidar com as situações de alto risco
de recaída” (SMOKOWICZ, 1997, p. 91), o que, segundo ela, é condizente
com o pensamento de Marlatt em 1993.

94
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A autora afirmou, portanto, que o Modelo de Prevenção e Reca-


ída (desenvolvido por aquele autor, provavelmente da Psicologia Cog-
nitiva) está baseado na aquisição e uso da estratégia C, que:

[...] Possibilita o autocontrole, que é um aspecto extremamente


importante para o tratamento da Obesidade e baseia-se no
autoconhecimento. O autoconhecimento é determinado
socialmente e é produto de um processo de discriminação
das relações de contingência, que ocorrem quando o indivíduo
as descreve verbalmente (SMOKOWICZ, 1997, p. 91).

A autora indicou a relevância de pesquisas que identificam e


categorizam estratégias de enfrentamento, sobretudo para a prática
clínica, e indicou a necessidade da realização de replicações e de outras
pesquisas que investiguem a eficácia dessas estratégias com um con-
tingente maior de sujeitos.
Como última produção científica dessa década, temos o artigo
publicado por Heller em 2000 (HELLER, 2000), na Revista Brasileira de
Terapia Comportamental e Cognitiva. A análise do artigo revelou que o
seu conteúdo é uma síntese da dissertação de mestrado da autora (HE-
LLER, 1990), já analisada com o conjunto de textos da década passada.
A análise dos trabalhos dessa década revela uma maior preocu-
pação com a fase da manutenção do peso atingido após a participação
em programas comportamentais de redução de peso, uma vez que dois
dos estudos tiveram como sujeitos indivíduos que se encontravam nes-
sa fase. Os resultados apresentados confirmam a literatura, na medida
em que, apontam como a estratégia de enfrentamento mais utilizada a
discriminação das contingências, que favorece, sem dúvida, a ocorrên-
cia de respostas controladoras como o engajamento em comportamen-
tos alternativos e a autoverbalização, respectivamente a segunda e ter-
ceira estratégias mais usadas. No entanto, os dados de um estudo em
especial, comparados a outros apresentados em outras décadas, cria a
necessidade de mais esclarecimentos sobre o papel do autorreforça-
mento como estratégia de enfrentamento, haja vista que ao menos na
fase de manutenção esta foi a estratégia menos utilizada pelos sujeitos
da pesquisa de Smokowicz (1997).
A atividade física aparece novamente como uma estratégia para a
manutenção do peso e permite cogitar a possibilidade da mesma inte-
grar o conjunto de comportamentos alternativos ao comer, citados na
estratégia D do estudo de Smokowicz (1997).

95
Universidade da Amazônia

O papel do grupo na adesão e no engajamento ao programa foi


novamente enfocado, agora não apenas em pesquisas experimentais,
mas dessa feita, em pesquisas clínicas (BRANDÃO, NEVES e SILVEIRA,
1994). Este mesmo aspecto foi ressaltado já na fase de manutenção,
uma vez que os encontros periódicos com os membros do grupo que se
submeteu ao programa são apontados como extremamente motivado-
res pelos sujeitos (SILVEIRA e KERBAUY, 1995).
Mas foi, sem dúvida, a proposição de uma pesquisa que avaliou
os motivos de desistência de programas comportamentais, a contribui-
ção mais original dessa década, uma vez que, não raro, os trabalhos
anteriores relataram a redução do número de sujeitos durante a aplica-
ção do programa e, a despeito disso, não apresentavam explicações e/
ou hipóteses que conseguissem explicitar as razões. A busca por variá-
veis de procedimento que tenham gerado a desistência permitiu refle-
tir sobre a organização dos programas, seus pontos positivos e negati-
vos. Embora, o trabalho em questão (FLORENZANO, 1994) tenha por
diversas vezes justificado as possíveis falhas do programa, ao invés de
avaliar criticamente suas limitações, permitiu que a voz dos desisten-
tes suscitassem novos e interessantes caminhos de investigação.

4.4 A PESQUISA ENTRE OS ANOS DE 2001 A 2004

Este período representa, por um lado, a menor unidade de tem-


po da amostra de trabalhos analisados (apenas quatro anos) e, por ou-
tro, a maior produtividade registrada (48 trabalhos).
Os trabalhos identificados estão distribuídos da seguinte for-
ma: 22 resumos em anais de congresso, sendo dois em língua inglesa e
20 em língua portuguesa, dos quais três estão disponibilizados on line
no site da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamen-
tal (ABPMC) (www.abpmc.org) e os outros somente na versão impres-
sa; três capítulos de livro, sendo um em língua inglesa; quatro disserta-
ções de mestrado; 13 trabalhos de conclusão de curso; três artigos, sen-
do um em língua inglesa; um resumo em periódico e; dois trabalhos
completos publicados em anais.
A análise qualitativa da produção dessa década abarcou direta-
mente quatorze trabalhos. Este número se ampliou para vinte traba-
lhos, se considerado que alguns desses trabalhos são fruto da mesma
pesquisa, a exemplo do que ocorreu nos períodos anteriores.

96
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Sendo assim, pode-se considerar que ao todo foi possível com-


por a análise qualitativa (41,66%) da produção do período.
Silva (2001) escreve um artigo que tem como objetivo indicar o
que psicólogos comportamentais podem fazer com relação a quadros
de Obesidade. A autora iniciou o texto apresentando algumas falas co-
muns em pessoas obesas acerca da causa do aumento de peso e da
expectativa sobre o processo psicoterápico: “Como porque estou ansi-
osa. Estou gorda assim por causa dessa minha ansiedade. Preciso apren-
der a controlá-la para poder perder peso” (SILVA, 2001, p. 265). Neste
sentido, a autora apresentou as contingências que fortalecem essa com-
preensão da causalidade elaborada pelos pacientes obesos:

- Quando está ansiosa, come (conseqüência positiva


imediata).
- Quando come, engorda (consequência aversiva a médio e
longo prazos).
- Engordando, fica ansiosa.
- E quando está ansiosa...
- Repetindo-se o círculo (SILVA, 2001, p. 265).

A autora acrescentou a isso o fato de que a ingestão excessiva de


comida é indicada na literatura médica como um fator estressor para o
organismo, contribuindo para o aumento da ansiedade.
A autora identificou algumas características comuns em pessoas
obesas: 1. dificuldade de delimitar seu espaço pessoal, pois constante-
mente sua privacidade é invadida e seus direitos básicos desrespeitados
por pessoas de sua convivência mais próxima; 2. autoestima e autoima-
gem rebaixadas, gerados, por uma história de exposição a ambientes
pouco reforçadores e pelas consequências atuais dispensadas pela co-
munidade verbal para a sua condição de obesa; 3. desânimo, inferiorida-
de e frustração devido não ser possível atender ao modelo de “corpo
perfeito” apresentado pela mídia; baixo autocuidado, não valorizam a
qualidade de vida, não fazem exercícios, não cuidam da aparência (com-
pra de roupas, por exemplo). Para a autora este conjunto de “... Situações
aversivas passam a ter status de determinantes do comportamento de
comer em excesso, o que reforça a relação entre estar mal ou ansiosa e
comer” (SILVA, 2001, p. 267).
A autora elencou outro fator importante que está relacionado à ma-
nutenção do comportamento de comer em excesso: ausência de outras fon-
tes de prazer (reforçadores positivos) no ambiente do obeso. Desta forma,

97
Universidade da Amazônia

“... Sempre que se sente entediada ou com sensação de vazio, cansada...


come” (SILVA, 2001, p. 267). A autora afirmou ser na infância, a origem da
associação mal estar-alimentação, uma vez que a consequência administra-
da pelos pais ao comportamento de chorar da criança é alimentá-la.
A autora usou como exemplo do círculo vicioso do qual o comer
excessivamente faz parte, a situação em que o obeso sente raiva. Se-
gundo a autora, desde a infância os indivíduos obesos aprenderam que
este não é um sentimento nobre e que ao senti-lo deve-se desenvol-
ver formas de eliminá-lo, pois ele causa muita ansiedade. Desta forma,

É freqüente a pessoa com excesso de peso usar a comida


como uma forma de aliviar este sentimento, até porque
além do reforço social que, geralmente acompanha essa
ação, existe um prazer mais forte e imediato que é a
sensação gustativa agradável e o alívio imediato.
Logo, o comer não é a resposta adequada ou a resposta
que se quer. Essa resposta, aqui, tem a função de controlar
ou afastar situações aversivas e sentimentos negativos.
Com relação aos sentimentos, quanto mais se quer
controlá-los, mais eles estarão presentes e com maior
intensidade (SILVA, 2001, p. 267).

A autora, portanto, indicou ser a tentativa de eliminar sentimen-


tos engajando em comportamento de superalimentação como o princi-
pal obstáculo para a identificação dos fatores que geram estes senti-
mentos (ansiedade, por exemplo), uma vez que não permite que o
obeso identifique os eventos eliciadores. Portanto, impede a aprendi-
zagem de outras formas de lidar e de expressar adequadamente estes
sentimentos. A autora afirmou ainda que: “... A ansiedade ora aparece
como conseqüência e ora como estímulo antecedente ao comer. Por
isso, tanto comer em excesso, como a ansiedade, devem ser alvos de
investigação e intervenção” (SILVA, 2001, p. 267).
A autora apontou ainda um outro aspecto comumente observado
em pessoas obesas: a insensibilidade às contingências geradas pelo
controle estabelecido por regras. Dentre essas regras estão:
- Nunca vou emagrecer porque na minha família todos têm
problemas de peso.
- Tudo que eu como me engorda.
- Fazer exercícios é muito chato (SILVA, 2001, p. 268).

98
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A partir da exposição sobre os fatores que contribuem para a ma-


nutenção do comportamento de comer em excesso, a autora respondeu
no parágrafo apresentado abaixo a questão “o que podemos fazer?”:
Enquanto psicólogos comportamentais, podemos trabalhar
com autocontrole e mudança de hábito alimentar,
identificando as funções que o comer assume para a pessoa.
Podemos ajudá-la a analisar sua história de vida e identificar
as variáveis ambientais (físicas e sociais), condições
emocionais e relações entre elas, que funcionam para o comer
em excesso. Criar condições para que a pessoa altere as
contingências presentes em seu ambiente, que exercem
controle sobre o seu comportamento (SILVA, 2001, p. 268).

Como um exemplo da aplicação dessas diretrizes de intervenção,


a autora descreveu o projeto criado e coordenado à época pela Profes-
sora Maria Zilah Brandão na UEL, no qual a autora do texto foi superviso-
ra e sumarizou o funcionamento do projeto:

• Grupos de 15 clientes, em média (mulheres);


• Dois encontros semanais: um com a Psicologia e outro
para orientação médica, nutricional e exercícios físicos;
• Em um primeiro momento, fazia-se o Psicodiagnóstico e
autoconhecimento do hábito alimentar;
• Em um segundo momento, trabalhava-se a informação
sobre nutrição e saúde, reestruturação do hábito
alimentar, orientação para exercícios físicos, identificação
das funções que o comer tem para cada um e organização
do ambiente externo, de forma a facilitar o autocontrole;
• Em um terceiro momento, a ênfase era nas dificuldades
pessoais relacionadas ao autocontrole, no
desenvolvimento da autoimagem positiva e autoestima,
expressão de pensamentos e sentimentos e aumento
de repertórios que tenham consequências positivas
(SILVA, 2001, p. 268).

A autora destacou que os resultados obtidos no terceiro mo-


mento eram os mais expressivos do conjunto do programa, uma vez
que era nesta fase que ocorria o investimento no desenvolvimento do
autocontrole. Tomando como referência este dado, a autora passou a
atender em seu consultório particular os pacientes com queixa de Obe-
sidade e a desenvolver com os mesmos uma intervenção nomeada de
“passeio pela sua história de vida”, que consistiu na identificação de

99
Universidade da Amazônia

seu repertório comportamental e na identificação do seu processo de


produção, permitindo a identificação de seus limites e suas possibilida-
des. A autora sintetizou sua intervenção nos seguintes pontos:

• Melhorar e ampliar aspectos do seu repertório pessoal,


social, afetivo e que tragam consequências gratificantes;
• Avaliar sua rotina: o que gosta e faz; o que gosta e não faz,
o que não gosta e faz, o que não gosta e não faz;
• Estimular a expressão de pensamentos e sentimentos de
forma adequada;
• Desenvolver várias fontes de reforçamento;
• Descobrir pontos positivos no seu corpo e explorá-los,
valorizando-os;

• Valorizar a função do corpo: caminhar, sentir as coisas e


pessoas, fazer amor, até comer (já que é através dele que
se tem acesso ao mundo);
• Encorajar a mudança de alguns hábitos: reforma de
guarda-roupa adequando-o as suas características, de
forma que valorize os aspectos positivos do corpo e o
conforto deste, corte de cabelo, maquiagem;
• Experimentar diferentes atividades físicas com o objetivo
de identificar o que melhor se adapta a ela, observando:
horários de maior probabilidade (em função do que está
fazendo antes e o que fará depois), local, pessoas que
fazem companhia estimuladora;
• Quanto ao fazer exercícios físicos, prestar atenção no
prazer, resis tência, coordenação e não na queima de
calorias e aparência;
• Estimular prazer físico com massagens, cremes, banho
(SILVA, 2001, p. 269).

A autora relatou que os clientes passam a cuidar mais de sua


alimentação e de sua qualidade de vida à medida que ficam mais gene-
rosos consigo mesmos, gostam-se mais, valorizam-se e priorizam-se
mais. Para a autora, estas mudanças facilitaram as discussões e conse-
quente discriminação das funções do comer em excesso e predispuse-
ram às mudanças necessárias para a perda de peso e às condições para
a espera a médio e longo prazo até se chegar ao peso ideal.
Barbosa (2001) realizou uma pesquisa do tipo Estudo de Caso
com dois adolescentes obesos, que teve como objetivo investigar a
relação entre mudanças na competência social, realizadas a partir de
um processo psicoterapêutico comportamental, e mudanças no peso.

100
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

No sentido de fundamentar teoricamente a relevância da in-


vestigação, a autora afirmou que:

A revisão de literatura sobre Obesidade indicou que


freqüentemente existe uma relação entre Obesidade e
variáveis não fisiológicas tais como: as emocionais, familiares
e sociais. Análises funcionais de problemas clínicos, também
freqüentemente indicam que comportamentos-problema estão
relacionados a outras partes do repertório comportamental do
indivíduo, especialmente com ausência de repertórios sociais.
Parece ser útil, então, analisar relações entre respostas [DOW
em 1994]. Com tal análise, seria possível modificar um ou alguns
dos comportamentos que estão relacionados e observar
mudanças em todos eles. Esta forma de análise e de intervenção
foi utilizada no presente estudo ao invés de tratamentos já
testados para a Obesidade, que focalizam os comportamentos
de dieta e exercício. Isto porque estes tratamentos, apesar de
permitirem perda de peso, não garantem que esta não retorne.
Pretende-se verificar, com este estudo, se um tratamento que
focalize comportamentos relacionados com o comer excessivo,
selecionados através de análise funcional, e que não focalize
os padrões comportamentais de comer e de exercitar-se,
também levaria à redução de peso e uma boa manutenção
(BARBOSA, 2001, p. 16).

