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Sistemas de Produção

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta unidade você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Compreender o que é um Sistema de Produção.

 Identificar o inter-relacionamento existente entre Sistema de Produção e


Sistema de Manufatura.

 Reconhecer os principais Sistemas de Produção utilizados ao longo do tempo.

Introdução

Neste texto, faremos uma breve revisão sobre o conceito de Sistema de Produção e
Sistema de Manufatura, bem como a identificação dos principais sistemas de
produção usados ao longo dos anos no que tange à Produção.

O Sistema de Produção

A palavra “sistema” é geralmente utilizada para definir de forma abstrata uma


situação relativamente complexa envolvendo elementos fiś icos, quim ́ icos e biológicos
que possam ser caracterizados por intermédio de parâmetros mensuráveis. Os
sistemas podem ser compreendidos como um grupo de partes que operam
conjuntamente para atingir um propósito comum (Forrester, 1990).

Observa-se neste conceito a preocupação com a problemática da delimitação


do sistema, ou seja, o que constitui o todo percebido. Uma definição mais abrangente
é proposta por Bellinger (1996). Este diz que o sistema é uma entidade que
caracteriza a sua existência a partir de interação mútua entre as partes que o
constituem. Neste conceito, deve-se ressaltar que a fronteira do sistema pode ser
instaurada de forma artificial e implica a necessidade de definir os seus objetivos ou
fins. Para diferentes objetivos, provavelmente ter-se-á diferentes definições da
fronteira do sistema.

É importante ressaltar que os sistemas podem ser compreendidos como um


grupo de componentes inter-relacionados que trabalham juntos rumo a uma meta
́ as do
comum recebendo insumos (entradas do sistema) e produzindo resultados (said
sistema), em um processo organizado de transformação.
Do ponto de vista da operacionalização da abordagem dos sistemas, também é
importante definir de forma clara os elementos (subsistemas) que o constituem, bem
como o inter-relacionamento entre estes subsistemas. A de- finição explić ita dos
subsistemas e de seus relacionamentos é uma tarefa im- portante quando os
problemas são tratados com uma visão sistêmica (Pritsker, 1990). A definição dos
subsistemas não é arbitrária e deve levar em conta os seguintes pontos:

 ignorar os elementos que são considerados despreziv́ eis para fins da


análise proposta;

 destacar, para cada subsistema, as tarefas importantes


desempenhadas pelo mesmo;

 considerar as principais interações entre os diversos subsistemas;

 definir com clareza as fronteiras dos diversos subsistemas e do sistema


como um todo.

O sistema empresa de manufatura

Uma determinada empresa de manufatura, quando observada desde um ponto de


vista do sistema aberto, é constituid
́ a de vários subsistemas, por exemplo: finanças,
produção, marketing, vendas, recursos humanos, desenvolvi- mento de produtos e
processos, contabilidade de custos, entre outros. Por outro lado, possui uma
importante relação com o (super) sistema externo, que fornece elementos de entrada
para o sistema em análise, tais como materiais, informações sociais e polit́ icas,
energia, demanda do mercado etc.

O objetivo do sistema empresa de manufatura consiste em, através de uma efetiva


coordenação de seus diferentes subsistemas constitutivos, alcançar os propósitos
gerais da empresa (ou seja, sua meta). Como a empresa de manufatura constitui-se
em um sistema aberto, necessita desenvolver uma relação permanente com o
ambiente externo (sistema externo) para garantir o alcan- ce objetivo de seus
propósitos gerais.

Os sistemas de manufatura e de produção

De forma geral, pode-se dizer que um sistema de manufatura recebe um conjunto de


entradas (materiais, informações, energia etc.), a partir das quais os materiais serão
fisicamente processados e adquirirão valor agregado pela utilização de um conjunto de
elementos complexos (máquinas e pessoas), o que resultará como said ́ a: produtos
acabados, destinados diretamente aos consumidores, ou; bens semi-acabados que
serão utilizados pelos clientes para fabricar outros produtos acabados (Black, 1998).
É relevante frisar que os sistemas de manufatura tratam de diferentes tecnologias
básicas (ou especif́ icas) que são intrinsecamente relacionadas ao produto, neste
sentido, também podendo ser denominadas de tecnologias intriń secas.

