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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017 I SÉRIE —

­ Número 73

BOLETIM DA REPÚBLICA
   PUBLICAÇÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

IMPRENSA NACIONAL DE MOÇAMBIQUE, E.P. ARTIGO 5


(Sistema nacional de áreas de conservação)
AVISO O sistema nacional de áreas de conservação é constituído
A matéria a publicar no «Boletim da República» deve ser pelos órgãos de administração das áreas de conservação, os
remetida em cópia devidamente autenticada, uma por cada mecanismos de financiamento das áreas de conservação e a
assunto, donde conste, além das indicações necessárias para rede nacional das áreas de conservação.
esse efeito, o averbamento seguinte, assinado e autenticado:
Para publicação no «Boletim da República». ARTIGO 8
(Mecanismos de financiamento das áreas de conservação)

1. Os mecanismos de financiamento das áreas


de conservação, são adoptados para minimizar os
SUMÁRIO prejuízos e aumentar os benefícios ao nível local, nacional
e internacional através do estabelecimento de:
Assembleia da República:
a) parceria público-privada e comunitária;
Lei n.º 5/2017: b) criação de instituições para apoio às actividades
Altera e republica a Lei n.º 16/2014, de 20 de Junho, Lei de conservação;
de Protecção, Conservação e Uso sustentável da Diversidade c) capitalização da riqueza genética, fauna bravia, outros
Biológica. recursos naturais e dos conhecimentos locais e
tradicionais sobre o uso de material biológico;
d) compensação ao esforço da conservação, pelos serviços
ecológicos, e outros que forem estabelecidos pelo
Conselho de Ministros.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA 2. Incumbe ao Governo a responsabilidade primária na
mobilização de recursos internos e externos necessários à
Lei n.º 5/2017 prossecução dos fins de conservação, incluindo o melhor
aproveitamento das janelas de financiamento, no quadro
de 11 de Maio dos acordos e convenções internacionais sobre protecção,
conservação da biodiversidade e do ambiente em geral.
Havendo necessidade de introduzir alterações à Lei
n.º 16/2014, de 20 de Junho, Lei de Protecção, Conservação ARTIGO 11
e Uso sustentável da Diversidade Biológica, ao abrigo do disposto
(Mecanismos de compensação ao esforço
no número 1, do artigo 179 da Constituição da República,
de conservação)
a Assembleia da República, determina:
1. A entidade pública ou privada, que explora recursos
ARTIGO 1 naturais na área de conservação ou sua zona tampão, beneficia
de protecção proporcionada por uma área de conservação
(Disposições alteradas)
e deve contribuir financeiramente para a protecção da
São alterados os artigos 2, 5, 8, 11, 50, 53, 54, 61, 62 da Lei biodiversidade na respectiva área de conservação.
n.º 16/2014, de 20 de Junho, que passam a ter a seguinte redacção: 2. A entidade pública ou privada, que explora recursos
naturais na área de conservação ou sua zona tampão, deve
“ARTIGO 2 compensar pelos seus impactos para assegurar que não haja
perda líquida da biodiversidade.
(Objecto) 3. O direito de uso e aproveitamento dos estoques
A presente Lei tem como objecto o estabelecimento dos de carbono existentes numa área de conservação e a
princípios e normas básicos sobre a protecção, conservação, sua respectiva zona tampão pertencem à entidade que
gere a respectiva área de conservação, podendo a sua
restauração e utilização sustentável da diversidade biológica
comercialização ser feita em colaboração com outras
em todo o território nacional, especialmente nas áreas entidades públicas ou privadas.
de conservação, bem como o enquadramento de uma 4. Os mecanismos de compensação ao esforço da
administração integrada, para o desenvolvimento sustentável conservação são definidos por regulamento do Conselho
do País. de Ministros.
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ARTIGO 50 ARTIGO 62
(Exercício da protecção e fiscalização) (Penas de prisão aos agentes do crime)

1.... 1. Está sujeito a pena de prisão maior de doze a dezasseis


2. A protecção e a fiscalização visam a prevenção e o anos e multa correspondente, aquele que:
combate a realização de quaisquer actividades que perturbem a) abater, sem licença, qualquer elemento das espécies
a harmonia da natureza, em todo o território nacional, protegidas ou proibidas da fauna e flora, incluindo
especialmente nas áreas de conservação e respectivas zonas as espécies constantes na lista dos Anexos I e II
tampão, e são exercidas por fiscais do Estado, agentes da CITES;
comunitários e fiscais ajuramentados. b) chefiar, dirigir, promover, instigar, criar ou financiar,
3.... aderir, apoiar, colaborar de forma directa ou
indirecta, grupo, organização ou associação de
ARTIGO 53 duas ou mais pessoas que, actuando de forma
(Normas gerais)
concertada, pratique conjunta ou separadamente,
o crime de abate ou destruição das espécies
1. São punidas com pena de prisão, multa e acompanhadas protegidas ou proibidas da fauna e flora, incluindo
de medidas de recuperação ou de indemnização obrigatória as espécies constantes na lista dos Anexos I e II da
os danos causados, sem prejuízo de aplicação das demais CITES ou a exploração ilegal de recursos minerais
sanções penais a que derem lugar. nas áreas de conservação e zona tampão;
2. .... c) sem permissão legal, extrair recursos florestais e
3. .... faunísticos, puser a venda, distribuir, comprar,
4. .... ceder, receber, proporcionar a outra pessoa,
5. .... transportar, importar, exportar, fizer transitar ou
ilicitamente detiver animais, produtos de fauna ou
ARTIGO 54 preparados das espécies protegidas ou proibidas,
(Infracções e sanções) incluindo as espécies constantes na lista dos
Anexos I e II da CITES.
1. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem
2. Está sujeito a pena de prisão maior de oito a doze anos
infracções puníveis com pena de multa que varia de 1 a 10
e multa correspondente, aquele que:
salários mínimos da função pública as seguintes:
a) caçar, nos meses que pelas normas for proibido o
a) ….
exercício da caça, ou que, nos meses que não forem
b) ….
defesos, caçar por modo proibido pelas mesmas
c) ….
normas;
2. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem b) sem permissão legal converter, transformar, mudar o
infracções puníveis com pena de multa que varia de 11 a 50 carácter original de partes orgânicas de quaisquer
salários mínimos da função pública as seguintes: espécie animal ou arvoredo legalmente protegida,
a) …. com o objectivo de ocultar ou dissimular a sua
b) …. origem ilícita, passagem, transporte, posse,
c) …. importação, exportação ou de auxiliar a pessoa
d) …. implicada nas infracções contra o meio ambiente a
e) …. escapar das autoridades da lei e eximir-se das suas
3. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem responsabilidades;
infracções puníveis com pena de multa que varia de 50 a c) puser veneno ou qualquer substância letal ou nociva
1000 salários mínimos da função pública a realização de a saúde animal no meio ambiente, em alimentos
exploração, armazenamento, transporte ou comercialização ou água dos rios, lagos, charcos ou qualquer local
onde os animais possam beber;
ilegal de espécies constantes na lista de espécies protegidas
d) colocar fogo e por este meio destruir no todo ou em
no País.
parte, floresta, mata ou arvoredo dentro das áreas
ARTIGO 61 de conservação e ou zona tampão;
e) praticar artes de pesca proibidas por lei, particularmente
(Armas proibidas) uso de explosivos, substâncias tóxicas, venenosas
1. É condenado à pena de prisão maior de doze a dezasseis ou equivalentes ou com recurso a rede varredoura
anos e multa correspondente, se pena mais grave não ou armadilha mais estreita que a que for limitada
pela entidade pública ou pescar por qualquer
couber, aquele que exercer actividade ilegal, numa área de
outro modo proibido pelas mesmas posturas
conservação, usando armas proibidas tais como definidas
ou regulamentos, ou ainda que pescar espécies
no Código Penal e em legislação específica. protegidas.”
2. É condenado à mesma pena do número anterior, aquele
que exercer actividade ilegal usando armadilhas mecânicas ARTIGO 2
ou de quaisquer tipos.
3. As armas de fogo apreendidas, assim como os (Aditamentos)
depoimentos de suspeitos detidos, fora do território nacional, São introduzidos na Lei n.º 16/2014, de 20 de Junho, Lei
indiciados de cometerem infracções previstas na presente de Protecção, Conservação e Uso sustentável da Diversidade
Lei, constituem matéria de investigação e promoção de Biológica os artigos 59A, 63A, 63B e 63C com a seguinte
acção penal em relação ao proprietário e portador da arma. redacção.
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“ARTIGO 59A Republicação da Lei n.º 16/2014, de 20


