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FACULDADE INTERNACIONAL SIGNORELLI

CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM DIREITO DO TRABALHO

DIREITOS DOS GREVISTAS E DO EMPREGADOR

Aline Silva Mizuguchi


Dourados
Abril / 2018

DIREITOS DOS GREVISTAS E DO EMPREGADOR

O direito de greve dos trabalhadores é matéria constitucional, inserida em nossa Carta


Magna no capítulo referente aos Direitos Sociais. O art. 9° do mandamento cosnitucional
prevê que:
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre
a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento
das necessidades inadiáveis da comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. (CF. art. 9°).

Conforme se depreende da leitura do dispositivo acima, a greve é assegurada pela CF


e deve ser deliberada pelos próprios trabalhadores. Todavia, não se trata de norma de eficácia
plena, mas sim de eficácia contida, conforme definição proposta pelo ilustre professor José
Afonso da Silva, ou seja, apesar de aplicabilidade direta e imediata a lei poderá restringir ou
delimitar a fruição desse direito.
Nesse sentido, a Lei n° 7.783/1989 regulamenta o exercício do direito de greve, define
as atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade,
além de outras providências.
Historicamente, a greve, a partir de 1900, quando o sistema político se caracterizava
pela ideia liberal, exerceu-se como uma liberdade dos trabalhadores, sem leis
que a restringissem ou a disciplinassem, conforme lição de Ferrari et. al. (2011. p. 125).
Segundo o doutrinador, devido a intensificação das greves, em 1937 essa foi considerada
“recurso nocivo ao interesse social e prejudicial à economia”, considerando a greve um delito.
Já nas constituições seguintes, em 1946 foi reconhecida como direito dos trabalhadores, em
1967 e 1969 também, todavia, com mais restrições.
Posta essa parte histórica, chegamos à CF/88, onde o direito à greve é garantido, mas
nas palavras de Martins (2012, p. 886) “[...] não é um direito absoluto. Só por se tratar de um
direito já existem limitações”.
Segundo esse autor (idem, p. 887) o titular do direito à greve são os trabalhadores, mas
a legitimidade para instauração pertence ao sindicato, uma vez que direito coletivo.
Leite (2017, p. 789) coloca como direito dos grevistas os previstos art. 6° da Lei
7.783/89, a saber: a) o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os
trabalhadores a aderirem à greve; b) a arrecadação de fundos e a livre divulgação do
movimento. Segundo o autor, tratam-se de hipóteses exemplificativas, pois existem outros:
[...]na própria Lei de Greve, como, por exemplo, o direito de o trabalhador ver o
seu contrato de trabalho suspenso durante o período de greve (LG, art. 7º), o que
implica outros direitos: (I) impossibilidade de rescisão do contrato de trabalho
enquanto perdurar o movimento e (Il) de contratação de trabalhadores substitutos
(LG, art. 7º, parágrafo único). (Martins, 2017, p. 789).

Os trabalhadores também têm direito de não serem constrangidos a comparecer ao


trabalho pelos empregadores, que também deverão se abster de tentar frustrar a divulgação do
movimento.
Por outro lado, em um Estado democrático de direito, o exercício de um direito não
pode ser ilimitado a ponto de ferir os direitos de outrem. Assim, conforme lição do professor
Maurício Godinho Delgado o exercício do direito à grave deve respeitar os direitos de outras
pessoas da sociedade, por exemplo:
[...] assegurar a prestação de serviços indis pensáveis às necessidades inadiáveis da
comunidade, quando realizando greve em serviços ou atividades essenciais
(acrescendo-se que o Poder Público poderá suprir tal atendimento); organizar
equipes para manutenção de serviços cuja paralisação provoque prejuízos
irreparáveis ou que sejam essenciais à posterior retomada de atividades pela
empresa; não fazer greve após celebração de convenção ou acordo coletivos ou
decisão judicial relativa ao movimento (respeitada a ocorrência de fatores que se
englobem na chamada cláusula rebus sic stantibus); respeitar direitos fundamentais
de outrem; não produzir atos de violência, quer se trate de depredação de bens, quer
sejam ofensas físicas ou morais a alguém. (Delgado, 2017, p. 1631).

Da mesma forma, o empregador também é sujeito de direitos, entre eles o da livre


iniciativa, da propriedade privada, entre outros, cabendo assim tutela desses direitos, quando
indevidamente violados.
Pelo observado na lei de greve e na CF, além do aprendido nos áudios deste curso,
podemos afirmar que o empregador tem o direito de saber antecipadamente sobre a
paralisação. Não havendo acordo, é assegurado ao empregador, enquanto perdurar a greve, o
direito de contratar diretamente os serviços necessários para esse fim. Também é direito do
empregador, durante a greve, que sejam assegurados os serviços cuja a paralisação resultar em
prejuízo irreparável. Os trabalhadores que queiram participar da greve não poderão ser
proibidos pelo movimento grevista.
REFERÊNCIAS

FERRARI, IVANY. et. al. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do


trabalho. 3. ed. – São Paulo : LTr, 2011.

MARTINS, SÉRGIO PINTO. Direito do Trabalho. 28. ed. São Paulo : Atlas. 2012.

LEITE, CARLOS HENRIQUE BEZERRA. Curso de direito do trabalho. 8. ed. - São Paulo
: Saraiva. 2017.

DELGADO, MAURICIO GODINHO. Curso de direito do trabalho. 16. ed. rev. e ampl.
São Paulo : LTr, 2017.