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CENTRO​ ​UNIVERSITÁRIO​ ​UNA

CURSO​ ​DE​ ​ENGENHARIA​ ​QUÍMICA

LARISSA​ ​RIBEIRO​ ​LIMA​ ​SANTOS

​ ​TRANSFERÊNCIA​ ​SIMULTÂNEA​ ​DE​ ​MASSA​ ​E​ ​CALOR​ ​NA​ ​OPERAÇÃO


UNITÁRIA​ ​SECAGEM

BELO​ ​HORIZONTE
2017

1
LARISSA​ ​RIBEIRO​ ​LIMA​ ​SANTOS

TRANSFERÊNCIA SIMULTÂNEA DE MASSA E CALOR NA OPERAÇÃO UNITÁRIA


SECAGEM

Trabalho apresentado à disciplina de Transferência


de Calor no curso de Engenharia Química como
requisito parcial para obtenção de aprovação na
disciplina,​ ​no​ ​Centro​ ​Universitário​ ​Una.
Professor:​ ​Roberto​ ​F.​ ​S.​ ​Freitas

BELO​ ​HORIZONTE
2017

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RESUMO

O presente relatório se propõe a apresentar uma análise da operação unitária


secagem, conjuntamente da transferência simultânea de calor e massa. A secagem está
entre as operações mais usuais na indústria química, e seu objetivo é remover o líquido
volátil contido em um corpo não volátil através da evaporação. A secagem é importante
pois visa preparar o produto para manejo, armazenamento ou consumo, contudo, se feito
incorretamente pode prejudicar a qualidade do produto ou acelerar o processo de
deterioração durante a armazenagem. A qualidade do produto seco, a quantidade de
energia gasta e o tempo utilizado neste processo são parâmetros primordiais para a
rentabilidade do bem submetido a esta operação. A indústria química vem utilizando a
tecnologia de leito de jorro para o tratamento de materiais particulados que necessitam de
altas taxas de transferências de calor e massa e um produto final homogêneo, devido ao
bom controle da temperatura do leito, tempo de residência do produto baixo e alta taxa de
transferência de calor e massa. Uma formulação matemática da secagem é desenvolvida
seguida de uma análise da transferência simultânea de calor e massa, e as aplicações de
secagem do Leito de jorro como granulação, aquecimento, resfriamento e recobrimento de
partículas.

Palavras-chave: Secagem, Leito de Jorro, Operações Unitárias, Transferência de Calor,


Transferência​ ​de​ ​Massa.

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​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ABSTRACT

This report proposes to present an analysis of the unitary drying operation, jointly
of the simultaneous transfer of heat and mass. The drying is in as more with the chemical
industry, and its purpose is to remove the volatile liquid contained in a non-volatile body
through evaporation. Drying is important for the preparation of the application for
operation, storage or consumption, however, the fact is incorrectly can impair the quality
of the product or accelerate the deterioration process during storage. A quality of the dry
product, a quantity of energy spent and the time used in this process are a paramount
parameter for a profitability of the good submitted to this operation. The chemical industry
comes, use a jet bed technology for the treatment of materials and particles requiring high
rates of heat and mass transfer and a homogeneous final product, due to good control of
bed temperature, product residence time low and high heat transfer rate and mass. A
mathematical formulation of the developed drying of a simultaneous heat and mass transfer
analysis, and as spray bed drying applications such as granulation, heating, cooling and
particle​ ​recycling.

Keyword:​ ​dryer,​ ​spouted​ ​bed,​ ​unitary​ ​operation,​ ​heat​ ​transfer,​ ​mass​ ​transfer.

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SUMÁRIO

Lista​ ​de​ ​Figuras​……………………………………………………………...….6


1. Introdução​……..……………....………………………………………......….....7
2. Referencial​ ​teórico​…………………………………....………………….…...…7
2.1​ ​Transferência​ ​de​ ​Calor……………………………………....…….…….…....7
2.2​ ​Transferência​ ​de​ ​Massa………………………………………...….....…........10
2.3​ ​Operações​ ​unitárias…………………..…………………...……......…….…..11
2.4​ ​Operação​ ​unitária​ ​secagem……………………………………..….…….......11
​ ​ ​ ​ ​ ​ ​3.​ ​Metodologia​…………….…………………………….……………..….…….......17
3.1​ ​Estudo​ ​de​ ​caso…………………………………………….……….…….…..17
3.1.2​ ​Definição………………………………………….………………..……...17
3.1.3​ ​Características​ ​fluidodinâmicas…………………………….......................18
3.1.4​ ​Curva​ ​Característica…………………………………....….……..….…….19
3.1.5​ ​Aplicações……………………………………………….………..……….20
3.1.6​ ​Conclusão………………………………………………….…….…….…..21
​ ​ ​ ​ ​ ​ ​5.​ ​ ​Referência​ ​Bibliográfica​………………………………………………..……....21