(Tentativa e frustração) de Junho, Lei de Protecção, Conservação
A tentativa e frustração de infracções previstas na presente e Uso Sustentável da Diversidade Biológica.
Lei são punidas como crime consumado.
A importância ambiental, económica, social, cultural
ARTIGO 63A e científica de ecossistemas naturais, terrestres e aquáticos no
fornecimento de bens e serviços para a sociedade moçambicana
(Buscas e apreensões)
justifica que se estabeleça uma legislação adequada, que promova
1. As buscas e apreensões de quaisquer produtos, objectos a protecção, conservação e uso sustentável da diversidade
e instrumentos de infracções previstas na presente Lei biológica em benefício da humanidade e dos moçambicanos,
podem ocorrer fora dos limites estabelecidos em legislação em particular.
processual penal em portos, aeroportos, residências, meios Nestes termos e ao abrigo do preceituado no número 1, do
de transporte, estabelecimentos comerciais e outros locais, artigo 179 da Constituição, a Assembleia da República determina:
desde que justificadas e judicialmente autorizadas.
2. A autorização judicial é dispensada nos casos de CAPÍTULO I
flagrante delito caso o ocupante da habitação não se oponha
à busca e lavrado o auto que deve ser por ele assinado. Disposições Gerais
ARTIGO 1
ARTIGO 63B
(Definições)
(Auxiliar do Ministério Público)
As definições dos termos usados na presente Lei constam
Na investigação e instrução preparatória de processos do Glossário, em anexo, que dela faz parte integrante.
referentes às infracções previstas na presente Lei, o Ministério
Público é auxiliado por técnicos do Ministério que superintende ARTIGO 2
o sector das áreas de conservação e pela Polícia competente.
(Objecto)
ARTIGO 63C
A presente Lei tem como objecto o estabelecimento dos
(Depósito e guarda de produtos de fauna e flora) princípios e normas básicos sobre a protecção, conservação,
restauração e utilização sustentável da diversidade biológica em
1. Os produtos de fauna bravia e flora apreendidos no
todo o território nacional, especialmente nas áreas de conservação,
âmbito da fiscalização, ao abrigo da presente Lei, devem
ser entregues imediatamente ao Ministério que superintende bem como o enquadramento de uma administração integrada,
o sector das áreas de conservação, para efeitos de para o desenvolvimento sustentável do País.
inventariação, extracção de amostras, exames laboratoriais, ARTIGO 3
guarda e controlo, sem prejuízo de acesso aos mesmos
durante a investigação criminal ou julgamento. (Âmbito)
2. Realizados os exames e actos subsequentes, a 1. O regime jurídico estabelecido na presente Lei é aplicável
autoridade judicial pode determinar, oficiosamente ou ao conjunto dos valores e recursos naturais existentes no território
mediante requerimento do Ministério Público ou outra
nacional e nas águas sob jurisdição nacional.
autoridade competente pela destruição por incineração
2. São abrangidas pela presente Lei todas as entidades públicas
dos produtos de fauna bravia, qualquer que seja a fase
ou privadas que directa ou indirectamente possam influir no
do processo.
sistema nacional das áreas de conservação do país.
3. No acto da destruição devem estar presentes, para além
do Ministério Público, o representante do Ministério que ARTIGO 4
tutela o sector das áreas conservação.
4. O acto de destruição referido no número anterior deve (Princípios)
ser certificado por auto. " A presente Lei rege-se pelos seguintes princípios:
ARTIGO 3 a) Património Ecológico - a diversidade biológica e
ecológica como património nacional e da humanidade
(Entrada em vigor) que deve ser preservada e mantida para o bem das
A presente Lei entra em vigor 15 dias após a sua publicação. gerações vindouras. O uso sustentável dos recursos
para o benefício dos moçambicanos e da humanidade
ARTIGO 4 na forma compatível com a manutenção dos
ecossistemas. A assunção, em pleno, pelo Estado,
(Republicação) da sua responsabilidade perante a humanidade pela
É Republicada a Lei n.º 16/2014, de 20 de Junho, Lei protecção da diversidade biológica no seu território,
de Protecção, Conservação e Uso sustentável da Diversidade incluindo a responsabilidade administrativa e
Biológica. financeira;
b) Soberania - o direito e soberania do Estado e do povo
Aprovada pela Assembleia da República, 30 de Novembro
moçambicano de conservar e explorar os seus recursos
de 2016. – A Presidente da Assembleia da República,
naturais, tendo em conta políticas e legislação
Verónica Nataniel Macamo Dlhovo.
ambientais aplicáveis, assim como as convenções
Promulgada aos 4 de Abril de 2017. ratificadas e os acordos internacionais;
Publique-se. c) Igualdade - a igualdade entre os cidadãos e o
reconhecimento do papel do género na gestão, uso,
O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi. conservação e reabilitação dos recursos naturais;
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d) Participação do Cidadão na Gestão e nos Benefícios - o 2. Compete ao Conselho de Ministros a definição de políticas
direito de todos os cidadãos de serem envolvidos nos que orientem a administração das áreas de conservação, as
processos decisórios, em toda a cadeia de valor da quais são implementadas e supervisionadas pelo Ministério que
conservação e na utilização sustentável dos recursos superintende o sector das áreas de conservação.
naturais; 3. Cabe ao órgão implementador da administração das
e) Responsabilidade Ambiental - a preservação, protecção áreas de conservação a execução das políticas para as áreas
e gestão do meio ambiente deve priorizar o de conservação, administrando-as, garantindo a participação e
responsabilização do sector privado e das comunidades locais.
estabelecimento de sistemas de prevenção de actos
lesivos ao ambiente. O dever de quem danifica os ARTIGO 7
recursos naturais, repô-los e/ou pagar os custos para a
eliminação e compensação dos danos por si causados (Gestão participativa das áreas de conservação)
de modo a garantir que não ocorra nenhuma perda 1. Compete ao Conselho de Ministros a criação do Conselho
líquida da biodiversidade ou dos recursos naturais; de Gestão da Área de Conservação, órgão consultivo, presidido
f) Desenvolvimento - o papel da conservação da diversidade pelo Administrador da Área de Conservação, constituído por
biológica e a criação e manutenção de áreas dedicadas representantes das comunidades locais, do sector privado, das
especificamente a este fim como instrumentos na associações e dos órgãos locais do Estado que, sob a supervisão do
promoção do desenvolvimento e na erradicação da órgão implementador da administração das áreas de conservação,
pobreza; apoia a gestão e maneio da respectiva área de conservação.
g) Parcerias Público-Privada - a promoção, pelo Estado, 2. Os Conselhos de Gestão das Áreas de Conservação apoiam
do envolvimento das autoridades locais e nacionais, a Administração da Área de Conservação na:
comunidades locais, sector privado, organizações não a) implementação de planos de maneio;
governamentais no desenvolvimento que permitam b) fiscalização das áreas de conservação;
a viabilização económica dessa política. O uso, pelo c) resposta às necessidades de desenvolvimento das
Estado, de mecanismos baseados em transparência, comunidades que legalmente residem nas áreas de
responsabilização e recompensa nas suas relações com conservação e nas zonas tampão;
o sector privado e com as comunidades locais; d) elaboração de planos estratégicos de desenvolvimento
h) Precaução e Decisão Informada - o fundamento das das áreas de conservação;
decisões relacionadas com a criação, alteração, gestão e) busca de novas actividades de rendimento que diminuam
e extinção de áreas de conservação num conhecimento a pressão exercida pelas comunidades locais sobre
científico amplo da diversidade biológica existente, a biodiversidade, incluindo negócios baseados na
biodiversidade;
o seu valor ecológico e das determinantes da sua
f) supervisão da implementação dos contratos de concessão
conservação, baseado num sistema de investigação
com operadores no âmbito do desenvolvimento de
e de partilha de informação que apoia os processos parceria público-privada e comunitárias;
decisórios, não prejudicando o princípio de precaução g) tomada de medidas que fortaleçam a capacidade de
onde esse conhecimento ainda é insuficiente. A conservação no contexto do plano de maneio.
promoção da disponibilidade e de fácil acesso de
informação relacionada com a conservação e os ARTIGO 8
recursos naturais para apoiar na implementação da
(Mecanismos de financiamento das áreas de conservação)
estratégia e aumentar o envolvimento e colaboração
dos cidadãos; 1. Os mecanismos de financiamento das áreas de conservação,
i) Cooperação Internacional - a plena assunção pelo país são adoptados para minimizar os prejuízos e aumentar os
do seu papel no esforço global e regional para garantir benefícios ao nível local, nacional e internacional através
a conservação da diversidade biológica cumprindo do estabelecimento de:
com as obrigações ambientais convencionadas e no a) parceria público-privada e comunitária;
desenvolvimento de formas de gestão integrada onde b) criação de instituições para apoio às actividades
os ecossistemas são partilhados com países vizinhos de conservação;
e se ligam às obrigações internacionais. c) capitalização da riqueza genética, fauna bravia,
outros recursos naturais e dos conhecimentos locais
CAPÍTULO II e tradicionais sobre o uso de material biológico;
d) compensação ao esforço da conservação, pelos
Administração das Áreas de Conservação serviços ecológicos, e outros que forem estabelecidos
ARTIGO 5 pelo Conselho de Ministros.
(Sistema nacional de áreas de conservação) 2. Incumbe ao Governo a responsabilidade primária na
mobilização de recursos internos e externos necessários à
O sistema nacional de áreas de conservação é constituído pelos prossecução dos fins de conservação, incluindo o melhor
órgãos de administração das áreas de conservação, os mecanismos aproveitamento das janelas de financiamento, no quadro dos
de financiamento das áreas de conservação e a rede nacional acordos e convenções internacionais sobre protecção, conservação
das áreas de conservação. da biodiversidade e do ambiente em geral.

