19/2/2008 O Contexto do DI: a Comunidade/Sociedade internacional. Fases Históricas do DI. O DI contemporâneo e os desafios presentes. Noção de DI.

Critérios em presença e respectiva crítica. A questão da juridicidade do DI. Os tipos de relações jurídicas internacionais. DI e figuras afins. Classificações do DI. Contexto do Dto Internacional ● Comunidade/Sociedade Internacional → Complexa → Plural → Fragmentada → Policêntrica → Institucionalização débil mas progressiva. Fases Históricas do Dto Internacional ● Proto-história do DI (do ius gentium romano ao Ius Publicum Europoeum – século XVII) DI é: → o que a razão natural estabeleceu entre todos os homens (Gaio) → o que é usado por todos os povos (Uprano) → o dto regulador da comunidade política internacional (Vitoria 1526) → o dto que todos os povos e nações devem observar entre si (Suarez 1612) → o dto que regula as relações entre as nações (Grocio 1625, em geral considerado o fundador do DI moderno). ● História do DI 1→ Formação do DI – da Vestefália (1648) a Viena (1815) É uma fase de guerras constantes na Europa em que os equilíbrios espontâneos criados por tratados eram frequentemente violados para a formação de novos tratados. Trata-se de uma fase de formação que corresponde à criação da Europa como hoje a conhecemos. Os Estados, como soberanos, eram iguais entre si. 2→ Consolidação do DI – de Viena (1815) a S. Francisco (1945) Corresponde ao concerto europeu. Foi a primeira forma de institucionalização do dto europeu, a qual pretendeu durar ao longo do tempo. Tratava-se de uma forma de directório, ou seja, ainda reconhecendo a soberania dos Estados, o equilíbrio das respectivas relações era decidido pelas grandes potências, ficando os Estados mais pequenos num segundo plano. Tratava-se, pois, de uma institucionalização precária de carácter político-diplomático cujo equilíbrio não resistiu aos novos elementos que surgiram nas relações entre os Estados:  princípio das nacionalidades;  princípio da autodeterminação dos povos;  ideia da nação enquanto representação política dos povos;  consolidação de princípios como a soberania e independência dos Estados, institucionalizando-se as suas relações. Nos finais do século XIX surgem novos elementos que colocam em causa a concepção do DI básico:  surgem as primeiras organizações internacionais (OI), de carácter técnico;

 industrialização (o desenvolvimento da realidade económica e social obrigou os Estados a aprofundar as suas relações internacionais);  o dto de fazer a guerra é discutido, acabando por ter preterido a favor dos movimentos pacifistas nas Convenções de Gaia. É criado um Tribunal para se resolver os conflitos e disputas através de um modo jurídico. Contudo, com a Grande Guerra de1945, verifica-se um recuo destes avanços. 1928→ Pacto de Interdição da Guerra, o qual não teve efeitos práticos. A primeira metade do século XX foi uma fase de espera. 3→ O DI contemporâneo – de S. Francisco (1945) a … Assistimos à criação das Nações Unidas, o que de certo modo retoma a ideia da sociedade nações e de um quadro de organização das relações internacionais. Apesar de não ter conseguido evitar a proliferação dos conflitos a nível global, estes são localizados. Desde 1945 que o DI tem vindo a abranger uma comunidade internacional cada vez mais ampla, sendo, portanto uma organização de carácter universal que não deve ser confundido com o Dto Europeu. A segurança e paz internacionais são uma competência do Conselho de Segurança, havendo uma relação de subordinação que ignora o princípio da soberania. O DI contemporâneo ● Multiplicação dos sujeitos (uma sociedade civil global em construção?) → Estados (descolonização; fim dos Estados socialistas europeus); → Organizações Internacionais, em especial a UE e a ONU; → A questão ONG e TNC como sujeitos do DI; → emancipação do indivíduo como sujeito do DI. Inicialmente o indivíduo não era considerado sujeito do DI, apenas indirectamente – através do Estado – se relacionava com este. No século XX a necessidade de o indivíduo participar na formação das regras que internacionalmente o regulam, assim como a questão da responsabilidade internacional (a possibilidade de os indivíduos serem directamente responsabilizados pelos seus actos internacionais) levou os tribunais e o Tribunal Penal Internacional a permitirem a emancipação do indivíduo como sujeito de DI. Contudo, é algo que se encontra ainda em formação. Exemplos práticos da emancipação dos indivíduos como sujeitos de DI: o reconhecimento das minorias (ex.: povo palestiniano). Dto humanitário → possibilidade de os indivíduos serem reconhecidos internacionalmente, sendo os seus dtos tutelados a nível internacional. É um dto difuso, havendo domínios em que essa tutela é mais profunda e extensa. Ex.: Convenção Europeia dos Dtos do Homem. Sociedades transnacionais (multinacionais): → natureza comercial; → dimensão comparável ou mesmo superior à de alguns Estados, tanto do ponto de vista humano como comercial; → interferem nas relações internacionais e na capacidade dos Estados. ● Os desafios presentes → a globalização económico-financeira; → as ameaças naturais;

→ os desafios humanos (pobreza, diálogo intercivilizacional, conflitos armados, terrorismo, proliferação nuclear, etc). Todas estas questões solicitam o DI – em busca duma governance global. Noção de DI ● Critérios de definição → Sujeito; → Objecto; → Fontes Normativas. Definição do DI: Critério a partir dos sujeitos → conjunto das normas criadas que regulam a relação internacional dos sujeitos. É a concepção clássica encontrada na jurisprudência do Tribunal Permanente da Justiça Internacional. O elemento fundamental é a vontade dos sujeitos, manifesta nas convenções celebradas pelo Estado e no costume internacional. Teve dois momentos no seu itinerário: num primeiro momento definiu o DI como o ramo jurídico que disciplinava apenas as relações jurídicas entre os Estados, contudo, no segundo momento, o DI já foi definido como o sector jurídico regulador dos sujeitos da sociedade internacional, não os identificando apenas com os Estados. Embora seja uma definição compreensiva das diversas realidades subjectivas presentes no DI, actualmente este critério encontra-se ultrapassado. Quais os sujeitos de DI? Como são determinados? São aqueles que as normas de DI consagram como tal, ou seja, define-se com aquilo que está a ser definido. Critério a partir do objecto → conjunto de regras que incidem sobre matéria de natureza internacional (RTIGO 7º/2 da Carta das Nações Unidas). É um critério que separa as matérias internacionais e as matérias internas, justificando-se na natureza trans-estadual do DI. Contudo, tem como desvantagens que o invalidam o facto de haver matérias não internacionalizáveis e a dificuldade em determinar a separação do domínio dos Estados e do internacional. Critério das fontes normativas → é um critério formal. Normas e princípios que surgem de fontes transnacionais de criação do Dto. De acordo com este critério, o sentido principal do DI é funcional, atendendo mais ao modo de produção das suas regras do que ao sujeitos das relações internacionais ou às matérias por aquelas abrangidas. Fausto Quadros define o DI com base neste critério: “conjunto de normas jurídicas criadas pelos processos de produção jurídica próprios da Comunidade Internacional e que transcendem o âmbito estadual.” Todavia, reduz o DI a uma dimensão meramente formal, ignorando as dimensões materiais e subjectivas. Tem igualmente a dificuldade de no DI não haverem apenas fontes que lhe sejam privativas. ● Definição aberta, multidimensional e dinâmica → ordenamento jurídico formado por normas e princípios que regulam as relações jurídico-públicas próprias da comunidade internacional, enquanto substrato subjectivo, relacional e material. Esta definição contem quatro elementos: ▪ elemento formal → o conjunto dos princípios (orientações gerais que indicam sentidos valorativos e técnicos para a decisão jurídica)e normas (têm estrutura dualista, discernindo-se entre previsão – recorte de uma situação ou evento – e estatuição –

ficando a sua efectivação na mão dos sujeitos/Estados. É um dto que se formou com a autonomia dos Estados. o DI normalmente estabelecer orientações mais gerais. imputadas à órbita das relações internacionais em função da sua internacionalidade. Porquê? Críticas: ◘ O DI não tem legislador (o qual se trata de um paradigma ocidental e recente). que espelha a circunstância de. já obtiveram essa regulamentação. ● a jurisdição é facultativa. não efectuando o tratamento normativo exaustivo da problemática sobre que incide. Não podemos confundir o carácter jurídico de uma norma com sua efectivação. reciprocidade (há vantagens recíprocas que derivam do estabelecimento de posições subjectivas individuais numa comum base de igualdade) ou subordinação (alguns sujeitos aceitam limitações na sua soberania interna e internacional). ▪ elemento material → as matérias abrangidas pela regulação em causa. ● fragmentário nas matérias abrangidas pela sua regulamentação. ◘ O DI não tem juiz. .: os tratados multilaterais actuais contêm uma cláusula do Tribunal Internacional de jurisdição obrigatória. ▪ elemento subjectivo → os membros da sociedade internacional que mutuamente estabelecem relações de coordenação (resultado da necessidade de relacionamento internacional com o propósito de cada um defender os seus interesses numa base egoísta). ao contrário do que acontece no dto interno. Este fragmentarismo pode ser visto de duas perspectivas: ● um fragmentarismo horizontal. ● um fragmentarismo vertical. mas antes perante uma manifestação das relações empíricas dos Estados.consequência jurídica que se atribui à verificação do acontecimento referido na previsão) com conteúdo jurídico. Deste modo: ● os tribunais internacionais só podem ter parte nos processos do Estado. não sendo um movimento unilateral mas sim plurilateral. revestidas de sanção. que se determina pela ausência de uma regulamentação sobre os assuntos conexos com aqueles que. → Questão da juricidade do DI. Características do Dto Internacional São três os traços que se sobressaem da essência do DI: ● parcela do Dto Público. nem fazer com que ela fique dependente da força. em cada momento. ▪ elemento funcional → o estatuto jurídico-público das pessoas jurídicas envolvidas. Traços fundamentais: considera que não estamos perante um ordenamento jurídico. e são. Contudo. Apesar de haver juízes internacionais. as jurisdições internacionais são facultativas. existem outros meios para o aplicar. O Dto não pode depender de uma instância de carácter jurisdicional. Ex. ● policêntrico nas suas fontes e dos seus sujeitos. as normas internacionais devem ser. temos verificado um aumento de jurisdicionalização. quanto a certa matéria. Todavia. ◘ O DI não tem polícia que assegure o seu cumprimento.

. ● Dto Internacional e Cortesia Internacional Determinadas regras de carácter não obrigatório que demonstram uma relação de cortesia e polidez entre os Estados. Exemplo: não multar automóveis diplomáticos.: as competências do Conselho de Segurança em matéria de manutenção da paz. É entendido como um Dto Internacional mais desenvolvido onde se procede ao estabelecimento de relações mais extensas e aprofundadas. a sua qualificação. Se assim for. Dto Internacional e figuras afins ● Dto Internacional e Moral Internacional Trata-se de moral e ética internacional. cumprimentar o chefe de outro Estado com salvas de canhão. ● Doutrinas voluntaristas → cujo fundamento deriva da vontade do sujeito. Tem um carácter bilateral e horizontal do ponto de vista jurídico/formal. ● Subordinação Recentes e ainda a excepção. Associam-se com o positivismo jurídico. trata-se de uma disciplina autónoma de carácter descritivo.: tratados jurídicos acordados entre os Estados-membros). 26/2/2008 O Fundamento do DI. portanto. na ajuda humanitária e na luta para que os Estados mais ricos perdoem a dívida que os Estados mais pobres têm para com eles. Ex. ● Dto Internacional e relações internacionais Apesar de serem a base empírica do Dto Internacional. mas uma espécie de um terceiro tipo cuja definição ainda se encontra em evolução. O Fundamento do Dto Internacional: Teses em presença. ● Dto Internacional e Dto da U. Alguns autores defendem uma outra diferença de carácter qualitativo. o que só admite a produção e a obrigatoriedade de normas jurídicas como expressão do poder público. que se reflecte. Têm um carácter vertical.: imunidade diplomática). mas sim um ramo do dto interno dos Estados. Exemplo: quais as normas a aplicar no casamento entre duas pessoas de diferentes Estados? Ao contrário do Dto Internacional Público não é um ordenamento jurídico. a sua base jurídica fundamental é internacional (ex.Relações jurídicas internacionais ● Cooperação (prossecução de interesses próprios de sentido unívoco) ● Reciprocidade (prossecução de interesses próprios correlativos – relação sinalagmática) Os Estados assumem relações com diferentes interesses mas ao mesmo tempo convergentes (ex. por exemplo. impossibilitando.E. é a vontade dos Estados que leva à obrigatoriedade das normas. não sendo um dto estadual. Teses em presença. ● Dto Internacional (Público) e Dto Internacional Privado Do ponto de vista subjectivo é um conjunto de normas que versa sobre as relações dos sujeitos internacionais privados.

e A. Crítica: O Dto Internacional não pode nunca ser pensado como uma projecção da vontade individual de cada Estado Teoria da Autolimitação do Estado (Jellinek) → O Dto Internacional fundamenta-se numa auto-limitação por parte dos Estados que tem lugar quando os Estados se obrigam a uma vinculação voluntária às normas de internacionais. ● Crítica → Artigo 38º do Estatuto do TIJ (os ‘princípios gerais de Direito reconhecidos pelas nações civilizadas’) . Não são bem aceites pelos juristas por retiraram autonomia ao Dto. sendo a vivência internacional geradora da necessidade de leis e normas que conservem a sua coexistência. Crítica: decorreria uma falta de autonomia do Dto em relação à situação social. não ficando dependente da individualidade de cada Estado. Esta crítica vale também para a Teoria do Dto Estadual Externo. assim. debilitando o ordenamento jurídico internacional.Teoria do Dto Estadual Externo (P. A realidade social institucionalmente organizada e o Dto Internacional como o dto das instituições internacionais. Há normas que se formam e se impõem aos Estados independentemente da vontade destes. O fundamento do Dto Internacional está na vontade colectiva dos Estados e na respectiva manifestação. pactos e tratados. Crítica: Confusão entre relevância de vontade para criação de efeito jurídico e relevância de vontade como fundamento da normatividade. devendo. Crítica: tratando-se de uma autolimitação os Estados podem pôr termo a essa autodeterminação a qualquer momento. Teoria da vontade comum dos Estados (Triepel) → Pretende ultrapassar os limites das doutrinas anteriores. O fundamento das normas jurídicas transcende a vontade. Crítica comum às três teorias: não são só os Estados os sujeitos do Dto Internacional. ● Tese normativa (Kelsen e Anzilotti) Pretendeu ultrapassar o positivismo. Kelsen → Teoria da pirâmide normativa → no ordenamento internacional a regra consuetudinária (o costume) encontrar-se-ia no topo da pirâmide. Zorn e Wenzel) → Influenciados por Hegel e a sua maneira de pensar o Estado. derivando. Zorn e Wenzel tornaram-se nos protagonistas desta doutrina. Kelsen pensou/introduziu no sistema uma norma hipotética que não se consegue materializar mas que obrigaria a respeitar o dto consuetudinário. → A irrelevância do fundamento do Dto Internacional (Ago) Trata-se de uma preocupação jurídica irrelevante. → A sociabilidade internacional (Scette) → O institucionalismo (Santi Romano) ↔ o Dto em geral mais não seria do que a afirmação de um desejo de ordenação em torno de instituições sociais. no entanto. da vontade do Estado. serem respeitados os acordos. O Dto Internacional não é visto como um dto autónomo mas sim como um mero ramo do Dto. ● Teoria sociológica Afirma a obrigatoriedade do DI pela sua radicação nas relações internacionais. sendo entendido como dto interno do Estado que se projecta para o exterior.

entre os quais sobressai o valor da dignidade da pessoa humana. Afonso Queiró. não é reconhecida a sua existência devido à opinião generalizada de que haveria riscos em tal. aos quais estes devem obediência. Sublinha dignidade da pessoa humana. O jusnaturalismo axiológico é uma das variantes do jusnaturalismo que remete para existência de um jusnaturalismo axiológico fundamento de Dto na natureza humana e respectivos valores.org/docket/files/4/1835.  proibição da escravatura (continua a existir em alguns lugares). Silva Cunha. Outros princípios apontados como sendo do ius cogens:  proibição do genocídio. O Dto Internacional encontra a sua validade na indispensabilidade de haver normas com o objectivo de promover a dignidade humana. independentemente de terem participado ou não na sua formação. 24-26 → o ius cojens.  proibição da tortura. Alguns autores entendem que são princípios do ius cogens os princípios relativos à salvaguarda da dignidade da pessoa humana. A indispensabilidade de haver norma com o objectivo de promover a dignidade humana. Breve referência.icj-cij.pdf). pp. 1949 (http://www. ● Teorias contemporâneas → O neo-contratualismo liberal (Rawls e Dworkin) → Teses deliberativas e da ética comunicativa (Habermas e Alexy) .→ Parecer TIJ. ● Teses jusnaturalistas Fazem apoiar a obrigatoriedade do DI no respeito por valores ou princípios de Dto Natural. → O jusnaturalismo teológico ontológico (Le Fur) → O jusnaturalismo axiológico (Verdross. caso “Reparação dos prejuízos sofridos ao serviço das NU. Gonçalves Pereira) § o jusnaturalismo axiológico assente na dignidade humana (Bacelar Gouveia) Bacelar Gouveia → refere como fundamento axiológico a dignidade humana. Afonso Queizó → refere-se à dignidade humana como sendo o fundamento e a validade do Dto Internacional. Ius cogens→ conjunto de princípios que não se consideram vinculativos para sujeitos de Dto Internacional e dos quais estes não se podem desvincular. Problema: embora não seja tudo convencional. Reconhece-se que existem princípios jurídicos que se podem reconduzir a determinados factos sociais e que não podem reconduzir-se à vontade unilateral comum dos cidadãos. sediado acima do poder dos Estados. Principal crítica: determinados princípios têm esse vector jurídico superior. Qualquer tratado que violar o “ius cogens” é nulo. como a possibilidade de haver uma utilização unilateral do ius cogens que imponha uma concepção de dto ao sujeito diferente da visão de Dto.

cujo espaço de aplicação é limitado.S. and Sony is the largest exporter of television sets from the United States. ● (forma) Dto Internacional não escrito vs Dto Internacional escrito Não escrito → princípios gerais do Dto. and any given state is but one constraint in corporate global strategic calculations. a Japanese concern assembling typewriters in Bartlett. resultando duma manifestação de vontades. pp. Tem sido procurada a sua materialização com o objectivo de facilitar a sua aplicação através da codificação. It is the world in which Brothers Industries. ● (âmbito material) Dto Internacional geral vs Dto Internacional especial DI especial → conjunto de normal que materialmente têm um domínio mais restrito. • Bibliografia: Jorge Miranda. Têm um âmbito material e um âmbito funcional. dos sujeitos internacionais. and which are more or less effectively mediated by the state. ou pelo grande parte. an American firm that imports .. Ex. É atinente aos princípios e normas jurídico-internacionais que apenas beneficiam de uma aplicação restrita. “Ius cogen” → conjunto de princípios ou normas que se impõem independentemente da vontade dos sujeitos. DI convencional → é acordado pelos sujeitos de Dto Internacional. em razão das particularidades. the conventional distinctions between internal and external once again are exceedingly problematic. foreign investment. Respeita aos princípios e normas que têm como vocação ampla de aplicação uma perspectiva subjectiva: a todos. brings an antidumping case before the U. Contudo. ● (hierarquia) Dto Internacional fundamental vs Dto Internacional ordinário O DI ordinário é inferior ao fundamental. and the like. 3ª ed.Classificação do Dto Internacional ● (âmbito de aplicação) Dto Internacional Comum vs Dto Internacional particular DI comum → princípios gerais do Dto comuns. Têm inderrogabilidade e encontram-se no topo da pirâmide normativa. tendo de o respeitar.: Convenção de Viena. DI particular → reflexo da fragmentação do Dto. Ex. Este último chega a ser considerado por alguns autores como um dto constitucional. In the nonterritorial global economic region.Comente o seguinte texto: “These conventional spaces-of-places continue to engage in external economic relations with one another. isso não as transforma em normas convencionais. Tennessee. International Trade Commission against Smith Corona. however. which we continue to call trade. This is the world in which IBM is Japan’s largest computer exporter. o carácter consuetudinário permanece. 9-32 e 37-39 28/2/2008 (pratica) “. nomeadamente o costume. Dto da Guerra (embora actualmente os domínios já sejam vastíssimos).: Dto Internacional Penal. ● (criação) Dto Internacional espontâneo vs Dto Internacional convencional A relevância das normas jurídicas de criação espontânea (consuetudinária) é muito maior no domínio internacional que no externo. Curso de Direito Internacional Público.

resultante da abertura de fronteiras e do grande fluxo de emigração (e.” O Texto 1 insere-se no contexto da realidade internacional actual. estrutual. Sociedade versus Comunidade. p. Spaces-of-places → espaço não territorial.” John Gerard Ruggie. Devido à sua novicidade não é ainda um movimento político. 172. cujo laço é formado por interesses estratégicos. situando-se ao mesmo nível dos tratados.typewriters into the United States from its offshore facilities in Singapore and Indonesia. tem havido uma desterritorialização do poder. de acordo com o Direito Internacional. b) o costume internacional. 38º ETIJ e as fontes de Dto Internacional “1. aplicará: a) as convenções internacionais. distinção e autonomia entre os seus elementos. gerais ou especiais. como prova duma prática geral aceite como de direito. não há um sentido intencional na coesão entre os membros. como meios auxiliares para a determinação das regras de direito. autor do texto. d) sob reserva do disposto no artigo 59º. culturas. . Fontes de Dto Internacional ● O art. Processos de cooperação internacional → visam regular a nova actualidade internacional dentro de um modelo estadual. 4/3/2008 As Fontes de Direito internacional. etc) e abertura mental. A vontade e soberania dos Estados estão interligadas a essa territorialização do poder que se verificou após a Idade Média. do qual os Estados não fazem parte. ◘ O que a internacionalização trouxe às comunidades nacionais? Heterogenidade. uniformal e homogenio. International Organization 47. c) os princípios gerais reconhecidos pelas Nações civilizadas. O texto refere-se à territorialidade. Alguns autores defendem que os acordos entre empresas internacionais devem ser regulados pelo Dto Internacional público ao invés do privado. as decisões judiciais e a doutrina dos publicistas mais qualificados dos diferentes Estados. O Tribunal. A realidade internacional insere-se na sociedade. contudo. 1 Winter 1993. “Territoriality and beyond: problematizing modernity in international relations”. cuja função é decidir. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados em litígio. nomeadamente do económico. Comunidade → restrito. cujos laços não se formam pelos interesses.: diferentes religiões. cada vez mais se fala de uma comunidade internacional. os litígios que lhe sejam submetidos. Sociedade → global. Segundo John Ruggie. uma das características do Estado. há solidariedade.

Não há uma orientação unívoca em termos temporais (cf. é antes uma base de partida.” Não visa estabelecer um elenco de fontes. Relevância da objecção (‘Haia de la Torre’. p. 41-43) O espaço exterior (instantaneidade do costume a partir da Declaração da AG-NU em 1963) Proposta: a prática deve ter ocorrido cada vez que os sujeitos tiveram oportunidade de a manifestar e deve ter uma carácter uniforme (caso ‘Haia de la Torre’. de acordo com a justiça. Este artigo não prejudicará a faculdade do Tribunal de. a primeira com força vinculativa inter partes. 138-139) nos costumes locais e tendencial irrelevância nos comuns (caso ‘plataforma continental’. e Hol.  Por excesso: os PGD não são fonte. ). A alínea c) é reveladora de um egocentrismo de carácter ocidental. pp. UK vs Nor. 1969. 41-42) Manifestações da prática: actos dos órgãos internos e externos dos sujeitos de Dto Internacional. pp. RFA Din. julgar ex aequo et bono. Remissão. NZ e Austrália vs França. ● Fontes primárias → Costume → Tratados → Actos unilaterais do Estado e OI ● Fontes secundárias → Jurisprudência (reguladora de normas e princípios mas não criadora) → Doutrina (caso ‘Plataforma continental’ 1969. . 277 e ‘Pescarias’ 1951. Elemento psicológico animus → opinio iuris vel necessitatis (caso ‘plataforma continental’ 1969 RFA vs Din e Hol. 1950. se as partes estiverem de acordo. 1974. RFA vs Dinamarca e Holanda. 277-278.RFA vs Dinamarca e Holanda. p. 36-37) → Equidade → Princípios gerais do Dto Costume Não se considera que haja uma hierarquia.  Por defeito: os actos unilaterais dos Estados (caso ‘testes nucleares. ◘ A jurisprudência e a doutrina. não são criadoras. a vinculação a ele só existe quando é aceite pelo Dto. mas são reveladoras de normas e princípios. 267-270) e das OI. caso ‘plataforma continental’ 1969. pp. pp. e ‘Pescarias’ 1951. pelo que parece válido considerá-las como fontes ainda que secundárias. A aceitação do costume é voluntária. ● Crítica do 38º ETIJ → Crítica por excesso e por defeito do elenco enunciado. → Crítica à formulação utilizada Não é clara a distinção entre as convenções internacionais gerais e especiais. 44-45).. são um dos elementos normativos do Dto Internacional.2. Elemento material → corpus (prática constante e uniforme). é tratado em primeiro lugar por ser a fonte mais antiga do Dto Internacional. pp. a decisão ex aequo et bono é uma forma de resolução concreta de um caso. pp.