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LISTA​ ​DE​ ​FIGURAS

Figura​ ​01​ ​-​ ​Curva​ ​de​ ​taxa​ ​de​ ​secagem……………………………………………………13


Figura​ ​02​ ​-​ ​ ​Efeito​ ​da​ ​capilaridade………………………………………………………..16
Figura​ ​03​ ​-​ ​Diagrama​ ​esquemático​ ​do​ ​regime​ ​de​ ​jorro​ ​em​ ​um​ ​equipamento
cone-cilíndrico……………………………………………………………………………19
Figura​ ​04​ ​-​ ​Curva​ ​característica​ ​do​ ​leito​ ​de​ ​jorro………………………………………...19

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1.​ ​INTRODUÇÃO

Segundo Little (1915) “Operação Unitária é toda a unidade do processo onde os


materiais sofrem alterações no seu estado físico ou químico e que pode ser projectada com
base em princípios físico/químicos comuns”. Cada uma das etapas sequenciais numa linha
de produção industrial é, portanto, uma operação unitária. E o conjunto de todas essas
etapas​ ​compõem​ ​um​ ​processo​ ​unitário.
Operações unitárias de transferência de calor são as operações com troca térmicas
entre os fluidos. A secagem é uma operação unitária de transferência de massa e calor
envolvendo a remoção de um líquido volátil. Tem como objetivo eliminar esse líquido
volátil contido num corpo não volátil, através de evaporação. O termo secagem se refere,
portanto,​ ​à​ ​remoção​ ​mecânica​ ​de​ ​umidade,​ ​envolvendo​ ​uma​ ​corrente​ ​de​ ​gás​ ​[7].
Os processos fundamentais da secagem envolvem a transferência simultânea de
calor e massa. Na transferência de calor o calor flui do ambiente para a superfície externa
do sólido e, em seguida, para o líquido no interior de tal sólido. Na transferência de massa,
o interior do sólido nas formas líquida e vapor, e na superfície na forma de vapor para o
ambiente [7]. Para tanto, qualquer problema de transferência de massa que envolva
também mudança de fase (evaporação, sublimação, condensação, fusão) também deve
envolver a transferência de calor [3]. Esse fenômeno é regido pela 2ª Lei de Fick em
regime não estacionário ao passo em que a Lei de Fourier está relacionada à transferência
de​ ​massa.
A secagem está entre as operações mais usadas na indústria química. A qualidade
do produto seco, a quantidade de energia gasta e o tempo utilizado neste processo são
parâmetros primordiais para a rentabilidade do bem submetido a esta operação [11]. Este
trabalho tem como objetivo o estudo da transferência de calor na operação unitária
secagem.

2.​ ​REFERENCIAL​ ​TEÓRICO

2.1​ ​Transferência​ ​de​ ​Calor

​A transferência de calor estuda os efeitos que ocorrem durante o processo da

7
transmissão da energia em forma de calor, dentre os quais pode-se ressaltar a variação da
taxa temporal de transmissão de calor. A equação que fornece a variação da energia em um
sistema​ ​é​ ​dada​ ​por:

ΔE = Σ dQi
dt
− Σ dW
dt
j

onde, W é a energia na forma de trabalho e Q a energia na forma de calor. O resultado da


equação indica que o somatório das taxas de variação de calor e trabalho são constantes e
podem​ ​ser​ ​transformadas​ ​de​ ​uma​ ​forma​ ​para​ ​outra​ ​[2].
A condição para a transferência de calor é a diferença de temperatura, ou seja, a
força motriz para transferência de calor é o ΔT . Existem três mecanismos na transferência
de​ ​calor:​ ​radiação,​ ​convecção​ ​e​ ​condução.
A radiação é um processo pelo qual o calor é transmitido de um corpo a alta
temperatura para um de mais baixa, quando tais corpos estão separados no espaço, ainda
que exista vácuo entre eles, isto posto, o calor transmitido é chamado de calor radiante.
Este processo se assemelha fenomenologicamente à radiação da luz, diferindo-se apenas
nos comprimentos de onda [2]. A energia radiante que um corpo emite é dada pela Lei de
Stefan-Boltzmann​ ​(Eq.​ ​01),​ ​aplicada​ ​a​ ​um​ ​corpo​ ​real.

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​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ Q = A × ε × σ × (T 1 − T 2 ) ​ ​(Eq.​ ​01)

Onde σ = 5,67×10​-8 W.m​-2​.K​-4 a constante de Stefan-Boltzmann, ​ε a emissividade

da superfície emissora (0<ε≤1), A a sua área e ​T a sua temperatura absoluta (K). Como se
vê na eq. 01, a energia emitida é proporcional à quarta potência da temperatura absoluta,
pelo que a sua importância, relativamente aos outros mecanismos, aumenta com esta. Um
corpo ideal (negro) emite a radiação máxima possível já que a sua emissividade é unitária.
Tem​ ​valores​ ​de​ ​temperatura​ ​geralmente​ ​altos​ ​(> 104 ) [3].
A convecção é um processo de transporte de energia causada pela ação combinada
de condução de calor, armazenamento de energia e movimento de mistura. Uma das
aplicações importantes da convecção é no mecanismo de transferência de energia entre
uma superfície sólida e um líquido ou gás. Em um fluido, onde há fácil mobilidade das
partículas, quando aquecidas pelo contato direto com a superfície sólida, elas tendem a