ARTIGO 6 ARTIGO 9
(Órgãos de administração das áreas de conservação) (Parceria público-privada e comunitária)

1. O Estado administra as áreas de conservação de forma 1. O Estado pode estabelecer parcerias com o sector privado,
participativa, estabelecendo mecanismos apropriados para a comunidades locais, organizações da sociedade civil nacionais
participação das entidades públicas, privadas e comunitárias. e estrangeiras mediante contrato e sob financiamento, no todo
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ou em parte, do parceiro privado para a administração das g) promover a utilização dos princípios e práticas de
áreas de conservação, criando sinergias a favor da conservação conservação e maneio de recursos naturais, no processo
da diversidade biológica, sem prejuízo da partilha das de desenvolvimento, especialmente por parte das
responsabilidades nos custos e benefícios da gestão das áreas comunidades locais;
de conservação. h) proteger as paisagens naturais e culturais de especial
2. O Estado pode estabelecer parcerias em forma de contrato de beleza bem como os patrimónios natural e cultural,
concessão de direitos ao sector privado e às comunidades locais, representativos da identidade nacional;
com fins de geração de rendimentos. i) proteger e recuperar recursos hídricos e áreas húmidas;
j) incentivar e desenvolver as actividades de investigação
ARTIGO 10 científica;
(Instituições para apoio à conservação) k) promover a educação ambiental, a interpretação da
natureza, o lazer e recreação, bem como o ecoturismo
O Estado incentiva e apoia o sector privado a criar instituições nas áreas de conservação.
com o objectivo de apoiar as actividades de conservação da
diversidade biológica, prestando todas as facilidades, nos termos CAPÍTULO III
da lei. Zonas de Protecção
ARTIGO 11 SECÇÃO I

(Mecanismos de compensação ao esforço de conservação) Classificação das zonas de protecção e categorias das áreas de
conservação
1. A entidade pública ou privada, que explora recursos naturais
ARTIGO 13
na área de conservação ou sua zona tampão, beneficia de protecção
proporcionada por uma área de conservação e deve contribuir (Classificação das zonas de protecção)
financeiramente para a protecção da biodiversidade na respectiva
1. As zonas de protecção são áreas territoriais delimitadas,
área de conservação.
representativas do património natural nacional, destinadas à
2. A entidade pública ou privada, que explora recursos naturais
conservação da diversidade biológica e de ecossistemas frágeis
na área de conservação ou sua zona tampão, deve compensar
ou de espécies animais ou vegetais.
pelos seus impactos para assegurar que não haja perda líquida
2. As zonas de protecção são classificadas para garantir a
da biodiversidade.
conservação representativa dos ecossistemas e espécies e a
3. O direito de uso e aproveitamento dos estoques de carbono
coexistência das comunidades locais com outros interesses e
existentes numa área de conservação e a sua respectiva zona
valores a conservar.
tampão pertencem à entidade que gere a respectiva área de
3. As zonas de protecção classificam-se em:
conservação, podendo a sua comercialização ser feita em
colaboração com outras entidades públicas ou privadas. a) áreas de conservação total;
3. Os mecanismos de compensação ao esforço da conservação b) áreas de conservação de uso sustentável.
são definidos por regulamento do Conselho de Ministros. 4. Consideram-se áreas de conservação total as áreas de
domínio público, destinadas à preservação dos ecossistemas e
ARTIGO 12 espécies sem intervenções de extracção dos recursos, admitindo-
(Rede nacional de áreas de conservação) se apenas o uso indirecto dos recursos naturais com as excepções
previstas na presente Lei.
1. A rede nacional de áreas de conservação é constituída por 5. Consideram-se áreas de conservação de uso sustentável
um conjunto de áreas de conservação categorizadas ao abrigo as áreas de domínio público e de domínio privado, destinadas à
da presente Lei. conservação, sujeito a um maneio integrado com permissão de
2. A rede nacional de áreas de conservação tem como níveis de extracção dos recursos, respeitando limites sustentáveis
objectivos fundamentais: de acordo com os planos de maneio.
a) contribuir para a manutenção da diversidade biológica
e dos recursos genéticos no território nacional e nas ARTIGO 14
águas jurisdicionais moçambicanas;
(Áreas de conservação total)
b) proteger as espécies ameaçadas de extinção, raras e
endémicas nos âmbitos nacional, provincial, distrital São categorias de maneio das áreas de conservação total as
e autárquico; seguintes:
c) contribuir para a preservação e a restauração da a) reserva natural integral;
diversidade de ecossistemas naturais, terrestres ou b) parque nacional;
aquáticos; c) monumento cultural e natural.
d) promover o desenvolvimento sustentável a partir do uso
e aproveitamento sustentável dos recursos naturais; ARTIGO 15
(Reserva natural integral)
e) valorizar económica e socialmente a diversidade
biológica, promovendo actividades sustentáveis 1. A reserva natural integral é uma área de conservação
incluindo a caça, concessionamento de direitos para total, de domínio público do Estado, delimitada, destinada à
exercício do turismo contemplativo e pesca, de forma preservação da natureza, à manutenção dos processos ecológicos,
a dotar financeiramente a conservação; do funcionamento dos ecossistemas e das espécies ameaçadas
f) conservar os recursos naturais necessários à subsistência ou raras.
das comunidades locais, respeitando e valorizando o 2. Na reserva natural integral são rigorosamente proibidas,
seu conhecimento e a sua cultura; excepto por razões científicas para fins de fiscalização ou para
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a prática de turismo de contemplação, desde que sem qualquer b) proporcionar a realização de actividades de ecoturismo,
implantação de infra-estrutura, as seguintes actividades: recreação, educação e investigação científica;
a) caçar, pescar, acampar, exercer qualquer exploração c) garantir a preservação e reprodução das espécies ou
florestal, agrícola ou mineira; formações vegetais raras, endémicas, protegidas e em
b) realizar pesquisas, prospecções, sondagens, terraplanagens via de extinção;
ou trabalhos destinados a modificar o aspecto do d) prevenir ou eliminar qualquer forma de ocupação ou
terreno ou da vegetação; exploração incompatível com o objecto da tutela de
c) praticar quaisquer actos que prejudiquem ou perturbem monumento;
a diversidade biológica; e) contribuir para o desenvolvimento económico e social
d) introduzir ou colher quaisquer espécies zoológicas ou local, pela promoção do turismo e da participação das
botânicas quer indígenas, quer exóticas, selvagens ou comunidades locais nos benefícios resultantes dessas
domésticas. actividades.
3. Podem ser demarcadas reservas naturais integrais em outras 3. O maneio é realizado consoante a tradição, uso restrito,
categorias de áreas de conservação previstas na presente Lei. princípios e as necessidades de conservação do monumento.
ARTIGO 16 4. São também considerados monumentos naturais as árvores
de valor ecológico, estético, histórico e cultural.
(Parque nacional)
ARTIGO 18
1. O parque nacional é uma área de conservação total, de
domínio público do Estado, delimitada, destinada a propagação, (Áreas de conservação de uso sustentável)
protecção, conservação, preservação e maneio da flora e fauna
bravias bem como à protecção de locais, paisagens ou formações 1. São categorias de maneio das áreas de conservação de uso
geológicas de particular valor científico, cultural ou estético, no sustentável as seguintes:
interesse e para recreação pública, representativos do património a) reserva especial;
nacional. b) área de protecção ambiental;
2. Excepto por razões científicas ou por necessidades de c) coutada oficial;
maneio, no parque nacional são rigorosamente interditas as d) área de conservação comunitária;
seguintes actividades: e) santuário;
a) caçar, exercer qualquer exploração florestal, agrícola, f) fazenda do bravio;
mineira ou pecuária; g) parque ecológico municipal.
b) realizar pesquisa ou prospecção, sondagem ou construção
2. As áreas de conservação podem ser de âmbito nacional,
de aterros;
provincial, distrital e municipal.
c) todos os trabalhos tendentes a modificar o aspecto do
3. As responsabilidades e contrapartidas dos órgãos do Estado,
terreno ou as características da vegetação bem como
provocar a poluição das águas; das autarquias locais e das autoridades comunitárias aos diferentes
d) todo o acto que, pela sua natureza possa causar níveis são regulamentadas pelo Conselho de Ministros.
perturbações a manutenção dos processos ecológicos, ARTIGO 19
à flora, fauna e ao património cultural;
e) toda a introdução de espécies zoológicas ou botânicas (Reserva especial)
quer indígenas quer exóticas, selvagens ou domésticas.
1. A reserva especial é uma área de conservação de uso
3. Nos parques nacionais admite-se a presença do Homem sob sustentável, de domínio público do Estado, delimitada, destinada
condições controladas previstas no plano de maneio, desde que à protecção de uma determinada espécie de fauna ou flora raras,
não constitua ameaça à preservação dos recursos naturais e da endémica ou em vias de extinção ou que denuncie declínio ou
diversidade biológica. com valor cultural e económico reconhecido.
4. Nos parques nacionais permite-se a investigação científica
2. Aplicam-se à reserva especial as permissões e proibições
controlada e monitoria dos seus recursos naturais para fins de
previstas para o parque nacional, com as excepções previstas na
gestão da área.
presente Lei.
5. A intervenção de maneio de espécies de flora e fauna dirige-
se apenas para manter o equilíbrio ecológico, garantindo-se o 3. Exceptuando os recursos cuja exploração é permitida pelo
controlo das populações das respectivas espécies. plano de maneio, é proibida a exploração de quaisquer recursos
na reserva especial.
ARTIGO 17 4. A reserva especial pode ser de interesse nacional ou
(Monumento cultural e natural)
provincial, consoante os interesses que procuram salvaguardar.