Inicialmente, participaram do estudo seis adolescentes seleci-


onados por atenderem aos seguintes critérios: 1. ter IMC superior a 25
(sobrepeso ou Obesidade); 2. apresentarem outras queixas comporta-
mentais, tais como: ansiedade, cefaléia, timidez e/ou dificuldades de
relacionamento familiar e social e; 3. não estar realizando ou vir a reali-
zar, durante a pesquisa, outro tratamento psicológico ou psiquiátrico,
ou mesmo outro tratamento para emagrecer.
Para os fins de análise, a autora incluiu os dados de apenas dois
dos seis adolescentes submetidos ao procedimento da pesquisa. Desta
forma, os participantes foram: C.S.O., sexo feminino, 13 anos e 10 me-
ses, cursando a 7ª série, renda familiar em torno de mil reais, com IMC
32,1, que relatou que o seu aumento de peso se deu com a entrada na
escola e se intensificou no início da adolescência e; R.M., sexo masculi-
no, 16 anos e seis meses, cursando a 8ª série, renda familiar setecentos
reais, com IMC 33,8, que relatou sempre ter estado acima do peso, mas
que isso se intensificou há um ano.

101
Universidade da Amazônia

A autora utilizou durante todo o processo um conjunto de esca-


las, inventários e entrevistas que visavam a fornecer dados sobre os
níveis de competência social e indicar os comportamentos a serem al-
terados durante o tratamento. Desse conjunto fizeram parte:

1. Questionário de Disponibilidade e Interesse: para identificar expec-


tativas e preocupações referentes à Obesidade e outros fatores in-
terligados (usado só no início do tratamento);
2. Entrevistas semi-estruturadas com pais ou familiares e com os adoles-
centes: para levantar dados acerca da história de vida, características
familiares, hábitos alimentares passados e atuais, problemas de saú-
de, dificuldades de relacionamento afetivo e social, autoimagem, co-
nhecimentos prévios acerca da Obesidade e de tratamento e a moti-
vação para a psicoterapia (aplicada só no início do tratamento);
3. Youth Self-report (Achenbach em 1991): composto de duas partes com
questões a serem respondidas pelos clientes. A primeira era uma
escala de competência e apresentava itens relacionados à prática de
esporte, relacionamento interpessoal, interesses escolares e gerais
e participação em organizações. Pontuação menor que 37 indicou
problemas. A segunda era a Escala Total de Problemas e realizava a
medida da adaptação frente a problemas físicos, emocionais e com-
portamentos ligados a várias síndromes. Pontuação maior que 60
indicava problemas (foi aplicado antes, durante e depois do trata-
mento);
4. Child Behavior Checklist/4-18 (Achenbach em 1991): teve a mesma
composição do instrumento 3, mas foi respondido pelos pais ou fa-
miliares (foi aplicada antes, durante e depois do tratamento);
5. Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE): este instrumento ava-
liou a ansiedade-estado (estado emocional transitório) e a ansieda-
de-traço (diferenças individuais mais ou menos estáveis na propen-
são à ansiedade). Cada tipo de ansiedade foi avaliada em um con-
junto de 20 afirmações, para as quais o sujeito deveria escolher en-
tre quatro respostas possíveis (de absolutamente não até muitíssi-
mo), sendo que em 20 afirmações selecionava a resposta com base
no que estava sentindo no momento específico e em 20 afirmações
selecionava a resposta de acordo com que sentia habitualmente.
Este instrumento foi utilizado na pesquisa, como medida do nível de
ansiedade dos adolescentes (foi aplicado antes, durante e depois
do tratamento);

102
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

6. Índice de Reatividade Pessoal (IRI) (Davis em 1980): instrumento que


avaliou uma das habilidades sociais (a empatia), por meio de 28 itens
divididos em quatro subescalas: Adoção de Perspectiva, Preocupa-
ção Empática, Fantasia e Mal Estar Pessoal, para os quais o sujeito
deveria selecionar uma entre cinco categorias de respostas (desde
não me descreve bem até descreve-me muito bem) (foi aplicado an-
tes, durante e depois do tratamento);
7. Escala de Assertividade de Rathus (Rathus em 1973): lista de 30 itens
que forneceu uma medida de comportamentos relacionados com
situações cotidianas que podem indicar um comportamento asserti-
vo do indivíduo em situações sociais, para os quais o sujeito deveria
escolher entre seis opções de respostas (desde condiz muitíssimo
comigo até não condiz nada comigo) (foi aplicado antes, durante e
depois do tratamento);
8. Escala de Timidez e Sociabilidade: composta de 14 itens, cinco sobre
timidez e nove sobre sociabilidade, para os quais o sujeito deveria
selecionar uma entre cinco categorias de resposta (desde tem tudo
a ver comigo até não tem nada a ver comigo) (foi aplicado antes,
durante e depois do tratamento).
Além desses instrumentos e técnicas já citados acima, foi uti-
lizado o autoregistro (data, hora, antecedentes, problema, sensação
e sentimentos associados, consequências) que foi preenchido em
casa, ou quando isto não ocorria, no início de cada sessão junto com
a terapeuta.
A autora esclareceu ainda que:

O tratamento psicológico realizado baseou-se em objetivos


e diretrizes gerais semelhantes para todos os clientes da
pesquisa, porém, cada um participou, juntamente com a
terapeuta, na elaboração dos objetivos específicos,
identificando as mudanças de comportamento que eram
almejadas. Todos os clientes também foram informados,
na entrevista inicial, de que o tratamento não enfocaria
diretamente a queixa da Obesidade e de que não seriam
dadas orientações em relação a este problema (BARBOSA,
2001, p. 23-24).

A autora, visando qualificar a análise dos dados, procedeu à fil-


magem de todas as sessões, exceto duas, uma para cada um dos clien-
tes. Assim como os clientes foram pesados no término de cada sessão,

103
Universidade da Amazônia

momento em que não foi emitido nenhum comentário pela terapeuta.


O número total de sessões realizadas com cada sujeito foi 16 sessões e
40 sessões, respectivamente, para R.M. e para C.S.O.
A autora indicou que a condução dada a cada atendimento foi
baseada nos dados colhidos e analisados via análise funcional. Durante
as sessões, a autora informou ter criado situações que auxiliaram os
clientes a analisar funcionalmente seus próprios comportamentos re-
lacionados às 13 habilidades sociais (CABALLO, 1996) e para o desenvol-
vimento da capacidade de percepção de si mesmo e dos outros. Para
um dos clientes foi necessária ainda a utilização de um treino de relaxa-
mento (C.S.O.).
Para viabilizar a análise qualitativa dos dados foram criadas di-
ferentes categorias de comportamento. No caso dos clientes, elas fo-
ram divididas em dois tipos: categorias desejáveis (espontaneidade no
relato; aproximação dos colegas; atividade física; tarefa escrita; análise
do próprio comportamento; identificação dos próprios sentimentos;
identificação dos sentimentos dos outros; expressão adequada de sen-
timentos; identificação de qualidades em si mesmo; relaxamento; com-
portamento concorrente ao comer; emoção ao falar de si; enfrenta-
mento; iniciativas e; eventos agradáveis) e categorias indesejáveis (an-
siedade; dependência da mãe; esquiva/isolamento dos colegas; inas-
sertividade com colegas; inassertividade com mãe; competitividade;
inflexibilidade; justificativas; cognições pessimistas; brigas familiares
e; eventos aversivos).
Além de categorizar os comportamentos dos clientes, categori-
zou-se os comportamentos da terapeuta em 11 categorias, a saber:
empatia; ênfase nos objetivos; investigação; questionamento; técnicas
gráficas e imaginárias; encenação; interpretação; confrontação; apro-
vação; orientação / aconselhamento e; silêncio. O processo de catego-
rização dos comportamentos dos clientes e da terapeuta contou com a
participação de dois estudantes de pós-graduação para a avaliação da
concordância em relação à ocorrência das categorias em cada sessão.
A autora iniciou a seção Resultados relatando que tanto os cli-
entes quanto seus familiares atribuíram grande importância para o
emagrecimento e para a diminuição de outras queixas comportamen-
tais. Todos os adolescentes fizeram relatos de desconforto em relação
ao peso atual. Outro dado semelhante nos casos atendidos foi o fato de
que os dois clientes tinham ao menos um membro com história de Obe-
sidade na família.

104
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A autora optou por descrever cada caso separadamente. A auto-


ra iniciou a análise pelo uso de CSO destacando que CSO afirmava no
início do tratamento que seu quadro de Obesidade era causado por dois
motivos: “vício de comer muito” e o “nervosismo”. Este último, presen-
te em provas escolares, discussões dos pais, discussões com os pais e
irmãos e a perante recriminações das pessoas, em geral, referentes a
sua Obesidade.
A análise funcional das primeiras sessões revelou que as clas-
ses de comportamentos centrais a serem modificadas seriam: Comer
em excesso; Isolamento e dificuldades de relacionamento social; Difi-
culdades de expressão de sentimentos nos ambientes familiar e social;
Dependência excessiva da mãe e; Nervosismo. A autora indicou como
hipóteses de instalação dos comportamentos: Déficit de habilidades
sociais; Reforçamento contínuo e único da mãe para comportamentos
de dependência; Falta de incentivo e até controle familiar excessivos,
que impedem a cliente de aproximar-se de outras pessoas; Ausência
de outras fontes de reforçamento social (lazer) e; História de exposição
a situações aversivas em contatos sociais com colegas e familiares. Como
hipóteses de manutenção, a autora identificou: Ganho secundário do
comportamento de dependência; atenção diferenciada da mãe; Con-
trole excessivo da mãe; Cognições pessimistas; Vida sedentária e; Há-
bitos alimentares inadequados da família.
A análise quantitativa do desempenho de CSO nas escalas e
inventários aplicados denotou, na maioria das vezes, grandes oscila-
ções entre a primeira, a segunda e a terceira aplicação. Com relação ao
desempenho na escala de competência social, a cliente inicialmente
apresentou déficits que se agravaram na segunda aplicação e que, por
fim, foram significativamente reduzidos na terceira aplicação, o que
permitiu enquadrá-la no nível da normalidade. Com relação à aprecia-
ção do Distúrbio Total, a cliente inicialmente apresentou desempenho
compatível com a normalidade, tornou-se limítrofe na segunda aplica-
ção e evoluiu novamente à normalidade na terceira aplicação, com índi-
ce melhor que o inicial. Este dado pode ser explicado em termos do
Total de Internalizantes e Externalizantes. Com relação ao primeiro,
CSO apresentou pontuação inicialmente no nível da normalidade, tor-
nou-se limítrofe na segunda aplicação e evoluiu novamente à normali-
dade na terceira aplicação com índice melhor que o inicial. Com relação
ao segundo, CSO nas duas primeiras aplicações apresentou índice na
faixa limítrofe, evoluindo para a normalidade na terceira aplicação.

105
Universidade da Amazônia

A análise quantitativa do desempenho de CSO nas escalas de


Ansiedade-Traço e Ansiedade-Estado revelou que a cliente apresentou
índices elevados de início, que sofreram uma elevação ainda maior na
segunda aplicação, mas que evoluíram para níveis menores, inferiores
aos obtidos inicialmente, na última aplicação. Com relação à Reativida-
de Pessoal foi observado que CSO apresentou desde o início sentimen-
tos de calor e compaixão e que, ao longo do tratamento, desenvolveu
bastante a capacidade de experimentar sentimentos de desconforto e
ansiedade diante da experiência negativa dos outros. No entanto, as
pontuações para a adoção da perspectiva do outro e para a fantasia
indicaram problemas em ver pelo ponto de vista do outro e se identifi-
car com outras pessoas em situações fictícias.
As pontuações obtidas demonstraram que a dificuldade inicial
de expressar sentimentos de forma não agressiva estava diminuindo.
Com relação à timidez observou-se um processo de melhora na última
aplicação. Com relação à sociabilidade, CSO teve uma piora significativa
na segunda aplicação com uma tendência maior ao isolamento, que
demonstrou uma reversão na terceira aplicação.
Com relação as pontuações obtidas nas escalas aplicadas para a
mãe de CSO, acerca de sua percepção sobre a filha, notou-se pouca alte-
ração nos resultados entre as aplicações. No que tange à competência
social, a mãe não percebeu muitas mudança da 1ª para a 2ª aplicação, mas
houve melhora na 3ª aplicação. No que tange ao Distúrbio Total, não hou-
ve alteração significativa, uma vez que na primeira e terceira aplicações a
pontuação ficou na faixa limítrofe, sendo verificada uma piora na segun-
da, quando a pontuação passou à área clínica. Este dado pode ser explica-
do em termos do Total de Internalizantes e Externalizantes. Com relação
ao primeiro, as pontuações da primeira e segunda aplicação indicaram
valores dentro da área clínica, sendo a segunda pontuação pior que a
primeira, mas que evoluiu para a faixa limítrofe na última aplicação. Com
relação ao segundo, não houve alteração já que na percepção da mãe
sempre esteve no nível da normalidade.
Com relação à análise qualitativa dos dados realizada por meio
do cálculo do índice de correlação entre as categorias e o peso do clien-
te, feito no SPSS, utilizando o teste de Spearman bilateral com níveis de
significância aceitos de 0.01 e 0.05, observou-se que durante o trata-
mento ocorreu um aumento das categorias desejáveis e uma diminui-
ção das categorias indesejáveis. No entanto, houve grande oscilação de
peso. A autora afirma que se tomarmos as 10 últimas sessões (31ª a 40ª

106
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

sessão) é possível verificar uma tendência de queda de peso. A autora


aplicou o teste de correlação para os dados sobre o total de categorias
indesejáveis, o total de categorias desejáveis e o peso, identificando,
desta forma, uma correlação positiva significativa entre peso e indese-
jáveis e uma correlação negativa significativa entre peso e desejáveis,
bem como entre desejáveis e indesejáveis. Sendo assim, conforme
aumentavam os desejáveis diminuíam os indesejáveis e o peso.
O fato de a mãe não ter identificado as mudanças ocorridas no
comportamento de CSO pode indicar uma dificuldade da mãe em acei-
tar as mudanças em direção a uma maior independência da filha, já que
o seu comportamento superprotetor deixaria de ser reforçado.
A autora, no entanto, relatou que apesar dos ganhos obtidos
por CSO na área social, a mesma ainda mostra uma alta frequência do
comportamento de superalimentação. A autora traçou algumas possí-
veis explicações para a manutenção desse comportamento: o duplo
ganho secundário obtido com o mesmo, já que por um lado CSO recebia
atenção e cuidados especiais da mãe e por outro quando o comporta-
mento se manifestava durante as brigas conjugais de seus pais, os mes-
mos interrompiam as discussões. A autora analisou a relação das con-
tingências presentes no ambiente familiar e os resultados da interven-
ção psicoterápica:

Para CSO, o ambiente familiar se caracteriza como reforça-


dor de comportamentos de dependência e ao mesmo tem-
po aversivo devido às várias discussões com irmãos, com o
pai e com a mãe, sendo que com está última, era devido ao
controle excessivo. Este tipo de situação familiar desfavo-
rável, dificulta a ação de qualquer tipo de tratamento psi-
cológico, então, para casos onde não é possível modificar
o ambiente hostil ou as normas impostas, devem ser de-
senvolvido no cliente comportamentos que possibilitem
contra-controle (BARBOSA, 2001, p.82).