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migrar para locais onde as temperaturas são mais baixas, o que acarreta em uma
transferência de energia de uma posição para outra. Neste caso, onde a movimentação das
moléculas é espontânea, denomina-se convecção livre, no entanto, há casos em que a
movimentação é causada por um agente externo, denominando-se convecção forçada [2,
3].
A lei básica da transferência de calor por convecção é dada pela equação de
Newton​ ​(Eq.​ ​02)​ ​o​ ​calor​ ​transmitido​ ​no​ ​processo​ ​de​ ​convecção,​ ​por​ ​unidade​ ​de​ ​tempo.

q c = hc × A × ΔT (Eq.​ ​02)

onde hc representa o coeficiente médio de transmissão de calor por convecção, dependente


da geometria da superfície, da velocidade do fluido e de suas propriedades físicas,
incluindo sua temperatura. A representa a área de transmissão de calor em m², e ΔT é a
diferença de temperatura entre a da superfície, T s , e a do fluido em um local específico,
T ∞ ​ ​(K)​ ​[2].
A condução por sua vez, é um processo onde o calor flui de uma região de
temperatura mais alta para outra de temperatura mais baixa dentro de um meio, que pode
ser sólido, líquido ou gás, ou entre meios diferentes em contato físico direto [2]. A energia
é transmitida por mecanismo molecular, sem deslocamento significativo de moléculas, ou
seja, o mecanismo da Condução de calor está associado à transferência de calor efectuada
ao nível molecular, por transferência de energia sensível. As partículas mais energéticas
(que se encontram em locais onde se regista uma maior temperatura) transferem parte da
sua energia vibracional, rotacional e translacional por contacto com outras partículas
contiguas menos energéticas (que se encontram a uma menor temperatura) as quais
recebem essa energia. Essa transferência é efectuada, portanto, no sentido das temperaturas
menores, ou seja, no sentido do gradiente ​(dT/dx) ​negativo. Ocorre em gases, líquidos ou
sólidos. Nos fluidos (especialmente nos gases, onde existem menores forças de coesão)
surgem ainda colisões entre as partículas. Nos sólidos metálicos os electrões livres
favorecem​ ​esse​ ​processo​ ​[3].
A quantidade de calor transmitida por condução pode ser dada pela equação de
Fourier​ ​(Eq.​ ​03)
q k = − k A dT
dx
(Eq.​ ​03)

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onde​ ​ k representa​ ​a​ ​condutividade​ ​térmica​ ​do​ ​material,​ ​ A ​ ​a​ ​área​ ​da​ ​seção​ ​através​ ​da​ ​qual​ ​o
dT
calor​ ​flui​ ​por​ ​condução,​ ​e​ ​ dx representa​ ​o​ ​gradiente​ ​de​ ​temperatura​ ​na​ ​seção​ ​[2]​.

2.2​ ​Transferência​ ​de​ ​Massa

A transferência de massa representa uma movimentação, a nível molecular, de uma


ou mais espécies químicas em um determinado meio, sólido, líquido ou gasoso, causada
por um gradiente de potencial químico. De acordo com a segunda lei da termodinâmica,
haverá fluxo de matéria (ou de massa, ou de mols) em uma região de maior concentração a
uma de menor concentração de uma determinada espécie química. A diferença de
concentração​ ​do​ ​soluto,​ ​ou​ ​de​ ​potencial​ ​químico,​ ​traduz-se​ ​em​ ​força​ ​motriz​ ​[4].
Na transferência de massa são feitas considerações teóricas, como a solubilidade da
espécie a ser transferida quando em meios diferentes, o gradiente de potencial químico
como condição necessária para transferência de massa, e em um mesmo meio pode-se usar
concentração​ ​como​ ​força​ ​motriz​ ​para​ ​a​ ​transferência​ ​de​ ​massa​ ​[2].
Há dois mecanismos na transferência de massa: difusão e convecção, esta podendo
ser​ ​causada​ ​pela​ ​própria​ ​difusão​ ​ou​ ​por​ ​um​ ​agente​ ​externo.
A difusão é um processo fundamental, mais lento e possui um movimento mais
organizado,​ ​o​ ​modelo​ ​da​ ​difusão​ ​é​ ​dado​ ​pela​ ​Lei​ ​de​ ​Fick​ ​(Eq.​ ​04):

dc1
J1 = − D × dz
​ ​(Eq.​ ​04)

dc1
Onde J 1 fluxo da espécie 1, por difusão, D é o coeficiente de difusão, e dz
é

gradiente de concentração. A contribuição difusiva é dada pelo transporte da matéria


devido​ ​às​ ​interações​ ​moleculares​ ​[4].
A convecção, é um processo mais rápido e possui um movimento mais desorganizado.
A difusão sempre estará presente nos processos de transferência de massa, mesmo que a
convecção seja o mecanismo dominante. O fluxo da transferência de massa, em um mesmo
meio,​ ​pode​ ​ser​ ​dado​ ​por:
N 1 = k (C 1i − C 1 ) ​ ​ ​(Eq.​ ​05)