1. Os monumentos constituem áreas de conservação total de ARTIGO 20


domínio público do Estado, autárquico, comunitário ou privado, (Área de protecção ambiental)
contendo um ou mais elementos com valor natural, estético,
geológico, religioso, histórico ou cultural excepcional ou único, 1. A área de protecção ambiental é uma área de conservação de
em área inferior a 100 hectares que, pela sua singularidade uso sustentável, de domínio público do Estado, delimitada, gerida
e raridade, exigem a sua conservação e manutenção da sua de forma integrada, onde a interacção entre a actividade humana
integridade. e a natureza modelam a paisagem com qualidades estéticas,
2. Os monumentos visam a realização dos seguintes fins: ecológicas ou culturais específicas e excepcionais, produzindo
a) proteger ou conservar elementos naturais ou culturais serviços ecológicos importantes para os seus residentes e seus
específicos; vizinhos.
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2. A área de protecção ambiental visa a realização dos seguintes onde estas possuem o direito de uso e aproveitamento da terra,
objectivos: destinada à conservação da fauna e flora e uso sustentável dos
a) assegurar a protecção e preservação dos componentes recursos naturais.
ambientais, bem como a manutenção e melhoria dos 2. A área de conservação comunitária visa a realização dos
ecossistemas de reconhecido valor ecológico e sócio- seguintes objectivos:
económico; a) proteger e conservar os recursos naturais existentes na
b) manter uma relação harmoniosa da natureza e da área do uso consuetudinário da comunidade, incluindo
cultura, protegendo a paisagem e garantindo formas conservar os recursos naturais, florestas sagradas
tradicionais de ocupação do solo e de construção, bem e outros sítios de importância histórica, religiosa,
como de expressão de valores sócio-culturais; espiritual e de uso cultural para a comunidade local;
c) encorajar modos de vida e actividades sócio-económicas b) garantir o maneio sustentável dos recursos naturais de
sustentáveis em harmonia com a natureza, bem forma a resultar no desenvolvimento sustentável local;
como com a preservação de valores culturais das c) assegurar o acesso e perenidade das plantas de uso
comunidades locais;
medicinal e à diversidade biológica em geral.
d) manter a diversidade da paisagem e do habitat, bem como
as espécies e ecossistemas associados; 3. O licenciamento para o exercício de actividades de
e) prevenir e eliminar qualquer forma de ocupação do solo exploração de recursos a terceiros só pode ser feito com
e actividades incompatíveis que, pela dimensão ou prévio consentimento das comunidades locais, após processo
grandeza, ponham em causa os objectivos da protecção de auscultação, que culmine na celebração de um contrato
da paisagem; de parceria.
f) proporcionar aos cidadãos espaços de lazer ao ar livre 4. A gestão dos recursos naturais existentes na área de
respeitando as qualidades essenciais da área de conservação comunitária é feita de acordo com as regras e práticas
conservação; consuetudinárias das respectivas comunidades locais, mas sem
g) contribuir para o desenvolvimento sustentável ao nível prejuízo do cumprimento da legislação nacional.
local, pela promoção do turismo e da participação das
comunidades locais nos benefícios resultantes dessas ARTIGO 23
actividades.
(Santuário)
3. A área de protecção ambiental pode abranger áreas terrestres,
águas lacustres, fluviais ou marítimas e outras zonas naturais 1. Santuário é uma área de domínio público do Estado ou de
distintas. domínio privado, destinada à reprodução, abrigo, alimentação e
4. Na área de protecção ambiental podem ser explorados investigação de determinadas espécies de fauna e flora.
os recursos naturais, observando o plano de desenvolvimento 2. O santuário pode ser demarcado dentro de uma área de
integrado. conservação já criada ou fora dela.
5. No interior da área de protecção ambiental podem existir 3. Os recursos existentes no santuário podem ser explorados
outras categorias de áreas de conservação. mediante licença especial, nos termos a regulamentar,
exceptuando as espécies que se pretendam proteger, desde que
ARTIGO 21 estejam de acordo com o respectivo plano de maneio e com a
(Coutada oficial) presente Lei.
4. No santuário podem ser realizadas actividades de
1. A coutada oficial é uma área de conservação de uso
repovoamento de espécies, mediante observância do disposto na
sustentável, de domínio público do Estado, delimitada, destinada a
legislação nacional e do respectivo plano de maneio.
actividades cinegéticas e a protecção das espécies e ecossistemas,
na qual o direito de caçar só é reconhecido por via do contrato de
concessão celebrado entre o Estado e o operador. ARTIGO 24
2. São interditas na coutada oficial as actividades susceptíveis (Fazenda do bravio)
de comprometer os objectivos que conduziram à celebração do
contrato de concessão referido no número anterior. 1. Fazenda do bravio é uma área de domínio privado vedada e
3. É permitido o uso de recursos florestais e faunísticos por destinada a conservação de fauna e flora em que o direito de caçar
parte das comunidades locais, desde que realizado em moldes é limitado ao respectivo titular do direito de uso e aproveitamento
sustentáveis com fins de subsistência e não comprometa os da terra ou àqueles que deles houver autorização, sendo que uns
objectivos referidos no número 1 do presente artigo. e outros carecem da respectiva licença emitida pela autoridade
4. Podem ser realizadas na coutada oficial actividades de competente.
repovoamento de recursos cinegéticos mediante observância do 2. O titular da fazenda do bravio pode estabelecer uma
disposto na legislação nacional e o respectivo plano de maneio. exploração equilibrada de determinadas espécies para a produção
5. A gestão da coutada oficial deve ser realizada de acordo de carne e aproveitamento de outros despojos e subprodutos.
com um plano de maneio devidamente aprovado pelo órgão 3. O titular da fazenda do bravio que colocar animais em
implementador da administração das áreas de conservação, sob cativeiro é responsável pela alimentação, saúde e manutenção.
proposta da entidade gestora. 4. O titular da fazenda do bravio tem a pertença dos animais
ARTIGO 22 que introduzir.
5. Caso o titular da fazenda do bravio pretenda ter a pertença
(Área de conservação comunitária) dos animais encontrados na área pode comprá-los ao Estado.
1. A área de conservação comunitária constitui área de 6. Na fazenda do bravio podem ser realizadas actividades de
conservação de uso sustentável, do domínio público comunitário, repovoamento de espécies, mediante observância do disposto na
delimitada, sob gestão de uma ou mais comunidades locais legislação nacional e do respectivo plano de maneio.
412 I SÉRIE — NÚMERO 73

ARTIGO 25 ARTIGO 29
(Parque ecológico autárquico) (Caça por licença simples)
1. O parque ecológico autárquico é uma área de conservação de 1. A caça por licença simples é exercida pelas comunidades
uso sustentável de domínio público autárquico, para a conservação locais, nas áreas de conservação de uso sustentável e nas zonas
de ecossistemas sensíveis no contexto urbano e de povoação. tampão com o objectivo de satisfazer necessidades de consumo
2. O parque ecológico autárquico visa a realização dos próprio.
seguintes objectivos:
2. O licenciamento da caça para os membros das comunidades
a) proteger elementos da natureza cruciais para o equilíbrio locais, nos termos do número anterior, é feito pelos conselhos
ecológico da autarquia local, incluindo terras húmidas, locais de acordo com as normas e práticas costumeiras e em
mangais, encostas, dunas, áreas florestais;
coordenação com o sector de tutela.
b) proteger e conservar espécies e ecossistemas endémicos,
raros ou ameaçados; ARTIGO 30
c) prevenir a ocupação arbitrária e a urbanização
descontrolada e desregrada dos espaços verdes (Caça desportiva)
localizados nas autarquias locais;
A caça desportiva é exercida por pessoas singulares nacionais
d) contribuir para a qualidade de vida dos munícipes;
e) estimular a educação ambiental, recreação e lazer dos e estrangeiras, nas coutadas oficiais, nas fazendas do bravio e em
munícipes bem como a prática de ecoturismo; outras áreas de conservação de uso sustentável e zonas tampão,
f) permitir a regeneração de espécies essenciais à em conformidade com o plano de maneio.
subsistência das populações;
g) incentivar a pesquisa científica, especialmente associada ARTIGO 31
aos estabelecimentos de ensino e investigação. (Caça comercial)
3. No parque ecológico autárquico é admitida a presença
A caça comercial é exercida por pessoas singulares ou
do homem, desde que não ponha em causa os objectivos que
presidiram a sua criação. colectivas nas fazendas do bravio, visando a obtenção dos
despojos ou de troféus para a comercialização, através da criação
SECÇÃO II de animais bravios nos termos da presente Lei e demais legislação
Actividades nas áreas de conservação
aplicável.
ARTIGO 26 ARTIGO 32
(Exercício de actividades nas áreas de conservação) (Instrumentos e meios de caça)
1. Por razões de necessidade, utilidade ou interesse público, As restrições à prática de caça são objecto de regulamentação
pode ser autorizado o exercício de actividades nas áreas de específica, não sendo permitida a utilização de meios e
conservação referidas na presente Lei, de acordo com os
instrumentos que resultem na apanha ou abate indiscriminado
objectivos de cada categoria da área, que incluem:
de espécies ou indivíduos, tais como queimadas, explosivos,
a) concessões para o exercício da actividade turística; laços, armadilhas mecânicas, substâncias tóxicas, venenosas
b) concessões para a prática ou exercício cinegético;
e armas automáticas.
c) caça, pesca e exploração do recurso florestal;
d) captura de animais vivos e apanha de ovos; ARTIGO 33
e) apicultura;
f) investigação científica. (Caça em defesa de pessoas e bens)
2. Outras actividades podem ser autorizadas se previstas no 1. A caça fora das modalidades previstas na presente Lei só
plano de maneio. é permitida em defesa de pessoas e bens, contra ataques actuais
ARTIGO 27 ou iminentes de animais bravios quando não seja possível
o afugentamento ou captura;
(Legislação aplicável às actividades nas áreas de conservação) 2. A caça referida no presente artigo é exercida prontamente,
As concessões para o exercício das actividades turística, após o conhecimento dos factos, pelas brigadas especializadas
cinegética, pesca, exploração florestal, apicultura e investigação do Estado ou pelo sector privado e pelas comunidades locais
científica são implementadas obedecendo a legislação específica, devidamente autorizadas.
as permissões e restrições impostas pela presente Lei e o plano
de maneio da respectiva área de conservação. ARTIGO 34