Complementa. e o elemento psicológico (animus). al. 27º Carta NU). geral. Nor vs UK)? ● Classificação → Âmbito: comum (generalidade . Ou seja.  infra legem (corresponde ao secundum legem. ‘Plataforma continental’ 1969. Prática constante. Constituição ou Estatuto .prática de em conjunto diversificado e representativo de sujeitos) e particular (regional – caso ‘Haia de la Torre’-. ). Os acordos entre os Estados e sujeitos de direito privado com acção transnacional. ● Proposta Acordo de vontades entre sujeitos de DI.▪ Carácter objectivo. → Sentido (a questão do costume contra tractum – art. uniforme.  secundum legem Tratados ● Definição Art. quer esteja consignado num instrumento único. Pt vs Ind. 1960). que se traduz na existência de uma prática reiterada. quer em dois ou mais instrumentos conexos.  contra tratum (contrário ao tratado). de que resultam efeitos jurídico-internacionais.  contra legem. a). → Elementos que constituem o “corpus” do costume: actos dos órgãos internos e externos dos sujeitos de Dto Internacional. que consiste na convicção de que aquela prática é para ser cumprida. cits. o Costume pode ser regional. local ou de alcance geral (a objecção de um ou dois sujeitos é tendencialmente relevante. → Classificação do Costume:  Comum. RFA vs Din e Hol) ▪ Presunção iuris tantum (caso ‘pescarias. ▪ O problema da objecção persistente (caso ‘pescarias’ Nor vs UK 1951 e ‘Haia de la Torre’. precisa ou desenvolve uma lei). CVDTE: “um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. particular (regional ou local) → abrange um conjunto de sujeitos internacionais). ‘Quase Tratados’? ● Denominações (inter alia) → Convenção → Acordo → Carta. agindo nessa qualidade. e qualquer que seja a sua denominação particular”. → Gentlemen’s agreements. ● Distinção de figuras afins → Feixes de actos unilaterais. → Para existir o costume necessita da conjugação de dois elementos: o elemento material (corpus). → Acordos políticos. 2º nº 1. ou local caso ‘direito de passagem’.

→ Notificação Consiste na comunicação aos respectivos destinatários de uma qualquer situação ou acontecimento. etc. → Vinculativos. independentemente da existência de qualquer retribuição. denúncia. de tal possibilidade ser condicionada (tratados semi-fechados) ou mesmo proibida. apenas dependendo de si própria. o acto de ratificação por parte do Chefe de Estado. → Tratados gerais e tratados restritos. → Tratados abertos e tratados fechados. individual e não duradouro. → Promessa (caso ‘testes nucleares’. factual ou jurídica. ● Regime jurídico: → A ausência de requisitos formais.→ Pacto → Concordata → Acta final ou geral → Compromisso ● Classificações (inter alia) tendo em consideração a incidência sobre o regime jurídico respectivo → Tratados-lei e tratados-contrato. → Tratados solenes e tratados não-solenes. sendo estes últimos para um número reduzidos de sujeitos partes. autonomamente. ▪ Os feixes de AJI → AJI não autónomos (mas com efeitos jurídico-internacionais) – adesão. → Reconhecimento Representa a aceitação por parte do respectivo autor quanto à qualidade de certa entidade como sujeito de Dto Internacional.) Expressa a vontade do autor do acto na concessão de uma vantagem que passa a ser juridicamente protegida. dependendo do número de sujeitos celebrantes. excepto a publicidade (caso ‘testes nucleares). em razão de ser ou não necessário. Actos jurídicos unilaterais → Protesto Corresponde à manifestação de uma discordância. de acordo com o sentido normativo ou concreto. → Tratados escritos e tratados não escritos. numa visão estritamente unilateral. de cujo conhecimento depende a produção de tais efeitos na esfera jurídica de um sujeito internacional. ao qual se associam efeitos jurídico-internacionais. tomando em consideração a adopção ou não da forma escrita na respectiva celebração. quanto a um acontecimento ou situação. . → Tratados bilaterais e tratados multilaterais. cit. em função de ser possível a sujeitos que não assinaram e ratificaram a futura pertença ao seu conteúdo. dos efeitos que sejam estabelecidos no respectivo articulado. → Renúncia Vontade de um sujeito internacional fazer extinguir um direito que pertença à sua esfera jurídica.

mas há princípios que vinculam apenas alguns desses sujeitos? Nem todos acham que sim. ▪ Os actos da AG e do CS das NU. (Bacelar Gouveia) → Actos vinculativos e consultivos Actos que produzem efeitos obrigatórios e actos que apenas contêm recomendações ou pareceres. → Princípios gerais comuns e princípios gerais restritos. podendo provocar a respectiva invalidade material. ◘ Todos estes princípios são comuns aos sujeitos de Dto Internacional. responsabilidade. ‘canal de Corfu’). Actos que se aplicam por si mesmos e actos que para se tornaram operativos carecem de um outro acto que lhes confira executoriedade. Admissibilidade? ● Princípios de Dto Privado: celebração de tratados. Princípios Gerais de Direito → Consagração do ‘Direito Natural’? ● Princípios gerais oriundos dos direitos internos: boa fé (transversal). abuso do direito. como os princípios relativos ao Estado de Dto e os princípios democráticos. não ingerência. ● Função dos PGD ● Legitimadora Os princípios permitem questionar a legitimidade material das normas ou de outros princípios que com eles estejam desconformes. Actos que apenas se destinam à organização e ao funcionamento dos respectivos órgãos e actos que se projectam nas relações jurídicas com outras entidades. princípios de direito privado (casos ‘Barcelona Traction’. → Actos normativos e não normativos.→ Irrevogáveis. . A equidade e a decisão ex aequo et bono. livre consentimento. cooperação. ● Princípios gerais internacionais: proibição do uso da força. igualdade de direitos dos povos e autodeterminação (‘Declaração relativa às relações amigáveis e de cooperação entre os Estados conforme a CNU’. princípios processuais e de prova. estoppel. Actos que incorporam normas jurídicas e actos que contêm somente efeitos individuais e concretos. O Ius Cojens. ● Os actos das OI → Actos de eficácia interna e externa. AG 1970). resolução pacífica dos conflitos. → Actos preceptivos e programáticos (a problemática do soft law). ▪ Os actos das instituições da EU. de outro modo todas igualmente possíveis. reciprocidade. mas existem. dto das sociedades. 11/3/2008 Os Princípios Gerais de Direito. → Actos exequíveis e não exequíveis. de entre válidas soluções hermenêuticas. igualdade soberana dos Estados. liberdade dos mares. ● Interpretativa Os princípios permitem determinar preferências.

não é a jurisprudência que funciona como fonte de Dto Internacional: no primeiro caso realça a fonte costumeira e no segundo avulta a atribuição ao órgão judicial de uma faculdade normativa. os quais têm como singularidades o menor formalismo processual. embora tal possa ser diferente quando os tribunais sejam confrontados com a imposição de orientações gerais em duas ocasiões: pela formação de um costume jurisprudencial ou pela imposição de uma orientação comum admitida ao nível do estatuto do órgão judicial em causa. da doutrina. Elencos possíveis. contudo. Ius cojens refere-se apenas a dto comum. Os arts. ▪ como conjunto de opiniões jurídicas a respeito do Dto Internacional. → Convenção de Viena: ius cojens só são reconhecidos se tiverem alcance geral. em acréscimo à função judicial. Conquanto. ● Complementadora Os princípios têm a virtualidade de regulativamente alargar a extensão de aplicação do Dto Internacional. Riscos. para dirimir conflitos entre normas e fontes de Dto Internacional. Por si só. 53º. nas suas fontes. → Dificuldade de determinação. Num primeiro momento. a disposição do Direito aplicável pelas partes e a intervenção destas na escolha dos juízes que se encarregarão de decidir o litígio. 38º do ETIJ). permite ultrapassar o problema da inexistência de normas para determinadas situações. numa feição ético-valorativa. os quais se revestem de todas as características atribuídas à judicatura pública. como por o Dto Internacional ter vindo a diversificar-se dogmaticamente. Ius Cojens O grande interesse das normas de ius cogens internacional é o de servir de critério. na sua interpretação e na sua aplicação (é a este sentido que se refere o art. o Dto Internacional esteve muito dependente do trabalho dos jusinternacionalistas. a jurisprudência cobre várias situações que se repartem por dois grandes grupos: ▪ as decisões arbitrais ↔ São proferidas por tribunais de cunho arbitral. tal importância tem vindo a diminuir cada vez mais não só devido há multiplicação daqueles que hoje cultivam o Dto Internacional. Jurisprudência O valor da jurisprudência na construção do Dto Internacional é limitado.● Integradora Os princípios possibilitam integrar lacunas de regulamentação. 64º e 71º CVDTE. . No âmbito do Dto Internacional. ou seja. não vigorando a regra do precedente. não possui a qualidade de fonte normativa de Dto Internacional. Doutrina A expressão “doutrina” pode ter dois sentidos distintos: ▪ como orientação de política externa. ▪ as decisões judiciais ↔ incluem as sentenças e os acórdãos dos tribunais judiciais. Ou seja.

quanto muito secundum legem. pp. Problemas: não pode ser objecto de derrogação. Comummente entendida como “a justiça do caso concreto”. Nunca será contra ou pretem legem. → Consequências da violação do ius cojens: ▪ Convenção de Viena → é nulo qualquer tratado que viole o ius cojens. 26-27) → A proibição da discriminação racial → Crimes contra a humanidade → A proibição da escravatura e da pirataria → Direito humanitário internacional (convenção de Haia) no ius in bello (Parecer ‘Armas Nucleares’. É um princípio imperativo importante para garantir a igualdade de soberania dos Estados. 26-27. 2006. num ajustamento da pauta de decisão às características de cada situação em análise. sendo apenas possível saber a sua amplitude de um modo concreto. O pacto de 1928 que estabelece a proibição da guerra não impediu a Segunda Guerra Mundial. assim como determina no seu artigo 48º que todos os Estados devem acatar e cumprir as decisões do Conselho de Segurança. ● Ius cojens consensual → Problema do ius cojens: Quais as normas que são ius cojens? A construção substantiva do ius cogens só se realiza com recurso a normas e princípios que sejam portadores dos grandes valores da sociedade internacional. Soluções: a Carta das Nações Unidas admite o uso da força para a manutenção da paz e segurança internacionais.71º: tratados incompatíveis com o ius cojens. → Proibição do genocídio (Congo vs Ruanda. 1970. problema de conjugação com o dto à legítima defesa individual e colectiva. 257) → Responsabilidade ● Ius cojens (outros) → Soberania permanente sobre os recursos naturais → Autodeterminação → Os direitos humanos. → Até 2006 não se verificou qualquer norma institucional com nome de ius cojens. Há um conjunto de situações em que este princípio é objecto de derrogação mais ou menos ampla. os quais se impõem involuntariamente à conduta os respectivos membros. pp. a equidade significa a resolução de casos através da aplicação de critérios criados pelo próprio aplicador. Genericamente reconhecidos.→ Art. → Decisão ex aequo et bono e equidade. caso ‘Congo vs Ruanda’. Identidade ou não? . 100-1) ↔ convenção das Nações Unidas. são: → Proibição do uso da força (Nicarágua vs EUA. 2006. → A admissibilidade de ius cojens regional. caso ‘Barcelona Traction’. Equidade → Princípio equitativo: princípios que se conjugam para uma melhor aplicação do Dto. 62-64). → A jurisprudência do TIJ. pp. 1996. mas a doutrina defende a sua existência. excepto por uma norma de igual conteúdo. p. 1986. Miranda) e a tese minimalista (cf. Convenção Europeia dos Dtos do Homem: entre a tese maximalista (J. pp. O reconhecimento explícito e qualificação de normas internacionais como ius cojens (cf.

→ A aplicação de ‘considerações de humanidade’ (caso ‘canal de Corfu’ 1949. perante o caso concreto. 34) e de ‘interesses legítimos’ (caso ‘pescarias’ cit. pp. incluindo os que constituem organizações internacionais (art. também se admitindo a sua abertura para adesão de outros Estados. p. Hierarquia do DI ● Critérios: → Ético-valorativo (em especial o jus cojens) Coloca em evidência normas de Dto Internacional que correspondem a uma orientação valorativa. pp. p. → A aplicação dos CVDT está directamente prevista. 25/03/2008 Dto dos Tratados. com excepção no ius cojens. em sentido diverso ‘South West Africa’. → O TIJ e a aplicação de princípios de equidade.A expressão “ex aequo et bono” implicita que o julgador. → Cronológico A norma posterior derroga a anterior. Cont’ cit. desconsiderações de considerações de humanidade. . pp. al. 5º CVDT) → Parte das regras da CVDT são supletivas. e assim como é também imprescindível a disponibilidade das normas internacionais potencialmente aplicáveis. interesses legítimos de natureza económica. em especial ‘equidade infra legem’ (caso ‘plat. ou seja. 1966. que as normas internacionais aplicáveis na resolução do litígio não sejam normas imperativas. São inderrogáveis? Ius cojens não. 2º. 554 e 6313). mas outros normas poderão sê-lo através de acordo entre as partes. que tanto pode ser expresso ad hoc como pode constar de uma prévia convenção. 1986. 89-101. 22. Convenção de Viena Sobre o Dto dos Tratados entre os Estados (assinada em Viena a 23/05/1969) ● Âmbito de aplicação da CVDT → Acordos internacionais concluídos por escrito entre Estados (arts. Convenção de Viena (art. → Limites no recurso à equidade: é necessário um acordo das partes. 41º) ↔ condições para que seja possível celebrar um segundo acordo entre as partes que prevalecerá. etc. 5º CVDT) → Acordos internacionais adoptados no âmbito de uma organização internacional (regra subsidiária – art. nº 1. a). → Formal (103º CNU) Qualquer acordo contrário à Carta das Nações Unidas (CNU) não pode prevalecer sobre esta. nomeadamente as que consagram dtos humanos. 1º. Há quem defenda que o ius cojens o é. devendo procurar um critério que melhor sirva os interesses contrapostos do caso sub iudice. está liberto da aplicação de orientações normativas pré-definidas. devendo ser ratificada pelos Estados signatários. mas tal é duvidoso. 133 e 142) → Recurso a outros elementos por parte do Tribunal (princípios complementares): considerações de humanidade. → Lógico (lex specialis…) Lei especial derroga a lei geral. e ‘Burkina Faso vs Mali’.

pode considerar-se globalmente vinculativa como repositório de costumes internacionais ou mesmo de princípios gerais de Dto. ◘ A falta de ‘plenos poderes’ e a respectiva sanação (ar.Para muitos Estados que não emitiram uma vontade de ratificar ou aderir. . ▪ Habilitação específica (art. al. ser dividida em dois sub-momentos: a aprovação do texto. nº 2 CVDT) Autoriza o estabelecimento da negociação por parte daqueles que exercem certos cargos na estrutura de poder do sujeito interessado. ◘ Os tratados multilaterais e a negociação em conferência internacional → Habilitação negocial – a carta de ‘plenos poderes’ (art. sendo esta capacidade para a negociação internacional designada de “plenos poderes”. ▪ Negociação geral – calendarização das negociações e definição dos sub-temas materiais. 7º. 7º. 9º CDVT). ● Adopção do texto → Põe termo às negociações → Aprovação do texto (todos os participantes ou 2/3 – art. → A negociação internacional deve ser distribuída por três momentos distintos: ▪ Pré-negociação – estabelecimento das disposições que guiarão o processo negocial através da identificação das partes e das matérias. Nem sempre termina com a passagem à fase seguinte. → Pode. nalgumas ou mesmo todas as partes envolvidas. o que significa a apresentação de uma carta-patente. efectuando-se a discussão dos vários sub-temas de acordo com o esquema definido na fase anterior. ▪ Negociação específica – fase da consulta directa. e) ● Negociação → Integra todos os actos destinados a aproximar as partes que têm interesse nem futuro articulado de tratado a celebrar. c) CVDT) – pode ser de duas categorias: ▪ Habilitação funcional (art. em seu nome. 2º. podendo deixar de haver vontade. acto que expressa o encerramento das negociações. para consolidar as negociações. → Pode apenas ser levada a cabo por entidades habilitadas para o efeito. Trata-se de um documento escrito que deve ser assinado pelas entidades internamente responsáveis pela manifestação da vontade de o Estado internacionalmente se representar nessa fase. nº 1. na qual se indica a pessoa do representante e os actos para que está autorizado. 8º CVDT). e a autenticação do texto. Celebração dos Tratados entre Estados ● Fases: 1 – Negociação 2 – Adopção do texto 3 – A vinculação das partes 4 – A entrada em vigor 5 – O registo e a publicação → CVDT negociação (2º. poder negociar a elaboração de um texto de tratado internacional. nº 1 CVDT) Decorre de o sujeito internacional conferir uma carta de plenos poderes a alguém para. portanto. al. recíproca e pormenorizada entre os negociadores. nº 1. acto que lhe atribui um valor de veracidade e de definitividade.

Declarações. que se torna definitivo – art. 11º): ▪ Assinatura – nos acordos em forma simplificada (art. 10º CVDT → Assinatura e assinatura diferida (nos tratados multilaterais abertos para os Estados que não negociaram ou negociaram e não adoptaram o texto – ex. nº 4. al. → Modalidades (art. nomeadamente as Declarações → Admissibilidade de reservas . faz-se em relação a todo o Tratado. 19º . 24º. não tendo participado nas negociações. bem como outras que se suscitam antes da entrada em vigor – art. 2º. etc. → Autenticação do texto. o depósito. ▪ Aceitação ↔ paralelo da ratificação mas no âmbito das OI ▪ Aprovação – art. 14º ↔ paralelo da ratificação mas no âmbito das OI ▪ Adesão – art. 33º) ● Vinculação internacional É nesta fase que o sujeito internacional exprime a sua vontade de ficar obrigado pelas cláusulas que constam do respectivo articulado. 13º ▪ Ratificação (acto livre).) ◘ A questão das línguas e reflexos interpretativos (art. 19º a 23º) → O Depósito nos tratados multilaterais ▪ Funções do depositário: arts. as reservas. a) do art. nem tendo feito a respectiva assinatura diferida. a manifestação do consentimento à vinculação. 17º ▪ A formulação de reservas (arts. 46º.art. ou a assinatura ad referendum após confirmação) ▪ Troca dos textos (‘cartas’) – art. conforme seja redigido por artigos ou por cláusulas) → Parte complementar (Anexos. intenções dos Estados que o negociaram) → Corpo dispositivo (tem o articulado ou clausulado. 76 e 77º. em princípio. a entrada em vigor. a CVDT – 81º) ↔ é definitiva. ◘ Partes do Tratado: → Preâmbulo (razão de ser do tratado. praticada no âmbito da vinculação dos Estados pelos respectivos Chefes de Estado. 10º) → Efeitos: direito do Estado contratante a vincular-se. Distinção de outras figuras. ▪ Outro → A problemática das ratificações imperfeitas – art. estando reservada aos tratados solenes. nº 1. 12º: pode ser a rubrica nos termos do nº 2. obrigação de não privar o tratado do seu objecto ou do seu fim (boa fé) – art. ▪ Excepções: art. ◘ Reservas → A questão da sua formulação em tratados bilaterais → Noção – art. → Assinatura ad referendum (está sujeita a aceitação) ↔ provisória → Rubrica ↔ provisória. a. 15º ↔ surge quando está em causa a adesão de um sujeito que não adoptou o texto. al. 18º. d). estando a eficácia que lhe é inerente sempre dependente da confirmação posterior por parte do Estado em causa (o mesmo se passa com a assinatura ad referendum) → Outro processo (al.→ Efeitos: aplicação imediata das disposições que regem a autenticação do texto. → A vinculação.

nº 4. . nº 4 e 21º. 22º → Competência – dos órgãos internos competentes para a vinculação internacional do Estado. nº 3. • Se o Estado objector se opõe expressamente à entrada em vigor do Tratado entre si e o Estado que formulou a reserva. al. 309º) – art. b) → Revogação – art. 120º) ou parcial (ex. → A ‘pré-vigência’ – art. nº 1 – entra em vigor no momento da última manifestação do consentimento a ficar vinculado entre os Estados contratantes – 24º. → Aplicação provisória – art. Trata-se de uma vigência que se considera de natureza parcial e temporária. nºs 1 e 2) ▪ No caso de objecção à reserva: • se o Estado objector não se opõe à entrada em vigor do Tratado entre si e o Estado que formulou a reserva. ● Entrada em vigor → Caso nada seja determinado pela vontade dos Estados contratantes (prevista no Tratado ou determinada de outro modo) – art. o Tratado não entra em vigor nas relações entre esses Estados . nº 2) ▪ Processo (art. não modificando as relações entre estas últimas (arts. a) e b) ▪ Incompatibilidade com o objecto e o fim do Tratado – art. c) ▪ Momento da formulação (arts. 20º. 24º. nº 5) → Efeitos: ▪ Relatividade – produz os efeitos previstos na reserva nas relações entre o Estado que a formulou e as outras partes que a aceitaram. sob pena de o tratado não se poder consumar nos termos estabelecidos. ERTPI – art. 21º. nº 2 – nº restrito de Estados e especial objecto e fim do Tratado…) • Pelo órgão competente da OI instituída pelo Tratado (art.art. ▪ Aceitação:  Reserva expressamente prevista: desnecessidade de aceitação (art. 19º. 19º. indo necessariamente além do âmbito de aplicação da prévigência. 23º). al. as disposições sobre que incide a reserva não se aplicam entre esses Estados na medida do que foi previsto pela reserva – art. 19º e 23º. nº 4 (já referida) Certa normas têm de entrar logo em vigência. → A vigência em relação a um Estado que se vincule após a entrada em vigor do Tratado dá-se no momento da manifestação da sua vinculação (excepto se o Tratado dispuser diversamente) – art. excepto previsão em contrário. 20º. al. nº 2 – ou na data e termos que ficaram combinados nas respectivas disposições finais ou por qualquer outro forma considerados relevantes. 20º. 24º. É frequente adoptar-se um sistema misto.▪ Inadmissibilidade total (ex. nº 3. nº 3) • Aceitação tácita (art. 20º. 20º. 25º Surge antes da vinculação e pode ser determinada para a totalidade ou para apenas uma parte do texto. 24º. nº 1). 20º. CNUDM – art.  Necessidade de aceitação: • Por todas as partes (art.