Por exemplo, no caso da fabricação de automóveis, são utilizadas tecnologias


especif́ icas tais como: usinagem, forjamento, fundição, soldagem, pintura etc. No caso
da fabricação de produtos isotérmicos são utilizadas tecnologias básicas do tipo:
injeção, sopro, serigrafia etc. Da mesma forma, as indústrias moveleira, de calçados,
petróleo, implementos agrić olas e rodoviários etc., necessitam de diferentes tipos de
tecnologias básicas. O importante aqui é destacar que diferentes indústrias
necessitam de tecnologias básicas/especif́ icas/intrin
́ secas diferentes.

Por outro lado, sob a perspectiva dos sistemas de produção, são efetivadas ações no
sentido de operacionalização das funções de planejamento e controle do fluxo global
de produção. Essas funções são crit́ icas para o bom desempenho dos sistemas de
manufatura. Entre as funções de planejamento e controle que devem ser levadas
adiante nos sistemas de produção, pode- se destacar aspectos relativos a:

 gestão da qualidade, objetivando que os materiais não apresentem defeito em


nenhuma parte do fluxo produtivo;
 gestão da produção, almejando a responder às perguntas “o quê”, “quan- to”,
“quando”, “onde” e “como” produzir;
 controle dos estoques propriamente ditos, ou seja, definição das quantida- des
ideais de compra, venda e material em processo;
 manutenção, ou seja, a determinação e melhoria da confiabilidade das
máquinas;
 gestão dos acidentes de trabalho, com vistas a reduzir a zero o número de
acidentes de trabalho na organização;
 gestão ambiental, objetivando reduzir os resid́ uos industriais no que tange ao
ar, solo e água;
 sincronização do fluxo produtivo;
 indicação das necessidades de melhorias em todos os pontos citados
anteriormente: qualidade, gestão da produção e dos estoques, manutenção,
acidentes de trabalho, gestão ambiental e sincronização.

Inserir a figura da pagina 63 do livro Sistemas de Produção: Conceitos e Práticas


para Projetos e Gestão da Produção Enxuta Fig. 2.2 Relação entre o sistema de
manufatura e o sistema de produção, de acordo com Black (Fonte: Black, 1998).

Classificação dos Sistemas de Produção

Cada empresa adota um sistema de produção para realizar as suas operações e


produzir seus produtos ou serviços da melhor maneira possível e, com isso, garantir
sua eficiência e eficácia. O sistema de produção é a maneira pela qual a empresa
organiza seus órgãos e realiza suas operações de produção, adotando uma
interdependência lógica entre todas as etapas do processo produtivo, desde o
momento em que os materiais e matérias-primas saem do almoxarifado até chegar ao
depósito como produto acabado.

Existem várias formas de classificar os sistemas de produção.


 pelo grau de padronização dos produtos;
 pelo tipo de operação que sofrem os produtos;
 pela natureza do produto.
A classificação dos sistemas produtivos tem por finalidade facilitar o entendimento das
características inerentes a cada sistema de produção e sua relação com a
complexidade das atividades de planejamento e controle destes sistemas.

1 - Por grau de padronização dos produtos

Os sistemas produtivos podem ser classificados como sistemas que produzem


produtos padronizados, e sistemas que produzem produtos sob medida.

Produtos padronizados são aqueles bens ou serviços que apresentam alto grau de
uniformidade. Eles são produzidos em grande escala, os clientes esperam encontrá-
los a sua disposição no mercado, seus sistemas produtivos podem ser organizados de
forma a padronizar mais facilmente os recursos produtivos (máquinas, homens e
materiais) e os métodos de trabalho e controles, contribuindo para uma maior
eficiência do sistema, com conseqüente redução dos custos.
Exemplos: Sabonete, Biscoitos, Papel Higiênico.