ARTIGO 28 (Períodos de defeso)

(Modalidades de caça) Compete ao Conselho de Ministros estabelecer os períodos de


defeso geral e especiais previstos na presente Lei.
1. O exercício da caça deve observar as seguintes modalidades:
a) caça por licença simples; ARTIGO 35
b) caça desportiva;
(Concessões para a actividade cinegética)
c) caça comercial.
2. Os termos e condições e as quotas anuais de abate de animais Por diploma próprio são estabelecidas as condições específicas
bravios, bem como os instrumentos permitidos para a prática de de realização de actividade cinegética nas coutadas oficiais,
caça nas modalidades referidas no número anterior são fixados fazendas do bravio em outras áreas de conservação de uso
por diploma específico. sustentável e nas zonas tampão em regime de concessão.
11 DE MAIO DE 2017 413

SECÇÃO III pelo sector privado, por organizações não governamentais, por
Área de conservação transfronteiriça
comunidades locais ou pelos munícipes, consoante as categorias
em causa.
ARTIGO 36
ARTIGO 39
(Área de conservação transfronteiriça)
(Ordenamento do território)
1. A área de conservação transfronteiriça é uma área estabelecida
por um instrumento legal e gerida de forma colaborativa, que 1. A criação, modificação, extinção e administração de áreas
atravessa uma ou mais fronteiras entre Estados, composta por de conservação devem ser compatibilizadas com a legislação
áreas de conservação ou outras formas de uso da terra, que por que se rege o ordenamento do território nos níveis nacional,
contribuem para a protecção e manutenção da diversidade provincial, distrital e autárquico.
biológica e dos recursos naturais e culturais associados, bem 2. As regiões ecológicas onde se situam uma ou mais áreas de
como promove o desenvolvimento sócio-económico. conservação devem ser objecto do plano especial de ordenamento
2. Constituem objectivos da área de conservação transfronteiriça: do território que inclua, igualmente, as zonas tampão, corredores
ecológicos e outros elementos essenciais à preservação do
a) a cooperação regional ou internacional na gestão de equilíbrio ecológico e à continuidade espacial.
recursos partilhados; 3. A delimitação das áreas de conservação é, obrigatoriamente,
b) a prossecução dos objectivos de cada categoria de área registada no Cadastro Nacional de Terras, enquanto instrumento
de conservação e que são integrados nas áreas de geral de ordenamento do território.
conservação transfronteiriça;
c) a implementação de abordagens comuns da conservação SECÇÃO V
de ecossistemas e espécies para manter a conectividade Zona tampão
de habitat, formações vegetais e de populações de
ARTIGO 40
animais.
(Zona tampão)
3. A área de conservação transfronteiriça é estabelecida por
tratado ou acordo celebrado e aprovado pelos órgãos competentes 1. A zona tampão é uma porção territorial delimitada em
do Estado. redor da área de conservação, formando uma faixa de transição
entre a área de conservação e a área de utilização múltipla com
SECÇÃO IV o objectivo de controlar e reduzir os impactos decorrentes das
actividades incompatíveis com a conservação da diversidade
Criação, modificação ou extinção de áreas de conservação
biológica, tanto de dentro para fora, como de fora para dentro da
ARTIGO 37 área de conservação.
(Aprovação, modificação e extinção das áreas de conservação) 2. A criação da zona tampão visa:
1. Compete ao Conselho de Ministros aprovar, modificar ou a) formação de uma área de amortecimento no redor de
extinguir as reservas naturais totais, os parques nacionais, os uma área de conservação que minimize as pressões
monumentos culturais e naturais de domínio público do Estado, das diversas actividades humanas;
as reservas especiais, as áreas de protecção ambiental, as coutadas b) protecção de cursos e demais fontes de água, resguardando
oficiais, independentemente das suas dimensões, bem como a sua qualidade e a quantidade;
os santuários, as fazendas do bravio e as áreas de conservação c) promoção e manutenção da paisagem em geral e do
comunitárias com dimensões superiores a 10.000 hectares. desenvolvimento do turismo, com a participação do
2. Compete ao Ministro que tutela as áreas de conservação sector privado e das comunidades locais;
aprovar, modificar ou extinguir os santuários, as fazendas do d) promoção da educação ambiental servindo como base
bravio e as áreas de conservação comunitárias com dimensão para consolidar a atitude de respeito às actividades
entre 1.000 a 10.000 hectares. e necessidades ligadas à conservação e a qualidade
3. Compete ao governo provincial aprovar, modificar ou de vida;
extinguir as fazendas do bravio, os santuários e as áreas de e) contenção da urbanização contínua e desordenada;
conservação comunitárias com dimensão até ao limite máximo f) consolidação de usos adequados de actividades
de 1.000 hectares, bem como os monumentos cultural e natural complementares à proposta do plano de maneio da
de domínio público comunitário e de domínio privado. área de conservação;
4. Compete à assembleia municipal aprovar, modificar ou g) estender as medidas de conservação de forma a promover
extinguir os monumentos cultural e natural de domínio público o uso sustentável dos recursos naturais;
autárquico e os parques ecológicos municipais que se localizam h) providenciar a função de corredores ecológicos de forma
dentro dos limites da respectiva autarquia. a assegurar a manutenção da estrutura e processos
5. O processo de criação, modificação ou extinção de áreas de biológicos, a conectividade de habitat bem como
conservação segue o processo indicado na legislação sobre a terra. a movimentação de material genético entre áreas
6. A reserva natural total, o parque nacional e a reserva de conservação.
especial possuem uma zona tampão, parte integrante da área de 3. Na zona tampão, qualquer actividade susceptível de
conservação, de acordo com as condições ecológicas. afectar a sua biótica deve ser previamente aprovada pelo órgão
implementador da administração das áreas de conservação e
ARTIGO 38 sujeita ao licenciamento ambiental, baseado na avaliação do
(Proposta de criação de áreas de conservação)
impacto ambiental, nos termos da legislação específica.
4. A criação da zona tampão deve obedecer aos mesmos
A proposta de criação de áreas de conservação pode ser pressupostos do artigo 39, sobre a aprovação, modificação
feita pelos órgãos governamentais, por instituições académicas, ou extinção de áreas de conservação.
414 I SÉRIE — NÚMERO 73

SECÇÃO VI e) a orientação da gestão dos recursos naturais e as eventuais


Gestão das áreas de conservação
medidas de restauração do meio ou de espécies em
situação crítica;
ARTIGO 41
f) as infra-estruturas e medidas de fomento de actividades
(Regime de usos) tradicionais e outras melhorias das condições de vida
da população local;
1. Os eventuais usos ou exercício de actividades numa área
g) as normas de visitas da área, quando necessário, a
de conservação devem obedecer ao previsto na presente Lei e
segurança dos visitantes, os aspectos de informação
respectiva regulamentação e, se for o caso, a delimitação da área
e interpretação da natureza e, em geral, todo o uso
e as demais determinações do plano de maneio.
público;
2. Os usos compatíveis com a área podem ser sujeitos a
h) as instalações e infra-estruturas necessárias para a gestão
autorização directa da administração da mesma, desde que
da área;
previstos pelo plano de maneio e, em caso de eventuais pedidos
i) os planos especiais que devam ser elaborados para tratar
de autorização provenientes de outros órgãos do Estado, estes
em detalhe qualquer aspecto da infra-estrutura ou
carecem do parecer da administração da área e tem carácter
necessidade de gestão da área;
vinculativo.
3. Os usos incompatíveis com a finalidade da área de j) os estudos necessários para conhecer melhor a área,
conservação, em cada caso, ficam fora da respectiva ordenação contendo o seguimento das condições ambientais e
e devem ser eliminados com a urgência que couber. de uso necessários para apoiar a gestão e a estimação
económica das inversões correspondentes, se houver;
ARTIGO 42 k) o regime de gestão e envolvimento de parceiros.
(Normas de gestão) 2. O plano de maneio deve abranger a área de conservação, a
sua zona tampão, incluindo medidas com o fim de promover a
1. A administração da área de conservação deve procurar sua integração à vida económica e social das comunidades locais.
salvaguardar os valores que motivaram a sua declaração, manter 3. O plano de maneio de uma área de conservação possui a
a qualidade ambiental e, na medida do possível, restaurar o meio. mesma força legal que o plano de gestão ambiental e o plano de
2. As espécies catalogadas que se encontrem no interior ordenamento territorial.
de uma área de conservação recebem especial atenção, com 4. Como medida transitória, enquanto não houver ou se
vista à recuperação da sua população e eliminação dos factores prepara o plano de maneio, a área de conservação pode ser
de ameaça.
gerida através duma declaração de intenções de maneio, que deve
3. As variedades de cultivo e espécies de animais autóctones
incluir uma descrição dos valores dos recursos naturais e culturais
que possam ser encontradas na área de conservação são
significativos e existentes na área e uma proposta de gestão e uso.
consideradas recursos genéticos de interesse para a preservação
da diversidade biológica e são inventariadas e objecto de atenção CAPÍTULO IV
especial caso a sua sobrevivência estiver ameaçada.
4. A administração da área de conservação deve garantir que Recuperação e Restauração da Diversidade Biológica
o aproveitamento dos recursos naturais, onde sejam autorizados, ARTIGO 44
se faça de maneira controlada e sustentável.
(Critério geral)
5. A administração da área de conservação deve gerir a mesma
em colaboração com as comunidades locais e fomentar e apoiar 1. O Estado promove a recuperação de áreas degradadas
as actividades que, sendo compatíveis com a sua conservação, através do reflorestamento, preferencialmente nas dunas, bases
contribuam para a melhoria de qualidade de vida das comunidades e encostas das montanhas, vales e outras zonas sensíveis, bacias
locais. hidrográficas e nos ecossistemas frágeis.
2. O Estado promove o repovoamento da fauna bravia de
ARTIGO 43
acordo com o plano de maneio previamente aprovado e com a
(Plano de maneio) observância da legislação sobre a matéria.
1. As áreas de conservação devem ser geridas através de um 3. Nas áreas de conservação não é permitida a transformação
plano de maneio enquanto documento técnico mediante o qual, de área degradada para outra finalidade de uso devendo esta ser
com fundamento nos objectivos gerais da área de conservação, restaurada à sua condição anterior.
se estabelece o ordenamento e as normas que devem presidir o
uso e o maneio dos recursos naturais, inclusive a implantação ARTIGO 45
das infra-estruturas necessárias à gestão da área, nomeadamente: (Responsabilização)
a) os objectivos de gestão e o seu alcance temporal;
b) a classificação da área e seus limites geográficos e o 1. Quando a degradação de ecossistemas for provocada por
mapa da área junto com zoneamento, se for aplicável; desflorestamento, incêndios ou quaisquer outros actos voluntários,
c) os usos que são considerados proibidos e aqueles o infractor é obrigado a efectuar a recuperação da área degradada
submetidos a autorização em função das necessidades nos termos e nas condições a serem definidos por regulamento
de protecção da área, sem prejuízo dos já estabelecidos próprio, independentemente de outros procedimentos civis e
pela presente Lei; criminais que couberem.
d) as disposições urbanísticas, normas arquitectónicas e 2. Aquele que, de qualquer forma, provocar o declínio da fauna
medidas de protecção complementares, de acordo bravia fica obrigado a efectuar o repovoamento das espécies
com o estipulado na presente Lei, as quais não exime afectadas, nos termos e condições a serem definidos por decreto,
o cumprimento das já existentes; sem prejuízo de procedimentos civil e criminal que derem lugar.
11 DE MAIO DE 2017 415