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onde, N 1 representa as contribuições difusivas e as convectivas, k é o coeficiente de
transferência de massa, que fornece a velocidade com que a transferência ocorre, C 1i é a
concentração da espécie na interface e C 1 é a concentração da espécie no seio da solução.
A contribuição convectiva é o auxílio ao transporte de matéria como consequência do
movimento​ ​ao​ ​meio​ ​[4].

2.3​ ​Operações​ ​Unitárias

Segundo Foust ​et al ​(1982) o conceito de operação unitária, na engenharia química,


está baseado na filosofia de que uma sequência amplamente variável de etapas pode ser
reduzida a operações simples, ou a reações, que sao idênticas independentemente do
material que está sendo processado. Todas as operações unitárias estão baseadas em
princípios da ciência que são traduzidos nas aplicações industriais em diversos campos da
engenharia.
Em 1915, Arthur Little estabeleceu o conceito de "operação unitária", segundo o
qual um processo químico seria dividido em uma série de etapas que podem incluir:
transferência de massa, transporte de sólidos e líquidos, destilação, filtração, cristalização,
evaporação,​ ​secagem,​ ​etc.
As operações unitárias podem ser divididas em duas; as operações mecânicas, que
são as operações de transporte e separação de fluidos e as operações de transferência de
calor e massa. A transferência de calor, tem sido objeto de pesquisas teóricas pelos fisicos
e matematicos; teve parte importante na geração de energia a partir de combustíveis, na
dissipação de calor nos equipamentos elétricos e etc. As indústrias de processos químicos
utilizam​ ​em​ ​grande​ ​medida​ ​a​ ​transferência​ ​de​ ​energia​ ​na​ ​forma​ ​de​ ​calor​ ​[15]

2.4​ ​Operação​ ​Unitária​ ​Secagem

A​ ​secagem​ ​é​ ​uma​ ​operação​ ​que​ ​visa​ ​reduzir​ ​a​ ​umidade​ ​de​ ​materiais,​ ​e​ ​manter​ ​um
padrão máximo de qualidade. Atualmente, existem vários métodos de secagem e para
escolher um método é necessário conhecer a natureza da substância e o estado físico que se
encontra​ ​(sólido,​ ​líquido​ ​ou​ ​pastoso).

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Nos processos de secagem o material úmido está em contato com o ar insaturado e
se obtém como resultado a diminuição do conteúdo de umidade deste material e a
umidificação do ar, tem-se então dois estágios que definem o processo total de secagem o
aquecimento e a evaporação da umidade do material. Sendo assim a secagem tem por
finalidade a redução da umidade de um produto a um nível desejado [9]. O produto
colocado em contato com o ar quente ocorre uma transferência de calor do ar ao produto
sob efeito da diferença de temperatura existente entre eles. Simultaneamente, a diferença
de pressão parcial de vapor de água existente entre o ar e a superfície do produto determina
uma​ ​transferência​ ​de​ ​massa​ ​para​ ​o​ ​ar,​ ​na​ ​forma​ ​de​ ​vapor​ ​da​ ​água​ ​[12]
Além disso, algumas variáveis de secagem sofrem influências externas, como por
exemplo, a temperatura, a umidade, o escoamento de ar, o estado de subdivisão do sólido,
a agitação do sólido, o método de suportar o sólido e o contato entre as superfícies
calefatoras​ ​e​ ​o​ ​sólido​ ​úmido​ ​[9].
A temperatura do ar de secagem é o parâmetro de maior flexibilidade num sistema
de secagem em altas temperaturas. A temperatura do ar conjugada com o fluxo do ar de
secagem são fatores responsáveis pela quantidade de água removida no processo de
secagem e na qualidade do produto final. O aumento da temperatura implica em menor
gasto de energia por unidade de água removida e também a maior velocidade na taxa de
secagem, e maior gradiente de temperatura e umidade, enquanto que um aumento no fluxo
de​ ​ar​ ​reduz​ ​a​ ​eficiência​ ​energética,​ ​mas​ ​também​ ​aumenta​ ​a​ ​velocidade​ ​de​ ​secagem​ ​[9].
Na secagem de um sólido úmido, um gás com temperatura e umidade fixas,
manifesta-se sempre um certo tipo de comportamento. Imediatamente depois de um
contato entre a amostra e o meio secante, a temperatura do sólido ajusta-se até atingir um
regime permanente. A seguir, na figura 01, a curva de taxa de secagem típica em condições
constantes de secagem, onde a taxa de velocidade de secagem em função do teor de
umidade​ ​[7].