o que implica que cada tratado. 102º CNU) – art. identificado nas suas características fundamentais. LaGrand. 32º) – Fins da interpretação (em princípio objectiva. → Efeitos da ausência de registo: inoponibilidade perante os órgãos das NU – art. sistemático – 31º. 67-81 e 82-83 1/4/2008 Interpretação. Interpretação ● Arts. cessação da vigência dos Tratados e recesso. cit. ▪ publicação. ob. Suspensão. histórico (complementar – art.. RFA vs USA. § a interpretação dos Tratados e os direitos humanos (cf. nº 1 e 33º. de acordo com o nº 4. integração e aplicação dos Tratados.31º. proibição do absurdo. TIJ 31/3/2004. Ac. 102. efeitos implícitos) – 31º. nº 1. ou por ex.● Registo e publicação → Visa dotar os tratados internacionais do atributo da publicidade internacional. nº 1. nº 1 – Elementos da interpretação: gramatical (“sentido comum atribuível aos termos do tratado”) – 31º. → os elementos da interpretação. México vs USA) A interpretação dos tratados internacionais. é uma tarefa que visa alcançar o sentido normativo que se contém nas fontes normativas analisadas com os seguintes tópicos fundamentais: → o objectivo da interpretação. → Compete ao Secretariado da ONU (art. regulada pela CVDTE. assim como a sua disponibilização on-line nos respectivos sites. 31º e 32º – Boa fé (corolários: efeito útil. embora seja possível atender à intenção das partes no sentido a atribuir a um termo. → os resultados da interpretação ● O objectivo da interpretação consiste na descoberta das normas jurídicointernacionais que se objectivam nas fontes convencionais de acordo com uma orientação simultaneamente objectivista. e actualista – a relevância dos acordos e práticas ulteriores . nº 3) – Resultados da interpretação: os limites à interpretação extensiva. Requisitos de validade e regime das invalidades. → o sujeito da interpretação. → A problemática dos Tratados secretos… • Bibliografia: J. nº 4. pp. a qual se desdobra em dois actos: ▪ registo. racional/teleológico (“à luz dos respectivos objecto e fim”) – 31º. TIJ de 27/6/2001. no art. 56º. nº 2 CNU. al. seja assinalado num registo próprio. Miranda. Ac. nº 2 e 3. 80º CVDT. o que implica a publicitação do conteúdo do tratado nas publicações oficiais da ONU. a). porque se pretende a mens legis e não a .

os trabalhos preparatórios e as circunstâncias em que foi concluído o tratado. assim como outros acordos celebrados e que com o mesmo possuem uma relação específica. como o do contrario sensu. → interpretação feita por outros sujeitos internacionais. que pode ter cinco categorias: → a interpretação declarativa. por incongruência lógica interna ou porque deve ser eliminada em favor de outro sentido normativo tido como prevalecente. os instrumentos que permitem chegar ao objecto da interpretação. Os elementos de interpretação tanto podem ser literais. → a interpretação restritiva. Há certas entidades que desempenham um papel especial. → a interpretação enunciativa. e extra-literais.mens legislatoris. em que se justifica alargar o alcance da letra. avultando a doutrina. → interpretação feita pelos órgãos internos dos sujeitos partes. atinge-se o resultado da interpretação. total ou parcial. feita pelos órgãos judiciais a quem incube a aplicação do tratado. carecendo por isso de previamente lhes extrair um sentido normativo. → Elemento histórico. havendo um sentido espiritual mais lato. onde se incluem o texto. → interpretação jurisprudencial. e actualista. de acordo com o sentido comum a atribuir aos termos do tratado”. → Elemento teleológico. Diz a CVDTE que “Um tratado deve ser interpretado de boa fé. sendo que muitas vezes o resultado não é o da coincidência entre a letra e o espírito da fonte normativa em questão. ou seja. ● Os elementos da interpretação são os meios de que o interprete se serve para atingir o objecto da interpretação (a mens legis). que se verifica na extracção de um sentido hermenêutico não constante da letra mas que resulta da aplicação de argumentos lógicoformais. porque se pretende surpreender as normas no seu contexto actual. conferindo à interpretação que realizam um valor acrescentado superior: → interpretação autêntica. em que há necessidade de limitar o alcance da letra porque o espírito é mais limitado. → interpretação feita pelos restantes operadores jurídicos. . → a interpretação extensiva. distinguindo-se entre a feita a título unilateral e a feita a título colectivo. incluindo-se as OI. com exacta correspondência entre a letra e o espírito do tratado. preâmbulo e anexos do tratado. sendo que se sub-distinguem em três tipos. relativamente às quais deve conformar o seu comportamento. consistindo nos preceitos que se incluem no articulado do contrato. São ainda possíveis: → interpretação feita pelos Estados partes. ● O sujeito da interpretação é todo aquele a quem sejam dirigidas as fontes. em que a letra do tratado não faz sentido. feita pelos autores do tratado. sendo os dois primeiro superiores em relação ao terceiro: → Elemento sistemático. → a interpretação abrogante. ● Na articulação entre os elementos literais e os elementos extra-literais. uma vez que a interpretação deve procurar o sentido normativo do tratado à luz dos respectivos objecto e fim. É também sublinhada a importância de se considerar acordos e práticas posteriores à celebração dos tratados e só por excepção se pode dar valor à vontade subjectiva das partes outorgantes se esse entendimento tiver sido admitido.

Coloca-se ainda o problema da interpretação de textos que tenham sido redigidos em diversas línguas. no qual pontificam dois grandes critérios: → a analogia legis. atinente a todas as suas fontes. presume-se que o respectivo valor é autêntico. Integração de lacunas ◘ A analogia (Parecer do TIJ. Quanto ao processo de preenchimento de lacunas. 46º São quatro os aspectos fundamentais na problemática geral da aplicação dos tratados internacionais: → aplicação temporal . A dificultar ainda mais a admissibilidade das lacunas está o fragmentarismo do Direito Internacional e a ideia geral de que o que não é objecto de regulação internacional automaticamente fica a pertencer à esfera dos Estados. tendo em conta o objecto e o fim do tratado. só podendo a divergência ser ultrapassada adoptando-se o sentido que melhor concilie esses textos. A aplicação dos Tratados → o princípio pacta sunt servanda – arts. A solução para tal implica saber se estes tratados correspondem ou não a textos autenticados em todas essas línguas: → se os dois ou mais textos não são todos autênticos. Distingue-se ainda entre a lacuna jurídico-internacional. ao considerar todas as fontes normativas possíveis e não se limitar a ser uma lacuna apenas de certas fontes. na falta de indicações particulares normativas. → se os dois ou mais textos são autênticos. As lacunas internacionais representam a ausência de um sentido ordenador em vista de um caso que dele absolutamente carece. Só ocorre uma verdadeira lacuna quando são percorridos todos os níveis normativos e fontes do Direito Internacional. A acepção da lacuna de Direito Internacional só pode ser vista amplamente. Mais. e a situação extra-jurídica. de acordo com as diversas possibilidades que se organizam. a orientação geral é a de fazer prevalecer o sentido do texto que tenha sido redigido na versão autêntica. O problema das ratificações imperfeitas – art. em que se apela à aplicação de normas que regulam casos dotados de analogia com o caso que carece de tratamento → a analogia iuris. de 11/4/1949) relativo aos prejuízos sofridos ao serviço das NU) ◘ A importância dos PGD Na integração de lacunas internacionais é preciso ter em conta dois pontos fundamentais: → o conceito de lacuna internacional tido por relevante → os critérios que possibilitam o seu preenchimento. que não tem de ser regulada pelo Direito Internacional. não se vê razão para o afastamento de esquemas que são válidos no âmbito da Teoria Geral do Direito. hipótese em que directamente se recorre a princípios gerais. a incompleição não pode ser pretendida pelo Direito Internacional. 26º e 27º. para ser resolvido ao nível do Direito aplicável.

estes integram a esfera jurídica dos Estados terceiros se estes nada disserem. ocorre depois do último sujeito que assinou o texto ao mesmo manifestar a vontade de lhe ficar obrigado. e regime material. podendo diferenciar-se entre regime formal. nomeadamente dos tratados que criam situações objectivas (fixação de fronteiras. 28º) – Sucessão de tratados no tempo (arts. 25º) – Não retroactividade (art. 34º) – A criação de obrigações para 3ºs (art. → sucessão de tratados internacionais. etc. expressa ou tacitamente produzida. 30º.37º – A previsão de direitos para 3ºs (art.) . 34º a 38º) – Pr. ◘ O art. podendo haver efeitos retroactivos se essa for a vontade das partes. ◘ Aplicação temporal – Aplicação provisória antes da vigência (art. que elabora uma solução própria. não havendo lugar a qualquer presunção. revogação e desvalor jurídico. de que são exemplos a cláusula colonial e a cláusula federal. “Um tratado não cria obrigações nem direitos para um terceiro Estado sem consentimento deste”. Trata-se de uma orientação geral que aceita derrogações. Na falta de tais disposições é de supor que os tratados internacionais se aplicam à totalidade dos territórios dos sujeitos que aos mesmos se obrigam. ocorre nos diversos momentos de caducidade. ◘ Aplicação subjectiva (arts.regra supletiva) Encontra-se estritamente associada aos sujeitos que à mesma se vinculam. com normas específicas. da relatividade (arts. os efeitos decorrentes do tratado atingem quem nos mesmos autorizou. 41º e 60º) Abrange simultaneamente três questões distintas: → início da vigência temporal. A orientação prevalecente é a que for determinada pelas disposições finais de cada texto convencional. 35º) ↔ revogação art. 29º . ◘ Aplicação territorial (art.37º Refere-se ao círculo de entidade jurídico-internacionais a quem os respectivos efeitos são concernentes. que remete para uma das regulações em causa. podendo aí estabelecer-se regras de delimitação a respeito do espaço geográfico a que o mesmo se aplica. neutralização. Aplicando-se o princípio da relatividade. aquando do estudo do procedimento de feitura dos tratados internacionais. 36º) ↔ revogação art.→ aplicação territorial → aplicação subjectiva → aplicação interna. são duas as respostas dadas pelo CVDTE aos Estados que se encontrem nestas circunstâncias: → se se tratar de direitos. Caso isto aconteça. Os tratados internacionais não são retroactivos. a antiga ou a nova. → fim da vigência temporal. estas só integram a esfera jurídica dos Estados terceiros se nisso expressamente tiverem consentido. 38º ◘ A oponibilidade erga omnes. → se se tratar de obrigações. valendo o seu silêncio como consentimento e vigorando uma presunção iuris tantum. “as disposições de um tratado não vinculam uma Parte no que se refere a um acto ou facto anterior ou a qualquer situação que tenha deixado de existir à data da entrada em vigor do tratado relativamente a essa Parte”.

Dizem respeito à qualidade e à capacidade dos sujeitos internacionais outorgantes. no que toca ao ius cojens. o excesso de representação (art. é uma alteração subjectivamente parcial do tratado internacional. seja no plano psicológico. – Admissibilidade – art. A questão dos tratados normativos ● Formais – O respeito pelas regras relativas à conclusão dos tratados que vinculem as partes. 41º. nos termos do art. na extrinsecação do . 52º). 30º. – O respeito do ius cojens (arts. coacção sobre o representante (art. corrupção do representante (art. envolvendo a participação dos Estados que outorgaram no tratado internacional. para além de dever ser inteligível e coerente nos efeitos que contem. 155º. nºs 1 a 3 caso haja coincidência de partes. Caso as partes envolvidas no tratado original e no tratado de revisão não coincidam há uma situação de sucessão de tratados que é regulada pelo art. 48º). 27º). ou seja. consciente e correctamente formado e manifestado. nº 2). ▪ Processo → De acordo com as regras do tratado – art. § a questão da ‘coacção económica’. bem como à manifestação da respectiva vontade. 46º). relativamente à exigências de expressão de uma vontade que seja livre e esclarecida. Requisitos de validade dos Tratados ● Subjectivos – o consentimento livre. nº 5 ● Modificação – alteração das disposições do Tratado somente a respeito das relações entre algumas partes. 51º) e coacção sobre o Estado (art. apenas sendo atinente a certas partes e não ao universo global dos que nela participaram. 30º. 53º e 64º) – O art. nº 2). na medida em que é internacionalmente relevante. 40º. nº 4.Revisão e modificação dos Tratados ● Revisão – alteração das cláusulas do Tratado. com a excepção da ratificação imperfeita. ● Objectivos ou materiais – Dizem respeito ao conteúdo e ao objecto do tratado internacional. No caso de adesão posterior de um Estado rege o art. CNUDM – art. 50º). 39º → Por acordo entre as partes (art. 103º da CNU – A subordinação a outro tratado (art. o dolo (art. 39º e obrigação de notificação da intenção às restantes partes e das modificações operadas (art. Dizem respeito às exigências formais e procedimentais. 39º). nº 1 – Processo – art. seja no plano funcional dos órgãos que para tanto estão habilitados. 40º) que se traduzem na celebração de um novo acordo. – Vícios funcionais: a irrelevância do desrespeito pelo direito interno (art. alguns tratados constitutivos de OI(UE e ONU). nº 2) § Há limites materiais à revisão? No caso dos tratados normativos a questão pode ser respondida favoravelmente (cf. 47º) – Vícios materiais da vontade: o erro (art. 30º. nos termos previstos para a conclusão e entrada em vigor dos tratados (parte II CVDT) → Nos tratados multilaterais prevê-se regras específicas (art. Aplica-se o art. 41º. 49º).

51º (coação e incompatibilidade originária com ius cojens – art. . São dois os factores que permitem distinguir entre a nulidade absoluta e a nulidade relativa: o critério da sanabilidade do correspondente vício. – O respeito pelas disposições relativas à conclusão de Tratados da CVDT que não sejam supletivas (ex. 44º. então deve considerar-se como absoluta.se a nulidade absoluta é a regra geral das invalidades . sejam aplicáveis Regime das invalidades ● Regime imperativo ◘ Nulidade. nº 2. nº 2) A nulidade absoluta inclui as causas que são mais graves na violação dos princípios e normas de Direito Internacional.os vícios subjectivos que incidam sobre a totalidade do Tratado implicam a nulidade dos tratados bilaterais. sendo necessário referir que nem todas as causas de nulidade permitem que se possa invocar a sua operatividade por referência a uma parte do tratado.os vícios subjectivos relativos ao consentimento de uma das partes que incidam sobre a totalidade de um Tratado multilateral implicam a possibilidade de desvinculação dessa parte (arts. a restrição especial ao poder de manifestar o consentimento. A verificação da nulidade determina o apagamento dos efeitos do tratado internacional.art. 71º. nos termos do art. nº 3 (exclui a coação e o ius cojens) implicam a nulidade dessas cláusulas nas relações entre o Estado sujo consentimento foi viciado e o(s) outro(s) Estado(s).os vícios subjectivos e objectivos que incidam sobre algumas disposições e em que se aplique o art. Questão controvertida. e pode ser sanada. e o critério da divisibilidade dos tratados viciados. nalguns casos isso só aocntecendo para a totalidade do tratatdo. bem como no iter procedimental que importa respeitar para se afirmar completo. → Absoluta (afecta a totalidade do Tratado e é insusceptível de convalidação) – arts.arts. o dolo e a corrupção de um representante de um Estado. Neste sentido também pode invocar-se o art. nº 2. 69º. a coacção sobre um Estado pela ameaça ou pelo emprego da força e a violação da norma internacional de ius cogens. nº 4) . ou que. al a). 53º). nº 1 e 69º.tratado. 45º) A nulidade relativa é menos grave. A questão do ius cojens superveniente (art. 42º). sendo supletivas. o erro. sendo alguns exemplos a coacção sobre o representante de um Estado. fazendo parte das suas causas a irregularidade na conclusão interna do tratado. Assim. . → Relativa (pode incidir apenas sobre parte do tratado. critério em que a alegação da nulidade nem sempre pode acontecer. ◘ Efeitos → As disposições afectadas pela nulidade não têm força jurídica e deve ser reconstituído o statu quo ante . quase como se o mesmo nunca tivesse existido. art. 45º e 69º. nas condições do nº 3 do art. . 44º. 44º. já que essa invocação não produz efeitos se entretanto tiver acontecido a sua aceitação expressa ou tácita. 64º .os vícios objectivos e formais que incidam sobre a totalidade do tratado implicam a nulidade do tratado multilateral ou bilateral .

nº 2 – Previsão no Tratado ou por consentimento de todas as partes – art. 65º. nos termos do art. no caso de o diferendo incidir sobre a violação de ius cojens. nº 4  Recurso aos meios do art. 44º. ou o recurso ao TIJ – art. 67º. 61º. als. contudo. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. nº 2). nº 1 e 5 → Não havendo objecção (no prazo do 65º. nº 3. nº 2 → Podem ser revogados estes actos até ao momento em que produzam efeitos (art. 62º. nº 2. b) Suspensão da aplicação Determina a interrupção da produção de efeitos do tratado. nos termos do art. a). – Conclusão entre todas as partes de um Tratado posterior sobre a mesma matéria nos termos do art. quer a cessação da vigência podem ter lugar apenas relativamente a algumas disposições. Cessação da vigência Implica uma extinção definitiva do tratado internacional. al. b) → excepção prevista nos termos do nº 3 para a parte que provocou o vício de consentimento → Quando se trate de violação de ius cojens há que distinguir os efeitos já produzidos no 53º (devem eliminar-se sem salvaguarda da boa fé) e no 64º (são válidos) – art. tratando-se. não suprimindo a fonte de onde emanam esses efeitos. 66º. 66º. é possível o recurso por acordo a arbitragem. 33º CNU tenha sido infrutífero. Pode ser determinada ou indeterminada e surge associada a acontecimentos temporários. nºs 1 e 2. nº 3  Caso o recurso aos meios do art.art. nº 3. ▪ Quer a suspensão. 57º – Por acordo entre certas partes. 59º. 65º. al. 60º. nº 2). 69º) → Em caso de objecção:  Resolução do diferendo nos termos previamente convencionados pelas partes – art. 69º. ◘ Causas: – Impossibilidade temporária de execução – art. 65º a 68º → Notificação fundamentada e por escrito da intenção à(s) outra(s) parte(s) – art. 33º CNU – art. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. 65º. 71º ◘ Processo – arts. b) e c). consignar-se-á num instrumento comunicado à(s) outra(s) parte(s) a invalidade e respectivas consequências (art. tal como a nulidade. de uma paralisação temporária. a). 45º (estoppel). 45º (estoppel). . nº 1 – Alteração fundamental das circunstâncias – art.→ Consideram-se válidos os actos praticados antes da invocação da nulidade que tenham sido praticados de boa fé . 67º. Competência – art. 58º – Violação substancial – art. al. quando o diferendo incida sobre outro fundamento. qualquer parte pode solicitar o recurso ao processo de conciliação anexo à CVDT – art.

→ Alheias às partes – Cessação da vigência por previsão no Tratado (art. al.que se traduz na feitura de uma “anti-convenção”. atingindo os efeitos já produzidos. 60º. no caso de aquela vontade extinta não ter sido aceite. UK e RFA vs Islândia. 59º. Pescarias. A alteração das circunstâncias implica que. Ac. 61º. através da qual uma das partes notifica a outra de que pretende a cessação do tratado. perante um contexto distinto daquele em que se formou o contrato. – Violação substancial (exceptio non adimpleti contractus) – art. só valendo para o futuro. nº 1 . invocando uma ajustada justificação que pode ser aceite. pondo termo ao tratado existente com duas sub-hipóteses: de essa revogação ser retroactiva. 45º (estoppel). podendo este ser resolvido de duas maneiras: por recurso à via geral da arbitragem ou do tribunal. – Impossibilidade superveniente de execução relevante nos termos do art. especialmente regulada no anexo à CVDTE. 54º. → uma fase litigiosa. – Por consentimento de todas as partes (abrogação)– art.Alteração fundamental das circunstâncias relevante nos termos do art. Nunca a alteração de circunstâncias é aplicável estando em causa um tratado de fixação de fronteiras ou a se a alteração se ficar a dever a comportamento antijurídico de quem a invoca. motivo pelo qual se entende que o mesmo não pode continuar a vigorar (correspondência correcta entre a prof. O problema da sucessão de Estados. nº 1. b) Caso a cessação da vigência do tratado seja por vontade colectiva (com o consentimento de todas as partes) a causa de cessação toma o nome abrogação. – Denúncia nos tratados bilaterais – art. 54º. 45º (estoppel).◘ As causas podem ser: → Relativas às partes – Desaparecimento da(s) parte(s). Perante o fim da vigência dos tratados. 62º (rebus sic standibus) – cf. ou de essa revogação ser apenas prospectiva. devendo aquela ser radical. criando-se um diferendo. a CVDTE prevê um procedimento aplicável que se desenvolve por duas fases: → uma fase amigável. de 25/7/1974. – Conclusão de um tratado subsequente sobre a mesma matéria. pode ocorrer a cessação de vigência. A operacionalidade da alteração das circunstâncias está dependente da verificação de dois possíveis resultados não previsíveis: → a alteração de circunstâncias modificar a base essencial do consentimento dos Estados a vincular-se ao tratado. → a alteração de circunstâncias desembocar numa transformação radical da natureza das obrigações assumidas no tratado. nos termos do art. ou por recurso à via especial da reconciliação. 55º (previsão do Tratado) – Execução do Tratado (contrato) Verifica-se uma impossibilidade de cumprimento. e Bacelar Gouveia?). . al a) – Cessação da vigência do tratado multilateral quando o nº de partes se torne inferior ao nº necessário nos termo do art. que consiste na incapacidade de se cumprir os efeitos estabelecidos no articulado do contrato. 56º. TIJ. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art. Não pode ser invocada se se verificarem algumas das situações previstas no art.

Dada a provisoriedade da guerra. al. Processo relativo à suspensão. → quando um tratado crie situações objectivas. → Não é admissível o recesso nas convenções de codificação e nas que constituem situações objectivas. contudo. mantendo-se em vigor o tratado para as restantes. se foram aceites pelas partes ou se deduzam das natureza do tratado. que não tem efeitos cessatórios da vigência de tratados celebrados entre os Estados em conflito. 57º. a) e 58º. 56º. excepto na situação do art. nº 1. al.. a). 56º. 55º → Caso o tratado não preveja a denúncia ou o recesso. Com a proscrição geral do uso da força.Costume contra tractum? ▪ A (ir)relevância da ruptura ou ausência de relações diplomáticas – arts. al. → casos em que alguns dos efeitos sejam exactamente activos em função da deflagração de um conflito armado. → e casos em que o estalar de um conflito entre entidades beligerantes se mostre irrelevante não havendo nada a alterar na respectiva configuração jurídica. Deste modo. por intermédio da ruptura das relações diplomáticas. cessação da vigência. a intenção deve ser comunicada com 12 meses de antecedência – art. havendo três resultados possíveis: → nos casos em que a guerra seja um acontecimento incompatível com a manutenção dos efeitos convencionais. 63º e 74º. há casos em que a guerra não leva à cessação de vigência de um tratado: → quando o tratado preveja essa vigência expressamente em condições de conflito. nº 2 . estabelece-se um prazo de 12 meses para que os efeitos cessatórios de vigência que inerem a cada um destes actos possa começar a produzir-se. distingue-se entre denúncia e recesso. Denúncia e recesso Caso a vontade de cessação de um tratado seja de apenas um dos sujeitos que o integram. estes só poderão ter lugar com verificação de uma das condições previstas no nº 1 do art. parte-se da crença de que está em causa uma suspensão. denúncia ou recesso → De acordo com as disposições do Tratado – arts. nº 1. A guerra nos tratados bilaterais causa de cessação ou/e suspensão? – art. considerados alheios ao conflito. apenas sendo referida. mas mantendo-se relativamente a outros Estados. a guerra não foi considerada do âmbito da CVDTE. → A denúncia acarreta a cessação da vigência dos tratados bilaterais. 56º. → Nos tratados multilaterais a desvinculação de um parte assume a forma de recesso e só implica a desvinculação dessa parte e a consequente modificação das relações jurídicas entre si e as restantes partes. 73º Até ao novo regime do ius ad bellum a guerra era considerada como uma causa de perturbação da vigência nos tratados celebrados entre os Estados beligerantes. opera-se essas suspensão. ficando essas disposições suspensas. → quando o tratado faça realmente sentido no caso da eclosão de um conflito armado. a) e nº 2 → No caso de denúncia ou recesso ao abrigo do art. imunes aos efeitos da guerra. 54º. indirectamente e até certo ponto.

pp. 279º. nº 2 atenua os efeitos perversos no plano internacional. 81-93 8/4/2008 DIREITO DOS TRATADOS NORMAS PORTUGUESAS RELATIVAS À CONCLUSÃO DOS TRATADOS Conceitos Fundamentais Tratado (solene) Aprovação: Competência da Assembleia da República (AR) Vinculação: é a ratificação que manifesta a vontade do Estado Português se vincular aos tratados solenes. ob cit. Mesmo de matéria análoga a DL de desenvolvimento deve ser submetida à aprovação da AR. seja por Tratado ou acordo. uma vez que tal dispensaria a intervenção do Chefe de Estado. al. 8º. não há confirmação. Fiscalização preventiva da constitucionalidade: confirmação – art. não possa haver a manipulação da escolha do procedimento. a qual implica que. 161º.. 8º. arredando aquele órgão fundamental do nosso sistema político de uma intervenção no respectivo procedimento – art. . O 277º. 70º. Admite-se que possa haver confirmação no caso de inconstitucionalidade. a ser necessariamente o tratado solene. c). nº 1.als. Acordo Aprovação: Competência da AR (quando as respectivas matérias se incluem na esfera da sua reserva de competência legislativa ou quando. nº 1 → Supletivamente aplica-se o art. 197º. al i). Miranda. entendimento que deve ser genericamente seguido. nº 4 CRP. Ambos: • Inadmissibilidade de vinculação a acordos por troca de notas sem posterior aprovação ou ratificação. A maioria da doutrina portuguesa tem-se inclinado para a existência de uma reserva material de tratado. entenda que deva cometer AR) ou Governo Vinculação: a vontade de vinculação do Estado Português é logo manifestada com a aprovação.→ O processo segue um regime idêntico ao referido para as invalidades (arts. Fiscalização preventiva da constitucionalidade: não confirmação? Numa interpretação de teor literal. 70º. nº 1. sendo o Governo o órgão a quem compete. a) e b) • Bibliografia: J. nº 2 e outras considerações em relação a “opções políticas primárias” (Jorge Miranda). nº 2 • Reserva material de Tratado? a essencialidade – arts. havendo contratação internacional sobre certas matérias. parlamentar ou governamental. 65º a 68º) Consequências da extinção de um tratado ou do recesso num tratado multilateral → Determinadas pelas disposições do Tratado ou resultantes de convenção entre as partes – art.