CAPÍTULO V 4. O Conselho de Ministros fixa as percentagens dos valores


provenientes das taxas de acesso e utilização de recursos para o
Gestão de Espécies Ameaçadas de Extinção
benefício das comunidades locais.
ARTIGO 46 5. As percentagens referidas no número anterior não podem
(Espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção) ser inferiores a 20%.
1. O Conselho de Ministros aprova por decreto a lista de CAPÍTULO VIII
espécies protegidas e a lista de espécies cuja utilização é
Fiscalização
permitida, incluindo a caça.
2. O Estado promove a pesquisa e investigação sobre o estado ARTIGO 50
da diversidade biológica do país para fornecer informação para a (Exercício da fiscalização)
tomada de decisões sobre a gestão das espécies.
1. A protecção, conservação, preservação, uso sustentável,
ARTIGO 47 transporte e manuseio dos recursos objecto da presente Lei estão
sujeitos à fiscalização.
(Importação e exportação de espécies de fauna e flora
ameaçadas de extinção)
2. A protecção e a fiscalização visam a prevenção e o combate
à realização de quaisquer actividades que perturbem a harmonia
1. O Estado toma medidas adequadas para assegurar a aplicação da natureza, em todo o território nacional, especialmente nas áreas
das disposições da Convenção do Comércio Internacional de de conservação e respectivas zonas tampão, e são exercidas por
Espécies de Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. fiscais do Estado, agentes comunitários e fiscais ajuramentados.
2. O comércio internacional das espécies de fauna e flora 3. As forças de defesa e serviços de segurança do Estado
silvestres ameaçadas de extinção é sujeito a um conhecimento participam na fiscalização das áreas de conservação.
científico amplo da sua existência, do seu valor ecológico e das
determinantes da sua conservação. ARTIGO 51
3. As autoridades competentes determinam os mecanismos de (Dever de colaboração)
importação e exportação de espécies vivas ou mortas abrangidas
pela convenção sobre o comércio internacional de espécies de 1. Todas as entidades públicas e privadas e todos os cidadãos
flora a fauna silvestres ameaçadas de extinção. nacionais e estrangeiros bem como os portadores de licença
devem colaborar no exercício da vigilância necessária à protecção
CAPÍTULO VI dos recursos florestais, faunísticos, pesqueiros e outros recursos,
participando as infracções de que tiverem conhecimento
Reassentamento às autoridades competentes mais próximas e prestando o
ARTIGO 48 apoio e informações solicitadas pelos fiscais e outros agentes
da fiscalização.
(Reassentamento populacional)
2. O Estado assegura a protecção dos cidadãos denunciantes
1. O Estado pode realizar o reassentamento das populações nos termos da lei bem como as contrapartidas visando incentivar
humanas para fora da área de conservação, desde que a sua a participação de todos na protecção das áreas de conservação,
presença seja incompatível com o estatuto jurídico da área de nos termos a serem regulamentadas pelo Conselho de Ministros.
conservação ou impeça o seu bom maneio.
2. Aos abrangidos pelo reassentamento devem ser garantidas ARTIGO 52
condições de vida, iguais ou superiores as que possuem na área em (Uso e porte de arma de fogo)
que vivem, através de uma justa compensação acompanhada de
Os fiscais no exercício das suas funções têm direito de uso
medidas que promovam meios de vida, num processo consultivo e porte de arma de fogo e outro equipamento a ser definido por
onde participem, para além dos representantes das pessoas diploma próprio.
contempladas, o administrador da área de conservação em causa
e os órgãos locais do Estado. CAPÍTULO IX
3. É obrigação do Estado promover a criação de infraestruturas
e sinalização das áreas de conservação com o objectivo de Infracções e Penalizações
proteger a biodiversidade e as comunidades, reduzindo a ARTIGO 53
incidência do conflito homem-fauna bravia. (Normas gerais)
CAPÍTULO VII 1. São punidas com pena de prisão, multa e acompanhadas
Taxas de medidas de recuperação ou de indemnização obrigatória os
danos causados, sem prejuízo de aplicação das demais sanções
ARTIGO 49 penais a que derem lugar.
(Taxas) 2. Em casos devidamente justificados, ao infractor pode
ser aplicada pena alternativa incluindo de trabalho para a
1. São devidas taxas pelo acesso e utilização dos recursos compensação ao esforço da conservação.
naturais, pela compensação ao esforço da conservação e pelos 3. O não pagamento voluntário da multa sujeita o infractor
serviços ecológicos da área de conservação. às consequências previstas na legislação penal, na jurisdição
2. Compete ao Conselho de Ministros fixar os valores das taxas onde foi cometida a infracção, independentemente de outros
referidas no número anterior bem como para a emissão de licença procedimentos legais estabelecidos.
para o exercício de actividades e demais autorizações, incluindo 4. Para efeitos do número anterior consideram-se intervenientes
as sobretaxas do repovoamento. no processo de fiscalização e controlo os fiscais do Estado, agentes
3. As comunidades locais são isentas do pagamento de taxas comunitários, fiscais ajuramentados e as comunidades locais que
pela utilização dos recursos naturais desde que para fins não tiverem participado no respectivo processo de transgressão e, em
comerciais e em áreas que tais actividades sejam permitidas. geral, todo o cidadão que tiver denunciado a infracção.
416 I SÉRIE — NÚMERO 73