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Figura​ ​01​ ​-​ ​Curva​ ​de​ ​taxa​ ​de​ ​secagem​ ​[7]

A secagem de um sólido úmido mediante um gás com escoamento constante,


temperatura e umidade fixas manifesta-se sob comportamento padrão, demonstrado na
figura 01. O período de secagem representado pelo segmento AB, é o período em regime
não permanente, durante o qual a temperatura do sólido atinge o seu valor de regime
permanente. A temperatura da superfície do sólido molhado é igual a temperatura de bulbo
úmido​ ​do​ ​meio​ ​secante​ ​[7].
O período BC, é o período de secagem a taxa constante, as temperaturas no interior
do sólido tendem a ser iguais a temperatura de bulbo úmido do gás, mas a concordância
entre elas é imperfeita em virtude das defasagens entre o movimento de massa e de calor.
Uma vez que as temperaturas do sólido tenham atingido a temperatura de bulbo úmido do
gás, elas permanecem bastante estáveis e a taxa de secagem também permanece constante.
O calor é transferido para a superfície de secagem do sólido, basicamente, por convecção.
O período termina quando o sólido atinge o teor de umidade crítico, representado pelo
ponto​ ​C​ ​[7].
O período CD, é o período de taxa decrescente, a temperatura da superfície eleva-se
e a taxa de secagem cai rapidamente. A superfície fica gradativamente mais pobre em
líquido, pois a velocidade do movimento do líquido para a superfície é menor que a
velocidade com que a massa é transferida da superfície. A evaporação ocorre na superfície
do sólido, com baixa resistência interna à difusão em comparação com a resistência para
remover vapor da superfície. No ponto D não há, na superfície, qualquer área
significativamente saturada no líquido [7]. A parte da superfície que está saturada seca pela

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transferência convectiva de calor para a corrente gasosa e pela transferência de massa para
a corrente do gás secante. O vapor, nos níveis mais internos da mostra sólida, difunde-se
para a parte da superfície que não está saturada e continua a difundir-se para a corrente
gasosa. Este mecanismo é muito lento em comparação com a transferência convectiva que
ocorre​ ​na​ ​superfície​ ​saturada​ ​[7].
Os teores de umidade abaixo do ponto D, toda evaporação ocorre a partir do
interior do sólido. À medida que o teor de umidade continua a cair, a distância a ser coberta
na difusão do calor e da massa aumenta até que, em X E′ , o teor de umidade de equilíbrio
cessa a secagem. O teor de umidade em equilíbrio é atingido quando a pressão de vapor
sobre o sólido é igual a pressão parcial do vapor no gás secante afluente. Este período é
denominado​ ​o​ ​“segundo​ ​período​ ​de​ ​taxa​ ​decrescente”​ ​[7].
Com base no comportamento durante a secagem é possível dividir os materiais em
duas classes principais. A primeira destas classes é constituída por sólidos granulares ou
cristalinos que retêm a umidade nos interstícios entre as partículas e os poros superficiais.
Nestes materiais, o movimento da umidade é relativamente livre e ocorre em consequência
da interação entre forças gravitacionais e forças de tensão superficial. O período de taxa
constante (BC) se alonga até teores baixos de umidade. O período de taxa decrescente
(CDE) pode assumir forma aproximada de uma reta, e as condições de secagem podem ser
assumidas dependendo da conveniência, comodidade e vantagem econômica [7]. A
segunda classe é constituída por sólidos orgânicos (amorfos, fibrosos ou géis), eles retém
umidade como parte integral da estrutura ou no interior das fibras, pequenos poros
internos. O movimento da umidade é lento, por difusão do líquido através da estrutura do
sólido. O período de taxa crescente (AB) e a taxa constante (BC) são mais curtos, e o teor
crítico de umidade (C) tem valores mais elevados. As camadas externas desse material
tendem​ ​a​ ​secar​ ​mais​ ​rapidamente​ ​[7].
Dado o início da evaporação na superfície de um sólido, a umidade se desloca das
camadas internas para a superfície, tal circunstância se faz determinante na secagem
durante o período de taxa decrescente (CDE) pode ocorrer por dois mecanismos
(dependendo do material), a difusão interna: movimento por diferença de concentração e o
escoamento capilar: escoamento de um líquido pelos interstícios de um sólido, ou sobre
uma superfície, por atração molecular entre as fases. A velocidade do movimento é
expressa pela Lei de Fick (Eq. 04) e a integração dessa equação requer que as condições de

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contorno sejam conhecidas. Nos casos mais simples, o coeficiente de difusão D pode ser
considerado constante, e a secagem ocorre apenas em uma face de uma placa, cujas faces
laterais e a face do fundo estão isoladas [7]. Com estas restrições, e admitindo que no
estado inicial a umidade esteja uniformemente distribuída na placa, a solução obtida por
Sherwood​ ​e​ ​Newman​ ​é:

X′ − X E ′ −D×θ× π 2 π2
1 −25×D×θ× lπ
2
= 8
π2
(e l + 91 e−9×D×θ× l + 25
e + ...) ​ ​(Eq.
X C′ − X E′

06)

Onde, l é a distância entre a face e o centro (m ou ft), X E é o teor de umidade no

equilíbrio (kg/kg ou lb/lb), X é o teor de umidade no instante θ (kg de liquido/kg de sólido

seco), X C é o teor de umidade no inicio do periodo durante o qual a taxa de secagem é


controlada​ ​pela​ ​difusão​ ​(kg​ ​de​ ​liquido/​ ​kg​ ​de​ ​sólido​ ​seco).
O mecanismo de capilaridade, ou movimento da umidade, ocorre em sólidos
granulados ou estruturas que apresentam poros abertos, o movimento é consequência das
forças resultantes das diferenças entre pressão hidrostática, depende da profundidade, da
densidade do líquido e da gravidade local, e os efeitos da tensão superficial, que faz com
que a camada superficial de um líquido venha a se comportar como uma membrana
elástica [7]. A tensão superficial provoca uma pressão sobre a superfície encurvada, que é
diferente​ ​da​ ​pressão​ ​sobre​ ​uma​ ​superfície​ ​plana.​ ​Para​ ​uma​ ​esfera​ ​de​ ​raio​ ​r,​ ​demonstra-se:


− ΔP = r
​ ​(Eq.​ ​07)

Onde​ ​ − ΔP é​ ​a​ ​diminuição​ ​da​ ​pressão​ ​provocada​ ​pelos​ ​efeitos​ ​da​ ​tensão​ ​superficial
(nm−2 ) ,​ ​ γ é​ ​a​ ​tensão​ ​superficial​ ​na​ ​interface​ ​líquido​ ​e​ ​gás​ ​( nm−1 ) ​ ​e​ ​r​ ​é​ ​o​ ​raio​ ​da​ ​curvatura
da​ ​esfera​ ​(m).O​ ​raio​ ​na​ ​fórmula​ ​apresentada​ ​é​ ​positivo,​ ​no​ ​caso​ ​de​ ​uma​ ​bolha​ ​de​ ​gás
imersa​ ​em​ ​um​ ​líquido,​ ​e​ ​negativo​ ​no​ ​caso​ ​de​ ​uma​ ​gotícula​ ​de​ ​líquido​ ​em​ ​um​ ​gás​ ​[7].

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Figura​ ​02​ ​-​ ​Efeito​ ​da​ ​capilaridade​ ​[7]

A figura 02 mostra quando se insere um pequeno tubo num líquido, a ascensão do


líquido no tubo pode ser determinada mediante um balanço de forças no ponto A. A
superfície do líquido no tubo tem raio de curvatura igual ao raio do tubo somente quando o
líquido molha completamente o tubo e o ângulo de contato na parede do tubo é igual a
zero.​ ​Quando​ ​isso​ ​ocorre,​ ​o​ ​balanço​ ​de​ ​forças​ ​é:

g 2γ g 2γ
− ΔP = Δz (ρ
gc L
− ρV ) = r
​ ​logo​​ ​ Δz = rg (ρc −ρ ) (Eq.​ ​08)
L V

Onde,​ ​ Δz é​ ​a​ ​altura​ ​do​ ​tubo​ ​sinalizado​ ​na​ ​figura​ ​02,​ ​ ρ é​ ​a​ ​densidade,​ ​e​ ​ g a​ ​gravidade.
O cálculo de tempo de secagem é feito através da análise da curva de velocidade de
secagem, em cada uma das suas seções principais, pois os fatores de controle são diferentes
em​ ​cada​ ​uma​ ​das​ ​diferentes​ ​partes​ ​da​ ​curva.​ ​A​ ​velocidade​ ​de​ ​secagem​ ​é​ ​definida​ ​por:

−W s dX′ N aM a
R= A dθ
= A
​ ​ ​(Eq.09)

Onde, R é a velocidade ou taxa de secagem, (kg de líquido evaporado por segundo


metro quadrado de superfície do sólido), W s é o peso do sólido seco (kg) e X ′ é o teor de
umidade​ ​no​ ​sólido​ ​(kg​ ​de​ ​líquido​ ​/​ ​kg​ ​de​ ​sólido​ ​seco)​ ​[7].

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3.​ ​METODOLOGIA

A metodologia e o estudo de caso foi obtido através de trabalhos da literatura, o


levantamento bibliográfico utilizado no estudo de caso do Secador de Leito de Jorro foi
realizado​ ​por​ ​Vlagner​ ​Chaves​ ​Medeiros,​ ​em​ ​2006.

3.1​ ​Estudo​ ​de​ ​caso

O​ ​estudo​ ​de​ ​caso​ ​realizado​ ​foi​ ​do​ ​Secador​ ​de​ ​Leito​ ​de​ ​Jorro,​ ​com​ ​base​ ​teórica​ ​da​ ​literatura.