A autora traçou algumas explicações para os resultados apresen-


tados por CSO. Na primeira explicação ter CSO atravessado diferentes
fases durante a terapia. Por exemplo, o período em que ela começou a
aumentar de peso coincide com o diagnóstico de diabetes na irmã mais
velha, levando a mesma a experimentar sentimento de medo de ad-
quirir a doença e levando à redução da atenção da mãe. A autora indi-
cou a 20ª sessão como marco da passagem dessa fase para outra, na qual

107
Universidade da Amazônia

a cliente conseguiu analisar melhor seu próprio comportamento, per-


mitindo uma observação maior e mais precisa de suas habilidades e
suas dificuldades, quando a relação terapêutica já esta bastante desen-
volvida e prazerosa para a cliente. Na segunda explicação, afirmou que
nas últimas sessões (31ª a 40ª sessão), a cliente passou a vivenciar com
mais frequência situações reforçadoras em sua vida, o que pode ter
contribuído para que, mesmo com a reaparição das brigas entre os pais,
ela mantivesse os ganhos obtidos na psicoterapia.
Com relação a RM, a autora destacou que o cliente no início do
tratamento atribuia o seu quadro de Obesidade a dois motivos: comer
em exagero e não se exercitar. RM afirmou ainda que comia em excesso
à noite e em fase de provas escolares. O cliente afirmou também ter
muitos colegas, mas não sair com eles, além de ter se dito tímido na
presença de estranhos e meninas.
A análise funcional das primeiras sessões revelou que as clas-
ses de comportamentos centrais a serem modificadas seriam: Comer
em excesso; Comportamento de esquiva e/ou isolamento nos relaci-
onamentos sociais e familiares (timidez) e; Ansiedade generalizada
em situações sociais (sudorese, perda da fala). Como hipóteses de
instalação, a autora identificou: Falta de assertividade; Reforço social
reduzido; Vizinhança com ambiente perigoso, o que dificultava inte-
rações com outros adolescentes; Ausência de modelos parentais ade-
quados no que se refere ao modo de expressar sentimentos (pai au-
sente, mãe não demonstrou dificuldades nesta questão) e; Eventos
aversivos vivenciados anteriormente em situações escolares cujo cli-
ente foi ameaçado e repreendido. Como hipóteses de manutenção, a
autora identificou: Incentivo familiar inadequado ou ausente que pu-
desse promover interações com pares; Cognições distorcidas da reali-
dade (imaginava que tudo iria dar errado e não saberia enfrentar situ-
ações novas na família e na escola) e; Esquiva de situações sociais nas
quais ficava muito tenso.
A análise quantitativa do desempenho de RM nas escalas e in-
ventários aplicados denotou pontuações no nível da normalidade para
a maioria deles, desde o início. Com relação ao desempenho na escala
de competência social, o cliente apresentou pontuações no nível da
normalidade nas duas aplicações realizadas, no entanto, com índices
muito próximos da faixa limítrofe. Com relação à apreciação do Distúr-
bio Total, o cliente apresentou pontuações situadas na faixa da norma-
lidade, embora tenha apresentado um índice um pouco pior na segun-

108
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

da aplicação. Este dado pode ser explicado em termos do Total de Inter-


nalizantes e Externalizantes. Sendo que as queixas de RM estavam rela-
cionadas a problemas internalizantes – isolamento – a queda na pontu-
ação indicou que houve uma melhora, embora desde o início as pontu-
ações estivessem na linha de normalidade. Com relação ao segundo,
não houve alteração, uma vez que desde o início apresentou pontua-
ções situadas na área da normalidade.
A análise quantitativa do desempenho de RM nas escalas de
Ansiedade-Traço e Ansiedade-Estado relevou que o cliente apresenta-
va inicialmente um índice elevado com relação ao segundo tipo de an-
siedade, que foi sendo reduzido a níveis bem menores na segunda apli-
cação. Com relação ao primeiro tipo de ansiedade notou-se estabilida-
de em um nível aceitável. Com relação à Reatividade Pessoal foi obser-
vado que RM apresentou desde o início sentimentos como calor, com-
paixão e preocupação com os outros. Verificou-se também que ocorreu
um aumento nas pontuações de mal estar pessoal, indicando que o
sujeito ainda experimentava ansiedade e desconforto ao observar a
experiência negativa dos outros e que RM passou a utilizar mais a pers-
pectiva do outro em seus julgamentos. Por outro lado, persistiu a difi-
culdade de se imaginar em situações fictícias.
Com relação à Assertividade, observou-se uma melhora nas pon-
tuações, embora o cliente não tenha atingido a média. Com relação à
timidez, RM teve uma melhora nas pontuações que atingiram a média
na segunda aplicação. Com relação à sociabilidade, não houve alteração
já que o cliente não apresentava dificuldades nessa área.
Com relação as pontuações obtidas nas escalas aplicadas para a
mãe de RM, acerca de sua percepção sobre o filho, notou-se uma altera-
ção significativa nos resultados entre as aplicações. No que tange a com-
petência social, a mãe apresentou nas duas aplicações pontuações cir-
cunscritas na faixa da normalidade, no entanto com uma melhora signi-
ficativa na segunda aplicação. No que tange ao Distúrbio Total foi verifi-
cado uma variação significativa que indicou que ocorreu a redução da
frequência de comportamentos considerados problemáticos para o tra-
tamento, demonstrando mudanças significativas na percepção da mãe
com relação aos Distúrbios Internalizantes e Externalizantes.
Com relação à análise qualitativa dos dados, realizada por meio
do cálculo do índice de correlação entre as categorias e o peso do clien-
te, feito no programa SPSS, utilizando o teste de Spearman bilateral
com níveis de significância aceitos de 0.01 e 0.05, a autora verificou que

109
Universidade da Amazônia

houve uma correlação positiva entre a categoria inassertividade com a


mãe e peso, sendo assim à “ ... Medida que o cliente foi aprendendo a
eliminar esse comportamento, também foi perdendo peso” (BARBO-
SA, 2001, p. 74). Por outro lado:

[...] O peso se correlacionou negativamente com vários de-


sejáveis, análise do próprio comportamento, aproximação
de colegas, enfrentamento, espontaneidade, eventos agra-
dáveis, expressão adequada de sentimentos, identifica-
ção dos próprios sentimentos, identificação de qualida-
des em si. Estes resultados mostram que as classes de
comportamentos citados concorrem com o comportamento
de ganhar peso para o cliente R.M. (BARBOSA, 2001, p. 74).

Com relação às categorias indesejáveis, foi possível notar que


desde o início elas se apresentavam em baixa frequência, mas que à
medida que o peso diminuía e as categorias desejáveis aumentavam, as
indesejáveis foram sendo suprimidas chegando mesmo a não se regis-
trar sua presença no final do tratamento. Como este cliente passou para
a fase de seguimento, verificaram-se as mesmas tendências na sessão
de seguimento após dois meses. O comportamento de comer excessi-
vamente era mantido por reforçamento negativo, funcionando como
esquiva de situações sociais aversivas em que o RM não sabia como agir.
Devido à rápida obtenção de mudanças eleitas como fundamentais para
o tratamento, a autora concluiu que:

Enfim, para este cliente 2 as transformações aconteceram


muito rapidamente, confirmando assim a hipótese de que
não havia grandes ganhos reais ligados ao comportamento
de comer em excesso e à Obesidade, caracterizando-se mais
como um déficit de habilidades que pode ser promovido
mais rapidamente durante um processo terapêutico
(BARBOSA, 2001, p. 85).

A autora, na seção Considerações Finais, afirmou que para os dois


clientes a qualidade da relação terapêutica foi uma variável decisiva na pro-
dução das mudanças eleitas como metas do tratamento. A autora indicou
também que tais mudanças, obtidas na vida social e familiar dos clientes e na
percepção dos familiares e amigos acerca dos clientes, podem contribuir
para a manutenção dos comportamentos adquiridos e/ou fortalecidos.

110
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A autora destacou que o ambiente familiar se mostrou um fator


que influenciou o processo terapêutico (favoreceu RM, dificultou CSO)
e que futuras pesquisas deveriam avaliar este aspecto.
Com relação ao comportamento de comer em excesso, a autora
destacou o fato de que o mesmo tinha função diferente para cada sujei-
to, demonstrando que há a necessidade de realizar a análise funcional
de cada caso e individualizar cada tratamento.
A autora discutiu também os efeitos da estratégia de trabalho
adotada. Para ela, organizar uma intervenção em casos de Obesidade
sem ter como foco o comportamento alimentar, mas sim outros com-
portamentos, que pela análise funcional estavam relacionados à Obe-
sidade, produziu dados bastante interessantes. Por este caminho, foi
possível observar no cliente RM esta relação, uma vez que foram obser-
vadas mudanças tanto em seu repertório de habilidades sociais quanto
em seu peso (redução de peso). No entanto, apesar de um processo
com grandes oscilações de peso e piora na maior parte das pontuações
nas escalas e inventários, a partir da 31ª sessão observou-se uma ten-
dência semelhante à apresentada por RM.
A autora finalizou o trabalho discutindo a sua opção metodológica
de não analisar as sessões por meio da transcrição na íntegra, mas sim,
por meio da criação de categorias de comportamento, que foram usadas
para a avaliação da ocorrência ou não dos comportamentos selecionados
para a análise durante as sessões, sem preocupação com a freqüência de
ocorrência dos mesmos. Segunda ela, esta pode ser uma forma útil para a
realização de pesquisas clínicas, gerando dados que podem desencadear
futuras pesquisa. Os dados e conclusões dessa pesquisa foram apresen-
tados de forma mais sucinta em capítulo de livro publicado pela autora e
sua orientadora de Mestrado, em 2004 (MEYER e BARBOSA, 2004).
Rocha, Vanetta e Abdelnor (2001) realizaram uma pesquisa com
o objetivo de avaliar a influência de regras e autoregras formuladas
sobre Obesidade no estabelecimento de relacionamentos amorosos.
Participaram da pesquisa seis adultos obesos, sendo três ho-
mens (M1, M2, M3) e três mulheres (F1, F2, F3), na faixa etária de 22 a 40
anos, que já haviam sido magros e que não estavam no momento da
pesquisa mantendo relacionamento amoroso fixo. As autoras utiliza-
ram como técnica de coleta de dados, uma entrevista semiestruturada
realizada por meio de um roteiro de perguntas acerca do padrão de
beleza, o estabelecimento de relacionamentos amorosos antes e de-
pois da instalação do quadro de Obesidade.

111
Universidade da Amazônia

Os resultados mostraram que nenhum dos sujeitos descreveu


seu padrão físico como modelo de beleza. F3 e M2 relataram de forma
consistente que o aumento de peso dificultou o estabelecimento de
relacionamentos amorosos e justificaram este fato com frases como: “A
aparência é fundamental na primeira olhada”, “Quando comecei a en-
gordar as pessoas começaram a mudar comigo” e “A maior parte das
mulheres preservam um homem escultural, como estou gordo é difícil
alguém me cantar”. Os sujeitos em questão também relataram compor-
tamentos que denunciam esquiva de situações sociais. F1, F2 e M1 apre-
sentaram diversas contradições em seus relatos, a exemplo das duas
frases ditas por F2: “Era bem mais fácil arrumar namorado para mim
antes de eu ter aumentado de peso” e “Olha, eu acho que não! Se tu
tiveres bem contigo mesmo, não tem problema algum”. M3 foi o único
sujeito que não indicou problemas em estabelecer relacionamentos
amorosos após o aumento de peso, um exemplo disso são as seguintes
verbalizações: “Nem hoje e nem ontem, este aumento de peso não
influenciou a minha vida, estou bem assim”.
As autoras destacaram na análise dos resultados que não foi pos-
sível para a maioria dos sujeitos afirmar que regras e autoregras acerca da
Obesidade podem influenciar na emissão de comportamentos necessá-
rios ao estabelecimento de relacionamentos amorosos. Por outro lado,
elas apontaram que as contradições nas falas de três sujeitos e a afirma-
ção de outros dois sobre dificuldades experimentadas no estabelecimento
de relacionamentos amorosos podem indicar um caminho de pesquisa.
Um ano mais tarde, as autoras expuseram este trabalho em forma de
painel, desta vez com o acréscimo do nome da orientadora como última
autora (ROCHA, VANETTA, ABDELNOR e SILVA, 2002).
Bezerra (2001) realizou uma pesquisa experimental que teve
como objetivo investigar os efeitos do automonitoramento de peso
corporal e do registro diário de alimentos em indivíduos com sobrepe-
so ou Obesidade, visando avaliar a utilização dessas duas técnicas em
processo de controle de peso, bem como identificar possíveis variáveis
causadoras da Obesidade. Participaram do estudo quatro adultos, de
ambos os sexos, portadores de Obesidade ou sobrepeso, segundo Ta-
bela de classificação do Índice de Massa Corpórea (IMC). Os participan-
tes foram submetidos à avaliação nutricional (análise de inquéritos ali-
mentares, coleta de indicadores antropométricos e bioquímicos) no
início e no final do procedimento. O procedimento experimental em si
constou de oito etapas, sendo que a metade delas, funcionou como