Já os produtos sob medida são bens ou serviços customizados para um cliente em


específico.
Como o sistema produtivo espera a manifestação dos clientes para definir os produtos,
estes não são produzidos para estoque e os lotes normalmente são unitários. Devido
ao fato do prazo de entrega ser um fator determinante no atendimento ao cliente, os
sistemas que trabalham sob encomenda possuem normalmente grande capacidade
ociosa, e dificuldade em padronizar os métodos de trabalho e os recursos produtivos,
gerando produtos mais caros do que os padronizados. A automação dos processos é
menos aplicável visto que a quantidade produzida não justifica os investimentos.

Exemplos: Alfaiataria, Bolos sob encomenda, Customização.

2 - Por tipo de operação


Os sistemas de produção podem ser classificados em dois grandes grupos: processos
contínuos e processos discretos. Os processos contínuos envolvem a produção de
bens ou serviços que não podem ser identificados individualmente. Os processos
contínuos são empregados quando existe uma alta uniformidade na produção e
demanda de bens ou serviços, fazendo com que os produtos e os processos
produtivos sejam
totalmente interdependentes, favorecendo a automatização, não existindo flexibilidade
no sistema.

Exemplos: energia elétrica, petróleo e derivados, produtos químicos de uma forma


geral, serviços de aquecimento e ar condicionado, de limpeza contínua.

Os processos discretos envolvem a produção de bens ou serviços que podem ser


isolados, em lotes ou unidades, particularizando-os uns dos outros.
Exemplos: Produção de computadores, de carros, de pisos cerâmicos.

Os processos discretos podem ser subdivididos em processos repetitivos em massa,


processos repetitivos em lotes, e processos por projeto.

Os processos repetitivos em massa são aqueles empregados na produção em grande


escala de produtos altamente padronizados.
Normalmente, a demanda pelos produtos são estáveis fazendo com que seus projetos
tenham pouca alteração no curto prazo, possibilitando a montagem de uma estrutura
produtiva altamente especializada e pouco
flexível, onde os altos investimentos possam ser amortizados durante um longo prazo.

Exemplos: automóveis, eletrodomésticos, produtos têxteis, produtos cerâmicos, abate


e beneficiamento de aves, suínos, gado, etc., e a prestação de serviços em grande
escala como transporte aéreo, editoração de jornais e revistas, etc.

Os processos repetitivos em massa são aqueles empregados na produção em grande


escala de produtos altamente padronizados.
Normalmente, a demanda pelos produtos são estáveis fazendo com que seus projetos
tenham pouca alteração no curto prazo, possibilitando a montagem de uma estrutura
produtiva altamente especializada e pouco flexível, onde os altos investimentos
possam ser amortizados durante um longo prazo.
Exemplos: automóveis, eletrodomésticos, produtos têxteis, produtos cerâmicos, abate
e beneficiamento de aves, suínos, gado, etc., e a prestação de serviços em grande
escala como transporte aéreo, editoração de jornais e revistas, etc.

Exercícios
1 - Um sistema de produção é definido conceitualmente como sendo a configuração
de recursos combinados, de natureza física (homens, máquinas, materiais,
equipamentos etc.) ou não-física (métodos, rotinas, tecnologias, conhecimentos,
padrões, procedimentos etc.) para a produção de bens e serviços. Uma das mais
importantes funções de um sistema de produção é o Planejamento e Controle da
Produção (PCP), cuja arquitetura técnica e organizacional varia em função da
natureza contínua ou intermitente do sistema de produção, conhecendo-se para tanto,
duas tipologias distintas: por fluxo e por ordem. Considerando
a relação entre os sistemas de produção e as tipologias existentes de PCP, analise as
afirmações que se seguem.