5. Compete ao Conselho de Ministros proceder à actualização ARTIGO 56


periódica dos valores das multas previstas na presente Lei.
(Circunstâncias atenuantes)
ARTIGO 54
1. Constituem circunstâncias atenuantes na graduação de
(Infracções e sanções) penas, para além das fixadas na legislação penal as seguintes:
1. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem a) ser infractor primário;
infracções puníveis com pena de multa que varia de 1 a 10 salários b) ter o infractor, espontaneamente, procurado membros
mínimos da função pública as seguintes: da fiscalização para voluntariamente, reportar o dano
a) armazenamento, transporte ou comercialização de causado;
recursos naturais objecto da presente Lei sem c) não ter o infractor, conhecimento ou noção das
autorização ou em desacordo com as condições consequências do acto praticado, levando-se em
legalmente estabelecidas;
b) recepção de recursos objecto da presente Lei sem que consideração os seus antecedentes, grau de instrução,
se tenha documento comprovativo da autorização do condições sócio-económicas e hábitos locais e local
vendedor ou transportador; onde vive.
c) transporte ilegal de animais na condição camuflada de 2. Em geral, quaisquer outras circunstâncias que precedam,
forma a não reconhecer seu sexo e espécie. acompanhem ou sigam a infracção, se enfraquecerem a
2. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem culpabilidade do agente ou diminuírem por qualquer modo
infracções puníveis com pena de multa que varia de 11 a 50 a gravidade.
salários mínimos da função pública as seguintes:
ARTIGO 57
a) realização exploração ilegal dos recursos naturais em
áreas de conservação; (Reincidência)
b) realizar na área de conservação trabalho arqueológico
1. Dá-se a reincidência quando o infractor, tendo sido
ou outras obras, sem autorização da autoridade
competente; condenado por sentença transitada em julgado por alguma
c) importação ou exportação de recursos naturais sem infracção, comete outra infracção da mesma natureza, antes de
licença ou em desacordo com as condições fixadas terem passado cinco anos desde a referida condenação, ainda que
pela lei; a pena da primeira infracção tenha sido prescrita.
d) abandono de produtos florestais ou faunísticos ou 2. No caso de reincidência, o montante e os limites mínimos
pesqueiros objectos de licença; e máximos das multas são elevados ao dobro e revertidos a
e) prática de quaisquer actos que perturbem recursos
favor do Estado os instrumentos usados na prática da infracção
naturais ou culturais em áreas de conservação.
e revogada a licença.
3. Sem prejuízo de responsabilidade criminal, constituem
3. Pode também ser determinado que o infractor reincidente,
infracções puníveis com pena de multa que varia de 50 a 1000
salários mínimos da função pública a realização de exploração, quando estrangeiro, seja impedido de trabalhar em território
armazenamento, transporte ou comercialização ilegal de espécies moçambicano, até trinta e seis meses.
constantes na lista de espécies protegidas no País. 4. Não exclui a reincidência a circunstância de ter sido o agente
4. A violação das disposições à convenção sobre o comércio autor de uma das infracções e cúmplice da outra.
internacional de espécies de fauna e flora silvestres ameaçadas
de extinção, inscritas nos respectivos anexos, é punível com as ARTIGO 58
seguintes penas de multa:
(Acumulação de infracções)
a) Anexo I, de 50 a 1000 salários mínimos da função
pública; Dá-se a acumulação de infracções, quando o agente comete
b) Anexo II, de 40 a 500 salários mínimos da função pública; mais de uma infracção na mesma ocasião, ou quando, tendo
c) Anexo III, de 30 a 400 salários mínimos da função perpetrado uma, comete outra antes de ter sido condenado pela
pública. anterior.
ARTIGO 55 ARTIGO 59
(Circunstâncias agravantes)
(Agentes dos crimes e responsabilidade solidária)
Constituem circunstâncias agravantes na graduação de penas,
1. Os agentes do crime são autores, cúmplices ou encobridores,
para além das fixadas na legislação penal, as seguintes:
tal como é definido nos termos da lei penal.
a) cometer a infracção no período de defeso;
2. O fiscal do Estado e o fiscal ajuramentado que não tomar as
b) cometer a infracção contra espécies protegidas;
c) ser o infractor fiscal do Estado, fiscal ajuramentado, medidas previstas na presente Lei e nos seus regulamentos bem
agente comunitário, funcionário ou agente do Estado, como todo aquele que tinha a obrigação legal de colaborar no
polícia ou agente equiparado; exercício da vigilância, e não o tiver feito, é punido nos termos
d) cometer a infracção durante a noite, domingo ou feriado; da lei.
e) usar a violência, ameaça ou sob qualquer forma, opor-se
ao exercício da fiscalização; ARTIGO 59A
f) ser o infractor ou responsável solidário, possuidor (Tentativa e frustração)
de licença;
g) utilizar práticas, instrumentos, técnicas e artes proibidas; A tentativa e frustração de infracções previstas na presente Lei
h) cometer a infracção em grupos organizados. são punidas como crime consumado.
11 DE MAIO DE 2017 417

ARTIGO 60 2. Está sujeito a pena de prisão maior de oito a doze anos


e multa correspondente, aquele que:
(Penas acessórias)
a) caçar, nos meses que pelas normas for proibido o
Da aplicação das penas previstas na presente Lei, resultam as exercício da caça, ou que, nos meses que não forem
seguintes penas acessórias: defesos, caçar por modo proibido pelas mesmas
a) reposição dos danos causados à natureza, repovoamento normas;
das áreas devastadas; b) sem permissão legal converter, transformar, mudar o
b) confisco pelo Estado dos produtos e subprodutos de flora carácter original de partes orgânicas de quaisquer
e fauna e culturais, sem prejuízo da pena aplicável à espécie animal ou arvoredo legalmente protegida, com
infracção; o objectivo de ocultar ou dissimular a sua origem ilícita,
c) reversão a favor do Estado dos instrumentos utilizados passagem, transporte, posse, importação, exportação
na prática da infracção; ou de auxiliar a pessoa implicada nas infracções contra
d) revogação da licença e cancelamento das autorizações o meio ambiente a escapar das autoridades da lei
emitidas em nome do infractor; e eximir-se das suas responsabilidades;
e) suspensão do exercício das actividades causadoras c) puser veneno ou qualquer substância letal ou nociva
da infracção; a saúde animal no meio ambiente, em alimentos ou
f) embargo da obra; água dos rios, lagos, charcos ou qualquer local onde
g) demolição da obra determinada pelo órgão implementador os animais possam beber;
da administração das áreas de conservação a partir da d) colocar fogo e por este meio destruir no todo ou em
constatação da ilegalidade da obra e da gravidade do parte, floresta, mata ou arvoredo dentro das áreas de
dano decorrente da infracção; conservação e ou zona tampão;
h) interdição de novas autorizações por período de um ano. e) praticar artes de pesca proibidas por lei, particularmente
uso de explosivos, substâncias tóxicas, venenosas ou
ARTIGO 61 equivalentes ou com recurso a rede varredoura ou
(Armas proibidas) armadilha mais estreita que a que for limitada pela
1. É condenado à pena de prisão maior de doze a dezasseis entidade pública ou pescar por qualquer outro modo
anos e multa correspondente, se pena mais grave não couber, proibido pelas mesmas posturas ou regulamentos, ou
aquele que exercer actividade ilegal, numa área de conservação, ainda que pescar espécies protegidas.
usando armas proibidas tais como as definidas no Código Penal
e em legislação específica. ARTIGO 63
2. É condenado à mesma pena do número anterior, aquele (Destino dos bens apreendidos)
que exercer actividade ilegal usando armadilhas mecânicas ou
Os produtos, objectos e instrumentos apreendidos e declarados
de quaisquer tipos.
perdidos a favor do Estado, ao abrigo da presente Lei, têm o
3. As armas de fogo apreendidas, assim como os depoimentos
seguinte destino:
de suspeitos detidos, fora do território nacional, indiciados de
cometerem infracções previstas na presente Lei, constituem a) alienação em hasta pública dos produtos salvo as
matéria de investigação e promoção de acção penal em relação excepções previstas na presente Lei;
ao proprietário e portador da arma. b) doação dos produtos perecíveis a instituições sociais
e organizações sem fins lucrativos, bem como
ARTIGO 62 às comunidades locais, após a sua discriminação
(Penas de prisão aos agentes do crime) detalhada em auto de apreensão;
1. Está sujeito a pena de prisão maior de doze a dezasseis anos c) a madeira apreendida oriunda da área de conservação
e multa correspondente, aquele que: pode ter utilização imediata pela respectiva área de
conservação;
a) abater, sem licença, qualquer elemento das espécies d) reencaminhamento dos exemplares vivos de flora e
protegidas ou proibidas da fauna e flora, incluindo fauna bravia à sua zona de origem, ou as zonas de
as espécies constantes na lista dos Anexos I e II conservação mais próxima;
da CITES; e) devolução dos instrumentos ao infractor primário,
b) chefiar, dirigir, promover, instigar, criar ou financiar, desde que não sejam proibidos, após o pagamento da
aderir, apoiar, colaborar de forma directa ou indirecta, respectiva multa e cumprimento das outras sanções
grupo, organização ou associação de duas ou mais ou obrigações legais;
pessoas que, actuando de forma concertada, pratique f) os instrumentos usados na prática da infracção caso
conjunta ou separadamente o crime de abate ou tenham utilidade na área de conservação e noutras
destruição das espécies protegidas ou proibidas da instituições sociais, entidades científicas e culturais
fauna e flora, incluindo as espécies constantes na lista serão doados a estas, desde que não sejam reclamados
dos Anexos I e II da CITES ou a exploração ilegal de num prazo de 15 dias.
recursos minerais nas áreas de conservação e zona
ARTIGO 63A
tampão;
c) sem permissão legal, extrair recursos florestais e (Buscas e apreensões)
faunísticos, puser a venda, distribuir, comprar, ceder, 1. As buscas e apreensões de quaisquer produtos, objectos
receber, proporcionar a outra pessoa, transportar, e instrumentos de infracções previstas na presente Lei podem
importar, exportar, fizer transitar ou ilicitamente ocorrer fora dos limites estabelecidos em legislação processual
detiver animais, produtos de fauna ou preparados das penal em portos, aeroportos, residências, meios de transporte,
espécies protegidas ou proibidas, incluindo as espécies estabelecimentos comerciais e outros locais, desde que justificadas
constantes na lista dos Anexos I e II da CITES. e judicialmente autorizadas.
418 I SÉRIE — NÚMERO 73