112
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

linha de base. Os dados revelaram que os participantes subestimavam


o seu consumo alimentar e que o registro diário de alimentos produziu
modificações na percepção do seu padrão alimentar e contribuiu para a
redução de peso. Desta forma, a autora concluiu que esta técnica foi
eficaz no tratamento da Obesidade e sobrepeso e que, além de alterar
a percepção dos sujeitos, pôde ser usada para a individualização da
orientação dietética.
Albuquerque e Gomes (2002) realizaram uma pesquisa com cri-
anças obesas e suas respectivas mães, visando a identificar dificuldades
no seguimento das regras nutricionais de uma dieta alimentar. Participa-
ram do estudo quatro crianças de sete a onze anos, sendo três do sexo
feminino e um do sexo masculino, que realizavam tratamento para ema-
grecer e suas respectivas mães, incluídas por serem as familiares respon-
sáveis pela execução da dieta. A coleta de dados foi realizada por meio de
entrevistas semiestruturadas, efetuadas separadamente e ao mesmo
tempo com cada dia de mãe-criança. O roteiro de questões solicitava
informações sobre: a estrutura familiar e número de pessoas residentes
na casa (mãe); motivos para a busca do tratamento (mãe); preferência
alimentar e acesso a estes alimentos (criança); descrição dos hábitos ali-
mentares (mãe e criança); descrição dos hábitos alimentares na escola
antes e depois da dieta (criança); opinião da criança sobre deixar de co-
mer seus alimentos preferidos e sobre a dieta (criança) e; dificuldades
para o seguindo das regras nutricionais (mãe e criança).
Os resultados mostraram que as crianças moravam com as famílias
em casas que têm de quatro a oito pessoas. As mães levaram seus filhos para
o tratamento devido às consequências sociais da Obesidade (C1 e C4) e por
preocupações com relação aos reflexos da mesma na saúde (C2 e C3), sendo
que C3, foi encaminhado por um pediatra. Com relação à preferência alimen-
tar e acesso a estes alimentos, C1, C2 e C4 elegeram alimentos hipercalóricos
como preferidos e indicaram não ter acesso a eles (C1 e C4) ou mesmo ter
acesso restrito (uma vez por semana, C2). C3 foi o único que elegeu um
alimento hipocalórico (salada), informando, no entanto, que não tem acesso
a ele. Neste item, as mães sempre são apontadas como reguladoras no aces-
so ao alimento. Com relação aos hábitos alimentares, tanto as crianças quan-
to as mães relataram consumir alimentos que compõem a dieta. Entretanto,
duas mães indicaram que alimentos hipercalóricos ainda encontram-se dis-
poníveis no ambiente (M1 e M4). M4 e C1 relataram que outros membros da
família disponibilizam estes alimentos para a criança. Percebeu-se que as
mães desenvolveram estratégias diferentes para que seus filhos seguissem

113
Universidade da Amazônia

a dieta: mudar toda a alimentação da família (M3); fazer a alimentação da


criança separadamente (C1) e comer comidas hipercalóricas escondido da
criança (C1 e C3). Observou-se uma contradição nas respostas da díade M2-
C2. A mãe disse ter se alimentado de forma saudável sempre e a criança
afirma que isso passou a ocorrer apenas após o início da dieta.
Com relação aos hábitos alimentares na escola, observou-se que
apenas uma criança levou constantemente seu lanche de casa (C1), as ou-
tras com frequência compravam na própria escola. A maioria das crianças
relatou não gostar do cardápio da dieta, atribuindo a necessidade de segui-
lo a diferentes razões: a mãe dizer-lhe que é bom para ele (C1); para ema-
grecer (C2 e C4); apenas C3 afirmou não ter pensando sobre o assunto.
Por fim, com relação às dificuldades alegadas para o seguimen-
to da dieta, verificou-se diferenças entre os relatos de mães e crianças.
Na díade M1-C1, a mãe afirmou que o filho reclamava muito e o filho
disse ter dificuldade somente quando o irmão comia alimentos hiper-
calóricos na sua frente. Nas díades M2-C2 e M3-C3, as crianças não rela-
taram nenhuma dificuldade, enquanto as mães indicaram, respectiva-
mente, impedir a criança de comer doces e o apelo da tv em propagan-
das de comidas hipercalóricas. Na díade M4-C4, a mãe indicou que a
dificuldade foi a retirada dos alimentos preferidos da criança (pizza,
sanduíches) e o estabelecimento de horário para se alimentar, dificul-
dades igualmente elencadas pela criança.
Na interpretação dos resultados, as autoras afirmaram que a
maioria das dificuldades alegadas têm sua causa na histórica instalação
do comportamento alimentar e na ausência do planejamento de con-
tingências que reforcem imediatamente o seguimento das regras nu-
tricionais. Com relação a segunda causa, as autoras indicaram que a
única responsável pelo supervisão da dieta era a mãe e que em alguns
casos, outros familiares fornecem alimentos inapropriados à criança, o
que não viabiliza a exposição da criança a contingências que reforças-
sem imediatamente o seguimento de regra. Somado a isso, a maioria
das crianças não foi capaz de indicar os benefícios futuros do seguimen-
to das regras (reforço em longo prazo), o que dificultou sobremaneira o
seguimento das mesmas.
Ferreira e Casseb (2002) realizaram um estudo de caso com uma
paciente portadora de diabetes tipo 2 e Obesidade moderada, com o
objetivo de investigar os efeitos do uso do registro de automonitoração
no seguimento de regras nutricionais. A paciente era do sexo feminino,
tinha 65 anos, ensino fundamental incompleto, com diagnóstico de di-

114
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

abetes há dez anos, com Obesidade classe I, além de outras complica-


ções de saúde que a faziam consumir alguns medicamentos continua-
mente.
As autoras utilizaram cinco instrumentos, a saber:

1. Roteiro de entrevista, com o objetivo de colher informações sobre


características sociodemográficas, histórico de Obesidade e conhe-
cimentos sobre diabetes;
2. Registro de automonitoração semanal da alimentação, com o objeti-
vo de compor uma linha de base do desempenho da participante,
composto de seis colunas, uma para cada dia da semana, e espaços
para o registro de alimentos ingeridos a cada refeição;
3. Registro diário da alimentação, com o objetivo de treinar a partici-
pante no procedimento de automonitoração, com colunas corres-
pondentes a horário da refeição, tipo de alimento e quantidade in-
gerida. Neste instrumento havia espaço para a anotação de alimen-
tos ingeridos entre as principais refeições;
4. Registro de planejamento diário da alimentação, composto de colu-
nas para o registro do planejamento prévio das refeições do dia se-
guinte, para o registro das refeições realizadas (horário, quantidade
e qualidade do alimento) e para a avaliação de correspondência en-
tre planejamento e execução, bem como para a descrição do contex-
to em que se deram as refeições e;
5. Registro simples de manutenção das regras nutricionais, com colunas
correspondentes às refeições de cada dia, nas quais a participante
deveria marcar um X no espaço referente às refeições realizadas,
compatíveis com as orientações do serviço de nutrição.

O procedimento utilizado no estudo foi dividido em seis fases.


A seleção da participante foi realizada na primeira fase do procedimen-
to e envolveu a análise do prontuário, a aplicação do roteiro de entre-
vista e a obtenção do consentimento.
Na segunda fase do procedimento foi estabelecida a linha de
base de comportamentos de seguimento de regras nutricionais pela
participante, por meio do registro de automonitoração semanal da ali-
mentação e da requisição para a participante da descrição verbal das
regras nutricionais. Além disso, nesta fase foi realizado o treino do pre-
enchimento do registro diário da alimentação e de sua análise pos-
terior. Na terceira fase foi realizado o treino de registro de comporta-

115
Universidade da Amazônia

mento de seguimento de regras nutricionais, por meio da análise do


preenchimento do registro diário da alimentação com a comparação do
registro com as regras nutricionais. Além disso, foi realizado o planeja-
mento das refeições com a participante e fornecidas instruções sobre o
preenchimento do registro do planejamento diário da alimentação.
A quarta fase, denominada de Treino no registro de automoni-
toração com planejamento, constou da realização do planejamento das
refeições diárias, da comparação dos registros com as regras nutricio-
nais, da análise da execução do planejamento (comparação planejado X
executado), da análise do contexto em que ocorreram as refeições e,
por fim, da análise do registro diário da alimentação referente ao dia
anterior. Além disso, forneceram-se as instruções para o preenchimen-
to do registro simples de manutenção das regras nutricionais. As auto-
ras informaram que nesta fase:

Durante as entrevistas, os comportamentos de adesão às


regras nutricionais eram reforçados positivamente e ana-
lisados com a paciente, com o objetivo de fazê-la identifi-
car as variáveis que estavam controlando seu comporta-
mento alimentar, a fim de orientar o planejamento poste-
rior (FERREIRA e CASSEB, 2002, p. 456).

Na quinta fase, realizou-se a análise funcional do comportamen-


to alimentar com a participante, por meio do registro simples de manu-
tenção das regras nutricionais, o que ocorreu até a obtenção de 50% das
refeições diárias compatíveis com as regras nutricionais (critério míni-
mo). Além disso, solicitou-se o preenchimento do registro diário da ali-
mentação referente ao dia anterior à visita, que seria tomado com medi-
da de manutenção da adesão às regras. Por fim, a sexta fase correspon-
deu à entrevista final em que foi realizada a análise funcional com a paci-
ente sobre os resultados positivos gerados pela manutenção dos com-
portamentos de adesão às regras nutricionais, bem como a generalização
para outros comportamentos de adesão ao tratamento mais global.
Os resultados mostraram incompatibilidade entre as descrições
das regras nutricionais feitas pela participante e as descrições feitas
pelo Serviço de Nutrição, o que gerou a caracterização do comporta-
mento alimentar da paciente como o de não adesão à dieta.
As autoras categorizaram o comportamento alimentar da partici-
pante em três tipos: refeições executadas com adesão (EA); refeições
executadas sem adesão (EN) e; refeições não executadas (NE). Os resul-

116
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

tados apresentados na segunda fase, referentes à linha de base, indica-


ram um baixo nível de adesão às regras nutricionais (33,4 % de EA; 40% de
EN; 26,6% NE). A análise dos registros revelou que as refeições de maior
adesão foram o jantar e o lanche, por outro lado, as de menor adesão
foram o desjejum e o almoço. Estes resultados se repetiram na fase se-
guinte, diferindo desta apenas pela discreta redução no número de NE.
Para a análise dos resultados apresentados na quarta fase, as
autoras criaram novas categorias que incluíram o componente Planeja-
mento, a saber: refeições planejadas e executadas com adesão (PA.EA);
refeições planejadas em discordância com a regra, mas executadas com
adesão (PD.EA); refeições não planejadas mas executadas com adesão
(NP.EA); refeições planejadas com adesão, mas executadas sem adesão
(PA.EN); refeições planejadas e executadas sem adesão (PD.EN); refei-
ções não planejadas, mas executadas sem adesão (NP.EN) e; refeições
planejadas, mas não executadas (PA.NE).
Os resultados da quarta fase foram compostos a partir da análi-
se de 17 Registros de Planejamento Diário da Alimentação, totalizando
102 refeições. Nesta fase, a participante realizou 59% das refeições com
adesão, 28% sem adesão e 13% das refeições não foram realizadas, in-
dicando um aumento da adesão às regras nutricionais a partir da utiliza-
ção do uso de registros de automonitoração com planejamento das re-
feições. A refeição de maior adesão às regras foi o jantar, a de menor
adesão, foi o desjejum, e a de maior omissão a ceia.
Os resultados da quinta fase foram analisados levando em con-
sideração duas categorias: refeições executadas com adesão (EA) e re-
feições não executadas (NE). As autoras verificaram, em comparação
com as fases anteriores, maior adesão no jantar, almoço e lanche 2 e
uma melhora na adesão do desjejum. No entanto, não foi verificada
mudança significativa no fracionamento das refeições já que a ceia e o
lanche 1 ainda apresentavam baixa freqüência.
Outros efeitos foram observados, dentre eles, a estabilização
do peso corporal, embora a perda de peso tenha sido discreta, fato este
que pode ter sofrido a influência da medicação a base de corticóide
ingerida pela paciente no período, que dificultou a perda de peso. Além
disso, observou-se a estabilização da taxa de normoglicemia que, ape-
sar de desde o início da pesquisa já ser considerada normal, gerou a
suspensão do remédio (hipoglicemiante oral) e a introdução de ativi-
dade física leve. Com relação aos efeitos comportamentais da suspen-
são do medicamento, as autoras pontuaram que:

117
Universidade da Amazônia

Pode-se observar também que há dificuldade dela em acei-


tar a retirada do hipoglicemiante oral. Isto, provavelmen-
te, deve-se ao reforçamento obtido com o uso da medica-
ção pelos efeitos imediatos que ela oferece – isto é, con-
trole da glicemia sem a mudança imediata de hábitos (FER-
REIRA e CASSEB, 2002, p. 457).

A análise dos relatos verbais da participante permitiu verificar


que a partir da quarta fase a paciente passou a apresentar comporta-
mento de adesão às regras nutricionais, não observados nas fases ante-
riores, uma vez que esta fase introduziu a automonitoração com plane-
jamento alimentar prévio. Estes resultados foram observados também
na fase de manutenção.
As autoras iniciaram a seção Discussão afirmando que a melhora no
nível de adesão às regras nutricionais ocorrida após o uso de registro de
automonitoração do comportamento alimentar, confirmou as evidências
já disponíveis na literatura. Outrossim, as autoras ressaltaram que esta téc-
nica utilizada, a partir dos princípios da Análise do Comportamento Aplica-
do, permitiu o fornecimento de um treino adequado às características e à
realidade da participante, o que confirmou a necessidade de avaliar as
idiossincrasias de cada paciente para o estabelecimento do tratamento.
Para as autoras, o reconhecimento das contingências das quais
o seu comportamento alimentar é função, por meio da análise funcio-
nal oportunizada pela automonitoração, foi decisivo para o planeja-
mento das refeições e consequente modificação nos hábitos alimenta-
res da participante.
As autoras indicaram que o planejamento das refeições associ-
ado à automonitoração foi fundamental no processo de instalação com
seguimento de regras nutricionais, uma vez que se verificou que a par-
ticipante apresentava no início do tratamento um déficit no comporta-
mento de planejar a alimentação. No caso em análise, observou-se tam-
bém que a variável situação financeira afetou fortemente o comporta-
mento alimentar. Sobre esta questão, as autoras afirmaram que:

Fatores econômicos, como baixa renda familiar, má


administração do dinheiro, déficit na análise de custo na
escolha dos alimentos a serem comprados, favorecem o
consumo de alimentos inadequados, levando à baixa
adesão à dieta (FERREIRA e CASSEB, 2002, p. 459).