. pois este não é uma imposição constitucional. Min. sendo essa competência definida primariamente pelo âmbito material e não pelo tipo de procedimento. como nos casos de habilitação funcional. não podendo prevalecer as regras internacionais. sanando assim a irregularidade verificada.a. Minoritariamente. Procedimento relativo à negociação e vinculação ◘ Negociação e ajuste (adopção do texto) → Competência política do governo – art. Tendo essa anomalia sido registada. . nº 1. Argumentos: . a doutrina também defende a não existência da reserva material do tratado. Do Conselho de Ministros nº17/88. ao abrigo da própria CVDTE. é algo que fica definido nas negociações internacionais prévias.As matérias em relação às quais a AR tem o poder de aprovar os tratados também estão acolhidas na competência que se lhe defere na aprovação dos acordos que lhe possam materialmente corresponder. em que pode haver a intervenção de entidades que ou não são o Governo ou. 17/88 Atendendo à CRP. A Res. b) da CRP Condução das negociações – Ministério NE – DL 48/94 Ajuste (as rubrica e assinatura aprovadas pelo Conselho de Ministros. no que refere ao ajuste. al. o texto constitucional falaria de tratado nas mais sensíveis matérias. interessando a todos os Estados e podendo limitar a liberdade de negociação do Estado Português. não havendo o perigo de se excluir a sua intervenção.O Presidente da República (PR) dispõe exactamente do mesmo poder. . procedimento que constituiria um conceito normativo e não fáctico: a AR seria competente não por ser um tratado mas porque deve ser um tratado. mas não esclarece de que forma o Governo intervém nessas duas fases de elaboração das convenções internacionais.O facto de a escolha ser feita em plano internacional. veio dizer que a rubrica e a assinatura dependem da aprovação do Conselho de Ministros. Cons. . Os argumentos fundam-se na defesa da preeminência da função parlamentar em detrimento da função governamental. de concordar com tais actos. § Desconformidade com a CVDT No plano da CVDTE a negociação e a adopção do texto nem sempre surgem directamente legitimadas pelo Governo. sendo assim no respectivo âmbito que as mesmas se iniciam e desenvolvem. não se inscrevem no condicionalismo acima descrito.k.Isso sucederia sempre que o Estado Português se preparasse para estabelecer convenções internacionais em matéria constitucionalmente incluída no “tratado”. quando na verdade podem até corresponder a meras convenções. com a estranheza que a manipulação do poder governamental sobre as matérias mais relevantes da contratação internacional causaria. O DL nº48/94de 24 de Fevereiro defere ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a condução das negociações. as fases de negociação e ajuste (a. sendo do Governo. estando tacitamente delegadas no Primeiro-Ministro. tacitamente delegadas no PM) – Res. A validade das convenções internacionais fica sempre dependente das orientações internas. o que se torna particularmente necessário dada a complexidade do órgão em questão. o Governo tem a possibilidade.Se houvesse essa reserva material. 197º. adopção do texto) estão atribuídas ao Governo no âmbito do exercício da sua função política.

nº 1. assim. uma fórmula que levanta algumas hesitações. nº 3 RAR) Do ponto de vista constitucional. j) → Participação das Regiões Autónomas (governo regional) – 227º. . 164º e 165º. De acordo com a CRP o âmbito do poder regional de participar nas negociações internacionais do Estado Português acontece apenas em relação aos “tratados e acordos internacionais que directamente lhes digam respeito”. d) § os Acordos têm de ser assinados pelo PR – arts. sob pena de as regiões autónomas poderem intervir em tudo o que respeita à negociação internacional do Estado Português. → Participação das organizações de trabalhadores na OIT. i). a fim de sobre eles se pronunciarem”. pois pode trazer à negociação a importância dos interesses regionais. al b) e 137º. 140º. essa participação dá-se através de mandato expresso conferido a um membro do Governo ou a outro representante.qual a posição procedimental em que se dá a participação. al. o que seria sempre excessivo”. aos partidos – art. estas entidades jurídico-públicas menores (as Regiões Autónomas) têm o direito de participar na base das negociações para assunto que aluda o seu interesse regional. i) e os matéria de competência reservada – arts. al. t) (voltam a intervir consultivamente na aprovação – art. O momento procedimentalmente adequado explicita-se no próprio conceito de negociação internacional a que este poder de intervenção regional se agrega. pois dispõe da função política. 180º. Quanto à aprovação parlamentar. 134º. nº 3. é. c) e 200º.que órgão regional tem o poder de intervir. al. facultativa – que o governos entenda submeter) – art. ◘ Aprovação (legitimação político-democrática) → Tratados – Resolução da AR – art. nº 1. 161º. 161º. al. não deve ser desdenhada. nº 1. Não lhe sendo possível participar directamente por se tratar de um órgão colegial. . i) → Acordos  Resolução da AR (obrigatória – os indicados no elenco do 161º. numa podendo a intervenção redundar-se na atribuição ao poder regional de uma capacidade de determinação do sentido das futuras convenções internacionais. nº 1. grupos parlamentares – art. que são assim directamente ponderados. o texto é remetido aos respectivos órgãos de governo próprio. mas também não pode ser um interesse nacional qualquer.Informação ao PR – art. al. c). contudo. sendo necessário considerar os seguintes pontos: . 197º. A instância de poder regional que participa nas negociações é o Governo Regional. É obrigatória também a referenda governamental – art. 114º. 201º. É necessário encontrar um conceito intermédio entre o interesse nacional e o interesse regional stricto sensu. contudo. 198º.sobre que convenções essa participação faz sentido. al. nos termos da alínea t) do número 1 do artigo 227º da Constituição.  Decreto do Governo (os que não versem sobre matéria da competência reservada) – arts. o RAR estabelece ainda que “quando o tratado ou acordo diga respeito à Regiões Autónomas. nº 1 . “para que as regiões autónomas possam reivindicar este direito. não é preciso ser apenas um interesse específico regional. al. al. nº 2.

494/99 chega a entender que não seria possível a fiscalização preventiva dos acordos aprovados por resolução da AR. de paz. assinada pelo Presidente da República. sendo a assinatura deste um seu elemento de existência jurídica. ◘ Fiscalização preventiva da constitucionalidade → Iniciativa – PR – art. nº 2 e 119º. • Ratificação dos Tratados – PR – art. • Publicação no DR (I Série) – condição de vigência interna – art. nº 3 e art. nº 1. de defesa. sendo essa assinatura um seu elemento de existência. deverá o diploma ser vetado pelo PR (…) e devolvido ao órgão que o tiver aprovado” – art. b) –. os tratados de amizade. que compete à comissão parlamentar especializada. 279º. § e os acordos? O ac. nº 1. al. dispondo-se do prazo de 30 dias.a iniciativa.  aprovação com modificação a nível de reservas (reformulação – art.no caso dos tratados solenes trata-se de resolução da AR. designadamente os tratados de participação de Portugal em organizações internacionais. que cabe ao Governo. na generalidade. 135º. b). Apesar de normalmente não ter efeitos internacionais não pode ser negligenciada pelas suas implicações no alargamento da legitimidade popular dos tratados internacionais.no caso dos acordos aprovados pela AR é a resolução da AR. aprovar os acordos internacionais cuja aprovação não seja da competência da Assembleia da República ou que a esta não tenham sido submetidos”. Quanto à forma dos actos finais em cada um destes procedimentos de aprovação dos tratados e dos acordos internacionais: . resultado que se alcança por exclusão de partes. Diz a CRP que “compete à Assembleia da República aprovar os tratados. § A adesão. – a não previsão de prazo. bem como os acordos internacionais que versam matérias da sua competência reservada ou que o Governo entenda submeter à sua apreciação” enquanto que “compete ao Governo.§ A desconformidade do regime interno português de vinculação nos Acordos com o regime internacional – a necessidade de recorrer à assinatura ad referendum (sob reserva da aprovação interna). 279º. na especialidade e como votação final global. nº 1. Aplicação analógica das disposições relativas à aprovação e ratificação.a deliberação. de acordo com as regras gerais do procedimento administrativo. nº 1 Prazo – 8 dias → Declaração de inconstitucionalidade de “acordo internacional. al. Solução idêntica para estes. 8º. de rectificação de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares. no exercício das suas funções políticas.no caso dos acordos aprovados pelo Governo trata-se de um decreto assinado pelo Presidente da República. mas não suficiente (exige-se a vinculação internacional do Estado). . . podendo ser excepcionalmente encurtado. que compreende a discussão e a vontade.  Confirmação nos termos do nº 4 (tratado aprovado pela AR). A fase da aprovação equivale ao momento de legitimação político-democrática quanto ao conteúdo das convenções internacionais em causa. .a instrução. 277º. 140º. 204º RAR) . O procedimento da aprovação dos tratados internacionais solenes é composto por vários momentos: . Exige referenda governamental (obrigatória)– art. .

entre a votação da resolução parlamentar ou do decreto governamental e respectiva assinatura presidencial. nº 3) → Fiscalização preventiva obrigatória – art. Do ponto de vista das matérias. No caso da pronúncia pela inconstitucionalidade o PR deve vetar juridicamente o diploma e devolve-lo ao órgão que o tiver promanado. sempre que o órgão promanante extrai do diploma as normas ou os segmentos de normas consideradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional. nº 8. não podendo haver juridicamente qualquer acto jurídicopúblico que seja constitutivo do mesmo. 279º/1 e 279º/4 da CRP. ou no caso de haver uma decisão que não seja proferida dentro do prazo.Trata-se de um fase eventual directamente descrita no texto constitucional nos artigos 278º/1. → a pronúncia pela inconstitucionalidade quando se considera a existência de cláusulas viciadas de inconstitucionalidade. sempre que o diploma em causa seja confirmado pela maioria da dois terços dos Deputados presentes. quando o Tribunal Constitucional. no caso dos acordos. 295º) e não as questões sobre que incida o tratado internacional (art. O modelo que a CRP adoptou é do referendo vinculativo e é tratado no artigo 115º/1 e 115º/11. 115º. A apreciação do Tribunal Constitucional pode ter três resultados: → a não decisão. ◘ O referendo – art. nada declare. → a confirmação. Objecto do referendo: as questões internacionais que podem ser referendadas: Inserção procedimental da decisão referendária: a colocação da convocação do referendo no procedimento de conclusão das convenções internacionais. desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções. o uso do referendo nacional é limitado à auscultação da vontade dos cidadãos apenas em relação às questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas por acto jurídico-público. 115º. sendo um desses actos a convenção internacional. no prazo assinalado. Valor de decisão referendária: a projecção do resultado do referendo na vinculação convencional do Estado Português. A CRP admite ainda nestes casos três tipos de resposta: → a não decisão: sempre que o órgão promanante do diploma em causa entende não ser de prosseguir com o assunto. da qual se excluem as convenções internacionais sobre paz e rectificação de fronteiras. nºs 1. é a aprovação do próprio tratado que pode ser submetida a referendo (art. podendo ser o próprio texto do tratado a ser submetido a referendo. Este controlo de constitucionalidade exerce-se em dois momentos precisos: → depois de produzida a resolução da aprovação parlamentar e antes do Presidente da República se decidir a ratificar no caso dos tratados solenes. 5 e 11 (excepto tratados de paz e rectificação de fronteiras) → O resultado do referendo vincula os órgãos competentes a aprovarem ou ratificarem no caso afirmativo e a não aprovarem ou ratificarem em caso negativo – arts. . → dentro da fase da aprovação. precludindo-se o respectivo poder jurisdicional. 241º. → a não pronúncia pela inconstitucionalidade. com preclusão do seu poder. 115º. No que respeita à decisão do referendo deve pôr-se a opção de saber se o resultado é ou não vinculativo. → o expurgo. 242º e 243º LORR → No caso de “tratado que vise a construção e aprofundamento da união europeia”.

Caso a decisão se torne vinculativa, esta projecta-se sobre a intervenção dos órgãos de soberania na conclusão da convenção internacional em causa, impondo-lhes determinados deveres: → a obrigação da aprovação do tratado ou do acordo internacional em causa por parte do órgão competente; → a obrigação de ratificação o de assinatura do acto de aprovação por parte do PR; → a obrigação de não aprovar convenções internacionais contrariando o sentido do resultado referendário, obrigação de não agir que se impõe à AR e ao Governo. A contratação internacional não está só dependente de Portugal deve articular-se, no contexto plurilateral que o domina, com a produção de outras vontades alheias à intervenção de Portugal. Procedimento para a desvinculação ou suspensão da aplicação Não está regulada, mas deve ter um procedimento substancialmente idêntico ao da vinculação, nomeadamente assegurando a aprovação pelo órgão competente e a intervenção do PR. Relação entre o DI e o direito interno ◘ Relação entre o DI e os direitos nacionais – dualismo ou monismo (associação com o fundamento)  Monismo com primado do direito interno  Monismo com primado do DI § posição adoptada: monismo com primado do DI mitigado (a questão não é tãosó de invalidade) e diferenciado (tendo em consideração as diferentes categorias de DI e a especial importância do direito constitucional num quadro de Estados soberanos) à luz de uma orientação pluralista do direito De um ponto de vista político-doutrinário, que se destina a avaliar o tipo de relações que são susceptíveis de ser praticadas entre o DI e o dto interno, destacam-se duas teorias: a teoria dualista e a teoria monista. O dualismo afirma que o Dto Internacional e o Dto Estadual são duas ordens jurídicas radicalmente distintas baseando-se nos seguintes argumentos: → na diferença das fontes, que no plano interno é a lei e no internacional é o tratado; → na diferença dos sujeitos, que no plano interno é uma multidão de entidades jurídicas, públicas e privadas, singulares e colectivas e no plano internacional é restrito a uma dimensão demasiadamente institucional; → na diferença dos mecanismos garantísticos que no plano interno funcionam com eficácia a partir dos tribunais, apoiados depois nas forças policiais e nas forças armadas, enquanto que no plano internacional a estrutura jurisdicional é frágil. Por sua vez, o monismo frisa os diversos aspectos que têm aproximado o Dto Internacional do Dto Estadual, utilizando exactamente os mesmos argumentos: → na proximidade das fontes, pois há a nível interno sinais de uma intensa “contratualização legislativa”, além de que no Dto Internacional são também relevantes outras fontes como, por exemplo, o costume; → na coincidência dos sujeitos, pois não se pode dizer que outros sujeitos, como a pessoas humana, não sejam directos destinatários das normas de Dto Internacional, sendo de considerar que o Estado a nível interno é igualmente um destinatário; → na diversificação dos mecanismos de garantia.

Dentro do monismo têm sido sugeridas duas orientações: → o monismo com primado de Dto Interno: tem a sua raiz num voluntarismo estadual, que tanto na teoria como na prática conduz à negação do próprio DI, não podendo ter hoje aceitação; → o monismo com primado de DI: orientação que reflecte a posição de se aceita a prevalência do DI sobre o Dto Interno. Pode ainda apresentar-se sobre duas formas:  uma radical, que implica a prevalência absoluta da norma internacional sobre qualquer norma estadual; e  outra moderna que apenas o admite em certa medida, reconhecendo que o Dto Interno pode em alguns casos prevalecer ou que nele não deve o DI interferir. ◘ Sistemas de incorporação do DI nas ordens internas → Recepção  Automática (incorporação como tais sem necessidade de qualquer formalidade)  Condicionada (incorporação como tais com algumas condições) → Transformação (para o DI convencional vigora no Reino Unido e na Itália) → O caso português – o art. 8º – Nº 1 – recepção automática do DI comum. § a questão do DI comum convencional (DUDH e outros Tratados normativos) • O costume regional ou local não está previsto, mas deve cair no âmbito do nº 1 – Nº 2 – recepção condicionada do DI convencional regularmente ratificado ou aprovado, sujeito à condição da sua publicação oficial e à vigência internacional e à vinculação internacional do Estado – Nº 3 – recepção automática das normas de OI de que Portugal seja parte, desde que tal esteja previsto no tratado constitutivo (caso UE). Vide crítica de Gonçalves Pereira (não há recepção). § a questão das decisões do CS NU – Nº 4 – recepção automática ou plena? A questão não é necessariamente de vigência, mas do alcance dos efeitos. Comparação com o art. 16º. O regime da sua incorporação é devolvido ao direito da União. Cautelas de salvaguarda constitucional (o respeito pelos “princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático”). Leitura à luz dos arts. 1º, 2º, 3º, 288º, etc. § outras disposições relevantes – arts. 7º, 16º, 29º, nº 2 – A insuficiência do art. 8º (além do costume particular, não prevê os actos unilaterais dos Estados) São dois os modelos de incorporação do DI no Dto Interno: o modelo da transformação e o modelo da recepção. O modelo da transformação implica que o DI mude de natureza, ficando as respectivas orientações do mesmo modo a valer no Dto Interno mas a título de fonte interna e já não a título de fonte internacional. Assenta nos postulados dualistas porque não concebe a comunicabilidade directa do DI com o Dto Interno. O modelo da recepção assenta na ideia de que o DI pode fazer parte do Dto Interno conservando a sua natureza original, não sendo necessário fazer qualquer operação no seu título de validade. Pode desdobrar-se em recepção automática (ocorre quando a integração do DI no Dto Interno não fica dependente de qualquer acto intercalar interno para a sua vigência se efectivar) e recepção condiciona (acontece

quando a incorporação do DI no Dto Interno carece de um acto de interposição, que não transforma a sua natureza mas que condiciona a respectiva vigência), podendo-se ainda falar em recepção material (se for de um conteúdo específico) e recepção formal (se for da fonte abstractamente considerada). É de referir a possibilidade de existência de um sistema misto que pode assumir diferentes variedades, aparecendo sempre que haja a transformação para uma parte do DI e a recepção para uma outra parte do DI. ◘ O conflito entre normas de DI e normas nacionais → DI comum  Os princípios do art. 7º e a sua consideração como ius cojens – supraconstitucionalidade (J. Miranda e Gonçalves Pereira); paridade (Bacelar Gouveia)  O art. 16º – cláusula aberta de recepção formal - valor idêntico  O art. 29º, nº 2 – valor infraconstitucional (“nos limites da lei”). Dúvida suscitada pelo art. 7º, nº 7  Restante DI comum – valor infraconstitucional e supralegal (J. Miranda); supraconstitucional (Gonçalves Pereira) → DI convencional (com excepção do que caiba supra)  Valor infraconstitucional e supralegal. Argumentos substanciais e procedimentais. ▪ Artigo 8º CRP § a questão das normas da UE. As diversas posições em presença. Argumentos. Artigo 8º/3 CRP → tem o problema de só se referir às normas quando há outros actos que à luz do Dto da União Europeia também teriam efeito directo, como as decisões. ◘ Regime da inconstitucionalidade das normas de DI → Preventivo (supra) → Sucessivo – de iure constituto e de iure constituendo ( a distinção entre a fiscalização abstracta e a concreta – arts. 281º e 282º). → Material (do conteúdo) → Orgânica e formal (violação das normas internas relativas à conclusão e vinculação) – o art. 277º, nº 2 (int. extensiva para os acordos – J. Miranda)  “disposição interna fundamental” (incompetência absoluta; incompetência relativa – art. 161º, al. i) 1ª parte; referendo negativo, inexistência da deliberação da AR por falta de quorum ou maioria de aprovação). § o problema à luz do art. 46º CVDT (“manifesta”) ◘ Desconformidade de actos legislativos com DI → Inconstitucionalidade no caso da DUDH – 16º, nº 2 (não outras convenções nos termos do 16º, nº 1, excepto Bacelar Gouveia) → Desconformidade atípica no restante, fiscalizável com base no 204º (controlo difuso) e art. 70º, nº1, al. i) da LTC (controlo concreto). ◘ Consequência jurídica de qualquer incompatibilidade Ineficácia. Bibliografia: • J. Miranda, ob cit., pp.94-119 e 139-185

expresso/tácito. de acordo com o pr. diferenciando-se entre uma dimensão de titularidade e uma dimensão de exercício dos mesmos. por ex. Cruz Vermelha. Cruz Vermelha. pleno/condicional) ● Classificações → De base territorial (Estado. ▪ O Reconhecimento – relevância e tipos (de jure/de facto. ▪ Subjectividade ou personalidade jurídica – qualidade do ente ao qual são imputáveis direitos e deveres. união real. da especialidade – outros sujeitos – Capacidade de gozo – Capacidade de exercício A capacidade jurídico-internacional afere-se pelo conjunto dos direitos e deveres que podem estar inscritos na esfera jurídico-internacional da entidade em causa. Ordem de Malta. indivíduo e OI) → De capacidade plena (Estado soberano) → De base não territorial (OI. A personalidade jurídico-internacional é a susceptibilidade para se ser destinatário de normas e princípios de DI. dos quais directamente recorre a oportunidade para a titularidade de direitos ou para se ficar adstrito a deveres. declarativo/constitutivo. OI. Instituições não estatais 3. beligerante) → De fins gerais (Estados) → Permanentes (Estado. O indivíduo e outros entes particulares . definitivo/provisório. Santa Sé. OI 4. Estados e entidades afins 2. particulares. Santa Sé. confederação. que é destinatário directo de normas jurídicas.Os sujeitos de DI § Subjectividade e pertença à comunidade internacional (remissão) São encarados como sujeitos de DI o conjunto de entidades que protagonizam as relações internacionais que o DI disciplina. Ordem de Malta) → De fins especiais (os restantes) → Não permanentes (beligerantes. em todos os casos internacionais. ▪ Capacidade jurídica internacional – esfera da titularidade de relações jurídicas – Genérica – Estados – Limitada. particulares colectivos) → De capacidade limitada (os restantes) ● Tipos principais 1. que pode ser titular de relações jurídicas (especialmente importante para os particulares). individual/colectivo.