2. A autorização judicial é dispensada nos casos de flagrante no processo de fiscalização e controlo dos recursos ao abrigo
delito caso o ocupante da habitação não se oponha à busca e da presente Lei.
lavrado o auto que deve ser por ele assinado.
ARTIGO 68
ARTIGO 63B
(Regulamentação)
(Auxiliar do Ministério Público)
Compete ao Conselho de Ministros adoptar medidas
Na investigação e instrução preparatória de processos regulamentares, 180 dias após a sua publicação.
referentes às infracções previstas na presente Lei, o Ministério
Público é auxiliado por técnicos do Ministério que superintende
o sector das áreas de conservação e pela Polícia competente.
ANEXO
ARTIGO 63C
Glossário
(Depósito e guarda de produtos de fauna e flora)
A
1. Os produtos de fauna bravia e flora apreendidos no âmbito
da fiscalização, ao abrigo da presente Lei, devem ser entregues Actividade turística – actividade comercial que concorre para
imediatamente ao Ministério que superintende o sector das o fornecimento de prestações de alojamento, de restauração e/ou
áreas de conservação, para efeitos de inventariação, extracção satisfação das necessidades das pessoas que viajam para o seu
de amostras, exames laboratoriais, guarda e controlo, sem lazer ou por motivos profissionais, ou que têm por finalidade um
prejuízo de acesso aos mesmos durante a investigação criminal motivo de carácter turístico.
ou julgamento. Área de conservação – área terrestre ou aquática delimitada,
2. Realizados os exames e actos subsequentes, a autoridade estabelecida por instrumento legal específico, especialmente
judicial pode determinar, oficiosamente ou mediante requerimento dedicada a protecção e manutenção da diversidade biológica e
do Ministério Público ou outra autoridade competente pela dos recursos naturais e culturais associados.
destruição por incineração dos produtos de fauna bravia, qualquer Área degradada – porção de território com alterações adversas
que seja a fase do processo. das características naturais do ambiente, que inclui, entre outras, a
3. No acto da destruição devem estar presentes, para além do erosão dos solos, a poluição das águas e do ar, o desbastamento,
Ministério Público, o representante do Ministério que tutela o a desertificação, a fragmentação e perda do habitat, como
sector das áreas de conservação. consequência de factores antropogênicos.
4. O acto de destruição referido no número anterior deve ser Área de utilização múltipla – área fora das zonas de protecção
certificado por auto. dedicada a variadas formas de uso de terra, mediante a aplicação
dos instrumentos de ordenamento territorial.
CAPÍTULO X Arma branca – aquela que é dotada de uma lâmina cortante
Disposições Finais e Transitórias ou perfurante, usada na luta corpo a corpo.
ARTIGO 64 Arma de fogo – qualquer das que actua pela deflagração
de uma carga explosiva que dá lugar à libertação de gases cuja
(Revogação) expansão impele o projéctil.
São revogados o número 21, do artigo 1, os artigos 10, 11, 12,
40 e o número 1 do artigo 22, da Lei de Florestas e Fauna Bravia, C
Lei n.º 10/99, de 7 de Julho e o artigo 13 da Lei n.º 20/97, de 1 Caça – forma de exploração racional de recursos cinegéticos.
de Outubro, Lei do Ambiente, bem como as demais disposições Caçar ou acto venatório – série de movimentos que o caçador
legais que contrariem a presente Lei. realiza enquanto faz o uso das suas artes de caça e que consistem
ARTIGO 65 numa série de operações caracterizadas pela acção ou acções
de procurar, perseguir, esperar, apreender, abater e transportar
(Estudos e investigação) animais bravios, mortos ou vivos.
A actuação de missões de carácter científico que pressuponham CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional das
estudos ou actividades que estejam ao abrigo da presente Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção.
Lei carecem de autorização do Conselho de Ministros, sob Comunidade local – agrupamento de famílias e indivíduos
informação do órgão implementador da administração das áreas vivendo numa circunscrição territorial de nível de localidade ou
de conservação. inferior, que visa a salvaguarda de interesses comuns através da
protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas, sejam cultivadas
ARTIGO 66 ou em pousio, florestas, sítios de importância cultural, pastagens,
fontes de água, áreas de caça e de expansão.
(Cooperação internacional)
Conservação – conjunto de intervenções viradas à protecção,
O Estado deve promover a cooperação com outros países, manutenção, reabilitação, restauração, valorização, maneio e
em particular com os da região, bem como com as organizações utilização sustentável dos recursos naturais de modo a garantir
internacionais para a partilha de boas práticas nos vários domínios a sua qualidade e valor, protegendo a sua essência material e
das áreas de conservação. assegurando a sua integridade.
ARTIGO 67 D
(Multas e seu destino) Defeso – período do ano que visa permitir a reprodução e
O Conselho de Ministros fixa os valores provenientes das crescimento das espécies durante o qual as actividades de sua
multas destinados ao benefício dos diversos intervenientes exploração são proibidas.
11 DE MAIO DE 2017 419

Desenvolvimento sustentável – desenvolvimento baseado P


numa gestão ambiental que satisfaz as necessidades da geração
Perda líquida da biodiversidade – são os impactos causados
presente sem comprometer o equilíbrio do ambiente, permitindo
por actividades sobre a composição das espécies, estrutura
que as gerações futuras também satisfaçam as suas necessidades.
de habitat, funções ecossistêmicas, valores culturais e uso da
Despojos de caça – são as partes do animal que não se
biodiversidade pelas comunidades.
enquadram na definição de troféu, nomeadamente a carne, as
Pesca – a prática de quaisquer actos conducentes à captura
peles verdes (não curtidas).
de espécies aquícola no estado de liberdade natural exercida nas
Diversidade biológica – a variedade e variabilidade entre os
águas interiores ou nas respectivas margens.
organismos vivos de todas as origens, incluindo, entre outros os
Plano de maneio – documento técnico onde constam as
ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos,
actividades e outras medidas técnicas a serem implementadas
assim como os complexos ecológicos dos quais fazem parte;
pelos vários intervenientes na conservação, administração e
compreendem a diversidade dentro de cada espécie, entre as
utilização dos recursos florestais e faunísticos.
espécies e de ecossistemas.
Preservação – visando manter o bem na condição em que
E se encontra, tentando ao mesmo tempo, travar ou retardar a sua
degradação.
Ecossistema – um complexo dinâmico de comunidades
vegetais, animais e de microrganismos e o seu ambiente não vivo, R
que interagem como uma unidade funcional.
Recurso natural – componentes ambientais naturais com
Ecossistema frágil – aquele que pelas suas características
utilidade para o ser humano e geradores de bens e serviços,
naturais e localização geográfica é susceptível a rápida degradação
incluindo ar, água, solo, floresta, fauna, pesca e os minerais.
dos seus atributos e de difícil recomposição.
Recursos minerais – qualquer substância sólida líquida
Ecoturismo – conjunto de actividades turísticas desenvolvidas
ou gasosa formada na crusta terrestre por fenómenos geológicos
nas áreas naturais, assegurando a conservação do ambiente e
ou a ele ligados.
o bem-estar das comunidades locais com o envolvimento dos
Recurso biológico – inclui recursos genéticos, organismos
turistas e consumidores de produtos e serviços turísticos.
ou parte destes, populações, ou quaisquer outros componentes
Erosão – desprendimento da superfície do solo pela acção
bióticos de ecossistemas com uso ou valor actual ou potencial
natural dos ventos ou das águas, intensificado por práticas
humanas de retirada de vegetação. para a humanidade.
Recurso cinegético – as aves e os mamíferos terrestres que
Espécie – conjunto de indivíduos que partilham o mesmo
se encontrem em estado de liberdade natural, quer os que sejam
fundo génico, morfologicamente semelhantes e capazes de se
sedentários no território nacional, quer os que migram através
cruzarem entre si gerando indivíduos férteis. deste, ainda que provenientes de processos de reprodução em
Espécie endémica – espécie confinada a uma determinada meio artificiais ou de cativeiro.
região geográfica. Recursos florestais e faunísticos – florestas e demais formas
Espécie ameaçada de extinção – espécie cuja população foi de vegetação, incluindo os produtos florestais, a fauna bravia, os
reduzida, ou com habitat reduzido, ou em processo de redução, troféus e despojos, quer tenham sido processados ou não.
que necessita de medidas de protecção especiais para garantir Restauração – restituição de um ecossistema ou de uma
a sua recuperação e conservação. população bravia degradada, o mais próximo possível da sua
Espécie rara – espécies com baixa abundância ou distribuição condição natural.
restrita, podendo por essas características ecológicas tornar-se Recursos genéticos – o material genético, nomeadamente de
espécie vulnerável. origem vegetal, animal ou microbiológica, contendo unidades
Espécime ou espécimen – designa um exemplar ou amostra de funcionais de hereditariedade, com um valor de utilização real
qualquer material ou ser vivo. Mais especificadamente, designa ou potencial.
individualmente um animal, planta ou microrganismo, ou uma
sua parte identificável, usado como amostra representativa T
para o estudo das propriedades de uma população da espécie Troféu – as partes duráveis dos animais bravios, nomeadamente
ou subespécie a que pertença. a cabeça, crânio, cornos, dentes, coiros, pêlos e cerdas, unhas,
Estoque de carbono – produto de um determinado ecossistema garras, cascos e ainda cascos de ovos, ninhos e penas desde que
natural ou modificado pelo peso da biomassa e necromassa não tenham perdido o aspecto original por qualquer processo
convertido em carbono. de manufactura.
Exploração sustentável – utilização racional e controlada U
dos recursos florestais e faunísticos, mediante a aplicação de
conhecimentos técnicos e científicos, visando atingir os objectivos Uso indirecto – aquele que não envolve consumo, colecta,
de conservação dos recursos para a presente e futuras gerações. dano ou destruição dos recursos naturais.
Uso directo – aquele que envolve colecta e uso, comercial
F ou não, dos recursos naturais.

Fauna bravia – conjunto de animais terrestres e aquáticos, V


anfíbios e a avifauna selvagens, e todos os mamíferos aquáticos, Valor natural – elemento da biodiversidade, paisagens,
de qualquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento, territórios, habitat ou geossítios.
que vivem naturalmente, bem como as espécies selvagens
capturadas para fins de criação em cativeiro. Z
Floresta – cobertura vegetal capaz de fornecer madeira ou Zoneamento – divisão e classificação do património florestal,
outros produtos vegetais, albergar a fauna e exercer um efeito faunístico e cultural, incluindo elementos afins, de acordo com o
directo ou indirecto sobre o solo, clima e regime hídrico. tipo, uso e finalidade.
Preço — 56,00 MT

IMPRENSA NACIONAL DE MOÇAMBIQUE, E.P.