118
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

As autoras indicaram também que a introdução de registro de


automonitoração deve ser feita gradualmente e iniciar com protocolos
mais simples para que os pacientes não experimentem muitas dificul-
dades neste período inicial de modelagem do comportamento. Poste-
riormente seria possível introduzir registros mais detalhados e, portan-
to, de preenchimento mais complexo, que inclusive permitiriam que o
próprio cliente analisasse as contingências das quais o seu comporta-
mento alimentar é função, favorecendo a instalação e/ou fortaleci-
mento de comportamentos de autocontrole. As autoras ainda sugeri-
ram a introdução posterior de registros que permitam a discriminação
dos ganhos na manutenção dos novos hábitos alimentares.
Por fim, as autoras ressaltaram a importância da realização de aten-
dimento psicoterápico durante a exposição ao procedimento, bem como a
viabilização de apoio da rede social e de uma equipe multiprofissional, com
vista a viabilizar a instalação e a manutenção da adesão às regras nutricionais.
Gonçalves e Oliveira (2003) realizaram uma pesquisa com tera-
peutas analítico-comportamentais atuantes em Belém do Pará com o
objetivo de sintetizar os casos de Obesidade em adultos atendidos por
eles. Participaram da pesquisa quatro terapeutas com tempo de atua-
ção clínica variando de quatro a oito anos, com número de atendimen-
tos variando de três a trinta clientes obesos adultos.
Os dados foram coletados por meio de um questionário com-
posto de dois grupos de perguntas, a saber: dados do psicólogo (tempo
de formação, tempo de atuação, estudos pós-graduados) e dados sobre
os casos (quantidade de casos, dados sociodemográficos dos clientes,
comorbidades, interferências da Obesidade na vida social, iniciativa
para o tratamento, queixa inicial, atribuição de causalidade, histórico
do comportamento alimentar, contingências do comportamento de co-
mer em excesso, estratégias de intervenção, ocorrência de atendimen-
to multiprofissional e dados gerais do atendimento como tempo total
de atendimento, motivo do término). O questionário, que perfazia um
total de 23 perguntas, foi enviado por fax ou e-mail para os psicólogos.
As autoras verificaram que a maioria dos clientes atendidos
pelos quatro psicólogos era do sexo feminino e estava casada. As ida-
des dos mesmos variavam de 17, 25 anos e 42, 45 anos. O nível de instru-
ção dos clientes variou em três dos quatro psicólogos, de Ensino Médio
incompleto até superior completo. Apenas um psicólogo atendeu cli-
entes que adquiriram a Obesidade já na idade adulta, enquanto os ou-
tros psicólogos trabalharam com clientes que a adquiriram na infância e

119
Universidade da Amazônia

adolescência. Três dos quatro psicólogos atenderam clientes que apre-


sentavam alterações orgânicas que variavam de hipertensão a proble-
mas endocrinológicos (diabetes, hipotiroidismo). Por fim, com exceção
de um psicólogo, em que todos os clientes já haviam se submetido
antes a tratamento psicológico, a maioria dos psicólogos atendeu clien-
tes que nunca tinham se submetido a atendimento psicológico.
O tratamento psicológico foi iniciado por indicação médica, ou
mesmo por pressão familiar, em raros casos partiu dos próprios clien-
tes. As queixas iniciais apresentadas foram ansiedade, depressão e di-
ficuldade de estabelecer controle sobre a ingesta alimentar. Na atribui-
ção da causalidade da Obesidade apareceu novamente a ansiedade,
bem como a falta de força de vontade e dificuldades de lidar com seus
próprios problemas. Todos os psicólogos relataram que a Obesidade
interferiu na vida social dos clientes produzindo esquiva de situações
sociais e afetivas, o que segundo os mesmos foi reforçado pelas carac-
terísticas físicas dos locais que não estão adaptados a pessoas obesas.
A análise das contingências das quais o comportamento de co-
mer excessivamente é função permitir traçar as seguintes hipóteses de
instalação do comportamento: hábitos alimentares familiares e; expo-
sição a ambientes carentes de reforços alternativos à comida e muito
estressantes. Da mesma forma foi possível identificar os eventos que
contribuíram e contribuem para a manutenção do comportamento: a
comida funciona como reforçador negativo, eliminando ou atenuando
os efeitos orgânicos causados pelo contato com um estímulo aversivo
e/ou funciona como reforçador positivo único em situações em que o
obeso não dispõe de outras fontes de reforço.
Com relação às estratégias de intervenção utilizadas verificou-
se que o auto-registro do comportamento alimentar foi o mais utilizan-
do, visando a dispor contingências para que os clientes discriminem as
contingências das quais o seu comportamento de comer é função. Um
dos psicólogos ainda afirmou que arranjava contingências para a ampli-
ação do repertório comportamental dos clientes, visando a ensiná-los a
buscar outras fontes de reforço positivo. Dentre as dificuldades relata-
das pelos clientes para seguir o tratamento estão problemas no segui-
mento de regras nutricionais, devido à sua história prévia, as sensações
físicas experimentadas, ao sedentarismo e a déficits de autocontrole.
Todos os clientes analisados realizavam atendimento concomi-
tante com outros profissionais de saúde (médicos, nutricionistas). Dois
dos quatro psicólogos informaram que este atendimento multiprofissi-

120
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

onal era obrigatório, pois seus clientes já tinham se submetido ou iriam


se submeter à cirurgia bariátrica.
Por fim, as autoras verificaram que os clientes atendidos pelos
quatro psicólogos abandonaram o tratamento, não receberam alta. Na
maioria dos casos o abandono ocorreu assim que o cliente experimen-
tou as primeiras melhoras (perda de peso e alívio da ansiedade). Como
o comportamento de comer em excesso não é a única demanda de
atendimento trazida, em geral, eles retornaram para o tratamento após
um longo período de tempo.
Pereira, Daleffe e Amaral (2004) apresentaram um trabalho em
uma mesa redonda durante o XIII Encontro Anual da ABPMC e II Con-
gresso Internacional da ABA, em Campinas, que discutiu as propostas
de avaliação psicológica de candidatos à cirurgia bariátrica, uma vez que
a aprovação desse procedimento cirúrgico depende de parecer psicoló-
gico favorável. Os autores delineiam o que seriam as linhas básicas para
a elaboração de um protocolo de avaliação:

O psicólogo deve discriminar, diante das contingências


inerentes à cirurgia, comportamentos que precisam fazer
parte do repertório do paciente para sua adaptação à nova
rotina e também definir critérios de exclusão, para prevenir
insucessos e evitar riscos. O laudo psicológico, com parecer
para a cirurgia, deverá conter informações da linha de base
dos comportamentos considerados relevantes para o
sucesso do procedimento cirúrgico (PEREIRA, DALEFFE e
AMARAL, 2004).

Os autores concluíram afirmando que este protocolo deve ser ela-


borado de forma a permitir ainda a identificação de comportamentos des-
favoráveis e de possíveis transtornos psicológicos impeditivos à cirurgia.
Fernandes, Immer, Ferreira e Malcher (2004) realizaram uma pes-
quisa com pacientes portadores de diabetes Tipo 2 com Obesidade mo-
derada, com o objetivo de investigar os efeitos de registro de automoni-
toração e relato verbal no seguimento de regras nutricionais. Os sujeitos
foram três pacientes atendidos por um programa multiprofissional de
um hospital universitário de Belém-Pa, sendo dois homens (A com 50
anos e C com 54) e uma mulher (B com 39), com respectivamente um ano,
cinco anos e um ano de tempo de diagnóstico. Todos os pacientes eram
alfabetizados e de classe socioeconômica distintas, mas apresentavam
dificuldades na adesão às prescrições nutricionais em pelo menos 50%

121
Universidade da Amazônia

das refeições. A coleta de dados foi dividida em cinco etapas, a saber: 1.


Linha de base de comportamentos de seguir a regras nutricionais; 2. trei-
no em auto-observação do comportamento alimentar, realizado em dias
alternados, em duas condições: Condição 1 = uso de registro de automo-
nitoração e Condição 2 = uso de relato verbal, ambas referentes a alimen-
tação do dia anterior, o critério de mudança da condição 1 para a condição
2, foi obter no mínimo de 50% do índice de adesão à dieta alimentar em
três sessões consecutivas; 3. avaliação dos custos e benefícios de cada
condição, feita por meio de entrevistas com os pacientes; 4. treino no
planejamento da dieta e; 5. entrevista de encerramento.
A análise dos dados mostrou a existência de variabilidade inter-
sujeitos no que tange ao número de sessões/entrevistas, necessário
para a mudança de Condição. No entanto, em todos os casos foi possível
verificar melhora nos repertórios de auto-observação em relação à qua-
lidade, quantidade e fracionamento da dieta, bem como verificar que o
uso de registros de automonitoração (Condição 1) contribuiu para a
melhora no relato verbal (Condição 2), epara a ampliação do repertório
de autoobservação e para a obtenção de melhores índices de adesão à
dieta. As autoras ressaltaram, contudo, a necessidade de discutir algu-
mas dificuldades verificadas na execução do procedimento como: “... A
imprecisão das informações contidas nos protocolos nutricionais e a
interferência de problemas de saúde associados ao diabetes na melho-
ra da adesão ao tratamento” (FERNANDES, IMMER, FERREIRA e MAL-
CHER, 2004). Esta pesquisa foi apresentada ainda com os dados parciais
na VII Semana Científica do Laboratório de Psicologia da UFPa, no mes-
mo ano (FERNANDES, IMMER e FERREIRA, 2004).
Laloni (2004) realizou uma pesquisa apresentando a análise de
alguns transtornos alimentares, a saber: a Bulimia, a Anorexia, o Trans-
torno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) e a Obesidade. Para os
fins da presente pesquisa analisou-se apenas o item concernente à
Obesidade. Neste item específico do texto, a autora estabeleceu como
objetivo a demonstração da análise de contingências do comportamen-
to de comer em pacientes obesos, com vistas à sugestão de interven-
ções e promoção de orientação a grupos interdisciplinares.
Após esclarecimentos iniciais sobre a definição, critérios de afe-
rição, prevalência e interação com outros transtornos (como o TCAP), a
autora passou a apresentar a análise funcional do comportamento ali-
mentar de dois grupos de obesos que buscaram ajuda psicológica. Nes-
te sentido, a autora esclareceu que:

122
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A funcionalidade do comportamento foi analisada, tanto a


partir das condições que propiciam a sua ocorrência, quan-
to às condições da sua manutenção. O estudo dessa rela-
ção funcional entre estímulos antecedentes, comportamen-
to e estímulos conseqüentes, foi efetuado em cada caso
individualmente, buscando-se a compreensão para cada
indivíduo da funcionalidade de seu próprio comportamen-
to de comer excessivamente.
A hipótese adotada foi que os comportamentos de comer
em excesso podiam estar tanto sob controle de contingên-
cias positivas quanto de contingências negativas (LALONI,
2004, p. 172).

O primeiro grupo, chamado grupo do emagrecimento por dieta,


foi formado por dez mulheres obesas encaminhadas pelo Ambulatório
de Endocrinologia para participar de um programa de controle alimen-
tar em grupo. Nenhuma delas tinha indicação para a realização de cirur-
gia bariátrica, mas deveriam mudar o hábito alimentar para reduzir o
peso corporal. O objetivo desse grupo foi observar e descrever as con-
tingências mantenedoras do comportamento de comer em excesso,
visando intervir terapeuticamente com os pacientes e orientar médi-
cos e nutricionista que os atendiam.
O segundo grupo, chamado grupo do emagrecimento por ato ci-
rúrgico, formado por 13 pacientes obesos mórbidos, sendo cinco ho-
mens e oito mulheres, que procuraram o atendimento psicológico por
necessitarem de um parecer psicológico; parte dos procedimentos para
a aprovação da cirurgia bariátrica. Os objetivos específicos deste grupo
foram a elaboração de um laudo psicológico, de orientações à equipe
multiprofissional que realizaria a cirurgia e o estabelecimento de pro-
grama de acompanhamento pós-cirúrgico. Apesar dos objetivos especí-
ficos de cada grupo, todos deveriam ter o seu comportamento de co-
mer em excesso modificado.
A análise dos dados revelou que a instalação do comportamento
de comer em excesso se deu ao longo da história de vida dos sujeitos e
que as contingências atuais fornecem reforços positivos e/ou negati-
vos para este comportamento, mantendo-o. No trecho abaixo, a autora
apresentou a classificação do comportamento de comer em três dife-
rentes tipos de classe de respostas:

123
Universidade da Amazônia

a) o comportamento de comer caracterizado por dieta rica


em gordura e carboidratos e poucos exercícios físicos no
repertório comportamental, b) o comportamento de comer
é compulsivo, ocorre ingestão periódica e recorrente em
grandes quantidades de alimentos, c) o comportamento
de comer ocorre de forma desordenada, associado a estados
de tensão e ansiedade, e o repertório de exercícios físicos
pode ou não estar presente.
[...] o comportamento de comer excessivamente é mantido
por reforçamento negativo, em pessoas com baixa
resistência à frustração, e por reforçamento positivo, em
pessoas com hábitos alimentares associados a sucesso
social e qualidade de alimentos, os pacientes têm
reforçamento imediato, não havendo diferenças nos dois
grupos (LALONI, 2004, p. 173).

A autora classificou algumas “contingências antecedentes” ob-


servadas e as dividiu em Antecedentes históricos recentes e Anteceden-
tes aversivos. Dentro do conjunto de Antecedentes históricos recentes
está um histórico de não seguimento de regras (em especial médicas),
a exposição constante a alimentos (fartura em reuniões sociais) e uma
alimentação ricamente preparadas por outros. Dentro do conjunto de
Antecedentes aversivos estão ter de pagar contas e não ter dinheiro
suficiente, ter sido punido ao emitir opinião, e assistir a brigas familia-
res, doença e morte na família.
Além disso, a autora classificou também algumas “contingências
consequentes” observadas e as dividiu em Consequências positivas e
Consequências negativas. Dentro do conjunto de Consequências positi-
vas, estão a ingestão de alimentos mais baratos (farináceos e doces),
ingestão de guloseimas, bolachas, chocolates, refrigerantes e balas e o
experimentar pratos variados durante o ensino de preparo de alimen-
tos a outros. Dentro do conjunto de Consequências negativas estão evi-
tar pensar que tem de pagar contas, evitar subir na balança e olhar para
o espelho, evitar situações de exposição, evitar falar de doenças e mor-
te e evitar exames médicos.
A autora verificou também que, em ambos os grupos, os pacientes em
geral se comportavam em função de reforçamento positivo imediato e ti-
nham uma baixa frequência de seguimento de regras. Em vista desse qua-
dro, a autora configurou linhas de intervenção específicas para cada grupo:
no grupo de emagrecimento por dieta foram selecionados para a composição
do tratamento os comportamentos de manejo de ansiedade como treino de

124
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

enfrentamento de situações aversivas, ampliação do repertório de compor-


tamentos de seguir instruções e a modelagem de comportamentos de discri-
minar as qualidades calóricas e nutricionais dos alimentos; no grupo de ema-
grecimento por ato cirúrgico, o procedimento básico foi a análise funcional
do comportamento de comer em excesso, visando a identificar os comporta-
mentos a serem modificados tanto antes quanto depois da cirurgia bariátri-
ca, dentre os quais destacou-se o comportamento de seguir regras.
Como resultado da aplicação dos procedimentos, a autora obser-
vou que o grupo de emagrecimento por dieta apresentou perda de peso
lenta e pequena, demonstrando um alto índice de flutuação no peso.
Por outro lado, o grupo de emagrecimento por ato cirúrgico apresentou
uma grande e rápida perda de peso, com pequena flutuação.
Além disso, a autora observou que a forma de configuração dos
procedimentos favoreceu a adesão das equipes multiprofissionais que
atendiam ambos os grupos, já que os profissionais passaram também a
avaliar o desempenho dos pacientes levando em considerações os as-
pectos elencados pela autora, o que favoreceu também a adesão ao
tratamento pelos pacientes.
A autora concluiu afirmando a importância de psicólogos Ana-
listas do Comportamento se envolverem na construção de critérios para
a composição de laudos pré-cirurgia bariátrica. Indicou, nesse sentido,
a necessidade de realizar análises funcionais dos comportamentos re-
levantes, com previsão de respostas futuras com e sem intervenções.
Além disso, a autora indicou que é preciso:

[...] Discriminar contingências para propor protocolos de


avaliação, definir critérios de exclusão nos casos de cirurgia
bariátrica, identificar o repertório comportamental mínimo
que deve estar presente antes e depois do ato cirúrgico, e
ser capaz de discriminar transtornos psicológicos
impeditivos para a cirurgia (LALONI, 2004, p. 174).