136º CDMUN – a ‘Área’ (fundos marinhos). que representa o âmbito espacial da de projecção da sua Ordem Jurídica. na esfera interna. § a cidade do Vaticano . § 3. e na esfera internacional.(históricos) Estados protegidos (exercem direitos através de outros. a não ser a ausência de direito à intervir em legítima defesa colectiva em favor de outro Estado) . em especial a China (RPC e RC – Res 2758(XXVI) AG NU. e → o elemento funcional/poder político: a soberania. arts. nº 4 e 51º CNU) São elementos fundamentais do Estado: → o elemento humano: o povo. vassalos (o exercício de direitos fica sujeito a aceitação do suserano) – capacidade de exercício limitada .ius tractum. como a OMC) § o reconhecimento do Estado (a teoria declarativa e a teoria constitutiva – doutrina Stimson). direito de reclamação e ius belli (legítima defesa – arts.Coreia e. 33º e 48º do Projecto de Artigos sobre Responsabilidade do Estado por actos ilícitos Seja como for. que se traduz.Estado soberano (elementos: território. O Governo no exílio. povo e poder político) . que agora unicamente se concebe numa situação de auto-defesa. Reconhecimento é constitutivo (Gonçalves Pereira) ou declarativo (J. 1º do TEUEE. ius legationis.os Estados divididos . na independência e igualdade frente a outros poderes. os povos (remissão) Estados e entidades afins . Miranda e Bacelar Gouveia). O ius legationis corresponde ao estabelecimento de relações diplomáticas e consulares. O ius tractuum representa a faculdade de celebrar tratados internacionais. como conjunto de pessoas que se lhe ligam por um vínculo de cidadania. . activas no mandar e passivas no receber. ● Estados de soberania restrita (capacidade limitada) . – a doutrina da legitimidade (Tobar ou de Wilson). Afecta essencialmente o ius belli. TPI (mas refere os ‘crimes contra humanidade’). Liechtenstein ou Andorra).art. art. 5º Est. 2º. Preâmbulo Estatuto TPI § 2. → o elemento territorial: o território. Marino. só os Estados ou OI podem exercer esses direitos. art.Estados neutralizados (inadequação da autonomização.a doutrina da efectividade (Estrada). O sentido da subjectividade internacional surge associado a três facetas fundamentais que desde sempre marcaram a intervenção dos Estados na vida internacional: o ius tractuum. a Humanidade .53º CVDT (ius cojens). de 1971. Posição adoptada – declarativa. Distinção dos micro-Estados. mas é membro de OI. O ius belli consiste na possibilidade de se usar a força ao abrigo do DI. S. no poder máximo de auto-organização. a Comunidade internacional . O dever de não reconhecimento de situações resultado de actos contrários ao DI § o reconhecimento do governo .§ 1.Estados exíguos – capacidade de gozo afectada pela sua exiguidade territorial (Mónaco. o ius legationis e o ius belli. os protectores). É uma atribuição confinada aos sujeitos internacionais de tipo clássico e às organizações internacionais.

mas caso venham a constituir governo ou a criar um novo Estado os seus actos constituem actos ‘estaduais’ para efeitos de responsabilidade). Não existe actualmente. → Estados exíguos: devido à sua pequenez territorial não são aceites à plenitude da capacidade jurídico-internacional. O seu reconhecimento visa colocá-los sob a tutela do DI humanitário . 7º). Não existe actualmente. porventura. 1º. O mesmo se pode entender. ficaram decepados do seu poder de intervir em assuntos de natureza militar no plano internacional.Estados não soberanos (Estados federados e os Estados membros de uma União Real – podem possuir ius tractum e ser membros de OI – Ucrânia e Bielorrússia na ONU antes de 1993) Tratam-se de Estados limitados na sua capacidade. através do qual o suserano.§ a Bósnia Herzegovina e o papel desempenhado pelo Alto Representante da Comunidade Internacional para a BiH (aproxima-a de um território sob tutela ou de um Estado ocupado). 1514-XV. Requisitos representação e ‘controlo político’ do povo. O direito de petição do Protocolo Facultativo anexo ao PIDCP (art. Res. → Estados neutralizados: Estados que. não sendo ainda um Estado.XXV. 73º e 76º CNU.Beligerantes – reconhecimento constitutivo. indefinidos mas aproximando-se de uma região internacionalizada. em troca do exercício de poderes internacionais.A Autoridade Palestiniana e os respectivos territórios – entidade pré-estatal? A situação da Palestina oferece contornos internacionais. e 2625.Movimentos de libertação nacional – os povos como sujeitos de DI? O pr. → Estados federados: por força da sua inclusão numa federação perdem parte da respectiva capacidade internacional. ao mesmo tempo que atinge diversos aspectos da soberania internacional. da AG NU). nos termos previstos no texto institutivo da respectiva estrutura federativa ● Entidades pró-estatais . de 1960. ocupando uma parte do território estadual e tendo como principal . da actual situação do Kosovo (declarou-se independente e soberano. → Estados protegidos: colocam-se numa posição de menoridade relativamente ao Estado protector. em troca de protecção e ajuda. Os beligerantes correspondem a grupos de rebeldes armados que desenvolvem uma actividade bélica em prol da mudança do sistema político do Estado em que se integram. → Estados vassalos: reflectem a existência de um vínculo feudal. Podem ser: → Estados confederados: vêem a sua soberania internacional limitado nos assuntos que ficam delegados na estrutura confederativa. neutralidade de terceiros que reconhecem. podendo ser várias as causas dessa limitação. da autodeterminação (arts. irresponsabilidade do Estado quando o governo reconhece . por acto unilateral interno ou por tratado internacional. § os insurrectos (não são sujeitos de DI.Estado confederado . Não se trata de uma limitação total. confere protecção e segurança ao Estado vassalo. Aplicação do DI da guerra. a quem conferem um mandato para o exercício de certos poderes internacionais. embora possam exercer alguns dos seus poderes que se lhes reconhecem. mas continua sujeito a uma administração internacional) .

enquanto que no plano internacional é-lhes reconhecida competência para a celebração de alguns tratados internacionais e para a pertença a algumas organizações internacionais) e as cidades internacionalizadas. que correspondem a porções territoriais que por força de circunstâncias históricogeográficas especiais não dão origem à criação de um Estado.o caso do Kosovo. sem qualquer controlo político-administrativo.Hong Kong e Macau – regiões administrativas especiais do Estado chinês (por ex.histórico – algumas cidades. de 1999 (território nacional de um Estado com administração internacional) . uma implicação internacional. Ilhas Caimão) . 1244 do CS NU. normalmente. Não ocupam nenhuma parcela do território estadual.Mandatos e territórios sob tutela (regime caducado) . Situam-se dentro do contexto estadual. nos termos da Res. são membros da OMC e têm ius tractum) . As regiões infra-estaduais corporizam espaços territoriais. dotados de autonomia jurídico-pública e com poderes (limitados) na vida internacional. podendo fazer leis e ter tribunais próprios. mudando depois a ordem constitucional estabelecida. não extravasando para outros Estados. em cujos termos são vertidas as atribuições que lhe são transmitidas e os órgãos que ficam incumbidos da respectiva prossecução.característica a prossecução da luta armada.Colónias autónomas (Bermudas.As confederações (histórico. ● Entidades supra-estatais . executando as suas actividades de guerrilha em diversas zonas desse território. a única recente foi a Senegâmbia) São associações de Estados que se fundam num tratado internacional. Na prática internacional tem-se vindo a dar prevalência à efectividade no tocante ao conteúdo (atende-se mais ao domínio do território do que ao respeito pelo princípio democrático) e à não intervenção dos assuntos internos. Podem existir implicações internacionais das actividades de beligerantes e insurrectos a nível da importação do armamento que utilizam. incluindo Macau sob administração portuguesa . Exemplos: Cracóvia e Jerusalém.o território de Timor-Leste entre 1999 e 2002 (administração pela UNTAET) § a capacidade internacional de algumas regiões de Estados. sendo-lhe contudo atribuída uma capacidade para agir no seio da comunidade internacional e reconhecendo-se-lhes uma autonomia interna administrativa. . não tendo. que podem participar em organizações internacionais e celebrar tratados internacionais especialmente atinentes ao seu território e interesses.A união real (histórico – Áustria-Hungria) . Inserem-se aqui as regiões autónomas. da desestabilização económica que provocam na região e da desprotecção e emigração das respectivas populações ● Entidades infra-estatais .Territórios infra-estatais com capacidade internacional . Os insurrectos são grupo de rebeldes que levam por diante uma luta armada com o objectivo de derrubar o sistema político vigente. as “regiões administrativas especiais” de que são exemplo Hong Kong e Macau em relação à China (no plano interno as suas atribuições são também de foro legislativo e jurisdicional.

.Mantêm a sua soberania interna. ajuda à terceira idade e acções humanitárias internacionais.o múnus de governar. que se traduz na administração dos sacramentos e outros actos de culto divino.o facto de ostentarem esse nome. .a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.As associações de Estados (Commonwealth. ainda que limitada. As uniões reais são verdadeiros Estados compostos. e . absorvem numa lógica de fusão. . embora a realidade seja diversa. aos seus fins espirituais e ao exemplo de vivência inter-geracional. São três as principais atribuições da Igreja Católica: .o facto de as atribuições concedidas não serem suficientes para justificar a existência formal autónoma da estrutura compósito em relação aos Estados que dela fazem parte. Fins espirituais. Tem capacidade limitada (ausência de ius belli e ‘neutralização’ nos conflitos temporais) É o mais antigo dos sujeitos internacionais não estaduais. realizando nos diversos Estados actividades como transporte de doentes.o Comité Internacional da Cruz Vermelha. A actividade desta instituição tem sido desenvolvida sobretudo no plano assistencial. bem como da liberdade de culto. caracterizando-se pela peculiaridade devido à limitação dos seus meios materiais.o múnus de santificar. e ao ius tractuum. na defesa e expansão da Cristandade. criados a partir de um tratado internacional que integram vários Estados e que. firmando compromissos de parte a parte nas matérias da educação e casamento religioso. .o facto de o substrato em causa não se revestir de um elemento territorial. eventualmente CPLP) – não têm personalidade jurídica internacional As associações de Estados fundam-se em pactos constitutivos que reflectem aspectos da estrutura estadual dos que dela passam a fazer parte. contudo. na actividade missionária e na educação religiosa. ▪ Cruz Vermelha Internacional e Crescente Vermelho. e . que exercita através do estabelecimento de relações diplomáticas com a esmagadora maioria dos Estados do Mundo. . que se desdobra na pregação da palavra. que se reflecte na emissão de leis e providências para melhor governar a sociedade eclesial. bem como com várias organizações internacionais. ▪ Soberana Ordem de Malta (estatuto ambíguo). Fusão entre o poder estadual superior com os poderes estaduais subjacentes. No seu âmbito de acção ao abrigo do DI.o múnus de ensinar. Fins espirituais e assistenciais Trata-se de uma instituição cujas raízes históricas se encontram no tempo das Cruzadas. CEI. Fins humanitários Encontra-se intimamente ligada com o Dto Internacional Humanitário e apoia-se em três tipos de estruturas distintas: . limita-se ao ius legationis. alguns dos órgãos dos Estados simples participantes. O seu primeiro propósito foi o hospitalar. O seu carácter sui generis pode resultar de diversos aspectos que se deve ponderar: . do mesmo passo. que executa através da celebração de tratados internacionais com os Estados. as vicissitudes de luta religiosa rapidamente a extravasaram para objectivos militares e religiosos. § a UE (remissão para o estudo do DC) Instituições não estatais ▪ Santa Sé (órgãos dirigentes da Igreja Católica) ou Igreja Católica. que tomam o nome tradicional de “concordatas”.

por órgãos próprios. Actualmente. diversos dos sujeitos que a promovem. É-lhes reservado um estatuto especial. a Cruz Vermelha Portuguesa é uma “pessoa colectiva de Direito Privado e de utilidade pública administrativa” (art. Não é possível às organizações internacionais viver sem recursos humanos.) . pessoas físicas que nelas trabalham e que se diferenciam daqueles que preenchem os respectivos órgãos. dotada de órgãos próprios que lhe imputam uma vontade funcional em nome de interesses privados. no respeito pelo Direito Internacional Humanitário. independência. são novas entidades jurídico-internacionais que desenvolvem atribuições que aqueles lhes transmitiram. mas em que não está presente uma dimensão territorial que seja determinante na definição do exercício do poder que lhe foi atribuído. imparcialidade.3º/1 do DL 281/2007). neutralidade. etc. São dois os seus elementos fundamentais: um elemento organizacional e um elemento internacional. A entidade fundadora é o Comité Internacional da Cruz Vermelho. com vista a prosseguir fins comuns dos seus membros. § personalidade jurídica autónoma e capacidade de gozo limitada pelo princípio da especialidade. nomeadamente em matéria fiscal. militares. Organizações internacionais Associação de sujeitos de DI. As organizações internacionais estribam-se numa vontade comum que pretende instigar a cooperação internacional entre os Estados. económicos. que não ostentam qualquer elemento político. pelos Estatutos do Movimento Internacional e pela Constituição da Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho” (art. constituída mediante tratado segundo o DI. As organizações internacionais são instituídas por um tratado internacional em que são vertidas as opções fundamentais do novo sujeito internacional. Parecer TIJ “Reparações dos Prejuízos”. Quando fundadas pelos Estados. dotada de órgãos e de direito próprios.. civil e penal. previstos no Tratado. ao mesmo tempo que se diferencia das organizações internacionais não governamentais. unidade e universalidade. nas restantes a doutrina divide-se). de substrato associativo e com carácter de permanência. permanente (não necessariamente sem termo). voluntariado.. O elemento internacional chama a atenção para o facto de esta nova entidade ser regulada pelo DI. que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado. sendo estes formados pelo conjunto dos respectivos funcionários internacionais. Dirige e coordena toda a acção internacional humanitária que lhe seja atribuída.3º/2 do DL 281/2007). em representação dos respectivos Estados participantes. cada um deles interpretando um interesse distinto dos interesses estaduais presentes.as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. de 1949. O reconhecimento (nas OI universais – declarativo – cf. aproximado do estatuto diplomático. ● Classificações de OI .. estruturandose como “uma instituição humanitária não governamental. o qual se submete a sete princípios: humanidade. Não tem base territorial.Fins – gerais ou especiais (políticos. de carácter voluntário e de interesse público. O elemento organizacional atende à formação de uma nova pessoas colectiva. com base num substrato próprio.

a personalidade internacional é sempre limitada. criador de DI.a responsabilidade por crimes internacionais – dos Tribunais de Nuremberga e Tóquio (não internacionais) ao TPI § 1. com excepção da CEDH.direito de queixa (Protocolo Facultativo ao PIDCP. Em várias instituições internacionais consagra-se o direito de petição. continuam a ser sujeitos de direito interno. na esfera internacional. . Caracterizam-se por uma genuína preocupação de defesa de interesses e valores claramente desconsiderados ao nível das relações inter-estaduais. não tendo qualquer finalidade lucrativa. Breve referência com remissão para o DC Foi a seguir à II Grande Guerra que apareceu a protecção internacional dos direitos do homem.Estrutura – intergovernamentais e supranacionais .A sua personalidade em rigor é de Direito Privado Interno .A progressiva internacionalização do regime jurídico das suas acções (a acção do CIRDI e a arbitragem internacional na resolução de conflitos com os Estados) . .Duração – sem termo e com termo O indivíduo e outros entes particulares ● O indivíduo. contra o Estado e contra todas as outras manifestações de poder.. Não há lugar a reconhecimento. O problema. § 2. . e reconhece-se o direito de apresentação de petições ou de queixa (CEDH). fundando-se num substrato patrimonial. Direitos e deveres fundamentais dos Estados .Acesso – abertas ou restritas (critérios: geográfico.Âmbito geográfico – universais ou para-universais e regionais . a cidadania da UE. internacionalmente defendendo os seus interesses e pontos de vista. .Participam no funcionamento de OI com funções consultivas (art. político. de direitos de vários tipos: . alçando-se ao plano de DI a defesa das posições jurídicas subjectivas de cada pessoas humana. Tanto as ONG como as sociedades transnacionais usufruem. ● As sociedades transnacionais . ● As Organizações Não Governamentais (pessoas colectivas sem fins lucrativos) . Convenção Americana dos Direitos do Homem) e de acção jurisdicional (TEDH). pois não é um sujeito activo. no caso de violação dos direitos humanos.Em rigor.direitos de audição. 71º CNU). mas apenas passivo (titular de direitos e obrigações de DI criado por outros sujeitos). etc…) . Tem uma finalidade lucrativa específica e assumida. é o duvidoso efeito directo (carácter self-executing) das disposições convencionais que consagram direitos humanos. económico. devendo ser consultadas na elaboração de alguma regulamentação internacional.direitos de queixa internacional.direitos de participação em reuniões como observadores.a titularidade de direitos com tutela internacional . como observadoras.

Solução pacífica de conflitos .Boa fé nas rel.Igualdade jurídica. determinando alterações importantes na sua aparência. 2º CNU) . 2º CNU) .Abstenção do uso da força . mas pode acontecer que essas alterações políticas se projectem na fisionomia internacional dos Estados. . . . . a sua autonomia constitucional na respectiva organização política. cit. a presunção de regularidade dos respectivos actos. ob. o dever de cooperação internacional.Direito de beneficiar do aproveitamento dos fundos marinhos (CNUDM) ▪ Deveres políticos (art.Dever de assistência às NU . a proibição de ingerência em assuntos internos.deveres: o respeito pelo DI.Integridade territorial ▪ Direitos não políticos (Carta dos Direitos e Deveres Económicos dos Estados) . pp. ▪ Direitos políticos (art.Independência política . 2º.A soberania internacional dos Estados acarreta consigo um feixe de situações jurídicas que importa enumerar: . 187-230 e 235-247 Sujeitos de DI Vicissitudes do Estado § irrelevância das vicissitudes políticas internas – pr. As vicissitudes territoriais corporizam mutações no sistema político dos Estados. modificativas ou extintivas) – Em algumas destas situações coloca-se um problema de sucessão de Estados.Dever de não ingerência – o domínio reservado (art. excepto em legítima defesa.. Miranda. nº 7) ▪ Deveres não políticos . Int.dever de cooperação § a questão do dever de ingerência humanitária Bibliografia: • J. podendo diminuir ou aumentar a sua capacidade internacional.Direito de associação económica . a proibição do uso da força. com implicações em cada sistema constitucional.direitos: a não sujeição orgânica dos Estados e outros sujeitos. As vicissitudes podem ser de duas dimensões: políticas e territoriais.Participar no comércio internacional .Soberania plena e permanente sobre os recursos . da continuidade do Estado • Vicissitudes territoriais (aquisitivas. Têm apenas uma projecção sobre o sistema constitucional dos Estados.

quando o Estado se desagrega. . de 1983 (não vigente) – Formas: • fusão (RFA e RDA).vicissitudes extintivas.vicissitudes modificativas. etc. e . se convola em direito de soberania territorial. surgindo um novo Estado através de um acto de separação territorial. Em relação a Tratados: – que regulam situações objectivas territoriais (fronteiras. interferindo directamente com o respectivo posicionamento. podendo concretizar-se por: . aos arquivos e à dívida. . .perda de parte do seu território por cataclismos naturais.usucapião.desaparecimento do seu território. .art.vicissitudes aquisitivas. de 1978. o que pode acontecer pelas seguintes vias: .decisão unilateral de um governo de facto ou de uma organização internacional.) – pr.aquisição de parcelas territoriais. art. seja por fenómenos naturais ou por actos jurídicos.secessão extintiva. • A sucessão de Estados – substituição de um Estado por outro na responsabilidade das relações internacionais de um território .o nascimento a partir de um processo de secessão.o nascimento a partir de um processo de descolonização política. As vicissitudes modificativas modificam territorialmente. 2º da CV sobre a sucessão de Estados em relação à propriedade pública. que ao mesmo tempo se dissolvem.As vicissitudes territoriais designam alterações no elemento territorial que se modifica total ou parcialmente. . podendo ser por: . 10º CVSET) Distinções relevantes (princípios gerais) • • . • secessão de partes do território que formam novos Estados (Jugoslávia . da continuidade (art.cessação parcial voluntária. . com fundamento no movimento da descolonização internacional. . Nas vicissitudes extintivas dá-se o desaparecimento do Estado. 2º da CV sobre a sucessão de Estados em matéria de Tratados (CVSET). como foi o caso da Atlântida. Kosovo actual com a declaração da independência). sem que seja contestada. • desmembramento do território e a sua inclusão no território de outros Estados já existentes.o nascimento por fusão num novo Estado de territórios que pertenciam a outros Estados. quando a posse sobre território alheio. com a independência da Eslovénia e Croácia. As vicissitudes aquisitivas apontam para o momento do nascimento do Estado. • desmembramento com criação de novos Estados (Checoslováquia). . Divide-se em três categorias: . 11º CVSET) – Tratados que prevêem a sucessão – faculdade ou aceitação do Estado sucessor (art. com manutenção do Estado anterior.

a reservas. 16º e 17º CVSET). 15º CVPAD). Na ausência deste. als. 15º CVSET) Estados de recente independência (Estados fruto da descolonização) – faculdade de sucessão nos Tratados multilaterais. quando o tratado só dissesse respeito ao território que se separa ou no caso de tratado ‘intuito personae’. etc. arquivos e dívidas: – Direitos. excepto se forem ‘intuito personae’ (arts. 34º CVSET). § há diversas especialidades na extensão territorial. No caso do Estado predecessor continuar a existir continua a ser parte nos Tratados. nos tratados bilaterais tem de haver acordo recíproco expresso ou tácito e deixa de ser parte o Estado predecessor (arts. Separação de territórios para formar novos Estados – pr. 27º. 10º e 11º CVPAD) • Dever ser regulada a transmissão por acordo. etc.– – – – Integração de um território na esfera territorial de um Estado (RDA na RFA) – aplicação imediata dos Tratados que vinculam o Estado sucessor (art. os imóveis transmitem-se e os móveis relacionados como a actividade de governação do território também (art. excepto por acordo dos interessados. incluindo a propriedade – transmissão do predecessor para o sucessor na data da sucessão sem compensação (arts. 24º e 25º CVSET). excepto se forem ‘intuito personae’. nº 1) • Salvaguarda-se o respeito pela integralidade das partes dos arquivos (art. § há especialidades diversas (reservas. 18º CVPAD) – Arquivos – a transmissão não dá lugar a compensação (art. 9º. 31º CVSET). Unificação de Estados – todos os tratados em vigor em relação a qualquer deles continuarão em vigor (art. 27º. 25º CVPAD) • Distingue-se entre as partes relativas à administração normal do território do Estado sucessor e os que digam respeito exclusiva ou principalmente a esse território – transferem-se (art. a reservas. da continuidade. § há diversas especialidades relativas à aplicação provisória. etc) • Sucessão de propriedade pública. em especial tendo em conta o princípio da soberania permanente sobre os recursos • Há especialidades também quando o Estado predecessor se extingue para dar lugar a vários (é relevante o local e a afectação dos bens e pode haver uma compensação equitativa entre os Estados sucessores – art. 23º CVPAD) Princípios gerais: • Aplicação supletiva afastada por acordo das partes (art. nº 2. nº 3) . a) e b) • Os títulos e outros elementos probatórios relativos ao território ou às fronteiras devem ser disponibilizados pelo Estado predecessor ao sucessor (art 27º. 14º CVPAD) • Há especialidades para os Estados sucessores fruto de descolonização (art. excepto por acordo dos interessados ou tratado ‘intuito personae’ (art.

na falta de acordo a dívida transmite-se numa proporção equitativa. 27º.Prs. 55/153 AG NU). 11º e 23º). baías. Delimitação – processo jurídico de determinação dos limites do território. 39º) . 1º da Res. 28º. nº 2) . tendo em conta o ‘activo’ transmitido (art. deve considerar-se a vontade da pessoa (arts.Na separação de partes do território. a questão deve ser solucionada por acordo entre Estado predecessor e sucessor (art. Fronteira – limite exterior de um território. há uma presunção fundada na residência (arts. subsolo. nº 1 DUDH). o problema das baías históricas (art. 40º). O mesmo ocorre na dissolução (art. que sujeita a transmissão a um acordo e salvaguardando especificamente o equilíbrio económico fundamental (art. Há uma restrição à plena soberania do Estado: o direito de passagem inofensiva (arts. tendo em consideração a propriedade. Está sob a soberania do Estado. etc. 36º). Demarcação . no caso a uma das nacionalidades em causa (art. 8º. caso não haja acordo. 31º). com a excepção do art. 17º a 32º) - . OI ou outros sujeitos de DI . 38º) . – Superfície terrestre lato sensu – solo. 5º e 22º) § para prevenir a apatridia em virtude da sucessão de Estados há uma convenção do Conselho da Europa na matéria. 10º CDM) – Mar territorial – extensão até 12 milhas marítimas a partir do ponto mais baixo da baixa-mar. Domínios Interno e Internacional Domínios internos • Território – superfície terrestre lato sensu. há uma transmissão equitativa.Pr. Ainda não entrou em vigor. Dívidas para com outros Estados. 15º. águas interiores (rios. plenitude e autonomia de jurisdição do Estado sobre o território e as pessoas que nele se encontram. fundamentais – toda a pessoa tem direito a uma nacionalidade (art.Há disposições especiais relativas aos Estados fruto de descolonização. 41º) Efeitos pessoais da sucessão dos Estados – a questão da nacionalidade . nº 4) § Há disposições especiais para as várias formas de sucessão de Estados (arts. Relevância internacional: tradicionalmente nenhuma (não há direito de passagem inofensiva. 29º. A soberania abrange o leito e o subsolo. os direitos e interesses transmitidos (art.Na unificação de Estados a sucessão é plena (art. nº 2 CDM).processo técnico de concretização dos limites. gerais – não afectação dos direitos e obrigações dos credores (art.) situadas aquém da linha de base do mar territorial. 37º. mar territorial e espaço aéreo. isto é sob a exclusividade. lagos. 30º.• Cópias relativas a arquivos relacionados com interesse do território separado devem ser disponibilizadas pelo Estado predecessor (art. nº 1). de 2006. 37º.