3.1.2​ ​Definição

O secador do tipo leito de jorro foi desenvolvido em meados do ano de 1954, por
Gishler e Mathur. Inicialmente, foi projetado para a secagem de grãos de trigo em um
processo que permite a aplicação de maiores quantidades de calor sem a ocorrência de
perda da qualidade do material. Posteriormente, cientistas e pesquisadores, iniciaram um
projeto de estudo mais profundo sobre o regime fluidodinâmico de jorro e concluíram que
“O mecanismo de fluxo dos sólidos assim como de fluxo do ar no leito de jorro é diferente
ao observado para a fluidização, entretanto, o leito de jorro possui as mesmas aplicações do
leito​ ​fluidizado,​ ​só​ ​que​ ​para​ ​partículas​ ​de​ ​dimensões​ ​mais​ ​elevadas”​ ​[13].
Segundo Marreto (2006) o leito de jorro convencional, como o empregado por
Gishler e Mathur, é constituído por uma câmara de secagem cilíndrica conectada a uma
base cônica, a qual possui em sua extremidade inferior um orifício de reduzida dimensão,
através do qual o fluido de jorro é alimentado ao sistema. Configurações totalmente
cônicas,​ ​cilíndricas​ ​ou​ ​retangulares​ ​também​ ​podem​ ​ser​ ​empregadas.
O regime de jorro é estabelecido pela entrada de um jato de fluido em um leito de
sólidos particulados. O menor diâmetro dos sólidos recomendável para garantir o
estabelecimento de um regime fluidodinâmico estável é de 1 mm [13]. “Após a entrada do
fluido, normalmente constituído por ar, observa-se a aceleração ascendente das partículas
sólidas com a formação de um canal central diluído, onde as mesmas apresentam elevada
velocidade. Essa região é denominada de região de jorro. Ao redor do canal central,
verifica-se a presença de um leito denso de partículas, que se deslocam contra o fluxo

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ascendente de ar, traçando uma trajetória parabólica em relação à região central do
equipamento. A região que compreende esse leito deslizante de partículas recebe a
denominação​ ​de​ ​ânulo​ ​ou​ ​região​ ​anular”​ ​(MATHUR,1971)​ ​[16].

3.1.3​ ​Características​ ​fluidodinâmicas

As características do regime fluidodinâmico do jorro são: a velocidade mínima do


jorro ( V mj ), esse parâmetro é função das propriedades intrínsecas dos sólidos, da

geometria usada do leito e do próprio fluido. A altura máxima do jorro estável ( H max ) e a
perda de carga em função da velocidade do ar ( ΔP ). Considerando um conjunto fluido
sólido geometria para o leito, a existência de uma altura máxima de partículas inertes (
H max ) deve ser considerada também, onde o processo que ocorrer acima desta altura será
indesejada,​ ​pois​ ​se​ ​trata​ ​de​ ​fluidização​ ​de​ ​baixa​ ​qualidade​ ​[13].
A perda de carga ou queda de pressão ( ΔP ) do leito em função da velocidade do ar
é um parâmetro fluidodinâmico de grande importância. Existe um pico máximo de queda
de pressão ( ΔP max ) gerado pela alta carga energética necessária para estabelecer o regime
de jorro. Esse valor é de extrema importância para o projeto de sopradores de ar em uma
unidade​ ​de​ ​jorro​ ​[13,​ ​16].
A desaceleração das partículas provenientes da região de jorro ocorre após as
mesmas atingirem a superfície do leito (região de fonte), e resulta em sua queda sobre a
região anular. Por fim, essas partículas descrevem uma trajetória anular de volta para a
região de jorro, seja após atingirem a base do leito (próximo ao orifício de entrada do ar)
seja​ ​através​ ​de​ ​fluxo​ ​cruzado​ ​(na​ ​interface​ ​jorro-ânulo)​ ​[7].
A Figura 03, mostrada a seguir, ilustra esquematicamente a movimentação cíclica
e ordenada das partículas em um leito de jorro convencional, ilustrando também um
diagrama do regime do jorro, onde na parte inferior entra o ar para o jorro, e no seu interior
é possível identificar a região do jorro, a região anular que compreende esse leito
deslizante​ ​de​ ​partículas​ ​e​ ​a​ ​fonte​ ​proporcional​ ​ao​ ​cone-cilíndrico​ ​[13].