Marques e Graim (2004) realizaram uma pesquisa com pacientes


submetidos à cirurgia bariátrica, com o objetivo de avaliar o nível de
adesão ao tratamento recomendado após a cirurgia. Foram entrevista-
dos um médico e uma nutricionista que compunham uma das equipes
que realizava a cirurgia e acompanhava os pacientes no período poste-
rior a esta, para identificar as condutas em geral indicadas para os paci-
entes (tipo de alimento, tipo de exercício físico, medicações etc.). Fo-
ram entrevistados também três pacientes obesos, todos do sexo femi-

125
Universidade da Amazônia

nino, na faixa etária de 27 a 47 anos, que tinham sido submetidos à


cirurgia, em um período de tempo que variou de três meses a um ano,
pela mesma equipe da qual faziam parte o médico e a nutricionista
entrevistados previamente. Na entrevista com os pacientes foram abor-
dados os seguintes assuntos: dia típico (semana e final de semana);
sintomas no pós-cirúrgico; descrição do tratamento pós-cirúrgico; justi-
ficativas para as condutas conflitantes com o tratamento descrito.
A análise dos resultados demonstrou que não havia pontos ou
orientações conflitantes, indicando que há uma articulação entre os
profissionais atuantes na equipe acerca da conduta a ser requerida dos
pacientes. A única modificação observada foi feita no tratamento de
RSC, que devido a outras complicações de saúde não iniciou a atividade
física no mesmo período que as outras pacientes. Todas as participantes
apresentaram algum sintoma após a cirurgia: gases e hérnia incisional
(ENC); gases, dores no estômago e enjôo (MCS); enjôo e vômitos (RSC).
As autoras passam a descrever os resultados de cada participan-
te individualmente, indicando que, dessa forma, a análise respeitaria
os princípios da Análise do Comportamento. Sendo assim, a análise se
iniciou pelos dados colhidos com ENC. Na comparação do tratamento
descrito pela equipe e do tratamento descrito pela participante foi pos-
sível identificar que as únicas recomendações seguidas foram a inges-
tão de medicamentos e a realização de exames periódicos, por outro
lado, observou-se que a maior parte das condutas da paciente vão de
encontro ao tratamento, como a ingestão constante de alimentos hi-
percalóricos (chocolate todos os dias). A análise das justificativas de
ESC para esta conduta conflitante, demonstrou que ela, algumas vezes,
distorceu as recomendações (“eu como assim um pão de queijo... eu
não posso ficar muito tempo sem comer!”) e outras vezes apresentou
regras como “Já emagreci e não vou engordar mais”, para justificar fra-
ses como: “Eu não mudei nada a comida... só no início”.
A análise dos dados de MCS iniciou-se pela comparação do tra-
tamento descrito pela equipe e do tratamento descrito pela participan-
te, quando foi possível identificar que a paciente compreendeu a ne-
cessidade de fracionar as refeições, realizando-as de duas em duas ho-
ras com pequenas quantidades de alimento, conforme recomendação.
No entanto, MSC ainda compunha as refeições com alimentos hiperca-
lóricos, apresentados de foram diferente para permitir a ingestão (an-
tes: açaí e farinha; agora: picolé de açaí). A seguinte verbalização de
MSC reforçou esta análise: “Eu não podia comer nada que engorde, mas

126
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

eu como assim mesmo”. Observou-se também nesta participante a dis-


torção das recomendações componentes do tratamento. A frase a se-
guir exemplifica isto: “Eu preciso arrotar para poder comer... mas se eu
tomar uma coca-cola eu consigo”.
A análise dos dados de RCS iniciou-se pela comparação do
tratamento descrito pela equipe e com o tratamento descrito pela
participante, quando foi possível identificar que a paciente demons-
trava conhecer o tratamento e tentava segui-lo, no entanto, sua con-
dição financeira se apresentou como um obstáculo à modificação de
seus hábitos alimentares e à ingestão do medicamento recomenda-
do. A atividade física leve que foi indicada para as duas outras paci-
entes não constava do tratamento de RCS. No entanto, na descrição
de sua rotina, observou-se a realização de tarefas doméstica que
exigiam grande esforço físico, como lavar roupas. Observou-se tam-
bém que, na tentativa de só ingerir alimentos mais saudáveis, RCS
selecionou frutas ácidas, o que não era indicado na fase do trata-
mento em que se encontrava, ou ingeriu apenas água, comprome-
tendo o seu estado nutricional.
As autoras concluíram que a exposição ao ato cirúrgico não pro-
moveu alteração na dieta alimentar para a maioria das pacientes, ape-
nas promoveu uma redução na quantidade de comida ingerida e elimi-
nou a ingesta de determinados alimentos por conta de sintomas físicos
pareados a eles (açaí líquido, por exemplo). Outro aspecto em que não
se observou alteração foi o padrão de atividade física dos pacientes, já
que a maioria ainda não realizava os exercícios físicos recomendados
(caminhada, por exemplo).
Orsati e Tomé (2004) realizaram um estudo de caso com uma
paciente de 39 anos, submetida à cirurgia bariátrica sem acompanha-
mento psicológico e nutricional. A coleta de dados se deu por meio de
entrevistas semi-abertas com o objetivo de levantar o “histórico da
Obesidade e o processo do procedimento cirúrgico” (ORSATI e TOMÉ,
2004). As autoras identificaram nos relatos a existência de um histórico
de Obesidade tanto na paciente quanto em familiares, bem como osci-
lações de peso (de obesa a eutrófila) e abuso de substâncias desde a
adolescência. A análise funcional do comportamento de comer da paci-
ente revelou que o padrão alimentar não foi alterado após a cirurgia,
uma vez que:

127
Universidade da Amazônia

[...] Sua relação com a alimentação permanece a mesma:


frente a uma contingência aversiva o sujeito utiliza o
alimento como reforço imediato, alívio, esquema de
reforçamento negativo; e pelo ganho de peso não ser uma
punição imediata não evita o comportamento alimentar
compulsivo (ORSATI e TOMÉ, 2004).

As autoras perceberam, no entanto, que a paciente só apresen-


tava mudanças no repertório comportamental, quando estava frente a
duas situações de punição: a relação com o marido e o excesso de que-
da de cabelo. Desta forma, as autoras concluíram que é imprescindível a
avaliação multidisciplinar prévia dos candidatos à cirurgia bariátrica,
uma vez que é preciso diagnosticar a existência de Transtorno de Com-
pulsão Alimentar Periódica (TCAP), com 39% de incidência em candida-
tos a esta cirurgia. Outro aspecto apontado foi a importância da adequa-
ção de expectativas e compreensão do caráter permanente da cirurgia
pelos pacientes. Sendo assim, as autora defenderam um efetivo acom-
panhamento psicológico para a modificação do comportamento alimen-
tar dos pacientes.

128
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

À GUISA DA
CONCLUSÃO

129
Universidade da Amazônia

N a busca por historiar, sintetizar e analisar a produção científica


brasileira da Análise do Comportamento sobre o tema Obesida-
de nos 33 anos que compuseram esta amostra foram localizados
78 trabalhos produzidos, dos quais foi possível analisar diretamente
trinta trabalhos e indiretamente mais oito trabalhos, perfazendo um
montante de 48,72% do total da produção.
No entanto, a análise mais atenta dos trabalhos revelou que, na
verdade, o número real de pesquisas realizadas ficou em torno de 53, uma
vez que em vários casos os resultados de uma mesma pesquisa foram vei-
culados de formas e em espaços diferentes. Tomando este novo parâmetro
é possível afirmar que da década de 70 analisou-se 50% das pesquisas; da
década de 80 analisou-se 57,14% das pesquisas; da década de 90 analisou-
se 44,44% das pesquisas e; por fim, dos primeiros anos do Século XXI (2001-
2004) analisou-se 34,28% das pesquisas. Sendo assim, do total de pesquisas
identificadas foi possível acessar os resultados de 21 pesquisas, perfazen-
do um montante de 39,62%. Dos quatro períodos de tempo analisados,
aquele em que se obteve o menor índice de trabalhos analisados, foi o
último (2001-2004). Sem dúvida, a ausência mais significativa na análise
dessa produção científica é representada pelos trabalhos realizados e/ou
orientados pela profª. Mª Cristina Di Benedetto (UNIPAR), da qual não foi
possível captar nenhum trabalho. Dois fatores contribuíram para o não aces-
so a este material: muito dos trabalhos realizados por esta autora foram
veiculados exclusivamente na forma de resumos publicados em anais de
congresso e; a recentecidade das pesquisas, uma vez que publicar uma
pesquisa na forma de artigo e/ou livro requer um tempo maior do que o
necessário para apresentá-la em congressos.
O caminho de análise traçado permitiu a composição de um perfil
das pesquisas em cada um dos quatro períodos de tempo analisados. Da
década de 70, observou-se um número reduzido de trabalhos (3), deri-
vados de duas pesquisas, ambas realizadas durante cursos de pós-gra-
duação stricto sensu em duas das mais tradicionais universidades brasi-
leiras (USP e UnB). Nos dois casos, o tipo de pesquisa realizado foi a
pesquisa experimental e buscou-se por meio do ensino de técnicas de
autocontrole intervir no comportamento alimentar de indivíduos obe-
sos ou com sobrepeso do sexo feminino, sobretudo, visando reduzir
seu peso. Um aspecto interessante é que uma das recomendações e/ou
indicações para novas pesquisas presente na primeira pesquisa (KER-
BAUY, 1972, 1977) – treinar o autocontrole em situações mais simples –
foi levada a efeito na última pesquisa realizada nesta década, fato este

130
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

explicitado já no título do trabalho: “Uma solução simples para um pro-


blema comportamental complexo: uma contribuição para o estudo da
Obesidade” (CUNHA, 1980).
Na década de 80 foi possível identificar um número maior de
trabalhos realizados, mas ainda concentrados nas mãos das duas pes-
quisadoras presentes na década anterior – Jacira Cunha e Rachel Ker-
bauy. Embora, o número de pesquisadores envolvidos nos trabalhos
tenha crescido, alguns deles já mantinha estreita ligação com os traba-
lhos da década anterior, a exemplo de Tereza Mettel e João Cláudio
Todorov que orientaram a dissertação de Jacira Cunha.
Uma outra prova da extensão da influência das duas autoras para
a produção da década de 80, é que a dissertação de mestrado de Denise
Heller (1990) foi orientada por Rachel Kerbauy e seu delineamento ex-
perimental foi bastante semelhante ao utilizado por sua orientadora
em sua tese de doutorado. No entanto, é preciso destacar a contribui-
ção prestada por Denise Heller à construção de instrumentos de inter-
venção adaptados à população de nível socioeconômico mais baixo,
permitindo que pessoas consideradas analfabetas funcionais possam
ter acesso a instrumentos como o registro de alimentos, fundamental
para o treino de automonitoria do comportamento alimentar. Além dis-
so, a identificação das dificuldades mais frequentes para o seguimento
do programa, tanto na fase inicial, quanto na fase de manutenção, e a
socialização das estratégias sugeridas para superar estas dificuldades,
construídas não apenas pela pesquisadora, mas também pelos próprios
participantes em sessões de grupo, aparece como uma fonte inspirado-
ra de reflexões sobre os motivos da não manutenção do peso após en-
cerramento do programa e foi bastante promissor na indicação de alter-
nativas à manautenção do peso.
O único trabalho identificado que não mantém, ao menos apa-
rentemente, relação com a produção das duas autoras foi a dissertação
de Egle Duarte em 1981, mas que por ter sido defendida na UnB no
programa de pós-graduação em Psicologia apenas um ano após a dis-
sertação de Jacira Cunha, muito provavelmente deve ter sofrido algum
grau de influência. Outro aspecto que chama a atenção é que, exceto
um dos artigos publicados no periódico: “Ciência do comportamento”,
que foi derivado de uma pesquisa experimental realizada após a dis-
sertação de Jacira Cunha, financiada pelo CNPq, todos os outros artigos
se apresentam como desdobramento de sua dissertação, sobretudo,
do capítulo da Fundamentação teórica.

131
Universidade da Amazônia

Da década de 80 ainda é preciso destacar a importância do capítulo


de livro elaborado por Rachel Kerbauy em 1987, que se configurou como
um “Estado da Arte” dos resultados de pesquisas experimentais e clínicas
sobre a Obesidade, realizadas principalmente nos EUA, grande pólo de
produção da Análise do Comportamento, que permitiu ratificar o caráter
interdisciplinar do problema e delinear uma proposta de intervenção clíni-
co-comportamental baseada, sobretudo, na análise funcional.
Na década de 90 ocorreu uma ampliação do contingente de pes-
quisadores envolvidos, dos tipos de pesquisas realizados e dos objeti-
vos. A maioria das pesquisas realizadas nas décadas anteriores tinha
como objetivo principal produzir a redução de peso e manter o peso
nos níveis alcançados e mesmo até em níveis menores; na década de 90
surgem pesquisas interessadas em avaliar os programas e compreen-
der as variáveis envolvidas na desistência de sujeitos ainda na fase ini-
cial (FLORENZANO, 1994); pesquisas que visavam a identificar as estra-
tégias de enfrentamento em situações de alto risco de recaída, utiliza-
das pelos indivíduos que tinham sido expostos a programas comporta-
mentais que se encontravam em fase de manutenção (SMOKOWICZ,
1997) e; pesquisas que adquirem um delineamento mais clínico (BRAN-
DÃO, NEVES e SILVEIRA, 1994). Desta forma, outro grupo de variáveis
passa a ser objeto de estudo dos Analistas do Comportamento interes-
sados no fenômeno Obesidade em outros settings.
Mas é, sem dúvida, no último período de tempo analisado que se
encontra além da maior quantidade de trabalhos a maior diversidade
de objetivos e delineamento. Os delineamentos de pesquisa variaram,
de forma a incluírem estudos de caso que promoveram o refinamento
de técnicas tradicionalmente usadas, como a automonitoria (FERREIRA
e CASSEB, 2002) a estudos de caso que passaram a utilizar o arsenal de
instrumentos disponibilizado por outras abordagens (inventários e es-
calas) na intervenção e pacotes estatísticos, corroborando para a confir-
mação dos resultados observados na análise funcional do comporta-
mento (BARBOSA, 2001). Os objetivos das pesquisas variaram da descri-
ção das contingências mais comumente envolvidas em casos de supe-
ralimentação (LALONI, 2004) até a adesão ao tratamento após a cirurgia
bariátrica (MARQUES e GRAIM, 2004). Além disso, novos temas passa-
ram a fazer parte do conjunto de estudos realizados nesta época: a Obe-
sidade infantil, avaliação e acompanhamento psicológico pré e pós-
cirurgia bariátrica, Obesidade na terceira idade, Obesidade e gênero,
Obesidade em pacientes diabéticos, por exemplo.

