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FIEB – Fundação Instituto de Educação de Barueri

E.E.F.M– PROFESSORA MARIA THEODORA PEDREIRA DE FREITAS

Trabalho de Filosofia

“Mas o que sou eu, portanto?


Uma coisa que pensa. Que é uma
coisa que pensa?”

Análise do cogito cartesiano e a


ramificação dos pensamentos
relacionados

2º COLEGIAL A
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Felipe Garcia 12

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Lucas Leite
“Mas o que sou eu, portanto? Uma coisa que pensa. Que é uma coisa que
pensa?”

Antes de chegar ao conceito de “penso, logo existo”, Descartes tinha


muitas dúvidas em seu pensamento como esta, do terceiro parágrafo de
sua segunda meditação metafísica:

“O que poderá, pois, ser considerado verdadeiro?”

Descartes então reitera que nega tudo proveniente dos sentidos,


dizendo-se persuadido de que “nada existia no mundo,não havia
nenhum céu, nenhuma terra, espíritos alguns, nem corpos alguns.”

Afirmando isso, não obstante, Descartes se depara com mais uma


dúvida, rapidamente solucionada:

“[...] não me persuadi, portanto, de que eu não existia?


Certamente não, eu existia sem dúvida, se é que me persuadi, ou,
apenas, pensei alguma coisa.”

Considerando sua existência, Descartes discorre sobre a existência de


algum “enganador mui poderoso e mui ardiloso, que emprega toda
a sua indústria em enganar-lhe sempre”. Com isso, Descartes acaba
por chegar ao seu conceito de existência, pois não há dúvida de que ele
existe; já que o enganador engana-o. Porém este último não poderá nunca
enganar o filósofo com relação à certeza “eu existo”.

O filósofo vai além e elabora sua idéia definitiva, o cogito cartesiano:

“[...] por mais que me engane, não poderá jamais fazer com
que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa. [...] esta
proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas
as vezes que eu a enuncio ou que a concebo em meu espírito.”

Após encontrar o cogito, um conhecimento firme e seguro – onde


afirma que a partir do momento em que pensa se existe – Descartes vai
buscar descobrir o que ele realmente é; como fica ilustrado no quinto
parágrafo da segunda meditação:

“Mas não conheço ainda bastante claramente o que sou, eu


que estou certo de que sou; [...]”

Assim, Descartes inicia o desenvolvimento de seu conceito de


“substância pensante”, aplicando-lhe o método cartesiano:

“Mas o que sou eu, portanto? Uma coisa que pensa. Que é
uma coisa que pensa? É uma coisa que duvida, que concebe, que
afirma, que nega, que quer, que não quer, que também imagina e
que sente.”
Percebe-se, que no discurso de Descartes, existem ações
necessariamente ligadas ao pensamento, sempre. Para se ter melhor
percepção disso basta realizar uma análise de cada elemento por si só:

“[...] uma coisa que duvida, [...]” A dúvida é o fundamento de


Descartes, e, se for feita uma análise, a dúvida é um pensamento infinito,
até que se encontre algo indubitável, já que para que se chegar a algo como
tal é preciso sempre duvidar da dúvida; e quando se duvida da própria
dúvida (e assim sucessivamente) o pensamento é contínuo. Por isso uma
coisa que pensa é uma coisa que duvida.

“[...] que concebe [...]” Conceber, nada menos do que criar, do


que gerar no pensamento, do que compreender algo. Está claro que uma
coisa que pensa é também uma coisa que concebe.

“[...] que afirma, que nega [...]” Em qualquer questão onde se


deve colocar a opinião, ou expor um conceito, nunca se o faz sem antes
raciocinar. Quando alguém afirma ou nega algo, por trás da mensagem
passada há sempre algum pensamento; seja ele complexo ou simples. Uma
coisa que pensa é capaz de afirmar ou negar algo.

“[...] que quer, que não quer [...]” O livre árbitro...


Essencialmente relacionado ao pensamento; a capacidade de se discernir as
melhores ou piores escolhas e fazer opções. Uma coisa que pensa toma as
suas próprias decisões.

“[...] que também imagina [...]” A imaginação é o maior exercício


mental que se pode fazer; ela não tem limites, é como um vôo interminável.
Quando se imagina alguma coisa, tudo pode acontecer; como, por exemplo,
uma bola que pinga ao solo magicamente sofre uma transformação em um
pombo branco e levanta vôo graciosamente.

“[...] e que sente.” Não, o verbo sentir não foi empregado por
Descartes para fazer relação aos sentidos, veementemente negados pelo
filósofo francês. A interpretação correta deste raciocínio se dá quando o
verbo sentir se compreende pelo campo dos sentimentos abstratos,
provenientes do pensamento, como amor, alegria, tristeza, emoção,
angústia, etc.

O legado filosófico deixado por Descartes é tão importante quanto o


que este último deixou para as ciências da matemática.

Ao refletir sobre o conceito “penso, logo existo” pode-se encaixá-lo


perfeitamente na sociedade contemporânea, onde é cada vez mais
freqüente a acomodação ao senso comum. Este pensamento cartesiano
viria como uma crítica à indolência para com o pensamento; colocando-se
também como um incentivo ao exercício mental – Já que segundo Descartes
pensar é parte indispensável à existência.