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Figura​ ​03​ ​-​ ​Diagrama​ ​esquemático​ ​do​ ​regime​ ​de​ ​jorro​ ​em​ ​um​ ​equipamento​ ​cone-cilíndrico
[13]

3.1.4​ ​Curva​ ​Característica

Para um projeto de leito de jorro, é necessário obter os valores dos parâmetros


citados no tópico anterior: a altura máxima do jorro, as quedas de pressão máxima e
mínima,​ ​a​ ​velocidade​ ​mínima​ ​do​ ​jorro​ ​e​ ​as​ ​características​ ​fluido​ ​sólido​ ​geometria.
A curva característica do leito de jorro relacionado a queda de pressão e velocidade
superficial​ ​do​ ​ar​ ​está​ ​representado​ ​na​ ​figura​ ​04:

​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​Figura​ ​04​ ​-​ ​Curva​ ​característica​ ​do​ ​leito​ ​de​ ​jorro.​ ​[16]

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Algumas considerações e parâmetros são realizados para a confecção da curva,
inicialmente, para pequenas vazões, o gás não perturba as partículas do sistema, apenas
circula​ ​entre​ ​elas​ ​fazendo​ ​com​ ​que​ ​este​ ​se​ ​comporte​ ​como​ ​leito​ ​fixo.
Ao aumentar a vazão, as partículas que estão próximas ao orifício de entrada do
gás, deslocam-se surgindo uma cavidade acima desta região, circundada por uma camada
sólida compacta, ainda mais resistente à passagem do gás, causando assim um aumento na
queda de pressão no leito [14]. A medida que a vazão aumenta, a cavidade interna vai se
alongando, havendo formação de um jorro interno, a queda de pressão continua
aumentando até atingir um valor máximo ( Δ PM), no ponto B. Quando a velocidade é
aumentada acima do ponto B, o efeito do jorro interno é maior que o da camada sólida que
limita​ ​a​ ​cavidade​ ​e​ ​a​ ​queda​ ​de​ ​pressão​ ​passa​ ​a​ ​diminuir​ ​ao​ ​longo​ ​de​ ​BC​ ​[16].
No ponto C, a quantidade de partículas deslocadas no núcleo central já é suficiente
para provocar uma expansão do leito. Esta expansão pode ser acompanhada por expansões
e contrações alternadas do jorro interno, resultando em instabilidade e flutuações na queda
de pressão e, no caso de cargas mais profundas, fluidização de partículas na região
adjacente ao jorro interno. O jorro incipiente, é um pequeno incremento na vazão do gás
acima do ponto C, assim, faz com que a queda de pressão caia até o ponto D, no qual o
jorro aflora à superfície. Com o aumento da velocidade além do ponto D, apenas aumenta a
altura​ ​da​ ​fonte,​ ​sem​ ​grandes​ ​alterações​ ​na​ ​queda​ ​de​ ​pressão​ ​[16].

3.1.5​ ​Aplicações

A indústria química vem utilizando a tecnologia de leito de jorro para o tratamento


de materiais particulados que necessitam de altas taxas de transferências de calor e massa e
um produto final homogêneo. Como por exemplo, a secagem de grãos, como trigo, feijão e
milho e também a secagem de pastas e suspensões, reatores catalíticos, processos de
gaseificação, pirólise, combustão e processos eletroquímicos com objetivo de remover
metais pesados a partir da eletrodeposição e precipitação [9, 16]. Comparado a outros
secadores o leito de jorro apresenta algumas vantagens como bom controle da temperatura
do leito, tempo de residência do produto baixo e alta taxa de transferência de calor e massa.

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Leitos de jorro de várias configurações têm sido usados em aplicações como secagem,
granulação,​ ​aquecimento,​ ​resfriamento​ ​e​ ​recobrimento​ ​de​ ​partículas​ ​[9,​ ​16].

3.1.6​ ​Conclusão

Conclui-se que a aplicação de leitos de jorro em um processo industrial cresceu de


acordo com a evolução do equipamento, o seu regime fluidodinâmico único, propicia
inúmeras vantagens durante suas aplicações. Características, como a excelente mistura de
sólidos e o intenso contato fluido-sólido, permitem uma secagem segura e eficiente de
materiais termossensíveis. Por outro lado, as elevadas velocidades alcançadas pelo fluido
de jorro são a base para vários processos na área de engenharia química, como àqueles
referentes​ ​à​ ​purificação​ ​de​ ​gases​ ​e​ ​ao​ ​craqueamento​ ​do​ ​petróleo​ ​[13].
Apesar da larga aplicação deste equipamento, ainda há limitações na capacidade de
secagem do leito de jorro, que impede o equipamento de ser industrialmente competitivo.
As limitações acontecem pois a quantidade de ar requerida para manter o jorro estável é
maior do que a utilizada na secagem em si. Assim, as faixas de operações e as opções de
aumento​ ​acabam​ ​se​ ​tornando​ ​pequenas​ ​[16].
O leito de jorro tem seu uso ainda é restrito aos processos operados em pequenas
escalas, devido a limitação de “scale-up”. O aumento de escala, via de regra, provoca
instabilidades no leito, o que impede a sua utilização em muitos processos industriais.
Neste sentido, uma rota importante de estudo é identificar mecanismos, que tornem
possível o uso deste equipamento em processos industriais sem sofrer o efeito da
instabilidade​ ​do​ ​leito​ ​[13].

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