132
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A análise dessa produção permite afirmar que temas significati-


vos e atuais em relação à Obesidade em cada período de tempo foram
objeto de pesquisa dos Analistas do Comportamento brasileiros, de-
monstrando que este grupo de profissionais manteve-se atento às de-
mandas sociais relacionadas ao problema. A própria diversificação de
temas, delineamentos e objetivos consubstancia tal percepção. A des-
peito disso, verificou-se que estas incursões de pesquisa foram levadas
a efeito por um número reduzido de profissionais, que juntamente com
seus orientados, abordaram aspectos diferentes do fenômeno. Uma
consequência disso pode ser o fato de não ter sido identificado no Dire-
tório de Grupos de Pesquisa do CNPq nenhum grupo formado em torno
dessa temática que fundamentasse suas investigações na Análise do
Comportamento. Parece que, com raras exceções, as investigações so-
bre Obesidade surgem no contexto da investigação de outros fenôme-
nos ou outros agravos à saúde relacionados. Por conta disso, em diver-
sos momentos foi possível perceber que as sugestões de novas pesqui-
sas, feitas no final de um trabalho, não inspiraram outros profissionais
ou mesmo o próprio autor a realizarem a investigação das questões
sugeridas.
Estudar um fenômeno complexo requer uma empreitada de fô-
lego e passos relacionados. Na verdade, requer a criação de programas
de pesquisa. Desta forma, a produção analisada, apesar de profícua,
não pode ser encarada como o resultado de um programa brasileiro de
pesquisa sobre a Obesidade. Uma consequência disso é o fato de que
algumas questões, como a manutenção do peso perdido é repetida-
mente indicada ao longo desses 33 anos analisados como questão para
a qual não se tem respostas ainda consolidadas.
O presente trabalho chega ao final tendo composto mais que um
mapa da produção da Análise do Comportamento sobre o tema Obesi-
dade, uma vez que, o estudo dessa produção, nos permitiu compor
outro mapa, o das pesquisas que ainda precisam ser realizadas. Neste
sentido, cumpre sua função como um trabalho científico: mais que res-
postas, abastece de perguntas, combustível essencial à produção do
conhecimento científico.

133
Universidade da Amazônia

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146
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANEXO E APÊNDICE

147
Universidade da Amazônia

APÊNDICE

Ficha de Análise

148
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

APÊNDICE: FICHA DE ANÁLISE DE


DADOS TEÓRICO-METODOLOÓGICOS

Autor/Ano Problema de Objetivos Referencial Teórico


Pesquisa

Pesquisa Local de Fonte de Dados Técnica de Técnica de


Investigação Coleta Análise

Resultados Conclusões Indicação de Futuras


Pesquisas

149
Universidade da Amazônia

ANEXO

Catálogo de Trabalhos sobre Obesidade


e Análise do Comportamento
1972 – 2004

150
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

DÉCADA DE 70

151
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO

1972 USP/SP Rachel Auto-controle: Tese de Plataforma


Rodrigues manipulação de doutorado(em Lattes
KERBAUY condições Psicologia
antecedentes e Experimental)
conseqüentes do
comportamento Citada em
alimentar outros textos

1977 USP/SP Rachel Autocontrole: Artigo Periódico


Rodrigues manipulação das científico:
KERBAUY condições Psicologia, v.3,
antecedentes e pp. 101-131
conseqüentes do
comportamento
alimentar

1980 UnB/DF Jacira Uma solução simples Dissertação Lattes do


Aparecida para um problema de Mestrado orientador:
da CUNHA comportamental (em João Cláudio
complexo: uma Psicologia) Todorov
contribuição para o
estudo da Obesidade Base on line da
UnB.(http://
www.unb.br/ip/
web/pos/
res_m_1995.htm)

TOTAL: 03 trabalhos

152
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

DÉCADA DE 80

153
Universidade da Amazônia

154
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

155
Universidade da Amazônia

156
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

DÉCADA DE 90

157
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO
1994 UEL/PR Maria Zilah Psicoterapia de Resumo em Lattes do
BRANDÃO, grupo: autocontrole Periódico Eduardo
Eduardo no tratamento da Torre de
Campos de Obesidade Babel: revista
Almeida de Psicologia
NEVES19 e Experimental e
Jocelaine Análise do
Martins da Comportamen-
SILVEIRA. to, v. 1, p. 56

1994 USP/SP João JULIANI Obesidade: segue- Resumo em Biblioteca da


e Rachel se as prescrições? congresso USP
Rodrigues
KERBAUY Anais da 24ª
Reunião Anual
da Sociedade
Brasileira de
Psicologia,
Ribeirão Preto,
p. 392

1994 UEL/PR Ana Paula Razões da Desis- Monografia. Plataforma


FLORENZANO tência de Indivídu- (Aperfeiçoa- Lattes
os em Grupos mento/
Submetidos a um Especializa-
Programa de Alto ção em
Controle da Psicoterapia
Obesidade na Análise
do Compor-
tamento)
Orientador:
Vera Lucia
Menezes da
Silva

1995 USP/SP Jocelaine Fatores relaciona- Resumo em Plataforma


Martins da dos com a manuten- Congresso Lattes
SILVEIRA; ção e perda do peso III Congresso
Rachel Interno do
Rodrigues Instituto de
KERBAUY Psicologia da
USP, São Paulo.
Anais do
Congresso
Interno do
Instituto de
Psicologia da
USP, p. 13.

19
O autor declara ter feito este trabalho na Análise do Comportamento, muito embora hoje se oriente
pela Cognitivo comportamental.

158
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO
1995 USP/ P Rachel A Análise da Resumos Plataforma
Rodrigues História Alimentar em Latte
KERBAUY da Mãe Em Relação congresso &
e Ao III Congresso
Marina Comportamento Interno do
Plastina Alimentar dos Instituto de
BUZZO Filhos Psicologia USP,.
III Congresso
Interno do
Instituto de
Psicologia USP.
SÃO PAULO-SP.
p. 3-3
1996 UFPR/PR Terezinha de Obesidade: Monografia Plataforma
Jesus Estratégias de de conclusão Lattes
SMOKOWICZ Enfrentamento de do curso de &
Situações de Alto Aperfeiçoamento/ Nas
Risco Especialização referências de
em artigo
Psicologia derivado da
Clínica- mesma
Behaviorismo.
Orientadora
Maria Zilah
Brandão e
Yara K.
Ingberman
1997 UFPR/PR Terezinha de Obesidade: Artigo Interação,
Jesus Estratégias de Curitiba, v. 1, p.
SMOKOWICZ Enfrentamento de 73-93, jan./dez.
Situações de Alto 1997
Risco
1998 UCG/GO Viviane de Ansiedade, Trabalho de Plataforma
Amorim Obesidade, Conclusão de Lattes
Fleury Aprendizagem Curso.
SANTANA (Graduação
em
Psicologia)
Orientador:
Luc Marcel
Adhemar
Vandenberghe
1999 UNIPAR/PR Cristina DI Grupo Informativo Resumo em Plataforma
BENEDETTO sobre Obesidade Congresso Lattes
In: II Jornada
de Psicologia
Internacional,
Umuarama.
Anais da
Unipar

159
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO
1999 USP/SP Rachel A história Resumo em Plataforma
Rodrigues alimentar de mães congresso Lattes
KERBAUY e a influência em &
e relação ao VIII Encontro
Marina comportamento da ABPMC,
Aparecida alimentar dos 1999, São
Pastana filhos Paulo, v. 8
BUZZO

2000 UTP/PR Denise Redução de peso: Artigo Disponível na


Cerqueira identificação de www.bvs-
Leite variáveis e psi.org.br, no
HELLEReRachel elaboração de Lattes da
Rodrigues procedimentos orientadora e
KERBAUY com uma da autora
população de baixa &
renda e Revista
escolaridade Brasileira de
Terapia
Comportamental
e Cognitiva,
v.2; n .1, pp.
31- 52, jan-jun
2000.

2000 USP/SP Débora Adolescentes Resumo de Plataforma


Regina Obesos: Congresso Lattes
BARBOSA Identificação e &
Modificação de In: Reunião
Habilidades Sociais Anual da
Associãção
Brasileira de
Medicina e
Psicoterapia
Comportamental,
2000,
Campinas.
Resumos do IX
Encontro da
Associação
Brasileira de
Psicoterapia e
Medicina
Comportamental,
2000. p. 66-66

160
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO

2000 USP/SP Débora Obesidade: uma Resumo de Plataforma


Regina abordagem Congresso Lattes
BARBOSA comportamental &
In: Simpósio
da Associação
Brasileira de
Psicologia
aplicada à
clínica e a
cirurgia da
Obesidade,
2000, São
Paulo.
Resumos do
Simpósio. São
Paulo :
Faculdade de
Medicina-Usp,
2000..
2000 UEL/PR Fátima C. S. Conheça um pouco Artigo em Plataforma
CONTE eE. sobre a Obesidade Jornal / Lattes
GROSS infanto-juvenil. revista &
Informativo
PSICC,
Londrina, v. 1,
p. 3- 3, 01 dez.

TOTAL: 14 trabalhos

161
Universidade da Amazônia

OS PRIMEIROS ANOS DO
SÉCULO XXI (2001-2004)

162
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO/
DIVULGAÇÃO

2001 UEL/PR Vera Lúcia Obesidade: O Que Capítulo de Plataforma


Menezes da Nós, Psicólogos, Livro Lattes
SILVA Podemos Fazer? In: WIELENSKa,
R. C.. (Org.).
Sobre
Comportamento
e Cognição:
Questionando
e Ampliando a
Teoria e as
Intervenções
Clínicas e em
Outros
Contextos.
Santo André –
SP: ARBytes,
vol. 6 , p. Cap.
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MORELLI, Umuarama :
Rosa Maria Gráfica e
SARTORI, Editora
Tatiana Nara Campana Ltda,
VIVAN 2001. p. 94-94

2001 UNIPAR/PR Cristina DI Intervenção Resumo em Plataforma


BENEDETTO, Psicológica em congresso Lattes
pacientes obesos
&

In: Jornada
Internacional
de psicologia
da Unipar, ,
Umuarama.
Anais da
Unipar

163
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2001 USP/SP Débora Relação entre Dissertação Plataforma


Regina Mudanças de peso de Mestrado Lattes
BARBOSA e Competência em Psicolo-
Social em Dois gia Clínica. &
Adolescentes Orientador:
Obesos Durante Sonia Beatriz www.teses.usp.br
Intervenção Meyer.
Clínica Comporta-
mental

2001 USP/SP Rachel Pesquisa sobre Resumos em Plataforma


Rodrigues emagrecimento em Congresso Lattes
KERBAUY uma empresa de &
e produtos químicos In: V Congresso
Andréia de Minas Gerais. Interno do
Elena Um estudo sobre IPUSP, 2001,
MOUTINHO Obesidade São Paulo. V
Congresso
Interno do
IPUSP. São
Paulo: Instituto
de Psicologia,
p. 115-115.
2001 USP/ P Rachel Pesquisa sobre Resumos em Biblioteca da
Rodrigues emagrecimento em Congresso USP
KERBAUY uma empresa de &
e produtos químicos In: XX Encontro
Andréia de Minas Gerais. Brasileiro de
Elena Um estudo sobre Psicoterapia e
MOUTINHO Obesidade Medicina
Comportamen-
tal, Campinas,
p. 128

2001 UNIPAR/PR Fernanda N. A auto-imagem da Trabalho de Plataforma


A. Del adolescente com Conclusão Lattes
GROSSI sobrepeso e de Curso
Obesidade (Orientador:
Cristina Di
Benedetto)

2001 UNAMA/PA Elianne de Regras, auto-regras Trabalho de Plataforma


Jesus Maciel e dificuldades no Conclusão Lattes
ROCHA, estabelecimento de Curso de
Elisangela de relacionamen- Psicologia.
ABDELNOR, tos amorosos em Orientador:
Paloma indívíduos obesos. Lúcia
VANNETA Cristina
Cavalcante
da Silva

164
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEICULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2001 UnB/DF Patrícia Registro alimentar Dissertação Plataforma


Costa e automonitora- de Mestra- Lattes
BEZERRA mento: uma do em
contribuição para o Psicologia -
controle da Orientador:
Obesidade Lincoln da
Silva
Gimenes
2002 UNIPAR/PR Cristina Di A Obesidade e Resumo em Plataforma
BENEDETTO seus enfoques congresso Lattes
psicológicos &
VI Jornada
Internacional
de Psicologia
2002 UNIPAR/ Cristina DI Obesidade: terapia Trabalho Plataforma
CESUMAR BENEDETTO, multidisciplinar (a completo Lattes
Fabiana intervenção publicado &
Aleixo psicológica) em Anais de In: XI Encontro
GOMES, congresso Brasileiro de
Késiene Do Psicoterapia e
Amaral Medicina
TOLEDO, Comportamental,
Nívia 2002,
Dornellas Londrina.
MORELLI, Anais do XI
Rosa Maria Encontro
SARTORI; Brasileiro de
Camila da Psicoterapia e
Silveira Medicina
FRAGERRI Comportamental.
Londrina : UEL,
2002. p. 23-24.
2002 UNIPAR/PR Sabrina Terapia Nutricional Trabalho de Plataforma
Hermandez PréNutricional Conclusão Lattes
ROCHA para pacientes de Curso
que serão (Orientador:
submetidos à Cristina Di
Gastroplastia Benedetto)
2002 UNIPAR/PR Maira C. Obesidade mórbida Resumo em Plataforma Lattes
BAPTISTUSSI, - um trabalho de Congresso &.
A. GRESSANA, intervenção In: VI Jornada
A. M. Internacional de
MARANGONI, Psicologia, 2002,
Lais Michele Umuarama. Anais
NONCIBONE, da VI JOP.
Wanessa Umuarama :
Aguilera Gráfica e Editora
BRUNO Campana, 2002. v.
único

165
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2002 UNIPAR/PR Simone Ansiedade - um Trabalho de Plataforma