I. Os sistemas de produção de natureza contínua são caracterizados pela fabricação


de um grande volume e pequena variedade de produtos, usando um sistema de PCP
do tipo por fluxo.
II. Na produção do tipo intermitente, a fabricação é caracterizada pela elaboração de
pequenos volumes e grande variedade de produtos, usando um sistema de PCP por
ordem.
III. Os sistemas de produção de natureza contínua comportam operações muito
variadas e que requerem instruções frequentes, usando um sistema de PCP por
ordem.
IV. Na produção do tipo intermitente, a fabricação é caracterizada por uma grande
frequência de operações repetitivas, usando um sistema de PCP por fluxo.
V. Os sistemas de produção de natureza contínua têm características dúbias
admitindo ambos os sistemas PCP por ordem e PCP por fluxo.
VI. Na produção do tipo intermitente, a fabricação tem característica dúbia admitindo
ambos os sistema PCP por ordem e PCP por fluxo.
É correto apenas o que se afirma em .
A) V
B) Vl.
C) I e II.
D) III e IV.
E) V e Vl.

2 - Em uma empresa de fabricação de móveis para escritório, os processos de monitoração do


planejado e do orçamento enquadram-se na categoria de processos:

a) organizacionais
b) de transformação

c) primários

d) de direcionamento

e) gerenciais

3 - A evolução da gestão no mundo globalizado tem tornado a gestão de processos como um


requisito relevante as grandes mudanças do mundo organizacional moderno, por:

a) Ajudar a facilitar a burocracia, a padronização, a centralização das decisões e o


desenvolvimento de regras e normas na organização;

b) Ajudar a facilitar controle das pessoas, a padronização, a qualidade e o desenvolvimento de


regras de conduta pessoal.

c) Ajudar a facilitar o planejamento, a produção de regras e normas, a liderança e o controle de


todas as pesssoas;

d) Ajudar e facilitar o planejamento, a organização, a liderança e o controle de tudo o que é


feito na organização;

e) Ajudar a dificultar o controle, a eficiência, a liderança e o controle das normas e regras


desenvolvidas na organização;

4 - Sobre a visão de modelagem dos processos podemos afirmar que: I - Precisamos analisar o
processo de diversos ângulos e por diversas óticas, buscando, a cada dia, superar nossas
expectativas. II - Ao modelarmos um processo precisamos manter nossa preocupação em terminar
as tarefas o mais rápido possível. III - Temos que buscar uma disciplina maior, uma visão mais
objetiva de padronização, consistência e segurança, cuja base seja mais científica.

a) Somente a II está correta


b) Somente a III está correta
c) II e III estão corretas
d) I e III estão corretas
e) I e III estão corretas

5 - Na gestão de processos os indicadores são uma forma de representação quantificada das


características de um processo, utilizados para acompanhar e melhorar os resultados ao longo do
tempo. Sobre os indicadores podemos afirmar:
I- Surgem da necessidade de aferir resultados (indicadores de resultado).

II- Visam transmitir as necessidades e expectativas dos clientes.

III- Contribuem de forma especial para melhoria dos processos e produtos.

É(São) correta(s) a(s) afirmativa(s):

a) II e III, apenas.

b) II, apenas.

c) I, apenas.

d) III, apenas.

e) I, II e III.

Referências
BLACK, J.T. O Projeto da Fábrica com Futuro. Porto Alegre: Bookman, 1998.

ANTUNES, Junico. KLIPPEL, Altair Flamarion. SEIDEL, André. KLIPPEL,


Marcelo. Uma Revolução na Produtividade: A Gestão Lucrativa dos Postos de
Trabalho. Porto Alegre: Bookman, 2013.

SLACK, Nigel. CHAMBERS, Stuart. JOHNSTON, Robert. BETTS,


Alan. Gerenciamento de Operações e de Processos: Princípios e Práticas de
Impacto Estratégico. - 2ª Edição - Porto Alegre: Bookman, 2013.