fiscais. Sobre os recursos não vivos explorados além das 200 milhas o Estado tem de pagar contribuições em espécie à Autoridade. Não tem qualquer jurisdição exclusiva sobre as águas ou o espaço aéreo sobreadjacentes (art. 57º CDM). Os direitos do Estado compreendem a exploração e aproveitamento de todos os recursos naturais. é um domínio exaustivamente regulado por convenções internacionais em matéria de navegação (com diversos direitos: sobrevoo. • – – . 77º CDM). 33º CDM. do prolongamento submerso da massa terrestre do Estado costeiro e é constituída pelo leito e subsolo.). 1º CCACI (não há direito de passagem inofensiva idêntico ao do mar territorial – o Estado pode impor a aterragem – art. escala técnica. sobre os navios e aeronaves aí matriculados no Estado Domínios de extensão da jurisdição estadual – Zona contígua – extensão marítima contígua ao mar territorial até 24 milhas da linha de base do mar territorial (em princípio a linha da baixa mar) – art. cujos critérios não estão perfeitamente determinados. 76º CDM (i. etc. Embora haja uma soberania plena – art. 1974). O Estado costeiro tem o direito de exploração exclusiva dos seus recursos minerais e outros recursos não vivos do leito do mar e de subsolo. ou a reprimir as infracções às normas vigentes no seu território ou no seu mar territorial Plataforma continental – extensão do prolongamento natural do seu território terrestre até ao bordo exterior da sua margem continental. ou até às duzentas milhas da linha de base do mar territorial. há deveres resultantes do DI que condicionam e restringem a plena jurisdição do Estado sobre o seu território (por ex.e. dever de proteger e preservar o meio marinho (art. mas pode construir aí ilhas artificiais e outras estruturas com fins económicos e outros (art.– Espaço aéreo – a coluna de ar situada sobre a superfície terrestre e o mar territorial. Contudo. de emigração ou sanitárias no seu território ou no seu mar territorial. 5º CCACI. 193º CDM) – – • Aplicação extraterritorial do direito estadual – no interior dos edifícios diplomáticos e consulares e sobre o pessoal a eles afecto. das águas sobreadjacentes ao leito do mar. da soberania sobre os recursos consagrada na Carta dos Direitos e Deveres Fundamentais dos Estados (Res. vivos ou não vivos. no máximo de 350 milhas – art. O limite superior é o espaço extra-atmosférico. 78º CDM). bem como dos organismos vivos sedentários (art. § salienta-se aqui o pr. A jurisdição do Estado consiste na possibilidade de fiscalização com vista a evitar as infracções às normas aduaneiras. exclui os grandes fundos e as cristas oceânicos e o respectivo subsolo). etc). 3281(XXIV) AG NU . 80º CDM) ZEE – espaço adjacente além do mar territorial até às 200 milhas da linha de base do mar territorial (art. pelo talude e pelas elevações continentais.

fundamentais são: utilização pacífica. evitando e reprimindo as violações do DI. mas há convenções que regulam a navegação aérea O espaço exterior – toda a realidade física que se encontra para além dos espaços definidos. O pr. Compreende ainda o direito de colocar e utilizar ilhas e outras estruturas artificiais e a jurisdição sobre a investigação científica e a protecção e preservação do meio marinho (arts. 13º CDM). Os prs. das correntes e dos ventos. 110º CDM) e o direito de hot pursuit (art. elevando assim a Humanidade a sujeito de DI. para os mais diversos fins desde que pacíficos (arts. 69º CDM) e dos Estados geograficamente desfavorecidos (art. em especial dos Estados e povos menos desenvolvidos (arts. 111º CDM). Aplica-se-lhe o regime do DI. 1º CNU): – Manutenção da paz e segurança internacionais. Há um dever de cooperação em diversas matérias. tendo sido criada uma Autoridade (OI) que exerce os respectivos direitos (art. O seu estatuto jurídico definitivo não está fixado. que só pode ser pacífica.coluna de ar situada para além do mar territorial. consagra a sua desmilitarização e a proibição de deposição de resíduos radioactivos. ONU • Fins (art. Área – espaço constituído pelo leito do mar e o seu subsolo além dos limites das jurisdições estaduais. 87º e 88º CDM). res communis omnium ou domínio público da comunidade internacional (propendemos para uma das duas últimas soluções. nomeadamente para a conservação e gestão dos recursos vivos. 140º e 141º) Antárctida – o Tratado de Washington de 1959 determina a sua utilização livre. 70º CDM). liberdade de utilização. 86º CDM). Domínios internacionais • Espaço aéreo internacional . deve fazer-se tendo em consideração os interesses da humanidade em geral. 56º e 60ºCDM).do leito do mar e seu subsolo e a exploração do seus elementos para fins económicos como a exploração da energia a partir da água. fundamental é o da liberdade de utilização por todos os Estados. 137º). A sua utilização. Alto mar – definido por exclusão de partes (art. Em relação à Antárctida a situação não é clara. § estatuto jurídico destes espaços: res nullius. fundamental é a utilização livre. havendo alguns estados vizinhos que têm reivindicações territoriais. Prevêse a consideração especial dos interesses dos Estados sem litoral (art. O pr. A área e os respectivos recursos são património comum da humanidade (art. salvaguarda dos interesses de toda a humanidade. § o direito de visita (art. • • • • . embora em relação à Área e ao Espaço exterior considerá-la como património da Humanidade encontre uma base legal.

4º) – são 192 – Admissão: requisitos (substanciais – art. 4º. salientando-se os direitos humanos e as liberdades fundamentais.os Estados membros supervenientes ou admitidos: aqueles que integraram posteriormente a CNU. Promoção da cooperação internacional nos mais diversos domínios (económico. 19º) – Expulsão (art. Princípios fundamentais (art. • . a juízo da Organização. 3. Prevê-se também a suspensão do voto na AG quando esteja em falta nas suas contribuições (art. Codificação do DI. ou seja. Membros: só Estados (originários – art.os Estados membros originários ou fundadores: aqueles que. – Resolução pacífica dos litígios internacionais. por deliberação da AG (2/3). cultural e humanitário). – Cooperação na consecução de medidas para garantir a paz e a segurnaça internacionais. 5º): Estado objecto de uma medida preventiva ou repressiva do CS.– – – • Promoção de relações amistosas entre as nações. seja por via de outras limitações. desde que sejam “amantes da paz” e “aceitem as obrigações contidas da presente Carta e que. sobre recomendação do CS. A admissão dos Estados membros opera-se por deliberação da Assembleia Geral (art. admitidos –art. – Respeito do domínio reservado dos Estados. 18º. nº 2) com base numa recomendação do CS – Suspensão (art. ou seja. – Interdição do uso da força nas relações internacionais. por deliberação da AG (2/3) sobre recomendação do CS. seja por circunstancialismos históricos (os que eram considerados inimigos das Nações Unidas). – Extensão das obrigações da CNU aos Estados que dela não façam parte. – Jurisdição erga omnes das NU. O vínculo de pertença à ONU pode ser enfraquecido ou sofrer mesmo de uma ruptura. social. – Boa fé no cumprimento das obrigações assumidas.suspensão: um Estado membro pode ser suspenso da Assembleia Geral (AG) por deliberação desta.3º da CNU). procedimentais – deliberação da AG (por 2/3 – art.5º da CNU). tendo estado presentes na Conferência de São Francisco ou tendo previamente assinado a Declaração das Nações Unidas de 1 de Janeiro de 1942. cooperação internacional.” (art. . nº 1. estiverem aptos e dispostos a cumprir tais obrigações. 6º): Estado que viole persistentemente os princípios da Carta. como é o caso dos Estados exíguos.4º/2 da CNU).4º/1 CNU). O CS pode pôr termo à suspensão. Os membros da ONU podem ser susceptíveis de duas categorias: . 2º CNU): – Igualdade soberana dos Estados-membros. São também incluídas certas limitações à entrada de membros na ONU. o desenvolvimento económico e social entre os Estados e os novos sujeitos de DI. através de: . sob recomendação do Conselho de Segurança (art. assinaram a CNU e ratificaram-na (art.

12º) § de acordo com a Resolução 377(V) ‘Unidos para a Paz’. – Assembleia Geral – universalidade – art. suspensão e exclusão de membros (arts. 23º. o Conselho de Segurança. eleição dos membros não permanentes do CS (art. 1950. Em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais a sua competência (excepto relativa a princípios gerais – art. nº 1 • Atribuições: – políticas genéricas – arts. eleição dos membros do CES (art. o Conselho de Tutela. 61º). mediante recomendação do Conselho de Segurança” (art. é de crer que há o direito de os Estados saíram da ONU. 63º). onde se incluem a Assembleia Geral. não podendo mesmo fazer qualquer recomendação quando o CS esteja a exercer em concreto as suas funções específicas na matéria (art. e órgãos subsidiários. 96º). 4º ETIJ) § tem desempenhado um importante papel na promoção da codificação do DI . que não são directamente definidos e apenas implicam o exercício de uma vontade subordinada àquilo que estiver na génese da respectiva criação. definir o regime dos funcionários (art. 108º). nº 1). é subsidiária (art. 18º. 11. 10º e 13º . 7º): AG. . 101º.a retirada. 15º – competências específicas – orçamental (art. 11º. devido ao voto negativo de um membro permanente (que pode ir nos dois últimos casos à recomendação do uso da força) – controlo político sobre os outros órgãos – art. igualdade – art. os órgãos da ONu podem distinguir-se entre órgãos principais.a expulsão. o Tribunal Internacional de Justiça e o Secretariado (art. 9º. TIJ e Secretário-Geral (o Conselho de Tutela já caducou) Quanto à estrutura governativa (descrita no Cap. aprovar emendas à Carta (art. • • Observadores – há diversas entidades e OI com estatuto de observadores Órgãos (art. nº 1. CES.. pedir pareceres e autorizar o seu pedido por outros órgãos (art. eleger em conjunto com o CS os juízes do TIJ (art.6º da CNU). violação da paz ou agressão e em que o CS se manifeste incapaz de agir.7º da CNU). aprovação dos acordos do CES com organizações especializadas (art.em relação às quais pode adoptar recomendações (art. que apesar de não se encontrar directamente prevista. nº 1). nº 2). desde que para o efeito formulem um pré-aviso num tempo razoável e tenham saldado todas as suas responsabilidades financeiras. junto da Assembleia Geral. caso o Estado membro tenha “violado persistentemente os princípios contidos na presente Carta pela Assembleia Geral. 4º. III da CNU). de Nov. 5º e 6º). admissão. 17º). São órgãos subsidiários a CDI. o Alto Comissário para os Refugiados e o Conselho de Direitos do Homem. 14º). o Conselho Económico e Social. a AG pode ultrapassar a limitação acima referida em caso de ameaça à paz. CS. nº 1).

quando não seja adoptado o consenso. As competências da Assembleia Geral são de diversa índole. As deliberações da AG. . incluindo de emergência (a pedido do SG.18º da CNU). aqui se inclui a decisão de submeter outras questões a uma maioria de 2/3 (o que sucedeu em relação à orientação sobre a reforma do CS – Res. Funciona em plenário. se meramente recomendatórias. comissão de assuntos administrativos e financeiros. são obtidas por maioria de dois terços presentes e votantes no caso de serem consideradas importantes. de 7 do CS ou maioria da AG) • Órgãos subsidiários (há vários comités. alteração da CNU.10 e ss da CNU): . . comissão de assuntos de tutela. • A AG é o órgão representativo de todos os Estados membros. humanitários e culturais. ou se vinculativas. § há alguns anos que se desenvolve um esforço especial para alcançar decisões por consenso. competindo-lhe discutir todas as matérias que se inscrevam nas finalidades da ONU. comissão de assuntos sociais. a aprovação do orçamento ou a eleição de membros de outros órgãos.a eleição dos membros não permanentes do Conselho de Segurança.uma competência decisória específica e reservada nas matérias consideradas importantes: a admissão de novos membros e respectiva exclusão e suspensão. sendo a maioria das resoluções adoptadas sem votação – AG – reuniões: • Em plenário ou em comissão • Em sessões anuais regulares (Setembro a Dezembro) ou especiais (art.uma competência recomendatória genérica. 53/30). que tem lugar uma vez por ano no Outono.uma competência decisória substitutiva. . . comissões e grupos de trabalho). Representa uma minoria das resoluções. cruzando-se o critério do tipo de vinculação das respectivas deliberações. excepto quaisquer reservas definidas para outros órgãos. 18º. que dela fazem parte num plano de estrita igualdade (art.9º/1 e 18º/1 da CNU). só é indicado o número global dos sentidos de votação) – Questões importantes (2/3 dos presente e votantes) – art.as recomendações sobre a manutenção das paz e segurança internacionais.Deliberação (se não for pedido o voto registado. . São consideradas questões importantes pelo texto da CNU: . comissão jurídica e comissão de política especial. comissão de assuntos económicos. desdobrando-se em diversas comissões especializadas: comissão política. nº 2 (inclui um elenco não exaustivo de ‘questões importantes’) – Outras questões (maioria dos presentes e votantes). e o critério quanto à natureza das matérias sobre que pode incidir para se chegar à seguinte trilogia de competências (arts. no caso de não o serem (art.a eleição dos membros do Conselho Económico e Social. 20º). ou por maioria relativa dos membros presentes e votantes.

43º e 45º).a eleição dos membros do Conselho de Tutela. em conjunto com a AG os juízes do TIJ (art. violação da paz ou acto de agressão e formular recomendações a esse respeito (art. EU. A execução das decisões do CS em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais cabe a todos ou a alguns membros. 34º) » Formular recomendações sobre procedimentos ou métodos de solução. CE (art. por sua iniciativa (art. recomendar a admissão de novos membros. a suspensão (e levantá-la) e expulsão de membros (arts. ou após submissão das partes (arts. 26º) » Intervenção.. 40º) » Aplicar sanções não militares (art. . 42º) • Outras Atribuições – eleger. 97º) § 1. nº 1). nº 1) e será cumprida directamente por estes ou por organismos de que sejam membros – ex. 39º). » Determinar a existência de qualquer ameaça à paz. convidando as partes num conflito que possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais. 43º. o que poderá passar pela celebração de acordos (art. 35º).as questões atinentes ao funcionamento do regime de tutela. 48º. 25º) § 2. . os EM têm obrigação de lhe prestar assistência e disponibilizar meios (arts. nº 2). recomendar à AG o Secretário-Geral a eleger (art. Para levar a cabo medidas de natureza militar. a qual é obrigatória na impossibilidade de resolução pelos meios do 33º. de acordo com a deliberação do CS (art.a admissão de novos membros da Organização.a expulsão de membros. por iniciativa de qualquer membro das NU (art. nº 2 – Competências: » Estabelecimento de planos de regulamentação de armamentos (art. 4º e 5º). 36º). 37º e 38º). 48º.a suspensão de direitos e privilégios de membros. Pode ainda convidar as partes a aceitar medidas provisórias (art. . nº 3) – . 4º ETIJ). . 31º. 24º. . Conselho de Segurança • Atribuição principal – manutenção da paz e segurança internacionais que age em nome dos EM (art. 41º) » Adoptar acções militares (art. incluindo envolvendo Estados não membros (arts. 32º. 33º.as questões orçamentais. As decisões do CS que não sejam recomendações ou ‘convites’ são obrigatórias para os EM (art. a resolvê-lo através dos meios do 33º » Investigação sobre qualquer situação que possa constituir uma ameaça à paz e segurança internacionais (art.

opondo-se à respectiva aprovação (art. – Conselho Económico e Social • Atribuições (art. nº 3 (um costume contra tractum consagrou a orientação de que uma abstenção de um membro permanente não impede a deliberação) § o duplo veto – a determinação do carácter processual ou não processual de uma questão considera-se uma questão não processual.27º/3 da CNU).art. os 10 restantes são eleitos pela AG para um mandato de 2 anos (art. nºs 1 e 2) Deliberações: – Cada membro tem um voto (art. Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América. nº 1). restrito e de tipo governativo. nº 2) – As ‘questões não processuais’ entre os 9 votos têm de se incluir os votos favoráveis dos membros permanentes (direito de veto). As suas competências centram-se essencialmente nas questões ligadas às atribuições da ONU na manutenção da paz e segurança internacionais. 27º. França.questões de natureza não procedimental. 27º.• Membros – 15 EM. entre os quais 5 permanentes expressamente indicados (art. preparação de convenções. Os Estados membros da ONU que sejam membros permanentes do Conselho de Segurança têm uma posição privilegiada. Rússia. nº 1) – Órgãos subsidiários . 29º (tem diversos comités) O Conselho de Segurança é um órgão colegial. como sucede em relação à admissão de novos membros. O procedimento decisório encontra-se distribuído por dois possíveis esquemas: . pelo que fica sujeita ao veto dos membros permanentes • Funcionamento: – Permanente (art. bem como em matéria de direitos humanos e liberdades. 57º. neles necessariamente se incluindo os votos dos membros permanentes. 27º.questões de natureza procedimental: vigora a regra da maioria agravada de 9 votos afirmativos: . particularmente aquelas que estão vinculadas às NU (arts. sociais e técnicos. O seu conjunto constitui a ‘família das NU’ • . etc. 28º. que podem passar por estudos. – Age em estreita conexão com organizações e agências especializadas. funcionando em permanência de funções. à escolha de membros dos diversos órgãos e à revisão da CNU. incluindo a determinação da natureza procedimental ou não da questão: aplica-se a regra da maioria agravada de 9 votos a favor. 62º): desenvolver iniciativas nos mais diversos domínios económicos. e na propulsão procedimental. recomendações. nº 1) – As ‘questões processuais’ são decididas por uma maioria de 9 votos favoráveis (art. 23º. sendo composto por 15 Estados membros. 23º. a parte num conflito deve abster-se – art. 58º e 63º). dentro dos quais há cinco com lugar permanente: China. possuindo um “duplo” poder de veto: um poder de veto na qualificação de certa questão como não sendo procedimental e depois na decisão de fundo.

• • Membros: 54 EM eleitos pela AG. 91(I) AG. social. mas desempenha poderes políticos e diplomáticos importantes para além do alerta ao CS em matéria de manutenção da paz e segurança internacionais (art. do CS e do CES • Explicitamente tem funções administrativas (art. 99º). – TIJ – principal órgão judiciário das NU • Membros do TIJ – todos os EM das NU são parte no ETIJ anexo à CNU – art. dispondo cada Estado de um voto (art. As suas deliberações são genericamente tomadas por maioria relativa dos membros presentes e votantes. 97º). cultural. por designação do CS. de saúde e conexos. 62º/1 da CNU). eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de três anos.fazer recomendações aos órgãos competentes para deliberar. -preparar projectos de tratados internacionais e organizar conferências internacionais. • As suas atribuições são internacionais e independentes (art.solicitar as informações que considerar pertinentes a outras instâncias. O Secretário-Geral é eleito pelo Assembleia Geral para um mandato de cinco anos sob recomendação do Conselho de Segurança. 61 da CNU). 93º CNU (outros podem ser parte nos termos da Res. Quanto ao seu carácter consultivo. e como responsável pelas missões de paz (remissão). .elaborar estudos e relatórios sobre matérias que o requeiram. 67º) O Conselho Económico e Social é um órgão consultivo nos “assuntos internacionais de carácter económico.103 até 1995). O Conselho Económico e Social pode funcionar tanto em plenário como através de comissões especializadas. nomeadamente desenvolvendo esforços de mediação (‘bons ofícios’ . 97º) • Participa em todas as reuniões da AG. podendo ainda exercer competências de influência e de sugestão. . As competências do Secretariado são de natureza administrativa. educacional. pode agir de várias formas: . É um órgão colegial composto por 54 membros. e poderá fazer recomendações a respeito de tais assuntos à Assembleia Geral. com um mandato de 3 anos (eleição anual de 1/3) Deliberação: cada membro tem um voto e as deliberações são por maioria dos membros presentes e votantes (art. executando as deliberações tomadas pelos outros órgãos. aos membros das Nações Unidas e às organizações especializadas” (art. de 1946 – actualmente não se aplica) • Competências: . – Secretário-Geral – designado pela AG mediante recomendação do CS (art. dentro e fora da ONU. duas delas sendo tipificadas na própria CNU: assuntos económicos e sociais e protecção dos direitos do homem (art. todos os anos renovado num terço (art.67º da CNU). 100º) O Secretariado da ONU é o aparelho burocrático da Organização e é composto pelo Secretário-Geral e por outro pessoal de onde se destacam os secretários-gerais adjuntos (art.68º da CNU).97º da CNU).

nº 1. 13º e 32º). nº 2 CNU) Composição do TIJ – 15 juízes eleitos. OI. Lex specialis derogat lex generalis – art. 3º e 4º ETIJ) a partir de uma lista elaborada pelo SG (art. 94º. outros. Não tem jurisdição obrigatória (art. (F)Acto (‘conduta’ voluntária: acção ou omissão juridicamente relevante – art. nº 1 ETIJ).g. podendo o CS ser chamado a intervir em caso de incumprimento (art. e/ou – A responsabilidade do sujeito (Estado.CVDT (parte V). nº 2 ETIJ) » A competência pode ser objecto de um acordo ad hoc (art. nº 1 CNU e 59º e 60º ETIJ). qualquer que ele seja – arts. 2º) 2.arts. AG 56/83. § o juiz ad hoc (art. § a • . 3º e 12º. Não releva a sua licitude interna – arts. pelo CS e AG (arts. 36º. a pedido de outras organizações especializadas. para um mandato de 9 anos. nº 1. mediante autorização da AG. 55º. em questões jurídicas da sua esfera de actividade (nº 2) – TIJ • • Funcionamento – em plenário ou em câmara (excepcional) . 36º. 56º – Pressupostos: 1. definitivos e inapeláveis (art. 31º.. 7º ETIJ). 1ª parte) consultivas (art. § em especial a responsabilidade penal e civil dos indivíduos – ERTPI e Convenção contra a tortura…) Responsabilidade internacional do Estado por factos ilícitos internacionais – Projecto de artigos da CDI de 2001 (em anexo à Res. Ilícito (contrária ao DI vigente. 96º) a pedido do CS e da AG (em qualquer questão jurídica (nº 1). de 2001 § o pr. 94º. nº 2 e 3 ETIJ) • A garantia do DI A responsabilidade internacional por actos ilícitos § a ilicitude internacional: enquadramento dogmático específico que não se pode reconduzir aos quadros dogmáticos nacionais – ‘responsabilidade pública’ sui generis • Consequências da ilicitude – A invalidade do acto jurídico internacional viciado – v. b). 2º. As lacunas – art. 95º CNU e 36º e 37º ETIJ) » A competência pode ser obrigatória quando prevista em Tratados de que os Estados sejam parte em relação aos litígios relativos a esses Tratados (36º. 2ª parte ETIJ) » A competência pode resultar da Declaração prevista na ‘cláusula facultativa de jurisdição obrigatória’ (art.– – contenciosas em litígios entre Estados (art. 25º e 26º ETIJ Os acórdãos em litígios são obrigatórios para as partes. 94º CNU e 34º.