MATOS; Suely sentimento Conclusão Lattes
TASCA; correlacionado à de Curso
Izildinha Obesidade (Orientador:
RAMPANI Maira
Cantarelli
Baptistussi)
2002 UNAMA/PA Elianne Obesidade: regras, Resumo em Plataforma
ROCHA, autorregras e congresso Lattes
Elisangela ; dificuldades no &
ABDELNOR, estabelecimento de XXXII Reunião
Paloma relacionamentos anual de
VANETTA, P. O. amorosos Psicologia,
e Lúcia Florianópolis.
Cristina Anais da XXXII
CAVALCANTE Reunião anual
DA SILVA de Psicologia.
Florianópolis:
SBP, 2002. v.
1. p. 130-131
2002 UNAMA/PA Ana Cláudia Obesidade infantil: Trabalho de Plataforma
ALBUQUERQUE as dificuldades da Conclusão Lattes
e Jacilena criança em relação de Curso.
Maria de à obediência de (Graduação
Oliveira regras impostas por em Curso de
GOMES uma dieta Psicologia) -
alimentar Orientador:
Lúcia
Cristina
Cavalcante
da Silva
2002 UNIPAR/PR Maira C. Obesidade Resumo em Plataforma
BAPTISTUSSI, mórbida - um congresso Lattes
Wanessa trabalho de &
Aguilera intervenção In: XI Encontro
BRUNO, Lais Brasileiro de
Michele Psicoterapia e
NONCIBONE, Medicina
A. GRESSANA, Comportamental,
A. M. 2002,
MARANGONI Londrina.
Anais do XI
Encontro
Brasileiro de
Psicoterapia e
Medicina
Comportamental.
Londrina :
ABPMC, 2002.
volume único

166
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2002 UFPA/PA Eleonora. A. Efeitos do uso de Artigo em Plataforma


P. FERREIRA registros de periódico Lattes
e automonitoração &
M. S. CASSEB no seguimento de Diabetes
regras nutricionais Clínica, Rio de
por uma paciente Janeiro, v. 6,
diabética obesa n. 6, p. 452-
459

2002 USP/SP Débora The Effects of Resumo em Plataforma


Regina Targeting Other congresso Lattes
BARBOSA Behaviors in &
e Behavior Therapy 18th World
Sônia Beatriz on the Weight of Congress of
MEYER two Obese Psychotherapy,
Adolescents 2002,
Tordhein,
Noruega. 18th
World
Congress of
Psychotherapy,
Norwean.
Trondheim:
Nordic Journal
of Psychiatry,.
v. 56. p. 31-31
2002 PUCCAMP/SP Vera Lúcia O prazer de comer e Resumo em Plataforma
Raposo do a dor de engordar congresso Lattes
AMARAL &
Anais do XI
Encontro
Brasileiro de
Psicoterapia e
Medicina
Comportamental.
Londrina - PR:
Faculdade
Teológica Sul-
Americana,. v.
1, p. 138-139.
2002 UnB/DF Paula Costa Daily food Resumo em Plataforma
BEZERRA, D. ingestion recording Congresso Lattes
A. SOUZA, and self- &
Lincoln S. monitoring: a In: 9th
GIMENES contribution to Internatinal
obesity control Congress on
Obesity, São
Paulo

167
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2002 UNINCOR/MG Neuza Modificando o Resumo em Plataforma


Rezende comportamento periódico Lattes
BOGARIMe alimentar de uma &
Adriana criança através do Revista da
Guimarães delineamento A/B/A Unincor,
RODRIGUES Universidade
Vale do Rio
Verde, V.2, P.
83-83
2002 PUCRS/RS Cristina Di Obesidade Dissertação Plataforma
BENEDETTO mórbida, de Lattes
hostilidade Mestrado
encoberta e suas em
implicações nas Psicologia
interações sociais Social e da
Orientador:
Cícero
Emídio Vaz
2002 UFPA Mariene da Efeitos do uso de Trabalho de Plataforma
Silva CASSEB automonitoração Conclusão de Lattes
no seguimento de Curso.
regras nutricionais (Graduação
por uma paciente em
diabética obesa Psicologia) -
Orientador:
Eleonora
Arnaud
Pereira
Ferreira
2002 PUCCAMP/SP Lucilene de Avaliação de um Dissertação Plataforma
Alencar programa de (Mestrado Lattes
OSÓRIO modificação de em
hábitos Psicologia) -
alimentares em Orientador:
indivíduos obesos Vera Lucia
da 3ª idade Adami
Raposo do
Amaral
2002 UCG Bianca de Obesidade infantil: Trabalho de Bibliogrfia
Oliveira um enfoque da conclusão citada no TCC
Batista Análise do do curso de de Garcia
LOJA Comportamento, Psicologia (2004)
verificação das da
variáveis Universidade
envolvidas e maior Católica de
assertividade na Goiás
resolução de
problemas
relacionados

168
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO

2003 Universidade Luciana Análise Trabalho de Plataforma


Presbiteriana Rodrigues comportamental Conclusão Lattes
Mackenzie/SP THEODORO da relação entre de Curso em
padrões culturais, Psicologia
autorregras e (Orientador:
emoções em Cibele
pessoas Freire
portadoras de Santoro)
Obesidade
mórbida
2003 USP/SP Débora R. The effects of Artigo em Plataforma
BARBOSA behavior therapy periódico Lattes&Journal
eSônia targeting other of behavior
Beatriz behaviors related therapy and
MEYER to overeating in experimental
two obese psychiatry.
adolescents
2003 UNIPAR/PR Leila ROSINA; A depressão como Trabalho de Plataforma
Mariana aspecto Conclusão Lattes
Maria psicológico em de Curso de
ZANELLA; casos de Psicologia
Paulo Obesidade (Orientador:
Alexandre mórbida Maira
MÜNCHEN Cantarelli
Baptistussi)

2003 UNIPAR/PR Cristina Di Obesidade Resumo em Plataforma


CESUMAR/PR BENEDETTO Mórbida, Congresso Lattes&Anais
Hostilidade do III Encontro
Encoberta e suas Paranaense de
Implicações no Psicologia
Processo de Social
Interação Social
2003 UNIPAR/PR Cristina Di Questões Trabalho Plataforma
CESUMAR/PR BENEDETTO Investigativas completo Lattes
sobre Obesidade e publicado &
Gênero em anais de VII Jornada
Congresso Internacional
de Psicologia
e III Encontro
Paranaense
de Psicologia
Social, 2003,
Umuarama.
Anais da VII
Jornada
Internacional
de Psicologia
e III Encontro

169
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO ou
/DIVULGAÇÃO

Paranaense de
Psicologia
Social.
Cascavel PR :
Gráfica
Assoeste e
Editora Ltda,
2003. p. 132-
133

2003 UFPA/PA Eleonora Efeitos do uso de Resumo em Plataforma


Arnaud automonitoramento Congresso Lattes
Pereira no seguimento de &
FERREIRA e regras nutricionais VI Semana
Mariane S. em pacientes Científica do
CASSEB diabéticos obesos Laboratório de
Psicologia.
Ciências do
Comportamento:
Novos Tempos,
Novas
Práticas,. v.1
p. 14-14.
2003 UFPA/PA Mariene S. Automonitoramento Resumo em Plataforma
CASSEB,M. S.. do comportamento Congresso Lattes
MALCHER, alimentar e &
Eleonora A. adesão à dieta em In: XII
P. FERREIRA pacientes Encontro
diabéticos obesos Nacional de
Psicoterapia e
Medicina
Comportamental,
2003,
Londrina, PR.
ABPMC, 2003.
p. 282-283
2003 UNIPAR/PR Cristina DI Um olhar Artigo em Plataforma
CESUMAR/PR BENEDETTO psicológico sobre periódico Lattes
a Obesidade &
Boletim de
Nutrição e
Ciência de
Alimentos,
Umuarama -
PR, v. 1, n. 1.

170
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO/
DIVULGAÇÃO

2003 UNAMA/PA Érika Torres Obesidade em Trabalho de Plataforma


GONÇALVES adultos: análise de Conclusão Lattes
e Hilda casos atendidos por de Curso de
OLIVEIRA terapeutas Psicologia
analítico- Orientador:
comportamentais Lúcia
Cristina
Cavalcante
da Silva
2003 PUCCAMP/SP Diana. T. Análise de Resumo em Plataforma
LALONI Contingências dos anais de Lattes
e Daniela Comportamentos congresso &
Aparecida Relevantes para o Evento: XII
DALEFFE Preparo da Cirurgia Encontro
Bariátrica Brasileiro de
Psicoterapia e
Medicina
Comportamental;
Londrina/PR
2003 PUCCAMP/SP Diane T. Transtorno Resumo em Plataforma
LALONI Alimentar: congresso Lattes
Obesidade, Análise XII Encontro
das Contingências Brasileiro de
do Comportamento Psicoterapia e
de Comer Medicina
Comportamental;
Londrina/ PR
2003 PUCCAMP / SP Diane T. Análise do Resumo em XII Encontro
LALONI Comportamento de congresso Brasileiro de
Comer Psicoterapia e
Excessivamente Medicina
Comportamental,
2003,
Londrina/PR,
2003.
2003 CESUMAR/PR Ana Carolina Estudo investigativo Trabalho de Plataforma
Dallalio da imagem corporal Conclusão Lattes
em mulheres de Curso.
obesas mórbidas na (Graduação
cidade de Maringá- em
PR Psicologia) -
Orientador:
Cristina Di
Benedetto

171
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO/
DIVULGAÇÃO

2004 Gustavo Sevá PEREIRA Cirurgia Bariátrica: Resumo em Anais on line


(Associação Brasileira de Como e Por Que Anais de da ABPMC 2004
Cirurgia Digestiva; Desenvolver um congresso (www.abpmc.org.br)
Instituto Perfil Psicológico (on line)
Progastro)Daniela DALEFFE
(Centro de Psicologia, Mesa
Napsi)Vera Lúcia Raposo redonda
do AMARAL (Puc Campinas;
Sobrapar)40
2004 UFPA/PA Andressa Adesão à dieta por Resumo em Anais on line
Fernandes, pacientes Anais de da ABPMC
Ingrid diabéticos: eficácia congresso 2004
Immer, de registros de (www.abpmc.org.br)
Eleonora automonitoração e
Ferreira, do relato Verbal
Michele
Malcher
2004 UNINCOR/MG Neuza Modificação do Resumo Em Plataforma
Rezende comportamento Congresso Lattes
BOGARIM; alimentar de uma In: V Jornada
Adriana criança utilizando o Mineira De
Guimarães delineamento A-B-A Ciência Do
RODRIGUES Comportamento,
São João Del
Rei

2004 UFPA/PA Eleonora Uso de registros de Resumo em Plataforma


Arnaud automonitoração Congresso Lattes
Pereira e de relato verbal VII Semana
FERREIRA; na promoção da Científica do
I. A. IMMER; adesão ás regras Laboratório de
A. L. nutricionais por Psicologia,
FERNANDES pacientes EDUFPA, p.24-24.
portadores de
diabetes e
Obesidade
2004 PUCCAMP/SP Diana Tolselo Obesidade, Capítulo de Site
LALONI Análise das livro ESETec&In:
Transtorno contingências do Maria Zilah da
alimentar: comportamento Silva Brandão;
de comer Fátima
Cristina de
Souza Conte;
Fernanda
Silva Brandão;
Yara
Kuperstein
Ingberman;
Vera Lúcia

172
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

Menezes da
Silva; Simone
Mantin Oliani.
(Org.). Sobre
Comportamento
e Cognição:
Contingências
e
Metacontingências:
Contextos
Sócios-verbais
eo
Comportamento
do Terapeuta.
1a.ed. Santo
André/SP, v. 13,
p. 168-174
2004 UNAMA/PA Mayla Neno Adesão ao Trabalho de Plataforma
MARQUES tratamento após conclusão Lattes
e cirurgia bariátrica: de curso
Rivonilda um olhar (Bacharelado
Machado comportamental em
dos Santos Psicologia)
de Santana (Orientadora:
GRAIM Lúcia
Cristina
Cavalcante
da Silva)
2004 CESUMAR/PR Elizandra A influência familiar Trabalho de Plataforma
Mello da na aquisição e Conclusão Lattes
SILVEIRA manutenção de de Curso.
hábitos (Graduação
alimentares em
inadequadas em Psicologia) -
crianças obesas Orientador:
Cristina Di
Benedetto)
2004 USP/SP Sônia Beatriz Analysis of Capítulo de Plataforma
MEYER response Livro Lattes
e relationships in
Débora case studies using n: T. C. C.
Regina repeated Grassi. (Org.).
BARBOSA measures: social Contemporary
competence and Challenges in
weight loss in two the Behavioral
obese adolescents Approach. 1
ed. Santo
André, SP:
ESETec, 2004, v.
1, p. 141-152.

173
Universidade da Amazônia

ANO INSTITUIÇÃO/ AUTOR TÍTULO TIPO DE VEÍCULO DE


ESTADO TRABALHO PUBLICAÇÃO /
DIVULGAÇÃO

2004 Universidade Fernanda A Importância do Resumo em Anais on line


Presbiteriana Tebexreni Acompanhamento congresso da ABPMC 2004
Mackenzie/ ORSATI Psicológico para (www.abpmc.org.br)
SP e Cirurgia
Fátima Bariátrica: Um
Aparecida Estudo de Caso
Miglioli
Fernandez
TOMÉ

TOTAL: 48 trabalhos

174
OBESIDADE E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

SOBRE A AUTORA

Lúcia Cristina Cavalcante é analista do compor-


tamento, graduada em Psicologia, mestre em
Psicologia pelo Programa de pós-graduação em
Psicologia: Teoria e Pesquisa do Comportamen-
to da UFPA, professora e pesquisadora da Uni-
versidade da Amazônia (UNAMA). Tem se dedi-
cado a investigações sobre a obesidade desde
2001, a partir de quando passou a orientar traba-
lhos de graduação e iniciação científica no Curso
de Psicologia da UNAMA. O presente livro nas-
ceu do projeto de pesquisa “Obesidade e Análi-
se do Comportamento: o estado da arte da pro-
dução científica brasileira”, financiado pela Fundação Instituto pelo De-
senvolvimento da Amazônia (FIDESA).

Frequentemente podemos ver cientistas recebendo questões como “O


que a ciência tem a dizer sobre ... ?”, “O que a ciência pode fazer para
melhorar, para mudar ... ?”. Há muito as ciências compreenderam a
relação vital entre produção do conhecimento e modificação da reali-
dade, uma prova disso é que as epidemias que assolam o mundo são
temas centrais de investigação. A Psicologia e em especial uma de suas
abordagens mais produtivas, a Análise do Comportamento, não pode-
ria deixar de contribuir com a construção de explicações e de estratégi-
as de enfrentamento a um dos problemas de Saúde Pública mais inci-
dentes e prevalentes nos últimos tempos: a Obesidade. O leitor encon-
trará neste volume uma análise sincera e detalhada do “Estado da Arte”
dessa linha de pesquisa na área da Psicologia da Saúde, que pretendeu
não apenas radiografar o já feito, mas, sobretudo, convidar a comunida-
de científica ao engajamento do que há por fazer.

175
Universidade da Amazônia

176