Pode ser jurídica – anulação ou revogação do acto jurídico. 2º. 31º. a respectiva obrigação o afecta especialmente ou altera o carácter da obrigação geral (art. 31º 5. 41º estabelece obrigações para todos os Estados. A irrelevância abstracta da intenção (possível relevância concreta) e. a AG adoptou a Res. em geral. o pedido de responsabilização tem de ser intencional e específico (não basta um Protesto). etc. Dano . 42º). Pode ser complementar das outras. 29º). Pode ainda adoptar as medidas ‘legais’ admitidas no 54º.Conteúdo da responsabilidade: situação jurídica passiva que consiste na obrigação de reparação de todos os danos. 46º • Invocação da responsabilidade por Estados não lesados – art. 30º) e responsabilidade . 33º. O art.art. da culpa 4. 36) . individual ou em conjunto com outros Estados.Consequências da ilicitude: continuação da obrigação (art. . o cumprimento da reparação aos lesados. a). apresentando uma . no caso de uma obrigação devida à comunidade internacional. vários Estados (art. Pode solicitar a cessação da conduta violadora. 60/147. § 2. ou.Reconstituição natural (restitutio in integrum: limite – 35º).Satisfação (só danos morais – a ofensa à honra do Estado: o reconhecimento da violação. Imputável ao Estado directa ou indirectamente (praticado por órgão ou agente em qualquer das suas funções. Nauru vs Austrália. de 2006. Exige-se uma notificação do Estado (art. 48) • Estado lesado – aquele em relação ao qual a obrigação era devida. – art. ‘Certain Phosphate lands’). – Efectivação da responsabilidade: § 1. Formas de reparação (art. Responsabilidade individual de cada Estado pelo acto. sujeitos lesados – pode ser um Estado (art. Só relevam os danos directos e relevam os mediatos (sofridos pelos nacionais do Estado).lesão de direitos ou interesses tutelados de outro sujeito de DI ou da comunidade internacional – art. . Nexo de causalidade (relação causal determinante entre a conduta e o prejuízo) . § em relação às vítimas de violações flagrantes do DI dos Direitos Humanos e de violações graves do direito humanitário.Compensação (danos emergentes patrimoniais e não patrimoniais e lucros cessantes – art. Não há ‘litisconsórcio’ necessário (cf. o pedido de desculpas. 40º. 4º a 11º). 46º) e/ou a comunidade internacional (art. Ac TIJ. Não tem carácter punitivo. consagrando princípios gerais e directrizes na matéria. nº 1). 34º): . mas a responsabilidade pode ser solidária (nº 2) § 3. desde que tenha uma projecção internacional – arts. 42º) • Pluralidade de lesados – art. Pluralidade de infractores – art. 48º (obrigação devida a um grupo de Estados ou à comunidade internacional – nº 1). 3. 37º). 43º. 47º. obrigação de cessação da conduta ilícita e garantia de não repetição (art.violação ‘grave’ de ius cojens – art. reconstituindo a situação hipoteticamente existente – art.

Renúncia à reparação – art.g. § 5. § 4. O autor (indivíduo) do acto não dispunha de outra alternativa razoável para salvar a sua vida ou a de pessoas ao seu cuidado. 2006 • Há convenções em domínios específicos (v. 22º. proporcionalidade (51º). referindo a situação que entende ser violadora do DI e requerendo medidas que lhe ponham termo e reparem os danos . • ‘Distress’ (‘perigo extremo’) – art. perigo grave e iminente. o comportamento ilícito é a única alternativa para proteger o interesse essencial. b) A responsabilidade internacional do Estado por factos lícitos • A responsabilidade pelo risco em actividades não proibidas pelo DI (independente de culpa) • A Declaração do Rio de 1992 (princípios 13 e 16) • Projecto de artigos da CDI sobre ‘Prevenção dos Danos transnacionais causados por Actividades Perigosas’. não violação de um bem maior § a exclusão da ilicitude não exclui a obrigação de compensação pelos prejuízos causados – art. Conflito irreconciliável entre um interesse essencial e a obrigação do Estado. carácter temporário e reversibilidade (arts. imprevista. Meios de resolução do conflito (remissão) Causas de exclusão da ilicitude (arts. art. 295º CDM). 21º (exclui-se para algumas obrigações – direito humanitário). tornando impossível o cumprimento (pode ser natural ou humana). 20º a 27º) • Consentimento do lesado – art. 44º. transporte de resíduos perigosos) – § Está em preparação na CDI um projecto de artigos relativo à responsabilidade das OI Meios de resolução de conflitos entre Estados . 2001 • Projecto de artigos da CDI sobre ‘Imputação de prejuízos resultantes de Danos transnacionais causados por Actividades Perigosas’. Podem existir procedimentos especiais a respeitar – art. 45º (expressa ou tácita) § 6. Remissão • Contra-medidas (distinção da retorsão e das represálias)– art. 23º (a conduta é involuntária ou não podia ser outra). 24º. Não tem de assumir nenhuma forma especial. Requisitos procedimentais – art. 25º. 50º. • Estado de necessidade – art. 54º (dúvidas do seu alcance – lawful measures) • Força maior – art.reclamação. Requisitos gerais e limites – art. A causa tem de ser irresistível. 20º (não contra ius cojens) • Legítima defesa – art.49º. Há limites à legítima defesa (cf. Pode indicar as medidas e a forma de reparação que entende adequadas (nº 2).g. 27º. nº 2 e 3 e 53º). § as contra-medidas nas violações do 48º (direitos colectivos ou da comunidade internacional) – art. Em especial a necessidade de exaustão dos recursos internos (v. Parecer sobre licitude do uso de armas nucleares) e requisitos. 52º.

transmitindo informações e mensagens. promover a melhoria das relações no futuro – Inquérito – intervenção de terceiros que investigam. OI. nº 3 CNU) § frequentemente têm natureza mista. 36º. apresentando soluções ou directrizes em cuja base as partes podem chegar a um acordo. Meios não jurisdicionais (político-diplomáticos): § objectivos: limitar a expansão ou a escalada do conflito. Ocorre normalmente em conflitos ainda recentes. – Mediação – intervenção de um terceiro (com um cunho mais formal e mais activa) que procura aproximar as partes. Estes frequentemente têm carácter étnico ou religioso e a sua resolução é especialmente difícil. Pode decidir de acordo com o direito ou ex eaquo et bono. objectiva e imparcialmente. estabelecida ex post por acordo especial. nºs 3 e 4 CNU. • • • Meios de resolução pacífica – art. garantir a prevalência do DI.Os conflitos podem ser de natureza: – Política (em sentido amplo) – Jurídica – art. A decisão é obrigatória. rápida resolução do conflito. 287º e Anexo VI da CDM (em ambos a jurisdição sobre os Estados é facultativa) • Arbitragem – estabelecida ex ante por acordo. e determinam factos relevantes na situação litigiosa. minimizar o sofrimento humano associado ao conflito. 33º CNU (elenco não exaustivo): 1. é imperativa a resolução pacífica – art. – Conciliação – intervenção de um terceiro. nº 3 ETIJ. especial (compromisso arbitral) ou geral (convenção geral de arbitragem). Neste caso é proeminente o papel atribuído ao TIJ como o meio de resolução do conflito (art. – Bons-ofícios (não tipificada) – intervenção (com um cunho de certa informalidade e passividade) de um terceiro (Estado. normalmente de uma comissão especializada que propõe soluções para a situação (no quadro da ONU há um sistema de conciliação estabelecido junto do SG) 2 – Meios jurisdicionais: • Os tribunais internacionais – o TIJ (remissão) e o TIDM – art. ou outro) que procura aproximar as partes (go-between). . – Negociação – envolve apenas as partes no litígio que discutem a questão de acordo com a boa-fé. 2º. Ocorre normalmente quando o conflito se prolongou. 36º. • O seu âmbito pode ser: – Interestadual (tipo mais frequente durante a guerra-fria) – Intraestadual (tipo mais frequente após a guerra-fria). O art. ou prevista num tratado (cláusula arbitral). 38º prevê a intervenção do CS a pedido das partes.

a acrescentar à consequência que já se abateu sobre o acto ilícito e que determinou a sua desvalorização. A desvalorização dos actos jurídico-internacionais praticados determina a aplicação de consequências que acarretam a respectiva eliminação. 34º. a qual tem vindo a ganhar uma valorização crescente nos últimos anos. 52º. o que a CVDTE explicitou através da aplicação da sanção da nulidade no âmbito do Direito dos Tratados. A sua intervenção é subsidiária – art. afastandoos. em nome de um vício que se repercute no acto. 39º). sendo que este lhes retira a validade. e numa perspectiva alternativa. esta responsabilidade apresenta-se sob várias vestes: . nº 2) § 2. situação em que pode adoptar: recomendações (art. É uma reacção que atinge directamente os actos jurídicos que não estejam conformes com o Direito Internacional.a invalidade: é o desvalor geral e toma as formas de nulidade ou de anulabilidade. A responsabilidade jurídica reflecte a aplicação de consequências desfavoráveis que recaem sobre o autor desse mesmo acto. é viável estabelecer uma contraposição fundamental que pode operar dentro do Direito Sancionatório: a desvalorização dos actos jurídico-internacionais praticados e a responsabilização dos autores dos referidos actos praticados. De acordo com os ramos de Direito que com ela têm mais trabalhado. com dois propósitos fundamentais: numa perspectiva cumulativa. uma violação da paz ou um acto de agressão. não se confundindo com qualquer outra disputa de interesses. nºs 1. 2 e 3. medidas provisórias (art. sobretudo para enfrentar actos materiais. 36º).§ 1. numa diferenciação em razão da sua gravidade. que apesar de ainda se encontrar numa fase de amadurecimento. . Nestes casos. nºs 2 e 3. na medida em que a desvalorização do acto jurídico nem sempre é operativa. Quando o conflito possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais as NU podem intervir (a AG – 11º. devem submetê-lo ao CS (art. 37º. que pode formular recomendações (arts. do próprio ordenamento jurídico-internacional. o CS – 33º. 41º) e militares (42º) – remissão. Caso as partes não cheguem a uma solução do conflito pelos meios indicados. Bacelar Gouveia: A ideia de ilicitude internacional Quando ocorre uma desconformidade da actuação dos respectivos sujeitos com os princípios e as normas internacionais aplicáveis é necessário ter em conta os seguintes critérios: o parâmetro internacional violado. portanto. medidas coercivas (não militares – art.a inexistência jurídica: é a situação mais grave de todas. nº 1).a irregularidade: apenas atinge o autor do acto. nº 2. Qualquer violação do DI é merecedora de resposta. 35º. 40º). 37º. . a violação do DI só pode ser considerada com natureza jurídica. a entidade que perpetrou a infracção e as circunstâncias em que ela ocorreu. militares ou económicos. O CS determinará se um conflito constitui uma ameaça à paz. São várias as dogmáticas possíveis em função da gravidade dos vícios que adulteram as fontes internacionais: . não existindo sequer a aparência de um acto jurídico-internacional.

responsabilidade política: a produção dos actos de censura e de substituição dos titulares de órgãos que sejam politicamente dependentes quanto à sua subsistência. São conhecidos os seguintes mecanismos: .responsabilidade contra-ordenacional: a aplicação de penas pecuniárias. Também na mediação encontramos a intervenção de uma entidade externa ao conflito. a aquiescência e a desistência Os bons ofícios integram a intervenção de uma entidade exterior às partes em conflito que assume o papel relevante de as aproximar e colocar em discussão. onde se pressupõe a adopção de esquemas que passam apenas pelos respectivos sujeitos.a lex perfecta: a lei que prevê a sanção de invalidade para o acto que a infrinja. através do recurso à força. A negociação é o esquema mais simples e directo.a negociação. São várias as hipóteses de conjugação entre a desvalorização dos actos jurídicointernacionais e a responsabilidade jurídica: . . . a modalidade com maior relevância é a da solução política dos conflitos internacionais. portanto.os bons ofícios. contudo. igualmente essencial. ainda que não participando directamente nesta. . mas agora com um papel activo. . propondo soluções no sentido de virem a ser . e .a conciliação. num ilícito de natureza administrativa. não já contra o acto praticado.a lex minus quam perfecta: a lei que prevê quanto à respectiva violação apenas sanções para o seu autor.responsabilidade penal: a aplicação de penas de prisão por ter havido comportamentos que configuram crimes. A via da resolução política A solução dos conflitos internacionais pode percorrer dois caminhos: uma via pacífica sem recurso à coerção e uma via bélica. A situação normal é aquela em que se aplicam as duas modalidades de sanções: contra o acto e contra o autor do acto. não lhe competindo sequer sugerir solução para o conflito. Quanto à via pacífica. O entendimento directo das partes na contenda é.a mediação. . podendo dela recorrer três resultados: a transacção. .a lex maius quam perfecta: a lei que prevê contra a sua violação não somente a invalidade do respectivo acto como sanções aplicáveis aos seus autores. pertencendo a infracção cometida a esse âmbito. -a lex imperfecta: a lei que não estabelece qualquer sanção que possa reprimir qualquer violação.responsabilidade civil: o nascimento de um dever de indemnizar em reparação de danos que tenham sido cometidos. É para esta via que se posiciona a CNU (art. .. não se exclui a possibilidade de preferência por um desses caminhos. e . .responsabilidade disciplinar: a aplicação de sanções contra as pessoas que subordinadamente se inscrevam numa relação jurídico-laboral.o inquérito. sem que se imponha recorrer a estruturas do tipo jurisdicional.33º/1). partindo do pressuposto de que a resolução do litígio deve aconselhar o entabular de conversações entre as partes desavindas para se chegar a um entendimento que pode assumir a modalidade de um sistema de consultas.

substantiva e adjectiva. sendo que as partes recorrem aos mesmos para lhes pedir uma específica intervenção na composição do conflito que entre elas surgiu e querem ver solucionado. levantado um litígio. A via da resolução jurisdicional A resolução dos conflitos internacionais pode também operar-se por intermédio de processos de cunho jurisdicional. embora deva contar com a anuência das partes em dissídio. não estando os tribunais arbitrais dotados de meios coercivos para aplicar as decisões. bem como o seu limitado número. incumbindo-lhe propor uma solução. A utilização do tribunal arbitral pode ainda ser titulada por três possíveis fontes. num número ímpar de membros. . Os tribunais arbitrais ad hoc são apenas constituídos para a resolução de um específico litígio. que possa analisar a natureza e os pormenores do conflito. A conciliação consiste da formação de uma comissão. extinguindo-se depois de encontrada a decisão arbitral. estando já parcialmente pré-definidos. A solução jurisdicional dos conflitos pode subdividir-se entre a via arbitral e a via judicial. que assim o prevê. formando-se uma comissão de inquérito. A via arbitral consiste na resolução do litígio a partir da formação de um tribunal arbitral que tem como particularidade a indicação voluntária dos árbitros. mas suas características de independência e imparcialidade relativamente às partes em conflito. A estrutura dos tribunais arbitrais é variável. tendo evoluído de um árbitro único a uma comissão mista. Os tribunais arbitrais decidem em instância única. a não ser em situações de nulidade muito grave. podendo ainda receber pedidos de aclaração das respectivas decisões. em número ímpar e composta por elementos indicados pelas partes em causa e por partes neutras. entendam submeter a respectiva resolução a um tribunal arbitral a constituir. em que se pressupõe a intervenção de entidades independentes que agirão segundo a veste própria da função jurisdicional. devendo assentar na vontade das partes que assim decidem resolver o seu litígio. para além de poder incluir a respectiva regulamentação. sendo estas obrigatórias e definitivas mas não dispondo de executoriedade. prevalecendo hoje o tribunal colegial. e aplicando parâmetros jurídicos.o compromisso arbitral: sempre que as partes. apresentando-se como um esquema mais formal e complexo relativamente à ideia de mediação. com base num processo contraditório. .a cláusula arbitral: sempre que os litígios resultantes da interpretação ou aplicação de certo tratado devam ser antecipadamente resolvidos por tribunal arbitral. pelo que se impõe a respectiva averiguação por parte de alguém que lhes é exterior. por força de uma das suas cláusulas. Os tribunais arbitrais permanentes existem em permanência. assim. São elas: . não havendo recurso para os tribunais comuns.aceites pelas partes. intervindo. no procedimento negocial. Os tribunais arbitrais podem apresentar-se sob duas modalidades: como tribunais arbitrais ad hoc e como tribunais arbitrais permanentes. O inquérito caracteriza-se pela convicção de que a discórdia entre sujeitos internacionais assenta muita vezes no desconhecimento dos factos praticados.

. • Pressupostos: • ‘Ataque armado’ e ‘agressão’ (a Res. de 1974 4. de 1974). Actualmente há cada vez mais tribunais arbitrais para questões de índole económica e tribunais judiciais para questões político-humanitárias. 51º CNU 3. 52º CVDT e Res. de onde se evidenciam as seguintes categorias: . A assistência humanitária? 2. de acordo com o tribunal arbitral naquela previsto. Decretada pelo CS para a manutenção da paz e segurança internacionais (remissão) – o sistema de segurança colectiva internacional 2. 2º. o 11/9 e a resposta à Al-Qaeda – Res.. cit. 1368 CS de 2001)? . 51º CNU • ‘direito natural’ (causa de exclusão da ilicitude) dos Estados. A crescente judicialização de repressão da ilicitude internacional Durante o século XX verificou-se no DI a criação de vários tribunais internacionais. 3314 (XXIX) da AG.os tribunais internacionais económicos. o ius ad bellum (a questão da ‘guerra justa’) e o ius in bello • A interdição do uso da força . AG 3314 (XXIX). and no moment for deliberation”) e o problema do terrorismo internacional actual e da proliferação de ADM – a acção no Afeganistão em 2001 (Res. AG nº 2625(XXV). ob. relativos a diversos tratados celebrados. overwhelming. and leaving no choice of means. .art.a convenção geral de arbitragem: sempre que as respectivas partes assumam a vontade de resolver os litígios entre si emergentes. Bibliografia: • Jorge Miranda. 51º CNU) ou iminente (em vias de acontecer)..v. de 1970. .os tribunais internacionais institucionais. A legítima defesa do art. nº 3 e 4 CNU.os tribunais internacionais de direitos do homem. 261-265 e 327-333 O uso da força à luz do DI § Breve referência histórica – o ius belli. nº 1 e 107º (caducados) 6. A resposta a uma ‘agressão’ (Res. A legítima defesa (individual ou colectiva) – art. Acções contra antigos inimigos – arts. § a doutrina Webster (“[n]ecessity of that self-defense is instant. • A utilização lícita da força: 1. O estado de necessidade ou perigo extremo (referidos) 5. 53º. pp. CS 1368 (2001) e 1373 (2001) • Subsidiariedade: impossibilidade de repelir a agressão através dos meios lícitos (das NU) • Apenas contra Estados ou contra outros sujeitos (OI e mesmo outras entidades . A autodeterminação dos povos? 7.os tribunais internacionais penais.g. • Actual (a acontecer – art.

3. the greater the risk – and the more compelling the case for taking anticipatory action to defend ourselves. possibilidade razoável de sucesso. A questão do excesso de legítima defesa e a responsabilidade internacional Carácter provisório: cessa logo que o CS adopte medidas § a legítima defesa preemptiva e uso da força preventivo – da ‘doutrina Root’ (prevenir “a condition of affairs in which it would be too late to protect itself” . O papel das NU. irregulares ou mercenários que levam a cabo acções armadas contra outro estado de tal gravidade que se possam • • . interceptiva. • O envio pelo Estado ou a seu mando de bandidos armados. da AG 3314 (XXIX). a ocupação ou anexação de território resultante de tal ataque. repressiva? (acção directa?) Requisitos: proporcionalidade. autoridade legítima. even if uncertainty remains as to the time and place of the enemy’s attack” – National Security Strategy. As acções de “targeted killing” de Israel e dos EUA § A ‘guerra preventiva’ (guerra ou prevenção/repressão criminal internacional por meios bélicos?). antecipatória?. ou a sua utilização de qualquer outro modo violadora da Carta.1914) à ‘doutrina Bush’ (“We must adapt the concept of imminent threat to the capabilities and objectives of today’s adversaries. imediata comunicação ao CS. a integridade territorial ou a independência política de um Estado (ou grupo de Estados). (…) the greater the threat. à luz das circunstâncias relevantes (entre as quais. não o considerar como tal. 2002) . último recurso). O dever de prevenir a proliferação de ADM e o combate ao terrorismo. • O bombardeamento pelas forças armadas ou o uso de quaisquer armas contra o território de um Estado. • A permissão do uso do território nacional a um Estado para perpetrar uma agressão a outro Estado. a acção norte-americana no Sudão em 1998. grupos.• • • Tipos – preemptiva. ‘Guerra justa’ e ‘guerra humanitária’ (remissão) – a resposta às ‘emergências globais’. O art. o facto de os actos em causa ou as suas consequências não serem de suficiente gravidade). de 1974 – estabelece princípios gerais para a sua definição. intenção justa. 1º) – consiste no uso da força contra a soberania. 4º): • A invasão ou o ataque com forças armadas ao território de outro Estado. ainda que admitindo que “the question of weather an act of aggression has been commited must be considered in the light of all the circumstances of each particular case”: • Princípio geral (art. O regresso da ‘guerra justa’ (causa justa. • A manutenção de forças armadas no território de um Estado violando as condições do acordo ou para além da vigência deste. Noção de ‘agressão’. Exemplos: as acções de Israel em 1967 e em 1981. Dificuldades. • Um ataque às forças armadas de outro Estado. Há um presunção iuris tantum de que a primeira utilização de força constitui um acto de agressão. 3º fornece um elenco não exaustivo (art. Anexo à Res. O CS pode. • O bloqueio dos portos ou da costa de um Estado.

ia mais além e considerava um delito contra a paz e a segurança da humanidade formas de ‘agressão indirecta’ que vão para além de g) e que foram recuperadas recentemente: “the undertaking or encouragement by the authorities of a State of activities calculated to foment civil strife in another state. etc. or the toleration by the authorities of a State of organized activivities calculated to carry out terrorist acts in another state. nos termos do ERTPI. d). because of its scale and effects. de não exaustivo. nos termos do 5º. § De acordo com a resolução há uma tendencial equiparação entre agressão e ataque armado (“aggression is the most serious and dangerous form of the illegal use of force”). acts by the authorities of a State in vilolation of its obligations designed to ensure international peace and security by means of restrictions or limitations of armaments. De acordo com o § 201 caberiam. . o que confirma a incerteza em torno deste conceito.Uma ‘guerra de agressão’ é um crime contra a paz internacional e acarreta responsabilidade internacional. by means of coercive measures of an economic or political character in order to force its will and thereby obtain advantages of any kind”. 3314. the undertaking or encouragement by the authorities of a State of terrorist activities in another State. or of other restrictions of the same character. que não está vinculado pela Res.A determinação da sua existência (e. or on fortifications. Porém a decisão do `TIJ no caso ‘Nicarágua vs EUA’ (§ 194-95 e 201) parece mais restritiva (“if such an operation. the annexation by the authorities of a State of territory belonging to another State. would have been classified as an armed attack rather than as a mere frontier incident had it been carried out by regular armed forces. al.equiparar aos actos anteriores. não fornece uma definição que seja simultaneamente objectiva e abrangente. portanto. Acarreta responsabilidade penal dos seus responsáveis individuais – art. O ‘Draft Code of Offenses against the Peace and Security of Mankind’. or on military training. ou o envolvimento substancial nos actos levados a cabo por ‘rebeldes’ contra o Estado § além. a sua definição concreta) cabe ao CS (art. 35º. or amount to intervention in the internal or external affairs of other states”. Such assistance may be regarded as a threat of use of force. contra-medidas que envolvessem o uso da força). porventura. the intervention by the authorities of a State in the internal affairs of another State. o que permite defender que é-lhe aplicável a legítima defesa (mesmo quando não é um ‘ataque armado’ convencional). 39º CNU). But the court does not believe that the concept of ‘armed attack’ includes not only acts by armed bands where such acts occur on a significant scale but also assistance to rebels in the form of provision of weapons or logistical support. . 5º. Manutenção da paz e segurança internacionais § Situação e conflito (art. nº 2. by means of acts contrary to international law. não está definido o crime de agressão tendo-se remetido para a Assembleia do TPI a sua definição. nº 1. adoptado pela CDI em 1954. 34º.) – distinção (tendencial irrelevância) . or the toleration of a State of organizaed activities calculated to foment civil strife in another State. Porém.

39º e ss) – Determinação da existência de uma ameaça à paz. forças de interposição. VI e VII. 40º) • Recomendações (art. etc. A ‘Agenda para a Paz’ de Boutros-Ghali e a ‘diplomacia/acção preventiva’. VI (arts. AG 377(V). na interdição aérea sobre a Bósnia em 1993 – Res. violação da paz ou acto de agressão compete ao CS (art. § Res. Remissão • Operações de peace-enforcement (arts. A regulamentação dos armamentos e a promoção do desarmamento (arts. recomendações (art. 33º. Estas medidas têm uma latitude muito vasta (desde missões de observação. AG 44/21 de 1989 (exorta os Estados a proceder a cooperar no quadro das NU). VII (arts. 781 (1992) e 816 (1993) • As operações de paz e o peace-enforcement – As NU já levaram a efeito mais de 60 operações de paz. 26º e 41º) – política preventiva geral .Intervenção da AG – arts. de 1982 (‘Manila Declaration) sublinha a importância da AG para a resolução de conflitos . 39º) § Pode ser inter-estadual ou intra-estadual. – Medidas: • Inquérito (art. 41º). violação da paz ou um acto de agressão – cap. de 1950. 36º. 11º. • Operações de Paz . peacekeeping (manutenção da paz). A acção repressiva quando se verifique uma ameaça à paz. 34º) • Medidas provisórias (art. nº 1) . inquérito (34º). são multidimensionais e são de difícil enquadramento entre os caps. 99º e 100º) sob o mandato do CS – diplomacia ou acção preventiva.Intervenção do CS: ‘convite’ (art. 98º. . a Res.Medidas de peace-making (concretização da paz). 42º) – nunca foi concretizado. Algumas têm-se traduzido em autorizações aos Estados para intervirem – assim aconteceu na guerra do Golfo de 1991 – Res. 39º) • Medidas não militares (art. AG 37/10. peace-building (ajudar a criar estrutras de ‘governance’ eficazes). nºs 2 e 3 (limite do 12º): recomendações aos Estados e/ou CS.Intervenção do SG: desenvolvendo ‘bons-ofícios’ ou mediação (arts. nº 2). 678 (1990). § Res. - . 2. Há um Gabinete para o Desarmamento integrado no Secretariado. § a Res. 24º. São numerosas as convenções promovidas que limitam os armamentos. • Realização de acções militares de imposição da paz (art.Com a CNU instituiu-se um sistema de segurança colectiva – art. 39º e 41º e 42º) – visam ‘musculadamente’ garantir a paz conseguida ou restabelecer a paz violada. AG 43/51 de 1988 sublinha o papel do SG 3. 33º e ss) – acção preventiva concreta com o objectivo de impedir a escalada da situação ou do conflito.). A acção preventiva das NU em conflitos ou situações que possam “vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais” – cap.Há uma Comissão para o desarmamento associada ao CS. Vectores: 1.

Neste caso. jurídica e económica (em menor grau) que permitam uma paz duradoura e o desenvolvimento. tem invocado a base do cap. de 1962. não têm carácter coercivo e são parte de um quadro mais vasto de pacificação que activamente envolve as partes de um conflito. Era a interpretação tradicional. o CS. O critério distintivo continua a ser o seu carácter não coercivo. passando pelo consentimento dos Estados envolvidos. considerando haver uma ameaça à paz ou segurança internacionais (legitimando a utilização da força. no presente têm um carácter mais vasto e complexo. Integram-se numa escala gradativa. • Operações de peacebuilding. embora sejam quase sempre multidimensionais. Inicialmente eram missões militares de observação do cessarfogo e de interposição. destinadas a manter a paz (antes da eclosão aberta de um conflito ou após o fim do conflito). policiais e civil e visam contribuir para a resolução da situação. VII. Para a sua efectivação foi criada a Peacebuilding Commission. • Podem ter lugar ainda no quadro do cap. Esta vertente de peacebuilding é fundamental na construção de uma paz a longo-prazo. pode ser difícil distinguir do ‘peace-enforcement’. Passam por uma fase diplomática de aproximação das partes e de negociação de um acordo – ‘diplomacia preventiva’. São multidimensionais e o seu âmbito é fixado no mandato do CS. “policial”) ou puice-building (político-administrativa) no interior de um Estado após o fim de um conflito e destinadas a impedir o seu ressurgimento. embora o CS nunca tenha feito tal enquadramento. dada a instabilidade e insegurança vivida em alguns dos cenários das missões. cabendo numa interpretação extensiva do art.– – A competência para a sua aprovação é do CS. Podem ser missões de peace-keeping (de natureza securitária preventiva. destinadas a fortalecer as estruturas de ‘governance’ política. Só ocorrem após um acordo cessar-fogo ou um acordo de paz. não visavam contribuir para a resolução do conflito. Pressupõem o consentimento das partes no conflito ou do Estado local. É difícil o enquadramento das operações de paz – caps. securitária. • Operações de peacekeeping. reconheceu a sua validade). – . ainda que a sua imposição só possa ter lugar no quadro do cap. VII. VI. Quando sejam ‘robust peacekeeping operations’ admitem o uso táctico da força para garantir o cumprimento do mandato. Em concreto. A primeira teve lugar no final do conflito israelo-árabe de 1948 (missão de observação no final do conflito). não se limitando a um tipo: • Operações de peace-making num conflito em curso. 37º CNU. no que se qualifica como uma ‘defesa próactiva do mandato’). VII e VIII (o Parecer do TIJ. • Nos últimos anos. VI (conflitos ou situações que podem vir a constituir uma ameaça à paz e segurança internacionais). ou para apoiar a transferência de autoridade. envolvendo simultaneamente dimensões militares. etc. “Certas despesas das NU”.

etc…) • A solução pacífica dos conflitos deve ser procurado nesse âmbito antes de ser submetida ao CS (v. normalmente com autorização do CS . nº 2 • Podem ser utilizados para levar a cabo as acções repressivas do CS decididas ao abrigo do 42º . NATO. Ganhou projecção nos anos 90. missão no Darfur) ou num outro quadro de cooperação internacional. caso Equador/Colômbia recente).caso da interdição aérea na Bósnia). 1ª parte. Intervenções humanitárias e uso da força • A primeira situação que despoletou a questão da intervenção humanitária foi a Guerra do Biafra (1967-1970). O conceito de intervenção humanitária foi desenvolvido por Mario Bettati já nos anos 80. OEA.cap.g. – natureza não coerciva. incluindo de tipo estratégico. nº 1. em 1971. VII. que é apoiado pelo ‘trio’ Representante Especial/Coordenador Residente/Coordenador Humanitário Não têm funções humanitárias.52º a 54º CNU) • São permitidos – art. embora facilitem a acção das organizações que desenvolvem essa missão As operações de paz não são um exclusivo do CS. – a sua organização e direcção compete ao SG (o responsável efectivo é o Sub-Secretário Geral. misto (v. – multidimensionais (administrativas/policiais/militares). – imparcialidade. UEO. .art. pois envolvem a utilização de força militar. com a passagem da UNMIK para uma missão sob a EU). do CS 1631 (2005) prevê a cooperação das NU e das organizações regionais para a manutenção da paz e segurança internacionais. – utilização da força apenas em legítima defesa ou para garantir o mandato. 54º) • A Res. • Princípios fundamentais das operações de paz: – consentimento do Estado ou das partem em conflito no quadro de um processo de paz. nº 1. 52º.g. podendo ter lugar num quadro regional. O consentimento das partes não é necessário (têm sido levadas a cabo por Estados . 52º. VIII (arts. sem prejuízo das competências do CS – art. que levou à criação dos MSF. nº 1 (exs. Os sistemas de segurança regionais – Cap. 2ª parte) • Qualquer acção empreendida ou projectada nesse quadro regional deve ser informada ao CS (art. 53º. dependendo da vontade de participação dos Estados. após a intervenção ocidental para protecção dos curdos iraquianos. 53º. • • 4. VIII (o que se vai passar no Kosovo. – temporárias. – multinacionais. para a implementação da paz).§ Operações de peace-enforcement (estas só podem ser baseadas no cap. • Outras acções repressivas dessas organizações devem ser autorizadas pelo CS (art.

reactiva ou reparadora). subsidiariamente à AG . O conceito de ‘intervenção’ é muito amplo.• • • • • • • • • • Distinguem-se das operações de paz. Politicamente não tem encontrado grande eco. com o acordo dos governos dos Estados afectados pelo desastre. da AG 43/131. 1706 (2006) do CS (Sudão). A legitimidade caberia. no quadro da NATO – 1999 ). sendo muito controversa a legitimidade dos Estados Intervenção humanitária – direito ou dever? A intervenção humanitária como ‘R2P’ (‘Responsability to Protect’). passando pela intervenção judiciária (v. permitem a acção das organizações de assistência humanitária. embora tenha sido acolhido na Declaração da United Nations World Summit. acolhe a sugestão do SG de implementação de corredores para assistência alimentar e medicamentosa. Além de controvertida juridicamente. VII e VIII – a intervenção armada só pode ter lugar no âmbito dos caps. A Res. A intervenção humanitária visa responder a violações massivas de direitos humanos. VI e VII). A ‘R2P’ é um conceito multidimensional (pode ser preventiva. Desde aí o reconhecimento encontra-se em decisões concretas – Res. 377(V).g. Res.Res. que nos anos 90 foram particularmente activos nesse domínio (Somália – 1992. sublinha a necessidade da assistência humanitária. . mas a sua decisão unilateral por Estados é particularmente controversa. O CS teria legitimidade para decidir. Kosovo. O CS já autorizou intervenções armadas humanitárias (vg. mas salvaguarda a soberania dos Estados. Na Somália autorizou (Res. de 1990. O primeiro reconhecimento jurídico da legitimidade da intervenção é dado pela AG. limpeza étnica ou outros. O conceito de ‘R2P’ foi definido em 2001 pela International Commission on Intervention and State sovereignty (instituída pelo governo do Canadá) – estabelece um ‘código de conduta’ para intervenções humanitárias. a intervenção preventiva. até eticamente tem sido questionada. embora estas não deixem de ter um vector humanitário. muito menos da intervenção armada. considerando os desastres humanitários “ameaças à paz e segurança internacionais”. indo os seus instrumentos dos tradicionais meios político-diplomáticos de pressão. várias questões concretas se levantam: delimitação da causa. económicos. O direito de ‘intervenção armada humanitária’ esteve presente na política dos EUA (‘doutrina Clinton’). da sua negligência ou da sua incapacidade para impedir o desastre humanitário (caso dos Estados falhados). mas não há um acolhimento genérico explícito. O seu enquadramento na Carta não é consensual (caps. fruto de uma açção deliberada do Estado local. até à acção armada. 794 (1992) a intervenção de forças militares dos Estados para instituírem um ambiente que permitisse a assistência humanitária. sejam genocídio. Implica a prerrogativa do uso da força contra os Estados. em última instância aos Estados num quadro multilateral (cap. ao abrigo do VII. fora de restritos círculos ocidentais e africanos (o G-77 condena-a). VI. A partir dos anos 90. de 1988. em primeira linha ao CS (caps. etc. 1674 (2006) do CS (‘Protecção dos civis’). Ao seu abrigo justificar-se-ia o uso da força contra o Estado que não protege os cidadãos. ganha terreno a defesa da ‘intervenção armada humanitária’. AG 45/100. de 2005 (§ 138 e 139). Res. VI e VII) Mais do que a sua admissibilidade. VIII). Haiti – 1994. 929 (1994) para o Ruanda). ou. a criação dos tribunais penais internacionais). A Res. pelo menos.

pois o castigo só se impunha havendo uma relação de subordinação – e da guerra de extermínio (bellum internecinum) ou de subjugação . Do ponto de vista filosófico-jurídico o uso da força é uma necessidade de protecção dos sujeitos internacionais. -a fundação de uma federação livre dos Estados. Há que reequacionar os conceitos? Entra-se aqui na discussão da ‘guerra justa’ e a condição da ‘autoridade legítima’ é a mais problemática. e . A sua violação poderia acarretar responsabilidade. Seria possível equacioná-la como causa de exclusão da ilicitude ao abrigo do ‘estado de necessidade’ – art.conduzida pela autoridade soberana (auctoritas principis). A condenação internacional da guerra A evolução ético-doutrinal clássica Bacelar Gouveia: O tema do uso e condenação da força tem sido especialmente analisado sobre a perspectiva filosófico-jurídica e pela perspectiva jurídico-internacional. pois todos os cidadãos deveriam gozar de um direito de visita dos territórios alheios. mas sem que se deixe de questionar em que circunstância o lançar mão da guerra se consideraria admissível. Com a igualização das relações internacionais depois da Paz de Westefália. Bósnia vs Sérvia e Montenegro). que os integrasse na cena internacional. com a adopção de três condições fundamentais para se alcançar tal intento: . O pensamento cristão enquadrou ética-juridicamente a guerra justa: Santo Agostinho defendia aquela que se exercia em defesa da paz contra a agressão ou para o seu restabelecimento. Seja enquanto direito ou dever o conflito com a ‘soberania’ ou o ‘domínio reservado’ é óbvio (art. enquanto Tomás de Aquino introduziu uma dimensão de subsidiariedade. Segundo o R2P. São ainda de recordar dois pontos: a) proibição da guerra punitiva (bellum punitivum) .acompanhada por uma justa causa (causa iusta). desde que não o utilizassem para práticas hostis. . surgindo intimamente ligado à defesa das soberanias então emergentes já como um dos direitos dos Estados. nºs 4 e 7 CNU). com várias opiniões de autores sobre esta problemática que de comum tinham o estabelecimento de condições para a sua legitimidade. . A relevância jurídica da guerra situou-se. ao nível doutrinal e político. TIJ de 26/2/2007. 2º. em especial dos 5P no CS.desde que devidamente animada pelas boas intenções por parte de beligerantes (recta intentio). a protecção é um dever da comunidade internacional e dos Estados (o que já estaria reconhecido em relação ao Genocídio na Convenção de 1949 – cf.a existência de uma Constituição Republicana . com respeito pela liberdade dos respectivos membros. sem deveres e a todo o tempo revogável. dando à guerra três características: .• • • O seu enquadramento entre ‘ingerência humanitária’ e a ‘guerra humanitária’. a consagração de uma legislação comum a todos e a igualdade entre todos os cidadãos. num primeiro momento. 25º PAREFI.a imposição de regras limitadas às condições de hospitalidade universal. “nacionalizou-se” também o conceito de guerra. Ac. Kant defende a necessidade de abolir a guerra através da adopção de um estado de paz que implicava uma intenção específica. sobretudo dos Estados.

ao ser apenas admitida como medida de ultima ratio. o uso da força só se considerava permitido como legítima defesa ou como medida de coerção para repelir as mais graves violações de DI. onde de estabeleceu a proibição do uso da força através das represálias no caso de entre os Estados haver dívidas não pagas. concebendo-se a primeira limitação geral ao direito de fazer a guerra. definindo o respectivo formalismo e as partes que o pudessem fazer.a proibição do uso da força na cobrança de dívidas contratuais. O segundo momento aconteceria no texto do PSDN.52º/1 da CNU). sendo uma das suas disposições o facto de os Estados partes aceitarem que o uso da força deixava de pertencer à respectiva capacidade jurídico-internacional. contudo. na convicção de que haveria uma ordem normativa no meio do caos que um conflito bélico sempre pressupõe. O ius in bello atendia às normas que regulavam os conflitos armados. b) limitação dos meios de fazer a guerra defensivo àqueles que não impedissem o exercício da cidadania. Formou-se a convicção de que a decisão de fazer a guerra.51º da CNU): . a condenação da guerra só aconteceria no século XX. .a legítima defesa (art. a deliberar por intermédio do Conselho de Segurança (art2º/4 da CNU). que selaria o fim da I Guerra Mundial.a moratória de guerra no âmbito do Pacto da Sociedade das Nações. a Parte I do Tratado de Versalhes.as medidas adoptadas por organizações regionais (art.as medidas adoptadas ou autorizadas pelos órgãos competentes da ONU para manter ou estabelecer a paz e a segurança internacionais (art. O primeiro momento aconteceu em 1907 na 2ª Conferência de Haia. No século XX estabeleceu-se a afirmação jurídico-internacional da proscrição do uso da força. sendo as suas principais finalidades a paz e segurança internacionais. consagrando-se um direito dos Estados de recorrer à força no âmbito das relações internacionais. . A proscrição normativo-internacional No plano jurídico-internacional. no âmbito de uma relação obrigacional. É afirmado o monopólio do uso da força a cargo da ONU.a renúncia geral ao uso da força no Pacto Briand-Kellog. não foi estabelecido qualquer mecanismo sancionatório para punir o respectivo incumprimento.as medidas adoptadas contra anteriores Estados inimigos (arts 107º e 53º/1 da CNU). distribuída por quatro momentos: . deveria ser filtrada por uma instância internacional. . Assim. numa dicotomia fundamental entre ius ad bellum e ius in bello. O ius ad bellum representava o sector do DI que estabelecia os termos e condições para decretar o estado de guerra. condenando-se explicitamente a guerra como instrumento de política internacional. São também formalmente previstas certas excepções: . assentando o DI.a proibição geral na Carta das Nações Unidas. e .(bellum suboigatorium) – pois isso significaria a aniquilação de um Estado ou excederia o antagonismo possível só para defesa própria. .42º da CNU). O Pacto Briand-Kellog marcaria o terceiro momento. relevando à comunidade internacional no seu conjunto. . até lá. O quarto momento seria alcançado com a aprovação da CNU.

forças amplas.a existência de um cessar-fogo. excepto em legítima defesa. com uso de equipamento equiparável ao de um verdadeiro exército regular. e apesar de se reconhecer que não se encaixam em nenhum dos dois. impondo a paz. também admitidas. . são funções das operações de paz: . As outras hipóteses. . compostas por um reduzido número de observadores que apenas pretendem garantir o respeito pelo acordo de paz assinado.regulativamente. que implicam a utilização de meios militares para a efectivação da paz. .um mandato preciso.1º/1 da CNU). e . o tempo e as circunstâncias se encarregando de decretar a respectiva caducidade (art. . originando operações de paz de duas categorias distintas: . rapidamente substituídas por outras. a 2º fase de afirmação internacional. fortemente militarizadas.a existência de uma ameaça à paz e à segurança internacionais.dogmaticamente. . Assim. Assim. A evolução das operações de paz desde a fundação da ONU é marcada por cinco grandes fases: a 1º de cunho experimental. de 1967 a 1973. a 3º fase de estagnação. mantendo a paz.Para além da decretação da força no seio da ONU.a supervisão de um cessar-fogo.107º da CNU). e a 5º fase de expansão. bem como o seu regresso à vida civil. a CNU pode ser interpretada através da conjugação dos capítulos VI e VII.o princípio do consentimento das partes envolvidas. de 1948 a 1956. a 4º fase de renascimento. Actualmente resta muito pouco do ius belli. a partir da guerra fria. mas que não exercem directamente a força. . certas operações de paz passam a ser não só de manutenção de paz mas de imposição da paz. na modificação de muitas das normas do DI da Guerra. Nos finais da década de 80. as quais podem enquadrar-se nestes três princípios: . Contudo. . o que tem por consequências: .o princípio da imparcialidade dos agentes da manutenção da paz. . mas apoiando-se sempre no preâmbulo da CNU e no seu objectivo primordial de manutenção da paz e da segurança internacionais (art.a destruição de armamento. a única possibilidade de autotutela material efectivamente aberta foi a da legítima defesa. . As operações de paz submetem-se a orientações internacionais muito próprias.a elaboração e aplicação de programas de desminagem.a existência de razoáveis garantias de segurança para o pessoal da ONU. numa fronteira entre as disposições de cada um daqueles capítulos. . no desinteresse em que caíram estas matérias.a desmobilização de forças e grupos armadas. . As operações de paz A CNU não refere a possibilidade de a ONU decretar operações de paz.forças restritivas. que implicam a deslocação de forças militares. O Conselho de Segurança das Nações Unidas apresentou os factores da decretação das operações de paz: .a verificação da disponibilidade de entidades regionais para implantarem uma força de paz.a existência de um objectivo político claro susceptível de ser traduzido num mandato. de 1973 a 1988. a solução encontrada tem sido a interpretação extensiva dos poderes literalmente previstos. foram-no apenas temporariamente. . de 1956 a 1967.o princípio da não utilização da força.

. . .o estabelecimento de novas forças armadas ou policiais. . .a prestação de auxílio humanitário. navais ou aéreas de outro Estado. com o objectivo de evitar o recomeço das hostilidades.a invasão ou ataque por forças armadas de um Estado sobre o território de outro Estado.o envio de grupos ou bandos armados por parte de um Estado ou em seu nome. . .imposição da paz (peace enforcement): o conjunto de medidas destinadas a garantir a presença de efectivos militares e policiais da ONU para impor a pacificação das relações entre as partes em conflito.o bombardeamento por forças armadas de um Estado do território de outro Estado. fugindo dos conceitos clássicos.a permissão dada por um Estado de utilizar o seu território para empreender uma acção armada contra um terceiro Estado. . Deste modo.o bloqueio dos portos ou das costas de um Estado pelas forças armadas de outro Estado. A excepção da legítima defesa internacional A CNU expressa-se sobre a legítima defesa internacional e respectivas limitações no seu artigo 51º.o controlo de refugiados e deslocados. .a verificação do respeito pelos direito humanos. contudo. . a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução tipificando diversos casos em que tal conceito se consideraria verificado. incluindo o emprego que quaisquer armas. . incluindo a ocupação militar e a anexação. numa listagem exemplificativa: .. bem como elementos civis. . . .a supervisão das estruturas administrativas existentes. podendo corresponder a qualquer operação ou acto com o efeito de infligir um prejuízo ou dano no Estado e seus elementos fundamentais. É noção de ataque armado tornou-se. . .diplomacia preventiva (preventive diplomacy): o conjunto de medidas destinadas a evitar que diferendos se agravem. aumentando de tensão ou degenerando em conflitos armados. As operações de paz podem ser sintetizadas em: . .estabelecimento da paz (peace making): o conjunto de medidas destinadas a alcançar um acordo entre as partes. Os pressupostos da legítima defesa relacionam-se com a existência de um “ataque armado”. noção que integra a prática de um acto ilícito contra os bens dos sujeitos internacionais. bem como contra a sua frota mercante. prescindindo-se do respectivo consentimento.consolidação da paz (peace building): o conjunto de medidas destinadas a fortalecer as estruturas do Estado.o uso das forças armadas localizadas no território de outro Estado sem consentimento deste ou o prolongamento da sua estadia sem esse consentimento. difusa. praticando actos armados de gravidade equiparada à dos actos anteriormente referidos.o ataque por forças armadas de um Estado contra as forças armadas terrestres.a elaboração de reformas constitucionais. legislativas e eleitorais.a observação. com o uso dos meios pacíficos.a coordenação de apoios em vista da reabilitação económica e da reconstrução nacional.manutenção da paz (peace keeping): o conjunto de medidas destinadas a garantir a presença de forças da ONU através de efeitos militares ou policiais. . supervisão e organização dos actos eleitorais. e lançando os caboucos de um futuro Estado.

265-281 . realizando a legítima defesa alheia. . Bibliografia: • Jorge Miranda. . sendo a legítima defesa própria. proibindo-se o excesso de legítima defesa.objectivamente: a acção de resposta em legítima defesa está internamente limitada ao não poder surgir fora do contexto que venha a ser recortado pelo princípio da proporcionalidade. ob. devendo terminar logo que o Conselho de Segurança tome as medias que considera apropriadas.subjectivamente: a legítima defesa pode ser levada a cabo pelo próprio Estado que seja destinatário do ataque armado. pp. cit.Os efeitos da legítima defesa consistem na aplicação do uso da força com o objectivo de repelir o ataque armado: . ou por Estados terceiros.procedimentalmente: o exercício da legítima defesa é sempre provisório..

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